DISSERTAÇÃ O
S OP»UE
O PARTO
ï assfi
Qua Foi apreaentada A Faculdade de Medicina doRyode Janeiro, e«intentada em l îdeDezembro de 1841,
rorv
/ /
eaxtnc/
'e f/
cÍÁ
fjfifMty
/f f/ /!,tx f y/f C f/r f,NATURAL DO l\YO DK JANEIRO,DOCTOREMMEDICINA PELA MESMAFACULDADE
.
I\ aarchitectura intellectualosmatciiacs vem del'ora,masoplanoc otrabalhosãodarazão c<loespirito
.
MAX,EPENS, DOMARQUEZDEMARICá
.
llio iic Janeiro .
Tri
-
oGnAPiiiAAUSTIUL . BECO
DEBUAGAN
çA. N .
I5.
i84
i.
FACULDADE DE MEDICINA
íL*-£
>
Xà. :
C‘ :& £/•,DIRECTOR
.
O Su. Du.MANOEL DO VALLAI)AO l»IMKNTEL.
LENTES PROPRIETÁRIOS
.
OsSus.DOUTOUKS.
I.°ANNO.
. Botaniea Medica,e princípios elementaresdeZoo l».
Physic,ï Medica. r.F.ALLlvM ÀO. President:.
F.DEP.OA NDI DO
.
. . .2
.
°ANNO.. ChimicaMedica,eprincípios elementares de Minci alogia.
. Anatomia geral e descriptiya. J.V.TORRES HOMEM
.
.J
.
M..NUNES GARCIA.
..
3.° ANNO
.
D
.
R. nosG.
PEIXOTO. .J
.
M.NINES GARCIA. . . Physiologia.Anatomia geral edescriptiva. 4.° ANNO.
{Pharmacia,MateriaMedica,especialmentca Brasileira.
ThcrapetUicae Arte de formular. . . Pathològiainterna.
. . Pathol igia externa. J.J',DECARVALHOExaminator.
J
.
J.
DASlf.
VA.. .
L. F. FERREIRA. . 5.°ANNO
.
C
.
lî.MONFEIRO.
EjtaminuUor.
Operações,Anatomiatopographie!.
eapparelhos. paridas,c<it«Parles, Moiestia de mulheres pe meninosrccem-nascidos?
W K
F. .1. XAVIER.
.
.f
G.° ANNO
.
V
J.M.neC.
-
IlRIM. Examinador. MedicinaLegal.T.O.uosSANTOS. Examinador
.
HygieneéHistoria deMedicina.
Clinica interna,eAnatomiaPathologic!
.
respective. .
Clinicaexterna,c AnatomiaPathologies rcspeeiiva.
LENTESSUBSTITUTOS. SecçãodasScicncias acccssorias. SecçãoMedica
.
II.noV. PIMENTEL. . M
.
F.P.DECARVALHO.
A.T.DAQUINO A.F.MARTINS
.
Examinador.J. 15
.
DA ROSA L.DKA.P.DAClNil\. .
I).M
.
DEA.
AMERICANO. . L.
DAC.
FEIJÓ ))
SecçãoCirúrgica
.
SECRETARIO
.
Du
.
LIVACARLOS DA FONSECA.
/V
.
II.
EmvirtudetielimitRetolm ãosua ,n Faculdade nãoappeova,nemíypivx.
t *opiniõesemiltidas nas theses,astpuiesdevem sorconsideradascontoprópriasde«
.
emam-ten*AOS MANES DE MEUS PASS.
Bfcor ö arao sau î
iosaö e
saisicsuflcs
*A mm mmm m
0
Dr .
AlexandreJoaquim
deSiqueira .
ttecouljerimcnto öe amtsaöe
fraternal . -
& sasrxr
©
3 Um . ö ntr . Commcttöaö or
ty ß pcmuel £ 7é
(ocevra
.c / a ( oodtsi S Á /
p- a .
Privado
empouca idade d
’aquelles
aquem devia
aexist
ência, fostes vó
s, Senhor , que sempre cuidadoso
ein -
def é
sso naminha educa
ção,
metrouxestes at é qui . Pouco tenho ,
epouco valho
; mas isto mesmodignai -
vospermit -
tir, que
eu vosollere
ça.
ty
6/
&ca/i(/
>r t/
ei / iytiCfra
a © â icu » espM ^ txßir 2 üO < &© ,
o Ulm
.
