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ENRELVAMENTO EM POMAR DE MACIEIRAS

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Academic year: 2021

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ENRELVAMENTO EM POMAR DE MACIEIRAS

1. Introdução

A ecologia é tão velha quanto a agricultura e só a forte ligação entre elas manteve o equilíbrio da natureza ao longo de milénios. No entanto, nas zonas de maior intensificação agrícola, de grande expansão de sistemas baseados em monoculturas, em que o objectivo é, acima de tudo, atingir produções elevadas, os desequilíbrios ambientais criados revelaram-se de difícil ou quase impossível reparação.

O maior conhecimento destes problemas, por um lado, e as frequentes dificuldades colocadas na sua resolução, vieram lembrar à agricultura, actividade fortemente interactiva com o ambiente, a necessidade estrita de observar certas práticas, sem as quais a continuidade da produção de bens alimentares é posta em risco e que antes, com os sistemas biodiversos, estavam bem patentes na mente e na forma de laborar dos agricultores.

A conservação do solo e da água é condição absolutamente básica para manter a produção e muitas são as causas que têm contribuído para a perda destes dois factores, destacando-se entre elas a falta de cobertura vegetal, que conduz à erosão do solo, ao seu arrastamento pela água e pelo vento, aumentando concomitantemente as perdas de água, por diminuir a infiltração e aumentar a evaporação.

A protecção do solo com uma cobertura viva pode ser assegurada pela vegetação espontânea, que devido à grande diversidade de espécies, mantém um manto verde durante uma boa parte do ano. Porém, proporciona um coberto irregular e, no caso dos pomares e de outras comunidades arbóreas, a vegetação herbácea espontânea, mercê da sua grande rusticidade e adaptação, exerce um marcado efeito competitivo com as árvores, nos períodos em que as exigências destas são maiores. Por isso, torna-se necessário proceder ao seu controlo, o que habitualmente se faz recorrendo a herbicidas e a mobilizações do solo (gradagens, frezagens etc.) que trazem graves inconvenientes

(2)

para a planta, na medida em que provocam lesões nos troncos, corte de raízes etc., além de afectarem negativamente a estrutura do solo, acelerando a combustão da matéria orgânica e contribuírem para maiores riscos de erosão.

Torna-se assim necessário seleccionar as espécies mais adequadas para a constituição de coberturas vivas e conhecer as suas exigências culturais, face aos requisitos das culturas (arbóreas/arbustivas) principais a fim de evitar a competição entre elas relativamente aos elementos nutritivos e à água.

2. Objectivo

No sentido de atenuar os inconvenientes provocados pela aplicação continuada de herbicidas e pelas mobilizações constantes do solo, procurou-se estudar a eficácia de três tipos de cobertura vegetal no controlo das infestantes, em comparação com a tradicional mobilização e observar a influência que os mesmos têm na variação da fertilidade do solo e no consequente desenvolvimento das árvores e produção de fruta.

3. Material e métodos

- Constituição do pomar: Os porta-enxertos MM106 foram instalados em 7 de Abril de 1997, no local definitivo (Folha 4 S da EAV), num solo franco-arenoso de textura mediana a grosseira, com um compasso de 4,5 x 2,0 m.

Em 3 de Fevereiro de 1998, foi iniciada a enxertia de garfo, ficando o pomar constituído por quatro linhas de Golden smoothy, duas de Reineta parda, duas de Fuji e três de Granny smith, num total de 473 árvores.

Verificou-se, em Setembro de 1998, que havia um número elevado de falhas (45 pés) de enxertia e secagem de porta-enxertos, devido a um desajustamento inicial no sistema de rega de micro-aspersão, de que o pomar está dotado, havendo necessidade de proceder às respectivas retanchas nos anos subsequentes, o que originou alguma heterogeneidade no ensaio.

- Cobertura vegetal: Foi instalada nos dois metros centrais da entrelinha, em 14 de Outubro de 1997. Adoptou-se o esquema de blocos casualizados, num arranjo factorial

(3)

(4x4x3) de quatro modalidades de enrelvamento e quatro variedades de macieira, com três repetições. Cada talhão possuía de 20 a 24 árvores. As respectivas modalidades de enrelvamento e a sua constituição florística constam do quadro 1.

Quadro 1

Modalidade Constituição florística Densidade kg/ha

1

Mistura de trevos

. Trevo subterrâneo (Mount Barker) . Trevo subterrâneo (Nuba)

. Trevo subterrâneo (Rosedale) . Trevo brachycalycinum (Clare)

9 3,5 3,5 9

2

Mistura de azevéns

. Azevém perene (cv.Victorian) . Azevém híbrido (cv.Wimmera)

25 15

3

Relva comercial

. Azevém perene - (40%)

. Festuca rubra (cv. Tracanta) - (30%) . Pôa pratense - (30%)

285

4 Mobilização do solo -

Fot. 1 - Constituição do relvado. Observe-se o denso povoamento promovido pelo trevo

(4)

- Corte do relvado: Foi sempre simultâneo nas três modalidades e teve lugar mensalmente, desde Março a Junho, nos dois primeiros anos (1998 e 1999). Nos três anos seguintes, foram feitos 3 cortes/ano. A biomassa produzida foi retirada, sem pesagem ou qualquer outro tipo de controlo. No último ano (2003) destroçou-se a erva e deixou-se nas entrelinhas.

