Aula 10 – Da Formação, Suspensão e Extinção do Processo. Do Procedimento Comum: Petição Inicial. Improcedência Liminar do Pedido.
Audiência de Conciliação e Mediação.
Direito Processual Civil para AJAJ e Oficial do TRT 22
Prof. Henrique Santillo
Sumário
SUMÁRIO 2
PROCESSO E PROCEDIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. 3
PROCESSO X PROCEDIMENTO 4
PETIÇÃO INICIAL 31
Requisitos da Petição Inicial 31
Pedido 38
Juízo de Admissibilidade da Petição Inicial 51
DISPOSITIVOS DO CPC/2015 UTILIZADOS NESTA AULA 73
QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR 80
LISTA DE QUESTÕES COMENTADAS 98
GABARITO 105
PROCESSO X PROCEDIMENTO 106
PETIÇÃO INICIAL 110
Requisitos da Petição Inicial 110
Pedido 111
Juízo de Admissibilidade da Petição Inicial 114
Processo e Procedimento. Petição Inicial.
Olá, meu amigo! Olá, minha amiga! Muito bom me encontrar contigo novamente na aula de hoje.
Hoje vamos dar início ao estudo do
processo
e doprocedimento
, tópicos exigidos pelo edital do seu concurso!Na aula de hoje, veremos os seguintes tópicos exigidos:
Formação, Suspensão e Extinção do Processo Petição Inicial e Valor da Causa
Indeferimento da Petição Inicial Improcedência Liminar do Pedido Audiência de Conciliação e Mediação
Minha nossa! Quantos assuntos, professor... O que priorizar para uma prova da
FCC
?Sugiro mais uma vez que acompanhe a nossa aula de hoje pelos seguintes dispositivos do CPC/2015:
Vamos juntos nessa?
→Indeferimento da Petição Inicial
→Improcedência Liminar do Pedido
Código de Processo Civil - Lei 13.105/15
Arts. 312 ao 317 (Formação, Suspensão e
Extinção do Processo) Arts. 318 ao 334 (Procedimento Comum:
Petição Inicial a Audiência Preliminar)
Processo x Procedimento
P ROCESSO
eP ROCEDIMENTO
são termos muito comuns a diversas pessoas. Inclusive aqueles que não atuam ou não tem muito contato com o Direito vez ou outra escutam estas palavras em seu dia a dia:Caso você ainda tenha alguma dúvida a respeito desses dois termos, agora é a hora de acabarmos com ela!
Primeiramente quero te mostrar o que significa “processo”.
Já vimos na primeira aula que processo é o instrumento por meio do qual o Estado exerce a sua atividade jurisdicional. Ou seja: sem processo, não é possível o juiz atuar em determinado caso. Por isso dizemos que ele é o instrumento do exercício da atividade jurisdicional.
"Dona Maria entrou com um processo contra seu
vizinho..."
"Ricardo, se não me pagar esta dívida, vou te processar!"
"Só vou ficar tranquilo quando acabar este procedimento
judicial contra mim"
Para se prestar a esse papel, podemos examinar o processo judicial sob algumas perspectivas1: MÉTODO DE CRIAÇÃO DE NORMAS JURÍDICAS: no caso específico do Poder Judiciário, o juiz, ao aplicar as normas gerais a um caso concreto trazido em juízo, cria uma lei específica, dentro do processo, para as partes envolvidas – que se dá quando ele profere uma sentença. Em outras palavras, a sentença vale como lei para elas, seja favorável ou desfavorável aos seus interesses, devendo ser obrigatoriamente cumprida
ATO JURÍDICO COMPLEXO: diz-se que o processo é um conjunto de atos jurídicos realizados sucessivamente que se relacionam ordenadamente entre si, constituindo parte integrante do processo destinado a realizar uma finalidade – nesse caso, a de pôr fim ao conflito de interesses através de um procedimento definido por lei.
RELAÇÃO JURÍDICA: o processo, sob esse enfoque, é analisado tendo por base as relações que são estabelecidas entre os vários sujeitos que nele atuam. Assim, podem ser formadas inúmeras relações entre eles. Em seu conjunto, elas podem ser consideradas como uma das bases do processo.
Processo pode ser também aquela “papelada” toda que vemos nas unidades judiciárias?
2
1 DIDIER JUNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil, vol. 2, 17ª ed., Salvador: Ed. JusPodivm, 2015
2 Imagem disponível em: http://www.tjrr.jus.br/index.php/noticias/11-noticias/488-tjrr-inicia-digitalizacao-de-processos-criminais-2
Definitivamente, não!
Processo é instrumento abstrato. Isso significa que ele não possui um corpo, não é palpável. Ninguém “pega”
ou “carrega” um processo nas mãos.
Processo não se confunde com os “autos” – que é isso que você acabou de ver na foto. A grande maioria dos atos processuais são reduzidos a escrito e posteriormente agrupados em um ou mais volumes, os quais chamamos de autos. Trata-se, portanto, da materialização, da corporificação dos atos que são realizados no processo, e não processo em si!
Veja bem: o juiz realiza uma audiência de instrução e audiência com o objetivo de colher os depoimentos das partes. No seio dessa audiência, vários atos processuais são realizados de forma oral, falada. Daí, ocorrerá uma redução a termo desses atos, ou seja: será colocado no papel os depoimentos das testemunhas, os depoimentos das partes, bem como qualquer decisão que o juiz tenha tomado de forma oral. Esse papel será juntado aos autos do processo!
Portanto, o que você e as outras pessoas “pegam” são os autos do processo e não o processo em si.
Entendeu?
Espécies de processo
O processo, instrumento para prestação da tutela jurisdicional, não comporta divisões. Contudo, costumamos dividi-lo de acordo com a atividade desenvolvida pelo juiz e a providência jurisdicional almejada pelo autor por questões didáticas.
Portanto, o processo costuma ter a mesma natureza da ação que o instaurou: de conhecimento ou de execução.
Vamos ver cada uma das espécies?
P ROCESSO DE C ONHECIMENTO ( OU DE C OGNIÇÃO )
Antes de desvendarmos o que vem a ser o processo de conhecimento, quero que preste atenção na palavra “conhecimento” – já podemos perceber que alguém vai “conhecer” alguma coisa.
Portanto, no processo de conhecimento, o juiz irá “conhecer” os fatos e analisar os fundamentos jurídicos que foram levados pelas partes ao processo.
