Poetas Nunca Morrem
Ubiratan Rodrigues Coelho de Lima
Introdução
Este livro procede de uma longa e contínua série de vivências, entre as quais, a maioria se resume ás mais sofridas. Muito tempo foi necessário para a conclusão deste trabalho, onde pude ver as novidades do mundo atual, e a constante decadência do ser humano. Não me importando para as meras formalidades, descrevo nesta obra de dez capítulos a realidade em que cada ser em si experimenta durante este momento ao qual chamamos presente.
Não era de minha importância retratar o dia a dia com a ótica da formalidade, pois compreendo que, mesmo que a taxa de analfabetos tenha sido reduzida, embora ainda existam muitos analfabetos funcionais (que não sabem ler e escrever), a interpretação de texto ainda assim continua sendo o “bicho-papão” no que se refere á língua portuguesa. Exatamente por isso tive a preferência pela linguagem informal, pois sabemos que a linguagem formal ás vezes torna a leitura um “mar sem profundidade”.
Cada pessoa, mesmo que nunca tenha entrado numa escola, seja ela pública ou particular, tem em mente um breve conceito sobre poesias e poemas. Antes que haja qualquer dúvida deixarei aqui a diferença entre o poema e a poesia. O poema tem por finalidade seguir um padrão rítmico, e uma certa simetria entres os versos escritos pelo autor.
Por exemplo, se eu escrever a seguinte frase:“ Estou de cara com a morte”, mesmo que eu não tenha a pretensão de rimar, pois no poema nem sempre há a necessidade de rimar, eu tenho que escrever o próximo verso de acordo com a mesma quantidade de palavras, para que o poema não seja considerado “desagradável” (feio). Já na poesia, podemos ver e interpretar da forma que quisermos, pois a poesia está mais voltada para a arte e o entretenimento. Em cada pintura vemos poesia, como na famosa pintura de Leonardo da Vinci: Mona Lisa.
De modo a pensar na existência de cada um, procurei a realidade mais próxima, me
utilizando dos meus próprios meios em que vivo, e também, da própria realidade dos que vivem
ao meu redor. Sinto-me honrado pela sua companhia, meu caro leitor. Desejo-lhe uma ótima
leitura, e que sua visão de mundo venha a aprofundar-se neste “mar de almas viventes”. Mas
não se esqueça! Esteja com os pés no chão, pois nem só de fantasia vive o leitor. Boa leitura!
Prefácio
Seja muito bem-vindo á obra literária de dez capítulos! Neste livro eu apresentarei a você o universo em que cada pessoa vive e talvez o seu também.
Quero que você aproveite bastante a leitura e que você busque a fundo qual é o sentido da vida e qual é a importância de ser um poeta em mundo sem retorno fraternal. Tudo está á sua volta, basta olhar e você verá que cada um de nós pode ser um eterno poeta na sua maneira de ser, mesmo que seja um poeta analfabeto.
Sumário
CAPÍTULO I - AS NUVENS SÃO DE ALGODÃO:
1- A Arte entre as Cores;
2- A Pimenta e suas Pérolas;
3- A Rima e sua Primas;
4- Abraça tua Família;
5- As Rosas;
6- Fazendeiro de Deus;
7- Paranoia Exuberante;
8- Sonho Triste de Inverno;
9- Uma ligação-quase-anônima;
10- Uma Mulher Admirável.
CAPÍTULO II - A PARÁBOLA É DIVINA:
11- A Beleza Desvanece;
12- A Bosta Solitária;
13- A Mesa e a Cadeira;
14- A vizinhança Sentimental;
15- As Crônicas da Morte;
16- O orelhão e seus inimigos;
17- O Rato e o Pitbull;
18- O Travesseiro e seus amigos;
19- Os dedos;
20- Os três mal resolvidos.
CAPÍTULO III - A ÁRVORE DAS MEMÓRIAS:
21- A História e o Enredo;
22- A Melhor coisa do Mundo;
23- Anseios de um Poeta Mirim;
24- Cela dos Solitários;
25- Colecionador de Inimigos;
26- Fascinados por um sono Eterno;
27- Ilusões de uma vida sem Destino;
28- Jardim dos Poetas Infames;
29- O Amanhã que nunca chega;
30- Passarinhos sem Asas.
CAPÍTULO IV - PRETO E BRANCO:
31- Caixão dos Praguejadores;
32- Esquina dos Preconceituosos;
33- Injúria dos Marginalizados;
34- O Importante Nordestino;
35- O Pênis e a Vagina;
36- Ofensa dos Descriminados;
37- Orgulho dos Intrigados;
38- Paradigma Epistemológico;
39- Perversão dos Imorais;
40- Poesia dos Inocentes.
