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SETEMBRO 2014

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Academic year: 2021

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ANO 11 : NÚMERO 116

B O L E T I M I N F O R M A T I V O D A E S C O L A D E D I R E I T O D E S Ã O P A U L O D A F U N D A Ç Ã O G E T U L I O V A R G A S

: DESTAQUES DO MÊS : SEÇÕES

: 01 : 02 : 03 : 04 : 05 : 06 : 07 : 08

: EVENTOS ACADÊMICOS P 01

: PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS P 05

: FGV DIREITO SP NA MÍDIA P 07

: REVISTA DIREITO GV INDICA P 08

:O MASSACRE DO CARANDIRU E A FEDERALIZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOSFORAM TEMA DE DEBATE NA FGV DIREITO SP

:JÚRI SIMULADO SOBRE ABORTOFOI PROMOVIDO NO EVENTO “CONVERSA COM ADVOGADOS”

: EVENTO DA FGV DIREITO SP DEBATEU RESULTADO DE PESQUISA FEITA EM SEIS PAÍSES SOBRE MECANISMOS DE ENFRENTAMENTO À CORRUPÇÃO

RUA ROCHA, 233 SÃO PAULO SP BRASIL TEL (11) 3799.2233 (11) 3799.2231

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: O MASSACRE DO CARANDIRU E A FEDERALIZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS FORAM TEMA DE DEBATE NA FGV DIREITO SP

O Núcleo de Estudos sobre o Crime e a Pena da FGV DIREITO SP e a Associação Nacional de Direitos Huma- nos, Pesquisa e Pós-Graduação (ANDHEP) se reuniram, no dia 27 de agosto, para debater os requisitos para a fe- deralização dos casos de violações de direitos humanos a partir do relato do caso do massacre do Carandiru, que resultou na morte de 111 detentos no pavilhão 9 do anti- go presídio em 2 de outubro de 1992.

O encontro, denominado “O que o massacre do Caran- diru nos conta sobre as graves e generalizadas violações de direitos humanos?”, ocorreu na FGV DIREITO SP e teve como objetivo, a partir do caso Carandiru, debater critérios para o chamado incidente de deslocamento de competência, criado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, que estabeleceu a reforma do Judiciário e per- mitiu que violações graves contra os direitos humanos ou contra direitos previstos em tratados internacionais passassem a tramitar na Justiça Federal, ao invés da Justiça estadual.

O tema é objeto de um estudo que está sendo realiza- do pela ANDHEP e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e financiado pela Secretaria de Reforma do Ju- diciário do Ministério da Justiça, coordenada por Guilher- me de Almeida, e que tem como objetivo compreender como a Justiça Federal brasileira tem lidado com graves

violações de direitos humanos. O estudo também pre- tende identificar como a federalização desses crimes contribui para a maior proteção dos direitos humanos no Brasil, com o intuito de avaliar a necessidade de aprimo- ramentos legislativos e institucionais que tornem a fede- ralização dos crimes mais eficientes.

Durante o encontro, a professora da FGV DIREITO SP Marta Machado apresentou alguns resultados da pesqui- sa “Carandiru não é coisa do passado”, que durante dois anos e meio mapeou todas as ações administrativas e judiciais decorrentes do massacre do Carandiru, a maior violação de direitos humanos dentro de um estabeleci- mento prisional já ocorrida no mundo. Segundo a pes- quisa, vários mecanismos institucionais foram acionados, como procedimentos disciplinares na esfera administra- tiva da polícia, ações penais contra os policiais aponta- dos como responsáveis pelo massacre e ações cíveis de indenização abertas por familiares das vítimas, além de uma representação à Comissão Interamericana de Direi- tos Humanos. “O cenário, após 22 anos do massacre, é de fragmentação, desaceleração e descontinuidade dos processos de responsabilização e de esquecimento na esfera pública. Além disso, temos a continuidade das condições estruturais – violações de direitos humanos no âmbito do sistema prisional e pela brutalidade policial,”

disse Marta Machado. “Nos primeiros 2 a 3 anos houve um grande número de iniciativas buscando identificar o que ocorreu, mas, ao longo do tempo, isso se perde e vários procedimentos foram extintos”,... continua >>

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SOBRE A DIREITO GV

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PESQUISA

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GRUPOS DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO

