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A RELIGIOSIDADE DA MAÇONARIA: DEÍSMO E TEÍSMO

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AD∴UN∴TER∴ORB∴SUM∴ARCH∴GL∴

Supr

∴Cons∴ do Brasil do Gr∴33 para o R∴E∴A∴A∴

Delegacia Litúrgica nº 24.1

Mui Poderoso Consistório de Príncipes do Real Segredo nº 50.016 Acampamento de Brasília

Gestão 2010/2011

A

R

ELIGIOSIDADE DA

M

AÇONARIA

:

D

EÍSMO E

T

EÍSMO

1.

Um dos objetivos principais da Maçonaria é proporcionar o desenvolvimento

de seus Membros de forma individual e coletiva sob os aspectos intelectual, moral e

espiritual. Embora a Maçonaria não seja uma religião ela proclama a liberdade de

consciência, tendo, contudo, na crença em Deus, seu princípio cardeal. Assim, nenhum

Maçom deve se empenhar em qualquer empresa sem primeiro invocá-lo em seu auxílio.

Daí afirmar-se que a Maçonaria sempre esteve preocupada com a espiritualidade latente em

todo Ser e em todas as coisas. É por isso que toda Liturgia de nossa Ritualística está

impregnada de espiritualidade, de religiosidade.

2.

Há alguns ritos que, pelo número de Lojas Maçônicas que os praticam,

sobrepujam, claramente, os demais. Entre eles, encontramos os quatro mais praticados no

mundo, segundo o Ir.'. José Castellani, que são: York, Escocês Antigo e Aceito, Moderno

(ou Francês) e Adoniramita.

3.

Entre esses quatro sistemas há uma diferença muito grande no que diz respeito

à ritualística, mas as diferenças fundamentais são as relacionadas com as concepções que

dizem respeito à religiosidade, à espiritualidade. De acordo com estas, diversos autores,

com Paul Naudon à frente, dividem esses ritos em teístas, deístas e racionais, contudo,

como o teísmo e deísmo maçônicos têm se amalgamado através dos tempos, alguns autores

preferem classificar os ritos em dois grupos: dogmáticos e adogmáticos.

4.

A Franco-Maçonaria contemporânea, também chamada, de especulativa,

sucedeu à chamada Maçonaria operativa, conjunto de organizações de ofício que

floresceram na Idade Média.

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2

• Os Collegia Romanos, já existentes na época pré-cristã (desde o século VI a.C.),

com forte caráter religioso, dando ao trabalho cunho sagrado de um culto às

divindades; a princípio politeístas, essas associações tornaram-se, posteriormente,

monoteístas, com a supremacia do cristianismo no Império Romano;

• As Associações Monásticas, surgidas no século VII, construtoras de igrejas e

conventos e derivados dos artesãos dos colégios romanos, que haviam se integrado

aos conventos; sendo formadas exclusivamente por clérigos, possuíam, obviamente,

uma acentuada tendência religiosa;

• As Confrarias, surgidas no século XI, organizações que, embora formadas por

mestres leigos, sofriam forte influência do clero, do qual aprende a arte da

arquitetura e o cunho religioso dado ao trabalho;

• As Guildas, características dos germânicos e anglo-saxões, eram, a princípio,

entidades simplesmente religiosas, passando, a partir do século XII, a formar corpos

profissionais, mas sem perder o caráter de religiosidade;

• Os Ofícios Francos, ou Franco-Maçonaria, grupos privilegiados de artesãos,

surgidos após o século XII, desligados dos feudos, das obrigações e das imposições

do poder real e com liberdade de movimentação (na Idade Média, a palavra “franco”

designava o que era livre em oposição ao que era servil). Esses grupos, dedicados

principalmente à arte de construir (do francês, maçom – pedreiro), tinham os seus

privilégios concedidos pelo Clero, fortíssimo, na época, e, portanto, eram totalmente

apegados a princípios religiosos e submissos à Igreja.

6.

Observa-se, portanto, que todas as corporações profissionais, que formavam a

Maçonaria operativa, eram completamente impregnadas pelo espírito religioso da época,

havendo entre os obreiros a obrigatoriedade de respeitar integralmente, os deveres e

preceitos religiosos.

