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Lucifer Historico

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EE

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USCA DO

USCA DO

LL

ÚCIFER

ÚCIFER

H

H

ISTÓRICO

ISTÓRICO

Shirlei Massapust Shirlei Massapust

 YHWH será

 YHWH será acalmaacalmado do por ti. por ti. Venha atrevida e iVenha atrevida e irritada,rritada, trabalhando e batucando este ponto cantado. Chorosa trabalhando e batucando este ponto cantado. Chorosa e dramática, você contará a história deste funeral para e dramática, você contará a história deste funeral para o Rei de Babel.

o Rei de Babel.

Certa vez o Juiz de Israel enviou uma ministra religiosa como embaixatriz Certa vez o Juiz de Israel enviou uma ministra religiosa como embaixatriz para entregar e traduzir oralmente uma carta ao Rei de Babel (

para entregar e traduzir oralmente uma carta ao Rei de Babel ( ) ) àà

estado sulista xingava todo nortista de vampiro, digo,

estado sulista xingava todo nortista de vampiro, digo, ḫapiru (ḫapiru (

agregá-los como escravos! O Juiz de Israel desejava que seu aliado político agregá-los como escravos! O Juiz de Israel desejava que seu aliado político atuasse como árbitro na solução do conflito, provavelmente ordenando a atuasse como árbitro na solução do conflito, provavelmente ordenando a alforria dos cidadãos escravizados por mais de três anos na forma do § 117 do alforria dos cidadãos escravizados por mais de três anos na forma do § 117 do Código de Hamurabi, mas respeitando o direito previsto no § 119, dos pais que Código de Hamurabi, mas respeitando o direito previsto no § 119, dos pais que pagassem o resgate das mães de filhos comuns

pagassem o resgate das mães de filhos comuns33  ainda que todos fossem  ainda que todos fossem instruídos e educados para o exercício do comercio familiar.

instruídos e educados para o exercício do comercio familiar. O

O  māšāl apresentado pela dram  māšāl apresentado pela dramática encenação da embaixatriz paraática encenação da embaixatriz para entreter a realeza era um fragmento independente e autônomo. Fazia parte da entreter a realeza era um fragmento independente e autônomo. Fazia parte da burocracia da época trocar presentes diplomáticos sempre que o representante burocracia da época trocar presentes diplomáticos sempre que o representante de um estado estrangeiro visitava o outro.

de um estado estrangeiro visitava o outro. Então, como a Babilônia era cheia deEntão, como a Babilônia era cheia de túmulos suntuosos, lendas de espíritos ancestrais e a coisa mais chique do túmulos suntuosos, lendas de espíritos ancestrais e a coisa mais chique do mundo era construir pirâmides, o Juiz de Israel achou que o Rei de Babel mundo era construir pirâmides, o Juiz de Israel achou que o Rei de Babel adoraria receber estórias de funerais, exumações e fantasmas! A primeira delas adoraria receber estórias de funerais, exumações e fantasmas! A primeira delas era a cópia resumida de um Livro das Sombras (uma espécie de epitáfio móvel, era a cópia resumida de um Livro das Sombras (uma espécie de epitáfio móvel, escrito para ser lido com soleni

escrito para ser lido com solenidade durante o enterro do seu protagonista).dade durante o enterro do seu protagonista).

11 SAMPAIO, Fernando G. SAMPAIO, Fernando G. A História do Demônio  A História do Demônio . Porto Alegre, Garatuja, 1976, p . Porto Alegre, Garatuja, 1976, p 28.28. 22 O hebraico moderno excluiu o verbo O hebraico moderno excluiu o verbo ultrajar ultrajar  ( (

época em que o estreito relacionamento entre os dois reinos era atestado pelo época em que o estreito relacionamento entre os dois reinos era atestado pelo obelisco de Kalah, exposto no Museu Britânico, que retrata o rei de Israel Jeú obelisco de Kalah, exposto no Museu Britânico, que retrata o rei de Israel Jeú (842-815 ANE) prostrado diante de Salmanasar III, pagando-lhe tributo.

(842-815 ANE) prostrado diante de Salmanasar III, pagando-lhe tributo.11

Ele explicou a ela que o viajante costumava ter problemas com a Casa Ele explicou a ela que o viajante costumava ter problemas com a Casa de Jacó (

de Jacó ( ), pois o cidadão de renda per capita mais modesta do), pois o cidadão de renda per capita mais modesta do ), quando ), quando lhe contratava como prestador de serviços. Ao invés de remunerar os obreiros lhe contratava como prestador de serviços. Ao invés de remunerar os obreiros era mais fácil ultrajá-los (

era mais fácil ultrajá-los ( ), reduzi-los à mendicância (), reduzi-los à mendicância ( ))22 ee

) de Isaías 14:3, mas ele existe no manuscrito 1QIsaª. O termo ) de Isaías 14:3, mas ele existe no manuscrito 1QIsaª. O termo

sufixo. sufixo.  é o verbo

 é o verbo mendigar mendigar  ( (

33 Talvez seja necessário emendar Talvez seja necessário emendar ) no tempo perfeito, reflexivo, com ) no tempo perfeito, reflexivo, com  (1Q Isa (1Q Isaaa) ou) ou

diz respeito aos filhos das escravas, futuros mestres de obras (

diz respeito aos filhos das escravas, futuros mestres de obras ( ). R.). R.  (4Q Isa (4Q Isa

cc) em) em . A refer. A referênciaência

Ḥiyya comenta sobre Isaías 14:2, informando Ḥiyya comenta sobre Isaías 14:2, informando

ֵֵ

que era permitido manter relacionamento sexual com uma escrava após o terceiro mês de cativeiro. (PISKA 12:17. Em: que era permitido manter relacionamento sexual com uma escrava após o terceiro mês de cativeiro. (PISKA 12:17. Em: BRAUDE, William G.

(2)
(3)

H

HISTÓRIAS DE FANTASMASISTÓRIAS DE FANTASMAS

Foram encontradas vinte e cinco cópias do Livro de Isaías em

Foram encontradas vinte e cinco cópias do Livro de Isaías em ḪirbetḪirbet Qumrân e outra no Wadi Murabba‘at. Todos datam por volta do ano 100 a.C. Qumrân e outra no Wadi Murabba‘at. Todos datam por volta do ano 100 a.C. Infelizmente apenas três copias (1Q Isa

Infelizmente apenas três copias (1Q Isaaa, 4Q Isa, 4Q Isacc e 4Q Isa e 4Q Isaee) contém o capítulo) contém o capítulo 14 no todo ou em partes. Eugene Ultrich publicou fotos coloridas de todos os 14 no todo ou em partes. Eugene Ultrich publicou fotos coloridas de todos os rolos e fragmentos nos volumes X e XXXII do periódico

rolos e fragmentos nos volumes X e XXXII do periódico Discoveries in theDiscoveries in the Judaean Desert 

Judaean Desert   (DJD) da Universidade de Oxford. Fotos legíveis em preto e  (DJD) da Universidade de Oxford. Fotos legíveis em preto e branco de IQ Isaª também foram publicadas por Millar Burrows e John Trever branco de IQ Isaª também foram publicadas por Millar Burrows e John Trever na coletânea

na coletânea The Dead Sea Scrolls of St. Mark’s Monastery The Dead Sea Scrolls of St. Mark’s Monastery . O manuscrito 1Q. O manuscrito 1Q Isa

Isaaa  possui um sistema ortográfico e morfológico diferente do hebraico  possui um sistema ortográfico e morfológico diferente do hebraico moderno

moderno44, mas é possível regredir termos do texto corrente para preencher as, mas é possível regredir termos do texto corrente para preencher as lacunas deixadas por uma costura no couro do manuscrito sempre que as lacunas deixadas por uma costura no couro do manuscrito sempre que as palavras deformadas pela textura irregular parecem ser as mesmas. Somente palavras deformadas pela textura irregular parecem ser as mesmas. Somente uma palavra na décima quinta linha da coluna XII de 1Q Isa

uma palavra na décima quinta linha da coluna XII de 1Q Isaaa  não pôde ser  não pôde ser reconstituída porque ela é um termo de três consoantes, iniciado por

reconstituída porque ela é um termo de três consoantes, iniciado por alef alef (( ),), que inexiste no códice Firkovich B 19 (1008 d.C.) e seus derivados. Esta é a que inexiste no códice Firkovich B 19 (1008 d.C.) e seus derivados. Esta é a minha reconstituição do conjunto de documentos enviados de presente para o minha reconstituição do conjunto de documentos enviados de presente para o Rei de Babel, narrando os preparativos de um en

Rei de Babel, narrando os preparativos de um enterro e uma exumação:terro e uma exumação: Conteúdo do manuscrito 1Q Isaª correspondente a Isaías 14:4-21

Conteúdo do manuscrito 1Q Isaª correspondente a Isaías 14:4-21

Col. Linha Col. Linha 66  6  6 77 88 99 10 10 11 11 12 12 13 13 14 14 15 15 16 16 17 17 18 18 19 19 20 20 21 21 22 22 23 23

Existem centenas de milhares de edições revistas e anotadas conforme a Existem centenas de milhares de edições revistas e anotadas conforme a orientação ideológica de centenas de milhares de organizações religiosas orientação ideológica de centenas de milhares de organizações religiosas diferentes e é por i

diferentes e é por isso mesmo que nenhuma delas nosso mesmo que nenhuma delas nos serve. (Afinal já dizia ums serve. (Afinal já dizia um velho ditado:

velho ditado: Traduttore, traditore Traduttore, traditore ...). Se eu simplesmente traduzisse o quadro...). Se eu simplesmente traduzisse o quadro acima sem explicá-lo haveria só mais um grão de milho extra no saco; só mais acima sem explicá-lo haveria só mais um grão de milho extra no saco; só mais uma entre infinitas opções que se escolhem com base na fé ou pura confiança. uma entre infinitas opções que se escolhem com base na fé ou pura confiança.

