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Dica de Artista. Desenho Infantil. Passo a Passo: Movimento. e muito mais... n. 10 Abril conheça o trabalho de Yujdi Ida

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Academic year: 2021

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© Roge R C R uz / Ma R vel C o M iC s n. 10 | Abril | 2019

Dica de Artista

conheça o trabalho de Yujdi ida

Desenho Infantil

textão de Marcelo Campos

Passo a Passo:

Movimento

fazendo personagens em ação com Roger Cruz

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QUANTA ACADEMIA DE ARTES

direção

Marcelo Campos

gestãofinanceira | jurídica

alexandre Figueiredo

coordenaçãoadministrativa

vanks estevão | William estevão

relacionamentocomocliente

Daniel Clayton

coordenaçãodidática

olavo Costa | Tainan Rocha silas Rocha | Helena Nascimento

assessoriadeimprensa | comunicação

Carol Fernandez | Felipe Campos

secretaria | recepção

vandreia gonçalves | stefany Berglin isabel Marques | Thais Rodrigues lucy silva | sonia Rocha

limpeza | manutenção

vania Toledo | Pamela alves Paulo César Toledo

QUANTA DIGITAL

editor-chefe

Marcelo Campos

conselhoeditorial

Ronaldo Barata olavo Costa | Tainan Rocha

projetográfico | diagramação

olavo Costa | Ronaldo Barata

© olavo Co

sTa

2

T

odo dia, assim que eu chegava da escola, corria ligar a Tv para ver os desenhos animados. sempre fui fascinado por eles. Mas, apesar de ver quase tudo o que passava na Tv aberta dos anos de 1980 e 1990, não estava ali o meu prazer mais duradouro. era nos quadrinhos que eu me perdia por horas a fio.

Disney, Turma do Arrepio, Garfield, HQs de personagens da Tv (muitos deles per-sonagens das animações), quadrinhos dos Trapalhões, do Sérgio Mallandro, do Beto Carreiro e, claro, Turma da Mônica e cia. Qualquer um deles me bastava por horas. e isso tudo antes de descobrir as HQs de super-heróis, que prolongaram ainda mais meu relacionamento com essa forma de contar histórias.

eu dispensava facilmente as brincadeiras na rua para ficar ali, entretido com as nar-rativas destes personagens fantásticos e absurdos. isso fez parte da minha formação e fez crescer em mim a vontade de fazer desenho e quadrinhos.

Não que esta seja uma história incomum: a maioria dos desenhistas que conheço, pro-fissionais e amadores, jovens ou já vividos, têm uma história bem parecida...

o que me leva a concluir que são os qua-drinhos, os livros, os filmes e os desenhos animados os maiores responsáveis pela formação dos artistas, cineastas, anima-dores e escritores do futuro: É aqui que a fagulha se acende!

Claro que nem todos pensam assim. Tanto na comunidade de artistas quanto na sociedade de maneira geral, há ainda muito preconceito sobre o que é ou não uma obra infantil e a quem elas se destinam.

É justamente isso que Marcelo Campos

começa a discutir na sessão Textão, com a primeira parte do texto que se propõe a fazer uma análise sobre o que é um desenho infantil.

Yujdi Ida, mais conhecido como mo__ozy

chega na sessão Dica de Artista com muita irreverência e pouca maturidade.

e o veterano das HQs de super-heróis,

Roger Cruz, chega na sessão Passo a Passo

com dicas sobre como dar movimento aos seus desenhos!

e se vocês me permitirem uma breve dica: mexam-se! libertem sua criança interior, tragam a tona toda à sua nostalgia e criem os desenhos infantis de amanhã!! garanto que será uma jornada da qual vocês não se arrependerão.

Ronaldo Barata

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Yujdi Ida

Yujdi ida, mais conhecido como mo__ozy por essa internet, fez curso de ilustração, character designer, entre outros. amante da cultura japonesa principalmente as comidas, gosta de cores vibrantes de mais para caber na escala CMYK.

