• Nenhum resultado encontrado

MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO DE MATEMÁTICA

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2019

Share "MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO DE MATEMÁTICA"

Copied!
91
0
0

Texto

(1)

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

PUC/SP

Washington José Santos Alves

O Impacto da Olimpíada de Matemática em Alunos

da Escola Pública

MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO DE MATEMÁTICA

(2)

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

PUC/SP

Washington José Santos Alves

O Impacto da Olimpíada de Matemática em Alunos

da Escola Pública

Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para a obtenção do título de

MESTRE PROFISSIONAL EM ENSINO DE MATEMÁTICA, sob a orientação da Professora Doutora Maria José Ferreira da Silva.

(3)

Banca Examinadora

________________________________________________

________________________________________________

(4)

Autorizo, exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação por processos de fotocopiadoras ou eletrônicos.

(5)

Mestre, meu mestre querido! Coração do meu corpo intelectual e inteiro!

Vida da origem da minha inspiração! Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida? Não cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada,

Alma abstrata e visual até aos ossos, Atenção maravilhosa ao mundo exterior sempre múltiplo,

Refúgio das saudades de todos os deuses antigos, Espírito humano da terra materna, Flor acima do dilúvio da inteligência subjetiva...

Mestre, meu mestre!

Na angústia sensacionista de todos os dias sentidos, Na mágoa quotidiana das matemáticas de ser, Eu, escravo de tudo como um pó de todos os ventos, Ergo as mãos para ti, que estás longe, tão longe de mim!

Meu mestre e meu guia!

A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou, Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,

Natural como um dia mostrando tudo, Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.

Meu coração não aprendeu nada. Meu coração não é nada, Meu coração está perdido. Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu. Que triste a grande hora alegre em que primeiro te ouvi!

Depois tudo é cansaço neste mundo subjetivado, Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas, Tudo é mentira neste mundo onde se pensam coisas, Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente. Depois, tenho sido como um mendigo deixado ao relento

Pela indiferença de toda a vila. Depois, tenho sido como as ervas arrancadas, Deixadas aos molhos em alinhamentos sem sentido. Depois, tenho sido eu, sim eu, por minha desgraça, E eu, por minha desgraça, não sou eu nem outro nem ninguém.

Depois, mas por que é que ensinaste a clareza da vista, Se não me podias ensinar a ter a alma com que a ver clara?

Por que é que me chamaste para o alto dos montes Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respirar? Por que é que me deste a tua alma se eu não sabia que fazer dela

Como quem está carregado de ouro num deserto, Ou canta com voz divina entre ruínas?

Por que é que me acordaste para a sensação e a nova alma, Se eu não saberei sentir, se a minha alma é de sempre a minha?

Prouvera ao Deus ignoto que eu ficasse sempre aquele Poeta decadente, estupidamente pretensioso,

Que poderia ao menos vir a agradar, E não surgisse em mim a pavorosa ciência de ver. Para que me tornaste eu? Deixasses-me ser humano!

Feliz o homem marçano

Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve ainda que pesada, Que tem a sua vida usual,

Para quem o prazer é prazer e o recreio é recreio, Que dorme sono,

Que come comida, Que bebe bebida, e por isso tem alegria. A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação. Libertaste-me, mas o destino humano é ser escravo. Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir.

(6)

A

GRADECIMENTOS

!

" # $ % &

' $ ( $

) * " +

& !

* " * ,- %

,-%

* ./ "

,- %

) $ )0 12 ,

, " )3 1 )

) ' $ %

% ,

, )

%

$

% ! 4 , %

$ )0 12 ,

(7)

R

ESUMO

Esta dissertação tem como objetivo investigar a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP, promovida pelo governo federal desde 2005. A OBMEP foi inserida no cenário da educação brasileira com a finalidade de promover estímulo ao estudo da Matemática pelos alunos e contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Básica das escolas municipais, estaduais e federais. Para compreender as análises propostas pela comissão organizadora da associação, fizemos uma pesquisa qualitativa com alunos da 3ª série do Ensino Médio de uma escola da rede pública localizada na cidade de São Paulo para verificar como a OBMEP pode estimular e promover o estudo da Matemática entre alunos das escolas públicas e quais possíveis contribuições que a avaliação pode exercer na Educação Básica do país. A análise dos dados revelou que há interesse dos alunos em adquirir novos conhecimentos e que estes não estão motivados para participar da OBMEP devido à falta de informação em torno da competição.

(8)

A

BSTRACT

This dissertation aims to investigate Brazilian Mathematical Olympiad Public Schools - OBMEP, sponsored by the federal government since 2005. The OBMEP was inserted into the scenario of Brazilian education in order to promote stimulus to the study of mathematics by students and contribute to improving the quality of basic education schools of local, state and federal. To understand the analysis proposed by the organizing committee of the association, we made a qualitative study with students from 3rd grade of high school, a public school located in São Paulo, to analyze how the OBMEP can stimulate and promote the study of mathematics among public school students and what possible contributions that evaluation can play in improving the quality of basic education in the country. Data analysis revealed that there is student interest in acquiring new knowledge and they are not motivated to participate in OBMEP due to lack of information about the competition.

