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Direito Penal III - 2º Bimestre

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Dafne Sobral – Resumo de Direito Penal III – 2º Bimestre Página 1

Direito Penal III – 2º Bimestre

Art. 318 - Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art. 334): Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

FACILITAÇÃO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO:

Considerações especiais:

Contrabando e descaminho são sinônimos? NÃO

o Descaminho: diz respeito ao comportamento de importar ou exportar mercadoria iludindo o fisco, ou seja, sem declarar ou pagar o tributo devido pela exportação ou importação.

o Contrabando: diz respeito a importação ou exportação de mercadoria proibida.

Qual o bem jurídico tutelado no descaminho? Em principio, encontra-se nos crime contra a administração,

na verdade, o bem tutelado é a ordem tributária, como consequência:

o Permite a extinção da punibilidade com o pagamento do tributo devido (mesmo após ao transito em julgado), ou aderir ao parcelamento promovido pelo Estado.

o A Fazenda Pública abre mão da execução de débitos tributários no valor de até R$20.000,00 (principio da insignificância).

Núcleo do tipo: facilitar, concorrer de alguma forma para a prática de contrabando e descaminho, com infração de dever funcional (tinha o dever legal de evitar o crime).

 Pode ser praticado de forma omissiva ou comissiva.

Objeto material: mercadoria em que não houve o pagamento do tributo ou a mercadoria proibida. Sujeitos:

Ativo: em geral, auditores da receita federal e policiais federais. Eventualmente, o policial militar ou civil que

atua na região de fronteira, pois ele tem um dever legal de evitar aquele crime.  Passivo: Estado

Consumação e tentativa: tem DEPENDENCIA LÓGICA com crime de descaminho ou contrabando. Na modalidade omissiva é de mera conduta, na comissiva é formal. O ponto comum é que ambos não exigem o resultado naturalístico. A tentativa é possível, na modalidade comissiva.

Pena e benefícios: 03 a 08 anos.

Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

PREVARICAÇÃO:

Introdução: indica a falta de comprometimento do funcionário infrator ou desídia em busca de um interesse ou de um sentimento pessoal.

Diferença para corrupção passiva: Na prevaricação o agente não se compromete com terceiro, o comportamento é unilateral (NÃO há solicitação, recebimento ou acordo). Na corrupção passiva há bilateralidade.

 É crime subsidiário da corrupção passiva. Ele serve pra que o corruptor não fique impune por falta de provas. Interesse pessoal: qualquer interesse ao deixar de praticar, retardar ou ao praticar o ato de oficio com infração ao dever legal. Ex: não praticar um ato em favor de um amigo, ainda que o amigo não peça.

Sentimento pessoal: intimo do agente, só ele sabe e é impossível de provar. É formula genérica com o proposito de punir aquele que não praticou o ato ou praticou com infração, mas em que não há interesse do agente. Ex: guarda rodoviário que para carro com documento vencido ele deve apreender o carro, se não o faz por pena e libera o sujeito (que nunca havia visto na vida) pratica o crime.

Núcleo do tipo:

1. Deixar de praticar: crime omissivo próprio.

2. Retardar: primeiro ele deixa de fazer e depois de um tempo ele realiza. É um núcleo subsidiário do “deixar de praticar” ato que tinha o dever de oficio.

3. Praticar com infração: desviando o curso

Elemento subjetivo: DOLO ESPECIFICO, vontade livre e consciente de deixar de praticar, retardar e praticar com infração com o fim de satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

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Dafne Sobral – Resumo de Direito Penal III – 2º Bimestre Página 2 Sujeitos:

1. Ativo: funcionário público omisso ou aquele que afronta o procedimento para praticar o ato de oficio. Não necessariamente será prevaricador, caso haja o acumulo de demandas.

