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traído Bentinho, que, em um relato memorialístico, revisita sua história e coloca o leitor a par de suas suspeitas e dos (des)cami- nhos trilhados por ele, amigos e família.
A maestria de Machado reside justamente no fato de que não há uma solução para esse enigma, embora ele não deixe de despertar nosso interesse.
Pensando nisso, a leitura de Dom Casmurro nas turmas de segunda série do ensino médio partiu das múltiplas possibilida- des de olhar/interpretar o percurso de Bentinho e Capitu.
Foi proposto que os alunos compusessem uma carta, en- dereçada a Bentinho, a partir do ponto de vista de Capitu, que, em seu exílio, prevendo o seu próprio fim, resolve passar a lim- po sua história com o esposo e com o passado. Os alunos pode- riam adotar a perspectiva que desejassem, da admissão de cul- pa à da defesa de sua inocência, ou mesmo a da manutenção da ambiguidade do próprio romance.
Alguns resultados desse desafio se encontram nas páginas a seguir. Novas leituras possíveis de um universo que jamais se esgotará.
na lida da escrita
•
Ana Carolina Marques Maria Clara Negreiros
Meu amado Bentinho,
Escrevo-lhe esta carta em meus últimos dias, pois quero es- clarecer a você fatos ocorridos ao longo de nossa vida. Te amei do início ao fim de nosso percurso.
Houve momentos em que desconfiei da paternidade de nos- so filho. Confesso que sim, lhe traí com o falecido Escobar em tempos de fraqueza minha.
Porém depois tive a certeza de que o filho era seu, apesar da tamanha semelhança que Ezequiel tem com seu velho ami- go. Nosso filho era muito brincalhão quando mais novo e costu- mava imitar os parentes mais próximos, guardando dessa forma um pouco de Escobar dentro de si pelo resto de sua vida.
Finalizo aqui nossa última conversa, mesmo não sendo da maneira que sonhei durante minha vida. Partirei em paz agora que lhe contei tudo o que sabia, e espero que parta em paz da mesma forma.
Com amor, Sua Capitu
cartas de alunos do colégio pedro II
• Bruna Guilherme
Leonardo Cavalcante
Suíça, 13 de setembro de 1897. Amado Bento,
Creio que não tens andado muito contente desde nossos úl- timos momentos na Glória e que cuidas que sou uma meretriz. Antes de partir deste mundo, desejo que entendas quais moti- vos levaram-me a desonrar-te. Deixo aqui, em virtude de esses serem meus últimos suspiros, uma derradeira explicação.
Amava-te muito, Bentinho, como nunca amei ninguém. Porém, via em seus olhos a infelicidade que a falta da paterni- dade te causava. Percebi que havia algo errado e decidi consul- tar-me com uma cartomante, logo após tua ida à ópera, cujo convite recusei alegando mal-estar. Ela disse-me que contigo eu não haveria de ter filhos. Indaguei-a acerca dessa questão e ela revelou a mim algo que, no momento, fez muito sentido: que tu, Bentinho, eras estéril.
Desolada e em prantos, tornei à nossa antiga casa, onde en- contrei Escobar que, ao ver-me naquele estado, veio ter comigo e perguntar o que havia acontecido. Contei-lhe tudo e, ao passo que ia contando, percebi que Escobar seria um bom pai para seu filho. Vocês tinham mais ou menos o mesmo tom de pele, cor de cabelo e olhos parecidos e estavam sempre juntos. Ninguém desconfiaria e isso te traria grande alegria.
Neste momento, a vontade de dar-te um filho tomou conta de mim. Espero que me perdoe, os atos que cometi foram exclu- sivamente em prol de sua felicidade.
Sua arrependida amada, Capitolina
na lida da escrita
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Clara Vieira Marinho da Costa João Gabriel Mauad Andrade Essus
Meu amado Bentinho,
Esses provavelmente serão meus últimos momentos de vida. Estou aqui lhe escrevendo esta carta para dizer que te amo, sin- to saudades e, principalmente, com o objetivo de desmentir suas preocupações de que eu lhe traí e de que Ezequiel não é seu filho.
