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Academic year: 2018

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A PRODUTIVIDADE E O PROGRESSO DO TRABALHO

Fernanda Fernandes Marchiori Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFSC Rua Julieta Soares, 215 ap. 24 – São Caetano do Sul - SP

Luis Fernando Heineck

Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSC Caixa Postal 476 – CEP 88018-090 – Florianópolis SC

Antônio Edésio Jüngles

Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFSC Caixa Postal 476 – CEP 88018-090 – Florianópolis SC

ABSTRACT

Progress of work in connection to two building activities in a large constrution site of 4 12-storey blocks was scrutinized through the analyses of daily site records. Despite the fact that the building site under investigation was reputedly of a very well organized construction company, labour intensity for the various activities was found to be very low.. Workers moved without apparent logic from one storey to the other, and every work place was visited several times during the large span of time they were under construction. Work spreaded to the whole building, instead of allowing concentration of effort in just few places at a time. The number of workers devoted to each activity also varies widely from week to week.

The paper concludes by addresing the need for a higher control of how operatives spend their time and move around the building site, before new tecnologies or managerial thecniques mights be successfully implemented on site.

Área: Gerência de Produção

Key Words: Civil Construction, Productivity, Work Progress

INTRODUÇÃO:

A produtividade do canteiro de obras é um dos principais problemas do gerenciamento da construção na visão de WATANABE (1997). Contudo, a análise da produtividade pode ser de natureza complexa devido ao processo de produção diferente do processo industrial, onde o ambiente de produção é mais estável. O processo de conversão dos recursos em produção num canteiro de obras é dinâmico.

Por isso, as variabilidades encontradas na produtividade são como que o reflexo da complexidade do dia-a-dia no canteiro. Questões como a baixa intensidade na alocação de mão-de-obra, descontinuidades no trabalho, espalhamento das atividades por vários pavimentos simultaneamente, falta de ordem na execução tem sido deixados de lado pela literatura dos anos 90 e no entanto estão presentes nas melhores obras.

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considerada organizada, com padronização de serviços e gerência presente em tempo integral no canteiro de obras. Mesmo assim, não são raros os problemas de organização do trabalho.

O principal objetivo deste trabalho é conscientizar os gerentes de obra para a importância da constância das equipes, de evitar o espalhamento e de aumentar a concentração do esforço em locais específicos de trabalho. È muito provável que se estes itens forem controlados a variabilidade da taxa de produtividade reduza grandemente.

APRESENTAÇÃO DOS DADOS

Este artigo é parte da dissertação de mestrado da autora, onde os dados aqui apresentados estão analisados com maior profundidade.

O período de abrangência dos dados foi de maio de 1996 à agosto 1997. As atividades estudadas foram: montagem/desmontagem de formas e revestimento interno com argamassa.

Para uma melhor visualização dos conceitos que estão omissos por detrás dos dados utilizou-se a apresentação em forma de linha de balanço na Figura 1. Nas linhas estão representados os pavimentos e nas colunas as semanas de trabalho.

Figura 1: Linha de Balanço - Atividade de Montagem e Desmontagem de Formas

Intensidade da cor baseada no nº de pessoas

Intensidade da cor baseada no nº horas/semana

Intensidade da cor baseada no nº de horas/Homem

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A linha de balanço é uma ferramenta de programação que mostra o progresso da atividade respondendo a questões como quem está fazendo o que, onde e quando. Neste caso a finalidade foi usar a ferramenta acompanhada de uma convenção de cores para que ficasse clara a análise dos dados sem a necessidade do uso de números, tornando mais palpável a idéia da alocação da mão-de-obra.

As cores mais fortes representam um maior número de pessoas, um maior número de horas e uma maior intensidade, respectivamante.

O escalonamento visto da sétima à vigésima semana representa que a atividade teve uma evolução conforme o recomendado: o ritmo de execução foi praticamente constante e o trabalho foi realizado de forma intensiva.

Por outro lado, se as semanas seguintes forem observadas, se perceberá que as células esparsas e com cores claras são indícios do espalhamento e do baixo número de horas trabalhadas.

Executar uma atividade com intensidade quer dizer fundamentalmente empregar um número mínimo de operários no trabalho. Se esta idéia for implantada no canteiro algumas vantagens serão observadas, como o aumento da produtividade devido ao efeito aprendizado, a simplificação de problemas relacionados com a supervisão e provisão de acomodações básicas do canteiro. Isto implica em queda nos homens-hora devido à interrupções, sendo que a maior vantagem do perfil de trabalho com baixos recursos para minimizar tempos ociosos está intimamente ligada à descontinuidade do trabalho nos canteiros de obra segundo o apresentado por Heineck (1983).