(9)

S

UMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 11

CAPÍTULO 1 ... 15

Problemática ... 15

1.1 Revisão Bibliográfica ... 15

1.2 Justificativa ... 23

1.3 Delimitação do Problema ... 25

1.4 Procedimentos Metodológicos ... 28

CAPÍTULO 2... 31

Histórico das Olimpíadas ... 31

2.1 Origem das Olimpíadas de Matemática ... 31

2.2 Olimpíadas de Matemática no Brasil ... 34

2.2.1 Olimpíadas de Matemática do Estado de São Paulo – OMESP ... 34

2.2.2 Olimpíada Paulista de Matemática – OPM ... 35

2.2.3 Olimpíada Brasileira de Matemática – OBM ... 38

2.2.4 Olimpíada Brasileira de matemática das Escolas Públicas – OBMEP 43 2.3 Olimpíadas de Matemática Internacionais ... 49

2.3.1 Olimpíada Rioplatense de Matemática ... 50

2.3.2 Olimpíada de Matemática do Cone Sul ... 51

2.3.3 Olimpíada Iberoamericana de Matemática ... 52

2.3.4 Olimpíada Iberoamericana de Matemática Universitária ... 53

2.3.5 Olimpíada de Maio ... 53

2.3.6 Olimpíada Internacional de Matemática ... 55

(10)

CAPITULO 3... 61

A Pesquisa ... 61

3.1 Sujeito da Pesquisa ... 61

3.2 Descrição da Aplicação ... 63

3.3 Analise do Questionário ... 64

CONSIDERAÇÕES FINAIS... 79

REFERÊNCIAS... 83

APÊNDICES ... 87

Apêndice A: Carta ao Aluno ... 87

Apêndice B: Questionário ... 88

Apêndice C: Carta a Comissão Organizadora da OBMEP ... 91

(11)

I

NTRODUÇÃO

O objetivo do trabalho é analisar o regulamento da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), compreender a participação e se existe motivação dos estudantes na avaliação, além de avaliar as ações da Comissão Organizadora da OBMEP para atingir metas na competição. Para tanto, fizemos uma pesquisa com estudantes de uma escola da rede pública, localizada na periferia da zona sul da cidade de São Paulo.

Com a necessidade de esclarecer o objeto de pesquisa, faremos um relato sobre o universo que envolve a Olimpíada de Matemática, executada sob diversos formatos – Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), Olimpíada Paulista de Matemática (OPM), Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e Olimpíadas Internacionais de Matemática.

A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – foco desta pesquisa – é uma promoção do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e do Ministério da Educação (MEC), com realização do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). É um projeto no segmento do estudo de Matemática que foi instituída pelo governo federal em 2005 e realizada anualmente em duas fases distribuídas em três níveis por um número expressivo de escolas públicas do país. Segundo a associação, o objetivo é atingir todos os segmentos educacionais das escolas municipais, estaduais e federais, dirigido a todos os estudantes do Ensino Fundamental e Médio.

(12)

realizações da OBMEP envolvem a produção e distribuição de material didático, estágio aos Professores Premiados, um Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), para os estudantes contemplados, o Programa de Iniciação Científica – Mestrado (PICME), para os estudantes contemplados que estejam cursando graduação, a Preparação Especial para Competições Internacionais (PECI).1

O sucesso escolar dos estudantes em Olimpíadas de Matemática depende de estímulos que a OBMEP pode provocar no estudante por meio da sua premiação. Neste aspecto, concordamos com Lorenzato, (2006a, p. 1) quando destaca que o sucesso dos estudantes diante aos desafios matemáticos depende da relação estabelecida desde os primeiros dias escolares entre a Matemática e o aluno. Esta relação pode ser gerada com a intervenção do professor. Portanto, o papel que o professor desempenha é fundamental na aprendizagem e a metodologia de ensino por ele adotado é determinante para o comportamento dos estudantes.

A sala de aula é um ambiente propício para discussões de conhecimentos e inovações dos saberes para o desenvolvimento de desafios matemáticos. Ao propor um desses desafios, o professor pode ficar surpreso ao deparar com resposta inimaginável realizada pelo estudante.

Ao longo dos anos de magistério, o professor constata que os alunos apresentam inúmeras diferentes respostas, raciocínios, observações e soluções diante dos mesmos fatos, exercícios, problemas. Materiais didáticos ou indagações. [...] Ao tentar ensinar, inevitavelmente ele aprende com seus alunos (LORENZATO, 2006, p. 9).

Para o estudante obter sucesso em um desafio matemático é necessário que tenha motivos para buscar soluções. Sendo assim, o desafio só se concretiza se os objetos e os motivos convergirem para um mesmo propósito (resolução), dando-se isso num contexto social determinado. Segundo Leontiev (2001), a existência e criação de uma atividade são decorrentes de uma necessidade pessoal. Contudo, segundo o autor, a necessidade não é compreendida como o motivo da atividade. “Uma vez que a necessidade encontra a sua determinação

____________ 1

(13)

no objeto (se ‘objetiva’ nele), o dito objeto torna-se motivo da atividade, aquilo que a estimula” (LEONTIEV, 2001, p. 68).

Concordamos com Cedro (2008, p. 41) quando menciona que a atividade de aprendizagem faz com que os estudantes se apropriem dos conhecimentos, por meio da realização das ações de aprendizagem, que são dirigidas à resolução das tarefas de estudos. As necessidades e motivos da atividade, a fim de identificar e caracterizar as ações de aprendizagem e as tarefas de estudos. Para tanto é necessário que exista um mecanismo ou recurso que aguce curiosidades pessoais dos estudantes e os incentivem a realizar a avaliação. Os motivos somente se tornam geradores de sentido a partir do momento que eles coincidirem com o seu objetivo.

Com a proposta de analisar a participação dos estudantes nas provas da OBMEP, focaremos nossa análise nas respostas oriundas dos questionários respondidos pelos protagonistas das Olimpíadas de Matemática. Empregamos em nossa pesquisa uma abordagem qualitativa com de 117 alunos da 3ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Padre Tiago Alberione, localizada na periferia da cidade de São Paulo. Para coletar as informações utilizaremos um questionário com questões abertas e fechadas para elaborar um perfil do aluno pesquisado e entender se as respostas coletadas confrontam com os objetivos que estão propostos no regulamento da OBMEP. Logo, para mostrar as atividades indispensáveis para o desenvolvimento da pesquisa, nosso trabalho será dividido em três capítulos.

