VAIfZig
W
DISSERTACAO
r
CADEIKA DE CIIIMICA ORGANICA
DA
PILOCARPINA
ESEUS USOS
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I'HOrOMiAlW
*
Tres sobre cada uma das cadeiras da Faculdade
TIIESE
APKUSENT&tU d:V
FACOUUDK I
)E MKMCINA 1
)0 RIO I
)E JANEIRO
Em 29 de Setembro de 1888
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P A f:A strt SUSTEJO-AHA port
( Eimarbo © ome # Jfi
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SiATTRAl DK MIN,',' fttflfrAKS
Mim fa' obbT ii grill fa dtiulur m madiriJia
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RIO DE JANEIRO
Typ. Montenegro, rua Nova do Ouvidor H
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16 1iSSS
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FACBLDADE DE MEDICINA DO BIO BE JANEIRO *
DIRStfQTOU Consclheira Iur
.
LSurao de Saboiu..VICE
-
DIRECTOR Censeiliein Dr. Par;lo rl.
j S. Salvador de I'umpoaSEORETARLD LENTESUr. Antonio doGATHBDRATICOSMello Munfr Mai
* .
Dra+ *
JuflO Martins Telxeira
-
*AugllstO Ferreira Santas Physito medlrn.
Chimica minerallogia
. ,
medico,e minefa-
Botanica e.zoologin medical
Anatainiu denctijdlva.
litsixlogin
Ohimfoa organic* 0 binlogte*.
Physiologicther
-
rira « experimental PltthoJuum gftrulAIHUIJIJJLII physiolugiu paihoipgic.ao
.
Pauliologie ihedicau FtitholtJgia riiur^irn
.
Cons Bar
-
todeS*Salvador de Campos Muteriu medica e therapeutic^
ea*pt
-
ciiilrnmUe bra/ileira.
ObAna
^
tetricifutuniu cirnrgicfti medlcina ope-
fnttiHn e upjmrvihns.
Hvgtaue P Idstori*ilit mwlitinu,
Pfmribiteologin e nrtr pc formoJnr* Medicinn Legal e toxxologm
.
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• IJo&ft Jo&qultn Pizarm .
Pereira Gaioiftruss AntonioCa^tauo lie Almeida
Domingos Jwsd Fbairn
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I0110 Baptism Kossuth VitmJJiJtjfii5 Beuido lie Abran
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Joan Damaserno PaganLin da Silva Pedro AflTons© de Carvalho Pranro
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LuhfdaCunhs Feijd Junior
I -unde de Molta Mala..-.
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Domingos de Almeida Martini Coxtft
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UCarlo Srml'e* da (imlVini.
Erxco Mnfifth0
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la Gaum CuffIhoCandida Barma HUxdro.,.
Jofio Ehzarro
LIOI'IU Carlos TeJxetrn Hmndfio
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i 1'thorn medica de arJultOK*
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Clini a itbstGiriiK e gynacolttgfni,
Clin, ujfili<'n ff lii'u 1tfieu de ffiinttgoa Clio tin mol 'Utmi ias asyphiliticus
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Cluiitiru m«;mleao Llu]ogica+
PliyijioJogia Ib^r iuca P
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MaieriiippriaEmunulir^nt^ ibrnzilfliTMu
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ItiPi'apr.’utifn,Pharmm+olugin p »< Iff dff furimiinr,
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'iirinn legal o loxlvologlit,llygisnc c hiataria da mediclna, Genuine ManpiPs Manecho
A r t l m i' Feinftifilpa tlfiihjios dn Pass
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Joati Paula de ( ui'vaLhn
LUIK Kibeiro fie Souza I'oute'.
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Francisco de Castm. . .
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DISSERTACAO
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!
\J •
INTRO DUG ? AO
Entre
as substancias aquo
a materia medica,
a the-
rapeuiica c a
cliniea
attribuemo poder
de activar as funccoes da pelle, das mucosas,
das glandulas ou de mo-
dificar as exhala
^
des das serosas,
nao existe nenhuma quo—
pelarapidez ,
cnergia e constancia de sua accao— possa
ser eomparada a do jaborandi ou de
seu
principio activo—
apilocarpina .