PUBLICAÇÕES

GLOBAL

PROCESSOS SELETIVOS

CENTRO DE PESQUISA JURÍDICA APLICADA

EVENTOS

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: LINKS : EVENTOS ACADÊMICOS

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América Latina há uma situação muito peculiar: um gran- de número de leis direcionadas especificamente à ques- tão da corrupção, com o incentivo de organismos inter- nacionais. “Faltava um diagnóstico sobre como esses mar- cos normativos estavam funcionando, se as instituições competiam ou somavam esforços no combate à corrup- ção”, disse. A dúvida, segundo ela, é se havia coordena- ção neste cenário de multiplicidade de instituições atuan- do no enfrentamento da corrupção.

Para o professor Guy Peters, da University of Pittsburgh, nos Estados Unidos, e da Zeppelin University, na Alema- nha, a coordenação das instituições é estratégica no combate à corrupção, mas enfrenta dificuldades. O com- partilhamento de informações e a questão do sigilo são algumas delas, e isso demanda investimentos de tempo e custo. “Informação é poder, e as instituições não divi- dem informações”, afirmou, citando o exemplo do eter- no conflito na atuação da CIA e do FBI.

O professor Matthew Taylor, da American University, fez uma breve análise da situação no Brasil. “Quando se olha 30 anos atrás e hoje, a evolução é enorme”, disse, atri- buindo o cenário atual, em parte, à volta da democracia e à estabilização econômica. Entre os exemplos de avan- ço brasileiro no combate à corrupção, Taylor destacou a Lei da Ficha Limpa, aprovada em 2010 e fruto de ini- ciativa popular, a criação da Controladoria-Geral da União (CGU) e a Estratégia Nacional de Combate à Cor- rupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), iniciativa que

reúne diversas instituições públicas e da sociedade civil organizada que, segundo ele, é um exemplo eficaz de coordenação entre as instituições. “O Brasil ébenchmar- kingno combate à corrupção; o problema que persiste é a impunidade”, disse. Para Guillermo Jorge, professor da Universidad San Andres, da Argentina, em nenhum país pesquisado há políticos que baseiam suas carrei- ras em temas como corrupção, compliancee accounta- bility, “porque não são demandados”, afirmou.

De acordo com Roberto Biasoli, coordenador-geral do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça e par- ticipante da Enccla, o grupo existe de maneira informal e todas as decisões ocorrem mediante consenso. Segun- do ele, hoje, mais de 70 órgãos dos governos e da socie- dade civil participam da Enccla, que contabiliza alguns avanços: a Lei de Acesso à Informação, sancionada em 2011, partiu de uma recomendação da Enccla feita em 2007, assim como a Lei Anticorrupção, sancionada no ano passado e recomendada pelo grupo em 2008, e as alte- rações promovidas na Lei de Lavagem de Dinheiro. “A coordenação operacional precisa existir”, disse.

Apesar do sucesso da Enccla, Mário Spinelli, titular da Corregedoria-Geral do Município (CGM) de São Paulo, afirmou que, no Brasil, a cooperação entre instituições ocorre muito mais em função das vontades individuais dos envolvidos no combate à corrupção do que institu- cionalmente. E citou um exemplo: “No Brasil...continua >>

<< volta... afirmou a professora da FGV DIREITO SP Maíra

da Rocha Machado, também coordenadora da pesquisa, ao lado de Marta Machado. Para Guilherme de Almeida, no caso do Carandiru também está sendo violado o direito a um julgamento justo e à duração razoável do processo, também prevista na Emenda Constitucional nº 45.

: EVENTO DA FGV DIREITO SP DEBATEU RESULTADO DE PESQUISA FEITA EM SEIS PAÍSES SOBRE

MECANISMOS DE ENFRENTAMENTO À CORRUPÇÃO A FGV DIREITO SP realizou, nos dias 18 e 19 de setem- bro, o evento “Coordenação Interinstitucional no Enfren- tamento à Corrupção” para discutir o resultado da pes- quisa “Coordinating the Enforcement of Anti-Corruption Law: South American Experiences”, realizada em seis países da América Latina para identificar (ou compreen- der) o grau de coordenação e o funcionamento das ins- tituições que participam do combate à corrupção. A pes- quisa, realizada pelos pesquisadores Maíra Rocha Ma- chado (FGV), Guillermo Jorge (San Andres) e Kevin Davis (NYU) no Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Bolívia e Pa- raguai durante dois anos, partiu da análise da atuação das instituições em cinco funções definidas, incluindo as esferas administrativa, civil e penal, nos seis países pes- quisados: monitoramento, investigação, persecução, res- ponsabilização e sanção.