44 BROYLES, Craig C. & EVANS, Craig A. Writing & Reading the Scroll of Isaiah: Studies of an Interpretative Tradition. BROYLES, Craig C. & EVANS, Craig A. Writing & Reading the Scroll of Isaiah: Studies of an Interpretative Tradition.

New York, Brill, 1997, Vol 2, p 502. New York, Brill, 1997, Vol 2, p 502.

 5

 5 4 4 XII XII XII XII  7  7 XII XII XII XII  8  8  10

 10  9 9 XII XII XII XII

 11  11  12  12 XII XII  13  13 XII XII  . .  . . XII XII  15

 15  14 14 XII XII XII XII

 17  17  16 16 XII XII  18  18 XII XII  19  19 XII XII XII XII 20 XII 20 XII XII XII  21  21 XII XII

(4)

Portanto é mais importante investigar o contexto histórico e ambientação da Portanto é mais importante investigar o contexto histórico e ambientação da narrativa do que traduzi-la sequencialmente.

narrativa do que traduzi-la sequencialmente.  A

 A princípio princípio adotarei adotarei o o método método da da navalha navalha de de Ockan Ockan para para estipular estipular oo contexto, batendo de frente contra todas as crenças, inclusive as nossas. Por contexto, batendo de frente contra todas as crenças, inclusive as nossas. Por exemplo, analisando criticamente o

exemplo, analisando criticamente o  māšāl  māšāl percebemos que traduzirpercebemos que traduzir   por expressões surrealistas como “subirei acima das nuvens”    por expressões surrealistas como “subirei acima das nuvens” 55

este local deve ser Tel Dan: Única cidade fortificada israelita possuidora de dois este local deve ser Tel Dan: Única cidade fortificada israelita possuidora de dois altares (bām

altares (bāmooṯ ṯ ê), escondida na floresta, no sopé do Monte Hermon. Nela tudoê), escondida na floresta, no sopé do Monte Hermon. Nela tudo foi construído com pedregulhos empilhados, inclusive as cisternas.

foi construído com pedregulhos empilhados, inclusive as cisternas. P

PERGUNTAERGUNTA:: OO ESPÍRITO DO HOMEM MORTO SUBIU ATÉ  ESPÍRITO DO HOMEM MORTO SUBIU ATÉ OSOS “ “ ASTROS  ASTROS DE DEUSDE DEUS”?”?

Este foi um dado que me intrigou por muito tempo: Por que há “astros” Este foi um dado que me intrigou por muito tempo: Por que há “astros” ou “planetas de órbita interior” nos arredores dos altares? Os antigos egípcios ou “planetas de órbita interior” nos arredores dos altares? Os antigos egípcios acreditavam que o espírito humano é composto de três partes chamadas

acreditavam que o espírito humano é composto de três partes chamadas ka ka ,, ba ba 

55BÍBLIA DE JERUSALÉM BÍBLIA DE JERUSALÉM . São Paulo, Paulus, julho de 1995, p 1382.. São Paulo, Paulus, julho de 1995, p 1382.

66 VAUGHAN, Patrick H. VAUGHAN, Patrick H.The Meaning of ‘Bām The Meaning of ‘Bām â’ in the Old Testament â’ in the Old Testament : A study of etymological, textual and archeological: A study of etymological, textual and archeological

evidence, p 89, nota 2. evidence, p 89, nota 2.

77 LWRY, Samuel. Ma LWRY, Samuel. Maṣṣēbāh and Bāmāh in 1Q IsaiahA 6:13.ṣṣēbāh and Bāmāh in 1Q IsaiahA 6:13. Em:Em: Journal of Biblical Literature Journal of Biblical Literature , vol. 76, nº 3 (setembro, vol. 76, nº 3 (setembro

de 1957), p 225-232. de 1957), p 225-232.

88 FRAZER, J.G. FRAZER, J.G. El Folklore em el Antiguo Testamento El Folklore em el Antiguo Testamento . Trd. Gerardo Novas. México, Fondo de Cultura Econômica, 1981,. Trd. Gerardo Novas. México, Fondo de Cultura Econômica, 1981,

p 452-459. p 452-459.

99 A forma  A forma de construir e administrar o altar de sacrifícios é descrita node construir e administrar o altar de sacrifícios é descrita no Livro do Êxodo Livro do Êxodo , do capítulo 25 ao 31., do capítulo 25 ao 31. 10

10 JENSEN, Joseph. Helel Ben Sha JENSEN, Joseph. Helel Ben Shaḥar (Isaiah 14:12ḥar (Isaiah 14:12-15) in Bible and Tradition. Em: BROYLES, Craig C. & EVANS, Craig-15) in Bible and Tradition. Em: BROYLES, Craig C. & EVANS, Craig

 A.

 A. Writing and Reading the Scroll of Isaiah Writing and Reading the Scroll of Isaiah : Studies of an : Studies of an interpretative tradiinterpretative tradition. New York, Brill, 1997, tion. New York, Brill, 1997, p 341p 341

11

11 ROBINSON, A. Zion and ROBINSON, A. Zion and ṢāpṢāpôn in Psalm XLVIII 3. Em:ôn in Psalm XLVIII 3. Em: Vetus Testamentum Vetus Testamentum . EUA, BRILL, janeiro de 1974, vol. 24,. EUA, BRILL, janeiro de 1974, vol. 24,

fascículo 1, p 118. fascículo 1, p 118.

  não faz o   não faz o   é um termo incomum para nuvens. Este   é um termo incomum para nuvens. Este menor sentido. Acontece que

menor sentido. Acontece que

vernáculo costuma indicar uma floresta ou a terra barrenta encharcada pela vernáculo costuma indicar uma floresta ou a terra barrenta encharcada pela chuva. Definitivamente bām

chuva. Definitivamente bāmooṯ ṯ ê ê (( ) também não é o verbo subir! E eu não) também não é o verbo subir! E eu não seria a primeira pessoa a imaginar que todos os tradutores “podem ter optado seria a primeira pessoa a imaginar que todos os tradutores “podem ter optado pela omissão de uma palavra incompreensível”.

pela omissão de uma palavra incompreensível”.66  O fato do plural bām  O fato do plural bāmooṯ ṯ êê anteceder o singular ‘āḇ demonstra tratar

anteceder o singular ‘āḇ demonstra tratar-se de um conjunto de coisas menores-se de um conjunto de coisas menores dentro de uma coisa maior. Ou seja, o sítio arqueológico pode ser reconhecido dentro de uma coisa maior. Ou seja, o sítio arqueológico pode ser reconhecido pela existência

pela existência de mais de um bāmāh  de mais de um bāmāh dentro da cidade escondida na floresta.dentro da cidade escondida na floresta. O bāmāh era um altar ao ar livre constru

O bāmāh era um altar ao ar livre construído nos arredores do cemitérioído nos arredores do cemitério77 de uma cidade fortificada, rodeada por uma reserva ecológica.

de uma cidade fortificada, rodeada por uma reserva ecológica.88 O termo deriva O termo deriva da raiz bām

da raiz bāmâ que se refere aos órgãos internos, lombo ou parte do corpo deâ que se refere aos órgãos internos, lombo ou parte do corpo de um vertebrado que tenha bastante carne, preferencialmente localizada na parte um vertebrado que tenha bastante carne, preferencialmente localizada na parte inferior do corpo, mais preferencialmente ainda na parte traseira. Os altares de inferior do corpo, mais preferencialmente ainda na parte traseira. Os altares de  YHWH

 YHWH (único (único deus deus mencionado mencionado no no texto) texto) foram foram chamados chamados de de bbāmāmooṯ ṯ ê porqueê porque eles funcionavam como uma espécie de churrasqueira e eram neles que os eles funcionavam como uma espécie de churrasqueira e eram neles que os sacerdotes sacrificavam e coziam os animais ofertados para o consumo. sacerdotes sacrificavam e coziam os animais ofertados para o consumo.99 Somente o sacrifício expiatório não era comido pelos ministros religiosos nem Somente o sacrifício expiatório não era comido pelos ministros religiosos nem por suas respectivas famílias ou qualquer o

por suas respectivas famílias ou qualquer outro cidadão da comunidade.utro cidadão da comunidade. Está escrito que o lugar freqüentado por Enlil Ben Ša

Está escrito que o lugar freqüentado por Enlil Ben Šaḥar ficava naḥar ficava na pedreira ao norte (

pedreira ao norte ( ) da montanha da congregação () da montanha da congregação ( ). Em). Em 1Q Isaª existe um contraste vertical entre as expressões “pedras ao norte” 1Q Isaª existe um contraste vertical entre as expressões “pedras ao norte” (( ) e “pedras da cisterna” () e “pedras da cisterna” (

expressão yark 

expressão yark eethêthê ṣāpṣāpôn ôn (( ).). 10

10  No Salmo 48:3 a mesma  No Salmo 48:3 a mesma ao mesmo sítio arqueológico.

(5)

e akh . Quando alguém morre o akh  vai a julgamento na corte celeste enquanto os dois outros elementos permanecem na terra. Uma múmia dotada de ka , ba  e akh  é auto suficiente, pois o akh  coleta nutrientes para sustentar-se. Por outro lado, a que teve o akh   condenado à segunda morte se transformava num espírito faminto. O ba   era representado por um homem pássaro. “Ele podia esvoaçar à vontade, mas sempre retornava ao cadáver, seu perpétuo poleiro”.12  Até hoje, entre os judeus, o ba  é chamado de neshama ( -se

[O Juiz de Israel fez um pedido para sua embaixatriz:] [1º DOCUMENTO]:

12 A ERA DOS REIS DIVINOS : 3000-1500 a.C. Trd. Pedro Maia Soares. Rio de Janeiro, Abril, 1991, p 74.

13  FORD, J. N. The “Living Rephaim” of Ugarit: Quick or Defunct? Em: BUTZON Verlag & KEVELAER, Bercker (ed.)

Ugarit-Forschungen : Internationales Jahrbuch für die Altertumskunde Syrien-Palästinas. German, Neukirchener Verlag Neukirchen-Vluyn, 1992, band 24, p 98.