Scnr.
«
flamm /
í/
OH / fo
óarw,
&
à
. I æ STJS XNTZKEOS
JMïGZS ,
Os Illms. Surs . 3
oséiît
ûria flaposo,
(ßunUjermeMutinies ittamllo
,
3OöCíHauucl òoftosaria, Cr.
3oaoXHarceUtno
ï>e ôousa (Etanzaga.
*
y ö .
(/ o ' /
(/iy *
/ara .
D I S S E I Í T A C Ã O
MEDICO
-
LEGALSOBRE
%
Norecinto da medicinaforense, onde seapresentam objectosda maior transcendência, occupa também o Parto um logar muitosu
-
bido
.
Km todas aslegislações, á excepção «la nossa,
seteem con-
sagrado artigos noscodigos penaesá estaimportante questão
,
e não desconhecendo talvez a causa da inteira omissão do que presente-
mente nos rege, nem assim deixamos de atteslar
-
lhe aconsideração,
que merece.
0Parto encaradodebaixo do ponto de vistamedico-legaloffe
-
recediversas questões a resolver
.
i
.
‘ QUESTÃO.
Como reconhecer r/ uc uma mulher pariu recentcmcntc?
Os pbenomenos, quese succedem ao partosão os únicos que contribuem para asoluçãodeste problema, porisso consideraremos sua successãodividida em 1resdifferentes periodos
.
0 i.
°,
de/jSho-
ras,desde o instante do parto ao da febre de l«*ite
.
0 2.
°, de 56 a /j8,
appareeendo oengorgilamentodos seios.
O5.°, de a 5dias.
pelo escorrimento particular dos loccliios
.
A expulsãodassecundinas, « jue comimmediata á saída do feto
,
comludo algumas vezes demora-
se ho-
ras e mesmo dias; o augmento de volume das partes genilaes ex
-
teriores; a dilataçãodo cólo uterino; um tumor no abdomen sen
-
sível ao tocar
,
devido ao maiorou menor volume do utero; a di-
quanto seja ordinariamente
\\
1 0
latação da vai»ina com secreção de miicoddades; a maior gro
-
suradoslábios; asensibilidade á
pressa
« da regiãolivpogaslrica; a diffi- culdade no andar; eaHachiez dos.seios, segregando ás vezes liquido semelhanteao leite, porem muito maisclaro, são ospheno-
menos, que so notam noprimeiro periodo.
NiO 2
.
°um
veinoapparecimentodafebre, variável conformoas pes
-
soas
,
talhando em algumas,
do que resulta bastante dilbcuidado cm classilicar-
sc este periodo; os seios incham a tal ponto, que cons-
trangem a mulher a não conservar os braçoscm uma posição con
-
veniente; pouca ou nein umasecreção de leite; a transpiração d um cheiro azedo; uma pequena quantidade deserosidade san- guinolenta substituindo o escorrimentosangiiineo; o uteromais vo
-
lumoso; eas partes genilacs externasengorgitadas
,
e comaugmente de temperatura.
No õ
.
° periodo lodos estes symptomas comoque desapparccem pela approxiinação ao estado natural dos diHereniesorgams; natureza das mulheres apresenta pela sua inconstância grande par-
ticularidade nestesphénomènes que havemosexposto, assimem al
-
mas a
guinas são necessárias seis semanasou dois inezespara queo utero torne aseu estado perfeito, ao passo queemoutras, oito ou dez diassãosunicienlc.s parasen ão reconhecer omenor signal de haver parido
.
Comludo esta epocha é cnractcrisada por alguns signaes particulares, comooretraimento da cavidade davagina;a diminui- ção das partes genilacse do utero; uma linha parda do umbigoao pubis,
mais salliente nas pessoas de um temperamento bilioso, e cujapelle é muito descorada; c por lim o escorrimento dosloc-
chios
.
Quando,depois de expulsasas sccundinas eo sangue queas acompanha,suspende-
se lodo o escorrimento, amulher immcdiata-
mente tem perda desanguepuro;esteescorrimento que duraordi
-
nariamente dois dias lança um cheiro nauseante, e tem uma côr avivada, queao segundodia torna
-
se rosada; do5.
“ ao4
*° « ver-
c o cheiro então quasi pútrido; por fim amarellece dpenga,
embranquece,c reduz
-
sea uma substancia lactea ou purulenta; o cheiro então muda, c transforma-
se ou em um semelhante ao do ouazeite de peixe,segundoCoder,ou dodesignadopelo nome tiegra
-
vit odor puerperil pora maior parto dos Parteiros
.
