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ENTRAVES NO SETOR DE TRANSPORTE FERROVIÁRIO

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Academic year: 2022

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ENTRAVES NO SETOR DE TRANSPORTE FERROVIÁRIO 

1 ­ INTRODUÇÃO 

A ANTF ­ Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários congrega oito empresas  Concessionárias  prestadoras  dos  serviços  públicos  de  transporte  ferroviário  de  cargas,  detentoras  de  onze  malhas  concedidas  à  iniciativa  privada.  Nos  últimos  oito  anos  de  desestatização,  as  Concessionárias  vêm  apresentando  resultados  positivos  para  o  transporte  ferroviário  do  Brasil,  decorrentes  de  grandes  investimentos,  os  quais  já  totalizam cerca de R$ 6 bilhões nesse período. A produção das ferrovias, que em 1997 era  de 130 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil), ultrapassou a marca de 200 bilhões  em 2004. 

Visando superar o desafio de atender a crescente demanda, principalmente a do comércio  exterior,  faz­se  necessário  eliminar  as  barreiras  existentes  no  setor  de  transportes  ferroviários, para gerar desdobramentos positivos e estratégicos no aumento da produção  nacional, mediante o aprimoramento da eficiência logística dos transportes. Os principais  problemas no setor ferroviário estão descritos na seqüência, quais sejam:

· Invasões na faixa de domínio das ferrovias;

· Passagens em nível críticas;

· Gargalos físicos e operacionais;

· Expansão integrada da malha ferroviária Nacional;

· Entraves na regulamentação do setor;

· Barreiras na aquisição de material rodante e equipamentos do exterior. 

2 ­ INVASÕES NA FAIXA DE DOMÍNIO 

As  principais  cidades  brasileiras  surgiram  e  se  consolidaram  ao  longo  de  linhas  férreas,  que  nos  primórdios  associava  a  prestação  dos  serviços  de  transporte  ferroviário  com  as  atividades  imobiliárias  e  de  urbanização.  Isso  explica  a  existência  significativa  de  comunidades  lindeiras  ao  longo  das  ferrovias,  que  muitas  vezes  invadem  a  faixa  de  domínio,  simplesmente  pela  falta  de  execução  de  um  plano  diretor  por  parte  dos  municípios. 

É  preocupante  quando  essas  invasões  ocorrerem  em  grandes  zonas  urbanas, 

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regionais  e  interferem  diretamente  no  tráfego  do  transporte  ferroviário  e  conseqüentemente no seu desempenho operacional, conforme as fotos a seguir. 

Guarujá (SP) ­ Acesso ao Porto de Santos  Rio de Janeiro ­ Acesso ao Porto do Rio de Janeiro 

As  empresas  Associadas  da  ANTF  identificaram  824  focos  de  invasões  na  faixa  de  domínio das malhas concedidas. A maioria das invasões foram consolidadas nos grandes  centros  urbanos  e  na  época  de  responsabilidade  patrimonial  da  RFFSA,  sendo  uma  herança do processo de desestatização. 

Tendo em vista a natureza e a gravidade dessas invasões, é imprescindível a atuação do  Governo Federal para efetivar programas de  realocação das comunidades irregulares ao  longo  da  faixa  de  domínio  das  ferrovias,  com  a  finalidade  de  eliminar  os  riscos  de  acidentes e assim conciliar os interesses das Concessionárias e da população. Essa ação  possibilitará  a  solução  de  questões  de  segurança  e  de  desempenho  operacional  das  composições, que atualmente diminuem a velocidade média de 40 km/h para 5 km/h nas  áreas urbanas. 

Para atender os interesses das concessionárias ferroviárias e das comunidades urbanas,  faz­se necessário efetivar o Convênio de Cooperação Técnico­Operacional, firmado em  maio  de  2004,  por  intermédio  do  Ministério  das  Cidades  e  o  Ministério  dos  Transportes  com  a  Caixa  Econômica  Federal  e  a  RFFSA.  Tal  instrumento  objetiva  viabilizar  a  alienação  de  imóveis  não  operacionais  pertencentes  à  RFFSA  para  utilização  em  programas  de  regularização  fundiária  e  provisão  de  habitação  de  interesse  social,  bem  como propor soluções para o reassentamento da população que se encontra na faixa de  domínio.

