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USO DE COMPUTADORES
NO ENSINO DA
MATEMÁTICA
Florianópolis
0 USO DE COMPUTADORES
NO ENSINO DA MATEMÁTICA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Matemática - Habilitação Licenciatura, Departamento de Matemática, Centro de Ciências Físicas e Matemáticas. Universidade Federal de Santa Catarina Orientador: Prot Joana B. O. Ouandt
Florianópolis
1999
Esta Monografia foi julgada adequada como TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO no Curso de Matemática - Habilitação Licenciatura e aprovada em sua forma final pela Banca Examinadora designada pela Portaria no 01/SCG/2000.
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Prof Carme 1Suzane Comi % Gim- ez
Professora responsivel pela disciplina
Banca Examinadora
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0 entador: Prof Joana B. de Oliveira Quandt
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Prof. Méricles Thadeu Moretti911,uvca,,,_
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Prof Miriam Buss Go6ialves
Em especial à minha família, que sempre acreditou em mim, contribuindo em muito para a realização deste sonho.
À minha orientadora, professora Joana Benedita de Oliveira Ouandt, por toda sua atenção e dedicação durante a realização deste trabalha
1. Introdução 1 2. Informática e Educação 3
2.1. 0 desenvolvimento dos computadores nas últimas décadas
e sua utilização na Educação 3
2.2. Objetivos da Informática Educativa 6 2.3. Os precursores da Informática Educativa no Brasil 7 2.4. A Informática Educativa no Brasil 9 2.5. Pianos e ações atuais do governo federal para a Informática
Educativa 14
2.6. Ações do governo estadual para a Informática Educativa 17 2.7. Ações do governo municipal para a Informática Educativa 20 3. Dados coletados em colégios da Grande Florianópolis 22 3.1. Dados obtidos em escolas particulares 23 3.2. Dados obtidos em escolas públicas estaduais 26 3.3. Dados obtidos em escolas públicas federais 31 3.4. Dados obtidos em escolas públicas municipais 32 4. A Informática Educativa no Curso de Graduação em Matemática
da UFSC 36 Conclusão Referências para VVWW Referências Bibliográficas Anexo VT
A revolução dos computadores é uma realidade. 0 nosso mundo gira em torno destas máquinas cada vez mais potentes, pequenas e economicamente acessíveis. Jornais, revistas e tantas outras publicações norteiam o nosso dia a dia informando-nos tudo sobre computadores. Sua presença fora das escolas cresce vertiginosamente como instrumento básico para muitas tarefas escolares.
0 fato de no inicio dos anos oitenta, a IBM, empresa alerta e agressiva, não acreditar nos microcomputadores e nem na possibilidade deles tornarem-se um "eletrodoméstico" como outro qualquer, ilustra como são grandes as perplexidades diante dos computadores. E, claramente todos estes equívocos desembocam na escola.
Estudos feitos mostram que a introdução do computador na Educação tem provocado, de fato, uma mudança na concepção do ensino e aprendizagem, uma vez que ele pode ser usado para ensinar.
E as nossas escolas, estão se estruturando e capacitando seus professores para fazerem uso desta nova ferramenta de ensino?
Este trabalho tem por objetivo mostrar o que vem sendo feito pelos responsáveis pela área educacional em relação A implantação da Informática nas escolas, e também verificar qual é a atual situação do uso dos computadores no ensino, em particular no ensino de Matemática, em escolas públicas e particulares da Grande Florianópolis.
Inicialmente se faz uma exposição sobre o desenvolvimento dos computadores e sua aplicação na Educação, se apresenta um histórico da cultura da Informática no Brasil e das ações dos governos nesta área.
Posteriormente se faz um relato sobre as informações obtidas em 16 colégios da Grande Florianópolis sobre o uso de computadores no ensino de Matemática.
Para finalizar esse apanhado geral sobre a utilização de computadores no ensino de Matemática, faz -se uma breve exposição sobre as disciplinas de Informática ministradas no curso de Graduação em Matemática, habilitação Licenciatura, da Universidade Federal de Santa Catarina ( UFSC) e sobre projetos em Informática Educativa desenvolvidos no Departamento de Matemática da UFSC.
0 trabalho se encerra com uma conclusão em torno dos resultados obtidos durante a sua elaboração.
2. INFORMÁTICA E EDUCAÇÃO
2.1. 0
DESENVOLVIMENTO DOS COMPUTADORES NAS
ÚLTIMAS DÉCADAS E
SUA
UTILIZAÇÃO
NA
EDUCAÇÃO
Na primeira metade da década de quarenta o mundo estava em guerra. Cálculos complexos tinham de ser feitos rapidamente e com a máxima precisão possível, como por exemplo, para obter as trajetórias dos projéteis de canhões ou para que fossem descobertos códigos secretos do lado inimigo. Esses cálculos eram feitos em enormes computadores e os dados entravam sob a forma de cartões perfurados um a um [ 7 J.
Após o término da guerra esses imensos computadores passaram a ser utilizados cada vez mais na solução de problemas econômicos, na pesquisa industrial e na pesquisa cientifica e universitária, mas os problemas tinham que ser simplificados para que se pudesse obter uma solução. Por exemplo, em 1949, Wassily Leontief, professor da Universidade de Harvard ( que ganhou o Prêmio Nobel de Economia de 1973 ) tinha que resolver um problema de Economia para o Departamento de Estatística do Trabalho dos Estados Unidos, e seus cálculos resultaram num sistema linear de 500 equações e 500 incógnitas, mas o computador Mark II disponível na Universidade de Harvard não conseguia resolver um problema desse porte. Leontief então simplificou o modelo matemático e obteve um sistema linear de 42 equações e 42 incógnitas. Após vários meses de programação e após 56 horas de processamento, finalmente foi obtida uma solução [ 4 ].
Na década de sessenta houve uma grande mudança no tocante
utilização dos computadores na Educação, com várias pesquisas sendo desenvolvidas.
Na França, algumas escolas foram equipadas com computadores para fins pedagógicos. A interação com o aluno era muito diferente da atual; um típico projeto desta época colocaria a criança em frente a uma ruidosa
máquina teletipo conectada a um computador distante, que era demasiado grande e dispendioso para ser levado até a criança. Não havia os desenhos, as cores, os movimentos e os sons que contribuem para a animação dos atuais computadores, que tanto fascinam as crianças. De fato, muito pouco do que se fazia ou aprendia sob tais circunstancias é diretamente aplicável no momento atual [ 7 1.
Um dos passos mais relevantes para o avanço do uso de computadores no ensino foi o desenvolvimento do sistema Logo, criado por Seymour Papert, no Instituto de Tecnologia de Massachussets ( MIT ), em Boston, e que pode ser considerado como a semente de uma cultura de
computação especificamente educacional. Papert era um matemático que sempre esteve preocupado com a maneira pela qual as pessoas aprendem, tendo inclusive estudado com Piaget nos anos 50 [ 10].
A linguagem Logo apresenta características especialmente
elaboradas para implementar uma metodologia de ensino baseada no computador (metodologia Logo) e para explorar aspectos do processo de aprendizagem. Assim, o Logo tem duas raizes: uma computacional e a outra pedagógica. Do ponto de vista computacional, as características do Logo que contribuem para que ele seja uma linguagem de programação de fácil assimilação são: exploração de atividades espaciais, fácil terminologia e capacidade de criar novos termos ou procedimentos. Já o aspecto
pedagógico do Logo esta fundamentado no construtivismo piagetiano. Piaget
mostrou que, desde os primeiros anos de vida, a criança já tem mecanismos
de aprendizagem que ela desenvolve sem ter freqüentado a escola. A criança aprende diversos conceitos matemáticos como, por exemplo, a idéia de que em um copo alto e estreito pode ser colocado a mesma quantidade de liquido que existe em um copo mais largo e mais baixo. E com isso ela
desenvolve o conceito de volume sem ser explicitamente ensinada. E justamente este aspecto do processo de aprendizagem que o Logo tenta resgatar: um ambiente de aprendizado onde o conhecimento não é passado para a criança, mas onde a criança interagindo com os objetos desse ambiente, possa desenvolver outros conceitos, por exemplo, conceitos geométricos.
