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A falsa personalidade jurídica do empresário individual

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Academic year: 2022

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The false legal personality of the individual entrepreneur

Aluer Baptista Freire Júnior

*1

Lorrainne Andrade Batista

*2

Resumo: O trabalho tem o escopo demonstrar a historicidade e peculiaridades do empresário individual, do mesmo modo, expor a personalidade jurídica no ordenamento, principalmente, a falta desta no que tange ao empresário em indagação, que assume isoladamente os deveres e obrigações de uma empresa unipessoal, assim como suas responsabilidades por não haver separação de patrimônio (CNPJ de CPF), mesmo que contenha o efetivo Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas como requisito obrigatório.

Palavras-chave: Pessoa jurídica; Direito privado; Empresário individual; Personalidade jurídica.

Abstract: The work has the scope to demonstrate the historicity and peculiarities of the individual entrepreneur, in the same way, to expose the juridical personality in the ordering, mainly, in the absence of this one with respect to the entrepreneur in inquiry, that assumes in isolation the duties and obligations of a sole proprietorship, as well as its responsibilities for not separating assets, even if it contains the effective National Registry of Legal Entities as a mandatory requirement.

Keywords: Legal entity; Private law; Individual Business owner; Legal personality.

Recebido em: 10/9/2019 Aprovado em: 28/10/2019

*1

Possui pós-doutorado em Direito Privado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Doutor e mestre em Direito Privado pela PUC Minas. Coordenador do curso de Direito da Faculdade de Direito e Ciências Sociais do Leste de Minas (Fadileste). E-mail: [email protected].

*2

Pós-graduanda em Direito de Família e Sucessões pela Faculdade de Direito e Ciências Sociais do Leste

de Minas (Fadileste). Graduada em Direito pela Fadileste.

(2)

Empresário individual histórico e peculiaridades

O Direito Comercial se originou por meio das obras dos comerciantes da idade média, no intuito de manter uma organização e regular, consequentemente, as relações jurídicas da época, concernentes aos negócios celebrados pelos mesmos, e logo mais ampliou-se seu campo para abraçar todas as pessoas contratantes e não tão somente os denominados comerciantes.

Na Antiguidade e em Roma não se identifica claramente um direito comercial, pois mesmo existindo comércio as leis e regras eram isoladas e esparsas. Assim, os romanos não chegaram a conhecer um direito especial ao comércio, os jurisconsultos - interpretadores da lei e do direito para sua aplicação exata - não sistematizaram as normas aplicáveis ao comércio.

Em Roma, a agricultura era predominante e o comércio intenso. No séc. III a C, Roma se tornou o maior centro comercial, difundindo em grande volume o tráfico mercantil. Com a queda do Império Romano do Ocidente, o centro comercial se desloca para o Oriente. Neste caminho, o comércio assume papel preponderante com os árabes e para o comércio surgiram diversos termos que são utilizados como freguês, armazém, caravana, bazar, magazine e alfândega.

Mais tarde, a insegurança do comércio trouxe a necessidade da estruturação de um sistema feudal, onde os humildes procuravam proteção dos senhores. Tal sistema, funcionava por intermédio da proteção, onde os exploradores das terras não eram apensos por um direito de propriedade, porém, como dito, por necessidade de proteção, servindo as explorações das terras como a própria subsistência, formando, desta forma, o desenvolvimento de uma economia essencialmente agrícola.

Após, com as originadas cidades medievais há a migração de muitos agricultores, que desenvolviam nestas, inicialmente de maneira extensa, atividade industrial rudimentar e artesanal. Desse modo, surge a classe burguesa um novo espírito empreendedor em face da classe feudal que continua ligada à terra e sua exploração.

Com a classe burguesa, as cidades se tornaram grandes centros de consumo, trocas e produção, predominando o trabalho livre dos mercadores e artesãos. Com a finalidade de alavancar o comércio local e o intercâmbio entre as cidades, originou também as feiras e os mercados, diferentemente das antigas feiras cobertas.

Em ato contínuo, esse cenário acima descrito, requisita uma regulamentação

como forma de cumprir, normatizar e resolver as relações comerciais. Contudo, à

época, a existência de um direito tão formal não acompanharia a celeridade que o

mercado necessitava, neste viés, com o fim de satisfazer a requisição regulando as

atividades econômicas praticadas nas cidades há o surgimento do Direito Comercial,

como norma específica.

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O Direito Comercial à época servia de base para as corporações de mercadores, onde era instituído cônsules que dirimiam os conflitos de interesses entre os associados.

As corporações estabeleciam regras para efetivar o controle em massa de seus comerciantes para haver uma comercialização justa e eficaz. Desse modo, as regras tratavam do controle de quantidade, qualidade, bem como, preços dos produtos com o finco de evitar a concorrência de membros do mesmo ofício.

A corporação também exercia um papel fundamental aos trabalhadores, os amparando em casos como velhice, doença e ou invalidez.

Assim surge o Direito Comercial, de cunho subjetivo e eminentemente classista, criado e aplicado pelos próprios comerciantes em prol de suas necessidades pessoais, que consequentemente, se estende em cunho social.

