2. Certificação Ambiental LEED
2.3 Estudos de Caso
2.3.3 Eldorado Business Tower
O edifício Eldorado Business Tower (figura 35), também projetado pelo
escritório Aflalo e Gasperini, esteve em processo projetual desde 1998 e teve sua obra
finalizada em 2007. Com uma área construída de 107.240m² e 10.000m² de terreno,
o edifício foi uma incorporação da Gafisa com 33 pavimentos de 2.000m² e uma altura
total de 140m, que faz com que o edifício se destaque em meio as construções do seu
entorno. Desenvolvido a partir da tipologia estrutural comum em edifícios corporativos
em São Paulo, com lajes em concreto protendido e plantas flexíveis para inúmeras
disposições internas para diferentes tamanhos de escritórios, em lajes de 2.000m² e
3m de pé direito. Entre as edificações corporativas, é diferenciado pela preocupação
ambiental e pela certificação LEED.
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Figura 35: Eldorado Business Tower
Fonte: GBC Brasil (2017)
A edificação localiza-se em uma área privilegiada com grande acessibilidade,
pela proximidade ao metrô e ao corredor de ônibus, além disso, a proximidade do
shopping Eldorado é evidenciada pela sua conexão ao edifício feita a partir de uma
passarela. Sua implantação e volumetria se dá a partir de uma base horizontal que
acomoda um grande volume vertical. Essa base horizontal acomoda um térreo
elevado, que atua como uma praça elevada para afastar-se dos ruídos e movimento
das grandes avenidas do entorno.
Essa edificação recebe destaque por ter sido o primeiro edifício da América
Latina a receber a certificação LEED BD+C CS Platinum, buscando menos impacto e
mais conforto, e tornando um edifício um marco na cidade e nos exemplos de
edificações sustentáveis que buscam inteligência em seus sistemas. Esse selo verde
foi obtido em uma fase inicial de aplicação do LEED no Brasil, sendo um dos edifícios
pioneiros nessa introdução.
Todos os itens de projeto foram pensados de forma muito criteriosa e
detalhada. Segundo Infra (2017), o projeto parte da escolha dos materiais da fachada
(figura 36), onde o padrão de edifícios envidraçados comum nas edificações
corporativas, é adaptado para a utilização do vidro branco da empresa Graverbel, que
tem um índice de reflexão baixo e não espelham tanto quanto um vidro comum,
possuem 75% de transmissão luminosa para o interior do edifício e apenas 35% de
transmissão térmica, evitando que o calor entre.
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Figura 36: Fachada da edificação Eldorado Business Tower composta com vidro branco
Fonte: Vidrado (2010)
Segundo a empresa Vidrado (2010), o vidro na fachada proporciona uma
grande visibilidade para a Avenida das Nações Unidas, o Jockey Club, Faria Lima,
Paulista, Jardins. Essa conexão do ambiente interno com o externo faz parte do
partido arquitetônico do projeto. As fachadas combinam dois tons de verde
transparente e o branco opaco, que também estão presentes nas coberturas, pilares,
halls de acesso, térreo elevado e passarela que faz a conexão com o Shopping
Eldorado, passando pelo seu estacionamento (figura 29).
A passarela que liga o edifício ao shopping center tem 103
metros de extensão, pé-direito de 2,70 metros e 3,00
metros de largura. É composta por perfis tubulares
soldados e os pórticos principais estão intercalados a cada
5 metros, havendo pórticos secundários, para apoio dos
vidros. (VIDRADO, 2010)
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Figura 37: Passarela da edificação Eldorado Business Tower
Fonte: Galeria da Arquitetura
Além da fachada, outros diversos fatores foram minuciosamente pensados, um
deles é o sistema de elevadores, pensado a partir de 3 zonas de interligação (baixa,
média e alta) que compõem todos os andares do edifício de forma a economizar
paradas e energia, otimizando o trajeto dos passageiros entre os dezoito elevadores
(figura 30). Segundo Feres dos Santos (2012), esses elevadores possuem um sistema
inteligente de antecipação de chamadas, que possibilitam que a locação de
passageiros de mesmo destino em um mesmo elevador, melhorando a performance
do sistema em até 30% e economizando energia. Dessa forma, o usuário não apenas
chama o elevador, e sim já indica qual será o seu andar de destino, o que viabiliza
uma otimização de tráfego e melhor atendimento a toda a demanda de passageiros,
principalmente em horários de grande fluxo. Sistema ideal para edifícios comerciais,
onde o fluxo de pessoas é grande e pontual, essa tecnologia compreende a origem e
o destino de cada passageiro, computam essas posições e dão melhor eficácia para
o transporte de cada um, além disso, o conjunto de elevadores possui um sistema de
freios regenerativos, que reaproveita parte da energia consumida pelo elevador,
fazendo com que ele consuma energia em seu momento de aceleração e gere energia
quando estiver freando, dessa forma, entende-se que o crescimento da eficiência das
máquinas elétricas contribui diretamente para a economia de energia elétrica, uma
vez que essa tecnologia além de poder otimizar e diminuir o seu consumo, pode
chegar a casos que ela produza parte de energia para seu próprio aproveitamento.
