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cartas de na lida alunos da escrita do colégio pedro II

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Academic year: 2021

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cartas de

na lida

alunos

da escrita

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cartas de

na lida

alunos

da escrita

do colégio pedro II

orgs.

adriana armony

ana bernardes

marta rodrigues

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Direção de Culturas: Eloísa Saboia

Departamento de Português e Literaturas: Márcio Hilário Coordenação editorial: Ana Bernardes

Preparação de originais: Ana Bernardes Capa: Luiz Guilherme Barbosa e Danielle Fróes Projeto gráfico e diagramação: Danielle Fróes Digitação: Bárbara de Andrade

Série Flauta de Papel, n. 3

Realização: Apoio:

L712 Na lida da escrita: cartas de alunos do Colégio Pedro II / organizadores Adriana Armony, Ana Bernardes, Marta Rodrigues.

Rio de Janeiro: Imperial Editora, 2019. 110 p. – (Série Flauta de papel; n. 3). ISBN: 978-85-7243-006-7

1. Produção textual. 2. Escrita criativa. 3. Gêneros textuais. 4. 4. Cartas. 5. Colégio Pedro II. I. Título.

CDD 028

Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária Simone Alves – CRB7: 5692. COLÉGIO PEDRO II

PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO, PESQUISA, EXTENSÃO E CULTURA

BIBLIOTECA PROFESSORA SILVIA BECHER CATALOGAÇÃO NA FONTE

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A publicação deste livro pretende divulgar produções literá-rias de alunos do Colégio Pedro II. Os textos foram produzidos em sala, em aulas de Português, por estudantes do ensino fun-damenta e médio do campus Humaitá II, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A publicação do livro foi financiada pelo Colégio Pedro II, via edital de Apoio a Núcleos de Arte e Cultura da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura – Propgpec.

Trata-se do terceiro título da Flauta de Papel, selo do Núcleo de Pesquisa e Ensino de Língua e Literatura – Nupell – que visa publicar a produção textual oriunda de práticas de ensi-no e pesquisa desenvolvidas pelos docentes membros do grupo. Para esta edição, escolhemos trabalhar com os alunos a produ-ção do gênero textual cartas.

Adriana Armony traz cartas de estudantes do nono ano do ensino fundamental (cerca de 15 anos), que se colocam no lu-gar de Lázaro Ramos, autor do livro Na minha pele, e escrevem cartas para a antiga patroa da mãe do artista, procurando con-vencer a destinatária de que deveria agir com seus emprega-dos de outra forma.

Ana Bernardes traz cartas de estudantes da primeira série do ensino médio que, inspirados pela Carta de Caminha, relatam a descoberta de novos mundos, na visão ora de alienígenas che-gando à Terra, ora de humanos em outros planetas habitados.

Marta Rodrigues traz cartas de estudantes da segunda série do ensino médio, que desvelam o olhar de Capitu que, do exílio, escreve cartas a Bentinho, solucionando (ou não) com seu pon-to de vista o famoso enigma da suposta traição.

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res possa fomentar o sistema literário nacional, conforme defi-ne Antonio Candido, respeitável crítico, para quem a publicação de novas gerações de escritores, inspirados pela leitura de auto-res consagrados, movimenta e fortalece a tradição literária de um país.

Adriana Armony Ana Bernardes Marta Rodrigues

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Apresentação 5

Na pele do outro: a conquista da empatia na escrita . . . . 11

Adriana Armony Anna Clara Rocha de Oliveira 15

Beatrice Vecchio Teixeira 16

Carolina Luiz Marques da Silva 17

Eric Daumas Carneiro 19

Francisco Silveira Azar 20

Giulia Puccini Vieira Mandim 22

Isabela Borges Arantes 24

Izabella Furtado Rodrigues 25

Joana de Menezes Sampaio 26

João Pedro Prisco da Rocha 28

José Augusto Pires da Luz Dória 29

Letícia de Carvalho Amorim 30

Lívia Filippo Moreira 32

Luiza Beatriz Pereira Xavier 33

Marcelo Lôbo Nogueira Santos 34

Maria Eduarda Resende Bruno 35

Maria Julia Teixeira Barreto 37

Naomy Moura Osakwe 39

Nathália Mota Alves Mendes Figueiredo 41

Ranya Giovanna Pereira Alves 43

Sofia Ortiz Lima 44

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Ana Bernardes

André Lana Ramos Oliveira 51

Anna Luisa Sá dos Santos 53

Artur Loureiro Monnerat Araújo 55

Arthur Nunes Benevenuto 57

Camila Oliveira de Sousa 59

Carolina Ferreira Cardoso 61

Fernanda Gomes de Moura 63

Fernando Brito Moreira César 65

Fernando da Silva Mancebo 66

Gabriela Ramos de Oliveira 67

Julia Sampaio Campos Dias 69

Luis Haddock Lobo de Almeida Magalhães 71

Marina de Oliveira Carneiro 73

Miguel Herzog 75

Paola Eduarda Sousa Sinhoreli 76

Roberta Marques Falleiro 78

Victória Felix Maia 80

Vitória Serra Molina 82

(9)

Marta Rodrigues

Ana Carolina Marques e

Maria Clara Negreiros 91 Bruna Guilherme e

Leonardo Cavalcante 92 Clara Vieira Marinho da Costa e

João Gabriel Mauad Andrade Essus 93 Eduarda Ferreira e

Mariana Cortes 94 Felipe Holst e

Gabriel Ruas 97 Fernanda Fernandes Magalhães Martins e

Manuela Fernandes Blanco Rodrigues 99 Lucas Caputo Bello e

Ruy da Silva Rayol Neto 101 Luiz Felipe Sena Esnarriaga 102 Luiza Nehrer e

Nathália Marconato 103 Matheus Lima Navarro e

Sarah Beatriz de Oliveira Aleixo 105 Renan Pereira Martins e

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Beatrice Vecchio Teixeira

Carolina Luiz Marques da Silva

Eric Daumas Carneiro

Francisco Silveira Azar

Giulia Puccini Vieira Mandim

Isabela Borges Arantes

Izabella Furtado Rodrigues

Joana de Menezes Sampaio

João Pedro Prisco da Rocha

José Augusto Pires da Luz Dória

Letícia de Carvalho Amorim

Lívia Filippo Moreira

Luiza Beatriz Pereira Xavier

Marcelo Lôbo Nogueira Santos

Maria Eduarda Resende Bruno

Maria Julia Teixeira Barreto

Naomy Moura Osakwe

Nathália Mota Alves

Mendes Figueiredo

Ranya Giovanna Pereira Alves

Sofia Ortiz Lima

Sofia Rodrigues Gomes

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a conquista da empatia

na escrita

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na lida da escrita

A

leitura e a escrita literária implicam necessariamente uma

relação com o outro. Se para ler é preciso sempre, em al-gum grau, sair de si, escrever envolve imaginar um outro, seja aquele a quem nos dirigimos, seja aquele que fala através de nós.  Este trabalho descreve e analisa uma atividade realizada por estudantes do nono ano do ensino fundamental, na qual foram instados a se colocar no lugar – na pele – de Lázaro Ramos, au-tor do livro Na minha pele, lido no trimestre. Os estudantes de-veriam escrever à ex-patroa da mãe do escritor uma carta ar-gumentativa em que o menino Lázaro contaria sua experiência como filho de empregada, procurando convencer a destinatária de que deveria agir com seus empregados de outra forma.

Os textos produzidos revelam, em diferentes graus, os esfor-ços, as dificuldades, as emoções e as surpresas de um exercício cada vez mais necessário em nossos dias: o da empatia.  

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na lida da escrita

Anna Clara Rocha de Oliveira

Rio de Janeiro, 12 de outubro de 1999. Cara Senhora Luísa,

Lembra de mim? Talvez não, mas logo saberá quem vos escreve.

Por muito tempo, recebi broncas por coisas que seus filhos faziam, fui privado de certas refeições e tratado como um “fi-lho de empregada”. Talvez a senhora não saiba, mas eu também sou gente, e meu lugar pode ser ao lado da senhora. Ninguém é apenas “filho de empregada”, tem nome e personalidade, jeiti-nho próprio. Portanto, peço que não desmereça um ser huma-no e seus filhos por uma profissão. Tenho certeza que não cha-mará seu neto de “filho de psicólogo”, portanto, não desvalorize o trabalho de uma pessoa.

Tenho uma dica: seja gentil. Nas próximas vezes, trate com carinho, com amor. Porque tenho certeza que não lhe cus-tará nada.

Passei mais de dez anos com raiva da senhora, e finalmen-te tomei coragem para lhe mandar esta carta. Espero que saiba que encontrei meu lugar: onde eu sempre sonhei.