O Direito Comercial era julgado pelos cônsules apenas no que dizia respeito aos matriculados nas corporações, o que mais à frente, passou a decidir questões comerciais de pessoas que não eram matriculadas, estendendo cada vez mais o Direito Comercial.

O Direito Comercial no Brasil teve início com a chegada da família Real portuguesa e era dividido em três partes, seguidas de um Título Único, em primeiro definia a figura do comerciante, como as obrigações, na segunda parte o comércio marítimo e na terceira parte a falência do comerciante.

Agora é considerado um Sistema Subjetivo Moderno uma vez que sua concepção se embasa em um sujeito, o empresário, aquele que exerce atividade econômica organizada para a produção e circulação de bens ou serviços para o mercado.

A regulamentação das atividades desenvolvidas pelos empresários, sócios, cotistas, chamados nos tempos remotos de comerciantes, sem dúvidas foi um grande passo para o desenvolvimento da sociedade como um todo e de grande relevância para quem queria constituir legalmente o seu próprio negócio e estar amparado judicialmente, amparo que se estende inclusive aos credores, compradores, assim como, qualquer sujeito que seja parte dessa relação de obrigações que adquire-se junto com a normatização do negócio.

Originadas as empresas para as atividades comerciais de modo seguro, fora integrado no Código Civil brasileiro o conceito de empresário e os devidos procedimentos para sua criação:

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente

atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de

bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem

exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística,

ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício

da profissão constituir elemento de empresa. Art. 967. É obrigatória a

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inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da

respectiva sede, antes do início de sua atividade. Art. 968. A inscrição

do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha: I - o seu

nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de

bens; II - a firma, com a respectiva assinatura autógrafa que poderá

ser substituída pela assinatura autenticada com certificação digital

ou meio equivalente que comprove a sua autenticidade, ressalvado o

disposto no inciso I do § 1

o

do art. 4

o

da Lei Complementar n

o

123, de

14 de dezembro de 2006; (Redação dada pela Lei Complementar nº

147, de 2014). III - o capital; IV - o objeto e a sede da empresa.§ 1

o

Com

as indicações estabelecidas neste artigo, a inscrição será tomada por

termo no livro próprio do Registro Público de Empresas Mercantis, e

obedecerá a número de ordem contínuo para todos os empresários

inscritos. § 2

o

À margem da inscrição, e com as mesmas formalidades,

serão averbadas quaisquer modificações nela ocorrentes.§ 3º Caso

venha a admitir sócios, o empresário individual poderá solicitar ao

Registro Público de Empresas Mercantis a transformação de seu registro

de empresário para registro de sociedade empresária, observado, no

que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código.(Incluído

pela Lei Complementar nº 128, de 2008). § 4

o

O processo de abertura,

registro, alteração e baixa do microempreendedor individual de que

trata o art. 18-A da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de

2006, bem como qualquer exigência para o início de seu funcionamento

deverão ter trâmite especial e simplificado, preferentemente eletrônico,

opcional para o empreendedor, na forma a ser disciplinada pelo Comitê

para Gestão da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da

Legalização de Empresas e Negócios - CGSIM, de que trata o inciso III

do art. 2º da mesma Lei. (Incluído pela Lei nº 12.470, de 2011). § 5

o

Para

fins do disposto no § 4

o

, poderão ser dispensados o uso da firma, com

a respectiva assinatura autógrafa, o capital, requerimentos, demais

assinaturas, informações relativas à nacionalidade, estado civil e regime

de bens, bem como remessa de documentos, na forma estabelecida pelo

CGSIM. (Incluído pela Lei nº 12.470, de 2011). Art. 969. O empresário

que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito à jurisdição de

outro Registro Público de Empresas Mercantis, neste deverá também

inscrevê-la, com a prova da inscrição originária. Parágrafo único. Em

qualquer caso, a constituição do estabelecimento secundário deverá

ser averbada no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva

sede. Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e

simplificado ao empresário rural e ao pequeno empresário, quanto à

inscrição e aos efeitos daí decorrentes. Art. 971. O empresário, cuja

atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as

formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer

inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva

sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os

efeitos, ao empresário sujeito a registro (BRASIL, 2002).

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Por conseguinte, para ser considerado empresário o sujeito deve ser dotado de capacidade mental para a vida civil e não ser legalmente impedido. “Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos” (BRASIL, 2002).

Porém, não impede que o incapaz, por meio de um representante legal ou assistente, continue a atividade empresarial. “Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança” (BRASIL, 2002).

Nesse caminho, coadunado com a respectiva inscrição supracitada no decorrer do texto, a abertura de uma empresa gera diversas responsabilidades para a pessoa jurídica – entidade favorecida de autonomia própria – e para a pessoa física.

Em se expor o empresário individual, tratando-se unicamente de uma pessoa física natural em que nada se confunde com a pessoa jurídica (empresa, entidade, pessoa fictícia e abstrata), a responsabilidade é ainda maior pois o patrimônio a ser atingido e responsabilizado, é o pessoal, considerando apenas o CPF, pois, o empresário individual, frisa-se, não é amparado pela pessoa jurídica mesmo com a presença de um CNPJ. Isto é, a responsabilidade do empresário individual no Direito Pátrio é ilimitada e direta devendo arcar com os seus próprios bens, seja os havidos na empresa ou não.

