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Poetas Nunca Morrem

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Academic year: 2022

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Poetas Nunca Morrem

Ubiratan Rodrigues Coelho de Lima

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Introdução

Este livro procede de uma longa e contínua série de vivências, entre as quais, a maioria se resume ás mais sofridas. Muito tempo foi necessário para a conclusão deste trabalho, onde pude ver as novidades do mundo atual, e a constante decadência do ser humano. Não me importando para as meras formalidades, descrevo nesta obra de dez capítulos a realidade em que cada ser em si experimenta durante este momento ao qual chamamos presente.

Não era de minha importância retratar o dia a dia com a ótica da formalidade, pois compreendo que, mesmo que a taxa de analfabetos tenha sido reduzida, embora ainda existam muitos analfabetos funcionais (que não sabem ler e escrever), a interpretação de texto ainda assim continua sendo o “bicho-papão” no que se refere á língua portuguesa. Exatamente por isso tive a preferência pela linguagem informal, pois sabemos que a linguagem formal ás vezes torna a leitura um “mar sem profundidade”.

Cada pessoa, mesmo que nunca tenha entrado numa escola, seja ela pública ou particular, tem em mente um breve conceito sobre poesias e poemas. Antes que haja qualquer dúvida deixarei aqui a diferença entre o poema e a poesia. O poema tem por finalidade seguir um padrão rítmico, e uma certa simetria entres os versos escritos pelo autor.

Por exemplo, se eu escrever a seguinte frase:“ Estou de cara com a morte”, mesmo que eu não tenha a pretensão de rimar, pois no poema nem sempre há a necessidade de rimar, eu tenho que escrever o próximo verso de acordo com a mesma quantidade de palavras, para que o poema não seja considerado “desagradável” (feio). Já na poesia, podemos ver e interpretar da forma que quisermos, pois a poesia está mais voltada para a arte e o entretenimento. Em cada pintura vemos poesia, como na famosa pintura de Leonardo da Vinci: Mona Lisa.

De modo a pensar na existência de cada um, procurei a realidade mais próxima, me

utilizando dos meus próprios meios em que vivo, e também, da própria realidade dos que vivem

ao meu redor. Sinto-me honrado pela sua companhia, meu caro leitor. Desejo-lhe uma ótima

leitura, e que sua visão de mundo venha a aprofundar-se neste “mar de almas viventes”. Mas

não se esqueça! Esteja com os pés no chão, pois nem só de fantasia vive o leitor. Boa leitura!

(4)

Prefácio

Seja muito bem-vindo á obra literária de dez capítulos! Neste livro eu apresentarei a você o universo em que cada pessoa vive e talvez o seu também.

Quero que você aproveite bastante a leitura e que você busque a fundo qual é o sentido da vida e qual é a importância de ser um poeta em mundo sem retorno fraternal. Tudo está á sua volta, basta olhar e você verá que cada um de nós pode ser um eterno poeta na sua maneira de ser, mesmo que seja um poeta analfabeto.

(5)

Sumário

CAPÍTULO I - AS NUVENS SÃO DE ALGODÃO:

1- A Arte entre as Cores;

2- A Pimenta e suas Pérolas;

3- A Rima e sua Primas;

4- Abraça tua Família;

5- As Rosas;

6- Fazendeiro de Deus;

7- Paranoia Exuberante;

8- Sonho Triste de Inverno;

9- Uma ligação-quase-anônima;

10- Uma Mulher Admirável.

CAPÍTULO II - A PARÁBOLA É DIVINA:

11- A Beleza Desvanece;

12- A Bosta Solitária;

13- A Mesa e a Cadeira;

14- A vizinhança Sentimental;

15- As Crônicas da Morte;

16- O orelhão e seus inimigos;

17- O Rato e o Pitbull;

18- O Travesseiro e seus amigos;

19- Os dedos;

20- Os três mal resolvidos.

(6)

CAPÍTULO III - A ÁRVORE DAS MEMÓRIAS:

21- A História e o Enredo;

22- A Melhor coisa do Mundo;

23- Anseios de um Poeta Mirim;

24- Cela dos Solitários;

25- Colecionador de Inimigos;

26- Fascinados por um sono Eterno;

27- Ilusões de uma vida sem Destino;

28- Jardim dos Poetas Infames;

29- O Amanhã que nunca chega;

30- Passarinhos sem Asas.

CAPÍTULO IV - PRETO E BRANCO:

31- Caixão dos Praguejadores;

32- Esquina dos Preconceituosos;

33- Injúria dos Marginalizados;

34- O Importante Nordestino;

35- O Pênis e a Vagina;

36- Ofensa dos Descriminados;

37- Orgulho dos Intrigados;

38- Paradigma Epistemológico;

39- Perversão dos Imorais;

40- Poesia dos Inocentes.

(7)

CAPÍTULO V - CONTAGEM REGRESSIVA PARA UM MUNDO PIOR:

41- A Loucura e o Regresso;

42- A Miséria nos Visita;

43- Acorde das Almas sem pudor;

44- Ansiosos por uma falsa Liberdade;

45- As 10 páginas de uma Vida Inteira;

46- Ás profundezas de um Naufrágio;

47- Caminho dos Mortais sem vida própria;

48- Espelho dos Amaldiçoados;

49- Nada mais que Viciados;

50- Perdidos em um abismo sem Fim.

CAPÍTULO VI – O TEMPO E ELE MESMO:

51- Ansiosos por um novo amanhecer;

52- Entre Leitores e Poetas;

53- O dilema e o fracasso;

54- O Guarda e o Relógio;

55- O Monólogo dos sem graça;

56- O Tempo-enquanto-tempo;

57- O Veredito;

58- Um barulho-quase-silêncio;

59- Um chá a dois;

60- Viajantes sem Destino.

CAPÍTULO VII - DEUS NUNCA ESTEVE AQUI:

61- A História que todos já conhecem;

62- Adoração sem limites;

63- As Estações de Deus;

64- Até Quando?;

65- Conversa Paralela;

66- Hipocrisia dos Moralistas;

(8)

67- Os Apóstatas e a Cadeira;

68- Teoria dos Ateus;

69- Um Inédito Amanhecer;

70- Uma Questão de Fé.

CAPÍTULO VIII - A CIÊNCIA-NADA-VALE:

71- As Crônicas do Pequeno Autor;

72- Boa noite para os Leigos;

73- Caçadores de Respostas;

74- Cadeia Alimentar;

75- Errantes em um Deserto sem Fim;

76- O Dom da Vida;

77- O Tal e o Qual;

78- Saberes do Povo;

79- Terra dos Sobreviventes;

80- Viva o Mundo Contemporâneo.