Desde pequeno, meu querido Bentinho, você possui ciúmes que, posso dizer sinceramente, são doentios. Até quando fui cui- dar de minha pobre amiga que estava sofrendo com uma terrí- vel doença, você achou que eu estava paquerando algum garoto da vizinhança. Além disso, você sempre acreditou no que seus parentes lhe falavam e nunca na minha palavra, mesmo que eu garantisse fielmente meu amor por você.
Sua paranoia chegou a tal ponto que te fez duvidar da le- gitimidade de seu próprio filho que, mesmo parecendo com Escobar, mais parecia com você. Afinal, você e Escobar sem- pre compartilharam de várias características. Você chegou a um ponto tão extremo que fez com que você tentasse suicídio. Com todas essas paranoias, tive que cuidar de Ezequiel sozinha.
Bem, esta provavelmente será a última vez que nos comuni- caremos de algum modo. Mesmo com todos os seus problemas que fizeram nos separar, ainda não me esqueci do dia em que tu estavas a fazer uma trança em mim, quando de súbito, nos bei- jamos. Não se esqueça que sempre te amarei.
Com amor e carinho, Capitu
cartas de alunos do colégio pedro II
• Eduarda Ferreira
Mariana Cortes
Querido Bentinho,
Venho por meio desta carta, do leito de minha morte, ten- tar comunicar-me contigo mais uma vez. Meus dias finais aqui, como os outros que já se passaram, vêm sendo serenos, apesar da saudade do Brasil, da Glória, e principalmente, dos nossos tempos em Matacavalos.
Ezequiel sente sua ausência, quase tanto quanto eu, apesar de ter um trauma após o dia em que tu revelaste sua desconfian- ça em mim, acusando-lhe de não ser seu filho. Ele te ama deve- ras. Tornou-se um homem astuto e inteligentíssimo, como diria o agregado José Dias com os seus superlativos. Até deste sinto alguma falta, por estar sempre envolvido no cenário da casa de sua mãe, Dona Glória, a quem sempre fez parte dos meus pla- nos agradar, para não ir contra o nosso amor.
E eu te amei, ao longo de toda minha vida até hoje, o único homem com quem eu ousei dividir meu amor foi com nosso fi- lho Ezequiel, ou melhor, meu filho.
Tu sempre tiveste ciúmes de meus olhares, mais precisamen- te em quem eles estavam, mas não era muito difícil perceber os seus olhos também em outras, como se imaginasse rapidamen- te suas meias. Apesar disso, eu sabia que eu era tua grande pai- xão, assim como você era a minha e, por isso, tomei certas atitu- des para mantê-lo feliz, o que explicarei nesta carta.
Quando nos casamos, vi a maior felicidade em teus olhos, mas essa alegria foi se perdendo e virando frustração pela não chegada do nosso primogênito. Tentávamos e rezávamos e este não vinha. Acredito que tu és estéril, teu histórico familiar já
na lida da escrita
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havia tido complicações em uma gestação e, mesmo assim, Dona Glória conseguiu te gerar, como se fosse um milagre. Porém esse milagre não recaiu sobre minhas graças, e por outros meios, sem ser o da oração, alcancei o sonho de minha gestação.
Os dias na Glória se passavam e nossa distância aumentava, e me aproximava mais de nosso casal aliado, especialmente de teu amigo Escobar. Este foi extremamente importante, a conso- lar-me. De início, éramos muito amigos, mas também com a ca- rência em alguns momentos a tentação por ele veio, e era recí- proca. Escobar era o único que você deixava se aproximar, por considerá-lo um irmão. Tivemos alguns encontros e em um de- les você quase nos flagrou, mas, por minha astúcia, em vez dis- so você se deparou com ele parado em nosso corredor, alegan- do que precisava falar contigo sobre trabalho.