Podem ser vários os motivos que levaram a estas visitas esparsas terem sido feitas, como a de realizar a desforma de partes menores da estrutura ou retoques em alguns pavimentos. Em uma das semanas, operários espalharam-se por 7 andares distintos, junto com eles, certamente materiais e ferramentas também foram movimentados, isto induz a perdas de material e de produtividade (aumento dos tempos auxiliares e improdutivos). Outro exemplo de expalhamento pode ser visto no pavimento 2, que ficou envolvido com a atividade de formas por 27 semanas até que o trabalho fosse finalmente concluído.

É recomendável que se executem atividades de forma concentrada para que o aprendizado possa ser verificado. Isto se confirmou de certa maneira nas primeiras semanas (na Figura 1) por que se for levado em conta que, na parte onde o trabalho foi realizado com mais intensidade, o número de semanas para foi decrescendo do primeiro para o último pavimento, isto não deixa de ser um aprendizado.

A primeira linha de balanço da Figura 1 representa a evolução do número de pessoas envolvidas no trabalho. Existiriam outras formas de representar os mesmos dados chamando a atenção para diferentes aspectos, uma destas formas está apresentada no Gráfico 1.

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Observa-se neste gráfico uma grande flutuação do número de pessoas por semana, principalmente após o período da 19ª semana, onde até então o trabalho era realizado com intensidade. Surge então o questionamento a respeito de para onde teriam se deslocado os operários nas primeiras e nas últimas semanas de trabalho. Alguns estavam trabalhando em outro bloco que não o analisado, outros foram transladados para outra atividade. São tantos os detalhes e as interdependência entre os serviços que os operários chegam à trabalhar em 3 atividades diferentes na mesma semana, não raramente este número é maior.

Foi feito o acompanhamento de um pedreiro durante o período de 51 semanas, que foi o período permanência do mesmo na obra até a sua demissão. Foi observado que ele participou de 17 diferentes atividades e foi transferido para outras obras quatro vezes, realizou. Em uma das semanas analisadas, participou de quatro atividades diferentes que exigiam habilidades distintas, quais sejam: montagem e desmontagem de formas, revestimento interno com argamassa, colocação de contramarcos e colocação de cerâmica. Diante deste quadro pode se ter uma idéia das inúmeras interrupções que ocorreram. A especialização do operário fica extremamente prejudicada e consequentemente os ganhos de produtividade advindos do efeito aprendizado.

O bom senso dita que não é uma boa estratégia colocar diferentes equipes da mesma tarefa, com diferentes etapas do trabalho, lado a lado no mesmo bloco. (Heineck, 1987).

Permitir ou não o espalhamento da atividade faz parte da estratégia de programação de cada obra. Este assunto é ponto de discussão entre autores da área. Eden apud ONU(1965) defende que devido a complexidade dos deslocamentos das equipes pelas unidades de construção, o gerente tem duas alternativas: não permitir o espalhamento por vários blocos ou criar uma reserva das unidades a serem executadas. Já Lumsden apud Heineck (1983) desacredita inteiramente da prática de permitir o espalhamento do trabalho, atribuindo a ele longas durações, flutuações no pagamento semanal dos operários e grandes gastos com mão de obra.

A análise das turbulências da movimentação de andar para andar e de bloco a bloco pode ser representada de forma analógica na Figura 2 também fazendo o acompanhamento de um dos pedreiros que desempenhavam a atividade de revestimento interno com argamassa.

0 5 10 15 20 25 30 35

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32

Semanas

N

ú

m

er

o

d

e

H

o

m

en

s

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Figura 2 :Deslocamento de um Operário na Atividade de Revestimento Interno

Outra observação que pode ser feita na figura 1 é a baixa intensidade na alocação de recursos de mão-de-obra. Já dizia a Heineck (1983) que o número de horas por semana é muito baixo. Tudo indica que aqui também as equipes vão ao trabalho sem a intensidade necessária para a constância ou diminuição do consumo de mão-de-obra.Um pequeno número de publicações atentam para o fato que a intensidade do trabalho é comumente muito baixa nos canteiros de obra.

