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7.14 RELATÓRIO A RELAÇÃO ENTRE FREUD E JUNG

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Academic year: 2021

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7.14 RELATÓRIO

A RELAÇÃO ENTRE FREUD E JUNG

Disciplina: Produção Acadêmica I - Geral Curso: Psicologia

Gênero: Relatório

Alunos: Eduardo Kucek/ Regina Ferreira Pedreira Turno: Noite

Professora: Beatriz Koppe

1 INTRODUÇÃO

Este relatório, intitulado “A relação entre Freud e Jung”, foi solicitado pela Profª. Beatriz Koppe, mi-nistrante da disciplina Produção Acadêmica I, do curso de Psicologia, da Faculdade Dom Bosco, Para realizar esse processo, foi utilizado o ilme “Um método perigoso”, dirigido por David Cro-nenberg. O ilme lançado em 2012 mostra o iní-cio da relação entre Carl Gustav Jung e Sigmund Freud, e a ruptura entre eles devido às suas diver-gências teóricas. Como suporte teórico, foi utili-zado o artigo “Crônica de um im anunciado: o debate entre Freud e Jung sobre a teoria da libido”, de Katia Mariás Pinto (2007).

O trabalho foi realizado durante dez aulas do mês de maio e junho, e em casa. Primeiramente, em sala de aula, foi ministrado o conteúdo sobre a

con-fecção de um relatório, escolhido o ilme e o tema para o trabalho, e foram utilizadas duas aulas para assistir ao ilme. O objetivo foi o de entender como se deu a relação entre Freud e Jung no início da psicanálise. A escolha do ilme e do artigo foi pela importância dos autores para a história da psicolo-gia e para a solidiicação da psicanálise. O tema é relevante para estudantes de psicologia e o público leigo que se interessa pelo assunto.

2 RELATO

O ilme “Um método perigoso” dirigido por David Cronenberg lançado em 2012, apresenta o encon-tro e a ruptura de duas personalidades fundamen-tais para a psicologia: Sigmund Freud (Viggo Mor-tensen) e Carl Jung (Michael Fassbender).

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chamada Sabina Spielrein (Keira Knightley) aco-metida aparentemente por sintomas histéricos. Ele começa o tratamento investigando os motivos pe-los quais a Srta. Spielrein desenvolveu tais sinto-mas. Pelos relatos da paciente, Jung percebe que ela sofreu ameaças e punições por parte do seu pai quando era criança.

Jung utiliza o método da “terapia pela conversa” em-prestado da psicanálise de Freud como tratamento da sua paciente, e é bem sucedido. Nesse interim, Jung começa a se corresponder com Freud e após dois anos ao tratamento de Sabina, vai a Viena para visitar o criador da psicanálise. Após esse encontro de longas conversas, Jung se encontra também com Sabina que está em Viena. Passado o período de tratamento, ela conseguiu formar-se em medicina. A proximidade entre ele e Sabina se estreita, e dei-xa de ser meramente uma relação entre terapeuta e paciente durante o período que Jung atende o pa-ciente Otto Gross (Vincent Cassel) por indicação de Freud, um neurótico nato que inluencia Jung com suas ideias sobre como devemos aproveitar as oportunidades que a vida apresenta.

Jung e Sabina tornam-se amantes. No entanto, esse relacionamento leva Jung a questionar seus pró-prios comportamentos e acaba, com algum custo, rompendo com Sabina. Esta pede a Jung para es-crever a Freud e esclarecer a situação vivida por eles, e pede para que Freud a atenda como sua paciente. Jung e Freud por sua vez rompem deinitivamente seu relacionamento a partir do momento que Jung entende e estuda alguns conceitos da psicanálise

se frustra pois via em Jung um sucessor para a psi-canálise.

O ilme encerra com o encontro entre Sabina e a esposa de Jung, Emma (Sarah Gadon), em uma vi-sita de Sabina a Jung. Sabina está casada e com uma ilha. Jung está com outra paciente que se torna sua amante, e está em uma fase de aparente crise,tanto pessoal como proissional. Tal crise é o prelúdio da criação da psicologia analítica.

