A Sociedade
em Rede em
Portugal 2010
A Rádio em rede
Maio de 2011
Índice
Introdução ... 3
Análise de Indicadores ... 4
Posse de Rádio tradicional ... 4
A rádio na última semana ... 5
Locais habituais ... 10
Dispositivos / Plataformas ... 11
Frequência do consumo de rádio online ... 14
Sobre a rádio em Portugal (concordância com afirmações) ... 15
A informação em rádio - Preferências ... 22
A informação em rádio - Índice de confiança ... 25
Perspectivas sobre as tendências de evolução dos consumos radiofónicos nos últimos 5 anos ... 26
A Rádio em Rede: dados-chave 2010 ... 29
Metodologia ... 32 Ficha técnica ... 33
Índice de figuras
Figura 1: Tem rádio? (Equipamento isolado) ... 4
Figura 2: Tem rádio? (Equipamento isolado) - Por região ... 4
Figura 3: Ouviu rádio na última semana? ... 5
Figura 4: Ouviu rádio na semana anterior por posse de rádio (equipamento isolado) 6 Figura 5: Ouviu rádio na última semana - Comparação 2008 / 2010 ... 7
Figura 6: Consumo radiofónico na última semana por tendência de consumo nos últimos 5 anos ... 8
Figura 7: Ouviu rádio na última semana? - Por grau de escolaridade ... 9
Figura 8: Ouviu rádio na última semana? - Por região ... 10
Figura 9: Onde ouve habitualmente rádio? (resposta múltipla) ... 11
Figura 10: Qual o principal dispositivo que costuma usar para ouvir rádio ... 11
Figura 11: Qual o principal dispositivo que costuma usar para ouvir rádio - Comparação 2008 / 2010 ... 12
Figura 12: Qual o principal dispositivo que costuma usar para ouvir rádio - por escalão etário ... 13
Figura 13: Qual o dispositivo que costuma usar para ouvir rádio - por grau de escolaridade ... 14
Figura 14: Costuma usar a internet para ouvir uma estação de rádio online? ... 15
Figura 15: Concordância com afirmações - Preferências na escolha de estação ... 16
Figura 16: Concordância com afirmações - Conteúdos da rádio ... 16
Figura 17: Concordância com afirmações - Perspectivas gerais sobre a rádio ... 17
Figura 18: Concordância com afirmação "prefiro rádios nacionais a rádios locais / regionais" por escalão etário ... 18
Figura 19: Concordância com afirmação "prefiro rádios nacionais a rádios locais / regionais" por grau de escolaridade ... 19
Figura 20: Concordância com afirmação "prefiro rádios que emitem mais música do que notícias" por escalão etário ... 20
Figura 21: Concordância om a afirmação " A rádio é mais uma fonte de informação do que de entretenimento" por grau de escolaridade ... 21
Figura 22: Concordância com afirmações, comparação 2008 / 2010 ... 21
Figura 23: A procura de informação em rádio por género ... 22
Figura 24: A procura de informação em rádio por escalão etário ... 23
Figura 25: A procura de informação em rádio por grau de escolaridade ... 24
Figura 26: A procura de informação em rádio por região ... 24
Figura 27: Grau de confiança na informação disponível na rádio por género ... 25
Figura 28: Ouço ... rádio do que há 5 anos atrás ... 26
Figura 29: Ouço ... rádio do que há 5 anos atrás por escalão etário ... 27
Introdução
O relatório a Rádio em Rede fornece informação sobre o panorama da rádio em Portugal, em 2010, a partir de dados recolhidos no âmbito do Inquérito a Sociedade em Rede 2010 pelo OberCom - Observatório da Comunicação.O trabalho do Observatório nos estudos sobre a rádio tem seguido, ao longo dos anos, duas linhas de orientação distintas, que se expressam quer na necessidade de aprofundar conhecimento sobre o que foi, e é, a rádio em Portugal, quer na urgência de acompanhar a mudança de uma sociedade em rede, que impõe novos desafios e complexos mecanismos de mudança e adaptação para os media.
Os resultados da investigação desenvolvida materializam-se na proficuidade entre a inovação científica, no campo do estudo da rádio, e a divulgação, a diversos tipos de público, de informação estatística em constante actualização. São exemplos deste esforço publicações como "As rádios portuguesas e o desafio do (on)line" (Working Report, Setembro de 2006) e "Os novos caminhos da rádio.
Radiomorphosis, tendências e perspectivas" (Setembro de 2010).
A edição de 2010 do inquérito Sociedade em Rede procura responder e colocar questões fulcrais sobre a rádio. Em termos estruturais, as perguntas relativas a este media possibilitaram uma maior percepção sobre aquilo que ele é, enquanto media tradicional, e sobre aquilo que está a deixar de ser, perante a ascenção de novas configurações de consumo multiplataforma, sobretudo através do online. Em termos de gestão, o desafio reside, precisamente, na compreensão da mudança para produzir a inovação necessária.
Os indicadores estatísticos foram analisados e cruzados com as determinações sócio-económicas da amostra (género, escalão etário, grau de escolaridade e região), constando da análise final apenas as comparações reveladoras de tendências expressivas e diferentes daquilo que é o panorama geral do indicador. Pelas razões acima descritas, e pela significativa reestruturação do inquérito, em 2010, as questões que dizem respeito à rádio não são, na sua totalidade, comparáveis às das edições anteriores. Todavia, foram incluídos, sempre que possível, eixos analíticos transversais, reveladores de novos sentidos de mudança. Essas conclusões, a par de todas as outras, podem ser lidas em detalhe no capítulo consignado à análise de indicadores ou, de forma mais concisa, no capítulo final do relatório, intitulado A rádio em rede: dados-chave 2010.
67.7% 32.3% Sim Não 72.5% 74.4% 55.7% 81.8% 62.8% 55.9% 52.1% 27.5% 25.6% 44.3% 18.2% 37.2% 44.1% 47.9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Norte
Litoral Grande Porto Interior Centro Litoral Grande Lisboa Alentejo Algarve
Não Sim
Análise de Indicadores
Posse de Rádio tradicional
Comecemos pela posse de rádio (por rádio entende-se o hardware receptor tradicional AM/FM isolado, isto é, não incorporado noutro equipamento como, por exemplo, telemóvel ou computador): verifica-se que 67,7% dos residentes em Portugal continental com mais de 15 anos possui um equipamento de rádio isolado (Fig.1).
Figura 1: Tem rádio? (Equipamento isolado)
n=1255
A ventilação do indicador posse de rádio (equipamento isolado) com a região dos inquiridos revela que, em todas as regiões, a maioria dos inquiridos possui este tipo de equipamento, independentemente do local de residência (Fig.2).
Figura 2: Tem rádio? (Equipamento isolado) - Por região
6.9%
56.3%
1.2%
35.7%
SIM, Rádio AM / FM e rádio online na internet Sim, mas só rádio AM / FM
Sim, mas só rádio online na internet
Não
O centro litoral é a região que regista maior posse de equipamento de rádio isolado (81,8%) sendo o Algarve a região com menor percentagem (52,1%). Apesar da permanente tendência para a integração dos consumos radiofónicos noutros sistemas de hardware, os dados recolhidos apontam, de facto, para a prevalência do sistema radiofónico tradicional enquanto formato-chave para o consumo de rádio.