Sob a sua
influencia
asccre
^
ao das glandulas salivaresaugmenta
-
se em proporcao,
as vezes,
tao consideravel que a saliva escorre e sahe da bocca como de urnvaso
inerte !
Ao
mesmo
tempo ve- se
osuor
produ/.
ir-
se,
ora con-
stituindo uma simples diaphorese
, ora
tornando-
sc taoabundante
que
molha a roupa dopaciente
com extremapromptidao ,
cbegandomesmo
a embeber os lencoes do leito deum
modo consideravel.
A energica actividade secretoria do jaborandi ou do
seu principio activo
,
revela-
senao
s6 sobre as glandulassalivar e sudoripara, scnao tambem sobre as secrecdes nasal
,
laryngea,
bronchica e intestinal,
como resulta dos estudos doeminentc experimentador —
o insigne professorVulpian
.
A aojao hypercrinica dessa
substancia
e,
pois,
tncon-
i
M . wnov
4
testavel
; dla e constante enao nprcscnta
difFercnca senao pelapredominance ,
ora cle Lima,
ora de outra dessas se-
ci
ecoes
assim augmentadas.
Icsse
facto do aug men
tosimultaneo
de muilassecre -
^ oes
sob ainfiucncia
dapilqcsrpina
impde-
se aattenfao
dos
observadores
e caracterisa aaccao especial desse
me- dicamento .
Comprehende
-
se, pois,
quo— substancia
dotada depro -
priedades
siaktgoga ediaphoretica
tao energicas—
o jabo-
randi nao podia dci.xar de
occupar
scriamente a attcncao do bomem da seienda ; elle vinhapreencher um
grandeclaroa
crcnca na
deserie que
doso unico sudorifico por excellencia era ometos therapcuticos; -
vinhade
&raentir
calorico .
Si
, com
effeito,
os medicos de todosos
temposaJmiuium
que
ccrtas subsran das gosavam
dapropriedade
de
activar
a sccrccao do suor ; si na materia medicase inscreve
urna
seric de mcdicamemos
& titulo de dia-
phoreticos ,
devemos convirque
, ao lado dcssa apparenteriqueza ,
nao existesenao
uma desoladora pobreza,Na realidade ,
comosudorifico ,
nao se conhecia senao o banho devapor ,
cuja ternperatura devia ser elevada acima de qo°. Nao ha duvidaque
aammonea , assim
como alguma de suascombinafoes
salinas,
activam a se-
crecao sudoral
pelasua accao
estimulante ; porem estaaccao
epouco
energica c muito inennstantepara
firmaro sen valor
sudorifico
; se o saLutgueiro,
o guaiaco,
osassalraz
,
asalsaparrilha ,
etc. , sao
tidosna
therapeuticacomo sudorificos , nao
acreditamosque
seja pelas proprie-
dades
diaphoreticas proprias
a essas
substandas,
e simacreditamos que ellas gozem dessa
propriedade
a casta
daingestao
de grandequantidade
de infusdes quentes,
forma porque
saoadministradas ,
sob a infiucncia deum
calci-
umbiente
sutlieienteraente
elevado.O
jaborandi annunciava - se , pois ,
comoum
verda-
deiro
sudorifico,
isto um agentetypico capaz
de, sem
l
4
•
g . vwtn
5
necessitar
oemprego
do calornem
da agua quente,
pro-
vocar snores abundantes , nao
trazendo perturbacoesno -
taveis
no
organismoquando administrado convenientetnente .