14 Isto deve ser uma metáfora onde a divindade destrói alegorias simbólicas por representação, mas a fraze admite a

interpretação alternativa “YHWH quebrou”. Efetivamente deus é uma entidade abstrata incapaz de quebrar objetos, mas que poderia ser representada por uma estátua portando cetros frágeis e quebradiços. Embora os adereços não sejam partes dos corpos humanos eles realmente integram as figuras das estátuas. Daí a possibilidade de imaginar  “YHWH” quebrado por causa da perda dos seus cetros. Neste caso o s maus tratos ao ícone dariam azar no jogo ao seu

proprietário, Enlil Ben Šaḥar, que perdeu após ser “enfeitiçado”. Para outros exemplos de castigos a estátuas veja o costume popular brasileiro de pendurar o Santo Antônio de ponta cabeça num poço até que o intervencionismo mágico assegure o casamento da sua devota, e também o costume egípcio de destruir diáriamente, à noite, uma estátua de cera do crocodilo Apepi amarrada com fios de cabelo para que ele não soubrepujasse o deus sol Rá e houvesse a aurora na manhã seguinte. Freud explica que, na crença popular egípcia, “os demônios das trevas, das nuvens e das chuvas, sentiam os danos infligidos a suas imagens como se tivessem sido causados a eles próprios”. (FREUD, Sigmund. Totem e Tabu, e Outros Trabalhos . Trd. Órizon Carneiro Muniz. Rio de Janeiro, Imago, 1974, p 101-102).

15 O termo

) e acredita que ele permaneça no cemitério pairando sobre os seus ossos.

Em Ugarit existia um esquema semelhante, se não idêntico, onde o fantasma que sempre retorna ao cadáver era chamado de rāphā.13 Assim como os egípcios escreviam livros dos mortos, em Ugarit redigia-se o Livro do Sacrifício das Sombras , convidando os habitantes da “cidade dos repāim” (rpi arṣ) – necrópole onde os mortos habitavam – a avaliar e recepcionar o novato.  A congregação dos repāim em 1Q Isaa  retrata este mesmo antiqüíssimo rito

funerário com retoques inovadores. Inseri comentários para facilitar a leitura: o Rei de Babel.  — Você contará a história deste funeral para

 — Entoai lamentações. Aprisione o mestre de obras deitado [em] madhēbāh. Ore: “YHWH quebrou14 o cetro dos sentenciados [e o] báculo

dos legisladores”.

  — Uma ventania furiosa e incessante castigava aquela equipe inabalável. [O mestre de obras] perseguiu os companheiros15 com firmeza sem

arroxear [de frio]. silenciosa. Rinnah16

que fosse cedro (

  — Toda área estava   partiu [um cipreste (Cupressus sempervirens ) pensando Cedrus libani ). Enlil Ben Šaḥar brincou com ele dizendo]:

 Até seus Cedros do Líbano se alegraram pelo cipreste [dizendo]:  “Desde quando desabaste nenhum lenhador subiu para nos cortar!”

 traduz-se literalmente como uma pessoal “proeminente”, em ascensão social. O “companheiro” é uma espécie de estagiário que trabalha sob a supervisão direta do mestre de obras, laborando e aprendendo o ofício.

16  Nos tempos bíblicos Rinnah ( ) era um nome masculino. Provém do radical   (alegria) e indica um “cantor

(6)

  — Enlil Ben

Subirei aos altares (bāmoṯ 

 — Então para a cova foi descido, para o fundo  A meu ver a narrativa do funeral de Enlil Ben Šaḥar termina neste ponto, pois o documento descreve a morte de um eleito de deus19 conjugado com um funeral bem sucedido, perfeito e completo, com direito a leitura do tradicional Livro do Sacrifício das Sombras.20  Traduzindo em termos egípcios, o seu akh  subiu às “estrelas de deus” (

próprios re

17 Não encontrei

King Manasseh  — O subsolo da necrópole treme por ti.

cidade te recepciona.  — Os repāim peticionaram17 por ti. — A

 — Todos os bodes da nação. —

— Todos os grandes reis levantaram dos seus tronos.

Todos se cumprimentam, questionando mutuamente:

[Enlil], até vossas jóias são como as nossas, para nos imitar? [Rico anônimo], seu luxo desceu à cova! [Pobre anônimo], sua carniça zune.  Abaixo pupas fazem sua cama. Um cobertor de larvas. Šaḥar, você perdeu a sua vez!18 Você caiu no chão, azarado (

 — Você abriu seu coração ao céu e orou:ḥlš) pelas costas? Escalarei os declives, [onde observamos] os astros.

 . .

Erguerei meu túmulo [...] na montanha da solenidade, na pedreira ao norte. ê) ocultos pela floresta como um magnata (‘elyōn)! do orifício da cisterna.

) que não eram outra coisa se não os pāim congregados... A propósito, no caso desta expressão plural específica, nós lemos nos manuscritos fragmentários Ena I iii-iv e Enb I iii-iii que  “Kôkabel ensinou os sinais dos astros” (

do Monte Hermon21, sendo que no seu calendário “os astros adentraram as) após descer  em dicionários. No códice Firkovich B19A verifica-se a substituição de

sentido jurídico, indica o ato de apresentar uma contestação como d efesa processual.

18 O termo significa “colocar em uso” e o cognato representa algo “utilizável”. Nesta frase ele aparece

ção de

  por ֵ  que, em

ִ ִ ִָ

acompanhado da preposição prefixa  (do, da, de, deste, etc.). Considerando que a interpreta

do termo paralelo a  (referente ao sorteio) eu traduzi livremente como “esta rodada ” porque oTalmude  descreve depende este jogo de azar como sendo essencialmente o mesmo praticado entre as famílias judaicas. O mais comum é o jogo de piorra.

19  É possível que o copista haja omitido ou suprimido o termo que conceituava uma pessoa ofertada em sacrifício

( ַ ָ) para não assustar o rei ( ָ ָ) com um ambíguo homônimo homógrafo.

20 Sobre o ritual de sacrifício humano recomendo a leitura dos livros: STAVRAKOPOULOU, Francesca.

and Child Sacrifice : Biblical Distortions of Historical Realities. New York, Walter de Gruyter, 2004. 405p; TIERNEY, Patrick. O Altar Supremo : Uma história de sacrifício humano. Trd. Dílson Bento de Faria Lima. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1993. 508p; MACCOBY, Hyam. The Sacred Executioner : Human Sacrifice and the Legacy of Guilt. New York, Thames and Hudson, 1982. 208p. – Sobre o Livro do Sacrifício das Sombras recomendo a leitura da peça preparada especialmente para o funeral de Niqmaddu (RS 34.126/KTU 1.1161), transliterado e traduzido em: SHIPP, R. Mark. Of Dead Kings and Dirges : Myth and Meaning in Isaiah 14:4b-21. Atlanta, Society of Biblical Literature, 2002, p 54-60.

21 Em: MILIK, J.T. The Books of Enoch : Aramaic Fragments of Qumrân Cave 4. Oxford, Oxford University Press, 1976, p

(7)

primeiras portas do firmamento” (

PERGUNTA: ENLILBENŠ AḥAR FOI ASSOCIADO AO PLANETA V ÊNUS?

De acordo com Anita Seppilli, a passagem em questão  “fez pensar na existência de alguma lenda astral de anjos caídos, hebraica ou babilônica, tanto mais admissível quanto se tenha em conta o uso astrológico de personificar nos planetas as divindades”.23  Eu discordo. O tratado Shabbos do Talmude Bavli  compila um horóscopo onde o planeta Vênus é chamado de Ḵ oḵāḇ Noǥhā’ e Mercúrio de Ḵ oḵāḇ.24 O Targum  de Isaías 14:12 cita igualmente ḵoḵāḇ noǥhā’ (

interpretar a frase

22 QEnastr d 1 ii:4. Em: MILIK, J.T. Op cit , p 296-297.

23 SEPPILLI, Anita. O Diabo na Literatura e na Arte. Em: Revista do Arquivo Municipal , vol LXXXV. São Paulo, Sociedade

de Etnografia e Folclore e da Sociedade de Sociologia, setembro 1942, p 34.

24 STIEGLITZ, Robert R. The Hebrew Names of the Seven Planets. In: Journal of Near Eastern Studies , Vol. 40, No. 2.

EUA, The University of Chicago Press, Apr., 1981, p 135.