Nessa fase, as provas do autor e do réu são apresentadas. Caso o juiz sinta necessidade, ele vai marcar audiências para poder ouvir as partes e as eventuais testemunhas que forem arroladas!
Qual o objetivo disso tudo? A ideia é que o juiz reúna todas as provas para formar o seu convencimento, proferindo uma sentença e decidindo sobre o conflito! O juiz, ao dar sua sentença, precisa dar satisfações às partes acerca do motivo que o levou a decidir de determinada forma: é aí que entra o papel das provas no processo de conhecimento.
Quer ver um exemplo?
3
Maria Antonieta emprestou R$ 100.000,00 (cem mil reais) a Napoleão Bonaparte. Contudo, Napoleão não realizou o pagamento da quantia emprestada. Revoltada, Maria Antonieta propôs uma ação de cobrança em face de Napoleão. A juíza marcou uma audiência de conciliação e mandou citar Napoleão para integrar a relação processual e comparecer à audiência. Realizada a audiência, ninguém chegou a um acordo e o réu Napoleão apresentou uma contestação dias depois, defendendo-se das acusações de Maria Antonieta. Após a apresentação da contestação, a juíza examinou todas as provas, ouviu todas as testemunhas... Podemos dizer que a juíza “conheceu” a fundo o litígio que foi levado ao Judiciário. Tendo formado sua convicção, proferiu uma sentença, e julgou procedente o pedido da autora Maria Antonieta!
Veja que a atividade da juíza se deu por meio de um processo de conhecimento. O direito de Maria Antonieta não estava certo. A juíza não tinha certeza, no início do processo, do direito de Maria Antonieta em ver restituída a quantia emprestada. Por isso foi preciso “conhecer” todos os fatos com o objetivo de dar uma decisão final.
Ah, nos processos de conhecimento, é possível postular tutelas condenatórias, declaratórias ou constitutivas.
3 Imagem disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Louise_Elisabeth_Vig%C3%A9e-Lebrun_-_Marie-Antoinette_dit_%C2%AB_%C3%A0_la_Rose_%C2%BB_- _Google_Art_Project.jpg
O que é isso?
Quando o autor pede ao Judiciário uma tutela condenatória, ele quer que o juiz dê uma sentença que condene o réu ao cumprimento de obrigação de pagar, fazer ou entregar alguma coisa.
Quando se pede uma tutela declaratória, o autor quer obter uma certeza sobre a existência ou não de determinada relação jurídica.
Já as tutelas constitutivas são postuladas com a intenção de constituir ou desconstituir de uma relação jurídica.
P ROCESSO DE EXECUÇÃO
No processo de execução, a atuação do juiz é voltada a adotar medidas para satisfazer um direito que já foi comprovado e reconhecido. Por isso, não há necessidade de produzir provas em um processo de execução.
Em outros termos, a tutela de execução se limita a atos necessários à satisfação do direito do credor.
De que modo?
Obrigando o devedor a cumprir com a sua a obrigação, seja pagando determinada quantia, seja entregando alguma coisa: ou seja, cumprindo com um dever.
Veja só:
Maria Antonieta empresta R$100.000,00 (cem mil reais) a Napoleão Bonaparte, exigindo que ele emita uma nota promissória4. Não tendo Napoleão pagado essa enorme quantia no dia e local estipulados na nota promissória, Maria Antonieta ajuíza uma ação de execução5. O juiz ordena a citação do réu para que, em três dias, efetue o pagamento da dívida, segundo orienta o Código de Processo Civil.
Perceba que o processo de execução tem o objetivo de satisfazer, de realizar o crédito que está constituído pela nota promissória! O juiz não quer conhecer os fatos que levaram à emissão da nota promissória, um título executivo extrajudicial que dá ensejo ao processo de conhecimento.
Formação do Processo
Vimos que uma das características da jurisdição é a inércia.
Portanto, o processo civil só terá início por meio da iniciativa da parte interessada:
Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei.
Assim, é necessário que a parte busque a tutela jurisdicional. Sei que você já ficou careca de saber que a parte provoca a jurisdição por meio da ação!
Art. 312. Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado.
Assim, para o autor, o processo se forma com o protocolo da petição inicial!
Contudo, a relação processual não está completa... e o réu? Quando ele começa a fazer parte do processo?
Quando ele sentirá os efeitos de “carregar” um processo nas costas?
Para o réu, os efeitos do processo (interrupção da prescrição, litispendência, tornar litigiosa a coisa e constituição em mora) dependem de sua citação válida!
4 A NOTA PROMISSÓRIA é um título de crédito em que uma pessoa assume que deve determinada quantia a outra, se comprometendo a pagar esse valor em dia e local específicos.
5 Um dos atributos principais dos títulos de crédito é a executividade: basta a sua apresentação em Juízo para que se inicie o processo de execução, com o objetivo de cobrar os valores, sendo desnecessário um processo de conhecimento.
Veja que efeitos são esses:
Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos arts. 397 e 398 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil).
Vamos ver uma questão:
(CESPE – TCE/PA – 2016) Acerca da formação, da suspensão e da extinção do processo, julgue o item a seguir.
Considera-se proposta a ação somente após a citação válida do réu.
RESOLUÇÃO:
Opa! Negativo! Considera-se proposta a ação, para o autor, quando a petição inicial for protocolada!
Já para o réu, o processo começa a partir de sua citação válida:
Art. 312. Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado.
Item incorreto.
Suspensão do Processo
O ideal é que o processo tenha um desfecho breve, que não fique anos e anos “emperrado” no Poder Judiciário, como frequentemente ocorre.
Contudo, em alguns casos é até desejável que o processo se suspenda!
Qual a consequência da suspensão do processo?
Em regra, não serão praticados atos processuais quando o processo estiver suspenso.
Excepcionalmente, é permitida a prática de atos considerados urgentes, necessários para a preservação do direito das partes, caso haja risco de efeitos irreversíveis.
Formação do Processo
AUTOR PROTOCOLO DA PETIÇÃO INICIAL
RÉU CITAÇÃO VÁLIDA
Art. 314. Durante a suspensão é vedado praticar qualquer ato processual, podendo o juiz, todavia, determinar a realização de atos urgentes a fim de evitar dano irreparável, salvo no caso de arguição de impedimento e de suspeição.
Isso mesmo! O processo fica “parado”, mas a vida não!