Essa propriedade
hypercrinica
de tao preciosa planta,
co-
nhecida pelos naturaes do
paiz que
aerapregavam
contra a mordedura das cobras cpor
alguns medicos brazileiros,que
aempregavam
emidenticas
condiccoescom
odm
intencional senao realisado dc fazer sahirpelos
diversosemunctorios do organismo as peconhas de semelhantes
animaes ,
attrahio a attencao do illustre medico pernam-
bucano
o
Sr. Dr. Symphronio Coutinho quo , depots
deter
verificado
em siproprio
as propriedadessialagoga
ediaphoretica
do jaborandi,
levou- o para
aEuropa
em finsdo
anno
de1873 ,
onde tornou-
seobjecto
de aturado es-
tudo ,
dando lugar a numerosos trabalhos.
Em
Franca
foi 0 Sr.
Gubler—
distinctoprofessor
detherapeutica
na Faculdade de Medicina de Paris,
a quern oDr .
Coutinho coniiara umapequena porcao
de folhas dessanossa
planta—
0 primeiro a fazer em seu servico,
no hospitalBeaujon , numerosos
ensaios relativos aaccao
physiologicae therapeutica dessas folhas
— reconheccndo -
lhes asproprie -
dades
assignaladas poraquelle nosso compatriota .
Desde entao
numerosas
pesquizas foramemprehendidas com
o tim de melhor precisar os elfeitos e o modoJe
acBochefontaine$ao do novo, Galippemedicamentoe Vulpian. —
,Assimcm Franca, A.
;RobinSydney,-
FereolRinger,
c Gould
,
naInglaterra
; Guido Tizzoni e Fubini,
na Italia, concorreramcom
seu contingentoexperimental
c clinicopara o
estudo dojaborandi .
Tal 6 o
que
se pbde chamar historia do jaborandi ;feitos
,
servindo-
se ora dainfusao
das folhas ou dascascas
da planta
,
ora do extracto.
Restava ainda duvida quanto a familia e a especie da planta
que
dominava a attencao dosexperimcntadorcs
;o professor Baillon
,
porem, confrontando
a primeira phase
datodos
esses
estudos tinham sidoos espectmens
i
!
6
fornecidos
peloDr . Goutinho com
as plantas do sou her-
varioj pikle certificar
- se da
identjdade Jo jaborandiuma especie Ja familia das Rutaceas
—
o Pilocarpuspin -
natifolius Lem, originaria da
provincial de
S. Paulo,Em uma
segunda
phaseprocurou -
seextrahir do
ja-
borandi
o senprincipio
activo.
e osdous i
[lustres
chi-
micos Byasson
e E.
Hardydescohriram quasi
aomesmo
tempo o
alcaloide
dessa planta ; 0. primeirodeu -
lhe onome de Jaborandina e o segundo o de Pilocurpma
.
Os
processes
depreparacao
foram aperfei
condos pordiversos ehimieps
,
taes como : A. Gerrad ,
naInglaterra ;
Potit e
Duquesnel ,
na Franca ; e Merck, na Allemanha -
Hoje
,
portanio,
gracas aos esiuJos expenraentaes edinicos que
tem side feitoscom
essa substancia ; gracasaos
estudos
chimicos feitosprincipalmcnte
por Hardy, Gerrard,
Calmels,
Harnack e Meyer,podemos quasi
que affirmarque
o jaborandi temo
sell estudo chimico e pharmaco-
dymnamico completamente firtnado.
propriedades sudoritica
e sialagoga, era agentetherapeutico
devesse scr denas
aliecedes a frigore, nos
diversosmenos
directaraente
dsconi a
sua
in-
com
-
com
Pelas
suas
natural
prever
que esse mil applicaeaotados morbidos devidos muis on
pertLirbacoes das
funcfdes
dapelle
; quetervencao
—
se podesse prevenirfluxoes imminetltes
bater as fdrmus tao
variadas
das alleccdes eatarrhaes,
do rheumatismoarticular
agudo, e desviar iluxoes de serosi-
dades nas vastas cavidades
.
es
-
Por
sua
aecfio sobre as gland ulassaliva res ,
depre-
hendc
-
se a sua grandeutilida
le nas caxumbas, nas
anginase
nos
diversos engorgitamemos da regiaocervical . Emfim ,
baseando
-
senos elfeitos congesdvos que
produz na siiperficiedo corpo febresexanthematicas ,
era naturaleprever nas molestias -
se tambemda pellea sua,utilidadc Esta
previsaonasdasciencia
aclinica parece
ter realisado.