Sua duração61 1
de um ntca cm alguns caso» ('• exlrcmamenle diflicil deixar de coniundir
-
so< > escorrimento dos locchioscomoflu- xo branco.
a sets scmanas ,
a quemilitas mulheres estão sujeitas depois doparto
.
Appareceiuloa febre de leite, ellediminuo
-
se ou supprime-
se inlei—
rameute, porem logo cpie estacessa reapparecc:em algumasmulhe
-
res o escorrimentodeixa de terlogar,em outrassome
-
seaoflmdoterceiro dia,sendo esta curta duração devida muitas vezes a qual
-
querirritabilidade, tanto assim queo emprego dos antipldogislicos tal
—
osubstituir porsangue puroem umespaço de oitoou dez dias.
hntrelanto, alem de todas estasvariedades éeste um dos signaes maisinteressantes, esi emum ou outro caso algumadestasparti
-
cularidades falha, no maiornumero existem; e mesmoquandoas
-
sim nãofora, bastaria seucheiro cá ractéristico, e oaíTluxo de leite queo segue para tornal
-
o necessariamente reconhecido.Agora consideraremos as diversas alterações que as partessexu
-
acs, asarticulaçõesda baeia,o utero,e asvisceras abdominaes apre
-
sentamdurante os 1res periodos differentes
.
Posleriormcnte ao parlode uma mulher primipara, ou quando
o volume da cabeça do feto é desproporcional, a vulva dilata
-
scemextremo,e os pequenos lábiosse tumefazem
.
Asdores nasarticulações da bacia são a lai ponto, que privam
amulherde sentar
-
se; passados porem oito dias,si alesão não ti-
versidograve
,
lodos estesphenomenosdiminuem,e os orgamsper-
manecemsomente pallidose descorados
.
0 utero, alguns diasdepois do parto, ainda sefaz sentir acima do pubis, asparedesconservam mais de uma pdlegada de espessura, e peza de umalibra e meia a duas.
Para que torne aseu estado natural são necessáriostalvez dois mezes, e partos lia em que outero ficasempre maisgrosso e molle;seu orifíciodilata-
se,osbordos adelgaçain-
seereclinam-
separalistessignaescomtudo n ãonosinduzirãoa concluir de uma a vagina.
maneira positiva da existência do parto, porque como sabemos, estasalterações podemserdevidasascirrhos, acorpos fibrosos que augmentant de necessidadeasdimensõesd
.
i madre, e acertasmudan-
ças daforma eestrucluradocolo que asconcreçõessanguí neas,por
ex
.
, podem occasional’, mas ordinariamente; sóo parto pòdc modi-
ficar esteorgarn, comotemosvisto
.
IP
—
ia—
0
epiploon
,e os intestinos voltamaseu estudo primitivo;a pH le do abdomen,que havia soDVido uma grande disten-
ão, enruga-
».
«c percebem
-
se estrias luzidiaseesbranquiçadas ilido pela verilha e oAinda resta
-
nostratar da febre deleite.
Quarenta e oito horas depois do parto, cila se pronuncia por picadasnospeitos, queem seguimento incham-
se eendurecem; apodera-
se damulher umaba-
timento total; appareccm dores de cabeça
,
comichão por todo o corpo,
e freqiiencia do pulso; escorre depois um fluido seroso pela mamma; c um suor azedo vem pôr termo a todosestes phe-
nomenos
.
Este caracter, posto que tenha sido notado em pessoas que n ão pariram, mesmo em homens, etambém nashemorrhagiasc hydropisias uterinas nãodeve por isso merecer-
nos indifferentismo; mui raros são os casos em queessas singularidades sefazem sen-
síveis
.
espaçoeomprolnij. no
umbigo, assemelhando
-
se mesmo a cicatriz»s.Differentesmoléstiassemanifestam ainda durante o parto, assim como a hemorrhagiauterina, as convulsões, a syncope,&c
.
; porem sua raridade desvia-
nos de tratal-
as.
Agora que havemosterminado aexposição«los phenomenos,que seguindo
-
se ao parto nos podem fazer reconhccel-
o, estabeleceremos as consequências com que Mr.
Orfila termina o seu artigo rela-
tivamente a este objecto
.