Imagine que durante a suspensão do processo, Maria Antonieta descobre que Bonaparte está se desfazendo de seus bens para se livrar de uma eventual execução. Nesse caso, é plenamente possível que a autora solicite ao juiz a concessão de uma tutela de urgência de natureza cautelar, para assegurar o resultado útil do processo.
Há, ainda, uma exceção da exceção!
Isso mesmo:
O juiz que for “acusado” de impedimento ou de suspeição não poderá praticar tais atos considerados urgentes no processo!
A explicação é bem óbvia: se há dúvidas a respeito de sua parcialidade, não é desejável que ele pratique atos e se pronuncie enquanto não for resolvida a questão.
Os atos urgentes serão requeridos ao substituto legal do juiz que estiver na “berlinda”.
Vamos recordar?
Art. 146. No prazo de 15 (quinze) dias, a contar do conhecimento do fato, a parte alegará o impedimento ou a suspeição, em petição específica dirigida ao juiz do processo, na qual indicará o fundamento da recusa, podendo instruí-la com documentos em que se fundar a alegação e com rol de testemunhas.
§ 1º Se reconhecer o impedimento ou a suspeição ao receber a petição, o juiz ordenará imediatamente a remessa dos autos a seu substituto legal, caso contrário, determinará a autuação em apartado da petição e, no prazo de 15 (quinze) dias, apresentará suas razões, acompanhadas de documentos e de rol de testemunhas, se houver, ordenando a remessa do incidente ao tribunal.
§ 2º Distribuído o incidente, o relator deverá declarar os seus efeitos, sendo que, se o incidente for recebido:
I - sem efeito suspensivo, o processo voltará a correr;
II - com efeito suspensivo, o processo permanecerá suspenso até o julgamento do incidente.
§ 3º Enquanto não for declarado o efeito em que é recebido o incidente ou quando este for recebido com efeito suspensivo, a tutela de urgência será requerida ao substituto legal.
Vamos ver quais são as causas de suspensão do processo elencadas pelo CPC/2015?
Art. 313. Suspende-se o processo:
I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador;
II - pela convenção das partes;
III - pela arguição de impedimento ou de suspeição;
IV- pela admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas;
V - quando a sentença de mérito:
a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente;
b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo;
VI - por motivo de força maior;
VII - quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da navegação de competência do Tribunal Marítimo;
VIII - nos demais casos que este Código regula.
IX - pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada responsável pelo processo constituir a única patrona da causa; (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016)
X - quando o advogado responsável pelo processo constituir o único patrono da causa e tornar- se pai. (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016)
Ufa! São muitas as causas que causam a suspensão do processo.
Por esse motivo, vamos calmamente analisar cada uma delas, pois são bastante cobradas nas provas de concurso público.
Assim, suspende-se o processo por...
MORTE OU PERDA DA CAPACIDADE DAS PARTES OU DOS ADVOGADOS
Primeiramente, vamos falar da perda da capacidade.
Que espécies de capacidades são essas?
→ Capacidade Processual (ou capacidade para estar em juízo)
Que nada mais é do que a capacidade de figurar no processo judicial por si mesmo, sem o auxílio de outrem.
Ex: um idoso que é interditado perde sua capacidade processual, já que não é mais considerado capaz de responder ao processo por si próprio, só podendo continuar a atuar no processo, praticando atos processuais, por meio de um representante processual.
→ Capacidade Postulatória
É a capacidade conferida pela lei aos advogados para praticar atos processuais em juízo. As partes, em regra, não praticam atos processuais; elas necessitam de uma representação técnica, a qual é feita pelo advogado.
Ex: O advogado de Bonaparte é desligado dos quadros da OAB e não é mais dotado de capacidade postulatória.
Portanto, caso haja perda da capacidade das partes, dos representantes legais e dos advogados, o juiz suspenderá o processo até que a incapacidade seja solucionada.
Já estudamos isso, mas não custa relembrar:
Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício.
Já em caso de morte da parte, normalmente acontece o seguinte:
→ Através do procedimento especial da habilitação, os herdeiros do falecido irão sucedê-lo na demanda, ocupando o lugar que era dele.
Isso é o que normalmente ocorre.
→ Se não for ajuizada a habilitação pelos interessados, o juiz deverá tomar duas providências de ofício:
1. Suspender o processo E
2. Adotar duas posturas distintas, a depender de quem faleceu:
a) Réu faleceu: o juiz intimará o autor para que promova a citação do espólio, do sucessor ou dos herdeiros para assumir o lugar do réu.
Prazo para que o autor promova a citação: no mínimo 2 (dois) e no máximo 6 (seis) meses.
b) Autor faleceu: o juiz intimará o espólio, o sucessor ou os herdeiros para que deem início à sucessão processual.6
Caso os herdeiros sejam omissos, haverá extinção do processo sem resolução do mérito.
Atenção: o juiz só tomará essa providência se o direito que se discute em juízo for transmissível7 Logo, quando o processo discutir direitos intransmissíveis, como uma ação de divórcio, o processo não prosseguirá caso haja a morte de qualquer das partes.
6A intimação dos possíveis herdeiros do autor falecido poderá ser feita “pelos meios de divulgação que reputar mais adequados”
7 Direitos transmissíveis são aqueles que podem passar de um titular para o outro, como os direitos patrimoniais
Veja de onde tiramos essas informações:
Art. 313, § 1º Na hipótese do inciso I [morte], o juiz suspenderá o processo, nos termos do art. 689.
§ 2º Não ajuizada ação de habilitação, ao tomar conhecimento da morte, o juiz determinará a suspensão do processo e observará o seguinte:
I - falecido o réu, ordenará a intimação do autor para que promova a citação do respectivo espólio, de quem for o sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, no prazo que designar, de no mínimo 2 (dois) e no máximo 6 (seis) meses;
II - falecido o autor e sendo transmissível o direito em litígio, determinará a intimação de seu espólio, de quem for o sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, pelos meios de divulgação que reputar mais adequados, para que manifestem interesse na sucessão processual e promovam a respectiva habilitação no prazo designado, sob pena de extinção do processo sem resolução de mérito.
Por fim, vamos falar das consequências processuais da morte do procurador:
→ Se o advogado de alguma das partes morrer no curso do processo, o juiz determinará o seguinte (§3º):
1.
O juiz deverá intimar a parte para que ela nomeie um novo advogado.Oras, sem advogado não haverá a capacidade postulatória e a parte fica “muda” no processo enquanto não houver um procurador defendendo os seus interesses!