7.

Verifica-se, assim, que era o teísmo a dominar as profissões, coisa própria de

uma época em que o Clero dominava os governantes e os povos, e em que o misticismo e o

dogmatismo sobrepujavam a razão.

(3)

3

8.

Parece, os fatos assim mostram, não haver mais dúvidas de que a Maçonaria

surgiu do seio da Igreja católica. Neste caso, o conceito de Deus dela é o ensinado pela

Igreja.

9.

No primeiro período da História da Maçonaria, o mais nebuloso por carência

de uma documentação mais abundante, o Período Operativo, não fica dúvida alguma

quanto ao conceito de Deus nos documentos denominados Old Charges – Antigos Deveres

-: é invariavelmente o conceito que ensinava e ainda ensina até hoje, é claro, porque é uma

verdade eterna, a Igreja Católica: é o de um Deus vivo, Uno, Trino.

10.

De conformidade com o Ir.'. José Castellani, temos que:

T

EÍSMO

- “é a crença absoluta na existência de Deus e é típico do rito de York,

lastreado no anglicanismo britânico; no caso, esse caráter teísta é muito particular,

pois mostra, em Deus, sentimentos antropomórficos quanto à revelação de sua

vontade. O rito, partindo da concepção anglo-saxônica, considera a Maçonaria como

um culto, destinado a preservar e a propagar a crença na existência de Deus, e,

também, a auxiliar o Maçom a ordenar e pautar sua vida de acordo com sua crença

religiosa, que deve ser monoteísta, destacando-se o caráter transcendental da

divindade (sublime, superior, metafísico, que excede os limites ordinários).”

D

EÍSMO

- “é o sistema dos que creem em deus, mas rejeitam toda a revelação;

originariamente, foi apanágio dos chamados ritos tradicionais (os Escoceses, o de

Mênfis e o de Misraim). Todavia, com o correr do tempo, esse caráter deísta

misturou-se ao teísmo, sendo que este acabou por ser dominante, dando aos ritos

Escoceses, nos dias de hoje, o mesmo forte caráter teísta do rito de York. O rito

Adoniramita é o que ainda conserva a feição deísta, não tendo absorvido o teísmo

britânico.”

R

ACIONAL

- “é o rito em que as concepções metafísicas dos Maçons são

consideradas de foro íntimo, dentro do princípio de respeito à liberdade de

pensamento.” O rito Moderno, ou Francês, diferindo dos anteriores, é classificado

como racional.

11.

O Rito Escocês Antigo e Aceito “começou a nascer na França, quando

Henriqueta de França, viúva de Carlos I, decapitado em 1649, por ordem de Cromwell,

(4)

4

aceitou do Rei Luís XV asilo em Saint-Germain-en-laye, para lá se retirando com seus

regimentos escoceses e irlandeses e os demais membros da nobreza, principalmente

escocesa, que passaram a trabalhar pela restauração do trono, sob a cobertura das Lojas,

das quais eram membros honorários, o que evitava que os espiões de Cromwell pudessem

tomar conhecimento de conspiração. Consta que Carlos II, ao se preparar para recuperar

o trono, criou um regimento chamado de Guardas Irlandeses, em 1661. Esse regimento

possuía uma Loja, cuja constituição dataria de 25 de março de 1688 e que foi a única Loja

do século XVII cujos vestígios ainda existem, embora os stuartistas católicos devam ter

criado outras Lojas. O termo “escocês”, já a partir daquela época, não designava mais

uma nacionalidade, mas o partido dos seguidores dos Stuarts, escoceses em sua maioria.

