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A SUSTENTABILIDADE SEGUNDO AS CERTIFICAÇÕES DO SISTEMA LEED:

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Universidade Presbiteriana Mackenzie

Programa de Pós-graduação de Arquitetura e Urbanismo

Luisa Sapienza Passos

A SUSTENTABILIDADE SEGUNDO AS CERTIFICAÇÕES DO SISTEMA LEED:

EDIFÍCIOS CORPORATIVOS EM SÃO PAULO (2007-2017)

São Paulo

2019

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Universidade Presbiteriana Mackenzie

Programa de Pós-graduação de Arquitetura e Urbanismo

Luisa Sapienza Passos

A SUSTENTABILIDADE SEGUNDO AS CERTIFICAÇÕES DO SISTEMA LEED:

EDIFÍCIOS CORPORATIVOS EM SÃO PAULO (2007-2017)

São Paulo 2019

Dissertação de Mestrado apresentada ao

Programa de Pós-graduação da Faculdade de

Arquitetura e Urbanismo da Universidade

Presbiteriana Mackenzie, para obtenção do título

de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

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P289s Passos, Luisa Sapienza.

A sustentabilidade segundo as certificações do sistema LEED : edifícios corporativos em São Paulo. / Luisa Sapienza Passos.

153 f. : il. ; 30 cm

Dissertação (mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2019.

Orientadora: Gilda Collet Bruna.

Bibliografia: f. 142-150.

1. Certificação ambiental. 2. Sustentabilidade. 3. LEED. I.

Bruna, Gilda Collet, orientadora. II. Título.

CDD 720.47

Bibliotecária Responsável : Giovanna Cardoso Brasil CRB-8/9605

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Agradecimentos

Agradeço à minha família pelo amor inigualável que sempre recebi, pela união contagiante que me traz paz e força todos os dias, agradeço a cada um de vocês, que são a base da minha vida. Meus pais, minha irmãzinha, meus avós, meus tios, meus primos, e todos que cuidam de mim sempre com tanto amor. Vocês são o meu exemplo de amor, de perseverança, coragem, determinação e inteligência. Vocês são o alicerce da minha vida, um refúgio em todos os momentos, e cada um, com as suas inúmeras particularidades, é parte desse laço que nós chamamos de família: amor de Deus nos oferecendo um pouquinho do céu aqui na Terra. Eu sei a sorte que tenho em ter vocês.

Agradeço aos meus amigos pela parceria, ajuda e compreensão, que perto ou longe estão sempre comigo, sejam quais forem as circunstâncias. Agradeço a Deus pelas pessoas que caminham comigo e por tudo que conquistei até agora, cada dia é uma dádiva e uma oportunidade de transformar sonhos em realidade.

Agradeço à minha orientadora pelo apoio no desenvolvimento dessa pesquisa

e em todo o processo ao longo desse período. Sua dedicação foi fundamental, os

ensinamentos e reflexões transformaram a minha visão sobre a arquitetura e a

natureza, e contribuíram muito na minha evolução pessoal e profissional. Tocando no

ponto profissional, agradeço toda a equipe Vertical Garden que acompanhou e apoiou

o meu desenvolvimento dentro do mestrado de perto e me fez companhia no dia a

dia, sinto muito apreço e gratidão por esse time e sei que juntos construiremos uma

história de muito sucesso dentro da sustentabilidade.

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“Não devemos ter medo de inventar seja o que for. Tudo o que existe em nós existe também na natureza, pois fazemos parte dela.”

Pablo Picasso

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Resumo

O presente estudo pretende problematizar a questão da sustentabilidade vista a partir das certificações verdes do sistema LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), com recorte de pesquisa direcionado aos edifícios corporativos em São Paulo. Segundo o Conselho Nacional de Defesa Ambiental, as certificações ambientais são entregues em forma de selos que transmitem o quanto as edificações são ambientalmente responsáveis. Também conhecidos como ecoetiquetas, esses selos têm caráter classificatório e a favor de condutas prudentes com o planeta, a vida e os recursos naturais. Compreendendo a particularidade dos empreendimentos corporativos, percebe-se instantaneamente os interesses econômicos e financeiros que circundam essa preferência por projetos arquitetônicos desenvolvidos paralelamente aos Selos Verdes. Norteando os aspectos técnicos, econômicos e mercadológicos dessa prática, a pesquisa traz estudos de caso de edificações certificadas e verifica cada crédito e categoria do selo verde recebido, compreendendo a sua inserção dentro da arquitetura corporativa e analisando se uma certificação LEED é capaz de determinar uma edificação como sustentável.

Palavras Chave: Certificação Ambiental, Sustentabilidade, LEED.

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Abstract

The present study intends to problematize the sustainability of green certification LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), with a research directed to corporate buildings in São Paulo. According to the National Environmental Defense Council, environmental certification are seals that can transmit how the edifications are environmentally responsible. Also selected as eco-labels, the stamps have a classification character and a prudent favor with the planet, life and natural resources.

Understanding a particularity of corporate ventures, one instantly perceives the economic and financial interests that fit into the architectural designs developed in parallel to the green stamps. Guiding the technical, economic and market aspects of this practice, the research brings case studies of certified buildings and checks all the credits and categories of the green stamp, understanding your insertion in corporate architecture and analyzing if a certification is capable of determining a building as sustainable.

Key words: Environmental Certification, Sustainability, LEED.

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Sumário

Introdução ... 12

1. Arquitetura Sustentável ... 19

1.1 Panorama da Sustentabilidade século XX e Encontros Internacionais ... 19

1.2 Compromissos Nacionais Incentivadores de Cidades Sustentáveis ... 25

1.3 Definições de Sustentabilidade ... 28

1.4 As Certificações Verdes em Edificações Sustentáveis em São Paulo ... 36

2. Certificação Ambiental LEED ... 45

2.1 Certificações LEED BD+C Core and Shell ... 45

2.2 Mapeamento de Edificações LEED BD+C Core and Shell em São Paulo ... 59

2.3 Estudos de Caso ... 67

2.3.1 WTorre Nações Unidas ... 67

2.3.2 Rochaverá Corporate Towers... 79

2.3.3 Eldorado Business Tower ... 90

3. Discussão dos Resultados ... 102

3.1 Comparação entre os Estudos de Caso ... 102

3.2 Aplicação da Certificação LEED... 112

3.3 Comparação entre as Certificações: uma edificação certificada LEED também é considerada sustentável pela certificação AQUA? ... 116

3.3.1 Certificação AQUA ... 116

3.3.2 Comparativo entre Certificação LEED e Certificação AQUA ... 124

4. Considerações Finais ... 139

5. Referências Bibliográficas ... 143

6. Anexos ... 152

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Lista de Figuras

Figura 1 Esquema Tripé da Sustentabilidade (Triple Bottom Line) 14

Figura 2 Organograma Metodológico 16

Figura 3 Limites do crescimento: Conferência do Clube de Roma 19 Figura 4 Esquema e metas para a conferência do Rio - 92 22 Figura 5 Balança de Sustentabilidade proposta pela Agenda XXI Global 25

Figura 6 Relatório Nosso Futuro Comum 28

Figura 7 Sistemas Urbanos Sustentáveis 31

Figura 8 Cidades dispersas e cidades compactas 33

Figura 9 Instituições Organizadoras Fundadoras da certificação AQUA- HQE

37 Figura 10 Distribuição dos projetos certificados pelos estados do Brasil 40 Figura 11 Níveis de Certificações do Sistema LEED 40 Figura 12 Tipologias de Projetos para a Certificação LEED 41 Figura 13 Classificação dos projetos certificados por tipologia e nível 43

Figura 14 Mudanças na versão LEED V4 47

Figura 15 Edifícios Paulista 2028, Torre Matarazzo e Edifício Paulista 867 60 Figura 16 Edifícios corporativos na Avenida Brigadeiro Faria Lima 62 Figura 17 Edifícios certificados Av. Berrini: EZ Towers, Torre Z, Edifício