(14)

Para compreender o universo da pesquisa, faremos no segundo capítulo

um histórico sobre Olimpíadas de Matemática, em que serão selecionados textos que esclareçam e influenciam no universo delimitado da Olimpíada de Matemática – com a intenção de visualizar cenários locais, regionais, federais e do exterior. São indicadas fontes e revisões sistemáticas de outras pesquisas, com objetivo de obter uma avaliação crítica do tema escolhido, além de analisar resultados anteriormente obtidos.

O terceiro capítulo é dedicado ao processo de construção da metodologia utilizada no estudo e à descrição dos sujeitos de pesquisa, analisando as respostas coletadas. A etapa de análise das informações obtidas na pesquisa de campo é que definirá a construção de respostas às questões formuladas.

(15)

C

APÍTULO

1

PROBLEMÁTICA

Neste capítulo, apresentaremos trabalhos encontrados que contribuem para o tema de pesquisa, as nuances e justificativa pelo interesse na Olimpíada Brasileira de Matemática as Escolas Públicas – OBMEP, além de delimitar o problema que norteia o trabalho, com uma explicação minuciosa de toda ação desenvolvida no método do trabalho de pesquisa.

1.1 Revisão Bibliográfica

Apesar da escassez de obras que abordem o tema Olimpíadas de Matemática, focalizaremos dissertações, artigos e documentos com resultados e considerações que possam contribuir com a nossa pesquisa. Também contemplamos alguns dos estudos correlatos extraídos do site de associações como Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e Olimpíada Paulista de Matemática (OPM) e algumas Olimpíadas de Matemática Internacionais.

(16)

contribuições dos membros do Conselho de Administração do IMPA de Biondi, Vasconcelos e Menezes (2007) e dissertações de mestrados de Maciel (2008), Santander (2008) e Peraino (2007).

Nascimento e Oeiras (2006) fizeram uma pesquisa qualitativa que consistia em questionário estruturado com nove perguntas que foi aplicado a três professores de Matemática de escolas de Ensino Fundamental e Médio da cidade de Belém, Pará. O objetivo principal do estudo foi definir, projetar e implementar um ambiente computacional que desse suporte a realização de competições escolares a distância. Definido como Olímpico, o recurso foi desenvolvido para dar suporte à realização de competições escolares semipresenciais via internet aos professores de diferentes áreas do conhecimento que buscavam utilizar o computador como uma ferramenta educacional que melhorasse a qualidade do ensino e da aprendizagem de diferentes disciplinas. O uso da tecnologia provoca o aproveitamento dos recursos da mídia, de manipulação de objetos e facilita a realização de competições escolares a distância e a otimização de recursos na sua organização.

Na pesquisa, os autores conseguiram compreender as vantagens da realização de competições escolares, seus problemas e requisitos necessários para a realização de competições escolares por meio da Internet. As informações coletadas permitiram verificar que os professores consideram as competições escolares como boas estratégias para o ensino, pois durante a realização das competições os estudantes mostraram-se extremamente atenciosos e concentrados e se sentiram motivados até em estudar para as próximas Olimpíadas de Informática (OBI). Como forma de experimentar e verificar a problemática de realização de uma competição escolar e os seus benefícios os autores encontraram pouco interesse da instituição pela realização de implementar este ambiente computacional para a realização de competições escolares. No final da competição, os estudantes perguntavam entusiasmados quando haveria outra competição neste estilo e quando sairia o resultado e se teria uma premiação.

(17)

Olimpíada de Informática – podem ser incluídas em políticas públicas de inclusão digital, aproveitando o laboratório de informática ou a sala ambiente de escolas da rede pública.

Sucupira (2008) fez uma pesquisa durante a Iniciação Científica e também produziu monografia de conclusão de curso de Ciências Sociais, cujo objetivo era identificar representações de gêneros que envolvem a presença de mulheres em uma área científica, a Matemática. Para tanto, a autora aponta dados sobre a premiação de meninas nas Olimpíadas de Matemática e sobre a observação nas capacitações das Olimpíadas Regionais de Matemática em Florianópolis em Santa Catarina. A pesquisadora fez um levantamento numérico de mulheres premiadas em Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), Olimpíada Regional de Matemática (ORM) e Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), desde a primeira edição de cada Olimpíada até o ano de 2007 por meio de informações obtidas nas homepages das associações, que traziam o

nome dos premiados por ano de competição.

Desta forma, a autora classificou os nomes dos contemplados como menina ou menino e constatou que a média de 12%, 20% e 27% de meninas premiadas na OBM (1979), ORM (1996) e OBMEP (2005) respectivamente. Sucupira (2008) verificou também que a Olimpíada Regional de Matemática (ORM) em Santa Catarina, criada em 1998 e com o mesmo formato de aplicação de prova da OBM (exceto a terceira fase que não tem) e OBMEP, é uma competição anual dividida em níveis (1, 2 e 3) e fases (1ª e 2ª), sendo uma mesma prova para a OBM a ORM. A autora observou que, na OBM, a premiação de Medalhas para as meninas apresentou um acréscimo significativo a partir da década de 90, não ultrapassando a 20%, enquanto a premiação de Medalhas para as meninas na OBMEP apresentou um pouco mais de 20%, sendo que no nível 1 chega 30%, no nível 2 a 20% e diminui para 11% no nível 3. Durante as capacitações da ORM para o nível 1, Sucupira (2008) observou que algumas meninas foram aos treinamentos para estudar e não sabiam se participariam da

(18)

O objetivo da pesquisa foi mostrar que o uso de competições – como as Olimpíadas de Matemática – pode trazer uma contribuição significativa para problematizar a habilidade em Matemática, muitas vezes embasada em testes de aptidão, como inata aos homens, o desempenho matemático de meninas e meninos pode estar vinculado mais a uma questão de gênero.

Neste trabalho constamos que o desempenho na Olimpíada de Matemática não é somente para ethos masculino e sim para ambos os gêneros. A

necessidade e motivo ficaram evidentes quando uma aluna relata o que o motivou a participar da Olimpíada de Matemática foi a atribuição de um ponto na média em Matemática. Conforme aponta Cedro (2008, p. 35) este ponto na média constitui o motivo eficiente.

