UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
FACULDADE DE MEDICINA - NÚCLEO DE EDUCAÇÂO EM SAÚDE COLETIVA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO GESTÃO DO CUIDADO EM SAÚDE DA FAMÍLIA
Luanna Costa Alexandre
PROJETO DE INTERVENÇÃO PARA PREVENÇÃO E CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL E DOENÇA RENAL CRÔNICA EM IDOSOS ATENDIDOS NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE TEREZA LEOPOLDINA,
MUNICÍPIO DE CORONEL FABRICIANO, MINAS GERAIS
Ipatinga - Minas Gerais 2020
Luanna Costa Alexandre
PROJETO DE INTERVENÇÃO PARA PREVENÇÃO E CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL E DOENÇA RENAL CRÔNICA EM IDOSOS ATENDIDOS NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE TEREZA LEOPOLDINA,
MUNICÍPIO DE CORONEL FABRICIANO, MINAS GERAIS
Projeto de intervenção apresentado ao Curso de Especialização Gestão do Cuidado em Saúde da Família, Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do Certificado de Especialista.
Orientadora: Profa. Dra. Andrea Gazzinelli
Ipatinga - Minas Gerais 2020
Luanna Costa Alexandre
PROJETO DE INTERVENÇÃO PARA PREVENÇÃO E CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL E DOENÇA RENAL CRÔNICA EM IDOSOS ATENDIDOS NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE TEREZA LEOPOLDINA,
MUNICÍPIO DE CORONEL FABRICIANO, MINAS GERAIS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Especialização Gestão do Cuidado em Saúde da Família, Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do Certificado de Especialista.
Orientadora: Professora Dra. Andréa Gazzinelli
Banca examinadora
Profa. Dra. Andrea Gazzinelli – Orientadora - UFMG Profa. Dra. Maria Rizoneide Negreiros de Araújo - UFMG Aprovado em Belo Horizonte, em: 21/08/2020.
Dedico este trabalho aos meus pais, à minha família, aos meus colegas de trabalho, à equipe de Saúde Pedro Guerra e aos meus Professores, pelo carinho, pela compreensão, pela troca de experiências e conhecimentos.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho.
Aos meus pais e familiares, por acreditarem em meus sonhos e em minhas realizações.
Aos meus amigos, pelos momentos juntos e pela troca de conhecimentos.
"Sempre, aconteça o que acontecer, o médico, por estar tão próximo ao paciente, por conhecer tanto o mais profundo de sua psique, por ser a imagem daquele que se acerca da dor e a mitiga, tem uma tarefa muito importante, de muita responsabilidade"
RESUMO
O objetivo deste estudo é elaborar um projeto de intervenção para a prevenção e controle da hipertensão arterial e doença renal crônica em idosos atendidos na Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina de Coronel Fabriciano, Minas Gerais. A hipertensão arterial é certamente uma das causas mais frequentes de insuficiência renal crônica terminal, responsável, juntamente com a nefropatia diabética, por grande parte dos pacientes em programas de diálise e transplante em todo o mundo. É atualmente, um problema de saúde relevante na Unidade de Saúde Básica Tereza Leopoldina que possui um grande número de idosos com estes agravos. A proposta foi desenvolvida de acordo com o Planejamento Estratégico Situacional. Foi feito o diagnóstico pela estimativa rápida que levou a identificação dos principais problemas enfrentados pela equipe Saúde da Família. Posteriormente foi feita a revisão bibliográfica nas bases de dados nacionais e internacionais e coletados dados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, site da prefeitura municipal e na unidade básica. Os nós críticos identificados foram: dificuldade para avaliar a prevalência e os fatores de risco associados à hipertensão e a doença renal crônica em idosos, porque muitos idosos não procuram a unidade, o que dificulta estimar com precisão os fatores de risco, nível baixo de escolaridade dos idosos que dificulta a adesão ao tratamento medicamentoso e dificuldade para mudanças de hábitos, principalmente em relação à atividade física e alimentação. Com base nos nós críticos foram propostas ações para a solução do problema, assim como resultados esperados, produtos e recursos necessários. Deve ser enfatizado, novamente, que o tratamento do renal crônico deve ser feito procurando corrigir as múltiplas alterações metabólicas presentes, havendo dados clínicos e experimentais que sugerem fortemente que a abordagem multifatorial proposta pode ser extremamente útil para retardar a evolução dos pacientes com insuficiência renal até sua fase avançada, reduzindo o impacto físico, emocional, social e econômico das terapêuticas renais substitutivas.
Palavras-chave: Hipertensão. Doença renal crônica. Estratégia Saúde da Família. Educação em Saúde.
ABSTRACT
The objective of this study is to develop an intervention project for prevention and controlling of hypertension and chronic kidney disease in elderly patients attended at the Basic Health Unit Tereza Leopoldina in Coronel Fabriciano, Minas Gerais. Hypertension is certainly one of the most frequent causes of end-stage renal failure, responsible, together with diabetic nephropathy, for most patients in dialysis and transplantation programs worldwide. It is currently a major health problem in the Tereza Leopoldina Basic Health Unit, which has a large number of elderly people with these conditions. The proposal was developed according to the Situational Strategic Planning. The diagnosis was made by the quick estimate that led to the identification of the main problems faced by the Family Health team. Subsequently, a bibliographic review was carried out in national and international databases, and data were collected at the Brazilian Institute of Geography and Statistics, site of the municipal government and in the basic unit. The critical nodes identified were: (1)difficulty in assessing the prevalence and risk factors associated with hypertension and chronic kidney disease in the elderly, because many elderly people do not seek the unit, which makes it difficult to accurately estimate the risk factors; (2) low level of education of the elderly that makes it difficult to adhere to drug treatment and (3)difficulty in changing habits, especially in relation to exercize and diet. Based on the critical nodes, actions were proposed to solve the problem, as well as expected results, products and necessary resources. It should be emphasized, again, that the treatment of chronic kidney should be done seeking to correct the multiple metabolic changes with clinical and experimental data that strongly suggest that the proposed multifactorial approach can be extremely useful to delay the evolution of patients with renal failure until its advanced stage, reducing the physical, emotional, social and economic impact of renal replacement therapies
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AB Atenção Básica
ACS Agente Comunitário de Saúde CAPS Centro de Atenção Psicossocial
CAPSI Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil
DATASUS Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde DCNT Doença Crônica Não Transmissível
DCV Doença Cardiovascular
DM Diabetes Mellitus
eSF Equipe Saúde da Família ESF Estratégia Saúde da Família HAS Hipertensão Arterial Sistêmica
HIPERDIA Sistema Informatizado de Cadastro e Acompanhamento dos Pacientes Portadores de Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus.
