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Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

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1 Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

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Ministro do Meio Ambiente JOSÉ CARLOS CARVALHO Secretário-Executivo do MMA

MARCUS VINÍCIUS CAETANO PESTANA Secretário de Biodiversidade e Florestas/MMA JOSÉ PEDRO DE OLIVEIRA COSTA

Diretor do Programa Nacional de Florestas/MMA RAIMUNDO DEUSDARÁ FILHO

Gerente de Uso Sustentável dos Recursos Florestais/MMA NEWTON JORDÃO ZERBINI

Gerente de Reflorestamento e Recuperação de Áreas Degradadas/MMA HÉLIO DOS SANTOS PEREIRA

Presidente Interino do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

RÔMULO JOSÉ FERNANDES BARRETO MELLO Diretor de Florestas/IBAMA

ANTONIO CARLOS DO PRADO

Chefe do Laboratório de Produtos Florestais/IBAMA MARCUS VINICIUS DA SILVA ALVES

Edições IBAMA

Diretoria de Gestão Estratégica/DITEC SAIN Av. L4 Lote 4 Ed. Sede do IBAMA 70818-900 – Brasília-DF

Telefone: (61) 316 1191

Capa: Serraria ribeirinha - região Amazônica Foto: Arquivo LPF (Juan Pratginestós) Tiragem: 3.000 exemplares

Impressão e Acabamento: GH Comunicação Gráfica Ltda (61) 344-2666, Brasília-DF Brasil Florestal - Ano XXI - Nº 73 - Abril de 2002

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EXPEDIENTE

Brasil Florestal - Revista técnico-científica, quadrimestral, editada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, em parceria com o Programa Nacional de Florestas – PNF

Conselho Editorial

RAIMUNDO DEUSDARÁ FILHO – Diretor do PNF/MMA ANTONIO CARLOS DO PRADO – Diretor de Florestas/IBAMA MARCUS VINICIUS DA SILVA ALVES – Chefe do LPF/IBAMA Comitê Editorial

ANETTE MARIA DE ARAÚJO LEAL (MTb 783) – PNF/MMA (Editora Executiva) DIVINO ETERNO TEIXEIRA, PhD – LPF/IBAMA

ELIETE MATTIOLI ALVES DE SOUSA – PNF/MMA LUIZ CLÁUDIO MACHADO – DITEC/IBAMA MÁRIO RABELO DE SOUZA, PhD – LPF/IBAMA

Agradecimentos por efetiva participação neste número Andressa Carina França de Lima - UnB.

Consultores ad hoc: Paulo R. Schneider - Eng. Florestal, PhD, UFSM; Cláudio H. S. Del Menezzi - Eng. Florestal, MSc, UFPR; Mário Rabelo de Souza - Físico, PhD, LPF/IBAMA; Waldir Ferreira Quirino - Eng. Florestal, PhD, LPF/IBAMA; Vera T. R. Coradin - Bióloga, PhD, LPF/IBAMA; Laércio Couto - Eng. Florestal, PhD, UFV; Vicente Pongitory Gifoni Moura - Eng. Florestal, PhD, Embrapa.

Atendimento ao leitor

Maria Helena Medeiros Garcia de Figueiredo – LPF/IBAMA Revista Brasil Florestal

Caixa Postal 04424 70.910-970 Brasília/DF

e-mail: [email protected]

Editoria

Anette Maria de Araújo Leal - [email protected] Mário Rabelo de Souza - [email protected]

O material desta publicação pode ser reproduzido, desde que citada a fonte.

Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião das instituições que publicam a revista, sendo de inteira responsabilidade dos respectivos autores.

Visite os nossos sites: MMA – www.mma.gov.br IBAMA – www.ibama.gov.br PNF – www.mma.gov.br/florestas

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5 Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

CARTAS

Acuso recibo y agradezco la siguiente donación de documento para la Biblioteca W. K., Kellogg. Incorporaremos a la colección los ítemes que califiquen, de acuerdo con nuestra política de aceptación de donaciones, los que no califiquen, procuraremos donarlos a instituciones educativas de la zona atlántica de nuestro país: Brasil Florestal. Al reiterarle nuestro agradecimiento, estimaremos mucho nos mantenga en su lista de envíos.

Cordialmente,

José Ruperto Arce Administrador de Biblioteca Biblioteca W.K. Kellogg Costa Rica.

Gostaria de ressaltar a importância da revista Brasil Florestal como um canal espe-cializado, que muito contribui para a divulgação das ações e pesquisas na área florestal. É uma publicação que desempenha papel fundamental, na medida em que abre a possibilidade dos nossos pesquisadores comunicarem à sociedade os resultados dos seus estudos, na interação que deve sempre existir entre o pesqui-sador e o beneficiário da pesquisa.

Núbia Araújo Recife/PE

Acusamos o recebimento da Revista Brasil Florestal nº 72 e parabenizamos toda a equipe do PNF/MMA e do LPF/IBAMA pelo excelente trabalho. Sugerimos apenas que haja diversificação nos temas das pesquisas. Talvez seja preciso intensificar a divulgação da Revista nas instituições de ensino e pesquisa do Brasil.

Alberto Gonçalves IBAMA - Salvador/BA

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SUMÁRIO

Editorial

...

Atualidades

Rede experimental com eucalipto no Brasil será a maior do mundo ..

Entrevista

JOÃO OMAR MACAGNAN

Agricultores ajudam a preservar florestas em Santa Catarina ...

Pesquisa

CRESCIMENTO DE Eucalyptus grandis SUBMETIDO A DIFERENTES INTENSIDADES DE DESRAMA ARTIFICIAL NA REGIÃO DE DIONÍSIO, MG ... Bernardo Machado Pires, Maria das Graças Ferreira Reis e Geraldo Gonçalves dos Reis.

COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR EM RELAÇÃO À MADEIRA DE Pinus taeda COM PRESENÇA DE NÓ ... João Carlos Garzel Leodoro da Silva, José Sawinski Júnior, Márcio Torreão Interamnense e Nabor da Silveira Pio.

DINÂMICA DE ESTABELECIMENTO DE Tectona grandis L.f. (TECA) INTRODUZIDA EM CAFEZAL NA REGIÃO DE LAVRAS - MINAS GERAIS Renato Luiz Grisi Macedo, Nelson Venturin, Jozébio Esteves Gomes e Tadário Kamel de Oliveira.

DURABILIDADE NATURAL DE MADEIRA SÓLIDA, DE CHAPAS AGLOMERADAS E DE CHAPAS DE CIMENTO-MADEIRA DE Hevea brasiliensis ... Esmeralda Yoshico Arakaki Okino, Marcus Vinicius da Silva Alves, Marcos Antonio Eduardo Santana e Maria Eliete de Sousa.

ESTIMATIVA DO PODER CALORÍFICO SUPERIOR DO CARVÃO VEGETAL DE MADEIRAS DE Eucalyptus grandis EM FUNÇÃO DO TEOR DE CARBONO FIXO E DO TEOR DE MATERIAIS VOLÁTEIS ... Ailton Teixeira do Vale, Vera Lúcia Silva Abreu, Joaquim Carlos Gonçalez e Alexandre Florian da Costa.

Publicações

...

Agenda

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Instruções aos autores de artigos técnicos

...

07 09 11 13 23 31 39 47 53 55 57

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EDITORIAL

Prioridade para o setor florestal

A questão florestal é hoje uma das prioridades do Ministério do Meio Ambiente. O Programa Nacional de Florestas desponta como um importante instrumento do Plano de Atuação Prioritário anunciado pelo ministro José Carlos Carvalho. Essa ênfase para o setor florestal, na verdade, é um reflexo do trabalho que o atual Ministro já realizava quando estava à frente da Secretaria Executiva do MMA.

O Plano de Atuação Prioritário do Ministério para o exercício 2002 privilegia quatro grandes áreas temáticas: agenda azul, que trata da problemática dos recursos hídricos; agenda marrom, que inclui os resíduos sólidos; agenda institucional, relativa à gestão ambiental, e a agenda verde, que tem o PNF como um dos vetores estratégicos e aborda outros temas florestais como áreas protegidas, desmatamentos e queimadas, licenciamento ambiental em propriedades rurais e gestão do patrimônio genético.

Assim, o setor florestal consolida-se como prioridade de Governo, firmando espaço próprio no planejamento estratégico da política ambiental brasileira. Avanços significativos na pesquisa florestal e na institucionalização do setor, aliados a uma maior atuação do IBAMA e ao crescimento das empresas nacionais de base florestal, sinalizam que o Brasil priorizou o uso sustentável de suas florestas.