2.
Se alguma das partes não nomear o advogado:a. Se o autor não nomeou = extinção do processo sem resolução do mérito.
b. Se o réu não nomeou = o processo segue à sua revelia
Ou seja, o processo segue sem a sua participação. Isso representa um enorme prejuízo, já que serão praticados atos no processo com potencial para prejudicá-lo e sem que ninguém o defenda!
Veja o fundamento legal:
Art. 313, § 3º No caso de morte do procurador de qualquer das partes, ainda que iniciada a audiência de instrução e julgamento, o juiz determinará que a parte constitua novo mandatário, no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual extinguirá o processo sem resolução de mérito, se o autor não nomear novo mandatário, ou ordenará o prosseguimento do processo à revelia do réu, se falecido o procurador deste.
Vamos à próxima causa de suspensão do processo:
ACORDO ENTRE AS PARTES
Essa é uma hipótese muito comum de suspensão do processo.
Imagine que Antonieta e Bonaparte estão em vias de celebrar um acordo. Talvez queiram mais um tempo para pensar e repensar o prosseguimento do processo e resolvem suspendê-lo.
Assim, desde que as partes estejam de comum acordo, elas podem pedir que o juiz suspenda o processo!
Ah, é importante mencionar que o CPC/2015 não exige que as partes justifiquem o motivo da suspensão.
Havendo acordo entre elas, as partes têm direito subjetivo à suspensão do processo!
Muita atenção!
As partes podem suspender o processo por NO MÁXIMO seis meses! Passado o prazo, o juiz irá automaticamente retomar o curso do processo:
Art. 313, § 4º O prazo de suspensão do processo nunca poderá exceder (...) 6 (seis) meses naquela prevista no inciso II [acordo entre as partes].
Trata-se de um prazo muito lembrado. Vamos exercitar com um exercício:
(FCC – TRE/RR – 2015) No processo "A" as partes pretendem requerer por livre e espontânea vontade a suspensão do feito.
No Código de Processo Civil, a suspensão do processo por convecção das partes é permitida pelo prazo máximo de três meses.
RESOLUÇÃO:
Jamais!
A SUSPENSÃO DO PROCESSO POR CONVENÇÃO DAS PARTES É PERMITIDA PELO PRAZO MÁXIMO DE:
6 (SEIS) MESES
Vamos fixar esta informação para você não perder um ponto precioso na sua prova?
ARGUIÇÃO DE IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO
Quando alguma das partes alega que o juiz é suspeito ou impedido, não faz sentido que o magistrado continue conduzindo o processo, devendo ser averiguada e decidida essa questão.
Portanto, uma vez apresentada essa arguição, haverá a suspensão do processo, até decisão quanto ao tema, seja pelo juiz em 1º, grau (quando ele reconhece sua parcialidade), seja pelo tribunal (que dá efeito suspensivo à arguição. Lembra?).
QUANDO O JUIZ ADMITIR INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS
Imagine a seguinte situação:
Milhões de aposentados propõem ações individuais com o objetivo de receber um mesmo benefício previdenciário.
Centenas de milhares de contribuintes impugnam um mesmo imposto, por um mesmo fundamento, como a inconstitucionalidade da lei que instituiu esse tributo.
Tendo isso em vista, o IRDR é uma ferramenta processual que permite aos tribunais de segundo grau (TJs e TRFs) julgar por amostragem demandas repetitivas, que tenham por objeto controvertido uma mesma e única questão de direito.
Assim, os tribunais selecionarão um caso (ou um conjunto de casos) como amostra, ou um conjunto de casos, em que a questão jurídica se repete, vão discuti-lo e posteriormente aplicar a mesma tese em todos os processos que se fundem na mesma tese jurídica.
SUSPENSÃO DO PROCESSO POR CONVENÇÃO ENTRE AS PARTES
↓
Tempo MÁXIMO de 6 MESES!
Portanto, admitido o IRDR, todos os processos que versarem sobre aquela questão jurídica repetitiva deverão ser suspensos8! (Arts. 976 e ss.)
QUANDO EXISTIR UMA QUESTÃO PREJUDICIAL EM OUTRO PROCESSO
Questões prejudiciais são questões de mérito que condicionam ou influem no julgamento de outra ação.
Portanto, quando estivermos diante de uma situação de prejudicialidade, isso quer dizer que, antes da solução da questão principal (o pedido, aquilo que deverá ser apreciado pelo juiz), deverá ser solucionada a questão prejudicial.
O próprio nome já denuncia – “questão prejudicial”, uma questão que prejudica o andamento de um processo.
Veja:
Art. 313. Suspende-se o processo:
V - quando a sentença de mérito:
a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente;
Vamos aos exemplos?
a) Para se decidir um pedido de resolução contratual, o juiz deve necessariamente decidir se o contrato é válido ou nulo (questão prejudicial).
b) Para se decidir um pedido de condenação a pagamento de alimentos, o juiz deve necessariamente decidir se o réu é ou não o pai do autor (questão prejudicial).
As questões prejudiciais podem ser de dois tipos:
1) Internas (ou endógenas): quando a questão prejudicial e a principal forem debatidas dentro do mesmo processo.
Nesse caso, o processo naturalmente não será suspenso, já que o juiz analisa a questão prejudicial e a principal na sentença, de forma conjunta:
8 O prazo para julgamento do IRDR é de um ano, findo o qual cessa a suspensão dos processos (art. 980, CPC). Esse prazo de um ano pode ser prorrogado por decisão fundamentada do relator.
A paternidade é prejudicial em relação ao pedido de alimentos. Contudo, o juiz pode se pronunciar acerca dessas duas questões na sentença, decidindo primeiro acerca da paternidade (prejudicial) para depois decidir a questão principal (alimentos).
2) Externas (ou exógenas): quando a questão prejudicial é debatida em outro processo.
Nesse caso, haverá suspensão do processo até que a questão prejudicial seja resolvida no outro processo!
Prazo máximo de suspensão: 1 (um) ano!
O autor afirma que o réu descumpriu determinada cláusula de um contrato. Tendo isso em mente, ajuíza uma ação pedindo a sua condenação ao pagamento de uma multa e danos.
Por sua vez, o réu também já ingressou com uma ação para declarar exatamente que a mesma cláusula é nula.
Assim, antes de decidir acerca da violação da cláusula do contrato (ou não) e à consequente indenização e multa (questão principal), é necessário que o juiz do outro processo decida se o contrato é ou não é nulo (questão prejudicial).