IDHM Índice de Desenvolvimento Humano Municipal IRCT Insuficiência Renal Crônica Terminal
MS Ministério da Saúde
NASF Núcleo de Apoio à Saúde da Família OMS Organização Mundial da Saúde PA Pressão Arterial
RFG Ritmo de Filtração Glomerular
SAMU Serviço de Atendimento Móvel de Urgência SIAB Sistema de Informação da Atenção Básica SRAA Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona TFG Taxa de Filtração Glomerular
TRS Terapia Renal Substitutiva UBS Unidade Básica de Saúde
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Quadro 1 Características demográficas segundo faixa etária e sexo da população da área de abrangência da Equipe Azul da UBS Tereza Leopoldina, município de Coronel Fabriciano, Minas Gerais. 2020
15
Quadro 2 Distribuição dos usuários da área de abrangência da Equipe Azul de acordo com a condição de saúde, Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina, município de Coronel Fabriciano, MG, 2020
15
Quadro 3 Classificação de risco utilizada na UBS Tereza Leopoldina 17 Quadro 4 Atividades desenvolvidas pela Equipe Azul da UBS Tereza Leopoldina
na cidade de Coronel Fabriciano
17
Quadro 5 Classificação de prioridade para os problemas identificados no diagnóstico da comunidade adscrita à equipe de Saúde Azul da Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina – MG
19
Quadro 6 Características demográficas de usuários com 60 anos e mais, número de usuários com HAS, DM e DRC e com fatores de risco para essas doenças, UBS Tereza Leopoldina, Coronel Fabriciano, MG. 2019
21
Quadro 7 Descritores do problema e número de idosos para cada problema encontrado
30
Quadro 8 Operações sobre o “nó crítico 1” relacionado ao problema “Alta prevalência de hipertensão arterial e doença renal crônica em idosos” da população sob responsabilidade da Equipe de Saúde da Família da UBS Tereza Leopoldina do município de Coronel Fabriciano, Minas Gerais
32
Quadro 9 Operações sobre o “nó crítico 2” relacionado ao problema “Alta prevalência de hipertensão arterial e doença renal crônica em idosos” da população sob responsabilidade da Equipe de Saúde da Família da UBS Tereza Leopoldina do município de Coronel Fabriciano, Minas Gerais
33
Quadro 10 Operações sobre o “nó crítico 3” relacionado ao problema “Alta prevalência de hipertensão arterial e doença renal crônica em idosos” da população sob responsabilidade da Equipe de Saúde da Família da UBS Tereza Leopoldina do município de Coronel Fabriciano, Minas Gerais
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 12
1.1 Aspectos Gerais do Município 12
1.2 O Sistema Municipal de Saúde 12
1.3 Aspectos da Comunidade 13
1.4 A Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina 14
1.5 A Equipe de Saúde da Família da Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina 14 1.6 O funcionamento da Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina 16
1.7 O dia a dia da equipe 16
1.8 Estimativa rápida: problemas de saúde do território e da comunidade (primeiro passo)
18
1.9 Priorização dos problemas – a seleção de problemas para plano de intervenção (segundo passo) 18 2 JUSTIFICATIVA 20 3 OBJETIVOS 22 3.1 Objetivo Geral 22 3.2 Objetivos Específicos 22 4 METODOLOGIA 23 5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 24
5.1 Hipertensão progressiva da doença renal crônica 24
5.2 Estágios Evolutivos da doença renal crônica 25
5.3 Hipertensão e envolvimento cardiovascular na doença renal crônica 26
5.4 Estratégias de tratamento da hipertensão na DRC 27
6 PLANO DE INTERVENÇÃO 29
6.1 Descrição dos problemas selecionados (terceiro passo) 29 6.2 Explicação dos problemas selecionados (quarto passo) 30
6.3 Seleção dos nós críticos (quinto passo) 31
6.4 Desenho das operações (sexto passo) 31
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS 35
12
1 INTRODUÇÃO
1.1 Aspectos Gerais do Município
Coronel Fabriciano está localizado na região do Vale do Aço, na mesorregião do Vale do Rio Doce e na microrregião de Ipatinga, Minas Gerais, a 200 km da capital Belo Horizonte. Ocupa uma área de pouco mais de 221 km² e uma população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, de 109.855 habitantes (IBGE, 2010). Coronel Fabriciano faz limite com os municípios de Joanésia, Mesquita, Ferros, Antônio Dias, Ipatinga e Timóteo ao sul (IBGE, 2018). Possui um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,755, considerado alto (IBGE, 2010).
De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 56,2%. Em 2010, 91,2% da população vivia acima da linha de pobreza, 5,5% encontrava-se na linha da pobreza e 3,3% abaixo. Também em 2010, 19,7% da população vivia em favelas, o que significa aproximadamente 21 mil habitantes (IBGE, 2010). As principais fontes de renda do município são a prestação de serviço, indústria e, em menor escala, a agropecuária (IBGE, 2010).
1.2 Sistema Municipal de saúde
Coronel Fabriciano possui 78 estabelecimentos de saúde, sendo 57 deles privados, 20 públicos (municipais) e um público (estadual) entre hospitais, prontos-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos. O total de leitos nos hospitais é de 143 para internação, sendo 98 deles cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde, em 2016, o município possuía 1,37 leitos de internação para cada mil habitantes, índice abaixo da média nacional, que era de 2,25 e 1,73 médicos para cada mil habitantes. Em 2014, dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) mostraram que foram registrados 5,78 óbitos por 1000 habitantes, sendo que as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes (29,77%), seguida pelas neoplasias (19,42%) (IBGE, 2018).
Em 2010, 1,3% das mulheres de 10 a 17 anos tiveram filhos. Em 2014, foram registrados 1.424 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil neste ano foi de 12,6 óbitos de crianças menores de cinco anos de idade a cada mil nascidos vivos. No mesmo ano, 98,2% das crianças menores de 1 ano de idade estavam com a carteira de vacinação em
13
dia e 78,3% das crianças do município foram pesadas pela Estratégia Saúde da Família (ESF), sendo que 0,6% delas estavam desnutridas (IBGE, 2018).
O município conta com dois hospitais. O Hospital Doutor José Maria Morais (antigo Hospital Siderúrgica e posteriormente Hospital São Camilo), que está localizado no bairro Santa Helena, e é o principal hospital de Coronel Fabriciano com atendimento público e leitos para internação. O Hospital Metropolitano Unimed Vale do Aço, situado no bairro Santa Terezinha II, oferece atendimento emergencial e internação, mas que serve apenas à população que possui planos de saúde conveniados ou aos que pagam pelo atendimento particular.
Coronel Fabriciano ainda conta com 13 Unidades Básicas de Saúde (UBS), uma UPA com atendimento 24 horas, localizada no bairro Pereira II com 11 leitos e capacidade para atender 250 pacientes por dia. O município possui, também, um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil (CAPSI), que é uma instituição destinada a acolher pacientes menores de 18 anos com transtornos mentais, estimular sua integração social e familiar oferecendo atendimento médico e psicológico. O município tem apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) (PREFEITURA MUNICIPAL DE CORONEL FABRICIANO, 2019).