Ante o exposto, o presente artigo, se atinará à personalidade jurídica tratada pelo ordenamento jurídico; os efeitos dessa personalidade; e abordará essencialmente a falsa personalidade jurídica passada para a sociedade e leigos no que diz respeito ao empresário individual, por falta de previsão legislativa no rol do artigo 44 do Código Civil brasileiro.

A personalidade jurídica no Ordenamento Jurídico Brasileiro

Antemão, imperioso se faz a não confusão entre personalidade jurídica com personalidade pessoal ou psíquica. Inteligentemente, Paulo Nader (2006, p. 183) leciona:

Cada ente humano possui a sua personalidade e esta é o modo individual de ser da pessoa, suas características, seus valores e atitudes. Não há que se confundir a personalidade do ponto de vista da Psicologia – maneira de ser, agir e de reagir – da personalidade jurídica. Esta constitui a aptidão para ser titular de direito e de deveres na ordem civil.

Neste sentido, Clóvis Beviláqua (1999, p. 81) diz:

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A personalidade jurídica tem por base a personalidade psíquica, somente no sentido de que, sem essa última não se poderia o homem ter elevado até a concepção da primeira. Mas o conceito jurídico e o psicológico não se confundem. Certamente o indivíduo vê na sua personalidade jurídica a projeção de sua personalidade psíquica, ou, antes, um outro campo em que ela se afirma, dilatando-se ou adquirindo novas qualidades. Todavia, na personalidade jurídica, intervém um elemento, a ordem jurídica, do qual ela depende essencialmente, do qual recebe a existência, a forma, a extensão e a força ativa.

A personalidade jurídica no ordenamento jurídico brasileiro, de forma geral, diz respeito a possibilidade de exercer a vida civil, sendo sujeito de direito, deveres e obrigações regidas por Lei, seguindo, desta maneira, aquilo que se pode ou não fazer.

Em se tratando das atividades empresariais, a pessoa jurídica se concentra em uma entidade, exercida por um empresário ou sócios acionistas ou cotistas, atribuída por uma personalidade jurídica no ato de sua inscrição no órgão competente, passando a ser um sujeito fictício abastecido de direitos e obrigações.

A personalidade jurídica, anteriormente exposta, é uma aquisição com o efeito da formação de uma pessoa jurídica, e essa busca em nome próprio assumir suas obrigações.

A pessoa jurídica é guarnecida de personalidade jurídica e a mesma, segundo Ricardo Negrão (2010, p. 263):

[...] é uma ficção jurídica, cuja existência decorre da lei. É evidente que às pessoas jurídicas falta existência biológica, característica própria das pessoas naturais. Entretanto, para efeitos jurídicos e, leia- se, para facilitar a vida em sociedade, concede-se a capacidade para uma entidade puramente legal subsistir e desenvolver-se no mundo jurídico. Sua realidade, dessa forma, é social, concedendo-lhe direitos e obrigações.

Diante disso, necessário é o apontamento das pessoas jurídicas de Direito Privado, expostas pelo artigo 44 da norma civilista brasileira de 2002, do mesmo modo, os efeitos dessa personalidade jurídica no Direito Pátrio.

Pessoas Jurídicas de Direito Privado

A princípio, interessante é destacar que as pessoas físicas e jurídicas são pessoas

distintas e se diferenciam pelo sujeito. Enquanto a primeira é a pessoa concreta, melhor

dizendo, o ser humano em sua plenitude, a pessoa jurídica se embasa em uma empresa

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e diz respeito a mesma, uma pessoa abstrata, que é representada e criada, por um ser humano, perante as relações jurídicas e negociáveis e a ela é atribuída personalidade.

Para Maria Helena Diniz, pessoa jurídica é “a unidade de pessoas naturais ou de patrimônios, que visa à consecução de certos fins, reconhecida pela ordem jurídica como sujeito de direitos e obrigações” (DINIZ, 2002, p. 206).

A pessoa jurídica de Direito Privado se baseia na forma indireta pelo qual o Estado tem participação, não podendo, no entanto, intervir diretamente. São denominadas de direito privado, haja vista, os interesses particulares. Em regra, são classificadas pelos seus fins, podendo ser inclusive atividades filantrópicas - em conjunto com o Estado sem fins lucrativos – ou meramente com o objetivo de lucro.

A pessoa jurídica de Direito Privado possui duas categorias, a estatal e a particular.

Para identificar a categoria é necessário saber como se originou os recursos para a criação dessa pessoa jurídica de Direito Privado. Se houver recursos pelo Poder Público será estatal, se apenas particular será particular.

Para a devida criação de uma pessoa jurídica de Direito Privado, é imprescindível a observação da vontade humana criadora, a elaboração de um contrato social ou estatuto a respeito do ato constitutivo, o registro deste ato no órgão competente e a liceidade de seus objetivos, uma vez que, atos ilícitos e nocivos extinguem a personalidade jurídica.

O Código Civil brasileiro de 2002, expressamente informa um rol de pessoas jurídicas no ramo do Direito Privado. São elas:

Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:

I - as associações;

II - as sociedades;

III - as fundações.