2. Passivo: Estado.

Consumação e tentativa: O primeiro é omissivo próprio (mera conduta), o segundo consuma-se com a pratica do ato (não admite tentativa), o terceiro é com a pratica do ato afrontando o ordenamento jurídico (a tentativa é possível). Pena: 03 meses a 01 ano e multa

Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

PREVARICAÇÃO DE DIRETOR PENITENCIÁRIO OU AGENTE PÚBLICO (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007). Sujeito ativo: diretor de penitenciária OU agentes de penitenciária.

Comportamento: deixar de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo.

 Revista intima é realizada para evitar esse tipo de crime. Pena: detenção, de 03 meses a 01 ano.

Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA Núcleo do tipo:

1. Deixar, por indulgência (sentimento intimo de clemencia), de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo OU;

a. O art. 5, LIV exige o devido processo legal para restringir e retirar direitos garantindo o contraditório e a ampla defesa. A punição do subordinado não pode ser feito imediatamente, para que o servidor seja punido é necessário apurar sindicância administrativa para fazer o processo administrativo disciplinar.

2. Quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente. Sujeito:

1. Ativo: funcionário público que é SUPERIOR HIERARQUICO. 2. Passivo: Estado

Consumação e tentativa: basta se omitir (não responsabilizar ou notificar órgão responsável), ambas são modalidades omissivas próprias (crime de mera conduta), não se admite tentativa.

Pena: detenção, de 15 dias a 01 mês, ou multa.

As infrações podem ser cíveis, administrativas ou penais. As responsabilidades são concomitantes, simultâneas. Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário:

Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:

Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa.

ADVOCACIA ADMINISTRATIVA (PATROCÍNIO ADMINISTRATIVO)

Introdução: a denominação legal está equivocada, a advocacia exige a habilitação, requisitos como: bacharelado em direito, exame de ordem, inscrever-se no quadro da ordem dos advogados, pagamento da anuidade. O correto seria patrocínio administrativo, pois não se exigem os requisitos da advocacia.

Bem jurídico tutelado: impessoalidade para garantir a moralidade publica.

Núcleo do tipo: Defesa/patrocínio de interesse privado (ainda que legítimo) perante a administração publica, valendo-se da qualidade de funcionário.

 O interesse pode ser legitimo ou ilegítimo, mas DEVE ser ALHEIO. Não existe o crime quando o funcionário patrocina interesse próprio ou de outro funcionário público.

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Dafne Sobral – Resumo de Direito Penal III – 2º Bimestre Página 3  Acompanhar andamento não caracteriza a infração penal. Ex: O funcionário foi até o RH conversar com o chefe do RH, para saber quando teria a posição do RH para que se pudesse decidir. Ele só foi consultar e não patrocinar, a defesa tem que ser diferente, tem que ser real, ainda que indireta.

Sujeito:

1. Ativo: funcionário público. 2. Passivo: Estado

Consumação e tentativa: efetivo exercício da defesa (apresentar argumentos favoráveis), crime comissivo (crime formal, não exige resultado naturalístico). É possível tentativa na forma escrita.

Pena: detenção, de 01 a 03 meses, ou multa.

Crime qualificado: Se interesse ilegítimo, 03 meses a 01 ano e multa. Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público:

Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira: Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

ABANDONO DE FUNÇÃO:

Núcleo do tipo: Trata do não comparecimento (abandonar) para exercer o cargo público por mais de 30 dias.

 Deve ter consciência de que está abandonando o cargo público. Caso contrário, haverá erro de tipo e o agente será absolvido, exclui a tipicidade e punibilidade. Ex: medico era impedido de entrar no hospital, pegou férias, mas ultrapassou os 30 dias.

Consumação e tentativa: 31º dia, é um crime material, tem que acontecer resultado naturalístico. Pena: detenção, de 15 dias a 01 mês, ou multa.

Forma qualificada:

1. Se do fato resulta prejuízo público: 03 meses a 01 ano, e multa.

2. Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira: 01 a 03 anos, e multa.

a. Sujeito ativo: não só quem tem atribuição de guarda, mas qualquer funcionário que atua naquele local.

Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa

EXERCÍCIO FUNCIONAL ILEGALMENTE ANTECIPADO OU PROLONGADO Núcleo do Tipo:

1. Ingressar antes de satisfazer as exigências legais no exercício da função OU 2. Aquele que, mesmo afastado, continua a exercer as suas funções públicas.

Sujeito Ativo: Trata-se de crime próprio!

1. Funcionário Público nomeado, mas que não foi empossado OU

2. Exonerado, removido, substituído ou suspenso, mas que continua a exercê-lo (se ele tem autorização, afasta um dos elementos do tipo).

Consumação e Tentativa: inicia o exercício a atividade ou no momento que prolonga o exercício da atividade indevidamente (crime material). É possível a tentativa.

Pena: detenção, 15 dias a 01 mês.

Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:

I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública;

II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.

§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa

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Dafne Sobral – Resumo de Direito Penal III – 2º Bimestre Página 4

VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL Art. 325

Núcleo do tipo: Sujeito que revela o segredo e o que concorrer para revelar o segredo (facilita). Figuras equiparadas:

1. Permitir ou facilitar o acesso à senha por pessoas não autorizadas a sistema de informação a dados. Pouco importa o dano, basta permitir o acesso.

2. Utilização indevida da senha.

Sujeito ativo: funcionário público, pode concorrer o particular ou outro funcionário que não tenha a senha. Pena: detenção, de 06 meses a 02 anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

Qualificado: se resultar dano a administração publica ou a terceiros, reclusão, de 2 a 6 anos, e multa.

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.

§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público.

CONCEITO DEFUNCIONÁRIO PÚBLICO: quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou

função pública (para fins penais).

1. Cargo: determinados por lei (numero certo) em regra o regime é estatutário, cujo ingresso é por concurso.

2. Emprego: é transitório, suprir uma deficiência sazonal da administração publica, regime é em regra o celetista.

3. Função: não se enquadra em cargo ou emprego, mas exerce função na administração pública. Ex: jurado, estagiário.

Figuras equiparadas: aqueles que exercem cargo, emprego ou função em paraestatal ou que trabalhe em empresa que presta serviço como contratada ou conveniada para executar atividade típica da administração publica.

DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL

Os particulares podem se responsabilizar por atos praticados por funcionários públicos (Art. 30). Também são responsabilizados por condutas praticadas pelos próprios particulares, pois é preciso proteger a coisa pública. Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública:

Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem: Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA:

Bem jurídico: lisura da administração publica (que possui fé pública), prejudica o particular atendido e o nome da administração.

Núcleo: usurpar (ocupar indevidamente) função publica.

 Eventualmente a lei pode autorizar a ocupação do cargo por particular. Ex: escrivão de policia (art. 305 CPP). Consumação: deve pratica um ato no exercício da função (crime formal).

 Artigos 45 e 46 da Lei de Contravenções Penais estabelecem os comportamentos de se identificar como funcionário público ou usar identificação de funcionário.

Pena: detenção, de 03 meses a 02 anos, e multa.

Qualificado: Se do fato o agente aufere vantagem (prestigio, por exemplo, é crime material) a pena é reclusão, de 02 a 05 anos, e multa.

Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:

Pena - detenção, de dois meses a dois anos.

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Dafne Sobral – Resumo de Direito Penal III – 2º Bimestre Página 5 Pena - reclusão, de um a três anos.

§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.

RESISTENCIA:

Núcleo do tipo: Diz respeito a oposição ao ato licito do funcionário público ou quem lhe preste auxilio, por meio de violência ou ameaça.

Consumação: quando praticada a violência e a ameaça (crime comissivo).  Tentativa: possível na violência, mas difícil na ameaça.

