2.4 USUFRUTO
2.4.1 Caracterização
A idéia de usufruto emerge da consideração que se faz de um bem, no qual se destacam os poderes de usar e gozar ou usufruir, sendo entregues a uma pessoa distinta da do proprietário, enquanto a este remanesce apenas a substância da coisa.
Quem passa a ter o proveito do bem denomina-se usufrutuário, enquanto o nu-proprietário é a pessoa que detém apenas a substância do mesmo bem.
Pode-se conceituar usufruto como o direito de desfrutar de um bem alheio como se dele fosse proprietário, com a obrigação, porém, de lhe conservar a substância. O Código Civil de 1916, em seu art. 713 o definia como o direito real de fruir utilidades e frutos de uma coisa, enquanto temporariamente destacado da propriedade.
2.4.2 Objeto
Conforme expressa o art. 1.390 do Código Civil, o usufruto pode recair em um ou mais bens, móveis ou imóveis, em um patrimônio inteiro, ou parte deste, abrangendo-lhe, no todo ou em parte, os frutos e utilidades.
A este, complementa o art. 1.392 do Código Civil que salvo disposição em contrário, o usufruto estende-se aos acessórios da coisa e seus acrescidos. Em seu § 1º, fixa que se, entre os acessórios e os acrescidos, houver coisas consumíveis, terá o usufrutuário o dever de restituir, findo o usufruto, as que ainda houver e, das outras, o equivalente em gênero, qualidade e quantidade, ou, não sendo possível, o seu valor, estimado ao tempo da restituição. Por sua vez, o § 2º, assevera que se há no prédio em que recai o usufruto florestas ou os recursos minerais a que se refere o art. 1.230, devem o dono e o usufrutuário prefixar-lhe a extensão do gozo e a maneira de exploração. Por fim, acrescenta o § 3º: Se o usufruto recai sobre universalidade ou quota-parte de bens, o usufrutuário tem direito à parte do tesouro achado por outrem, e ao preço pago pelo vizinho do prédio usufruído, para obter meação em parede, cerca, muro, vala ou valado.
Dito isto, constitui-se em objeto do usufruto as coisas móveis, as imóveis, os frutos, as utilidades, os acessórios da coisa e seus acrescidos.
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Quanto às coisas fora do comércio, há de se levar em consideração que, o bem para ser objeto de usufruto necessita ser alienável e gravável. As coisas fora do comércio, por não serem aproveitáveis, graváveis e alienáveis, não são usufrutáveis.
Quanto aos bens incorpóreos estes podem ser objeto de usufruto. Há ainda o usufruto sobre títulos de créditos, apólices e outros títulos de renda. Importa o exame da transmissibilidade para definir o objeto do usufruto. Desde que transmissíveis os bens ou direitos, prestam-se ao usufruto.
2.4.3 Espécies
Várias são as espécies de usufruto, podendo-se destacar:
a) vitalício, se estabelecido para durar enquanto viver o usufrutuário (Código Civil, art. 1.410, I).
b) temporário, se vinculado a um determinado prazo ou a acontecimento futuro, como enquanto permanecer o estado de viuvez (Código Civil, art.
1.410, II).
c) a título gratuito, sem qualquer contraprestação pela sua concessão.
d) a título oneroso, isto é, com alguma retribuição em favor de quem o concedeu, sendo esta possibilidade justificada por Ney Rosa Goulart e Paulo Eurides Ferreira Seffrin, nos seguintes termos: Com efeito, o usufruto deve ser sempre a título de liberalidade só quando instituído mediante ato causa mortis. Quando proveniente de ato inter vivos, poderá ser oneroso... Demais, por que não poderá ser instituído a título oneroso, se o seu exercício pode ser cedido também a título oneroso?
De resto, inexiste, na lei civil, qualquer proibição quanto ao que seja oneroso e, inexistindo disposição expressa nesse sentido, sabido é que as partes podem convencionar.
