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Rev. Bras. Reumatol. vol.45 número4

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Academic year: 2018

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Rev Bras Reumatol, v. 45, n. 4, p. XIII, jul./ago., 2005

Editorial

XIII

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DITORIAL

E

DITORIAL

uso de células-tronco embrionárias tem sido mostrado como a próxima fase na luta contra as doenças degenerativas e debilitantes, tais como diabetes, doenças cardíacas ou doença de Parkinson. Freqüentemente temos na mídia, nos websites notícias novas e promocionais sempre transmitindo de alguma maneira que essa terapia é segura e já disponível para uso imediato.

A RBR inicia neste número, com o artigo do Prof. Dr. Júlio C. Voltarelli e colaboradores, “Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas em Doenças Reumáticas – Parte 1: Experiência Internacional”(1) apresentando os resultados,

nacionais e internacionais, desta nova e valiosa ferramenta no manuseio de doenças reumatológicas graves e refratárias à terapia tradicional, especialmente no lúpus eritematoso sistêmico, na artrite reumatóide e na esclerose sistêmica, um momento para reflexão desse procedimento.

Em junho deste ano foi realizado na Europa um plebiscito para o uso da terapia com células-tronco. Anteriormente, ocorreu um amplo debate com discussão do significado desse novo manuseio terapêutico, nos diversos veículos de comunicação. Em muitos países não foi aprovado o uso de células-tronco embrionárias, especialmente porque não estavam suficientemente claras as implicações éticas devidas, por exemplo, à globalização de espermatozóides tornando possível e questionável esse tratamento, como também a própria expressão genética não definida nas células embrionárias (doenças auto-imunes, malignidades, etc.) e finalmente o uso prematuro dessa nova terapia pode colocar

O

pacientes em risco de doenças viróticas: uma cultura decélulas-tronco permitiria que uma linhagem singular de células fosse utilizada em centenas de pacientes ampliando assim o risco de transmissão.

Atualmente, as indústrias de pesquisas farmacêuticas não trabalham mais com um produto feito. Em vez disso, a grande maioria pesquisa em um nível mais básico, procurando alvos potenciais, sintetizando substâncias que atuam em tais alvos terapeuticamente e finalizam fazendo um composto aceitável(2). Porém, a segurança e qualidade

devem ser bem avaliadas antes que esse tratamento possa realmente beneficiar o paciente.

Seria proveitosa a formação de um grupo colaborativo usando um sistema de codificação específica (eventos adversos, doadores, receptores e testes laboratoriais) com a finalidade de orientar a formação de diretrizes para divulgar e aplicar os resultados. Assim, evita-se o que ocorre na Índia(3) e na Rússia(4) com a existência de diversas clínicas

oferecendo cura pela terapia das células-tronco para um número infinito de doenças.

A urgência não é desculpa para a ciência. Em outras palavras, esperamos que um possível insucesso financeiro de alguma indústria farmacêutica na pesquisa com células-tronco não derrube tão promissora tecnologia terapêutica.

FERNANDO S. CAVALCANTI Presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia

Terapia com Células-Tronco: Esperança ou Novo Marketing?

REFERÊNCIAS

1. Voltarelli JC, Stracieri ABPL, Oliveira MCB, et al: Transplante de células-tronco hematopoéticas em Doenças Reumáticas – Parte 1: experiência internacional. Rev Bras Reumatol 45: 229-41, 2005. 2. Mervis J: The hunt for a new drug: five views from inside. Science

309: 5735, 722-5, 2005.

3. Jayarama, KS: Indian regulations fail to monitor growing stem-cell use in clinicas. Nature 17: 434, 259, 2005.

Referências

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