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3 ­ PASSAGENS EM NÍVEL CRÍTICAS 

O  total  de  passagens  em  nível  existentes,  ao  longo  dos  28.445  km  da  malha  ferroviária  concedida, é em torno de 11.000 PNs, das quais cerca de 1.200 foram classificadas como  as  mais  críticas  pelas  Associadas  da  ANTF.  Normalmente,  são  consideradas  críticas,  mediante os seguintes fatores/ critérios:

· segurança na passagem em nível ­ PN;

· localização  da  PN,  comparando  a  sua  interferência  frente  ao  tráfego  urbano  de  veículos, inclusive paralisações e interrupções;

· risco provocado pelo trânsito de pessoas;

· sinalização deficiente ou inadequada;

· avaliação de estatísticas de acidentes ocorridos no local; e

· irregulares/ clandestinas. 

Rodovia dos Minérios ­ Almirante Tamandaré (PR)  Betim (MG) 

Para  melhorar  as  condições  de  segurança  nas  áreas  urbanas  limítrofes  das  ferrovias,  o  Governo  Federal  precisa  implementar  um  programa  específico  de  obras  nesses  cruzamentos  ­  passagens  em  nível  ­,  priorizando  as  ações  em  municípios  onde  estão  localizadas as PNs mais críticas, viabilizando recursos físicos e financeiros. Essa medida  permitirá  a  redução  de  riscos  e  interferências  às  comunidades,  além  do  aumento  da  velocidade  nesses  trechos  melhorando  assim  o  desempenho  operacional  do  transporte  ferroviário de cargas. 

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Urbanas ­ PRONURB, cuja estratégia de implementação era por meio de parcerias com  entidades  governamentais,  não  governamentais,  privadas  e  as  concessionárias  ferroviárias. O PRONURB tem como objetivos gerais promover melhorias voltadas à:

· condições atuais de segurança em faixas de domínio e PNs;

· segurança da infra­estrutura de transporte ferroviário; e

· relações de convivência entre a ferrovia e as comunidades lindeiras. 

4 ­ PRINCIPAIS GARGALOS LOGÍSTICOS 

Os  gargalos  logísticos  das  ferrovias  encontram­se  principalmente  em áreas  urbanas,  ocorrendo conflitos do tráfego ferroviário com veículos e pedestre, como exemplos:

· manobras dos trens entre as cidades de São Félix e Cachoeira­BA, que paralisam o  tráfego de veículo e pessoas entre essas cidades;

· circulação  dos  trens  na  cidade  de São  Paulo,  onde  ocorre  compartilhamento  de  linhas da CPTM;

· acesso  aos  portos  de  Santos,  Rio  de  Janeiro,  Paranaguá  e  de  São  Francisco  do  Sul; e nas travessias de Belo Horizonte e Barra Mansa­RJ. 

Como  sugestão  para  a  eliminação  desses  gargalos  físicos  e  operacionais,  as  Concessionárias  apontaram  os  projetos  considerados  prioritários,  constantes  na  tabela  adiante,  cabendo  ao  Governo  Federal  ampliar  a  capacidade  de  investimentos  públicos,  bem  como  definir  as  regras  e  efetivar  as  Parcerias  Público­Privadas  (PPPs),  entre  o  setor  público  e  o  setor  privado.  Observa­se  que,  até  o  momento,  o  Governo  Federal  já  indicou como objetos de licitação de PPPs os projetos do  Ferroanel de São Paulo ­ Tramo  Norte, do Desvio Guarapuava ­ Ipiranga /PR e da Variante da Serra do Tigre/MG. 

As  obras  de  contornos  e  travessias  representarão  um  impacto  positivo  à  vida  das  comunidades  limítrofes,  proporcionando  redução  dos  riscos  de  acidentes  e  aumento  do  desempenho  operacional  dos  trens,  bem  como  eliminará  o  excesso  de  passagens  em  nível. Enquanto que, os projetos de variantes ferroviárias e de acesso a portos e terminais  proporcionarão o crescimento substancial no escoamento de cargas pela ferrovia, além de  eliminar  também  invasões  na  faixa  de  domínio,  considerando­se  que  a  malha  é  centenária, de traçado longo, sinuoso e com rampas fortes.