Biondi, Vasconcelos e Menezes (2007), realizaram uma pesquisa com estudantes do nono ano do Ensino Fundamental de Escolas Públicas da cidade de São Paulo com contribuições do Conselho de Administração do IMPA para analisar a contribuição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) no desempenho de Matemática nas avaliações educacionais. Neste trabalho foi avaliado o impacto da OBMEP nas notas médias de Matemática das escolas públicas na Prova Brasil (Inep/MEC), analisando o custo-benefício do programa.

Os autores relatam que a qualidade da educação nas últimas avaliações educacionais nacionais mostrou variações positivas nos testes de proficiência, entretanto o desempenho dos estudantes brasileiros nas avaliações internacionais como o PISA (Programme for International Student Assessmet),

(19)

Segundo Biondi, Vasconcellos e Menezes (2007) as escolas inscritas na OBMEP devem receber o “Banco de Questões” em forma de apostila com questões desafiadoras de Matemática e suas respectivas soluções; os pesquisadores defendem que este recurso possa influenciar na melhoraria do desempenho dos estudantes nas avaliações educacionais em larga escala. Por meio de métodos de combinar regressão linear com erros padrão, apontou para um impacto positivo2 e estatisticamente significativo nas notas médias de

Matemática dos estudantes de 8ª série na Prova Brasil 2007. Esse impacto é crescente conforme o maior número de participações das escolas nas edições anuais da OBMEP, não só aos estudantes com melhor desempenho, como também para os com menores notas. Os autores concluíram que nos dois anos de avaliação de Matemática, em relação às médias de proficiência na Prova Brasil, as médias são maiores no grupo de escolas inscritas na OBMEP. A análise de retorno econômico trouxe resultados positivos, o que os levou a concluir que a realização da OBMEP proporciona benefícios para a qualidade da educação pública do país, com impacto direto nas avaliações educacionais e ganhos futuros em termos de rendimento no mercado de trabalho dos participantes.

Biondi, Vasconcelos e Menezes (2007) centraram-se no processo da melhoria da qualidade da educação nas últimas avaliações nacionais e que as notas médias de Matemática são maiores no grupo de escolas inscritas na OBMEP e que sua realização proporciona benefícios para a qualidade da educação pública do país.

Maciel (2008) desenvolveu seu trabalho com um grupo de estudantes do sexto ano do Ensino Fundamental do Colégio Militar de Porto Alegre que não apresenta os mesmos interesses, habilidades e dificuldades no aprendizado da Matemática e sentem-se motivados a melhorar. O pesquisador relata o processo de concepção, organização e realização de um conjunto de atividades organizadas no formato de minicurso de Análise Combinatória com este grupo de estudantes interessados em aprofundar seus conhecimentos em Matemática. Para tal, utilizou as Olimpíadas de Matemáticas não como objetivo central dos

____________ 2

(20)

minicursos, mas como uma forma de despertar, nos estudantes, o interesse de desenvolver sua capacidade de resolver problemas matemáticos desafiadores. As atividades no formato de minicurso foram elaboradas com base em questões propostas nas provas da OBMEP e de acordo com alguns dos Fundamentos Filosóficos da Educação Inclusiva e da Educação Matemática Crítica3. Nesse

sentido, a valorização da característica comum associada a esses estudantes – o interesse pelo estudo da Matemática – enquadra-se numa concepção de Educação Inclusiva, que defende o direito à diferença. Para consolidar esta atividade em formato de minicurso, foi necessário criar um espaço institucional chamado Grupo de Estudos Professor Malba TaHan (GEMaTh), que possibilitou que o grupo de alunos pudesse ser reconhecido pela comunidade escolar. Dentre as atividades em formato de minicurso, os estudantes utilizam exercícios de Contagem, razões, proporcionalidade e porcentagem utilizados pela OBMEP com a finalidade de despertar o interesse de desenvolver suas capacidades de resolver problemas matemáticos desafiadores e desenvolver hábitos regulares de estudos.

Maciel (2008) conclui que suas convicções fundamentadas no ideal de que possa existir uma Escola onde o Ensino da Matemática seja planejado para respeitar os interesses e individualidades dos estudantes e ao concluir sua escolarização básica, estejam preparados para os desafios associados ao seu futuro acadêmico, profissional e que estejam comprometidos com a ética e a valorização do direito de todos.

Em sua dissertação, Santander (2008) realizou uma pesquisa qualitativa no formato de entrevista com o professor Sylvio de Lima Nepomuceno4. A escolha do

nome de Nepomuceno deve-se ao fato de ter registrado uma longa experiência como professor e autor numa coleção de livros didáticos – Ensino de Primeiro Grau, publicada em 1982.

____________ 3

O professor dinamarquês Ole Skovsmose é um dos principais responsáveis por divulgar o movimento da “educação matemática crítica” ao redor do mundo. Com mestrado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Copenhague e doutorado em Educação Matemática pela Royal Danish School of Education Studies,

4

(21)

A autora investigou a contribuição do professor na reconstituição da História da Educação Matemática e participação no Grupo de Estudos do Ensino da Matemática (GEEM5), na formação de professores no período do Movimento

da Matemática Moderna (MMM6).

Santander (2008) descreve que o livro didático como fonte de pesquisa na investigação da história da disciplina escolar teve um papel importante na medida em que sua análise possibilita verificar como os autores se apropriam das legislações ou num determinado período, considerando que a coleção didática analisada pautava-se no ideário do MMM, embora com restrições do autor nas questões metodológicas e de linguagem.