Eco Berrini

64 Figura 18 Edifícios corporativos na Avenida das Nações Unidas 65 Figura 19 Contexto Edificação W Torre Nações Unidas 68 Figura 20 Fachada principal edificação W Torre Nações Unidas 68 Figura 21 Áreas de Construção empreendedora WTorre 69

Figura 22 Edificação WTorre Nações Unidas 70

Figura 23 Localização Edificação WTorre Nações Unidas 71 Figura 24 Cobertura verde edificação WTorre Nações Unidas 73 Figura 25 Esquema representativo das Ilhas de Calor 75 Figura 26 Plantas com perímetro em vermelho delimitando a área

envidraçada

77

Figura 27 Esquema estrutural do Sistema BIM 80

Figura 28 Projeto Rochaverá Corporate Towers (Torre A, B, C e D) 81

Figura 29 Percursos do complexo Rochaverá 82

Figura 30 Circulação do empreendimento Rochaverá 83 Figura 31 Praça do Conjunto Rochaverá Corporate Towers 67

Figura 32 Projeto Rochaverá Corporate Towers 84

Figura 33 Contraste entre a natureza e a tecnologia 85 Figura 34 Cobertura Verde Rochaverá Corporate Towers 87

Figura 35 Eldorado Business Tower 90

Figura 36 Fachada da edificação Eldorado Business Tower composta com vidro branco

91 Figura 37 Passarela da edificação Eldorado Business Tower 92

Figura 38 Elevadores Eldorado Business Tower 93

Figura 39 Térreo elevado edificação Eldorado Business Tower 94

Figura 40 Áreas envidraçadas: edificação Eldorado Business Tower 96

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Figura 41 Implantação Eldorado Business Tower 98

Figura 42 Ideologias e princípios da Certificação FSC (Conselho de Manejo Florestal)

100 Figura 43 Central de Cogeração do conjunto Rochaverá 104 Figura 44 Sistema de Operação e Monitoramento Remoto 104 Figura 45 Número de edifícios certificados pelo Sistema AQUA 118 Figura 46 Localização de edifícios certificados pelo Sistema AQUA 118 Figura 47 Ilustração representativa da categoria Ecoconstrução 119 Figura 48 Ilustração representativa da categoria Gestão 119 Figura 49 Ilustração representativa da categoria Conforto 120 Figura 50 Ilustração representativa da categoria Saúde 120 Figura 51 Sistema de Gestão do Empreendimento e Qualidade Ambiental

do Edifício

122

Figura 52 Os 3 Rs da sustentabilidade 129

Figura 53 Ventilação 130

Figura 54 Resfriamento Evaporativo e Umidificação 130

Figura 55 Uso racional da iluminação natural 131

Lista de Quadros

Quadro 1 Histórico das Certificações Ambientais 36

Quadro 2 Categorias de Certificações LEED BD+C 41

Quadro 3 Comparativo Estudos de Caso Certificados LEED BD+C CS 102 Quadro 4 Comparativo Pontuação Geral Estudos de Caso Certificados 103 Quadro 5 Comparativo Categoria Espaço Sustentável Estudos de Caso 106 Quadro 6 Comparativo Categoria Eficiência no Uso da Água Estudos de

Caso

107 Quadro 7 Comparativo Categoria Energia e Atmosfera Estudos de Caso 108 Quadro 8 Comparativo Categoria Materiais e Recursos Estudos de Caso 109 Quadro 9 Comparativo Categoria Qualidade do Ambiente Interno Estudos

de Caso

110 Quadro 10 Comparativo Categoria Inovação Estudos de Caso 111 Quadro 11 Comparativo entre Certificação LEED e AQUA 123 Quadro 11 Peso dado aos critérios da Certificações LEED e AQUA 125

Quadro 13 Fontes de Energia 132

Quadro 14 Porcentagem e Pontuação W Torre Nações Unidas 135

Quadro 15 Porcentagem e Pontuação Rochaverá 136

Quadro 16 Porcentagem e Pontuação Eldorado 136

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Lista de Gráficos

Gráfico 1 Registros de Certificação LEED por categoria 49 Gráfico 2 Registros de Certificação LEED por tipologia 49 Gráfico 3 Registros de Certificação LEED por Estado 49

Lista de Mapas

Mapa 1 Mapeamento de Edifícios Certificados LEED BD+C Core and Shell

58

Mapa 2 Mapeamento de Edifícios Certificados na região da Avenida Paulista

59

Mapa 3 Mapeamento de Edifícios Certificados na região da Avenida Faria Lima

60

Mapa 4 Mapeamento de Edifícios Certificados na Av. Engenheiro Luís Carlos Berrini

63

Mapa 5 Mapeamento de Edifícios Certificados na Av. das Nações Unidas

64

Introdução

Kotler (2010), conhecido como o “Pai do Marketing Moderno”, desenvolveu estudos relevantes defendendo que atualmente a sustentabilidade é cada vez mais protagonista em ações mercadológicas de grandes multinacionais. Com uma visão que vai além da busca pelo lucro, essas empresas começam a destacar-se pela sua postura verde, que compreende essa necessidade como consequência do aparecimento de um consumidor mais engajado e participativo nas diretrizes e questões ambientais. A expansão do consumo consciente transforma fatores importantes nas empresas, que preocupadas com a sua reputação, tomam inúmeras vertentes de ação para serem bem reconhecidas, uma delas é a sua instalação em edificações com Certificações Verdes.

A sustentabilidade é um conceito bastante difundido, e hoje representa uma

intensa expansão do modelo de negócio tradicional, onde as empresas se envolvem

em ações verdes como estratégia publicitária e diferencial em comparação com seus

concorrentes. Uma empresa localizada em um projeto arquitetônico certificado é cada

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vez mais reconhecida, e como consequência o número de empreendimentos sustentáveis cresceu significativamente.

De acordo com Figueiredo (2016), a conscientização do consumidor sobre o respeito ambiental é cada vez maior e por isso os selos verdes estão se tornando extremamente importantes para a arquitetura. Em suas pesquisas, o autor conclui que as certificações acabam desmascarando as empresas que utilizam “maquiagens verdes” como marketing pessoal, adotando práticas supostamente sustentáveis para deixar o seu produto mais atrativo ao público. Os selos são como atestados para produtos ou projetos que passaram por avaliações antes de serem classificados pelas suas características ambientais, com menor impacto sobre este local.

Os Selos Verdes são as certificações de produtos adequados ao uso que apresentam menor impacto no meio ambiente em relação a outros produtos comparáveis disponíveis no mercado. Tem como objetivo promover a melhoria da Qualidade Ambiental de produtos e processos mediante a mobilização das forças de mercado pela conscientização de consumidores e produtores (FOELKEL, 2014).

Compreendendo as intenções e necessidades de aplicação dos selos ambientais nas edificações, a reflexão passa a ser um questionamento sobre a eficiência deles, procurando entender se eles realmente garantem que um edifício é sustentável. De acordo com Cardoso (2010), essa forma de avaliar o desempenho de edifícios possui uma grande limitação devido fato de que o empreendedor nunca terá poder sobre a gestão e os usuários do edifício, então a garantia é apenas a determinação de elementos técnicos e arquitetônicos que poderiam resultar em tal desempenho.

Além disso, para analisar se um edifício é certificado ou não, é necessário

delimitar a concepção de sustentabilidade que essa pesquisa irá abranger, visto que

se trata de um conceito amplo na arquitetura. De acordo com Roaf (2006),

etimologicamente, a palavra sustentabilidade tem origem no latim “sustentare”, que

significa conservar, sustentar e apoiar. Hoje é muito utilizado para designar o uso dos

recursos naturais do planeta de modo ponderado, como uma estratégia para um

desenvolvimento ecologicamente correto. A sustentabilidade pode ser inserida em

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14

diversas áreas da sociedade, desde as menores escalas, como objetos e produtos de consumo, até as grandes escalas, como empreendimentos e edificações.

