UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM NÍVEL MESTRADO
O CONHECIMENTO COTIDIANO SOBRE QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS
ANA MARGARETH MARQUES FONSECA SARMENTO
O CONHECIMENTO COTIDIANO SOBRE QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação de Enfermagem, da Universidade Federal da Paraíba, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Enfermagem, na área de concentração: Cuidado ao adulto e ao idoso.
ORIENTADORA: PROFª. DRª. MARIA ADELAIDE SILVA PAREDES MOREIRA
S246c Sarmento, Ana Margareth Marques Fonseca.
O conhecimento cotidiano sobre qualidade de vida de idosos / Ana Margareth Marques Fonseca.- João Pessoa, 2015.
53f.
Orientadora: Maria Adelaide Silva Paredes Moreira Dissertação (Mestrado) - UFPB/CCS
1. Enfermagem. 2. Idosos - cuidados. 3. Qualidade de vida. 4. Representações Sociais.
ANA MARGARETH MARQUES FONSECA SARMENTO
O CONHECIMENTO COTIDIANO SOBRE QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS
Aprovada em: _____/_______/_____.
Banca Examinadora
_____________________________________________ Profa. Profa. Dra. Maria Adelaide Silva Paredes Moreira (UFPB)
Orientadora
___________________________________________ Profa. Dra. Valéria Peixoto Bezerra
Membro interno
___________________________________________ Prof. Dra. Maria de Lourdes Pontes de Farias
Membro externo
___________________________________________ Profª. Dra. Francisca Bezerra de Oliveira
Membro externo suplente (UFCG)
___________________________________________ Prof. Dra. Sandra Aparecida de Almeida
DEDICATÓRIA
AGRADECIMENTOS
A Deus, primeiramente, por ter sido meu guia durante toda essa caminhada, e por seu amor Misericordioso;
A minha família, por aceitar e entender minha luta. Agradeço por tudo o que faz por mim, por ser minha família, por me apoiar em minhas escolhas e decisões;
A minha orientadora, a Profª. Maria Adelaide Silva Paredes Moreira, por ter acreditado em mim durante minha caminhada no curso, pela paciência e pela dedicação;
Agradecimento especial aos amigos do grupo de pesquisa Olívia Galvão Lucena Ferreira,
Ronaldo Queiroz, Adriana Queiroga e Sandra Almeida. Obrigada pela atenção e pela disponibilidade!
À Professora Antônia Oliveira Silva, pelo incentivo e pela oportunidade de crescer profissionalmente;
Aos mestres, pelos ensinamentos e pelas oportunidades de aprender mais, e a todos os que fazem parte do corpo docente do PPGENF – UFPB;
À Coordenação do PPGENF, representada pela Profª. Jordana de Almeida Nogueira, pela atenção, pelo incentivo e pela generosidade;
Aos professores do Curso de Fisioterapia da UFPB - Antônio Geraldo Cidrão e Maria de
Fátima Alcântara, pelo apoio e por terem me acompanhado no Estágio Docência;
Aos amigos de profissão e do Serviço de Fisioterapia do HU, em especial, a Lucrécia, Ivana
e Artur, pelo incentivo e pelo apoio fundamental nos momentos de trabalho, e a Conceição, pelo carinho;
À banca examinadora: Drª. Maria Lourdes Pontes de Farias e Drª. Valéria Peixoto
Bezerra, muito obrigada pelas críticas e sugestões, por fazerem parte dessa caminhada junto comigo;
Aos colegas do grupo de pesquisa GIPERS, foi um grande prazer tê-los conhecido e ter vivenciado momentos importantes com todos vocês;
A minha turma Mestrado, obrigada pela participação de cada um de vocês na construção de nosso conhecimento, foi muito bom ter convivido com vocês!
A minha cunhada Chica, por todo o apoio em minha casa e cuidados com a nossa família.
LISTA DETABELAS
Tabela 1. – Perfil sociodemográfico dos idosos de ambos os sexos atendidos na Estratégia de
Saúde da Família, João Pessoa-PB, 2015 ... 32
Tabela 2 - Demonstrativo das respostas dos 250 idosos sobre percepção da qualidade de vida no WHOQOL-BREF - João Pessoa - PB, 2015 ... 33
Tabela 3 - Escores dos domínios do WHOQOL-BREF, segundo dados sociodemográficos dos idosos, João Pessoa-PB, 2014 ... 36
Tabela 4 - Comparação entre os escores das facetas da qualidade de vida do WHOQOL-OLD e as variáveis sociodemográficas dos idosos, João Pessoa-PB, 2015 ... 37
Tabela 5 – Resultados do TALP para o termo indutor “Qualidade de Vida” ... 38
Tabela 6 – Domínios e facetas do WHOQOL-BREF ... 52
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AUT: Autonomia
CEP: Comitê de Ética e Pesquisa
EVOC: Ensemble de Programmes Permettant l’Analyse des Evocations FS: Funcionamento dos sentidos
IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INT: Intimidade
MEM: Morte e morrer
OLD: Qualidade de vida global do Whoqol Old OME: Ordem média das evocações
OMS: Organização Mundial da Saúde PB: Paraíba
PNAN: Política Nacional Alimentação e Nutrição PPF: Passado presente e futuro
PSO: Participação social QV: Qualidade de vida RS: Representações sociais
RESUMO
SARMENTO, A.M.M.F. O conhecimento cotidiano sobre qualidade de vida de idosos. 2015. 54f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem). Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa.
O envelhecimento populacional é um dos maiores desafios da saúde pública. O envelhecimento acompanha a evolução da humanidade e destaca o processo saúde-doença nos idosos como um fenômeno biopsicossocial. As políticas sociais de valorização do idoso despertam o interesse de pesquisadores de diversas áreas na temática no tocante à qualidade de vida na terceira idade. No entanto, com o aumento da sobrevida, há uma busca pela melhoria da qualidade de vida, com o intuito de alcançar uma velhice bem-sucedida, respeitando seus valores e crenças, sua visão de saúde e a atuação social. A qualidade de vida multidimensional e as representações sociais partem dos principais aspectos a serem considerados em relação à vida e à saúde do indivíduo idoso. Nessa perspectiva, o presente estudo tem o objetivo de conhecer as representações sociais dos idosos acerca da qualidade de vida; medir a qualidade de sua vida e analisar a relação entre ela e as representações sociais desse grupo social. Trata-se de um estudo de base de dados secundários, em que foram utilizadas como aporte teórico as representações sociais, com ênfase na abordagem estrutural, e envolveu 250 idosos da rede de serviços do SUS de João Pessoa-PB. Como instrumentos de coleta de dados, foram utilizados o questionário com dados sociodemográficos, o TALP e os instrumentos WHOQOL, para medir a qualidade de vida. Os dados referentes ao TALP foram processados pelo software Evoc. e os sociodemográficos e dos instrumentos utilizando os
programas estatísticos SPSS 13.0. Os resultados estão dispostos em tabelas. Dos idosos estudados, houve uma prevalência de idade entre 60 e 79 anos (85,2%), a maioria do sexo feminino (70,4%), casados ou que vivem com companheiro (a), com renda mensal entre um e três salários mínimos (70,8%). Em relação à forma como os idosos percebem a qualidade de vida, a maioria a considera boa (52,0%) e 50,4% se dizem satisfeitos com sua saúde. Quanto às representações sociais, baseadas na abordagem estrutural, os elementos de centralidade são
alimentação e assistência. Para os idosos, existe a preocupação com a alimentação e a
importância dela em sua saúde, que intervém na qualidade de vida, assim como um atendimento de qualidade que lhes permita serem assistidos em suas necessidades. Os idosos associam, ainda, a qualidade de vida à presença de paz, o que foi demonstrado pela
tranquilidade ao terem uma moradia própria que representa para eles um descanso, acrescido
pela ideia de se encontrarem cercado de bons amigos e recebendo muito amor, com Deus
acima de tudo, e de serem bem cuidados para gozar de boa saúde e conseguir trabalhar.
Considerando os aspectos levantados, espera-se que tais resultados possam fornecer subsídios para a implementação de programas efetivos e preventivos de educação em saúde, visando melhorar a qualidade de vida dos idosos.
