OS EFEITOS DE UM PROGRAMA DE 15 DIAS DE EXERCÍCIO FÍSICO
E DIETA NA COMPOSIÇÃO CORPORAL DE HOMENS E MULHERES
ADULTOS E IDOSOS COM SOBREPESO E OBESIDADE
Autor: Dimas de Araújo Júnior
Orientadora: Profa. Dra. Gislane Ferreira de Melo
Brasília
–
DF
2015
Pró-Reitoria Acadêmica
Escola de Medicina
DIMAS DE ARAÚJO JUNIOR
OS EFEITOS DE UM PROGRAMA DE 15 DIAS DE EXERCÍCIO
FÍSICO E DIETA NA COMPOSIÇÃO CORPORAL DE HOMENS E
MULHERES ADULTOS E IDOSOS COM SOBREPESO E
OBESIDADE
Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Stricto Sensu em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para a obtenção do Título de Mestre.
Orientadora: Profª. Drª. Gislane Ferreira de Melo.
7,5cm
Ficha elaborada pela Biblioteca Pós-Graduação da UCB
A663e Araújo Júnior, Dimas de.
Os efeitos de um programa de 15 dias de exercício físico e dieta na composição corporal de homens e mulheres adultos e idosos com sobrepeso e obesidade. / Dimas de Araújo Júnior – 2015.
68 f.; 30 cm
Dissertação (Mestrado) – Universidade Católica de Brasília, 2015. Orientação: Profa. Dra. Gislane Ferreira de Melo
1. Gerontologia. 2. Obesidade. 3. Composição corporal. 4. Treinamento aeróbio. 5. Dieta. 6. Idosos. I. Melo, Gislane Ferreira de, orient. II. Título.
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente, aos meus pais, Marta Otoni Nogueira de Araújo e Dimas de Araújo, por estarem sempre ao meu lado em todos os momentos da minha vida.
Aos voluntários desta pesquisa e todos que participaram de forma direta ou indireta para que chegássemos a esse momento.
Aos professores do Curso de Gerontologia da UCB, em especial, Profa. Dra. Gislane por toda compreensão e apoio.
Fica aqui também meu profundo sentimento de gratidão a todas as meninas que trabalham comigo na Clínica as quais me substituíram nas horas mais corridas e difíceis. O meu muito obrigado a vocês: Bruna Alvarenga, Ana Regina Marcelino, Jéssica Aparecida e Mirian Rodrigues.
Agradeço também a Amandinha que não mediu esforços para me ajudar durante essa caminhada. Assim como a Dona Magda com toda sua preocupação, não mediu esforços para me acompanhar em muitas de minhas viagens para Brasília, me dando lanches e apoio.
“Cada sonho que você deixa para trás é um pedaço do seu futuro que deixa de
existir.”
RESUMO
ARAUJO, JUNIOR, Dimas. Os efeitos de um programa de 15 dias de exercício físico e dieta na composição corporal de homens e mulheres adultos e idosos com sobrepeso e obesidade. 81 folhas. Dissertação de mestrado em Gerontologia da Universidade Católica de Brasília-DF. 2015.
Esta dissertação teve por objetivo avaliar a eficácia de um programa de treinamento aeróbico e dieta na composição corporal de homens e mulheres, bem como inferir se a faixa etária destes influencia nas suas perdas ou ganhos. Para tanto, participaram da amostra total, 74 indivíduos sendo 53 mulheres e 21 homens sobrepesados e obesos. Os resultados deste estudo foram subdivididos em dois artigos. No primeiro estudo o objetivo foi avaliar as alterações na composição corporal de homens e mulheres de 50 a 74 anos. Participaram da amostra 33 sujeitos, sendo 22 mulheres e 11 homens com idade média de 58,00±5,22 anos. Estes foram convidados a participar de um programa de emagrecimento de 15 dias com exercício físico aeróbio de moderada a alta intensidade e dieta, três vezes por semana e duração de 60 minutos dia. Após quinze dias de treinamento foram observadas diferenças significativas na composição corporal, tanto dos homens quanto das mulheres, nas variáveis: massa corporal (p=0,0001), massa gorda (p=0,006), circunferência de quadril (p=0,001) e circunferência abdominal (p=0,0001), a variável peso gordo não apresentou diferenças significativas entre os sexos. Apesar das alterações entre o pré e o pós-teste para homens e mulheres, diferenças mais significativas (intra-grupo) foram observadas nos homens nas variáveis: massa corporal, circunferência do quadril e circunferência do abdômen. No segundo artigo, avaliou-se a influencia da faixa etária nas alterações da composição. Mais uma vez o programa se mostrou capaz de reduzir valores da composição corporal, contudo a faixa etária para os homens não influencia nos percentuais perdidos durante o programa. Já para as mulheres a faixa etária influenciou significativas nas porcentagens de perdas na composição corporal, onde mulheres mais jovens tendem a perder mais que mulheres mais velhas. Conclui-se, portanto, que o programa de emagrecimento com treinamento aeróbio e dieta mostrou-se capaz de proporcionar alterações significativas na composição corporal de homens e mulheres, tanto idosa ou não. A faixa etária nas mulheres interfere em seus ganhos e perdas quanto a massa corporal total, massa magra e massa gorda, onde mulheres mais novas tendem a ter um ganho mais significativo que mulheres com faixas etárias mais avançadas.
ABSTRACT
his work aimed to evaluate the effectiveness of an aerobic training program and diet on body composition of men and women, as well as to infer the age range of these influences in their losses or gains. Therefore, part of the total sample, 74 individuals and 53 women and 21 overweight and obese men. The results of this study were divided into two articles. In the first study the objective was to evaluate changes in body composition of men and women 50-74 years. The sample 33 subjects, 22 women and 11 men with an average age of 58.00 ± 5.22 years. They were invited to attend a 15-day weight loss program with aerobic exercise of moderate to high intensity and diet three times a week, for about 60 minutes daily. After fifteen days of training were significant differences in body composition, both men and women, the variables: body mass (p = 0.0001), fat mass (p = 0.006), hip circumference (p = 0.001) and waist circumference (p = 0.0001), the variable fat weight showed no significant differences between the sexes. Despite the changes between pre and post-test for both men and women, more significant differences (intra-group) were observed in men in the variables: body weight, hip circumference and abdominal circumference. In the second article, we assessed the influence of age on changes in composition. Again the program has been shown to reduce body composition values however the age group for men does not influence the lost percentage during the program. For women the age group influenced significant losses percentages in body composition, where younger women tend to lose more than older women. We conclude, therefore, that the weight loss program with aerobic training and diet proved able to provide significant changes in body composition of men and women, both elderly or not. The age group in women interfere in their profit and loss as the total body mass, lean mass and fat mass, where younger women tend to have a more significant gain than women with older age groups.
LISTA DE QUADROS E TABELAS
Quadro 01 - Escala de divisão do Índice de Massa Corporal em Idosos...22
Quadro 02 - Valores de referência de composição corporal...23
Tabela 01 (artigo 1) - Comparação inter e intra grupos por sexo...30
Tabela 02 (artigo 1) - Percentual de perda em valores de Delta...30
Tabela 01 (artigo 2) - Comparação total entre homens e mulheres...41
Tabela 02 (artigo 2) -Comparação dos valores de Delta por idade do sexo masculino..41
TA DE ABREVIATURAS
ACR: Aptidão Cardiorrespiratória
BIA: Impedância Bioelétrica
CA: Circunferência abdominal
CC: Circunferência da Cintura
DC: Dobras cutâneas
FPP: Força de Pressão Palmar
HPA: Hipertensão Arterial
IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IL1: Interleucina 1
IL6: Interleucina 1
IMC: Índice de Massa Corporal
MC:Massa Corporal
OMS: Organização Mundial de Saúde
PA: Pressão Arterial
RCE: Relação Cintura
RCEST: Relação
RCQ: Relação cintura quadril
TNF-Alfa: Fator de Necrose Tumoral
VO2máx:Consumo máximo de oxigênio
%G: Percentual de gordura
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...11
2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 ENVELHECIMENTO E COMPOSIÇÃO CORPORAL...14
2.2 EXERCÍCIO FÍSICO E ENVELHECIMENTO... 17
2.3 PROGRAMAS DE EMAGRACIMENTO... 19
2.4 COMPOSIÇÃO CORPORAL E MÉTODOS DE AVALIAÇÃO... 21
3 OBJETIVOS 3.1 OBJETIVO GERAL... 24
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS...24
4 APRESENTAÇÃO DE ARTIGOS...25
4.1 ARTIGO 1... 25
4.2 ARTIGO 2... 37
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 45
1 INTRODUÇÃO
A população idosa brasileira é composta atualmente por 23 milhões de pessoas, sendo as mulheres a maior porção desse grupo (IBGE, 2013). Para dar suporte a esse aumento populacional é necessário o entendimento das alterações normais e anormais do envelhecimento, já que comumente o termo é relacionado somente a doenças. O
envelhecimento é conceituado como “um processo progressivo, dinâmico que gera
alterações morfológicas, funcionais, bioquímicas, psicológicas e sociais que acabam
por reduzir a capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente” (PAPALÉO
NETTO; PONTES, 2002).