IV - as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)

V - os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) (BRASIL, 2002).

As associações são formadas pela união de pessoas cujo fim está em desenvolver, por meio de contribuição, atividades culturais, sociais, morais.

As sociedades, constituem num agrupamento de pessoas com o mesmo objetivo,

cujo fim é lucrativo, para instituir atividades que retornem além do que investem. Os

participantes dessa sociedade são denominados como sócios, que geralmente obtém

a mesma cota parte na empresa, dividindo entre si a lucratividade da prestação de

serviços expostas a sociedade via mercante.

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As fundações são necessariamente estabelecidas por atividades filantrópicas e com fins filantrópicos. Significa dizer que as fundações não se encontram em atividades com fins lucrativos, assim, toda a produtividade gira em prol da fundação, devendo ser reinvestida na mesma e jamais dividida entre os responsáveis. Vale salientar, que o pagamento de pessoal é uma forma de investimento e reinvestimento para o devido funcionamento, considerado então, atividade essencial.

As organizações ou entidades religiosas também não possuem fins lucrativos, não podendo ser negado pelo poder público o seu funcionamento, reconhecimento ou registro, devido a laicidade estatal protegida pela Carta Magna, desde que, exerçam sua real finalidade. São mantidas por dízimo, oferta, contribuições sociais e podem obter patrimônio cujo lucro tem que ser totalmente reinvestido em sua atividade essencial.

“Art. 44 - § 1

o

São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento”. (BRASIL, 2002).

Os partidos políticos não possuem fins lucrativos e são mantidos pelos próprios candidatos e devem ter seus registros perante o TRE e TSE.

Por fim, as empresas individuais de responsabilidade limitada, também conhecida como EIRELI, possuem fins lucrativos e são formadas por uma única pessoa física responsável pelo montante social em sua integralidade, não inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País o qual a mesma for constituída, conforme explana o artigo 980 - A da atual norma civilista.

Percebesse que o empresário individual, principal sujeito do presente trabalho, não está determinado no rol apresentado pelos incisos do artigo 44 do Código Civil.

Isso se dá conforme a característica do empresário individual como pessoa natural que não se reveste da personalidade jurídica e é inscrita no CNPJ apenas para fins tributários, assunto a ser tratado mais à frente em tópico específico.

Efeitos da personalidade jurídica no Direito Pátrio

Tratando-se dos efeitos da personalidade jurídica no Direito Pátrio, importante é, saber-se que tais efeitos somente se produzem com a devida constituição da pessoa jurídica, outorgada por meio de um registro público, momento o qual será adquirido personalidade própria passando a responder por suas obrigações e direitos originados.

A capacidade da pessoa jurídica decorre logicamente da personalidade

que a ordem jurídica lhe reconhece por ocasião de seu registro. Essa

capacidade estende-se a todos os campos do direito. Pode exercer

todos os direitos subjetivos, não se limitando à esfera patrimonial. Tem

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direito à identificação, sendo dotada de uma denominação, de um domicílio e de uma nacionalidade (DINIZ, 2015, p. 317).

Todavia, a pessoa jurídica responde por si só, representada pelo sujeito que a registrou, e assim como uma pessoa física, a mesma pode exprimir vontades advindas de seu representante, tal qual, comprar, vender. Por esse ângulo, Fábio Ulhoa Coelho (2012, p. 535):

Pessoa jurídica é o sujeito de direito personificado não humano. É também chamada de pessoa moral . Como sujeito de direito, tem aptidão para titularizar direitos e obrigações. Por ser personificada, está autorizada a praticar os atos em geral da vida civil — comprar, vender, tomar emprestado, dar em locação etc. —, independentemente de específicas autorizações da lei. Finalmente, como entidade não humana, está excluída da prática dos atos para os quais o atributo da humanidade é pressuposto, como casar, adotar, doar órgãos e outros.

Conforme asseverado, sendo a pessoa jurídica uma pessoa abstrata nascida por um ato constitutivo humano e registrado em órgão competente por uma pessoa física, tal como essa, será dotada de autonomia como efeito a aquisição de personalidade, capacidade patrimonial, autonomia privada, capacidade processual e negocial.

A capacidade patrimonial refere-se em a pessoa jurídica poder adquirir patrimônio, como imóveis, em seu nome e com os mesmos, em caso de eventual problema, arcar com as despesas e/ou dívidas da empresa.

Depreende-se que ao criar uma sociedade empresária, a título de exemplo, a autonomia patrimonial é de suma importância para o funcionamento harmônico de uma empresa composta por sócios, evitando desentendimento em caso de dívidas da firma, respondendo o patrimônio empresarial pelas suas próprias obrigações, pois, em regra, o patrimônio pessoal de cada sócio, em primeiro momento, não responde pelos deveres da sociedade.

Em regra, os sócios não devem responder, com seu patrimônio

pessoal, pelas dívidas da sociedade. Esta, por ser pessoa jurídica a

quem o ordenamento jurídico confere existência própria, possui,

em consequência, responsabilidade patrimonial própria. Trata-se do

chamado princípio da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas

(RAMOS, 2009, p. 358).