Outra linha de desenvolvimento de sistemas para Educação foi seguida por Patrick Suppes, mentor dos programas de exercícios CAI, Computer Aided Instruction. Esses programas são dotados de gráficos dinâmicos, com perguntas e respostas; o computador da ao estudante uma pergunta e este responde, cabendo ao computador responder se o aluno estava certo ou não [10].
Outro participante da cultura educacional da Informática foi John Kemeny, um dos criadores da linguagem Basic. Na sua visão os estudantes eram os programadores do computador, tornando este último uma ferramenta auxiliar da aprendizagem, ao invés de um protótipo do professor que auxilia a instrução [ 10 ].
Na década de setenta os computadores ainda eram encontrados apenas em centros de pesquisa, universidades e grandes empresas. Continuavam sendo inconvenientemente grandes, por exemplo, na UFSC, o primeiro computador foi instalado em fevereiro de 1970 e era um equipamento IBM 1130, com 32 k de memória principal. Seu sistema era formado por uma unidade de disco de 512 k, de 16 bits, de uma impressora de 120 linhas por minuto e uma leitora de cartões com velocidade de 600 cartões por minuto.
No início da década de oitenta, surgiram os microcomputadores ( computadores pessoais) . Para armazenar dados esses computadores utilizavam fitas cassetes, alguns não possuiam monitor de video e precisavam ser conectados a um aparelho de TV, e seus recursos, comparados aos atuais, eram muito limitados. A chegada desses novos computadores provocou um aumento no número de pessoas que se dedicavam ao estudo do uso dos computadores na Educação, principalmente
de professores interessados em aplicar esta nova tecnologia em sala de aula.
Sabe-se que no ano de 1985, cerca de cinqüenta por cento das escolas norte americanas já possuíam computadores em sala de aula e/ou em salas especiais. O professor Claudio de Moura Castro, em seu livro 0
Computador na Escola [ 1 ], traz relatos de suas visitas as escolas americanas no ano de 1986, mostrando aspectos relevantes do uso dos computadores em sala de aula, suas deficiências, vantagens e seu desenvolvimento como ferramenta educacional.
Na década de noventa, a indústria da informática se desenvolveu rapidamente. Vivemos na época dos supercomputadores, das estações de trabalho, dos microcomputadores cada vez mais sofisticados e velozes, com periféricos eficientes que permitem uma maior diversidade e agilidade no seu uso. 0 crescimento da indústria da informática, permitiu a diminuição dos
pregos dos equipamentos e a popularização da Internet proporcionou a
globalização de informações. E atualmente, a Internet esta presente no cotidiano dos lares, das empresas, e em muitas escolas que se servem deste recurso para aprimorar e difundir conhecimentos. Houve também um grande investimento no desenvolvimento de softwares educacionais e um aumento da utilização dos mesmos, e atualmente podem ser encontradas referências ao uso destes softwares em jornais e revistas semanais de circulação
nacional.
2.2. OBJETIVOS DA INFORMÁTICA EDUCATIVA
A Informática Educativa 6 entendida como parte de um processo que coloca o computador e sua tecnologia a serviço da educação. 0 que significa que todos os aspectos envolvidos nesse processo deverão estar
subordinados à consideração de que a Informática Educativa é uma questão
de natureza essencialmente pedagógica e que suas aplicações mais úteis
são aquelas voltadas à busca da melhoria do processo
ensino-aprendizagem, tornando-o mais dinâmico e criativo, viabilizando ações educativas integradas ao curriculo escolar.
Convém ressaltar, que a presença do computador nas escolas,
auxiliando alguns processos educacionais não torna a Informática
necessariamente Educativa.
E pois, objetivo dos responsáveis pela sua implantação, fundamentar
ações pedagógicas voltadas para o uso da Informática como instrumento capaz de proporcionar um ambiente rico de aprendizagem, onde a escola se torne um centro de produção, sistematização e busca pelo conhecimento. Conhecimento este, que com a inserção das novas midias na sociedade atual, não está mais centrado apenas no livro didático e no professor, mas também no uso de softwares adequados e na utilização da rede mundial de computadores, onde se tem acesso ao conhecimento produzido diariamente em qualquer parte do mundo [ 3 ].
A proposta da Informática Educativa é obter uma forma de aproximar
a cultura escolar dos avanços que a sociedade vem desfrutando com a
utilização das redes técnicas de armazenamento, transformação, produção e
transmissão de informações.
2.3.
OS PRECURSORES DA
INFORMÁTICA
EDUCATIVA NO
BRASIL
A instituição pioneira na utilização do computador em atividades acadêmicas foi a Universidade Federal do Rio de Janeiro, através do Departamento de Cálculo Cientifico, criado em 1966, e que deu origem ao
Núcleo de Computação Eletrônica ( NCE ). 0 computador era utilizado como objeto de estudo e pesquisa, dando ensejo a uma disciplina voltada para o
ensino de Informática.
Em 1971 discutiu-se o uso de computadores no ensino de Física, em
seminário promovido pela Universidade de Sao Carlos, que contou com a colaboração da Universidade de Dartmouth ( USA).
A partir de 1973, o Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde e o Centro Latino-Americano de Tecnologia Educacional ( NUTES/CLATES ) dessa mesma universidade iniciavam, no contexto acadêmico, o uso da
Informática como tecnologia educacional na disciplina de Química,
utilizando-a para o desenvolvimento de simulações. Ainda em 1973 surgiram as primeiras iniciativas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul ( UFRGS ), alicerçadas por diferentes bases teóricas e linhas de ação.
primeiro estudo utilizava terminais de teletipo e display, num experimento simulado de Física para alunos do curso de graduação. Destacava-se também o software SISCAI, desenvolvido pelo Centro de Processamento de Dados, voltado para a avaliação de alunos de pós-graduação em Educação.
Estas e outras experiências foram realizadas até 1980, utilizando
equipamentos de grande porte.
Em 1975, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas ( UNICAMP ), coordenado pelo Prof. Ubiratan D'Ambrásio, do Instituto de Matemática, Estatística e Ciências da Computação, escreveu o
documento " Introdução de Computadores nas Escolas de 2° Grau" financiado pelo Acordo MEC/BIRD, mediante convênio com o Programa de Reformulação do Ensino ( PREMEN/MEC ), atualmente extinto. Em julho daquele mesmo ano e do ano seguinte, a UNICAMP receberia as visitas de Seymour Papert e Malvin Minsky, do MIT, para ações de cooperação técnica. Em fevereiro de 1976, um grupo de pesquisadores da UNICAMP visitou o MEDIA-Lab do MIT, e isso permitiu a criação de um grupo interdisciplinar envolvendo especialistas das divas de Computação,
Linguistica e Psicologia Educacional, dando origem as primeiras
investigações sobre o uso de computadores na Educação, utilizando a
cooperação técnica internacional com os renomados cientistas Papert e
Minsky, criadores de uma nova perspectiva em Inteligência Artificial, e que
até hoje vem refletindo na qualidade dos trabalhos desenvolvidos na UNICAMP. A partir de 1977, o projeto passou a envolver crianças, sob a coordenação de dois mestrandos em Computação. No inicio de 1983, foi
instituído o Núcleo Interdisciplinar de Informática Aplicada á Educação
( NIED/UNICAMP ), já com o apoio do MEC, tendo o projeto Logo como referencial maior de sua pesquisa, durante vários anos.
Ainda no final da década de setenta e princípios de oitenta, novas experiências surgiram na UFRGS apoiadas nas teorias de Jean Piaget e nos estudos de Papert, destacando-se o trabalho realizado pelo Laboratório de
Estudos Cognitivos do Instituto de Psicologia ( LEC/UFGRS ), que explorava a potencialidade do computador usando a linguagem Logo. Esses trabalhos foram desenvolvidos prioritariamente com crianças de escolas públicas que apresentavam dificuldades de aprendizagem de leitura, escrita e cálculo, procurando compreender o raciocínio lógico-matemático dessas crianças e
as possibilidades de intervenção como forma de promover a aprendizagem autónoma dessas crianças [ W5 ].
2.4.