Dentre as alterações que ocorrem durante o processo de envelhecimento podem ser destacadas as modificações na composição corporal. O aumento descompensado da gordura corporal, principalmente na região abdominal, incrementa significativamente a incidência de patologias como hipertensão, dislipidemia, diabetes mellitus, insuficiência cardíaca, diminuição da imunidade e câncer, agravando ainda mais os fatores naturais do envelhecimento (CABRERA; JACOB, 2001; FERREIRA, et al., 2010), fatores estes preocupantes, já que no Brasil, 17,5% da população está obesa.
A obesidade pode ser definida como um aumento anormal da gordura corporal, (LEITE, 1996) e pode ser classificada em exógena ou endógena. Segundo Moratoya, et al. (2013) as alterações exógenas são caracterizadas pelo aumento do consumo calórico e podem sofrer influência externa como cultura, status social, sedentarismo, dentre outros. Já os fatores endógenos, dizem respeito à hipertrofia e hiperplasia celular, ações enzimáticas, citocinas inflamatórias, e quanto a sua distribuição em andróide e ginóide. As alterações da conformação do tecido adiposo de maneira ginóide para andróide, não se referem somente a uma alteração na disposição de gordura corporal, mas influenciam diretamente no aumento significativo no risco de doenças já mencionadas anteriormente (SILVA, et al., 2002; DOMENICO, et al., 2009; RIBEIRO et al., 2006).
Assim o engajamento em um programa de exercícios físico e dieta, no qual haverá manutenção da funcionalidade, controle das alterações metabólicas, bem como a aderência a uma boa alimentação pode ser a chave de uma vida mais saudável, com menor número de pessoas sobrepesadas e obesas (ARAÚJO, et al., 2000; FRANCHI; MONTENEGRO, 2005. LACOURT; MARINI, 2006; PEDRO; AMORIM, 2008; CAMPOS; MACIEL; RODRIGUES NETO, 2012).
Atualmente, existem três vertentes para a escolha do exercício com o objetivo de redução de massa e gordura corporal: exercícios de característica aeróbia, exercícios de força e os exercícios concorrentes (DAMMARK, et al., 2010). O exercício de força tem-se mostrado uma ótima estratégia para este fim, pois aumenta o gasto calórico, a massa muscular e a taxa metabólica de repouso além de maior consumo de oxigênio pós-exercício (EPOC) (PINTO, et al., 2011). O exercício de endurance ou aeróbio é um modelo muito eficaz em melhorar o volume máximo de oxigênio (VO2Máx), a atividade
de enzimas oxidativas, os estoques de glicogênio muscular, a capacidade de difusão pulmonar, o débito cardíaco, a densidade capilar, controle de saturação de hemoglobina (HAKKINEN, et al., 2007), além de ser um procedimento de baixo risco (ACSM, 2007). Já o exercício concorrente vem sendo aplicado por ser a junção do treinamento aeróbio e força. Este modelo de estratégia permite a obtenção de benefícios nos dois tipos de exercício se tornando teoricamente mais eficaz (BONGANHA, 2012).
Para Hernandez et al. (2008) não há um consenso sobre qual o melhor modelo de treinamento para o emagrecimento, pois para os trabalhos atuais o sucesso do programa aplicado a este objetivo está mais relacionado a intensidade utilizada, a duração do exercício, aos tempos de intervalo, a quantidade de séries, aos tempos de descanso, aos tipos de dieta os quais buscaram provocar adaptações metabólicas mais eficazes. Corroborando Hernandez et at (2008), Fonseca-Junior (2013) afirmam em sua revisão sistemática que exercícios tanto Programas de exercícios físicos aeróbicos e resistidos mostraram ser importantes componentes no tratamento da obesidade mórbida, porém deve haver cuidados especiais no momento da determinação do volume-intensidade de exercícios físicos. Em um programa de exercício relacionado ao emagrecimento, a restrição alimentar deve sempre estar incorporada, isto porque estudos apresentam melhores resultados com relação à composição corporal, comparados com aqueles que só se utilizaram de dieta ou só de exercício físico.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 ENVELHECIMENTO E COMPOSIÇÃO CORPORAL
O processo de envelhecimento é assunto que vêm despertando um crescente interesse na comunidade científica à medida que o contingente da população idosa se torna mais expressivo. Em 1940, a expectativa de vida variava entre 47 a 54 anos, ou seja, ainda não havia um processo real de envelhecimento (RAMOS, et al., 1987). Hoje em dia, após os avanços tecnológicos e a melhora na qualidade de vida dessa população, a expectativa aumentou significativamente para de 74 anos de vida (IBGE, 2013). Este processo, apesar de semelhante a todos as outras fases da vida como infância, adolescência e adulta, tende a ocorrer alterações fisiológicas, psicológicas e sociais mais acentuadas, as quais ocasionam maiores perdas funcionais (DUARTE, et al., 2007; MACIEL, et al., 2010; LEITE, et al., 2012). É nesse ínterim que os estudos atuam, buscando descobrir novas formas de amenizar estas perdas (DEPONTI, et al., 2010; FERREIRA, et al., 2012; TORRES, et al., 2013).
Para Papaléo Netto e Pontes (2002) o envelhecimento, em uma abordagem biogerontológica, é um processo dinâmico e progressivo, no qual há modificações
morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas, que determinam perda da
capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior
vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que terminam por levá-lo a morte.
De acordo com Civinski, et al. (2011) uma das principais alterações que ocorrem no processo de envelhecimento é a alteração na composição corporal como a diminuição da massa muscular (sarcopenia) e consequentemente da força muscular (dinapenia). Diminuição, também, da densidade mineral óssea, redução hormonal, do débito cardíaco, das funções vitais pulmonares, hipertensão e aumento da gordura corporal principalmente na região central. Estas alterações trazem consigo doenças ortopédicas, respiratórias, neurológicas e metabólicas (LEITÃO; LEITÃO, 2001).
secção transversa do músculo principalmente em membros inferiores (PEDRO; AMORIM, 2008). Estas podem, também, ser influenciadas tanto pela parte hormonal como pela redução da densidade mineral óssea, redução da massa magra (MAZO, et al..; 2007).
Com relação a variável composição corporal pode-se destacar a mobilização da gordura corporal das partes periféricas para a região central do corpo, aumento da massa gorda, a sarcopenia e a osteopenia (MATSUDO, et al., 2000; ASSUNÇÃO, et al., 2013). Estas alterações na composição corporal durante o processo de envelhecimento têm como consequências um aumento na prevalência de idosos com sobrepeso, obesidade e obesidade sarcopênica.
Silva, et al. (2011) confirmam que a prevalência de idosos com sobrepeso está na faixa de 45,1% em idosos brasileiros na faixa de idade entre 60 a 69 anos. Fatores como ser do sexo feminino, cor branca, escolaridade média e renda alta são os fatores que mais influenciaram no aumento de peso dessa amostra. Ferreira, et al. (2011) inferem que há uma grande quantidade de idosos com obesidade entre 60 a 69 anos e os fatores relacionados a esta doença são os mesmos relacionados ao sobrepeso.
A obesidade pode ser definida como um aumento desproporcional da gordura corporal em relação aos demais tecidos corporais (LEITE, 1996) e pode ser classificada em exógena ou endógena. Segundo Moratoya, et al. (2013) as alterações exógenas são caracterizadas pelo aumento do consumo calórica as quais são influenciadas pelo urbanismo, globalização e a renda. Já os fatores endógenos dizem respeito ao tamanho ou número de células, ações enzimáticas, citocinas inflamatórias, hipertrofia ou hiperplasia, e quanto a sua distribuição em androide e ginoide (SILVA, et al., 2002).