1.3 Aspectos da Comunidade
O Bairro Recanto Verde em Coronel Fabriciano localiza-se no distrito Senador Melo Viana, Setor 4. É um bairro arborizado, bem estruturado, com farmácias, padarias e algumas lojas de variedades, escolas, uma creche e igreja. A comunidade desta área de abrangência vive basicamente da prestação de serviços e do comércio local, uma parte da população vive do trabalho autônomo. A estrutura de saneamento básico na comunidade é adequada. Nas últimas administrações, a comunidade tem recebido algum investimento público por parte da prefeitura para melhorias em escola e na unidade básica de saúde, porém, apesar destes investimentos, existem alguns problemas de infraestrutura nestes órgãos. Em função da pressão da associação comunitária, que é bastante ativa, algumas melhorias têm sido feitas. Existem, também, várias iniciativas de trabalho na comunidade por parte da Igreja, voltadas em sua maioria, para crianças, adolescentes e mães carentes e idosos.
A comunidade da área de abrangência da UBS Tereza Leopoldina tem uma escola pública que atende ensino fundamental e médio, além de atividade complementar. Possui também uma quadra de esportes e um centro comunitário, onde a comunidade se reúne para
14
resolver pequenos problemas como estrutura infraestrutura do bairro (ruas sem pavimentação ou pavimentação danificada, iluminação das ruas, limpeza de terrenos baldios, coleta de lixo, distribuição de água e cuidados com esgoto e acessibilidade, entre outros, que podem afetar a qualidade de vida dos indivíduos que vivem na comunidade).
1.4 A Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina
A UBS Tereza Leopoldina tem duas equipes, a equipe vermelha e a equipe azul, da qual faço parte. Esta unidade é específica para a realização de atendimento de atenção básica e integral a uma população de forma agendada (70%) e de forma espontânea (30%), e oferece assistência com classificação de risco e acolhimento. Não é bem estruturada para atender as necessidades das pessoas da região, pois falta espaço na sala de espera, faltam salas para atendimento de algumas especialidades e não existem funcionários suficientes para atender a demanda.
A unidade é composta por uma sala de espera com recepção, onde o espaço não é muito grande, uma sala também pequena para triagem, dois consultórios médicos, uma sala para atendimento odontológico, uma sala para vacinação e curativos e uma sala para recuperação de pacientes e para medicações. Há, também, uma pequena cozinha e dois banheiros que são utilizados tanto pelos usuários como pelos funcionários da unidade.
A casa é alugada e, ao fundo, possui um cômodo grande, onde são realizadas as reuniões com a equipe de saúde e grupos operativos (HIPERDIA) além dos grupos de gestantes. Faltam equipamentos, cadeiras e às vezes, até mesmo alguns medicamentos. Há um déficit também de agentes comunitários de saúde.
1.5 Equipe de Saúde da Família Azul da UBS Tereza Leopoldina
A Equipe da Estratégia Saúde da Família (eSF) Azul é composta por uma médica, um enfermeiro, cinco agentes de saúde, uma técnica de enfermagem e a faxineira. É responsável pelo atendimento de 2.513 usuários, sendo 1.204 homens e 1.309 mulheres (QUADRO 1), em um total de 723 domicílios distribuídos em uma área de 1,0 km².
15
Quadro 1 – Características demográficas segundo faixa etária e sexo da população da área de abrangência da Equipe Azul da Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina, município de Coronel Fabriciano, Minas Gerais. 2020.
FAIXA ETÁRIA MASCULINO FEMININO TOTAL
< 1 13 19 32 1-4 34 42 76 5-14 107 127 234 15-19 132 139 271 20-29 180 202 382 30-39 245 252 497 40-49 182 188 370 50-59 154 157 311 60-69 102 111 213 70-79 42 51 93 ≥ 80 13 21 34 TOTAL 1.204 1.309 2.513
Fonte: (UBS TEREZA LEOPOLDINA, 2020)
Todos contribuem significativamente com as campanhas de vacinação, com os projetos de prevenção contra doenças e com as palestras que incentivam o diagnóstico precoce e a adesão aos tratamentos das mais diversas doenças.
A cobertura da equipe de saúde é ampla, contribuindo com boa parte dos atendimentos do município, ou seja, atendem 550 pacientes ao mês. São feitas dez visitas domiciliares ao mês. A unidade conta ainda com o apoio do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF).
Em relação aos problemas e agravos em saúde, o quadro 2 mostra as condições de saúde da população atendida pela eSF Azul da UBS Tereza Leopoldina.
Quadro 2 – Distribuição dos usuários da área de abrangência da Equipe Azul de acordo com a condição de saúde, Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina, município de Coronel Fabriciano, MG, 2020.
Condição de Saúde N
Gestantes 35
Hipertensos 218
Diabéticos 184
Pessoas com doenças respiratórias (asma, DPOC, enfisema, outras) 78
Pessoas que tiveram AVC 12
Pessoas que tiveram infarto 17
Pessoas com doença cardíaca 89
Pessoas com doença renal (insuficiência renal, outros) 09
Pessoas com hanseníase 07
Pessoas com tuberculose 02
Pessoas com câncer 43
Pessoas com sofrimento mental 24
16
Fumantes 540
Pessoas que fazem uso de álcool 145
Usuários de drogas 64
Fonte: UBS Tereza Leopoldina, 2020
As principais causas de óbitos na comunidade foram as doenças cardíacas, geralmente complicações do diabetes e da hipertensão, as doenças respiratórias e morte natural por idade. E as principais causas de internação foram trauma, doença pulmonar obstrutiva crônica, diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca congestiva. As doenças de notificação da comunidade atendida na UBS Tereza Leopoldina são sífilis, dengue, chincungunha, zica e tuberculose.
1.6 O funcionamento da Unidade de Saúde da Equipe Azul
A Unidade de Saúde Tereza Leopoldina funciona das 07h00min às 17h00min de segundas às sextas-feiras. Devido à falta de recepcionista na UBS é necessário que o gerente e as ACS revezem na recepção. Além disso, os ACS se revezam também no arquivo, também devido à falta de funcionário, o que acarreta a “perda” de muitos prontuários dos pacientes.
Na unidade são disponibilizados atendimentos médicos de clínica geral, pediatria e ginecologia, atendimento de enfermagem, atendimento de técnicos de enfermagem e nutricionista. Os ACS fazem, ainda, as visitas domiciliares.
1.7 O dia a dia da Equipe Azul
O trabalho da equipe Azul, como foi dito anteriormente, é baseado no atendimento diário à população de Coronel Fabriciano. O fluxo não é muito grande, porém, há um déficit de recursos humanos, o que dificulta nosso trabalho, já que são atendidos, em média, 550 pessoas ao mês.