Por esse motivo, o processo que discute a questão principal será suspenso para que a questão prejudicial seja decidida.
Atenção!
O CPC/2015 ainda trata de questão prejudicial em processo penal!
Art. 315. Se o conhecimento do mérito depender de verificação da existência de fato delituoso, o juiz pode determinar a suspensão do processo até que se pronuncie a justiça criminal.
§ 1º Se a ação penal não for proposta no prazo de 3 (três) meses, contado da intimação do ato de suspensão, cessará o efeito desse, incumbindo ao juiz cível examinar incidentemente a questão prévia.
§ 2º Proposta a ação penal, o processo ficará suspenso pelo prazo máximo de 1 (um) ano, ao final do qual aplicar- se-á o disposto na parte final do § 1º. (juiz analisa incidentalmente a questão prévia, que diz respeito à existência ou não do delito!).
Exemplo: Márcia ajuíza uma ação de danos materiais contra ato violento de Raul, que a feriu com uma cadeira.
Contudo, Raul alega que agiu em legítima defesa e há um procedimento penal para averiguar tal responsabilidade.
Portanto, há prejudicialidade entre a discussão criminal e o debate cível.
Daí, suspende-se o processo cível para resolver a questão penal.
Há dois prazos de suspensão do processo cível nesse caso:
→ Se ainda não foi proposta ação penal: três meses.
→ Se já foi proposta a ação penal: um ano.
Passados os prazos, o processo cível volta a correr normalmente.
Há, ainda, questão prejudicial relacionada a acidentes e fatos de competência do Tribunal Marítimo:
VII - quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da navegação de competência do Tribunal Marítimo;
O Tribunal Marítimo é um órgão administrativo vinculado ao Ministério da Marinha. É um importante auxiliar indireto do Poder Judiciário.
De forma geral, esse órgão julga casos de naufrágios, explosões e colisões.
Quando há acidente ou fato de navegação, o processo deverá ficar suspenso, aguardando a apuração pelo Tribunal Marítimo.
QUANDO FOR PRECISO VERIFICAR DETERMINADO FATO OU A PRODUÇÃO DE CERTA PROVA, REQUISITADA PARA OUTRO JUÍZO
Nesse caso específico, o juiz suspende o processo principal, pois pediu para outro juízo produzir alguma prova, pois sem ela o juiz não teria condições de se manifestar acerca do mérito do processo.
Prazo máximo de suspensão: 1 (um) ano!
Veja:
V - quando a sentença de mérito:
b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo;
Suponha que o juiz considere essencial a oitiva de uma testemunha que reside em outro Estado. Assim, ele expede uma carta precatória solicitando a colheita do depoimento da testemunha ao juiz da outra comarca, suspendendo o processo por no máximo um ano. Caso o prazo seja extrapolado, o juiz deverá retomar o julgamento.
Atenção!
Apenas quando se tratar de prova
I
MPRESCINDÍVEL é que a expedição da carta precatória suspenderá o processo!Se a prova não for fundamental à solução do conflito, o juiz poderá sentenciar mesmo sem a produção da prova!
P OR FORÇA MAIOR
Força maior é definida como uma situação imprevisível e alheia à vontade das partes e do juiz, que torna impossível a realização de determinado ato processual e a consequente continuação do curso do processo.
Vamos aos exemplos?
1. Tempestade que provoca enchentes devastadoras e que alagam o fórum, impossibilitando as atividades normais e rotineiras
2. Greve dos Servidores do Poder Judiciário;
3. Pane geral no sistema informatizado
P ARTO OU CONCESSÃO DE ADOÇÃO , QUANDO A ADVOGADA RESPONSÁVEL PELO PROCESSO CONSTITUIR A ÚNICA PATRONA DA CAUSA
Trata-se de uma importante conquista para a mulher advogada: com a vigência da Lei n. 13.363/2016, que alterou o CPC/2015, houve a criação de uma importante garantia para a advogada grávida, lactante, adotante ou parturiente.
DICA QUENTE!
Sempre que o processo depender de alguma questão externa (verificação de questão prejudicial, de prova ou de delito)
O prazo máximo de suspensão será de 1 (um) A NO!
Se liga nisso. As chances de cobrança são altíssimas!
Veja:
IX - pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada responsável pelo processo constituir a única patrona da causa; (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016);
§ 6o No caso do inciso IX, o período de suspensão será de 30 (trinta) dias, contado a partir da data do parto ou da concessão da adoção, mediante apresentação de certidão de nascimento ou documento similar que comprove a realização do parto, ou de termo judicial que tenha concedido a adoção, desde que haja notificação ao cliente. (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016)
Portanto, haverá suspensão do processo por
30 dias
quando a mulher, desde que seja a única advogada de alguma das partes, der à luz OU adotar!ADVOGADO RESPONSÁVEL PELO PROCESSO TORNAR-SE PAI, QUANDO CONSTITUIR O ÚNICO PATRONO DA CAUSA.
Essa hipótese também foi introduzida pela Lei n. 13.363/2016:
X - quando o advogado responsável pelo processo constituir o único patrono da causa e tornar- se pai. (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016).
§ 7o No caso do inciso X, o período de suspensão será de 8 (oito) dias, contado a partir da data do parto ou da concessão da adoção, mediante apresentação de certidão de nascimento ou documento similar que comprove a realização do parto, ou de termo judicial que tenha concedido a adoção, desde que haja notificação ao cliente. (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016)
Portanto, haverá suspensão do processo por
8 dias
quando a homem, desde que seja a único advogado de alguma das partes, tornar-se pai!NOS DEMAIS CASOS QUE O CPC/2015 DETERMINAR
Podemos concluir, portanto, que os casos que acabamos de ver não são os únicos aptos a suspender o processo. Há inúmeros outros casos espalhados no Código9!
Vamos a alguns exemplos:
→ Suspensão no incidente de desconsideração da personalidade jurídica;
9 E em outras leis esparsas!
Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo extrajudicial.
§ 1º A instauração do incidente será imediatamente comunicada ao distribuidor para as anotações devidas.
§ 2º Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica for requerida na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica.
§ 3º A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese do § 2º.
→ Suspensão para a regularização de incapacidade processual ou de defeito de representação das partes:
Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício.
