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Dental Press J. Orthod. vol.16 número2

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Academic year: 2018

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Dental Press J Orthod 6 2011 Mar-Apr;16(2):6-7

O Brasil se tornará, em 2015, o

principal produtor de conhecimento em

Odontologia no mundo

ED I T O R I A L

Analistas econômicos, técnicos do Banco Mundial e acadêmicos do meio concordam que o Brasil deverá assumir a posição de 5ª economia do mundo em um prazo relativamente curto. Aqueles afeitos à ciência podem até se espantar com o crescimento econômico, mas não com a forma de se averiguar e projetar essa posição do país. Modelos estatísticos de “regressão”, que no vernáculo da área é sinônimo de “previsão”, são utilizados para esse fim. As séries históricas são analisadas e cenários futuros são estimados.

Em verdade, essa é uma ferramenta recorrente em diferentes estudos publicados nas páginas do DPJO. Em ciência, é fundamental em certos casos analisar dados para desenvolver modelos preditivos. Esses modelos são utilizados como parâmetro para prever resultados, classificar casos e entender a dificuldade de certos tratamentos.

As estatísticas também são utilizadas para avaliar a quantidade e a qualidade da produção científica dos países e especialidades. Um dos bancos de dados disponíveis para consulta com

esse fim é o da SCOPUS1 e, recentemente, fiz

uma análise das informações disponibilizadas por ele. Esse exercício incluiu avaliar as estatísticas descritivas da produção científica dos principais países produtores de conhecimento na Odonto-logia. Avaliei duas vertentes: a produção de todas as áreas e a da Ortodontia isoladamente.

Em 1996, primeiro ano constante nessa base de dados, o Brasil estava em 17º lugar no ranking de número de artigos produzidos em Odontolo-gia. Todavia, quando avaliamos a produção total entre 1996 e 2009, saltamos para o 4º lugar. O ano de 2009 é o mais recente da lista da SCOPUS. Entretanto, o mais interessante é o que ocorre quando detalhamos um pouco mais essa pesquisa. Se apenas o ano de 2009 é submetido à análise, nosso país se encontra em 2º lugar no número de artigos produzidos, atrás apenas dos EUA.

Quando avaliamos a especialidade de Orto-dontia de maneira isolada, os dados ficam ainda mais motivantes. Ao longo de todo o período de 1996-2009, nosso país se encontra em 2º lugar no ranking de publicações na área. Mas quando apenas os anos de 2008 e 2009 são analisados, estamos — pasmem — em 1º lugar no número de artigos, e com um fator H mais alto do que o norte-americano (o fator H mede a quantidade ponderada pela qualidade dos trabalhos, sendo que essa é aferida pelo número de citações).

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Editorial

Dental Press J Orthod 7 2011 Mar-Apr;16(2):6-7

FIGURA 1 - A produção científica em Odontologia foi analisada por meio de modelos preditivos de regressão. Observe no gráfico o padrão de cres-cimento dos vários países. O Brasil se destaca e se tornará, em 2015, o principal produtor de conhecimento em Odontologia no mundo, ultrapas-sando os EUA.

1. SCImago. (2007). SJR — SCImago Journal & Country Rank. Retrieved March 23, 2011, from http://www.scimagojr.com.

RefeRências

de Ortodontia e Ortopedia Facial, teve um cresci-mento vertiginoso no período recente, como pode ser testemunhado no site da SCOPUS. Em certas configurações de busca, nosso jornal se encontra em 3º lugar no cenário internacional. Mas isso é parte — apenas — do começo.

Impressionado com o crescimento da publi-cação brasileira na Odontologia, fiquei intrigado em relação ao cenário futuro. Mantidas as atuais taxas de expansão de publicação dos países, como estaremos em 5 anos? Para entender o cenário futuro, busquei o número de artigos publicados pelas principais nações ao longo de uma década, e realizei modelos de regressão linear — leia-se “pre-visão” — para projetar o ranking delas em 2016. A Figura 1 engloba todos os países analisados e tem, na área em amarelo, o futuro. O Brasil se tornará, em 2015, o principal produtor de conhecimento em Odontologia no mundo, ultrapassando os EUA. Observe nossa curva de ascensão.

A mudança de polaridade científica terá uma forte repercussão em nosso país. Nossas escolas terão que se adaptar para receber o estudante estrangeiro falante da língua inglesa. Não se espantem. Americanos e europeus se tornarão frequentadores assíduos de nossas universida-des, invertendo a rota migratória estabelecida no século vinte. E essa cooperação será muito benéfica para todos.

Coordenadores de cursos no Brasil, prepa-rem-se para esse cenário. Vocês receberão esses estudantes e desempenharão, frequentemente, o papel de líderes de grupos de pesquisa inter-nacionais.

Boa leitura.

Jorge Faber Editor-chefe

[email protected]

BRASIL

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