CURSO DE REDAÇÃO DE PEÇAS PROCESSUAIS
CURSO DE REDAÇÃO DE PEÇAS PROCESSUAIS
CRIMINAIS
CRIMINAIS
ESTA OBRA ESTÁ PROTEGIA PELA LEI DE DIREITOS
Aula 1 – Noções
Aula 1 – Noções
Introdutórias sore o
Introdutórias sore o
Habeas Corpus
Habeas Corpus
Parte I ! Con"eito# Nature$a %ur&di"a# Es'("ies e
Parte I ! Con"eito# Nature$a %ur&di"a# Es'("ies e
)e*iti+idade,
)e*iti+idade,
Parte II ! Pre-is.o )e*al e /er+os %ur&di"os
Parte II ! Pre-is.o )e*al e /er+os %ur&di"os
Parte
Sea e+!-indo ao Curso2
Sou Roberta Andreani Reynaud, criminalista há 20 (vinte anos), além de consultora e mentora de alguns projetos destinados ao eerc!cio da advocacia
criminal, dentre eles o 34ru'o de Mentoria Para Audi5n"ias Cri+inais3#
34uia 'ara as Prisões e+ 6la*rante3 e a fanpage 7o"aç.o %ur&di"a, onde
promovo lives sobre temas atuais e pol"micos do mundo #orense$
Resolvi criar o presente curso para atender a grande demanda dos advogados iniciantes na área criminal$ Ap%s algum tempo como consultora, pude perceber &ue um dos maiores receios e motivos de inseguran'a, é justamente a elabora'o de pe'as processuais$
este sentido, pretendo compartilhar a minha eperi"ncia pro#issional com voc", dando*lhe #erramentas para &ue possa cumprir os seus pra+os com ecel"ncia
e sem a necessidade de recorrer a modelos etra!dos da internet, os &uais muitas
ve+es no so con#iáveis e ainda, no se encaiam eatamente no caso do seu cliente$ ainda, voc" receberá dicas de como agir durante a tramita'o dos re#eridos pra+os, para melhor atender o seu assistido$
-oje, nosso tema será o da PRIMEIRA AU)A DO M8DU)O I !
este momento aprendermos.
/arte * 1onceito, ature+a ur!dica, spécies e 3egitimidade4 /arte * /reviso 3egal e 5ermos ur!dicos
/arte * -ip%teses de cabimento legal
:ONS ES/UDOS22
6$6$6 7 o'8es ntrodut%rias acerca do HABEAS CORPUS.
1;1;1;1! Con"eito# Nature$a %ur&di"a# Es'("ies e a )e*iti+idade %ur&di"a 'ara a sua I+'etraç.o
CONCEITO:
9entre os in:meros conceitos de HABEAS CORPUS, tra+idos pela doutrina
e jurisprud"ncia pátrias, o &ue me parece mais completo e ade&uado ao nosso curso, é da autoria do renomado jurista /aulo Rangel$ ;ejamos.
<= u+ re+(dio ur&di"o!'ro"essual# de &ndole "onstitu"ional# >ue te+ "o+o es"o'o res*uardar a lierdade de lo"o+oç.o# >uando a+eaçada ou "oar"tada 'or ile*alidade ou auso de 'oder< (gri#o
nosso) (/aulo Rangel in 9ireito /rocessual /enal, ditora Atlas, página 60=0)$
> remédio jur!dico*processual, uma ve+ &ue "riado 'ara sanar -iolações ?