Fot. 2 – Aspecto do coberto após corte nos talhões “enrelvados” e gradagem nos “mobilizados” (2000).

- Mobilização do solo: Nos quatro talhões com esta modalidade, a gradagem/

/escarificação do solo efectuou-se sempre que o desenvolvimento das infestantes recomendava o seu controlo.

- Correção e fertilização do solo: Na instalação da cobertura vegetal, foi efectuada uma aplicação de:

1500 kg/ha de calcário simples.

300 kg/ha de fertifos (0-20-17+Mg+Bo) – nos talhões com leguminosas

300 kg/ha de fertifos + 300 kg/ha de nitrolusal – nos talhões com gramíneas Não se procedeu a qualquer outro tipo de fertilização química, durante todo o restante período de ensaio, na área enrelvada.

Às árvores, aplicaram-se de início cerca de 50 g/árvore de nitrolusal, quantidade que aumentou progressivamente nos anos subsequentes.

Mobilização Trevo

Trevo Mobilização

Relva

(5)

- Fertilidade do solo: Foi avaliada através de análises anuais/ bianuais de amostras de terra, em comparação com o nível de fertilidade inicial, determinado antes da instalação do enrelvamento.

- Humidade do solo: Foi controlada durante 1998 e 1999, através da medida da tensão de humidade do solo, dada por tensiómetros colocados às profundidades de 15-23 cm e 54-60 cm respectivamente.

- Controlo de pragas e doenças: Efectuaram-se anualmente tratamentos fitossanitários para controlo do pedrado, bichado, piolho e mosca da fruta.

- Controlo de infestantes nas linhas: Foi efectuado manualmente até 1999. A partir de 2000 procurou conciliar-se a monda manual com a utilização de herbicidas.

- Produção: Procedeu-se à sua avaliação desde 2000, através da pesagem individual de todas as árvores que formam o talhão, visto a produção dos primeiros anos ser muito reduzida.

- Composição florística do relvado: Foi executada periodicamente por observação visual, com base no índice de abundância e percentagem de recobrimento do solo.

4. Resultados

4.1 Evolução do pomar:

A fim de se obter uma ideia das características produtivas das quatro variedades e da forma como estas evoluíram nos quatro anos consecutivos, apresenta-se o quadro 2 que expressa a produção por árvore e a respectiva correspondência ao hectare.

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Quadro 2

Evolução das diferentes variedades

Produção/árvore

(kg) Produção/ha

(kg)

Variedades Anos Anos

2000 2001 2002 2003 2000 2001 2002 2003 Golden smoothy 0,92 3,62 14,93 11,36 1022 4018 16587 12621 Reineta parda 0,27 1,52 3,87 9,64 304 1685 4300 10710

Fuji 0,26 1,06 10,84 6,06 289 1183 12043 6732

Granny smith 0,70 2,20 19,48 13,26 778 2446 21642 14733

Fot. 3 – Aspecto morfológico das maçãs de cada variedade. A Fuji e a Granny smith completam a sua maturação cerca de três a quatro semanas mais tarde que a Golden e a Reineta.

Golden smoothy Reineta parda

Fuji Granny smith

(7)

Conforme se observa, as quatro variedades apresentam, desde o início, produções diferentes. Além das distintas características, intrínsecas a cada variedade, há a referir a irregularidade climática dos anos e a heterogeneidade introduzida no pomar pela instalação dos porta-enxertos no local definitivo, o que originou falhas da ordem dos 9,3

% na Golden, 16,3% na Reineta, 10,5% na Fuji e 4,6% na Granny smith, só totalmente colmatadas no ano 2001. Com a entrada e estabilização da produção de todas as árvores, a variação devida a este factor tenderá a diluir-se.

Quadro 3

Evolução da produção do pomar por modalidades de enrelvamento Produção/árvore

(kg) Produção/ha

(kg)

Modalidade Anos Anos

2000 2001 2002 2003 2000 2001 2002 2003 Mist. de trevo 0,63 2,0 10,62 9,38 700 2199 11799 10,424 Mist. de azevém 0,49 0,9 13,80 10,21 544 972 15332 11338 Relva comercial 0,56 1,4 10,57 8,43 619 1518 11743 9363 Mobilização 0,47 2,9 14,14 12,29 521 3241 15709 13666

Tal como aconteceu em relação às variedades, as falhas acima referidas, afectaram as modalidades de enrelvamento em 14,0% na mistura de trevos, 2,3% na mistura de azevéns, 9,3% na relva, e 7% na mobilização, com os inerentes reflexos nos resultados como se verifica pelo quadro 3. Apesar disso, se excluirmos a modalidade

“mobilização”, verifica-se que nos dois primeiros anos a melhor produção é atribuída à mistura de trevo e no 3º e 4º anos à mistura de azevém.

4.2 Produção:

Dos dois quadros anteriores, procurou pormenorizar-se a produção obtida no 4º ano (2003) por nos parecer que as quatro variedades adquiriram já alguma estabilidade produtiva.