ABSTRACT
SARMENTO, A.M.M.F. The Daily Knowledge of Elderly Quality of Life. 2015. 54f. Dissertation (Master of Nursing). Health Sciences Center, Federal University of Paraíba, João Pessoa.
Population aging is one of the greatest public health challenges. The aging process follows the evolution of humanity and highlights the health-disease in the elderly as a biopsychosocial phenomenon. The social value of the elderly policies arouse the interest of researchers from different areas in the theme regards quality of life in old age. However with increased survival there is a search for improving the quality of life in order to achieve a successful old age, respecting their values and beliefs, their vision of health and social action. The quality of life multidimensional and social representations, run from the main aspects to be considered in relation to life and health of the elderly. In this perspective the present study aims to understand the social representations of the elderly on the quality of life; measure the quality of life of older people; and analyze the relationship between quality of life and social representations of the elderly. This is a secondary database study, was used as the theoretical social representations with emphasis on structural approach. It involved 250 elderly of the service network SUS João Pessoa-PB. Was used as collection instruments, the questionnaire with demographic data, TALP and WHOQOL instruments for measuring quality of life. The data relating to TALP was processed by Evoc software and sociodemographic and instruments using statistical programs SPSS 13.0. The results are graphs tables, of the elderly studied the average age was between 60 and 79 years (85,2%), most of the female (70,4%), married or living with a partner (a), with a monthly income of less than one to three minimum wages (70,8%). Regarding the perception of the elderly quality of life most consider it good (52,0%) and (50,4%) says their satisfied with their health. The social representations based on structural approach, the central elements are the feed and assistance where for the elderly, there is concern about the feed and the importance of this in their health intervened thus the quality of life, as well as a quality care that enables them to be assisted in their needs. Older people still associate quality of life the presence of peace shown by the tranquility to have its own house representing for them a rest, plus the idea of their being surrounded by good friends and getting a lot of love with God above all things, and being careful enjoy good health and be able to work. Considering the issues raised is expected that these results can provide support for implementation of effective and preventive health education programs to a better quality of life turned for the elderly.
RESUMEN
SARMENTO, A.M.M.F. El conocimiento diario de Calidad Superior de la Vida. 2015. 54f. Tesis (Maestría en Enfermería). Centro de Ciencias de la Salud, de la Universidad Federal de Paraíba, João Pessoa.
Envejecimiento de la población es uno de los mayores retos de la salud pública. El proceso de envejecimiento sigue la evolución de la humanidad y pone de relieve el proceso salud-enfermedad en adultos mayores como un fenómeno biopsicosocial. El valor social de las políticas de ancianos despertar el interés de investigadores de diferentes áreas de la calidad respecto del tema de la vida en la vejez. Sin embargo, con el aumento de la supervivencia no es una búsqueda de la mejora de la calidad de vida con el fin de lograr una vejez exitosa, respetando sus valores y creencias, su visión de la salud y la acción social. La calidad de las representaciones multidimensionales y sociales de la vida, correr de los aspectos principales a considerar en relación con la vida y la salud de los ancianos. En essa perspectiva, el presente estudio tiene como objetivo comprender las representaciones sociales de las personas mayores en la calidad de vida; medir la calidad de vida de las personas mayores; y analizar la relación entre la calidad de vida y las representaciones sociales de las personas mayores. Se trata de un estudio de base de datos secundaria se utilizó como las representaciones sociales teóricas con énfasis en el enfoque estructural. Se trataba de 250 ancianos SUS red de servicios de João Pessoa-PB. Fue utilizado como instrumentos de recolección, el cuestionario con datos demográficos, TALP e instrumentos WHOQOL para medir la calidad de vida. Los datos relativos a TALP fueron procesados por el software Evoc y sociodemográficos y los instrumentos mediante los programas estadísticos SPSS 13.0. Los resultados se representan gráficamente las tablas, los ancianos estudiados el promedio de edad 60 a 79 años (85,2%), la mayoría de las mujeres (70,4%), casados o que viven con un compañero (a), con un ingreso mensual de 1 a 3 salarios mínimos (70,8%). En cuanto a la percepción de la calidad de vida de personas mayores la mayoría considera que buena (52,0%). Las representaciones sociales sobre la base de enfoque estructural, los elementos centrales son el poder y la asistencia cuando a las personas mayores, existe la preocupación sobre el poder y la importancia de esto en su salud intervino así la calidad de vida, así como un atención de calidad que les permita ser asistido en sus necesidades. Las personas mayores todavía calidad asociado de la vida la presencia de la paz demostrada por la tranquilidad de tener su propia casa que representa para ellos un descanso, además de la idea de su estar rodeado de buenos amigos y recibiendo una gran cantidad de amor con Dios sobre todas las cosas, y teniendo cuidado gozar de buena salud y capaz de trabajar. Teniendo en cuenta las cuestiones planteadas se espera que estos resultados pueden proporcionar apoyo para la implementación de programas de educación sanitaria eficaz y preventiva para una mejor calidad de vida convertido para los ancianos.
SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO ... 14
1.1 – Construção do objeto de estudo ... 14
2 – REFERENCIAL TEÓRICO ... 18
2.1 – Envelhecimento e qualidade de vida ... 19
2.2 -Teoria das Representações Sociais ... 22
3 – ABORDAGEM METODOLÓGICA ... 27
3.1 – Tipo de estudo ... 27
3.2 – Campo de estudo ... 27
3.3 – Constituição da amostra... 27
3.4 – Aspectos éticos ... 27
3.5 – Instrumentos e técnicas de coleta de dados ... 28
3.6 – Análise dos dados ... 29
4 – RESULTADO E DISCUSSÃO ... 32
4.1- Caracterização sociodemográfica dos idosos ... 32
4.2- Qualidade de vida dos idosos ... 33
4.3-Representações sociais da qualidade de vida construída por idosos ... 38
5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 43
Referências ... 46
Anexos ... 50
Certidão ... 50
Questionário dados sociodemográficos ... 51
Instrumento Whoqol-Bref... 52
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1 INTRODUÇÃO
1.1 Construção do objeto de estudo
Com o envelhecimento da população, começou a surgir o interesse em se estudarem dimensões importantes para melhorar a qualidade de vida, o que deve ser enfrentado em diferentes contextos e regiões – cada uma com suas singularidades. Esse aspecto constitui um grande desafio para a saúde pública contemporânea.
Procurar vencer tal desafio é uma prioridade das políticas públicas para pessoas idosas dos países em desenvolvimento. Diferentemente da qualidade de vida dos idosos nos países desenvolvidos, onde essa população já usufrui de políticas focadas cada dia mais em seus direitos para uma vida digna, nos países em desenvolvimento, ainda são insipientes as ações direcionadas à população de idosos para esse fim.
Estima-se que o atendimento das necessidades básicas dos idosos seja considerado relevante nos países desenvolvidos, porém é nos países em desenvolvimento que o envelhecimento da população tem ocorrido de forma mais acentuada e com menor qualidade de vida, visto que, nos países desenvolvidos, o envelhecimento é associado à melhoria da qualidade de vida e das condições gerais, enquanto, nos demais, acontece de maneira rápida, sem que haja políticas públicas para pessoas idosas que visem reorganizar socialmente a saúde dessa população.
A busca pela longevidade é uma das grandes metas do ser humano, porquanto o aumento da expectativa de vida constitui uma realidade preocupante do ponto de vista político e social. Como conquista social, espera-se que o envelhecimento venha acompanhado por anos vividos com boa qualidade, a fim de que se possa vivenciar uma velhice bem-sucedida, com respeito, e cujos valores sejam respeitados para que essas pessoas se sintam mais valorizadas.
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vista político quanto econômico e social, na perspectiva de atender às suas necessidades amparando-os. (SILVA et al., 2012).
Com o incremento da idade, os problemas de saúde tendem a aumentar e a se agravar, principalmente devido ao acúmulo das doenças crônico-degenerativas típicas do envelhecimento. Associado a esse fato, os idosos participantes desta pesquisa dependem do SUS para terem acesso a uma assistência de saúde necessária, devido ao perfil socioeconômico, que é considerado de baixa renda. De acordo com as pesquisas, o município de João Pessoa, através da Estratégia de Saúde da Família, presta assistência a um expressivo contingente de idosos de baixa renda, caracterizados por depender economicamente de pensões e aposentadorias para sobreviver (DIAS et al., 2012).