A equipe sempre participa de campanhas e ações realizadas pelo município sobre saúde, prevenção de doenças, qualidade de vida de crianças, adultos, idosos e gestantes. A equipe atua em diferentes programas como saúde bucal, pré-natal, puericultura, controle de câncer de mama e ginecológico, atendimento a hipertensos e diabéticos. Há uma grande preocupação com gestantes portadoras de sífilis. Todos estes atendimentos são feitos pela enfermeira.
17
O atendimento da demanda espontânea representa 90% de todos os atendimentos diários na UBS. A equipe trabalha com acolhimento com classificação de risco e os critérios seguidos estão demonstrados no quadro 3. As atividades desenvolvidas pela equipe estão resumidas no quadro 4.
Quadro 3 – Classificação de risco utilizada na Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina, município de Coronel Fabriciano, MG, 2020.
Emergência Muito urgente Urgente Pouco urgente Não urgente
Neste caso o paciente necessita de atendimento imediato. O paciente necessita de atendimento o mais prontamente possível. Não é considerada uma emergência já que possui condições clínicas para esperar. É o caso menos grave, que exige atendimento médico, mas pode ser assistido no consultório médico no ambulatório É o caso de menor complexidade e sem problemas recentes. Este
paciente deve ser
acompanhado no
consultório médico ambulatório. Fonte: UBS Tereza Leopoldina, 2020
Quadro 4 – Atividades desenvolvidas pela Equipe Azul da Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina, município de Coronel Fabriciano, MG, 2020
Profissional Horário Segunda Terça Quarta Quinta Sexta
Médica Manhã Consultas agendadas + demanda espontânea Consultas agendadas + demanda espontânea
Dia de estudo Consultas agendadas + demanda espontânea Visitas domiciliares (1x/mês) Consultas agendadas + demanda espontânea
Tarde HIPERDIA Pré- natal Dia de estudo Saúde Mental
+ Reunião de
equipe
Puericultura
Enfermeira
Manhã Acolhimento Acolhimento Acolhimento Acolhimento Acolhimento
Tarde HIPERDIA Pré- natal Preventivo Resultado de
exames + Reunião de equipe Puericultura Técnico de enfermagem Manhã e tarde
Acolhimento Acolhimento Acolhimento Acolhimento +
Reunião de equipe Acolhimento ACS Manhã e tarde Visita + Cadastramento familiar Visita + Cadastramento familiar Visita + Cadastramento familiar Visita + Cadastramento familiar + Reunião de equipe Visita e Cadastramento familiar
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1.8 Estimativa rápida: problemas de saúde do território e da comunidade (primeiro passo)
O primeiro passo foi detectar os problemas de saúde encontrados na comunidade atendida na UBS Tereza Leopoldina para, em seguida, priorizá-los. Os problemas de saúde do território e da comunidade identificados foram muitos, mas destacamos aqueles que mais interferem no processo de trabalho.
Assim, foram destacados os seguintes problemas:
Alta prevalência de hipertensão arterial sistêmica (HAS) e doença renal crônica (DRC) na população idosa. Chama a atenção o crescente número de adolescentes com HAS. Há um desconhecimento da população quanto aos fatores de risco à hipertensão e doença renal e a importância e necessidade de tratamento contínuo, o que, por sua vez, acarreta baixa adesão.
Aumento do número de casos de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente a sífilis. Falta de investimento em campanhas contra doenças, dificuldade em desenvolver propostas educativas em decorrência do déficit de recursos humanos. Falta de recursos tecnológicos para fazer rastreamento de tuberculose e dengue (na
unidade só existem dois computadores, o que dificulta o desenvolvimento do trabalho).
Estrutura inadequada da UBS o que compromete o processo de trabalho. Falta de medicamentos e materiais na UBS.
1.9 Priorização dos problemas – a seleção do problema para o plano de intervenção (segundo passo)
Os problemas detectados foram priorizados sendo, o primeiro, a alta prevalência de hipertensão arterial e doença renal crônica na população idosa atendida na UBS Tereza Leopoldina de Coronel Fabriciano, MG. Foi identificada a necessidade de avaliar a prevalência e os fatores associados a essas doenças em idosos, visto que, em nossa unidade o número de pacientes idosos atendidos com esses problemas é muito grande e é necessário um cuidado individualizado, com o intuito de melhorar a qualidade de vida desses usuários.
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Quadro 5 - Classificação de prioridade para os problemas identificados no diagnóstico da comunidade adscrita à Equipe de Saúde Azul, da Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina, município de Coronel Fabriciano, estado de Minas Gerais
Problemas Importância* Urgência** Capacidade de
enfrentamento***
Seleção/ Priorização**** Alta prevalência de hipertensão e
doença renal crônica na população idosa
Alta 7 Parcial 1
Baixa adesão ao tratamento de Hipertensão
Alta 7 Parcial 2
Aumento do número de casos de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente a sífilis
Alta 6 Parcial 3
Falta de recursos tecnológicos para fazer rastreamento de tuberculose e casos de dengue
Alta 4 Parcial 4
Estrutura inadequada da UBS Média 3 Fora 5
Falta de medicamentos e materiais Alta 3 Fora 6
Fonte: UBS Tereza Leopoldina (2019) *Alta, média ou baixa
** Total dos pontos distribuídos até o máximo de 30 ***Total, parcial ou fora
20
2 JUSTIFICATIVA
A doença renal crônica (DRC) constitui um importante problema de saúde pública no Brasil. Nos últimos 10 anos houve um aumento no número de casos de DRC, principalmente em idosos como resultado do aumento da expectativa de vida (MALACHIAS, et al., 2016). Em geral, a evolução da doença renal crônica é assintomática, o que leva, com frequência, a um diagnóstico tardio, alta mortalidade e custos mais elevados para o sistema de saúde (MALACHIAS, et al., 2016).
O Diabetes Mellitus (DM) e a hipertensão têm sido fatores de risco importantes no desenvolvimento da DRC, sendo responsáveis por aumento nas complicações cardiovasculares de pacientes que possuem DRC. Tanto a HAS quanto o DM são doenças tratáveis na atenção básica (AB), o que chama a atenção para a importância do controle das duas para a prevenção da DRC e ressalta o papel da AB na prevenção dos fatores de risco para a doença renal crônica (MALACHIAS, et al., 2016).
A prevenção da DRC está relacionada a condições de saúde e estilos de vida. Por isso o controle dos usuários com HAS e DM, assim como de outros fatores de risco como tabagismo, obesidade e doenças cardiovasculares é de grande importância para a prevenção das DRC (FRANCISCHETTI; SANJULIANI, 2015). O tratamento e o controle desses fatores de risco são estratégias do Ministério da Saúde e integram o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil para 2011-2022 (BRASIL, 2011). No caso da hipertensão e da diabetes, o controle torna-se uma prioridade, e é considerado uma importante estratégia de redução da velocidade ou mesmo de interrupção da progressão da insuficiência renal evitando muitas vezes a Terapia Renal Substitutiva (TRS).