Reineta parda

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Quadro 4

Número médio de frutos por árvore

Modalidades de enrelvamento Variedades Mist.

Trevos Mist.

Azevéns Relva Mobilização Média das variedades

Golden 67 91 93 104 89

Reineta 71 36 38 68 53

Fuji 34 34 18 85 43

Granny smith 63 93 69 59 71

Média das modalida- des de enrelvamento

59 64 54 79 64

(Média do ensaio)

Quadro 5 Peso médio do fruto

(g/fruto)

Modalidades de enrelvamento Variedades Mist.

Trevos Mist.

Azevéns Relva Mobilização Média das variedades

Golden 123 133 114 140 128

Reineta 182 183 180 179 181

Fuji 129 170 157 130 147

Granny smith 189 176 193 192 188

Média das modalida- des de enrelvamento

156 166 161 160 161

(Média do ensaio)

(9)

Quadro 6

Produção média de maçã por árvore (kg/árvore)

Modalidades de enrelvamento Variedades Mist.

Trevos Mist.

Azevéns Relva Mobilização Média das variedades

Golden 8,19 12,06 10,60 14,58 11,36

Reineta 12,96 6,59 6,82 12,19 9,64

Fuji 4,43 5,85 2,92 11,03 6,06

Granny smith 11,94 16,33 13,38 11,39 13,26

Média das modalida- des de enrelvamento

9,38 10,21 8,43 12,29 10,08

(Média do ensaio)

Quadro 7

Produção de maçã por hectare (t/ha)

Modalidades de enrelvamento Variedades Mist.

Trevos Mist.

Azevéns Relva Mobilização Média das variedades

Golden 9,10 13,40 11,78 16,20 12,62

Reineta 14,40 7,32 7,58 13,54 10,71

Fuji 4,93 6,50 3,24 12,26 6,73

Granny smith 13,27 18,14 14,86 12,65 14,73

Média das modalida- des de enrelvamento

10,42 11,34 9,36 13,66 11,20

(Média do ensaio)

Relativamente às modalidades de enrelvamento, atingiu-se o maior valor de produção na “mobilização” e o menor na “relva”. Julga-se, todavia, que as possíveis diferenças nas produções anuais induzidas pelas próprias modalidades de enrelvamento não estão

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totalmente isentas do efeito provocado pela falta de homogeneidade já atrás mencionada.

4.3 Composição florística:

O elenco florístico observado nas faixas correspondentes às linhas das árvores, abrangendo uma largura de 2,5 m, tem maior variabilidade que o presente nas três modalidades de enrelvamento (quadro 8).

Nestas, além das espécies semeadas, que constituíam entre 50 a 70% da cobertura vegetal, estava presente, com elevado índice de abundância, a língua de ovelha (Plantago lanceolata L.), formando cerca de 20 a 25% do coberto e outras com reduzido índice de abundância, distribuindo-se estas mais pelas bordas dos talhões enrelvados, junto às faixas das árvores, provavelmente favorecidas pela maior disponibilidade de água nestas zonas.

Com base nas várias observações efectuadas no decorrer do ensaio, ficou-se com a ideia de que a “mistura de trevos subterrâneos” e a “mistura de azevéns” controlaram de modo mais eficaz a vegetação espontânea, nas entrelinhas. A modalidade “relva”

sendo constituída por espécies de menor porte e menos agressivas, teve mais dificuldade em impedir o desenvolvimento de plantas menos desejáveis.

Fot. 4 - Aspecto do recobrimento do solo do pomar em Agosto de 2003.

Observe-se a diferença entre os talhões mobi lizados e os talhões com enrelvamento. Nestes, a vegetação está quase seca, enquanto que nas áreas mobilizadas, a vegetação espontânea mantém-se verde, assim como a que confina com a das faixas das árvores

Mobilização

Trevo

Azevém

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Quadro 8

Elenco florístico presente na faixa das árvores e na zona enrelvada, relativo ao último ano de ensaio (2003) Zona enrelvada

Faixas das árvores

Mist. Trevo subterrâneo (Mod. 1) Mistura de azevém (Mod. 2) Relva comercial (Mod. 3)

Trevo branco (Trifolium repens L.)

Trevo (Trevo spp.)

▪ Erva-relógio (Erodium muschatum L.) L’Hér)

▪ Leitugas (Sonchus oleraceus L.;

Sonchus asper L. (Hill) ssp.)

▪ Morugem (Stellaria média L.)

▪ Avoadinha (Conyza spp.)

Labaça (Rumex obtusi folius L.)

Ansarina (Linária spp.)

Saramago (Raphanus raphanistrum L.)

▪ Erva molar (Holcus mollis L )

▪ Tasneirinha (Senécio vulgaris L.)

▪ Azedinha (Rumex angiocarpus Murb.)

▪ Almeirôa (Crepis capillaris (L.) Wallr.)

▪ Leituga (Hypochoeris radicata L.)

Raspa-saias (Galium aparine L.)

Coentrinho (Geranium dissectum L.)