Assim, após a criação da Grande Loja de Londres, em 1717, existiam na França dois

ramos maçônicos: a Maçonaria escocesa e stuartista, ainda com Lojas livres, e a inglesa

com Lojas ligadas à Grande Loja. A Maçonaria escocesa, mais pujante, resolveu, em

1735, escolher um Grão-Mestre, adotando o regime obediencial, o que levaria à fundação

da Grande Loja da França (Grande Oriente de 1772), embora esta designação só apareça

em 1765. O escocesismo, na realidade, só se concretizou com a introdução daquilo que

seria a sua característica máxima, os Altos Graus, através de uma entidade denominada

“Conselhos dos Imperadores do Oriente e do Ocidente”. Este Conselho criou o Rito de

Héredon, com 25 graus, o que, incorporado ao escocesismo, deu origem a uma escala de

33 graus, concretizado no primeiro Supremo Conselho do Rito em todo mundo. O REAA,

por ter sido um rito deísta, não foi unanimemente aceito nos países onde predominavam as

Igrejas Evangélicas e vicejou mais nos países latinos onde predomina o Catolicismo. É

necessário explicar que atualmente o caráter deísta do Rito Escocês Antigo e Aceito

misturou-se ao teísmo, sendo que este acabou sendo predominante. O REAA tem o mesmo

forte caráter teísta do Rito de York.” (Trabalho elaborado pelo Ir.'. Lucas Galdeano,

intitulado “Pluralidade de Ritos Maçônicos no Brasil e no Grande Oriente do Brasil, em

particular”).

12.

A Grande Loja de França foi criada em 1743 e o Grande Oriente em 1773. A

Constituição deste primitivamente estabelecia: “Maçonaria Francesa professa como

princípio fundamental a crença em Deus e na imortalidade da alma”. A Constituição de

1784, próxima aos dias da Revolução Francesa, apenas tecia elogios às “leis naturais”. E a

(5)

5

de 1877, sob a inspiração do positivista Littré, estabelecia “a liberdade absoluta de

consciência”.

13.

Outro acontecimento que ensejou a intromissão do materialismo na Maçonaria

foi a Convenção de Lausanne, de 1875, cuja declaração de princípios foi amplamente

difundida no mundo e copiada ainda hoje em nossos rituais. Ali ficou firmado: “A

Franco-Maçonaria proclama, como tem proclamado desde sua origem, a existência de um

PRINCÍPIO CRIADOR, sob o nome de Grande Arquiteto do Universo”.

14.

O Grande Arquiteto do Universo que a Maçonaria cultua, é muito mais que o

Princípio Criador, porque é o próprio Criador, e não só um princípio, uma origem. É uma

Inteligência Superior que a tudo criou e preside todas as coisas como o Grande Construtor

do Mundo, e Maçom Supremo do Universo. É Deus, para os cristãos, como está escrito em

nossos Landmarks e Constituição de Anderson. Do contrário, não teria sentido fazer-se

orações ao Princípio Criador, que não estaria criando mais nada, nem presidindo coisa

alguma.

15.

Ambos, o teísmo e o deísmo, têm as mesmas raízes: Teísmo, do grego THEOS,

“Deus”; e Deísmo, do latim, também “Deus”.

16.

Teísmo é a escola filosófica que admite a existência de um Deus pessoal,

primeiro princípio e fim último de tudo o que existe. Afirma a Providência divina, admite a

possibilidade da Revelação e, consequentemente, a da religião positiva; por tudo isso,

sublinha muito o aspecto pessoal, tanto de Deus como de suas relações com os homens.

Significa a idéia da existência de um ser único e pessoal, criador do mundo e do homem,

transcendente por natureza – portanto, distinto dela – mas continuando o processo de

atividade divina.

17.

Deísmo é o sistema filosófico-religioso ou espécie de religião natural cujo

conceito reveste formas várias, coincidindo todas, porém, nos seguintes pontos essenciais:

1) Deus existe; 2) sua existência, entretanto, só pode ser estabelecida por argumentos

puramente racionais; 3) não há, pois, revelação; e, 4) o Cristianismo é supérfluo. Deus é

concebido como força infinita, desprovida de inteligência e vontade, que criou o mundo,

entregando-o depois à sua evolução natural, sem nesta intervir, seja pela providência, seja

(6)

6

pela revelação, graça ou milagre. Distingue-se do teísmo principalmente porque não admite

atributos intelectuais e morais em Deus, rejeitando, portanto, a concepção Teísta da

existência de um Deus pessoal.