Esse processo evidencia o novo modelo de gestão ambiental implantado hoje no Brasil: um modelo que privilegia a participação social, permitindo que a sociedade opine, sugira e decida, junto com o Governo, os rumos da política florestal brasileira.

Nesta primeira edição de 2002, a revista Brasil Florestal traz alguns desses avanços, especialmente no campo da pesquisa; anuncia eventos relevantes que serão realizados até o final do ano e divulga as mais recentes publicações na área florestal. Confira!

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Rede experimental com eucalipto no

Brasil será a maior do mundo

ATUALIDADES

Foto: Arquivo PNF-UAP/NE

Experimentos de eucalipto serão incluídos na Rede Genolyptus

O Brasil é um dos maiores pro-dutores mundiais de celulose, fornecendo ao mercado mais de 7 milhões de toneladas por ano, com o maior índice médio de produtividade de biomassa lenhosa – 40 metros cúbicos por hectare/ano. Essa demanda é suprida por mais de 3 milhões de hectares de florestas de eucalipto, a maior área plantada de eucalipto do mundo. Para manter o país nesse nível de competitividade e assegurar mais qualidade e produtividade ao eucalipto brasileiro, o Governo lançou recentemente o Projeto Genolyptus – Rede Brasileira de Pesquisa do Genoma de Eucalyptus.

O objetivo central da rede é o descobrimento, sequenciamento, mapeamento e determinação de função de genes de importância econômica de espécies de Eucalyptus, visando a incorporação de tecnologias de genética genômica nos programas de melhoramento e produção florestal. Assim, ao final do projeto, o Brasil deverá ter a maior e mais complexa rede de experimentos dedicada a um projeto genoma florestal.

O projeto tem um investimento de R$ 12 milhões, sendo 30% financiado por empresas da iniciativa privada e 70%, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, especificamente pelo Fundo Setorial Verde Amarelo, cujo objetivo principal é estimular a interação entre as universidades e o setor produtivo.

O eucalipto brasileiro é matéria-prima para a produção de papel, celulose e carvão para as siderúrgicas, diferentes tipos de tecido sintético, cápsulas de remédios, produtos de limpeza, óleos alimentícios e perfumes. A madeira é empregada para a produção de móveis, acabamentos refinados da construção civil, pisos, postes e mastros de barcos.

Coordenado pelo engenheiro florestal e PhD em genética Dario Grattapaglia, professor do Laboratório de Biotecnologia Genômica da Universidade Católica de Brasília e pesquisador da Embrapa, o projeto será executado por 12 empresas, sete universidades e pela Embrapa. “Este é um projeto de grande envergadura voltado para o estudo do genoma de Eucalyptus e o Brasil, o candidato natural para sediá-lo, uma vez que as empresas e os cientistas nacionais ocupam posição de destaque internacional no que se refere à pesquisa e ao desenvolvimento em genética,

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11 Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

melhoramento, marcadores moleculares e clonagem de Eucalyptus ”, explica Grattapaglia.

O projeto Genolyptus começou a ser elaborado em agosto de 2000, através de um processo de consulta, do qual participaram pesquisadores de universidades e da iniciativa privada. O projeto resultante dessa consulta e de mais algumas reuniões foi oficialmente submetido ao MCT em maio de 2001. Após rigorosa avaliação técnica e científica, o projeto foi contratado pelo Fundo Verde Amarelo em dezembro do ano passado.

A proposta está estruturada em oito subprojetos: instalação e avaliação continuada de uma rede experimental de campo; internalização de tecnologias de alto desempenho para a avaliação de qualidade da madeira; base genética e identificação de genes que conferem resistência a doenças em Eucalyptus; construção de mapas genéticos e mapeamento de locos controladores de características quantitativas; construção de mapas físicos localizados no genoma de Eucalyptus; sequenciamento do transcriptoma de Eucalyptus; análise de expressão gênica em microarranjos (microarrays) e, bioinformática para a análise, integração e disponibilização de dados genômicos.

Um dos principais resultados esperados do projeto é a instalação de uma rede experimental de campo de grande alcance em todo o território nacional, que permitirá a avaliação continuada de características da madeira e crescimento em árvores de Eucalyptus em diferentes condições ambientais nos próximos 7 ou 10 anos.

Formada pelo compartilhamento de material genético entre as diversas empresas, a rede fornecerá informações relevantes na área de genética quantitativa para alavancar programas de melhoramento das empresas participantes e dados relativos aos experimentos genômicos. A rede experimental será, ainda, um grande reservatório de material genético superior para seleções de novas variedades e clones de eucalipto.

Entre outros resultados, o projeto Genlolyptus vai gerar bancos de dados de locos de características quantitativas, genes únicos de Eucalyptus e, ainda, mapas físicos localizados em regiões genômicas que contêm genes de interesses detectados pelo mapeamento genético. O projeto disponibilizará tecnologia de espectroscopia do infra-vermelho próximo para avaliações da madeira nos programas de melhoramento das empresas participantes. As empresas, universidade e outros profissionais receberão ainda capacitação tecnológica na interface entre genética, melhoramento e ciência genômica de Eucalyptus.

A pesquisa do genoma florestal já ocorre nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália. Entretanto, segundo a coordenação do projeto brasileiro, o que diferencia os projetos desses países da nossa experiência é “justamente o investimento em experimentação de campo para a geração e caracterização de genótipos de interesse silvicultural e industrial”.

A pesquisa florestal no Brasil conta com recursos do Plano Plurianual do Governo Federal – PPA 2000-2003 e do Orçamento Geral da União, na linha programática Expansão da Base Florestal Plantada e Manejada – Projeto Florestar, gerenciado pela Diretoria do Programa Nacional de Florestas e executado principalmente pela Embrapa. No ano de 2001, por exemplo, a Embrapa recebeu investimentos de mais de R$ 2 milhões em projetos de pesquisa e desenvolvimento, conservação, manejo, transformação e utilização de florestas e agroflorestas.

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As Secretarias de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente e de Desenvolvimento Rural e Agricultura do Estado de Santa Catarina estão desenvolvendo um trabalho em parceria com os pequenos agricultores objetivando a ampliação da área florestal plantada para evitar o desmatamento da vegetação nativa. O Secretário de Meio Ambiente, João Omar Macagnan explica, nesta entrevista, como funciona o projeto e os benefícios sociais e ambientais para Santa Catarina. Ele fala ainda sobre as perspectivas do desenvolvimento florestal no Brasil e sobre o processo de consulta para regulamentação do regime de concessão para exploração das florestas públicas, que vem sendo coordenado pelo Governo, por meio do Programa Nacional de Florestas:

Brasil Florestal - Quais as perspectivas para o setor florestal brasileiro?

João Omar Macagnan - Como presidente da Câmara Jurídica e integrante do Conselho Nacional do Meio Ambiente, venho observando que o sentimento preservacionista e a consciência da necessidade do desenvolvimento sustentável vêm prevalecendo sobre a fúria devastadora que acompanhou o progresso brasileiro anos atrás. Cada vez mais, as unidades da Federação se empenham em proteger seu patrimônio ambiental. É claro que alguns Estados ainda carecem de maior empenho e fiscalização.

Brasil Florestal - Qual a contribuição do setor florestal para o desenvolvimento socioeconômico do Estado de Santa Catarina?

João Omar Macagnan - Em Santa Catarina, temos dois principais projetos nessa área. O primeiro, de responsabilidade da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura, o Programa Florestal Catarinense, trabalha com a geração de emprego e renda. O agricultor recebe meio salário mínimo por mês a título de adiantamento, e em troca, ao final do período, paga com madeira. Esse trabalho vem aumentando a área florestal e evitando o corte de nossas matas nativas. Outro projeto, que trabalha na área de educação ambiental, chama-se Arborizando Santa Catarina. Lançado há dois anos, o projeto já plantou quase um milhão de árvores nativas (frutíferas e floríferas) e, o que é mais importante, quem planta são os alunos da rede pública escolar e quem decide o melhor local é a comunidade com o apoio dos técnicos. Graças a esses esforços, o mais recente Atlas da Mata Atlântica, publicado pela Fundação SOS Mata Atlântica, registrou o aumento da cobertura vegetal e a diminuição do ritmo da devastação.