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Figura 38: Elevadores Eldorado Business Tower
Fonte: Galeria da Arquitetura. Adaptado pela autora.
Além das tecnologias presentes no conjunto de vidros da fachada e otimização
dos elevadores, observa-se inovação e modernização no sistema de ar-condicionado
que utiliza o sistema VRV III (Volume de Refrigeração Variável), sistema central
multi-split que consegue operar individualmente em cada ambiente a partir do projeto de
um engenheiro especializado que faz a implantação e acompanhamento em toda a
sua vida útil, e que segundo a Daikin (2016), minimiza a perda de energia, uma vez
que o sistema está continuamente ajustando a temperatura para se adaptar as
necessidades de cada zona de influência, evitando correntes de ar frio ou ar quente,
tendo o melhor controle de acompanhamento da variação climática e possibilidade de
compensá-la com menores esforços e gastos energéticos. Por último, segundo Feres
dos Santos (2012), o sistema conta com o diferencial de utilizar gás refrigerante
ecologicamente correto do tipo R-410A, que não possui substâncias a base de cloro
que são extremamente prejudiciais à saúde do usuário, ao meio ambiente, e mais
especificamente à camada de ozônio.
Além da energia, são introduzidas estratégias de reutilização e economia de
água:
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Toda a água utilizada nas áreas comuns, tanto para irrigação de
áreas verdes quanto para limpeza, provém de chuva reutilizada e
condensação gerada pelo funcionamento do ar condicionado. A
água lançada na rede pública é também tratada para filtragem de
particulados e todos os sanitários são dotados de medidores de
água individualizados em cada andar, permitindo controle mais
rigoroso do dispêndio do recurso. (FERES DOS SANTOS, 2012).
Segundo Aflalo (2015), o edifício foi projetado com um térreo elevado como
uma alternativa para criar um espaço mais seguro e longe da grande movimentação
do entorno, amenizando a poluição sonora e ambiental, além de facilitar a construção
de garagens afloradas que superam a dificuldade construtiva graças à presença de
rochas no subsolo. O térreo elevado (figura 39) cria uma praça com uma área de
convivência particular para os usuários do edifício, conectadas às ruas do entorno por
elevadores e escadas rolantes, conceito bem diferente do conjunto Rochaverá
Corporate Towers, onde a praça é feita para um uso semi-público e funciona mais
como uma praça de passagem do que uma praça de descanso e permanência como
essa área destinada exclusivamente aos usuários da torre e conectada por uma única
passarela ao Shopping Eldorado.
Figura 39: Térreo elevado edificação Eldorado Business Tower.
Fonte: Da autora.
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Tratando da iluminação do projeto, segundo Parente (2008), o projeto de
iluminação foi desenvolvido pelo arquiteto GuinterParschalk, do Studio Ix, que trabalha
com foco em percepção visual do usuário atrelado com inovação e tecnologia no
âmbito da sustentabilidade e soluções ecoeficientes. Esse projeto seguiu
especificamente as diretrizes da certificação LEED, onde alguns elementos foram
acentuados:
1. Durante a noite, a pele de vidro da fachada é iluminada de forma uniforme por
lâmpadas lineares, diferente dos edifícios convencionais que são iluminados
por grandes holofotes.
2. A área de trabalho foi iluminada de forma homogênea, buscando não criar luz
e sombra nos espaços, uma vez que a planta flexível possibilita inúmeras
opções de layout interno de escritório, permitindo essa versatilidade e
priorizando ao máximo a entrada de luz natural.