▪ Garfos (Erodium cicutarium (L.) L’Her; Erodium spp.)

▪ Vulpia (Vulpia spp.)

▪ Sempre-noiva (Polygonum aviculare L.)

Trevo subterrâneo (Trifolium subterraneum L.)

Língua de ovelha (Plantago lanceolata L.)

▪ Azevém (Lolium perene L.)

▪ Erva-relógio (Erodium muschatum (L.) L’Hér)

▪ Trevo branco (Trifolium repens L.)

▪ Erva molar (Holcus mollis L )

▪ Pôa (Pôa spp.)

▪ Almeirôa (Crepis capillaris (L.) Wallr.)

Leitugas (Sonchus oleraceus L.)

Orelha–de-rato-vulgar (Cerastium fontanum Baumg. ssp vulgare)

▪ Labaça (Rumex obtusi folius L.)

▪ Corriola (Convolvulus arvenses L.)

Azevém (Lolium perene L.)

Língua de ovelha (Plantago lanceolata L.)

▪ Trevo branco (Trifolium repens L.)

▪ Erva-relógio (Erodium muschatum (L.) L’Hér)

▪ Almeirôa (Crepis capillaris (L.) Wallr)

▪ Orelha–de-rato-vulgar (Cerastium fontanum Baumg. ssp vulgare)

▪ Vulpia (Vulpia spp.)

Corriola (Convolvulus arvenses L.)

Labaça (Rumex obtusifolius L.)

Cardo (Cirsium spp)

▪ Erva molar (Holcus mollis L )

▪ Pôa (Pôa spp.)

Azevém (Lolium perene L.)

Pôa (Pôa spp.)

Festuca (Festuca rubra L.)

▪ Língua de ovelha (Plantago lanceolata L.)

▪ Trevo branco (Trifolium repens L.)

▪ Almeirôa (Crepis capillaris (l.) Wallr)

▪ Trevo subterrâneo (Trifo lium subterraneum L.)

▪ Urtiga branca (Lamium amplexicaule L.)

Grama(Cynodon dactylonL.)

▪ Orelha–de-rato-vulgar (Cerastium fontanum Baumg. ssp vulgare)

▪ Avoadinha (Conyza spp)

Tasneirinha (Senécio vulgaris L)

Morugem (Stellaria média L.)

Ansarina (Linária spp.)

▪ Malva (Malva sylvestris L./Lavatera cretica L.)

▪ Labaça (Rumex obtusifolius L.)

Catassol (Chenopodium álbum L.)

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Fot. 5 - Aspecto do recobrimento do solo do pomar em Agosto de 2003. Nesta fase a competição entre as espécies das modalidades de enrelvamento e as árvores é mínima, visto que a parte aérea está praticamente seca.

4.4 Fertilidade do solo:

O quadro 9 mostra a variação do pH do solo, da matéria orgânica e de alguns nutrientes, nomeadamente fósforo, potássio, magnésio e cálcio, desde a instalação até 2003 (termo do ensaio), procurando-se visualizar melhor a sua dinâmica através das figuras 1 a 6.

pH

O pH do solo, embora tenha sido aplicado calcário na instalação do relvado, não sofreu alteração profunda nos primeiros anos, mantendo-se os valores médios na ordem dos 5,5 a 5,6. No último ano, estes desceram para 5,3, sendo a “mobilização” a modalidade com menor oscilação na camada de 0-15 cm de profundidade. As modalidades “trevo”

Talhão mobilizado

Mobilização

Mobilização

Azevém

Relva

(13)

Quadro 9

Evolução da fertilidade do solo desde a instalação (1997) até ao 7º ano (2003)

pH Matéria orgânica (%)

0-15 cm prof. 15-60 cm prof. 0-15 cm prof. 15-60 cm prof.

Modalidade

1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001 1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001

Trevo 5,6 5,4 5,5 5,6 5,2 5,5 5,4 5,5 2,8 1,89 2,58 1,89 3,2 1,6 2,15 1,52

Azevém 5,6 5,5 5,6 5,6 5,2 5,6 5,5 5,6 2,9 2,06 2,56 1,78 3,5 1,48 1,79 1,6

Relva 5,4 5,5 5,5 5,5 5,2 5,5 5,4 5,6 2,8 1,95 2,51 1,98 3,2 1,59 1,96 1,01

Mobilização 5,5 5,5 5,6 5,4 5,4 5,6 5,5 5,5 2,8 1,88 2,61 1,99 3,8 1,64 1,88 1,28

P2O5 (ppm) K2O (ppm)

0-15 cm prof. 15-60 cm prof. 0-15 cm prof. 15-60 cm prof.

Modalidade

1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001 1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001

Trevo 200 200 192 371 308 189 200 325 200 188 131 208 290 157 96 85

Azevém 200 200 188 352 314 200 188 282 198 184 176 210 248 183 133 100

Relva 200 200 200 360 292 188 195 274 198 150 189 202 310 156 122 98

Mobilização 200 200 200 383 336 200 171 277 200 157 200 363 444 172 128 124

Mg (ppm) Ca (ppm)

0-15 cm prof. 15-60 cm prof. 0-15 cm prof. 15-60 cm prof.

