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comunicação que amplia a transmissão do conheci-mento, na busca de soluções para os problemas mais imediatos da sociedade. O crescente número de mor-tes por causas violentas - tanto no campo quanto nos grandes centros urbanos - e a participação dos serviços de saúde no atendimento dos produtos finais da violên-cia levaram o CLAVES a articular os conceitos de Violência e Saúde. Essa articulação ocorre não só no aspecto da quantificação de mortes e de estatísticas, mas também privilegiando o entendimento dos pro-cessos histórico-sociais e culturais que afetam a qua-lidade de vida da população, ameaçando ou matando. Para tal, a proposta de abordar interdisciplinarmente a questão da violência busca construir um marco teóri-co-metodológico que se aproxime da complexidade do problema e ultrapasse os limites acadêmico-institucionais.
Os instrumentos utilizados para esta pesquisa foram a análise documental de relatórios oficiais e técnicos do CLAVES, entrevistas com a equipe de pesquisa e observações diretas, no campo estudado. A Ciência da Informação tem contribuído na organizaçãoe interpretação desse campo informacional oferecido pelas comunidades científicas, pois dispõe de um instrumental que, por sua peculiaridade epistemológica, permite-lhe trafegar de uma área a outra. Além disso, as perspectivas de desenvolvimen-to do conhecimendesenvolvimen-to científico, sob a forma de infor-mação, hoje se apresentam, para os países do Terceiro Mundo, de modo diferente, procurando apoiar-se nas bases sociais da utilização dessas informações.
No quadro mais amplo do fenômeno da informa-ção, este trabalho aborda algumas questões informacionais na área científica, com a finalidade de compreender alguns aspectos da relação entre ciência e sociedade.
Desse modo, as questões aqui levantadas tentam situar o problema da violência como uma complexa temática social, que é, porém, tratada pelos meios de comunicação de forma despolitizada e banal, que reduz a dimensão dos eventos violentos a relatos jornalísticos sensacionalistas. Nesse sentido, esse tra-balho suscita a necessidade de se estabelecer, com a mídia, um diálogo cooperativo, porém lúcido, com o objetivo de ampliar o conhecimento do problema da violência e dos fatores que a envolvem.
2 A
comunicação científica e as perspectivas
da
transferência
da
informação
A comunicação científica é uma atividade no
cam-poda informação, que se inicia na concepção da idéia da pesquisa, passando por diversas etapas do debate interpessoal, até a publicação dos seus resultados e a aceitação e incorporação desses como parte do corpo de conhecimentos. (GARVEY, W.D. 1979. p.lO)
Os estudos da comunicação científica e dos processos informativos na ciência moderna devem levar em conta o contexto social, a produção e a utilização da informação científica, assim como a mudança de paradigma do conteúdo dos conhecimen-tos científicos, dos métodos, formas e meios de comu-nicação. (MIKHAILOV, A.I. 1986)
Nas últimas décadas, os métodos desses estudos têm sido revistos. Diversos autores têm destacado a importância da comunicação informal, tanto no que se refere ao ambiente interno das comunidades científi-cas quanto com relação aos processos de transferência de informações e sua utilização pela sociedade.
A conexão da ciência e dos interesses sociais constitui uma questão importante para as sociedades contemporâneas. Segundo Habermas, há problemas que dificultam o fluxo da comunicação entre a ciência e a opinião pública, e um deles é a tradução e a retroversão das informações científicas às questões práticas da vida, o que passa pela comunicação entre os cidadãos. Esse autor retoma assim o conceito de comunicação, para pensar a relação entre a ciência e a sociedade em um contexto crítico. A racionalização dos diversos campos da vida social e o progresso técnico-científico estão em estreita dependência e constituem um processo deformador da comunicação. O autor adota, assim, a linguagem como um novo paradigma para a filosofia, ampliando os horizontes dos meios lingüísticos para a comunicação na socieda-de. (HABERMAS,J. 1987)
A busca de novas referências conceituais e as novas correntes de pesquisa apontam para o questionamento das metodologias mais tradicionais. Por sua complexidade e o seu caráter interdisciplinar, esse campo de estudo tende a exigir constantes reavaliações, uma vez que a própria Ciência vem se interrogando a respeito de sua função na sociedade.
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dialogue com os outros saberes, e a informação cien-tífica e tecnológica não seja "a única fonte legítima" desse saber, pois a ciência já não consegue, sozinha, solucionar os problemas apresentados pelo próprio saber científico. (GONZÁLEZ, M.I. 1992. p. 76)
Esse fenômeno irá concorrer para a desintegra-ção do saber e, quem sabe, assinalar o início do rompimento de um tipo de comunicação existente, em que era primordial o interesse pelo homem e por sua presença na Terra.