De acordo com a professora e pesquisadora da FGV DIREITO SP, Maíra Rocha Machado, fica claro que na

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<< volta ... não há um Ministério Público, há muitos

Ministérios Públicos.” Segundo ele, o maior escândalo de corrupção da história de São Paulo, o esquema que ficou conhecido como a máfia dos fiscais do ISS, só conseguiu ser descoberto e combatido porque houve uma completa articulação entre os órgãos envolvidos. Com pouca estru- tura para combater a corrupção na capital paulista, a CGM optou por utilizar a análise patrimonial dos servidores para identificar incompatibilidades. “Cruzamos a base de ser- vidores com a base de imóveis e encontramos 811 servi- dores que teriam que trabalhar mais de 100 anos para ter a quantidade de imóveis que tinham”, contou.

A partir das incompatibilidades encontradas, foi possível fazer um mapeamento da atuação da máfia: havia um grupo de servidores com patrimônio altíssimo que traba- lhava em um único setor da prefeitura, o setor de fisca- lização de grandes empreendimentos. Como a CGM atua apenas na esfera administrativa, foi em busca de outras instituições, como a Polícia e o Ministério Público, na ten- tativa de obter resultados também nas esferas civil e penal. Ao todo, foram seis operações em conjunto e 11 servidores presos – um deles, preso em flagrante rece- bendo propina em um shopping, já havia sido demitido em 1986 pelo então prefeito Jânio Quadros. Estima-se que a máfia dos fiscais tenha envolvido mais de 400 em- presas e um desvio de R$ 500 milhões nos últimos cinco anos. Hoje há mais de R$ 100 milhões em bens bloquea- dos, entre eles 37 apartamentos, 2 iates, 1 Porsche e 1

pousada no interior do Rio de Janeiro. Após a descober- ta e desestruturação da máfia, a arrecadação de ISS no município aumentou 74%.

“Quando a articulação funciona, a coisa dá certo”, disse Spinelli. “O grande problema do país é que essa coor- denação funciona de forma muito pessoal e pouco ins- titucional.” Um dos maiores problemas nessa coordena- ção, disse, é que a lei brasileira é altamente restritiva em relação ao compartilhamento de provas. “Isso é realmen- te infernal”. O corregedor contou que, durante a opera- ção que desbaratou a máfia dos fiscais, havia reuniões todos os dias para que se analisasse que provas pode- riam ser compartilhadas, para evitar que futuras punições acabassem em nulidade dos processos. “Não há para- lelo no mundo”, afirmou. Outro problema apontado por ele é o do sigilo fiscal. “Não podemos sequer citar o nome das empresas envolvidas”, afirmou, embora ele de- fenda o direito dos cidadãos de escolher não comprar um imóvel em um empreendimento que foi erguido com o pagamento de propinas.

Sara Sun Beale, da Duke University, EUA, e Adán Nieto, da Universidade de Castilla-La Mancha, Espanha, fala- ram sobre sanções, bis in idem e dupla incriminação.

Sara explicou o sistema fragmentado da autoridade go- vernamental americano que permite que funcionários pú- blicos sejam condenados por corrupção, e citou o caso do ex-governador da Virginia Robert MacDonnel, que foi condenado por onze crimes de corrupção. Nieto falou

dos programas de combate à corrupção em tribunais eu- ropeus, principalmente na Espanha, explicando o prin- cípio ne bis in idem, que proíbe que uma pessoa seja jul- gada duas vezes pelo mesmo crime. “Se um caso de cor- rupção envolvendo empresas de dois países chegasse ao Tribunal de Justiça da União Europeia, sancionaria quem chegasse primeiro”.

A questão levantada por Carlos Ayres, advogado do es- critório Trench, Rossi e Watanabe, para encerrar os deba- tes no primeiro dia, foi: como coordenar a atuação dos or- ganismos públicos e a esfera privada no combate à cor- rupção?. Ayres apontou o compliance, um programa de au- ditoria interna das empresas, como uma das soluções para a corrupção e fraudes em empresas. “Os programas de compliance protegem o investidor. As empresas têm que ter ética acima de tudo, conversar com os funcionários a fim de prevenir riscos, e uma parte importante desse pro- cesso é o treinamento dos terceirizados”, explicou Ayres.