lierdade de lo"o+oç.o; Sua !ndole é constitucional, na medida em &ue se en"ontra inserido no rol dos direitos e *arantias @unda+entais da Carta Ma*na de (artigo ?@, inciso 3; )$ /ortanto, o HABEAS CORPUS é
erigido B condi'o de "lBusula '(trea, no podendo ser abolido por emenda
constitucional (artigo =0, C D@, inciso ; da 1E de 6FGG)$
&uando a amea'a B viola'o da liberdade de locomo'o B ti-er o"orrido no "aso e+ "on"reto habeas corpus lieratório ou &uando esti-er na i+in5n"ia de a"onte"er habeas corpus 're-enti-o;
NATUREZA JURÍDICA:
H HABEAS CORPUS é AÇÃO AU/NOMA DE IMPU4NAÇÃO, de
acordo com o posicionamento majoritário da doutrina e jurisprud"ncia6$
H IJ > JKA ALMH AJ5NHKA 9 K/JOALMHP > espécie do g"nero remédio processual, destinada a desconstitui'o de. 6$ Jma 9eciso udicial4 2$ Jm Ato de Autoridade Administrativa e Q$ Jm Ato de /articular
(controvertido)2$
o caso da impetra'o de Habeas Corpus para desconstituir uma deciso
judicial, esta 'oderB ter transitado e+ ul*adoF ou n.o$
assim, eis algumas di#eren'as entre as duas espécies de remédios jur!dicos.
RECURSOS AÇ9ES DE IMPU4NAÇÃO AU/NOMAS
1 Há quem entenda que o Habeas Corpus possui a natureza mista, ou seja, é recurso e ação ao mesmo tempo. É o caso por
exemplo do jurista Magalhães oronha. !ontra o seu posicionamento, ou seja, o H! possui a natureza de ação aut"noma de impugnação, encontram#se os pro$essores. %aulo &angel, 'da %ellegrini (rino)er, &enato Marcão, *ourinho +ilho, (amil +ppel e &a$ael -antana, dentre outros.
%arte da doutrina entende que o Habeas Corpus não poderá ser impetrado contra ato praticado por particular, uma )ez
que a legislação em )igor usa a expressão /autoridade coatora0, sem contar que cae a autoridade policial conter o ato do particular. este sentido os pro$essores -érgio 2emoro Hamilton e Hélio 3astos *ornaghi. %or outro lado, a$iliam#se a possiilidade de impetração do H! contra ato de particular, os juristas %aulo &angel, 'da %elegrini (rino)er, Magalhães oronha, Miraete, dentre outros.
4 2ecisão judicial transitada em julgado é a sentença 5ju6zo monocrático7 ou ac8rdão 5*riunal7 do qual não se pode recorrer,
seja porque9 1. ' decisão é irrecorr6)el 5não comporta recurso7: ou . 's partes já interpuseram todos os recursos ca6)eis e os pr8prios já $oram julgados: ou 4. 's partes permaneceram inertes 5deixaram de interpor os recursos ca6)eis ao caso em concreto7.
RECURSO AÇÃO AU/NOMA DE IMPU4NAÇÃO
HABEAS CORPUS!
S% pode impugnar deciso judicial$ /ode impugnar deciso judicial,
ato de autoridade administrativa e ato particular
(controvertido)
Keio de impugna'o a'enas de
decis8es &ue n.o
transitara+ e+ ul*ado$
Keio de impugna'o de decis8es judiciais
(transitadas ou no em julgado)$ nterposto dentro da mesma rela'o jur!d
/rocessual$
$ Recorrente Recorrido (Acusa'o Réu)$
1ria nova rela'o jur!dico*processual $ Autoridade 1oatora, /aciente,
mpetrante$
como bem salienta o ilustre pro#essor Renato Karco, “o artigo 5 º, LXXVII
da CF, diz que ‘so gratuitas, as A"#ES de !a"eas #orpus$ %...)< (gri#o nosso) ( Renato
Karco, in 1%digo de /rocesso /enal 1omentado, ditora Saraiva, página 6Q=?)$
/ortanto, é ine&u!voca a inten'o do legislador constituinte em con#erir ao
HABEAS CORPUS, a nature+a jur!dica de AÇÃO;
sendo AÇÃO AU/NOMA DE IMPU4NAÇÃO# o HABEAS
CORPUS estará submetido B /EORIA 4ERA) DA AÇÃO PENA); ESP$CIES:
So duas as espécies de HABEAS CORPUS.