A qualidade de vida da pessoa idosa é uma dimensão importante a ser considerada mediante suas condições de vida, principalmente no âmbito da saúde, por ser um segmento da social mais frágil e que requer mais preocupação dos governantes. O processo saúde-doença é um aspecto indissociável do contexto político que deve ser considerado, requer um pensar sobre a saúde que envolvam ações que visem melhorar a qualidade de vida, porque, em decorrência da longevidade iminente, prevalecem alterações no estado de saúde dos idosos (VECHIA, 2005; IBGE, 2012).
Estudar a qualidade de vida é ter um olhar multidimensional que envolva tanto critérios objetivos quanto subjetivos. Para tanto, são diversos os determinantes que envolvem os estudos sobre qualidade de vida, que envolvem saúde, meio ambiente, percepção de bem-estar, condições econômicas, relações interpessoais, trabalho e acesso ao lazer, aos determinantes associados a sentimentos como: felicidade, solidariedade, ser útil e liberdade, entre outros subjetivos de modo contextualizado sócio-culturalmente (KLUTHCOVSKY; TAKAYANAGUI, 2007; OLIVEIRA et al., 2010; SILVA; NUNES, 2012).
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apontar áreas que mais precisem de melhorias e que são carentes de políticas públicas de saúde efetivas (GUTIERREZ; AURICCHIO; MEDINA, 2011).
No Brasil, uma das características marcantes da população idosa é seu baixo poder aquisitivo, pois muitas famílias sobrevivem com renda igual ou inferior a um salário mínimo. A aposentadoria e as pensões constituem sua principal fonte de rendimento e o retorno dos idosos ao mercado de trabalho ou sua permanência se dá, sobretudo, no mercado informal em atividades mal remuneradas e jornadas de trabalho extensas (FALLER et al., 2010).
Conhecendo tais fragilidades, acentuadas na necessidade de se investigarem dimensões tão importantes, do ponto de vista social e acadêmico, sobre a qualidade de vida e as representações sociais, explorando dimensões objetivas e subjetivas, é que se pretende estudar o que pensam os idosos sobre a qualidade de vida. Para tanto, os aspectos abrangidos pelas representações sociais fundamentam uma melhor compreensão da realidade. Como formas de conhecimentos que são construídos e compartilhados socialmente em grupos sociais (MOSCOVICI, 2003), as representações sociais visam compreender a dinâmica e as consequências do envelhecimento, para se se possam implementar políticas e ações efetivas para melhorar a qualidade de vida.
Segundo Moscovici (2003), as representações sociais dimensionam comportamentos e facilitam a comunicação, sustentadas pelas influências sociais que irão constituir as realidades do dia a dia da nossa vida, estabelecendo as associações com as quais lidaremos no cotidiano.
Assim, as representações construídas socialmente pelos idosos em relação à qualidade de vida é o objeto desta pesquisa, por contribuir para que se entendam as condições de saúde e possibilitar conhecer a forma como os idosos se comportam diante de fatores que influenciam a qualidade de vida.
Para tanto, as questões que norteiam este estudo são: Como os idosos representam a qualidade de vida? Qual a qualidade de vida dos idosos? Existe relação entre a qualidade de vida e as representações sociais desses indivíduos?
Para responder a tais questões, este estudo tem os seguintes objetivos:
Conhecer as representações sociais dos idosos acerca da qualidade de vida; Medir sua qualidade de vida;
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2- REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 - ENVELHECIMENTO E QUALIDADE DE VIDA
O crescente aumento da população de idosos ocorrido no Brasil se deu de forma radical e acelerada e é considerado um acontecimento sem precedentes, que vem acompanhando um fenômeno mundial, que repercute na sociedade e reflete nas ações voltadas para as necessidades específicas do idoso. Essa realidade reflete nas mudanças socioculturais que vêm ocorrendo no país, onde a expectativa de vida ultrapassa os 73 anos, o que possibilita aos idosos novas formas de vivenciar essa fase da vida, com mais qualidade e novas possibilidades (VERAS, 2009).
Segundo Cotta et al (2002), a transição demográfica representa um grande impacto na sociedade, mas é na saúde que mais influencia, tanto por sua repercussão nos diversos níveis assistenciais quanto pela demanda por novos recursos e estruturas. O idoso enfrenta o fenômeno do envelhecimento de modo singular e único, caracterizado pela perda da capacidade orgânica, no entanto esse processo natural é previsto na evolução humana, de modo que ele não é considerado um incapaz por ter envelhecido, e as doenças mais comuns nessa etapa da vida são diagnosticáveis e tratáveis (MARTIN, 2006).
Pensando assim, prolongar a vida é objetivo de qualquer sociedade, mas essa conquista deve dar um novo significado à vida, voltando-se para a atenção integral à saúde. A saúde do idoso é prioridade nas ações do Ministério da Saúde, promulgada a partir da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), enfatizada de maneira multidimensional (VERAS, 2009).
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A imagem do idoso contemporâneo vem superando o contexto de velhice tradicional, devido às características mais dinâmicas e participativas em determinadas situações sociais. Enquanto algumas pessoas apresentam declínio na saúde e nas competências cognitivas precocemente, outras vivem saudáveis até atingir idades muito avançadas. O aumento do número de idosos no país é um dos maiores desafios da saúde pública, principalmente por causa da falta de uma estruturação sociopolítica econômica que ampare as pessoas idosas (SILVA et al., 2012). Avaliar as condições de saúde do idoso está diretamente relacionado à qualidade de vida, influenciada pelo sexo, pela idade, pela escolaridade e pela condição de vida.
A preocupação com a qualidade de vida do idoso é inerente aos desafios que ele enfrentará quando um comprometimento de suas condições de saúde ocorrer, porquanto, devido á longevidade iminente, há uma prevalência de alterações no estado de saúde que preocupa pesquisadores e governantes, associado ao fato de ser idoso (THE WHOQOL GROUP, 1995). Logo, qualidade de vida é uma expressão que se reveste de grande complexidade, devido à subjetividade que representa para cada pessoa ou grupo social, o que pressupõe a capacidade de efetuar uma síntese de todos os elementos que determinada sociedade considerada como padrão de conforto e bem-estar, reflete que conhecimentos, experiências e valores individuais e coletivos (GORDIA et al, 2011).
Portanto, qualidade de vida é um conceito considerado interdisciplinar, para cujo aprimoramento são envolvidas diversas áreas do conhecimento, e pode estar associada à ausência de enfermidades, principalmente de sintomas ou disfunções. Entretanto esse conceito é reducionista, já que ela é mais compreendida como a manutenção da saúde em todos os aspectos da vida humana: físico, social, psíquico e espiritual (PIMENTA et. al, 2008).
O interesse nos estudos sobre qualidade de vida surgiu a partir da II Guerra Mundial, quando foi utilizado o termo boa vida para se referir à conquista de bens materiais. O conceito
foi ampliado e passou a medir o quanto uma sociedade se desenvolvia economicamente. Com a criação de indicadores econômicos, foi possível comparar a qualidade de vida de diferentes países e culturas. Posteriormente, o termo passou a designar, além do crescimento econômico, o desenvolvimento social (MARTINS et. al. 2007).
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investigações científicas, para conhecer a temática e sua relação com questões socioculturais e biológicas. A Organização Mundial de Saúde organizou-se com especialistas de diversas regiões para formar grupos de estudos sobre qualidade de vida e desenvolver instrumentos de avaliação numa perspectiva transcultural (PEREIRA; TEIXEIRA; SANTOS, 2012). Segundo esse Órgão, o conceito de qualidade de vida (THE WHOQOL GROUP) é subjetivo e multidimensional, contempla elementos positivos e negativos, e é entendido como a “percepção do indivíduo e sua posição na vida, levando em consideração o contexto cultural e sistemas de valores a ele atribuído, em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”
(PEREIRA et al, 2006, p.28).