Na arquitetura contemporânea esse conceito é aplicado diretamente, e segundo Serrador (2008), o próprio processo projetual acaba beneficiando-se e nutrindo-se a partir das novas técnicas sustentáveis que permitem a utilização dessa visão no contexto atual, elevando o nível dos projetos na área da construção civil e arquitetura. Assim como qualquer área do desenvolvimento arquitetônico, os projetos sustentáveis atuais no Brasil têm como referência ideias anteriores e experiências internacionais que se enriquecem e aprimoram cada vez mais com os estudos aprofundados e descobertas de novas tecnologias.

Apesar do alto custo inicial na implementação desses novos instrumentos, técnicas e materiais, são executados de forma gradativa e cada vez mais assídua como consequência das inúmeras pesquisas, investigações e experimentos, que possibilitam uma popularização e dispersão mais acessível de todos os fatores e opções. Isso pode ser compreendido principalmente pelo fato de que a sustentabilidade não é estática, ela está em constante desenvolvimento de modo dinâmico, onde novas descobertas e inovações trazem diferentes discussões, estratégias e princípios.

Definido como Triple Bottom Line, o conceito de sustentabilidade dessa pesquisa aborda uma conexão entre os aspectos de crescimento econômico (busca por lucro, redução de custos e pesquisa visando o desenvolvimento), de preservação ambiental (redução de emissões e poluição, redução dos desperdícios e preservação da biodiversidade), e de progresso social (ampliação da diversidade, direitos humanos, justiça e qualidade de vida). Segundo Elkington (2002), a harmonia entre essas esferas cria três categorias: A Eco-Econômica, que garante a eficiência energética, os subsídios e incentivos, a Socio-Ambiental que se define pela segurança, saúde, regulamentação ambiental e administração de crises, e por último a Socio-Econômica, que assegura a ética empresarial, o comércio justo, criação de emprego e desenvolvimento econômico.

Em suma, o Tripé da Sustentabilidade (Figura 1) consolida que o

desenvolvimento é possível quando os campos econômicos, ambientais e sociais se

encontram em equilíbrio, em um diálogo proporcional e constante, representando a

expansão do modelo de negócios tradicional e entendendo que para não se perder, o

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capitalismo precisa se adaptar as necessidades do século, compreendendo o novo rumo da sociedade.

Figura 1: Esquema Tripé da Sustentabilidade (Triple Bottom Line) Fonte: Real Building Consultants (2015)

Partindo da ideia de que a Arquitetura, enquanto objeto construído e parte da cidade, é capaz de produzir efeitos e influenciar significativamente os indivíduos e a sociedade como um todo, entende-se que as transformações do modo de vida e pensamento em determinado contexto tem grandes repercussões sobre os projetos, as percepções e as sensações que o indivíduo tem do espaço. Sendo assim, a partir da percepção de uma sociedade que está cada vez mais se questionando sobre os problemas que o planeta enfrenta em relação ao esgotamento dos recursos naturais, é fundamental o desenvolvimento de projetos sustentáveis.

Segundo Bernardin (1998), a Ideologia Ecológica ocorre como uma mudança de paradigma: a gestão sustentável do planeta deve ser vista como um princípio organizacional e estar presente em todas as áreas do conhecimento. Em suas pesquisas, descreve que desde a Conferência do Rio em 1992 e o lançamento da Agenda 21 Global, as estratégias e medidas para controlar a degradação do meio ambiente devem ser consideradas no processo projetual de todos os arquitetos contemporâneos, de forma sistêmica, e associadas às questões sociais e econômicas.

Entendendo a sustentabilidade de forma sistêmica, e não apenas como

questões técnicas e parâmetros regrados à serem seguidos, percebe-se a relevância

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de análise da eficiência das certificações verdes como orientadoras das características sustentáveis de um edifício. O estudo está atrelado ainda às particularidades da arquitetura corporativa em São Paulo, que introduz as especificidades de projetos dessas grandes edificações relacionadas primordialmente à questão do trabalho. Definindo-se como um tipo de arquitetura que se molda em padrões contemporâneos para se sobressair e mostrar a sua identidade em meio ao complexo mundo empresarial, observa-se que nortear uma conduta sustentável é uma forma de destacar-se em meio a um mercado extremamente competitivo.

As certificações aparecem em um contexto onde o conceito de sustentabilidade se expandiu muito e ter esse título se tornou algo socialmente bem visto e economicamente benéfico, assim, introduz-se a necessidade de mensuração para comprovação se um projeto é realmente sustentável e está em concordância com o discurso verde do empreendimento.

Dessa forma, a questão principal da pesquisa traz uma reflexão sobre o conceito de sustentabilidade e seu direcionamento a partir da utilização das certificações ambientais como sistema de mensuração e classificação dos empreendimentos arquitetônicos. Entendendo a crise ambiental como algo que pode ser solucionado em pequenas escalas, os projetos arquitetônicos sustentáveis são de extrema importância, porém, a questão é: As certificações do Sistema LEED garantem que um edifício é realmente sustentável?

Dessa forma, a pesquisa tem como objetivo geral discutir a relevância das certificações em edificações corporativas na cidade de São Paulo, entendendo a sua aplicação na arquitetura contemporânea e analisando cada um dos créditos e todas as exigências desse sistema contidos no checklist de itens pré-estabelecidos para classificar esses edifícios de acordo com o seu nível de sustentabilidade. Para isso, tem-se como objetivos específicos:

- Compreender a necessidade de um sistema de mensuração para edifícios sustentáveis no contexto contemporâneo.

- Analisar o destaque dado à certificação LEED entre os sistemas de certificação.

- Esclarecer o contexto temporal e espacial onde estão essas edificações

certificadas LEED, a partir de um mapeamento desses projetos corporativos

em São Paulo.

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- Discutir se as certificações são suficientes para garantir que um edifício é sustentável, compreendendo sua relevância e suas dificuldades de implantação.

- Compreender os pré-requisitos obrigatórios e os créditos livres da certificação LEED dentro das categorias: Processo Integrado, Localização e Transporte, Terrenos Sustentáveis, Uso Racional da Água, Energia e Atmosfera, Materiais e Recursos, Qualidade do Ambiente Interno, Inovação, e Prioridade Regional.

- Analisar os diferentes níveis (Certified, Silver, Gold, Platinum) que um edifício certificado pode ter e a diferença entre eles dentro da Certificação LEED BD+C Core and Shell, específica para edifícios corporativos.

- Discutir se um edifício certificado pelo Sistema LEED também seria certificado pelo Sistema AQUA, uma vez que ambos possuem métodos de avaliação diferentes e são capazes de classificar uma edificação como sustentável.

O método de pesquisa utilizado para essa pesquisa pode ser compreendido a partir do Organograma Metodológico da figura 2:

Figura 2: Organograma metodológico.

Fonte: Da autora.

Inicia-se a pesquisa com análise detalhada de todo o Sistema de Certificações

LEED. Compreensão do seu histórico e da sua aplicação atualmente. Com foco

direcionado aos edifícios corporativos em São Paulo, nessa etapa da pesquisa, todos

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as categorias e créditos dessa certificação são analisados para compreender o método de avaliação desse sistema e as exigências deste em um projeto arquitetônico. A pesquisa se específica na tipologia BD+C (Novos Projetos e Construções) e na categoria CS (Envoltória e Núcleo). Assim, essa análise compreende todos os pré-requisitos obrigatórios e créditos livres dentro das categorias de Processo Integrado, Localização e Transporte, Terrenos Sustentáveis, Uso Racional da Água, Energia e Atmosfera, Materiais e Recursos, Qualidade do Ambiente Interno, Inovação, e Prioridade Regional.