CAPÍTULO IX – A CASA DO DIABO:

81- A Soberba dos Homens;

82- Almas sem Religião;

83- O Diabo entre eles;

84- O Lado Sombrio dos Homens;

85- Perdidos em um Abismo sem Fim;

86- Residência dos Sonhadores;

87- Santuário dos Demônios;

88- Sombra dos Refugiados;

89- Uma brisa na Janela;

90- Versos de uma estrela Cadente.

(9)

CAPÍTULO X – HIBRIDISMO LITERÁRIO:

91- A Vida e seus Resumos;

92- Amigo dos Poetas;

93- Litterae Parademons;

94- O Amor é feito de Banana;

95- O Brasil que nunca vimos;

96- O Conceito e o Preconceito;

97- O Momento que Todos Aguardam;

98- Oração dos Aflitos;

99- Os Três Vizinhos;

100- Zazá e Companhia.

(10)

Antecipações á Leitura

Neste primeiro capítulo recheado de belezas, vemos um mundo inocente que nos remete

á infância que um dia cada um de nós já passou, ou pensa estar passando. Não pretendo resenhar

muito em relação á sua leitura, então desejo-lhe um ótimo começo e que a luz do entendimento

possa clarear os seus olhos e também a sua mente literária. Boa sorte!

(11)

Capítulo I –

As Nuvens são de

Algodão

(12)

A Arte entre as Cores

Cores primárias cores secundárias

a arte já morreu a pintura escureceu borracha se apagou o lápis se quebrou e o papel enfraqueceu

As cores sepultaram a arte, sua mãe mas nem sequer choraram

tão fria quanto os cães

A pobre da borracha chegara atrasada se bem que tanto faz a morte vem do nada

E se não faz sentido pergunte a si mesmo por que só teorizam a morte só de preto?

Se preto é ausência

até que faz sentido

(13)

o branco sempre oculta o orgulho mal fingido

Se nada vale a pena ou se é tão bom viver

a arte nos ensina o que devemos ser ou somos obra-prima

ou temos de morrer a arte é quem ensina

o jeito de viver

(14)

A Pimenta e suas Pérolas

Pimenta, pimentinha,

pimentão,

vamos moer o alho no pirão?

Pimenta, pimentinha,

pimentão,

cadê o estojo de coleção?

Pimenta, pimentinha,

pimentão,

por que existe o ponto de interrogação?

Pimenta, pimentinha,

pimentão, o que é solidão?

Pimenta,

pimentinha,

(15)

pimentão,

o que significa a palavra “adoção”?

(16)

a Rima e suas Primas

Tudo Mundo

Surdo Escudo

Rima Prima Quinta

Fina

Quente Morno

Água Fogo

Verde Preto Branco

Rosa Pera Uva Apetitosa

Nove

Oito

(17)

Sete Seis

dois milhões e trinta e três

Casa Roupa Botão Broche

Chave Ferro Senha

Cofre

Nome Bairro Rua Carro

Lápis Folha e compasso

Eu, Tu, Ele, Ela Nós, Vós, Eles, Elas

Frigideira e panela

Chá de boldo

(18)

e canela!

(19)

Abraça tua Família

Enquanto os teus pais estiverem aqui dá graças a Deus e procura sorrir

são eles os donos da tua petição ninguém mais se importa com

com a educação

Tão belo é falar dos laços de sangue tem mais é que ver as fotos da estante

lembranças á parte saudade no instante

Os rostos os beijos

carinho abraço

tais tempos remontam o triste passado e se não te lembras

não tens coração o amor é sincero não gera aflição

Dos filhos, os netos

dos pais, as primícias

(20)

da tal descendência a boa família

Recorda os momentos que são passageiros

presente é agora passado é ligeiro

Remonta os laços enquanto há vida

abraça teus pais

a tua família!

(21)

As Rosas

As rosas não falam As rosas não brigam As rosas não choram Nem fazem amigos

As rosas não cantam As rosas não mordem

As rosas não bebem As rosas só morrem

As rosas se calam As rosas debruçam As rosas se queimam As rosas se murcham

As rosas não beijam As rosas não amam As rosas não casam As rosas não dançam

As rosas não crescem As rosas não dormem As rosas não vivem As rosas só morrem

.

(22)

Fazendeiro de Deus

Nesta terra eu já plantei e nunca mais eu vou colher

deste fruto que eu colhi nunca mais eu vou comer!

Uma casa uma roça

um cenário nordestino Um cavalo

uma égua um chiqueiro

e um suíno!

Um pé-de-côco e um manguezal

terreno grande é o meu quintal!

Tudo isso Deus me deu!

O Homem lá de cima!

É pra Ele que eu dedico os meus ‘verso’

e também as minhas ‘rima’!

Não sou homem estudado nem sou um grande proprietário sou apenas um cabra nordestino

sou um fazendeiro centenário!

E de muito andar por essas ‘terra’

eu não me canso de falar

(23)

quem põe em Deus a sua fé jamais o pão mendigará é só ter força de vontade

é só ter ânimo pra lutar!

Não sou formado em agronomia nem sou formado em administração

Mas sei que Deus é a fonte que sobrepõe a sequidão

a seca só mata quem não carece

de perdão!

Uma semente bem plantada pode vir a germinar e se o terreno for bom melhor pra nós ‘inda’ será!

Nunca me canso de lutar e nem tampouco pretendo

dizer adeus

Eu sou um homem de pulso firme eu sou

um fazendeiro

de Deus!

(24)

Paranoia Exuberante

Cá estou mas não vou

Cá estou me pegou não durou não colou nem ao menos parou

cá estou cá estou O pulmão se secou

coração se doou Cá estou

cá estou Tempo já se esgotou

Cá estou

Cá estou!

(25)

Sonho Triste de Inverno

Quanta neve caindo lá fora e eu aqui bocejando em

minha cama

Pai! Posso ir brincar lá fora?

“Não me peça mais pra ir lá fora”!

Fique aí na sua cama!”

Mas, pai! Os meus coleguinhas estão lá fora!

“Silêncio! Não quero ouvir mais nada!”

Mas, pai! Por favor!

“Cala a boca e vai dormir!”

Eu queria algum dia Liberdade pra voar só que asas eu não tenho sei que um dia eu chego lá

Sou um menino como os outros ninguém pode me entender?

vivo aqui trancafiado sem sequer compreender

Neste canto isolado cara a cara a solidão

“Liberdade! Liberdade!”

grita o fraco coração

Ninguém pode me ajudar?