18.

Desta forma verificamos que a diferença fundamental existente entre deísmo e

teísmo, segundo Nicola Aslan é que, para o primeiro, Deus ou confunde-se com a natureza,

como no panteísmo, com o qual se identifica, ou exclui-se e separa-se dela, como no

dualismo, sem interferência de qualquer espécie junto a esta, ou, enfim, é um ser neutro,

como o it is da Teosofia, enquanto no teísmo Deus é pessoa.

19.

Declaram as “imutáveis resoluções” de Lausane, expressamente reconhecidas

pelo Grande Oriente e o Supremo Conselho do Brasil, que “a Maçonaria proclama, como

tem proclamado desde a sua origem, a existência de um princípio criador, sob o nome de

Grande Arquiteto do Universo”. O profano que quer ter a graça de ser recebido na

Maçonaria, antes da iniciação, é conduzido à “câmara de reflexões”, onde deve exarar seus

testamento pessoal e filosófico, respondendo a algumas perguntas que lhe são propostas.

Uma das questões é assim redigida: “Quais os deveres do homem para com Deus?”.

Depois, durante a cerimônia da iniciação, o Venerável Mestre lhe dirige a solene

interrogação: “Credes em um Ente Supremo?”. Se o profano responder negativamente é

convidado a retirar-se.

20.

No Brasil a Maçonaria sempre manteve intransigentemente, em repetidas e

solenes declarações de princípios, a crença num Ser Supremo e mesmo na espiritualidade e

imortalidade da alma e no primado do espírito sobre a matéria.

21.

As Lojas Unidas da Inglaterra, Escócia e Irlanda são as fundadoras da

Maçonaria moderna, denominada especulativa.

22.

As Constituições de Anderson e Désagulièrs foram promulgadas por essas

Grandes Lojas depois de muitos estudos e deliberações e com a aprovação de 20 Lojas

particulares. Todas as demais Lojas foram fundadas sob inspiração das Lojas inglesas e

que, por isto, mesmo pelos dissidentes, são consideradas Lojas-Mães ou Grande Loja

Mãe-do-Mundo.

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7

23.

Até a fundação da Grande Loja de Londres, em 1717, as Lojas Maçônicas

eram livres de peias e a Maçonaria permanecera fiel às suas tradições, notadamente quanto

ao princípio que, embora não escrito, sempre fora fundamental e básico: “O Maçom livre

na loja livre”. A 24 de junho de 1717, baseados na política religiosa, os anglicanos

fundariam essa primeira Obediência Maçônica, que, logo, se arvoraria em padrão

Maçônico do mundo, dando a si mesma o privilegio de mentora espiritual dos Maçons, de

criadora das Lojas e Obediências e de julgadora da regularidade das mesmas, subjugando a

liberdade de pensamento, impondo dogmas e restringindo a investigação desapaixonada da

verdade.

24.

Em 1721, essa Grande Loja solicitava ao pastor James Anderson que fizesse

uma compilação dos antigos regulamentos e preceitos da Maçonaria. Anderson teve como

colaboradores nessa missão o segundo e o terceiro Grão-Mestres da Grande Loja, Payne e

Désagulièrs, respectivamente (o primeiro Grão-Mestre foi Antony Sayer).

25.

O trabalho, depois de concluído, foi examinado por uma comissão composto

por 14 membros da Grande Loja, sendo aprovado com pequenas modificações e publicado

em 1723 sob o título “As Constituições dos Francomaçons, contendo a História,

Obrigações, Regulamentos, etc., da muito Antiga e Venerável Fraternidade, para uso das

Lojas”.

26.

Logo após a publicação das Constituições de Anderson, surgia, em Londres,

como uma réplica a elas, uma edição das “Antigas Constituições”, cujo primeiro artigo,

mostrando todo o caráter teísta, originário da Maçonaria de ofício, estava assim redigido:

“Devo exortar-vos a honrar a Deus em sua Santa Igreja, a não vos deixardes induzir pelas

heresias, pelo cisma e pelo erro, em vossos pensamentos e no ensino de homens sem fé”.