Inicialmente, elaborou-se o instrumento de avaliação de qualidade de vida WHOQOL-100, composto de 100 itens a serem respondidos em escala tipo Likert, distribuídos em seis domínios: psicológico, físico, nível de independência, relações sociais, ambiente e espiritualidade. Posteriormente, foi desenvolvida uma versão abreviada desse instrumento, de acordo com a necessidade de dinamizar sua aplicação - o WHOQOL-BREF, composto por quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. Depois de um tempo, avaliando a qualidade de vida em população adulta, criou-se um módulo complementar a ser adicionado aos instrumentos já existentes - o WHOQOL-OLD - específico para avaliar adultos idosos contemplando suas especificidades. É um módulo complementar a ser aplicado juntamente com o WHOQOL-BREF e que, atualmente, já se consagra como um instrumento fidedigno para ser utilizado com fins científicos e validado no Brasil. As medidas de qualidade de vida são importantes no tocante à avaliação de saúde, tanto na perspectiva individual quanto social, devido às múltiplas escalas de avaliação presentes no instrumento que tenta responder à contradição aparente que existe entre a velhice e o bem-estar/velhice-doença, o que contribui para se compreenderem o envelhecimento e os limites e alcances do desenvolvimento humano (FLEK, 2000).
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ideia de bem-estar e conforto, assim como de realização individual e coletiva (MARTINS, 2007).
O nível de satisfação em relação à família, ao afeto, ao ambiente e ao social refletem diretamente na qualidade de vida das pessoas. O bem-estar individual e a satisfação estão diretamente relacionados à forma como enfrentam as experiências de vida. Nesse sentido, a qualidade de vida vem se diferenciar de saúde no que tange às dimensões da saúde mental, da função física e do bem-estar psicossocial, que abrange um campo semântico de muitos significados, considerando as concepções coletivas de conforto e tolerância determinados pela sociedade. No entanto, a multidimensionalidade de uma pessoa que é refletida a partir das condições de seus domínios: físico, psicológico, nível de independência, relações sociais, meio ambiente e aspectos espirituais, nem sempre apresenta o equilíbrio ideal e precisa ser percebido de acordo com as possibilidades reais de cada sujeito no processo saúde/doença (VECHIA et al, 2005).
Falar de qualidade de vida em idosos engloba, além da saúde, domínios como meio ambiente, recursos econômicos, relacionamentos, trabalho e lazer. Devem-se levar em conta, também, a autoestima, a capacidade funcional, a condição socioeconômica, o estado emocional, a interação social, a atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, o estado de saúde, os valores culturais, éticos e religiosos, o estilo de vida, a satisfação, que inclui o emprego, as atividades diárias e o ambiente em que vive. Para o idoso, a qualidade de vida tem como base o bem-estar, que deriva do grau de satisfação com suas realizações, ou seja, a qualidade de vida é fortemente determinada pela autonomia e pela independência das doenças crônicas existentes (OLIVEIRA et al, 2010).
Quando discutimos sobre qualidade de vida, um ponto importante a ser mencionado diz respeito ao bem-estar das pessoas com crença espiritual, por serem mais positivas no enfrentamento de doenças e esperançosas quanto ao tratamento de saúde, o que demonstra que a religiosidade e a espiritualidade podem auxiliar no apoio social e no ajustamento psicológico. Outros aspectos importantes envolvem a fé e a resiliência para enfrentar as situações de adversidades ao se lidar com o estresse e melhorar a qualidade de vida (CARDONA-ARIAS, 2010).
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inteligência e interesses devem ser consideradas. Abordam, também, a qualidade de vida como uma representação social criada a partir de parâmetros subjetivos e objetivos relacionados às necessidades básicas e às criadas por grau de desenvolvimento econômico e social de determinada sociedade. Consideram que se podem aproveitar as possibilidades da vida, escolher, decidir e controlar sua vida (PEREIRA; TEIXEIRA; SANTOS, 2012).
Ao investigar a qualidade de vida de forma multidimensional, identificam-se os principais aspectos a serem considerados em relação às singularidades que envolvem a saúde do idoso e influenciam o processo saúde-doença (SANTOS, 2002).
Portanto, avaliar a qualidade de vida dos idosos e suas condições de saúde nos permite propor intervenções por meio das políticas públicas, visando ao seu bem-estar e à melhoria de sua vida.
2.2 – TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
A teoria das representações sociais é concebida como um aporte importante no estudo das novas direções e dos sentidos ligados a mudanças socioculturais. A partir dessa perspectiva, a construção das representações sociais é uma estruturação à qual cada cultura confere significados diversos e determina papéis e status para aqueles que envelhecem. Podem coexistir diferentes imagens e ideias não uniformes. É um conhecimento socialmente elaborado e partilhado a respeito de um objeto que concorre para a construção de uma realidade comum, ou seja, orientam o comportamento dos indivíduos para interpretarem o que acontece na vida cotidiana. Dessa forma, nós, sujeitos sociais, captamos os fatos, os dados do nosso ambiente e suas informações (TURA, 2012).
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As representações sociais exploraram a variação e a diversidade das ideias coletivas da sociedade moderna. Essas diversidades refletem a falta de homogeneidade dentro das sociedades com distribuição desigual de poder e geram heterogeneidade de representações. Nesses pontos, há uma falta de sentido, em que o não familiar parece entrar em ação para familiarizar o não familiar e restabelecer um sentido de estabilidade. A familiarização é sempre um processo construtivo de ancoragem e objetivação, que não só emergem como um modo de compreender um objeto particular, mas também como uma forma em que o sujeito adquire uma capacidade de definir uma função de identidade (MOSCOVICI, 2011). O conhecimento socialmente elaborado e partilhado com um objeto prático contribui para a construção de uma realidade, comum a um grupo social, designado senso comum, conforme Jodelet (2001).
A Teoria das Representações Sociais abrange um conjunto de preposições, reações e avaliações a respeito de um assunto, organizadas de maneiras diversas e em diferentes grupos sociais, é produzida coletivamente por razões diversas, o que contribui para os processos de formação de condutas e de orientação das comunicações sociais (SILVA et al, 2012).
Representação social significa um universo consensual de significados construídos e compartilhados socialmente, onde grupos interagem a partir dos processos de objetivação e ancoragem e são responsáveis pela interpretação e atribuição de significados comuns à problemática de seu universo. A objetivação está ligada especificamente ao pensamento social, confere materialidade às ideias, às palavras e aos esquemas conceituais. Já o processo de ancoragem tem a ver com crenças, valores e saberes pré-existentes na sociedade que promovem o enraizamento social da representação que se relaciona com a integração do novo, da novidade no pensamento ou conhecimento pré-existente à “incorporação social da novidade” (TURA,
2005).
Ancorar é o processo de transformar algo em nosso sistema particular de categorias, reajustar, ainda que com características dessa categoria, para que se enquadre nela. Significa apresentar, no solo de conhecimentos pré-existentes, novos sentidos figurados do objeto que se apresenta navegante, em que os dois sofrem transformações. Isso resulta em uma nova categoria e proporciona o enraizamento social da representação. A objetivação consiste em transformar um sentido em uma figura, dar materialidade a algo abstrato; já a ancoragem faz o inverso, transforma uma figura em um sentido, com o intuito de tornar interpretável o objeto (MOSCOVICI, 2003).
Existem quatro tipos distintos de ancoragem: a psicológica,relacionada às crenças ou
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utilizam elementos sociocognitivos diante do objeto representado; a ancoragem
psicossociológica, em que os conteúdos das representações sociais se inscrevem na maneira
como os sujeitos se situam simbolicamente nas relações sociais, nas divisões posicionais e nas categoriais próprias a um campo social definido, utilizando conteúdos inscritos em dimensões psicossociológicas; a ancoragem sociológica, que diz respeito à maneira como as relações
simbólicas entre grupos intervêm na apropriação do objeto, e a biológica/física, em que se
utilizam dimensões associadas ao funcionamento do corpo e aos processos de saúde e doença (DOISE, 1992).
As representações sociais se organizam através de sua estrutura, considerando que uma representação é um conhecimento estruturado que tem papel determinante no modo como os indivíduos veem a realidade e reagem diante dela. Esse conhecimento é dotado de componentes afetivos. As representações são definidas como uma modalidade de pensamento social, o qual também é mediado por uma dimensão afetiva. A abordagem estrutural, tal como é definida por Abric (1998), é uma representação social como uma organização, uma estrutura que é atravessada por diferentes dimensões e assinala o importante papel desenvolvido pela forte carga afetiva de uma dada situação social, na dinâmica entre práticas recíprocas entre as representações e as práticas sociais. Atualmente, na teoria, podemos propor o princípio de que a dimensão afetiva observa uma relação não aleatória com o núcleo central. Isso significa dizer
que o núcleo central assegura sua função organizadora e estruturante das cognições afetivamente carregadas através de relações de significação (SÁ, 2003).