A
INFORMÁTICA
EDUCATIVA NO BRASIL
A partir de meados da década de setenta, o pais estabeleceu políticas
públicas voltadas para a construção de uma indústria de Informática. Tais
políticas condicionaram a adoção de medidas protecionistas e o governo
brasileiro criou a Comissão Coordenadora das Atividades de Processamento Eletrônica ( CAPRE) , a Empresa Digital Brasileira ( DIGIBRAS ) e a Secretaria Especial de Informática ( SEI ), que nasceu como órgdo executivo do Conselho de Segurança Nacional da Presidência da Republica, em plena
época de ditadura militar. Este órgão tinha por finalidade regulamentar, supervisionar e fomentar o desenvolvimento e a transição tecnológica do setor. Com isso, buscava-se fomentar e estimular a informatização da sociedade brasileira, voltada para a capacitação cientifica e tecnológica
capaz de promover a autonomia nacional, baseada em princípios e diretrizes fundamentados na realidade brasileira e decorrentes das atividades de pesquisas e da consolidação da indústria nacional ( W5 ).
A cultura nacional de Informática na Educação teve inicio nos anos oitenta, a partir dos resultados de dois seminários nacionais. 0 I Seminário Nacional de Informática na Educação se realizou em Brasilia, de 25 a 27
de agosto de 1981, com a participação de especialistas nacionais e internacionais. Foi o primeiro F6rum Nacional a estabelecer uma posição sobre o uso do computador como ferramenta auxiliar do processo de ensino-aprendizagem. O II Seminário de Informática na Educação aconteceu em agosto de 1982, na Universidade Federal da Bahia [ W1 ].
Em março de 1980 , poucos meses após sua criação, a Secretaria Especial de Informática ( SEI ) instituiu a Comissão Especial de Educação para discutir as varias questões relacionadas à Informática e a Educação.
objetivo primordial dessa comissão era "assessorar o Ministério da
Educação e Cultura ( MEC) no estabelecimento de política e diretrizes para a educação na area da Informática, com vistas à formulação do planejamento educacional na area". Entre outras coisas, essa comissão recomendou que fosse estimulada a criação de programas especiais visando o uso de "ferramentas de informática" em areas de conhecimento não
necessariamente afins com Informática. Esta recomendação veio gerar uma
série de projetos no âmbito da SEI, entre os quais o EDUCOM [ 2].
Em junho de 1981, a Secretaria de Ensino Superior ( SESU ) do MEC faz as primeiras consultas as universidades, procurando detectar as que já possuíam projetos voltados para a aplicação de Informática na Educação ou que demonstravam interesse pelo assunto [ 2 ].
0 projeto EDUCOM, citado anteriormente, foi aprovado em julho de
1983 e consistia numa proposta de trabalho interdisciplinar voltada para a
como instrumentos relevantes para a informatização da sociedade, visando a capacitaçáo nacional e a uma futura política para o setor. Dentre as 26 universidades interessadas neste projeto, cinco foram selecionadas: Universidades Federais de Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais e a UNICAMP [WI].
Convém salientar que em alguns dos projetos-piloto houve o envolvimento direto das secretarias estaduais de Educação, como é o caso do projeto da UNICAMP, desenvolvido em três escolas da rede estadual na região de Campinas através de convênio com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. I WI].
Atribuiu-se ao MEG a responsabilidade pela coordenação do projeto global. Dentre os diversos órgãos do MEG, coube à FUNTEVe a incumbência de operacionalizar essa coordenação e para isso foi criado em abril de 1984, o Centro de Informática Educativa ( CENIFOR ), ao qual o Projeto EDUCOM ficaria vinculado [ 2 ].
A partir do projeto EDUCOM, inúmeros outros pianos, projetos, programas de ações, conferências e debates foram criados ou realizados em várias partes do pais.
Dentre as várias propostas implantadas pelo EDUCOM as principais foram:
• sensibilizar e capacitar professores de 1° Grau, interessados em uma prática pedagógica através do uso de computadores;
• facilitar a divulgação de pesquisas e trabalhos realizados junto ás comunidades de ensino de 2° e 3° Graus, permitindo uma avaliação adequada do uso do computador nesta área;
• divulgar técnicas e softwares educacionais necessários ao desenvolvimento de programas de ensino com e sobre o uso de computadores para escolas, universidades e empresas interessadas; • estimular o desenvolvimento de teses, trabalhos e estágios na área;
• organizar a integração de equipes multidisciplinares, especialistas e órgãos interessados no uso do computador visando uma melhoria do ensino.
Foram realizados no Brasil vários encontros na área de Informática na Educação. No que segue estão relacionados os principais eventos e os respectivos anos em que foram realizados [ 6].
• I Seminário Nacional de Informática na Educação - Brasilia, DF, 1981. • II Seminário Nacional de Informática na Educação - Bahia, BA, 1982.
• Seminário Os desafios Sócio-Culturais de uma Sociedade que se Informatiza - Rio de Janeiro, RJ, 1984.
• I Seminário Estadual de Informática na Educação - Porto Alegre, RS, 1985.
• I Seminário 0 Computador e a Realidade Educacional Brasileira -
sac)
Paulo, SP, 1986.• II Seminário 0 Computador e a Realidade Educacional Brasileira - Belo Horizonte, MG, 1987.
• II Congresso Brasileiro LOGO: Informática na Educação - Petrópolis, RJ, 1988.
• Seminário de Informática na Educação - Nova Friburgo, RJ, 1989.
• I Forum de Profissionais de Informática Aplicada à Educação do Rio de Janeiro, RJ, 1990.
• I Simpósio Brasileiro de Informática na Educação - ( SBIE ) - Rio de Janeiro, RJ, 1990.
• II SBIE - Porto Alegre, RS, 1991. • Ill SBIE - Rio de Janeiro, RJ, 1992.
• Seminário Informática e Educação: Os desafios do Futuro - São Paulo, SP, 1993.
• V SBIE - Porto Alegre, RS, 1995.
• VI SBIE - Florianópolis, SC, 1995.
• VII SBIE - Belo Horizonte, MG, 1996.
• VIII SBIE - Sao José dos Campos, SP, 1997.
• IX SBIE - Fortaleza, CE, 1998.
0 documento gerado no I Seminário Nacional de Informática, sob o titulo "Subsidio para a Implementação do Programa de Informática na Educação",
apresenta recomendações que até hoje influenciam o desenvolvimento desta Area [ 6 ]. Sao elas:
• preponderância dos valores culturais sobre a tecnologia;
• compatibilidade entre os aspectos econômicos e técnicos, visando a maior
relação possível de benefícios e custos sociais no âmbito educacional;
• preservação das funções do professor;
• investimento na área de Informática paralelo ao investimento da Educação Básica;
• desenvolvimento de pesquisa na Area de Informática em Educação pelas universidades, mantendo o caráter de multidisciplinaridade nas equipes;
• realização de um programa experimental que atinja várias Areas de conhecimento, abrangendo diferentes regiões do pais;
• atenção para que a política na Area fortaleça e apoie a indústria nacional
de informática;
• necessidade de formação de recursos humanos;
• liderança do campo educacional e divulgação das informações disponíveis
a cargo do MEC.
Considerando os resultados do Projeto EDUCOM, o MEG criou, em
1986, o Programa de Ação Imediata em Informática na Educação de 1° e 2°
grau, destinado a capacitar professores ( Projeto FORMAR) e a implantar
de Informática Aplicada à Educação de 1° e 2° grau - CIED ), nas escolas técnicas federais ( Centros de Informática na Educação Tecnológica - CIET )
e nas universidades ( Centro de Informática na Educação Superior - CIES ). Competia a cada secretaria de educação e a cada instituição de ensino técnico e/ou superior definir pedagogicamente sua proposta [ W1 ].
Foram implantados em vários estados da Federação 17 CIEDs ( 1988- 89 ), nos quais grupos interdisciplinares de educadores, técnicos e
especialistas trabalhavam com programas computacionais de uso/aplicação de informática educativa [ W1 ].