6$ %ibera&'rio ou Repressi(o. mpetra*se o -1 &uando já houve viol"ncia ou coa'o contra a liberdade de locomo'o de pessoa #!sica mediante ilegalidade ou
abuso de poder$
emplo. 9ecreta'o da priso preventiva sem a presen'a dos re&uisitos do
artigo Q62 do 1%digo de /rocesso /enalD$ 1aso concedida a ordem de -1, é
cessado o constrangimento ilegal$
)* Pre(en&i(o ou Suspensi(o . H -1 preventivo é impetrado AN/ES do constrangimento ilegal propriamente dito$ m outras palavras, a situa'o de
viol"ncia ou coa'o contra a liberdade de locomo'o de pessoa #!sica estB 'restes
a a"onte"er$
$ ecu'o /rovis%ria da /ena?$ H advogado impetra -1 preventivo em
#avor do seu cliente, a #im de &ue o mesmo no seja preso, caso mantida a condena'o em segundo grau de jurisdi'o$ Jma ve+ concedida a ordem de -1, o 5ribunal epede o salvo*conduto, o &ual impedirá &ue o constrangimento ilegal aconte'a$
%E+I,ITIDADE JURÍDICA:
Iual&uer pessoa poderá impetrar o HABEAS CORPUS, seja em seu pr%prio
#avor ou em nome de terceiro, assim como o Kinistério /:blico$ > o &ue
determina o artigo =?D do 1%digo de /rocesso /enal= e artigo Q2, inciso da 3ei
4
Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.
Parágrafo único. A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4o). (Código de Processo Penal).
5 O Supremo Tribunal Federal mudou o seu entendimento acerca da Execução Provisória da Pena em
17/02/2016, através do Habeas Corpus 126.292, de relatoria do Ministro Dr. Teori Zavascki.
O posicionamento em tela passou a defender a possibilidade da prisão do réu que vinha aguardando em liberdade o seu processo criminal, após confirmada a condenação em segundo grau de jurisdição, ainda que pendentes de julgamento, os recursos especial e extraordinário.
Antigo posicionamento do STF era representado pelo HC 84.078/2010.
6
Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público (grifo nosso) (Código de Processo Penal).
Hrgnica acional do K/$
6$6$6$2 7 A previso legal do HABEAS CORPUS e os seus 5ermos
ur!dicos.
PRE-IS.O %E+A%:
Hs principais tetos legais &ue regulam o instituto do HABEAS CORPUS so
a 1onstitui'o Eederal de 6FGG e o 1%digo de /rocesso /enal$ ;ejamos.
A! Constituiç.o 6ederal de 1G
“&rt. 5º 'odos so iguais perante a lei, se( distino de qualquer natureza, garantindo* se aos "rasileiros e aos estrangeiros residentes no +as a inviola"ilidade do direito - vida, - li"erdade, - igualdade, - segurana e - propriedade, nos ter(os seguintes
XV * / livre a /oco0o12o no &erri&'rio naciona/ e( te(po de paz, podendo qualquer pessoa, nos ter(os da lei, nele entrar, per(ane#er ou dele sair #o( seus "ens0 LXVIII * #on#eder*se*1 habeas corpus se(pre que algu/( so3rer ou se achar
a0ea1a4o 4e so3rer (io/5ncia ou coa12o e( sua li"erdade de lo#o(oo, por
i/e6a/i4a4e ou abuso 4e po4er 2 (gri#o nosso)
7
Art. 32. Além de outras funções cometidas nas Constituições Federal e Estadual, na Lei Orgânica e demais leis, compete aos Promotores de Justiça, dentro de suas esferas de atribuições:
I - impetrar habeas-corpus e mandado de segurança e requerer correição parcial, inclusive perante os Tribunais locais competentes (...)” (grifo nosso) (Lei nº 8.625, DE 12 de fevereiro de 1993.)
:! Códi*o de Pro"esso PenalH
“&rt. 34. 6ar*se*1 habeas corpus se(pre que algu/( so3rer ou se achar na
i0in5ncia 4e so3rer (io/5ncia ou coa12o i/e6a/ na sua /iber4a4e 4e ir e (ir , salvo nos #asos de punio dis#iplinar2 %grifo nosso).