O advento da ciência modema de Galileu e de Newton traz, em seu bojo, a racionalidade científica, desencantando a aliança entre o homem, o mundo e Deus, que vigorou até o Renascimento. A partir daí, aquilo que garantia o equilíbrio e a chegada a bom termo do curso da história individual e coletiva entra em ruínas, " ...converte-se num universo geometrizado, onde reina a luz fria das demonstrações matemáticas." (GUSDORF, G. 1976. p. 19)
3 A interdisciplinaridade
Alguns autores têm oferecido um suporte teórico e metodológico mais abrangente e equilibrado quanto ao conceito de transferência da informação. ParaFreire (1977), a verdadeira comunicação não se reduz ao ato da transferência do conhecimento, mas deve conter em si a importância da co-participação. Goldman ressalta o papel do receptor e entende a informação como um fenômeno social capaz de provocar mudan-ças de uma "consciência real" para uma "consciência possível", conceitos estes extraídos do pensamento marxista. (GOLDMAN, L. 1970. p. 39) De acordo com esse autor, mesmo que as informações passem por uma cadeia de aparelhos e máquinas, há sempre, no fim dessa cadeia, um ser humano que as recebe. Ele, porém, não recebe qualquer coisa, de qualquer modo. É grande a opacidade dessa consciência receptora e nem toda a informação é recebida (ou, quando isto acontece, muitas das vezes a informação é distorcida). O conceito de consciência possível nos leva, portanto, a investigar os problemas da comunicação social.
Acompreensãodaquestãodainterdisciplinaridade, como uma proposta de interação das teorias e méto-dos, assim como dos atores envolvidos nos processos de transferência da informação e da comunicação - é fundamental para o desenvolvimento das pesquisas do sistema de comunicação científica.
estudo das cartas a este dirigidas, a fim de verificar se o programa cumpre o papel de divulgador científico. A autora compreende a divulgação científica como uma atividade do sistema de comunicação científica e considera que esse tipo de programa deve levar o público a exercer o espírito crítico com relação à Ciência e Tecnologia, rompendo com o mito do cien-tista quase sempre endeusado pela rnídia. Pela leitura das cartas, observa que o telespectador carece de informações, em todos os níveis, e não tendo como localizá-las, dirige-se ao programa.
A exemplo dessa análise, verificamos, nas mais recentes linhas de estudo, a preocupação de buscar uma teoria da comunicação mais adequada à realidade dos países em desenvolvimento.
Outros autores têm criticado os modelos de co-municação científica que vêm fundamentando a teoria e a prática da Ciência da Informação. Ramos, por exemplo, constata dificuldades na precisão dos con-ceitos de divulgação, informação, difusão e transfe-rência da informação/conhecimento científico, e iden-tifica nos modelos de comunicação científica uma corrente difusionista da ciência. A principal caracte-rísticadestacorrente é o uso de técnicas de quantificação da informação. O discurso científico não se reduz, no entanto, apenas à sua produção bibliográfica, expressa na comunicação formal, mas refere-se também ao universo da comunicação informal, na qual os cientis-tas exercem uma troca simbólica de informação, atra-vés de um vocabulário complexo. O autor retoma o quadro metodológico de Habermas para investigar a principal questão de sua pesquisa: "Qual(ais) o(s) interesse(s) que orienta(m) as práticas da divulgação/ vulgarização da ciência?" (RAMOS, M. G. 1992. p.24)
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Uma via para a reorganização e a renovação do saber "... consiste em trazeràdinâmica da especiali-zação, uma dinâmica compensadora de não-especialização". (GUSDORF, G. 1976.p. 24) Isso requer que aquele especialista da ciência passe a admitir sua totalidade - enquanto homem do mundo, e não só do mundo científico - e transcenda sua própria especialidade.
Trata-se, então, de procurar conhecer as condições em que se realiza a interdisciplinaridade; as formas de comunicação dos especialistas; e os efeitos dessa prática científica na socialização do conhecimento.
A questão da interdisciplinaridade assume, portanto, uma grande importância no contexto da comunicação, quando esta exercita um tipo de troca de informação que venha a superar a concentração de saber das disciplinas, com a finalidade de compreen-der melhor determinado fenômeno humano.