L
*
M . wm
.L I
DO JABORANDI
O ja borandi
(Pilocarpus pinnati -
Pilocarpus pinnatus ,
Mart.
),
euraa
plantaPernambuco ,
UUtoria l i n l i n
-
nl.folius
, Lem .
da familia das
Rutaeeas quo
crescc cmGears
,
Matto Grosso, S.
Paulo e outrasprovincias
doBrazil.
urn
arbusto deum
adous
e meio metros dealiura e
qua aprcsema
os scguintes caracteresbotarticos
:Cable
grosso,
rolico,coberto
de umacasca
decor
parda
- escura
., com
manchas hrancas.
Porbaixo
da ea-
madarellada ,suberosa encontra
-
se um tecido de cor branca- ama -
contendo
nucleus do substauciasresinoides .
Acasca ,
vistano microscoplo ,
aprcsenta,por
baixodas
va~rias camadas
suberosas, numerosas cel I u las
parenchyma-
tosas contendo
alguns
cristaes em fdrma de roseta ; ascamadas
exteraas sao ricas de grossas glandulas oblongas.
As folhas sao cotnpostas
,
alternas,
impartpinnadasmove foliolos
no maiornumero de casos ,
raramente setej.
Esses foliolos sao lirmes,
coriaceos,
grandes (apresentaib sele a onze centimetros de comprimemo e dous a quatro de largura), deuma
bella cor verde,
ellipticos,
de aptceobtuso oil reintrante,
inequilateraes
e de nervura me-
diana saliente
.
Na
face inferior
dos foliolos notam-
se numerosasglandulas
translucidas,
sob a Idrma de manchas pardy-
E
'V / \ VZ 12 „
8
centas
,
punctiformes,
notando- se ao microscopio o
aspectode
pequenas depressCes
cheias deum
exsudato resinoide.
As folhas
adultas
sao glabras.
aromatieas e de sabor nauseoso.
Peciolo longo, rolieo,
unipouco
cntumecido11a base
, onde
aprescntauma gotteira superiormente .
eiolulos
curtos
(quatro a sctemillimetres de comprimen -
to)
, sendo que
opeciolulo
do foliolo terminal it muito mais longo doque
o dosfoliolos pares .
A raiz ecylin -
droide
, muito ramificada,
decor
amarellada e contemnumerosos
nucleos de materiaresinoide
; seu centro 6eonstituido
porum
cylindro branco e lenhoso e o seusaborfresco.
— a principle
nauseoso—
torna-
sc depoispicante
ePc
-
A
sua
inflorescencia e cm cachos flexivcis,que
at-
tingem as vezes meio metro de
comprimento ,
contendo de Co a ioo llores e podendo mesmo exceder esse nu-
mero
.
As tlores sao de uma cor vermelha-
escura eaeham
-
sesustentadas por um pedunculo
de cinco a setcmillimetros
de comprimento ; calice denteado,
apresentando cincodivisoes
;petalas
espessas e pardacentas emnumero
de cinco
, contendo
glandulas oleiperasespalhadas
em seulimbo
.
L^
stames cinco,
insertos abaixo de um disco an-
nullar muito desenvolvido c
pouco
mais curtos doque
as petalas ; as antherassao
ovaes.
0 stylo e elevado com stygmassub -
livres.
Ovario globoso e deprimido.
Osfructos de quinze millimetros de comprimento e dez dc
tar -
gura sao assim constituidos :
carpellas
reniformes de faces lateraesarqueadas ,
escuras e semeadas de manchas lenticulares pretas ; um envoltorio exterior representandoo
mesocarpo
e oepicarpo
; oendocarpo
6 lenhoso e contem uma semente unica.