Com todo o meu carinho, Lázaro Ramos

P.S: Fui eu quem colocou aquela lagartixa na sua cama, em 1985. Nunca me arrependi de tal ato.

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cartas de alunos do colégio pedro II

Beatrice Vecchio Teixeira

São Paulo, 18 de maio de 2018. Querida ex-patroa da minha mãe,

Não sei se a senhora se lembra de mim, mas eu me lembro muito bem de você. Você está no meu livro, inclusive. Bom, caso a senhora não esteja lembrada, eu irei me apresentar. Meu nome é Lázaro Ramos, filho de sua ex-empregada doméstica, Célia Sacramento. Lembrou? Espero que sim, pois eu irei apontar al-guns acontecimentos nos quais eu me lembro de ter ficado con-fuso e sem jeito diante da senhora. Eu não estou dizendo para você ficar constrangida, apenas quero que reflita.

Ser o filho da empregada sempre foi uma dificuldade para mim. Além de ter que dormir em um quartinho do tamanho de um banheiro – mas esse não é o grande problema – eu não sa-bia qual era meu lugar no mundo. Em casa eu era tratado cheio de carinho e respeito, minha família me tratava igual e sempre dizia que eu era lindo e inteligente. Na sua casa era diferente. Eu tinha que comer arroz com ovo enquanto a senhora prepara-va um suculento bife à milanesa para seus netos. Você me trata-va bem no quesito de não ser tão rude e não gritar comigo. Mas essa regra não se aplicava à minha mãe. Eu tenho más lembran-ças da senhora gritando com ela.

É difícil estabelecer a medida certa de como deve ser a relação patrão/empregado, mas acredito que deve haver educação e respeito.

Atenciosamente, Lázaro Ramos

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na lida da escrita

Carolina Luiz Marques da Silva

Rio, 18 de maio de 2018. Querida patroa,

Há tempos não nos vemos, mas posso afirmar que todo esse período de longa distância não foi suficiente para fazer nossas lembranças sumirem nas profundezas do meu subconsciente.

A propósito, o autor dessas palavras sou eu, Lázaro, filho de Célia, a mulher que trabalhava de doméstica para a senho-ra. Talvez você esteja surpresa ou já tenha cogitado que fosse eu. Pois bem, faço-me presente aqui somente para esclarecer algu-mas coisas e quem sabe despertá-la para um novo jeito de agir, então por favor, leia sem receios.

Vamos viajar no tempo, relembro daquela época, quando você cozinhava aquele ensopado de carne cujo cheiro pairava sobre todo teu apartamento… De vez em quando minha mãe me levava para sua propriedade, tão sua que lembro até hoje, 18 de maio de 18, quais eram as minhas limitações naquele AP. Às vezes me sentia como se estivesse a respirar sobre território ini-migo, não chega a ser estranho, tamanho sentimento em uma criança tão ingênua? Não quero culpá-la de nada, apenas trazer--te compreensão de que seus atos refletem nas pessoas ao seu re-dor; é a lei da ação e reação.

Não posso negar que era prazeroso brincar com seus filhos, parecia que éramos indiferentes, de criança pra criança. Mas a ilusão logo desmanchava-se sobre a realidade, quando não po-dia comer da mesma comida que os outros, caminhar sobre os mesmos cômodos e socializar com a mesma liberdade.

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cartas de alunos do colégio pedro II

Hoje vejo como isso era algo tão inconsciente e ignorante de

vossa parte. Atualmente passo meu cotidiano buscando ter har-monia com tudo e todos, vivo no RJ – Rio de Janeiro, onde ama-dureci profundamente.

Deixo novamente claro que não tenho nada contra você, en-tendo que naquela época tais atitudes eram tão normais quanto a luz do dia, mas tudo mudou! Repense, expanda seus conceitos e se verá alguém mais livre e pleno.

Atenciosamente, Lázaro Ramos

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na lida da escrita

Eric Daumas Carneiro

Rio, 18 de maio de 2018. Cara ex-patroa da minha mãe,

Aqui quem lhe escreve é Lázaro, o filho de dona Célia, que foi sua empregada. Faz muito tempo que não temos contato, porém achei necessário mandar esta carta, que traz um assun-to muiassun-to importante.

Ser o filho da empregada era, em minha infância, uma gran-de dificuldagran-de, pois apesar gran-de você ser, na maioria das vezes, simpática, havia momentos em que eu ficava confuso, sem sa-ber exatamente meu lugar no mundo. Coisas que para a senho-ra podem parecer pequenas, como não poder comer carne, me causavam uma grande dor. Quando gritava com minha mãe, eu ficava muito incomodado, querendo ir embora para outro lugar.

Pelos motivos acima, peço que, por favor, mude seu com-portamento, sua forma de tratar os outros. Eu, no fim das con-tas, consegui passar bem por tudo isso, e hoje acredito que seu lugar é aquele onde você sonha estar, porém a história poderia ter sido diferente.

Ser exposto a tais tratamentos tão cedo pode colocar em sua mente que seu lugar é aquele, recebendo ordens, sendo tratado como inferior. Uma pessoa com esses pensamentos provavel-mente ficará o resto da sua vida assim, achando que esse é seu lugar no mundo.

Abraços, Lázaro Ramos

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cartas de alunos do colégio pedro II

Francisco Silveira Azar

Rio, 18 de maio de 2018. Cara Dona Júlia,

Sim. Comecei essa carta a chamando de “Dona”. Lembro das tardes no fim de semana na sua casa em que eu e minha mãe fi-cávamos na cozinha, conversando baixinho para não incomodar ninguém. Lembro que quando você entrava na cozinha, com seu sempre adocicado perfume, eu me endireitava todo. Minha mãe, num gesto silencioso, me beliscava fraquinho para que eu não esquecesse seu título. Aquela palavra. Aquela palavra que criava um abismo entre nós. Aquela palavra que me colocava no lugar mais baixo possível. “Dona”.

Comecei falando sobre isso porque julgo ser um grande exemplo de um problema que tenho ignorado e engolido dura-mente muitos anos.

Isso mudou na última semana. Uma moça que trabalha em minha casa trouxe seu filho para o trabalho. Um menino magro e baixinho. Ele parecia tremer.

Me cumprimentou:

“Tudo bem, Senhor Lázaro?”

Desabei. Naquele momento vi nos olhos daquele menino o mesmo tremor e desconforto que eu sempre sentia quando en-trava em sua casa.

Abracei o menino naquele momento. Abracei ele como nun-ca havia abraçado ninguém antes. Transmiti todo o meu amor naquele abraço.

E foi então que eu finalmente entendi tudo o que eu sentia quando não era nada mais do que apenas um jovem menino.

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na lida da escrita

Todo o desconforto que passei quando estava na sua casa era justamente por não me sentir amado, por não sentir que pode-ria estar em um lugar na sociedade melhor do que o que eu me encontrava.

Ao abraçar aquele menino, que tão jovem já tinha uma no-ção do que a sociedade planejava para ele, sussurrei baixinho:

“Seu lugar é aquele que você sonha estar.” Olhei fundo nos seus olhos:

“Sinta-se muito amado.”

E de fato, é isso: o racismo não acontece pelo ódio, mas sim pela falta de amor: uma palavra que praticamente caiu em desu-so no mundo atual. Hoje vejo que, cada vez mais, temos que nos amar mais. Nos amar como humanos que somos, falhos e com-plexos. Nos amar.

Por isso, Júlia, quero que sempre saiba: eu te amo. Amo seus filhos, hoje crescidos, com os quais eu adorava brincar. Sua mãe, que Deus a tenha, que apesar de brigar comigo adorava minhas interpretações. Seu marido, caladão, que me observava com curiosidade por trás dos livros. Por isso, vamos nos amar mais.

Com saudades, Lázaro Ramos

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cartas de alunos do colégio pedro II

Giulia Puccini Vieira Mandim

Rio de Janeiro, 18 de maio de 2018. Cara Joyce Teixeira,

Quem está escrevendo essa carta é o filho de Célia, sua ex--empregada. Sempre lembro de você, até que hoje resolvi escre-ver o que eu sinto e o que eu sempre quis dizer para a senhora.

Sempre achei que as empregadas “faziam parte” da famí-lia. Era isso que eu via em alguns filmes e seriados. Pelo visto o mundo não funciona assim.

Minha mãe escondia isso de mim, mas eu via. Você, dona Joyce, a tratava como se fosse sua escrava. Lembro quando a se-nhora gritava com ela e dizia “Quem é que manda aqui?”. Eu me sentia sem graça no momento, mas nunca guardei mágoas.

Antes, eu ficava em dúvida sobre o meu lugar no mundo. Meu espaço era limitado em sua casa. Em determinadas partes, a senhora não me deixava entrar. Com o tempo, comecei a defi-nir meus limites, e aprendi demais com isso.