Uma das principais etapas de um projeto interdisciplinar é a incorporação dos resultados das várias disciplinas, integrando esquemas conceituais de análise, depois de comparados e julgados. Outra etapa imprescindível da constituição de uma equipe interdisciplinar é o compartilhamento dos métodos. Esse empreendimento pode proporcionar, no âmbito interno, uma reorganização do meio científico, e criar uma nova relação com a sociedade.
Desse modo, pode-se identificar uma dupla ori-gem do fenômeno interdisciplinar: uma, interna ao sistema das ciências, relaciona-se a seu desenvolvi-mento e organização e, portanto, refere-se à questão metodológica; outra, externa, diz respeito ao apelo cada vez mais gritante aos saberes para que se voltem para o campo da ação ou intervenção efetiva na reali-dade social e humana.
Para Castoriadis (1987), questionar a institui-ção ciênciaé um primeiro passo, que levaria a uma provável mudança da organização interna do saber e do trabalho científico. Não é, no entanto, só o conteúdo que deve mudar, mas sim, sobretudo, deve haver uma mudança em relação ao saber e à instituição.
Alguns dos principais objetivos para a realiza-ção interdisciplinar são: a reorganizarealiza-ção do saber; o reconhecimento do caráter comum de certos proble-mas estruturais e o estabelecimento de comunicação entre os especialistas; a criação de novos domínios de conhecimento mais adaptadosàrealidade social. No plano prático, há duas razões para a atuação
interdisciplinar: uma, relacionada à própria organiza-ção da pesquisa, que em termos econômicos é de elevado custo quando desenvolvida independente-mente; a outra refere-seàcrescente complexidade dos problemas postos pela sociedade, como a fome e a ameaça ao meio ambiente, dentre outros, exigindo soluções urgentes.(JAPIASSU,H. 1976. p.56)
O resultado dessa interação entre as disciplinas e a abertura de portas a partir dessa troca de informações são importantes para o contexto da comunicação científicaedatransferência da informação.
Para alguns estudiosos,
"a comunicação interdisciplinar tem que ser construída sobre as bases de uma coerência de linguagem entre teorias distintas, que possam ser tratadas como fragmentos teóricos na visão de um objeto particular". (MINAYO, M. C. de S. 1989. p.5)
Um objeto só pode ser abordado por uma pesqui-sa interdisciplinar se os pesquipesqui-sadores se capacitarem para adotarumalinguagem comum,e essa linguagem só será comum se o objeto também o for. (JAPIASSU, H. 1976. p. 83)
Existe, por outro lado, uma série de dificuldades que se opõem à realização dessa colaboração: obstácu-los psicológicos e sociológicos, como competição de estatutos; problemas de organização para a apresenta-ção em comum das informações; e obstáculos lingüísticos, como a formação diversificada dos pes-quisadores. Para transpor esses obstáculos, é preciso inicialmente elaborar conceitos que definirão oque,o para quee o comose realizará a pesquisa.
Uma exigência que seimpõepara o êxito do projeto interdisciplinar é a competência decadaespecialista e sua capacidade de reconhecer oslimitesda própria especialida-de. Alémdisso, é necessário distinguir entrepesquisafunda-mental e aplicada e, entre elas, a orientada (que procura responder às necessidades coletivas e às expectativas soci-ais). Outra exigênciaque se faz ao trabalho interdisciplinaré
aremoção de todos os entraves à integração, desde conceitos
atémétodos. Isto não significa negá-los mas, de certaforma,
abrircaminho para a identificação dos verdadeiros proble-mas e de suas possíveis soluções.
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No plano metodológico, algumas etapas terão que ser rigorosamente cumpridas. Elas se iniciam pela constituição de um grupo de pesquisa ou de uma equipe de trabalho. Estabelecem-se, então, as regras mínimas e comuns a que deverão se submeter os participantes desse grupo ou equipe. A constituição de um grupo de pesquisa interdisciplinar se toma ainda mais necessária quando a pesquisa científica se vê diante de problemas sociais complexos, que exigem a intervenção das disciplinas competentes e o trabalho de pesquisadores interessados nesses problemas.
Outra etapa da atuação interdisciplinar,já citada, é a constituição dos conceitos-chave a serem trabalha-dos pelo grupo ou equipe interdisciplinar. Épreciso falar e compreender os conceitos, utilizando uma linguagem comum a todos, para superar essa barreira. A questão da comunicação é soberana nessa etapa, que só será eficaz se houver essa espécie de acordo sobre a linguagem, que fará o grupo ou equipe se entenderem a respeito de um mesmo objeto.