O tecido adiposo da mulher é referido como ginoide ou gordura disposta de forma mais periférica, podendo ser caracterizada, figurativamente, em forma de “pera”.
Porém, com o processo de envelhecimento esta redistribuição de gordura na mulher tende a ser redistribuída em forma androide, passando a ser representada,
figurativamente, na forma de “maçã” (CYRINO; NARDO, 1996).
al., 2009). Segundo Figueiredo et al. (2010) existe uma maior prevalência de casos de síndrome metabólica em mulheres após a menopausa quando comparadas com as pré-menopausadas, sendo a idade o principal fator de diferença.
Nos achados de Cabrera e Jacob (2001) os autores observaram a relação da obesidade com a hipertensão arterial no sexo feminino. Para Rocha, et al. (2013) há relação entre as variáveis antropométricas relacionada a obesidade abdominal e lipídios séricos, onde encontraram que os principais indicadores são circunferência da cintura (CC) e a relação cintura quadril (RCQ).
Outra modificação importante ocorrida durante o envelhecimento é a sarcopenia. Este processo tem sido investigado, já que tem relação direta com a qualidade da funcionalidade do indivíduo idoso (PIERINE; NICOLA; OLIVEIRA, 2009; LEITE, RESENDE; NOGUEIRA, 2012). Sarcopenia por definição quer dizer: sarco (músculo) e penia (perda). O termo foi utilizado por Rosenberg em 1989, para definir a perda muscular relacionada ao processo de envelhecimento. Para Picoli et al. (2011) a sarcopenia pode ser definida como a redução da massa muscular com consequente diminuição da força muscular em função do desequilíbrio de fatores hormonais, nutricionais, metabólicos e imunológicos, o que acaba acarretando uma sensibilidade à diminuição de unidades motoras com consequente redução de fibras musculares e atrofia muscular. Quando somadas essa perda de volume mais a perda de força muscular nos idosos, esse processo é chamado de dinapenia(CLARK; MANINI, 2008).
Este processo leva o indivíduo a uma condição mais fraca com perda da mobilidade, o que pode gerar déficits nas atividades de vida diária e instrumentais devido à incapacidade e a perda de independência (SILVA, et al., 2006). Há uma estimativa de que ocorra uma perda de 5% da massa muscular a cada década a partir dos 40 anos de idade, com o declínio mais rápido após os 65 anos (SILVA, et al., 2012).
Para Pierine et al. (2009) existem alguns fatores que podem ser relacionados com a potencialização do processo de perda muscular, como o aumento dos estímulos catabólicos (aumento de citocinas pró-inflamatórias, redução de neurônios motores), redução de estímulos anabólicos (hormonais anabólicos), redução da atividade física, dentre outros.
pesadas, além de estimular a liberação de cortisol e catecolaminas a partir da glândula adrenal.
A perda da massa muscular e, consequente perda de força muscular, ocorre principalmente nos membros inferiores, acarretando inúmeros prejuízos para essa população como redução na deambulação, desequilíbrio, queda e fraturas o que pode acabar por levar ao óbito (CRUZ, et al. 2012; LUZ, et al. 2013).
Diferentes estudos vêm mostrando que o exercício físico é uma excelente maneira de prevenir ou tratar a sarcopenia, bem como o sobrepeso e a obesidade (BARBOSA, et al. 2000; REBELATTO, et al. 2005; VALE, et al. 2006; BERNARDI, et al. 2008; PEREIRA, 2012; CARVALHO, et al. 2012). Esta relação está apresentada a seguir.
2.2 EXERCÍCIO FÍSICO E ENVELHECIMENTO
O exercício físico bem orientado traz ao idoso, independente de qual tipo de treinamento, inúmeros benefícios e pode ser considerado um tratamento não medicamentoso, sendo muito eficiente tanto na prevenção como no tratamento do sobrepeso, obesidade e sarcopenia (SANTOS; SANTOS, 2010; CIVINSKI, et al., 2011; PITANGA, et al., 2011; VILA, et al., 2013).
Mattos e Farinatti (2007) avaliaram os efeitos de 20 sessões de treinamento aeróbio de 40 minutos, com frequência variando de 2 a 3 vezes por semana, com intensidade de 50 a 65 % da frequência cárdica de reserva, em cicloergômetro e afirmam que houve adaptações positivas na autonomia funcional de idosos. Freitas, et al. (2012) corrobora com o achado ao afirmar que há uma relação direta entre o nível de capacidade aeróbia e autonomia funcional em idosos. Mazo, et al. (2012) relataram que a prática de exercício aeróbios em diferentes modalidades com intensidade leve a moderada, promoverão melhoras no equilíbrio, agilidade, resistência de força.
Para Júnior et al. (2010) e Monteiro (2010) o exercício aeróbio é um excelente procedimento não farmacológico no controle da hipertensão, assim como na redução ou tratamento dos seus fatores de risco, isso por um mecanismo fisiológico conhecido como Hipotensão Pós Exercício (HPE).
Sobre o treinamento resistido para idosas, Dias, et al. (2006), inferem que com uma frequência semanal de 2 a 5 vezes em uma intensidade de 50 a 85% de uma repetição máxima (1RM) já promove melhora na força muscular e no tratamento da atrofia muscular, bem como na densidade mineral óssea, na revascularização periférica, na taxa metabólica basal, redução da hipertensão por atuar no ventrículo esquerdo reduzindo a sua sobrecarga, desta forma promove o ganho de força reduzindo riscos a quedas. O estudo de Dias et. al (2006) vai ao encontro com as afirmações feitas por Pulcinell e Gentil, em 2002, onde os autores já demonstravam que os exercícios resistidos, mesmo que de forma submáxima e frequência semanal de 2 dias, são capazes de produzir alterações positivas na composição corporal das idosas.
Porém, em estudos mais atuais e de acordo com as normas do American College
of Sports Medicine (2000) o treinamento resistido teria mais efeitos em idosos se
realizado em 3 ou mais sessões semanais para que houvesse modificações expressivas no ganho de massa magra e massa óssea e na diminuição da massa gorda (BORBA-PINHEIROS, et al. 2010; NASCIMENTO; JANUÁRIO; AGUIAR, 2012).
Correa e Pinto (2011) concluem, ao avaliarem três diferentes tipos de treinamento de força (força máxima, potência e força relativa), que a força relativa é mais efetiva para o desenvolvimento de força rápida e assim mais eficiente na melhorara das capacidades funcionais das idosas.
Em seu estudo com idosas com síndrome metabólica Farias, et al. (2013) encontraram que estas apresentam maior risco cardiovascular e menor força relativa quando comparadas a idosas sem síndrome metabólica. Achados idênticos foram observados nos estudos de Assumpção et al. (2009) onde os pesquisadores relatam a melhora significante ao se incrementar o treinamento resistido em mulheres idosas com síndrome metabólica.
(2013) encontraram pouca efetividade do treinamento de força sobre as variáveis que correlacionavam com a síndrome metabólica.
De acordo com Pedrinelli, Garcez-Leme e Nobre (2009), a combinação de exercícios aeróbios e resistidos é muito importante para a manutenção e a melhora da funcionalidade do aparelho locomotor do idoso. Para elucidar mais benefícios dos diferentes tipos de treinamento, Nadai et al. (2002), Locks et al. (2012), Raso, et al. (2012), Bonani et al. (2013), observaram o efeito de diferentes tipos de exercícios –
Aeróbio, Misto e Força - sobre a composição corporal e componentes séricos em mulheres fazendo ou não terapia de reposição hormonal, demonstrando que o treinamento misto trouxe alterações significativas sobre a musculatura e a densidade mineral óssea (DMO) e inferiram um ganho substancial com relação a diminuição da osteoporose e de quedas em mulheres pós menopausadas.