Essa exortação mostra uma total oposição ao exposto no artigo 1º das Constituições de

Anderson.

27.

A separação entre os “antigos” e os “modernos” durou até 1813, quando as

duas Grandes Lojas reconciliaram-se e uniram-se, formando a Grande Loja Unida da

Inglaterra, que decidiu trabalhar de acordo com o rito dos “antigos”; como estes

costumavam intitular-se “Maçons de York”, o rito passou a chamar-se Rito de York.

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28.

Em 1815 eram publicadas as “constituições” da nova Grande Loja e o artigo

1º das obrigações, bem diferente daquele da primitiva Constituição de Anderson, estava

redigido da seguinte maneira: “Um Maçom é obrigado, por seu título, a obedecer à lei

moral e, se compreender bem a Arte, nunca será ateu estúpido, nem libertino irreligioso.

De todos os homens, deve ser o que melhor compreende que Deus enxerga de maneira

diferente do homem, pois o homem vê a aparência externa, ao passo que Deus vê o

coração. Seja qual for a religião de um homem, ou sua forma de adorar, ele não será

excluído da Ordem, se acreditar no glorioso Arquiteto do Céu e da Terra e praticar os

sagrados deveres da moral ...”

29.

Observa-se, portanto, que o liberalismo e tolerância da original Constituição

de Anderson sobrepuseram-se o teísmo pessoal, o dogmatismo e as imposições de ordem

metafísica, incompatíveis com a liberdade de pensamento e de consciência. Pode-se, então,

considerar que o teísmo Maçônico, segundo o padrão inglês, é uma simples extensão

daquele praticado pelas corporações operativas, sob a proteção e a influência da Igreja

Romana. Desta forma, pela sua própria origem, o rito de York é o mais teísta dos ritos

Maçônicos, sob a égide do anglicanismo.

30.

A idéia geral de que se tem sobre os Landmarks, na Maçonaria, é que são

usos, costumes, leis e regulamentos, universalmente reconhecidos, existentes desde tempos

imemoriais. Fundamentais princípios da Ordem, inalteráveis e irrevogáveis, não podem ser

infringidos ou desviados o mais levemente que seja. Tão remotos seriam eles de não se lhes

poder determinar a origem, e tão essenciais que, se fossem alterados, modificados ou

emendados, também estaria mudado o próprio caráter da Maçonaria. A palavra inglesa

“landmark” é composta das palavras “land” significando terra, solo, terreno, e “Mark”

exprimindo limite, marco, etc. Em literatura maçônica, o vocábulo tem o sentido de regra

ou norma.

31.

O conceito de landmark é tão variável, que existem dezenas de classificações,

com maior ou menor número de lindeiros. As principais, entretanto, são as de Mackey, de

Findel, de Pound e de Grant, sendo que a de Mackey é a mais conhecida e mais divulgada

nas Américas do Norte e do Sul, sendo rejeitada na Europa, principalmente pela dogmática

Grande Loja Unida da Inglaterra, que pende mais para a classificação de Findel.

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9

32.

Os preceitos fundamentais de todas as classificações são os referentes ao

Teísmo, ao governo da Ordem por um Grão-Mestre, à divisão em três graus, à lenda do 3º

Grau, à iniciação exclusiva de homens, à igualdade, à reunião em Lojas e ao segredo.

33.

O rito Escocês Antigo e Aceito, que em seu nascimento era deísta, foi se

transformando, através dos tempos, em teísta, chegando a suplantar, em algumas ocasiões,

o teísmo do rito de York.

34.

Esse teísmo foi totalmente manifestado na reunião dos Supremos Conselhos,

ocorrida a 22 de setembro de 1875, durante a Assembléia Internacional realizada em

Lausanne. Nessa ocasião, o espírito que anima o rito Escocês Antigo e Aceito foi definido

na Constituição Universal do Rito, que afirma, em seu primeiro artigo: “A

Franco-Maçonaria é uma instituição de fraternidade, cuja origem remonta ao berço da sociedade

humana. Tem, por doutrina, o reconhecimento de uma força superior, cuja existência

proclama, sob o nome de Grande Arquiteto do Universo”.