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Projetos prioritários indicados pelas Concessionárias para solucionar Gargalos Logísticos 

PROJETOS FERROVIÁRIOS  VALOR ESTIMADO 

(Milhões R$)  Segregação de linha de carga na Região Metropolitana de São Paulo  150  Remoção de invasões de faixa de domínio (Rio de Janeiro, Santos e Belo Horizonte)  81 

Travessia de Barra Mansa/RJ  32 

Ferroanel de São Paulo ­ Tramo Norte (PPP)  850 

Variante da Serra do Tigre, entre Ibiá­Sete Lagoas  1.425 

Contorno Ferroviário São Félix ­ Cachoeira /BA  111 

Contorno de Vila Velha  99 

Variante Camaçari ­ Aratu/BA  99 

Desvio Guarapuava ­ Ipiranga /PR (PPP)  450 

Contorno Ferroviário de Curitiba /PR  150 

Contorno Ferroviário de Jaraguá do Sul, Joinville e São Francisco do Sul  150  Duplicação da Serra do Mar (Variante Curitiba ­ Paranaguá/PR)  450 

Acesso ao Porto de Santos  29 

Sinalização de passagens em nível municipais  20 

Remoção de invasões na faixa de domínio  20 

Implantação do Pólo Logístico de Campo Grande, junto ao novo Contorno  50 

Ampliação do Ramal de Siderópolis (12 km) 

Viaduto/ trincheira em Criciúma /SC  18 

Total Geral 

Fonte: Associadas da ANTF. 

5 ­ EXPANSÃO INTEGRADA DA MALHA FERROVIÁRIA NACIONAL 

Destaca­se  ainda  a  necessidade  de  efetivação  do  Plano  de  Revitalização  das  Ferrovias,  lançado  no  mês  de  maio  de  2003,  pela  Presidência  da  República  Federativa  do  Brasil,  composto  de  um  conjunto  de  programas  coordenados  pelo  Ministério  dos  Transportes. 

Esse Plano tem como finalidade reduzir os custos logísticos dos produtos, sendo dividido  em três etapas. 

A  primeira  etapa  prioriza  a  restauração  de  trechos  precários,  apresentando  baixa  densidade  de  tráfego  e  de  funções  importantes  no  atendimento  ao  mercado.  Quanto  à  segunda etapa do Plano de Revitalização, pretende­se solucionar os trechos críticos dos  principais corredores de exportação, ou seja, resolvendo os gargalos logísticos que é vital  para  aumentar  a  capacidade  dos  corredores  de  transporte  ferroviário  com  maior  densidade de tráfego, no sentido de alimentar os principias portos exportadores do País. 

A terceira etapa do Plano de Revitalização das Ferrovias é a implementação do Programa 

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Concessionárias  apontaram  as  obras  de  expansão  constantes  na  tabela  abaixo,  com  a  visão de integração da infra­estrutura de transporte. 

Principais projetos de expansão indicados pelas Concessionárias 

PROJETOS FERROVIÁRIOS  VALOR ESTIMADO 

(Milhões R$)  Nova Transnordestina (construção de 880 km e remodelação de 1.180 km)  4.588,00 

Ferrovia Leste­Oeste/ BA  2.167,00 

Ferrovia Litorânea Sul/ ES  658,00 

Construção do trecho Alto Araguaia ­ Rondonópolis /MT (236 km)  500,00  Ampliação da Malha Ferroviária em Santa Catarina (842,6 km)  1.500,00 

Total Geral  9.413,00 

Fonte: Associadas da ANTF. 

6 ­ PRINCIPAIS ENTRAVES NA REGULAMENTAÇÃO DO SETOR 

Os  problemas  na  regulamentação  do  setor  de  transporte  ferroviário  ocorrem na  compatibilização das normas existentes com a realidade das operações ferroviárias, como  a de comunicação de acidentes, de procedimentos nos trechos onde transporta produtos  perigosos e dos clientes dependentes (garantindo nível de serviço), além da necessidade  de  normas  que  viabilizem  o  investimento  privado.  Dessa  forma,  tem­se  a  expectativa  de  alavancar a competitividade das ferrovias frente a crescente demanda de escoamento da  produção brasileira, provocando assim um impacto no desenvolvimento do País. 

Apesar do grande passo dado há 8 anos, com a transferência das operações ferroviárias  para  a  iniciativa  privada  e  os  avanços  na  abrangência  do  aparelho  regulatório,  faz­se  necessário que o Poder Concedente promova:

· Ajustes  no  Contrato  de  Concessão  e  de  Arrendamento,  no  sentido  de  viabilizar  meios  de  equacionar  e  melhorar  a  infra­estrutura  ferroviária,  como  a  reversão  dos  pagamentos  de  arrendamento  efetuados  para  investimentos  na  recuperação  e  expansão  da  malha,  o  que  permitirá  a  maior  competitividade  deste  subsetor  e  conseqüentemente a diminuição do Custo Logístico do Brasil;

· Reorganização  societária  das  concessões,  com  a  deslimitação  das  participações  acionárias;

· Edição  e  publicação  de  norma  específica  para  conceituação  e  definição  de: 

diretrizes para: 

–  Receitas Alternativas; 

–  Passagem em Nível; 

–  Bens Reversíveis;

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–  Faixa de Domínio.