Ao avaliarmos todos os artigos apresentados, pode-se observa que o tempo de intervenção variaram de 4 semanas a um ano. Estudos com tempos menores de intervenção são raros, mesmo que já tenham sido comprovados os efeitos agudos de uma única sessão de treinamento na composição corporal de idosos (PRESTES, et al. 2013). Quando se trata de pessoas com sobrepeso e obesidade o tempo que se leva para perceber mudanças em seus corpos tem influência fundamental nos níveis motivacionais e na adesão ao programa de emagrecimento, desta forma programa de intervenção que são capazes de alterar a composição corporal deste público são necessários na tentativa de uma maior adesão ao exercício físico.
2.3 PROGRAMAS DE EMAGRECIMENTO
De acordo com os autores mencionados no último tópico, o exercício físico é um excelente método no tratamento e prevenção das patologias relacionadas ao aumento da gordura corporal. Porém observa-se que não é somente o tipo de exercício que se torna importante ou ideal no processo de emagrecimento, mas sim a abordagem que é trabalhada. Para Gentil (2010) existem três abordagens para compreender e prescrever o exercício físico visando o emagrecimento: abordagem metabólica, abordagem matemática e abordagem bioquímica, as quais serão apresentadas a seguir.
matemática parte do pressuposto que o aumento da massa corporal está associado ao aumento na ingestão alimentar e a diminuição do gasto calórico, o que o levaria a um balanço energético positivo. E assim, para diminuição da gordura corporal seria necessário que se gastar mais energia do que se consome (YUDKIN, et al.,2005). A abordagem bioquímica foi criada com o intuito de preencher uma lacuna existente entre as outras teorias por onde se acreditavam que o corpo altere seu funcionamento de modo a compensar os efeitos agudos do exercício visando manter constantes as reservas de gordura. Após realizar seus estudos apoiados nesta abordagem, Gentil (2010) infere que o treinamento intenso, especialmente os intervalados, produzem alterações desejáveis em reduzir a quantidade de gordura corporal.
Atualmente existem alguns princípios de treinamento que ajudam a potencializar o metabolismo de gordura, assim como as intensidades ideais para que possamos atingir a maior oxidação de gordura durante o treinamento, e ainda, modelos de treinamento que mostram a influência de alguns tipos de exercícios em uma variável chamada EPOC (consumo de oxigênio pós-exercício) (FOUREAUX, et al.; 2006; LIRA, et al.; 2007).
Quanto a intensidade de treinamento ideal para idosas, Elsangedy et al. (2010) sugerem uma intensidade de 48 a 59 % do VO2max . Zona está denominada de Fatmáx.
Para Macedo, et al. (2009) tanto o exercício aeróbio como o resistido são eficientes na diminuição da gordura principalmente abdominal, quando realizados em intensidade moderada e duração de 150 a 210 minutos semanais. Já para Cabral (2002) para a perder peso as pessoas deveriam acumular de 60 a 85 minutos de atividade física moderada diariamente.
O exercício aeróbio em intensidades leve a moderada, de acordo com Ravagnani, et al. (2013) alterou de forma positiva tanto o perfil metabólico como os substratos teciduais de ratos tratados com dietas hiperlipídicas, mostrando a importância da utilização do exercício aeróbio.
Segundo Santos, Valente e Batista (2012) uma das variáveis que se deve observar ao prescrever um treinamento para emagrecimento é a ordem com que coloca os exercícios, os achados do autor demonstraram que o exercício aeróbio feito primeiro que outro método de exercício possui maior sensibilidade a diminuir o percentual de massa gorda.
em mulheres idosas, no entanto todo o procedimento deve ser feito com a ajuda de uma equipe multiprofissional como Professores de Educação Física, Médicos, Nutricionista, Psicólogos, para que isso não traga prejuízos futuros (TIENE; VESPADIANO, 2012.; OKADA; BARBOSA, 2013).
O que pode ser observado neste último texto é que ainda existem várias lacunas a serem preenchidas para que se chegue a um programa ideal de treinamento com o objetivo de emagrecer. Porém, fica cada vez mais claro que devemos nos debruçar sobre os princípios fisiológicos, sociais e psicológicos que envolvem nossos alunos para que possamos encontrar a melhor maneira a ajudar a melhorar a qualidade de vida de idosos sobrepesados e obesos.
A seguir serão apresentadas as técnicas mais utilizadas na avaliação da composição corporal.
2.4 COMPOSIÇÃO CORPORAL E MÉTODOS DE AVALIAÇÃO
A composição corporal é considerada como sendo a constituição das estruturas que compõem o corpo humano, essas estruturas segundo Beunen, Borms (1990) são divididas em níveis atômicos, molecular, celular, tecidos, sistemas e corpo total. Com o descobrimento dessas estruturas foi necessária à criação de instrumentos e técnicas para a avaliação da constituição corporal através de modelos diretos, indiretos e os duplamente indiretos (EICKEMBERG, et al., 2013).
A avaliação da composição corporal pelo método direto, por exemplo, é a dissecação de cadáveres, como método indireto temos a pesagem hidrostática e a absortometria de raios X de dupla energia (DEXA)e os duplamente indiretos que são as avaliações antropométricas, dobras cutâneas (DC), bioimpedância (BIA), índice massa corporal (IMC), relação cintura quadril (RCQ), relação circunferência cintura estatura (RCEST), circunferência abdominal (CA), circunferência panturrilha (CP), circunferência cervical (CC), índice de adiposidade corporal (IAC) (FERNANDES FILHO; MONTEIRO, 2002). Independentemente do tipo de avaliação escolhida, o objetivo é avaliar o quanto o indivíduo se caracteriza em quadros de normalidade de acordo com as referências determinadas por sua faixa etária, sexo e etnia.
esta avaliação os principais indicadores estão relacionados com o percentual de gordura ou peso gordo, sendo observada principalmente a sua distribuição corporal, e a gordura do tipo androide ou mais visceral, que possui maior correlação com o RCE (SILVA; DOURADO; PEREIRA, 2012).
O IMC é utilizado em estudos epidemiológicos e para diagnósticos. Autores inferem que este índice não deve ser mais utilizado em idosos pois tem a probabilidade de subestimar a composição corporal. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as medidas de referência do IMC para idosas são:
Quadro 01 – Escala de divisão do Índice de Massa Corporal em Idosos.
IMC Classificação
Menor que 18,5 Abaixo do peso
Entre 18,5 e 24,99 Peso normal
Igual a 25,00 Sobrepesado
Entre 25,01 e 29,99 Pré-Obeso
Entre 30 a 34,99 Obeso I
Entre 35 a 39,99 Obeso II
Acima de 40 Obeso III Fonte: OMS ( 2002).
A RCQ é outra variável preditora muito usada para a estratificação de risco sendo mensurada por meio da divisão da CC (em centímetros), que é avaliada no espaço médio entre a última costela e a crista da supra ilíaca, dividido pela CQ (em centímetros). A CC avaliada de forma isolada, também é muito utilizada para a avaliação da RCE, Síndrome Metabólica, relação com o distúrbio do sono, desenvolvimento de patologias como hipertensão, diabetes, dislipidemia e perda de força muscular em mulheres idosas (TIBANA, et al. 2012). Os valores de corte para os
homens de ≥ 94 cm e para mulheres ≥ 80 cm.
Quadro 2 – Valores de referência de composição corporal
SEXO EXCESSO
GORDURA
MODERADA IDEAL BAIXA EXCEPCIONAL
MENTE BAIXA
HOMENS > 24% 18 a 24% 14 a 18% 10 a 14% 6 a 10 %
MULHERES > 29% 25 a 29% 19 a 25% 15 a 19% 10 a 15 %
Dos tipos de avaliação duplamente indiretos as dobras cutâneas e a bioimpedância são muito utilizadas para avaliar o percentual de gordura, assim como as proporções do peso magro (MACHADO; COELHO; COELHO, 2010). A avaliação das dobras cutâneas é realizada sempre do lado direito da pessoa, onde se avalia a gordura em milímetros que se tem entre a pele e o músculo, sendo os métodos mais utilizados os de Durnin, et al.(1974); Jackson, et al. (1980); Visser, et al. (1994); Lean, et al. (1996) e os resultados sempre advém da média de três aferições. Essa teoria tem grande aceitação pelo fato de 50% da distribuição da gordura corporal estar entre a pele e o músculo. Existem vários protocolos sobre quais dobras devem-se aferir, levando em consideração idade e sexo.