A rádio na última semana
Relativamente ao consumo de conteúdos radiofónicos multiplataforma, na semana que antecedeu o preenchimento do inquérito, é de notar o peso estatístico dos meios de consumo tradicional: quando questionados sobre o consumo de conteúdos radiofónicos, 56,3% dos indivíduos afirma ter ouvido rádio através de meios radiofónicos tradicionais (rádio AM / FM, exclusivamente). Quando apenas uma percentagem residual da amostra (1,2%) afirma ter ouvido rádio exclusivamente através da Web. Já a percentagem de consumidores híbridos, multiplataforma, é superior - 6,9%. Face a estes valores, é de salientar que uma expressiva percentagem dos inquiridos afirma não ter consumido qualquer tipo de conteúdo radiofónico nessa semana (35,7%) (Fig.3).
Figura 3: Ouviu rádio na última semana?
n=1255
Uma análise das práticas de consumo de rádio em função da posse de rádio (equipamento isolado) permite não só avaliar o peso do mecanismo tradicional na audição, como, também, perceber as dinâmicas migratórias dos ouvintes entre o que é a emissão AM / FM tradicional e a rádio online. Observando a figura 4, verifica-se
66.3% 77.6% 53.3% 52.9% 33.7% 22.4% 46.7% 47.1% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Sim, rádio AM / FM e rádio online na internet
Sim, mas só radio AM / FM Sim, mas só rádio online na
internet
Não
Não Sim
que as maiores percentagens de posse de rádio dizem respeito aos inquiridos que, na semana anterior à resposta ao inquérito, ouviram rádio em modo AM / FM, exclusivamente, e aos que consumiram rádio de forma híbrida, AM / FM e online (77,6% e 66,3%, respectivamente). A passagem por um período caracterizado por um forte hibridismo em termos de plataformas de audição de rádio está bem patente nas práticas dos ouvintes. Veja-se que 53,3% dos indivíduos que ouviram rádio única e exclusivamente online também possuem rádio em dispositivo isolado, embora não o utilizando. Impõe-se, portanto, a sugestão do próprio peso simbólico da rádio, enquanto media, em geral, e enquanto media via formato autónomo.
Figura 4: Ouviu rádio na semana anterior por posse de rádio (equipamento isolado)
n=1255
A análise dos dados obtidos, no âmbito do inquérito Sociedade em Rede 2010, revela uma alteração dos hábitos dos portugueses desde a última edição do inquérito, em 2008, relativamente à auscultação de rádio na semana que antecedeu a resposta ao questionário (Fig. 5). Verifica-se, desde logo, entre 2008 e 2010, um aumento da percentagem de não audição de rádio, dos 24,3% em 2008 para os 35,7% em 2010. Houve alterações, também, ao nível do consumo de rádio multiplataforma: enquanto, em 2008, 2,5% dos inquiridos ouviram rádio tanto online, na internet, como rádio dispositivo isolado; mas em 2010 esse valor é já de 6,9%, um acréscimo de 4,4%. Observa-se, simultaneamente, um aumento modesto dos consumidores de rádio exclusivamente online, de 0,5% em 2008 para 1,2% em 2010.
Figura 5: Ouviu rádio na última semana - Comparação 2008 / 2010
(2008) n=1039 / (2010) n=1255
Os dados sugerem que estas três categorias de articulação de medias, dos que não consomem rádio, dos ouvintes online e dos ouvintes híbridos(AM / FM e online), terão canibalizado de certa forma a fatia dos que ouvem rádio em modo AM / FM, exclusivamente. Veja-se que a quebra de ouvintes em dispositivo isolado é, entre 2008 e 2010, de 16,5 pontos percentuais, dos 72,8% para os 56,3%, o que indica que há, de facto, mudanças importantes a acontecer no sector da rádio, e que essas mudanças se expressam ora pela audição irregular ora por uma mudança dos hábitos de consumo para a rádio em formato multiplataforma.
Como aprofundamento da análise cronológica é interessante cruzar o tipo de consumo radiofónico na semana anterior à realização do inquérito com as perspectivas dos inquiridos face aos seus próprios perfis de audição. Observa-se aqui uma dinâmica muito interessante, quando comparados os subgrupos dos que ouvem rádio AM / FM, exclusivamente, e o dos utilizadores híbridos (AM / FM e online) (Fig.6).
Os utilizadores híbridos consideram, em maior grau, que ouvem mais rádio na altura da resposta ao inquérito do que no mesmo período, há cinco anos atrás (29,1% contra 17,7% nos inquiridos que consomem rádio em formato tradicional). Nos ouvintes tradicionais, há uma larga percentagem que considera ouvir o mesmo que no início do período de referência da questão (há cinco anos atrás) (58,2%). A discrepância é sugestiva: a rádio, enquanto media tradicional, é um meio com um
2.5% 72.8% 0.5% 24.3% 6.9% 56.3% 1.2% 35.7% 0% 20% 40% 60% 80%
Sim, rádio AM / FM e rádio online na internet
Sim, mas só rádio AM / FM Sim, mas só rádio online na internet
Não 2010
29.1% 17.7% 6.7% 3.8% 47.7% 58.2% 40.0% 32.6% 20.9% 20.0% 26.7% 54.9% 2.3% 4.1% 26.7% 8.7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Sim, rádio AM / FM e rádio online na internet
Sim, mas só rádio AM / FM Sim, mas só rádio online na internet Não
Mais O mesmo Menos Ns / Nr
peso efectivo junto dos consumidores, e esse peso motiva, possivelmente uma manutenção das práticas, e de um grau de consumo.
No entanto, a propensão para consumir rádio noutras plataformas (neste caso, o online) motiva um aumento dos consumos, atraindo novos ouvintes com outros perfis de utilização de media, o que justifica o investimento na reformulação das estruturas e conteúdos das emissões, de forma a abarcar os novos sentidos de mudança. O hibridismo de medias abre novas possibilidades em termos de formatos, conteúdos e, sobretudo, novos públicos.
Figura 6: Consumo radiofónico na última semana por tendência de consumo nos últimos 5 anos
n=1255
No cruzamento das formas de consumo de conteúdos radiofónicos com o grau de escolaridade dos inquiridos há quatro tendências gerais a assinalar, como suporte a esta visão de um media em adaptação e mudança (Fig.7).
Em primeiro lugar, a percentagem de inquiridos que não ouve rádio decresce à medida que o grau de escolaridade sobe: 56,1% dos inquiridos com instrução primária incompleta contra 30,4% dos que têm estudos superiores, sendo de sublinhar, no entanto, que os últimos consomem menos rádio que os indivíduos com o 12º ano (27,3%) e com o 9º ano (29,0%).
Em segundo lugar, quanto maior o grau de escolaridade, maior a percentagem de inquiridos que ouve rádio exclusivamente em formato AM / FM, (42,1% dos indivíduos com instrução primária incompleta contra 57,2% dos que possuem estudos superiores).
9.4% 12.9% 7.6% 1.8% 2.7% 1.8% 57.2% 58.3% 63.0% 52.7% 53.2% 42.1% 2.9% 1.5% .4% 1.2% .9% .0% 30.4% 27.3% 29.0% 44.2% 43.2% 56.1% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Não
Sim, mas só rádio online na internet
Sim, mas só rádio AM / FM Sim, rádio AM / FM e rádio online na internet
Figura 7: Ouviu rádio na última semana? - Por grau de escolaridade
n=1255
Uma terceira nota diz respeito ao consumo de conteúdos apenas online, sendo que os inquiridos mais escolarizados são os que mais consomem rádio desta forma, no seguimento do que foi descrito na análise da Figura 3 - 2,9% dos inquiridos com estudos superiores contra 0% nos que não concluíram a instrução primária / analfabetos.
Uma última nota, relativamente aos consumidores mistos, cujo perfil de consumo, quando cruzado com a escolaridade, segue um perfil descendente semelhante ao dos que ouvem rádio exclusivamente online, mas com percentagens mais elevadas: os inquiridos com estudos superiores, 12º ano e 9º ano ouvem mais rádio multiplataforma (9,4%, 12,9% e 7,6%, respectivamente) que os que possuem a instrução primária incompleta, 6º ano e instrução primária completa (1,8% no caso dos inquiridos com instrução primária incompleta e 6º ano e 2,7% nos que completaram a instrução primária).