A sólida base teórica sobre Informática Educativa no Brasil existente em 1989 possibilitou ao MEC instituir através da Portaria Ministerial n° 549/89, o Programa Nacional de Informática Educativa - PRONINFE, com
o objetivo de "desenvolver a Informática Educativa no Brasil, através de
atividades e projetos articulados e convergentes, apoiados em
fundamentação pedagógica, sólida e atualizada, de modo a assegurar a unidade política, técnica e cientifica imprescindível ao êxito dos esforços e
investimentos envolvidos" [ W1 ].
2.5.
PLANOS
E AÇÕES
ATUAIS DO GOVERNO FEDERAL
PARA A
INFORMÁTICA
EDUCATIVA
Em julho de 1997, o governo federal anunciou a criação de um
programa para a disseminação do uso de tecnologia de ponta no sistema
público de ensino, o Programa Nacional de Informática na Educação
( PROINFO ), em decorrência da obrigação do poder público de diminuir as diferenças de oportunidades de formação entre os alunos do sistema público de ensino e os da escola particular, esta cada vez mais informatizada.
Os objetivos do PROINFO são:
• melhorar a qualidade do processo de ensino e aprendizagem; • possibilitar a criação de uma nova ecologia cognitiva nos ambientes
escolares mediante incorporação adequada das novas tecnologias de informação pelas escolas;
• propiciar uma educação voltada para o desenvolvimento cientifico e
tecnológico;
• educar para uma cidadania global numa sociedade tecnologicamente desenvolvida (W6 ).
O PROINFO abrange o ensino fundamental e médio e tem como base, em cada unidade da federação, os Núcleos de Tecnologia Educacional
( NTE ). Os NTEs são estruturas descentralizadas de apoio ao processo de
informatização das escolas, auxiliando tanto no processo de incorporação e planejamento da nova tecnologia, quanto no suporte técnico e capacitação dos professores e das equipes administrativas das escolas- Esse programa foi concebido e desenvolvido com grande participação de educadores e pesquisadores, e vem sendo implementado dentro de estratégias e ações
participativas, em regime de parceria entre o MEC, através da Secretaria de Ensino a Distância ( SEED ) e os governos estaduais e municipais, além de universidades.
O PROINFO financiará a introdução da tecnologia de informática e
telecomunicações na rede pública de ensino. Em sua primeira etapa, no biênio 97/98, estava previsto a aquisição de 100000 microcomputadores para serem instalados nos NTEs e nas escolas que aderissem ao Programa,
O número de equipamentos distribuídos para cada Estado é proporcional ao número de alunos das redes públicas ( estadual e
municipal ) de escolas com mais de 150 alunos. Deverão ser beneficiadas cerca de 6 mil escolas, que correspondem a 13,4% do universo de 44,8 mil escolas públicas brasileiras de ensino fundamental e médio.
O PROINFO não distribui apenas equipamentos. Na sua primeira etapa foram orçados R$ 220 milhões para o treinamento e a capacitagão de professores e técnicos de suporte à Informática Educativa. Tal investimento representa 46% do total de R$ 480 milhões a ser investido no Programa. 0
restante dos recursos foi programado para investimentos em infra-estrutura
físicas, cabeamento de redes e telecomunicações e equipamentos.
Para disputar um laboratório, a escola deve ter mais de 150 alunos, apresentar um projeto e comprovar ter infra-estrutura física para a instalação
dos equipamentos, como: sala adequada, rede elétrica, condições de
segurança; deve ter também recursos humanos capazes de usar a
informática no processo pedagógico.
Adicionalmente, o Programa prevê o custeio de no minimo um técnico
em Informática Educativa por escola para dar suporte As atividades dos professores.
O PROINFO previa para o biênio 97/98, capacitar 1000 professores multiplicadores, 6600 técnicos de suporte para escolas e 25000 professores. Pretendia também, instalar 100000 microcomputadores. Dados de agosto de
1999 mostram que o programa atingiu 2646 escolas em 880 municípios,
instalou 219 NTEs e 29748 microcomputadores, além de capacitar 1419
2.6. AÇÕES DO GOVERNO ESTADUAL PARA A
INFORMÁTICA
EDUCATIVA
A introdução de tecnologias no contexto educacional de Santa Catarina se deu inicialmente através de ações propostas pelo MEC, a partir do final da década de oitenta.
Em 1988, através do PRONINFE, foi realizado um Curso de Especialização para introduzir a Informática no ensino, o Curso FORMAR.
Santa Catarina participou dele com três professores e a partir dai foi criado o Centro de Informática na Educação ( ClEd/SC ), constituído por uma equipe interdisciplinar com o objetivo de:
• preparar professores facilitadores nas escolas para disseminar a informática como auxilio no processo de aprendizagem;
• elaborar propostas pedagógicas considerando a Informática e a
integração curricular;
• desenvolver projetos educacionais.
A metodologia dos trabalhos do ClEd era embasada na construção do conhecimento através da Linguagem Logo, sendo esta a linha condutora de toda a capacitação dos professores.
Até 1994, foram capacitados professores através de Seminários Estaduais, inclusive para o Ensino Superior, e cursos dos quais participaram a unidades escolares Lauro Muller, Celso Ramos, Aderbal Ramos da Silva,
lrineu Bomhausen, Simão Hess, Getúlio Vargas, Padre Anchieta, Wanderley
Júnior, Lúcia Mayvorne, Rosinha Campos, Fundação Catarinense de Educação Especial, Módulo Educacional do Telecentro de Brusque, e da
rede municipal, a Casa da Liberdade - Espaço Cidadão, que tiveram assessoria durante todo o desenvolvimento do trabalho[ 8].
Neste período foram realizados os projetos para:
• alunas do magistério do Instituto Estadual de Educação ( IEE );
• alunos da r série com dificuldade especifica de aprendizagem, do Colégio Estadual Henrique Stodieck;
• alunos repetentes de
es
séries do Colégio Estadual Lauro Muller; • adolescentes do Larsac)
Vicente de Paula;• alunos de 3a e 4a séries com dificuldades de aprendizagem, da Escola de Aplicação ( EDA ) do IEE;
• alunos do Curso de Graduação - Educação Artística, Habilitação Desenho, da Universidade para Desenvolvimento de Santa Catarina ( UDESC ); • Clube de Informática, onde participavam alunos das escolas públicas.
No ano de 1994 foi criada a Diretoria de Tecnologia e Informação ( DIRT ), que realiza suas atividades através de duas gerências, a Gerência
de Tecnologias Educacionais ( GETED ) e a Gerência de Informações
Educacionais ( GEINE ) que supervisiona o Laboratório de Informática Educacional ( LIE ).
Em 1996, foi contratada a Fundação ProEducar para aquisição de equipamentos, softwares educacionais e capacitação de professores. Os contratos contemplaram a rede estadual com 57 Laboratórios de Informática,
onde os técnicos do LIE assumiram o acompanhamento e orientação
pedagógica desses laboratórios. Em Florianópolis, algumas escolas foram beneficiadas: Instituto Estadual de Educação, Colégio Estadual Getúlio
Vargas, Colégio Anibal Nunes Pires e Colégio Estadual Presidente
Roosevelt. Tais escolas continuam com os mesmos laboratórios e serão alvo de reformulação prevista para ter inicio a partir do próximo ano, segundo
informações do Núcleo Tecnológico da Secretaria de Educação e Desporto do Estado.
Em 1997, foi realizado o curso de Pós-Graduação em Gestão em Tecnologias Educacionais, e 32 profissionais da educação ( professores e especialistas ) provenientes de seis regiões do Estado, e três profissionais da Secretaria Estadual da Educação e Desporto/GEINE, foram devidamente capacitados.
Com a aprovação do PROINFO em 1997, o Governo do Estado tem atuado em parceria com o mesmo e atualmente já se tem instalado seis Núcleos de Tecnologia Educacional ( NTE ), situados nas cidades de Florianópolis, Itajai, Tubarão, Joinville, Lages e Chapecó.