Para idosos o protocolo com maior eficácia e sensibilidade é o de Petroski (1995), utilizado para a avaliação do peso magro e do percentual de gordura ideal, para pessoas acima de 60 anos. O percentual de gordura ideal para idosos é de 21% para homens e 26% para mulheres (AMERICAN COLLEGE SPORT MEDICINE, 2010).
A bioimpedância elétrica (BIA) é um sistema de avaliação da composição corporal que consiste na passagem de uma corrente elétrica de baixa intensidade (500 a 800 µÄ) e de alta frequência (50 kHz) através do corpo, por meio da impedância das estruturas da composição corporal sobre a corrente, há uma quantificação estimada da corrente elétrica gerando fórmulas como resultados para o percentual de gordura, peso magro, peso ósseo, percentual de água (SILVA, et al., 2012,).
Embora todos os outros marcadores antropométricos sejam muito eficientes em medir e avaliar as alterações da composição corporal dos idosos (RECH, et al., 2006; VILAÇA, et al., 2012), o DEXA é considerado o padrão ouro de medida desta variável. Porém como se trata de um método com custos altos, nem sempre é o mais utilizado na avaliação diárias com idosos obesos.
3 OBJETIVOS
3.1 GERAL
Avaliar as alterações na composição corporal de adultos e idosos com sobrepeso ou obesidade submetidos a um programa de 15 dias de treinamento aeróbio e restrição alimentar.
3.2 ESPECÍFICOS
a) Avaliar as alterações na composição corporal de homens e mulheres adultos e idosos participantes em um programa de treinamento físico e dieta;
4 APRESENTAÇÃO DOS ARTIGOS
4.1 ARTIGO ORIGINAL 01
Título: Análise da composição corporal de homens e mulheres com idade entre 50 e 74 anos sobrepesados e obesos, submetidos 6 sessões exercício aeróbio e dieta por 15 dias.
Título reduzido: Composição corporal de adultos e idosos submetidos a exercício e dieta
Resumo
Este estudo teve por objetivo avaliar os efeitos de 15 dias de treinamento cardiovascular e dieta em homens e mulheres com sobrepeso e obesidade. Participaram da amostra 33 sujeitos, sendo 22 mulheres e 11 homens com idade média de 58,00±5,22 anos (50-74anos). Estes foram convidados a participar de um programa de emagrecimento de 15 dias com exercício físico aeróbio de moderada a alta intensidade e dieta, três vezes por semana e duração de 60 minutos dia. Após quinze dias de treinamento foram observadas diferenças significativas na composição corporal, tanto dos homens quanto das mulheres, nas variáveis: massa corporal (p=0,0001), massa gorda (p=0,006), circunferência de quadril (p=0,001) e circunferência abdominal (p=0,0001), a variável peso gordo não apresentou diferenças significativas entre os sexos. Apesar das alterações entre o pré e o pós-teste para homens e mulheres, diferenças mais significativas (intra-grupo) foram observadas nos homens nas variáveis: massa corporal, circunferência do quadril e circunferência do abdômen. A partir destes resultados conclui-se que em 15 dias de treinamento físico e dieta, homens e mulheres com sobrepeso e obesidade já apresentam reduções significativas em sua composição corporal.
Palavras-Chave: Obesidade. Treinamento aeróbio. Dieta.
Abstract
This study aimed to evaluate the effects of 15 days of cardiovascular training and diet in men and women with overweight and obesity. A sample of 33 subjects were 22 women and 11 men with a mean age of 58.00 ± 5.22 years (50-74anos). These were invited to participate in a 15-day weight loss program with diet and exercise three times a week, for about 60 minutes day. After fifteen days of training were significant differences in body composition, both men and women, the variables: body mass (p = 0.0001), fat mass (p = 0.006), hip circumference (p = 0.001) and waist circumference (p = 0.0001), the variable fat weight showed no significant differences between sex. Despite the changes between the pre- and post-test for men and women, more significant differences (intra-group) were observed in men in the variables: body weight, hip circumference and circumference of the abdomen. From these results, it is concluded that in 15 days of physical training and diet, men and women with overweight and obesity already show significant reductions in their body composition.
Introdução
A população idosa brasileira é composta atualmente por 23 milhões de pessoas, sendo as mulheres a maior porção desse grupo (IBGE, 2010). Para dar suporte a esse aumento populacional é necessário o entendimento das alterações do envelhecimento, já
que comumente o termo é relacionado somente a doenças.
O processo de envelhecimento é um processo multidimensional, progressivo e inevitável, o qual apresenta alterações biológicas, fisiológicas, sociais e psicológicas (PAPALÉO NETTO; PONTES, 2002). Dentre as alterações fisiológicas destacam-se as modificações na composição corporal, uma vez que o envelhecimento está associado ao aumento da massa gorda com mudança em sua distribuição e diminuição de massa magra (SANTOS et al. 2013).
O aumento da gordura corporal (2% a 5% por década, após os 40 anos), principalmente nas regiões abdominal e visceral, influencia significativamente a incidência de patologias como hipertensão, dislipidemia, diabetes mellitus, insuficiência cardíaca, diminuição da imunidade e câncer (CABRERA; JACOB, 2001; CARDOSO, 2009; SANTOS; VALENTE; BATISTA, 2013). Controles medicamentosos são utilizados em obesos, porém com o objetivo de uma melhor qualidade de vida, recomenda-se exercícios físicos em conjunto com dietas restritivas e reeducação alimentar.
Segundo Civinski, et al. (2011) o exercício físico bem orientado traz ao idoso, independente de qual tipo de treinamento escolhido, inúmeros benefícios. Corroborando esta ideia, Pitanga, et al. (2011) e Vila, et al. (2013) inferem que a prática regular de exercício físico bem orientado pode desencadear uma cascata de benefícios a esse público, em especial as mulheres, fazendo com as mesmas tenham uma condição melhorada na qualidade de vida, assim como alterações positivas na imunossenescência (SANTOS; SANTOS, 2010).
Fonseca-Junior (2013) afirma em sua revisão sistemática que tanto programas de exercícios físicos aeróbicos como resistidos são satisfatórios no tratamento da obesidade mórbida, porém o que diferencia a qualidade do programa são os cuidados que deve haver com a determinação do volume, intensidade, durante dos exercícios realizados.
Outro fator que influencia em um programa de emagrecimento é o tempo que o sujeito leva para perceber a evolução do treinamento na alteração do seu peso, já que este influenciará nos níveis de motivação e na adesão ao programa e na sua evolução (TOLEDO; ABREU; LOPES, 2013). Programas que conseguem uma evolução na perda de peso nas primeiras semanas e tendem a continuação nas devidas proporções, se apresentam com uma possibilidade maior de adesão e interesse na continuidade do mesmo (BRAJAL, 2014).
De acordo com Schneider et al. (2007) indivíduos que associam restrição calórica e exercício chegam a perder 5% a 10% do peso basal em um período do quatro a seis meses. Para as autoras esta perda pode ser favorável a diversas condições relacionadas à obesidade, mas para as pacientes fica aquém do esperado.
Desta forma acredita-se que o tempo que se leva para perceber mudanças na composição corporal irá influenciar na adesão ao tratamento com exercícios e dieta. Portanto, este estudo buscou avaliar a influência de um programa de treinamento (6 sessões de 60 minutos) físico e restrição calórica (15 dias) na composição de homens e mulheres entre 50 e 74 anos.
Materiais e Métodos
Instrumentos: Para avaliação da composição corporal utilizou-se a balança de bioimpedância Body Complete com 8 eletrodos e interface Modelo, BF 100 – Beurer, que avalia de forma precisa a parte superior e inferior do corpo separadamente. Para que esse procedimento tivesse maior eficácia e sensibilidade, foram cumpridas regras como ingerir pelo menos 2 litros de liquido no dia anterior ao teste. Não ingerir bebidas alcoólicas e café nas 12 horas que antecedem o exame. Não realizar exercícios físicos ou sauna nas 8 horas que antecedem o exame. Evitar o uso de medicamentos diuréticos no dia anterior ao teste (SILVA, et al., 2012; EICKEMBERG, et al., 2013).
Para avaliação da estatura foi utilizado o estadiômetro Professional Sanny,
Alumínio Anodizado, já as circunferências de quadril e abdômen foram avaliadas por meio de uma fita antropométrica de fibra de vidro maleável da marca Wiso. Na parte do treinamento foram utilizadas Esteiras Profissionais Embrex 2.0, com regulagem automática de velocidade, bicicletas e Elípticos da marca Moviment.