Na filtragem dos consumos de rádio na semana que antecedeu a realização do inquérito com a região de origem dos inquiridos (Fig.8), constata-se que a maior percentagem de audição de rádio em formato exclusivamente AM / FM, diz respeito aos indivíduos residentes no Algarve, 66,7%, região onde apenas 29,2% da amostra regional afirma não ter ouvido rádio em qualquer formato.
5.6% 5.4% 6.3% 4.3% 11.6% 5.1% .0% 66.5% 60.7% 45.5% 54.1% 53.2% 49.2% 66.7% .4% .6% 1.7% 1.0% 1.5% 1.7% 4.2% 27.5% 33.3% 46.6% 40.7% 33.7% 44.1% 29.2% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Norte litoral Grande Porto Interior Centro litoral Grande Lisboa Alentejo Algarve
Sim, rádio AM / FM e rádio online na internet Sim, mas só rádio AM / FM Sim, mas só rádio online na internet Não
Figura 8: Ouviu rádio na última semana? - Por região
n=1255
As percentagens de consumo radiofónico misto e apenas online são residuais em todas as regiões, sendo de notar que 11,6% dos residentes em Lisboa consumiu, nessa semana, rádio AM / FM e rádio via streaming online. Em todo o caso, é de salientar que os consumos de rádio são, regra geral, mais baixos, nas regiões com menor densidade populacional: Interior (46,6%), Alentejo (44,1%) e Centro litoral (40,7%), em contraste com o Norte litoral, Grande Lisboa e Algarve, com índices de consumo superiores, de 72,5%, 66,3% e 70,9%, respectivamente.
Locais habituais
A informação obtida relativamente aos locais habituais de audição de rádio revela preferências que afiguram uma continuidade face às informações recolhidas em edições anteriores do inquérito Sociedade em Rede1. Verifica-se um maior peso do espaço doméstico (42,9%) seguido da audição na viatura (40,6%) (Fig.9). A percentagem de inquiridos que afirma nunca consumir qualquer tipo de conteúdos radiofónicos é, também, expressiva, fixando-se nos 20,5%.
40.6% 42.9% 2.2% 3.3% 13.1% 0.2% 20.5% Carro Casa Tranportes públicos Rua Trabalho Outros locais Não oiço rádio
45.2% 43.4% 4.0% 2.9% 2.5% 0.2% 1.8%
Equipamento de rádio tradicional Rádio no carro Computador, via web Telemóvel Leitor de MP3 Outros equipamentos Ns / Nr
Figura 9: Onde ouve habitualmente rádio? (resposta múltipla)
n=1255
Dispositivos / Plataformas
Existem discrepâncias expressivas entre os diversos dispositivos de consumo radiofónico (Fig.10). Verifica-se que, entre os que ouvem rádio habitualmente, a principal audição é através do equipamento de rádio tradicional (45,2%) e do sistema incluído na viatura automóvel (43,4%). A Internet (4,0%), telemóvel (2,9%) e leitor de MP3 (2,5%) subsistem também como opções de consumo, ainda que com percentagens residuais face às duas principais formas de audição.
Figura 10: Qual o principal dispositivo que costuma usar para ouvir rádio
n=998 (os que ouvem rádio habitualmente)
A comparação, dos resultados do inquérito Sociedade em Rede 2010, com a edição anterior do inquérito (2008) sugere alterações significativas nas tendências de consumo de rádio, por dispositivo.
Observando a Figura 11, verifica-se, em primeiro lugar, que houve, neste período, uma tendência para o equilíbrio entre a audição de conteúdos radiofónicos entre as duas plataformas mais utilizadas, o automóvel e o equipamento de rádio tradicional. Em 2008, o equipamento de rádio tradicional era utilizado por 63,8% do
63.8% 30.9% 1.7% 1.7% 1.4% 0.3% 0.4% 45.2% 43.4% 4.0% 2.9% 2.5% 0.2% 1.8% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%
Equipamento de rádio tradicional Rádio do carro Computador, via web Telemóvel Leitor de MP3 Outros equipamentos Ns / Nr 2010 2008
inquiridos, e o carro apenas 30,9%. Em 2010, o consumo tradicional desceu significativamente, tendo o consumo de rádio no carro aumentado.
Ainda que o consumo de rádio noutras plataformas, que não estas, possua valores residuais nos dois anos da comparação, a tendência para a audição de rádio noutros mecanismos subiu em todas as categorias da resposta no período de referência: via web, de 1,7% para 4,7%; de 1,7% para 2,9% no telemóvel; de 1,4% para 2,5% na percentagem de ouvintes que ouvem rádio no leitor de MP3.
Figura 11: Qual o principal dispositivo que costuma usar para ouvir rádio - Comparação 2008 / 2010
Os que ouvem rádio habitualmente (2008) n=787 / (2010) n=988
Na variação da utilização dos dispositivos de audição de rádio, quando cruzada com o factor idade, os dados apontam para uma tendência geral (Fig.12): quanto menor a idade, maior a propensão para o consumo de conteúdos radiofónicos multiplataforma. No escalão dos 65 e mais anos, a esmagadora maioria dos inquiridos utiliza o equipamento de rádio tradicional (79,2%) e uma parcela, também expressiva, utiliza o rádio no automóvel (14,8%). Estes dados contrastam fortemente com o escalão dos 15 - 24 anos, onde a utilização dos diversos dispositivos se encontra distribuída de forma mais equilibrada: 29,7% utilizam o equipamento de rádio tradicional, 38,1% usam o rádio no automóvel, 11,0% ouvem rádio no computador, via web, a mesma percentagem que utiliza o telemóvel para
29.7% 37.1% 39.5% 37.1% 57.4% 79.2% 38.1% 53.0% 51.8% 54.3% 40.2% 14.8% 11.0% 4.5% 3.6% 2.3% .0% 2.0% 11.0% 4.0% .5% 1.7% .0% .0% 9.7% 1.0% 2.6% 1.7% .0% .0% .0% .0% .5% .6% .0% .0% .6% .5% 1.5% 2.3% 2.5% 4.0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 15 -‐ 24 25 -‐ 34 35 -‐ 44 45 -‐ 54 55 -‐ 64 65 e +
Equipamento de rádio tradicional Rádio do carro
Computador, via web Telemóvel
Leitor de MP3 Outros equipamentos
Ns / Nr
consumir rádio (sublinhe-se, a maior percentagem de utilização de internet e telemóvel para ouvir rádio em todos os escalões etários).
De notar, também, a consistente utilização do rádio no automóvel por parte dos escalões etários intermédios (25-34, 35-44 e 45-54), com percentagens maioritárias, entre os 53% e os 54,3%.
Figura 12: Qual o principal dispositivo que costuma usar para ouvir rádio - por escalão etário
n=998 (os que ouvem rádio habitualmente)
No cruzamento deste índice com o grau de escolaridade existe uma relação semelhante: quanto maior o grau de habilitações, mais elevados os consumos de rádio recorrendo a múltiplos dispositivos (Fig.13). Quanto menor o nível de escolaridade, maior o número de utilizadores do equipamento de rádio tradicional (21,3% nos inquiridos com estudos superiores contra 97,0% nos que possuem a instrução primária incompleta / analfabetos). A menor escolaridade, revela uma menor percentagem de indivíduos que utilizam o rádio incorporado no veículo automóvel (59,0% nos indivíduos com estudos superiores contra 29,6% nos inquiridos com instrução primária).