Modalidade

1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001 1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001

Trevo 60 30 46 40 48 40 26 18 1089 338 556 * 830 395 414 *

Azevém 50 33 74 40 45 30 74 22 782 353 1345 * 795 407 1209 *

Relva 50 29 65 38 32 29 34 22 855 314 655 * 585 404 315 *

Mobilização 51 28 51 46 48 28 25 20 999 320 499 * 575 367 424 *

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e “azevém” apresentaram sensivelmente o mesmo tipo de variação (Fig. 1), embora, no primeiro ano, o abaixamento tenha sido maior no trevo, que passou de 5,6 para 5,4.

Na camada mais profunda, as três modalidades enrelvadas têm idêntica tendência, apresentando a “relva” maior oscilação.

Fig. 1 – Evolução do pH do solo

Matéria orgânica

A matéria orgânica do solo mostrou o mesmo tipo de oscilações (decréscimos e aumentos) em todas as modalidades e em ambas as camadas.

Na de 0-15 cm, o valor médio inicial era de 2,8% e subiu para 3,4 % em 2003, enquanto que na de 15-60 cm, a média era de 1,57% e desceu para 1,35%, atingindo a

“relva” o valor mais baixo (1,01%).

Fig. 2 – Evolução do nível de matéria orgânica no solo

5 5,1 5,2 5,3 5,4 5,5 5,6 5,7

1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001

ppm

Trevo Azevém Relva Mobilização

0-15 cm 15-60 cm

0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4

1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001

%

0-15 cm

15-60 cm

(15)

Fósforo

O nível de fósforo no solo aumentou em todas as modalidades nas duas camadas de solo consideradas: - na mais superficial, o acréscimo foi mais evidente na modalidade

“mobilização”, seguida do azevém, enquanto que na mais profunda foi o “trevo” que mais se evidenciou, passando de 189 para 325 ppm.

Fig. 3 – Evolução do nível de fósforo no solo

Potássio

Fig.4 - Evolução do nível de potássio no solo 0

50 100 150 200 250 300 350 400 450

1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001

ppm

Trevo Azevém Relva Mobilização

0-15 cm 15-60 cm

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500

1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001

ppm

Trevo Azevém Relva Mobilização

(16)

O nível de potássio subiu de forma generalizada na camada mais superficial (0-15 cm), atingindo a “mobilização” 444 ppm, enquanto que as restantes se quedaram nas 310 ppm. Na de 15-60 cm, os teores de potássio sofreram descida em todas as modalidades.

Magnésio

Relativamente ao nível de magnésio, este desceu em todas as modalidades e nas duas camadas de solo. Contudo, de 1998 para 1999, verificou-se um aumento muito sensível na modalidade “azevém”, seguido pela modalidade “relva”. As modalidades “trevo” e

“mobilização” apresentaram entre si a mesma tendência, quer à superfície quer em profundidade.

Fig. 5 – Evolução do nível de magnésio no solo

Cálcio

O nível de cálcio não foi avaliado em 2001 e em 2003 só foi determinado na camada de solo de 0-15 cm de profundidade. Todavia, as quatro modalidades comportaram-se de modo idêntico, ao longo deste período de tempo, observando-se uma subida considerável de 1998 para 1999, no “azevém” (Fig. 6), tanto em profundidade como na

0 10 20 30 40 50 60 70 80

1997 1998 1999 2001 2003 1998 1999 2001

ppm

Trevo Azevém Relva Mobilização 0-15 cm

15-60 cm

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camada mais superficial, evidenciando um tipo de dinamismo semelhante ao verificado no magnésio. Em 2003, o nível de cálcio situou-se na ordem das 810 ppm no “trevo” e no “azevém” e ficou nas 580 ppm na “relva” e na “mobilização”.

Fig.6 – Evolução do cálcio no solo

Humidade do solo

Em 1998, de início de Abril a fim de Novembro, período durante o qual se fez o controlo da tensão de humidade no solo, as condições de humidade, quer em superfície quer em profundidade, mantiveram-se à capacidade de campo até à segunda década de Junho, em todas as modalidades. A partir desta data até meados de Julho, a tensão de humidade elevou-se consideravelmente, com o azevém a atingir o valor mais elevado, a indicar condições de stress hídrico, seguindo-se a mobilização, depois a relva e por fim o trevo subterrâneo (Fig. 7).

Para os tensiómetros usados neste trabalho e para solos de texrura média, a correspondência de valores de tensão de humidade a condições de humidade do solo, é a seguinte:

0 - Saturado 0-10 - Excesso de água 10-20 - Capacidade de campo 20-40 - Disponibilidade de água 40-60 - Necessidade de rega 60-80 - Condições de stress hídrico

0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600

1997 1998 1999 2003 1998 1999

ppm

Trevo Azevém Relva Mobilização

0-15 cm 15-60 cm

(18)

A 60 cm de profundidade, só pontualmente na modalidade “mobilização” se verificou necessidade de rega, conforme mostra a figura seguinte.