Diante deste contexto, a equipe de saúde coletou dados nos prontuários dos pacientes idosos com o intuito de demonstrar a urgência de planejamento de ações que possibilitem melhorias na qualidade de vida dos mesmos e, em especial, aumentar a adesão ao tratamento. Os resultados encontrados são preocupantes, pois existe, na UBS Tereza Leopoldina, uma quantidade importante de idosos com hipertensão (58,2%), diabetes (24,1%) e com doença renal crônica (28,5%) necessitando de tratamento sendo que, muitas vezes, a adesão é baixa levando o quadro clínico do paciente a pioras constantes. Ainda, 36,5% destes usuários tem baixa adesão ao tratamento, 75,3% não praticam atividade física e 54% são fumantes (QUADRO 6). Estes dados justificam a implantação de ações que permitem estimar com
21
maior precisão as prevalências destas doenças e avaliar os fatores associados em idosos na UBS Tereza Leopoldina de Coronel Fabriciano, MG.
Quadro 6 – Características demográficas de usuários com 60 anos e mais, número de usuários com HAS, DM e DRC e com fatores de risco para essas doenças, UBS Tereza Leopoldina, Coronel Fabriciano, MG. 2019
Dados colhidos dos prontuários Nº de pacientes
Faixa etária de 60 a 69 anos de idade 213
Faixa etária de 70 a 79 anos de idade 93
Faixa etária > 80 anos de idade 34
Nunca estudou 17
Ensino fundamental incompleto 82
Ensino fundamental completo 133
Ensino médio incompleto 94
Ensino médio completo 31
Pratica atividade física 84
Não pratica atividade física 256
Tabagistas 184
Baixa adesão ao tratamento 124
Hipertensos 198
Pacientes diabéticos 82
Hipertensos com doença renal crônica 97
Fonte: Prontuários da UBS Tereza Leopoldina (2020)
Como delineado no quadro acima, os três últimos itens são preocupantes para a saúde do idoso hipertenso, pois situações como estas podem aumentar o risco de complicações.
22
3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo geral
Elaborar uma proposta de intervenção para prevenção e controle da hipertensão arterial e a doença renal crônica em idosos atendidos na Unidade Básica de Saúde Tereza Leopoldina, Coronel Fabriciano, MG.
3.2 Objetivos específicos
Avaliar os fatores de risco para o aumento da prevalência de hipertensos idosos;
Verificar os motivos para a baixa adesão ao tratamento dos pacientes idosos hipertensos e com doença renal crônica;
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4 METODOLOGIA
Para a realização deste projeto foram feitas consultas à Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), ao Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE), Scientific
Eletronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Regional de Medicina (BIREME). Foram
utilizados artigos científicos com estudos sobre a temática proposta para embasamento teórico. Os artigos utilizados foram dos últimos dez anos, em língua portuguesa ou em inglês. Foram utilizados os descritores: Hipertensão. Doença Renal Crônica. Estratégia Saúde da Família. Educação em Saúde. Além disso, foram consultados sites do IBGE, do Ministério da Saúde, da Prefeitura de Coronel Fabriciano e de prontuários dos pacientes para coleta de dados pessoais e clínicos.
Para identificar os problemas mais frequentes encontrados na comunidade, foi utilizado o Planejamento Estratégico Situacional (PES) (FARIA; CAMPOS; SANTOS, 2018). Inicialmente foi feito o diagnóstico situacional através do método da estimativa rápida dos problemas observados. A partir daí foram definidos o problema prioritário e os nós críticos para, em seguida, serem implantadas ações para intervenção com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos usuários, seja através de prevenção ou de tratamento. Para a redação do texto foram aplicadas as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
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5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
5.1 Hipertensão e progressão da doença renal crônica
Há muito tempo se sabe que a HAS pode ser tanto a causa como a consequência das doenças renais. Bright, em 1836, foi o primeiro a associar doença renal crônica à hipertensão arterial e desde então, vários estudos experimentais marcaram o nosso conhecimento sobre as íntimas relações do rim com a pressão arterial (CUPPARI, 2015).
Entre esses estudos fundamentais, cabe destacar o trabalho de Tigerstedt e Bergman que, em 1898, detectaram a existência de uma substância hormonal a qual denominaram de renina, extraída do rim de coelhos e que causava hipertensão. Três décadas depois, Goldblatt e colaboradores produziram hipertensão fazendo constrição da artéria renal de cão. Além desses, vários outros estudos, na década de 1960, levaram ao conhecimento das relações do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e demonstraram a importância do rim na regulação do balanço de água e sal do organismo e no controle vasomotor arteriolar e, portanto, na manutenção da pressão arterial normal e na gênese do estado hipertensivo (KETTYLE, 2017).
De outro lado, coube a Talbot e Smith em 1940 e Pereira em 1955 demonstrarem que a hipertensão essencial poderia levar ao dano renal parenquimatoso. Na prática clínica, às vezes é difícil fazer esta distinção entre causa ou efeito da hipertensão, especialmente nos pacientes com insuficiência renal crônica avançada, fase em que a hipertensão arterial ocorre quase como regra e na qual os dados clínicos e complementares nem sempre permitem detectar a existência de uma nefropatia primária prévia (KETTYLE, 2017).
A hipertensão lesa o rim porque causa espessamento das paredes arteriolares renais (nefrosclerose). Em condições habituais, a constrição da arteríola aferente, que é o mecanismo normal de defesa do glomérulo contra a transmissão da hipertensão sistêmica ao capilar glomerular funciona adequadamente e a resultante dessa diminuição da luz arteríola por nefrosclerose mais a constrição da arteríola eferente é, no entanto, a isquemia e posterior esclerose global do glomérulo com perda do néfron. Como consequência da perda de néfrons e pela falência desse mecanismo constritor aferente (mais comum em determinadas populações como os negros americanos e atribuída a um número menor de néfrons que esses indivíduos teriam ao nascer) ocorre uma série de adaptações nos néfrons restantes visando manter a função renal. Esses processos adaptativos têm um preço, levando à esclerose
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glomerular segmentar e focal (e, finalmente, esclerose global) e posterior perda de mais néfrons, criando-se um círculo vicioso que leva ao “rim terminal” (COUTO; KAISER, 2003).
Esses mecanismos são os responsáveis pela destruição progressiva de néfrons quando a lesão inicial é diferente da hipertensão arterial, levando a um padrão comum de doença renal crônica progressiva, seja por hipertensão primária, seja por lesões renais de qualquer outra natureza. Assim, instalada a doença renal crônica, a hipertensão arterial dela decorrente é um fator agravante que acelera a perda de néfrons e a velocidade de progressão para os estágios terminais de insuficiência renal (COUTO; KAISER, 2003).