· Aperfeiçoamento  das  questões  regulatórias  geradas  pelo  modelo  de  concessão,  para  promover  consistência  desses  marcos,  revendo  as  normas  existentes  e  reduzindo os entraves ao investimento privado. 

7 ­ MATERIAL RODANTE E EQUIPAMENTOS DO EXTERIOR 

O  crescimento  na  produção  do  setor  de  transporte  ferroviário  tem  demandado  a  compra  de material rodante e seus equipamentos, o que revitalizou a industria ferroviária nacional  para a fabricação de vagões e seus componentes. Mesmo assim, para atender o mercado  interno falta à oferta de reposição de suprimentos da via permanente e para aquisição de  locomotivas. 

Assim sendo, há a necessidade do Governo Federal promover:

· Adequação  dos  critérios  do  Banco  Nacional  de  Desenvolvimento  Econômico  e  Social  ­  BNDES  à  realidade  do  subsetor  ferroviário,  atualmente  crítica  para  obtenção de financiamento;

· Estimulação da Industria Ferroviária Nacional;

· Redução das taxas de juros atuais que inviabilizam o financiamento de recursos de  longo  prazo  necessários  para projetos  de infra­estrutura  ferroviária  e  a  compra  de  locomotivas no exterior;

· Eliminação  das  alíquotas  de  importação  de  componentes  ferroviários  não  produzidos  no  Brasil,  visando  reduzir  os  custos  e  melhorar  a  acessibilidade  à  compra  de  peças  de  reposição,  além  de  estimular  a  concorrência,  enquanto  a  industria nacional não suprir com qualidade essas demandas. 

8 ­ CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A falta de diretrizes políticas do Governo Federal para o setor de transporte ferroviário vem  comprometendo os planejamentos estratégicos, táticos e operacionais, fazendo com que a  iniciativa privada supere a cada dia os problemas existentes. Assim, no atual contexto, a  ANTF  tem  apresentado  alternativas  para  superar  os  entraves  e  garantir  recursos  de  financiamento para o desenvolvimento do setor, quais sejam:

· Reversão  dos  pagamentos  em  arrendamento:  alternativa  para  financiamento  de 

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–  Maior agilidade para execução de projetos; 

–  Maior eficiência na utilização de recursos.

· Aplicação  da  CIDE:  segundo  sua  finalidade  original  (financiar  projetos  e  investimentos nas áreas de transporte, meio ambiente e energia), gerando potencial  de  financiamento  ao  subsetor  ferroviário.  Lembrando  a  decisão  do  STF,  sobre  a  aplicação  da  CIDE,  que  obriga  a  União  a  utilizar  os  recursos  conforme  sua  finalidade original, existindo, portanto potencial de aplicação desses recursos para o  setor ferroviário;

· Parceria  com  Clientes:  já  ocorre,  porém  necessita  de  aperfeiçoamento  nos  aspectos contratuais, regulatórios e de financiamento;

· Adequação  dos  critérios  do  BNDES:  à  realidade  do  subsetor  ferroviário  é  crítica  para obtenção de financiamento;

· Concretização  das  Parcerias  Público­Privadas:  voltadas  à  aprovação  de  obras  ferroviárias,  que  possibilitará  o  aumento  da  competitividade  do  País,  licitando  projetos de: 

–  Expansão e modernização dos serviços de transporte ferroviário; 

–  Eliminação dos gargalos de infra­estrutura; 

–  Integração entre os corredores, ferrovias e portos. 

É imprescindível a atuação do Governo Federal na implementação dos planos, convênios  e programas já desenvolvidos para solucionar os entraves existentes na Malha Ferroviária  Nacional,  além  de  prosseguir  com  o  andamento  das  propostas  já  apresentadas  pelas  Concessionárias  para  investir  em  obras  de  infra­estrutura  para  eliminação  dos  gargalos  logísticos.  Ressalta­se  que  a  iniciativa  privada  tem  desempenhado  o  seu  papel,  modernizando  o  sistema  ferroviário  e  unindo  forças  para  viabilizar  a  eliminação  dos  principais entraves da infra­estrutura ferroviária.

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