O atual art. 1.393 do Código Civil proíbe a transferência do usufruto, mas não a transferência do exercício do mesmo, consignando: Não se pode transferir o usufruto por alienação; mas o seu exercício pode ceder-se por título gratuito ou oneroso.
e) divisível, por admitir extinção pelas partes, ou seja, se duas ou mais pessoas são usufrutuárias, com a morte de uma delas cessa o gravame respectivo; de igual modo, se parte do bem perece, obviamente remanesce o gravame na extensão que restou. Neste sentido é a disposição do ar. 1.411 do Código Civil: Constituído o usufruto
em favor de duas ou mais pessoas, extinguir-se-á a parte em relação a cada uma das que falecerem, salvo se, por estipulação expressa, o quinhão desses couber ao sobrevivente.
f) legal o que a lei institui em favor de determinadas pessoas. É preponderante do direito de família, no qual fez constar no art. 1.689 do Código Civil que, o pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar são usufrutuários dos bens dos filhos, bem como, têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade.
Por sua vez, constou no art. 1.691 do Código Civil que não podem os pais alienar, ou gravar de ônus real os imóveis dos filhos, nem contrair, em nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da simples administração, salvo por necessidade ou evidente interesse da prole, mediante prévia autorização do juiz. Consigna ainda, no parágrafo único do dispositivo que: Podem pleitear a declaração de nulidade dos atos previstos neste art.:I - os filhos; II - os herdeiros; III - o representante legal.
Sua extinção ocorre com a maioridade do nu-proprietário e se os rendimentos não são elevados, mas equivalentes às despesas de sustento e criação do filho, não se reclama prestação de contas, segunda já decidido: Cessada a menoridade, extingue-se o usufruto, de modo que o usufrutuário, detentor do imóvel, deve devolvê-lo ao filho nu-proprietário. Retendo-o, obriga-se à prestação de contas, a contar da maioridade daquele. Pátrio poder. Durante a menoridade, a mãe que exerce o pátrio poder é usufrutuário dos bens do filho, podendo, por isso, perceber-lhe os frutos. Ainda: O detentor do pátrio poder está isento da obrigação de prestar contas do filho que atingiu a maioridade, salvo se os rendimentos forem de alto valor, excedendo os gastos presumíveis da criação e educação do menor34.
g) Convencional, contratual ou voluntário, denomina-se o usufruto quando nasce da vontade do instituidor, ou por disposição de vontade. Se formaliza por testamento ou doação, classificando-se ainda como unilateral, no caso de simples doação e se existir alienação, considera-se bilateral.
h) judicial, é o usufruto firmado nos termos do art. 716 do Código de Processo Civil, o qual informa que: O juiz pode conceder ao exeqüente o usufruto de móvel ou imóvel, quando o reputar menos gravoso ao executado e eficiente para o recebimento do crédito.
34 RT 603/189.
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i) usufruto adquirido por usucapião, restrito à aquisição de propriedade a non domino, e verificável quando aquele que transfere ou concede o usufruto não tem a propriedade sobre o bem.
j) usufruto constituído por sub-rogação, que se dá quando a coisa dada primeiramente em usufruto é substituída por outra. Através do contrato, substitui- se o objeto do usufruto, como no caso de constituído o originariamente em títulos de crédito, e, após, as partes estabelecem que incida em um imóvel, ou no valor que aqueles representam. É possível ocorrer à substituição quando o bem frutuário perece, como num incêndio. Havendo garantia do seguro, o usufruto incidirá sobre o dinheiro correspondente à indenização. O usufrutuário passa, então, a fruir do valor, investindo- o.
Nesse sentido é o art. 1.408 do Código Civil: Se um edifício sujeito a usufruto for destruído sem culpa do proprietário, não será este obrigado a reconstruí-lo, nem o usufruto se restabelecerá, se o proprietário reconstruir à sua custa o prédio; mas se a indenização do seguro for aplicada à reconstrução do prédio, restabelecer-se-á o usufruto.
Ainda, consta do art. 1.409 do Código Civil: Também fica sub-rogada no ônus do usufruto, em lugar do prédio, a indenização paga, se ele for desapropriado, ou a importância do dano, ressarcido pelo terceiro responsável no caso de danificação ou perda.