Além de de#inir o instituto jur!dico em &uesto, o 1%digo de /rocesso /enal disp8e sobre as regras re#erentes B compet"ncia, cabimento, legitimidade ativa e procedimento do -1 através dos artigos =D ao ==$ 5ais regras sero abordadas ao longo do presente curso, de modo a aproimar o conhecimento técnico e doutrinário da prática #orense$
A incid"ncia do -1 nas transgress8es disciplinares será melhor elucidada a seguir, no t%pico relacionado ao cabimento$
ual o re"urso "a&-el e+ 0aeas Cor'usJ
SI/UAÇÃO 1H
;oc" impetra um -1 em #avor de TA< (sua cliente), contra abuso perpetrado pelo 9elegado de /ol!cia$
A autoridade competente para o processo e julgamento do -1 é o ui+ de 9ireito, titular de uma ;ara 1riminal$ Suponhamos &ue a ordem seja concedida pelo mesmo ui+ de 9ireito$ Iual o recurso &ue o K/ poderá interpor para rever tal decisoP
Res'ostaH EKiste+ dois <re"ursosL no "aso e+ >uest.oH
RECURSO EM SEN/IDO ES/RI/O Arti*o 1# Q do CPP
“&rt. 54. 7s re#ursos sero volunt1rios, e8#etuando*se os seguintes #asos e( que devero ser interpostos, 4e o37cio, pelo 9uiz
I : da sentena que conce4er !a"eas #orpus %...)2 (gri#o nosso) (1%digo de
/rocesso /enal)
“&rt. 5;<. Ca"er1 re#urso, no sentido estrito, da 4ecis2o, 4espacho ou sen&en1a %...)
X : que #on#eder ou negar a orde( de !a"eas #orpus %...)2 (gri#o nosso) (1%digo de
/rocesso /enal)
SI/UAÇÃO H ui+ manteve a priso preventiva do seu cliente, apesar de encerrada a Audi"ncia de nstru'o e ulgamento e já ouvidas todas as testemunhas do #ato$ ;oc" impetra -1 &ue é distribu!do para a 1mara 1riminal do 5ribunal de usti'a do stado do Rio de aneiro$ A ordem é denegada pela re#erida 1mara 1riminal$ Iual o recurso cab!velP
RECURSO ORDINRIO CONS/I/UCIONA) Artigos 602, inciso , al!nea UaU4 e 60?, inciso , al!neas UaU e UbU, da 1E)
=&rt. <>?. Co(pete ao @upre(o 'ri"unal Federal, pre#ipua(ente, a guarda da Constituio, #a"endo*l!e %AC no BDB, AC no ??DD, AC no ?BDD e AC no
45?>>4) %...)
a) o habeas corpus, o (andado de segurana, o !a"eas data e o (andado de in9uno de#ididos e( Eni#a instn#ia pelos 'ri"unais @uperiores, se denegatGria a de#iso %...)2 (gri#o nosso) (1onstitui'o Eederal de 6FGG)
=&rt. <>5. Co(pete ao @uperior 'ri"unal de Hustia %AC no ??DD, AC no ?BDD e AC no 45?>>4)
II:9ulgar, e( recurso or4in8rio:
a) os !a"eas #orpus de#ididos e( Eni#a ou Elti(a instn#ia pelos 'ri"unais egionais Federais ou pelos tri"unais dos Astados, do 6istrito Federal e 'erritGrios, quando a de#iso for denegatGria %...)= (gri#o nosso) (1onstitui'o Eederal de GG)
TER,OS e E9PRESS#ES JURÍDICAS:
5odo advogado precisa estar atento aos termos e epress8es jur!dicas
re#erentes ao HABEAS CORPUS$ So eles.