Fig. 8 - Tensão de humidade no solo à profundidade de 60 cm

0 10 20 30 40 50 60 70

04-06-1998

11-06-1998

18-06-1998

25-06-1998

02-07-1998

09-07-1998

16-07-1998

23-07-1998

30-07-1998

Leitura tensiométrica (cb)

Trevo 60 cm Relva 60 cm Mob. 60 cm Azev. 60 cm Fig.7 - Tensão de humidade no solo à profundidade de 15 cm

0 10 20 30 40 50 60 70 80

04-06-1998

11-06-1998

18-06-1998

25-06-1998

02-07-1998

09-07-1998

16-07-1998

23-07-1998

30-07-1998

Leitura tensiométrica (cb)

Trevo 15 cm Relva 15 cm Mob. 15 cm Azev. 15 cm

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Em Setembro do mesmo ano, ocorreu outro período que se afigurou menos grave que o anterior, porque os valores máximos de tensão de humidade atingidos foram mais baixos. Contudo, as árvores haviam sido enxertadas no início da Primavera e, um stress hídrico, ainda que curto, pode ter, neste estado, uma repercussão negativa no estabelecimento das mesmas, o que não aconteceria na generalidade dos pomares perfeitamente estabelecidos, dado que o crescimento do fruto, por esta altura, está praticamente terminado.

Os valores mais elevados verificaram-se no solo mobilizado, enquanto que os menores no solo afecto ao trevo subterrâneo, desde 0-60 cm de profundidade.

Em 1999, o sistema de rega funcionou de modo mais adequado. Todavia, ocorreu também, durante o mês de Junho, um período em que apenas na camada de solo mais superficial da modalidade “mobilizada” (Fig. 8) se verificou uma tensão de humidade a tocar o limiar de condições de stress hídrico.

Fig. 8 - Tensão de humidade a 15 cm de profundidade

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50

02-06-1999 04-06-1999

06-06-1999 08-06-1999

10-06-1999 12-06-1999

14-06-1999 16-06-1999

18-06-1999

Leitura tensiométrica (cb)

Trevo 15 cm Relva 15 cm Mob. 15 cm Azev. 15 cm

(20)

5. Apreciação dos resultados

Conforme os objectivos estabelecidos no início deste trabalho, pretendia-se efectuar a escolha de espécies adequadas à cobertura vegetal de pomares e outras comunidades arbóreas, tendo em conta os seus efeitos na produção e na fertilidade do solo.

Da análise dos resultados não se deduz haver uma influência directa das modalidades de enrelvamento na produção. Por um lado, o pomar é formado por diferentes variedades com características muito diversas, constituindo por si só um factor de variação do ensaio. Acresce ainda o facto de ter sido enxertado em local definitivo e terem ocorrido numerosas falhas que provocaram desigualdade no desenvolvimento das árvores, atrasos na entrada em produção, trazendo, logo à partida, grande heterogeneidade. Por estas razões, o coeficiente de variação obtido neste ensaio foi muito elevado e embora as modalidades de enrelvamento tenham sido consideradas significativamente distintas entre si, a interacção “variedades x modalidades de enrelvamento” não foi estatisticamente significativa.

Pelas produções acumuladas até 2003 e comparando as três modalidades enrelvadas, sem a “mobilização”, concluiu-se ser a mistura de azevém a modalidade que melhor se comportou, com um valor acumulado de 28,19 t/ha, ligeiramente acima da média do ensaio (27,42 t/ha).

Considerando o elenco florístico, efectuado na Primavera de 2003, verificou-se que as modalidades “trevo” e “azevém” exerceram um efeito mais marcado no controlo de infestantes, na medida em que tanto a diversidade como o índice de abundância foram mais reduzidos que na “relva” e nas faixas das árvores o que se deve possivelmente à maior rapidez de estabelecimento daquelas espécies. Note-se que durante todo o período de ensaio, se procurou manter o relvado no seu porte mínimo, através de cortes periódicos, a fim de evitar competição com as macieiras, gradando-se paralelamente os talhões com “mobilização”.

Nas faixas correspondentes às linhas das árvores e por que nestas zonas a humidade do solo é maior, devido à rega de microaspersão, o controlo das infestantes requereu maior cuidado e frequência, o que se fez manualmente nos primeiros anos, recorrendo-se à

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aplicação de herbicidas, quando as jovens árvores adquiriram mais resistência a possíveis danos.

Em relação à fertilidade do solo, os resultados mostraram oscilações ao nível dos nutrientes estudados com subidas nuns anos e descidas noutros. Como balanço, pode-se dizer que, na camada de 0-15 cm de profundidade, o pH desceu, a percentagem de matéria orgânica subiu, os teores de fósforo e de potássio subiram, o magnésio e o cálcio desceram. Como não foi feita a avaliação do nível de nutrientes na camada mais profunda em 2003, os valores obtidos até esta data, apenas acusam uma subida do nível de fósforo.

A acumulação de nutrientes no solo tem origem, como se sabe, nos processos de meteorização e mineralização, aplicação de fertilizantes minerais e orgânicos, fixação de azoto atmosférico e nutrientes veiculados pela água das chuvas. Por sua vez, as perdas devem-se principalmente à remoção pelas culturas, lexiviação, volatilização e erosão.