Resolva:
(CESPE – PGM de João Pessoa – 2018) O advogado de Fernando em determinado processo faleceu enquanto a ação ainda tramitava, e Fernando perdeu o prazo para indicação de novo procurador. No momento, está em curso um prazo processual para a parte contrária a Fernando, que é ré na demanda.
Considerando essa situação hipotética e as disposições processuais, assinale a opção correta.
a) Fernando poderá prosseguir no processo sem advogado.
b) Fernando terá nova oportunidade de indicar outro mandatário após o fim do prazo processual que está em curso.
c) Eventual pedido realizado pela parte contrária deverá ser deferido pelo juízo, uma vez que Fernando está sem advogado e se omitiu em constituir novo mandatário.
d) O processo deverá ser extinto sem resolução de mérito, porque Fernando não constituiu novo advogado após seu patrono ter falecido.
e) Os efeitos da revelia deverão ser declarados, haja vista a omissão de Fernando em indicar novo mandatário.
RESOLUÇÃO:
Questão que envolve a morte do procurador da parte.
Como Fernando perdeu o prazo e não constituiu novo mandatário no prazo de 15 dias, ele será penalizado e o processo será extinto sem resolução do mérito!
Art. 313. Suspende-se o processo:
I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador;
(...) § 3º No caso de morte do procurador de qualquer das partes, ainda que iniciada a audiência de instrução e julgamento, o juiz determinará que a parte constitua novo mandatário, no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual extinguirá o processo sem resolução de mérito, se o autor não nomear novo mandatário, ou ordenará o prosseguimento do processo à revelia do réu, se falecido o procurador deste.
Resposta: d)
Questão:
(CESPE – TRF1 – 2017) A respeito da petição inicial, da tutela provisória, da suspensão do processo e das nulidades, julgue o item à luz do Código de Processo Civil vigente.
Se a decisão de mérito depender da verificação da existência de fato delituoso, o juiz poderá determinar a suspensão do processo até o pronunciamento da justiça criminal.
RESOLUÇÃO:
Perfeito! Trata-se de um caso típico de prejudicialidade externa – neste caso, a questão prejudicial é a verificação da existência do fato delituoso na justiça criminal, o que resultará na suspensão do processo cível por determinação do juiz.
Art. 315. Se o conhecimento do mérito depender de verificação da existência de fato delituoso, o juiz pode determinar a suspensão do processo até que se pronuncie a justiça criminal.
ATENÇÃO! A suspensão pode durar até o prazo máximo de um ano, ao final do qual o próprio juiz cível examinará a questão criminal de forma incidente!
§ 1º Se a ação penal não for proposta no prazo de 3 (três) meses, contado da intimação do ato de suspensão, cessará o efeito desse, incumbindo ao juiz cível examinar incidentemente a questão prévia.
§ 2º Proposta a ação penal, o processo ficará suspenso pelo prazo máximo de 1 (um) ano, ao final do qual aplicar-se-á o disposto na parte final do § 1º.
Item correto.
Confere aí uma questão:
(FCC – TCE/CE – 2015) Julgue o item abaixo:
Extingue-se o processo, sem resolução do mérito, pela morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador.
RESOLUÇÃO:
Opa! O caso haja morte ou perda da capacidade das partes, representantes legais ou procuradores, a extinção do processo não é o primeiro caminho adotado pelo juiz.
Trata-se de causas de suspensão do processo:
Art. 265. Suspende-se o processo:
I - pela morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador;
O processo só será extinto se algumas providências não forem tomadas pelas partes, como a falta de nomeação de um novo advogado para representar o autor, por exemplo:
Art. 313, § 3º No caso de morte do procurador de qualquer das partes, ainda que iniciada a audiência de instrução e julgamento, o juiz determinará que a parte constitua novo mandatário, no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual extinguirá o processo sem resolução de mérito, se o autor não nomear novo mandatário, ou ordenará o prosseguimento do processo à revelia do réu, se falecido o procurador deste.
Afirmativa incorreta.
Veja comigo uma questão
(VUNESP – PGM de Alumínio/SP – 2016 - Adaptada) Lucas trafegava com sua moto quando foi vítima de um acidente de trânsito, em que colidiu com o carro de Nicolas, que dirigia o veículo no momento da batida. Em decorrência da colisão, Lucas teve seu pé amputado. Há em trâmite uma ação penal onde se verificam as causas do acidente e eventual responsabilidade penal de Nicolas pelo evento lesivo. Lucas propôs posteriormente a ação penal, uma demanda pleiteando reparação civil pelos danos sofridos. Nessa situação, julgue o item abaixo.
Caso o processo seja suspenso por conta da existência da ação penal em trâmite, após o prazo de um ano sem que a questão de mérito seja apreciada na esfera penal, deverá o juiz extinguir o processo civil proferindo sentença terminativa.
RESOLUÇÃO:
Opa! Passado o prazo de suspensão do processo cível (1 ano), o juiz deverá cessar a suspensão e analisar a questão prévia:
Art. 315. Se o conhecimento do mérito depender de verificação da existência de fato delituoso, o juiz pode determinar a suspensão do processo até que se pronuncie a justiça criminal.
§ 1º Se a ação penal não for proposta no prazo de 3 (três) meses, contado da intimação do ato de suspensão, cessará o efeito desse, incumbindo ao juiz cível examinar incidentemente a questão prévia.
§ 2º Proposta a ação penal, o processo ficará suspenso pelo prazo máximo de 1 (um) ano, ao final do qual aplicar- se-á o disposto na parte final do § 1º. (juiz analisa incidentalmente a questão prévia, que diz respeito à existência ou não do delito!).
Item incorreto.
Extinção do Processo
Obviamente, ninguém ajuíza uma ação pensando que o processo irá durar indefinidamente.
Todos esperam que o processo tenha um fim, que haja a sua extinção! E a extinção do processo se dá como?
Art. 316. A extinção do processo dar-se-á por sentença.
Vamos relembrar a definição de sentença?
Assim, para ser considerado sentença, o pronunciamento judicial:
Deve ter fundamento nos artigos 485 e 487 do CPC - deve analisar – ou não – o mérito da demanda (conteúdo da decisão)
Deve colocar fim à fase cognitiva do procedimento comum
OU
extinguir a execução (efeitos da decisão)
O ato processual que põe fim ao processo com apreciação do mérito é denominado sentença de mérito ou definitiva. Se a extinção for sem apreciação do mérito, o ato é denominado sentença terminativa.