Foto: Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente/SC

ENTREVISTA

Agricultores ajudam a preservar

florestas em Santa Catarina

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13 Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

Brasil Florestal - A Secretaria e a Fundação do Meio Ambiente mantêm termo de cooperação com o Programa Nacional de Florestas/MMA, visando o fortalecimento dos mecanismos e instituições públicas de gestão ambiental/florestal do Estado. Que avanços já foram obtidos a partir da implementação dessa parceria?

João Omar Macagnan - A Secretaria de Desenvolvimento Urbanoe Meio Ambiente assinou um convênio com o Programa Nacional de Florestas e outro está prestes a ser assinado, no valor de R$ 920 mil, para viabilizar a realização de um inventário estadual de florestas.

Brasil Florestal - O Programa Nacional de Florestas é o único programa do Ministério do Meio Ambiente estruturado em unidades descentralizadas, que apóiam a implementação do programa nas diferentes regiões geográficas do Brasil. A mais nova unidade de apoio do PNF que está sendo criada é a da região Sul. Como o senhor vê a criação dessa unidade?

João Omar Macagnan - Todo avanço nesse sentido é positivo. O Brasil começa a entender que é preciso cuidar de nossas florestas como cuidamos de um filho querido: preservando sua integridade, saúde e alimentando e investindo em seu crescimento. Brasil Florestal - Qual a sua opinião sobre o processo de concessão do regime para a exploração sustentável de áreas de florestas públicas brasileiras que está sendo discutido pelo Governo, pela iniciativa privada e pelas comunidades que se beneficiam dessas florestas?

João Omar Macagnan - Esse é um debate que deverá se estender para que a decisão seja um ponto de conciliação e não um motivo de batalhas judiciais. É preciso ter certeza do que será autorizado e por quem será fiscalizado. Esse é um assunto muito polêmico.

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PESQUISA

1 Engenheiro Florestal, M.Sc. - Consultor PNF/MMA

2 Engenheiros Florestais, Ph.D. - Departamento de Engenharia Florestal, UFV

C

RESCIMENTO

DE

Eucalyptus grandis

S

UBMETIDO

A

D

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I

NTENSIDADES

DE

D

ESRAMA

A

RTIFICIAL

N A

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EGIÃO

DE

D

IONÍSIO

, MG

Bernardo Machado Pires1, Maria das Graças Ferreira Reis2,

Geraldo Gonçalves dos Reis2

RESUMO

O presente trabalho teve como objetivo avaliar o crescimento em diâmetro, altura e volume de plantas de Eucalyptus grandis, originadas de sementes e estabelecidas em espaçamento 3 x 2 m, no Município de Dionísio, Minas Gerais. Essas plantas foram submetidas, aos 11 meses de idade, a diferentes intensidades de desrama artificial (0%, 12,5%, 25%, 50% e 75%). A altura total e o diâmetro à altura do peito (DAP) da planta foram medidos, para todos os tratamentos, nas idades de 11, 20, 33, 55, 81 e 92 meses. Foi realizada a cubagem rigorosa aos 92 meses e, para estudar o crescimento, foram ajustadas equações de regressão para estimar o diâmetro, a altura total e o volume, em função da idade. O crescimento em diâmetro, altura e volume foram maiores para o controle (sem tratamento), associando-se inversamen-te com a ininversamen-tensidade de desrama, inversamen-tendo sido observada redução de 26,76% para diâmetro, 28,09% para altura e 45,16% para volume, aos 92 meses, quando se com-parou o controle com a desrama de 75% da copa viva da planta.

Palavras-chave: desrama artificial, crescimento, Eucalyptus grandis.

P

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OF

Eucalyptus grandis

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OUTHEASTERN

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RAZIL

ABSTRACT

The growth of Eucalyptus grandis were studied in plants submitted to different intensities of live crown pruning (0%, 12.5%, 25%, 50% and 75%) at the age of eleven months, in southeastern Brazil. Total height and diameter at breast height (DBH) were measured at the age of 11, 20, 33, 55, 81 and 92 months. The growth in diameter at breast height (DBH), height and volume were larger for the control, being inversely associated with tree pruning intensity. It was observed reduction of 26.76% for DBH, 28.09% for height and 45.16% for volume, at the age of 92 months, when plants which had 75% of the live crown pruned were compared to control.

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INTRODUÇÃO

A produtividade da floresta é o resul-tado do crescimento das árvores, que pode variar com a arquitetura de copa, tratamentos silviculturais, idade das plan-tas e qualidade de sítio. De acordo com CONTRERAS (1997), quando as plan-tas de eucalipto estão estabelecidas em espaçamentos amplos, produzem uma maior quantidade de galhos, com copas mais densas e, às vezes, com galhos grossos. Em espaçamentos reduzidos, há competição pelos recursos ambientais de crescimento, promovendo, dentre ou-tros, desrama natural e redução da copa. A aplicação da desrama artificial em plantios florestais, a depender da inten-sidade e da época de aplicação, pode apresentar efeito sobre o crescimento e a qualidade da madeira. Existe um con-senso de que a desrama artificial mais intensa tende a reduzir o crescimento em diâmetro e altura das árvores, porém, a capacidade de suportar diferentes inten-sidades de desrama está relacionada à qualidade do sítio, de maneira que sítios melhores suportam intervenção mais drástica, em razão da possibilidade de recuperação das plantas (LUCKHOFF,1949; ADLARD,1969; LANGE et al.,1987; URREGO, 1988; SCHNEIDER et al., 1999).

De acordo com ELLIOTT (1970), a desrama em Pinus sp. afetou mais o diâ-metro do que a altura das árvores, enfatizando que a remoção de até 40% da altura da copa não prejudica o cresci-mento da planta. Acima desse limite, o autor menciona que o crescimento em di-âmetro passa a ser afetado, enquanto a altura só o será com desrama superior a 60% da copa. LANGE et al. (1987) obser-vou que a desrama, aos três anos de ida-de, de 50% da copa viva de Pinus radiata, reduziu o incremento volumétrico médio anual em 20% em um período de dez

anos. O crescimento diamétrico e a pro-dução de madeira foram influenciados pela intensidade da desrama em Pinus elliottii aos 11 anos de idade (SCHNEIDER et al., 1999), quando apli-cadas desramas de 40%, 50% e 60% da altura total da árvore. A desrama de 40% da altura total reduziu em 12,1% a produ-tividade, ao passo que a desrama de 60% produziu redução de 19,7% em relação à testemunha. Essa redução no crescimen-to da planta com a aplicação da desrama de 40% da altura total foi recompensada com a melhoria da qualidade da madeira. A desrama muito intensa pode resul-tar em redução drástica na taxa de cresci-mento, em razão da redução da superfície fotossinteticamente ativa da planta, uma vez que a assimilação de CO2 depende da

área foliar em condições ótimas de dispo-nibilidade de água e nutrientes para a planta (SCHULZE, 1986), sugerindo a necessi-dade de estabelecimento de um nível ide-al de desrama que não comprometa o cres-cimento das plantas. O ataque de insetos desfolhadores afeta o crescimento de ár-vores, uma vez que interfere em proces-sos que envolvem o balanço nutricional, hormonal e relações hídricas das plantas (KOZLOWSKY, 1969). Desfolhas suces-sivas em Eucalyptus grandis causam alte-rações na forma da árvore e no crescimen-to em diâmetro, sendo que árvores em sí-tio de pior qualidade acumulam maiores perdas no crescimento em altura (SILVA, 1998; ABBOTT et al., 1993; FREITAS e BERTI FILHO, 1994).

MATERIAL E MÉTODOS

O presente experimento foi estabe-lecido em um povoamento de Eucalyptus grandis, proveniente de sementes de Atherton, de 11 meses de idade, estabe-lecido no espaçamento de 3 x 2 m, em

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Dionísio, MG, em áreas pertencentes à CAF Santa Bárbara Ltda. As parcelas foram arranjadas em áreas de baixada e de encosta, em delineamento de blocos casualizados.