CAPÍTULO V - CONTAGEM REGRESSIVA PARA UM MUNDO PIOR:
41- A Loucura e o Regresso;
42- A Miséria nos Visita;
43- Acorde das Almas sem pudor;
44- Ansiosos por uma falsa Liberdade;
45- As 10 páginas de uma Vida Inteira;
46- Ás profundezas de um Naufrágio;
47- Caminho dos Mortais sem vida própria;
48- Espelho dos Amaldiçoados;
49- Nada mais que Viciados;
50- Perdidos em um abismo sem Fim.
CAPÍTULO VI – O TEMPO E ELE MESMO:
51- Ansiosos por um novo amanhecer;
52- Entre Leitores e Poetas;
53- O dilema e o fracasso;
54- O Guarda e o Relógio;
55- O Monólogo dos sem graça;
56- O Tempo-enquanto-tempo;
57- O Veredito;
58- Um barulho-quase-silêncio;
59- Um chá a dois;
60- Viajantes sem Destino.
CAPÍTULO VII - DEUS NUNCA ESTEVE AQUI:
61- A História que todos já conhecem;
62- Adoração sem limites;
63- As Estações de Deus;
64- Até Quando?;
65- Conversa Paralela;
66- Hipocrisia dos Moralistas;
67- Os Apóstatas e a Cadeira;
68- Teoria dos Ateus;
69- Um Inédito Amanhecer;
70- Uma Questão de Fé.
CAPÍTULO VIII - A CIÊNCIA-NADA-VALE:
71- As Crônicas do Pequeno Autor;
72- Boa noite para os Leigos;
73- Caçadores de Respostas;
74- Cadeia Alimentar;
75- Errantes em um Deserto sem Fim;
76- O Dom da Vida;
77- O Tal e o Qual;
78- Saberes do Povo;
79- Terra dos Sobreviventes;
80- Viva o Mundo Contemporâneo.
CAPÍTULO IX – A CASA DO DIABO:
81- A Soberba dos Homens;
82- Almas sem Religião;
83- O Diabo entre eles;
84- O Lado Sombrio dos Homens;
85- Perdidos em um Abismo sem Fim;
86- Residência dos Sonhadores;
87- Santuário dos Demônios;
88- Sombra dos Refugiados;
89- Uma brisa na Janela;
90- Versos de uma estrela Cadente.
CAPÍTULO X – HIBRIDISMO LITERÁRIO:
91- A Vida e seus Resumos;
92- Amigo dos Poetas;
93- Litterae Parademons;
94- O Amor é feito de Banana;
95- O Brasil que nunca vimos;
96- O Conceito e o Preconceito;
97- O Momento que Todos Aguardam;
98- Oração dos Aflitos;
99- Os Três Vizinhos;
100- Zazá e Companhia.
Antecipações á Leitura
Neste primeiro capítulo recheado de belezas, vemos um mundo inocente que nos remete
á infância que um dia cada um de nós já passou, ou pensa estar passando. Não pretendo resenhar
muito em relação á sua leitura, então desejo-lhe um ótimo começo e que a luz do entendimento
possa clarear os seus olhos e também a sua mente literária. Boa sorte!
Capítulo I –
As Nuvens são de
Algodão
A Arte entre as Cores
Cores primárias cores secundárias
a arte já morreu a pintura escureceu borracha se apagou o lápis se quebrou e o papel enfraqueceu
As cores sepultaram a arte, sua mãe mas nem sequer choraram
tão fria quanto os cães
A pobre da borracha chegara atrasada se bem que tanto faz a morte vem do nada
E se não faz sentido pergunte a si mesmo por que só teorizam a morte só de preto?
Se preto é ausência
até que faz sentido
o branco sempre oculta o orgulho mal fingido
Se nada vale a pena ou se é tão bom viver
a arte nos ensina o que devemos ser ou somos obra-prima
ou temos de morrer a arte é quem ensina
o jeito de viver
A Pimenta e suas Pérolas
Pimenta, pimentinha,
pimentão,
vamos moer o alho no pirão?
Pimenta, pimentinha,
pimentão,
cadê o estojo de coleção?
Pimenta, pimentinha,
pimentão,
por que existe o ponto de interrogação?
Pimenta, pimentinha,
pimentão, o que é solidão?
Pimenta,
pimentinha,
pimentão,
o que significa a palavra “adoção”?
a Rima e suas Primas
Tudo Mundo
Surdo Escudo
Rima Prima Quinta
Fina
Quente Morno
Água Fogo
Verde Preto Branco
Rosa Pera Uva Apetitosa
Nove
Oito
Sete Seis
dois milhões e trinta e três
Casa Roupa Botão Broche
Chave Ferro Senha
Cofre
Nome Bairro Rua Carro
Lápis Folha e compasso
Eu, Tu, Ele, Ela Nós, Vós, Eles, Elas
Frigideira e panela
Chá de boldo
e canela!