Ninguém pode me acolher?

continuo a sonhar

(26)

que um dia vou viver

Mas se vivo por aqui não é porque eu escolhi é que as mãos que deixam marcas

não permitem eu sorrir

Até choro, até finjo que é tudo uma ilusão mas retorno á realidade

e vejo apenas solidão

Nunca tive um amigo pra brincar em minha casa ser feliz é o que eu mais quero

cada dia que se passa

Vejo a neve daqui mesmo e crianças por ali elas brincam, elas correm

e eu apenas por aqui

Novo dia eu desejo estou cansado de chorar

este frio desse inverno

só me leva a pensar

como é triste o meu viver

como é triste o meu olhar

(27)

passa a noite passa o dia como um dia eu queria

conhecer a alegria

e acabar com este pesar!

(28)

Uma ligação-quase-anônima

Alô! Quem tá falando?

Aqui é o amigo do teu pai Ele ainda tá trabalhando?

Certamente, cidadão!

Ele chega só á noite Já são cinco e uma

da tarde!

Ainda faltam 59 minutos pro meu pai chegar!

Não tem problema!

O que eu mais sei é esperar!

Por acaso é algum assunto particular?

Claro que não!

Mas é melhor deixar isso pra lá!

Por quê?

Por que nem todos aprendem a segredos guardar!

Mas eu juro que eu não falo

desse assunto pra ninguém!

(29)

Não precisa!

Obrigado!

Mas é melhor deixar isso pra lá!

Não! Eu não concordo!

Eu quero saber desse assunto agora mesmo!

É banal!

Você não entende!

É melhor você tirar essa preocupação da sua mente!

Com quem é que eu tô falando mesmo, hein?

Eu já disse!

É o amigo de seu pai!

Mas por que essa questão?

É porque ninguém costuma ligar pro meu celular?

Por quê?

Porquê na realidade eu

não me considero um cara muito popular!

Mas você parece ser um cara tão legal!

Você que pensa!

Na verdade eu sou mesmo é um cara radical!

E o que é ser um cara radical?

(30)

É ter princípios baseados Na conduta e na moral!

Você é do tipo “nerd”, não é?

Eu não sei o que sou!

O que eu não sou é mané!

É claro que não!

O seu pai é bem parecido com você!

E como você sabe que ele é parecido comigo? Você nunca me viu!

Já vi sim!

Você que não me viu!

Onde foi que você me viu?

Não importa!

Isso é bobagem!

O que conta é que você se assumiu!

Como assim? ‘Cê ‘ tá louco?

Eu ‘num’ sou gay não!

Calma, calma!

Eu vou explicar pra você!

Certo!

Você era um menino muito inocente!

Mas agora eu vejo que você progrediu!

(31)

Quem é que tá falando comigo mesmo?

Não importa!

Eu juro que se você não disser o seu nome eu vou desligar!

Não desligue! Por favor!

Ainda tenho que explicar!

Não há mais tempo!

Minha paciência já acabou!

Tudo bem! Eu vou dizer...

Alô?

Alô?

Quem era, meu filho?

Não sei, mãe!

Ele desligou!

Ele quem?

Não sei!

Como você não sabe?

Ele não me disse o nome dele!

Deixa quieto! Vamos pra sala antes que o filme se acabe!

Que filme a senhora tava assistindo?

(32)

“Sociedade dos poetas mortos”!

A senhora tem bom gosto!

Vem logo!

Pera aí que eu já tô indo!

...

Já chegou, pai?

Ah, sim! Hoje foi um dia daqueles!

Teve um cara estranho que ligou pra mim!

Ah, é? E o que ele queria?

Não sei!

Pois o nome dele ele não me dizia!

O que ele disse pra você?

Disse que era seu amigo!

Como isso pode acontecer?

Sei não! Acho que era apenas um trote!

Se era eu não sei!

Só sei que eu não atendo mais essas ligações de gente que só dá calote!

É isso mesmo!

Mas uma coisa eu tenho que dizer!

O quê, filho?

Ele sabia muita coisa sobre o senhor!

Isso representa algum perigo?

(33)

Talvez sim, ou talvez não!

Isso vai depender!

Vai depender do quê?

Depende de quem tá fazendo a ligação!

Não entendi!

Vou explicar!

Quem ligou pra você fez algum tipo de brincadeira só pra querer zoar!

Ele não disse o nome dele porque ele está neste lugar!

Foi o seu irmão quem fez o trote!

Mas te proíbo de brigar!

É pra você compreender que a gente deve questionar!

E se o estranho não disser!

É bem melhor o ignorar!

Pois muitos morrem por atender a ligação de

um celular!

(34)

Uma Mulher Admirável

Na estrada dessa vida uma rosa eu encontrei nenhum tipo de espinho

no bolso eu guardei

Pensei bem nesse caso era minha intenção expressar todo o amor que há em meu coração

Você é minha amiga uma grande mulher

uma mãe decidida que qualquer filho quer

Pra falar a verdade seu sorriso me alegra

sua voz me consola e também me completa

Eu não sei me expressar nem ao menos dizer esta grande homenagem

escrevi pra você!

(35)

Antecipações á Leitura

Neste maravilhoso capítulo você entenderá, ou pelo menos ficará sem entender a profundidade e a riqueza das pequenas lições que passam por nossos olhos e muitas vezes não queremos enxergar.

Eu escolhi este título por que na minha humilde concepção, a parábola é de fato, uma procedência divina. Basta lembrarmos das lições que Jesus ensinava aos seus discípulos. Isso provava o quanto era difícil interpretar figuras de linguagem tais como esta, a parábola.

Acredito que este capítulo será o mais difícil de se interpretar. Portanto, muito cuidado, e , boa

sorte!

(36)

Capítulo II –

A Parábola é Divina

(37)

A Beleza Desvanece

Dedos, unhas,

calos, grude,

pele, creme, beleza, serviço, despesa,

salário, carestia, trabalho, esforços, salão, moda, roupa, calçado,

cinto, escova, perfume,

anel, maquiagem,

batom,

(38)

sombra, bolsa, acessório,

plástica, gastos, fundos, fortunas, desperdício,

sacrifício,

exagero,

ainda tá feio!

(39)

A Bosta Solitária

A bosta, triste e solitária estava afogada naquele imenso oceano

lá no sifô,

que muitos conhecem como privada

O sifô murmurou de tão fedida que era a bosta

e disse á bosta

que ela estava sendo confundida com a fossa

A bosta ofendeu-se de tal maneira que passou a chorar mais ainda o papel higiênico escutou o choro

mas não podia socorre-la, pois estava lá para cumprir sua função

O sabonete atirou-se de uma vez para ajudar a pobre merda mas acontece que a merda não quis

ir junto com o sabonete,

pois seria rejeitada pelos outros sabonetes

Imagine só!

