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7Ww PREVIDENCIA PRIVADA ABERTA E DE CAPITALIZAcAO - CRSNSP

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CONSELHO DE RECURSOS DO SISTEMA NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS, DE

7Ww

PREVIDENCIA PRIVADA ABERTA E DE CAPITALIZAcAO - CRSNSP

228@ Sessão Recurso 6369

Processo Susep 15414.000099/2009-00

RECORRENTE: MONGERAL AEGON SEGUROS E PREVIDENCIA S/A

RECORRIDA: SUPERINTENDENCIA DE SEGUROS PRIVADOS - SUSEP

EMENTA: RECURSO ADMINISTRATIVO. Denünda. Negativa de pagamento de indenizaço. Preexistência de doenca não declarada na contratação. Recurso conhecido e provido.

PENALIDADE ORIGINAL: Multa no valor de R$ 34.000,00.

BASE NORMATIVA: Art. 88 do Decreto-Lel n2 73/66 c/c art. 73 da Lei Complementar ng 109/2001.

ACORDAO/CRSNSP N2 5791/16. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, decidem os membros do Conseiho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de Previdência Privada Aberta e de Capitalizacão, por unanimidade, dar provimento ao recurso da Mongeral Aegon Seguros e Previdência S/A, nos termos do voto da Relatora. Presente o advogado Dr. Rogério Marinho, que sustentou oralmente em favor da recorrente, intervindo, nos termos do Regimento Interno deste Conselho, o Senhor Representante da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Dr. José Eduardo de Araüjo Duarte.

Participaram do julgamento os Conseiheiros Ana Maria Melo Netto Oliveira, Paulo Antonio Costa de Almeida Penido, Thompson da Gama Moret Santos, Dorival Alves de Sousa, Washington Luis Bezerra da Silva e Valéria Camacho Martins Schmitke. Presentes o Senhor Representante da procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Dr. José Eduardo de Araüjo Duarte, a Secretária-Executiva, Senhora Cecilia Vescovi de Aragão Brandão, e a Secretária-Executiva Adjunta, Senhora Theresa Christina Cunha Martins.

Sala das Sessöes (Ri), 5 de maio de 2016.

/

~LMAR A MELO NE1TO OLIVEIRA

/flPresidente

VALERIA CArACHO MARTINS SCHMITKE

- -

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ft.

CONSELHO DE RECURSOS DO SISTEMA NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS, DE PREVIDENCIA PRIVADA ABERTA E DE cAPITALIzAcAO.

Processo SUSEP n2 15414.000099/2009-00 Recurso ao CRSNSP n2 6369

Recorrente: Mongeral S/A Seguros e Previdência

Conseiheira Relatora: Valéria Camacho Martins Schmitke

Corno foi dito no relatório, a mae da reclarnante fez corn a Mongeral três contratos de pecülio em datas diversas. 0 primeiro em maio de 2003, o segundo em agosto de 2004 e o terceiro em dezembro de 2007.

Os dois primeiros foram pagos sem qualquer dificuidade. So o terceiro piano contratado não foi pago. Isso porque, na contrataçäo deste (iltirno, a segurada, como se ye de fis. 94, declarou, de prOprio punho, resposta negativa a todos os itens da Declaracao Pessoal de Saüde, inclusive para as indagaçOes:

"Encontra-se corn algurn problerna de saüde ou faz uso de algum medicamento atuaimente?"

"Foi submetido a algurna intervencão cirñrgica, inclusive biópsia ou puncão..."

"Sofre ou já sofreu de doencas do pulrnäo, enfisema, doencas do fIgado, doencas do apareiho digestivo ou doencas renais?"

"Sofre ou já sofreu tumores ou cancer ou já foi submetido a tratarnento corn radioterapia, quirnioterapia ou outros tratamentos auxiliares?"

Em junho de 2007, a segurada foi submetida a urna endoscopia (fis. 9), corn biOpsia (fis. 8). Segundo declaraçao do medico, esse exarne

"evidenciou lesäo ulcerada em antro gástrico. HistopatolOgico evidenciou metapiasia intestinal e

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displasia leve c/ H. pylori positivo. Submeteu-se a tratamento medicamentoso." (fis. 7).

Em novembro de 2007, a segurada foi submetida a outra endoscopia (fis. 11), corn biópsia (fis. 10). Segundo declaracao do medico (fis. 7), esse exarne

"evidenciou mais uma vez lesão ulcerada gástrica em antro gástnico, realizamos biópsia que evidenciou presença do H. pylon c/ ausência de metaplasia e/ou displasia. Submeteu-se a novo tratamento medicamentoso."

Segundo o medico, o cancer

so

foi diagnosticado cinco meses depois, em marco de 2008, por ocasião de uma nova endoscopia que, após a biópsia, detectou adenocarcinoma gástrico. A segurada faleceu em 20 de agosto de 2008, tendo corno causa mortis neoplasia gástrica.

Embora se possa dizer que, ate marco de 2008, a segurada não tinha cancer, ela, em poucos meses, foi submetida a duas endoscopias e a duas biópsias.