Naquela época, eu e “mainha” tínhamos que comer arroz e ovo. Todos os dias era essa a comida. Nós não nos queixávamos, mesmo enquanto um escaldado de carne estava sendo prepara-do no fogão.

Gostava muito de seus netos, brincávamos muito. Certa vez, todas as crianças foram brincar em seu quarto (obviamente, eu fui junto), quando a senhora me viu naquela situação, questio-nou de maneira ríspida o que eu estava fazendo lá.

Agora, quando eu penso em você falando de forma gros-seira para eu procurar meu lugar, vejo de uma forma diferen-te. Hoje em dia, acredito que o meu lugar é aquele onde sonho

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na lida da escrita

estar. Atualmente sou ator, diretor, escritor e produtor. Esse é o lugar onde sonhei estar. E é onde estou.

É bem triste saber que algumas pessoas ainda tratam seus empregados como escravos. Espero que você tenha mudado suas atitudes e que tenha refletido ao ler essa carta, cujo úni-co objetivo é apontar esses erros e questionar suas atitudes. Agradeço por ter lido até o final.

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cartas de alunos do colégio pedro II

Isabela Borges Arantes

Rio de Janeiro, 16 de maio de 2018. Cara Dona Cláudia,

Não sei se lembra de mim, mas sou filho de Célia, sua ex--empregada. Me chamo Lázaro Ramos. Tudo o que conquistei até hoje foi por pura força de vontade minha. Tive que ser mui-to forte para estar no lugar que ocupo hoje, principalmente pelo fato da minha cor de pele e pelo preconceito que sofri durante toda a minha vida.

Adorava brincar com seus filhos, mas ficava muito triste e me questionava o tempo todo do porquê de eu ter que arrumar toda a bagunça ou de não poder brincar com seus filhos na sua cama. Carreguei todas essas perguntas na minha infância.

Sabe, Dona Cláudia... eu era uma criança e minha mãe, sua empregada, ela não era um objeto que tinha que ser colocado no seu lugar nem engolir todas as suas grosserias.

Um conselho para a senhora é: não faça mais isso. Deixe o “filho da sua empregada” brincar com seus filhos como ami-gos. Não trate sua empregada desrespeitosamente e coloque--se no lugar dela. O mundo precisa de empatia para ser um lu-gar melhor.

Espero de coração que a senhora mude seus gestos. Atenciosamente,

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na lida da escrita

Izabella Furtado Rodrigues

Rio de Janeiro, 16/05/2018. Querida Dona Maria,

Estou te escrevendo para falar sobre algumas atitudes que precisam mudar, e falo isso não apenas por mim e minha mãe, mas também por todas as outras pessoas que já estiveram no nosso lugar.

Existe uma frase que diz: “seu lugar é aquele onde você nha estar”, e eu acredito nela. Por mais que todos os ventos so-prem contra e pessoas como a senhora me digam onde posso es-tar ou não, eu ainda acredito.

Não acho justo limitar alguém apenas por sua condição so-cial ou cor de pele. Na teoria somos todos iguais, mas na práti-ca terei que me esforçar mil vezes mais do que seu filho se qui-ser chegar no mesmo lugar que ele. Mesmo assim, não significa que eu não seja tão digno quanto.

Minha mãe trabalha duro e a senhora nunca terá ideia do quanto; por isso, não desmereça seu trabalho e comece a tratá--la como gostaria de ser tratada. Precisamos começar a nos co-locar no lugar do outro e entender que ele deve ter o mesmo di-reito que nós.

Reveja seus conceitos e atitudes e procure fazer diferente em uma próxima vez, pois todos nós podemos mudar e nos tornar-mos pessoas melhores.

Com todo respeito, Lázaro Ramos

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cartas de alunos do colégio pedro II

Joana de Menezes Sampaio

Rio de Janeiro, 18/05/2018. Prezada Suzana,

Não sei se lembra de mim, sou o filho de sua antiga empre-gada Célia Sacramento. Decidi, depois de anos desde a última vez que me comuniquei com você, lhe escrever essa carta não de uma forma rancorosa, e sim aconselhadora, para te mostrar meu lado do quanto fora difícil para mim em sua moradia ser o “filho da empregada”.

Na época, assim como seus filhos, eu ainda estava em fase de crescimento e desenvolvimento de minhas próprias ideias. Eu não sabia qual era meu lugar no mundo, portanto não tinha visão do quanto a senhora me desprezava por preconceito. Não guardo mágoas quanto a isso, somente peço a você para refletir sobre seus atos para – espero – que isso não se repita.

Ao ser o único reprimido durante as brincadeiras de crian-ça com seus filhos, voltava para o quartinho de empregada da minha mãe me sentindo humilhando, passando o resto do tem-po como um peixe fora d’água, preso em uma rede, incapacita-do de voltar à água e brincar com os outros peixes. Eu também era uma criança normal tanto quanto seus filhos, sabia?

Somente ao crescer refleti sobre como me sentia nesse tem-po. No entanto, ao ficar de castigo no quartinho sozinho, eu acabava sendo martelado a permanecer lá no “meu lugar”, sen-do desprezasen-do e excluísen-do, pelo fato de quansen-do a senhora olhava para mim, só via um título de filho da empregada negro.

Gostaria de ter recebido pelo menos um pequeno pedaço de carne no almoço ou um simples ato de afeto. Pois enquanto

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na lida da escrita

outros se empoderam, os mais ignorados pela “sociedade alta”, como aquela em que você se encontrava, se sentirão intimida-dos e haverá a desigualdade tão marcada.

Espero que seu olhar se conscientize e que o próximo filho da empregada na sua casa, você o trate tão bem quanto a em-pregada.

Obrigado mesmo assim, por receber tão bem eu e minha mãe por tanto tempo em sua casa.

Atenciosamente, Lázaro Ramos

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cartas de alunos do colégio pedro II

João Pedro Prisco da Rocha

18/5/2018. Querida Cilene,

Aqui é Lázaro Ramos! Lembra de mim? Bom, estou te es-crevendo essa carta para te contar como foi a minha experiên-cia aí na sua casa sendo o filho da empregada e também te dar algumas dicas de algumas coisas que a senhora poderia ter fei-to de forma diferente:

A princípio, fui bem tratado, vivia brincando com seus ne-tos. Mas em alguns momentos eu era apenas o filho da empre-gada. Na hora da bagunça só eu era chamado à atenção. Isso se deu, é claro, pelo fato de minha mãe não ser “parte da família”, mas este é um “não lugar”, pois de certa forma ela abandona sua família e nunca entra em outra.

Eu me lembro de uma vez em que todas as crianças foram brincar na cama da avó e você não gostou nada. “Tá fazendo o que aí, menino?”, perguntou de forma ríspida para mim. Foi mui-to mais do que ficar sem graça, não sabia o meu lugar no mundo. Pela forma como minha família me criou, eu sempre me senti como dono do meu corpo e sabia também definir meus li-mites, mas o mundo começava a me dar sinais de que talvez não fosse tão fácil assim.

Então, a minha estadia na sua casa, de certa forma, foi impor-tante para formar quem eu sou hoje, um ativista com orgulho de ser negro. A única coisa que eu gostaria de ter falado é que você deveria tratar os outros como você gostaria de ser tratada.

Atenciosamente, Lázaro Ramos

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na lida da escrita

José Augusto Pires da Luz Dória

Rio de Janeiro, 18 de maio de 2018. Cara Patrícia,

O escritor dessa carta é o Lázaro Ramos. Hoje sou um ator famoso e conhecido, mas você me conheceu como o filho da empregada, minha mãe, Célia Sacramento.

Queria começar afirmando que não guardo rancor nem amores pelo tempo que minha mãe trabalhou para você e nós tínhamos que ficar em sua casa. Agradeço por nesse período ter me tratado tão bem, porém gostaria de propor algumas refle-xões sobre essa época.

Me recordo de você dizer que nós éramos “da família”. Eu vi-via me perguntando se isso era verdade, pois enquanto a famí-lia da senhora comia um banquete, com carne e outros alimen-tos de difícil acesso na mesa, eu e minha mãe comíamos arroz com ovo no quarto de empregada. Ou enquanto eu e os seus fi-lhos fazíamos bagunça e só eu era reprimido, afinal eu tinha que ficar “no meu lugar”.

É muito triste saber que muitos viveram – e vivem – na mesma situação que eu, nessa relação escravagista de patrão(a) e empregada, em que a empregada é vista como propriedade, igual aos tempos dos senhores de engenho, sinhazinhas e “amas de leite”.

Hoje achei meu lugar ao sol e seria muito bom que a senho-ra tenha mudado de atitude.