Abraça tua Família
Enquanto os teus pais estiverem aqui dá graças a Deus e procura sorrir
são eles os donos da tua petição ninguém mais se importa com
com a educação
Tão belo é falar dos laços de sangue tem mais é que ver as fotos da estante
lembranças á parte saudade no instante
Os rostos os beijos
carinho abraço
tais tempos remontam o triste passado e se não te lembras
não tens coração o amor é sincero não gera aflição
Dos filhos, os netos
dos pais, as primícias
da tal descendência a boa família
Recorda os momentos que são passageiros
presente é agora passado é ligeiro
Remonta os laços enquanto há vida
abraça teus pais
a tua família!
As Rosas
As rosas não falam As rosas não brigam As rosas não choram Nem fazem amigos
As rosas não cantam As rosas não mordem
As rosas não bebem As rosas só morrem
As rosas se calam As rosas debruçam As rosas se queimam As rosas se murcham
As rosas não beijam As rosas não amam As rosas não casam As rosas não dançam
As rosas não crescem As rosas não dormem As rosas não vivem As rosas só morrem
.
Fazendeiro de Deus
Nesta terra eu já plantei e nunca mais eu vou colher
deste fruto que eu colhi nunca mais eu vou comer!
Uma casa uma roça
um cenário nordestino Um cavalo
uma égua um chiqueiro
e um suíno!
Um pé-de-côco e um manguezal
terreno grande é o meu quintal!
Tudo isso Deus me deu!
O Homem lá de cima!
É pra Ele que eu dedico os meus ‘verso’
e também as minhas ‘rima’!
Não sou homem estudado nem sou um grande proprietário sou apenas um cabra nordestino
sou um fazendeiro centenário!
E de muito andar por essas ‘terra’
eu não me canso de falar
quem põe em Deus a sua fé jamais o pão mendigará é só ter força de vontade
é só ter ânimo pra lutar!
Não sou formado em agronomia nem sou formado em administração
Mas sei que Deus é a fonte que sobrepõe a sequidão
a seca só mata quem não carece
de perdão!
Uma semente bem plantada pode vir a germinar e se o terreno for bom melhor pra nós ‘inda’ será!
Nunca me canso de lutar e nem tampouco pretendo
dizer adeus
Eu sou um homem de pulso firme eu sou
um fazendeiro
de Deus!
Paranoia Exuberante
Cá estou mas não vou
Cá estou me pegou não durou não colou nem ao menos parou
cá estou cá estou O pulmão se secou
coração se doou Cá estou
cá estou Tempo já se esgotou
Cá estou
Cá estou!
Sonho Triste de Inverno
Quanta neve caindo lá fora e eu aqui bocejando em
minha cama
Pai! Posso ir brincar lá fora?
“Não me peça mais pra ir lá fora”!
Fique aí na sua cama!”
Mas, pai! Os meus coleguinhas estão lá fora!
“Silêncio! Não quero ouvir mais nada!”
Mas, pai! Por favor!
“Cala a boca e vai dormir!”
Eu queria algum dia Liberdade pra voar só que asas eu não tenho sei que um dia eu chego lá
Sou um menino como os outros ninguém pode me entender?
vivo aqui trancafiado sem sequer compreender
Neste canto isolado cara a cara a solidão
“Liberdade! Liberdade!”
grita o fraco coração
Ninguém pode me ajudar?
Ninguém pode me acolher?
continuo a sonhar
que um dia vou viver
Mas se vivo por aqui não é porque eu escolhi é que as mãos que deixam marcas
não permitem eu sorrir
Até choro, até finjo que é tudo uma ilusão mas retorno á realidade
e vejo apenas solidão
Nunca tive um amigo pra brincar em minha casa ser feliz é o que eu mais quero
cada dia que se passa
Vejo a neve daqui mesmo e crianças por ali elas brincam, elas correm
e eu apenas por aqui
Novo dia eu desejo estou cansado de chorar
este frio desse inverno
só me leva a pensar
como é triste o meu viver
como é triste o meu olhar
passa a noite passa o dia como um dia eu queria
conhecer a alegria
e acabar com este pesar!
Uma ligação-quase-anônima
Alô! Quem tá falando?
Aqui é o amigo do teu pai Ele ainda tá trabalhando?
Certamente, cidadão!
Ele chega só á noite Já são cinco e uma
da tarde!
Ainda faltam 59 minutos pro meu pai chegar!
Não tem problema!
O que eu mais sei é esperar!
Por acaso é algum assunto particular?
Claro que não!
Mas é melhor deixar isso pra lá!
Por quê?
Por que nem todos aprendem a segredos guardar!
Mas eu juro que eu não falo
desse assunto pra ninguém!
Não precisa!
Obrigado!
Mas é melhor deixar isso pra lá!
Não! Eu não concordo!