2.4.4 Direitos do usufrutuário
Os mais importantes sintetizam-se no uso e gozo da coisa. Nesse sentido é o art. 1.394 do Código Civil, que aduz: O usufrutuário tem direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos.
Pelo art. 1.392 do Código Civil, o proveito envolve os acessórios da coisa e seus acrescidos. Já o art. 1.397 do Código Civil, fixa norma quanto aos animais, estipulando que: As crias dos animais pertencem ao usufrutuário, deduzidas quantas bastem para inteirar as cabeças de gado existentes ao começar o usufruto.
Quanto aos frutos pendentes há duas situações. Fixa o art. 1.396 do Código Civil, que salvo direito adquirido por outrem, o usufrutuário faz seus os frutos naturais, pendentes ao começar o usufruto, sem encargo de pagar as despesas de produção. E o parágrafo único: Os frutos naturais, pendentes ao tempo em que cessa o usufruto, pertencem ao dono, também sem compensação das despesas.
Quanto aos frutos civis, como rendimentos e juros, estatuídos no art.
1.398 do Código Civil, consta que: Os frutos civis, vencidos na data inicial do usufruto, pertencem ao proprietário, e ao usufrutuário os vencidos na data em que cessa o usufruto.
Assiste ao usufrutuário a possibilidade de ceder seu exercício de modo gratuito ou oneroso, sem mudar a destinação, a menos que autorizado pelo proprietário, em obediência ao art. 1.399 do Código Civil: O usufrutuário pode usufruir em pessoa, ou mediante arrendamento, o prédio, mas não mudar-lhe a destinação econômica, sem expressa autorização do proprietário.
Recaindo o usufruto sobre títulos de crédito, garante o art. 1.395 do Código Civil que quando o usufruto recair em títulos de crédito, o usufrutuário tem direito a perceber os frutos e a cobrar as respectivas dívidas. Por sua vez, o parágrafo único:
Cobradas as dívidas, o usufrutuário aplicará, de imediato, a importância em títulos da mesma natureza, ou em títulos da dívida pública federal, com cláusula de atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos.
2.4.5 Obrigações do usufrutuário
De maior relevância são as obrigações constantes do art. 1.400 do Código Civil, senão confira-se: O usufrutuário, antes de assumir o usufruto, inventariará, à sua custa, os bens que receber, determinando o estado em que se acham, e dará caução, fidejussória ou real, se lha exigir o dono, de velar-lhes pela conservação, e entregá-los findo o usufruto. Firma o parágrafo único de citado art. que não é obrigado à caução o doador que se reservar o usufruto da coisa doada35.
No caso de impossibilidade de prestar a caução prega o art. 1.401 do Código Civil que o usufrutuário que não quiser ou não puder dar caução suficiente perderá o direito de administrar o usufruto; e, neste caso, os bens serão administrados pelo proprietário, que ficará obrigado, mediante caução, a entregar ao usufrutuário o rendimento deles, deduzidas as despesas de administração, entre as quais se incluirá a quantia fixada pelo juiz como remuneração do administrador.
35PROCESSUAL CIVIL E CIVIL - AÇÃO COMINATÓRIA - DESPESAS CONDOMINIAIS - INSTALAÇÃO DE PORTA DE VIDRO E GRADE DE FERRO EM ÁREA COMUM DO EDIFÍCIO - 1. Preliminar de ilegitimidade passiva ad causam. Sendo a relação do apelante de direito real, a ele se aplicam as disposições relativas ao usufrutuário, inclusive quanto às suas obrigações (arts. 729 usque 738, CC). (...) (TJDFT - APC 48.235/98 - 3ª T.Cív. - Rel.
Des. Campos Amaral - J. 01.06.1998).
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Muitas são as despesas do usufrutuário, estando estas descritas no art.
1.403 do Código Civil, quais sejam, as despesas ordinárias de conservação dos bens no estado em que os recebeu; as prestações e os tributos36 devidos pela posse ou rendimento da coisa usufruída37.
No art. 1.402 do Código Civil consta a ressalva de que o usufrutuário não é obrigado a pagar as deteriorações resultantes do exercício regular do usufruto.