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Sobre a citada importância da autonomia patrimonial concedida a sociedade, Marlon Tomazette (2003, p. 62) pronuncia:

A mais importante característica de uma sociedade é sem dúvida a autonomia patrimonial, isto, é a existência de um patrimônio próprio, o qual responde por suas obrigações, o que não significa um distanciamento completo da pessoa dos sócios, visto que a pessoa jurídica é expressão também do patrimônio dos sócios. Nos débitos trabalhistas, fiscais e para com o consumidor tem-se mitigado a autonomia patrimonial, atendendo a certos pressupostos erigidos pelo legislador como aptos a suspender a autonomia patrimonial.

No que se refere a capacidade processual, a pessoa jurídica responde perante as consequências advindas de seus negócios, inclusive em suas responsabilidades legais, tendo aptidão de ser parte em uma demanda com fins jurídicos, podendo frequentar o polo tanto ativo quanto passivo.

CIVIL. COMERCIAL E PROCESSO CIVIL. PERSONALIDADE JURIDICA.

CAPACIDADE PARA SER PARTE E ‘LEGITIMATIO AD CAUSAM’. ARTS. 18, CC E 12, VII, CPC. INCORPORAÇÃO. ARQUIVAMENTO NO REGISTRO DO COMÉRCIO. SUCESSÃO PROCESSUAL. RECURSO ACOLHIDO.

I - O legislador de 1973, ao atribuir, no art. 12-VII, CPC, capacidade para ser parte as sociedades sem personalidade jurídica, colimou, embora com desapego ao rigor científico, tornar menos gravosa a situação processual dos que com tais sociedades irregulares litigam, sem, com isso, subverter a ordem legal até então vigente, em particular no que diz com o disposto no art. 18, CC.

II - Enquanto não arquivado no registro próprio o contrato de incorporação, incorporadora e incorporada continuam a ser, em relação a terceiros, pessoas jurídicas distintas, cada qual legitimada para figurar em juízo na defesa de seus interesses.

III - Ajuizada a causa pela incorporada, opera-se automática e naturalmente, a partir do posterior registro do contrato de incorporação, sua sucessão pela incorporadora, independentemente da anuência da parte contrária (RESP nº. 14.180/SP; Relator Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira; Quarta Turma, 25/05/1993; DJ 28/06/1993, p. 12.895 - destacamos).

Para tanto, como muito bem já visto, a pessoa jurídica é representada por

uma pessoa física que lhe deu origem. No caso de uma sociedade, a representação

se faz por um sócio e nas questões processuais não seria diferente. Portanto, vale

evidenciar, como muito bem orienta Sueli Baptista de Sousa (2006, p. 50-51), que

(11)

“[...] ao representar a sociedade, o sócio não é parte do negócio jurídico, mas sim a sociedade que representa, assumindo esta o polo da relação”.

Em relação a capacidade negocial, assim como as demais, a pessoa jurídica é dotada de tal autonomia em fazer seus próprios negócios, inclusive realizar obrigações contratuais, encaminhando de maneira mais eficaz possível as suas finalidades.

A autonomia privada está interligada a ideia de liberdade em se fazer o que a lei permite e arcar com as consequentes obrigações de seus atos contrários, tanto a pessoa natural quanto a pessoa jurídica. Ambas não se confundem e são dotadas de autonomia própria, destarte, possuem cada uma um direito autônomo e embora uma dependa da outra as suas responsabilidades são pessoais.

A relação de dependência entre essas duas pessoas não deve ser motivo de confusão em suas relações contratuais, negócios, despesas, dívidas. O homem é um sujeito que ao representar uma empresa, ele apenas atua como um intermediário das decisões tomadas em prol da firma, são pessoas diferentes, logo, com direitos, deveres e obrigações distintas.

A autonomia é tão relevante que sem ela não faria sentido ofertar personalidade a uma empresa e tratá-la como uma pessoa jurídica. Isto posto, há a existência do princípio da autonomia para firmar sua essencialidade.

Fábio Ulhoa Coelho (2012, p. 533) diz:

A mais relevante consequência dessa conceituação das pessoas jurídicas é sintetizada no princípio da autonomia. As pessoas jurídicas não se confundem com as pessoas que a integram — dizia preceito do antigo Código Civil. Em outros termos, a pessoa jurídica e cada um dos seus membros são sujeitos de direito autônomos, distintos, inconfundíveis.

[...] Em razão do princípio da autonomia da pessoa jurídica, é ela mesma parte dos negócios jurídicos. Faz-se presente à celebração do ato, evidentemente, por meio de uma pessoa física que por ela assina o instrumento. Mas é a pessoa jurídica que está manifestando a vontade, vinculando-se ao contrato, assumindo direitos e contraindo obrigações em virtude do negócio jurídico.

Por conseguinte, notadamente, as demais autonomias ou capacidades tratadas ao

longo do tópico, isto é, a capacidade patrimonial, processual e negocial, decorrem como

transcendência da presença do princípio da autonomia, autonomia própria para suas

decisões, sendo a pessoa jurídica dona de suas vontades e responsável pelas mesmas,

ainda que por meio de uma pessoa física, ao ser elas díspares e inconfundíveis.