Segundo Bakris et al., 2003 apud Pinho, Oliveira e Pierin (2015, p. 102):
Os principais fatores de risco aos quais se tem atribuído a crescente prevalência da doença renal crônica no mundo são: aumento da expectativa de vida, diabetes melito e hipertensão arterial. Estes fatores estão intimamente associados ao desenvolvimento socioeconômico de uma determinada população: por um lado há diminuição das causas de morte infecciosas e externas pela melhora da condição de vida e do acesso aos serviços de saúde; por outro, vê-se a adoção de estilos de vida inadequados, como sedentarismo e a piora dos hábitos nutricionais.
Além da hipertensão arterial, da proteinúria e das alterações tubulointersticiais, outros fatores têm sido implicados, clínica e experimentalmente, como mecanismos capazes de também levar à progressão das lesões renais em direção à insuficiência renal terminal. Conhecê-los é importante, devido às suas inter-relações e porque as intervenções terapêuticas visando corrigir ou atenuar os efeitos poderão resultar em benefício maior para o paciente. Entre eles, cabe citar: ingestão elevada de água, sal e proteínas, hiperlipidemia, hiperglicemia, resitência à ação e níveis plasmáticos elevados de insulina, hiperhomocisteinemia, tabagismo, hiperfosfatemia, uso de antiinflamatórios não hormonais, anemia, depleção de potássio e hiperaldosteronismo (BERTOLAMI; FALUDI, 2015).
5.2 Estágios evolutivos da doença renal crônica
A doença renal crônica (DRC) é definida por lesão renal caracterizada por alterações estruturais ou funcionais dos rins com ou sem redução da taxa de filtração glomerular (TFG), manifestadas por alterações patológicas ou indícios de lesão renal em exames de sangue, de urina ou de imagens (BORTOLOTTO, 2008, p.153).
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Nos pacientes com DRC, os sucessivos estágios que caracterizam a progressão são baseados no nível do ritmo de filtração glomerular (RFG), independentemente da causa da doença renal. Para pacientes com função renal estável, o RFG pode ser medido pelo clearance de creatinina ou estimado por fórmulas que dão valores aproximados da filtração glomerular. A mais conhecida é a equação de Cockcroft-Gault que calcula o clearance de creatinina levando em consideração a idade, o peso corporal e a creatinina plasmática (XAVIER; GAGLIARDI, 2015).
Baseado nestas definições, a classificação abaixo tem sido recomendada e vem sendo amplamente utilizada, com o objetivo de estratificar os estágios evolutivos da DRC e identificar as melhores estratégias de tratamento em cada um desses níveis (XAVIER; GAGLIARDI, 2015):
Estágio I: RFG igual ou maior que 90 ml/min/1,72 m2 e presença de marcadores de
lesão renal (albuminúria);
Estágio 2: RFG entre 60 e 89 ml/min/1,73 m2 e albuminúria persistente;
Estágio 3: RFG entre 30 e 59 ml/min/1,73 m2; Estágio 4: RFG entre 15 e 29 ml/min/1,73 m2;
Estágio 5: RFG abaixo de 15 ml/min/1,73 m2, ou insuficiência renal crônica terminal.
Utilizando os critérios acima de classificação e estratificação, um estudo de prevalência da DRC nos EUA realizado entre os anos de 2009 e 2015 estimou que cerca de 10,9% da população adulta, com mais de 20 anos, apresenta doença renal crônica. Diferente do que se pensava anteriormente, os estágios iniciais da DRC são também associados com elevadas taxas de morbidade cardiovascular, muito semelhante às observadas entre pacientes com Insuficiência Renal Crônica Terminal (IRCT) em programa de diálise (CUPPARI, 2015).
5.3 Hipertensão e envolvimento cardiovascular na doença renal crônica
A hipertensão arterial (definida como PA igual ou maior que 140 X 90 mmHg), além de ser uma causa primária de lesão renal, é uma complicação muito frequente entre pacientes com DRC. Segundo estimativas de vários estudos, entre 50% e 75% de todos os pacientes com DRC nos estágios 3 a 5 apresentam hipertensão arterial. Sua presença aumenta o risco de evolução para os estágios terminais de insuficiência renal crônica, e também o de doença cardiovascular (DCV), ambos associados com maior mortalidade na população geral e entre pacientes com DRC (CLAUDINO; ZANELLA, 2015).
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Tem sido observado que durante a DRC progressiva a morte por eventos cardiovasculares é muito frequente, mais do que a evolução para as fases terminais de insuficiência renal crônica. Não está claro se a DRC é um fator de risco independente para DCV. O mais provável é que esses pacientes possuam maior prevalência de fatores de risco tradicionais, como hipertensão arterial, diabetes mellitus e dislipidemia, associados á presença de doença renal. Outros fatores adicionais de risco cardiovascular que estão quase sempre presentes em pacientes com DRC são a presença de proteinúria, hiperhomocisteinemia, disfunção da paratireoide, anormalidades do balanço fosfo-cálcio, anemia, hiperinsulinemia e hiperuricemia (FRANCISCHETTI; SANULIANI, 2015).
Atualmente há evidências de que a microalbuminúria acentua o risco de morte cardiovascular, principalmente quando está presente concomitantemente com a hipertensão arterial e o diabetes mellitus mesmo que a função renal seja normal. É possível que a microalbuminúria represente um índice de dano endotelial generalizado e baixo grau de inflamação que contribui para a disfunção macrovascular e DCV (COUTO; KAISER, 2003).
5.4 Estratégias de tratamento da hipertensão na DRC
Os objetivos fundamentais do tratamento da hipertensão arterial na DRC são (KUSUMOTA; RODRIGUES; MARQUES, 2014):
Reduzir a pressão arterial a níveis-alvo associados com melhor prognóstico; Reduzir a progressão da doença renal em pacientes com ou sem hipertensão; Reduzir o risco de DCV em pacientes com ou sem hipertensão.
O tratamento da hipertensão arterial na DRC guarda os mesmos princípios gerais das intervenções terapêuticas da hipertensão, incluindo mudanças no estilo de vida e hábitos alimentares, mas deve incorporar estratégias específicas para a abordagem simultânea da doença renal. Existem muitas evidências de que alguns anti-hipertensivos são capazes de produzir um bom controle da pressão arterial, mas também agem sobre as anormalidades renais responsáveis pela proteinúria e/ou dos mecanismos de progressão da DRC, sendo ditos nefroprotetores (PASCUALOTO, 2012).
Tanto a hipertensão arterial quanto a proteinúria são marcadores de pior prognóstico nas nefropatias crônicas, havendo também bastante evidências na literatura de que o controle da hipertensão e a redução ou desaparecimento da proteinúria são medidas úteis para evitar ou postergar a progressão das lesões renais nas nefropatias. Isso é observado na nefropatia
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diabética tipo 1, o que reforça a importância do controle da PA, para retardar a evolução da doença (ORTIZ; ZANETTI, 2000).