A incorporação da rádio nas tecnologias de informação segue, também, a tendência anterior, na medida em que 8,2% dos inquiridos com estudos superiores consomem rádio via streaming online face a apenas 0,8% com o 6º ano e 1,6% dos que concluíram a instrução primária.
21.3% 31.7% 41.0% 54.1% 63.6% 97.0% 59.0% 53.5% 47.5% 38.5% 29.6% .0% 8.2% 6.3% 4.0% .8% 1.6% .0% 7.4% 3.3% 4.0% 1.6% .4% .0% 4.1% 4.1% 3.0% 1.6% .4% .0% .0% .0% .5% .8% .0% .0% .0% 1.1% .0% 2.5% 4.4% 3.0% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Estudos Superiores
12º ano (7º ano liceal / 11º ano) 9º ano (5º ano liceal) 6º ano (2 ano liceal) Inst. primária completa Inst. Prim. incompleta / analfabetos
Equipamento de rádio tradicional Rádio do carro Computador, via web Telemóvel
Leitor de MP3 Outros equipamentos Ns / Nr
Figura 13: Qual o dispositivo que costuma usar para ouvir rádio - por grau de escolaridade
n=998 (os que ouvem rádio habitualmente)
Frequência do consumo de rádio online
A crescente aposta na diversificação de conteúdos, que tem caracterizado a rádio nos últimos anos é um exemplo daquilo que é, e continuará a ser, uma tendência para o progressivo enriquecimento dos media tradicionais através das novas plataformas de comunicação em rede. Os resultados do inquérito Sociedade em Rede 2010 indicam que há, ainda, por parte dos internautas, alguma resistência à junção entre rádio, enquanto media tradicional, e da internet, como mecanismo para o desenvolvimento de novas formas de radiodifusão (Fig.14). 58,7% dos inquiridos que utilizam a internet afirmam nunca utilizar a internet para rádio.
A percentagem de internautas que o faz diariamente é muito baixa (5,9%), mas há uma significativa parcela da sub-amostra que o faz com relativa regularidade (16,8% fá-lo com menos frequência, 10,0% afirmam fazê-lo semanalmente e 6,6% mensalmente).
1.1% 58.7% 16.8% 6.6% 10.0% 5.9% 0.9% Ns / Nr Nunca Menos frequente Mensalmente Semanalmente Diariamente Várias vezes ao dia
Figura 14: Costuma usar a internet para ouvir uma estação de rádio online?
n=559(utilizadores de internet)
Sobre a rádio em Portugal (concordância com afirmações)
O panorama geral das respostas em estilo de concordância com afirmações sobre a rádio em Portugal permite não só um aprofundamento significativo daquilo que os ouvintes consideram ser o estado actual da rádio em Portugal, como, também, um entendimento mais abrangente de como se tem adaptado a rádio, enquanto media tradicional, àquilo que é a rádio em rede, media em processo de metamorfização. Ainda que colocadas como questões autónomas, as perguntas de concordância dividem-se em três grupos temáticos: Preferências na escolha de estação (Fig. 15), Conteúdos da rádio (Fig. 16) e Perspectivas gerais sobre a rádio (Fig.17). Note-se que estes agrupamentos temáticos foram construídos por razões de ordem prática e analítica, tendo sido as afirmações apresentadas aos inquiridos numa outra ordem, aleatória.
Nas questões relativas às preferências na escolha de estação (Fig.15) é de sublinhar a forte preferência generalizada pelas estações nacionais (57,0%) em detrimento das regionais (35,1%), tendo as primeiras, como se sabe, uma maior expressão de mercado em termos de ouvintes e escalas de emissão, face aos objectivos de difusão localizada das rádios regionais.
78.4% 61.5% 57.0% 19.9% 34.2% 35.1% 1.70% 4.3% 7.90% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Normalmente oiço sempre as mesmas
estações
O locutor tem um papel importante na escolha da estação
Prefiro rádios nacionais do que rádios regionais Ns / Nr Não Sim 42.2% 79.5% 27.1% 67.3% 54.2% 15.3% 69.1% 29.0% 3.6% 5.2% 3.8% 3.7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Ouço programas específicos
Sinto-‐me sadsfeito com a actual oferta de conteúdos de rádio
Conheço o nome da maioria dos locutores que oiço
Prefiro rádios que emitem mais música do que
noecias Ns / Nr
Não Sim Figura 15: Concordância com afirmações - Preferências na escolha de estação
n=998 (os que ouvem rádio habitualmente)
Observa-se, ainda, que os ouvintes de rádio portugueses tendem a optar pela audição de estações específicas, que ouvem com regularidade (78,4% da amostra). 61,5% dos inquiridos concordam que a locução é, efectivamente, um factor-chave na escolha da emissora a escutar.
Figura 16: Concordância com afirmações - Conteúdos da rádio
n=998 (os que ouvem rádio habitualmente)
Ainda que a a locução seja um factor preponderante para a maioria dos inquiridos, relativamente à escolha da estação, na concordância com afirmações relativas aos conteúdos radiofónicos (Fig.16), 69,1% afirmam não conhecer a maioria dos locutores que ouve, numa associação do locutor à voz mais do que à sua identidade. O peso do hábito, verificado na Figura 15, sobre a audição das mesmas estações, não se verifica na audição de programas específicos, onde a distribuição das respostas é mais equilibrada - 54,2% dos inquiridos afirmam ouvir
81.4% 47.6% 18.0% 15.7% 48.3% 78.5% 2.9% 4.1% 3.5% 0% 20% 40% 60% 80% 100% A rádio faz-‐me companhia
A rádio é mais uma fonte de informação do que de entretenimento Costumo pardcipar em passatempos /
concursos na rádio
Ns / Nr Não Sim
programas específicos contra 42,2% que respondem negativamente. Os dados recolhidos apontam, ainda, para uma satisfação generalizada com os conteúdos actuais da rádio em Portugal (79,5% afirmam estar satisfeitos com a oferta existente), bem como para a importância da componente musical da rádio, na medida em que 67,3% dos indivíduos respondem positivamente à afirmação "prefiro rádios que emitem mais música que notícias", valor que indicia, à partida, a prevalência da rádio enquanto media difusor de entretenimento mais do que como fonte de informação.
Esta tendência não se confirma, no entanto, no quadro de concordância às questões relativas às perspectivas gerais sobre a rádio (Fig.17), onde o peso entre o factor informação e o factor entretenimento se encontra melhor distribuído entre os que consideram que a rádio é mais uma fonte de informação do que de entretenimento (47,6%) e os que possuem opinião inversa (48,3%). Veja-se que a participação em programas de entretenimento (passatempos / concursos radiofónicos) é, tendo em conta a concordância dos inquiridos, baixa (apenas 18,0% afirmam fazê-lo habitualmente). Independentemente destas tendências, a rádio prevalece como media que efectivamente "acompanha" os seus ouvintes habituais (81,4% dos inquiridos atribuem esta qualidade a este meio).
Figura 17: Concordância com afirmações - Perspectivas gerais sobre a rádio
n=998 (os que ouvem rádio habitualmente)
Na exploração das respostas em estilo de concordância em cruzamento com as variáveis sócio-económicas apuraram-se algumas tendências expressivas, cuja leitura é importante para compreender algumas das orientações da amostra, acima descritas, e para aprofundar a leitura sobre o que foi a rádio em 2010.
63.2% 65.3% 59.0% 52.0% 50.8% 47.7% 31.0% 27.7% 32.8% 39.4% 43.4% 40.3% 5.8% 6.9% 8.2% 8.6% 5.7% 12.1% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 15-‐24 25-‐34 35-‐44 45-‐54 55-‐64 65 e + Ns / Nr Não Sim Na questão relativa à preferência entre rádios locais / regionais e nacionais, verificam-se duas orientações importantes no cruzamento com a idade e o grau de escolaridade dos inquiridos.