1," Nem um dossignacsmencionadospôdeisoladamentelevar
-
nos á conclusão de que existiu um parto recente.
2.1 A reunião de todos elles far-
nos-
haestabelecerumadecisão perfeitamente fundada.
5
.
' Na mulher primipara,
e quando o feto hajachegado ao termo, haverámaior facilidadecmprovar-
se o facto. 4 -
*Quanto maisbrevefor o exame
,
tanto menorserá a difliculdade no diagnostico.
5.
'A todos os precedentes deve recorrer opratico para poder melhor firmar o seu juízo
,
attendendo aomenstruada
.
&c.
tempo em que a mulher foi—
15-
li.'QUESTÀO
.
Alè que (pocha se poderão encontrar os signaes d' uniparto re
-
cente?
A natureza variada das mulheres prohibe
-
nos estabelecer pre-
cisamente essa cpocha
.
Zacchias,
Albert,
Fodcrc,
Ca puron,
Orfita r outrossão de opinião, que, decorridosos dezprimeirosdias. tor-
na
-
se, sinão impossível, ao menos muito difficil reconhecer a exis-
tência do parto; todavia, como não estádemonstrado, que, depois desse tempo, sejam sempre iufrucliferos os exames
,
nós nãoacon-
selharemos que á indagação feita depois do decimo dia deixe deprestar
-
sealgum valor : circumstancias ha , que.
passados quinze dias, encontram-
se em algumasmulherestraçosbastantesensíveis doparto, entretanto que emoutras apagam
-
seinteiramente ao oitavo.5
.
"QUESTÃO.
Poder
-
se-
ku dizer,que uma mulher pariu,ejuaníonao existirem signaesde parto recente?i\o maior embaraço ver
-
se-ha o Facultativo, quefor chamado a resolveresta difficil questão ; pois, si em uma cpocha próxima ao parto, eile tem de luctar com immensos obstáculos, em uma muitomaisremotaseráquasi impossí vel poder íirmar-
se emum juízo certo.
Para provarmos que esta questão é dealgum interesse,
ex-
poremos ura facto qué Mr
.
Or(lia conta na sua obra deMedici-
na legal
.
» A’presença do.
lui/, de instrucção do departamento do Sena, foi levada uma mulher muito moça que se havia fingido prenhe na esperança de esposar o seu amante;ao nono meztratou de fazer acreditar, que tinha parido,sujou o leito ea roupacom nodoas de sangue, e permaneceu de cama por alguns dia*.
Ao firn de dois annos, 0 amante julgando-
se opae da supposta criança, reclamou-
a; a moça recusando entrcgal-
a,
foi immetlialamente aceu-
sada desnpprcssan dcparto, ebaseousuadefesa, dizendo quenunca houvera parido
.
Sendo encarregados de oxaininal-
aMM .
( apurou.>4
Louver
-
ViHermay decidiram a favor <ln acrn«a«la por niovestigio do parlo.• nos poderãoservir, si existirem
.
desvio dosnuisculos rectos doabdomen para a rc«iáo Megrin e
encontrarem o menor < lomtiido lia caia<« •»<s esão as rufias dovenir«'
.
..
I queguiuasvezeso
umbilical ,dando uma maior largura a estaporção «lalinhamediana; certos casos uma cicatriz «pie mostra a rotura do periuen, e inuitas chanfradurasno colo do utero; mas ell«‘S não <!<•
-
em uma ou
verão fazer
-
nos afíirmar,
«pie o partotevelogar,
somente presumir: sifalharem todos,
então decidiremos «piea mulher não pariu.
4 .
*QUESTÃO.
Seril possível quea mulher ignore haver parido?
Até certo pontocustar
-
se-
ha a dar credito a uma mulher«pie.
depoisdasgrandesdores,« pieacompanhamoparto,diga«juenemuma lembrança se lhe conserva de o haver tido; todavia factosbastante numerosos comprovam,queemcircumstanciasdeterminadas,poder-se
-
ha resolver pela affirmativaestaohjec« ão ; e
.
sinosapoiarmosnain-
fluencia, direcla«piealgumas alTecroes determinam
.
nem umaduvida commaiorrazão nosrestará paraassimestabelecermos«jualquerd<ci-
são
.
Üidiotismo, aembriaguez,aapoplexia,odelirio.
asyncope,eas bebidas narcóticas são ascausasque podem determinar oesqueci-
mento deste acto
.