Atenciosamente, Lázaro

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cartas de alunos do colégio pedro II

Letícia de Carvalho Amorim

Dia 18 de maio de 2018. Cara ex-patroa da minha mãe,

Quem lhe escreve esta carta é Lázaro Ramos, filho de sua antiga empregada Célia Maria do Sacramento. Sou aquele garo-tinho negro e sapeca que frequentava sua casa e brincava com seus netos, a senhora se lembra? Bom, acho que sim!

Agora, mais velho e depois de muito tempo, venho lhe dizer que sempre gostei e ainda gosto muito da senhora, dentro de sua casa sempre fui muito bem tratado e acolhido, mas em alguns momentos era o filho da empregada.

Mas por meio dessa carta venho principalmente falar sobre uma situação por parte da senhora que foi muito desagradável a mim, que me deixou muito triste e decepcionado.

Aconteceu em um dia em que eu estava em sua casa, eu e seus netos estávamos brincando na sua cama e a senhora não gostou, sempre na hora da bagunça eu era o único que era cha-mado à atenção, a senhora ríspida perguntou para mim: “Tá fazendo o que aí, menino?”.

O que eu senti foi muito mais do que ficar sem graça, eu não sabia onde era o meu lugar no mundo. E durante muito tempo vivi nessa dúvida, até onde eu poderia ir e como meu corpo de-veria ocupar o espaço.

Passei anos espiando pela frestinha da porta do quarto da minha mãe em sua casa, onde, como era tratada aos gritos, ten-tava me distrair para não pensar naquilo, em como a cultura es-cravista moldava a relação patrão-empregado.

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na lida da escrita

Há coisas que não posso entender nessa sua atitude discri-minatória, afinal sempre fui bem tratado, como em algumas si-tuações podia ser tratado de forma diferente dos demais? Como isso era possível? Talvez houvesse uma falsa cordialidade entre a patroa acolhedora e o querido filho da empregada.

Por que o negro é tratado de forma inferior aos brancos? Por que os brancos têm mais acesso à educação, trabalho e saú-de? Por que os negros têm que se preocupar com o futuro de seus filhos vivendo nesse mundo racista? Por quê? Até quan-do? Reflita.

Somos todos humanos e merecemos respeito, e todos preci-sam saber viver em sociedade aceitando as diferenças.

Durante minha trajetória nunca pensei que chegaria onde cheguei como artista, por conta de tudo aquilo que ouvia sobre qual seria meu lugar no mundo.

Hoje penso diferente e tento espalhar, para o máximo de pessoas que posso, que ninguém nasce com um certo lugar no mundo, o nosso lugar é onde queremos e sonhamos estar.

Atenciosamente, Lázaro Ramos

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cartas de alunos do colégio pedro II

Lívia Filippo Moreira

Rio de Janeiro, 16/05/2018. Querida ex-patroa da minha mãe,

Venho aqui por meio desta carta lhe falar algo importante e espero que você leve de verdade para seu coração e aprenda.

Eu me lembro bem quando eu era criança ainda, minha mãe cuidava de sua casa e eu ficava com ela brincando com seus ne-tos, e a senhora me tratava como se eu fosse diferente, só por-que eu era filho da empregada. Só eu levava bronca e vivia na-quele quartinho. Pois, minha senhora, saiba que eu sempre tive orgulho da minha mãe.

Quando eu era criança é claro que eu me sentia mal, mas quando fui crescendo, aprendi que, independente de nossa cor ou raça, nosso lugar é onde queremos estar.

Muitas vezes achava que meu lugar como “filho da empre-gada” nunca mudaria, mas todos nós temos chances de crescer. O “filho da empregada” pode ser “filho da empregada” hoje, mas ele pode crescer e ter um futuro diferente do futuro de sua mãe. Por isso, não julgue ninguém pela condição social, cor ou raça, porque as coisas mudam.

Aliás, tem visto “Mr. Brau”?! Seja muito feliz, beijos, Lázaro Ramos

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na lida da escrita

Luiza Beatriz Pereira Xavier

Rio, 18 de maio de 2018. Querida Dona Lúcia,

Aqui quem fala é o Lázaro Ramos, ou melhor, o filho da sua ex-empregada. Escrevo esta carta com um certo desprazer. Agradeço pelo carinho que teve em incentivar o meu desenvol-vimento como ator. Mas reclamo por ter me exibido como tro-féu enquanto humilhava minha mãe com seus gritos, grosserias ou dizendo para eu encontrar meu lugar. Pensei tantas vezes onde seria o meu lugar.

Seu nome tem como significado “a iluminada ou a ilumino-sa”. Mas você não fez jus ao seu nome. De certa forma a senhora escurecia a minha visão, causando dúvidas sobre onde era meu lugar. Tudo bem! Eu encontrei meu lugar. Meu lugar ou de qual-quer pessoa é onde queira ou onde seus sonhos a levem. O meu sonho me trouxe ao Rio. Para o teatro, palco… O meu lugar é na sua TV! “O filho da empregada” tem nome, é Lázaro.

Espero que trate melhor suas/seus funcionários e os filhos deles/delas. Porque todos têm nome e voz. Pergunte, e não os rebaixe por estarem te servindo ou só por serem filhos de seus serviçais.

Atenciosamente, Lázaro

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cartas de alunos do colégio pedro II

Marcelo Lôbo Nogueira Santos

16 de maio de 2018. Querida Dona Mary,

Muito obrigado por me elogiar e cuidar de mim enquanto habitava sua casa, sou muito grato, mas talvez a senhora não te-nha percebido como me sentia por dentro.

Eu, como filho da empregada, tinha que ficar no “meu lugar” dentro da sua casa, como na vez em que a gente – eu e seus ne-tos – pulávamos na sua cama e você me olhou feio e disse “o que você está fazendo aí, menino?”. Basicamente você estava dizendo para mim: “Vá procurar o seu lugar”, porém o meu lugar é onde eu sonho estar, não quero ser tachado como “o filho da empre-gada”, mas sim como alguém que vai ter um futuro maravilhoso. Eu lhe conto isso para que não ocorra o mesmo que aconte-ceu comigo com os outros filhos de empregada que podem es-tar com você.

Com respeito,

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na lida da escrita

Maria Eduarda Resende Bruno

18/05/2018.

Cara patroa da minha mãe,

Sou eu, Lázaro Ramos! Lembra de mim? Então, quero te contar como foi ser filho da empregada na sua casa.

Na maioria das vezes eu era muito bem tratado pela senho-ra, mas lembro muito bem as vezes que eu era o filho da empre-gada. Um exemplo foi quando todas as crianças foram brincar na sua cama e você não gostou e brigou comigo, soltou um “Tá fazendo o que aí, menino?”. Fiquei mais do que sem graça, na-quela hora eu não sabia qual era o meu lugar.

Sempre que ficava isolado no quartinho eu pensava no resto do apartamento, aonde eu não estava autorizado a ir, meu corpo sempre ficava em dúvida até onde eu podia ir, pensava em como meu corpo devia ocupar os espaços. Me sentia dono dele pela forma com que minha família me tratava e sabia que eu poderia definir meus limites, mas o mundo começava a me dar sinais de que talvez não fosse tão simples assim.

Minha mãe ocupava um “não lugar”, e eu tinha abandona-do minha família para nunca entrar na sua. Normalmente era bem tratada por você, mas às vezes você mostrava “quem man-dava”, principalmente na hora de comer, em que éramos proibi-dos de comer carne e vivíamos comendo arroz e ovo. Meu estô-mago revirava! Lembro de ver também minha mãe recebendo ordens aos gritos.

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cartas de alunos do colégio pedro II

Até hoje minha mente entorta quando penso na

mentali-dade escravagista que ainda molda as relações patrão/empre-gado, me vejo no filho da minha cozinheira e penso se ele sen-te o que eu senti.

Espero que com essa carta você possa ver/sentir como foi ser filho da empregada na sua casa.

Atenciosamente, Lázaro Ramos

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na lida da escrita

Maria Julia Teixeira Barreto

18 de maio, 2018. Querida Patrícia,

Eu, Lázaro, filho de Célia, estou escrevendo isso pois me pe-guei refletindo sobre a vivência que tive com você, na sua casa. Desde aquela época o mundo avançou e minha mente amadu-receu bastante para lidar com isso com o maior zelo possível.

Você apesar de tudo era uma pessoa boa para mim, mas em alguns momentos me tratava como se eu fosse apenas o filho da empregada. Por exemplo, quando eu e seus netos estávamos brincando e consequentemente acontecia algum acidente, ape-nas eu levava a culpa, quando íamos brincar na sua cama você gritava que aquele não era meu lugar.

Às vezes, pela fechadura, eu conseguia ver você falando num tom de superioridade com minha mãe, como se ela fosse um ob-jeto descartável.