Para Santander (2008), o professor Sylvio buscava caminhos para se aperfeiçoar num modelo de professor de Matemática atuando no Grupo de Estudos (GEEM), nas Olimpíadas de Matemática e na produção de material didático contribuindo assim para o Ensino da Matemática no Brasil. Com o objetivo de divulgar a Matemática Moderna em São Paulo, o GEEM desenvolveu diversas atividades, dentre elas a primeira Olimpíada de Matemática no Brasil, criada em 1967. Apesar do fracasso do Movimento da Matemática Moderna, houve uma contribuição significativa para o livro didático, como nos conteúdos que passaram a ser apresentados com rigor, na análise da estrutura de desenvolvimento do livro. A autora também menciona que havia uma preocupação muito grande com a Geometria, porém era colocada sempre nos últimos capítulos da obra. Santander (2008) observa que é necessário aprofundar os conhecimentos matemáticos, didáticos e, sobretudo o currículo. Uma vez que o domínio deles será transformado em saber escolar o que facilitará o processo ensino-aprendizagem e ressalta a importância do desenvolvimento profissional, pela possibilidade de compreender melhor os caminhos da Educação Matemática e, em especial, o papel do professor de Matemática.

____________ 5

O Grupo de Estudos de Matemática (GEEM) foi fundado na cidade de São Paulo em 1961 com objetivo de treinar professores, procurando conceituar os novos métodos de abordagem da Matemática e também foi responsável por inúmeras publicações e pela criação da Olimpíada de Matemáticas de São Paulo.

6

(22)

Santander (2008) descreve que dentre muitas das atividades do GEEM, as Olimpíadas de Matemática foram o grande destaque e de uma importante iniciativa de “divulgação” do Movimento da Matemática Moderna em São Paulo, com o sentido da valorização do Ensino da Matemática e a contribuição significativa para o livro didático, principalmente, nos conteúdos que passaram a ser apresentados com rigor no livro.

Em sua pesquisa, Peraino (2007) tinha como objetivo investigar um estudante com grande capacidade de aprendizagem em um assentamento rural onde residiu dos seis aos dezesseis anos de idade e recebeu uma formação educacional numa escola rural na cidade de Sidrolândia, Mato Grosso do Sul. Mesmo com carências financeiras e educacionais, o jovem de quinze anos de idade classificou-se em terceiro lugar na segunda edição da Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP- 2006), em Mato Grosso do Sul. Pelo seu desempenho, foi encaminhado para avaliação pelo Núcleo de Altas Habilidades/Superdotação de Mato Grosso do Sul (NAAH/A-MS). A partir de entrevistas com os pais, professora e coordenadora da escola rural, Peraino (2007), concluiu que o estudante em questão tinha altas habilidades em Matemática, o que mostra a necessidade de uma interação social e educacional diferenciada que auxilie a inserção, bem como, desse grupo de pessoas de seu convívio, na sociedade, lhes proporcionado assim um desenvolvimento propício para que possam, com sua capacidade, ajudar na evolução das áreas relacionadas com suas habilidades.

(23)

Peraino (2007) tinha como objetivo investigar uma criança com grande capacidade de aprendizagem e encaminhar ao NAAH/S, setor da coordenação de educação especial com a finalidade de avaliar, atender e encaminhar as pessoas com indicativos de superdotação, bem como prestar esclarecimento e auxiliar aos pais e professores desta criança. A pesquisadora afirma que há mitos de que as pessoas com grandes habilidades não precisam de ajuda. Esta desmistificação vem sendo esclarecida por meio de estudos da inteligência humana, quando uma criança não instigada nas áreas de seu interesse se desestimula e estabiliza seu conhecimento, não tendo vontade de experimentar novas conquistas e não desenvolvendo suas habilidades como deveria.

Para buscar informações essenciais para auxiliar o universo e delimitação de nossa pesquisa, foi necessário apresentar o passo inicial da dissertação – a pesquisa bibliográfica. As revisões dos trabalhos nos auxiliam na escolha de um método mais apropriado, assim como num conhecimento das variáveis e na autenticidade da pesquisa. Ressaltada sua importância, damos início a justificativa do interesse pela OBMEP para confirmar a relevância do trabalho.

1.2 Justificativa

Percebemos que seria relevante para o meio acadêmico um estudo sobre a Olimpíada de Matemática em formato de competição individual que almeje a melhoria na qualidade de Ensino da Matemática e sirva como um instrumento de estímulo à busca de novos conhecimentos. O que garantiu ainda mais nossa disposição em realizar a pesquisa sobre os anseios da OBMEP foi verificar que sua proposta em promover o estudo da Matemática nas escolas públicas e a melhoria da qualidade da Educação Básica se assemelha com os objetivos da própria escola.

(24)

A OBMEP é o foco da presente dissertação pelo maior universo estabelecido – possui o maior número de estudantes brasileiros inscritos, sendo instituída pelo governo federal e realizada por todas as escolas públicas do país. Dados do Censo Escolar de 20097 mostram que há, no Brasil, 52.580.452

estudantes na Educação Básica, que compreende a Educação Infantil (creche e pré-escola), o Ensino Fundamental (1º a 9º ano ou 1ª a 8ª série), o Ensino Médio, a Educação Profissional, a Educação Especial e a Educação de Jovens e Adultos (nas etapas Ensino Fundamental e Ensino Médio). Do total de estudantes matriculados, 45.270.710 estão em escolas públicas (86,1%) e 7.309.742 estudam em escolas da rede privada (13,9%). As redes municipais são responsáveis por 24.315.309 matrículas (46,2% do total). Segundo o instituto, há em todo o território brasileiro 197.468 escolas.

Mediante o registro federal, foi necessário delimitar o universo de pesquisa – alunos da 3º série do Ensino Médio – o que corresponde a 8,3 milhões de matrículas8. A escolha é feita pelo fato de ser o perfil de estudante que mais participou das edições de Olimpíada de Matemática (OBMEP) – cinco no total. A partir das suas percepções, será possível compreender e buscar o aprimoramento da disciplina e orientá-los para a competição.