Pena: 02 meses a 02 anos (menor potencial ofensivo)

Qualificada: se em razão da oposição o ato não se executar o crime será de 01 a 03 anos. Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público:

Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa.

DESOBEDIÊNCIA (Art. 330):

Núcleo do tipo: não cumprimento (resistência passiva) de ordem legal de funcionário público (omissivo). Pena: 15 dias a 06 meses, e multa.

Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

DESACATO:

Núcleo do tipo: desrespeitar funcionário público no exercício de função ou em razão dela.  CRIME DE AÇÃO ÚNICA: só é possível desacatar por meio de palavras.

Pena: 06 meses a 02 anos.

Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA:

Bem jurídico tutelado: impessoalidade da administração publica, o sujeito se gaba de poder influenciar, não se confunde com o advogado que, empregando os meios legítimos e legais, visa defender de melhor forma os interesses de seu cliente.

 A infração poderá estar em concurso com a corrupção ativa por parte do particular, se o funcionário publico aceitar promessa de vantagem ou receber o dinheiro responderá pelo crime de corrupção passiva.

Núcleo do Tipo: agente diz que tem influencia, perante o poder público, ao afirmar isso ele solicita/recebe/cobra uma vantagem indevida.

 Não precisa ter influencia.

Sujeito passivo: particular e a administração publica.

Consumação: Crime formal, embora a lei use o verbo obter, ele é precedido da conjunção ‘ou’ e não ‘e’. Basta o criminoso fazer uma das coisas (solicitar ou exigir ou cobrar ou obter). Logo, não há necessidade de obter uma vantagem.

Pena: de 02 a 05 anos, e multa

Causa especial de aumento de pena: METADE, se agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário.

No tráfico de influência, a única exigência da lei é que o servidor público tenha a capacidade ou o poder de fazer aquilo em relação ao que o lobista pretende interceder. Por exemplo, se ele recebe para interceder junto a um

policial no Detran para liberar o emplacamento do carro mais rapidamente. Por outro lado, não há tráfico de influência se o lobista intercede junto a um policial para apagar uma multa da Receita Federal: o policial, embora seja servidor público, não tem poder ou capacidade de interferir junto ao sistema da Receita.

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Dafne Sobral – Resumo de Direito Penal III – 2º Bimestre Página 6 Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.

CORRUPÇÃO ATIVA:

Núcleo do tipo: oferecer (há comportamento imediato) ou prometer (pacto ou acordo cuja entrega é futura) vantagem indevida para que pratique ou retarde um ato.

Consumação:

1. Oferecer: se consuma com a mera oferta do dinheiro ainda que não haja entrega.

2. Prometer: é evento futuro, se consuma com a promessa. Não existe tentativa, crime de ação única. Pena: de 2 a 12 anos, e multa

Causa especial de aumento de pena: 1/3 se o funcionário publico pratica o ato com infração ao dever funcional, retarda ou se omite ( o funcionário publico responderá pela corrupção passiva)

Aquilo que é dado por caridade – como a caixa de Natal do lixeiro – ou gratidão também não é crime. A

vantagem é indevida (você não a deve), mas não tem a intenção de influenciar a ação do servidor público.  O famoso ‘por favor, dá um jeitinho’, também não é crime de corrupção ativa porque embora tenha a finalidade

de fazer com que o servidor público aja ou se omita ilegalmente, não há o oferecimento ou promessa de uma vantagem: é apenas um pedido. Nesses casos, se o servidor não ‘dá o jeitinho’, não há crime. Se ele ‘dá o jeitinho’ o servidor pratica corrupção passiva privilegiada (art. 317, §2º de nosso Código Penal), e quem pediu para ele dar o jeitinho, por ter contribuído no crime, passa a ser partícipe daquele crime.