Eu quero saber desse assunto agora mesmo!
É banal!
Você não entende!
É melhor você tirar essa preocupação da sua mente!
Com quem é que eu tô falando mesmo, hein?
Eu já disse!
É o amigo de seu pai!
Mas por que essa questão?
É porque ninguém costuma ligar pro meu celular?
Por quê?
Porquê na realidade eu
não me considero um cara muito popular!
Mas você parece ser um cara tão legal!
Você que pensa!
Na verdade eu sou mesmo é um cara radical!
E o que é ser um cara radical?
É ter princípios baseados Na conduta e na moral!
Você é do tipo “nerd”, não é?
Eu não sei o que sou!
O que eu não sou é mané!
É claro que não!
O seu pai é bem parecido com você!
E como você sabe que ele é parecido comigo? Você nunca me viu!
Já vi sim!
Você que não me viu!
Onde foi que você me viu?
Não importa!
Isso é bobagem!
O que conta é que você se assumiu!
Como assim? ‘Cê ‘ tá louco?
Eu ‘num’ sou gay não!
Calma, calma!
Eu vou explicar pra você!
Certo!
Você era um menino muito inocente!
Mas agora eu vejo que você progrediu!
Quem é que tá falando comigo mesmo?
Não importa!
Eu juro que se você não disser o seu nome eu vou desligar!
Não desligue! Por favor!
Ainda tenho que explicar!
Não há mais tempo!
Minha paciência já acabou!
Tudo bem! Eu vou dizer...
Alô?
Alô?
Quem era, meu filho?
Não sei, mãe!
Ele desligou!
Ele quem?
Não sei!
Como você não sabe?
Ele não me disse o nome dele!
Deixa quieto! Vamos pra sala antes que o filme se acabe!
Que filme a senhora tava assistindo?
“Sociedade dos poetas mortos”!
A senhora tem bom gosto!
Vem logo!
Pera aí que eu já tô indo!
...
Já chegou, pai?
Ah, sim! Hoje foi um dia daqueles!
Teve um cara estranho que ligou pra mim!
Ah, é? E o que ele queria?
Não sei!
Pois o nome dele ele não me dizia!
O que ele disse pra você?
Disse que era seu amigo!
Como isso pode acontecer?
Sei não! Acho que era apenas um trote!
Se era eu não sei!
Só sei que eu não atendo mais essas ligações de gente que só dá calote!
É isso mesmo!
Mas uma coisa eu tenho que dizer!
O quê, filho?
Ele sabia muita coisa sobre o senhor!
Isso representa algum perigo?
Talvez sim, ou talvez não!
Isso vai depender!
Vai depender do quê?
Depende de quem tá fazendo a ligação!
Não entendi!
Vou explicar!
Quem ligou pra você fez algum tipo de brincadeira só pra querer zoar!
Ele não disse o nome dele porque ele está neste lugar!
Foi o seu irmão quem fez o trote!
Mas te proíbo de brigar!
É pra você compreender que a gente deve questionar!
E se o estranho não disser!
É bem melhor o ignorar!
Pois muitos morrem por atender a ligação de
um celular!
Uma Mulher Admirável
Na estrada dessa vida uma rosa eu encontrei nenhum tipo de espinho
no bolso eu guardei
Pensei bem nesse caso era minha intenção expressar todo o amor que há em meu coração
Você é minha amiga uma grande mulher
uma mãe decidida que qualquer filho quer
Pra falar a verdade seu sorriso me alegra
sua voz me consola e também me completa
Eu não sei me expressar nem ao menos dizer esta grande homenagem
escrevi pra você!
Antecipações á Leitura
Neste maravilhoso capítulo você entenderá, ou pelo menos ficará sem entender a profundidade e a riqueza das pequenas lições que passam por nossos olhos e muitas vezes não queremos enxergar.
Eu escolhi este título por que na minha humilde concepção, a parábola é de fato, uma procedência divina. Basta lembrarmos das lições que Jesus ensinava aos seus discípulos. Isso provava o quanto era difícil interpretar figuras de linguagem tais como esta, a parábola.
Acredito que este capítulo será o mais difícil de se interpretar. Portanto, muito cuidado, e , boa
sorte!
Capítulo II –
A Parábola é Divina
A Beleza Desvanece
Dedos, unhas,
calos, grude,
pele, creme, beleza, serviço, despesa,
salário, carestia, trabalho, esforços, salão, moda, roupa, calçado,
cinto, escova, perfume,
anel, maquiagem,
batom,
sombra, bolsa, acessório,
plástica, gastos, fundos, fortunas, desperdício,
sacrifício,
exagero,
ainda tá feio!