Uma observação importante:
Art. 317. Antes de proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz deverá conceder à parte oportunidade para, se possível, corrigir o vício.
Assim, caso Maria Antonieta se esqueça de anexar algum documento essencial na sua petição inicial, o juiz não vai extinguir o processo por conta desse vício. Ele dará a oportunidade de correção, pois o julgamento de mérito, com a análise do pedido, é a prioridade maior no CPC/2015!
Ufa... quanta informação! Vamos a uma questão:
(IBFC – EBSERH– 2016 - Adaptada) Considere as disposições do código de processo civil e assinale a alternativa correta sobre a formação, a suspensão e a extinção do processo.
a) A morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador deve causar a extinção do processo.
b) Suspende-se o processo apenas quando for oposta exceção de incompetência do juízo, da câmara ou do tribunal, bem como de suspeição ou impedimento do juiz.
c) Extingue-se o processo, sem resolução de mérito quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição.
d) Suspende-se o processo quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente.
RESOLUÇÃO:
Vem comigo resolver cada uma das assertivas:
a) INCORRETA. A morte ou perda de capacidade das partes, representantes legais e procuradores não causa, de imediato, a suspensão do processo. O juiz primeiro suspenderá o processo para que as partes tomem as devidas providências no sentido de regular a situação:
Art. 313. Suspende-se o processo:
I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador;
§ 1o Na hipótese do inciso I, o juiz suspenderá o processo, nos termos do art. 689.
§ 2o Não ajuizada ação de habilitação, ao tomar conhecimento da morte, o juiz determinará a suspensão do processo e observará o seguinte:
I - falecido o réu, ordenará a intimação do autor para que promova a citação do respectivo espólio, de quem for o sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, no prazo que designar, de no mínimo 2 (dois) e no máximo 6 (seis) meses;
II - falecido o autor e sendo transmissível o direito em litígio, determinará a intimação de seu espólio, de quem for o sucessor ou, se for o caso, dos herdeiros, pelos meios de divulgação que reputar mais adequados, para que manifestem interesse na sucessão processual e promovam a respectiva habilitação no prazo designado, sob pena de extinção do processo sem resolução de mérito.
§ 3o No caso de morte do procurador de qualquer das partes, ainda que iniciada a audiência de instrução e julgamento, o juiz determinará que a parte constitua novo mandatário, no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual extinguirá o processo sem resolução de mérito, se o autor não nomear novo mandatário, ou ordenará o prosseguimento do processo à revelia do réu, se falecido o procurador deste.
b) INCORRETA. Vimos que são várias as causas de suspensão do processo. Leia e releia o art. 313, ele é muito importante para a sua prova!
c) INCORRETA. Ainda não estudamos este tópico, mas saiba de antemão que quando o juiz decide com base em prescrição ou decadência do direito do autor, ele está efetivamente analisando o mérito do pedido, julgando-o improcedente e dando “ganho de causa” ao réu.
Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz:
II - Decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição;
d) CORRETA. Perfeito! Trata-se da suspensão do processo por questão prejudicial existente em outro processo.
Art. 313. Suspende-se o processo:
V - quando a sentença de mérito:
a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente;
Professor, chega de falar de processo. O que é procedimento?
Procedimento é o caminho que os sujeitos precisam trilhar para se chegar ao fim do processo. Assim, podemos dizer que procedimento é a forma como os atos processuais se encadeiam no decorrer do processo.
Veja o caso do processo envolvendo Maria Antonieta e Napoleão Bonaparte:
A autora propôs a ação → foi marcada uma audiência de conciliação → o réu foi citado para integrar a relação processual e comparecer à audiência → audiência se realiza, sem acordo → o réu apresenta contestação → a juíza aprecia as provas → é proferida uma sentença.
Até ser dada a sentença, o processo seguiu uma sequência de atos.
A forma como esses atos se encadeiam e se sucedem no decorrer do tempo representa o procedimento!
Não costumo fazer muitas citações nas nossas aulas. Contudo, veja uma que conclui brilhantemente a ideia que está por trás do procedimento:
“O processo, outrossim, não se submete à única forma. Exterioriza-se de várias maneiras diferentes, conforme as particularidades da pretensão do autor e da defesa do réu. Uma ação de cobrança não se desenvolve, obviamente, como uma possessória e muito menos como um inventário. O modo próprio de desenvolver-se o processo, conforme as exigências de cada caso, é exatamente o procedimento do feito, isto é, o seu rito”10
E quais os procedimentos previstos no nosso ordenamento jurídico?
Art. 318. Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em contrário deste Código ou de lei.
Parágrafo único. O procedimento comum aplica-se subsidiariamente aos demais procedimentos especiais e ao processo de execução.
O CPC/2015, em seu art. 318, afirma que existem dois tipos procedimentos: o comum e os especiais.
O procedimento comum representa modelo geral de organização dos atos processuais. Imagine só se o Poder Legislativo precisasse criar um tipo procedimento específico para cada espécie de direito violado!
10 Theodoro Júnior, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – vol. I. Rio de Janeiro: Forense, 2015.
Por esse motivo, o procedimento comum abrange tanto uma ação de indenização por danos morais quanto uma ação de renovação contratual, não sendo necessário um procedimento próprio para cada tipo de causa.
Ao lado do procedimento comum, existem os procedimentos especiais, denominados assim porque foram criados para atender algumas causas específicas.
Portanto, existe um procedimento específico previsto na:
→ Lei dos Juizados Especiais (9.099/95)
Que atendem causas menos complexas com valor da causa inferior a 40 salários-mínimos.
→ Lei de Falências e Recuperação de Empresas
→ Lei da Ação Popular
→ Lei de Execução Fiscal
→ Procedimentos Especiais previstos no CPC/2015
Como no caso da consignação em pagamento, do inventário, da dissolução parcial de sociedade, dentre várias outras.
Embora os procedimentos especiais tenham seus atos organizados de maneiras diferentes, o procedimento comum poderá ser aplicável aos procedimentos especiais.
Como assim?
As regras do procedimento comum serão aplicáveis quando o rito especial não as estabelecer de maneira diversa!
Veja bem: alguns procedimentos especiais estabelecem apenas algumas regrinhas que divergem das do procedimento comum.
Por isso mesmo, em alguns casos, há determinação em alguns procedimentos especiais para que se siga o procedimento comum, naquilo que for cabível.