O controle da PA e a redução da proteinúria são, portanto, metas a perseguir-se de modo contínuo no tratamento da HAS no renal crônico, o que leva, com frequência, ao uso de múltiplas drogas. Além da inibição do SRA e o bloqueio dos canais de cálcio, é comum que se tenha de lançar mão de outras classes de hipotensores, tais como os diuréticos, os betabloqueadores e os inibidores do tônus simpático de ação central, para conseguir reduzir a pressão arterial até os limites considerados ideais (KETTYLE, 2017).
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6 PLANO DE INTERVENÇÃO
Esta proposta de intervenção refere-se ao problema priorizado “Alta prevalência de hipertensão arterial e doença renal crônica em idosos atendidos na UBS Tereza Leopoldina do município de Coronel Fabriciano, MG”.
6.1 Descrição dos problemas selecionados (Terceiro passo)
Para descrição do problema priorizado, a equipe de saúde utilizou dados fornecidos pelo Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) e outros que foram produzidos pela própria equipe, levando-se em consideração os dados contidos nos prontuários médicos e, principalmente, pelas informações fornecidas por agentes comunitários.
Foram consideradas variáveis e indicadores da frequência de fatores de risco associados ao desenvolvimento da hipertensão e da doença renal crônica. A proposta é o controle destas doenças, reduzindo assim, as internações por complicações e a mortalidade. É importante um levantamento da presença, nos usuários, dos fatores de risco como obesidade, história familiar, dislipidemia, diabetes, má alimentação, sedentarismo, tabagismo, entre outros.
Para facilitar o processo de descrição, a equipe de saúde da UBS Tereza Leopoldina considerou todos os dados de pacientes idosos, hipertensos com doença renal crônica, fumantes, obesos, sedentários e também diabéticos (cadastrados controlados ou não, acompanhados ou não).
Para verificarmos a real situação da unidade e justificar a necessidade de um projeto de intervenção, encontramos os seguintes dados: dos pacientes que frequentam a UBS Tereza Leopoldina, 198 dos idosos são hipertensos; 82 são diabéticos e 97 além de hipertensão possuem doença renal crônica.
Dos 340 idosos atendidos na unidade, 256 não praticam atividade física, 184 são tabagistas, 124 não aderiam ao tratamento da hipertensão e nem da DRC e, apenas 58 mudaram seus hábitos alimentares (QUADRO 7).
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Quadro 7 – Descritores do problema e número de idosos para cada problema encontrado
Descritores do problema N Fonte
Idosos com hipertensos atendidos na UBS Tereza Leopoldina em Coronel Fabriciano
198 Registro da Equipe
Idosos com hipertensão e doença renal crônica 97 Registro da Equipe
Idosos que aderiram totalmente ao tratamento medicamentoso
149 Registro da Equipe
Idosos que aderiram parcialmente ao tratamento medicamentoso
104 Registro da Equipe
Idosos que não aderiram ao tratamento medicamentoso 124 Registro da Equipe
Idosos que mudaram seus hábitos alimentares 58 Registro da Equipe
Idosos que não mudaram hábitos alimentares 319 Registro da Equipe
Idosos que aderiram á atividade física 121 Registro da Equipe
Idosos que não aderiram á atividade física 256 Registros da Equipe
Fonte: Equipe de Saúde da UBS Tereza Leopoldina (2020)
6.2 Explicação do Problema selecionado (Quarto passo)
O envelhecimento populacional e as alterações do estilo de vida são apontados como os principais determinantes do aumento na frequência de doenças crônicas não transmissíveis, principalmente, hipertensão e diabetes mellitus, nos últimos anos. Evidências quanto às alterações no estilo de vida como alimentação não saudável e a falta de atividades físicas regulares, associadas ao aumento da expectativa de vida dos brasileiros têm sido apontados como responsáveis pela prevalência dessas doenças no país.
A DRC é um grave problema de saúde pública, no Brasil e no mundo, com grande impacto epidemiológico e altos custos financeiros aos sistemas de saúde. Muitas doenças, entre as quais a hipertensão arterial e o diabetes mellitus, produzem lesões renais que se expressam, inicialmente, por excreção de pequenas quantidades de albumina, mas evoluem com perda lenta de progressiva da função renal, geralmente culminando na IRCT.
A hipertensão arterial, seja causa ou consequência, agrava as lesões inicialmente instaladas e acelera a progressão da DRC. Medidas terapêuticas de controle da pressão arterial reduzem a velocidade de progressão da DRC e diminuem os riscos de DCV, constituindo-se em um dos principais fatores de nefroproteção.
Acredita-se que avaliando e analisando melhor a prevalência e os fatores de risco associados à hipertensão em idosos se possa, pelo menos, melhorar a qualidade de vida desta população.
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6.3 Seleção dos nós críticos (Quinto passo)
Dos nós críticos encontrados, foram selecionados três:
1. Dificuldade para avaliar a prevalência e os fatores de risco associados à hipertensão e a doença renal crônica em idosos, porque muitos idosos não procuram a unidade, o que dificulta estimar com precisão os fatores de risco.
2. Nível baixo de escolaridade dos idosos que dificulta a adesão ao tratamento medicamentoso.
3. Dificuldade para mudanças de hábitos, principalmente em relação à atividade física e alimentação.
6.4 Desenho das operações (sexto passo)
O controle da pressão arterial, junto com medidas de tratamento de outros fatores de risco, tem efeitos benéficos importantes sobre a DCV nos pacientes com DRC, além da redução da proteinúria e da velocidade de progressão da doença renal.
Assim, para o desenho das operações foi elaborado o diagnóstico situacional, a identificação e priorização dos problemas e a construção do plano de ação que segue abaixo de acordo com cada nó crítico encontrado.
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Fonte: Elaboração própria (2020).
Quadro 8 – Operações sobre o “nó crítico 1” relacionado ao problema “Alta prevalência de hipertensão arterial e doença renal crônica em idosos” da população sob responsabilidade da Equipe de Saúde da Família da UBS Tereza Leopoldina do município de Coronel Fabriciano, Minas Gerais.
Nó crítico 1 Dificuldade para avaliar a prevalência e os fatores de risco associados à hipertensão e doença renal crônica em idosos.
Operação
(operações)
Melhorar a comunicação entre a equipe e os pacientes com o intuito de criar vínculos e obter informações necessárias para determinar os fatores de risco aos quais estão expostos e ofertar o melhor tratamento.
Projeto Saúde do Idoso
Resultados esperados
Melhora da comunicação e criação de vínculos de confiança com o paciente. A equipe deve obter as informações necessárias para a avaliação e o diagnóstico.
Produtos esperados Melhora no atendimento e no processo de comunicação entre equipe/paciente,
individualizar o atendimento e fazer com que o paciente melhore a sua qualidade de vida.
Recursos necessários
Cognitivo: Ações educativas sobre o tema e estratégias de comunicação para o público alvo
Financeiro: para recursos com panfletos, recursos multimidiáticos; minicursos; Político: mobilização regional para campanhas contra hipertensão e doença renal crônica envolvendo equipe de saúde e secretaria de saúde para se alcançar os objetivos.