A aplicação de fertilizantes minerais na zona enrelvada, só foi efectuada na sua instalação. Apenas as árvores foram adubadas anualmente com azoto. Presume-se que durante todo este período, tenha havido alguma fixação de azoto atmosférico pelo trevo subterrâneo, mas a maior proporção teria sido utilizada no seu próprio crescimento.

A biomassa produzida nas três modalidades foi removida, em grande parte, do pomar, excepto no último ano em que se deixou nas entrelinhas e na “mobilização” em que foi sempre incorporada ao solo através de gradagens. Nestas condições, a taxa de reciclagem de nutrientes na zona enrelvada não poderia ter sido alta, dado que houve exportações sucessivas (cortes), sem a correspondente reposição através de adições de fertilizantes minerais ou orgânicos.

Verificou-se assim que o nível da matéria orgânica desceu bastante no 1º ano, o que nos parece ser motivado pela grande intensificação da actividade microbiológica do solo, estimulada pelo desenvolvimento do relvado e embora a sua percentagem se tenha elevado em 1999, desceu de novo em 2001, voltando a subir em 2003. O fornecimento de matéria orgânica ao solo, através da biomassa produzida (raízes e partes verdes) é essencial para manter uma boa estrutura, arejamento e capacidade de retenção de água, factores fundamentais para o bom desenvolvimento das plantas. No caso presente, optou-se por retirar a erva dos cortes por nos primeiros anos ser uma quantidade

(22)

facto do nível de matéria orgânica se ter elevado de forma sensível no último ano, pode, na realidade, estar relacionado com a maior quantidade de detritos vegetais deixados no solo.

Deve-se ter em atenção que, por vezes, em zonas mais húmidas, a camada de raízes que fica no solo pode tornar-se demasiado espessa, diminuindo o escorrimento da água e a penetração do ar e criar condições favoráveis à anaerobiose e nestes casos dever-se-à conciliar o enrelvamento com mobilizações racionais do solo.

Relativamente ao fósforo, este solo possuía um nível inicial elevado e as exportações através das árvores e do relvado teriam sido pequenas. Logo, a sua subida no solo terá origem na aplicação inicial, na mineralização da matéria orgânica, coadjuvadas pela adição de calcário.

Já com o potássio, o seu comportamento foi um pouco diferente do do fósforo, principalmente na camada mais profunda, onde houve decréscimo. Embora o solo estivesse bem provido deste elemento e também tivesse havido uma aplicação inicial, as exportações pelas culturas são mais avultadas, além de que na solução do solo pode formar compostos solúveis facilmente arrastados.

Quanto ao magnésio, foi no trevo que se verificou a maior perda principalmente na camada mais profunda do solo, o que, em certa medida, evidencia maiores necessidades de magnésio desta espécie.

Em relação ao cálcio só praticamente no azevém se verificou haver ganho no solo deste nutriente, devido provavelmente à sua menor absorção por esta gramínea.

Relativamente à humidade do solo, os menores valores de tensão de humidade registaram-se no trevo subterrâneo, indicando, de algum modo, menores exigências hídricas desta espécie. O azevém e a mobilização foram as modalidades que, em períodos críticos concorreram de modo mais evidente para aumentar a tensão de humidade, criando pontualmente, condições de stress hídrico.

◊◊◊

Dado que as diferenças de comportamento das várias modalidades entre si, relativamente aos vários parâmetros estudados, não são muito marcantes, coloca-se então a pergunta de quais as espécies ou modalidade a seleccionar para as condições da região?

(23)

As gramíneas são consideradas espécies melhoradoras da estrutura do solo, devido ao seu abundante raízame. Alguns bromos são hospedeiros de fitoseídeos e certas milhãs (Echinochloa crus-galli e Digitária sanguinalis) albergam algumas espécies de ácaros, populações muito vantajosas no controlo de pragas e doenças nos pomares. Mas, ainda que se trate de espécies pouco competitivas, elas patenteiam quase sempre um certo grau de competição com a árvore na absorção de nutrientes e de água.

As leguminosas aumentam o teor de azoto no solo, devido à sua capacidade de o fixar da atmosfera, dispõem de um sistema radicular profundante, contribuindo para a melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo. Participam também na quebra do ciclo de várias espécies que formam a vegetação espontânea. Porém, esgotam o solo de alguns nutrientes, nomeadamente fósforo e potássio, o que não se verificou durante este ensaio. Apesar disso, o uso de leguminosas é amplamente aceite, ficando a escolha das espécies subordinada ao seu ciclo vegetativo, que deverá ser perene ou de ressementeira anual, ao porte baixo e à sua boa adapatação ao solo e ao clima, procurando-se evitar a concorrência por nutrientes com a cultura principal.

6. Conclusões

Destes considerandos e da análise dos resultados obtidos, julga-se que, para a maioria das condições da região, uma mistura de azevém perene e trevo subterrâneo ou outras leguminosas de auto-ressementeira anual (por exemplo, serradela) é adequada para o enrelvamento de pomares.