Olha aqui um exemplo:
AÇÃO DE DEMARCAÇÃO
Art. 574. Na petição inicial, instruída com os títulos da propriedade, designar-se-á o imóvel pela situação e pela denominação, descrever-se-ão os limites por constituir, aviventar ou renovar e nomear-se-ão todos os confinantes da linha demarcanda.
Art. 575. Qualquer condômino é parte legítima para promover a demarcação do imóvel comum, requerendo a intimação dos demais para, querendo, intervir no processo.
Art. 576. A citação dos réus será feita por correio, observado o disposto no art. 247.
Parágrafo único. Será publicado edital, nos termos do inciso III do art. 259.
Art. 577. Feitas as citações, terão os réus o prazo comum de 15 (quinze) dias para contestar.
Art. 578. Após o prazo de resposta do réu, observar-se-á o procedimento comum
Tá achando que o tópico não é cobrado em prova?!
Olha aqui como isso já foi cobrado:
(VUNESP – UNIFAI – 2019) Assinale a alternativa que apresenta os tipos de procedimentos dispostos atualmente no atual Código de Processo Civil.
a) Comum e especial.
b) Ordinário e sumário.
c) Ordinário, sumário e sumaríssimo.
d) Comum e especial, sendo que o comum subdivide -se em ordinário e sumário.
e) Comum, especial e recursal.
RESOLUÇÃO:
Atualmente existem apenas dois tipos de procedimento regulados pelo Código de Processo Civil:
Procedimento Comum Procedimentos Especiais Veja só:
Art. 318. Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em contrário deste Código ou de lei.
Parágrafo único. O procedimento comum aplica-se subsidiariamente aos demais procedimentos especiais e ao processo de execução.
Resposta: A
Vamos agora tratar do procedimento comum.
Quais são as suas fases? Qual a sequência que os atos processuais deverão obedecer?
Veja só, de forma simplificada e geral11, como os atos processuais se desenvolvem no procedimento comum:
Vamos ao estudo da petição inicial!
11 Não será sempre este caminho a ser seguido pelos sujeitos do processo. Veremos, no decorrer das aulas, várias particularidades que “mudam o caminho natural” do procedimento comum.
Sentença
Audiência de Instrução e Julgamento (se for necessária) Saneamento do Processo
Possibilidade de Julgamento Antecipado do Mérito (Parcial ou Total) Providências Preliminares
Réu Apresenta sua Defesa (Contestação e/ou Reconvenção) Audiência de Conciliação e Mediação
Juiz Defere a Petição Inicial e Determina a Citação do Demandado
Autor Apresenta a Petição Inicial
Petição Inicial
A petição inicial é o documento escrito por meio do qual o autor provoca a atuação do Poder Judiciário.
Com qual objetivo?
Com a finalidade de solucionar determinado conflito!
‘Petição’ significa ato de pedir. Lembra-se de quando falamos que, regra geral, o Poder Judiciário só deve agir quando provocado pelo autor? Pois então: é a petição inicial que dá início ao processo!
Portanto, podemos dizer que a petição inicial é o primeiro ato do processo, em que alguém apresenta sua causa perante a Justiça e leva ao juiz os fatos necessários para a análise do direito. O autor “pede” que o Judiciário se pronuncie sobre o conflito que está sendo levado a ele.
Veja:
Através de uma petição inicial, Maria Antonieta levou os fatos ao juiz para que ele conheça os fatos e diga se ela está com razão ou não!
Mas então é simples assim? Basta ela levar um papel escrito com todos os fatos e pedir que o juiz analise a causa?
N
ÃO!A petição inicial deve observar uma série de requisitos, os quais veremos agora!
Requisitos da Petição Inicial
Veja bem os requisitos elencados pelo nosso CPC:
Art. 319. A petição inicial indicará:
I - o juízo a que é dirigida;
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido com as suas especificações;
V - o valor da causa;
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.
§ 1º Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias à sua obtenção.
§ 2º A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu.
§ 3º A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça.
Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação.
São muitos, não é mesmo? Acalme-se. Vou esquematizá-los para você!
Requisitos da Petição Inicial
(Procedimento Comum)
O Endereçamento (I)
A Qualificação das Partes (II) Os Fatos e os Fundamentos (III) O Pedido (IV)
O Requerimento de Provas (VI)
Opção Pela Audiência de Conciliação/Mediação (VI) Valor da Causa (V)
Documentos Essenciais (art. 320)
a.
Endereçamento
A qual órgão do Poder Judiciário o autor está se dirigindo?
Como o Poder Judiciário é composto por inúmeros órgãos, deve haver o endereçamento ao órgão competente para julgar a demanda.
Por isso é importante o estudo das regrinhas de competência.
b.
Identificação e Qualificação das Partes
Na petição inicial deve haver a indicação de quem é o autor e contra quem ele está litigando!
Portanto, deve o autor fornecer:
O
S NOMESO
S PRENOMES O ESTADO CIVILA
EXISTÊNCIA DE UNIÃO ESTÁVELA
PROFISSÃOO
NÚMERO DE INSCRIÇÃO NOCPF
OU NOCNPJ O
ENDEREÇO ELETRÔNICOO
DOMICÍLIO E A RESIDÊNCIA DO AUTOR E DO RÉU Professor, são muitos elementos identificadores!Sim, são exigidos esses elementos para permitir a citação do réu e para individualizar as partes, justamente para distingui-los de outros sujeitos.
Tudo bem que não existem muitos ‘Napoleão Bonaparte’ por aí, mas a autora tem que especificar de forma bem detalhada os seus dados. Vai que...
E se o autor não tiver todas essas informações? Nem sempre ele saberá todos os dados exigidos pela lei.
Nesse caso, o CPC/2015 nos trouxe a seguinte solução:
Art. 319, §1º Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção.
§ 2º A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu.
§ 3º A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça.
Portanto, podemos organizar essa ideia da seguinte forma:
Caso não conheça os dados de qualificação do réu, o autor deverá pedir ajuda ao Poder Judiciário para obter as informações que faltam, requerendo diligências necessárias
O juiz vai buscar acessar os dados do Banco Central, da Receita Federal e de outros órgãos de cadastro para buscar informações sobre o Napoleão Bonaparte, por exemplo
E se não for possível obter todos os dados?
O juiz poderá dispensá-los se for excessivamente difícil de se obtê-los! Dessa forma, a petição inicial não será indeferida e o processo prosseguirá normalmente, permanecendo a busca pelos dados do réu.