A Bosta Solitária
A bosta, triste e solitária estava afogada naquele imenso oceano
lá no sifô,
que muitos conhecem como privada
O sifô murmurou de tão fedida que era a bosta
e disse á bosta
que ela estava sendo confundida com a fossa
A bosta ofendeu-se de tal maneira que passou a chorar mais ainda o papel higiênico escutou o choro
mas não podia socorre-la, pois estava lá para cumprir sua função
O sabonete atirou-se de uma vez para ajudar a pobre merda mas acontece que a merda não quis
ir junto com o sabonete,
pois seria rejeitada pelos outros sabonetes
Imagine só!
um pedaço de bosta se associar com uma turma tão cheirosa
A gilete se escondeu imediatamente entre as escovas de dentes a pasta de dente ficou com raiva
ao ver que seu amigo sabonete estava oferecendo ajuda
para a coitadinha daquela merda
Então o dono da casa chegou do trabalho, trocou as antigas escovas de dente,
jogou a gilete no lixo,
espremeu o resto de creme dental que havia na pasta, abriu a torneira
e ligou o chuveiro
E após tomar seu banho sentou-se no sifô,
e fez um esforço
novos amigos começaram a surgir
A bosta, outrora solitária recebeu novos amigos,
então o dono da casa resolveu dar descarga
A descarga alegrou-se por alguém lhe puxar pois não aguentava mais ver a pobre bosta murmurar
E nesta história maluca a merda e suas colegas foram
rumo á fossa, seu lar doce lar,
mas o que o dono da casa não tinha percebido é que o sabonete foi também
o sabonete foi bem recebido pela família da bosta
e os dois se tornaram grandes amigos uma coisa cheirosa
e uma coisa fedida
a fossa tornou-se seu novo lar
e todos viveram fedidos para sempre
A Mesa e a Cadeira
A cadeira falou pra mesa como era agradável a sua companhia
a mesa ficou lisonjeada e agradeceu por tamanha
gentileza
A cadeira encostou-se á mesa para pedir-lhe um conselho
a mesa ouviu sabiamente o caso da cadeira então a mesa deu o seu parecer
A cadeira estava preocupada, pois já estava muito velha,
e seus parafusos já estavam afrouxados
A mesa sugeriu que a cadeira fosse até uma marcenaria
mas a cadeira só queria apertar os parafusos e não fazer um polimento
Então a mesa intrigou-se com a cadeira teimosa chegando o dono da casa
pegou a cadeira e serrou-lhe os pés A cadeira estava brava
de tanta dor
e por se tornar menor começou a ser zombada
pelas outras cadeiras que ali estavam
a cadeira disse
ás outras que não importava o seu tamanho,
pois ela ainda possuía a mesma função das outras
Mesmo assim a cadeira nanica continuou a sofrer por causa
do seu tamanho então a pequena cadeira
processou as outras que zombavam de sua estatura
Na sala do tribunal
a mesa estava presente com testemunha da cadeirinha
e as outras cadeiras
O juiz que era um martelo grande de madeira foi logo declarando o caso
encerrado,
pois não havia muito o que discutir, chamou o serrote que era o guarda do tribunal,
e ordenou que serrasse as pernas das outras cadeiras que haviam abusado verbalmente
da pobre cadeiras
Então a mesa achou injusto
ser maior do que as cadeiras seria uma ordem desproporcional,
pois cadeira e mesa nasceram para viverem juntas
Então a mesa pediu ao juiz que mandasse o guarda serrote serrar
suas longas pernas o juiz sem entender o pedido
concedeu-lhe permissão e ordenou ao serrote que fizesse
conforme a mesa havia pedido
Terminado o caso todos foram para
casa
então o dono da casa admirou-se e colocou a mesa com as cadeiras
para as crianças se sentarem e desde então
tanto a mesa
como as cadeiras
passaram a viver
uma nova vida
A vizinhança sentimental
E a tristeza de tanto chorar fez nascer um grande rio no qual ela mesma se afogou
A alegria, sua vizinha, ao saber da notícia foi chorar sua morte e de tão contristada converteu-se em tristeza
atirou-se no rio e morreu afogada
A raiva, sua antipática vizinha, ao ouvir a notícia foi ao rio procurar e não achando o seu corpo
irritou-se ao extremo de tal maneira que seu coração
acabou por parar
A inveja correu imediatamente para tentar socorrer mas quando chegou lá
já era tarde demais
e por ser tão invejosa se enforcou em sua própria casa
O orgulho, por ser quem ele é,
não saiu de casa passou a viver sozinho e assim morreu de fome
O medo, seu vizinho mais velho depois de saber da notícia
arrumou sua bagagem e foi-se embora
O nojo,
de tanta repugnância, enlouqueceu de vez e foi internado no asilo
Enquanto isso o amor caiu de um alto precipício e partiu-se em mil pedaços
A sabedoria, a mais sensata de todas,
reuniu todos os corpos
e enterrou-os no mesmo cemitério e após velar suas mortes
foi viver em outro canto casou-se com a paz
e teve filhos!