Hoje em dia, quando penso nisso, eu me dou conta de que essas coisas que eu vivi na sua casa me fizeram querer lutar mais ainda pelos meus direitos, pela minha raça. Eu sei e vou passar para meus filhos que ninguém é melhor do que ninguém e não temos o direito de diminuir ninguém, independente de qual-quer coisa.

Acredito que você tem um bom coração, apenas precisa se desapegar desses pensamentos desatualizados, como a ideia de que negros são inferiores.

Hoje em dia, negros podem sim ter um cargo alto como chefe, mas exceção não muda regra. Muitos negros ainda têm seus direitos negados, não têm as mesmas oportunidades, ou

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cartas de alunos do colégio pedro II

não conseguem estudar pois precisam ajudar suas famílias com

trabalho.

Você pode fazer a diferença na vida dessas pessoas, mesmo indiretamente, apenas com mais empatia. Principalmente com crianças que não entendem muito bem o porquê disso.

Espero que tenha captado a ideia da carta. Com carinho,

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na lida da escrita

Naomy Moura Osakwe

Rio de Janeiro, 18 de maio de 2018. Cara Bianca de Lemos,

Quem está lhe escrevendo essa carta é aquele menino, filho da dona Célia, que trabalhou em sua casa. Talvez nesse momen-to você tenha uma breve recordação de quem sou e deva estar se perguntando o que me impulsionou a lhe escrever essa carta depois de tanto tempo.

Enfim, os anos se passaram e muitas coisas aconteceram na minha vida, mas eu nunca me esqueci de você e de todas aque-las situações em que você mandava eu procurar o meu devido “lugar”. Por ser o filho da empregada, eu era tratado de uma ma-neira bem mais desagradável e com uma certa inferioridade em relação aos seus netos, por exemplo.

Lembro-me de uma vez em que todas as crianças foram brincar na sua cama e você, de maneira ríspida, perguntou o que eu estava fazendo lá.

Eu sempre ficava me sentindo sem graça e com uma grande incerteza, que perdurou durante muito tempo na minha cabe-ça, qual seria o meu verdadeiro lugar no mundo?

Naquela época isso teve um grande impacto na minha ma-neira de encarar as coisas pelo fato de que eu era uma criança, mas hoje em dia, apesar de isso ainda me magoar, tenho outra perspectiva sobre o fato.

Enquanto minha mãe cozinhava a sua comida, você não permitia que nós comêssemos a mesma refeição que você. Lembro-me muito bem que nos alimentávamos basicamente de arroz e ovo.

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cartas de alunos do colégio pedro II

Não estou aqui para despejar ódio nem mágoas, mas para

lhe fazer pensar sobre algumas de suas ações, que refletem todo um preconceito embutido em nossa sociedade há anos e que está diretamente ligado à mentalidade escravagista. Essas suas atitudes podem acabar determinando o futuro de alguém e, con-sequentemente, limitar a perspectiva de vida dessa pessoa.

Por fim, quero lhe dizer que o “não lugar” de filho de empre-gada não existe. O nosso verdadeiro lugar é aquele que sonha-mos estar e que com certeza, mesmo com todas as intempéries da vida, iremos conquistar.

Atenciosamente, Lázaro Ramos (ator e escritor)

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na lida da escrita

Nathália Mota Alves Mendes Figueiredo

Dia 18 de junho de 2018.

Cara ex-patroa de minha mãe Célia Maria,

Quem te envia essa carta é Lázaro Ramos, aquele garotinho que brincava com seus netos na época em que minha mãe era sua empregada, você se lembra? Acho que sim!

Agora que cresci, venho aqui antes de tudo dizer que gosto muito da senhora e sempre fui muito bem tratado por você. Mas venho lhe dizer que me senti muito triste e decepcionado com algumas atitudes que a senhora teve comigo. A senhora sempre foi muito carinhosa e acolhedora, mas em alguns momentos, eu era o filho da empregada, quero dizer, quando eu e seus netos fazíamos bagunça, a criança que era chamada à atenção era so-mente eu, simplesso-mente por ser o filho da empregada.

Me lembro bem dessa cena, eu e seus netos brincando e nos divertindo na sua cama, até que a senhora entrou no quar-to e não gosquar-tou do que viu. A forma ríspida como você per-guntou pra mim o que eu estava fazendo ali me deixou muito mais do que sem graça, eu fiquei sem saber qual era o meu lu-gar no mundo.

Não foi só dessa vez que me senti dessa forma. Quando che-gava a hora do almoço, eu começava a sentir aquele cheirinho maravilhoso vindo do fogão, e ver aquele delicioso escaldado de carne que era louco para comer, só podendo me contentar com o arroz com ovo que podia comer, me deixava muito chatea-do. Não me era permitido comer carne, somente por ser o filho da empregada, novamente. Durante muito tempo, vivia nessa

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cartas de alunos do colégio pedro II

dúvida de até onde eu poderia ir e como meu corpo iria

ocu-par os espaços.

Como isso era possível? Vivíamos na falsa cordialidade da patroa tão querida por mim e por minha mãe. Fico pensando no tanto que a mentalidade escravista ainda é presente nas rela-ções de patrão/empregado.

Agora reflita: por que estamos vivendo num mundo racis-ta? Por que você gritava com minha mãe para dar ordens a ela? Por que eu era chamado de filho da empregada?

Ver todos aqueles anos de batalha da minha mãe me fez pensar nas minhas perspectivas. Pensava muito em onde é meu lugar no mundo. Onde é o lugar de todos os negros que passa-ram por essas experiências dolorosas.

Nunca pensei que eu chegaria onde estou, um ator negro re-conhecido pelo seu trabalho. Justamente por tudo que já me fa-laram a respeito do meu lugar. Por isso eu sempre falo: seu lugar é onde você sonha estar. Ninguém nasceu com o lugar determi-nado. Tento espalhar para o máximo de pessoas isso.

Enfim, espero que a senhora tenha refletido e pensado nas suas ações para não repeti-las mais vezes.

Um grande abraço, Lázaro Ramos

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na lida da escrita

Ranya Giovanna Pereira Alves

Rio, 16/05/2018. Dona Maria,

Sou Lázaro, filho da sua antiga empregada. Quando eu era pequeno frequentava sua casa e brincava com seus netos. Me lembro que a senhora na maioria das vezes me tratava muito bem, mas em certos momentos eu era apenas o filho da empre-gada, me mostrando que aquele não era o meu lugar, e entendia que não deveria estar lá, deveria procurar o meu lugar. Mas hoje eu vejo que meu lugar é onde eu quero estar.

Seu lugar é aquele que você sonha estar, não é por conta da sua origem que você não consegue alcançar o que quer, é um direito de todas as pessoas estar onde quiserem estar.

Eu via a senhora gritar com a minha mãe, às vezes gritava comigo por ela ser sua empregada, mas ela não é só a emprega-da, e o filho da empregada não é só o filho da empregada.

Obrigado! Lázaro Ramos

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cartas de alunos do colégio pedro II

Sofia Ortiz Lima

Dia 18 de maio de 2018.

Prezada Dona Lúcia, ex-patroa de Dona Célia,

Quem escreve essa carta é o Lázaro Ramos. Não sei se a se-nhora se recorda de mim, mas eu me lembro bem da experiên-cia na sua casa, como um filho de empregada.

Me lembro que eu sempre brincava com seus netos e era muito bem tratado pela senhora. Mas, na hora da bagunça, só eu era chamado à atenção. E quando subi para brincar na cama da senhora com seus netos fui chamado à atenção também.

Como criança, eu não sabia exatamente como a sociedade era formada, com os grupos sociais. Sabia que eu era dono do meu corpo, e achava que podia definir meus próprios limites. Com o tempo vi que não era tão fácil assim.

Mesmo filho da empregada, eu e minha mãe éramos trata-dos como da família. Pois bem, se somos um pouquinho da fa-mília, por que só eu levava bronca quando todos os outros tam-bém bagunçavam? Ou por que eu e “mainha” não podíamos comer o delicioso escaldado feito por ela mesma no fogão?

Deixando essas coisas simples, porém importantes, de fora, eu queria dizer que, para uma criança, o mundo é visto de uma forma não tão realista, e espero que, da próxima vez, outro filho de uma empregada da senhora seja tratado de uma forma me-lhor e que a senhora ensine para ele um legado como “seu lugar é onde você sonha estar”.

De nenhuma maneira quis ser rude, só queria relembrar o passado e refletir com você.