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A falsa personalidade jurídica do empresário individual

O empresário individual consiste em um sujeito que atua em nome próprio em atividades econômicas organizadas, e como o nome em si já diz, individualmente, onde os lucros são revestidos a ele mesmo.

É uma opção bastante perspicaz para pessoas que pretendem não ter vínculo societário, com o objetivo de evitar futuras lides entre sócios acionistas ou cotistas, arcando isoladamente pelos seus atos, sem relação alguma de dependência para com outro indivíduo, seja na tomada de decisões, na sua autonomia de vontade ou em casos negativos como uma possível dívida.

A figura do empresário individual muito se confunde como sendo ele uma pessoa jurídica ao ser-lhe atribuído o dever de sua inscrição em uma Junta Comercial, adquirindo um CNPJ para seu funcionamento legal, porém é uma característica adstrita às sociedades empresárias.

Em verdade, o empresário individual, não deve ser confundido, ou melhor dizendo, uma firma individual, não deve ser confundida com uma pessoa jurídica, pois, a efetiva inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica só é estabelecida para um controle fiscal da Receita Federal.

Melhor dizendo, qualquer atividade econômica que procura ser legalmente realizada é passível de alguns tributos, impostos e nada mais certo que sua devida regulamentação por um CNPJ para o controle responsável sobre seus fins tributários.

À vista disso, é passada para a sociedade e leigos no assunto, uma falsa impressão sobre o empresário individual ter personalidade jurídica e é perfeitamente compreensível devido a prática realizada pelos mesmos, quando, por exemplo optam em usar um nome fantasia para sua empresa unipessoal, ao invés de seu próprio nome, inteiro ou em abreviado, com o fim de alavancar seus negócios e identificar o ramo o qual o empreendimento se volta.

No conceito acima proposto, o empresário individual seria justamente

a pessoa física, titular da empresa. O exercício da empresa pelo

empresário individual se fará sob uma firma, constituída a partir de seu

nome, completo ou abreviado, podendo a ele ser aditado designação

mais precisa de usa pessoa ou do gênero de atividade. Nesse exercício,

ele responderá com todas as forças de seu patrimônio pessoal, capaz

de execução pelas dívidas contraídas, vez que o Direito brasileiro não

admite a figura do empresário individual com responsabilidade limitada

e, consequentemente, a distinção entre patrimônio empresarial (o

patrimônio do empresário individual afetado ao exercício de sua

empresa) e o patrimônio particular do empresário, pessoa física. Não há

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que se confundir o empresário individual como sócio de uma sociedade empresária. O sócio, com efeito, não é empresário, mas sim integrante de uma sociedade empresária. O empresário poderá ser pessoa física, que explore pessoal e individualmente a empresa (empresário individual), do qual estamos agora tratando, ou uma pessoa jurídica, a qual, detentora de personalidade jurídica própria, distinta da de seus membros, exerce diretamente a atividade econômica organizada (sociedade empresária) (CAMPINHO, 2003, p. 14-15).

Sucede-se que as afirmativas desenroladas concernentes ao empresário individual apenas como pessoa física e não jurídica é retirada dada a hermenêutica da norma civilista, principalmente, ao ser o empresário individual excluído do rol manifestado pelo legislador nos incisos do artigo 44, como pessoa jurídica de Direito Privado. Com o fim de reforçar, repete-se:

Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:

I - as associações;

II - as sociedades;

III - as fundações.

IV - as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)

V - os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) (BRASIL, 2002).

Infere-se então, que o empresário individual não é pessoa jurídica e por resultado não tem personalidade jurídica. Trata-se unicamente de uma pessoa natural, blindada apenas por uma pessoa física com fins econômicos realizados legalmente, com a necessidade e importância de sua inscrição para o perfeito funcionamento aos olhos do Estado, e só para esse fim tributário que é equiparado a uma pessoa jurídica.

Não obstante, o empresário individual não deve ser tratado como uma dupla personalidade, uma pessoal e outra comercial. Neste aspecto, Carvalho de Mendonça muito bem explica:

Usando uma firma para exercer o comércio e mantendo o seu nome

civil para os atos civis o comerciante, pessoa natural, não se investe

de dupla personalidade; por outra, não há duas personalidades, uma

civil e outra comercial. As obrigações contraídas sob a firma comercial

ligam a pessoa civil do comerciante e vice-versa. Se ele incide em

falência, não se formam duas massas: uma comercial, compreensiva

(14)

dos atos praticados sob a firma mercantil, e outra civil, relativa aos atos praticados sob o nome civil, mas uma só massa, à qual concorrem todos os credores. A firma do comerciante singular gira em círculo mais estreito que o nome civil, pois designa simplesmente o sujeito que exerce a profissão mercantil. Existe essa separação abstrata, embora os dois nomes se apliquem à mesma individualidade. Se, em sentido particular, uma é o desenvolvimento da outra, é, porém, o mesmo homem que vive ao mesmo tempo a vida civil e a vida comercial (CARVALHO DE MENDONÇA, 1963, p. 166).