Já trabalhou como diretor de arte, ilustrador e o já foi o cara da gráfica. No menu, tem uma pitada de comédia, cores vibrantes, coisas kawaii, ocultismo e se for tudo junto, melhor.

https://www.behance.net/yujdir @mo__ozy/ © Yu jdi id a

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Desenho Infantil

M

inha carreira como desenhista aconteceu meio por acaso. eu sempre gostei e li Histórias em Quadrinhos, mas nunca direcionei meus esforços para me tornar um profissional da área. Nem mesmo pensava seriamente em me tornar um desenhista, seja qual fosse a área de aplicação desse pretenso talento. Na verdade, foi um encadeamento de even-tos que me levou a esse mercado. De qualquer maneira, nunca tive nenhum preconceito com qualquer estilo ou gênero de HQ. Desde os alternativos, undergrouds, até as mais comerciais como as aventuras e os super-heróis. o chamado desenho infantil, é claro, está entre eles... Com o tempo, o estudo e com o passar do meu caminho como profissional, o chamado desenho in-fantil, muitas vezes generalizado como estilizado, se tornou meu principal foco de aprendizado e crescimento. Foi com ele que comecei a entender melhor o que é desenho e o que é desenhar, além de também ajudar a entender melhor certos conceitos de filosofia, mitologia, símbolos, signos, religião e por aí vai. Pode parecer loucura tudo isso, mas eu não sou conhecido por ser muito “lúcido”.

por

Marcelo

Campos

Parte Um

© E. C . S Egar

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o gênero conhecido como under-ground foi o que fui mais apresentado do que qualquer outro. isso aconteceu através do meu irmão Ricardo, que adorava as revistas o grilo e os auto-res guido Crepax, Robert Crumb, entre tantos outros. Paralelamente a isso, conheci alguns autores e materiais que me fascinaram mais do que qualquer outro... Popeye de e. C. segar, o Brucutu (ou alley oop) de v. T. Hamlin, o Tintin de Hergé, as estilizações de Jack Kirby, Will eisner e Daniel Torres, Flavio Colin e ziraldo. É esta a base de toda a minha influência como desenhista.

© Dick sprang

© V. T. Hamlin

© RobeRt CRumb © E. C. SEgar

© Ziraldo

geralmente os estilos de traço dos artistas abaixo são considerados como estilizados. e são! Muitos ligam o termo estilizado ao conceito de desenho infantil. e podem ser considerados assim!

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É obvio que nem todo desenho esti-lizado pode ser vinculado ao desenho infantil, porque, apesar de sua construção gráfica ser direcionada para um tipo de estruturação que pode até lembrar o desenho infantil, a temática de suas histórias, todo o conceito explorado pelo autor como tema básico da obra, não tem nada a ver com o público infantil. então, não estou querendo dizer aqui, que todo desenho estilizado é infantil, mas sim que, em muitos casos, é. Não estou dizendo também que todo dese-nho direcionado para o público infantil seja, obrigatoriamente, estilizado, mas que em muitos casos, é.

estes dois autores vistos nesta página tem trabalhos “estilzados”, que podem ser confundidos com “infantil”, mas estão longe disso.

em outra edição, já falei sobre a estruturação do desenho em termos de construção de um estilo ou, como gostamos de dizer aqui na Quanta, “personalidade gráfica”. sugeri outras maneiras de se ver desenho, de se entender desenho. Falei sobre como podemos “ler” as imagens e também sobre a capacidade que o desenho infantil, o desenho estilizado, tem de extrapolar a forma e seus significa-dos. e que justamente por trabalhar

© Massi M o Ma ttioli © Pio tr

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em termos de simbologia da forma, atua de maneira diferente nas pessoas conseguindo aprofundar sensações, sentimentos. isso ocorre porque o dese-nho infantil, estilizado, tem como foco o expressivo com base no realismo, isto é; a realidade é a base para a criação de um símbolo gráfico: uma árvore no mundo material real serve como base para se criar uma representação gráfica dessa árvore. uma cadeira, mesa, avião, navio, sapato, colher, tecido, no mundo real servem como base para a criação de uma representação gráfica de cada um destes objetos. isso vale também para seres humanos, animais, vegetais, minerais e por aí vai.

observando a construção de detalhes do rosto da personagem Megara em Hércules, uma animação da Disney, você pode ver que a estrutura dos olhos tem base na realidade, mas busca uma inter-pretação gráfica de olho. ele busca mais um simbolismo de olho, uma estrutura mais “metafórica” e expressiva, do que realmente tentar fazer o olho “realista”. Na página do Pererê, de ziraldo, você vê a mesma busca na estrutura dos personagens e das árvores... não são árvores, são representações gráficas de diferentes espécies de árvores. o estilizado é, então, uma espécie de busca por um universo gráfico único. Como se o artista estivesse criando um