Em segunda instância é realizado um mapeamento das edificações certificada, nessa etapa, ocorre a compreensão de implantação de todos os edifícios corporativos em São Paulo que possuem certificações LEED. Essa ferramenta é de extrema importância para entendimento dos eixos urbanos corporativos e a relação desses projetos com a cidade e a sociedade. São levantados todos os edifícios com classificação LEED BD+C CS (ou seja, novas construções com certificação de envoltória e núcleo central), onde estão localizadas as edificações corporativas em estudo, prédios de múltiplos usuários, onde o empreendedor não tem responsabilidade pelos projetos da área interna de cada unidade.

Após o mapeamento desses edifícios em São Paulo, inicia-se a pesquisa direcionada a três Escudos de Caso de destaque dentro das edificações levantadas, e a partir de uma coleta de dados do escritório de arquitetura e da obra em si, visitas ao local e compreensão do projeto, são estudados todos os itens da certificação LEED BD+C CS nas edificações. Para isso será compreendida a implantação do terreno e entorno de cada edificação, entendendo a sua localização no meio urbano, a sua relação com a cidade e as técnicas desenvolvidas nesse edifício para um projeto ambientalmente responsável em relação à água, à energia, aos materiais e recursos utilizados em todas as fases do edifício, conforto e qualidade do ambiente interno, e sistemas de inovação sustentável no projeto arquitetônico.

Após a análise geral da certificação ambiental LEED, é feita a análise específica

da certificação Core and Shell direcionada aos edifícios corporativos, o mapeamento

dessas edificações no contexto da cidade de São Paulo e a escolha de edificações

para Estudos de Caso detalhados, é realizada uma comparação entre esses três

edifícios entre cada um dos 62 créditos contidos na certificação LEED da versão v2,

introduzindo uma discussão da aplicação das diretrizes propostas por esse Selo

Verde.

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19

Todo esse processo de pesquisa busca uma compreensão da abrangência da certificação LEED como um sistema de classificação que vai além de algo quantitativo, mas que também assume o papel de algo capaz de proporcionar uma percepção qualitativa e uma avaliação completa do edifício. Para isso, a pesquisa traz uma comparação dessa certificação ambiental com a AQUA, a segunda mais utilizada no Brasil em projetos corporativos, verificando se os Estudos de Caso da pesquisa, certificados pelo LEED, também seriam considerados sustentáveis pelo AQUA.

1. Arquitetura Sustentável

“A importância do tema da sustentabilidade, com destaque para as questões ambientais, tem um peso certamente crescente e determinante para a concepção da arquitetura e do ambiente construído como um todo, que vem ganhando abrangência no contexto global. No entanto, uma série de perguntas sobre o futuro da arquitetura sustentável permanece, englobando definições, possibilidades, métodos e metas.” (GONÇALVES;

DUARTE; 2016)

1.1 Panorama da Sustentabilidade século XX e Encontros Internacionais

A visão ambientalmente responsável ocorre como um processo e as discussões implementadas sobre esse assunto evoluem com a emblemática situação após a intensa industrialização no movimento moderno. A disseminação desse pensamento pode ser observada com o aparecimento de encontros internacionais cada vez mais frequentes e abrangentes.

O questionamento aos cuidados com o meio ambiente e busca por um

desenvolvimento sustentável destaca-se em 1968 com o Clube de Roma que,

segundo Layrargues (1997), ocasionou inúmeros debates e continua possibilitando o

aprimoramento da discussão sobre a necessidade de incorporar a todas as pessoas

a preocupação com o planeta e as possíveis consequências do consumo

desenfreado. O Clube de Roma é uma ONG (Organização Não Governamental) que

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20

se iniciou em 1968 com um grupo de 30 pensadores, cientistas, empresários, educadores, humanistas e economistas de 10 países que desenvolveram debates, conversas e pesquisas sobre o meio ambiente e seus recursos. O nome desse grupo se dá, pois, a primeira reunião aconteceu em Roma na Itália.

Os temas discutidos nessa entidade eram os mais variados, porém todos estavam relacionados a compreensão de que o planeta e seus recursos naturais são finitos e por isso as pessoas precisam se conscientizar e começar a assimilar uma postura onde a sustentabilidade aparece com maior destaque. Segundo Layrargues (1997) é preciso incorporar à todas as pessoas a preocupação e as possíveis drásticas consequências de “um consumo infinito em um planeta finito”. Em 1972, foi concluído o relatório “Os Limites do Crescimento” que alertava que em cem anos poderíamos ter os recursos naturais do planeta esgotados caso o consumo desenfreado da era industrial não fosse controlado, conforme observa-se na figura 3, que mostra graficamente as consequências dessa ação.

Figura 3: Limites do crescimento: Conferência do Clube de Roma Fonte: LEMOS, H. M. (2009)

O crescimento exponencial, controle da explosão demográfica e a destruição

da natureza e do meio ambiente causada por esse número cada vez maior de pessoas

é uma das preocupações tratadas no relatório (WILLIAM, JORGEN, DENNIS,

DONELLA, 1972), explicado no exemplo:

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21

“Diz uma velha lenda persa que um inteligente cortesão deu de presente ao rei um tabuleiro de xadrez e pediu ao monarca que, em retribuição, lhe desse um grão de arroz para o primeiro quadrado do tabuleiro, dois para o segundo, quatro para o terceiro e assim por diante. Concordou prontamente o rei, e ordenou que trouxessem arroz dos seus celeiros. O quarto quadrado do tabuleiro exigiu 8 grãos, o décimo 512, o décimo quinto 16.384 e o vigésimo primeiro deu ao cortesão mais de um milhão de grãos de arroz. Lá pelo quadragésimo quadrado, um trilhão de grãos teve que ser trazido dos celeiros. Todo o suprimento de arroz do rei já se esgotara muito antes de ter sido atingido o sexagésimo quarto quadrado. O crescimento exponencial é enganador porque introduz números incríveis com muita rapidez.” (MEADOWS et al, 1972, p. 25).

Atualmente esses assuntos ainda são discutidos e sua influência é cada vez mais clara e presente na vida da sociedade, onde a questão da sustentabilidade tornou-se um assunto mais comum. A sede hoje se encontra na Suíça e os principais assuntos debatidos são: a globalização, o desenvolvimento sustentável, o meio ambiente e seus recursos finitos, as transformações sociais, a paz e a segurança.

Em seguida, também em 1972, ocorreu a Conferência das Nações Unidas Estocolmo, na Suíça, que abordou a relação do desenvolvimento com o meio ambiente humano. A declaração sobre o ambiente humano da Convenção de Estocolmo (1972) assegura que “Por ignorância ou indiferença podemos causar danos imensos e irreparáveis ao meio terráqueo, do qual dependem a nossa vida e o nosso bem-estar”, portanto a conscientização geral de toda população é fundamental para garantir o desenvolvimento sustentável do planeta.

Sendo assim, essa conferência visou estabilizar o conflito direto entre homem

e natureza (RIBEIRO, 2010). Diversos assuntos foram abordados e novas questões

foram colocadas em pauta, para descrever essas questões o pesquisador Le Preste

(2000) apresentou os principais destaques dos assuntos discutidos:

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1. Aumento e importância da comunidade científica, que começaram a questionar sobre o futuro do planeta, as mudanças climáticas e sobre a quantidade e qualidade da água.

2. Aumento da exposição, pela mídia, de desastres ambientais, gerando um maior questionamento da sociedade sobre as causas e soluções para tais desastres.

3. Crescimento desenfreado da economia, e consequentemente das cidades, sendo que estas cresceram sem nenhum planejamento para o futuro.