Quanto às reparações extraordinárias, estas são de responsabilidade do proprietário, conforme fixa o art. 1.404 do Código Civil, ao estipular que incumbem ao dono as reparações extraordinárias e as que não forem de custo módico; mas o usufrutuário lhe pagará os juros do capital despendido com as que forem necessárias à conservação, ou aumentarem o rendimento da coisa usufruída. O § 1º fixa que não se consideram módicas as despesas superiores a dois terços do líquido rendimento em um ano. Por sua vez, o § 2º reza: Se o dono não fizer as reparações a que está obrigado, e que são indispensáveis à conservação da coisa, o usufrutuário pode realizá-las, cobrando daquele a importância despendida.
Tais reparações são as que exigem grandes despesas, consistindo, na reconstrução de uma parede, do teto, do piso, ou da estrutura do próprio prédio.
Ordinárias consideram-se as relativas à pintura, à recolocação de reboco, à restauração de cercas, estábulos, galpões e outras acessões cuja danificação é decorrência normal do uso e do transcurso do tempo.
36 No que diz respeito à esta questão, como exemplo, pode-se citar os artigos 1º e 4º da Lei Federal nº 9.393, de 19.12.1996, que dispõe sobre o imposto sobre a propriedade territorial rural – ITR, no qual consta: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. § 2º Para os efeitos desta Lei, considera-se imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município. 3º O imóvel que pertencer a mais de um município deverá ser enquadrado no município onde fique a sede do imóvel e, se esta não existir, será enquadrado no município onde se localize a maior parte do imóvel. Por sua vez, o art. 4º fixa o contribuinte nos seguintes termos: Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Parágrafo único. O domicílio tributário do contribuinte é o município de localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer outro.
37 AÇÃO DE COBRANÇA - DESPESAS DE CONDOMÍNIO - ESCRITURA DE DOAÇÃO COM RESERVA DE USUFRUTO - Incumbe a usufrutuária, o pagamento pelas despesas ordinárias de condomínio. Exegese do art.
733, I, do Código Civil. Assistência Judiciária Gratuita. Concessão, é de ser concedido o benefício da gratuidade judiciária, no juízo ad quem, quando demonstrado pela documentação carreada aos autos que a parte requerente não dispõe de meio para suportar os ônus sucumbenciais sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família. Condenação mantida, todavia, sobrestada sua executividade. Inteligência do art. 12, da Lei nº 1.060/50. Apelação provida, em parte. (TJRS - APC 196119861 - 6ª C.Cív. - Rel. Des. José Carlos Teixeira Giorgis - J. 08.08.1996)
Pelo art. 1.406 do Código Civil, o usufrutuário é obrigado a dar ciência ao dono de qualquer lesão produzida contra a posse da coisa, ou os direitos deste.
De outro lado, há dever do usufrutuário de indenizar os danos ou consertos, independentemente de sua extensão ou natureza se causados por culpa sua ou decorrentes de sua omissão em reparar as pequenas danificações que evoluíram para estragos maiores ou se esta obrigação estiver inserta no título constitutivo do usufruto.
O art. 1.407 do Código Civil delinea a norma quanto ao seguro, se instituído sobre o bem do contrato, nos seguintes termos: Se a coisa estiver segurada, incumbe ao usufrutuário pagar, durante o usufruto, as contribuições do seguro e, pelo § 1º, se o usufrutuário fizer o seguro, ao proprietário caberá o direito dele resultante contra o segurador. Por fim, o § 2º firma que em qualquer hipótese, o direito do usufrutuário fica sub-rogado no valor da indenização do seguro38.
O art. 1.408 do Código Civil exime o proprietário da obrigação de reconstruir o prédio se este for destruído sem culpa sua. Enquanto, que o art. 1.405 do Código Civil, obriga o usufrutuário a pagar os juros da dívida que onera a coisa dada em usufruto: Se o usufruto recair num patrimônio, ou parte deste, será o usufrutuário obrigado aos juros da dívida que onerar o patrimônio ou a parte dele.