Para caracterização da área de es-tudo, amostras compostas de solo foram coletadas nas profundidades de 20 cm e 40 cm em cada parcela. As amostras de solo, após secas ao ar e peneiradas, fo-ram submetidas às análises física e quí-mica. Como resultado da análise granulométrica, o solo da área de baixa-da foi classificado como solo argiloso e o da área de encosta, como solo franco– argilo-arenoso. Em relação à análise quí-mica, os solos de área de baixada apre-sentaram pH variando de 5,5 a 6,1 e ín-dice de saturação de bases (v) de 41% a 64%, à exceção da área onde se locali-zava o tratamento de 25% de desrama, que apresentou pH igual a 4,6 na profun-didade de até 20 cm e índice de satura-ção de bases em torno de 20%. Na en-costa, a parcela de 75% de desrama, que foi localizada na porção superior da en-costa, apresentou o pH mais baixo (4,5) e índice de saturação de bases (v) igual a 2%, em média. As parcelas de 0% e 25% de desrama localizavam-se em área com pH médio igual a 5,1 e V igual a apro-ximadamente 30%, sendo que o solo do tratamento referente a 50% de desrama apresentou, em média, pH igual a 6,0 e v igual a 60%. A área correspondente ao tratamento de 50% de desrama localiza-va-se na base da encosta em local pre-dominantemente côncavo, ou seja, área receptora de água e nutrientes advindos do topo da encosta.

A desrama artificial foi aplicada a partir da inserção do primeiro galho vivo. Os níveis de desrama consistiram na re-moção dos galhos vivos corresponden-tes a 0%; 12,5%; 25%; 50% e 75% da altura da copa das árvores, na baixada e, 0%; 25%; 50% e 75% na encosta. As

parcelas foram constituídas de 21 plan-tas úteis, com bordadura dupla.

Após a demarcação das parcelas, foram feitas as seguintes avaliações aos 11 meses de idade: diâmetro à altura do peito, altura total e altura da copa das plantas medida a partir da inserção do primeiro galho vivo. As medições de al-tura total e diâmetro à alal-tura do peito das plantas da área útil de todas as parce-las foram também realizadas aos 20, 33, 55, 81 e 92 meses. Na última medição, foram determinadas as alturas de inser-ção do primeiro galho vivo e primeiro galho morto.

As árvores da parcela útil foram aba-tidas para cubagem rigorosa, aos 92 meses de idade, para obtenção do volu-me de madeira com e sem casca. As ár-vores foram cortadas a aproximadamen-te 10 cm do solo, e foram feitas as medi-das de diâmetro com e sem casca na al-tura do corte da árvore e do DAP.

A produção volumétrica de madeira, por árvore com e sem casca, das plan-tas dos diferentes tratamentos aos 92 meses, foi determinada por equações de volume por árvore, utilizando o software EXCEL 2000 da Microsoft Corporation. O volume total de cada indivíduo foi obti-do pelo produto da média aritmética das áreas seccionais dos extremos da seção, pelo seu respectivo comprimento, de acordo com a fórmula de Smalian. Visan-do avaliar o efeito Visan-dos níveis de desrama artificial sobre o crescimento em diâme-tro e altura de Eucalyptus grandis, foram ajustadas equações de regressão para estimar o diâmetro (DAP), a altura total (H) e o volume (V), em função da idade (I). Os percentis foram obtidos para ca-racterizar o povoamento, em função da idade, diâmetro mínimo, diâmetro médio e diâmetro máximo, conforme CUNHA NETO (1994), MAESTRI (1996) e GLADE (1986).

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17 Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As equações de regressão selecionadas para estimar o DAP dos indivíduos de Eucalyptus grandis, sob diferentes intensidades de desrama arti-ficial, em função da idade, são apresen-tadas na Tabela 1. O teste de identidade de modelos indicou que as equações re-ferentes às desramas de 25% e 50% da altura da copa viva não diferiram signifi-cativamente a 5% de probabilidade, po-dendo ser usada a mesma equação para os dois tratamentos (ROCHA, 1992). A equação Ln DAP = 2,7267 – 17.2658 * (1/I) pode ser usada assim, em substitui-ção àquelas obtidas para essas duas in-tensidades de desrama.

O crescimento em diâmetro foi mai-or para a testemunha, associando-se in-versamente com a intensidade de desrama (Figura 1). A maior diferença de incremento diamétrico (26,76%) ocorreu aos 92 meses, entre a testemunha e a

desrama de 75% da copa viva. Confor-me apresentado na descrição da área de estudo, as parcelas onde se localizavam os tratamentos referentes à desrama de 50% apresentaram pH, soma de bases trocáveis e capacidade de troca catiônica mais elevados, indicando maior fertilida-de. Esse fato explica que, mesmo reali-zando desrama de 50% da copa viva, as plantas foram capazes de exibir cresci-mento diamétrico estatisticamente igual ao das plantas nas parcelas de 25% de desrama artificial. Esse resultado de-monstra que as plantas podem apresen-tar capacidade distinta de recuperação em função da qualidade do sítio.

A distribuição diamétrica das árvores, aos 92 meses de idade, está apresenta-da na forma de percentis, juntamente com o diâmetro mínimo, médio e máxi-mo para cada tratamento (Tabela 2). Observa-se um efeito significativo da desrama sobre a distribuição diamétrica. Para a testemunha (sem desrama), mais

Intensidades de Equação R2 C.V. desrama (%) Ajustado (%) 0,0 Ln DAP=2,8840 - 19,2866 * (1/I) 0,993 2,96 12,5 Ln DAP=2,7797 - 16,6758 * (1/I) 0,993 2,21 25,0 Ln DAP=2,7161 - 17,0146 * (1/I) 0,991 2,30 50,0 Ln DAP=2,7374 - 17,5170 * (1/I) 0,997 2,43 75,0 Ln DAP=2,5748 - 20,1647 * (1/I) 0,989 3,24

Tabela 1 - Equações selecionadas para estimar o diâmetro (DAP), em cm, das árvores de Eucalyptus grandis, submetidas a diferentes intensidades de desrama aos 11 meses de idade, em fun-ção da idade (I), em meses, em Dionísio, MG

Bernardo Machado Pires; Maria das Graças Ferreira Reis e Geraldo Gonçalves dos Reis

Figura 1 - Curvas de cresci-mento em diâmetro de E. grandis, sub-metido a diferentes intensidades de desrama, aos 11 me-ses de idade, em Dionísio, MG.

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de 60% das árvores possuem DAP su-perior a 15 cm, enquanto nos tratamen-tos de desrama de 25% e 50%, apenas 30% e 25% das árvores apresentam DAP acima de 15 cm, respectivamente. O di-âmetro médio das plantas, aos 92 me-ses, diferiu para todos os tratamentos, com exceção dos tratamentos de desrama de 25% e 50%.

A s e q u a ç õ e s d e r e g r e s s ã o selecionadas para estimar a altura to-tal dos indivíduos de Eucalyptus grandis, sob diferentes intensidades de desrama, em função da idade, estão apresentadas na Tabela 3. O teste de identidade de modelos mostrou que as equações referentes a cada tratamen-to de desrama diferiram entre si a 5% de probabilidade.

O crescimento em altura acompa-nhou o incremento diamétrico das plan-tas, com valores mais elevados para a testemunha, decrescendo com a inten-sidade de desrama. O crescimento em altura, aos 20 meses, foi estatistica-mente igual para todos os tratamentos, à exceção da desrama de 75%. Do vi-gésimo mês até o nonavi-gésimo segun-do, quando se procedeu a cubagem ri-gorosa das árvores, o crescimento em altura foi maior para a testemunha, comportando-se em ordem decrescen-te com a indecrescen-tensidade de desrama

(Fi-gura 2), excetuando a desrama de 50% que superou a altura média do trata-mento de 25% em razão da melhor qua-lidade de sítio onde se localizava esse tratamento. Entre a testemunha e a desrama de 25% da copa, a diferença de incremento em altura, aos 92 me-ses, foi de 12,44%, sendo a maior dife-rença de incremento em altura (28,09%) nessa idade, observada en-tre a testemunha e 75% de desrama. Esses valores obtidos estão de acordo com ELLIOT (1970), que enfatiza que a remoção de até 40% da altura da copa de Pinus sp. não prejudica o crescimen-to da planta, porém desrama superior a 60% afeta negativamente a altura da planta. Os resultados do presente ex-perimento são condizentes também com aqueles obtidos por STOHR et al. (1982), que aplicaram desrama em Pinus spp., removendo 35%, 50%, 60% e 80% da copa viva aos 5 e 11 anos. Após 4 anos, a eliminação de 35% da copa verde praticamente não influen-ciou o crescimento em altura, enquan-to os demais promoveram redução sig-nificativa na taxa de crescimento em altura.