(40)

um pedaço de bosta se associar com uma turma tão cheirosa

A gilete se escondeu imediatamente entre as escovas de dentes a pasta de dente ficou com raiva

ao ver que seu amigo sabonete estava oferecendo ajuda

para a coitadinha daquela merda

Então o dono da casa chegou do trabalho, trocou as antigas escovas de dente,

jogou a gilete no lixo,

espremeu o resto de creme dental que havia na pasta, abriu a torneira

e ligou o chuveiro

E após tomar seu banho sentou-se no sifô,

e fez um esforço

novos amigos começaram a surgir

(41)

A bosta, outrora solitária recebeu novos amigos,

então o dono da casa resolveu dar descarga

A descarga alegrou-se por alguém lhe puxar pois não aguentava mais ver a pobre bosta murmurar

E nesta história maluca a merda e suas colegas foram

rumo á fossa, seu lar doce lar,

mas o que o dono da casa não tinha percebido é que o sabonete foi também

o sabonete foi bem recebido pela família da bosta

e os dois se tornaram grandes amigos uma coisa cheirosa

e uma coisa fedida

a fossa tornou-se seu novo lar

e todos viveram fedidos para sempre

(42)

A Mesa e a Cadeira

A cadeira falou pra mesa como era agradável a sua companhia

a mesa ficou lisonjeada e agradeceu por tamanha

gentileza

A cadeira encostou-se á mesa para pedir-lhe um conselho

a mesa ouviu sabiamente o caso da cadeira então a mesa deu o seu parecer

A cadeira estava preocupada, pois já estava muito velha,

e seus parafusos já estavam afrouxados

A mesa sugeriu que a cadeira fosse até uma marcenaria

mas a cadeira só queria apertar os parafusos e não fazer um polimento

Então a mesa intrigou-se com a cadeira teimosa chegando o dono da casa

pegou a cadeira e serrou-lhe os pés A cadeira estava brava

de tanta dor

(43)

e por se tornar menor começou a ser zombada

pelas outras cadeiras que ali estavam

a cadeira disse

ás outras que não importava o seu tamanho,

pois ela ainda possuía a mesma função das outras

Mesmo assim a cadeira nanica continuou a sofrer por causa

do seu tamanho então a pequena cadeira

processou as outras que zombavam de sua estatura

Na sala do tribunal

a mesa estava presente com testemunha da cadeirinha

e as outras cadeiras

O juiz que era um martelo grande de madeira foi logo declarando o caso

encerrado,

pois não havia muito o que discutir, chamou o serrote que era o guarda do tribunal,

e ordenou que serrasse as pernas das outras cadeiras que haviam abusado verbalmente

da pobre cadeiras

(44)

Então a mesa achou injusto

ser maior do que as cadeiras seria uma ordem desproporcional,

pois cadeira e mesa nasceram para viverem juntas

Então a mesa pediu ao juiz que mandasse o guarda serrote serrar

suas longas pernas o juiz sem entender o pedido

concedeu-lhe permissão e ordenou ao serrote que fizesse

conforme a mesa havia pedido

Terminado o caso todos foram para

casa

então o dono da casa admirou-se e colocou a mesa com as cadeiras

para as crianças se sentarem e desde então

tanto a mesa

como as cadeiras

passaram a viver

uma nova vida

(45)

A vizinhança sentimental

E a tristeza de tanto chorar fez nascer um grande rio no qual ela mesma se afogou

A alegria, sua vizinha, ao saber da notícia foi chorar sua morte e de tão contristada converteu-se em tristeza

atirou-se no rio e morreu afogada

A raiva, sua antipática vizinha, ao ouvir a notícia foi ao rio procurar e não achando o seu corpo

irritou-se ao extremo de tal maneira que seu coração

acabou por parar

A inveja correu imediatamente para tentar socorrer mas quando chegou lá

já era tarde demais

(46)

e por ser tão invejosa se enforcou em sua própria casa

O orgulho, por ser quem ele é,

não saiu de casa passou a viver sozinho e assim morreu de fome

O medo, seu vizinho mais velho depois de saber da notícia

arrumou sua bagagem e foi-se embora

O nojo,

de tanta repugnância, enlouqueceu de vez e foi internado no asilo

Enquanto isso o amor caiu de um alto precipício e partiu-se em mil pedaços

A sabedoria, a mais sensata de todas,

reuniu todos os corpos

(47)

e enterrou-os no mesmo cemitério e após velar suas mortes

foi viver em outro canto casou-se com a paz

e teve filhos!

(48)

As Crônicas da Morte

E a morte,

de tanto ser processada resolveu descer ás profundezas no intuito de pedir demissão ao diabo

No entanto,

não foi de seu agrado demitir um empregado tão valioso

sendo assim,

o diabo e a tão temida morte renovaram o contrato

A dona morte voltou de onde havia parado tornou a matar os seres humanos

pobres animais desprezíveis mas não adiantava processa-la,

pois seu advogado era mais astuto do que qualquer homem que possuísse formação

E á medida que a morte

dissipava os mortais deste vil e triste mundo o diabo contentava-se em ganhar

novas almas para atormentar

uma forma sarcástica de elevar o seu próprio ego E quanto mais a morte matava

mais processos apareciam

(49)

Isso ocorreu de tal maneira que até mesmo os anjos se incomodaram

e resolveram prestar queixa perante o Majestoso Criador

O Criador resolveu marcar uma audiência com a morte tendo como advogado de defesa

o seu senhor o diabo

Não demorou muito tempo até O diabo expor seus argumentos

que embora diabólicos, porém, tentadores

não seria justo outorgar permissão para matar os meros “bonecos de carne e osso”

simplesmente por não conhecerem o significado do amor

Os anjos já estavam sem paciência com uma louca vontade de espancar a morte e seu defensor Ambos tiveram sua solicitação negada

não teriam mais o direito de atormentar nenhuma alma vivente A morte foi condenada a 1 milênio de prisão

sendo assim obrigada a fazer reclusão espiritual

(50)

sem ter direito á redução penal o diabo nem se preocupou tanto assim

pois sua pena sempre foi perpétua

A dona morte

reclamou pelos seus direitos trabalhistas e pediu rescisão,

FGTS, Seguro Desemprego,

e outros benefícios pelos seus serviços prestados ao “espelho sem luz”