• RIT # RE,$DIO HER;ICO, RE,$DIO CONSTITUCIONA%,
,ANDA,US 7 press8es sinVnimas usadas para o HABEAS CORPUS e KA9A9H 9 SOJRALA4
• H pr%prio /aciente ou o seu Advogado constitu!do IMPE/RAM o
HABEAS CORPUS 7 amais diga >ue O6ERECEU ou IN/ERPS o -14
• I,PETRANTE < Ea+ o pedido de -1 em nome de uma pessoa ou dele
mesmo$ /essoa &ue impetra a ordem do -1$ 1omo advogados, seremos sempre os impetrantes4
• AUTORIDADE COATORA 7 /essoa responsável por determinar a
o eemplo do ui+ de 9ireito &ue decretou a priso preventiva sem estar presentes os re&uisitos do artigo Q62 do 1%digo de /rocesso /enal, será ele a autoridade coatora4
H mesmo ocorrerá com o 9elegado de /ol!cia &ue num segundo eemplo, decreta a priso preventiva$ m outras palavras, será a autoridade coatora, uma ve+ &ue no possui compet"ncia para determinar a priso$ S% a Autoridade udiciária pode #a+"*lo$
• PACIENTE 7 > a pessoa pela &ual se pede a ordem de HABEAS
CORPUS$ Hu melhor, a 'essoa >ue so@reu ou estB so@rendo a "oaç.o ile*al ou a -iolT5n"ia no seu direito de ir e -ir; Iuando impetramos um -1 na condi'o de advogados, sero pacientes os nossos clientes$
• A)7AR DE SO)U/URA – stá relacionado ao HABEAS CORPUS
)I:ERA/8RIO HJ REPRESSI7O$ ele, o /oder udiciário reconhece &ue houve constrangimento ilegal para o /aciente e determina imediatamente &ue #a'a cessar a re#erida ilegalidade$
• SA)7O!CONDU/O 7 stá destinado ao HABEAS CORPUS
PRE7EN/I7O ou SUSPENSI7O$ H documento salvo*conduto é epedido pelo /oder udiciário de modo a evitar &ue o /aciente so#ra o constrangimento ilegal e tenha assegurado o seu livre trnsito$
=*=*=*> < O Cabi0en&o 4o Habeas Corpus: O CABI,ENTO:
A! = 'oss&-el a i+'etraç.o do 0C "ontra de"is.o de trans*ress.o dis"i'linar +ilitarJ
Jma rápida leitura do artigo =D do 1%digo de /rocesso /enalG, acrescida do
teor do artigo 6D2, C 2o da 1onstitui'o Eederal de 6FGGF, pode levar a concluso
&ue no cabe o remédio heroico do -1 contra as decis8es re#erentes Bs transgress8es disciplinares militares$
5rata*se de concluso e&uivocada, uma ve+ &ue a doutrina e jurisprud"ncia amplamente majoritárias compartilham o entendimento &ue compete ao /oder udiciário, o eame da legalidade de &ual&uer ato administrativo, inclusive o de
nature+a militar$
9esta #eita, se MH 1AW HABEAS CORPUS /ARA H AK 9H
K>R5H 9A 5RASORSSMH 9S1/3AR, o RIT poderá ser
K/5RA9H /ARA 1HKWA5R A5H A9KS5RA5;H IJ MH /R1-A HS SJS RIJS5HS 3OAS (agente capa+, objeto l!cito e #orma prescrita em lei)$
: – Casos de "oaç.o ile*al 're-istos no Códi*o de Pro"esso PenalH
H legislador ordinário regula as hip%teses de coa'o ilegal do direito de ir e vir
através do artigo =DG do 1%digo de /rocesso /enal60$
sso signi#ica di+er &ue presentes uma das hip%teses nele elencadas, caberá a
impetra'o do HABEAS CORPUS$
> preciso ainda destacar &ue o rol de incisos tra+idos no artigo =DG do 1%digo
8
Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar.
9
Art.142.
§ 2º Não caberáhabeas corpus em relação a punições disciplinares militares (Constituição Federal de 1988).
10
Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal: I - quando não houver justa causa;
II - quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei; III - quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo; IV - quando houver cessado o motivo que autorizou a coação;
V - quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza; VI - quando o processo for manifestamente nulo;
de /rocesso /enal é meramente EQEMP)I6ICA/I7O$ sso signi#ica &ue eistem
outras hip%teses pass!veis de Ja"eas Corpus$ 5ais hip%teses sero melhor elucidadas
na aula G, &uando tratarmos do posicionamento da jurisprud"ncia acerca do tema$ /or en&uanto, vamos analisar os casos tra+idos pelo 1//, com eemplos concretos.