 Também não há corrupção ativa se você pagou para que o servidor não fizesse algo que era ilegal. Por exemplo, se o guarda resolve prende-lo sem mandado judicial ou sem ser flagrante, e você diz que vai dar uma cerveja para ele te liberar, você não está cometendo crime de corrupção ativa porque ele não tinha o direito de prende-lo (a prisão era ilegal). E mais: se você pagou porque foi obrigado, você não cometeu crime. Isso porque o crime de concussão (quando o servidor exige a vantagem indevida) impossibilita a existência da corrupção ativa: você não pode prometer ou oferecer se a outra parte está exigindo.

CONTRABANDO E DESCAMINHO (introdução)

Apesar de serem condutas diferentes, o Código Penal originariamente tratou dos dois comportamentos no mesmo tipo penal incriminador (Art. 334). Entretanto, lei 13.008/14 alterou a redação, separando os comportamentos de contrabando e descaminho.

 O ponto COMUM é o ingresso ou saída da mercadoria no território nacional.

 Aumento de pena para ambos: aplica-se em DOBRO se o crime de contrabando é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial.

Bem jurídicos tutelados: INDÚSTRIA NACIONAL e a SAUDE PUBLICA. O descaminho afeta a ordem tributaria.

DESCAMINHO: diz respeito ao comportamento de importar ou exportar mercadoria iludindo o fisco, ou seja, sem

declarar ou pagar o tributo devido pela exportação ou importação. Ex: declara que a mercadoria vale 10.000 e vale 100.000, ou caso não declare nada.

Consumação: Não se constitui crime sem o lançamento do tributo, o momento consumativo é o exaurimento do processo administrativo fiscal, enquanto o debito não estiver constituído não haverá crime (s. 24 STF).

 Esse lançamento era ANTES considerado uma condição de procedibilidade: porem, a condição de procedibilidade diz respeito ao ofendido e NÃO ao Estado. Concluiu-se, que faz parte do próprio tipo penal incriminador.

 Não corre prescrição enquanto o debito não estiver constituído: não pode ocorrer a prescrição antes da consumação do mesmo.

 Nos crimes contra a ordem tributaria, o pagamento integralmente o debito, extingue a punibilidade. Se ingressar antes do oferecimento da denuncia no programa de parcelamento é suspensa a pretensão punitiva do Estado.

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Dafne Sobral – Resumo de Direito Penal III – 2º Bimestre Página 7  Os débitos tributários de até 10.000 reais não serão tributados (diante da ausência do custo beneficio), a portaria 75 dobrou o valor para 20.000 reais (principio da insignificância). EXCEÇÃO: no caso de cigarros o Supremo não aplicou o principio em razão da periculosidade do agente e do risco que a mercadoria causada. Pena: reclusão, de 01 a 04 anos

Equiparados:

1. Pratica navegação de cabotagem (transportando mercadoria), fora dos casos permitidos. 2. Pratica fato assimilado, em lei especial, a descaminho;

3. Vende, expõe à venda, mantém em depósito ou utiliza no exercício de atividade comercial ou industrial (qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias estrangeiras, inclusive em residências),

mercadoria de procedência estrangeira que sabe ou que introduziu clandestinamente ou importou de forma

fraudulenta.

4. Adquire, recebe ou oculta no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria estrangeira,

desacompanhada de documentação legal ou acompanhada de documentos que sabe serem falsos.

CONTRABANDO: diz respeito a importação ou exportação de mercadoria proibida.

1. Existe uma portaria atualizada pela ANVISA que determina o que é ou não entorpecente, se o individuo sair ou ingressar com esses as substancias consideradas entorpecentes pode acarretar trafico internacional.

 Quando ingressar com substancia não considerada entorpecente, o crime de contrabando aplica-se subsidiariamente.

Pena: reclusão, de 2 a 5 anos. Equiparado:

1. Pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando;

2. Importa/exporta clandestinamente produto que dependa de registro, análise ou autorização de órgão. 3. Reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à exportação.

4. Vende, expõe à venda, mantém em depósito ou utiliza, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida;

Referências

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