O trevo subterrâneo é uma espécie de auto-ressementeira, comportando-se como anual, com a vantagem de terminar o ciclo por fins de Maio-Junho, quando as necessidades do pomar em elementos nutritivos e água começam a ser maiores. Como a parte verde desta espécie seca e morre, deixa de exercer competição com as árvores.

Pelo lado do azevém perene, existem variedades que em condições de secura e temperaturas elevadas, manifestam um elevado grau de dormência estival, deixando assim também de exercer um forte efeito competitivo com as árvores. Acresce ainda que se trata de espécies com um porte relativamente baixo e mesmo em pleno crescimento não impedem que as árvores recebam toda a luz, isto é, a competição por este factor é muito reduzida.

(24)

Mediante as condições climatológicas que nos assistem, em que os verões são habitualmente muito secos, os riscos de erosão são mínimos, durante este período, não se revelando de importância maior o facto de o solo estar menos coberto. Quer o azevém, quer o trevo subterrâneo são espécies que crescem bem desde o início do Outono ao fim da Primavera, período em que o solo deverá estar revestido, já que até o efeito protector das próprias árvores é mínimo.

Parece-nos, assim, que a utilização de uma mistura de azevém e de trevo subterrâneo pode atenuar as características menos favoráveis de cada uma das espécies, ou seja, por exemplo, resistir mais à escassez de água no solo, pois as necessidades hídricas do trevo subterrâneo são inferiores às do azevém; tornar-se menos vulnerável a outras condições adversas, como a ocorrência de geadas; oferecer uma elevada percentagem de recobrimento do solo e reduzir as aplicações de fertilizantes azotados, pela capacidade que o trevo tem de fixar azoto da atmosfera.

Quanto à utilização de espécies semeadas versus vegetação espontânea no enrelvamento, pode esta questão, por agora, ser equacionada em termos económicos, já que a soma de conhecimento sobre o assunto é ainda escassa.

Relativamente ao enrelvamento versus mobilização do solo, ainda que à partida as vantagens pesem a favor daquele, julga-se que o assunto deve permanecer em aberto, porquanto nestas condições, as vantagens e os inconvenientes de uma e de outra técnica cultural não ficaram perfeitamente estremados através dos resultados obtidos. No que toca aos efeitos relacionados com a fertilidade do solo, estes envolvem fenómenos demasiado complexos, muito dependentes das condições climatológicas e da natureza dos solos e, consequentemente, deverão ser avaliados em diversas condições, durante um período mais lato.

Uma prática pode ser adoptada sem que exclua radicalmente a outra.

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Referências bibliográficas

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Agriculture, Ecosystems and environment, 39, 23-53, 1992.

Altieri, M. A. e Letourneau,D. K. – Vegetation management and biological control in agroecosystems. Crop Protection, 1 (4), 405-430. 1982.

Altieri, M. A. e Whitcomb, W.H. – The potencial use of weeds in the manipulation of beneficial insects. Hortscience, Vol. 14 (1), 1979.

Domingues, M. T. G. – Proposta para o desenvolvimento da agricultura biológica em Portugal: o caso da macieira. Dissertação de mestrado em agricultura, ambiente e mercados. UTAD, 1996.

Dalcolmo, J. M.; Almeida, D. L. e Guerra, J. G. M. – Avaliação de leguminosas perenes para cobertura de solo em pomar cítrico no Município de Jerónimo Monteiro, ES.

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). CT/36, 1999.

Perin, A. e col . – Efeito de densidades de plantio sobre o crescimento e acumulação de nutrientes de duas leguminosas herbáceas perenes usadas como cobertura viva permanente de solo. Embrapa, CT/37, 2000.

Pereira, O. – Cobertura vegetal repõe matéria orgânica.. A Notícia. Joinville, Santa Catarina, Brasil. Pág. Web, 2003.

(26)

E

NRELVAMENTO

EM POMAR DE MACIEIRAS

Resultados do ensaio realizado de 1997 a 2003

Maria Leontina Fonseca Manuel Salazar

Viseu 2003 DRABL

Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral

(27)

Índice

1. Introdução 1

2. Objectivo 2

3. Material e Métodos 2

- Constituição do pomar 2

- Cobertura vegetal 2

- Corte do relvado 4

- Mobilização do solo 4

- Correcção e fertilização do solo 4

- Fertilidade do solo 5

- Humidade do solo 5

- Controlo de pragas e doenças 5

- Produção 5

- Composição florística 5

4. Resultados 5

4.1 Evolução do pomar 5

4.2 Produção 7

4.3 Composição florística 10

4.4 Fertilidade do solo 12

pH 12

Matéria orgânica 14

▪ Fósforo 15

▪ Potássio 15

▪ Magnésio 16

Cálcio 16

Humidade do solo 17

5. Apreciação dos resultados 20

6. Conclusões 23

Referências bibliográficas 25

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Agradecimentos

À engª agrónoma Catarina Augusta de Sousa Maluco, Técnica Superior Principal da DRABL, por toda a colaboração prestada na instalação das modalidades de enrelvamento.

Ao engº agrónomo Pedro Rodrigues, Presidente da Escola Superior Agrária de Viseu, pela pronta colaboração na instalação dos tensiómetros, nos anos de 1998 e 1999.

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