Figura 18: Concordância com afirmação "prefiro rádios nacionais a rádios locais / regionais" por escalão etário
n=998 (os que ouvem rádio habitualmente)
Na análise da variação das respostas entre escalões etários (Fig.18), verifica-se uma tendência para a descida do índice de preferência pelas rádios nacionais, em detrimento das locais / regionais, com o aumento da idade, isto é, os mais jovens preferem, efectivamente, as emissoras nacionais (63,2% respondem afirmativamente contra 31,0% que preferem a emissão regional), em desfavor dos media locais / regionais, mais preferidos pelo escalão dos 65 e + anos. Ainda que, neste escalão, a preferência pelas rádios nacionais seja superior, a diferença entre as respostas positivas e negativas é francamente inferior face aos outros escalões (47,7% para 40,3%, respectivamente). A tendência atribuída ao cruzamento entre a preferência entre emissoras nacionais e locais / regionais e grau de escolaridade é, igualmente sugestiva (Fig. 19). Neste caso, observa-se uma concentração da preferência pelas rádios nacionais nos graus de escolaridade mais elevados, subgrupos que se caracterizam também por discrepâncias maiores entre a quantidade de respostas positivas e negativas (veja-se o caso dos inquiridos com
63.1% 64.2% 58.5% 53.3% 48.4% 45.5% 30.3% 31.0% 34.0% 36.1% 41.2% 42.4% 6.6% 4.8% 7.5% 10.7% 10.4% 12.1% 0% 20% 40% 60% 80% Estudos
Superiores 12º ano (7º ano liceal/11º ano) 9º ano (5º ano liceal) 6º ano (2 ano liceal) Instr. primária completa Incompleta / Instr. Prim. Analfabetos
Sim Não Ns / Nr
Estudos Superiores, dos quais 63,1% preferem rádios nacionais contra os 30,3% que preferem as estruturas locais / regionais).
Figura 19: Concordância com afirmação "prefiro rádios nacionais a rádios locais / regionais" por grau de escolaridade
n=998 (os que ouvem rádio habitualmente)
Nos graus de escolaridade mais baixos (sobretudo na Instrução Primária completa e na Instrução Primária incompleta / analfabetos), a preferência pelas rádios locais / regionais é maior (41,2% e 42,4% afirmam não preferir rádios nacionais a locais / regionais, respectivamente), sendo menor a diferença entre as percentagens de resposta afirmativa e positiva.
Explorando as questões do entretenimento Vs. informação, há dois cruzamentos particularmente expressivos para reflectir sobre esta questão. Ventilando a preferência pelas rádios que emitem mais música do que notícias com a idade dos inquiridos, há uma tendência clara na relação de diferentes escalões etários com os conteúdos radiofónicos (Fig. 20). A preferência pela música é muito acentuada nos escalões etários mais baixos, sobretudo entre os 15 e os 24 anos e entre os 25 e os 34 anos (85,2% e 80,2% dos inquiridos preferem rádios com mais conteúdos musicais que informativos, respectivamente) enquanto que os indivíduos com idades mais avançadas favorecem a emissão de música e notícias de forma mais equilibrada. Dos inquiridos com idades compreendidas entre os 55 e os 64
85.2% 80.2% 68.7% 58.9% 49.2% 54.4% 12.3% 15.8% 28.2% 37.1% 47.5% 40.3% 2.6% 4.0% 3.1% 4.0% 3.3% 5.4% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 15-‐24 25-‐34 35-‐44 45-‐54 55-‐64 65 e + Ns / Nr Não Sim
anos, 49,2% preferem rádios com maior emissão de conteúdos músicais, sendo os indivíduos com opinião inversa 47,5% do subgrupo etário.O mesmo equilíbrio na distribuição de opiniões pode ser observado nos índices de resposta dos inquiridos com 65 e mais anos (54,4% que preferem conteúdo musical contra 40,3% com preferências opostas).
Figura 20: Concordância com afirmação "prefiro rádios que emitem mais música do que notícias" por escalão etário
n=998 (os que ouvem rádio habitualmente)
Na ponderação das respostas a esta pergunta com o grau de escolaridade (Fig.21), verifica-se que os inquiridos com menor grau de habilitações concordam menos com a ideia de que a rádio é mais uma fonte de conteúdos informativos que de entretenimento (apenas 33,3% dos inquiridos com Instrução Primária incompleta / Analfabetos contra 50,0% dos que possuem estudos superiores). Nos graus de escolaridade mais elevados o equilíbrio entre a concordância e a não-concordância com esta afirmação é claramente maior: 50,0% de respostas afirmativas contra 48,4% negativas nos inquiridos com Estudos Superiores e 45,0% contra 49,4% nos indivíduos com o 12º ano (7º ano liceal / 11º ano). O grau de escolaridade, enquanto variável de caracterização sócio-económica, revela-se particularmente frutífero na análise das informações relativas à rádio, face aos resultados apurados nas restantes variáveis.
50.0% 45.0% 45.0% 57.4% 48.4% 33.3% 48.4% 49.4% 53.5% 39.3% 46.0% 57.6% 1.6% 5.5% 1.5% 3.3% 5.6% 9.1% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Ns / Nr Não Sim
Figura 21: Concordância om a afirmação " A rádio é mais uma fonte de informação do que de entretenimento" por grau de escolaridade
n=998 (os que ouvem rádio habitualmente)
A comparação de tendências de concordância em 2010 e 2008, data da edição anterior do inquérito Sociedade em Rede, nas afirmações comparáveis entre inquéritos revela um cenário de continuidade com duas ressalvas (Fig.22). Na afirmação "oiço programas específicos" verifica-se uma inversão da tendência. Em 2010, os portugueses afirmaram em maior grau ouvir programas específicos, numa diferença percentual pequena mas nítida (em 2008, 50,6% respondem sim contra 45,6% que respondem não face a 42,2% que respondem afirmativamente e 54,2% negativamente, em 2010). No posicionamento face aos conteúdos musicais, opondo-se aos informativos, verifica-se que em 2010 os portugueses afirmaram, em maior grau, preferir mais conteúdos musicais que informativos 67,3% contra 55,4% em 2008.
Figura 22: Concordância com afirmações, comparação 2008 / 2010
82.5% 78.4% 50.6% 42.2% 78.5% 79.5% 28.8% 27.1% 55.4% 67.3% 14.7% 19.9% 45.6% 54.2% 15.8% 15.3% 66.7% 69.1% 36.7% 29.0% 2.8% 1.7% 3.8% 3.6% 5.7% 5.2% 4.4% 3.8% 7.9% 3.7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 2008 2010 2008 2010 2008 2010 2008 2010 2008 2010 Normalmente oiço
sempre as mesmas estações
Oiço programas
específicos Sinto-‐me sadsfeito com a actual oferta de conteúdos de rádio
Conheço o nome da maioria dos locutores que
ouço
Prefiro rádios que emitem mais música que
noecias Sim Não Ns / Nr
56.7% 54.5% 54.5% 53.3% 43.3% 45.6% 45.5% 46.7% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Informação sobre algo que acabou de
acontecer
Informação sobre o desenvolvimento
de um dado acontecimento Informação sobre acontecimentos / noecias nacionais Informação sobre acontecimentos / noecias internacionais Masculino Feminino
A informação em rádio - Preferências
Independentemente da preferência pelas orientações mais músicais ou mais informativas da rádio, em geral, e das diferentes emissoras, em particular, subsiste a noção de uma atribuição incontornável deste media à construção e difusão de produtos jornalísticos, mesmo fora do formato clássico de noticiário. Nesta premissa, o inquérito Sociedade em Rede 2010 faz uma diferenciação entre quatro tipos de conteúdos informativos consumidos pelos inquiridos, de acordo com a sua preferência: os que preferem a rádio para se informarem acerca de acontecimentos / notícias internacionais, os que preferem a rádio para se informarem acerca de acontecimentos / notícias nacionais, os que preferem a rádio para se informarem sobre algo que acabou de acontecer e os que utilizam a rádio para acompanhar o desenvolvimento e aprofundamento de determinado acontecimento.