A abordagem estrutural é organizada em dois sistemas: um central, integrado por poucos elementos cognitivos do objeto representado relativamente, independente do contexto social imediato com expressiva resistência à mudança; e um periférico, que engloba os demais elementos representacionais e que é mais influenciável e modificável pela realidade das situações práticas vigentes. O primeiro está ligado à memória coletiva e à história do grupo, enquanto o segundo reflete a integração das histórias e das experiências individuais apreendendo também aquisições mais recentes (SÁ, 2003).
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de tipo específico, em torno de um núcleo central, constituindo-se em um ou mais elementos que dão significado à representação (GOMES; OLIVEIRA, 2005).
Pensar em representação social da qualidade de vida gera uma discussão de valores sociais e de condutas culturais, razão por que são necessárias ações que levem ao processo de formação e transformação das representações sociais, pelo enfrentamento de situação a partir de uma abordagem psicossocial, sob a ótica dos próprios idosos, ou seja, do conhecimento do senso comum. A representação social tem o foco na maneira pela qual os sujeitos buscam compreender as coisas ou fenômenos estranhos ou novos que o cercam, sobretudo conhecer o
que “pensam” acerca de fenômenos ou objetos desconhecidos, permitindo sua aproximação
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3 - METODOLOGIA
3.1. TIPO DE ESTUDO
Trata-se de um estudo de base de dados secundários, subsidiada na abordagem estrutural da Teoria das Representações Sociais, que visa conhecer as representações sociais dos idosos sobre qualidade de vida.
Encontra-se inserido no Projeto: Condições de saúde, qualidade de vida e representações sociais de idosos nas Unidades de Saúde da Família, do convênio UFPB/FNS do Ministério da Saúde, financiado pelo FNS/Ministério da Saúde - MS.
3.2- CAMPO DE ESTUDO
O estudo foi realizado no município de João Pessoa (JP) – Paraíba/Brasil, nas Unidades de Estratégia de Saúde da Família do Grotão I e II e na Comunidade Maria de Nazaré, de abrangência do Distrito Sanitário II. O Grotão é um bairro da zona sul do município de João Pessoa, capital do estado da Paraíba, cercado pelos Bairros Geisel, Funcionários II e III. A Maria de Nazaré, localizada na periferia de João Pessoa, nos Funcionários II, é uma comunidade de baixa renda, que se fixou naquele lugar por meio de uma ocupação organizada pelo movimento dos sem-teto. No que se refere a serviços de saúde, a comunidade é assistida pela Estratégia de Saúde da Família.
3.3 CONSTITUIÇÃO DA AMOSTRA
O estudo foi composto por 250 idosos de ambos os sexos, residentes na área urbana do município de João Pessoa/PB, atendidos nas Unidades de Estratégias de Saúde da Família do Grotão e Comunidade Maria de Nazaré, escolhidos aleatoriamente.
Os critérios de inclusão adotados foram: estar com 60 anos ou mais, segundo critérios da Organização Mundial de Saúde, residir no setor censitário do município há mais de seis meses, apresentar condições cognitivas para responder ao instrumento e aceitar participar do estudo.
3.4 ASPECTOS ÉTICOS
A pesquisa seguiu os critérios éticos estabelecidos na Resolução 466/2012 –
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(BRASIL, 2012), que rege as pesquisas com seres humanos. Os participantes da pesquisa foram devidamente esclarecidos sobre os objetivos do trabalho, que ficariam livres para participar da pesquisa e, ao aceitar, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética/HULW nº 261/90, folha de rosto nº 294027 (Anexo A).
3.5 - INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS
A base de dados secundários utilizados nesta pesquisa encontra-se disponível no Laboratório de Pesquisa em Enfermagem, Saúde e Representações Sociais da UFPB. Os dados foram coletados entre os meses de maio a julho de 2010, nas Unidades de Saúde da Família (USF), a partir dos seguintes instrumentos:
a) Aplicou-se um questionário contendo informações sobre os dados sociodemográficos dos sujeitos do estudo, com os quais foi possível caracterizar o perfil dos idosos estudados (Anexo B).
b) O Teste de Associação Livre de Palavras (TALP) foi utilizado com o estímulo indutor «qualidade de vida», durante o qual os idosos foram orientados a falar cinco palavras de que se lembravam quando ouviam o termo «qualidade de vida» e indicar entre as palavras evocadas apenas uma que consideravam mais importante. O teste “TALP” consiste na evocação de respostas a partir de um estímulo indutor, que pode ser uma palavra ou um termo que permite evidenciar, entre elas, grupos semânticos de palavras. É uma técnica projetiva orientada, em que o estimulo indutor é previamente definido em função do objeto estudado, e o resultado é evidenciado pelas respostas dadas, através de elementos que constituem uma rede associativa dos conteúdos evocados em relação a cada estímulo indutor. Esse teste foi adaptado no campo da Psicologia Social e, desde então, vem sendo amplamente utilizado em pesquisas de representações sociais (ABRIC, 2003).
c) Para o WHOQOL-Bref e o WHOQOL-Old (Anexo D), os resultados apreendidos dos 250 instrumentos correspondentes foram digitados e codificados em dicionário no Microsoft Excel 2007 for Windows para análise de dados (ANEXO C e D).
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físico é composto de sete itens (dor e desconforto; energia e fadiga; sono e repouso; mobilidade; atividades da vida cotidiana; dependência de medicação e capacidade de trabalho); o domínio psicológico tem seis itens (sentimentos positivos; pensamento, aprendizagem; autoestima; imagem corporal; sentimentos negativos e espiritualidade); o domínio relações sociais contém três itens (relações pessoais, apoio social e atividade sexual); no domínio meio ambiente, constam oito itens (segurança física; ambiente no lar; recursos financeiros; cuidados de saúde; informação; recreação e lazer; ambiente físico e transporte).
O WHOQOL Old é um instrumento específico para avaliar a qualidade de vida de idosos. Foi desenvolvido por Power et al (2005) e validado no Brasil por Fleck et al (2006), com o apoio do Grupo WHOQOL (The Whoqol Group, 1997). É composto de vinte e quatro itens, divididos em seis domínios (funcionamento dos sentidos, autonomia, atividades passadas, presentes e futuras, participação social, morte e morrer e intimidade). Cada domínio tem quatro itens, os escores podem variar de quatro a vinte e têm escala tipo Likert de um a cinco, cujos escores variam de quatro a vinte pontos em cada domínio, ou seja, alguns itens são produzidos de modo positivo, em que respostas mais altas indicam uma qualidade de vida melhor e outros de modo negativo, em que respostas mais baixa indicam a pior qualidade de vida.
Foi utilizado o escore geral, que é obtido através da soma dos vinte e quatro itens. A escolha do instrumento se justifica por seu potencial para avaliar o impacto de diferentes condições físicas e psicológicas em relação ao envelhecimento, intervenções, o impacto de serviços de saúde e de diferentes programas de saúde e de cuidados sociais na qualidade de vida de idosos, além de ser capaz de identificar as possíveis consequências das políticas de saúde em relação à qualidade de vida desses idosos.
3.6 - ANÁLISE DOS DADOS
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As propriedades psicométricas do instrumento WHOQOL-Bref e do WHOQOL-Old foram verificadas por meio da avaliação de confiabilidade e validade. Calculou-se o Coeficiente Alfa de Cronbach () para verificar a consistência interna do instrumento para a amostra estudada. A análise foi realizada para todas as questões do instrumento, considerando-se os 259 participantes do estudo. O nível de significância adotado para este estudo foi de 5% (p<0,05), com um nível de confiança estatística de 95%.
Os dados advindos do TALP foram digitados no programa Microsoft Word e, em seguida, categorizados por meio de aproximação semântica. Vencida essa etapa, foi elaborado o banco de dados no programa Microsoft Excel 2007 e processado no software EVOC-2003
(Ensemble de programmes permettant l’analyse des evocations).