25 STENNING. J. F. The Targum of Isaiah. London, Oxford, 1953, p 48-49.

26 GOLDWURM, R' Hersh (ed.) Talmud Bavli : The Schottenstein daf Yomi Edition – Tractate Shabbos. Brooklin, Mesorah

Publications (Artscroll), 2004, 156a3.

27 Nos textos de Ugarit e em linguagens cognatas o planeta Vênus era chamado de Dilibat . Inexistem provas de que ele

fosse personificado por Ištar ou ‘Aṯtar na Babilônia. No Egito o akh não subia com destino aos os planetas de órbita interior. O mais comum é que fosse para o paraíso celeste no cinturão de Orion ou, fortuitamente, para a constelação do crocodilo (Draco). Houve uma época em que a estrela Thuban, da constelação do crocodilo, era a estrela polar em cuja volta todas as outras estrelas pareciam girar. Por causa de uma ilusão óptica ela parecia afugentar os outros astros do seu lugar no centro do universo. Por isso os egípcios observavam-na com muita atenção. Foi assim por milênios até o dia em que o dragão adormecido também começou a mover-se no céu, expulso de seu antigo posto... Os persas representavam Draco como uma serpente comedora de homens. Uma lenda chinesa descreve tal constelação roubando e comendo o Sol ou a Lua durante eclipses (foi basicamente por isso que os chineses inventaram um golpe de Kung Fu chamado “dragão pegador de esferas” que tinha por objetivo enfraquecer o adversário arrancando-lhe os testículos). Na maior pirâmide do complexo de Gizé existem duas janelas-túneis, apontando uma para Thuban e outra para Orion, que representava Osíris, o deus castrado pela serpente Seth. — Considerando que a serpente era o totem da tribo de Dan, suspeito que se os repāim de Tel Dan tivessem de escolher entre ir para Draco ou Orion eles escolheriam Draco.

).22 Ora, se um vigilante que descia do Monte Hermon após observar as evoluções dos dois planetas de órbita interior foi chamado de Kôkabel ( ), é presumível que todos aqueles que faziam a mesma coisa no mesmíssimo lugar poderiam ser kôchevêi’el ( ). Por que não?

) na frase em que o novo protagonista da estória alterada afirma ser “Vênus entre os planetas de órbita interior” ( A tradicional equiparação poética do observador com o astro o ).

25 bservado veio daí. O problema é que Vênus tinha uma péssima reputação. De acordo com o Talmude, “aquele que nasce na hora do planeta Vênus” ( ) será um homem varonil e promíscuo porque a chama da paixão queima dentro de si. Ora, quem escreveria no epitáfio de um ente querido que ele foi um mulherengo, um galinha, associando-o a influencia daquele astro vil? Ninguém!  Antes seria mais vantajoso associá-lo a Mercúrio porque “quem nasce na hora

de Mercúrio” ( ) está predestinado a ser um homem sábio.26 Talvez o grupo pré-existente intitulado de kôchevêi’el ( ) em 1Q Isaª possuísse alguma relação analógica, simbólica ou metafórica com as estrelas da manhã  ( ) associadas aos Filhos de Elohim (

em Jó 38:7, e também com Kôkabel (  já estavam no local onde o

) ) nos apócrifos de Enoch. Mas eles protagonista iria subir e, portanto, obviamente ainda não incluía o próprio Enlil Ben Šaḥar. Diante do exposto é mais seguro  nas linhas 14-15 da coluna XII de 1Q Isaª como “Eu escalarei os declives, [que nos servem como] pontos de observação astronômica [para delimitar o horário da jornada de trabalho]”.27

(8)

PERGUNTA: QUAL O SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO “TODOS OS BODES DATERRA”?

 A frase de 1Q Isaa que conceitua os repāim como “todos os bodes deste chão” ( ) usa sentido figurado idêntico ao de Ezequiel 34:17, onde

28 ROSENBERG, Rabbi A. J. Isaiah : A New English Translation. Brooklyn, Judaica Press, 2007, Vol 1, p 124.

29 4Q201, IV, v. 5. Em: MILIK, J.T. The Books of Enoch : Aramaic Fragments of Qumrân Cave 4. Oxford University Press,

1976, p 162; CHARLES, R.H. (trd). The Book of Enoch : Together with a Reprint of the Greek Fragments. USA, Kessinger, 2008, p 22-23.

30 Levítico 16:9-10 e 16:9-21.

31 MACCOBY, Hyan. The Sacred Executioner . New York, Thames and Hudson, 1982, p 35-36.

32  No séc. XIV o termo mais comum usado pela acusação em processos judiciais para referir-se às reuniões dos

acusados de bruxaria era “sinagoga”, embora “sabá”, igualmente insultuoso para os judeus, se tornasse comum no século seguinte. (RUSSELL, Jeffrey Burton. História da Feitiçaria : Feiticeiros, hereges e pagãos. Trd. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro, Campus, 1993, p 59).

o deus de Israel compara as diferentes castas israelitas com ovelhas, carneiros e bodes, conforme o crescente grau de importância hierárquica. Por outro lado o Livro de Daniel  narra um sonho profético sobre um gigantesco bode (

que da uma chifrada nas estrelas ( ) do exército do céu ( )) para derrubá-las (Daniel: 8:8-10). Logo a seguir o anjo Gabriel explica que tudo não passa de alegoria: Ali o bode estrangeiro representa a Grécia e as estrelas são todos os povos que os gregos chamavam de bárbaros (Israel incluso).

 A analogia da frase “todos os bodes da terra” ( ), em 1QIsaª, foi bastante inteligente, pois o sentido bíblico de ַ  se refere ao antigo macho alfa de um rebanho de caprinos que perdeu o posto para outro bode. Redak sugeriu que eles representam reis e príncipes que perderam o posto pela abertura da sucessão, mas receberam sepultamento adequado.28 Noutro episódio bíblico os irmãos de José despiram-no, sepultaram-no vivo numa cisterna seca, “executaram um bode” ( ) e imergiram a vestimenta no sangue do animal para dar prova do óbito (Gênese 37: 22-31). A literatura apócrifa afirma que Aśael também foi sepultado vivo por Rafael, por ordem de deus em resposta às suplicas dos homens.29  Anualmente romeiros israelitas iam ao suposto sepulcro de Aśael e lá soltavam o bode -expiatório. (Segundo a hipótese de Hyan Maccoby, o sorteio do bode-expiatório e da pomba no rito de purificação do leproso30 substituíram o sacrifício humano).31

É improvável, mas não impossível que o costume de comparar os repāim aos bodes criados pelos israelitas tenha se desdobrado em lendas medievais esdrúxulas; a exemplo da assembléia de bruxos reunida para beijar o ânus do bode na ilustração do frontispício da tradução francesa do Tractatus contra sectum Valdensium  (1460) de Johannes Tinctoris.32

(9)

Mosaico bizantino do século VI (São Apolinário, Ravena) representando uma releitura cristã de Ezequiel 34:17. Ao invés de YHWH organizar a escala hierárquica da sociedade israelita, aqui Jesus entrega suas ovelhas aos auspícios do anjo mais humilde, vestido de vermelho, e permite que Satanás, vestido de azul, colete todas as cabras e bodes.

PERGUNTA: QUEM PODE SE REUNIR AOS REPĀIM? E QUEM NÃO PODE?

Nós já estabelecemos que o contexto da narrativa fala sobre um homem subindo uma montanha para visitar os “altares na floresta” (

repare que não se deve confundir ‘elyōn ( (

33 VAUGHAN, Patrick H.The Meaning of ‘Bām â’ in the Old Testament : A study of etymological, textual and archeological

evidence, p 19.

34  STAVRAKOPOULOU, Francesca. King Manasseh and Child Sacrifice : Biblical Distortions of Historical Realities. New

 York, Walter de Gruyter, 2004, p 186-187.

). Agora ) com Elohim ( )! Isto que aparece em Isaías 14:14 não é um nome de deus, mas sim um adjetivo para homens importantes. Enlil Ben Šaḥar prometeu se portar “como um nobre” ) conforme os usos e costumes da época. Acontece que ele foi enterrado nos arredores daquela cidade. Os corpos dos primeiros reis eram os únicos aos quais se permitia o luxo de serem enterrados regularmente dentro de uma cidade.33 A casta dos construtores também era enterrada na cidade, só que em lugares estranhíssimos a exemplo de Abiram sepulto sob a pedra de fundação de Jericó, Segub sepulto sob o portão principal de Jericó34 e Enlil Ben Šaḥar que escolheu ser sepultado dentro de uma cisterna artificial em Tel Dan.

O contexto de 1Q Isaa  fala do momento em que os repāim ( ) recebem um recém chegado no subsolo da cidade que, naturalmente, continha um cemitério ( ). Lá existia todo tipo de defunto, variando desde a múmia natural conservada mediante técnicas de desidratação ( ) até aquele mais maltratado, de carne podre, cheio de ovos e larvas de moscas. Tal riqueza de detalhes serve para estabelecer um contraste entre o sepultamento ideal e o indesejável. Num dado momento um morto bem conservado reclamou do aspecto de outro mal conservado: “Sua carniça zune. Abaixo pupas fazem sua

(10)

Isso não era nada bom. Antigamente afirmar que o corpo de um membro da elite se degradou era uma ofensa grave. É por isso que, em II Reis 1:1-3, o clero israelita ofende um interventor de uma seita concorrente chamando-o de  “Senhor das Moscas, deus de Ekron” (

do infeliz possuidor de u

Beads found between stones of the core. © 1994. The Israel Exploration Society.36

Os repāim concluíram que o imitador parecia bom o bastante para habitar entre os nobres. “Seu luxo desceu à cova” (

um verdadeiro membro da nobreza maliku 

PERGUNTA:  V OCÊ ESCREVEU QUE O MESTRE DE OBRAS ESTAVA DEITADO EM MADHĒBĀH. O QUE É ISTO? UM CAIXÃO? UM SARCÓFAGO? UMA PELE DE BODE?