Recursos críticos Cognitivo: profissional com conhecimento e habilidade para promover a comunicação;
Político: adesão do gestor local nas ações de prevenção;
Financeiro: recursos para os panfletos; recursos multimidiáticos e minicursos.
Controle dos recursos críticos
Secretário Municipal de Saúde (motivação favorável); Equipe de saúde da unidade (motivação favorável); Diretor das UBS (motivação favorável).
Ações estratégicas Reuniões com toda a equipe de saúde; reuniões com o secretário de saúde; reuniões com a associação da comunidade para rever áreas de lazer e recreação para os idosos.
Prazo Três meses para o início das atividades e cinco meses para o término.
Responsável (eis) pelo
acompanhamento das ações
Médicos/ Enfermeiros/ Técnicos de Enfermagem/ Nutricionistas.
Processo de monitoramento e avaliação das ações
Reuniões quinzenalmente com a equipe de saúde para ver os resultados alcançados com as palestras e visitas domiciliares com o intuito de acompanhar os idosos em tratamento.
Rever as ações para melhorias no tratamento e acompanhamento dos idosos com hipertensão e doença renal crônica.
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Fonte: Elaboração própria (2020).
Quadro 9 – Operações sobre o “nó crítico 2” relacionado ao problema “Alta prevalência de hipertensão arterial e doença renal crônica em idosos” da população sob responsabilidade da Equipe de Saúde da Família da UBS Tereza Leopoldina do município de Coronel Fabriciano, Minas Gerais.
Nó crítico 2 Baixo nível de escolaridade da maioria dos idosos, o que dificulta a adesão ao tratamento medicamentoso.
Operação
(operações)
Organizar os medicamentos prescritos utilizando adesivos, cores e caixinhas para auxiliar os idosos no uso correto dos mesmos, na quantidade e nos horários prescritos.
Projeto Fazendo a diferença no uso de medicamentos
Resultados esperados
Idosos fazem uso dos medicamentos de forma correta, nos horários prescritos pelo médico.
Produtos esperados Caixas de medicamentos organizadas por cor que facilitam a adesão dos idosos
ao tratamento medicamentoso.
Recursos necessários
Cognitivo: Conhecimentos e habilidades para confeccionar os materiais (caixas de medicamentos) e promover a comunicação entre equipe e idosos Financeiro: para recursos com papel, adesivos, lápis de cor, pincéis etc. Político: mobilização da equipe de saúde e secretaria de saúde para se alcançar os objetivos.
Recursos críticos Cognitivo: Profissional com habilidade para confeccionar das caixas de medicamentos
Financeiro: recurso para confecção dos materiais
Controle dos recursos críticos
Equipe de saúde da unidade (motivação favorável)
Ações estratégicas Reuniões com toda a equipe de saúde para tomar ciência da nova estratégia
Prazo Três meses para o início das atividades e cinco meses para o término.
Responsável (eis) pelo
acompanhamento das ações
Enfermeiros/ Técnicos de Enfermagem/ ACS
Processo de monitoramento e avaliação das ações
Avaliar o uso correto dos medicamentos. Solicitar exames para verificar o estado clínico do paciente após as ações; fazer relatório mensal contendo os resultados alcançados.
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Fonte: Elaboração própria (2020).
Quadro 10 – Operações sobre o “nó crítico 3” relacionado ao problema “Alta prevalência de hipertensão arterial e doença renal crônica em idosos” da população sob responsabilidade da Equipe de Saúde da Família da UBS Tereza Leopoldina do município de Coronel Fabriciano, Minas Gerais.
Nó crítico 3 Dificuldade para mudanças de hábitos, principalmente em relação à atividade física e alimentação
Operação
(operações)
Desenvolver práticas educativas para conscientizar a comunidade sobre a importância da prática de atividades físicas e dieta adequada e saudável para evitar complicações das doenças.
Projeto Atividade física e alimentação saudável
Resultados esperados
Saúde total: Redução do peso no caso dos pacientes sobrepeso e obesos, pois a redução de cada 10Kg, reduz 26% o risco de doenças cardiovasculares; redução do número de tabagistas; aumento do número de pacientes que realizam atividades físicas diariamente;
Produtos esperados Programa de atividade física; programa para prática da boa alimentação e
qualidade de vida. Desta forma, mantem-se os níveis pressóricos dentro da normalidade, diminuindo os riscos de complicações.
Recursos necessários
Cognitivo: Informação sobre o tema e estratégias de comunicação para o público alvo;
Financeiro: para recursos com panfletos, recursos multimidiáticos; minicursos; e espaço para as ações educativas e programas de atividade física;
Político: mobilização regional para as campanhas contra DCNT, principalmente a hipertensão e a doença renal crônica envolvendo equipe de saúde e secretaria de saúde para se alcançar os objetivos.
Recursos críticos Cognitivo: conhecimentos e habilidades para promover a comunicação entre equipe e idosos;
Político: adesão do gestor local nas ações de prevenção e tratamento dos que já estão doentes; conseguir espaço para as ações educativas e reuniões quinzenais; aumentar equipe para acompanhamento domiciliar dos idosos com diabetes;
Financeiro: recursos para os panfletos; recursos multimidiáticos e minicursos.
Controle dos recursos críticos
Secretário Municipal de Saúde (motivação favorável); Equipe de saúde da unidade (motivação favorável); Diretor das UBS (motivação favorável).
Ações estratégicas Reuniões com toda a equipe de saúde; reuniões com o secretário de saúde; reuniões com a associação da comunidade.
Prazo Três meses para o início das atividades e cinco meses para o término.
Responsável (eis) pelo
acompanhamento das ações
Médicos/ Enfermeiros/ Técnicos de Enfermagem/Fisioterapeuta/Nutricionista (NASF)
Processo de monitoramento e avaliação das ações
Avaliar as mudanças de hábitos alimentares e fazer acompanhamento dos idosos; fazer visitas domiciliares para acompanhamento e instruções; reuniões com a equipe de saúde para verificar os resultados a cada mês.
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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Durante o estudo da população idosa atendida na unidade básica de saúde Tereza Leopoldina ficou claro que muitos idosos não aderem ao tratamento da hipertensão e da doença crônica renal, o que pode contribuir para uma evolução de complicações e até óbito. A baixa adesão se deve a vários fatores como desânimo de mudar comportamentos como a prática de atividades físicas e mudanças na alimentação, efeitos colaterais dos medicamentos, condições financeiras que não permitem o tratamento adequado e falta de informação sobre essas doenças e suas complicações.
A proposta de intervenção é essencial para o tratamento do hipertenso e do renal crônico. É importante que haja uma abordagem interdisciplinar e multifatorial para evitar complicações da hipertensão e retardar a evolução dos pacientes com insuficiência renal para a fase avançada e diminuir o impacto físico, emocional, social e econômico das terapêuticas renais substitutivas.
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