Cada núcleo atende escolas que tiveram seus projetos aprovados pelo PROINFO. O NTE de Florianópolis, alocado nas dependências do Instituto Estadual de Educação, foi instalado em julho de 1998, depois de um processo lento, que envolveu capacitação dos multiplicadores, instalação física do mesmo, compras de equipamentos para ele e para as escolas
agraciadas. Estão sob sua supervisão as escolas: Colégio Estadual Hilda Teodoro, C.E. Simão Hess, C.E. Jurema Cavalazzi, C.E. lrineu Bornhausen, C.E. Aderbal Ramos da Silva e Escola Básica do Centro Educacional Integrado da Fundação Catarinense de Educação Especial, todos em Florianópolis, além do C.E. Ivo Silveira em Palhoça, C.E. Frei Manoel Philippi em Imbuia e C.E. Aleixo Della Giustina e E.B. Mont'Alverne em ltuporanga. Segundo um dos responsáveis pelo NTE, por enquanto os laboratórios instalados não possuem softwares educacionais, e a partir do ano que vem, serão oferecidos os softwares Everest.
Pela quota distribuída pelo MEC, Santa Catarina tem o direito de receber 3120 microcomputadores através do PROINFO. Numa primeira etapa está prevista a implantação de 83 laboratórios.
Para atender todo este processo de implementação de tecnologias no Estado através dos NTEs, foi designada a GEINE, que é a responsável pela coordenação dos trabalhos relativos à capacitação dos professores da Rede Estadual, bem como pela atualização e análise dos softwares a serem utilizados em todas as escolas que possuem Laboratórios de Informática
Educacional. Compete ainda a esta Gerência, o desenvolvimento do Programa Estadual de Tecnologias Educacionais, que tem entre suas ações:
• implementar os Laboratórios de Informática Educacional ( LIEs ) já existentes em Santa Catarina;
• dar continuidade na orientação técnico-pedagógica aos LIEs;
• criação de mecanismos para auxiliar na capacitação de professores de
Informática aplicada ao ensino;
• análise e avaliação de software educacional;
• acompanhamento, orientação e avaliação dos usos da informática no ensino;
• elaboração e desenvolvimento de projetos piloto e de pesquisa na área;
• estudo e aplicação das tecnologias da comunicação e da informática no processo de aprendizagem [ 8 ].
2.7.
Aptin
DO GOVERNO MUNICIPAL PARA A
INFORMÁTICA
EDUCATIVA
0 projeto de Informática Educativa na rede municipal de ensino teve inicio em 1996 com a compra de 18 microcomputadores para laboratórios de
informática distribuídos em três Escolas Básicas: E.B. Beatriz de Souza Brito,
E.13. Acácio Garibaldi São Thiago e E. S. Batista Pereira, com recursos
provenientes do Convênio n° 0772/96 Ministério da Educação e do Desporto
( MEC ) e Fundo Nacional para o Desenvolvimento Educativo ( FNDE ). No ano de 1997 foram contratados profissionais para introduzir a Informática
que atenderam um total de 342 alunos. Em 1998 foram atendidos 450 alunos de 5a à Ela séries e alguns professores [ 3 ]
Em outubro de 1998 foi inaugurado o Núcleo de Tecnologias
Educacionais ( NTE ), resultado da parceria do MEC e Governo Municipal através do Convênio n° 058/98 MEC/PROINFO e que tem por objetivo geral propiciar reflexões teórico-metodológicas acerca do uso de novas tecnologias aplicadas à Educação, por meio da sensibilização e capacitação
dos professores. Este NTE encontra-se instalado no prédio da Prefeitura Municipal e é formado por professores de diversas areas. Desde então, este
núcleo vem capacitando educadores e profissionais da Rede Municipal de Ensino.
0 1° laboratório de Informática Educativa implantado pelo convênio
acima citado foi inaugurado em 16 de maio de 1999 na Escola Básica
Municipal Osmar Cunha, em Canasvieiras.
As metas a serem atingidas pelo projeto até o final do ano 2000 são:
• capacitar 240 profissionais da educação envolvidos no uso de tecnologias no ambiente escolar;
• capacitar 33 multiplicadores em Informática Educativa;
• organizar projetos junto as 33 unidades escolares que possivelmente
receberão os equipamentos para a implantação do laboratório de
Informática Educativa, viabilizando o uso pedagógico desses meios; • realizar o 10 Workshop e 10 Seminário Municipal em Novas Tecnologias
3. DADOS COLETADOS EM COLÉGIOS DA GRANDE
FLORIANÓPOLIS
Com o objetivo de verificar a atual situação do uso de computadores no ensino de Matemática foram coletados dados em diversas escolas da Grande Florianópolis. A escolha destas escolas se deu em função de vários fatores: colégios tradicionais e inovadores, facilidade de contacto,
informações obtidas através de pessoas, orgeos de informação ( jornais,
televisão) e das secretarias Estadual e Municipal, mas procurou-se abranger todas as categorias: públicas ( federal, estadual e municipal ) e privadas.
Os dados foram obtidos mediante a apresentação de um formulário que foi respondido por professores de Matemática ou Informática das escolas visitadas. Este formulário foi elaborado com a finalidade de servir como uma referência, como uma forma de facilitar a interação com os professores das escolas. Convém salientar que não há uniformidade nas informações obtidas, uma vez que alguns professores se esqueciam de
preenche-lo na integra, enquanto outros acresciam informações
complementares.
E preciso registrar também a dificuldade na obtenção de dados em
algumas escolas contactadas, e que por este motivo, não estão presentes nos dados relatados.
3.1.
DADOS OBTIDOS EM ESCOLAS PARTICULARES
A seguir, se faz uma exposição dos dados obtidos na quatro colégios particulares visitados:
3.1.1. Colégio Coração de Jesus
È um tradicional colégio de Ensino Fundamental e Médio localizado no centro de Florianópolis e possui 4.800 alunos. A maioria dos seus professores de Matemática possui curso superior, e alguns fizeram
Os-graduação ou estão fazendo especialização.
0 colégio possui dois laboratórios computacionais com 30
computadores disponíveis os quais são utilizados pelos alunos desde o pré-escolar. Para atividades de Matemática os laboratórios são mais utilizados pelos alunos da 5 a, 6a, 78 e 8a séries do Ensino Fundamental. Os laboratórios são supervisionados por técnicos, chamados de facilitadores, e os professores reservam os horários adequados para o seu uso. Até julho deste
ano, eram usados os softwares Redescobrindo que deixaram de ser
utilizados por falta de assistência da empresa responsável. No laboratório,
os alunos recebem ajuda do professor e dos facilitadores. Os professores
que utilizam os laboratórios receberam treinamento dos próprios
facilitadores. No Ensino Médio, não é usado nenhum programa computacional voltado para o ensino.
A professora e coordenadora de Matemática do colégio, em sua
dissertação de Mestrado desenvolveu um software que foi aplicado em turmas de 13 as séries do Ensino Fundamental e do 1° ano do Ensino Médio,
muito extensos, assim como pela dificuldade em acomodar os alunos no laboratório, pois as turmas são muito grandes.
Segundo ela, o interesse dos professores pelo uso do computador é enorme, principalmente dos de Ensino Fundamental de 53 5 8 séries, e foi constatado que o aprendizado é com certeza muito bom com o uso desta ferramenta, pois ocorreram mudanças, uma vez que o uso de computadores é bem visto pelos alunos.
3.1.2. Colégio Catarinense
É um Colégio tradicional de Florianópolis, localizado no centro, possui Ensino Fundamental a partir da 53 série e também Ensino Médio, e atualmente também está investindo no Ensino Infantil e nas quatro séries iniciais do Ensino Fundamental. Seus '13 professores de Matemática possuem curso superior e alguns têm especialização ou estão terminando.
O colégio conta com 50 computadores disponíveis num laboratório, que é geralmente utilizado pelas 7as e 8as séries do Ensino Fundamental. Já para as 5as e 623 séries está sendo iniciado um trabalho com a supervisão do Curso Expoente de Curitiba. 0 laboratório é usado no período contrário ao da série freqüentada pelo aluno- Os softwares aplicados em Matemática são da linha Fracionando da Byte & Brothers. Os professores de Informática acompanham os alunos no laboratório.
0 colégio começou a investir em informática em 1987, em convênio com a Associação Catarinense de Ensino e Informática ( ACEI ) ensinando como utilizar utilitários, como Word, etc., e agora o uso do computador está mais voltado para o ensino, e nas séries do pré-escolar suas salas possuem microcomputadores utilizados como ferramentas de estudo, com programas específicos.