Ninguém sabe. Existem somente duas outras menções a madhēbāh, ambas com sentido incerto, nas linhas 3.25 e 12.18 do manuscrito 1QHª, em paralelo a “tumulto” e “ruína”.37 A sonoridade lembra maṣṣēbāh (

era a lápide com epitáfio.38 A diferença é que a ma túmulo, ao ar livre, enquanto a m

35 Compare em Oséias 2:13.

36 páginas 146 e 147.

37

). No Egito a alma m corpo degradado era condenada à segunda morte. Cada um dos mortos convocados para a assembléia está falando com e sobre todos os outros, pois no início está escrito: “Todos se cumprimentam, questionando mutuamente” ( ). A primeira pergunta deve ter sido dirigida ao anfitrião da solenidade, que estava vestido de forma tão perfeitamente adequada que os repāim exclamam admirados: “Até vossas jóias são como as nossas, para nos imitar!” ( ). Parece que o mestre de obras foi enterrado fantasiado de rei, embora ele não fosse um rei. Este era um costume amplamente difundido. O termo que descreve as jóias de Enlil Ben Šaḥar integrava o jargão específico do culto nos bāmoṯ ê, designando qualquer peça diferente de brincos que fosse composta por filamentos.35 Por exemplo, estas contas vermelhas descobertas em Tel Dan:

) tal como , merecedor do título ‘elyōn ( ).

), que ṣṣēbāh ficava acima de um adhēbāh ficava abaixo. Coincidentemente madhēbāh lembra o nome da cidade Mādabā ( ), citada na oitava linha da Estela de Mesha. Seria um produto importado de Mādabā? Alguns sugeriram

 com o feminino ָָ ֶ

 BIRAN, Avraham. Biblical Dan. Jerusalém, T he Israel Exploration Society, 1994, figura entre as

  SHIPP, R. Mark. Of Dead Kings and Dirges:   Myth and Meaning in Isaiah 14:4b-21. Atlanta, Society of Biblical Literature, 2002, p 130, nota 1.

38 IWRY, Samuel. Maṣṣēbāh and Bāmāh in 1Q IsaiahA 6:13. Em: Journal of Biblical Literature , vol. 76, nº 3 (setembro

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que madhēbāh ( ) são peças de ouro ( , corrompido como ). No ) enquanto a Ša

PERGUNTA: O  QUE ERAM OS TRONOS DOS repāim? SERIA POSSÍVEL PRODUZIR A MUMIFICAÇÃO NATURAL POR LIOFILIZAÇÃO SE O TÚMULO ESTIVESSE CHEIO DE

MOBÍLIA IGUAL À TUMBA DE TUTANKAMON?

Ibn Ezra sugeriu que os repā îm citados em Isaías 14 foram enterrados  junto aos seus tronos reais pressupondo que todos os redivivos eram reis estrangeiros.39  Mas eu não acredito que houvesse mobília de verdade nos túmulos israelitas nem que os repā îm fossem estrangeiros. Repare que a prática de enterrar o morto com sua mobília era raríssima até mesmo no Egito. Por exemplo, quando Nefer-ef-Nesu, chefe dos escultores de Gizé, decorou seu próprio jazigo na forma de um micro tumulo real ele pintou calcário para parecer granito rosa e incluiu um trono para bonecos.40 Noutros casos o trono é totalmente simbólico, tal como na seguinte oração egípcia:

Fórmula para impedir que seja roubado a N. o seu lugar que é o seu trono, no reino dos mortos . – Que ele diga: “O meu lugar é o meu trono! Vinde, fazei círculo à minha volta! Eu sou o vosso senhor, deuses; vinde, depois de mim! Eu sou o filho do vosso senhor; vós pertenceis-me, (pois) foi o meu pai que vos criou”.41

Quando Enlil Ben Šaḥar desejou agir como um aristocrata ( )

39 ROSENBERG, Rabbi A. J. Isaiah : A New English Translation. Brooklyn, Judaica Press, 2007, Vol 1, p 125, nota 9. 40 MORELL, Virginia & GARRET, Kenneth. Os Operários das Pirâmides. Em: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL . Ano 2, nº

19, novembro de 2001, p 100.

41O LIVRO DOS MORTOS DO ANTIGO EGIPTO . Trd. Maria Helena Lopes. Lisboa, Assírio & Alvim, p 1991, p 80.

ָֵ ַ ָָ

Talmude, Rav Yehudah fala em “recalcular tributos” (

gemara  sugere o pedido de “trazer mais” ( ֵָ ) riquezas (Shabbos 150a).ֵָ  Se você for supersticioso talvez importe saber que o espírito de Enlil Ben ḥar me respondeu durante um sonho que madhēbāh era um adjetivo aplicado ao espólio coletado pelos israelitas durante um episódio que inspirou o cronista do Livro do Êxodo a escrever: “Os filhos de Israel fizeram como Moisés havia dito, e pediram aos egípcios objetos de prata, objetos de ouro e roupas.  YHWH fez com que o seu povo encontrasse graça aos olhos dos egípcios, de

maneira que estes lhes davam o que pediam” (Êxodo 12:35-36).

ֶַֶ ֽ ֶ ele não estava ameaçando usurpar a posição de YHWH, seu deus, mas simplesmente expressando a intenção de se unir aos repā îm. Depois que Enlil construíu seu trono  ( ) todos os repā îm levantaram dos seus tronos  ( ); ou seja, dos seus túmulos. Diante do exposto fica provado que a hipótese do uso de ilustrações ou pequenas maquetes depositadas nos jazigos é mais plausível do que o enterro da volumosa mobília verdadeira.

(12)

FIGURA: Trono de Ahiran, rei de Tiro, esculpido em baixo relevo n a lateral do seu sarcófago de pedra (Biblos, séc. XIII a.C.). Sem sombra de dúvida Ahiran foi um dos repā îm ancestrais. (Foto

extraída da Wikipédia, verbete Ahiran).

PERGUNTA: FOI ENCONTRADA ALGUMA MÚMIA NO SÍTIO ARQUEOLÓGICO QUE

COMPROVE A HIPÓTESE DA MUMIFICAÇÃO NATURAL?

Não foi encontrada nenhuma múmia em Tel Dan nem no Monte Hermon, mas havia túmulos vazios. Outros túmulos continham ossadas normais. Logo é possível que somente as múmias tenham sido profanadas e queimadas à época das reformas religiosas tão comuns na antiguidade.

 Atualmente há outros mortos miraculosos naquela região. Por exemplo, o ermitão Yussef Makhluf, santo da Ordem Libanesa Maronita. Durante a vida ele percorreu as montanhas orando junto aos cedros em idioma aramaico. Yussef faleceu em 24 de dezembro de 1898 e foi sepultado pelo frade François Al Sebrini num pequeno cemitério privado do Mosteiro de Saint-Maron, em  Annaya. “O túmulo estava situado muito abaixo do nível do solo”. O chão foi preparado com “algumas pedras” sobre as quais estenderam “algumas tábuas e uma pele de cabra, e em cima de tudo isto o corpo”.42 Não havia caixão. Uma grande pedra coberta com terra fechava este túmulo incomum, parecido com uma cisterna inacabada... Na ocasião da primeira exumação em 15 de abril de 1899, dez testemunhas constataram a remoção do cadáver intacto de Yussef  junto a várias ossadas sepultas noutras camadas da cova coletiva. Os ossos

forneceram um parâmetro de comparação e contraste entre a decomposição

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das caveiras e o excelente estado de conservação da múmia natural. O santo foi exumado e exposto outras três vezes em 1899, 1950 e 1952.

Romeiros libaneses observam a exposição da múmia de Yussef Makhluf.

 Yussef Makhluf, exposto num caixão de vidro entre os dias 7 e 25 de agosto de 1952.43

 A propósito, quando o corpo incorrupto de Yussef Makhluf foi removido da cova coletiva em 1899, junto com várias ossadas, todos os restos mortais foram apresentados pelos monges às testemunhas presentes a fim de dar prova da ocorrência de um milagre, pois se a mumificação fosse obra da natureza então todos os mortos deveriam estar mumificados.

PERGUNTA: O CETRO DOS SENTENCIADOS E O BÁCULO DOS LEGISLADORES SÃO DOIS

CAJADOS DIFERENTES OU O MESMO OBJETO CHAMADO POR NOMES DIFERENTES?

O cetro dos sentenciados ( báculo dos legisladores 

( se refere a uma

do tablete CTA 23:8, encontrado em Ugarit, onde o folclórico “príncipe da morte” porta um par de cetros na ocasião em que é abatido pelo deus El:

mt.wšr.ytb. bdh.ḫṭ.tkl.