Por entender que o estudo sobre a Olimpíada de Matemática possa ser relevante para o meio acadêmico e por acreditar que a OBMEP represente um meio favorável para promover um ambiente de redescoberta dos saberes matemáticos tanto para o estudante, como para o professor, acreditamos que esse estudo preencha aspirações da pesquisa, como compreender, conhecer e visualizar diversas opiniões de quem participa da competição como estudante. Segundo Moreira e Callefe (2006, p. 16) a pesquisa desenvolvida pelo professor pode desafiar as noções tradicionais sobre conhecedores, conhecimentos e o que pode ser conhecido sobre a educação, pois tem potencial para redefinir a noção de um conhecimento de base para a educação e também desafiar a hegemonia

____________ 7

Dados coletados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira de 30 de novembro de 2009. Disponível em:

<http://www.inep.gov.br/imprensa/noticias/censo/escolar/news09_11.htm>

8

Dados coletados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira de 30 de novembro de 2009. Disponível em:

(25)

da universidade na geração de conhecimento na área, tendo em mente que os pesquisadores profissionais não detêm o monopólio da pesquisa (Cochran-Smith, 1993).

Os resultados obtidos na presente dissertação podem provocar, também, novas estratégias de como aguçar o interesse dos estudantes pela Matemática, uma vez que serão apontados por eles mesmos se estão estimulados e preparados para participar da OBMEP. Para Alves (2006), as competições escolares, como estratégias de ensino, são menos exploradas no contexto escolar por possuírem uma organização complexa trabalhosa. Com a expectativa de tentar compreender opiniões e ações de quem participa da OBMEP, a pesquisa conduz a novos conhecimentos que se tornarão públicos por diversos meios, segundo Tardif e Zourhlal (2005).

Há também a necessidade de saber se a participação na OBMEP estimula estudantes a buscar novos conhecimentos em Matemática. Segundo Nascimento e Oeiras (2008), competições escolares como as Olimpíadas de Matemática são atividades pedagógicas capazes de provocar desenvolvimento intelectual, autonomia, estímulo ao trabalho individual ou mesmo em equipe, objetivando aperfeiçoar conhecimento de natureza matemática.

Desta forma nosso interesse é analisar como a OBMEP pode estimular e promover o estudo da Matemática entre os estudantes de escolas públicas, quais as ações para a melhoria da qualidade da Educação Básica e que contribuições a OBMEP oferece para o Ensino da Matemática.

Inserido nesse interesse é necessário definir a delimitação do problema de pesquisa.

1.3 Delimitação do Problema

(26)

governo federal. Desde a primeira edição da competição, acompanho de maneira direta ou indireta, ora atuando como colaborador9, ora corrigindo as avaliações, ora como Professor da Escola Estadual, colaborando com a direção na divulgação e na realização da avaliação da primeira fase da OBMEP.

No documento do programa da OBMEP, um dos desígnios da realização do projeto como uma competição individual é a melhoria da qualidade da educação pública, especialmente no Ensino da Matemática. Para isso, a Comissão Organizadora dita em seu regulamento os objetivos que norteiam este projeto:

1. estimular e promover o estudo da Matemática entre alunos das escolas públicas;

2. contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Básica;

3. identificar jovens talentos e incentivar seu ingresso nas áreas científicas e tecnológicas;

4. incentivar o aperfeiçoamento dos professores das escolas públicas, contribuindo para a sua valorização profissional;

5. contribuir para a integração das escolas públicas com as universidades públicas, os institutos de pesquisa e sociedades científicas;

6. promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento.

Nesse sentido entendemos que trabalhar com as apostilas “Banco de Questões”, livros e revistas em um espaço da escola (sala ambiente) pode ser um fator de estímulo à aprendizagem dos estudantes e de aprimoramento profissional para o professor. Concordamos com Lorenzato (2006) quando diz que em a sala ambiente pode-se estruturar, organizar, planejar e fazer o pensamento matemático acontecer; entendemos que a utilização deste espaço físico pode tornar a ambiente estimulante à aprendizagem. O autor ainda menciona que o ambiente é um espaço que pode facilitar tanto ao estudante como ao professor –

____________ 9

(27)

com questionamentos, conjecturas, experimentação, análises e conclusão. Enfim, um meio para o aprendizado.

A razão que promove o desenvolvimento da OBMEP é a Olimpíada de Matemática e um dos resultados esperados é a promoção ao estudo da Matemática entre estudantes e a contribuição para a melhoria da qualidade da Educação, conforme aponta os objetivos da associação da OBMEP. Desta maneira, nosso objetivo de estudo é a relação entre o estudante e a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. A questão que norteia nossa pesquisa é:

A OBMEP estimula e promove o estudo da Matemática entre os alunos da 3ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Padre Tiago Alberione, localizada em São Paulo, e como a avaliação pode contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Básica?

Para tentar encontrar respostas à pergunta, focaremos nossa análise na coleta de dados oriunda dos questionários respondidos pelos estudantes que participam das Olimpíadas de Matemática. Empregamos em nossa pesquisa uma abordagem qualitativa com 117 alunos da 3ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Padre Tiago Alberione, localizada na avenida Ângelo Cristianini, 1434, CEP 04424 – 000, bairro Cidade Júlia em São Paulo. A instituição foi escolhida por ser um dos ambientes educacionais nos quais o pesquisador leciona. Para coletar as informações utilizaremos um questionário com questões abertas e fechadas para elaborar um perfil do aluno pesquisado e compreender se as respostas coletadas confrontam com os objetivos que estão propostos no regulamento da OBMEP.

Desta forma, levantamos a seguintes hipóteses:

♦ A OBMEP consegue motivar o aluno a buscar conhecimentos matemáticos e estes estímulos são suficientes para que melhore a qualidade da Educação.

(28)

Concordamos com André (2005) quando menciona que tanto a coleta de dados quanto à divulgação dos dados devem ser pautados por princípios éticos, por respeito aos sujeitos, de modo que sejam evitados prejuízos aos participantes. Mediante esta responsabilidade, agimos de maneira honesta e clara com os nossos entrevistados.