3.1.3. Colégio Centro Educacional Visão
Este colégio está localizado no bairro Kobrasol, no município de Sao Jose e tem 910 alunos distribuídos no Ensino Fundamental e Médio.
Possui 5 professores de Matemática, todos com curso superior. Possui dois laboratórios de Informática, cada um com 15 computadores que são utilizados por alunos de todas as séries. Existe um cronograma para o
uso deste laboratórios com horários fixos sendo que das 1 as à
es
séries são utilizados programas educacionais, e da 5as à 8as do Ensino Fundamental eno Ensino Médio são utilizados apenas utilitários como Windows, Word, Excel, etc..
O colégio usa os seguintes softwares: jogos da Revista CD- Expert, Tabuada, Números, Calculando da Byte & Brothers, entre outros. 0 colégio utiliza apostilas do Colégio Positivo de Curitiba, as quais trazem CD-Rom com o conteúdo de todas as disciplinas, utilizados para revisão.
As aulas em laboratório são ministradas por um professor especializado em Informática.
3.1.4. Colégio Energia de Ensino Fundamental
Este colégio originou-se diferentemente dos demais, pois começou como curso pré-vestibular e foi criando turmas de terceireo, completando as series do Ensino Médio e agora já conta com Ensino Fundamental. Está localizado no bairro Córrego Grande, em Florianópolis, urn bairro em desenvolvimento acelerado, com uma boa estrutura sócio-cultural. Possui 2 professores de Matemática, ambos com curso superior.
No seu laboratório computacional existem 8 computadores que são utilizados por todas as turmas, desde o pré-escolar. 0 colégio utiliza o
Megalogo (software de autoria) por entender que ele proporciona maior número de ferramentas na produção de trabalhos, uma vez que este tipo de software permite que o usuário busque imagens, sons e movimentos em bancos de dados, e isso permite maior criatividade no trabalho a ser desenvolvido. As aulas são acompanhadas pelo professor da disciplina e pela orientadora do laboratório. Segundo a professora que forneceu as informações, o computador é utilizado no colégio como uma ferramenta educacional. Eles acreditam que hoje em dia um laboratório de Informática se tornou gênero de primeira necessidade nas escolas e que este recurso possibilita ampliar conhecimentos de maneira investigative.
3.2. DADOS OBTIDOS EM ESCOLAS PÚBLICAS ESTADUAIS
A seguir se faz um exposição dos dados obtidos nas sete escolas públicas estaduais visitadas.
3.2.1. Instituto Estadual de Educação
È o maior colégio público do Estado, e está localizado no centro de Florianópolis. É um estabelecimento de Ensino Fundamental e Ensino Médio, atende 7500 alunos e conta com 36 professores de Matemática, dos quais 7 não têm curso superior.
O colégio possui um laboratório de Informática com 18 computadores instalados, que atualmente s6 é utilizado pelas 6 as e 6as séries. Este laboratório foi instalado em maio de 1997, a partir de um convênio entre a
Secretaria Estadual da Educação e a Fundação ProEducar. A ProEducar,
em 1990, iniciou no Brasil o projeto de utilização do computador como recurso auxiliar para o ensino. Começou com micros 286 e depois 386, com monitores monocromáticos CGA. Os softwares tinham capacidade limitada de interação e a proposta pedagógica consistia em exercícios de perguntas e
respostas e alguns jogos simples. Nessa época ainda não havia o ambiente Windows. As aulas do ProEducar constituem uma Biblioteca Básica de 320
volumes, que cobrem desde a Pré-escola ao 2° ano do Ensino Médio.
Os softwares existentes no colégio são os mesmos da época da
instalação, não foram renovados ou atualizados, e a Fundação não presta mais apoio ao colégio. 0 colégio possui vários softwares aplicados 5 Matemática, dentre os quais citamos: Relação numeral x Quantidade;
Noções de Seriação; Dúzia e meia dúzia; Noções de conjunto; Formas
geométricas; Relação quantidade/número; Conhecimento lógico matemático e Noção de Classificação Operatória para a Pré-escola e Geometria.
As aulas no laboratório são marcadas com antecedência pelos
professores e são eles mesmos quem ministram as aulas. Segundo o
responsável pelo laboratório o mesmo não é muito utilizado como um auxiliar do ensino. São poucos os professores que buscam este recurso_ Atualmente
o colégio abriga um NTE do PROINFO e seu laboratório será alvo de um
inventário programado pelo Governo do Estado, o que possibilitará a sua
modernização no futuro.
3.2.2. Colégio Estadual Getúlio Vargas
É um colégio estadual localizado no bairro Saco dos Limões, tem
2800 alunos e funciona nos três turnos. É um colégio com Ensino Fundamental , Ensino Médio e Supletivo . A maioria dos seus professores de
Seu laboratório de Informática foi instalado em 1995 e funcionou apenas durante um ano utilizando um sistema de monitoria e obedecendo a um cronograma para utilização do laboratório. Também teve o convênio com a ProEducar, através da Secretaria Estadual de Educação ( SEE ), que no entender dos professores da época deixou muito a desejar, pois em analise feita por eles, as aulas em CD foram apontadas como pouco criativas, sendo consideradas medíocres, o que ocasionou um desinteresse coletivo. Apenas trés professores de Matemática fizeram uso dele, sendo que destes apenas
um continua na escola e não o utiliza mais.
Atualmente o laboratório conta com 20 computadores, cujas configurações estão defasadas, e quase não é utilizado para fins educativos_ Os softwares para uso em Matemática são em número reduzido. A responsável pelo laboratório informou que a maioria dos professores que receberam treinamento na época da implantação do programa não lecionam mais na escola. Ela também mostrou esperança com uma nova proposta do Governo do Estado de descentralizar o ensino e espera que com a transformação do colégio em Centro de Ensino Médio, esta area da Informática voltada para o ensino seja repensada e melhorada.
3.2.3. Colégio Estadual Simão José Hess
O Colégio Estadual Simão José Hess está situado no bairro Trindade, em Florianópolis, e oferece ensino da Pré-escola ao Ensino Médio. Tem 1720 alunos e 5 professores de Matemática, dos quais apenas 2 têm curso superior de Matemática.
0 seu laboratório de Informática possui 10 microcomputadores, impressoras, disquetes, CD-ROM; esse laboratório foi implantado em agosto/setembro deste ano numa parceria com o PROINFO e a Secretaria Estadual de Educação e recebera assistência durante 5 anos. Estes
computadores também estão ligados à Internet e a Secretaria da Educação dá o treinamento aos professores interessados. Infelizmente, o laboratório
ainda não foi utilizado por nenhum professor de Matemática pois não há softwares próprios para esta disciplina. Por enquanto o laboratório só é usado para pesquisas e confecção de trabalhos escolares por algumas disciplinas que utilizam a Internet , o Word, o Corel , e o Power Point. 0 laboratório possui um responsável que agenda as aulas, mas são os prórpios
professores que ministram as aulas.
Segundo a dire*, da Escola, o objetivo geral deste laboratório é propiciar ao corpo docente e discente o acesso à utilização das máquinas ( microcomputadores ) como recurso pedagógico, tornando as aulas mais atrativas, participativas e proveitosas, melhorando assim a qualidade do ensino. Ao usar os softwares, o aluno perceberá que não é apenas um digitador, que poderá utilizar-se desse recurso para ampliar seus conhecimentos, não apenas como curso técnico de Informática, mas também como instrumento didático-pedagógico.
3.2.4. Colégio Estadual Presidente Roosevelt
Este colégio se localiza no bairro de Coqueiros, em Florianôpolis, e
possui 1000 alunos divididos entre turmas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio e funciona em três turnos. Conta com um quadro funcional de 69 profissionais. Apenas um professor de Matemática
possui curso superior na Area.