O software EVOC procura combinar a frequência de palavras e expressões emitidas
com a ordem das evocações de cada sujeito, a fim de apreender elementos sociocognitivos associados ao objeto representado, presentes de forma mais central. Os resultados são apresentados em quatro quadrantes, cuja interpretação ocorre pela ordem média de evocação (eixo horizontal) e a frequência dos termos evocados (eixo vertical). No primeiro quadrante (superior esquerdo), situam-se os elementos mais evocados pelos sujeitos, que podem ser os prováveis elementos que formam o núcleo central da representação (termos verdadeiramente significativos para os sujeitos). O segundo quadrante (superior direito) é composto pelos elementos com maior frequência, porém tardiamente evocados; no terceiro quadrante (inferior esquerdo), estão os termos evocados numa baixa frequência, porém primeiramente (ambos os quadrantes com elementos intermediários). Ambos comportam os elementos prováveis da periferia da representação. Por fim, no quarto quadrante (inferior direito), localizam-se os elementos (periféricos) com um número menor de evocações a posterior pelos sujeitos, o que corresponde à periferia distante (VERGÈS, 2002).
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4. RESULTADO E DISCUSSÃO
4.1 – CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-DEMOGRAFICA DOS IDOSOS
Nos aspectos sociodemográficos da amostra estudada, observou-se a prevalência de idosos do sexo feminino (70,4%); idosos “jovens”, na faixa etária entre 60 e 79 anos (85,2%), casados (44,8%), de baixa escolaridade, entre um e quatro anos de estudo (30,4%), e com renda familiar de um a três salários mínimos (70,8%). Esses achados corroboram pesquisas realizadas com idosos domiciliados em diferentes regiões brasileiras(TAVARES; ARAÚJO; DIAS, 2011; BORIM; FRANCISCO; BARROS, 2014).
Tabela 1 – Perfil sociodemográfico dos idosos atendidos na Estratégia de Saúde da Família - João Pessoa-PB. 2015
Variáveis n %
Sexo
Feminino 176 70,4
Masculino 74 29,6
Faixa etária
60-64 68 27,2
65-69 63 25,2
70-74 65 26,0
75-79 16 6,4
80 ou mais 38 15,2
Classificação da idade
Idosos mais novos 213 85,2
Idosos mais velhos 37 14,8
Estado civil
Solteiro 35 14,0
Casado 112 44,8
Divorciado 20 8,0
Viúvo 83 33,2
Escolaridade (anos)
Analfabeto 28 11,2
1-4 76 30,4
5-8 67 26,8
9-11 32 12,8
12 ou mais 47 18,8
Renda familiar mensal
Até um salário mínimo 7 2,8
Entre um e três salários mínimos 177 70,8 Entre quatro e cinco salários mínimos 31 12,4 Entre seis e sete salários mínimos 10 4,0
Entre oito e dez salários mínimos 10 4,0
Mais de dez salários mínimos 2 0,8
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4.2 – QUALIDADE DE VIDA DOS IDOSOS
Na avaliação global da qualidade de vida, realizada através do WHOQOL-Bref, foi possível avaliar a percepção dos idosos quanto à QV e à satisfação com a saúde (FLECK; CHACHAMOVICH; TRENTINI, 2006). As respostas demonstraram que 52,0% dos idosos consideraram sua QV boa, e 50,4% estavam satisfeitos com sua saúde (Tabela 2). Resultado semelhante foi observado em estudo transversal desenvolvido com idosos que vivem em comunidade, na zona urbana do município de Uberaba-MG, em que predominou a autoavaliação da qualidade de vida como boa (67,3%), e de saúde, satisfatória (64,4%) (TAVARES; DIAS, 2012).
A qualidade de vida da pessoa idosa pode ser percebida conforme a maneira como ela vivencia a velhice e pode ser influenciada por diversos fatores, como o físico, o psicológico e o espiritual, além de aspectos sociais, econômicos e políticos (NERI, 2007; MORAES; SOUZA, 2005). Assim, o envelhecimento bem-sucedido pode ser entendido como a combinação da baixa probabilidade de adoecimento e deficiências, manutenção das funções físicas e cognitivas, engajamento na vida, incluindo atividades produtivas, espiritualidade, relacionamentos interpessoais e boas condições de vida(MORAES; SOUZA, 2005).
Tabela 2- Percepções da qualidade de vida dos idosos a partir do WHOQOL-BREF João Pessoa-PB. 2015
Percepção da QV n %
Avaliação da QV
Ruim 7 2,8
Nem ruim nem boa 87 34,8
Boa 130 52,0
Muito boa 26 10,4
Satisfação com a saúde
Muito insatisfeito 2 0,8
Insatisfeito 40 16,0
Nem insatisfeito nem
satisfeito 67 26,8
Satisfeito 126 50,4
Muito satisfeito 15 6,0
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que rodeiam os indivíduos (RIBEIRO et al. 2008; PONTES, 2013). Neste estudo, ao comparar os escores de QV para os domínios do WHOQOL-BREF, segundo sexo; classificação por grupo de idade; estado civil; escolaridade e renda familiar mensal, os resultados mostraram que os maiores escores médios entre os domínios foram entre os homens, os idosos mais jovens, os divorciados e os solteiros, os de nível maior de escolaridade e os com mais rendas. O domínio psicológico foi o que apresentou a maior média entre esses idosos (Tabela 2).
A QV é um conceito subjetivo fortemente influenciado pela cultura e por todas essas variáveis sociodemográficas (MOLZAHN et al. 2010; PONTES, 2013). Observa-se que, mesmo em uma amostra de maioria feminina, o sexo masculino apresenta maiores médias, o que corroborando os estudos nacionais (FALLER et al. 2010; PEREIRA et al. 2006) que indicam que, mesmo que as mulheres vivam mais do que os homens, elas apresentam piores indicadores de qualidade vida, por vivenciar mais debilidade biológica antes da morte, o que precisa ser considerado na avaliação do idoso pelos profissionais de saúde.
Quanto à faixa etária, os idosos mais jovens (abaixo de 80 anos) apresentaram melhores médias dos escores de QV nos domínios “físico” e “psicológico”. O processo de
envelhecimento é multifatorial, individual e progressivo depende da programação genética e das alterações que ocorrem em nível celular-molecular. No entanto, essas mudanças relacionadas à idade ocorrem de maneiras discretas sem comprometer as relações e a autonomia individual, por isso o envelhecimento não é considerado doença (MORAES et.al, 2010).
A atribuição de maiores médias a esses domínios indica que os aspectos avaliados no
domínio “Físico”, como a intensidade da dor e o quanto ela interfere nas atividades diárias,
quanto precisa de tratamento médico, a energia necessária para o desenvolvimento das atividades cotidianas na percepção desses idosos não interferem em seu dia a dia, como também nas dimensões percebidas a partir do domínio “Psicológico”: autoestima, pensamentos positivos, concentração, aparência, religião (FLECK et al. 2000), mostrando que esses idosos ainda são capazes de gerir a própria vida, manter a autoestima e o equilíbrio emocional, atribuindo-lhes a denominação de idosos saudáveis.
Em relação aos idosos “mais velhos”, as maiores médias foram atribuídas aos
domínios “Relações sociais” e “Ambiental”, que privilegiaram as relações interpessoais, o
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idosos dão importância a valores como vínculo familiar, manutenção da responsabilidade com a família e o papel da fé para o alcance de um envelhecimento saudável (CALDAS E BERTERÕ, 2007).
Ao comparar a QV e o estado civil dos idosos, as maiores médias dos escores foram entre os idosos divorciados e sozinhos. Os primeiros foram nos domínios “Físico”,
“Psicológico” e “Ambiental”, e os idosos sozinhos, nas “Relações sociais”. Esse resultado
demonstra que o fato de estar sozinho ou experimentando uma separação conjugal não interferiu na qualidade de sua vida, como mostram as altas médias dos escores. Isso pode estar relacionado ao fato de que, quando vivem em suas casas, com famílias ou sozinhos, os idosos têm mais possibilidades de desenvolver várias atividades no lar ou fora dele, o que lhes dá satisfação, melhora a autoestima e, mesmo que seja portador de várias morbidades, elas não interferem em sua autonomia e independência (DIAS et al. 2013).