43 DAHER, Paul. Vie, Survie et Prodiges de L’Ermite Charbel Makhlouf , figura entre as páginas 112 e 113.

) e o

) são dois objetos diferentes. O termo ִ ִ

sentença judicial de pronúncia ou impronúncia com efeito difuso. A quebra dos cetros poderia representar a vitória sobre a morte no tribunal celeste e a conquista da eternidade. Sobretudo o versículo bíblico se assemelha ao capítulo

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bdh ḫṭ.ủlmn. Mot e Šar quedaram. Numa mão o cetro do luto. Noutra mão o cetro do véu-de-viúva.44

O texto funerário de Niqmaddu45 revela que muito cedo, em Ugarit, as famílias dos finados já escreviam “Livros do Sacrifício das Sombras”, invocando os repāim para um banquete de oferendas durante o qual era julgada a aptid ão dos recém falecidos para unir-se a eles. No Egito existia um costume parecido: Os funerais eram preparados pintando “Livros dos Mortos” onde o julgamento das almas é retratado. O espírito do morto, depois de ter invocado Osíris e os 42 juizes do tribunal divino, declara que não cometeu nenhum pecado e, portanto, que merece obter a vida eterna. O deus Thot também comparecia na forma de um babuíno e os devotos seguravam flores de lótus.46

Em Tel Dan, perto dos bāmoṯ ê, achou-se cerâmica representando um macaco, flores de lótus e figuras humanas vestidas à moda egípcia. Pequenas estátuas e bustos representando reis egípcios ou fenícios portavam diferentes tipos de coroas e cetros. Uma delas foi encontrada próxima aos cacos de um dos três jarros decorados com serpentes usados pelos sacerdotes. Outro jarro continha uma cabeçinha de rei com a coroa branca de Osíris.47  Seu padrão iconográfico é o mesmo de outra estatueta de bronze de Osíris, com cetros:

FIGURAS: Cabeça de rei com a coroa branca de Osíris e estátua de Osíris, ambas encontradas em Tel Dan.

44 CTA 23:8. Em: Gibson, J. C. L. Canaanite Myths and Legends. Londres, T & T Clark, 2004, p 123.

45 RS 34.126/KTU 1.1161, linha 18. Em: SHIPP, R. Mark. Of Dead Kings and Dirges : Myth and Meaning in Is aiah

14:4b-21. Atlanta, Society of Biblical Literature, 2002, p 57.

46  TIRADRITTI, Francesco & LUCA, Araldo De. Tesouros do Egito do Museu Egípcio do Cairo . Trd. Maria de Lourdes

Giannini. São Paulo, Manole, 1998, 301.

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Supondo que YHWH seja o deus que presidia o julgamento dos mortos no reino israelita, e que os repāim exerciam a função de jurados, que função teria Osíris, um deus estrangeiro? Será que as estatuetas de Osíris e dos reis egípcios não representavam deuses e reis, mas sim homens fantasiados? Isto acontecia muito no Egito: Neste mundo os símbolos da nobreza só podiam ser ostentados pelos faraós. Porém na morte o par de cetros (khereb  e heqa ) eram adereços de domínio público. Na tumba de Ihmotep, por exemplo, foi achada uma figura shabit   devidamente paramentada com os cetros reais e a coroa branca para permitir ao espírito do arquiteto que reinasse numa realidade alternativa, num reino de faz de conta.48

Um escultor de Tel Dan esculpiu um amuleto mortuário representando uma cena típica do Livro dos Mortos com várias adaptações. No Egito as cenas sempre mostram o perfil do falecido para que o observador conheça sua face. Em Tel Dan o morto é um homem esbelto de ombros largos e braços tão grossos quanto suas pernas esguias. Ele aparece virado de costas para o observador como se a exibição das proporções atléticas do corpo fosse mais importante do que a própria identidade facial. Este homem segura o tradicional cetro do poder diante de um trono onde, no lugar do deus Osíris, existe uma pequena figura antropomorfa com cabeça de serpente e corpo feminino. Os seios fartos e a barriga proeminente demonstram que ela está grávida. Uma escultura de cabeça similar à da deusa cobra adornava um jarro quebrado:

ESQUERDA: Amuleto mortuário proveniente de Tel Dan onde YHWH (?), na forma de uma deusa cobra, recebe um homem recém falecido. DIREITA: Possível cabeça da deusa cobra que antes adornava um jarro quebrado.

Segundo Patrick Tierney as sete figuras acima são cópias de “amuletos do séc. II a. C. ostentando símbolos judaicos: YHWH com aspectos de serpentes”.49

Observe a serpente usada como se fosse um cinto de pênis falso na figura do canto superior direito e compare com as ilustrações da página 26.

48  TIRADRITTI, Francesco & LUCA, Araldo De. Tesouros do Egito do Museu Egípcio do Cairo . Trd. Maria de Lourdes

Giannini. São Paulo, Manole, 1998, 122.

49  TIERNEY, Patrick. O Altar Supremo : Uma história de sacrifício humano. Trd. Dílson Bento de Faria Lima. Rio de

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Na mitologia egípcia o deus Osíris foi morto pela serpente (Seth) que, coincidentemente, era o animal totêmico da tribo de Dan. Daí a possível pertinência temática. No texto destacado de 1Q Isaa  o mestre de obras Enlil Ben Šaḥar foi amaldiçoado por YHWH, mas durante seu julgamento “os repāim contestam por ti” (

PERGUNTA: E XISTEM FONTES COGNATAS QUE COMPROVEM O USO DE UM RITUAL

PARA CHAMAR OS FANTASMAS DOS MORTOS?

J. N. Ford compilou e publicou um vasto material sobre o chamamento dos repāim no estimado periódico acadêmico Ugarit-Forschungen .52 No Livro do Sacrifício das Sombras preparado para o funeral de Niqmaddu, rei de Ugarit, os repāim foram despertados e congregados para recepcionar o recém falecido em seu trono (seu túmulo), exatamente como ocorre em 1Q Isaa. Nesta ocasião a família de Niqmaddu lhes ofereceu um banquete de sacrifícios.53 De acordo com J. T. Milik, no período persa era o arcanjo Rafael ( ) quem chefiava os repāim.54 O livro Shem Ephraim 

50 COBURN, Thomas B. Encontering the Goddess : A translation of the Dev ῑ -Mᾱhᾱtmya and a study of its interpretation.

Ney York, State University of New York, 1991, p 41 e 61.

51 PENROSE, Valentine. A Condessa Sanguinária . Trd. Regina Grisse Agostinho. São Paulo, Paz e Terra, 1992, p 30. 52 FORD, J. N. The “Living Rephaim” of Ugarit: Quick or Defunct? Em: Ugarit-Forschungen , Band 24 (1992), p 73-101. 53 RS 34.126/KTU 1.1161, linha 18. Em: SHIPP, R. Mark. Of Dead Kings and Dirges : Myth and Meaning in Is aiah

14:4b-21. Atlanta, Society of Biblical Literature, 2002, p 57.

54 MILIK, J.T. (Ed.). The Books of Enoch : Aramaic Fragments of Qumrân Cave 4. Oxford, Oxford University, 1976. XV, p

174.

55 ROSENBERG, Rabbi A. J. Isaiah : A New English Translation. Brooklyn, Judaica Press, 2007, Vol 1, p 125, nota 9. 56 GRIMORIUM VERUM. Em: SHAH, Idries.  A Tradição Secreta da Magia . Trd. Roberto B. O. Goldkorn. Rio de Janeiro,

Bertrand Brasil, 1995, p 108.

). Os outros mortos peticionam perante  YHWH assegurando a integridade moral do recém falecido.

E pode não ser inútil mencionar a existência de um mito universal sobre cetros capazes de dar aos seus detentores o poder de convocar e comandar os mortos. Numa obra indiana do séc. VI o “cetro da morte” é um “estranho cetro adornado com um crânio no topo” que também pertenceu ao deus da morte,  Yama, até o dia em que ele foi assassinado pelo maligno Mahiṣa. Este espólio foi herdado por K ᾱlῑ, a deusa da guerra, que complementou seu terrível visual adornando-se com um colar de cabeças humanas (Dev ῑ -Mᾱhᾱtmya 2.22 e 7.6).50  No século X o geógrafo árabe Massudi registrou a descoberta de um templo escondido na floresta, numa montanha da Boêmia, onde “previa-se o futuro e conjurava-se a má sorte”. O templo era construído em madeira e sustentado por capitéis feitos com os grandes chifres dos animais selvagens da floresta. No centro erguia-se a “a estátua de um velho apoiado num cajado que lhe servia também para fazer saírem esqueletos de túmulos”.51

ֵָָ

, citado por Shlomo Yitzḥaqi, informa que o anjo da morte podia acordar e agrupar aquela casta de mortos.55

 Ainda hoje os elementos fundamentais do folclore sobre um governante do submundo continuam a subsistir nas fontes mais disparatadas. Por exemplo, um opúsculo italiano editado no séc. XVIII ensina o leitor a evocar um servo de Lúcifer que “ressuscita os mortos”. Seu nome, Frucissière, parece o da vila francesa Frucière com erro ortográfico ou uma corrupção do verbo italiano fruire  no imperfeito fruissi  com sufixo, indicando algo ‘muitíssimo apreciável’. 56 Outra obra fraudulenta, editada por Johann Weyer em 1577, menciona um

(17)

dragão eloqüente capaz de responder as perguntas dos humanos, prestando auxílio na resolução de vários problemas da vida quotidiana, inclusive os financeiros. Este dragão governa trinta legiões de espíritos e é capaz de alterar o lugar onde os mortos se encontram, congregando os finados erguidos de seus sepulcros: Bune Dux magnus & fortis, apparet ut draco, tribus capitibus, tertium vero assimilatur homini. Muta loquitur voce: Mortuos locum mutare facit, & dæmones supra defunctorum sepulchra congregari: omnimodo hominem locupletat, redditque loquacem & sapientem: ad quæsita vere respondet. Huic legiones parent triginta .57

Kornmam afirmou no livro temático De  cadavre vivum ementife   (séc. XVII) que os judeus chamam o demônio de Príncipe dos Corpos “porque eles expulsam dos cadáveres este príncipe ou princípio impuro”. Ele compilou o testemunho fantasioso de certo Padre Armentarius que tentou realizar o ritual inverso para vivificar um filho falecido. O corpo da criança permaneceu incólume por cerca de um ano “semelhante a um cadáver vivo”, mas quando o Príncipe dos Corpos se retirou a múmia apodreceu.58

PERGUNTA: ISAÍAS14 DESCREVE A CAPANHA MILITAR DE NEBUCHADNEZZAR II?