© Disney

©

Ziraldo

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novo idioma, uma nova língua gráfica. Mas a estilização, o desenho infantil, não para aí... ela é muito mais interes-sante e profunda do que isso porque também possui a qualidade de expressar graficamente sensações, sentimentos, traços de personalidades e conceitos. Na estilização, um personagem pode mostrar facetas de sua personalidade através de uma forma gráfica. Normalmente, os artistas estruturam estas formas gráficas para os personagens partindo de bases psicológicas estereotipadas, mas artistas experientes também con-seguem traduzir traços psicológicos mais sutis nessas representações. e existem técnicas para isso.

Novamente citando a animação Hércules, da Disney, veja a estrutura dos personagens Pain, Panic e Hades.

a própria estrutura física dos per-sonagens busca uma interpretação gráfica para a personalidade de cada um. É uma espécie de busca por criar um estereótipo gráfico de personalidade. e isso fica um pouco difícil de passar através de desenhos mais realistas.

em outra edição, falei também de tipos de artistas (claro que de uma maneira simplista). Falei dos artistas conceituais, viscerais... Que possuem um estilo próprio e muitas vezes pouco técnico. Falei do artista técnico, que aprofundou e centrou seus esforços no estudo acadêmico do desenho, da ilustração, da pintura e por aí vai. Tam-bém falei do artista que reúne estas duas qualidades. esta classificação

(novamente simplista), também é válida para a área do desenho infantil.

em termos técnicos, este desenho infantil é uma das linhas de trabalho mais complexas dentro das aplicações profissionais que a arte de desenhar pode ter. Digo isso porque fazer o tal desenho infantil exige muita maturidade do artista, da sua arte, do seu estudo profundo da forma e de como representá-la. exige também vivência, experiências de vida. esta complexidade vem justamente do fato de este artista ter que estar mais maduro para conseguir entender, controlar, moldar, interpretar a forma que existe no mundo real ou até mesmo imaginar algo que não existe e conferir a ela toda esta qualidade gráfica em

termos de significados, simbolismos e expressão. É claro, para isso, ele precisa ter pelo menos uma base sólida de co-nhecimento não só gráfico, mas (e isso é o mais importante) um maior estofo cultural, intelectual. Referências. Por isso citei a experiência de vida. você não consegue criar estas leituras de significados, simbolismos, se não se estruturou intelectualmente para isso. Percebi esta complexidade escon-dida atrás do termo desenho infantil desde muito cedo. e uma das coisas que me ajudou a continuar a desenhar por tanto tempo foi tentar entender a base desta complexidade, não para me tornar profissional, mas para entender todas estas simbologias envolvidas.

©

Disney

©

Disney

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©

Disney

sempre gostei de estudar a estrutura gráfica como linguagem, como signo, como símbolo. Para isso, precisei ler. ler muito. Filosofia, antropologia, História da arte. sempre me interessou ver as coisas pelo lado mais complicado delas ou (pra mim) o lado bem mais legal delas. algo além do que só sua superfície. Por isso, de certa maneira, nunca me interessei muito pelo dese-nho realista, porque, embora também tenha qualidade, beleza e importância (é claro), e seja também gráfico (como todo desenho é), ele procura represen-tar a realidade como ela é, e não como ela pode ser interpretada, adquirindo

Quadrinhista, ilustrador e empresário, Marcelo Campos iniciou seus trabalhos em 1984 com histórias de terror e ficção. Até 1988, ilustrou caixas de brinquedos da Estrela (Comandos em Ação) e desenhou e roteirizou várias histórias em quadrinhos.

Em 1989, tornou-se um dos primeiros brasileiros (junto com o desenhista Watson Portela) a pu-blicar no mercado de histórias em

quadrinhos nos Estados Unidos. Desenhou importantes títulos americanos como Superman, Teen Titans, Lanterna Verde, Spi-derman, Thor, Homem-de-Ferro,

X-Men e Vingadores. Também trabalhou nas adaptações de quadrinhos das animações

Dis-ney: Mulan, Hércules e Tarzan. No Brasil, seu personagem Quebra-Queixo rendeu-lhe diversos prêmios. Foi animador de desenhos animados como Smurfs, Snorkels e Flintstones

da Era Dourada da Hanna -Barbera. É fundador e diretor da Quanta Academia de Artes.

significados mais profundos.