A metodologia interdisciplinar tem também, como uma de suas etapas, a definição do problema, confrontando-se os pesquisadores e os pontos-de-vista de cada disciplina e encaminhando-se a partici-pação de cada um para o cumprimento de uma tarefa. Depois da coleta de dados, a próxima etapa da pesqui-sa é a apresentação dos resultados analipesqui-sados para toda a equipe, exigindo-se um alto nível de cooperação e desprendimento de cada participante.
A pesquisa orientada, por abranger os métodos clássicos das pesquisas teóricas e práticas tem, hoje, condições de responder mais adequadamente aos pro-blemas da sociedade modema, sejam eles sociais, económicos, ou de outra origem. (JAPIASSU, H. 1976.p. 160)
As características da prática interdisciplinar sub-metem a experiência comunicacional humana ao de-safio de dispor de seus conhecimentos para além de um processo linear de transferência da informação. A transmissão do conhecimento é aí enriquecida por conteúdos diversos de informação, próprios de cada disciplina. Ainda assim, é preciso que os participantes dessa experiência manifestem acima de outros inte-resses, a vontade de trabalhar em grupo, tendo em vista o objetivo da pesquisa.(ABEM. 1989)
4 Comunicação, interdisciplinaridade e
transferência da informação no CLAVES
O CLAVES foi inaugurado em novembro de 1988, na Fundação Oswaldo Cruz, com o objetivo de estudar o crescimento e os produtos finais da violên-cia, homicídios, violência doméstica, acidentes de trânsito, dentre outras agressões, e suas relações com a saúde das populações. A importância dessa área de conhecimento se baseia no aumento dos dados de morbi-mortalidade por violência no Brasil, a partir da década de 80, ocupando já o segundo lugar nas causas de morte. Para alguns pesquisadores do CLAVES, o tema foi incluído até um pouco tarde na Saúde Pública, por não ser considerado um objeto da área.
A pesquisa interdisciplinar,no CLAVES, do ponto de vista conceituaI, se dá na articulação dos conceitos de causas externas e violência. Do ponto de vista metodológico, o desafio consiste no comparti-lhar da metodologia das Ciências Sociais e da Epidemiologia,abordando-sequalitativaequantitativamente o objeto, sem esquecero papel e a contribuição dessasáreas.
A comunicação no grupo foi construída, inicial-mente, através de reuniões para se discutir as questões teóricas e metodológicas e para se pensar os objetos empíricos da pesquisa, práticaque oCLAVES denomina de estratégica. Os documentos do CLAVES que regis-tram as primeiras informações sistematizadas revelam a situação da mortalidade por "causas externas" na Amé-rica Latina, a partir dos dados da Organização Pan-Americana da Saúde, e foram apresentados no I Encon-troInternacional do Grupo de Trabalho sobre Violência e SaúdenaAmérica Latina, emdezembro de 1989. Nesse mesmo período, o CLAVES iniciou um trabalho exploratório empírico em Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro, que visava iniciar um diálogo com os demais grupos envolvidos com as questões da violência, instituições de saúde, educação e segurança públicas. Posteriormente, esse trabalho definiria algumas linhas de pesquisas atualmente emdesenvolvimento no Centro. Os desdobramentos do I Encontro Internacional e da pesquisa exploratória realizada em Duque de Caxias possibilitaram o avanço da comunicação interna e
Comunicação e transferência da informação na prática interdisciplinar da pesquisa 54
Em 1990, o CLAVES realizou um seminário na Baixada Fluminense, com diversas entidades que lu-tam contra a violência. A meta desse evento foi apre-sentar os resultados das pesquisas desenvolvidas na região. Esse momento pode ser caracterizado como um processo de transferência da informação sobre violência e saúde, e como uma etapa de participação de todos os atores sociais, na busca de soluções para o problema da violência que afetava a Baixada Fluminense, naquela ocasião.
A prática interdisciplinar de pesquisa do grupo compreende, portanto, as noções de comunicação e transferência da informação, que podem ser identificadas nas seguintes dimensões e níveis de atuação:ensino - atividades de formação e capacitação de pessoal de graduação e pós-graduação, para atuar em relação ao tema violência e saúde; pesquisa cien-tífica - desenvolvimento da área de conhecimento sobre violência e saúde; nível interno - comunicação no grupo, intensificada pelas trocas e práticas interdisciplinares; nível externo - comunicação e atu-ação do grupo do CLAVES, junto a outros que traba-lham com a temática da violência. As pesquisas têm subsidiado a formulação de políticas públicas, o pla-nejamento e a programação do setor saúde; mídia - o CLAVES fornece informações para os meios de co-municação, destacando a complexidade do problema da violência, em contraposição à "espetacularização" dos relatos jornalísticos. A qualidade da informação é uma exigência para o grupo, não só porque está sujeita às críticas do meio científico mas, sobretudo, porque pode servir de instrumento à sociedade na luta por melhores condições de vida e saúde dos cidadãos.