Mas o diabo por ser quem ele é não lhe pagou nada

Depois que um milênio se passou A morte foi solta da prisão Então ela retornou para a terra O diabo apareceu descaradamente

prometendo-lhe um salário maior A morte mandou o diabo se catar afinal de contas ele é pai da mentira mesmo

e saindo para outro lugar

pensou bem a respeito de sua condição então a morte foi visitar o tempo,

um dos piores assassinos,

(51)

e os dois fizeram amizade a morte

perguntou se o tempo não estaria á procura de novos empregados

o tempo agradeceu e disse que estava satisfeito, pois estava trabalhando para o Criador,

seu coautor

A morte voltou para as profundezas e perguntou ao seu antigo senhor

se ele poderia aceita-la de volta mas ele expulsou a morte

com toda a sua fúria

Então a morte,

ao saber que não tinha mais nenhuma serventia resolveu voltar para a prisão celestial mas os anjos não queriam ela nem para varrer

o chão do céu

Então a morte decidiu escrever histórias de terror e tornou-se bastante popular de maneira que até os demônios

lhe pediam autógrafo

(52)

E nessa história de quem viveu feliz para sempre O diabo mordeu-se tanta inveja

e decidiu mudar de profissão tornou-se um pregador

de heresias

seus adeptos o seguem com reverência mas o perigo que isso representa

hoje está no meio de nós no meio das Igrejas

que se proclamam únicas e absolutas E nessa história toda

cada qual segue o seu próprio curso o diabo sujando as praças a morte publicando seus livros

que causam medo

e nós como crianças enganadas por pederastas

que pretendem nos salientar brutalmente!

(53)

O orelhão e seus inimigos

O orelhão invejava o smartphone e seus aliados mas eles fizeram pouco caso do orelhão

o smartphone exaltou-se dizendo que era especial, pois possuía muitas

funcionalidades luz, calculadora,

watsapp,

e outras coisas também

O tablete considerava-se um gigante, pois era o aparelho mais usado

pelas crianças

e mais usado para ler livros também

O Iphone endeusou-se, pois além de ser o mais caro

de todos, possuía mais opções

do que qualquer aparelho

O smartphone e o tablete

(54)

não gostaram muito sobre a afirmação que o Iphone fizera,

mas reconheceram de certa forma que ele até tinha razão

O orelhão,

antigo meio de comunicação, irritou-se sobremaneira, sabendo assim que era ultrapassado

Mas havia um detalhe

do qual os aparelhos não estavam cientes é que diferentemente do orelhão,

os aparelhos necessitam de alguém para recarregar

Quando os aparelhos se lembraram desse detalhe foram imediatamente

para suas casas para se recarregarem

Pra azar deles

o senhor carregador

havia dado uma volta com a pilha,

(55)

sua namorada,

e não resolvendo seus problemas, os aparelhos foram ficando cada vez mais desesperados, o smartphone ficou estressado,

o tablete ficou piscando,

pois sua bateria já estava em dez por cento, o Iphone,

embora sem fôlego, manteve a elegância

A lâmpada,

que estava em seu escritório, ligou apressadamente

para o telefone fixo

O telefone fixo atendeu por si mesmo e então recebeu o recado

Então a dona lâmpada pediu pro telefone fixo que dissesse aos aparelhos

que o carregador

fora sequestrado juntamente com a pilha

(56)

O telefone fixo dera o recado aos aparelhos

Quando os aparelhos escutaram a notícia o tablete descarregou-se por completo

e então caiu ao chão quebrando assim o seu display

O smartphone e o Iphone tentaram levar o tablete para a loja de concerto

mas acontece que o smartphone era pequeno de mais e o Iphone era muito magro, sem ter forças para carregar o tablet

eles pediram que o telefone fixo ligasse para funerária eletrônica

Infelizmente ninguém atendeu, pois aquele dia era domingo

sendo assim, o smartphone e o Iphone chamaram a chave de fenda

para desparafusar o tablet

o smartphone e o Iphone

(57)

transferiram uma pequena quantidade de suas cargas

para o tablet

O tablete acordou

e então se lembrou do que aconteceu o smartphone e o Iphone contaram a ele o que havia acontecido

A chave de fenda despediu-se dos aparelhos

e foi-se embora

Os aparelhos reconheceram suas limitações e foram até o orelhão

para pedir-lhe desculpas

Mas quando chegaram lá já era tarde demais,

pois o orelhão

havia sido arrancado do lugar os três aparelhos começaram e antes que suas baterias se acabassem

elas se jogaram no meio da rua

mas ao invés de um carro,

ou um caminhão passar por cima delas,

(58)

houve um carro que parou perto de onde eles estavam

Então desceu um menino de sete anos e ficou muito alegre,

pois aquele era seu dia de sorte o menino adotou os aparelhos

e os levou para sua casa

Ao chegar em casa, o menino colocou um carregador no smartphone,

outro carregador no tablet, e outro carregador no Iphone

O pai do menino ficou com o Iphone, a mãe ficou com o smartphone, e o menino ficou com o tablete

enquanto isso,

o orelhão fora despedaçado até o último de seus botões,

pois ele não tinha mais nenhuma serventia

Então todos os aparelhos de tecnologia se reuniram para sepultar o orelhão

mas não conseguiram,

(59)

pois ele estava em pedaços

E assim continuou a jornada do aparelhos até que um dia envelheceram

e foram vendidos no feirão do Facebook

Fim!

(60)

O Rato e o Pitbull

E o rato andava pelos esgotos á procura de comida cansado de procurar andou no rumo de

volta para casa

Só durante o retorno para casa surgiu um gato feroz

correu atrás dele babando de fome com uma vontade insaciável

de comer

O rato desesperado correu sem parar

não encontrara nenhum refúgio e desesperado, desmaiou de tanto medo

E quando o gato ia se aproximando um pitbull apareceu

e correu atrás dele o bichano não escapou

foi dividido em dois o pitbull possuía

dentes afiados

e uma mandíbula muito forte Despedaçando o bichano

o pitbull se retirou

(61)

então o rato se levantou e retomando suas memórias para sua casa se locomoveu

Não sabendo ele o que havia acontecido

ao gato vilão continuou a caminhar

Chegando em sua casa havia uma enorme ratoeira

com queijo saboroso uma grande tentação

o ratinho já sabia do perigo que surgira

decidiu sair de casa para não arriscar a própria vida

Procurando por comida o rato viu restaurante e entrou por um buraco

que estava visível na parede

O rato entrou e então começou a procurar

queijo, carne,

qualquer coisa

que saciasse sua fome

(62)

E olhando para os lados avistou uma panela, dentro dela um macarrão,

com queijo e cenoura

A rato correu até a panela mas com medo se conteve

pois a água da panela estava quente á beça

E não vendo outra opção decidiu esperar

e quando a comida foi servida o rato acompanhou o cozinheiro

e depois de alguns minutos infiltrou-se no prato de comida

saboreou tudo o que tinha

então saiu pelo mesmo buraco de onde viera

Chegando em casa atormentou-se ao ver sua esposa apanhada

pela ratoeira

O rato chorou copiosamente e enterrou o corpo de sua amada

na própria casa

(63)