As Crônicas da Morte
E a morte,
de tanto ser processada resolveu descer ás profundezas no intuito de pedir demissão ao diabo
No entanto,
não foi de seu agrado demitir um empregado tão valioso
sendo assim,
o diabo e a tão temida morte renovaram o contrato
A dona morte voltou de onde havia parado tornou a matar os seres humanos
pobres animais desprezíveis mas não adiantava processa-la,
pois seu advogado era mais astuto do que qualquer homem que possuísse formação
E á medida que a morte
dissipava os mortais deste vil e triste mundo o diabo contentava-se em ganhar
novas almas para atormentar
uma forma sarcástica de elevar o seu próprio ego E quanto mais a morte matava
mais processos apareciam
Isso ocorreu de tal maneira que até mesmo os anjos se incomodaram
e resolveram prestar queixa perante o Majestoso Criador
O Criador resolveu marcar uma audiência com a morte tendo como advogado de defesa
o seu senhor o diabo
Não demorou muito tempo até O diabo expor seus argumentos
que embora diabólicos, porém, tentadores
não seria justo outorgar permissão para matar os meros “bonecos de carne e osso”
simplesmente por não conhecerem o significado do amor
Os anjos já estavam sem paciência com uma louca vontade de espancar a morte e seu defensor Ambos tiveram sua solicitação negada
não teriam mais o direito de atormentar nenhuma alma vivente A morte foi condenada a 1 milênio de prisão
sendo assim obrigada a fazer reclusão espiritual
sem ter direito á redução penal o diabo nem se preocupou tanto assim
pois sua pena sempre foi perpétua
A dona morte
reclamou pelos seus direitos trabalhistas e pediu rescisão,
FGTS, Seguro Desemprego,
e outros benefícios pelos seus serviços prestados ao “espelho sem luz”
Mas o diabo por ser quem ele é não lhe pagou nada
Depois que um milênio se passou A morte foi solta da prisão Então ela retornou para a terra O diabo apareceu descaradamente
prometendo-lhe um salário maior A morte mandou o diabo se catar afinal de contas ele é pai da mentira mesmo
e saindo para outro lugar
pensou bem a respeito de sua condição então a morte foi visitar o tempo,
um dos piores assassinos,
e os dois fizeram amizade a morte
perguntou se o tempo não estaria á procura de novos empregados
o tempo agradeceu e disse que estava satisfeito, pois estava trabalhando para o Criador,
seu coautor
A morte voltou para as profundezas e perguntou ao seu antigo senhor
se ele poderia aceita-la de volta mas ele expulsou a morte
com toda a sua fúria
Então a morte,
ao saber que não tinha mais nenhuma serventia resolveu voltar para a prisão celestial mas os anjos não queriam ela nem para varrer
o chão do céu
Então a morte decidiu escrever histórias de terror e tornou-se bastante popular de maneira que até os demônios
lhe pediam autógrafo
E nessa história de quem viveu feliz para sempre O diabo mordeu-se tanta inveja
e decidiu mudar de profissão tornou-se um pregador
de heresias
seus adeptos o seguem com reverência mas o perigo que isso representa
hoje está no meio de nós no meio das Igrejas
que se proclamam únicas e absolutas E nessa história toda
cada qual segue o seu próprio curso o diabo sujando as praças a morte publicando seus livros
que causam medo
e nós como crianças enganadas por pederastas
que pretendem nos salientar brutalmente!