3. Nas áreas de circulação, a prioridade foi utilizar áreas envidraçadas para
garantir o máximo possível de iluminação natural para o projeto (figura 40). Nos
locais que recebem pouca luz natural, foram feitos projetos específicos para
minimizar o gasto de energia, por exemplo, utilizando sensores de presença.
Dessa forma, todos os locais foram conectados diretamente a um centro de
automação para controle específico de cada ambiente.
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Figura 40: Áreas envidraçadas: edificação Eldorado Business Tower
Fonte: Galeria da Arquitetura
Em relação à entrada de iluminação natural no projeto, o edifício conta com a
utilização de persianas telas solares automatizadas que, de acordo com Feres dos
Santos (2012), não permite a entrada direta do sol e a entrada intensa de calor, graças
a um sistema onde as telas solares são posicionadas de acordo com a incidência de
sol na fachada, de forma que a persiana feche automaticamente em momentos de
incidência direta de sol direta, diminuindo o uso de ar condicionado, e abra
automaticamente nos horários onde o sol não bate diretamente na fachada,
aproveitando melhor a iluminação natural. Dessa forma, o usuário não tem nenhum
controle em relação ao posicionamento dessas persianas, existe apenas um controle
central monitorado pela administração, que pode fazer pequenos ajustes pontuais
quando necessário.
Tratando dos pontos obtidos na certificação LEED do edifício, ele adquiriu
seguinte resultado:
Espaço Sustentável (SS): totalizando 14 pontos de 15
Eficiência do Uso da Água (WE): totalizando 4 pontos de 5
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Materiais e Recursos (MR): totalizando 7 pontos de 11
Qualidade Ambiental Interna (EQ): totalizando 9 pontos de 12
Inovação e Processos (IN): totalizando 5 pontos de 5
Na primeira categoria de Espaço Sustentável, onde os créditos são devido à
localização no bairro, no entorno e na cidade, e a relação do local com os meios de
transporte disponíveis, o edifício Eldorado ganhou os dois primeiros pontos pela
escolha do terreno e localização do projeto, que compreende a inserção do edifício
em relação à comunidade do entorno, levando em consideração a densidade e
desenvolvimento da região.
Os próximos quatro pontos se deram às questões de transporte e locomoção,
compreendendo o fácil acesso ao transporte público, a existência de bicicletários e
vestiários, e as vagas direcionadas a veículos com baixa emissão de poluentes.
Assim, entende-se a prioridade do empreendimento estar interligado ao Shopping
Eldorado e a estação de trem Hebraica Rebouças, conforme pode-se observar na
figura 41. Os seguintes dois créditos são relacionados ao fato da edificação ter sido
construída tentando minimizar os impactos ao habitat natural e tentar propor soluções
para o usuário ainda usufruir de espaços externos abertos, como é a praça no térreo
elevado do edifício destinada à área de convivência.
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Figura 41: Implantação Eldorado Business Tower
Fonte: Galeria da Arquitetura
Os próximos dois pontos foram obtidos graças ao projeto destinado ao controle
das águas pluviais e reaproveitamento das mesmas com qualidade e eficiência, em
paralelo aos seguintes dois pontos destinados ao controle das ilhas de calor nas
grandes metrópoles. Os últimos créditos desse item da certificação LEED são
direcionados à redução da poluição luminosa, já explicado anteriormente, onde não
são utilizados holofotes na iluminação da fachada, e a introdução de diretrizes para
uso das áreas pelos inquilinos. Assim, o edifício só não teve uma pontuação dentro
da categoria de Espaços Sustentáveis:
O único item que não gerou pontos foi o crédito 3, que diz respeito
à remediação de áreas contaminadas. Esse item gera um ponto
se o terreno escolhido para o empreendimento estiver
contaminado e a incorporadora se disponibilizar a fazer a
descontaminação. No caso, como o terreno não era contaminado,
100
não foi necessária a descontaminação e esse ponto não foi
gerado. (FERES DOS SANTOS, 2012)
A segunda categoria dentro da certificação LEED BD+C CS trata da eficiência
no uso da água, a partir de projetos arquitetônicos que geram uma economia no uso
da água, minimizando o consumo e gerando resultados significativos para minimizar
os impactos da obra na natureza. Nesse projeto específico, dois pontos foram devido
à redução de 30% do consumo de água, introduzindo a captação da água da chuva e
equipamentos internos de economia. Além disso, os outros dois pontos tratam
especificamente do sistema de irrigação aplicado ao projeto de paisagismo, onde
existe um processo automatizado e uma escolha específica de vegetações que se
adaptem bem ao local e não precisem de muita manutenção e irrigação,
principalmente com água potável.