Na filtragem dos dados sobre a procura de informação em rádio por género (Fig. 23), verifica-se uma tendência clara para uma maior procura de informação por parte do género masculino em oposição ao feminino. Esta procura é regular nos quatro tipos de material informativo, ou seja, ainda que a procura por parte do género masculino seja maior, independentemente do tipo de conteúdo procurado, as diferenças entre os dois géneros são residuais, não indo além dos 13,4 pontos percentuais (na Informação sobre algo que acabou de acontecer). A diferença mais pequena diz respeito a acontecimentos / notícias internacionais onde, o género feminino constitui 46,7% da subamostra que opta pela rádio para se informar sobre estes acontecimentos.
Figura 23: A procura de informação em rádio por género
9.5% 17.1% 20.6% 21.4% 15.1% 16.3% 10.2% 15.3% 21.9% 23.7% 12.6% 16.3% 7.6% 17.0% 22.3% 23.2% 13.4% 16.5% 9.1% 20.8% 23.4% 19.8% 12.2% 14.7% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 15 -‐ 24 25 -‐ 34 35 -‐ 44 45 -‐ 54 55 -‐ 64 65 e + Informação sobre algo que acabou de acontecer
Informação sobre o desenvolvimento de um dado acontecimento Informação sobre acontecimentos / noecias nacionais
Informação sobre acontecimentos / noecias internacionais
O cruzamento dos índices de procura de informação em rádio com a idade aponta também para uma orientação regular na procura de informação de cada tipo de produto em cada escalão etário, havendo apenas diferenças expressivas na procura de conteúdos informativos, em geral, entre escalões etários. Observando a Figura 24, verifica-se, efectivamente, que a diferença na procura dos quatro tipos de conteúdo, dentro de cada escalão, é residual, não indo, em todos os casos, para além dos 5,5 pontos percentuais (nos inquiridos que possuem entre 25 e 24 anos). Na análise geral dos valores relativos à procura de conteúdos informativos na rádio observa-se que a procura de conteúdos deste tipo é mais acentuada nos inquiridos que possuem entre 25 e 34 anos, 35 e 44 anos e 45 e 54 anos de idade. O substrato mais jovem (entre 15 e 24 anos) e os mais envelhecidos (55 e 64 anos e 65 e mais anos) procuram, comparativamente com os outros escalões, menos conteúdos informativos em rádio.
Figura 24: A procura de informação em rádio por escalão etário
n=888
Relativamente à procura de informação em rádio, por grau de escolaridade (Fig. 25), as diferenças mais acentuadas verificam-se entre os grupos subamostrais extremos e os intermédios.
2.8% 28.6% 19.8% 18.7% 22.6% 7.5% 2.8% 27.4% 16.3% 20.9% 23.7% 8.8% 2.2% 29.5% 14.7% 22.8% 20.5% 10.3% 2.5% 25.9% 15.7% 21.3% 26.4% 8.1% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35%
Informação sobre algo que acabou de acontecer
Informação sobre o desenvolvimento de um dado acontecimento Informação sobre acontecimentos / noecias nacionais
Informação sobre acontecimentos / noecias internacionais
Figura 25: A procura de informação em rádio por grau de escolaridade
n=888
Os inquiridos que possuem a Instrução Primária incompleta / Analfabetos e Estudos Superiores procuram menos informação em rádio que os restantes graus de escolaridade (valores percentuais entre os 2,2% e os 2,8% e entre os 7,5% e os 10,3%, respectivamente). Os picos de procura de conteúdos noticiosos em rádio correspondem aos indivíduos com Instrução Primária completa (entre os 25,9% e os 29,5% nos quatro tipos de conteúdo) e aos que possuem o 12º ano (7º ano liceal / 11º ano) com índices de procura entre os 20,5% e os 26,4%.
Figura 26: A procura de informação em rádio por região
n=888 23.4% 20.0% 17.4% 18.3% 13.5% 16.3% 15.2% 13.7% 12.3% 11.2% 9.4% 7.6% 15.5% 16.7% 17.4% 20.3% 25.0% 24.7% 27.7% 28.9% 2.4% 0.9% 2.2% 1.5% 7.9% 10.2% 10.7% 9.6% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Informação sobre algo que acabou de acontecer
Informação sobre o desenvolvimento de um dado acontecimento
Informação sobre acontecimentos / noecias nacionais Informação sobre acontecimentos / noecias internacionais
.7% .5% 2.2% 3.6% 1.0% 1.1% 3.0% 5.3% 33.8% 34.0% 44.1% 41.5% 15.2% 14.1% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Masculino Feminino
Nr Ns 1 -‐ Não confio nada 2 3 4 5 -‐ Confio totalmente
O cruzamento dos índices de procura de informação com a região dos inquiridos (Fig. 26) revela, uma vez mais, não existirem diferenças significativas entre tipos de conteúdos mas sim entre os diferentes tipos de subamostras relativamente à procura de informação em geral. Os inquiridos residentes em Lisboa são os que mais procuram conteúdos informativos em rádio (entre 25,0% e 28,9%). Note-se que as diferenças entre regiões são mais esbatidas na procura de informação sobre acontecimentos que acabaram de acontecer e sobre o desenvolvimento de acontecimentos específicos, mas sobretudo nos primeiros (a diferença entre Grande Lisboa e Norte Litoral é residual, dos 25,0% para os 23,4%, respectivamente). Os indivíduos da área metropolitana da Grande Lisboa e do Norte Litoral são os que procuram mais informação em rádio, seguidos dos que residem no Grande Porto e no Centro Litoral. Os indivíduos residentes nas áreas com maior densidade populacional procuram, efectivamente, mais informação em rádio que os que habitam regiões com maior dispersão de efectivos populacionais, como o Interior.
A informação em rádio - Índice de confiança
Figura 27: Grau de confiança na informação disponível na rádio por género
n=1255
13.4% 48.1% 32.6% 5.9% 0% 20% 40% 60%
Mais O mesmo Menos Ns / Nr
O panorama geral sobre o grau de confiança na informação consumida na rádio é positivo e apresenta regularidade na sua distribuição face ao género (Fig. 27). A maioria dos inquiridos revela uma confiança de nível quatro, apenas um grau abaixo do nível de confiança máximo (44,1% no sexo masculino e 41,5% no feminino). Note-se que há uma fatia expressiva da amostra (33,8% nos homens e 34,0% nas mulheres) que demonstra um grau de confiança intermédio, e a diferença entre os que revelam confiança máxima e os que revelam confiança mais baixa (abaixo do grau três) é expressiva, com tendência positivas: 15,2% dos homens e 14,1% das mulheres referem confiar totalmente na informação em rádio.
Perspectivas sobre as tendências de evolução dos consumos radiofónicos nos últimos 5 anos
A forte tendência de metamorfização dos media tradicionais com os novos media, na busca de novos sentidos, novos públicos, novas formas de gestão e novos produtos é determinada pela necessidade de acompanhar uma mudança que, como se tem visto nesta edição e nas edições passadas do inquérito Sociedade em Rede, se faz a um ritmo cada vez mais acentuado. O entendimento sobre a forma como se ouve rádio tem forçosamente de ser acompanhado por uma leitura evolutiva do que foi e é a audição de rádio em Portugal. Numa altura em que assistimos à crescente virtualização dos conteúdos radiofónicos, estarão os portugueses a ouvir mais ou menos rádio?