4. Outros problemas ambientais, como chuvas-ácidas, poluição do Mar, grandes quantidades de metais pesados e pesticidas.

Depois desses inúmeros assuntos debatidos, os representantes e pensadores refletiram sobre as ações que precisam ser tomadas para amenizar esses problemas, e segundo Damasceno (2015), “Cabe aos poderes do Estado a criação de leis e normas para a preservação e a melhora do meio ambiente humano, mas cabe a todos os deveres de que estas leis e normas sejam exercidas. ”.

Outro encontro internacional que debateu as questões de sustentabilidade foi a Conferência Rio-92 (Figura 4) aconteceu no Rio de Janeiro em 1992 e reuniu mais de 20 mil representantes de 179 países para discutir sobre o atual processo de degradação ambiental no planeta e suas consequências para as gerações futuras.

Nessa reunião os principais assuntos discutidos refletem a importância de aliar

aspectos econômicos, sociais e ambientais, abrangendo questões do clima e

aquecimento global, economia e despoluição da água, o estímulo de transportes

alternativos que beneficiam o trânsito e diminuem a poluição, o incentivo do

ecoturismo, a reciclagem que minimizaria o desperdício, novos estudos para energia

limpa, tecnologia verde, entre outros.

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23

Figura 4: Esquema e metas para a conferência Rio – 92 Fonte: Meio Ambiente e Cultura, 2012.

Essa conferência teve também outras duas etapas posteriores, conhecidas como Rio+10 e Rio+20, ocorridas respectivamente em 2002 e 2012. Após 10 anos da Conferência Rio – 92 foi realizada a Rio + 10 em Johanesburgo, na África do Sul. Essa Conferência marcou o ano de 2002 com uma atualização das metas e objetivos relacionados ao meio ambiente. Diversos assuntos continuaram em pauta, como o uso racional dos recursos naturais, a erradicação da extrema pobreza, a preocupação com a mudança climática, a relação entre o homem e a natureza, entres outros. Dessa forma, segundo Kofi Annan (2005), a maior discussão da Cúpula de Johanesburgo foi como o capitalismo e o consumismo desenfreado trazem consequências desastrosas para a natureza.

Segundo Wagner Francisco (2015), essa conferência buscou levantar os maiores progressos e tentar compreender o motivo de alguns fracassos, assimilando esses dois fatores poderiam renovar e viabilizar novas medidas. Para isso, deveria existir um maior comprometimento político dos 193 países envolvidos para aliar o crescimento e desenvolvimento econômico à um mundo mais sustentável, tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento.

Conforme reportagem da Revista de Audiências Públicas do Senado Federal

(2012), um fator relevante desse encontro foi a participação ativa da sociedade civil

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24

com grupos cada vez mais específicos e organizados nas discussões e no levantamento de soluções para colocar em prática as principais metas. Entre elas, a Revista destaca:

• Pobreza e miséria;

• Capitalismo e consumo;

• Gestão de recursos naturais;

• Globalização;

• Direitos humano;

• Assistência oficial ao desenvolvimento;

• Contribuição do setor privado ao meio ambiente.

Segundo Weigand (2012), A Rio + 20 foi uma conferência realizada em 2012 no Rio de Janeiro e teve como princípio fundamental o lema “Os seres humanos estão no centro das preocupações para o desenvolvimento sustentável. Eles têm direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a Natureza.”. Com as ideias ainda mais amadurecidas, os participantes da sociedade e do governo conseguiram aliar seus objetivos de forma complementar e colaborativa, conciliando métodos de preservação ambiental, justiça social e eficiência econômica.

Até hoje as abordagens dessas conferências permanecem em desenvolvimento e abrangem as inúmeras companhias e grupos de preservação ambiental em todo o mundo, sabendo que apesar dos progressos, muito ainda precisa ser feito. Conforme apresentado no texto “Rio + 20: Como chegamos até aqui” (2012), as Nações Unidas definiram os principais temas da conferência sendo:

• Economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza;

• Estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

Observa-se que o resultado dos encontros internacionais começa justamente

quando a sustentabilidade alcança uma reflexão mundial, e nesse processo a figura

do homem sempre foi colocada como primordial para fundamentar as possibilidades

de instauração de uma arquitetura favorável ao meio ambiente. Assim como elegido

pelo conceito do Tripé da Sustentabilidade, os encontros descreviam que para um

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maior desenvolvimento econômico sustentável no contexto atual, é recomendável uma associação direta aos aspectos ambientais e às questões sociais que os envolvem. Conforme Elkington (2011), as soluções dadas para o capitalismo atualmente englobam principalmente a sustentabilidade, o que aparece em seu questionamento sobre as mudanças na sociedade:

O Sistema capitalista pode mudar não somente seus pontos principais, mas também sua natureza? Esses canibais corporativos podem, em curto prazo, não somente aprender a usar ferramentas mais civilizadas, mas também a começar a mudar as suas dietas em uma direção menos nociva: econômica, social e ecológica? (ELKINGTON, 2011)

1.2 Compromissos Nacionais Incentivadores de Cidades Sustentáveis

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a Agenda XXI Global é um documento de 40 capítulos assinado por 179 países que apresenta propostas para aplicação de um desenvolvimento sustentável, sendo o maior resultado da conferência Rio – 92, ocorrida no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992. Essa documentação relata a importância e necessidade de cada país em se comprometer local e globalmente na conscientização com o meio ambiente, cooperando com estudos e uma busca determinada a encontrar soluções para os problemas socioambientais.

A Agenda XXI Global propõe um equilíbrio entre a cidade e a natureza (Figura

5) e instaura-se como uma quebra de paradigma da sociedade industrial, que se

encontrava em um cenário de expansão urbana, novo modelo demográfico, explosão

populacional, hierarquização pelo status econômico, desigualdade social,

consumismo desenfreado, e um sistema político-econômico capitalista que visa

exclusivamente o lucro.

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Figura 5: Balança de Sustentabilidade proposta pela Agenda XXI Global Fonte: MONROE-HAMILTON (2011)

Buscando essa quebra de paradigma, a Agenda XXI Global torna-se um instrumento que lista inúmeras diretrizes para uma sociedade ambientalmente responsável, que direcione o desejo de progresso na capacidade de desenvolver-se sem prejudicar o meio ambiente. O documento é dividido em quatro sessões, cada uma composta por aproximadamente dez capítulos. As sessões são propostas no relatório podem ser resumidos com os itens:

a) Dimensões Sociais e Econômicas.

b) Conservação e Gestão dos Recursos Para o Desenvolvimento.

c) Fortalecimento dos Papeis dos Grupos Principais.

d) Meios de Implementação.

Paralelamente a isso, a busca por uma solução aos problemas no meio

ambiente torna-se mais concreta a partir da cooperação sistêmica e integrada entre

as nações para um desenvolvimento sustentável. Por exemplo, o combate à seca, a

proteção da atmosfera, o planejamento e ordenação do uso do solo e dos recursos da

terra, o combate ao desmatamento, a preservação dos diversos ecossistemas, o

desenvolvimento rural e urbano com sustentabilidade, a preservação dos recursos

hídricos, a conservação da biodiversidade do planeta, o tratamento e destinação

responsável aos resíduos, a utilização de energia alternativa e o incentivo ao

fortalecimento das ONGs na busca do desenvolvimento sustentável.

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No Brasil, o desenvolvimento da Agenda XXI acontece dando prioridade às soluções de médio prazo, que consigam resolver com cautela os problemas atuais sem abdicar as questões futuras. Brasília tornou-se sem centro para tratar com mais particularidades das questões brasileiras nesse processo e instrumento de planejamento participativo onde o eixo central é a sustentabilidade. Unindo as três dimensões, conservação ambiental, justiça social e crescimento econômico, no Brasil os princípios e diretrizes da Agenda XXI Global são mantidos, porém, com maior participação da população, uma vez que esta busca o desenvolvimento de uma democracia interativa.