2.4.6 Direitos e obrigações do nu-proprietário
Para fins de sistematização, confira-se: a) exercer o domínio limitado, mas ativamente, com o exercício da defesa ou proteção judicial em situações determinantes de sua perda; b) exigir que o usufrutuário preste caução para dar segurança à boa conservação e restituição da coisa frutuária; c) administrar o usufruto se se negar o usufrutuário ou se este não puder prestar caução; d) receber metade do tesouro encontrado no prédio usufruído, sendo que a outra parte caberá a quem o inventou ou encontrou; e) receber a indenização pelo seguro e ressarcimento do dano, após extinto o usufruto; f) receber os frutos pendentes ao término do usufruto; g) promover a extinção do usufruto, se o usufrutuário aliena ou deixa arruinar os bens
38DIREITO CIVIL - USUFRUTO - DESTRUIÇÃO DA COISA - INCÊNDIO - SEGURO FIRMADO - RECEBIMENTO DA INDENIZAÇÃO - USUFRUTUÁRIO - LEGITIMIDADE - SUB-ROGAÇÃO LEGAL - ARTS. 735, 737 E 739-IV DO Código Civil - DOUTRINA - CIRCUNSTÂNCIAS DA CAUSA - RECURSO DESACOLHIDO - Havendo previsão legal da sub-rogação do usufrutuário à indenização, quando segurada a coisa, sem razão negar-se sua legitimidade para obter diretamente da seguradora o recebimento do quantum indenizatório, notadamente na espécie, em que o imóvel foi reconstruído e não há notícia de controvérsia entre os nu-proprietários do bem(seus filhos) e a usufrutuária. (STJ - REsp - 317504 - RJ - 4ª T. - Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira - DJU 01.10.2001 - p. 00225)
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frutuários; h) impor a restituição da coisa, ao cessar o usufruto; i) exigir a conservação do bem, enquanto perdurar o usufruto; j) exigir os juros correspondentes às somas gastas com reparações extraordinárias e não módicas. l) se abster de qualquer ato perturbador do exercício dos direitos do usufrutuário, e; m) proceder às reparações extraordinárias que não forem de custo módico.
2.4.7 Extinção do usufruto
O art. 1.410 do Código Civil trata da matéria nos seguintes termos: O usufruto extingue-se, cancelando-se o registro no Cartório de Registro de Imóveis: I - pela renúncia ou morte do usufrutuário. A morte naturalmente extingue o usufruto.
Não há sucessão de usufruto, isto é, não se transmite o direito ao usufruto aos herdeiros do usufrutuário. Todavia, o mesmo não se dá com a morte do nu-proprietário, que nada repercute quanto à extinção do usufruto.
Ainda, são causas de extinção: II - pelo termo de sua duração; III - pela extinção da pessoa jurídica, em favor de quem o usufruto foi constituído, ou, se ela perdurar, pelo decurso de trinta anos da data em que se começou a exercer; IV - pela cessação do motivo de que se origina; V - pela destruição da coisa, guardadas as disposições dos arts. 1.407, 1.408, 2ª parte, e 1.409;
Nos termos do inc. VI pode ocorrer extinção do usufruto pela consolidação, isto é, quando a nua-propriedade e o usufruto se reúnem na mesma pessoa, situação passível de ocorrer no caso de um terceiro adquirir a nua-propriedade e o usufruto.
Por fim, são causas de extinção: VII - por culpa do usufrutuário, quando aliena, deteriora, ou deixa arruinar os bens, não lhes acudindo com os reparos de conservação, ou quando, no usufruto de títulos de crédito, não dá às importâncias recebidas a aplicação prevista no parágrafo único do art. 1.395.
Quanto à última forma, isto é, o não-uso, fixa o inc.VIII, que não fruição, da coisa em que o usufruto recai (arts. 1.390 e 1.399), o extingue. O não uso ou não fruição, para ocasionar a extinção, deve alcançar a prescrição. Ou a extinção pelo não uso, ou não fruição por determinado período de tempo equivale à prescrição. O prazo de prescrição é o da prescrição aquisitiva relativamente à terceiro.