Alem disso, mesmonoestadoperfeitodosuasfa- culdadesintellectuaes, a mulher póde parir sem o saber, quando, por exemplo, temnecessidadede ir á secreta; pois sahe-
se,dores«lopartosuscitam muitas vezes
que as esta precisão;
-
eseja-
nos per-
mittidodizer o queatal respeitoMr
.
Devergie refere:-
7-
Esla vontade de ir á banca é alguns casos tãourgente c irresist ível, que oparteiro muitas vezes ve
-
se na necessidade'«leobri-
em
gar aparturiente arcprimil
-
a.
Sãoda«picllesfactoscm que «* muito preciso 1er em vista o interesse dainnoccncia; mas contratis«piaes (1tambémmuito attendivel apresumpção emreconhecer a verdade.
Si a questão fosse proposta perante um tribunal.
em thes«* geral deveria ser resolvida posit ivamente, mas «» medico,
que alem dos magistrado» cjurados ,
ó juiz nesta matéria,
deve exigir lodos osIft
esclarecimentos , informando
-
se da idade da accusada , dos antece-
dentesoccorridos, indagando si jatevefilhos
,
si ás outras dores do parto precedeu desejo de ir n banca; em fim procederá exame minucioso.
Mas, d ir-
se-
ha,
o medico abandonou a sua pro-
fissão econstituu
-
se jurado? Nãocertamente,
porquecelle o unico que temsuCficiente
aptidão para apreciar um lacto que exige co-
nhecimentos especiaes, e que os juízes c jurados não
possuem
: e para fazel-
o comconvicção e certeza deve retinir lodososdadoscom que possa esclarecer-
se.
» Firmaremos ainda nossaopiniãoemalguns factos.
a um
«Hippocralisconta, que amulher deOlympias
,
ao oitavo raez desua prenhez fora acommctlida por uma febre aguda, e perma-
necendo em um estado comatoso , ao quinto dia deu á luz uma criança
,
sem dar o menorsignal de haver sentido oparto.
»Rigandeaux foi chamado para ver uma mulherque havia duas horasreputavam
-
na morta,estandopejada de nove mezes; ocoração e as artérias nãobatiam, espumava pela boca, haviagrande elevação do ventre, o orifício do utero estava dilatado e o bolso das aguas formado; depoisderornpcl-
o,extraiu o fetopelos pés,vindo asphy-
xiado, prestou
-
lhe todosos cuidados,
e ao fim de1res horas resti-
tuiu
-
lhe a vida.
De novoexaminou a mãe,mas nem um signal dc vida deu, e como n ãose apresentasse rigidez nos membros, acon-
selhouqueanãoenterrassem
.
Duas horasemeiadepois,teve asatis-
fação de lhe viremannunciar
.
que amulherhavia recuperadoa vida.
0 neto dó Conde de ln Police instaurou um processo para ser reintegradonaposse dosbens elitulos dosseus antecessores,
al-
legando o haver sido roubado á sua m ãe aCondcça de S.
Giran, que com uma bebida narcótica havia caídofundo
,
esó depois dc acordada, vcndo-
sc banhada emcm um somnoseusangue,
pro-
uvera
conhecimento de ter parido.
—
i G—
5
.
*QUESTÃO.
parto podem confundir
-
se comal-
Os pkenomenos posteriores ao gwnasenfermidades?
E’ esta uma das questões mais interessantes na medicina fo
-
e que reclama muita consideração , quando ella chamar
-
nosrense,
á discussão da materia quenosoccupa
,
ou para melhor dizer,
será necessário antesde tudo, que tenhamos em grande conta a impor-
tância desta pergunta para podermos submetter a nossa opinião á auctoridade que nol
-
a reclamar.
Assim comoa prenhez, o parto , é muitas vezes simulado por moléstias , que podem apresentar-
secom caracteres bastante analogos, e isto acontece ordinariamente quando o utero soffre
.
iNas allecções deste orgam tem-
se visto serexpcllido um corpo informe, fingindo um feto, e seguindo
-
se ásua salda as dores uterinas, a febre de leite, o enternecimento daspartes genitaes, as evacuaçõessangtíineas , é verdadeque com a ausência do cheiro d’agua d’amnios , poré m podendo apresental
-
o ; em uma palavra, todos os phenomenos que se seguem ao parto; por isso é mui fac’d acontecer que o medico se engane, epen-
sando existir um feto lhe sobrevenham dessasuspeitagravesprejuí
-
zos
.