Atenciosamente, Lázaro Ramos

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na lida da escrita

Sofia Rodrigues Gomes

Rio de Janeiro, 16 de maio de 2018. Cara ex-patroa de minha mãe,

Muitas vezes você ditava qual era o meu lugar. Eu ficava ho-ras naquele quarto que mais parecia um cubículo sem poder sair de lá porque aquele era o “lugar a que eu pertencia”. Durante aquela época eu achava que você estava certa, mas hoje percebo que meu lugar é onde estou, o lugar onde sonhei estar.

Devia tomar cuidado com o que diz a uma criança, mesmo que a considere “inferior” a você.

Nunca me senti realmente bem quando estava em sua casa. Era o único a levar bronca com as brincadeiras, me sentia um prisioneiro e odiava ver você mandar em minha mãe. Não é ne-cessário gritar com os outros, apenas advertir, mas tinha vezes que você gritava com ela.

Deixe-me lhe dar um conselho: não aja assim com os outros apenas por se achar superior. Na verdade, nunca trate assim os outros. Seja educada e tenha paciência com seus empregados.

Espero que, quando ler esta carta, mude seu jeito de pensar. Atenciosamente,

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Anna Luisa Sá dos Santos

Artur Loureiro

Monnerat Araújo

Arthur Nunes Benevenuto

Camila Oliveira de Sousa

Carolina Ferreira Cardoso

Fernanda Gomes de Moura

Fernando Brito Moreira César

Fernando da Silva Mancebo

Gabriela Ramos de Oliveira

Julia Sampaio Campos Dias

Luis Haddock Lobo de

Almeida Magalhães

Marina de Oliveira Carneiro

Miguel Herzog

Paola Eduarda Sousa Sinhoreli

Roberta Marques Falleiro

Victória Felix Maia

Vitória Serra Molina

Yago Marques Lobato

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releituras da

Carta de Caminha

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(49)

N

navegadores portugueses que primeiro desembarcaram nestas terras. O estranhamento provocado pelas diferenças culturais entre os dois povos, bem como a preocupação em elencar, na na-tureza exuberante do Novo Mundo, as possíveis fontes de lucros para a Coroa dão o tom dessa missiva original.

A leitura desse texto hoje possibilita discutir identidade e diferença, natureza e cultura, progresso e preservação ambien-tal. O choque dos portugueses diante dos nativos de Pindorama é como a reação que teríamos caso fosse encontrada vida inteli-gente em outro planeta? Mudando o ponto de vista, poderia ser também o choque de alienígenas que aqui chegassem e conos-co travassem conos-contato?

Pensando nestas questões, alunos da primeira série do en-sino médio, inspirados na Carta, relataram a descoberta de um mundo novo, na visão ora de alienígenas chegando à Terra, ora de humanos em outros planetas habitados.

Os relatos, endereçados aos superiores hierárquicos dos res-pectivos autores, contêm trechos descritivos da natureza e cul-tura locais, e também argumentativos, aconselhando ou não a colonização do mundo recém-descoberto, em razão de deter-minadas causas.

Nestas narrativas de ficção científica, aparece muita crítica social e também muito humor.

Algumas destas histórias encontram-se nas próximas pági-nas, que esperamos sirvam para reflexão e deleite dos leitores.

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na lida da escrita

André Lana Ramos Oliveira

Relatório Geral da Expedição ao Espaço. Excelentíssimo Presidente,

Escrevo-lhe esta mensagem com o intuito de relatar os resul-tados e descobertas da última expedição espacial feita pelo país. Sou o comandante do ônibus espacial escolhido para a missão e gostaria de deixá-lo a par das informações mais importantes.

Dois dias após a decolagem, a nossa nave atingiu a velocida-de do som. Tal velocidavelocida-de não nos permitiu fazer uma boa aná-lise do ambiente que percorríamos, de modo que só pudemos ter uma noção de que estava ao nosso redor quando o copiloto reduziu a velocidade, ao completarmos dez dias fora da Terra.

Até o décimo-segundo dia, havíamos conseguido mapear apenas uma galáxia, com uma dúzia de pequenos planetas onde só existiam minerais sem valor. Foi no décimo-terceiro dia que, em uma outra galáxia, avistamos um planeta diferente. Sua cor era brilhante e chamativa, o azul mais puro que já vi, que logo nos fez decidir aterrissar e explorar o local. Descobrimos que a cor era resultado da combinação de vários minerais e metais, em sua maioria desconhecidos por nós. Reconhecemos um alto potencial nuclear nesses novos elementos químicos. Estes, sem dúvida, são de enorme valor, podendo fornecer muita energia para a humanidade, a pouco custo.

No segundo dia de exploração do planeta, encontramos uma comunidade de pequenos extraterrestres. Eram seres com seis patas (se é que é possível chamar aquilo de patas), de co-lorações variadas e com um tamanho semelhante ao de ga-tos domésticos. Aparentemente não são inteligentes, visto que

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cartas de alunos do colégio pedro II

passam a maior parte de seu tempo parados, sem mover

ne-nhum músculo, a não ser seus “pés”. Nossos cientistas fizeram um pequeno estudo sobre esses seres, o qual provavelmente foi entregue junto a este relatório. Infelizmente, não encontramos nenhuma outra espécie viva durante a expedição.

Fomos obrigados a abandonar o planeta no nosso quarto dia de estadia lá, pois tínhamos pouco oxigênio em nossas re-servas e temíamos não conseguir retornar. Assim, em vinte dias, já entrávamos na atmosfera terrestre, afortunadamente sem ne-nhum incidente.

Com isso termino esta carta, Senhor Presidente, oferecen-do-lhe todo o apoio a uma nova expedição, caso seja essa a de-cisão do governo.

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na lida da escrita

Anna Luisa Sá dos Santos

Planeta ZK38 / Realidade B2, 1537 de Kalazamnor de 6609. Vossa Alteza,

Dedico-me a este cargo que por vós foi me dado: o de escri-vão, e, com tamanha nobreza que lhe é proveniente, cumprirei o meu dever. Inevitavelmente, a minha humilde visão e percep-ção de mundo acabam por vir nesta missiva. Portanto, desde já peço o vosso perdão.

Venho por meio desta carta informar-vos que o projeto Colônia está progredindo, o capitão também mandará mais in-formações. Nesta última feira-sexta, dia 1500 de Kalazmnor, avistamos uma terra desconhecida na realidade B2. Desculpe-nos pela indelicadeza, mas acabamos por denominar este pla-neta de ZK38.

Durante o percurso do pouso da nave, calculou-se sete kzar por minuto na frequência atmosférica do planeta. Posto que Vossa Alteza já esteja ciente, esta é uma frequência rara, carac-terística de áreas em que humanos habitam. Logo, para vosso agrado, pousamo-nos na terra desconhecida.

O pouso foi longo, todavia tranquilo. Ele somente comple-tou-se no dia 1506 de Kalazmnor. Ao sairmos da nave, depara-mo-nos com um ar fresco, com um espaço verde e bonito, pare-cido com os jardins de Vossa Alteza, se me permite dizer.

Ao olhar mais atentamente, vimos alguns seres vivos, uns eram pequenos, outros voavam, havia os que nadavam e mui-tos outros bastante coloridos. Estes espécimes eram certamen-te de vosso grado, ficariam encantadores no zoológico de Vossa Alteza.

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cartas de alunos do colégio pedro II

Após certo tempo, começou a escurecer, inicialmente não

compreendi o que se passava, mas após algumas repetições des-te acondes-tecimento, deduzi que isso fosse o nosso anoides-tecer, quan-do escurece em vosso planeta.

Vossa Alteza, sinto muitíssimo, todavia terei de encerrar esta missiva por aqui. Ainda não encontramos humanos, porém, se me permite dar minha humilde opinião, acredito que valha a pena investir no projeto Colônia neste planeta. Este pensamen-to se dá pela razão de ele ser fértil pelo seu vaspensamen-to verde, dos mais variados espécimes encontrados e pela grande possibilidade de encontrar o maior de todos os capitais: o humano.

Beijo as vossas mãos, Sua Alteza, Khardyss Sulden de Markin

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na lida da escrita

Artur Loureiro Monnerat Araújo

Comandante Aesthrefo,

Senhora, começo este relatório por apresentar-me: o hu-milde assistente Tsvaesyu#0349. Como a senhora ordenou, foi encarregado ao explorador Haete e sua tripulação, a bordo da TSUVI IV, a exploração do quarto sistema do conjunto Tae, re-centemente descoberto. Como ordenado, o primeiro destino da TSUVI será o apelidado “planeta azul”: Kirastfa. Prévias inves-tigações via satélite indicam que neste planeta – como a senhora sabe – habitam seres vivos multicelulares orgânicos.

Devo dizer que, como um mero assistente de explorador, é uma grande honra assumir este papel de tamanha importância, relatar à senhora os acontecimentos em nossa jornada no “pla-neta azul”. A descoberta da vida exterior marcará um grande avanço na biologia, e estamos certos de que nossas pesquisas em Kirastfa serão de grande ajuda para entendermos melhor sobre o que chamamos de evolução.