Procedimentos: Inicialmente, às idosas foram convidadas a comparecer na Espaço destinado aos treinamentos (academia) e foram instruídas sobre as avaliações que deveriam realizar antes do início da intervenção. Para tanto, foram encaminhadas ao cardiologista para o teste de ergoespirometria. Após a liberação do cardiologista, o pesquisador realizou os testes específicos de esteira e bicicleta. A seguir as idosas as idosas foram encaminhadas a nutricionista para avaliação nutricional e elaboração da restrição alimentar.
A dieta foi elaborada de acordo com as necessidades observadas pela nutricionista na primeira avaliação clínica, sendo implementado a cada indivíduo um modelo de dieta quantificado em suas calorias de acordo com sua taxa metabólica. Esta restrição calórica (dieta) estipulada em uma redução de 30% do valor inicial da ingesta calórica (recordatório alimentar).
Treinamento aeróbio
O treinamento aeróbio foi realizado durante 15 dias (três vezes por semana – 6 sessões), com duração diária de 60 minutos e intensidade entre 60% e 75 % da frequência cardíaca de reserva. Cabe ressaltar que o profissional de Educação Física estava ao lado da voluntária durante toda a sessão controlando os níveis e a velocidade da esteira, da bicicleta e do elíptico, bem como a frequência cardíaca durante o exercício (polar).
As aulas foram divididas em 10 minutos de aquecimento, 45 minutos de treinamento em intensidade alta 60% a 75 % da frequência cardíaca de reserva e 5 minutos de volta à calma. Planilhas individualizadas foram montadas, porém os exercícios e os tempos eram os mesmos. A cada dia foi apresentado um treino diferenciado para a parte específica, sempre com o intuito de chegar a intensidade desejada. A hidratação foi feita de acordo com as recomendações do National Athletic Trainer’s Association (CASA, et al., 2000). Para assegurar o estado de hidratação, devem ingerir 600ml de água sendo entregue 200ml após aquecimento, 200 ml no meio da série forte e 200ml na volta a calma.
Análise de dados
Para a análise descritiva da amostra foram utilizadas médias, desvios padrões e frequências. Para avaliar a normalidade nos dados pré e pós-teste foi utilizado o teste de normalidade Shapiro-Wilks em razão do tamanho amostral.
Para as análises inferenciais rodou-se a ANOVA Split Plot (para medidas repetidas), utilizando-se o nível de significância de p ≤ 0,05. Todas as análises
estatísticas foram realizadas por meio do Programa SPSS- IBM 22.0 devidamente registrado e autorizado.
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da UCB com o número CEP 50/2011.
Resultados
Tabela 01 – Comparação intre e intra-grupos por sexo
Composição Corporal Homens (11) Mulheres (22)
Pré Pós Pré Pós
Massa Corporal total 93,49±19,21 89,95±16,83 77,65±12,88 75,77±12,61 ∆= - 3,54 ∆= - 1,88
Entre grupo = 0,02 Intra-grupo = 0,001
Massa Gorda 51,38±21,77 49,78±23,92 44,31±17,45 43,81±19,42 ∆= - 1,60 ∆= - 0,50
Entre grupo = 0,41 Intra-grupo = 0,11
Massa Magra 42,25±25,43 40,51±26,84 33,38±18,25 32,39±20,54 ∆= - 1,74 ∆= - 0,98
Entre grupo = 0,42 Intra-grupo = 0,006 Circ. do Quadril 99,64 ± 15,78 92,09±15,35 92,18±9,86 87,77±8,86
∆= - 7,55 ∆= - 4,41 Entre grupo = 0,002 Intra-grupo = 0,0001 Circ. Abdominal 101,55±14,84 94,18±14,55 88,04±10,13 82,73±8,70
C= - 7,36 ∆= - 5,32 Entre grupo = 0,06 Intra-grupo = 0,0001
As diferenças significativas estão marcadas em valores e em negrito. Pode perceber que o programa de emagrecimento com exercícios aeróbio de moderada e alta intensidade e uma dieta restritiva proporcionaram alterações na composição corporal de pessoas com idade entre 50 e 74 anos. Dentre as variáveis avaliadas só não foram encontradas diferenças entre o pré e o pós-teste na massa gorda.
Tabela 2 - Percentual de perda em valores de Delta
Composição Corporal ∆ Porcentagem Homens ∆ Porcentagem Mulheres
Massa Corporal total -3,79% -2,42%
Massa Gorda -3,11% -1,12%
Massa Magra -4,11% -2,93%
Circ. do Quadril -7,58% -4,78%
Circ. Abdominal -7,25% -6,04%
Discussão
Estes dados se tornam relevantes, uma vez que a distribuição da gordura corporal de mulheres idosas tende ao acúmulo na região abdominal e no quadril, o que ocasiona um aumento de doenças cardiovasculares e inflamatórias neste público. Assim, acredita-se que as reduções nestas circunferências estarão relacionadas a uma redução nos fatores de risco assim como na glicemia, níveis de triglicerídeos, redução da pressão arterial e níveis de HDL.
A não alteração nos valores de massa gorda pode estar relacionada às alterações hormonais que ocorrem nessa faixa etária sendo destacados os níveis de uma classe de hormônio, os estrogênios que com as alterações promovem redução da taxa metabólica assim como a redução na sensibilidade de receptores de leptina aumentando o tempo de saciedade dos indivíduos e como consequente aumento na sua ingestão alimentar e aumento ou estabilização da massa gorda (IGNÁCIO et al. 2009).
Com relação à massa magra, apesar da não significância, observou-se médias maiores no pós-teste em relação ao pré-teste. Este resultado nos faz perceber que este tipo de exercício e dieta não ocasionou uma redução na massa magra. Este resultado vai de encontro com aqueles encontrados por Trombeta (2003). A não redução da massa magra durante um processo de emagrecimento é um dos objetivos desejados do profissional de Educação Física e do Nutricionista já que sua diminuição reduz também a taxa metabólica e outras variáveis funcionais.
As diminuições nas circunferências tendem a levar os obesos a uma percepção positiva da sua imagem corporal (BEVILACQUA et al. 2012). A capacidade de vestir roupas que não entravam em seus corpos a 15 dias atrás, possibilita níveis motivacionais maiores do que aqueles antes do programa, o que pode interferir positivamente na adesão a este (EIRAS et al., 2010). De acordo com Ribeiro et al. (2012), Laurenzano e Loch (2012), a adesão a um programa de exercício físico acaba sendo muito importante para a qualidade deste programa. O engajamento em um programa de exercícios físico e dieta, no qual haverá manutenção da funcionalidade, controle das alterações metabólicas, bem como a aderência a uma boa alimentação pode ser a chave de uma vida mais saudável, com menor número de pessoas sobrepesadas e obesas (FRANCHI; MONTENEGRO, 2005. LACOURT; MARINI, 2006; PEDRO; AMORIM, CAMPOS; MACIEL; RODRIGUES NETO, 2012).
mobilizada da parte periférica para a região central aumentando o risco de patologias sendo destacadas as doenças cardiovasculares.
No programa de emagrecimento deste estudo pode-se observar que mesmo um período pequeno de processo de exercício físico e dieta alimentar foi capaz de promover a redução nos valores: 7 cm de abdômen nos homens e de 5 cm nas mulheres, assim como a redução de 7 cm de circunferência de quadril em homens e 7 cm nas mulheres fazendo com que os mesmos tenham um menor risco coronariano ou mesmo prevenindo futuros agravos em sua saúde.
Contudo atualmente observa-se que o emagrecimento não é simplesmente um cálculo matemático que se correlaciona com déficit de calorias. O emagrecimento pode ser observado como um processo inflamatório onde a alteração de várias enzimas como a TNF-alfa e a Interleucina 10 assim como várias outras alterações, fazem com que o processo de emagrecer se torne para muitas pessoas um martírio (PRADO, et al., 2009). Por isso um programa de exercício aeróbio de intensidade modera a intensa gera um papel fundamental para o processo de emagrecimento por ser capaz de acelerar os processos inflamatórios gerando, menos desgaste aos seus praticantes além de potencializar as ações anti-inflamatórias (PEREIRA et al., 2013).