Esse desdobramento da Agenda XXI conta com uma divisão em 3 principais partes, a introdução que faz uma geral sobre a situação atual do Brasil em relação a sustentabilidade, os temas prioritários e as formas de implementação e conduta da população. Em relação aos temas prioritários destacam-se:

1.) Cidade Urbana Sustentável 2.) Agricultura Sustentável

3.) Infraestrutura e Integração regional 4.) Gestão dos Recursos Naturais 5.) Redução das Desigualdades Sociais

6.) Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Sustentável

A organização desse movimento acredita que a forma mais próxima de resgatar a capacidade de planejamento do país seria incentivando uma “ciência cidadã” ativa e propositiva. A proposta é de ações que aconteçam de baixo para cima e possam criar interações entre os diversos grupos que participam da vida pública.

“A construção da Agenda 21 brasileira partiu do

desencadeamento de um processo de planejamento participativo

com a finalidade de analisar a situação atual do país para

identificar potencialidades e fragilidades e, dessa forma,

visualizar o desenvolvimento futuro de forma sustentável. Para

isso, procurou abordar a realidade brasileira de forma

multissetorial, a partir de diagnósticos setoriais elaborados por

especialistas, apoiados por ampla participação de representantes

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28

de diferentes setores da sociedade de todas as regiões do país, inclusive com participação da área acadêmica.” (CPDS, 2000).

Complementando a Agenda XXI Global e Brasileira, existe a Agenda XXI Local São Paulo, que tem como função tratar com mais proximidade o caso específico de cada cidade, em São Paulo tem como objetivo a construção dos processos da Agenda XXI Global nos territórios de abrangência das subprefeituras, organizando e coordenando a condução institucional para que seja determinada uma relação harmônica entre os aspectos sociais, culturais, econômicos, políticos e ambientais, articulando uma conscientização e uma cultura de sustentabilidade.

A Agenda XXI Local de São Paulo foi criada em 12 de maio de 2006 por um grupo de trabalhadores que percebeu uma situação preocupante, principalmente nas áreas com maior adensamento, onde os espaços livre e áreas verdes se tornaram cada vez mais escassos. Assim, uniram forças com pessoas também insatisfeitas com a degradação humana e ambiental e ausência de planejamento e de políticas locais, conseguiram desenvolver um documento específico para São Paulo. Muitas

Reuniões são feitas ao longo dos anos entre as cidades para discutir e compartilhar resultados positivos e os problemas encontrados no desenvolvimento das propostas da Agenda XXI Global e Brasileira. As agendas locais no Brasil buscam criar uma rede entre as cidades envolvidas, realizando encontros e conversas para troca de informações. Essas redes são caracterizadas por: Ter objetivos em comum;

Possuir valores compartilhados; Participação e cooperação de todos; Transparência;

Descentralização, pluralidade de lideranças e destaque à horizontalidade de decisões;

Interação, conectividade e informação; Dinamismo; Constante transformação e busca de novas ideias; Respeito às diferenças; Autonomia, insubordinação e interdependência.

1.3 Definições de Sustentabilidade

Segundo Barbosa, Drach, Corbella (2012), as ideias de Lester Brown, analista

de ambiente, são colocadas em evidência em 1980. Ele define a sustentabilidade

como a capacidade de satisfazer as necessidades de uma sociedade sem

comprometer o seu futuro. Em 1986, essa definição aparece com grande destaque no

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Relatório Brundtland (figura 6), que redige uma importante análise sobre o conceito de sustentabilidade. Também conhecido como “Nosso Futuro Comum” (Our Common Future), esse documento foi publicado em 1987 e aponta uma série de medidas a serem tomadas pelos países para promover o desenvolvimento sustentável. “Em essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas”, resume o Relatório Brundtland (1987).

Esse relatório foi desenvolvido pela ONU (Organização das Nações Unidas), após inúmeras reuniões da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, sob liderança da médica norueguesa Gro Harlem Brundtland e apresentou a questão da sustentabilidade como um problema público e político. Vinte e um membros de diversos países se reuniram entre 1983 e 1987 e estudaram a degradação ambiental e econômica do planeta, propondo soluções aos problemas detectados através de inter-relações feitas entre economia, tecnologia, sociedade, política e ambiente. Além disso, em escala mais específica o relatório apoiou políticas para reciclagem de materiais, consumo racional de água e alimento, redução do uso de produtos químicos na indústria, utilização de novos materiais nas construções, e tentativa de disseminar a todos os produtores e consumidores uma conscientização a respeito das questões ambientais no planeta, buscando uma melhor qualidade de vida para toda a população.

Figura 6: Relatório Nosso Futuro Comum

Fonte: Detalhamento Relatório de Brudtland, 2017.

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Yuba (2015) relaciona inúmeros pontos que definem essa busca sustentável direcionado à arquitetura, entre eles estão: Em primeiro lugar, a redução do uso de recursos naturais em todo o ciclo de vida do edifício, que é feita através da redução de produção de resíduos, redução do consumo de água, redução da exploração de minérios, promoção de eficiência energética na produção e nas edificações, aumento da durabilidade e do cuidado com a manutenção. Em segundo lugar, a redução da liberação de emissões ambientalmente perigosas, como gases tóxicos e efluentes.

Em terceiro lugar, a promoção do funcionamento saudável dos ecossistemas em escala local, regional e global, compreendendo quais são os impactos ao meio ambiente causados por todas as ações realizadas no projeto.

Atualmente o ecourbanismo é uma importante vertente de planejamento urbano para as cidades. Esse termo foi criado a partir da junção de Eco com Urbanismo. Derivada da palavra Grega “Oikos”, Eco refere-se a “casa”, e associado ao meio ambiente define-se como “a casa dos seres vivos”. Por sua vez, o termo Urbanismo indica o modo de vida característico de uma cidade. O processo de urbanização das cidades acaba gerando consequências para a fauna e a flora local, e cada vez mais os problemas vão se agravando, como enchentes, secas, longas estiagens, desastres e desmoronamentos após chuvas, marginalização de excluídos que abrigam áreas sem infraestrutura, entre outros.

O efeito desse crescimento urbano desenfreado atinge desde questões sociais e econômicas até aspectos do meio ambiente. Segundo Lima e Silva (2009) para controlar os danos atuais e prevenir maiores problemas, os arquitetos e urbanistas devem assumir uma postura que leve em consideração o tecido físico, o tecido social e o tecido natural para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de uma cidade. O tecido físico trata-se das conexões, percursos e fluxos que fazem com que os diversos pontos de uma cidade consigam interagir de forma harmônica. O tecido social define- se a partir da relação que as pessoas têm com a cidade, com os pontos arquitetônicos de maior destaque e os cheios e vazios gerados por eles. Por último, o tecido natural resume-se nas áreas verdes e possíveis respiros urbanos.

A compreensão de que hoje o desenvolvimento das cidades baseia-se no uso

de combustíveis fosseis extremamente poluentes e não renováveis é o primeiro fator

para entender a importância de um Ecourbanismo bem planejado e estruturado. A

diminuição desse impacto está diretamente relacionada com a minimização da queima

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desses combustíveis (CO2, metano, enxofre), ou seja, aplicação de novas alternativas de tecnologia e fontes de energia não poluentes.

Segundo Jacobs (1961) “A raça humana chegou a uma encruzilhada histórica.

Ou buscamos uma forma de preservar os subsídios que sustentam a condição de vida das futuras gerações ou deixamos se acabar a notável odisseia humana nesse planeta”. Sendo assim, a teoria do Ecourbanismo aparece como uma opção lógica e plausível para um planejamento das cidades com responsabilidade e uso racional dos recursos naturais do meio ambiente.