A seguinte categoria classifica o edifício segundo fatores de eficiência
energética, o edifício não teve seu foco direcionado principalmente a essas questões,
por isso ele acabou ganhando apenas sete créditos dos quatorze, uma vez que não
atendeu fatores de utilização de energia renovável e tecnologias para energia verde.
Tendo ganho os sete pontos dessa categoria pela otimização dos recursos
energéticos a partir do gerenciamento aprimorado de ar condicionado, elevadores e
iluminação, e instalação de medidores e verificadores da utilização energética de cada
sublocação de usuários no conjunto.
Em relação aos materiais sustentáveis e aos recursos naturais, a edificação
gerenciou os descartes na fase de construção para reaproveitamento, promoveu uma
infraestrutura adequada para uma coleta seletiva completa, introduziu materiais
regionais na sua produção, sendo extraídos, beneficiados e manufaturados dentro de
um raio de 800km de distância, e utilização de madeiras recicladas FSC (Forest
Stewardship Council – Conselho de Manejo Florestal). Segundo a FSC Brasil (2017),
esse conselho é uma organização não governamental sem fins lucrativos que foi
fundado em 1993 e hoje está presente em mais de setenta países, é um sistema de
avaliação de manejo florestal que identifica produtos com uma relação confiável em
relação à esse material e sua origem dentro de uma postura de respeito com o meio
ambiente. Dessa forma, dentro da certificação LEED, são escolhidos materiais que
recebem um outro tipo específico de selo verde, e que tem ideologias e princípios em
comum (figura 42).
101
Figura 42: Ideologias e princípios da Certificação FSC (Conselho de Manejo Florestal)
Fonte: https://br.fsc.org/pt-br
Dentro da categoria da Qualidade Ambiental Interna, o edifício Eldorado
Business Tower atingiu nove pontos pois existiu uma preocupação específica em criar
um ambiente agradável e confortável para os usuários e desenvolver estratégias
avançadas para buscar essa qualidade do ar interior. O primeiro ponto foi dado pelo
monitoramento de entrada de ar nos espaços internos em paralelo com o segundo
ponto pelo aperfeiçoamento e crescente possibilidade de ventilação, dada a partir de
caixilhos com tecnologia alemã, que segundo a Infra Outsourcing &Workplace (2015),
são feitos com técnicas de última geração e produzidos diretamente em uma fábrica
de montagem dentro do canteiro de obras, que possibilita a logística de um edifício
que recebeu mais de 3.600 painéis. Com a carga variada em toda a envoltória do
edifício, cada um deles tem uma composição específica, obedecendo uma ordem de
montagem, seguindo um código e um formado único.
O terceiro ponto, dentro dos fatores relevantes para a qualidade ambiental
interna, foi obtido pelo plano de gerenciamento do conforto e bem-estar dos usuários
no ambiente durante a fase de construção, em todo o processo da obra. Os próximos
quatro créditos foram concedidos pela utilização de materiais com baixa emissão de
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poluentes, dentre eles as tintas, os revestimentos, os carpetes e as madeiras. E por
último, os outros três seguintes pontos foram graças ao projeto de conforto térmico e
visual, à temperatura agradável dentro dos espaços internos e às vistas
proporcionadas pelas grandes aberturas das áreas envidraçadas.
Na última categoria, de processos inovadores dentro das edificações
sustentáveis, o edifício recebeu todos os créditos e garantiu com excelência o primeiro
certificado LEED Platinum da América Latina:
O primeiro ponto foi concedido ao empreendimento por ele ter
reduzido o consumo de água em 40%. O segundo ponto foi
concedido pelo fato de 30% do custo de materiais se relacionarem
a materiais reciclados. O terceiro ponto foi creditado devido ao
fato de 40% dos materiais serem produzidos e manufaturados na
região. O quarto ponto foi devido ao fato de toda a madeira
utilizada ter a certificação FSC e o quinto ponto foi concedido
devido à contratação de um profissional LEED Accredited
Professional para acompanhar todo o processo. (FERES DOS
SANTOS, 2012).
No documento
A SUSTENTABILIDADE SEGUNDO AS CERTIFICAÇÕES DO SISTEMA LEED:
(páginas 90-102)