As equações de regressão selecionadas para estimar o volume de Eucalyptus grandis, sob diferentes inten-sidades de desrama, em função da

ida-Intensidade de desrama (%) ê Percentis Diâmetro (cm) 0,05 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,75 0,80 0,90 0,95 Mín. Max. Méd. 0 8,00 8,50 10,75 14,64 15,28 16,43 17,13 17,32 18,21 19,42 20,21 21,82 7,50 22,30 15,58 a 12,5 9,00 10,00 10,27 10,05 11,52 12,54 13,10 14,32 14,70 15,32 20,12 21,61 9,00 22,50 14,17 b 25 7,40 8,00 8,62 9,67 10,05 11,24 13,39 15,23 16,51 17,83 19,58 21,45 6,20 23,80 13,49 c 50 7,83 9,00 10,25 11,73 12,75 13,37 13,97 14,34 15,60 16,11 17,58 21,42 7,50 22,75 13,35 c 75 4,60 5,50 6,00 9,93 10,52 13,26 14,37 15,28 17,67 18,78 19,42 21,56 4,60 22,25 11,41 d

Tabela 2 - Distribuição diamétrica em forma de percentis, aos 92 meses de idade, de árvores de Eucalyptus grandis, submetidas a diferentes intensidades de desrama aos 11 meses de idade, em Dionísio, MG.

* Médias na coluna de diâmetro médio, seguidas pela mesma letra, não diferem entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.

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19 Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

de, são apresentadas na Tabela 4. O tes-te de identidade de modelos indicou que os tratamentos de desrama de 25% e 50% da copa viva não diferiram significativa-mente a 5% de probabilidade, podendo se aplicar a ambos os tratamentos.

A produção volumétrica por hectare (Figura 3) foi maior para a testemunha, decrescendo com a intensidade de desrama. Os incrementos volumétricos nas desramas de 25% e 50% foram si-milares, sendo 45,16% a maior diferen-ça de incremento volumétrico, aos 92 meses, entre a testemunha e a desrama de 75% da copa viva. Comparando os tratamentos da testemunha e o de 50%, houve uma perda de 17,71% da produ-ção volumétrica, o que é superior ao ob-tido por STHOR et al. (1987), que obser-vou redução de 12% para uma desrama de 60% em Pinus taeda. Os resultados obtidos também estão de acordo com ENDO e MESA (1992), que realizaram desramas de 0%, 30%, 50% e 70% em

um povoamento de Pinus patula, com três anos de idade, na Colômbia e ob-servaram que, inicialmente, o crescimen-to em diâmetro e altura reduziu-se, sen-do que quatro anos depois, a desrama de 70% da copa apresentou uma defa-sagem volumétrica de 40%, quando com-parada com a desrama de 30%. Para os demais tratamentos, essa redução não foi significativa em relação à testemunha. CONCLUSÕES

A desrama artificial afetou negativa-mente o crescimento das plantas em di-âmetro e altura, após 10 meses da apli-cação dos tratamentos de desrama das plantas.

O teste de identidade de modelos in-dicou que as desramas de 25% e 50% da altura da copa viva não diferiram sig-nificativamente a 5% de probabilidade, podendo ser usada a mesma equação para os dois tratamentos.

Bernardo Machado Pires; Maria das Graças Ferreira Reis e Geraldo Gonçalves dos Reis

Figura 2 - Curvas de cresci-mento em altura de Eucalyptus grandis, submetido a diferen-tes intensidades de desrama, em Dio-nísio, MG Intensidades de Equação R2 C.V. desrama (%) Ajustado (%) 0,0 Ln H = 3,2448 – 22,2707 * (1/I) 0,993 3,94 12,5 Ln H = 3,2294 – 20,6961 * (1/I) 0,997 3,45 25,0 Ln H = 3,0785 – 20,3699 * (1/I) 0,989 3,31 50,0 Ln H = 3,1793 – 21,4223 * (1/I) 0,994 3,64 75,0 Ln H = 2,8378 – 21,3875 * (1/I) 0,973 3,69

Tabela 3 - Equações selecionadas para estimar a altura total (H), em m, das árvores de Eucalyptus grandis, sob diferentes intensidades de desrama, em função da idade (I), em meses, em Dionísio, MG

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O crescimento em diâmetro foi maior para o tratamento testemunha, em que a copa das plantas foi mantida intacta, asso-ciando-se inversamente com a intensida-de intensida-de intensida-desrama da copa viva das plantas.

As plantas do tratamento testemu-nha (sem desrama artificial) apresentam mais de 60% das árvores com DAP su-perior a 15 cm, enquanto nos tratamen-tos de desrama de 25% e 50% de copa viva apenas 30% e 25% das árvores apresentaram DAP acima de 15 cm, res-pectivamente.

A desrama artificial de 75% da copa viva comprometeu significativamente o crescimento em diâmetro, altura e volu-me das plantas, em conseqüência da re-dução drástica da superfície fotossinteticamente ativa, possivelmente inviabilizando o uso dessa intensidade de desrama para povoamentos comerciais.

Os crescimentos em diâmetro, al-tura e volume foram maiores para a tes-temunha, associando-se inversamente com a intensidade de desrama, tendo sido observado redução de 26,76% para diâmetro, 28,09% para altura e 45,16% para volume, aos 92 meses, quando se comparou a testemunha com a desrama de 75% da copa viva da planta. Essa acentuada redução de volume se deveu principalmente à mor-talidade de plantas ocorrida em razão da drástica redução da copa viva das plantas do tratamento de 75% de desrama artificial.

A tomada de decisão sobre a viabili-dade da aplicação da desrama em povo-amentos florestais de eucalipto deve ser realizada com base na dinâmica do cres-cimento das árvores e na melhoria da qualidade da madeira. Intensidades de Equação R2 C.V. desrama (%) Ajustado (%) 0 Ln V = 6,4735 – 53,0613 * (1/I) 0,987 2,25 12,5 Ln V = 6,3124 – 47,8954 * (1/I) 0,989 1,83 25 Ln V = 6,1824 – 49,7458 * (1/I) 0,993 1,97 50 Ln V = 6,2241 – 50,4411 * (1/I) 0,992 2,02 75 Ln V = 5,6680 – 48,0634 * (1/I) 0,979 1,86

Tabela 4 - Equações selecionadas para estimar o volume (V), em m3 por hectare, das árvores de

Eucalyptus grandis, sob diferentes intensidades de desrama, em função da idade (I), em meses, em Dionísio, MG

Figura 3 - Curva de incre-mento volumétrico, em metros cúbicos por hectare, de Eucalyptus grandis sob diferentes inten-sidades de desrama, em Dionísio, MG

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21 Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

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1 Prof. Dr. em Marketing e Estratégia - Curso de Engenharia Florestal - Departamento de Economia Rural

e Extensão/SCA – UFPR – [email protected]

2 Prof. M.Sc. Curso de Engenharia Florestal – UnC

3 Prof. M.Sc. Curso de Engenharia Florestal – UnC – Doutorando UFPR

4 Prof. M.Sc. Curso de Engenharia Florestal – DCF/FCA/FUA – Doutorando UFPR

C

OMPORTAMENTO

DO

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E M

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DE

Pinus taeda

COM

P

RESENÇA

DE

N

Ó

João Carlos Garzel Leodoro da Silva1, José Sawinski Júnior2,

Márcio Torreão Interamnense3 e Nabor da Silveira Pio4

RESUMO

Este trabalho busca entender o comportamento do consumidor em relação a produ-tos de madeira de Pinus taeda com presença de nós vivos. Foram entrevistadas 111 pessoas na cidade de Curitiba-PR, entre os dias 22 e 26 de março de 1999, onde através de questionários o público manifestou sua opinião em relação a cinco peças de madeira, com e sem nó. Os resultados mostram um potencial para o produto com nó, da ordem de 45,94% da preferência dos entrevistados. Este trabalho, em nível investigativo, mostra que os resultados obtidos poderão servir para pesquisas futu-ras, principalmente para empresas que buscam nichos de mercados para produtos diferenciados.

Palavras-chave: comportamento, nó, consumidores, Pinus, madeira.

C

ONSUMER

B

EHAVIOUR

IN

R

E L ATION

TO

W

OOD

OF

Pinus taeda W

ITH

P

RESENCE

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K

N OTS

ABSTRACT

The main objective of this paper was to understand the behaviour of consumer of Pinus taeda’s wood in relation of “lives knots”. One hundred and eleven (111) people were interviewed in Curitiba-PR, between March 22 to 26, 1999, where through questionnaires the consumers manifested their opinion in relation to five wood pieces, both with and without knot. The results showed a high potential for the product with knot (45,94% of the interviewees). In spite of this work to be just of investigative level, the results can be used for future researches, mainly for companies that look for niches of markets for differentiated products.