Conquanto, a responsabilidade do empresário individual é ilimitada, confundindo- se CPF com o CNPJ, respondendo então como se fosse um patrimônio unopara com os seus credores, pois não há separação patrimonial.

Nesse sentido é vasta a jurisprudência:

GRATUIDADE DA JUSTIÇA. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL. O empresário individual, conquanto inscrito no CNPJ, não deixa de ser pessoa física, não havendo distinção entre o patrimônio da firma individual e o da pessoa física. Todavia, é relativa a presunção de pobreza de que trata o art. 4° da Lei 1.060/1950. No caso, os elementos constantes nos autos infirmam a alegada hipossuficiência econômica da parte postulante à concessão do benefício. RECURSO DESPROVIDO. (Agravo de Instrumento N° 70066669011, Décima Sexta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Paulo Sérgio Scarparo, Julgado em 26/11/2015).

Cita-se em seguida:

PENHORA DE BENS DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL. POSSIBILIDADE.

É possível a penhora de bens do executado pessoa física quando os documentos juntados aos autos processuais demonstram que se trata de empresário individual e, não, empresa individual de responsabilidade limitada, instituto criado pela Lei 12.441/2011, à qual se aplicam, no que couber, as regras previstas para as sociedades limitadas. (TRT, AP – 0010073-44.2015.5.18.0013, Rel. GENTIL PIO DE OLIVEIRA, 1ª TURMA, 06/03/2015).

Seguindo, sobre a mesma ideia, leia-se:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL. EXECUÇÃO.

PLEITO DE PENHORA ON LINE. FIRMA INDIVIDUAL. CONFUSÃO ENTRE

(15)

O PATRIMÔNIO DA FIRMA INDIVIDUAL E DA PESSOA FÍSICA DE SEU TITULAR. CABIMENTO. Conforme referido nas razões de recurso, a decisão atacada incorre em erro material ao fazer menção ao pleito de que sejam atingidos os “sócios referidos no contrato social”, tendo em vista em que a agravada constitui-se em firma individual, o que é comprovado pelos documentos que instruem o recurso Na situação, considerando que a executada é firma mercantil individual, forçoso reconhecer que há evidente confusão entre a pessoa jurídica e a pessoa física do proprietário. Desta forma, existindo confusão entre o patrimônio da firma individual e o da pessoa física de seu titular, tenho que não há empecilho ao deferimento do pedido de que a penhora online possa recair sobre eventuais contas existentes em nome da pessoa física (Trinida Rodrigues Velasque) titular da firma individual.

Precedentes. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO. (Agravo de Instrumento Nº 70047870464, Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Leonel Pires Ohlweiler, Julgado em 25/04/2012).

Por fim:

TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL.

RESPONSABILIDADE ILIMITADA. VEÍCULO. PENHORA. RESTRIÇÃO. I.

Tratando-se de empresário individual há identificação entre empresa e pessoa física, posto não constituir pessoa jurídica, não existindo distinção para efeito de responsabilidade. O empresário individual responde ilimitadamente pelas dívidas que contraiu. Inaplicabilidade do art. 135 do CTN. II. Ausente comprovação da existência de restrição referente ao licenciamento do veículo. Apelo desprovido. (Apelação Cível N° 70057094864, Vigésima Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marco Aurélio Heinz, Julgado em 18/12/2013).

De modo a acrescentar, dada a licença, embora compreende-se as questões pertinentes a falta de personalidade jurídica do empresário individual, cujo ser assim tratado por Lei, o mesmo possui CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – mesmo que para fins meramente tributários, e não há motivos o bastante para não estender a esse empresário a personificação como pessoa jurídica, se favorecendo dos benefícios traslados a essa pessoa, como a opção em possuir uma responsabilidade limitada.

A confusão entre CPF e CNPJ – pessoa física e jurídica - causa uma grande

insegurança a um mercado que em primeiro fora criado como forma de ofertar

a segurança legal para os comerciantes da época – que sofriam saques - e hoje se

encontram em desestimulo quanto a criação de uma empresa individual, que seria uma

grande evolução para, como dito em outro momento, evitar futuras lides entre sócios,

como ocorre em várias sociedades empresárias.

(16)

A falta de previsão legal que ceda uma personalidade jurídica ao empresário individual confere uma brecha a origem de empresas societárias que na verdade não são. Significa que muitos empresários individuais, buscando se beneficiar de algumas características atribuídas a uma sociedade empresarial, “convida” uma pessoa como sócio dono de apenas uma percentagem mínima da empresa societária, a exemplo, 1% (um por cento) do capital social, sem intervir em nada, apenas no intuito da não confusão patrimonial, capacidade negocial, processual, enfim, autonomia própria servidas as pessoas jurídicas.

Em epílogo, seria sublimemente possível a inclusão do empresário individual no artigo 44 do Código Civil, contemplando-o como uma pessoa jurídica de direito privado, pois, embora o empresário em comento exerça isoladamente uma atividade empresarial em nome próprio, o mesmo investe nessa firma individual, e justo seria essa firma ter autonomia própria, capacidade patrimonial, negocial e processual para fortalecer seus fins empresariais e responder por ela mesma.