Mr.
Devergicdiz queseria este um caso desupposieão dc parto ou de indagação de maternidade; porque aexistência dessecorpo informe poderá desenvolver todos os symptomas de umaprenhez, e por consequência de um parto.
0 medico deve pois acaulclar-
secontrasemelhantesenganos
.
Econtinha elle:—
>—
Poder-
se-
hia fazera mesma supposieão a respeito do crime de infaticidio?Seria pre
-
ciso que houvesse uma pessoa de maldade refinada para aproveitar
-
se de tal accidente eaccusar amulher destecrime; oque éimpro
-
vável, e mesmo impossível, concedendo
-
se que aquclla quelança esta disformidade nem uminteresse tem em occultar suapretendida pre-
nhez; accrescendo de mais que considerando
-
se emestado de parir procurará cercarse dc pessoas que a assistam elhe prestemos corros exigidos nestes trances; ora,
sendo tão presenciado o aeto,umasemelhante suspeita éinfundada; alem disso baseará
soc
-
em que provasse o
corpo
de delicio? 0 mesmo não acontece nasupposieãode parte; ent ão tildo ésegredo; a mulher tiramuitopartido api ri
-
cipio dos symplomns do «maprcnliei, queellaconsidera comoreal, paradar-
lhe algumapublicidade; masenganada em sua espectatira.
eburladas as vantagens de que estava esperançada, recorre aoestado em que se acha para suppôt o nascimento de umfilho; porern ainda assim quanto engenho énecessário para serfeliz umtal plano! A mulher, julga
-
sepróxima aotermo daprenhez, quando experimenta as dores que a seu ver devem consliluil-
a mãe,e ent ão nem umaideialhe occorre deoccultai
-
o seu parto.
Portanto, si á primeira vista ha logara temer
-
sealgum errodo medico, este medose enfraquece á medida que descer aosdetalhes do facto.
Accrescentamos por ultimo, queémuitocornmum ver-
seo utero expellir estes corpos, dois, très e quatro mezesdepoisde existirem nolle; e que pelo contrario é de extrema raridade chega
-
rem á epocha de nove mezes, posto quecitem
-
se factos de se ha-
verem demorado na madre até annos
.
»Os polvpossão também considerados por alguns auctorescomo fazendo parte dasmoléstiasqueseoppoem ao diagnostico doparto; porem, depois de reconhecidas ,sendo cortados on extraídos
,
deve de necessidade dcsapparecer o escorrimento continuo, e eis sana-
das todas as duvidas
.
Os
-
tumoreshvdalicos, concorrem também para a vacillação do medico.
mas a sua permanência no utero por longotempo , de-
vendo forçosamente prejudicar a saiide, e alem disso o pequeno trabalho em reconbecel
-
os, torna-
os signacs de pequena importân-
cia, ainda quando a mulher pareça simular o parto
.
Lm phenomeno porem , que nos merece alguma altenrão,
é a saída do fluido menstrual, que, restando por algum tempona madre, manifesta
-
secom symplomas muitosemelhantes do parto.
Para indagação da verdade, procederemos a exame das parles se
-
xuaes , e da membrana hymen, não dando cointudo muito peto pu
-
isso quebastaria
o simplesaos
á observação,si estiver perforada impulsodo jorro dosangue para rompcl
-
a.
Is Ci
.
' OlISI AO.
Poderão vccerrcrcircumstanciase/iieimpossibilitem n mãedeprestar a0 recem
-
nascidoos cuidadosproprios paracon.
screar-
lhe a vida?No infanticídio por omissão, as mulheres allegam muitasvezes defeza, que se achavam cm condições taes, depois de sqccorro podiam ministrar a seu filho
.
hntre-
mi sua
parir
,
que,nem umtanto o medico legista só accédera a este motivo
,
si lhe for pro-
vado, que uma syncope devida ou á intensidade" das dores, ou á eonseqiiencias de hemorrhagias succedeu ao parto, constrangendoa mãe a proceder desse modo contra sua vontade
.
Alem desta causa, outra obrigaria lambem a m ãe a incorrer nas suspeitas de haver despresado os cuidados que a situação me
-
lindrosa de seu filho exigia
.
Queremos fallar do idiotismo.