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Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

INTRODUÇÃO

Este é um trabalho que procura con-tribuir com uma questão por muitos ig-norada dentro de empresas de base flo-restal, desde aquelas que implantam florestas até as que produzem produtos finais como empresas de móveis, mas de fundamental importância: o compor-tamento do consumidor.

As empresas do setor madeireiro nor-malmente partem de um pressuposto de que a madeira que apresenta a melhor qualidade é aquela se apresenta isenta de nó, conceito este advindo principal-mente de pressupostos tecnológicos.

Porém, dentro de um conceito gerencial voltado ao consumidor deve-se procurar maximizar os benefícios per-cebidos pelo cliente que, em última aná-lise, determina a qualidade do produto de-sejado.

A decisão de procurar segmentos poderá influenciar drasticamente o com-portamento estratégico e gerencial das empresas. Uma empresa florestal pode-rá realizar, por exemplo, diversos tipos de manejo em suas florestas desde que visualize o potencial de segmentos, pos-sibilitando a manutenção de talhões com nó para atender aqueles segmentos que assim o desejam, e outros talhões para a produção de madeira limpa, o que dei-xará mais complexa a gerência dessas empresas.

Uma das principais estratégias de marketing é conhecer e entender o com-portamento do consumidor e isto signifi-ca conhecer os elementos que o com-põem.

Segundo KOTLER (1993), o merca-do consumimerca-dor é formamerca-do por tomerca-dos os indivíduos e famílias que compram ou ad-quirem produtos ou serviços para con-sumo pessoal. O mercado consumidor é o ponto final de destino de produtos e ser-viços oferecidos pelas organizações.

Já HOLBROOK (1987) afirma que o comportamento do consumidor é um pro-cesso motivado que inclui muitas ativi-dades, variando em complexidade e tem-po gasto, envolvendo diferentes papéis e sendo influenciado também por fato-res externos. Produtos e serviços são aceitos ou rejeitados com base na exten-são de como eles exten-são percebidos como relevantes para as necessidades e para o estilo de vida.

A organização que direcionar esfor-ços para entender como o consumidor responde aos apelos de seu produto, certamente pode obter vantagens com-petitivas.

ENGEL et al. (1995) propõem quatro premissas básicas, entre elas a de que o comportamento e a motivação do con-sumidor podem ser compreendidos atra-vés de pesquisa. Não é possível prever exatamente, porém, as estratégias po-dem melhorar os resultados quando as pesquisas são devidamente interpreta-das e adaptainterpreta-das, reduzindo riscos.

Assim, a pesquisa com o consumi-dor, quando realizada e interpretada ade-quadamente, proporciona elementos fun-damentais para a formação de estratégi-as de marketing, possibilitando às em-presas direcionarem seus esforços a fim de estimular o consumidor, obtendo a esperada resposta.

A segmentação dos mercados e a diferenciação dos produtos são intima-mente relacionadas em mercados indus-triais de produtos florestais, segundo SINCLAIR (1992). A diferenciação de produtos busca desenvolver e promover diferenças entre um determinado produ-to e os produprodu-tos concorrentes.

A mais bem sucedida estratégia de diferenciação pode ser usada para aju-dar as empresas a evitarem competição direta por preço.

Com isso, este trabalho objetivou inici-ar a compreensão da visão do consumidor

João Carlos Garzel Leodoro da Silva; José Sawinski Júnior; Márcio Torreão Interamnense e Nabor da Silveira Pio

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final sobre a presença de nós vivos na ma-deira, visto que esses têm uma concepção diferente daquela definida por preceitos tecnológicos, e que não se encontra, na li-teratura, trabalhos com essa característica. MATERIAL E MÉTODOS

Coleta de Dados

Os dados foram coletados através de um questionário padrão, que foi preen-chido por um entrevistador e aplicado por abordagem simples.

A coleta de dados foi realizada em dois locais:

• Universidade Federal do Paraná -Público alvo: professores (exceto os do Setor de Ciências Agrárias, para evitar viés no trabalho) e es-tudantes de Graduação e Pós-Graduação;

• Locais Públicos - praças e ruas com intensa circulação de pessoas, para obter um bom nível de aleato-riedade na abordagem do público. Número e Tamanho das Peças

Foram analisadas cinco peças de madeira de Pinus taeda, devidamente aplainadas, lixadas, com acabamento superficial de alto brilho, e sem qualquer tipo de junção (Tabela 1).

Tabela 1 - Tamanho e distribuição dos nós nas peças de madeira de Pinus taeda

Peça Dimensão (cm) Nº de nós 1 50 x 20 x 2,5 0, (sem nó) 2 50 x 20 x 2,5 2 3 50 x 20 x 2,5 3 4 50 x 20 x 2,5 4 5 50 x 20 x 2,5 5

Assim, há uma peça isenta de nó, e quatro peças com níveis gradativos de nós vivos, variando 2 a 5 nós.

Figura 1 - Estado civil da população entrevista-da, em porcentagem

Delineamento Experimental e Coleta dos Dados

Foi utilizado o processo de Amostragem Aleatória Simples para a coleta dos dados, conseguindo dessa forma uma variabilidade de indivíduos de diversas classes sociais, níveis de esco-laridade e renda.

As questões foram parametrizadas e a seguir efetuou-se a determinação das freqüências para cada pergunta.

As cinco peças de madeira foram colo-cadas lado a lado sobre uma mesa em or-dem crescente de nós, da esquerda para a direita. O entrevistador, então, abordava os indivíduos que passavam pelos locais de pesquisa e solicitava que respondessem a um questionário sobre sua preferência pe-las peças de madeira que ali estavam.

Quando se efetuavam as perguntas referentes à preferência, permitia-se a manipulação das peças pelo entrevista-do para que ele fizesse a sua escolha. RESULTADOS E DISCUSSÕES Caracterização da população amostrada

A população foi composta por 66,67% de indivíduos do sexo masculino, e 33,33% do sexo feminino. Quanto ao estado civil, a maioria dos indivíduos pertence à classe solteiro (52,25%) de acordo com a Figura 1. A classe casado apresenta também um número considerável de indivíduos amostrados, enquanto que a classe outros teve uma pequena participação, razão pela qual não foi considerada no estudo.

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Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

A Tabela 2 mostra os percentuais por faixa etária, destacando-se a participa-ção de indivíduos das classes 1 (de 18 a 25 anos) e 2 (de 26 a 45 anos).

Estes números mostram um público jovem, que tem uma concepção diferen-te com relação a produtos com presen-ça de nós, como será visto mais adiante.

Tabela 2 - Faixa etária da população entrevista-da, em porcentagem

Classe Idade Nº Pessoas TOTAL(%)

1 18 a 25 44 39,64

2 26 a 45 46 41,44

3 > de 45 21 18,92

TOTAL - 111 100,00

De acordo com a Tabela 3, a maioria dos entrevistados (54,06%) per-tence à faixa salarial de 1 a 5 salários mínimos (SM). Para 17,71% dos entre-vistados, a renda é superior a 10 salári-os mínimsalári-os mensais.

Tabela 3 - Faixa salarial da população entrevista-da, em porcentagem (atual)

Classe Salário Nº Pessoas TOTAL(%)

1 1 a 5 SM 60 54,06

2 5 a 10 SM 32 28,83

3 > que 10 SM 19 17,11

TOTAL - 111 100,00

Normalmente, um item importan-te na tomada de decisão de compra para o segmento de faixa salarial de 1 a 5 SM é o preço, podendo inclusive produtos com baixo valor serem preferidos acima de qualidades desejadas. Nada impede, porém, que características desejadas pelos consumidores desses segmentos sejam implementados para diferenciação de produtos concorrentes, mesmo que os preços praticados sejam idênticos.

Ao mesmo tempo, espera-se que, para atingir a classe de renda superior a 10 SM, sejam necessários produtos que tenham as características bem definidas

de benefício ao consumidor que pode pagar preços mais elevados, desde que os produtos apresentem as característi-cas que são desejadas.

Considerando que os atuais estudan-tes de nível superior deverão, dentro de um médio-prazo, estar com renda mínima média pelo menos na faixa salarial de 5 a 10 SM por mês, após o término do curso superior e respectiva entrada no mercado de trabalho, procurou-se realizar uma pro-jeção de preferências nas faixas salariais com a entrada destes indivíduos na faixa salarial acima referida (Tabela 4).