Essas adaptações ao processo de emagrecimento natural inicial sobre o peso magro trazem pelo imediatismo de resultados a desistência e o não cumprimento da meta estabelecida inicialmente (RIBEIRO et al., 2013). Diante destes fatos foi criado um modelo de trabalho visando potencializar as alterações na composição corporal em 15 dias de exercícios aeróbios moderados e dietas, onde se observou que quando há planejamento e criação de metas e modelos fidedignos para avaliação se pode mesmo em pouco tempo ter resultados positivos sobre alterações na composição corporal e essa eficiência pode levar o aluno a permanecer em seu programa até a conclusão do objetivo.
Considerações Finais
As evidências desse trabalho apontam que 15 dias de dieta e seis sessões de treinamento aeróbio são capazes de promover adaptações significantes na composição corporal de homens e mulheres com sobrepeso ou obesidade.
melhor e de forma mais clara as adaptações que ocorrem no processo de emagrecimento.
Referências
BEVILACQUA, Lidiane Amanda et al. Avaliação da Imagem corporal. In: Medidas e Avaliações dos Exercícios Físicos e Saúde. Editora: Santa Maria, 154-184. 2014.
BORBA-PINHEIROS, Cláudio Joaquin et al. Efeito do treinamento Resistido sobre Variáveis Relacionadas com a Baixa Densidade Óssea de Mulheres Menopausadas Tratadas com Alendronato. Revista Brasileira Medicina Esporte. n. 2, v. 16, p.121- 125, 2010.
CABRERA, Marcos AS; JACOB FILHO, Wilson. Obesidade em idosos: prevalência, distribuição e associação com hábitos e co-morbidades. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 45, n. 5, p. 494-501, 2001.
CAMPOS, Maryane; MACIEL, Marcos; RODRIGUES NETO, João. Atividade física insuficiente: fatores associados e qualidade de vida. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, v. 17, n. 6, p. 562-572, 2012.
CANOVAS, Daniele Cristina; GUEDES, Dartagnan Pinto. Impacto de diferentes intensidades de caminhada em fatores de risco cardiovasculares em mulheres sedentárias. Saúde e Pesquisa, v. 5, n. 1, p. 217-224, 2012.
CASA, Douglas J. et al.. National Athletic Trainers' Association position statement: fluid replacement for athletes. Journal of athletic training, v. 35, n. 2, p. 212, 2000.
CARDOSO, Andrea Ferreira. Particularidades dos idosos: uma revisão sobre a fisiologia do envelhecimento. Revista digital-Buenos Aires. ano13. nº130, p. 1-1, 2009.
CIVINSKI, Cristian; MONTIBELLER, André; OLIVEIRA, André Luiz de. A
Importância do exercício físico no envelhecimento. Revista da UNIFEBE (Online), v. 1, n. 09, p. 163-175, 2011.
COREA, Cleiton Silva; PINTO, Ronei Silveira. Efeitos de Diferentes Tipos de
Treinamento de Força no Desempenho de Capacidades Funcionais em Mulheres Idosas.
Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento, v. 16, n. 1, 2011.
DIAS, Raphael Mendes Ritti; GURJÃO, André Luiz Demantova; MARUCCI, Maria de Fátima Nunes. Benefícios do treinamento com pesos para aptidão física de idosos Strength training benefits on the physical fitness of elderly indi-viduals. Revista Acta Fisiátrica. v. 13, n. 2, p. 90-95, 2006.
EIRAS, Suélen Barboza et al.. Fatores de adesão e manutenção da prática de atividade física por parte de idosos. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 31, n. 2, p. 75-89, 2010.
FONSECA-JUNIOR, Sidnei Jorge, et al.. "Exercicio fisico e obesidade morbida: Uma revisão sistemática. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva,v. 26, p. 67-73, 2013.
FRANCHI, Kristiane Mesquita Barros; MONTENEGRO, Renan Magalhães. Atividade física: uma necessidade para a boa saúde na terceira idade. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 18, n. 3, p. 152-156, 2005.
IBGE Censo Demográfico. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2012. 2010. Influências do exercício físico sobre os marcadores inflamatórios. Rev ACMS. P.1 – 7, 2013.
KURA, Gustavo Graeff et al.. Efeitos do treinamento aeróbio versus treinamento
combinado na pressão arterial de repouso em idosos. Revista FisiSenectus, v. 1, n. 1, p. 3-11, 2013.
LACOURT, Marcelle Xavier; MARINI, Lucas Lima. Decréscimo da função muscular decorrente do envelhecimento e a influência na qualidade de vida do idoso: uma revisão de literatura. Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano, v. 3, n. 1, p. 114-121, 2006.
LAURENZANO, Michele Juliana; LOCH, Mathias Roberto. Motivos referidos para o abandono de programas de exercício físico ofertados por academias privadas de Presidente Prudente, São Paulo. Arquivos de Ciências do Esporte, v. 1, n. 1, p. 7-13, 2012.
MATTOS, Marcus; FARINATTI, Paulo. Influência do treinamento aeróbio com intensidade e volume reduzidos na autonomia e aptidão físico-funcional de mulheres idosas. Revista Portuguesa Ciencia e Desporto, v. 7, n. 1, p. 100-8, 2007.
MONTEIRO, Luciana Zaranza et al.. Redução da Pressão Arterial, do IMC e da glicose após treinamento aeróbico em idosas com diabete tipo 2. Revista Brasileira
Cardiologia, v. 95, n. 5, p. 563-70, 2010.
NASCIMENTO, Matheus Amarante; JANUÁRIO, Renata Selvatici Borges; AGUIAR, João Paulo. Impacto de 24 semanas de treinamento com pesos sobre a composição corporal de idosas. ConScientiae Saúde, v. 11, n. 1, p. 103-110, 2012.
NUNES, Marcelo ES; SANTOS, Suely. Avaliação funcional de idosos em três programas de atividade física: caminhada, hidroginástica e Lian Gong. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 9, n. 2-3, p. 150-159, 2009.
PEDRO, Edmila Marques; AMORIM, Danielle Bernardes. Análise comparativa da massa e força muscular e do equilíbrio entre indivíduos idosos praticantes e não
praticantes de musculação. CONEXÕES: Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, v. 6, p. 174-183, 2008.
PEREIRA, Renato Felipe; VALENSSIO, Rodrigo Tadeu; MAGOSSO, Rodrigo Ferro. Influências do exercício físico sobre os marcadores inflamatórios. Rev ACMS. P.1 – 7, 2013.
PITANGA, Francisco Jose Gondim et al.. Atividade física na prevenção das comorbidades cardiovasculares em mulheres obesas: quanto é suficiente? Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, v. 16, n. 4, p. 334-338, 2011.
PRADO, Wagner Luiz do et al.. Obesidade e adipocinas inflamatórias: implicações práticas para a prescrição de exercício:[revisão]; Obesity and inflammatory adipokines: practical implications for exercise prescription:[review]. Revista Brasileira de
Medicina do Esporte, v. 15, n. 5, p. 378-383, 2009.
RIBEIRO, José Antônio Bicca et al.. Adesão de idosos a Programas de Atividade Física: Motivação e Significância. Revista Brasileira Ciência do Esporte, v. 34, n. 4, p. 969- 989, 2012.
RIBEIRO, Luciana Botelho et al.. Motivos de adesão e de desistência de idosos a prática de atividade física. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 26, n. 4, p. 581-589, 2013.
SANTOS, Vinícius Coneglian; SANTOS, Aniely Coneglian. Exercício Físico e Seus Efeitos Sobre o Sistema Imune dos Idosos. Saúde e Pesquisa, v. 3, n. 2, p. 181-185, 2010.
SANTOS, A.; VALENTE, C.; BATISTA, R. Efeito da ordem de aplicação do componente aeróbio do treino na perda de massa gorda em adultos pré-obesos do género feminino. Motricidade, v. 8, n. 1, p. 5-12, 2012.
SILVA, A. R. A. et al.. Razão TG/HDL-c e indicadores antropométricos preditores de risco para doença cardiovascular. Revista Brasileira de Cardiologia, v. 25, n. 1, p. 41-9, 2012.
SOUZA, Murilo Zangari; LEAL, Gislaine Camila Lapasini; HUZITA, Elisa Hatsue Moriya. Um exemplo de estudo experimental conduzido sob a perspectiva de um processo. Revista Tecnológica, v. 1, n. 21, p. 43-52, 2012.