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O artigo “Crônicas de um im anunciado: o debate entre Freud e Jung sobre a teoria da libido”, escrito por Katia Mariás Pinto (2007), aborda o encontro e ruptura entre duas grandes personalidades da psi-cologia moderna: Sigmund Freud e Carl Jung. O envio do livro de Jung “Estudos sobre asso-ciação” a Freud, foi o marco do seu trabalho em conjunto. Freud aceita sem questionamentos os escritos sobre psicose (campo de interesse mútuo) de Jung. No entanto, apesar da incompatibilidade teórica, Freud pretendia disseminar a psicanálise. A diferença entre ambos sobre o papel da sexualidade já está estabelecida, e é a teoria da libido que dei-niu os rumos da psicanálise.

Para Jung, a libido apresenta características mais abrangentes que na teoria freudiana (a considera simbólica). Já para Freud, ela aparece em termos sexuais. Inclusive apresenta tais características no texto sobre “perversões” de 1905 e também em al-guns casos de psicose. Em oposição a Freud, Jung

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acredita na produção de toxinas pelo organismo para explicar a teoria da sexualidade, pois Freud diz que a origem das moléstias é sexual. Fliess, autor estudado por Freud e Jung, corrobora com a teoria da psicaná-lise ao elaborar uma teoria baseada na periodicidade e acúmulo de toxinas estritamente sexuais.

Freud explica a libido como tensão sexual acumu-lada, ou seja, a considera como impulso da pul-são sexual. Ele também busca nas ciências naturais explicações para fenômenos de ordem psíquicas. Inclusive Freud tolerava as ideias de Jung porque Fliess considerava a produção de toxinas (mesmo que de ordem sexual). Nesse meio tempo, Freud lê a autobiograia de Schreber pois ainda não tinha uma elaboração consistente sobre a psicose. Con-clui com isso que na paranoia a tentativa fracassada de dominar o desejo é o que causa a moléstia. Uma das características da paranoia é a megalo-mania. Fenômenos paranoicos e esquizofrênicos levam Freud a propor o diagnóstico de demência paranoide. A conclusão que Freud chega é que as neuroses surgem de um conlito entre o “eu” e a “pulsão sexual”. A ruptura do relacionamento entre Freud e Jung se dá pela dessexualização da libido por Jung. Não existe recalque na teoria jungiana, e este utiliza o conceito de sublimação para desse-xualizar a libido. Jung comunica com entusiasmo Freud as modiicações feitas por ele na teoria da psicanálise, porém, Freud critica sua atitude.

Assim, Freud propõe que abandonassem suas re-lações pessoais, e não consegue convencer Jung de

seus equívocos. Os dois estudiosos ainda se comu-nicaram apenas para assuntos institucionais. Jung segue em frente com suas teorias e apresenta, na Inglaterra, o ponto de vista energético da neurose. Nesse interim, é reeleito presidente da IPA (Asso-ciação Psicanalítica Internacional) porém, renun-ciou a editoração do “Anuário de Pesquisas Psica-nalíticas e Psicopatológicas”.

Outro conceito trabalhado por Freud e Jung é o de realidade. Jung não deixa claro seu conceito sobre o tema; Freud diz que o vazio subjetivo é que orga-niza o mundo interior. Este elabora um projeto de psicologia cientíica e demonstra a função primária do aparelho psíquico. Ele apresenta duas experiên-cias importantes para a constituição da realidade: a satisfação e a dor. Dois resíduos são deixados por tais experiências: na dor, o afeto; e na satisfação, o desejo. O princípio do prazer não distingue o real do alucinado. Nesse contexto, Freud airma que o princípio de realidade diz respeito aos signos que o indicam, e o desejo objetiva encontrar o vazio dei-xado pela lembrança. No processo primário, tenta--se fazer coincidir a imagem com a representação. A autora inaliza seu artigo complementado que Freud e Fliess continuaram seus estudos para expli-car a neurose em seus termos sexuais, e que Jung continua a utilizar métodos psicanalíticos em seus pacientes, apesar das mudanças de seu pensamento em relação à libido. E o encontro entre ambos faz Freud retomar o tema de como se constitui a reali-dade do sujeito. Ambos continuaram suas pesquisas e deixaram suas marcas na história da psicologia.