Desses encontros nasceu Ezequiel, e você por uma ironia da vida o nomeou assim. Os anos se passaram e as semelhan- ças, mesmo disfarçadas por minhas dissimulações, não passa- ram despercebidas. Escobar, com o tempo, não conseguiu sus- tentar mais a mentira e a desconfiança de Sancha; revelou para ela o nosso segredo. Antes de nosso último jantar, ela, antes de afastar-se trocou olhares, que eu percebera, contigo, assim, de al- guma forma sentiu-se minimamente vingada, coitada.
Ele almejava contar para ti também, no jantar do dia seguin- te, e depois fugiríamos nós dois para a Europa, em vez da histó- ria distorcida que contou sobre irmos todos. Mas ele foi fraco, não aguentou e se suicidou na praia. Sancha não aguentou e se foi junto com as suas mágoas.
As suspeitas aumentaram pelo lado dos próximos, mas meu dom da mentira ultrapassava tudo isso; até o dia em que você começou a desconfiar.
cartas de alunos do colégio pedro II
• Quando me acusou antes da missa, não me surpreendi, es-
perava esse dia, ele até demorou, mas Ezequiel, pobre Ezequiel, esse culpa de nada teve, e você tornou-se frio e intolerante com a imagem dele. Tentei por diversas vezes reverter esse quadro, até o mandei para o colégio interno para ver se a saudade o ven- cia, mas nem esta o venceu. Aos sábados, os dias em que ele vi- nha para visitar-nos, tu nem jantavas em casa.
Desculpe, Bentinho, pela infelicidade que lhe causei. Tu me deste a vida que desde a infância eu sonhava, um vida com luxo que eu agradecia poupando por certas partes. Só peço que no fim de teus dias aceite a visita de Ezequiel, que nunca deixou de te amar e admirar-te.
Meus olhos de ressaca, como tu os classificavas, se enchem de lágrimas ao escrever minhas últimas palavras direciona- das a ti.
O que eu vivi, só eu tinha propriedade de dizer, e entregan- do esta carta a ti, minimamente propriedade tu terás, porque aqui não há nada mais que a verdade escondida por tantos anos.
Perdoe-me, Com amor, Capitu
na lida da escrita
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Felipe Holst Gabriel Ruas
4 de Julho de 18.. Olá, querido Bentinho,
Como andas, meu amor? Eu vou bem mal, assim como Ezequiel. Estamos tendo um pouco de dificuldade para nos adaptarmos ao clima e ao idioma daqui. No entanto, nosso maior problema é não tê-lo por perto. Nosso filho me questiona o porquê de não poder vê-lo, e sente muito a sua falta, mas não menos do que eu, sua esposa desde criança. Gostaria de saber o motivo de nossa separação para poder explicá-lo para o peque- no Ezequiel. Mas, até agora, eu mesma não entendi.
Você diz que Ezequiel e seu fiel e único amigo Escobar são muito parecidos, e de fato são, mas isso não prova qualquer trai- ção. E como posso afirmar isso? É simples. Quando foste à casa de minha amiga Sancha, acredito que tenhas percebido o gran- de quadro de sua mãe na sala. Se reparou bem, a fisionomia dela é extremamente similar à minha, como apontado uma vez pelo pai de Sancha. Mesmo que sejamos parecidas, não somo paren- tes, assim como nosso filho e Escobar. É comum que um advo- gado não acredite em coincidências, mas sua profissão não de- veria intervir em sua percepção de mundo.
Você também diz que me entreguei no cemitério ao expres- sar minhas emoções. Novamente, não entendo seu questiona- mento. Além do fato de Sancha ser minha melhor amiga, o que significa que sofro o que ela sofre e me alegro com o que a ale- gra; Escobar era o seu melhor amigo e marido de Sancha, o que
cartas de alunos do colégio pedro II
• justifica nossa proximidade e meus sentimentos difusos e con-
fusos no cemitério e nos eventos subsequentes.
Eu jurei a ti meu coração, não antes de você ir para o semi- nário, mas anteriormente: meu amor por ti ficou claro ao es- crever nossos nomes no muro com um prego, um instrumento que nem para escrever é decente, mas me serviu para expressar meus sentimentos. Eu não quebraria meu juramento, pois sou mulher de palavra.