TIBANA, Ramires Alsamir; PRESTES, Jonato. Treinamento de Força e Síndrome Metabólica: uma revisão sistemática. Revista Brasileira Cardiologia, v. 26, n. 1, p. 66-76, 2013.
4.2 ARTIGO ORIGINAL 02
Título: O efeito da idade nas alterações da composição corporal de homens e mulheres submetidos a um programa agudo de exercício e dieta.
Título reduzido: Alterações na composição corporal de jovens, adultos e idosos inseridos em um programa de emagrecimento.
Título em Inglês: The effect of age on changes in body composition in men and women submitted to an acute exercise program and diet
Resumo
Este estudo teve por objetivo avaliar os efeitos de 15 dias de treinamento cardiovascular e dieta em homens e mulheres com sobrepeso e obesidade. Participaram da 74 sujeitos, sendo 53 mulheres e 21 homens. Estes foram subdivididos em três faixas etárias G1 (20 a 39), G2 (40 a 54) e G3 (55 a 74) que se apresentavam com sobrepeso ou obesidade. Estes foram convidados a participar de um programa de emagrecimento de 15 dias com exercício físico e dieta, três vezes por semana e duração de 60 minutos dia. Os resultados demonstram haver diferenças significativas entre o pré e o pós-teste, tanto para homens quanto para mulheres somente na variável massa corporal total. Após esta primeira análise optou por separar os grupos por sexo e avaliar se as faixas etárias influenciariam porcentagem de perda de massa e circunferências. Nos homens das diferenças pré e pós-teste encontraram-se para todas as variáveis investigadas, porém a idade (faixa etária) não influenciou nestas diferenças. Já para as mulheres nas diferenças pré e pós-teste foram evidenciadas nas variáveis massa corporal total, massa gorda circunferências do quadril e do abdômen, demonstrando mais uma vez a eficiência de 15 dias de treinamento. Mas desta vez a faixa etária influenciou nas perdas, ou seja, mulheres mais jovens perdem mais porcentagem de peso total, magra e gordo do que as mulheres mais velhas. Nas circunferências este resultado não prevaleceu. Assim, podemos concluir que o programa de emagrecimento oferecido apresentou-se eficiente e que a faixa etária que a mulher se encontra vai interferir na porcentagem de perda de massa destas.
Palavras-Chave: Obesidade, composição corporal, treinamento, dieta.
Introdução
A obesidade é considerada hoje como uma doença crônico degenerativa a qual aumenta, em muito, a probabilidade de risco para outras doenças como aquelas relacionadas ao coração, fígado, rins e sistema endócrino. Trata-se de processo multifatorial que tende a levar a mortes precoces.
obesos e sobrepesados, em diversas faixas etárias com exercícios aeróbios (PITANGA et al.. 2011, CANOVAS; GUEDES, 2012; KURA, et al., 2013) e resistidos (BORBA-PINHEIROS et al. 2010; COREA; PINTO, 2011; TIBANA; SANDOR; PRESTES, 2013) e mistos (PEDRINELLI; GARCEZ-LEME; NOBRE, 2009).
Estes programas têm sido oferecidos aos sujeitos obesos uma forma de reduzir a gordura corporal e aumentar a massa magra, com o objetivo de diminuir os fatores de riscos de morte. De acordo com Hernandez et al. (2008), apesar de vários estudos demonstrando o benefício dos diferentes tipos de exercício, ainda não há um consenso sobre o melhor modelo de treinamento para o emagrecimento, pois para os trabalhos atuais o sucesso de programa aplicado a este objetivo estão mais relacionados a intensidade utilizada, a duração do exercício, aos tempos de intervalo, a quantidade de séries, aos tempos de descanso, aos tipos de dieta os quais buscaram provocar adaptações metabólicas mais eficazes do que ao tipo de treinamento (aeróbio, endurance ou concorrente).
Assim, o objetivo deste estudo foi investigar o efeito de 15 dias (agudo) de treinamento cardiovascular e dieta (restritiva) na composição corporal de homens e mulheres sobrepesados e obesos.
Porém, sabendo que o processo de envelhecimento pode influenciar nestas alterações na composição corporal, investigaremos também se os ganhos e perdas de um programa de emagrecimentos com exercício e dieta são diferentes por faixa etária e sexo.
Materiais e Métodos
A amostra foi composta por 74 sujeitos, sendo 53 mulheres e 21 homens. Estes foram subdivididos em três faixas etárias G1 entre 20 a 39, G2 entre 40 e 55 anos e G3 entre 56 a 74 anos. Todos os sujeitos amostrais que se apresentavam com sobrepeso ou obesidade.
diagnósticos de esteatose hepática ou diabetes mellitus, hipotireoidismo e cardiopatias graves foram excluídos da amostra.
Inicialmente foram realizados todos os testes antes do início do treinamento. Os percentuais de gordura, massa muscular, água, peso ósseo e a taxa metabólica foram avaliados por uma Balança Body Complete com 8 eletrodos e interface Modelo, BF 100
– Beurer, que avalia de forma precisa a parte superior e inferior do corpo separadamente, com visualização das calorias AMR/BMR. Na avaliação da massa corporal total e de sua estruturas (massa gorda e massa magra) foi necessário que os sujeitos amostrais seguissem algumas regras como ingerir pelo menos 2 litros de agua no dia anterior ao teste. Não ingerir bebidas alcoólicas e café nas 12 horas que antecedem o exame. Não realizar exercícios físicos ou sauna nas 8 horas que antecedem o exame. Evitar o uso de medicamentos diuréticos no dia anterior ao teste (SILVA, et al., 2012; EICKEMBERG, et al., 2013).
Na avaliação da estatura utilizou-se o Estadiômetro Professional Sanny,
Alumínio Anodizado. E para a aferição das circunferências de quadril e abdômen foi utilizado uma fita antropométrica de fibra de vidro maleável da marca Wiso.
Para o controle da frequência cardíaca e intensidade dos esforços durante o treinamento utilizou-se o frequencímetro da marca polar FT1 digital e a Escala de Percepção subjetiva de esforço denominada de escala de Borg, é um tipo de escala que é graduada numericamente de 6 a 20, e perceptivelmente entre muito fácil a exaustivo sendo necessário o entendimento da sensação de percepção do esforço. Essa escala tem uma relação direta com a frequência cardíaca.
Na parte do treinamento foram utilizadas Esteiras Profissionais Embrex 2.0, com regulagem automática de velocidade. As bicicletas utilizadas e os Elípticos da marca Moviment.
Inicialmente todos os alunos selecionados na amostra passaram por uma avaliação clínica e antropométrica (profissional de Educação Física) e por uma avaliação nutricional (nutricionista). Foram necessários três dias para cada indivíduo para a realização de todos os testes.
anteriormente sem causar prejuízo à saúde. Para tanto, foram utilizadas esteiras, bicicletas, elípticos.
As aulas foram divididas em 10 minutos de aquecimento, 45 minutos de treinamento em intensidade alta 60% a 75 % da frequência cardíaca de reserva e 5 minutos de volta à calma. Todo o treinamento foi orientado diretamente por um profissional de Educação Física que seguia as planilhas montadas, dava intensidade nos exercícios para atingir as frequências, a hidratação foi feita de acordo com as recomendações do National Athletic Trainer’s Association (NATA) (CASA et al., 2000). Para assegurar o estado de hidratação, devem ingerir aproximadamente 500 a 600ml de água sendo entregue 200ml após aquecimento, 200 ml no meio da série forte e 200ml na volta a calma.
A dieta foi elaborada de acordo com as necessidades observadas pela nutricionista na primeira avaliação clínica, sendo implementado a cada indivíduo um modelo de dieta quantificado em suas calorias de acordo com sua taxa metabólica.
Para a análise descritiva da amostra foram utilizadas médias, desvios padrões e frequências. Para avaliar a normalidade nos dados pré e pós teste foi utilizado o teste de normalidade Shapiro-Wilks em razão do tamanho amostra.
Para as análises inferenciais rodou-se a ANOVA Split Plot (para medidas repetidas), utilizando-se o nível de significância de p ≤ 0,05. Todas as análises estatísticas foram realizadas por meio do Programa SPSS- IBM 22.0 devidamente registrado e autorizado.
Resultados