Para Lie Uema do Carmo, da FGV DIREITO SP, as sanções por fraude e corrupção precisam doer de fato no bolso das companhias para que os administradores se preocupem em manter a ética. Ela explicou que as punições são ge- ralmente de valores restritos e a poucos dirigentes, e que é necessário aprimorar as regras contábeis e discutir a res- ponsabilidade de auditores e contadores.

Nieto defendeu que sanções sejam impostas a adminis- tradores públicos e não apenas a administradores de em- presas privadas. “A maioria das legislações...continua >>

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<< volta... não foca na prevenção, mas incentiva a denún-

cia. Precisamos criar regras de incentivo que promovam a colaboração, mas que não desvirtue o sistema penal”, completou.

A professora Maíra Machado aproveitou o evento para fazer o lançamento do livro “Estudos sobre o Caso TRT”, que se aprofunda e sistematiza pontos cruciais do percur- so do caso pelo sistema de justiça a partir das esferas civil, societária, processual, penal e internacional. O estudo de- bruça-se sobre vários nós jurídicos que impactam direta- mente o saldo do Caso TRT após quase 15 anos trami- tando no sistema de justiça. O livro pode ser baixado gra- tuitamente na biblioteca digital da FGV DIREITO SP, no en- dereço http://hdl.handle.net/10438/12028.

: JÚRI SIMULADO SOBRE ABORTO FOI PROMOVIDO NO EVENTO “CONVERSA COM ADVOGADOS”

A FGV DIREITO SP realizou, no dia 27 de agosto, o tercei- ro “Conversa com Advogados” de 2014, evento que tem como objetivo divulgar as oportunidades de carreira jurí- dica e o projeto pedagógico da Escola.

O evento costumava manter o mesmo formato há alguns anos. Um professor apresentava o curso de graduação, alunos e ex-alunos contavam sua experiência na Escola e, ao final, os participantes tiravam as dúvidas com os alu- nos no coffee break. “A fórmula fazia sucesso, mas a FGV DIREITO SP decidiu inovar mais uma vez e acrescentou a encenação de um júri simulado, com a colaboração do

participado do Conheça a Graduação e do Coquetel de Boas Vindas da irmã. “Estou empolgada em entrar na GV, só falta o vestibular”.

: OS DESAFIOS DO NOVO GOVERNO FOI TEMA DE DEBATE NA FGV DIREITO SP

Dos grandes contratos de infraestrutura ao controle da mídia e dos meios de comunicação, os grandes assuntos envolvendo as eleições foram amplamente debatidos na Semana Jurídica de Graduação (SEJU), evento promo- vido pelo Centro Acadêmico da FGV DIREITO SP entre os dias 1 a 3 de setembro.

A palestra de inauguração enfatizou as normas de regu- lação das obras de infraestrutura e sua relação com as demandas políticas. Participaram da mesa Katia Bertoc- co, diretora da Artesp, Marcos Lisboa, vice-presidente do Insper, Mario Engler, Carlos Ari Sundfeld e Caio Mario da Silva Pereira Neto, professores da FGV DIREITO SP.

Todos defenderam a necessidade de aprimoramento das regras de direito público, especialmente nos contratos de grandes obras. Para Sundfeld, o ponto principal seria a necessidade de se separar a atividade de regulação das atividades políticas, “o que é possível por meio do fortalecimento dos órgãos independentes”, afirmou.

A SEJU também deu amplo espaço para o debate econô- mico. Na palestra “O que esperar da economia”, a FGV DIREITO SP recebeu Yoshiaki Nakano, diretor da FGV EESP e André Lahóz, editor-chefe da revista...continua >>

Centro Acadêmico e participação de alunos do primeiro ao quinto ano”, explicou Juliana Bernardini, coordenado- ra de comunicação da FGV DIREITO SP. A professora convidada desta edição foi Mônica Rosina, especialista em propriedade intelectual e direito da internet.