Amanhã, na quinta lua do vigésimo terceiro ciclo, dia 42, co-meçamos a investigação do “planeta azul” Kirastfa.

23-5-42: Comandante Aesthfero, senhora, tenho a honra de informá-la de que o primeiro dia de investigação de Kirastfera foi um sucesso, e já conseguimos descobrir bastante sobre o pla-neta. Pela manhã, Haete ordenou o piloto, cujo nome desconhe-ço, para que entrássemos em órbita do “planeta azul”, e logo de-tectamos um pequeno satélite, uma peça arcaica de metal que orbita o planeta recebendo sinais. Foi assim oficialmente desco-berta tecnologia alienígena!

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cartas de alunos do colégio pedro II

23-5-43: Hoje entramos na atmosfera do “planeta azul”, e foi

confirmada a existência de seres inteligentes. Foi construído na superfície de Kirastfera um aglomerado de pilastras retangula-res, ocas por dentro, que parecem ser os locais de sono e refeição das criaturas que aqui vivem. É realmente esplêndido, milhões (talvez bilhões) dessas pequenas criaturas (medem algo próximo a um quarto de nossa altura média) trabalham, andando sempre de um lado para o outro, para construir pilastras ainda maiores (com o auxílio de grandes transportadoras mecânicas).

23-5-44: Comandante Aesthfero, senhora, hoje os nossos cientistas descobriram algo incrível, neste planeta habitam não apenas uma, mas milhões de espécies diferentes, uma mais lin-da que a outra. Porém, apesar de diferentes, tolin-das as espécies parecem ter um certo fator em comum: todos se alimentam de

H2O, substância que compõe cerca de 70% deste planeta,

segun-do nossos cientistas.

Acreditamos que, para entendermos mais sobre tais seres orgânicos e o especulado “processo evolutivo”, seria necessária nossa completa instalação no planeta, e como a senhora sabe, esse processo requer algumas luas de viagens e muito material, mas com o conhecimento que iremos adquirir se nos aprofun-darmos nessas pesquisas, talvez possamos enfim compreender o ser orgânico e aprender a construí-lo.

Amanhã voltaremos para nossa base provisória para nos prepararmos para a exploração dos outros planetas deste siste-ma, então aqui encerro o relatório da investigação de Kirasfera.

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na lida da escrita

Arthur Nunes Benevenuto

Sucoland, V / XI / MMDXVIII. Prezado Presidente da República,

Venho lhe informar que cheguei bem à terra aqui chamada de Sucoland, onde aterrissei em segurança. Cheguei há pouco, mas muito pude perceber. O povo que aqui vive é muito recep-tivo, e falam algum dialeto derivado do português, o que faci-lita a comunicação. Estão sempre mencionando seu imperador Rafael, dizem que ele adoraria me conhecer.

As primeiras mudanças que percebi foram em relação ao horário e aos números. O horário aqui é medido com base no Sol. Atualmente é “um quarto de Sol”, equivalente ao nosso dia. Já os números têm como base os algarismos romanos.

A data também é diferente. O povo sucudo, como é chama-do, está quinhentos anos a nossa frente.

Ainda não sei dizer se sua tecnologia está adiantada o sufi-ciente para podermos tirar algum proveito, porém já tenho ci-ência de que há recursos naturais em abundância.

Em Sucoland as casas são bem estruturadas, existem famí-lias formadas também.

A idade aqui é baseada em sucos. Um suco equivale a um ano. Os dias e os meses são chamados de sucutos e suquitos, res-pectivamente. Os meses não têm nome, e por mais absurdo que possa parecer, também há 365 dias, distribuídos exatamente em doze meses, como no Brasil.

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cartas de alunos do colégio pedro II

O dinheiro também é diferente, chamado de sucash. Eles

possuem uma tabela de conversão monetária, o que além de me fascinar, me mostrou que um sucash equivale a um real. Porém, o salário mínimo é de três mil sucashes.

Percebi que até agora não havia falado dos sucudos. Eles são criaturas humanoides, de cabelo escuro e pele morena, lembran-do indígenas. Porém, não andam pelalembran-dos nem usam ferramen-tas e armas primitivas. São seres amigáveis e bastante desenvol-vidos, pois percebi a presença de veículos voadores que utilizam baterias ou combustíveis que não afetam o meio ambiente.

Há bastantes árvores e não há pavimentação nas estradas. Não há porte de armas, o planeta é unificadamente seguro.

Finalmente falei com o presidente global Rafael. Ele me mostrou seu escritório, que era enorme. Havia também arma-mentos. Armas, bombas, dispositivos. Disse que, apesar de o planeta ser seguro, não se podia descartar a possibilidade de uma guerra interplanetária.

Agradeci pela visita e fui respondido com um convite para voltar com uma tripulação, a fim de aprender mais sobre seu planeta e, possivelmente, melhorar nosso país. Não só isso, mas fui presenteado com uma nave supersônica, que segundo ele é capaz de viajar em algo próximo da velocidade da luz.

Aguardando nova tripulação, Atenciosamente,

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na lida da escrita

Camila Oliveira de Sousa

Terceiro Planeta do Sistema Solar, 241º dia do ano 312.

Vossa Excentíssima Majestade Intergalática,

As excursões até esse pequeno planeta, chamado por seus habitantes de “Terra”, se mostraram bastante proveitosas, uma vez que conseguimos coletar informações tanto dos animais que aqui vivem quanto do próprio planeta e seus fenômenos.

Adentrar a atmosfera terrestre se mostrou uma tarefa sim-ples, pois sua tecnologia obsoleta não é capaz de detectar nos-sas naves, evitando assim um conflito, por hora, desnecessário. Permanecemos, portanto, escondidos, Vossa Majestade.

Mandei alguns de meus melhores agentes em missões de re-conhecimento diretas e pude eu mesmo observar a raça que se encontra no topo da cadeia alimentar terrestre, os chamados hu-manos. Uma raça interessantíssima de fato, apesar de atrasada; possuem uma forma diferenciada, cheia de cavidades, membros sobressalentes, como braços e pernas, e pelos por todo o corpo. Se reproduzem de forma rápida e eficiente, embora isso ocasio-ne uma estranha superpopulação, ao contrário da maioria dos planetas que já visitamos.

Quanto ao comportamento geral da espécie, se mostraram bastante hostis. Acredito, no entanto, passíveis de reeducação, de modo que haja melhor proveito de suas incríveis habilidades artísticas e reprodutivas.

Podemos encontrar uma grande variedade de frutos e fo-lhas, além de um planeta estável como moradia, apesar de ser

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cartas de alunos do colégio pedro II

diariamente atacado pela poluição humana. O mesmo pode ser

dito de seus outros animais, que mostraram bastante potencial. Mantenho, então, o pedido de mais tropas, dessa vez melhor equipadas de munição e suprimentos, preparadas para, caso seja preciso, um ataque repentino a essas criaturas tolas.

Aguardo sua resposta divina, Vossa Excelentíssima Majestade.

Seu fiel capitão, Grhök.

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na lida da escrita

Carolina Ferreira Cardoso

Ngorugore, 7 de janeiro de 3030.

Vossa Excelência, Senhora Presidente da República,

Posto que astronauta-chefe de sua tripulação, venho por meio desta carta comunicar a chegada a um planeta anterior-mente desconhecido pela Terra.

A partida do Centro de Lançamento Alcântara se deu no sábado, 15 de setembro de 3029. Após 114 dias e sessenta mi-lhões de quilômetros, nesta sexta-feira, conhecemos o mundo de Ngorugore.

Pousamos à tarde, em um terreno elevado. Dali podíamos contemplar o vasto e magnífico horizonte. A princípio, uma imensa, bela e complexa floresta. Desembarcamos, então, da nave Buzzlightyear-01.

Fomos recebidos por criaturas de pele azul. Possuem ros-tos, narizes, bocas, olhos e dentes muito similares aos dos seres humanos, porém as orelhas são pontudas, como as que carac-terizamos os elfos. Esses seres, os doras, são muito altos, tendo por volta de dois metros e meio a três metros de altura, e pos-suem cauda.

Os darás falam a nossa língua, português, além de muitas outras (mas o seu idioma oficial é o banshee). Ao deixarmos a nave, um deles falou: “Sejam bem-vindos, senhores [...] final-mente vocês chegaram. Levá-los-ei a Terabítia”. São de nível de desenvolvimento intelectual elevadíssimo!

O caminho para a cidade de Terabítia foi uma espécie de tour pelo território. Plantas de todas as cores, formas e tamanhos.