Neste estudo, observou-se que os idosos com maior escolaridade apresentaram maiores escores de todos os domínios, o que corrobora a literatura nacional, que aponta a escolaridade como um importante fator que interfere na QV do indivíduo, pois possibilita acesso às informações, a compreensão de seus direitos e deveres como cidadão e facilita seu acesso aos programas de educação em saúde. (INEP, 2003; PERES, 2011)
Quanto à renda familiar, os idosos que ganhavam mais de 10 salários apresentaram médias perto de 100, o que significa excelente qualidade de vida. Em contrapartida, os que ganhavam até um salário mínimo tiveram um domínio que foi abaixo de 50, significando os menores escores. A renda familiar insuficiente representa um indicador de precariedade nas condições de vida do idoso e interfere diretamente em sua QV, porquanto implica dificuldades de atender a diversas necessidades na vida do idoso, seja no âmbito físico, social ou psicológico (CALDAS, 2003).
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Tabela 3. Escores dos domínios da qualidade de vida do WHOQOL-BREF segundo dados
sociodemográficos dos idosos, João Pessoa-PB, 2015
Variáveis Físico Psicológico WHOQOL-BREF Relações sociais Ambientais
Sexo
Feminino 61,13(16,85) 64,69(12,90) 64,86(14,47) 56,04(12,43)
Masculino 62,35(14,63) 68,77(12,11) 66,44(14,72) 57,29(13,00)
p-valor 0,480** 0,030** 0,198** 0,475*
Classificação da idade
Idosos mais novos 62,43(15,75) 66,54(12,49) 65,37(14,72) 56,47(12,79)
Idosos mais velhos 56,08(17,91) 62,16(13,93) 65,09(13,58) 56,08(11,55)
p-valor 0,030** 0,037** 0,690** 0,862*
Estado civil
Solteiro 60,00(13,52) 63,92(13,13) 67,61(15,62) 56,51(14,36)
Casado 64,07(13,95) 68,05(11,20) 66,22(12,89) 57,10(11,34)
Divorciado 68,21(16,78) 70,20(13,12) 65,00(18,84) 58,28(15,74)
Viúvo 57,01(18,76) 62,78(13,12) 63,25(15,01) 54,98(12,68)
p-valor 0,013**** 0,011**** 0,313**** 0,607***
Escolaridade (anos)
Analfabeto 58,22(12,98) 58,03(10,81) 61,90(12,09) 49,88(10,15)
1-4 58,12(17,03) 65,16(12,40) 64,80(15,90) 55,12(11,93)
5-8 61,03(17,11) 66,62(13,90) 65,54(14,92) 55,87(12,39)
9-11 67,63(11,21) 70,31(10,46) 70,05(11,56) 60,03(11,37)
12 ou mais 65,34(16,70) 67,73(12,54) 64,71(14,56) 60,70(14,19)
p-valor 0,008**** 0,001**** 0,216**** 0,002***
Renda familiar mensal
Até um salário mínimo 59,18(21,90) 64,88(15,93) 57,14(20,08) 46,87(8,65)
Entre um e três salários
mínimos 60,19(15,52)
64,07(12,34) 64,54(14,42) 54,48(11,10)
Entre quatro e cinco salários
mínimos 61,05(16,91) 70,16(12,86) 65,32(14,92) 60,58(14,38)
Entre seis e sete salários
mínimos 67,85(12,25) 67,91(11,79) 73,33(10,24) 67,18(14,45)
Entre oito e dez salários
mínimos 74,28(18,95) 77,08(13,35) 75,00(11,78) 70,31(6,79)
Mais de dez salários mínimos 85,71(5,05) 81,25(8,83) 83,33(23,57) 76,56(11,04)
Não sabe/não refere 62,91(16,84) 68,58(10,97) 64,10(10,42) 55,76(15,77)
p-valor 0,014**** 0,004**** 0,063**** 0,000***
(*)Teste T Student (**)Teste Mann-Whitney (***)Teste Anova 1 Fator (****)Teste de Kruskal-Wallis
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Ao analisar o estado civil, constatou-se que essa variável esteve significativamente associada a três facetas da qualidade de vida: ‘habilidades sensoriais’, ‘participação social’ e ‘intimidade’. Os idosos divorciados apresentaram melhores médias para as ‘habilidades sensoriais’ e a ‘participação social’. E esse resultado é contrário ao encontrado em estudos que mostram que as percepções de qualidade de vida nessas facetas são melhores em idosos casados (VAGETTI et al. 2013; ERKAL et al. 2011).
Adicionalmente, a escolaridade também apresentou uma relação estatisticamente significativa com algumas facetas da qualidade de vida em idosos (‘funcionamento do sensório’, ‘atividades passado-presente-futuro’ e ‘intimidade’). Essas facetas significam aspectos importantes na vida do idoso, como suas habilidades sensoriais e as relações íntimas e pessoais, e descrevem sua satisfação sobre as conquistas na vida e as coisas que desejam (CHACHAMOVICH, E. et al, 2008). Diante de tal evidência, pode-se inferir que a escolaridade tem influências importantes nesses aspectos da vida do idoso, o que sugere que sejam formuladas políticas públicas educacionais voltadas para o idoso, que correspondam às suas necessidades.
A renda familiar foi a variável que se relacionou de forma estatisticamente significativa como mais facetas da QV (‘habilidades sensoriais’, ‘participação social’, ‘morte e
morrer’, ‘intimidade’). Esse resultado corrobora, em parte, o estudo desenvolvido com 1.806
idosas que participavam do programa ‘Idoso em movimento’ (VAGETTI et al, 2013). Essas facetas avaliam, além das mudanças nos órgãos do aparelho sensitivo, da inserção dos idosos nas atividades sociais e a relação com amigos e família, a preocupação com as questões de morte e aponta que os melhores escores nessas facetas da qualidade de vida estão diretamente associados a uma condição econômica favorável das idosas.
Tabela 4. Comparação entre os escores das facetas da qualidade de vida do WHOQOL-OLD e as variáveis sociodemográficas dos idosos - João Pessoa-PB, 2015
Variáveis FS AUT WHOQOL OLD PPF PSO MEM INT
Sexo
Feminino 69,24(19,47) 60,61(14,87) 60,04(14,34) 61,39(14,93) 56,28(28,28) 60,22(20,45) Masculino 72,21(18,71) 60,89(14,07) 63,26(16,90) 63,17(14,97) 64,44(25,44) 63,26(20,63)
p-valor 0,269** 0,511** 0,076** 0,492** 0,055** 0,240*
Faixa etária
60-64 74,26(17,49) 61,48(16,43) 62,22(15,92) 62,86(15,34) 53,21(29,46) 65,16(19,59) 65-69 73,80(20,10) 61,30(11,71) 62,69(14,63) 63,78(13,70) 59,02(27,74) 63,49(19,96) 70-74 68,26(18,88) 62,59(15,64) 59,42(15,82) 61,25(16,50) 63,17(25,96) 56,63(23,27) 75-79 66,01(20,66) 59,37(14,96) 60,15(15,79) 61,71(13,28) 63,28(25,40) 58,98(13,49) 80 ou mais 61,51(18,17) 55,59(12,97) 59,04(13,52) 58,38(14,03) 58,38(27,65) 58,55(19,35)
p-valor 0,006**** 0,172**** 0,685**** 0,387**** 0,340**** 0,241***
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Solteiro 66,78(21,58) 60,00(15,47) 60,00(11,76) 60,53(15,29) 56,60(27,61) 55,35(22,28) Casado 72,43(17,60) 61,04(13,21) 62,72(14,23) 64,56(12,87) 60,60(26,84) 65,90(17,91) Divorciado 80,31(16,98) 65,62(16,53) 65,62(15,77) 66,56(14,66) 53,43(33,89) 62,81(17,49) Viúvo 65,96(19,79) 59,33(15,53) 57,98(17,08) 57,83(16,50) 58,28(27,47) 56,70(22,38)
p-valor 0,008**** 0,140**** 0,140**** 0,008**** 0,850**** 0,013***
Escolaridade (anos)
Analfabeto 64,50(14,63) 56,69(13,81) 53,79(13,53) 54,91(11,70) 52,23(26,69) 58,03(26,56) 1-4 65,21(20.08) 61,26(12,41) 58,79(14,79) 59,86(15,72) 57,73(26,47) 57,64(21,00) 5-8 68,93(20,06) 60,35(16,62) 61,38(16,06) 63,43(15,35) 64,08(26,79) 62,03(19,25) 9-11 75,97(15,80) 61,13(13,06) 66,99(13,95) 69,33(13,41) 63,47(27,50) 61,91(19,33) 12 ou mais 79,12(17,78) 62,36(16,35) 64,22(14,37) 62,23(13,66) 53,19(30,50) 66,75(17,34)
p-valor 0,000**** 0,252**** 0,003**** 0,000**** 0,153**** 0,198***
Renda familiar mensal (salários mínimos)