A simulação foi a de um julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre o aborto. Os alunos Caio Pereira e Guilher- me Góes representaram a Defensoria Pública, que era a favor da liberação do aborto; contra, estavam Tomaz Aribi e Mayara Rodrigueiro como Procuradores Gerais da Re- pública. Augusto Delarco foi o moderador, representando o presidente do STF. Como argumentos da Defensoria es- tavam a defesa da dignidade humana, a indefinição cien- tífica e legal de quando começa a vida e o in dubio pro reo.

Já a acusação tratou a questão como caso de saúde pú- blica, e chamou a atenção para o número expressivo de mortes da mãe em decorrência de abortos ilegais. Houve a réplica e a tréplica, e foi ouvida a opinião de duas pes- soas da plateia, uma contra e outra a favor. A decisão to- mada pelo júri foi pela liberação do aborto.

Na edição de junho do “Conversa” foi feito um piloto com o tema “cotas raciais em universidades”. “É assim que é uma aula socrática, uma aula normal da FGV”, expli- cou Dellarco, aluno do terceiro ano e presidente do cen- tro acadêmico.

Marcela Rufino, 17, aluna do Colégio Santa Marcelina, foi uma das que opinaram no júri. Ela é irmã de Stefanie Ru- fino, aluna do primeiro ano da graduação. Marcela já havia

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<< volta... Exame. Nakano listou os principais problemas

da economia brasileira, entre eles o nó górdio, a aprecia- ção da taxa de câmbio e a desindustrialização do país e, sobre a autonomia do Banco Central, afirmou que um órgão que toma tantas decisões, tem que ser responsa- bilizado e independente.

No segundo dia, a mesa “A democracia e suas promes- sas” teve como participantes o cientista político italiano Mi- chelangelo Bovero, o professor da USP Celso Lafer, e o presidente do Instituto Noberto Bobbio Celso de Souza Azzi. A mesa foi presidida pelo professor sênior Ary Oswal- do Mattos Filho e pelo professor Oscar Vilhena Vieira.

Ainda neste dia, houve um amplo debate sobre reforma política com Adriana Ancona de Faria, coordenadora ins- titucional da FGV DIREITO SP e professora de Direito do Trabalho da PUC-SP, e o jornalista Bob Fernandes, editor da Terra Magazine e com experiência de 35 anos na cober- tura política. Adriana reconheceu a dificuldade em esco- lher os melhores caminhos para se processar a reforma, mas foi enfática ao afirmar que a reforma política deve ser promovida dentro da política, por meio da população repre- sentada. Já o jornalista Bob Fernandes, por meio de uma análise empírica, demonstrou a “decomposição do bioma político partidário”, que vem se esboçando desde a Era Collor até hoje. “Nesse período, os partidos políticos atua- ram de uma forma que criaram um ambiente de crise exis- tencial, que culminou com as manifestações de julho, recriando um clima que alterna euforia e depressão”.

A SEJU terminou na quarta-feira, com a apresentação do documentário “Junho”, do jornalista João Wainer, da Folha de São Paulo, que participou do debate ocorrido logo após a exibição. Também estavam presentes o jornalista Eugenio Bucci, e o professor da FGV DIREITO SP André Rodrigues Corrêa.

: PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS

: PROFESSORES DANIELA GABBAY E DIEGO FALECK PARTICIPARAM DE EVENTO SOBRE DIREITO PROCESSUAL Os professores da FGV DIREITO SP Daniela Gabbay e Diego Faleck participaram entre os dias 28 e 29 de agosto das Jornadas Brasileiras de Direito Processual. O evento é uma realização do Instituto Brasileiro de Direito Processual, e contou com a presença da ex-ministra do STF Ellen Gracie, da professora Ada Pellegrini Grinover, e do professor José Manuel de Arruda Alvim Netto, que foi o homenageado da vez, dentre outros processualistas.

Daniela Gabbay participou da mesa de debates sobre “Disponibilidade quanto ao procedimento:

cronograma, ônus da prova e demais aspectos”

no dia 28. O debate focou as mudanças trazidas

pelo Projeto de Lei do Novo Código de Processo Civil, considerando a maior flexibilidade conferida ao procedimento e a possibilidade de as partes negociarem. “Trata-se de tema bastante instigante e com aspectos práticos relevantes”, explicou Daniela.

No dia seguinte, Faleck participou do painel Justiça Conciliativa, apresentando o tema Mediação extraprocessual. “Este é um evento muito importante, com painéis de altíssimo nível.