Mesmo assim, entendi muito cedo também, para controlar e moldar a forma a ponto de torná-la símbolo, signo gráfico, eu deveria entender sua base que está no mundo material. assim, entendi muito cedo também que o estudo acadêmico destas formas como estrutura seria importante. sempre soube que deveria assumir a forma vista no mundo real como matéria-prima, como barro, para criar uma nova estrutura gráfica para este real e, assim, conferir a ela todos os significados mais profundos que via no trabalho dos autores e materiais que gostava.

em termos profissionais, de visão e adaptação ao mercado, o desenho infantil também oferece o mesmo desafio em termos de complexidade ao profissional que deseja trilhar este caminho.

CONTINUA...

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passo a

passo:

Movimento

N

o desenho de super-heróis, o mo-vimento, a anatomia e a expressão corporal são fundamentos impor-tantes que precisam ser praticados constantemente. este é o esquema que uso para a construção da figura. Co-mece o desenho com um esquema simples como este. (fig. 1)

o mais importante aqui é o movimento. Não precisa fazer o traço muito certinho e bonito. o importante é o desenho, a forma. Faça quantos ajustes forem necessários. escolher uma boa posição faz diferença no resultado final.

Na próxima etapa (fig. 2), construa os cilindros e caixas. Concentre-se nas proporções e nos eixos da figura. Procure entender como tudo se relaciona.

por

Roger

Cruz

© Roge R C R uz Fig. 01 Fig. 02

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Roger Cruz nasceu em 1971, na cidade de São Paulo, no Brasil, e trabalha com histórias em

qua-drinhos desde os anos 80. Publicou suas primeiras HQs autorais em editoras pequenas de São Paulo com o pseudônimo RoCK. Nos anos 90, estreou no mercado norte-americano de quadrinhos, onde trabalhou para grandes editoras, desenhando X-Men, X-Men Alpha, X-Men Ômega, Generation X, X-Man, Hulk, Ghost Rider, Alpha Flight, X-Men First Class, Magneto, Spi-derman, Doc. Strange, Darkness, YoungBlood, entre outros. Eventualmente, ainda leciona Desenho de Anatomia para Su-per-Heróis na Quanta Academia de Artes. rogercruzbr.blogspot.com/ rogercruz.deviantart.com/ @rogercruzart

agora sim, os músculos. Para que fiquem convincentes, é preciso praticar bastante. Faça isso usando principal-mente modelo vivo ou fotografias.

Na fase de planejamento, experimen-te algumas posições de cabeça, mãos, pernas, etc. Para evitar a primeira idéia que aparece e que costuma ser muito óbvia. gire o tronco, mova a cabeça, incline a mão, erga ou abaixe o braço. Crie mais de uma opção de ângulo de visão e posição para a mesma figura.

No esboço abaixo, tente definir ana-tomia, uniformes, expressões e todo o resto na cena. Dá até para perceber quem são alguns. invente outros que quiser. Faça cópia xerox ampliada tamanho a3 ou scaneie e imprima maior. Depois use uma mesa de luz ou a janela de sua casa para copiar o esboço.

© Roge R C R uz

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na pró

xima edição:

de aluno:

Marina Coelho

mostra sua

Arte!

Textão:

marcelo Campos e

o Desenho Infantil

Parte 2

passo a passo:

Marcelo Maiolo

mostra o seu processo

de colorização de HQ!

e muito mais!

11/05

sábado, às 15h

ouro da casa

gratuito

07 e 21/05

terças, às 19h

modelo-vivo

r$ 20

25/05

sábado, às 15h

Modelo-vivo

Especial

R$ 20

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meses na

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© K eiK o K aW a Ti ©Pi eTRo aN T o g N i o N i

Maio

Todas as

sextas, às 19:30H

Bate-Papo

gratuito!

© W eB eRsoN s aNTiago © Aless A ndro

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Por se tratar de uma ciência

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