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4 ANÁLISE

Pinto (2007) em seu artigo apresenta o grande in-teresse de Freud e Jung no estudo da histeria, neu-roses e psicoses. Esse fato é evidenciado já no início do ilme “Um método perigoso” quando mostra Jung recebendo a paciente Sabina Spielrein acome-tida por sintomas histéricos.

No ilme, observa-se a utilização dos métodos da psicanálise (“terapia da conversa”) por Jung para tratamento da Srta. Spielrein. Nota-se em Pinto (2007) justamente esse interesse de Jung pela teoria psicanalítica, o que leva Jung a se corresponder e encontrar com Freud na cidade de Viena. Esse en-contro de início leva os dois cientistas a caminhos comuns em relação às suas teorias. No entanto, e evidente que no âmago dos seus estudos existe uma diferença elementar.

Freud mantém uma atitude persuasiva e intoleran-te em relação às mudanças propostas por Jung em seus estudos. É justamente isso que leva a sua se-paração, evento esse descrito tanto no artigo como no ilme. Freud via em Jung o sucessor para a psi-canálise, e suas divergências izeram com que Freud relutasse e resolvesse cortar relações com Jung. Am-bos continuaram se correspondendo apenas para assuntos acadêmicos e institucionais, como men-ciona o artigo.

Outro ponto a ser observado nessa divergência de ideias e aparece em ambos os materiais é a forma como Jung e Freud lidam com a libido. Segundo a teoria freudiana, ela está diretamente relacionada

aos sintomas histéricos, por se tratar de uma pulsão sexual (evidenciado no ilme ao Sabina Spielrein airmar que sentia prazer sexual ao ser humilhada). No entanto, é nesse ponto que Jung, segundo o ar-tigo, diverge seu pensamento de Freud ao realizar o que foi chamado de dessexualização da libido. Ou seja, o assunto foi proposto por uma via simbólica. O que surgiu no ilme e não pode ser corroborado com o texto utilizado como fundamentação teórica foi o relacionamento amoroso entre Jung e Spiel-rein. Porém, no inal do ilme, Jung aparentemen-te, está com outra amanaparentemen-te, o que leva a crer na vera-cidade do caso que manteve com a Srta. Spielrein.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da análise do ilme e a correlação com o artigo, observa-se e se compreende melhor a teoria psicanalítica e como se deu o início e o im da rela-ção entre Freud e Jung. Foi possível veriicar quais os sintomas presentes em um paciente histérico, e a forma de tratamento disponível na época.

Apesar de suas divergências, os estudos de Sigmund Freud e Carl Jung foram de extrema importância para a consolidação da área do saber conhecida como psicanálise, e da criação por parte de Jung, anos depois, da psicologia analítica. Os dois autores são indispensáveis para estudantes e proissionais de psicologia, e para o público leigo interessado no assunto. O ilme e o artigo vêm de encontro com informações e direcionamento para o aprofunda-mento do conheciaprofunda-mento em psicologia.

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REFERÊNCIAS

UM MÉTODO PERIGOSO. Direção de David Cronenberg. Alemanha, Canadá, Reino Unido, Suíça. Roteiro de Christopher Hampton e John Kerr, 2011. DVD (99min).

PINTO, Kátia Mariás. Crônica de um im anunciado: o debate entre Freud e Jung sobre a teoria da libido. Rio de Janeiro, Ágora [online]. 2007, v.10, n.1, p. 75-88.

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