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Lista 2 de Algebra II

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Academic year: 2018

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LISTA 2 DE EXERCÍCIOS DE ÁLGEBRA II

Prof. Rodrigo Neves

ESTRUTURAS ALGÉBRICAS

3.1 – INTRODUÇÃO

Uma estrutura algébrica consiste de um conjunto munido de uma ou mais operações internas. Podemos ter também estruturas formadas por dois conjuntos, cada um com suas operações internas e uma operação externa que liga os dois conjuntos.

O estudo das estruturas algébricas têm sua importância quando, a partir de conhecimento de suas características, é possível aplicar as mesmas operações e propriedades em conjuntos diferentes. É através das estruturas algébricas que o aluno pode falar em reta real usando as propriedades atribuídas aos números reais, bem como pode usar as mesmas regras quando se estuda matrizes, polinômios e vetores.

3.2 – AS ESTRUTURAS ALGÉBRICAS

Definiremos abaixo, as estruturas algébricas conhecidas.

I – GRUPÓIDE – consiste no par (A, *) onde * é uma operação interna definida no conjunto A.

Exemplo 1: (Z, *), onde a * b = a – b (operação subtração).

Observe que (Z, -) é um grupóide com elemento neutro à direita sendo 0 esse elemento neutro pois  a  Z, a – 0 = a. Também, em (Z, -) todo elemento é inversível à direita, sendo cada elemento o seu próprio inverso ( a  Z, a – a = 0).

II – SEMI-GRUPO – consiste em um grupóide associativo.

Exemplo 3: conjunto das matrizes quadradas de ordem 2 definidas por aij

= mi + nj, com m e n inteiros munido da operação multiplicação.

Note que a matriz identidade não possui a forma definida para esse conjunto. A multiplicação dessas matrizes é associativa, não tem elemento neutro, não é comutativa.

Como não existe o elemento neutro, não se pode definir o inverso.

III – MONÓIDE – consiste em um semi-grupo com elemento neutro. Exemplo 4: Conjunto das matrizes quadradas de ordem 2 munido da operação multiplicação. A multiplicação é associativa, tem elemento neutro (matriz identidade aij = 1 se i = j e aij = 0 se i  j), não é comutativa

e nem todo elemento tem inverso (matrizes com determinante nulo não são inversíveis).

IV – MONÓIDE COMUTATIVO - consiste no par (A, *) onde a operação *, definida no conjunto A, é associativa, tem elemento neutro, não admite inverso e é comutativa.

Exemplo 5: conjunto N e a operação adição.

V – GRUPO – consiste no par (A, *) onde a operação *, definida no conjunto A, é associativa, tem elemento neutro, e todo elemento de A é inversível.

Exemplo 6: conjunto das matrizes quadradas de ordem 2 e determinante diferente de zero, munido da operação multiplicação.

VI – GRUPO ABELIANO OU GRUPO COMUTATIVO - consiste em um grupo onde a operação * além das propriedades já descrita é também comutativa.

Exemplo 7: Conjunto Z e a operação adição.

VII – ANEL – a estrutura de anel é identificada quando um conjunto A admite duas operações internas. Indica-se (A, , *). Para a operação , o sistema consiste em um grupo abeliano e para a operação *, o sistema consiste em um semi-grupo.

Isto é:

(1) (A, ) é um par onde  é associativa, tem elemento neutro, é inversível e comutativa

(2) (A, *) é um par onde * é associativa.

Além disso, deve-se verificar a distributividade de * em relação à .

Se * for comutativo, o anel é dito anel comutativo.

(2)

Exemplo 8: O conjunto das matrizes quadradas de ordem n, com as operações adição e multiplicação constitui um anel, não comutativo, com identidade.

VIII – CORPO – O sistema (A, , *) é um corpo se (A, ) e (A, *) forem ambos grupos abelianos e * for distributiva em relação a .

Exemplo 9: conjunto Q e as operações adição e multiplicação.

IX – ESPAÇO VETORIAL – para esta estrutura são necessários dois conjuntos A e B, nos quais são definidas as operações  e * em A,  em B além de uma operação externa  .

Os elementos de A são denominados operadores e os elementos de B são denominados vetores. O conjunto A deve apresentar uma estrutura de corpo comutativo. O conjunto B deve apresentar uma estrutura (mínima) de grupo, podendo apresentar o elemento neutro e inversibilidade apenas à esquerda ou à direita.