Dentro desses princípios de moralidade, valores e crenças e realizando recomendações de Fiorentini e Lorenzato (2006, p. 103) que “visa realizar uma avaliação crítica a partir do confronto do que já foi pesquisada”, nossa aplicação tem os seguintes objetivos:

♦ Investigar como ocorre o envolvimento da escola na realização da OBMEP;

♦ Interpretar as contradições das respostas dadas pelos alunos – se existirem – em relação ao que a Comissão Organizadora propõe no “Objetivo da Olimpíada de Matemática”.

Para compreender a adequação metodológica conforme as características da pesquisa a ser realizada, são necessárias conhecer as etapas e execução da pesquisa de campo, conforme explica o próximo excerto do estudo. Sendo assim no próximo capítulo passaremos a metodologia e procedimentos aplicados para a realização da pesquisa.

1.4 Procedimentos Metodológicos

Para iniciar a avaliação do objeto de pesquisa e entender como a OBMEP pode estimular o estudo da Matemática entre os alunos da 3ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Padre Tiago Alberione, localizada na periferia da zona sul da cidade de São Paulo.

(29)

NEVES (1996 apud CASTILLO, 2010), a pesquisa qualitativa “compreende um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que visam a descrever e a decodificar os componentes de um sistema de significados”. A aplicação do estudo será feita no local de origem dos dados, conforme explica NEVES (1996). Isto é, trata-se do “ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento fundamental”.

Para obter um processo de reflexão e analise da realidade por meio da utilização de métodos e técnicas para compreensão detalhada do objeto de estudo em seu contexto histórico ou segundo sua estruturação – conforme aponta a pesquisa qualitativa – a aplicação mais pertinente ao estudo é a criação de um questionário é do tipo “misto”. Portanto, contou com uma combinação de questões abertas e fechadas para dar a possibilidade ao aluno de discorrer espontaneamente, em alguns casos, sobre o que é indagado. Segundo Fiorentini, Lorenzato (2006, p. 117), trata-se de um questionário misto, “combinando parte com perguntas fechadas e parte com perguntas abertas”. Com as respostas coletadas, pode-se detectar de forma mais eficiente à atitude e opiniões do pesquisado. Quando perguntados a respeito da motivação, as questões serão abertas com o objetivo de encontrar respostas às situações-problema da dissertação, já que fora desenvolvido um conjunto de categorias elaboradas pelo pesquisador.

Com o princípio de buscar e coletar respostas dos estudantes; pensamos na possibilidade de delimitar o universo de pesquisa para coletar informações mais precisas. A escolha apesar de intencional - o que possa ser um viés do estudo - esteve de pleno acordo com Minayo (1993), pois a pesquisa qualitativa privilegiou os sujeitos sociais que detinham os atributos que pretendemos conhecer.

Ao todo, foram oito questões direcionadas – para limitar e ter a possibilidade de ter todas as respostas - ao corpus de pesquisa formado por 117

(30)

de uma técnica experimental que busque orientar o planejamento da pesquisa, formular hipóteses, coordenar investigações e, por fim, interpretar os resultados.

Optamos por cinco classes distribuídas em uma instituição para que tenhamos a possibilidade de conhecer o universo delimitado da escola na disputa da competição, além de identificar possíveis jovens com habilidades em Matemática e visualizar como é possível incentivá-los para buscar conhecimento e aprimoramento nas áreas científicas.

Aos alunos que aceitaram participar da pesquisa, foi entregue uma carta de esclarecimento (Apêndice A), anexo ao questionário (Apêndice B), para comprovar a autenticidade do estudo. Para a Comissão Organizadora da OBMEP, foi enviada, por email, uma mensagem para que esclareça como podemos acessar as notas dos alunos da segunda fase da OBMEP, divulgação na mídia sobre a premiação (Apêndice C). À direção da Escola Estadual Tiago Alberione, foi enviada uma carta – também por mensagem eletrônica - para que elucidem sobre a premiação, mostrando se possível o relatório de desempenho dos alunos que realizam as edições da OBMEP (Apêndice D). No entanto, não houve respostas da associação que aplica as provas e da própria escola.

Na última etapa da pesquisa, reunimos os dados coletados do questionário produzidos pelos alunos, categorizando as respostas para produzir uma análise coletiva do que foi descrito, para chegar a uma conclusão. Por fim, comparamos resultados com os objetivos do regimento da OBMEP.

(31)

C

APÍTULO

2

HISTÓRICO DAS OLIMPÍADAS

Iniciamos o capítulo apresentando o histórico sobre a origem das Olimpíadas de Matemática como a Olimpíada Paulista do Estado de São Paulo – OMESP, Olimpíada Paulista de Matemática – OPM, Olimpíada Brasileira de Matemática – OBM e Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas – OBMEP, em seguida mostraremos um breve histórico sobre as origens das Olimpíadas de Matemática Internacionais.

2.1 Origem das Olimpíadas de Matemática

Segundo Sucupira (2008), o termo Olimpíada, assim como Matemática, também remete à Grécia Antiga. A Matemática, como aponta o etnomatemático Ubiratan D’Ambrosio (1990), universalizou-se ao se institucionalizar e integrar o currículo escolar de quase todos os países que privilegiam o Ler, escrever e contar.

(32)

e Clístenes, rei da Pissa. O acordo foi selado no templo de Hera, no santuário de Olímpia, surgindo assim o nome Olimpíadas, de acordo com Abrucio (2008).

Segundo Gulzman (1992), o acordo provocou uma ‘trégua sagrada’ na Grécia enquanto havia a disputa dos Jogos – o que era respeitado à risca. Na Guerra do Peloponeso, conflitos entre Atenas e Esparta, oponentes interromperam o combate, competindo lado a lado e só após a declaração dos vencedores olímpicos, resolveram a guerra. A vitória nos Jogos Olímpicos consagrava o atleta e proporcionava a ele uma recepção de herói no retorno à sua cidade de origem.