As folhas do pilocar
-
outras partes desta PROPRIEIJADES ORGANOLEPTICAS.
pus pninatus
assim como todas asplanta sao aromaticas ; esse aroma cresce de intensidadc
quando
se fricciona entre os dedos as folhas.
Algunsv . wm
9
auctores o tom comparado ao cheiro das cascas de )a
-
ranjas
.
Quando mastigadas, as folhascascas do
caule e sobretudo a raiz, fazem sentir a prin-
depois acre ; ha
ao mesmo e
fremitos vibratorios nacom lima abundante secrecao
salivar . Essas
propriedades,
que s e n o t u m quando a planta estii verde,nao
existent on sao imiiiopouco
iri-
te
nsas
quando a planta se acha secca.
assim
como
ascipio
um
sabor acidulo e temposcintillates
dolorosaslingua c nos labios, que
coincident
ANALYSE CHIMICA.
—
Aspropriedades
stidorifica e sia-
lagoga do jabofandi foram
—
a principio— attribuidas
ao oleo essencialque
contem as folhas e acasca
do caule ecuja
exi.
stcncia se revela pelo cheiro aromatieo particularao
pilocarpus ;
porem
as experienctas do Dr. Laborde demons-
traram a
icexactidao
dessa opmiaoe provaram
matsque
nao e nos productos volateis e sim em
uma
materia fixa que se deve encontrar o alcaloide.
Este
alcaloide foi, com effeito,
Jescoberto quasi aomesmo
tetnp>opelos
dois iliustres chimicos francezcs Hardy eBiasson
e e ellequern
da a plantasuas propriedades
physiologicas
e therapeuticas,A essencia do jaborandi obtem
- se
subinettendo-
se adistillacao com agua
as folhas c recebendo-se
o productoda distillacao em
um
recipients lioremino.
Tetn- se
reti-
rado
,
desse modo,
cmcoenta e seis grammas deessencia
bruta de dez kilogrammas de folbn (Hardy);
Esta
essencia tern, segundo Hardy, uma composicaocomptexa
:enccrra um
carbureto de hydrogenioque
lervea
178
°, uma substancta que passa
a 210° c um tcrceiro productoquo
distilia em uma temperatura mats elevada,
tomando no ftm de
at
gum tempo a consistencia de umamassa
solida, iocolor
e transparente.
O carbureto de hy-
drogenio £ um iiquido incolor
,
transparente,
movel, deum
cheiroespecial
bastante agradavel, maisleve que
aagua
; sua densidadc e de 0,
832 a 180 ; desvia para aw. a
w
V
.« / W 5
v10
direita o piano
daluz polarisada
co seu poder rotatorio
C
—
|—
Suat ^21 •composicao corresponde aformula C
1*H
!"(pilo -
aarpeno
).
Coinbinu-
se com oacido chlorhydrico
formandoum
chlorhydrato cum
bichlorhydrato,
sendo o primeirosolido
e osegundo liquido
C10 HIBa
HCL O chlorhydrato solido eum corpo
crystallisado, incolor,
transparente efunde
- se a - h
49,
5 (Soubeiran).
illlecrystallisa -
se imme-
diatamente quaado
sc ajunta asua solucao
saiurada um cristal dechlorhydrato
dc terebenthina c da,
com as solucoesJe perchlorureto
dc lerro,
it coloracao successiva-
mente rosea
,
vcrmdha,
azul, caracteristica
dosbichlorhy -
dratos ( Hardy ),
Aiem do sou
alcaloide
principal—
a pilocarpina—
edo oleo essential
—
opilocarpeno — o
jaborandi apresentaem
sua composicao,
segundo as analyseschimicas ,
dous OUtros a La lo ides— a jaborina
ea pilocarpidina
;uma
re-
sina acre ; tannino ;
uma
materia corante verde ( chloro-
phylla
)
e saes mineraes.
xjAl / W
II
ESTUDO CHMCO I
)A PILOCARPINA
(!«=<?"
.