Depois de um tempo o rato tornou a visitar aquele restaurante

mas para seu azar o cozinheiro estava armado

com uma faca de cozinha

E quando o ratou adentrou o cozinheiro atacou arrancando o seu rabo

o rato saiu correndo e ao mesmo tempo gritando de tanta dor

O rato desmaiou

e então pitbull o avistou de longe e com enorme compaixão

o colocou em sua boca com cuidado para não

esmigalha-lo

E levando-o para a sua casinha de cachorro fez os primeiros preparativos

O pobre rato acordou e assustou-se repente o pitbull o acolhera como se fora seu parente

O ratinho tentou se levantar mas o pitbull o convenceu a ficar

e gostando da ideia

(64)

o rato se propôs a ficar

Depois de duas semanas e meia o rato se recuperou o pitbull lhe aconselhou a não ir mais ao restaurante

O rato então agradeceu e foi de volta para casa e se aproximando de sua residência

viu que estava assolada os engenheiros a destruíram

e a reduziram a pó e nada

O rato começou a chorar ao se lembrar dos bons momentos que passara ao lado de sua falecida esposa

e não tendo pra onde ir retornou para a casinha do pitbull

e chegando lá não o avistou o seu dono o entregou para a carrocinha de cachorros, pois o considerava irresponsável e não tendo mais como voltar pra casa

o pitbull negou-se a comer aquela comida horrenda do canil

e então morreu de fome, mas principalmente de desgosto

O ratinho,

outrora azarento,

(65)

tornou-se sortudo em um dia, recebera uma carta que o pitbull enviara

sem ninguém saber na carta assim dizia:

“Meu caro amiguinho!

Foi bom te conhecer!

A partir de agora, deixo a casa com você!

Aproveite esta vida!

Agora é com você!

Cuide bem dos meus filhinhos!

A mãe deles já morreu!

Obrigado desde já!

Cuide bem do é seu!

Com amor, Pitbull!

O ratinho comoveu-se chegando até mesmo a chorar os filhinhos do pitbull chegaram

de viagem

e então encontraram aquele pobre ratinho com a ponta do rabo enfaixada

Os cãezinhos perguntaram o que havia acontecido

o ratinho explicara que seu pai tinha morrido

e que ele entregou

a paternidade

para o rato cuidar deles

os cãezinhos abraçaram

o ratinho contristado

(66)

e o rato alegrou-se pelo pitbull lhe ter confiado

a responsabilidade de criar os filhotinhos seria uma grande missão

de sua vida

o ratinho seguiu em frente com bravura e alegria

sua sorte já mudara nova vida em companhia

O rato então agradeceu pela sorte que tivera agradeceu pela vida

e reconheceu quem o pitbull era era um amigo de infância

que conhecera no colégio

como o mundo é pequeno como a vida é

passageira

uma hora se está no topo outras hora se está na fileira

corriqueira é esta vida e o resumo da história

acabamos de contar

(67)

O Travesseiro e seus Amigos

Enquanto o travesseiro repousava tranquilamente a cama incomodou-se por ser ocupada por um objeto inferior

Irritada com a situação a cama lançou com ímpeto

o pobre travesseiro que já estava bem aconchegado

Ao ser lançado fora o travesseiro xingou a cama de tudo quanto era nome feio

A cama pouco se queixou e mandou o travesseiro procurar um outro lugar

O lençol,

que era muito amigo do travesseiro decidiu retirar-se

por conta própria deixando assim a cama nua

a cama,

(68)

de tanta vergonha

procurou alguém que pudesse cobrir sua nudez

e não achando ninguém para tapar suas vergonhas

gritou bem alto pela rede e perguntou-lhe se ela poderia cobri-la

mesmo que fosse por um segundo apenas

E quem disse que a rede aceitou?

recusou-se a agasalhar a cama sem ao menos olhar pra ela

A cama,

não vendo mais ninguém, gritou por socorro

Teve alguém que escutou mas não era amigo seu

foi a caixa de fósforo

A cama pediu para a caixa de fósforos se ele poderia riscar-se

e queima-la com o seu

curto fogo

(69)

A caixa perguntou aos seus filhos, os palitos,

se eles poderiam fazer um esforço e acabar de vez com o sofrimento

da triste cama eles se recusaram

a incendiar

uma espuma tão macia como ela

a cama entristeceu-se e então passou frio durante

a noite inteira

Ao romper do dia o travesseiro,

o lençol e a caixa de fósforos foram ver como era que estava

a cama

E para seu próprio espanto a cama havia morrido

passou tanto frio, que sua temperatura baixou

Após sua morte

(70)

o dono da casa decidiu jogar a cama no lixo

e depois de jogada a cama foi transportada para

o aterro sanitário

A cama fora jogada juntamente com outras camas sem valor

sua família estava lá mãe, pai, irmão, irmã, primo, prima,

tio, tia, avô, avó, sobrinho, sobrinha,

até seus tataravôs estavam lá também

Depois de juntar-se á sua família a cama e sua família foram queimadas

Enquanto isso, o travesseiro fez amizade

com a rede,

a caixa de fósforos fez amizade com o travesseiro, e a rede apaixonou-se imediatamente

(71)

e pediu-o antecipadamente em casamento a caixa de fósforos foi convidada para ser a madrinha do casamento

e os filhos ficaram

a cargo de entregarem as alianças

O sofá, ministro do casamento, alegrou-se ao realizar o casamento

e nesta bela história figurativa cada qual viveu feliz

para sempre

(72)

Os dedos

O dedo mindinho era colega de seu vizinho

seu vizinho era cunhado do maior-de-todos maior-de-todos era intrigado com fura-bolo

fura-bolo era irmão de cata-piolho

cata-piolho foi ao órgão público para mudar de identidade,

pois sofria bullying da parte dos outros

Também conhecido como mata-piolho cata-piolho

teve a sua solicitação de identidade negada, pois se mudasse

a sua identidade não seria mais conhecido

pela própria mão, terra-natal de todos os dedos

Um dia,

(73)

um certo banco fora assaltado por cinco caras que se pareciam

muito com dedo mindinho, seu vizinho, maior-de-todos,

fura-bolo e cata-piolho

Ninguém conseguiu prende-los então o olho direito

e o olho esquerdo

que eram os detetives da delegacia procuraram por todos os cantos

Depois de um certo tempo o olho esquerdo e o olho direito

encontrou cinco suspeitos sabe quem era?