 Acredito que o autor do séc. VII ou VIII a.C. não descreveu uma guerra, pois 1Q Isaa  atesta expressamente a ausência de inimigos naquele lugar tranqüilo onde toda a terra repousa em silencio (

Studies of the Hermon wind (…) show that winds of 50 knots are common for several months a year. Some windstorms attain what is considered to be an extremely destructive velocity: 100 to 150 knots. (In Haifa Port, loading and unloading is halted when the wind velocity reaches 30 knots, and when it reaches 40 knots all the ships are tied to wharfs).59

Lembram do episódio bíblico onde uma mulher desobedece à ordem de correr sem olhar para traz, fica parada observando o cataclismo que destrói a cidade e se transforma numa estátua de sal? (Gênese 19: 26). Pois no Monte Hermon um andarilho inapto que não souber lidar com a força da natureza pode acabar transformado numa estátua de gelo... Nada poderia ser mais heróico do que subir aquela montanha em meio à ventania, fazendo piadas! É por isso que, durante o velório, os convivas contaram um episódio da vida deste trabalhador destemido. No contexto o mestre de obras (

grupo de companheiros (

57  PSEUDOMONARCHIA DÆMONUM, § 24. Em: WEYER, Johann. De praestigiis dæmonum   (1577). Digitalizado por

Joseph H. Peterson © 2000. URL: http://www.esotericarchives.com/esoteric.htm Acessado em 05/06/2011 às 12h.

58 KORNMAN. De cadavre vivum ementife , p 20-21 e 103. Em: DES MOUSSEAUX, Roger Gougenot. Les Médiateurs Et

Les Moyens De La Magie : Les Hallucinations Et Les Savants, Le Fantôme Humain Et Le Principe Vital. França, Nabu Press, 2010.

59 DAR, Shimon. Settlements and Cult Sites on Mount Hermon, Israel:  Ituraean culture in the Hellenistic and Roman

periods. Trd. M. Erez. (BAR International Series 589). Oxford, Tempus Repartvm, 1993, p 7.

). O que seus personagens tinham era um medo justificável do vento que uiva. Até hoje, nas partes mais importantes da cordilheira do Líbano ( ) a ventania é mais perigosa do que a neve, podendo congelar pessoas em poucos minutos.

) instrui um ) que subiu a montanha para coletar madeira. O

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sentido literal de

Depois continuou a bronquear com o lenhador amador em tom de mofa, mimetizando o discurso dos cedros para o cipreste. Daí a prosopopéia:

O aprendizado sobre como distinguir uma árvore da outra era muito importante, pois até hoje o cipreste é conhecido no mercado como “cedro bastardo” sendo às vezes confundido com a outra madeira mais valiosa.

PERGUNTA: COMO SE TRADUZENLILBENŠ AḥAR ?

Para todos os judeus era prática normal um homem ser conhecido como o filho de seu pai. A inclusão de um patronímico geralmente indica ou insinua que a pessoa em questão seja de alto status  social.61 Logo, certamente Enlil é intitulado Ben Šaḥar por ser filho legítimo de um israelita chamado Šaḥar.62 Este nome próprio masculino singular deriva do substantivo šaḥar ( ), referente à coloração multifacetada que o céu assume durante o crepúsculo e a aurora. No idioma dos índios tupi este mesmo fenômeno era chamado de “Céu  Vermelho” (ibiporanga ). Na Bíblia esse era o horário ideal para se executar

criminosos. Até os anjos fogem quando šaḥar está chegando.

Como se não bastasse um homem ter um nome assim tão ‘poderoso’, ele ainda soube escolher outro nome à altura para o seu filho! O imperativo

é uma forma relacionada (hiph'il  do culto aos mortos.63

60  Nos tempos bíblicos Rinnah (   (alegria) e indica um “cantor

 indica um pessoal “proeminente”, em ascensão social. Eles eram como os estagiários que aprendem um ofício laborando sob a supervisão de um instrutor. “Uma ventania furiosa e incessante castigava aquela equipe inabalável”. Porém o mestre de obras “perseguiu os companheiros com firmeza, sem arroxear de frio” (

). Quando toda área estava silenciosa, Rinnah60  partiu um cipreste (

fosse cedro (Cedrus libani ). O mestre viu e ironizou:Cupressus sempervirens ) e apresentou como se  Até os Cedros do Líbano se alegraram pelo cipreste.

Desde quando desabaste nenhum lenhador subiu para nos cortar!  (Isaías 14:8 segundo IQIsaª, coluna XII, linhas 9-10).

ִ ֵ ) do verbo chorar, utilizado dentro do contexto  Ou seja, trata-se do choro das carpideiras mas também daquele som agudo produzido pelo vento que até hoje as pessoas associam ao murmúrio das almas dos mortos. Naquela época Enlil era o nome de um monte de pessoas, uma multidão de fantasmas, um monte de deuses, etc., assim

) era um nome masculino. Provém do radical alegre”. Um dos descendentes de Judá tinha este nome (I Crônicas 4:20).

61  GOODMAN, Martin.  A Classe Dirigente da Judéia : As origens da revolta judaica contra Roma, 66-70 d.C. Trd.

 Alexandre Lissovsky e Elisabeth Lissovsky. Imago, p 124.

62 Gibson se equivocou ao associar este Ša ḥar com o semideus Šaḥar, meio-irmão de Šalem, mencionado nas placas

CTA 23 e KTU 1.23 de Ugarit. (GIBSON, J. C. L. Canaanite Myths and Legends . London, T & T Clark, 2004, p 29, nota 1). Pelo abismo temporal que separa ambas as fontes aquele ente mitológico poderia ser, na melhor das hipóteses, somente o pai epônimo do clã dos Ben Šaḥar.

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como Maria é nome de um monte de portuguesas, um monte de beatas, um monte de santas, etc. É por isso que quando William Gallagher selecionou documentos pelo critério da contemporaneidade e proximidade topográfica, ele descobriu que “as fontes são tão numerosas e as informações tão variadas que illil   é, sobretudo, um termo coletivo para indicar qualquer coisa”.64  Como o manuscrito 4EnGiantsc  menciona Gilgameš (

vigilantes65

PERGUNTA: QUEM ESCREVEUIQ ISAª?

Isaías certamente não produziu esta cópia específica. Em Ḫirbet Qumrân existe uma montanha cheia de cavernas que funcionava como um shopping de manuscritos. Nós sabemos que a livraria-editora (

pertencia ao clã dos Bnei Šaḥar (

1Q Isaa

PERGUNTA: QUANDO ISTO ACONTECEU?

Embora a data do manuscrito disponível (150-100 a.C.) não condiga com a data presumível dos fatos narrados (860-820 a.C.), a referência a um grande abalo sísmico (

sob

64  GALLAGHER, Willian R. On the Identity of Helel ben Sahar of Is. 14:12-15. Em: Ugarit-forschungen , nº 26.

 Alemanha, Verlag Butzon & Bercker Kevelaer, 1994, p 145.

65 MILIK, J.T. The Books of Enoch : Aramaic Fragments of Qumrân Cave 4. Oxford, Oxford University Press, 1976, p

29-313.

66 Epopéia de Gilgameš (iii 18). Em: SHIPP, R. Mark. Of Dead Kings and Dirges : Myth and Meaning in Isaiah 14:4b-21.

 Atlanta, Society of Biblical Literature, 2002, p 92-93.

67  Na mitologia Lilith interage com um ídolo cabeludo ( ṣiyyim (

eremitas (

69 The Dead Sea Scroll Study

ׁ ) entre os filhos dos , talvez não seja inútil lembrar que o folclore de Ugarit descrevia o rei Gilgameš como descendente de um gênio lillû (ab-ba-ni li2-la2).66 Tanto o nome masculino Enlil ( ) quanto o feminino Lilith ( )67 são cognatos à antiqüíssima raiz LIL e muitos acreditavam na possibilidade de interagir com os lilim durante sonhos noturnos, visões diurnas e delírios de febre.68

) da quarta caverna ), emigrado de Israel, pois felizmente os seus antigos proprietários guardaram uma missiva criptografada, notóriamente de caráter privado, contendo “palavras do Maskīl para todos os

Bnei Šaḥar” ( [ ]).69

 A análise filológica determinou que os manuscritos catalogados como  e 1QS, achados na 1ª caverna, foram escritos em ortografia idêntica à da fonte donde foi copiado 4Q Enc, produzido para o comércio na 4ª caverna.70 Portanto é perfeitamente possível que o documento histórico relatando o funeral de Enlil Ben Šaḥar tenha sido preservado, copiado e vendido pelo próprio clã dos Bnei Šaḥar. (Eles também são autores de todas as cópias dos livros de Enoch aramaicos e outros tratados sobre vigilantes capitalistas, pais de gigantes híbridos, os quais foram somente descobertos naquela loja).