I – Aus5n"ia de %usta "ausa11
EKe+'lo 1. Seu cliente (TA<) #oi intimado a comparecer B 9elegacia de /ol!cia, a #im de prestar depoimento sobre o seu amigo, v!tima de homic!dio consumado no stado do Rio de aneiro, em 62 de maio de 206=$
TA<, devidamente acompanhado por seu advogado (voc") presta depoimento em sede policial, vindo a esclarecer &ue estava viajando ao tempo dos #atos$ Eoi orientado pelo seu empregador a desenvolver um projeto no eterior$ a mesma data da sua oitiva, junta todos os documentos (passaporte, carteira de trabalho, hospedagem, #atura do carto de crédito) &ue comprovam as suas alega'8es, além de tra+er testemunhas (dentre elas o pr%prio empregador)$ H 9elegado de /ol!cia o indicia pelo homic!dio doloso e posteriormente, o Kinistério /:blico o#erece den:ncia$
-á aus"ncia de justa causa no presente eemplo, uma ve+ &ue restou comprovado &ue TA< no é o autor do crime por estar em outro pa!s ao tempo dos
#atos$ assim, voc" impetra Habeas Corpus 3iberat%rio para ar&uivar (trancar) a
a'o penal$
EKe+'lo . TA< #oi preso em #lagrante com grande &uantidade de substncia &ue aparentava ser maconha$ A re#erida substncia #oi periciada e constatado &ue no era maconha, mas sim uma outra planta &ue no causa depend"ncia &u!mica$ H
K/ denuncia TA< por trá#ico de drogas, na #orma do artigo QQ, capu& da 3ei
66$QDQX200=$ H #ato é at!pico, ou seja, a conduta de TA< no se encaia na
11
de#ini'o de trá#ico$ sso por&ue, a substncia apreendida no é droga$ 9essa
#orma, caberá HABEAS CORPUS para ar&uivar (trancar) a a'o penal$
Eundamento. Aus"ncia de justa causa$
II – Pessoa 'resa 'or te+'o su'erior ao >ue a lei deter+ina EK"esso de Pra$oH
o Wrasil, eistem as /RSYS 1AJ53ARS (HJ /RH;SZRAS)62 e as
/RSYS 91HRR5S 9 S5LA /A3 1H9A5ZRA 5RAS5A9A K J3OA9H$
> preciso portanto, estar atento aos respectivos pra+os prisionais, previstos na
legisla'o em vigor6Q$
EKe+'lo 1. $;amos imaginar &ue o ui+ da ;ara 1riminal decretou a priso temporária de TA<, a pedido do 9elegado de /ol!cia (representa'o)$
TA< é suspeito da prática do crime de homic!dio simples (artigo 626, capu& do
1%digo /enal), mas no possui resid"ncia #ia e tampouco con#eriu elementos
necessários ao esclarecimento da sua identidade (artigo 6 o, inciso da 3ei n
F=0XGF)$
á transcorreram &uin+e dias da data inicial da priso temporária e no houve decreta'o da preventiva$
12
Prisão Provisória ou Cautelar é decretada antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. O réu aguarda o julgamento preso. Prisões decretadas antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória: Prisão em Flagrante, Prisão Temporária, Prisão Preventiva, Prisão para fins de extradição, Prisão para fins de execução provisória da pena ( vide nota 5, referente ao Habeas Corpus 126.292, de relatoria do Ministro Dr. Teori Zavascki, do STF).
13
Prisão em Flagrante – Artigo 306, § do 1 o Código de Processo Penal. Prisão Temporária – Artigo 2o , caput da Lei 7.960/89 e em caso de crimes hediondos – Artigo 2 o, § 4o da Lei 8072/90. Prisão para fins de extradição: Art. 82 da Lei 6815/90, atualizada pela Lei 12.877/2013.