Mindinho, Seu Vizinho, Maior-de-Todos,

Fura-bolo E Cata-piolho

Foram confundidos com os cinco que roubaram

o banco

(74)

O detetive foi até a delegacia e ao seu delegado então os cinco dedos foram levados á delegacia

para dar depoimento

É claro que todos disseram que são inocentes mas o seu delegado

duvidou por causa

da forma como eles deram depoimentos, pois estavam nervosos

Sendo assim,

Todos foram condenados á prisão perpétua

O dedo mindinho começou a ler livros na prisão, seu vizinho fez amigos na cadeia,

o maior-de-todos foi á cárcere privado fura-bolo passou a prestar serviço comunitário,

e o cata-piolho continuou sofrendo bullying

E nessa reviravolta toda os cinco dedos se deram mal

e enquanto isso

o polegar que se parecia com o cata-piolho

(75)

foi tomar um banho de praia,

o indicador que se parecia com o fura-bolo começou a acusar os inocentes, o médio que se parecia com o maior-de-todos

começou a jogar basquete,

o anelar que se parecia com o seu vizinho casou-se com a unha,

sua amada mais próxima,

e o mínimo que se parecia com o dedo mindinho fez um contrato com as orelhas,

seu cargo era agente sanitário, e todos os dias teria que limpa-los,

ou até mesmo coça-los, o que era pior ainda é que os outros dedos viveram presos para sempre

e o fim desta história

foi dona mão

que escreveu

(76)

Os três mal resolvidos

O amanhã de ontem é o hoje de agora o futuro que aguarda é o presente que implora

o ontem de amanhã é o agora de hoje

a confusão que enlouquece é o presente que houve o futuro de agora se resume ao daqui a pouco

o passado esquecido é o futuro mal solto o hoje é o futuro do agora

do nunca do hoje que morre

e atola na cova do tempo

onde todos se deitam esperando

acordar de um sono

eterno enquanto Deus

se contenta por haver

um futuro mais próximo

no qual

(77)

Ele mesmo só precisa mover um único dedo

para todos

levantarem

de seu sono eterno

(78)

Antecipações á Leitura

Este capítulo confere as lembranças que não saem da nossa cabeça, e que todos nós nos deliciamos ao relembrar. Cada momento, cada abraço, cada beijo, cada lágrima que derramamos, ou que ainda vamos derramar permanecerão fixadas em nossas memórias. Quais as memórias das quais você não cansa de recordar? E quais delas você daria tudo para esquecer?

Boa leitura!

(79)

Capítulo III -

A Árvore das Memórias

(80)

A História e o Enredo

Quantas vezes estes olhos se molharam quantas vezes estes braços abraçaram quantas vezes estes lábios se encontraram

quantas vezes estes anos se acabaram

O meu tempo escasseou-se como água mais parece devaneio que enfada Tudo é bom quando o sorriso está mais perto

nada é bom pra quem anda como cego

D’estas almas não prefiro mencionar o enredo desta vida é calejar mas se as mãos estão cansadas de sofrer

talvez ninguém se dê ao luxo de viver

É mera perda ouvir a voz do coração é difundir o sentimento á ilusão intriga e mágoa formam até um par perfeito Mas sabes tu quais serão os teus direitos?

justiça e glória são vis sonhos passageiros

(81)

A melhor coisa do mundo

A melhor coisa do mundo não é ganhar o mundo inteiro

não é ter muitos amigos ou ganhar o mundo inteiro

A melhor coisa do mundo não é ser reconhecido

não é ser elogiado como alguém desconhecido

A melhor coisa do mundo não é ter muito conforto não é ter boa aparência ou até mesmo um belo corpo

A melhor coisa do mundo não está na liberdade nem sequer nas fantasias

que concebem a vaidade

A melhor coisa do mundo

não é ler todos os livros

não é ter uma bela esposa

ou até mesmo um bom marido

(82)

A melhor coisa do mundo Não está nesses prazeres que corrompem nossa carne

e escravizam nossos seres

A melhor coisa do mundo não é brincar de pega-pega não é brincar de amarelinha ou até mesmo cabra-cega

A melhor coisa do mundo não é ter uma criança não é ter um compromisso

relativo á uma criança

Minha mãe sempre dizia que feliz quem reconhece

que errou muito na vida e que seu coração carece

de amor e harmonia uma paz que fortalece

A melhor coisa do mundo

Não é fazer bons amigos

É reconhecer um Deus

Que nos ama como filhos!

(83)

Anseios de um Poeta Mirim

Nesta forma geométrica Balançando sem parar

O que devo escrever?

Qual poema recitar?

Minha mente atrasada Busca um tema pra abordar

Não consigo me conter Será que devo parar?

Já falei da realidade Já escrevi histórias de amor Também contei várias histórias

Que só refletem muita dor

Quão difícil é dizer

“Não é fácil ser poeta”

Para cada verso escrito Uma nova descoberta

Não sou melhor do que Camões Nem Machado de Assis Nem sei mais que Castro Alves

Sou um mero aprendiz

Tudo o que vivenciei Foi apenas uma parte Um pequeno fragmento

Uma grande raridade

(84)

E quem disse que se foi Essa nossa confiança?

Por acaso não é Deus Nossa fonte de esperança?

Somos chuva deste orvalho Uma simples folha ao vento Um pequeno grão de areia

Assentado ao relento

Sou poeta e não desisto Do meu velho juramento

Que outrora um dia fiz Depois do meu nascimento Deus me guarde desta vida E também do mau momento Sou o que sou e não preciso me gabar com meu talento

Toda obra-prima é fruto De fracasso e sofrimento

Sou escravo de poemas De poemas sou detento

Poesias, Poesias

acrescento, acrescento

Quem deseja ser poeta

Sacrifique o seu tempo

Se dedique com fervor

E preserve o seu bom senso

(85)

Quem deseja ser poeta Seja como folha ao vento

Uma hora sobrevoa e depois volta ao relento

Poesias, Poesias

Acrescento, acrescento

(86)

Cela dos Solitários

Tantos homens esperando ver a luz do sol nascer pouco espaço, muitos anos

e chamam isso de viver?

Passa o tempo, O tempo passa O dia já escureceu As horas vão, as horas vêm

Ninguém ainda adormeceu

Talvez a morte até seja O devaneio de alguém A vida é bela, porém, curta ninguém se importa com ninguém

Todos rastejam pela vida Até um dia se cansar Mas quem garante que algum dia

o Sol ainda vai brilhar?

O choro eterno dos que sofrem é um lago semelhante ao mar

a liberdade é uma utopia

de quem não sabe o que é sonhar

(87)

Colecionador de Inimigos

E para completar a história mais um eu acabei de colecionar mas pra mim isso não é nenhuma novidade

pois já vi de tudo nessa vida

só não vi ainda alguém dizer que sabe amar

Parei de tentar entender o porquê de tamanha desfeita Mas o que isso me importa?