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cartas de alunos do colégio pedro II

Rios com águas rasas. O solo é formado por ouro e pedras

pre-ciosas, além de ser repleto de titanium B-18.

Os menores animais da Terra aqui são gigantescos, medindo no mínimo seis metros, e os maiores, como elefantes, são muito pequenos, com poucos centímetros.

Em Terabítia, conhecemos a deusa e líder Beyoncé, que de-monstrou grande interesse em manter relações e contato conos-co. Em um banquete oferecido por eles, com as mais diferentes comidas, a deusa afirmou que gostaria de conhecer a senhora.

A nossa equipe recomenda a aproximação dos planetas Terra e Ngorugore. Acreditamos que temos muito a aprender com os daras: a troca de culturas, informações, conhecimen-tos e o estudo em conjunto do ainda desconhecido e a amplia-ção dos saberes.

Cordialmente,

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na lida da escrita

Fernanda Gomes de Moura

10 de dezembro de 2050. Para Vossa Excelência.

É com muito fervor e prazer que venho relatar uma grande descoberta: um planeta completamente impossível. Primeiramente a abundância não é notória, mas após semanas de rigorosas pes-quisas encontramos metais. Porém, não aqueles a que estamos acostumados, são novos! Mais densos, indestrutíveis e com certe-za mais valiosos. É curioso como estes elementos se misturam com a natureza. Uma paisagem exótica e com cores vivas.

*** 21 de dezembro de 2050. Vossa Excelência.

Fiquei deslumbrado com este mundo um tanto estranho. Durante esse tempo fiquei pensando em diversas formas de lu-crar com ele. Fui me locomovendo em diferentes trajetórias para fazer novas descobertas. Notei que, conforme fui andando, o ambiente foi perdendo sua cor, toda natureza parecia lutar pela vida. Até que achei (em nosso conhecimento) uns fósseis. Neste planeta tem vida, ou tinha, pelo menos.

Com todos os meus equipamentos altamente qualificados descobri um óleo com as mesmas características do nosso pe-tróleo. Podemos lucrar muito! Porém, preciso de pesquisas mais profundas em contato com a substância, e isso só vou conseguir com os equipamentos que estão na Terra.

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cartas de alunos do colégio pedro II

***

25 de dezembro de 2050. Feliz Natal, Vossa Excelência.

Desculpe-me pela presença do desânimo, mas não sei mais a quem escrevo esta carta, nem sei se a essa altura do campeo-nato as minhas descobertas valem alguma coisa. Por que digo isto? Porque, ao voltar para a base onde aterrissei, me deparei com diversos telegramas dos agentes que monitoravam esta mis-são. Ao sair para fazer as pesquisas, estava tão eufórico que não me preocupei em manter contato. Então... Ao voltar, descobri que o tempo aqui se arrasta. Em quarenta e cinco minutos aqui, já haviam se passado vinte e três anos na Terra. Descobri tarde demais, me questiono se o planeta ainda existe, se não virou li-teralmente o planeta água, se entrou em guerra ou em um apo-calipse. Tenho medo que a minha viagem de retorno seja um ca-minho sem volta.

Sinceramente, Edward Park

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na lida da escrita

Fernando Brito Moreira César

Planeta nº 3 de Solar 75, dia 271 de 3175. Excelentíssimo Mestre Supremo de Onyx,

Venho por meio desta informar minha chegada ao plane-ta nº 3 de Solar 75. Até o presente momento, consegui observar que a maioria dos planetas é ocupada por humanoides, que apa-rentam estar no topo da cadeia alimentar e dominar um pode-rio tecnológico muito maior que o restante das espécies, porém ainda muito inferior ao nosso.

Confirmei, durante a aproximação ao planeta e durante o pouso, que inclusive ocorreu muito bem, como de costume, a presença abundante de água, em sua maioria salgada, mas tam-bém doce.

Como observado anteriormente, apesar de terem um do-mínio tecnológico razoável, continua sendo muito primitivo se comparado ao nosso. Por isso, tenho quase certeza de que não teremos dificuldade para dar continuação ao plano.

Os humanoides parecem ainda não ter descoberto como fil-trar bem sua reserva de água salgada e lidar com as consequên-cias do processo sem prejudicar seu próprio ecossistema.

Recomendo a mobilização da frota de transporte hídrico do Almirante Eugene. Já trabalhamos juntos em muitos outros pla-netas. Nosso povo nunca mais há de passar sede!

Estarei aguardando ansiosamente pela chegada das naves--bomba de nosso Império.

É uma grande honra servir ao senhor, Mestre. Oficial nº 78793.

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cartas de alunos do colégio pedro II

Fernando da Silva Mancebo

Supremo Líder,

Nossa primeira viagem intergaláctica foi um sucesso. Com toda sua grandeza somada a seu apoio, estamos sendo capazes de completar a tarefa que, por sua sabedoria, fomos indicados a fazer.

Alcançamos um planeta um tanto quanto turbulento, é no-tável a pouca presença de paz entre os povos, porém mesmo com esse empecilho, é visível a riqueza que podemos obter.

Como planejado, aterrissamos na floresta mais rica do pla-neta. Mesmo que já tocada pelo que parece ser a espécie mais inteligente do local, ainda é predominante a presença de recur-sos naturais puros nesta região.

A vida e o orgânico parecem estar em todos os lugares desta terra e, como previsto, a coleta de água, sementes e animais que parecem capazes de sobreviver em nosso planeta já foi iniciada.

Outros recursos já estão em análise e muitos, nesse mo-mento, estão sendo julgados úteis ou não para nossa civiliza-ção. Além disso, disfarces já estão sendo desenvolvidos para, futuramente, adentrarmos a sociedade da espécie dominante.

Pretendemos armazenar o máximo de recursos naturais possível para, assim como é de sua vontade, consertar o erro que nossos antigos “líderes” cometeram contra nossa terra.

Espero que, mesmo com minha insignificância, este relató-rio se tenha feito útil para Vossa Excelência e que, com sua ben-ção, sejamos capazes de voltar vitoriosos para casa.

Atenciosamente, Soldado Basius

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na lida da escrita

Gabriela Ramos de Oliveira

Rio de Janeiro, 12 de março de 2019.

Destinado ao Presidente de Marte, Senhor Padvê. Caro Presidente,

Venho por meia desta lhe contar como tem sido a minha ex-pedição aqui no planeta Terra, mais precisamente no país Brasil, que é grande fonte de riquezas naturais.

No início de minha viagem, através de uma de minhas na-ves espaciais, pousei em um local chamado Rio de Janeiro, que é de onde lhe escrevo no momento.

Logo de início pude observar algo interessante: neste planeta existem muitos seres humanos, que usam de seu corpo para pra-ticar atividades, como construir coisas, limpar, cavar, dentre ou-tras. Para mim é intrigante o fato desses humanos trabalharem como máquinas o dia todo, sem parar, porém todos aqui nesse planeta devem concordar com isso, por ser algo bem comum.

Outra coisa que pude observar foi o comportamento agres-sivo desses humanos. Há muito ódio, muita hipocrisia, muita discriminação e muito preconceito. Apesar de ser um país bem desenvolvido, a sociedade daqui parece possuir conceitos me-dievais sobre a vida e sobre seus semelhantes.

Porém, mesmo com toda essa mentalidade não evoluída, a Terra tem muitas coisas bonitas e úteis para o consumo de nos-sa população, como grandes florestas e vastos oceanos espalha-dos pelo planeta. O problema é que muitos rios estão poluíespalha-dos e parece que os comandantes não estão fazendo muito com re-lação a isso.

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cartas de alunos do colégio pedro II

As florestas são de grande utilidade, como no controle

tér-mico e climático do planeta, mas novamente esses humanos, ba-seados em um sistema de lucro, estão cada vez mais desmatando suas florestas, acabando com suas matas e, consequentemente, desregulando o clima de seu próprio planeta.

Mesmo com tantos defeitos relacionados aos seres huma-nos, poderíamos reverter a situação para utilizar os recursos na-turais de maneira correta! Nos rios poluídos, poderíamos imple-mentar um bom sistema de limpeza, para colaborar com a fauna e flora da região. Dessa forma, conseguiríamos água de qualida-de e alimento.

Com relação às florestas, primeiro teríamos que controlar a população para acabar com tanto desmatamento, melhorando o clima. Dessa forma, aproveitaríamos os bons frutos da região. Também podemos conhecer o sistema da floresta para imple-mentar em nosso planeta!

Senhor Presidente, espero que esta carta seja útil para nos-so governo e para decisões futuras nos-sobre nosnos-so planeta. Todas as informações aqui presentes se referem ao Brasil, mas infeliz-mente é uma situação encontrada em vários países nesse gran-de planeta Terra.

Com dedicação, E.T.

Referências

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