Conclusão

Consoante se depreende do presente trabalho, este pretendeu demonstrar, sob o prisma da falsa personalidade jurídica do empresário individual, o histórico do mesmo e algumas peculiaridades.

Para mais, importante foi tratar das pessoas jurídicas de direito privado expostas pelo Código Civil de 2002, incisos do artigo 44, quais são, as associações, as sociedades, fundações, organizações ou entidades religiosas, partidos políticos e as empresas individuais de responsabilidade limitada - EIRELI.

A este modo, tocou-se nos efeitos dessa personalidade jurídica no Direito Pátrio, conhecidos como capacidade patrimonial, processual, negocial e que juntos dão origem a autonomia própria e o princípio da autonomia. Fora veemente relatado a personalidade jurídica no ordenamento jurídico brasileiro de forma geral, porém, em primeiro, a falta dessa personalidade aos empresários individuais, mesmo que inscritos no CNPJ.

Referiu-se, ainda, a responsabilidade do empresário individual no Direito Pátrio, chegou-se então, que a responsabilidade deste frente a terceiros se destina de maneira direta e ilimitada, confundindo CPF e CNPJ.

Asseverado alhures, a confusão fomentada se confere devido à falta de previsão

legal que atribuísse personalidade jurídica ao empresário individual, confirmada inclusive

pela sua exclusão das pessoas jurídicas de direito privado tratadas pelos incisos do

artigo 44 da legislação civil.

(17)

Absorve-se para tanto, que o empresário individual não possui dupla personalidade, e sua empresa unipessoal não é beneficiada pela personalidade jurídica, ou seja, não existe uma pessoa jurídica, cujo Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas serve apenas para fins tributários, para o devido controle fiscal da Receita Federal.

Não havendo separação patrimonial e sendo o empresário individual apenas uma pessoa física que exerce individualmente atividade econômica em nome próprio, explica-se a característica da responsabilidade ilimitada.

Contudo, defendeu-se que o empresário em apontamento, não encontra óbice para sua inclusão no rol do artigo 44 do Código Civil brasileiro como pessoa jurídica de direito privado, pois, assim como nas sociedades empresárias, os lucros se revestem inclusive para a manutenção e crescimento da firma e justo seria a autonomia própria, capacidade patrimonial, negocial e processual para fortalecer seus fins empresariais e responder por ela mesma, bem como, ter chances de uma responsabilidade limitada, evitando a banalização do empresário pela falta de segurança.

Referências

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Livraria Francisco Alves, 1953. v. 1.

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BRASIL. Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em: <http://

www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 28 jan. 2018.

CAMPINHO, Sérgio. O direito de empresa à luz do novo código civil . 2. ed. Rio de Janeiro:

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DINIZ, Maria Helena, Curso de Direito Civil Brasileiro . 18 ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

v. 1.

DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro : Teoria Geral do Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 2015.

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NADER, Paulo. Curso de Direito Civil : Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2006. v. 1.

NEGRÃO, Ricardo. Manual de Direito Comercial e de Empresa. 7. ed. São Paulo: Saraiva,

2010. v. 1.

(18)

RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Curso de direito empresarial . 3.ed. Salvador: IusPODIVM, 2009.

SOUSA, Sueli Baptista de. Responsabilidade dos Sócios na Sociedade Limitada : Aspectos Legais e Constitucionais. São Paulo: QuartierLatin, 2006.

STJ. CIVIL. COMERCIAL E PROCESSO CIVIL. PERSONALIDADE JURIDICA. CAPACIDADE PARA SER PARTE E ‘LEGITIMATIO AD CAUSAM’. ARTS. 18, CC E 12, VII, CPC.

INCORPORAÇÃO. ARQUIVAMENTO NO REGISTRO DO COMÉRCIO. SUCESSÃO PROCESSUAL. RECURSO ACOLHIDO ”. RESP nº. 14.180/SP; Relator Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira; Quarta Turma, 25/05/1993; DJ 28/06/1993, p. 12.895.

TJ-RS. “AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL. EXECUÇÃO. PLEITO DE PENHORA ON LINE. FIRMA INDIVIDUAL. CONFUSÃO ENTRE O PATRIMÔNIO DA FIRMA INDIVIDUAL E DA PESSOA FÍSICA DE SEU TITULAR. CABIMENTO”. Agravo de Instrumento Nº 70047870464, Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Leonel Pires Ohlweiler, Julgado em 25/04/2012.

TJ-RS. “GRATUIDADE DA JUSTIÇA. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL”. Agravo de Instrumento N° 70066669011, Décima Sexta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator:

Paulo Sérgio Scarparo, Julgado em 26/11/2015.

TJ-RS. “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE ILIMITADA. VEÍCULO. PENHORA. RESTRIÇÃO”. Apelação Cível N° 70057094864, Vigésima Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marco Aurélio Heinz, Julgado em 18/12/2013.

TOMAZETTE, Marlon. Direito societário . São Paulo: Juarez de Oliveira, 2003.

TRT. “PENHORA DE BENS DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL. POSSIBILIDADE”. AP – 0010073-

44.2015.5.18.0013, Rel. GENTIL PIO DE OLIVEIRA, 1ª TURMA, 06/03/2015.

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