Nesta condições dizemos que B é um espaço vetorial sobre o corpo A. Para constituir um espaço vetorial, além da estrutura de corpo comutativo para A e grupo para B, devem ser observadas as propriedades abaixo para a operação externa:

, ,  A e u, v, w B,

(1)  (u) = ( * ) u (associatividade) (2)  (uv) = (u)  (v) (distributividade) (3) () u = (u)  (u) (distributividade).

Exemplo 10:

A = R (conjunto dos reais) com as operações adição e multiplicação; B = {v  R3 | v = (x, y, z)}.

A operação externa é a multiplicação de escalar por vetor.

Esta estrutura é denominada de espaço vetorial sobre o corpo dos reais.

EXERCÍCIOS

1 – Seja G = {a, b, c} e * uma operação definida no grupo G. Construa tabelas para a operação * que:

(a) (G, *) não seja um grupo.

(b) (G, *) seja um grupo não comutativo. (c) (G, *) seja um grupo comutativo.

(d) Para cada item acima, mostre as condições que satisfaçam aos pedidos.

2 – Construa as tabelas das classes de equivalência módulos 4 e 5 para as operações adição e multiplicação. Verifique se cada uma delas caracteriza ou não um grupo comutativo.

3 - Considere os conjuntos Un, n  N formados pelas soluções complexas

da equação xn = 1.

Notas:

(I) as raízes dessa equação são as raízes de índice n da unidade. (II) expressando a unidade 1 por 1 = cos 360k + i.sen 360k, k  N, as “n” raízes de xn = 1 serão dadas por z

k = cos (360ºk/n) + i.sen

(360ºk/n), fazendo k = 0, 1, 2, 3, ... n – 1.

(a) Construa então as tabelas para a multiplicação das raízes complexas da equação xn = 1, para n = 1, 2, 3 e 4.

(b) Verifique e informe se os Un, para n = 1, 2, 3 e 4 são ou não

grupos comutativos para a multiplicação.

4 – Informe se os conjuntos de classes residuais abaixo, com a operação multiplicação constituem ou não um grupo. Em caso positivo, construir a tabela operacional.

(a) Z7

(b) Z9

(c) Z12 – {0}

(d) Z7 – {0}

5 – Construa o conjunto P(A) para: (a) A = {1, 2}

(3)

6 – Construa a tabela das composições das permutações para A = {1, 2}

7 – Considere as permutações Pi(1, 2, 3, 4, 5) = (3, 1, 2, 5, 4) e Pj(1, 2, 3,

4, 5) = (1, 3, 5, 2, 4). Calcule PioPj(1, 2, 3, 4, 5).

8 – Sejam P1(1, 2, 3, 4, 5) = (3, 4, 2, 1, 5) e P2(1, 2, 3, 4, 5)=(4, 2, 5, 1, 3).

Calcule:

(a) P12 = P1oP1

(b) P22 o P1

(c) P2-1

(d) P2-1 o P12

9 – Verifique se o conjunto {P1, P2, P3}, onde P1(1, 2, 3) = (1, 2, 3), P2(1, 2,

3) = (2, 3, 1) e P3(1, 2, 3) = (3, 1, 2), munido da operação composição de

funções constitui ou não um grupo. Este grupo é ou não abeliano? Justifique.

10 - Prove que:

(a) Se x e y são elementos grupo (G, ) tais que x  y = x, então y = n, sendo n o elemento

neutro do grupo G para a operação .

(b) O único elemento idempotente (an = a para todo a Z) de um

grupo é o elemento neutro.

11 - Considere definidas no conjunto G = (a, b, c, d) as operações apresentadas nas tabelas:

Informe, justificando, se alguma (ou ambas) das operações estabelece no conjunto G uma estrutura de grupo.

12 - Sejam a, b, c e x elementos de um grupo G com a operações definidas nas tabelas.

13 - Resolva cada uma das equações em relação a x. (obs. xn significa x

 x  x ... n vezes) (a) x  b = c.

(b) x2 a = b x c-1 e a c x = x a c.

(c) x2 = a2

(d) x5 = n, onde n é o elemento neutro de G para a operação .

(e) (x  a  x)3 = b x

(f) x2 a = (x a)-1.

(g) x2 b = x a-1 c.

14 - Em cada uma dos itens a seguir, prove que a proposição é verdadeira para qualquer grupo (G, X) onde X é a operação multiplicação ou, caso contrário, dê um contra-exemplo mostrando que é falsa em pelo menos um grupo.