5 Prática de pesquisa e novas propostas
para os estudos da informação
Ao analisarmos os conceitos de comunicação e transferenciadainfonnaçãonapesquisainterdisciplinar, procuramos entender estes conceitos aplicadosà prá-tica. A interdisciplinaridade, pensada no campo da Saúde Pública, é vista como uma proposta de coope-ração, em virtude da complexidade dos problemas vividos hoje, tais como o fenômeno da violência. A etapa inicial de pesquisa do grupo do CLAVES procu-ra supeprocu-rar o que Japiassu consideprocu-ra como um primeiro obstáculo à pesquisa interdisciplinar, ou seja, o con-fronto e a discussão de conceitos e métodos de cada
área. A imprecisão da própria linguagem sobre violên-cia impôs ao grupo a tarefa de trabalhar os conceitos tradicionais, utilizados nos estudos da violentologia, sociobiologia e teoria do comportamento, e outros modelos teóricos que vêm sendo criticados por limita-rem o tema. Essa etapa proporcionou a construção de uma linguagem comum sobre violência.
A interdisciplinaridade é uma proposta que não se limita às críticas de modelos científicos clássicos, mas tenta superar esses modelos na busca de uma racionalidade comunicativa. No campo da Saúde Pú-blica, onde foi desenvolvida esta pesquisa, são obser-vados vários obstáculos à pesquisa interdisciplinar. O primeiro deles é o mito do desenvolvimento, que sustentaa indústria e a tecnologia médicas e desvincula o sistema de saúde dos problemas da população. O segundo é o isolamento do campo interdisciplinar como um campo autónomo. E, por último, a defesa dos saberes institucionalizados, ligados, como todos os outros, às regras da competição.
A interdisciplinaridade como prática de pesqui-sa oferece à função de transferência da informação uma possibilidade nova no campo da relação Ciência e Sociedade. As condições comunicacionais são am-pliadas e, superadas as dificuldades de realização da pesquisa interdisciplinar, verificamos que o conceito de transferência se fortalece, possibilitando um fluxo ágil da informação, tanto no âmbito interno (que diz respeitoàcomunicação das pessoas da própria equipe) quanto no âmbito externo (que se refereà comunica-ção com os demais grupos sociais).
A prática interdisciplinar de pesquisa nos leva, então, a pensar em uma conduta nova para investigar os problemas de informação.
A compreensão dos processos de comunicação e do papel da linguagem traduz-se em mudanças na própria atividade científica. Simbolicamente reestruturada, a comunicação lingüística possibilita, aos próprios meios de comunicação, o desempenho de novas funções. Sendo assim, essa comunicação exer-cerá, além da função de entendimento, as de transmis-são do saber, de integração social e de socialização dos indivíduos.
INFORMARE - Cad. Prog. Pós-Grado Cio Inf., Rio de Janeiro, v.2, n. 1, p. 49-56, jan.ljun. 1996
Bibliografia
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capacidade de comunicação é observada quando a prática interdisciplinar traz para o seu campo de ação a vontade de colocar o conhecimento à disposição daqueles que dele necessitarem, seja sob a forma de informações ou sob a forma de subsídios para pressi-onar as ações políticas.
Ainda com relação aos meios de comunicação, a interdisciplinaridade como prática de pesquisa cientí-fica pode proporcionar informações mais lúcidas, que não limitam determinados fenômenos a uma única visão, muito menos a uma visão estritamente científi-ca, podendo-se politizar, de certa forma, alguns temas que a mídia enfoca. Esse desafio é, pois, um confronto entre as linguagens científica e jornalística, na qual o público se insere.
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Abstract
This work aims to investigate some ofthe aspects of the relation between Science and Society from the perspective or the interdisciplinary research practice, using the concepts of communication, interdisciplinarity and information transfer. It was based on a research about Latin American Center for Studies on Violence and Health ofthe National School ofPublic Health - Oswaldo Cruz Foundation (CLAVESIENSPIFIOCRUZ). ln accordance with its results,itwas observed that these concepts are enlarged and offer a perspective for the social use of the scientific information, since this information can be disseminated and divulged for the society through its mediators, as the midia, health and education institutions and organized social movements.
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I
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