Dessa forma, Lévy (2007) defende que diante das constantes e profundas transformações que vem ocorrendo na sociedade, é necessário que o planejamento urbano das cidades acompanhe o ritmo e busque novas opções e tecnologias alternativas para tentar amenizar os estragos feitos no passado, onde as consequências das ações humanas e do crescimento desenfreado não eram conhecidas de forma mais profunda. Para aplicação de um ecourbanismo eficaz é necessário o estabelecimento de um macroplanejamento que possibilite essa dinâmica de forma integrada. Entendendo principalmente que o tecido natural está completamente desarranjado pelo crescente esgotamento dos recursos naturais, sendo essa uma preocupação que deveria ser global e permanecer em constante discussão para conscientização de toda a população.

De acordo com Roaf (2006), a arquitetura sustentável aparece com o conceito de Bioarquitetura, concepção que compreende as construções que buscam condições necessárias para dar os subsídios fundamentais, como água potável, luz solar, energia elétrica, alimentação e conforto térmico. Essa arquitetura se molda nas condicionantes do local, compreendendo que o eixo central de desenvolvimento de qualquer projeto contemporâneo deveria ser a sua capacidade de destacar-se sem afetar o meio natural onde está inserido, adotando inúmeras vertentes de ação, como produzir alimentos com hortas urbanas, aproveitar os recursos abundantes locais como uma arquitetura vernacular, utilizar técnicas e materiais sustentáveis e reciclados, reaproveitar a água da chuva, utilizar paredes e coberturas verdes para resfriamento, optar pela própria produção de energia a partir de fontes renováveis, entre outros.

Segundo Romero (2012), o estudo a respeito dos sistemas urbanos

sustentáveis parte da premissa e tentativa de solucionar questões preocupantes nas

cidades contemporâneas, principalmente se tratando da perspectiva crescente do

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32

caos urbano causado pelo grande aumento da população e descontrole de um modelo de ocupação adequado. Paralelamente aos problemas sustentáveis ambientais, as questões sociais também se tornaram preocupantes, como a desigualdade social, escassez de emprego, moradias precárias, baixa infraestrutura, entre outros.

No Brasil, acredita-se que esses problemas urbanos foram causados a partir da transformação drástica ocorrida entre os anos 1945, onde a população urbana representava 25%, e o ano 2000, onde a população urbana passou a representar 82%. Esse êxodo rural e a migração dos habitantes do campo para a cidade ocorreu sem um planejamento adequado, e desde então a cidade veio sofrendo as consequências dessa mudança.

O estudo em relação à sustentabilidade nas cidades contemporâneas abrange diversos campos e compreende o meio urbano de forma ampla e complexa, com diversos usos, funções, conexões, histórias e memórias. Dessa forma, Romero (2012) acredita que para torná-lo viável é necessário aperfeiçoar a relação entre as conexões urbanas, a identidade e percepção ambiental, a morfologia das edificações e o meio ambiente (que abrange a vegetação, o microclima, os recursos hídricos, a poluição e a energia).

Figura 7: Sistemas Urbanos Sustentáveis

Fonte: ROMERO, Marta A. B. Urbanismo sustentável no Brasil e a construção, 2012.

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Utilizando a sustentabilidade como veículo de desenvolvimento para a rede que estrutura o planejamento urbano, observa-se que as cidades compactas multifuncionais acabam se adequando mais às suas necessidades do que as cidades dispersas. De acordo com estudos desenvolvidos pela ONU HABITAT (2009), as cidades compactas produzem 35% menos gases de efeito estufa emitidos por veículos de transporte e um desmatamento significativamente menor. Portanto, unir diferentes usos em uma mesma proximidade é um fator positivo para a busca de um Sistema Urbano Sustentável (figura 7).

Conforme as cidades vão crescendo, manter um controle total sobre sua expansão acaba tornando-se inviável, uma vez que os limites naturais impostos não são respeitados e a utilização dos recursos naturais finitos acaba sendo comprometida pela falta de conscientização da população e o sistema econômico extremamente capitalista e consumista da atualidade (figura 8).

“Reconhecendo, em princípio, as vantagens da mobilidade na

cidade compacta frente à cidade dispersa ou difusa, é

conveniente evitar a dispersão espontânea, prevendo um tipo de

aglomeração que possa ser servida por transporte público e

facilite o uso de meios alternativos frente ao uso do veículo

privado. É interessante a promoção de áreas de uso misto,

fugindo das classificações convencionais e zoneadas de áreas

residenciais, industriais, terciárias, comerciais, etc., para

favorecer a autossuficiência local. Salvo aquelas atividades que

devem estritamente localizar-se isoladas, se considera

conveniente garantir a maior mescla possível de atividades em

todos os setores urbanos.”. (GUZENSKI, 2014)

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Figura 8: Cidades dispersas e cidades compactas Fonte: Modelos Urbanos e a Demanda por Mobilidade, 2016.

Por um lado, vemos as questões relacionadas à sustentabilidade cada vez mais preocupantes, por outro é importante lembrar que com o passar dos anos as técnicas foram se aprimorando e novas tecnologias foram se desenvolvendo e abrindo mais possibilidades para serem incorporadas em busca de cidades ecologicamente responsáveis.

“(...) cidade sustentável é o assentamento humano constituído por uma sociedade com consciência de seu papel de agente transformador dos espaços e cuja relação não se dá pela razão natureza-objeto e sim por uma ação sinérgica entre prudência ecológica, eficiência energética e equidade socioespacial.”

(ROMERO, 2007)

Segundo Feijó (2013) infraestrutura verde é uma forma contemporânea de

pensar a cidade a partir do verde, unindo a sustentabilidade à projetos urbanos mais

abrangentes e possibilitando diversos benefícios ecológicos e ambientais. Essa

função urbana pode ser introduzida ao planejamento e projeto da cidade a partir do

estudo de recursos naturais disponíveis. Cada vez mais se destacam os transportes

limpos, a redução do consumo de energia, a produção de alimentos naturais, a

necessidade de aumentar a biodiversidade local, de reduzir as ilhas de calor,

envolvendo a população à natureza e incentivando a criação de áreas de recreação,

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lazer e educação ambiental. Para Feijó (2013) existe uma diferenciação entre infraestrutura urbana e infraestrutura verde. Para exemplificar o mesmo cita:

• Infraestrutura Urbana: Sistema viário interconectado, pressão de crescimento urbano, impermeabilização das vias, impermeabilização de telhados, trânsito crescente, estacionamentos impermeáveis, coleta de lixo, distribuição de água, coleta de esgoto, coleta pluvial, poluição, etc.

• Infraestrutura Verde: Parques/praças, ciclovias, recuperação de orla de rios/lagoas/praias, telhados e lajes vegetados, jardim vertical, produção de energia alternativa, estacionamentos permeáveis, calçadas permeáveis, reciclagem em irrigação de plantas, agricultura urbana, compostagem de lixo orgânico, aumento da biodiversidade, etc.

Conforme a Greeninfranet (2016), o conceito de Infraestrutura Verde vem se destacando cada vez mais nos últimos anos, onde diferentes abordagens são utilizadas em busca de uma política de conservação da biodiversidade local e reforço e coerência dos ecossistemas, contribuindo simultaneamente para a adaptação às alterações climáticas e reduzindo a vulnerabilidade e consequências da urbanização e crescimento desenfreado das grandes metrópoles.

As Manchas Verdes em ambientes urbanos podem ser consideradas uma forma de conseguir equilíbrio entre o processo de urbanização acelerado das cidades e preservação do meio ambiente. Conforme as pesquisas de Milano e Dalcin (2000), as Manchas Verdes trazem inúmeros benefícios em vários campos, como estabilização e melhoria microclimática, redução da poluição atmosférica, diminuição da poluição sonora, melhoria estética das cidades, ação sobre a saúde humana, benefícios sociais, econômicos e políticos. Essas manchas deveriam estar associadas à um planejamento urbano geral da cidade, porém, em muitos casos acaba sendo um fator preterido e aos poucos a substituição da cobertura natural do solo pelo ambiente construído forma cidades onde as áreas verdes tornam-se cada vez mais escassas e as transformações modificam o ecossistema e o clima existente.