(a) Se x2 = 1, então x = 1;

(b) (ab)2 = a2b2;

 a b c d * a b c d

a a b c d a d c b A

b b a d c b c a d B

c c d a b c b d a c

d d b c a d a b c d

 a b c

a a b c

b b c a

(4)

(c) Para todo x  G existe y  G tal que x = y2 (isto é equivalente a

dizer que todo o elemento de G tem uma raiz quadrada); (d) Se x2 = a2, então x = a;

(e) Se x2 = x, então x = 1.

15 - Mostre que, em um grupo, (x-1yx)k = x-1yx yk = y, k > 0.

16-Seja G um grupo. Prove que as condições seguintes são equivalentes: (I) G é abeliano.

(II) a, b  G, aba-1b-1 = n, onde n é o elemento neutro de G.

(III) a, b  G, (ab)2 = a2b2.

17 - Sejam a e b elementos de um grupo tais que a2 = n e aba = b3. Prove

que b8 = n.

18 - Seja G o grupo cíclico de ordem 6 gerado por a. Considere os seguintes subgrupos de G: H = {n, a2, a4}, K = {n, a3} Indique os

elementos e escreva a tabela dos grupos quociente G/H e G/K.

19 - Considere o grupo cíclico G gerado por um elemento a de ordem 12. (a) Indique todos os subgrupos de G de ordem 6.

(b) Prove que H = {n, a4, a8} é um subgrupo de G.

(c) Decomponha G em classes laterais à direita segundo H.

20 - Escreva o subgrupo de Z12 gerado por 6 e 9.

21 - Mostre que Z2 X Z3 é um grupo cíclico.

22 - Seja G o grupo Z15 e H = <5> um subgrupo de G. Indique todas as

classes laterais de H. Para cada classe lateral indique os seus elementos.

23 - Seja H = {at | t Z} um grupo cíclico infinito. Determine um subgrupo

K de H tal que [H : K] = 7.

24 – Quais são os únicos subgrupos de (Z11, +). Justifique.

25 - Explique por quê, no anel M(2,R), não vale a fórmula (X + Y)2 = X2 +

2XY + Y2.

26 - Verifique se cada uma das estruturas algébricas (K, +, .) dadas abaixo é um corpo. [Não se esqueça de primeiramente verificar se as duas operações são definidas em K]

(a) K = {a + bp | a, b  Q} sendo p um número primo positivo fixado, e + e . a adição e a multiplicação de números reais.

(b) R com as operações binárias  e * definidas por: x  y = x + y e x * y = 2xy.

(c) A = {(x, 1)  R2 | x R} e as operações e * definidas por:

(x, 1)  (y, 1) = (x + y, 1) e (x, 1)*(y, 1) = (xy, 1).

27 – Para cada um valores de m verifique se Zm (i) é um anel; (ii) é um

anel com unidade; (iii) é um anel comutativo com unidade; (iv) é um anel com divisor de zero; (v) é um corpo. No caso de existir divisor de zero, informe quais são divisores de zero.

(a) m = 2 (b) m = 4 (c) m = 5 (d) m = 6 (e) m = 7 (f) m = 8

28 – Seja o anel (Z12, +, .). Quais são os elementos inversíveis de Z12?

Quais são os divisores de zero de Z12?

29 – Dê as condições para que Zm tenha divisores de zero? Quais

elementos são divisores de zero?

30. Verifique se o conjunto indicado é um subanel do anel dado.

(a) O conjunto dos reais da forma a + b2, com a, b  N em (R,+, .). (b) O conjunto dos complexos da forma a + bi, com a, b  Z em (C, +, .).

(5)

(a) Mostre que, para todos x, y  A, (x + y)2 = x2 + y2.

(b) Mostre que a função h : A  A, tal que x  x2, é um

endomorfismo de A.

32 - Liste os elementos inversíveis do anel (Zm, +, .), nos casos

(a) m = 32 (b) m = 36 (c) m = 53

33 - Mostre que, no anel (Z420, +, .), 17 e 121 são elementos inversíveis e

determine seus inversos.

34 - Liste os divisores de zero do anel (Zm, +, .) nos casos

(a) m = 36 (b) m = 53 (c) m = 100

35 - Joãozinho tentou inventar um conceito de mdc em Zm, da seguinte

forma: sendo a e b dois inteiros - pensou Joãozinho - e sendo a e b as suas classes de congruência, elementos de Zm, vou definir mdc(a, b)

como sendo a classe mdc (a, b). Através de um exemplo, mostre que o mdc de Joãozinho não está bem definido, ou seja, podemos ter inteiros a, b, a’ e b’, com a = a’, b = b’ e mdc (a, b)  mdc (a’, b’). Em outras palavras mdc (a, b) não é definido de maneira única em função dos elementos a e b.

Referências

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