O bom senso dita que a alocação de 1,2 ou 3homens-horas por semana numa atividade não é uma indicação que o trabalho foi encarado seriamente durante aquele período de tempo. Heineck & Rawcliffe (19__) aconselham decidir primeiro numa alocação semanal mínima que pode ser uma boa indicação de que um esforço substancial foi usado para a atividade num determinado período de tempo. Um método razoável é contar também o tempo total decorrido somente nas semanas nas quais a alocação excedeu à uma dada quantidade. Na literatura, o indicador da alocação semanal mínima é chamado de MISWAR (Minimum Significant Weekly Allocation of Resources).

O Gráfico 2 mostra o desempenho da mão-de-obra na atividade de revestimento interno com argamassa levando–se em conta um número de horas mínimo para que o trabalho fosse computado no somatório total de horas por pavimento.

Gráfico 2 : Alocação Mínima por Pavimento 0

200 400 600 800 1000 1200

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Pavim entos

H

o

m

e

n

s

-h

o

ra

s Dt

D16 D8

D32 D24

D40

BLOCO 1 BLOCO 4 BLOCO 2

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Procurou-se representar, neste gráfico as linhas de tendência do desempenho do número de horas consumidas nos pavimentos. A reta Dt considera todas as horas alocadas no

pavimento. Se forem consideradas apenas as alocações de mão-de-obra acima de 8 Hh/semana (D8), em média 92% do total de horas estará incluso. Quanto maior for a

alocação mínima necessária, menos homens-hora podem ser considerados.

A comprovação da baixa intensidade é vista com maior força quando a alocação mínima for estabelecida em 40 Hh/semana (D40), o que levaria em conta apenas 23%, em média, do

total de horas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na tentativa de melhorar a produtividade nas atividades da construção civil, muitas pesquisas tem se concentrado para projetar melhores tecnologias a fim de reduzir os homens-horas através do desenvolvimento de equipamentos, métodos e materiais. Infelizmente, tecnologias complexas tem gerado a idéia que ações gerenciais produzem um mínimo e desprezível efeito na produtividade da mão-de-obra. Por esta razão o estudo de estratégias gerenciais na produtividade da mão-de-obra da indústria da construção civil tem sido negligenciadas (Logcher & Collins, 1979).

Estas estratégias estão intimamente ligadas ao controle da produção e ao conhecimento dos recursos disponíveis. Surge então que o controle da produtividade se faz necessário de modo a possibilitar o planejamento com base na realidade da obra. Bishop (19 )diz que o problema central do gerenciamento da obra não é planejar e programar, mas sim controlar. Isto se confirma numa publicação recente: Ballard (1997) diz que os cronogramas feitos na fase de projeto não podem ser muito precisos e detalhados na previsão de desempenho devido à falta de informações sobre as durações atuais para projetá-las para o futuro.

Por estes motivos faz-se necessário analisar questões simples de serem verificadas no canteiro como o espalhamento, a baixa alocação e as rotações de operários, elas são como que a radiografia da obra e uma maneira de aferir a programação semanal. Tendo o gerente estes dados em mãos, poderá coordenar e dirigir várias tarefas e equipes dentro do canteiro para a semana seguinte como propõe Ballard (1997).

Um suma, o presente artigo mostrou a lacuna relacionada com a realimentação da programação e fez um estudo dos dados de uma obra de construção mostrando que o controle pode guiar decisões gerenciais que venham a melhorar o processo de construção num futuro próximo.

BIBLIOGRAFIA

BALLARD, G. Lookahead Planning: the Missing Link in Porduction Control. Proceedings IGLC 5, 1997, Pp. 13-25.

CHEETAM, D. W., Labour Managenment Pratices on Construction Sites and some of their Consequences, Journal of Management and Economics, 1990

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HEINECK, L. F., On the Analyses of Activity Durations on Three House Buildings Sites. Leeds, The University of Leeds. Departments of Civil Engineering, 1983, 275 Pp. Tese de Doutorado.

HEINECK; L: F. A Model to Estimate the Durations of Activities. IV International

Symposium on Building Economics, W-55, Copenhagen, Denmark, 1987, Vol 6,

Pp.14-17.

HEINECK, L. F. & RAWCLIFFE, J. The Alocation of Labour to the Activities and their Durations – Boundaries for “S” Shaped Curves, 7º Encontro Nacional de Engenharia de Produção, Anais, 1987.

LUMSDEN, P. The Line of Balance Method, Oxford, Pergamon Press LTd. Industrial Training Division, 1968, 71pp.

Imagem

Figura 1: Linha de Balanço -  Atividade de Montagem e Desmontagem de Formas
Gráfico 1: Evolução do Número de Operários por Semana
Figura 2 :Deslocamento de um Operário na Atividade de Revestimento Interno

Referências

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