O convite para falar sobre mediação é o reconhecimento que este é um tema relevante”, disse Faleck.

O Instituto Brasileiro de Direito Processual foi fundado em 1958 e, ao longo desses 56 anos, se consolidou como uma associação atuante e participativa na difusão e no ensino de Direito Processual no Brasil. As Jornadas são bienais e conjugam Direito Processual Civil e Penal. A última edição havia sido realizada no Rio de Janeiro.

: PROFESSORA CAMILA GONÇALVES DEBATEU DIREITOS DE TRANSEXUAIS EM LANÇAMENTO DE LIVRO

Camila de Jesus Mello Gonçalves, professora de direito de família da FGV DIREITO SP, lançou o livro

“Transexualidade e Direitos Humanos –...continua >>

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das pessoas no âmbito do direito. Em que circunstâncias deve-se permitir a mudança do nome na carteira de identidade? Qual o melhor critério a ser adotado: moral, ético, científico?

A possibilidade da mudança da identidade de gênero primária não afetará o próprio critério definidor de identidade? A pessoa de direito não pode ser mutável?”, declarou o professor, no prefácio do livro, mensagem que foi abreviada em sua exposição.

Para o advogado Thales Coimbra, não existe uma legislação no Brasil que regule esta questão;

portanto, o livro se torna uma importante contribuição para fomentar um debate que vem aumentando dia a dia. “A solução é recorrer ao Judiciário, especialmente ao STF, equiparando essa resistência a tratamento desumano e práticas de tortura, ao encontrar evidências dentro das próprias decisões judiciais de uma diferença de tratamento entre os pedidos de mudança de gênero na justiça e outros equivalentes”, explicou.

Camila reconheceu um elemento de irracionalidade no preconceito e defendeu que o direito precisa assumir um papel de condutor de comportamentos, tanto pela via da lei, quanto pela doutrina e pela jurisprudência. “Apesar de decidir casos pontuais de forma cada vez mais rápida, o juiz tem pouca

influência diante do Congresso. O Judiciário atua na patologia e acaba produzindo norma concreta para o caso particular, porém é o legislador quem cria a norma geral e abstrata, de observância por todos obrigatória, relevante para assegurar maior efetividade e proteção às pessoas que são vítima de discriminação”, explicou.

: ALUNO DA PRIMEIRA TURMA DA FGV DIREITO SP APRESENTOU TESE DE MESTRADO SOBRE ARBITRAGEM

Daniel Tavela Luís, aluno da primeira turma de graduação e coachda equipe de competições de arbitragem da FGV DIREITO SP, apresentou, em 17 de setembro, sua dissertação de mestrado no evento “Comunicações”, promovido pela CBAr (Comitê Brasileiro de Arbitragem) e pela ABEARB (Associação Brasileira de Estudantes de Arbitragem). O título da dissertação é “Proteção do Investimento Estrangeiro: o Sistema do Centro Internacional para a Resolução de Disputas Relativas ao Investimento (CIRDI) e suas Alternativas”.

Segundo Daniel, a tese procurou analisar o ato de pensar política pública para a proteção de investimentos brasileiros no exterior. A justificativa para este estudo é a constatação ... continua >>

<< volta... o reconhecimento da identidade de

gênero entre os direitos da personalidade”, pela Editora Juruá, na Livraria da Vila do Shopping Higienópolis, no dia 10 de setembro.

O lançamento foi precedido por um debate sobre o tema que reuniu a autora, o professor da Faculdade de Direito da USP Guilherme Assis de Almeida e o advogado e mestrando em direito pela USP Thales Coimbra. O debate contou com a mediação de José Reinaldo de Lima Lopes, coordenador do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada da FGV DIREITO SP e professor da Faculdade de Direito da USP.

Em suas exposições, os articulistas insistiram na grande resistência que o assunto provoca na sociedade. Para Guilherme de Almeida, o tema expõe a grande tensão existente entre a individualidade e o exercício de direitos.