35.

Sob a influência britânica – já que foi na Inglaterra que a Maçonaria adquiriu

a sua feição moderna – a esmagadora maioria dos Ritos Maçônicos é teísta, sendo,

inclusive, exigida, do candidato à iniciação, a declaração de crença em Deus e em sua

vontade revelada.

36.

Complementando ao que já foi dito acima, podemos entender Teísmo (do

grego Théos, “Deus”) como sendo uma crença na existência de deuses, seja um ou mais de

um, no caso de mais de um, pode existir um supremo. Teísmo não é religião, pois não se

trata de um sistema de costumes, rituais e não possui sacerdotes ou uma instituição. Teísmo

é apenas o nome para classificar a opinião segundo a qual existe ou existem deuses.

37.

Em contrapartida podemos considerar o Deísmo como sendo uma postura

filosófico-religiosa que admite a existência de um Deus criador, mas questiona a ideia de

revelação divina. É, portanto, uma doutrina que considera a razão como uma via capaz de

nos assegurar da existência de Deus, desconsiderando, para tal fim, a prática de alguma

religião denominacional.

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10

38.

O Rito Escocês Antigo e Aceito apresenta características teístas, confirmadas

pela sua Constituição elaborada pela Assembléia Internacional realizada em Lauzanne em

1875, ao afirmar que a Franco-Maçonaria é uma instituição de fraternidade que tem por

doutrina o reconhecimento de uma força superior, cuja existência proclama com o nome de

Grande Arquiteto do Universo, exigindo um juramento sobre a Bíblia (o Livro da Lei) e a

crença em Deus.

39.

Além disso, o Rito Escocês Antigo e Aceito usa símbolos extraídos do 2º

Landmark, como a terra, a água, o céu, o sol, a lua e os demais corpos do firmamento, além

dos reinos mineral e vegetal para simbolizar a grande superioridade do Grande Arquiteto

do Universo e nele, os antigos instrumentos de trabalho da Maçonaria operativa são

transformados em símbolos da Maçonaria especulativa, obrigatório nos Ritos que seguem

os Landmarks.

40.

Por conseguinte, e considerando todo o acima exposto, o Rito Escocês Antigo

e Aceito é entendido como sendo um Rito Teísta uma vez que neste Rito a Maçonaria é

vista e vivenciada como um culto, destinado a preservar e a propagar a crença na existência

de Deus e, também, a auxiliar o Maçom a ordenar e pautar a sua vida de acordo com sua

crença religiosa, que deve ser monoteísta, destacando-se o caráter transcendental da

Divindade.

Acampamento de Brasília-DF, 27 de agosto de 2010.

M

ARCELO

L

UÍS

C.

R

ODOPIANO DE

O

LIVEIRA

,

33

º

IME

42.252

(11)

11

B

IBLIOGRAFIA

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, Editora Aurora, RJ.

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Para Testar seus Conhecimentos Maçônicos

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, Editora Maçônica “A

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Cadernos de Estudos Maçônicos, nº 8

5. Castellani, José.

, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda,

Londrina, 1ª edição, 1995.

Os Maçons e a Questão Religiosa

6. Alberton, Valério.

, Editora Maçônica “A Trolha”

Ltda, Londrina, 1ª edição, 1996.

O Conceito de Deus na Maçonaria

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, Editora Aurora, RJ, 2ª edição,

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Cadernos de Pesquisas Maçônicas – Caderno 9

10. d’Albuquerque, A. Tenório.

, Editora Maçônica “A Trolha”

Ltda, Londrina, 1ª edição, 1995.

O Que é a Maçonaria

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, Editora Aurora, RJ, 7ª edição.

Cadernos de Pesquisas Maçônicas – Caderno 10

12. Filho, Denizart Silveira de Oliveira.

, Editora Maçônica “A Trolha”

Ltda, Londrina, 1ª edição, 1995.

Palestras Maçônicas para Lojas de Estudos

,

Editora Maçônica “A Trolha” Ltda, Londrina, julho de 2010.

Referências

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