71,1 A n“-
tHnnutrh M y j r)lliMlorico
. —
Foi O illustrechimico
Byasson qucmprimeiro fez conhecer a
presenca
deum
alcaloide nas foihas do jaborandi,
ehegandomcsrao
a extrahil-
o era umestado Je conceqtrae
^
o bastafite conside ravel ; suadesco -
berta fot logo publicada no Journal de therapcutique ( 10
de Marco de
1875
).
Ao mesmo tempo o nao menos illustre chimico
,
oSr
. Ernest Hardy communicava
ter descobertopor sua
vez 0 alcaloide do
pilocarpus .
Foi 0primeiro
a isolal-
ocompletamente ; e combinando
-
ocom o
acido chlorhydrieoobteve um sal crystal!isavel que elle propoz chamar ch/or
-
rhydrato de pilocarpina
.
Com ossa descoberta comeca uma nova phase para 0 estudo desse alcaloide
,
que tem sido— debaixo
do pontode vista chimicobalhos
.
Os Srs. —
Gerrardobjecto,
Petitde ,umMillercerto, Drascheniimero,
deRohtra! e-
Kingzett occuparam
-
se daprepara
^ ao , cujos
processosforam mais ou menos mod idea
Jos .
Ktngzett nao se li-
mitou a estudar simplesmente 0
processo
para obtenciio da pilocarpina,
foi mats longe—
chegou aestabelecer -
Ihea formula de composicao : C4"
H
1* Az4 O+4 H* O e a dochloroplatinato
depilocarpina —
C’"
H*4 Az4 O* 1 HCI)5, Pt Cl4Nf .
WLftv \
— quc , por distillafao .
daria12 atriraethyanumina . Outros chiraicos procuraram
firmar precisamente afdrmula
orga-
nica dcste alcaloidc ; assim Chastaing
,
partindo do azotato depilocarpina
purificado pela lavagem no alcool absolutoe que 6
urn
sal ptiro— isempto
de jaborina-
estabelecer a scguinte fdrmula :
—
C” H "
Az’
O*.
Harnach e
Meyer
( Jour , de Pharm.
el Chim 1886),
estudando apilocarpina
extrahida por Hardy,
deram-
lhea formula C"
H '
" Az‘
O’ , fdrmula
cujaexactidao
foi con-
firniada por Hardy c Calmels pela
analyse
Jos saes de platina e pela analyse dos saes de ouro.
ESTADO NATURAL.
—
Este alcaloide existe em niaior pro-
porcan
no cortex dos caulesdo quc
nasfolbas ,
segundo resulta das rainuciosasanalyses
do Sr.
Galippc,
e e pos-
sivel que
,
por essa razao venha-
se aempregar
de prefe-
rencia a
casca
do caule as folbas na preparacao da pilo-
carpina. A parte cortical das raizes content
,
ao contrario,
Lima
pequena quantidadc
de alcaloide ein favor de limamateria resinoide
que
nclla existe ent grande quantidade.
PREPARACAO
.—
Multiplos e variados tent sido ospro -
cesses de
preparacao
dapilocarpina
; entre clles eonsigna-
remos os seguintes :
Processo de Hardy
. —
Bascando-
se na analogiaque
existeentre a accao
physiologica
do jaborandi e a damuscarina
—
alcaloide da Amanitamuscaria ,
Hardy teve a idea deprocurar
no jaborandi uni principio analogo a este alca-
loide
,
e para issoempregou
oprocesso ,
gracas ao qual Schmiedeberg eKoppe
conseguiram isolar a muscarina.
Foi,
com
efieito, por
meiodestc
processo que elle conseguio isolar a pilocarpina.
Eis o processo :Fuz
-
se uni extractoaquoso
das folhas e caule do ja-
borandi
; ajunta-
se alcoo! ao residuo da evaporacao ;evapora -
separa
obter-
se uni extracto alcoolico ; ajunta-
se11m pouco d'
agua
a este extracto e precipita-
se pelo ace-
tato de chumbo ammoniaca! ; iiltra
-
se e faz-
se passar umachegou a