Ela não poderia ter respondido negativamente

as

perguntas da Declaração Pessoal de Saüde. Ela tinha uma doença no apareiho digestivo e sabia disso, foi submetida

a

endoscopia e biópsia e sabia disso. Existe nexo causal claro entre os exarnes feitos e a doenca que a levou

a

morte.

Ela realmente faltou corn os deveres decorrentes dos princIpios de boa-fe e veracidade contidos nos artigos 765 e 766 do Codigo Civil:

"Art. 765. 0 segurado e o segurador são obrigados a guardar na conclusão e na execucão do contrato a mais estrita boa-fe e veracidade, tanto a respeito do objeto como das circunstâncias e declaraçoes a ele concernentes." "Art. 766. Se o segurado, por si OU por seu representante, fizer declaraçoes inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do

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prêmio, perderá o direito a garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido."

Alias, a reclamante propôs uma açâo judicial contra a Mongeral, açäo que correu na 34 Vara CIvel de Bangu. A sentenca declarou o seguinte:

"Em ambos os exames [a de junho e o de novembro/2007] pôde-se observar que nao houve constatacão de qualquer neoplasia gástrica. Todavia, embora a neoplasia

so

tenha sido diagnosticada em 07/03/08 (fls.31), inegavel que os exames supramencionados detectaram, na ex-participante, doenças como: lesão ulcerada gástrica e gastrite endoscópica enantematosa de antro moderada, dentre outras. No ato da contrataçäo, as fls. 84v, mais especificamente, no item 6, a ex-participante afirmou näo sofrer ou jé ter sofrido de doencas do pulmão, enfisema, doencas do fIgado, doencas do apareiho digestivo ou doencas renais. Ocorre que tal negativa, por parte da ex-participante, deu-se de forma a ocultar a verdade, posto que o contrato em questào foi firmado em 06/12/07, e a contratante já sabia sofrer/ter sofrido de doencas gástricas desde junho/07 (fis. 27/28). Desta forma, restou nitidamente comprovado que a ex-participante tinha doenca preexistente quando contratou com a ré o seguro de vida sob a inscricão n2 100544326108. Por todo o exposto, entendo que a negativa do pagamento do seguro de vida pleiteado pela autora foi devida, dada a perda do direito ao benefIcio. Por tim, ressalte-se que a perfcia técnica constatou que o contrato trazido pela parte ré foi, indubitavelmente, assinado pela ex-participante. Posto isso, JULGO IMPROCEDENTES os pedidos autorais de danos morais e pagamento do seguro de vida descrito na inicial."

Essa sentença, publicada em 22/11/13, transitou em julgado.

Portanto dou provimento ao recurso.

Rio de Jane'ir25 de maio de 2016.

Valéria C macho Martins Schmitke Cnse1heira Relatora

F

NSP/ M F

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CONSELHO DE RECURSOS DO SISTEMA NACIONAL DE SEGUROS PRIVAI) PREVIDENCIA PR! VAI)A ABERTA E DE CAPITALIZAçAO.

Processo SUSEP 0 15414.000099/2009-00 Recurso ao CRSNSP n 6369

Rcorrente: Mongeral S/A Seguros e Previdência Conseiheiro Relator: Washington Lufs B. da Silva

RELATO RIO

Processo que comecou corn uma reclamacäo de beneficiária de pec6dio cujo pagamento fol negado sob a alegacao de preexistência de doença nio declarada na contratacäo.

A mae da beneficiária contratou, em datas diversas, três pianos de pectilio. 0 61timo, contratado em dezembro de 2007, deixou de ser honrado pela seguradora porque, desde agosto de 2007, sabia ser portadora de neopiasia gástrica, patologia que a levou a óbito, o que ocorreu em 20 de agosto de 2008. Os dois outros pecálios, contratados antes de agosto de 2007, fora pagos sern d iscu ssä o.

Em parecer de fls. 129/133, a area técnica entendcu nâo ter havido infracao, tendo opinado pela improcedência da reciamacao, no que foi seguida pelo parecer da Procuradoria Federal junto

a

SUSEP. Entretanto, a Subprocuradora-Chefe do Contencioso Administrativo considerou não tel' havido liame de causa e efeito entre os sintomas e a doenca terminal, e quc competiria

a

seguradora precaver-se realizando avaliação fIsica do segurado.

Corn base neste iiltimo parecer, o Coordenador-Geral de Julgamentos, em termo de

us.

144, juigou procedente a reciamacao, condenando a seguradora na penalidade prevista na alInea 'T' do inciso IV do art. 33 cia Resolucao CNSP ng 60/2001, aumentada em razäo de reincidências.

0 recurso da seguradora repete argurnentos anteriores, dando destaque ao fato cle tel' havido omissao de informaçao no niomento da contrataçäo, o que conspurca o contrato pela falta de boa-fe.

0 parecer da Representacao da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional,

as

fis. 194/195, adota a linha da Subpi'ocuradora-Chefe do Contencioso Administrativo e opina pelo conhecimento, mas pelo não provirnento do recurso.

E o reiatório.

Rio de Jarx61?, 11 de nvei'\ibro cie 2014

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