Tabela 4 - Faixa salarial dos estudantes de nível superior, em porcentagem (projetado) Classe Salário Nº Pessoas TOTAL(%)

1 1 a 5 SM 16 14,41

2 5 a 10 SM 76 68,46

3 > que 10 SM 19 17,11

TOTAL - 111 100,00

A Tabela 5 apresenta os percentuais para o grau de escolaridade, destacando um maior número de pesso-as que apresentam curso superior, e ape-nas uma minoria com o 1º grau, em razão de um dos locais de amostragem ter sido a própria Universidade Federal do Paraná. Apesar desse resultado não representar a realidade nacional, não afeta os resul-tados desejados.

Tabela 5 - Grau de escolaridade da população en-trevistada, em porcentagem Classe Escolaridade Nº Pessoas TOTAL(%)

1 1º GRAU 16 14,41

2 2º GRAU 28 25,23

3 SUPERIOR 67 60,36

TOTAL - 111 100,00

Preferências dos Consumidores Deve-se distinguir, neste momento, dois tipos de perguntas que fizeram parte do questionário: “Qual peça você esco-lhe?” e “Você compraria produtos de

ma-João Carlos Garzel Leodoro da Silva; José Sawinski Júnior; Márcio Torreão Interamnense e Nabor da Silveira Pio

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deira com nó?”, pois cada tipo de pergun-ta fornece uma interprepergun-tação diferente.

A primeira questão procura verificar qual é a preferência visual do consumi-dor em relação ao produto. A segunda questão procura lançar alguma luz na decisão de compra do consumidor, visto que, apesar da escolha de uma peça pelo seu visual, não significa necessariamen-te que, dados outros fatores, o indivíduo vá adquirir um produto com aquelas ca-racterísticas.

A Figura 2 apresenta os percentuais de escolha de acordo com o tipo de peça observada pelos entrevistados. O maior percentual encontra-se na classe 1, a qual corresponde às peças isentas de nó.

Entretanto, houve um percentual con-siderável na classe 3. As classes 2 e 5 apresentaram percentuais semelhantes; já a classe 4 apresentou um pequeno percentual.

Desse modo, observa-se que apesar da maioria (54%) dos entrevistados opta-rem por produtos isentos de nó, uma par-cela significativa, acima do esperado (46%), prefere produtos com algum tipo de nó.

Assim sendo, pode-se afirmar que existe um grande potencial para produ-tos com algum tipo de nó, que deve ser explorado comercialmente.

A Figura 3 mostra um aspecto impor-tante do estudo. Os percentuais de decisão de compra para produtos com e sem nó di-ferem daqueles obtidos para o critério de escolha da peça apresentada, devido a vá-rios fatores apontados pelos entrevistados.

Assim, 52,25% dos entrevistados comprariam produto com algum tipo de nó, apesar de 47,75% deles citaram que preferem produto sem nó, ou seja, exis-tem indivíduos que, apesar de preferirem peças que visualmente não contenham nó, estão dispostas a adquirir produto que possam contê-los.

As tabelas a seguir serão descritas contendo os percentuais relativos à es-colha da peça (com nó ou sem nó), e a decisão de compra em relação à madei-ra com nó (compmadei-ra ou não compmadei-ra).

A Tabela 6 apresenta os resultados da interação entre sexo, escolha e deci-são de compra. Observa-se que a esco-lha por parte dos indivíduos do sexo mas-culino é mais favorável a peças com nó, enquanto que para os indivíduos do sexo feminino a maior preferência é para pe-ças sem nó.

A tendência para a decisão de com-pra apresenta-se a mesma, onde o sexo masculino mostra uma maior aceitação para produtos com nó, também indican-do que para ambos os sexos há um pe-queno aumento na faixa de disposição em comprar produtos com a presença de nó.

Tabela 6 - Interação entre sexo, escolha e deci-são de compra da população entrevis-tada (em %)

Escolha Decisão

Sexo Com nó Sem nó Compra Não compra

Masc. 52,70 47,30 59,46 40,54

Fem. 32,43 67,57 37,83 62,15 Figura 2 - Preferência dos consumidores

entre-vistados em relação à presença de nós

Figura 3 - Decisão de compra dos consumidores entrevistados para produtos com nó

(26)

Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

A Tabela 7 apresenta os resultados da interação entre salário, escolha e de-cisão de compra no período atual.

Todas as três faixas apresentaram excelente aceitação em relação à presen-ça de nós nas pepresen-ças, sendo a menor de-las a faixa salarial de 1 a 5 SM, apresen-tando, porém, um percentual alto: 45%.

Observa-se uma maior preferência (não analisada estatisticamente) por peças com nó na faixa de salário acima de 10 SM e a menor na faixa de salário de 1 a 5 SM.

Tabela 7 - Interação entre salário, escolha e de-cisão de compra da população entre-vistada (em %) - atual

Escolha Decisão Salário Com nó Sem nó Compra Não compra 1 a 5 45,00 55,00 48,33 51,67 5 a 10 46,87 53,12 59,37 40,63 > 10 47,36 52,63 52,63 47,37

Já em relação à disposição de aqui-sição de produtos com nó, observou-se um incremento em todas as faixas sala-riais, com percentuais sempre acima da escolha realizada.

A maior diferença encontrada foi na faixa de 5 a 10 SM, onde houve um in-cremento de 12,50% entre preferência por peças de madeira com nó e a dispo-sição para comprar peças de madeira com essas características.

Significa que, bem planejado e tra-balhado, o uso de madeiras com as ca-racterísticas estudadas como agregação de valor poderá ser incrementado.

A Tabela 8 apresenta os resultados da interação entre salário, escolha e de-cisão de compra com a inclusão dos es-tudantes de nível superior na faixa sala-rial de 5 a 10 SM.

Observa-se uma diminuição no grau de interesse por peças com nó para a classe de 1 a 5 SM, quando comparado com a Tabela 9 e, assim, um incremento para as peças isentas de nó.

Já na faixa de 5 a 10 SM, com a in-clusão dos indivíduos que terão concluí-do o curso universitário dentro concluí-dos pró-ximos 5 anos, houve um aumento na pre-ferência pelas peças com nó, quando comparado com a Tabela 9, ao passo que para a decisão de compra, praticamente não houve alteração.

Tabela 8 - Interação entre salário, escolha e de-cisão de compra da população entre-vistada (em %) - projetada

Escolha Decisão Salário Com nó Sem nó Compra Não compra 1 a 5 37,93 62,07 37,93 62,07 5 a 10 50,79 49,21 58,73 41,27 > 10 47,36 52,63 52,63 47,37

Assim, para o período futuro, o maior potencial de compra para peças com nó é mostrado novamente pelo perfil dos indiví-duos da faixa de 5 a 10 salários, porém ainda elevada para todas as classes.

Esse incremento obviamente está li-gado à idade e no nível educacional dos estudantes devendo, pois, ser aprofundada a análise desses fatores em outros trabalhos.

A interação entre estado civil, escolha e decisão de compra, é vista na Tabela 9. Os resultados entre as classes solteiro e casado são muito semelhantes, para o cri-tério de escolha, enquanto que para a de-cisão de compra seguiu-se a mesma ten-dência geral, no aumento de disposição para adquirir produtos contendo nó.

Tabela 9 - Interação entre estado civil, escolha e decisão de compra da população en-trevistada (em %)

Escolha Decisão E.Civil Com nó Sem nó Compra Não compra

Solt. 44,83 55,17 51,73 48,27

Cas. 44,90 55,10 51,02 48,98

A Tabela 10 mostra a interação en-tre idade, escolha e decisão de compra.

João Carlos Garzel Leodoro da Silva; José Sawinski Júnior; Márcio Torreão Interamnense e Nabor da Silveira Pio

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30

Os indivíduos que estão na faixa etária acima de 45 anos apresentam o maior nível de aceitação para produtos com nó. Com relação às demais classes, verifi-ca-se que os indivíduos com idade de 18 a 25 anos mostram uma boa aceitação para produtos com nó, seguidos pelos indivíduos da faixa etária de 26 a 45 anos.