Este es-
tado miserável leva a mulher a talpontodeindiilercnlismo
.
queos proprios grilos c!o recem-
nascido aiudaque reiterados são insuffi-
cientes para disperlal
-
a; tendo inevitavelmente de succumbir uma crian ça quereclamar um maioresforçoda mãeno momento de ser dada á luz.
Mr.
Detergie apresenta um facto a respeito do idio-
tismo no seu Tratado dc Med
.
leg.
» Mr.
Chambeyronfoi partejarïuma idiota entrada dois dias antes para aSalpétrière3 e que ape
-
nas pronunciava assyllabas, ta, ta; havia ella mesma rompido o bolso das aguas; o parto era longo e dilHcil; e omesmo instincto naturalaos outros animaes defavoreceras conlracções damadre por asdos musculos do baixo ventre, ella não tinha
.
Debalde se esforçavam muitas pessoas, imitando
-
lhe os movi-
mentos queselheexigiam
,
nada podia comprehender;equando devia utilisar-
se das suas dores, gritava,
mordia os assistentes,
agilava-
sc em todos ossentidos,esó levava sem cessar as mãosás partesge-
nitaes
.
Um quarto de hora depois de haver parido, apresentou-
se
-
lhe o filho,
conservava a mesma indiüerença,
e nemumaatten-
ção lhe deu
.
»•Para limitarmos em (im esta questão diremos que ha outras causas
,
esão as mesmas já expendidas em uma das questõesante-
« Se a mulher poderia parir sem o saber ?»
norett
.
— '
0—
COiSCLl S VO
.
Polo
quo
tomos exposto om todas asdifiorsas
qneslfies.que
In-
vernos suscitado para demonstrarmos a realidade do parlo
. quando
o ministério publico reclamar ou exigir de nós um corpo do de
-
licto, poderemos concluir o snppor do duas uma
.
ou*que a mulher litige-
sè parida, ou que polo contrario procura escondor »*negar oseuestado
.
Levado por alguma destas conjecturas.
segundoa natureza da imputação, deve o medico recorrei' a todas asinvesti-
gações que julgue capazes de lhe fornecer os dados necessáriosPó minuciosoexame a quo tem do proceder
.
Já so vôportanto.
que.
dada esta ultima supposição
.
a mulher terá todoocuidado deescon-
der as provas que possam esclarecer a verdade de sua simulação
.
occultando o menino, ospannos nodoados que lhe serviram
.
em fim todos os indicios que a criminem; apresentando porem um sem numero de signaes, si quer nocontrario fingir que pariu.
No primeiro caso, datando o parto de um ou dois dias, manifestar-
se
-
lião symptomas certos para distinguir a verdade da-
mentira; as-
sim conserva
-
se nologar ondea mulher pariu umcheiro doliqui-
doamniolico bastante cònhecido; nella mesma denotam-se abatimen
-
to , languor, e pallidez das fuces; as partessexuaes terãoamamen
-
tadode volume; osgrandes e pequ
^
os lábios se conservarão túr-
gidos eo QOIOdouteromaisdilatado
? —
Dever-
sc-
ha dar muita nt-
tençã o ainda ás nodoas de sangue que houverem na camisa
.
«cs-
plorar
-
se também o abdomen,si a pellese acha fiacida, e emfim si o umbigo está ou não deprimido.
Dandoa todas estas considerações opezo que merecem, dico coordinará seus juí zos e concluir á conscqiientemcntc sobre a existência ou ausência de um parto recente
.
o rue
-
F
1M.
IIIPPOCRATIS AIMIOmSMI .
SECTIO API
Í. < ;.
•>Ad extremos morkos, extrema
remédia exquisite optima .
SECTIO
. .
aAPII .
8.
“Cum morbus in
vigore fuerit,
tunc vel tenuissimo victu uti necesse est.
SECTIO
2.
*APII.
2.0 Ubi somuus deliriumsedat
, bonum.
SECTIO
2.
“ APII. 6 .
°Non satietas
,
nonfames, neque aliud quicquam ,
bonum est, quod supra
naturæ modumfuerit.
SECTIO
2.
a APII. 7.
*Quæ
longo tempore
extenuanturcorpora ,
lentercfice -
re
oportet
;qu
æverobrevi,
celeriter.
SECTIO
8.
a APII.
G.
"Quæ
medicamenta
nonsanant ,
eaferrum
sanat;ferrum
nonsanat
, caignis
sanat;nat
,
eainsanabilia existimare oportet .
qu
æqu
æ veròignis
nou sa-
HioI»EJASKIRO