Até um 62,50(13,50) 66,07(10,11) 61,60(11,80) 58,92(14,36) 53,57(21,60) 57,14(28,28) Entre um e três 68,60(18,96) 59,46(14,33) 59,21(14,21) 60,66(14,63) 57,90(27,02) 57,94(20.09) Entre quatro e cinco 75,00(19,76) 62,90(17,74) 64,31(19,24) 63,91(18,23) 57,25(29,05) 68,34(21,03) Entre seis e sete 80,00(17,87) 61,87(8,56) 65,00(15,92) 66,87(14,14) 80,62(29,82) 71,87(16,20) Entre oito e dez 83,12(15,87) 70,00(11,71) 70,00(13,11) 71,87(10,31) 66,87(32,01) 70,00(11,33) Mais de dez 96,87(4,41) 71,87(4,41) 75,00(0,00) 78,87(4,41) 87,50(8,83) 65,62(22,09) Não sabe/não refere 61,53(19,40) 59,61(16,46) 64,90(17,59) 62,01(11,82) 48,07(25,56) 73,55(18,60)
p-valor 0,006**** 0,070**** 0,078**** 0,036**** 0,019**** 0,035***
(*)Teste T Student (**)Teste Mann-Whitney (***)Teste Anova 1 Fator (****)Teste de Kruskal-Wallis
FS=habilidades sensoriais, AUT= autonomia, APPF= atividades passado-presente-futuro, PSO = participação social, MEM = morte e morrer, INT= intimidade
4.3 – REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA QUALIDADE DE VIDA CONSTRUÍDA POR IDOSOS
Depois de aplicar o TALP com o termo indutor “Qualidade de Vida” para 250 sujeitos, utilizado para apreender a estrutura das representações sociais da qualidade de vida para os idosos, os dados processados pelo EVOC 2003 apontam 1182 evocações, contendo 75 palavras diferentes. Foram determinadas a ordem média das evocações (OME) em 2,7 e a frequência média (FM) em 52, conforme mostra a tabela 1 abaixo:
Tabela 5 –Resultado do TALP para o termo indutor “Qualidade de vida”
__________________________________________________________ Número de sujeitos 250
Número de palavras diferentes evocadas 75 Número total de evocações 1182 Média das ordens médias de evocações (OME) 2,7
Média das frequências de evocações (Fm) 52__________
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diagrama de quatro quadrantes. Tal procedimento determina a distribuição dos resultados no eixo horizontal referente à OME (valores menores do lado esquerdo), e o vertical, referente à FM (valores maiores para a parte superior). Os elementos com frequência igual ou maior a 52 e média das ordens médias de evocação (OME) menor do que 2,7 encontram-se no quadrante superior esquerdo; os com frequência igual ou maior do que 52 e OME maior ou igual a 2,7 estão no quadrante superior direito; os elementos com frequência menor do que 52 e OME menor do que 2,7 foram enquadrados no inferior esquerdo; enfim, no quadrante inferior direito, localizaram-se os elementos cuja frequência é menor do que 52 e OME maior ou igual a 2,7 conforme pode ser visualizado no Quadro 1 (VERGÉS et al. 2012).
Quadro 1. Distribuição dos elementos segundo a evocação dos sujeitos - João Pessoa, PB - 2015
1º Quadrante – Núcleo central 2º Quadrante – 1ª Periferia
OME < 2,7 f OME OME < 2,7 f OME
f ≥ 52
Alimentação Assistência 137 121 2,511 2,372 f <52 Atividade Diversão Família Finanças 54 199 64 72 3,037 2,859 3,563 3,181 3º Quadrante – Elementos de controle 4º Quadrante – 2ª Periferia
f ≥ 52
Alegria Bem-estar Vida Viver 41 18 20 27 2,683 2,056 1,700
1,963 f < 52
Amor Amigos Cuidado Descanso Deus Moradia Paz Saúde Trabalhar 29 20 14 24 25 38 45 21 22 3,759 3,950 3,714 3,333 3,000 3,000 3,133 2,762 3,000
OME ≥ 2,7 f OME OME ≥ 2,7 f OME
Legenda: Fm: média de frequência; f: frequência; Ome: ordem média de evocação
Os elementos com atributos de centralidade são: alimentação (137) e assistência
(121), e os que compõem o sistema periférico são: amor; amigos; cuidado; descanso; Deus; moradia; paz; saúde e trabalho.
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alimentação saudável, boa, adequada e rica em frutas e verduras, o que demonstra uma
preocupação com a alimentação e sua importância, na saúde, que intervém na qualidade de vida.
Braga e Lautert (2004), em seus estudos, apontam que 92,27% dos idosos informaram que consumem alimentos saudáveis. Tais achados foram identificados neste estudo, em que os idosos se preocupam com a qualidade dos alimentos ingeridos, porquanto a dieta equilibrada e adequada tem importante papel na saúde do idoso e pode auxiliar no controle e na prevenção de doenças, uma vez que a alimentação saudável exerce um importante papel na manutenção e no bem-estar do indivíduo, o que contribui para melhorar a qualidade de sua vida.
Tal preocupação é importante para os idosos e reforça o pensamento de Feldman (1993), que aponta para a necessidade de identificar os riscos nutricionais em idosos, por ser uma função complexa decorrente das dificuldades de diferenciar as alterações relacionadas ao envelhecimento daquelas decorrentes de doenças e da ingestão inadequada de alimentos e nutrientes. A nutrição adequada dos idosos está atrelada a um conjunto de fatores não apenas relacionados às mudanças biológicas da idade e dos hábitos de vida, mas também aos fatores socioeconômicos que afetam adversamente o acesso a uma alimentação saudável e interferem na qualidade de sua vida. Em seus estudos, Abreu (2013) constatou que a dieta inadequada apresentada pelos idosos estava relacionada à baixa renda familiar (igual ou inferior a um salário mínimo), embora não houvesse associação ao baixo peso nem ao sobrepeso. Confirmando esse fato, Abreu et al. (2008) e Vítor et al. (2009) afirmam que a baixa renda dos idosos limita o acesso a diversos alimentos ricos em vitaminas e minerais, gera baixo consumo de energia e limita o acesso a bens e a serviços e de consumo, como alimentação e moradia.
Os idosos relacionam, ainda, a qualidade de vida à necessidade de acesso à
assistência,que eles consideram como um bom atendimento, com assistência médica, coberta
pelos planos de saúde e acesso a tratamentos, evidenciando a preocupação dos idosos com um atendimento de boa qualidade, que permita a eles serem assistidos em suas necessidades. A baixa renda também desempenha importante papel na saúde do idoso (TAVARES et al., 2011), o que evidencia a relevância da política previdenciária e a dependência dos idosos por serviços oferecidos pelo Sistema Único de saúde (SUS) para o acompanhamento de saúde.
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doenças características do envelhecimento, que passaram a se destacar na sociedade. Por causa disso, as internações hospitalares são mais frequentes nos idosos, e o tempo de ocupação do leito é maior quando comparado com outras faixas etárias. Assim, o envelhecimento populacional tem a maior carga de doenças na população, mais incapacidades e aumento do uso dos serviços de saúde, o que reforça a inquietação dos idosos que participaram deste estudo.
Em qualquer que seja o indicador de saúde estudado, os idosos sempre apresentam índices mais elevados de morbidade e de mais proporção a agravos e a procedimentos médicos, em relação aos demais grupos etários, pois, em geral, as doenças que acometem os idosos têm características crônicas, múltiplas e exigem acompanhamento constante e medicação de uso contínuo (VICTOR et al, 2009).
Os idosos também associam qualidade de vida á presença de paz, o que é demonstrado
pela tranquilidade ao terem uma moradia própria, que lhes proporciona um descanso, acrescido
pela ideia de se encontrarem cercado de bons amigos e recebendo muito amor, com Deus,
acima de tudo, sendo bem cuidados para gozar de boa saúde econseguir trabalhar. (Quadro 1)
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