Segundo a direção da escola, seu laboratório de Informática é uma realidade das novas tecnologias da Educação, e está equipado com dez computadores, três impressoras, um scanner e um terminal de Internet. Ele funciona efetivamente das 7:45 ti ás 11:45 h, das 13:30h às 17:30h e das
O laboratório possibilita o acesso a duzentas e sessenta e seis aulas do Programa ProEducar, para alunos em sua grande parte de Pré e 1 a a 4a
séries. Os alunos de 5a aa séries do Ensino Fundamental e os alunos do Ensino Médio também fazem uso do laboratório para pesquisas via Internet e digitação de trabalhos escolares.
3.2.5. Colégio Estadual Daysi Werner SaIles
Este colégio esta localizado no bairro Capoeiras, em Florianópolis, e possui 1.100 alunos. Quando foi criado em 1970, era denominada e conhecida como Escola Modelo. Passou por transformações e hoje vive uma realidade longe dos objetivos propostos quando da sua criação. Inserido numa comunidade problemática, a atual administração tem como meta e desafio resgatar o pedagógico de qualidade, promover atividades que envolvam a comunidade, trabalhar a auto-estima dos alunos através de palestras e trabalhos diversos, e acima de tudo integrar escola e famílias. colégio conta com um laboratório de informática cujo objetivo é despertar o interesse dos alunos pela ferramenta computador, e proporcionar momentos para a exploração desta ferramenta como alternativa de aprendizagem Os conteúdos são determinados de acordo com a area de cada professor. 0
laboratório conta com Windows, Microsoft Word e Microsoft Power Point.
3.2.6. Escola Básica Professor José Brasilicio
Esta escola estadual se localiza no município de Biguaçu e possui 1200 alunos cursando o Ensino Fundamental. No seu quadro funcional
possui quatro professores de Matemática, sendo que dois já são graduados e os outros dois estão fazendo graduação.
Esta escola não possui laboratório computacional.
3.2.7. Colégio Estadual Maria da Glória V. de Faria.
Também localizada no município de Biguagu, esta escola estadual atende 1300 alunos em séries do Ensino Fundamental e Médio. A escola conta com cinco professores de Matemática, sendo três deles já graduados em cursos de Licenciatura plena.
Esta escola não possui laboratório computacional.
3.3.
DADOS
OBTIDOS
EM ESCOLAS
PÚBLICAS
FEDERAIS
A seguir se faz o relato dos dados obtidos na (mica escola pública federal visitada.
3.3.1. Colégio de Aplicação
É um colégio público federal, localizado na Trindade, no campus da Universidade Federal de Santa Catarina. Atende cerca de 900 alunos
distribuídos no Ensino Fundamental e Ensino Médio e possui 8 professores de Matemática.
O colégio possui um Laboratório Pedagógico Multimidia com 7 microcomputadores ligados em rede, com acesso á Internet. Existe um cronograma para o uso desse laboratório: as segundas, terças e quintas feiras das 13:30 as 17:30 os alunos podem usá-lo para a realização de pesquisas e trabalhos, acompanhados de uma bolsista; nos demais dias e horários ele fica à disposição dos professores que podem agendar e fazer uso nas suas disciplinas.
Em Matemática, não se faz uso do laboratório. Segundo alguns professores, existe uma comissão de professores do colégio que juntamente com outros professores do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Catarina ( CED ) vem trabalhando na elaboração de um projeto de Informática a ser implantado futuramente.
3.4.
DADOS OBTIDOS EM ESCOLAS
PUBLICAS
MUNICIPAIS
A seguir se faz uma exposição dos dados obtidos nas quatro escolas públicas municipais visitadas.
3.4.1. Escola Básica Joao Alfredo Rohr
E uma escola municipal de Ensino Fundamental que atende 344 alunos no bairro Córrego Grande, em Florianópolis. Possui 2 professores de Matemática, ambos com curso superior. Não possui laboratório de Informática. Conta apenas com dois microcomputadores, um na secretaria e
outro na biblioteca, os quais são utilizados apenas para atividades administrativas.
3.4.2. Escola Básica Prefeito Acácio Garibaldi Sao Thiago
E uma escola municipal de Ensino Fundamental e está localizada na Barra da Lagoa. Conta com 3 professores de Matemática, dois deles já graduados e um em formação.
A escola está equipada com um laboratório de Informática com 6 microcomputadores_ Todas as séries podem utilizar o laboratório, bastando marcar numa agenda os dias que querem utilizá-lo, mas ele é pouco utilizado pelos professores. De l a à Ela séries é utilizado o software Micromundos que é uma versão da linguagem Logo cujo objetivo é desenvolver noções de lógica e estrutura de raciocínio. Este programa traz tarefas que também ajudam a estimular crianças com deficiência física e mental, e no Brasil, está sendo usado em 70 escolas; de 58 13a séries usa-se também o Super Link, além de outros do Office. Os professores podem ou não acompanhar os trabalhos no laboratório, o qual possui um profissional de informática responsável. Embora tenha sido oferecido treinamento pelo Núcleo de Tecnologias Educacionais ( NTE ) da Prefeitura Municipal de Florianópolis todos os professores, apenas alguns deles o fizeram.
3.4.3. Escola Básica Municipal Osmar Cunha
E uma escola localizada no bairro de Canasvieiras, em Florianópolis, que atende cerca de 1000 alunos no Ensino Fundamental. Conta com 3 professores de Matemática, todos com curso superior.
Possui um laboratório computacional com 10 microcomputadores ligados á rede Internet. Este laboratório foi implantado através do convênio da Prefeitura Municipal com o PROINFO e oferece os softwares MicroMundos e SuperLink para utilização pedagógica. São os próprios professores que ministram as aulas, acompanhados pela coordenadora do laboratório. O Núcleo de Tecnologias Educacionais da Prefeitura Municipal faz o treinamento dos professores e oferece cursos de capacitação. Esta escola é uma das quatro escolas municipais participantes do processo de
Informática da Secretaria da Educação da Prefeitura. A responsável pelo laboratório informa que todos os professores de Matemática se mostraram interessados no uso dos computadores em suas aulas e que os mesmos utilizaram este recurso em algumas aulas. Segundo ela, foi possível perceber mudanças no aprendizado porque os alunos adoram explorar o computador.
3.4.4. Escola Básica Beatriz de Souza Brito
É uma escola municipal localizada no bairro Pantanal, em
Florianópolis, e que oferece o Ensino Fundamental a 680 alunos. Possui três
professores de Matemática sendo dois com curso superior.
Possui um laboratório de Informática com seis microcomputadores, que é usado pelos alunos de 1 a à 8a série. 0 laboratório possui um calendário, onde cada turma ( que faz uso ) tem seu dia pré-estabelecido, além de permitir acesso livre aos alunos em turno contrario ao da aula normal, para que possam fazer pesquisas e trabalhos escolares, sempre
com acompanhamento da responsável pelo laboratório. No laboratório são
usados os softwares SuperLinck para os alunos de 5a á 8a séries e
Micromundos para os de 1 a à 8a séries, além do CD-ROM "Adoro
Matemática" da Globo. Nem todos os professores que utilizam o laboratório
Educação e pelo !cone da Escola Técnica Federal de Santa Catarina ( ETEFESC ). Segundo a responsável pelo laboratório apenas uma professora de Matemática fez uso dele.
4.
A
INFORMÁTICA
EDUCATIVA NO CURSO DE
GRADUAÇÃO
EM
MATEMÁTICA
DA
UFSC
Na Universidade Federal de Santa Catarina, o curso de Graduação
em Matemática, ligado ao Departamento de Matemática, oferece duas
habilitações: Licenciatura e Bacharelado. Segue abaixo um breve relato das disciplinas de Informática cursadas pelos alunos do Curso de Matemática, habilitação Licenciatura e dos projetos em Informática Educativa relacionados ao ensino de Matemática desenvolvidos por professores do Departamento de Matemática e do Departamento de Informática e de
Estatística da UFSC.
Acompanhando a evolução da Informática, o Curso de Matemática
oferece aos seus alunos da habilitação: Licenciatura um laboratório de
Informática, e disciplinas que visam introduzir o aluno em tal ciência, através de conhecimentos básicos aplicáveis ao ensino de Matemática. Esse
laboratório de Informática foi inaugurado em setembro de 1995 e possui 24
computadores ligados em rede. Esta aberto prioritariamente à todos os alunos da Licenciatura que queiram fazer uso dele mediante um cronograma
pré-estabelecido. Alguns professores já utilizam este laboratório durante as suas aulas. E as disciplinas voltadas a Informática também são ministradas neste laboratório.