Tabela 10 - Interação entre idade, escolha e deci-são de compra da população entrevis-tada (em %)

Escolha Decisão Idade Com nó Sem nó Compra Não compra 18 a 25 44,90 55,10 47,73 52,27 26 a 45 41,31 58,69 52,17 47,83 > 45 66,67 33,33 61,90 38,10

Para a decisão de compra, os indiví-duos da faixa entre 18 e 25 anos mostra-ram uma maior aceitação para produtos com nó, quando comparados com o cri-tério de escolha (44,90% para escolha; 47,73% para decisão de compra). Essa tendência de aumento na decisão de compra ocorreu também para a classe de 26 a 45 anos. Já na classe de mais de 45 anos ocorreu uma diminuição na decisão de compra comparativamente ao critério de escolha. Essa ainda é a que apresenta o melhor nível de disposição para a aquisição de produtos com nó.

A Tabela 11 mostra a interação entre escolaridade, escolha e decisão de compra, onde para o critério de escolha os indivíduos com 1o

grau são os que apresentam o maior nível de aceitação para produtos com nó.

Com relação às demais classes, ve-rifica-se que os indivíduos com nível su-perior mostraram uma boa aceitação para produtos com nó, seguidos pelos indivíduos com 2o

grau.

Na decisão de compra, os indivíduos com nível superior mostraram uma maior aceitação para produtos com nó, haven-do um incremento significativo quanhaven-do comparado com o critério de escolha.

Porém, para as demais classes, ocorreu uma diminuição na decisão de compra comparativamente ao critério de escolha.

Tabela 11 - Interação entre escolaridade, escolha e decisão de compra da população en-trevistada (em %)

Escolha Decisão Escol. Com nó Sem nó Compra Não compra 1o grau 56,25 43,75 50,00 50,00

2o grau 31,14 67,86 28,57 71,43

Superior 49,26 50,74 62,69 37,31

Todavia, para a decisão de compra, as respostas foram muito próximas para esses indivíduos. Fazendo-se a mesma análise para as demais classes, vemos que os indivíduos da classe 2o

grau e aqueles com ganho variando de 5 a 10 salários mínimos mensais são os que apresentam a maior variação, enquanto os indivíduos com nível superior mostram consonância na resposta para escolha, mas para decisão de compra não há uma aproximação dos resultados.

O teste de Qui-quadrado mostrou di-ferença estatisticamente significativa a 1% para os dados de escolaridade X es-colha X decisão de compra, o que possi-velmente esteja causando essa variação. Comentários Finais

O principal resultado deste trabalho é o alto percentual de pessoas que pre-feriram madeira com algum tipo de nó, o que possibilita e incentiva estudos mais aprofundados para satisfazer esses seg-mentos de consumidores com produtos que valorizem esta característica.

Além da preferência por produtos desse tipo, verificou-se que existem con-sumidores que, apesar de preferirem ma-deira limpa, estão dispostos a adquirirem produtos que contenham nó. Deve-se, portanto, verificar quais são as caracte-rísticas que incentivariam essa aquisição.

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Brasil Florestal - Nº 73 - Abril de 2002

Quando realizada a segmentação dos resultados, tem-se as seguintes con-clusões:

a preferência por madeira com nó é maior no sexo masculino do que no sexo feminino;

em relação ao nível salarial, as dife-renças de escolha por madeira com nó são muito pequenas entre as três faixas analisadas;

esta, porém, muda quando se inclu-em os estudantes de nível superior na faixa de 5 a 10 SM, sendo inclu-sive que a escolha por madeira com nó é um pouco maior do que a es-colha de madeira sem nó;

quanto ao estado civil, não se verificou diferença entre solteiros e casados para a escolha de madeira com nó;

há uma clara preferência por madei-ra com nó pamadei-ra consumidores com idade superior a 45 anos;

aqueles com menor escolaridade indicaram também uma maior pre-ferência por madeiras com nó; Esses resultados indicam que não se deve considerar madeiras que contenham nó como de “segunda”, como é conheci-do nos mercaconheci-dos. Mostram que estuconheci-dos e estratégias de marketing devem ser con-duzidos para ofertá-las àqueles consumi-dores que tenham preferência por esta característica, o que irá valorizá-la. O

posicionamento correto, bem como o cla-ro conhecimento dos segmentos, possi-bilitará estratégias de valorização.

Às empresas do setor florestal cabe analisar os dados apresentados neste tra-balho e verificar a possibilidade de abrir no-vas perspectino-vas de produtos diferenciados junto ao mercado, seguindo tendência que vem ocorrendo em outros locais do mundo, como Europa e América do Norte.

Faz-se necessária a realização de um número maior de pesquisas sobre o assunto em outras localidades do Brasil, junto a consumidores finais, para a veri-ficação e comparação com os resultados obtidos neste trabalho.

Sugere-se que produtos finais (mó-veis, armários, cadeiras), com as carac-terísticas delimitadas no estudo, sejam utilizados para obtenção de resultados mais conclusivos na linha de comporta-mento do consumidor.

A localização desses segmentos viabilizará o consumo de novos produ-tos com preços diferenciados e com mai-or fidelidade, possibilitando às empresas ganhos diferenciados e posicionamentos mais estáveis.

AGRADECIMENTOS

Às empresas PISA Florestal e Batistella S.A pela concessão do materi-al para a pesquisa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ENGEL, James et al. Consumer behavior. 8. ed. Chicago : Dryden, 1995.

HOLBROOK, Morris B. What is consumer research? Journal of Consumer Research, [S.L.], v.14, p.128-132, jun. 1987.

KOTLER, Philip. Administração de Marketing. Análise, Planejamento, Implementação e Controle. Ed. Atlas, 848 p., 1993.

SINCLAIR, S.A. Forest Products Marketing. Ed. McGraw-Hill, 271 p., 1992.

João Carlos Garzel Leodoro da Silva; José Sawinski Júnior; Márcio Torreão Interamnense e Nabor da Silveira Pio

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1 Professores do Departamento de Ciências Florestais - UFLA, CP 37, CEP 37200-000. Lavras-MG 2 Eng. Florestal, mestrando em Engenharia Florestal - UFLA, CP 37, CEP 37200-000. Lavras-MG 3 Eng. Agrônomo, doutorando em Engenharia Florestal - UFLA, CP 37, CEP 37200-000. Lavras-MG

D

INÂMICA

DE

E

STABELECIMENTO

DE

Tectona grandis

L.

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(T

ECA

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NTRODUZIDA

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ERAIS

Renato Luiz Grisi Macedo1, Nelson Venturin1, Jozébio Esteves Gomes2

e Tadário Kamel de Oliveira3

RESUMO

O objetivo deste trabalho foi analisar o estabelecimento inicial de mudas de Tectona grandis L.f. (teca) introduzidas em consórcios agroflorestais com Coffea arabica L. (cafeeiro), em Lavras – MG. Utilizou-se o delineamento experimental blocos casualizados, com sete tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos foram cons-tituídos por mudas de teca, introduzidas em lavoura cafeeira de três anos (cultivar acaiá, 6666 plantas/ha), nos espaçamentos: T1 (teca solteira, espaçamento 3 x 2 m);

T2 (6 x 6 m); T3 (6 x 8 m); T4 (12 x 4 m); T5 (9 x 6 m); T6 (6 x 10 m) e T7 (6 x 12 m).

Utilizaram-se mudas de teca de toco de raiz nua, previamente enraizadas. Aos cinco e doze meses pós plantio, avaliou-se a porcentagem de sobrevivência, o diâmetro basal da brotação proeminente e altura de plantas de teca na última avaliação. Não houve diferença significativa entre os espaçamentos para as variáveis estudadas. Considerando-se todos os tratamentos, a porcentagem média de sobrevivência das mudas de teca foi de 58,04% e 29,51%, respectivamente, para as avaliações aos cinco e doze meses pós plantio e, 1,94 cm de diâmetro basal médio de brotação e 50,9cm para a altura média das plantas. Os resultados obtidos sugerem que as mu-das de teca sejam pré enraizamu-das e plantamu-das no campo com antecedência de um ano das mudas de café ou no mesmo ano de plantio.

Palavras–chave: sobrevivência, Coffea arabica L., consórcio, sistema agroflorestal.

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Tectona grandis

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ABSTRACT

The objective of this work was to analyze the establishment of Tectona grandis L.f. (teca) as part of an agroforestry association with Coffea arabica L. (coffee tree) in the region of Lavras - MG, Brazil. The experimental design was randomized blocks, with seven treatments and four replications. The treatments were teca plantlets, introduced into the coffee plantation 3-year-old (“acaiá cultivar’’. 6666 plants/ha), according to the different spacing as follows: T1 (3 x 2 m); T2 (6 x 6 m); T3 (6 x 8 m); T4 (12 x 4 m);

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