esse caso, o crime no é hediondo e portanto, o pra+o da priso temporária é de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco, atingindo o máimo de 60 dias$ 1aberá
Habeas Corpus com base no artigo =DG, inciso do 1%digo de /rocesso /enal
EKe+'lo $ TA< está sendo processado pela prática de homic!dio doloso$ 5eve a sua priso preventiva decretada ao tempo da deciso de recebimento da den:ncia$ á se passaram 9HS AHS da data da sua priso e ainda no #oi encerrada a Audi"ncia de nstru'o e ulgamento (o jui+ no consegue locali+ar as testemunhas)$
esse caso é evidente o 1SSH 9 /RA[H$ H artigo D62 do 1%digo de /rocesso /enal determina &ue o pra+o entre a data do recebimento da den:ncia e a remessa dos autos ao jui+ para deciso interlocut%ria mista (pron:ncia, impron:ncia, absolvi'o sumária), no poderá eceder F0 (noventa) dias$ á
transcorreram 9HS AHS\\ H remédio jur!dico ade&uado é o Habeas Corpus,
na #orma do artigo =DG, inciso do 1%digo de /rocesso /enal$
III – In"o+'et5n"ia1 da 'essoa >ue ordenar a "oaç.o do direito
de ir e -irH
EKe+'lo 1. TA< teve a sua priso preventiva decretada pelo 9elegado de /ol!cia, com base na garantia da ordem p:blica (artigo Q62 do 1%digo de /rocesso /enal)$
m se tratando de priso preventiva, apenas a Autoridade udiciária poderá
decretá*la mediante deciso #undamentada ( Artigo ? o$ inciso 3 da 1arta Kagna
de 6FGG)$ H 9elegado de /ol!cia é incompetente, cabendo o -1 na #orma do artigo =DG, inciso do 1%digo de /rocesso /enal$
14
Código de Processo Penal – Quem pode decretar a prisão em flagrante:
Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito (grifo nosso).
Constituição Federal de 1988 – Quem poderá decretar as prisões que não sejam as decorrentes do flagrante delito:
Artigo 5 o :
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente , salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em
EKe+'lo . ;amos imaginar &ue TA< tenha sido denunciado pelo homic!dio simples e o seu processo esteja tramitando na ;ara 1riminal$
A sua priso preventiva veio a ser decretada pelo ui+ da ;ara de Zr#os e Sucess8es$
esse caso é claro &ue apesar de ser Autoridade udiciária, o Kagistrado titular da ;ara de Zr#os e Sucess8es é incompetente para a decreta'o de priso preventiva$$
I7 ! Desa'are"i+ento do +oti-o >ue autori$a-a a "oaç.o do direito e ir e -irH
esta situa'o, restou cessado o motivo &ue autori+ou a coa'o$ H &ue antes era uma coa'o legal, passou a ser ilegal$
EKe+'lo$ TA< teve a priso preventiva decretada para assegurar a instru'o criminal$ H ui+ de 9ireito #icou receoso &ue uma ve+ solto, TA< pudesse atrapalhar a produ'o das provas, in#luenciar ou coagir as testemunhas$
ncerrada a instru'o e julgamento, desapareceram os motivos &ue
autori+aram a coa'o$ Se o jui+ no soltar o seu cliente, caberá o Habeas Corpus
para sanar o constrangimento ilegal$
7! Nos "asos de @iança# le*al+ente autori$ados
esse t%pico, o advogado deverá conhecer as hip%teses em &ue é autori+ada a #ian'a6?$
1;
Quando caberá a fiança? Critério da exclusão, ou seja, em todos os casos em que não for proibida Constituição Federal de 1988: Disposições sobre fiança:
EKe+'loH <A< #oi preso por #urto, ao sair de uma loja do Shopping com roupas &ue no comprou$ amais havia sido preso antes
H crime em tela é o do #urto simples, previsto na #orma do artigo 6??, capu&
do 1%digo /enal$ /ortanto, no se encaia no conceito de crime de ina#ian'ável$ Além disso, a pena máima do #urto é de &uatro anos 7 /ode o 9elegado conceder #ian'a$
Se no há motivos para a decreta'o da priso preventiva, TAL de-erB ser
liertado +ediante @iança;
7I – Pro"esso "ri+inal +ani@esta+ente nulo
H legislador ordinário cuidou das nulidades através dos artigos ?=Q ao ?Q do 1%digo de /rocesso /enal$
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem (...)