Figura 28: Ouço ... rádio do que há 5 anos atrás n=1255
16.9% 14.8% 13.0% 9.6% 10.7% 15.1% 41.5% 48.1% 50.4% 53.9% 47.3% 46.3% 31.3% 30.8% 33.0% 29.2% 39.1% 33.7% 10.3% 6.3% 3.5% 7.3% 3.0% 4.9% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 15 -‐ 24 25 -‐ 34 35 -‐ 44 45 -‐ 54 55 -‐ 64 65 e + Mais O mesmo Menos Ns / Nr
A informação recolhida no âmbito do inquérito Sociedade em Rede indica para que uma significativa percentagem dos inquiridos tenha mantido, nos últimos cinco anos, o nível de consumo de rádio (48,1%). Ainda assim, a percentagem de ouvintes que afirma fazê-lo com menor frequência é elevada (32,6% dos inquiridos) (Fig 28).Filtrando esta informação com o escalão etário dos inquiridos (Fig.29) há pistas sugestivas para compreender as diferenças no grau de audição de rádio nos últimos 5 anos. A maior percentagem de inquiridos que afirmam ouvir mais rádio hoje do que há 5 anos atrás (16,9%) possui entre 15 e 24 anos, o que sugere um peso significativo da penetração deste media neste escalão etário. Uma percentagem igualmente significativa de indivíduos, com 65 e mais anos (15,1%), está a ouvir mais rádio hoje do que há 5 anos. Entre os que afirmam ouvir o mesmo, prevalecem os escalões intermédios como ouvintes mais regulares (50,4% dos inquiridos que possui entre 35 e 44 anos e 53,9% dos que possuem entre 45 e 54 anos).
Figura 29: Ouço ... rádio do que há 5 anos atrás por escalão etário
n=1255
Numa última leitura dos dados sobre a rádio em 2010, face aos cinco anos que antecederam a resposta ao inquérito, importa estender a análise à audição de rádio por dispositivo utilizado (Fig.30). É de salientar, em primeiro lugar, as percentagens de ouvintes que afirmam ouvir o mesmo em todos os formatos. O rádio no carro é o formato cujos utilizadores afirmam, em menor grau, estar a consumir mais rádio (9,0%), contra os 23,7% dos que utilizam o equipamento de
23.7% 9.0% 22.5% 17.2% 16.0% 50.0% 11.1% 51.0% 61.2% 40.0% 41.4% 52.0% 50.0% 33.3% 20.6% 24.9% 27.5% 41.4% 24.0% .0% 33.3% 4.7% 4.8% 10.0% .0% 8.0% .0% 22.2% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Equipamento de rádio tradicional
Rádio no carro Computador, através da internet Telemóvel Leitor de MP3 Outros equipamentos Ns / Nr
Mais O mesmo Menos Ns / Nr
rádio tradicional e 22,5% dos que utilizam a internet. A maior percentagem de inquiridos que ouve menos rádio em 2010 do que nos cinco anos anteriores diz respeito aos utilizadores de rádio no telemóvel (41,4%) do subgrupo.
Figura 30: Ouço ... rádio do que há 5 anos atrás por dispositivo principal utilizado
n=1255
A Rádio em Rede: dados-‐chave 2010
Olhar para a rádio em 2010 implica reflectir sobre um sector em mudança no contexto da sociedade em rede, de uma estrutura particularmente exigente no que é relativo ao campo dos media, aos desafios que lhe são impostos e, sobretudo, ao ritmo das imposições. A rádio e os consumos radiofónicos em 2010 seguem as tendências verificadas na edição de 2008 do inquérito Sociedade em Rede, com algumas nuances que revelam sentidos de uma mudança que se fazem lentamente e de forma pouco consistente.
Quando questionados sobre a audição de rádio na semana que antecedeu a realização do inquérito, verifica-se que houve uma quebra de 11,4% na audição de rádio (dos 24,3% que afirmaram não ter ouvido rádio nessa semana, em 2008, para os 35,7%, em 2010). Observa-se, no entanto, uma maior propensão para o consumo de rádio em modo multiplataforma na semana que antecedeu a realização do inquérito: embora ocorra uma quebra da audição exclusivamente em formato AM / FM, dos 72,8% para os 56,3% em 2008 e 2010, respectivamente, há uma subida, ainda que modesta, da percentagem de ouvintes de rádio AM / FM e online (dos 2,5% em 2008 para os 6,9% em 2010) e dos que ouvem rádio exclusivamente online (de 0,5% para 1,2%).
Em 2010, observa-se que as diferenças mais expressivas em termos de consumos de rádio, na semana que antecedeu a resposta ao inquérito, correspondem a características relacionadas com a escolaridade e com a região de residência dos inquiridos. Os portugueses mais escolarizados não só ouvem mais rádio como o fazem mais em modo multiplataforma (nos indivíduos com estudos superiores, 57,2% ouvem rádio em modo AM / FM, 9,6% consomem rádio em AM / FM e online e 2,9% apenas online). Uma pista importante diz respeito ao cruzamento entre a audição de rádio na semana que antecedeu a resposta ao inquérito e as perspectivas sobre a audição de rádio face aos últimos cinco anos. Neste quadro analítico, verifica-se que os utilizadores de rádio em formato multiplataforma (AM / FM e online) concordam, em maior grau, estar a ouvir mais rádio na altura do inquérito do que nos últimos cinco anos (29,1%) que os utilizadores do rádio em formato AM / FM, exclusivamente (17,7%). Nos ouvintes em formato AM / FMhá uma larga percentagem que considera ouvir o mesmo que há cinco anos atrás. A rádio revela-se, portanto, como um media que fideliza os seus
porventura, uma maior exploração da atracção de novos públicos e, associada a tal, uma diminuição do absentismo nos consumos de rádio.
A percentagem de não ouvintes entre os inquiridos com estudos superiores é de 30,4%, face a 56,1% dos inquiridos com a Instrução Primária incompleta. Neste grau de escolaridade, o mais baixo, 42,1% ouvem rádio apenas em modo AM / FM e uma percentagem residual, 1,8%, tanto em AM / FM como na internet. Os dispositivos que os portugueses que ouvem rádio habitualmente usam para escutar rádio continuam a ser, de maneira geral, os mesmos, o equipamento de rádio tradicional e o rádio no carro. Verifica-se, no entanto, que os portugueses utilizaram, em 2010, menos o equipamento de rádio tradicional que em 2008 (45,2% face a 63,8%, respectivamente) mas mais o sistema de rádio incorporado no carro (30,9% em 2008 e 43,4% em 2010).
À semelhança do que acontece com os consumos de rádio na semana anterior à aplicação do inquérito, os portugueses são tradicionalistas no que toca à audição de rádio de outras formas que não as duas anteriormente referidas. Os dados relativos à utilização da web, do telemóvel, e leitor de MP3 revelam taxas de uso reduzido, mas com subidas percentualmente expressivas entre 2008 e 2010 (de 1,7% para 4,0% no streaming online; 1,7% para 2,9% no telemóvel; 1,4% para 2,5% no leitor de MP3).
Para além dos dispositivos utilizados, verifica-se que a esmagadora maioria dos portugueses ouve rádio em casa (42,9%) ou no carro (40,6%). As tendências para perfis de consumo tradicionais são mais marcadas nos escalões etários mais velhos. Veja-se, por exemplo, que 79,2% dos portugueses com 65 e mais anos ouve rádio no equipamento de rádio tradicional, face a 29,7% dos que têm entre 15 e 24 anos de idade. Nos últimos, a distribuição é maior pelos vários dispositivos (38,1% no rádio do carro, 11,0% na internet e 11,0% no telemóvel e 9,7% no leitor de MP3). Verifica-se, portanto, uma maior propensão dos ouvintes mais novos para o consumo multiplataforma.