“Dois desafios afloram com o tema da mudança da identidade de gênero. O primeiro para a própria pessoa que, ao constatar que a identidade de gênero primária não mais expressa sua verdade interior deseja mudar sua representação social, transformando sua identidade, mudando o seu nome e com isso todo o modo como se apresenta perante o mundo [...] O segundo desafio que se coloca é para o Estado: o garante da identidade

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<< volta... de que o Brasil ocupa uma posição

de destaque no cenário internacional, com um movimento crescente de internacionalização de empresas nacionais, mas sem nenhuma política pública consistente que apoie e proteção a essa internacionalização.

Esses encontros têm o objetivo de apresentar produções acadêmicas. O debatedor foi o professor da Universidade de São Paulo Luis Olavo Batista.

FGV DIREITO SP NA MÍDIA

1º DE SETEMBRO

: Luciano de Sousa Godoy, professor de Direito Civil da FGV DIREITO SP, comentou o caso de irregularidade no con- trato de compra do jato usado por Eduardo Campos. Para ele, o contrato sem nome do comprador não tem validade nenhuma. A matéria foi feita pela Folha de São Paulo.

: O Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada estuda a demo- ra na expedição de licenças ambientais. O assunto virou matéria do jornal O Estado de São Paulo.

04 DE SETEMBRO

: Daniela Gabbay, professora da FGV DIREITO SP e cola- boradora do Supremo em Pauta, em artigo publicado no

Síria e no Iraque na Rádio Estadão.

: A Folha de São Paulo fez uma matéria sobre faculdades brasileiras que oferecem disciplinas em inglês buscando uma maior internacionalização. A FGV DIREITO SP foi cita- da como uma das faculdades com esse diferencial.

11 DE SETEMBRO

: Um artigo produzido pelo NEF sobre responsabilidade tributária foi publicado no Conjur, com o título “Patologias autorizam quebra da separação patrimonial das empresas”.

13 DE SETEMBRO

: A Folha de São Paulo fez uma resenha do novo livro do professor Carlos Ari Sundfeld, “Direito Administrativos para céticos”.

17 DE SETEMBRO

: O professor Salem Nasser falou sobre conflitos do Oriente Médio no programa Espaço Público, da TV Brasil.

: Samira Bueno, pesquisadora da FGV DIREITO SP e diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comentou sobre os dados de que a cada qua- tro mortos pela polícia no Brasil, um policial é assassi- nado. A matéria foi publicada no Último Segundo, do IG, no MSN Notícias e no Bol Notícias.

18 DE SETEMBRO

: Para o professor Carlos Ari Sundfeld, as alterações na lei de licitações vai tornar o processo mais...continua >>

Conjur, falou sobre demandas repetitivas. O artigo chama- se “Requerimento administrativo pode afetar acesso à jus- tiça de segurados”.

: Um artigo produzido pelo Núcleo de Estudos Fiscais sobre reforma tributária foi publicado no Conjur, com o título “Reformas sustentáveis devem ser desenvolvidas pelos próprios países”.

05 DE SETEMBRO

: Anna Luiza Carvalhido, pesquisadora da FGV DIREITO SP, analisou o caso de racismo sofrido pelo goleiro Aranha, do Santos, em partida contra o Grêmio. O artigo foi publica- do no Brasil Post com o titulo “Santos x Grêmio: Arena de muitos espetáculos”.

: “A punição do Grêmio é justificada porque o clube não fez nada para impedir o comportamento dos seus torce- dores”. É o que disse o professor da FGV DIREITO SP Adilson José Moreira para a Folha de São Paulo.

06 DE SETEMBRO

: Um artigo da professora Mônica Steffen Guise Rosina sobre direito digital e direito ao esquecimento foi publi- cado no jornal Zero Hora.

: Em sua coluna quinzenal na Folha de São Paulo, Oscar Vilhena Vieira falou sobre um assunto polêmico nas elei- ções: as drogas.

10 DE SETEMBRO

: O professor Salem Nasser falou sobre os conflitos na

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<< volta... caro e lento. A matéria saiu na Folha de São Paulo com o título “Mudanças fazem picadinho no sistema de compras brasileiro”.

19 DE SETEMBRO

: A professora Tathiane Piscitelli e L’Inti Faiad, do Núcleo de Direito Tributário Aplicado ao desenvolvimento, em arti- go publicado no Valor Econômico, falaram sobre os casos de credenciamento de carros em outra localidade com o intuito de pagar menos impostos. O artigo chama-se “A guerra fiscal do IPVA”.