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança (grifo nosso)
Código de Processo Penal:
Art. 322. A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos.
Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. Art. 323. Não será concedida fiança:
I - nos crimes de racismo;
II - nos crimes de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e nos definidos como crimes hediondos;
III - nos crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;
Art. 324. Não será, igualmente, concedida fiança:
I - aos que, no mesmo processo, tiverem quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido, sem motivo justo, qualquer das obrigações a que se referem os arts. 327 e 328 deste Código;
II - em caso de prisão civil ou militar;
9essa #orma, recomendo a leitura cuidadosa de todos os artigos acima destacados$
1umpre ainda esclarecer &ue s% caberá HABEAS CORPUS &uando o
processo #or MANI6ES/AMEN/E nulo$
ntende*se como mani#esta, a&uela nulidade evidente, &ue se imp8e B percep'o de todos$ o há d:vidas &uanto B sua presen'a$
Se a nulidade no é evidente, deverá ser arguida pelos meios e procedimentos dispon!veis no 1%digo de /rocesso /enal$ Iuando ine&u!voca e cristalina, poderá
ser objeto do HABEAS CORPUS com base no artigo =DG, inciso ; do 1%digo de
/rocesso /enal$
EKe+'lo. TA< #oi denunciado pela prática do crime de #urto simples, porém no #oi citado para apresentar resposta, na #orma do artigo QF=*A do 1%digo de /rocesso /enal$ H processo prossegue sem de#esa escrita$ -ouve nulidade absoluta no presente #eito, na medida em &ue o processo no pode prosseguir sem a resposta escrita$ -ouve latente viola'o B Ampla 9e#esa$ 5al nulidade é percept!vel, no há d:vidas da sua presen'a$
7II – EKtinç.o da Puniilidade
A princ!pio, a&uele &ue comete um #ato t!pico, il!cito e culpável, estará sujeito a uma san'o penal$ m outras palavras, uma ve+ cometido o crime, nasce para o stado a pretenso punitiva do agente$
cepcionalmente, o agente no será punido pelo crime &ue cometeu$ isso ocorrerá &uando presentes as causas de etin'o da punibilidade previstas no
1%digo /enal (artigo 60 6= e outros6) e leis penas etravagantes 6G$
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Causas de Extinção da Punibilidade previstas no artigo 107 do Código Penal: Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:
I - pela morte do agente;
II - pela anistia, graça ou indulto;
EKe+'lo. TA< tomou conhecimento &ue TW< cometeu os crimes de inj:ria &uali#icada, di#ama'o e cal:nia contra a sua pessoa em 62X06X206?$ TA< constitui advogado e o#erece &ueia*crime em 62X02X206=$ tinta a punibilidade, uma ve+ &ue o pra+o decadencial para o#erecer a &ueia*crime é de seis meses, contados da data em &ue soube da autorida (artigo QG do 1%digo de /rocesso /enal)$
Jma ve+ recebida a &ueia*crime pelo ui+ de 9ireito, deverá o advogado de
TW< impetrar HABEAS CORPUS com base nos artigo =DG, inciso ; do 1%digo
de /rocesso /enal e artigo 60, inciso ; do 1%digo /enal$
EKe+'lo H Euncionário p:blico apropria*se culposamente de dinheiro p:blico, mas consegue ressarcir a importncia integralmente, antes da senten'a penal condenat%ria transitar em julgado$ 1aso o processo prossiga ap%s o ressarcimento integral do valor, o advogado do #uncionário p:blico deverá impetrar -AWAS 1HR/JS com base no artigo =DG, inciso ; do 1%digo de /rocesso /enal e artigo Q62, C 2 o do 1%digo /enal$
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.
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Exemplo de causas de extinção da punibilidade previstas em outros artigos do Código Penal: Reparação do dano no peculato culposo (artigo 312, § 2º do Código Penal).
Peculato culposo
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.
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Exemplo de causas de extinção da punibilidade prevista na lei penal extravagante: Pagamento do tributo Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts.
1o e 2o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nosarts. 168-A e 337-A do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
§ 4o Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos nocapu t quando a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos débitos oriundos de tributos, inclusive