E Escobar? Querido Bentinho, ele frequentou o seminário com você, e aprendeu o mesmo que você. Ele não seria capaz de trair seu amor por Sancha, de trair sua fidelidade a ti e, princi- palmente, de trair a Deus.
Eu, como disse anteriormente, ainda não entendo o motivo de não estarmos juntos. Antes de terminar esta carta, gostaria de lembrar que quem quis dar o nome de Escobar ao nosso fi- lho foi você, Bentinho, pois ele era um homem de sua confiança.
Gostaria de pedir que refletisse sobre o que foi dito nes- ta carta, e que volte para meus braços. Nosso filho nunca viu Escobar como seu pai, assim como eu nunca o fiz!
Estamos aguardando sua volta, De sua querida esposa, Capitu
na lida da escrita
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Fernanda Fernandes Magalhães Martins Manuela Fernandes Blanco Rodrigues
Suíça, 17 de setembro de 18.. Meu querido Bentinho,
Escrevo-lhe, em meus últimos dias, para revelar tudo aqui- lo que ficou guardado durante tanto tempo. Espero que me per- doe e entenda que o que fiz foi pensando em salvar nosso belo amor. Creio que já saibas o rumo que minhas palavras tomarão. Sim, Bentinho, Ezequiel, de fato, não é seu filho.
Tudo teve início quando nosso casamento começava a ficar tedioso. Sentia que estavas cada vez mais distante, via em teus olhos a dor por não termos um filho. Um dia, quando não via nenhum caminho para salvar-nos, resolvi procurar seu grande amigo, Escobar.
Naquele momento, não fazia parte dos meus planos fazer o que fiz. Apenas procurava um ombro amigo, alguém que o co- nhecesse bem e soubesse me orientar. Em Escobar encontrei um bom amigo, alguém com quem pudesse contar. Nossos encon- tros se tornaram cada vez mais frequentes, até que um dia, em um impulso, encontramos a única saída possível.
Faria, e fiz, o necessário para te dar a criança que tanto que- rias. Quero deixar claro que foi uma única vez, nunca tivemos a intenção de traí-lo. Eu e Escobar queríamos somente o mesmo Bentinho de antes, o Bentinho de nossa juventude.
O resto da história tu já sabes. Triste ironia do destino Ezequiel possuir os mesmos olhos e jeitos do pai biológico. Toda aquela irritação quando o pequeno imitava os outros era ape- nas uma máscara para esconder tais semelhanças. Senti que a
cartas de alunos do colégio pedro II
• situação ficava crítica quando sua mãe se afastou. Possivelmente
percebeu que a criança de seu neto não tinha nada.
O mesmo pode se dizer de Sancha, que descobriu tudo no dia anterior à morte de Escobar. Alguns dias depois, me contou o que de fato aconteceu.
Escobar, ao ver o desgosto da esposa, não suportou e resol- veu pôr um fim a tudo. Sei que deve ser difícil me perdoar; na verdade, não espero que o faça, apenas quero que entenda que tudo que fiz foi pensando em nosso amor.
Em poucos momentos, Ezequiel não terá mais nenhuma companhia, a ele só restará seu único e verdadeiro pai, você.
De sua eterna amiga, Capitu
na lida da escrita
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Lucas Caputo Bello Ruy da Silva Rayol Neto
Suíça, 12 de junho de 1897. Caro Bentinho,
Minha vida está chegando ao fim. A Suíça é um país mórbi- do para mim. Você já devia saber disso, afinal, você me conhece muito bem. Ezequiel está maduro. Despertou-lhe um interesse fulminante por arqueologia! Você deveria estar orgulhoso de seu filho. SEU filho. Espero que já tenha esquecido aquela baboseira de Ezequiel não ser seu menino.
Coincidências sempre estarão presentes em nossas vidas. Olhe a mãe de Sancha, por exemplo: seu Gurgel um dia me mos- trou uma foto de sua falecida esposa, mãe de Sancha. Éramos idênticas, Bentinho. Seus ciúmes te cegaram.