20 DE SETEMBRO

: Oscar Vilhena Vieira falou sobre a banalização do sigilo judicial em sua coluna na Folha de São Paulo. O título da coluna foi “Confidente fiel”.

23 DE SETEMBRO

: Renato Sérgio de Lima, pesquisador do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada da FGV DIREITO SP e vice- presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comentou os dados de mortes por balas perdidas no Brasil. A matéria saiu no jornal O Globo com o título

“Brasil é o segundo país a sofrer com balas perdidas na América Latina”. Também foi publicado no Extra Online.

25 DE SETEMBRO

: Eloísa Machado e Rubens Glezer, coordenadores do Supremo em Pauta, fizeram um artigo sobre as votações

realizadas no STF sem o número mínimo obrigatório de ministros presentes. O artigo foi publicado no Brasil Post com o título “Onde estão os ministros do STF?”.

: Um artigo do NEF sobre normas internacionais foi publi- cado no Conjur com o título “Brasil deve garantir segu- rança jurídica com o novo regime contábil”.

26 DE SETEMBRO

: Eloísa Machado e Rubens Glezer, coordenadores do Supremo em Pauta, escreveram um artigo para o Brasil Pos, comentando a suspeita de casos de nepotismo no STF.

29 DE SETEMBRO

: Uma matéria foi publicada no Conjur falando sobre um debate promovido pela FGV DIREITO SP em parceria com a Folha de São Paulo. A matéria chama-se “Barroso defende que STF defina o que vai julgar a cada 6 meses”.

30 DE SETEMBRO

: Uma matéria do Valor Econômico falou sobre as alte- rações nas resoluções 541, 542, 543 e 544 da CVM, que ampliam a regulação de instituições que fazem custódia de títulos. Otávio Yazbek, ex-diretor da CVM e profes- sor do GVlaw, participou de entrevista afirmando que as medidas estão alinhadas com práticas internacionais. A matéria saiu com o título: “Regra de custódia eleva custo de banco”.

: Arenas de produção de políticas públicas:

a nova política nacional de saúde mental João Cauby de Almeida Júnior

A interação entre os Poderes Executivo e Legislativo no processo de produção de políticas públicas apresenta contornos diversificados, que variam segundo as regras inerentes ao sistema político, as estratégias adotadas por esses atores políticos e a capacidade dos grupos sociais organizados de influenciar as decisões políticas relativas a políticas públicas. Não há, portanto, um padrão único de interação entre esses Poderes no processo decisório de políticas públicas. No sistema político brasileiro, o Executivo e o Legislativo são os responsáveis diretos pelo encargo estatal de editar políticas públicas, daí o objetivo deste trabalho de investigar, sob o enfoque neoinstitucionalista, as bases da interação entre esses Poderes na produção da nova política nacional de saúde mental, no período de 1989 a 2001, seu período de consolidação normativa, em meio à correlação de forças que se costuma estabelecer entre eles no processo decisório de políticas públicas.

: REVISTA DIREITO GV INDICA

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: 09

A N O 1 1 : N Ú M E R O 1 1 6 : S E T E M B R O 2 0 1 4

S E T E M B R O 2 0 1 4

: Constitucionalidade e convencionalidade da Lei de Anistia brasileira

Walter Claudius Rothenburg

A Lei de Anistia brasileira (Lei n. 6.683/1979) foi objeto de controle de constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal e de controle de convencionalidade pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. Enquanto o STF considerou a lei compatível com a Constituição de 1988, a CIDH considerou-a incompatível com a

Convenção Americana de Direitos Humanos, por entender que as graves violações a direitos humanos praticadas por agentes da ditadura não prescrevem e devem ser investigadas e punidas.

Importa definir o âmbito da jurisdição interna e da internacional, e a possibilidade de conciliação.

Doutrina e jurisprudência foram utilizadas em uma abordagem analítico-dedutiva, em que se verificou que o STF ainda pode reconhecer e dar cumprimento à decisão internacional. A afirmação do direito fundamental à memória, à verdade e à reparação, que caracterizam a justiça de transição, impõe a invalidade da Lei de Anistia.

EXPEDIENTE CATARINA HELENA CORTADA BARBIERI COORDENADORA DE PUBLICAÇÕES BRUNO BORTOLI BRIGATTO EDIÇÃO ULTRAVIOLETA DESIGN PROJETO GRÁFICO

Referências

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