O orelhão e seus inimigos
O orelhão invejava o smartphone e seus aliados mas eles fizeram pouco caso do orelhão
o smartphone exaltou-se dizendo que era especial, pois possuía muitas
funcionalidades luz, calculadora,
watsapp,
e outras coisas também
O tablete considerava-se um gigante, pois era o aparelho mais usado
pelas crianças
e mais usado para ler livros também
O Iphone endeusou-se, pois além de ser o mais caro
de todos, possuía mais opções
do que qualquer aparelho
O smartphone e o tablete
não gostaram muito sobre a afirmação que o Iphone fizera,
mas reconheceram de certa forma que ele até tinha razão
O orelhão,
antigo meio de comunicação, irritou-se sobremaneira, sabendo assim que era ultrapassado
Mas havia um detalhe
do qual os aparelhos não estavam cientes é que diferentemente do orelhão,
os aparelhos necessitam de alguém para recarregar
Quando os aparelhos se lembraram desse detalhe foram imediatamente
para suas casas para se recarregarem
Pra azar deles
o senhor carregador
havia dado uma volta com a pilha,
sua namorada,
e não resolvendo seus problemas, os aparelhos foram ficando cada vez mais desesperados, o smartphone ficou estressado,
o tablete ficou piscando,
pois sua bateria já estava em dez por cento, o Iphone,
embora sem fôlego, manteve a elegância
A lâmpada,
que estava em seu escritório, ligou apressadamente
para o telefone fixo
O telefone fixo atendeu por si mesmo e então recebeu o recado
Então a dona lâmpada pediu pro telefone fixo que dissesse aos aparelhos
que o carregador
fora sequestrado juntamente com a pilha
O telefone fixo dera o recado aos aparelhos
Quando os aparelhos escutaram a notícia o tablete descarregou-se por completo
e então caiu ao chão quebrando assim o seu display
O smartphone e o Iphone tentaram levar o tablete para a loja de concerto
mas acontece que o smartphone era pequeno de mais e o Iphone era muito magro, sem ter forças para carregar o tablet
eles pediram que o telefone fixo ligasse para funerária eletrônica
Infelizmente ninguém atendeu, pois aquele dia era domingo
sendo assim, o smartphone e o Iphone chamaram a chave de fenda
para desparafusar o tablet
o smartphone e o Iphone
transferiram uma pequena quantidade de suas cargas
para o tablet
O tablete acordou
e então se lembrou do que aconteceu o smartphone e o Iphone contaram a ele o que havia acontecido
A chave de fenda despediu-se dos aparelhos
e foi-se embora
Os aparelhos reconheceram suas limitações e foram até o orelhão
para pedir-lhe desculpas
Mas quando chegaram lá já era tarde demais,
pois o orelhão
havia sido arrancado do lugar os três aparelhos começaram e antes que suas baterias se acabassem
elas se jogaram no meio da rua
mas ao invés de um carro,
ou um caminhão passar por cima delas,
houve um carro que parou perto de onde eles estavam
Então desceu um menino de sete anos e ficou muito alegre,
pois aquele era seu dia de sorte o menino adotou os aparelhos
e os levou para sua casa
Ao chegar em casa, o menino colocou um carregador no smartphone,
outro carregador no tablet, e outro carregador no Iphone
O pai do menino ficou com o Iphone, a mãe ficou com o smartphone, e o menino ficou com o tablete
enquanto isso,
o orelhão fora despedaçado até o último de seus botões,
pois ele não tinha mais nenhuma serventia
Então todos os aparelhos de tecnologia se reuniram para sepultar o orelhão
mas não conseguiram,
pois ele estava em pedaços
E assim continuou a jornada do aparelhos até que um dia envelheceram
e foram vendidos no feirão do Facebook
Fim!
O Rato e o Pitbull
E o rato andava pelos esgotos á procura de comida cansado de procurar andou no rumo de
volta para casa
Só durante o retorno para casa surgiu um gato feroz
correu atrás dele babando de fome com uma vontade insaciável
de comer
O rato desesperado correu sem parar
não encontrara nenhum refúgio e desesperado, desmaiou de tanto medo
E quando o gato ia se aproximando um pitbull apareceu
e correu atrás dele o bichano não escapou
foi dividido em dois o pitbull possuía
dentes afiados
e uma mandíbula muito forte Despedaçando o bichano
o pitbull se retirou
então o rato se levantou e retomando suas memórias para sua casa se locomoveu
Não sabendo ele o que havia acontecido
ao gato vilão continuou a caminhar
Chegando em sua casa havia uma enorme ratoeira
com queijo saboroso uma grande tentação
o ratinho já sabia do perigo que surgira
decidiu sair de casa para não arriscar a própria vida
Procurando por comida o rato viu restaurante e entrou por um buraco
que estava visível na parede
O rato entrou e então começou a procurar
queijo, carne,
qualquer coisa
que saciasse sua fome
E olhando para os lados avistou uma panela, dentro dela um macarrão,
com queijo e cenoura
A rato correu até a panela mas com medo se conteve
pois a água da panela estava quente á beça
E não vendo outra opção decidiu esperar
e quando a comida foi servida o rato acompanhou o cozinheiro
e depois de alguns minutos infiltrou-se no prato de comida
saboreou tudo o que tinha
então saiu pelo mesmo buraco de onde viera
Chegando em casa atormentou-se ao ver sua esposa apanhada
pela ratoeira
O rato chorou copiosamente e enterrou o corpo de sua amada
na própria casa
Depois de um tempo o rato tornou a visitar aquele restaurante
mas para seu azar o cozinheiro estava armado
com uma faca de cozinha
E quando o ratou adentrou o cozinheiro atacou arrancando o seu rabo
o rato saiu correndo e ao mesmo tempo gritando de tanta dor
O rato desmaiou
e então pitbull o avistou de longe e com enorme compaixão
o colocou em sua boca com cuidado para não
esmigalha-lo
E levando-o para a sua casinha de cachorro fez os primeiros preparativos
O pobre rato acordou e assustou-se repente o pitbull o acolhera como se fora seu parente
O ratinho tentou se levantar mas o pitbull o convenceu a ficar
e gostando da ideia
o rato se propôs a ficar
Depois de duas semanas e meia o rato se recuperou o pitbull lhe aconselhou a não ir mais ao restaurante
O rato então agradeceu e foi de volta para casa e se aproximando de sua residência
viu que estava assolada os engenheiros a destruíram
e a reduziram a pó e nada
O rato começou a chorar ao se lembrar dos bons momentos que passara ao lado de sua falecida esposa
e não tendo pra onde ir retornou para a casinha do pitbull
e chegando lá não o avistou o seu dono o entregou para a carrocinha de cachorros, pois o considerava irresponsável e não tendo mais como voltar pra casa
o pitbull negou-se a comer aquela comida horrenda do canil
e então morreu de fome, mas principalmente de desgosto
O ratinho,
outrora azarento,
tornou-se sortudo em um dia, recebera uma carta que o pitbull enviara
sem ninguém saber na carta assim dizia:
“Meu caro amiguinho!