Lembro do seu espírito possessivo e teimoso quando crian- ça e que agora espelha-se no seu eu atual. Lembro do dia que co- nheci Escobar, naquele almoço com a sua família. Após nos des- pedirmos dele, você veio até mim e duvidou do meu até logo. Foi só uma troca de acenos, nada mais.
Você duvidou da sua melhor amiga de infância e esposa e do seu melhor amigo, as duas pessoas mais próximas de você, que sempre te acompanharam.
Eu te amo, Bentinho. Apesar de tudo ainda te amo.
Peço pela bênção de sua falecida mãe, venha visitar sua fa- mília. A SUA família.
Te aguardo, Sua
cartas de alunos do colégio pedro II
• Luiz Felipe Sena Esnarriaga
Querido Bento,
Aqui venho abrir-me e dizer o quanto sinto por tudo que aconteceu conosco. Digo-lhe que você e nosso filho, Ezequiel, foram as melhores coisas que aconteceram em minha vida. Ainda não consegui compreender por que houve essa triste se- paração. Tudo por causa de uma certa semelhança entre Escobar e Ezequiel?
Também não consigo entender sua desconfiança em relação a mim. Lembras do dia em que fizemos o juramento, no qual prometi que seria somente sua? Pois sim, prometi e cumpri. E aqui não lhe falo nada mais que verdades.
Quanto ao nosso filho, não cometa um estúpido erro de cul- pá-lo apenas por uma ironia do destino, que o fez ter aparência semelhante à de Escobar. Isso é mais comum do que imaginas. Nunca reparou como pessoas se assemelham umas às outras? Muitas sem parentesco nenhum entre elas.
Mas a prova dessa separação é que não confias em mim. E, para um relacionamento dar certo, deve haver confiança mútua. Sobre Escobar, declaro que nunca tive relacionamento amo- roso algum com ele. Foi apenas um amigo, tanto para mim, quanto para tí. Desde o dia do juramento, fui fiel a ti e sempre o amei incondicionalmente.
Ainda o amo e sinto muitas saudades. Apenas preciso que confie em minha palavra. Com amor,
na lida da escrita
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Luiza Nehrer Nathália Marconato
Rio de Janeiro, 4 de julho de 18.. Meu amado Bento,
Após minha vinda à Suíça, tenho tido dias muito solitários sem a sua companhia. Sinto falta de estar à janela, olhando o mar, enquanto sua voz me contava sobre as estrelas e os plane- tas. Ezequiel igualmente tem saudades de uma figura masculi- na na sua vida.
Porém, o motivo principal desta carta não é dizer o quanto você me faz falta, mas sim confessar o real parentesco de nos- so, meu querido filho. Por muito tempo tentei omitir a verda- de, mas agora, quase no leito de minha morte, resolvi esclare- cer o ocorrido.
Toda sua desconfiança sobre a aparência de Ezequiel tinha seus fundamentos. Após um tempo, reparei como você estava me afastando da sua vida, me respondendo secamente a qual- quer pergunta que fazia. Ezequiel também não escapava de sua frieza, já que você o enviou para um colégio interno e mal ficava em casa nos finais de semana. Neste momento, pensei que você já deveria ter entendido.
Como você há de lembrar, ficamos mais de dois anos casa- dos sem conseguir dar à luz nosso amor em forma de uma crian- ça gerada por nós. Eu queria, tanto quando você, me tornar mãe, mas, além disso, também queria lhe dar a alegria que seria um filho. Sabia como você sentia inveja da filha de Escobar. Então, fiz algo de que não me orgulho, porém no momento achei que seria a única saída.
cartas de alunos do colégio pedro II
• Havia conversado previamente com Escobar e chegamos à
solução que você já percebeu. Sim, Bento, o filho é de seu ami- go. Saiba, no entanto, que fiz isso unicamente pensando na sua felicidade. Nunca faria algo para obter prazer lhe magoando si- multaneamente. Sempre o amei e não quebraria nosso casamen- to por caprichos meus.
Logo, venho através desta lhe pedir perdão pelo que causei à pessoa que mais amei. Em breve serei enterrada, mas meu co-