0 Departamento de Informática e de Estatística da UFSC, oferece disciplinas de Introdução à Informática para o Ensino em diversos cursos da Universidade. Os alunos do curso de Matemática, habilitação: Licenciatura, cursam as disciplina "Introdução à Informática para o Ensino da
Matemática" ( INE 5218 ) e "Informática Aplicada ao Ensino de
Matemática" ( INE 5219 ) [ W4 ]. Estas disciplinas foram introduzidas no novo currículo da Licenciatura elaborado e aprovado em 1993.
Os objetivos gerais comuns dessas duas disciplinas são:
• desenvolver a capacidade de dedução;
• desenvolver a capacidade de raciocínio lógico e organizado;
• desenvolver a capacidade de formulação e interpretação de situações matemáticas;
• desenvolver espirito critico e criativo;
• perceber e compreender o inter-relacionamento das diversas áreas da Matemática apresentadas ao longo do curso;
• organizar, comparar e aplicar os conhecimentos adquiridos;
• propiciar ao aluno condições de desenvolver sua capacidade de identificar e resolver problemas.
Além disso, cada disciplina possui os seus objetivos específicos.
Objetivos específicos da INE 5218:
Os específicos se referem à aquisição de autonomia na utilização de
software sob ambientes diversificados e de recursos de redes de
informática.
Para atingir tais objetivos o aluno deverá ser capaz de compreender os princípios básicos de funcionamento dos equipamentos computacionais, de identificar quais recursos e operações disponíveis no sistema computacional podem ser utilizados nos diversos contextos do trabalho com um software, de demonstrar eficiência na utilização de pelo menos um ambiente computacional com potencial no ensino de matemática ( Logo e
AABC), de utilizar ambientes de edição de texto e imagens e de utilizar ambientes para comunicação em rede de computadores ( mailers, clientes gophers e web, ftp, etc).
Objetivos específicos da INE 5219:
Ao final do curso o aluno deverá ser capaz de projetar de forma
critica, criativa e atualizada uma intervenção pedagógica no ensino de Matemática prevendo a utilização dos recursos computacionais. Para tanto 6
necessário capacitar o aluno para formular uma opinião pedagógica e social/histórico/politicamente bem fundamentada a respeito do uso da tecnologia no processo educacional, para identificar os diferentes tipos possíveis de uso da tecnologia da microinformática no ensino de Matemática
( intedisciplinar ) e para identificar os fatores de qualidade desejáveis nos ambientes computacionais projetados para o uso educacional a partir de uma perspectiva pedagógica mas também técnica.
0 Departamento de Informática e Estatística mantém sob sua coordenação o Laboratório de Software Educacional ( EDUGRAF ), criado em novembro de 1985. Seu objetivo principal é promover a investigação e a pesquisa na area de desenvolvimento de ambientes computacionais de boa qualidade técnica, que auxiliem na implantação de um novo paradigma
psico-pedagógico. Nestes anos de existência, o EDUGRAF desenvolveu alguns softwares, dos quais serão citados apenas dois, que estão relacionados com o Ensino de Matemática:
• AABC - é um ambiente computacional cujo objetivo é servir como ferramenta de auxílio/aprendizagem de programação de
computadores, desde a iniciação até níveis mais avançados. usuário explora um micro-mundo geométrico similar ao implantado na linguagem Logo, interagindo com suas entidades por meio de uma linguagem formal simples e extensive!. A linguagem AABC não incorpora a noção de variáveis fato que reduz a carga cognitiva inicial. Com este ambiente o usuário fortalece seu pensamento lógico, enquanto constrói uma sólida estrutura de
conceitos geométricos e estéticos. O AABC também oferece uma interface gráfica que em muito facilita o alcance de seus objetivos.
• GEOPLANO - o geoplano é um objeto composto de pregos
dispostos em forma quadricular sobre um pedaço de madeira. Um elástico circular passado entre os pregos define polígonos. A
manipulação destes polígonos permite a exploração e/ou
construção de muitos conceitos matemáticos, particularmente aqueles relacionados ao cálculo de Areas e perímetros. 0 software GEOPLANO gera na tela do computador um modelo mais poderoso e flexível de geoplano. Ele não apresenta restrições
físicas, corno elasticidade de borracha ou número de pregos, ao mesmo tempo que expande as possibilidades de exploração de
outros aspectos como: dimensões variadas, formato das malhas, ampliações, recortes, etc. A interface manipulativa provida pelo Geoplano-software faz com que o usuário tenha a impressão de que ele próprio executa as ações, como no mundo real [ W3 ].
No Departamento de Matemática, existe o Grupo de Estudos de
Inteligência Artificial Aplicada à Matemática ( GEIAAM ) [W2], que é formado por professores e alunos que têm estudado Inteligência Artificial e suas potencialidades para aplicação no ensino da Matemática. Alguns alunos da
Licenciatura participam como bolsistas de Iniciação Cientifica. Alguns softwares de conteúdos específicos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio foram ou estão sendo desenvolvidos por estes alunos, sob a orientação de professores do grupo. Segue abaixo uma listagem de softwares desenvolvidos por eles.
• TAL 1_0 : tem como objetivo auxiliar a aprendizagem sobre Semelhanças de Triângulos; possibilita ao usuário rever os casos
de semelhança de triângulos e permite que o mesmo, utilizando lápis e papel, faça a verificação da semelhança; o aluno obtém não apenas uma resposta sim ou não, mas uma resposta explicativa. Possibilita também ao usuário conhecer um pouco da história de Semelhança de triângulos, bem como divertir-se aprendendo, já que este programa possui um jogo de memória, onde os pares de cartas são triângulos semelhantes;
• TEOREMA DE TALES: desenvolve um estudo do Teorema de Tales;
• MATRIX 97: foi desenvolvido com o intuito de ser usado como ferramenta auxiliar ao ensino de Matrizes. È um ambiente computacional que a partir de exemplos do cotidiano tem como objetivo possibilitar aos alunos desenvolver e entender a definição de Matrizes a partir da interação com o sistema Este sistema permite fixar a idéia de linhas e colunas de uma Matriz, a soma e a diferença entre duas Matrizes, todos estes partindo de situações em que o usuário trabalha com lápis e papel e juntamente com o sistema vai elaborando seu conhecimento a respeito do assunto.
• POLI 1.0: sistema educacional que tem por finalidade classificar polígonos convexos. 0 POLI 1.0 classifica as formas poligonais bidimensionais mais comumente usadas, através das medidas dos lados e, em alguns casos, das medidas dos ângulos internos ou esternos. Para fazer esta classificação, o usuário deve entrar com as medidas que lhe forem solicitadas e responder algumas questões quanto ao paralelismo dos lados. Além disso, o sistema apresenta a figura de algumas formas básicas de triângulos e quadriléteros e também calcula o perimetro de todos os polígonos.
Este grupo desenvolve também softwares com conteúdos da
Graduação:
• SERIES 99: utilizado para analisar analiticamente, a convergência das séries numéricas;
• FUN 97: analisa o comportamento de funções usando derivadas;
• IEDer 98: procura introduzir a definição de derivada;
• SINDE 97: busca introduzir Integral Definida.
0 Departamento de Matemática possui também o grupo Apoio
Computacional no Ensino de Matemática ( ACEM ), formado por professores e alunos que desenvolvem softwares nas áreas de Cálculo, Métodos Numéricos e Trigonometria, dentre os quais destacamos:
• CAUCULUS: tem por objetivo auxiliar nos conteúdos de Limite, Derivada e Integral. Merece destaque pela visualização gráfica das Somas de Riemann.
• FUNTRIG: objetiva trabalhar com Funções Trigonométricas,
permitindo visualizar graficamente deslocamentos verticais, horizontais, períodos, intervalos de crescimento e decrescimento, etc..
Alguns dos trabalhos desenvolvidos por estes grupos foram expostos na FENASOFT.