O grau de escolaridade tem influência, também, nos graus de consumo de rádio através de outras plataformas, 97,0% dos inquiridos com Instrução primária incompleta / analfabetos utiliza exclusivamente o rádio tradicional, face a apenas 21,3% dos que possuem estudos superiores. São também estes últimos que em 59,0% dos casos utilizam o rádio do carro e são dos que mais consomem rádio na internet (8,2%), no telemóvel (7,4%) e no leitor de MP3 (4,1%). A taxa de audição de
rádio apenas na internet é baixa - 58,7% dos que utilizam a internet nunca ouvem rádio online, e apenas 5,9% o fazem diariamente.
No quadro da concordância com afirmações há duas lógicas tendenciais a referir. A preferência pelas rádios nacionais, em detrimento das estações locais / regionais revela que há uma relação entre este indicador e o grau de escolaridade dos inquiridos. Os indivíduos mais escolarizados preferem, em maior grau, as rádios nacionais (63,1%), por oposição aos inquiridos com instrução primária incompleta / analfabetos, cuja preferência pelas emissoras nacionais é de 45,5%. Neste grau de escolaridade o equilíbrio entre os que concordam preferir as rádios nacionais face às locais é maior, opondo-se o valor anterior aos 42,4% que não concordam com a preferência.
A preferência pelas rádios nacionais, assim como o afastamento entre a concordância e a não-concordância aumenta com a escolaridade dos inquiridos. Verifica-se também que os escalões etários mais dos mais novos privilegiam os conteúdos musicais face aos informativos. A preferência por música em rádio diminui com o aumento da idade: 85,2% dos inquiridos entre os 15 e os 24 anos de idade preferem música a notícias em rádio, contra 54,4% dos que possuem 65 e mais anos. Os mais jovens (15 - 24 anos) são, de resto, entre todos os escalões etários, os que menos procuram a rádio para obter dados notíciosos sobre acontecimentos.
A rádio permanece, em Portugal, como um foco emissor de confiança em termos informativos. As respostas pendem para o sector positivo da escala, e 44,1% dos homens e 41,5% das mulheres atribuem à informação em rádio o nível quatro numa escala de confiança, entre um (não confio nada) e cinco (confio totalmente). Note-se que, apesar da elevanda confiança, pelo menos no que respeita à informação, 32,6% dos inquiridos refere ouvir, em 2010, menos rádio do que há cinco anos anteriores. Apenas 13,4% dos inquiridos afirma ouvir mais e, na faixa maioritária, 48,1% referem ouvir o mesmo.
Os dados-chave 2010 são sintomáticos de um sector mediático em fase de adaptação face a um conjunto de novas oportunidades e de possibilidades de intersecção com outros campos mediáticos que asseguram, no entanto, a permanência da rádio enquanto media com um importante papel nas configurações mediáticas em Portugal.
Metodologia
UNIVERSO:
Constituído pelos indivíduos com 15 e mais anos de idade, residentes em Portugal Continental.
AMOSTRA:
Constituída por 1.258 entrevistas, com a seguinte distribuição, proporcional, por região GfK Metris:
Os respondentes foram seleccionados através do método de quotas, com base numa matriz que cruzou as variáveis Sexo, Idade, Instrução, Ocupação, Região e Habitat/Dimensão dos agregados populacionais.
RECOLHA DA INFORMAÇÃO
Ainformação foi recolhida através de entrevista directa e pessoal, em total privacidade, com base em questionário elaborado pela Obercom.
Os trabalhos de campo decorreram entre os dias 14 e 25 de Maio de 2010, e foram realizados por 70 entrevistadores, recrutados e treinados pela GfK, que receberam uma formação adequada às especificidades deste estudo.
A recolha incidiu nos dias úteis entre as 18H e as 22H e nos fins-de-semana durante todo o dia.
CONTROLO DE QUALIDADE
1. Em relação ao desenho do questionário, é verificado o correcto ajustamento entre os objectivos do
projecto e o questionário, bem como identificadas as perguntas que respondem a cada um dos objectivos. É igualmente feita uma revisão da consistência entre as perguntas e as categorias de resposta, da sequência lógica das respostas e dos filtros.
2. Os entrevistadores têm uma formação prévia. A incorporação de novos entrevistadores não
supera, em nenhum caso, mais de 25% do total das entrevistas.
3. Em cada região, as entrevistas são distribuídas por diversos entrevistadores, de forma a evitar que
uma % significativa das entrevistas seja feita somente por um ou dois entrevistadores.
4. Após darem entrada no Departamento de Campo, os questionários são imediatamente revistos,
sendo detectados eventuais erros de preenchimento ou ausência de informação. Caso a caso, é feita uma avaliação dos procedimentos a adoptar, que podem ir de um novo contacto com o inquirido (obtenção da informação em falta) à simples anulação da entrevista (por exemplo se se verificar uma taxa de não resposta anormal em relação ao total das perguntas).
5. Os questionários aprovados pelo Departamento de campo são gravados em suporte informático,
sendo elaborado um relatório por entrevistador com toda a informação relevante (como por exemplo,
RegiãoGfK Metris Entrevistas Legenda
Norte Litoral 251 Grande Porto 168 Interior 176 Centro Litoral 209 Grande Lisboa 344 Alentejo 59 Algarve 48 Total 1.255
% de não resposta, cumprimento dos saltos, preenchimento de perguntas abertas, etc.), realizando-se, desta forma, o primeiro teste em relação à consistência e articulação da informação obtida. Os questionários com informação incorrecta são devolvidos ao Departamento de campo.
6. É realizada uma supervisão de cerca de 20% do trabalho de cada entrevistador através de um
novo contacto directo ou telefónico com o entrevistado. Para esse efeito, utiliza-se um questionário de supervisão cuja concepção visa verificar se foram respeitadas as indicações apresentadas em relação a: local de entrevista, método de selecção do entrevistado, condições de realização da entrevista, questionário, apresentação de listas (quando existirem) e tempo de duração da entrevista.
7. Na gravação informática dos questionários, caso existam perguntas abertas, com base em cerca
de 50% de transcrição destas, são elaborados os planos de codificação respectivos (para cada pergunta deste tipo), para que estas sejam codificadas de acordo com o mesmo.
8. Já com base no ficheiro global do estudo, é feita uma validação do ficheiro informático, testando-se
a consistência dos dados recolhidos a dois níveis: validação dos códigos das respostas, pergunta a pergunta, e uma validação da articulação entre as perguntas (saltos e filtros), respeitando-se a estrutura do questionário utilizado. Em caso algum são feitas correcções automáticas da informação. A partir deste momento, o ficheiro informático encontra-se apto a ser tabulado e tratado com base em software concebido para o efeito.
Ficha técnica
Título A Rádio em Rede - Sociedade em
Rede Portugal 2010
Investigação Miguel Paisana e Jorge Vieira
Coordenação Científica Gustavo Cardoso e Rita Espanha
Questionário "A Sociedade em Rede
em Portugal 2010" OberCom - Observatório da Comunicação
OberCom - Observatório da Comunicação Palácio Foz - Praça dos Restauradores 1250-187 Lisboa PORTUGAL e-mail: [email protected] tel.: +351 213221319 fax: +351 213221320 http://www.obercom.pt/
Este trabalho está licenciado para Creative Commons Attribution-NonCommercial 2.5 License.