“As áreas verdes são consideradas um indicador na avaliação da qualidade ambiental urbana e também obrigatórias por lei.

Quando não existem ou não são efetivadas no ambiente urbano

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interferem na qualidade do mesmo, e também a falta desses espaços adequados para o lazer prejudica a qualidade de vida da população”. (LIMA e AMORIN, 2006, p.139)

Elkington (2011) formula, nos anos 80, o conceito de consumo verde, defendendo que os clientes e consumidores são ambientalmente exigentes. Em seus estudos, conclui que o caminho para um desenvolvimento sustentável deve ser algo balanceado que aconteça progressivamente e tenha o mundo empresarial envolvido, porém, salienta que as questões sociais fazem parte e não devem ser postas em segundo plano.

Tratando desse assunto, Elkington (2011) explica que os empresários têm um papel tão relevante quanto o governo, e quem irá vigiá-los serão os próprios consumidores, que estão cada vez mais conscientes. Fazendo a junção dessas ideias, ele cria o termo Capitalismo Verde, que após ser muito criticado, começa a ser absorvido e compreendido como fator relevante para um bom posicionamento e reconhecimento das grandes multinacionais, que introduzem a responsabilidade corporativa sustentável em seus escopos. Afirma que o conceito do Triple Bottom Line (Tripé da Sustentabilidade) possibilita conciliar os recursos e retornos financeiros, sociais e ambientais.

1.4 As Certificações Verdes em Edificações Sustentáveis em São Paulo

Em meio ao contexto de expansão da sustentabilidade na arquitetura, as certificações possuem requisitos mínimos para classificar uma edificação nessa área.

De acordo com Agopyan e John (2011) os selos verdes são mecanismos de comunicação com o usuário ou consumidor, que determinam e classificam um objeto ou serviço que alcance os requisitos mínimos de um fundamento sustentável.

Segundo Duarte; Kohl; Silva; Conti (2016), cada selo possui uma proposta diferente e

uma abordagem própria, por exemplo, o LEED se diferencia principalmente pelo fato

de ter foco na inovação, tecnologia e crédito de prioridade regional, o que aparece

como uma preocupação específica com as características próprias do local específico

onde o projeto está inserido (questões econômicas, sociais e ambientais). A

certificação AQUA por sua vez tem como base questões de conforto e qualidade

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sanitária dos ambientes. Assim, enquanto o LEED situa-se em um contexto de busca por melhora ambiental e desenvolvimento tecnológico, o selo AQUA tem uma grande preocupação com a qualidade de vida e saúde dos usuários.

No Quadro 1 encontra-se um panorama das certificações ambientais mais utilizadas no mundo e as que foram adaptadas para o Brasil. É importante entender esse histórico para situar a certificação LEED que será aprofundada nesse estudo.

Quadro 1: Histórico das Certificações Ambientais 1990

BREEAM / Inglaterra (Building Research Establishment Environmental Assessment Method)

1991

LEED / EUA (Leadership in Energy and Environment Design) 1996

HQE / França (Haute QualitéEnvironmentale) 2002

CASBEE / Japão (Japan Sustainable Building Construction)

2007

LEED / Brasil (Leadership in Energy and Environment Design) 2008

AQUA HQE / Brasil

(High Quality and Sustainable Local Developments) 2008

BREEAM / Brasil (Building Research Establishment Environmental Assessment Method/Brazil)

2010

Selo Azul da Caixa / Brasil

Fonte: Org. Autoras a partir da Bibliografia, 2017

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O CNDA (Conselho Nacional de Defesa Ambiental) propõe desde 1991 uma revolução ambiental, promovendo campanhas e projetos nas mais diversas áreas.

Com sua argumentação direcionada para o consumidor, busca uma reflexão geral com o questionamento: “Qual é a sua contribuição com o Meio Ambiente?”. Assim, os produtores são cada vez mais estimulados pela busca desse título sustentável para tornar seu produto mais atraente. Como consequência, adotam medidas que diminuem os impactos ambientais e acabam se beneficiando pelo marketing gerado, tornando o produto oferecido mais atraente.

Figueiredo (2016) destaca que “Aponta-se a preferência do consumidor por produtos e serviços sustentáveis, revelando que 98% dos brasileiros alegam que trocariam de fornecedor se um produto fosse certificado, com o objetivo de impactar menos as mudanças climáticas, ante 90% no mundo.”. Tratando-se do conceito de sustentabilidade aplicado à arquitetura e aos edifícios contemporâneos, observam-se alguns dos Selos Verdes em destaque no Brasil, entre eles estão o Sistema LEED, AQUA e o Selo Casa Azul da Caixa. Atualmente, a certificação mais utilizada no Brasil provém do LEED, portanto, a pesquisa se baseará nesse sistema de certificações para realizar as análises.

Fundada pela organização francesa HQE (Haute Qualité Environnementale), a certificação AQUA é aplicada no Brasil pela fundação Vazolini a partir de 2008 (figura 9), com direcionamento específico para as particularidades do Brasil, como cultura, técnicas, normas e clima. Esse selo verde é reconhecido e valorizado principalmente pelo fato de tratar com especificidade as características de cada país e adaptar-se às suas necessidades, o que gera melhores resultados de desempenho.

Figura 9: Instituições Organizadoras e Fundadoras da Certificação AQUA-HQE

Fonte: SITE AQUA (2017)

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Esta certificação se baseia nas exigências expostas no SGE (Sistema de Gestão do Empreendimento) que acompanha todas as etapas do desenvolvimento de uma edificação. Paralelamente a isso, esse selo busca alcançar um padrão de desempenho definido pelo QAE (Qualidade Ambiental do Edifício). O empreendimento que busca uma certificação é submetido a uma avaliação em três fases: pré-projeto, projeto e execução.

Nessas três fases os edifícios são submetidos a uma avaliação composta por quatorze categorias, e cada uma dessas categorias é classificada como base, boas práticas e melhores práticas. Para ter um edifício certificado, é necessário ter no mínimo sete categorias como base, quatro categorias como boas práticas e três categorias como melhores práticas. Dessa forma, o empreendimento pode ser definido como bom, quando atende as exigências mínimas descritas acima; superior, quando possui práticas sustentáveis acima do mínimo exigido; ou excelente, quando corresponde à desempenhos máximos.

Essa certificação possui benefícios para o empreendedor, para o usuário, para a sociedade e para o meio ambiente. Para o empreendedor, são destacados a sua diferenciação no mercado, aumento de vendas, manter o valor do patrimônio ao longo dos anos, melhorar o relacionamento com os órgãos ambientais, ter um reconhecimento internacional e um nome associado à Alta Qualidade Ambiental. Para os usuários dos empreendimentos, os benefícios estão relacionados com a economia direta no consumo de água, energia e consequentemente diminuição com as despesas gerais do condomínio, além das melhores condições de conforto e saúde.

Para a sociedade e o meio ambiente, observa-se uma melhora na qualidade de vida, a diminuição no impacto, redução da poluição, menor demanda sobre os recursos, melhor aproveitamento da infraestrutura local, entre outros.

A Fundação Vanzolini realiza o processo de certificações avaliando a

elaboração das soluções projetuais e a execução gerenciada da obra a partir de

análises de dossiês e auditorias, verificando qual a hierarquização proposta para os

quatorze critérios de avaliação, que são distribuídos em quatro categorias: eco-

construção, eco-gestão, conforto e saúde. Abaixo, as quatorze categorias exigidas

pela certificação:

Referências

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