), a menção ao sepultamento cuidadoso de homens as pedras da cisterna  ( ), sob o piso da cisterna seca  (

), com os sacerdotes ) com os penitentes ), com os romeiros das ilhas ( ) e os chacais ( ) enquanto as filhas da gula (

festas só para comer, fingindo participar do culto (Isaías 34:13-14). Talvez os ṣiyyimsejam os “entendidos em conjurar) vão às Leviatã” citados em Jó 3:8 (compare com Salmos 74:9 e 74:14). De acordo com Édouard Langton, os adjetivos ‘och ı̂ym,  ‘iyyim e tannim   derivam de radicais no sentido de “uivar” ou “gemer de forma contínua e dissonante”. ( Lá Démonologie:  étude de la doctrine juive et chrétienne son origine et son développement. Trd. G. Waringhien. Paris, Payot, 1951, p 51-52).

68 PATAI, Raphael. The Hebrew Goddess . New York, KTAV, 1978, p 228-229.

 4Q Mysteriesª (4Q298). Em: MARTÍNEZ, Florentino García & TIGCHELAAR, Eibert J. C. Edition : Volume 1 (1Q1 – 4Q273). New York, Brill, 1997, p 656-657.

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) e o fato do texto fazer juízo de valor positivo dos bāmoṯ ê “que tanto

PERGUNTA: ENLILBENŠ AḥAR FOI MORTO POR YHWH?

 YHWH não mata ninguém em narrativas históricas (só nas míticas), pois deus é um ente abstrato; mas comumente quando alguém morre as famílias dizem que isso aconteceu porque ‘deus quis’ ou porque ‘chegou sua hora’. Uma das formas de se traduzir 1Q Isaa  fornece instruções aos responsáveis pelo velório para sepultar Enlil Ben Šaḥar e prestar luto:

Na carta remetida pelo Maskīl aos Bnei Šaḥar de Ḫirbet Qumrân, o líder comunitário informa que deus “rebaixou o lugar de Šaḥar” ( ]) para o “mais profundo abismo”  ([

humanos. Por exemplo, quando o arquiteto Hiel reconstruiu Jericó ele foi amaldiçoado ante YHWH e incumbido de sacrificar dois de seus filhos. Abiram, o primogênito, foi enterrado sob a pedra de fundação. Seu irmão Segub foi enterrado sob o portão principal da cidade (Josué 6:26 e 1 Reis 16:34).74

Em nosso caso parece que o mestre de obras girou um dado pião sobre a tabuleta ou pôs em movimento qualquer outro artefato usado em jogos de azar. Quando o objeto parou o árbitro revelou o resultado: “Enlil Ben Šaḥar,

você perdeu esta rodada!” 75 ( ). O fato foi

lastimado pelos re

71 FRAZER, J.G. El Folklore em el Antiguo Testamento . Trd. Gerardo Novas. México, Fondo de Cultura Econômica, 1981,

p 458.

72 Na Estela de Mesha (851–842 a.C.) o rei de Moabe narra o planejamento e construção de  um bāmāh em honra de

Kemoš que seria o ponto central de uma nova cidade, Karchoh, com reservatório público e cisternas particulares. Um grupo de prisioneiros de guerra israelitas, devotos de YHWH, foi capturado e instruído nas técnicas de construção de cisternas artificiais com revestimento impermeável para servirem como escravos. Foi somente após a libertação ou fuga de um ou mais escravos cativos que as novas técnicas foram levadas para Israel.

73 4Q Mysteriesª (4Q298). Em: MARTÍNEZ, Florentino García & TIGCHELAAR, Eibert J. C. The Dead Sea Scroll Study

Edition : Volume 1 (1Q1 – 4Q273). New York, Brill, 1997, p 656-657.

74  STAVRAKOPOULOU, Francesca. King Manasseh and Child Sacrifice : Biblical Distortions of Historical Realities. New

 York, Walter de Gruyter, 2004, p 186-187.

75 significa “colocar em uso” e o cognato representa algo “utilizável”.

nojo causavam aos últimos profetas” 71  são elementos suficientes para fixar o contexto narrativo na segunda idade do ferro. O primeiro documento descreve o enterro de Enlil Ben Šaḥar logo após a invenção da cisterna artificial com revestimento impermeável e sua respectiva implementação naquela cidade.72 O segundo documento descreve a exumação de alguém após a ocorrência de um terremoto cuja magnitude foi estimada por volta de 8.2 na escala Richter, que destruiu numerosos sítios arqueológicos em meados do 8º século a.C.

 — Entoai lamentações. Aprisione o mestre de obras deitado [em] madhēbāh. Ore: “YHWH quebrou o cetro dos sentenciados [e o] báculo dos legisladores”.

[ ] ).73  Portanto a hipótese de sacrifício humano não está completamente fora de cogitação. Como a profissão era herdada de pai para filho, provavelmente o epíteto “mestre de obras” ( ) servia para Enlil e Šaḥar. De acordo com Francesca Stavrakopoulou, os construtores estavam expostos ao regramento ético da classe e, à época, era esperado que eles fossem capazes de proteger suas obras ofertando sacrifícios

pāim que levantaram a hipótese de alguém haver rogado

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praga para fazê-lo perder. Eles questionam ao jogador: “Você se prosternou no solo [e foi] azarado (ḥlš) pelas costas?” (

os redivivos sugerem que Enlil Ben Ša

PERGUNTA: ENLILBENŠ AḥAR FOI APUNHALADOPELAS COSTAS?

Eu acho que não, apesar de haver autores de peso afirmando isso. R. Mark Shipp acatou a sugestão de Van Leeuwen e ambos traduziram

PERGUNTA: POR QUEENLILBENŠ AḥAR N ÃO FUGIU SABENDO QUE IA MORRER ?

Talvez não pudesse. Talvez não quisesse. Depois que Jefté prometeu sacrificar sua filha para YHWH, a menina correu em sua direção dançando e tocando tamborim (Juízes 11: 29-31). Jefté cumpriu o voto e foi promovido a  juiz de Israel. A menina que seria apenas uma mulher comum caso

permanecesse viva tornou-se uma santa cujo túmulo atraía peregrinos de toda parte, instituindo-se uma procissão anual em sua homenagem.

 A história (...) fazia parte de um costume nada ambíguo da Idade do Ferro de sacrificar crianças em troca de sucessos militares. O rei Mecha de Moab imolou seu filho nas muralhas de uma cidade moabita sitiada (2 Reis 3,27). Agamenon sacrificou sua filha Ifigênia para ter ventos favoráveis para a esquadra grega que partia para conquistar Tróia. Idomeneus, um dos gregos que retomavam triunfantes de Tróia, fez uma promessa bastante semelhante à de Jefté — sacrificar a primeira criatura que encontrasse fora de casa. Aconteceu ser seu próprio filho e ele o matou. O grego Meandro, da mesma maneira, prometeu que sacrificaria as primeiras pessoas que o congratulassem pela vitória militar na Anatólia. O infeliz grupo consistia de sua mãe, esposa e filho.

Talvez todas estas promessas vagas, seguidas por encontros  “casuais” com membros próximos da família do líder militar tenham sido

76 Gĕwî ( ) é um termo arcaico singular que se encaixa adequadamente na análise sintática da frase e em seu

). Ou seja, ḥar foi atraiçoado enquanto realizava uma reverência universalmente conhecida no mundo antigo, chamada em sânscrito de aṣṭāṅga, onde mãos, peito, fronte e pés tocam o solo.76

 como “helpless on your back”.77 Essa tradução é inverossímil, posto que o homem sorteado não morreu imediatamente. Ele teve tempo de discursar a respeito e realizar seu último desejo, que foi o de construir um jazigo perpétuo na área periférica ao norte do cemitério dos repāim. Como um moribundo, mortalmente ferido, seria capaz de carregar pedregulhos para a montanha, escavar e cimentar um túmulo no formato de uma cisterna?

contexto, sendo usado para descrever as costas de um homem. O hebraico moderno apresenta o termo plural gôyîm ( ) em Isaías 14:6, 14:9, 14:12 e 14:18, conceituado como um adjetivo pejorativo equivalente aos “bárbaros” (βάρβαρος) do idioma grego. Dizer-se que os repāim eram gôyîm seria faltar com respeito mesmo se alguns deles

fossem estrangeiros e, naturalmente, IQ Isaª não menciona gôyîm em lugar nenhum. Na linha 14 da coluna XII a palavra correspondente em Isaías 14:12 é gĕwî. Nas linhas 8, 11 e 19, da coluna XII, a palavra correspondente em Isaías 14:6, 14:9 e 14:18 é  (proeminente). Foi só no códice Firkovich B 19 que tudo virou gôyîm para concordar com a deforma, digo, reforma do Targum . [LEEUWEN, Raymond C. Van. Isa 14:12, Ḥôlēš ‘al gwym and Gilgamesh XI, 6. Em: Journal of Biblical Literature , Vol. 99, Nº 2 (Jun., 1980), p 175, 179, etc].

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