O que realmente importa é que eu já tirei minha certeza

Não é que eu não me sinta ofendido mas já aprendi a me acostumar

com essa dor

Pois quem sabe só assim eu compreenda como realmente funciona esse tal de amor

Nem quero saber se vão sorrir ou não pra mim Pois quem vive de sorriso é dentista O que eu sou mesmo é um poeta mirim

Ás vezes até questiono a Deus:

Mas meu Deus!

Por que será que acontece tudo isso?

Então me lembro de toda a dor e sofrimento que passou duramente

passou o meu Senhor Jesus Cristo

Tanto faz se pensam bem ou mal ao meu respeito isso não muda absolutamente nada

pois certamente eu ainda continuo tendo

(88)

os meus direitos

E se todos me amam Que tipo que cristão eu sou?

Pois nessa vida tudo é passageiro só não os inimigos deste pobre e velho

colecionador

(89)

Fascinados por um Sono Eterno

Eu pensava que a vida era um mar cheio de rosas percebi que isso é mentira

uma fábula enganosa

Minha mãe sempre dizia:

“Continue a sorrir”

essa frase é uma besteira história pra boi dormir

O meu pai também dizia:

“Quando você for mais velho será dono desta casa e também do meu minério”

Até hoje conto as horas nada disso aconteceu os meus pais me abandonaram

quem tomou no cu fui eu

Estas frases que eu escrevo fazem parte de um diário uma simples folha em branco

e um belo dicionário

Esta corda ao meu lado só me leva a questionar O que vem após a morte?

continuo a meditar

(90)

O culpado dessa história admito que sou eu sem mais nenhuma demora

vou pedir perdão a Deus por tamanho absurdo vou embora desse mundo não sou mais um vagabundo

muito menos um ateu

O autor do suicídio era um grande democrata

achando que o Paraíso só alcança quem se mata

(91)

Ilusões de uma vida sem Destino

Há quem diga que as pessoas não se amam de verdade Há quem diga que os humanos

são amantes da maldade

Há quem diga que a morte É o final da trajetória Há quem pense que a derrota

É o oposto da vitória

Há quem faça palhaçadas Que nos matam de sorrir Há tristezas que nos cercam

E nunca vão diminuir

Há quem chore toda noite Há quem chore todo dia Há quem diga que a tristeza

É vizinha da alegria

Há quem reze pelo próximo Há quem ore pelos outros

Há quem faça caridade

Há quem finja ser bondoso

(92)

Há quem tenha muita prata Há quem tenha muito ouro Há quem pense que a jornada

Sempre leva ao tesouro

Há quem diga que a crença É uma mera ilusão Fantasia sem valores

Fruto da imaginação

Há quem diga a vida toda Que o amor não faz sentido Há quem diga que os ladrões

são só um caso perdido

Há quem diga que anéis Se enferrujam com os anos Há quem diga que as pessoas Só nos causam muitos danos

Há quem espera há muito tempo Só um gesto de amor Há pessoas que se matam

Cativadas pela dor

(93)

Jardim dos Poetas Infames

Se o silêncio dominou minha voz é que eu não consigo mais sorrir

há tantas flores belas nos confins deste jardim

Mesmo que eu tente disfarçar ainda reconheço a tua voz recitando um poema pra mim sobre o amor que houvera entre nós

Mas o amor nunca foi bem assim isso só o tempo nos dirá

a mesma flor que brotou de um jardim é a mesma que pode definhar

Os poetas definem o amor como um pássaro solto pra voar que abandonou o seu belo ninho

mas sequer tem onde pousar

Poesias e Poemas não são mais que vaidade

que se perde pelos anos e consome nossa idade

Uma flor eu arranquei do jardim só pra te dar mil desculpas eu te peço

só por te fazer chorar

(94)

Este sol que sempre vimos é tão belo e reluzente essas ondas desse mar são só águas transparentes

esse brilho nos seus olhos me fascinam fortemente

o seu rosto angelical é tão puro e inocente sou um poeta mas não entendo porque o amor é fogo ardente

que cativa nossas almas e consome mais a gente

(95)

O Amanhã que nunca chega

Já vi dias melhores já vi dias piores já vi dias mais ou menos

já vi dias ensolarados já vi dias chuvosos já vi dias de Outono

já vi dias invernosos já vi dias esquisitos

já dias alegres já vi dias sufocantes já vi dias bem sofridos

já vi dias de paz já vi dias de guerra

já vi dias e meses já vi homens na Terra

já vi dias de morte já vi dias de luto já vi dias de sorte já vi nada de tudo

já vi dias

já vi dias

já vi dias...

(96)

Passarinhos sem Asas

Há uma coisa que poucos estão determinados a compreender Há uma coisa que poucos estão determinados a buscar

Há um segredo que poucos se esforçam pra saber Há um mistério que poucos se dedicam a desvendar

Não é de hoje que a vida sempre tem suas próprias precauções Nem é mistério que muitos sofram de aflições

Não é de se esperar que o muito seja igualado ao pouco Nem é de hoje que os piores assassinos estejam soltos

Não se fazem filhos como era antigamente Não se valoriza o negro como se fosse gente Não se tem a vida como uma grande recompensa Nem se esquece que a morte é tida como uma grande ofensa

Só os loucos sabem dizer Só os loucos podem explicar Mas na verdade ninguém sabe o porquê

De tanta gente que pensa em se matar

Só uma coisa que eu esqueci de dizer E acabei esquecendo de mencionar

O que seremos no dia de amanhã?

E quando vamos ter asas pra voar?

(97)

Antecipações á Leitura

Este quarto tópico serve como uma espécie de ‘paradigma epistemológico’, um termo

bastante usado em antropologia para designar modelos de pensamento. O preconceito é algo

que deveria ter sido extinto há muito tempo. Porém, ele se faz presente dentro de nossa própria

casa. Nem sempre o que vemos é exatamente o que rotulamos, ou sugerimos que é. Por isso

escrevi este capítulo.

(98)

Capítulo IV -

Preto e Branco

(99)

Caixão de dos Praguejadores

Paixão que inflama Soberba que mata Mentira que engana Maldade que arrasa

Algema que prende Tristeza que chora

Caminho obscuro Falência inodora

Espada que fere Ofensa que marca

Espinho na carne Pecado que abraça

Retrato invisível Pintura sem cores

Visão apagada Amor sem amores

Doença perpétua Agulha que fura Seringa que aperta

Raiz de amargura

Relógio que para Desejo frustrado Razão que suspende

O tempo acabado

Referências

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