Foi bom te conhecer!
A partir de agora, deixo a casa com você!
Aproveite esta vida!
Agora é com você!
Cuide bem dos meus filhinhos!
A mãe deles já morreu!
Obrigado desde já!
Cuide bem do é seu!
Com amor, Pitbull!
O ratinho comoveu-se chegando até mesmo a chorar os filhinhos do pitbull chegaram
de viagem
e então encontraram aquele pobre ratinho com a ponta do rabo enfaixada
Os cãezinhos perguntaram o que havia acontecido
o ratinho explicara que seu pai tinha morrido
e que ele entregou
a paternidade
para o rato cuidar deles
os cãezinhos abraçaram
o ratinho contristado
e o rato alegrou-se pelo pitbull lhe ter confiado
a responsabilidade de criar os filhotinhos seria uma grande missão
de sua vida
o ratinho seguiu em frente com bravura e alegria
sua sorte já mudara nova vida em companhia
O rato então agradeceu pela sorte que tivera agradeceu pela vida
e reconheceu quem o pitbull era era um amigo de infância
que conhecera no colégio
como o mundo é pequeno como a vida é
passageira
uma hora se está no topo outras hora se está na fileira
corriqueira é esta vida e o resumo da história
acabamos de contar
O Travesseiro e seus Amigos
Enquanto o travesseiro repousava tranquilamente a cama incomodou-se por ser ocupada por um objeto inferior
Irritada com a situação a cama lançou com ímpeto
o pobre travesseiro que já estava bem aconchegado
Ao ser lançado fora o travesseiro xingou a cama de tudo quanto era nome feio
A cama pouco se queixou e mandou o travesseiro procurar um outro lugar
O lençol,
que era muito amigo do travesseiro decidiu retirar-se
por conta própria deixando assim a cama nua
a cama,
de tanta vergonha
procurou alguém que pudesse cobrir sua nudez
e não achando ninguém para tapar suas vergonhas
gritou bem alto pela rede e perguntou-lhe se ela poderia cobri-la
mesmo que fosse por um segundo apenas
E quem disse que a rede aceitou?
recusou-se a agasalhar a cama sem ao menos olhar pra ela
A cama,
não vendo mais ninguém, gritou por socorro
Teve alguém que escutou mas não era amigo seu
foi a caixa de fósforo
A cama pediu para a caixa de fósforos se ele poderia riscar-se
e queima-la com o seu
curto fogo
A caixa perguntou aos seus filhos, os palitos,
se eles poderiam fazer um esforço e acabar de vez com o sofrimento
da triste cama eles se recusaram
a incendiar
uma espuma tão macia como ela
a cama entristeceu-se e então passou frio durante
a noite inteira
Ao romper do dia o travesseiro,
o lençol e a caixa de fósforos foram ver como era que estava
a cama
E para seu próprio espanto a cama havia morrido
passou tanto frio, que sua temperatura baixou
Após sua morte
o dono da casa decidiu jogar a cama no lixo
e depois de jogada a cama foi transportada para
o aterro sanitário
A cama fora jogada juntamente com outras camas sem valor
sua família estava lá mãe, pai, irmão, irmã, primo, prima,
tio, tia, avô, avó, sobrinho, sobrinha,
até seus tataravôs estavam lá também
Depois de juntar-se á sua família a cama e sua família foram queimadas
Enquanto isso, o travesseiro fez amizade
com a rede,
a caixa de fósforos fez amizade com o travesseiro, e a rede apaixonou-se imediatamente
e pediu-o antecipadamente em casamento a caixa de fósforos foi convidada para ser a madrinha do casamento
e os filhos ficaram
a cargo de entregarem as alianças
O sofá, ministro do casamento, alegrou-se ao realizar o casamento
e nesta bela história figurativa cada qual viveu feliz
para sempre