Após a disputa da primeira Olimpíada, ficou acertado que os Jogos seriam realizados a cada quatro anos, durante os meses de julho ou agosto. Aos poucos, o número de competições foi aumentando, até chegar a dez eventos no quinto século antes de Cristo: corrida, pentatlo, arremesso de disco, salto em distância, lançamento de dardo, luta, boxe, pancrácio, corrida de bigas e corrida de cavalos, tudo em cinco dias. As pessoas que poderiam competir seriam homens gregos considerados como cidadãos livres que nunca tivesse cometido assassinatos ou outros crimes (GULZMAN, 1992).

O declínio da competição denominada de Jogos Olímpicos da Era Antiga aconteceu em 456 a.C., quando os romanos invadiram e dominaram a Grécia. O espírito original de integração foi, paulatinamente, deixado de lado e as disputas, antes cordiais, passaram a ser encaradas como combates.

A última Olimpíada da Era Antiga foi disputada em 393 d.C., quando o imperador Teodósio I proibiu a adoração aos deuses e cancelou os Jogos. Desde 776 a.C. foram realizados 293 Jogos.

Segundo Muller (2000), os Jogos Olímpicos da era moderna foram realizados pela primeira vez em Atenas (Grécia), em 1896, por iniciativa do pedagogo francês Pierre de Fredy, mais conhecido como barão de Coubertin.

(33)

organizadora para disputarem um conjunto de modalidades esportivas (COLLI, 2004).

No mesmo período do início da competição esportiva, a Hungria organizou a primeira Olimpíada de Matemática em 1894 para alunos do último ano da escola secundária, (corresponde o Ensino Médio no Brasil), que não demorou a ser disseminada pelo leste europeu e ao mundo. O evento tinha como objetivo contestar e verificar a criatividade e o raciocínio matemático fez parte de uma homenagem ao Ministro da educação do país, Jósef Kürschák, professor de Matemática do Instituto Politécnico da Universidade de Budapeste e membro da Academia de Ciências da Hungria (FERNANDES; OLIVEIRA, 2005). Berinde (2004) ressalta, porém, que as competições matemáticas escolares – que não eram designadas como Olimpíadas – já aconteciam em 1885, na cidade de Bucareste, na Romênia. Cerca de setenta estudantes de uma escola primária disputavam onze prêmios, atribuído a nove meninos e duas meninas.

A disputa estudantil húngara estimulou a criação em 1959 da primeira Olimpíada Internacional de Matemática (International Mathematical Olympiad

IMO); direcionada apenas aos alunos que, no Brasil, correspondem o Ensino Médio.

Segundo Sucupira (2008), a primeira Olimpíada Internacional de Matemática foi realizada na Romênia com participação de sete países comunistas (Bulgária, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental, Hungria, Polônia, Romênia e a União Soviética). Segundo KENDEROV (2006), cada nação poderia levar oito estudantes, acompanhado de dois professores. Hoje participam aproximadamente 90 países dos cinco continentes com mais de quinhentos alunos.

Os países que integram o corpo de nações da Olimpíada Internacional começam a promover suas próprias Olimpíadas de Matemáticas nacionais, sendo que alguns deles criaram Olimpíadas de Matemáticas nas províncias e cidades (SILVA, 2004), como é o caso do Brasil.

(34)

valorizar o ensino, de acordo com Burigo (1969). Doze anos depois, em 1979, surge a Olimpíada Brasileira de Matemática.

2.2 Olimpíadas De Matemática No Brasil

Ressaltaremos quatro Olimpíadas de Matemática Nacionais em ordem de criação: Olimpíada Paulista de Matemática, (primeira e segunda versão), Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e, finalmente, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

2.2.1 Olimpíada de Matemática do Estado de São Paulo – OMESP

Segundo Santander (2008), foi fundado em 1961 – durante o Movimento da Matemática Moderna – o Grupo de Estudo do Ensino de Matemática (GEEM), com apoio da Secretaria de Educação de São Paulo, com o objetivo de coordenar e divulgar a introdução da Matemática Moderna na Escola Secundária.

O GEEM era presidido pelo Professor Osvaldo Sangiorgi10 e tinha como docente colaborador o George Springer, que havia sido seu professor no Curso de Verão da Universidade de Kansas.

Burigo (1989, p. 159) aponta que dentre muitas atividades propostas pelo GEEM a de maior destaque foi a Olimpíada de Matemática do Estado de São Paulo (OMESP), além de uma importante iniciativa de “divulgação da Matemática Moderna em São Paulo realizada neste período, com o sentido da valorização do ensino da Matemática e do trabalho de renovação desenvolvido em várias escolas”.

____________ 10

(35)

A primeira edição da OMESP foi realizada entre os meses de agosto e outubro de 1967, no ginásio do Ibirapuera, na cidade de São Paulo. Segundo Lima (2006), o GEEM, em convênio com a Chefia de serviço do Ensino Secundário e Normal do Departamento de Educação de São Paulo, promoveu a Olimpíada com o objetivo de incentivar competição no indivíduo e na equipe, entre os alunos do Ensino Secundário do Estado de São Paulo, tanto das escolas estaduais quanto das particulares e, de acordo com Burigo (1989), contou com uma participação de mais 100 000 alunos.

Segundo Santander (2008), a segunda edição da Olimpíada de Matemática do Estado de São Paulo (OMESP), promovida pelo GEEM, ocorreu no mês de outubro de 1969 na cidade de São Paulo com cerca de 400 000 alunos secundaristas, sendo que suas provas eram dissertativas e provas de teste com questões de múltipla escolha.

Durante o movimento da Matemática Moderna, realizaram apenas duas edições da OMESP e com sua extinção o estado de São Paulo ficou oito anos sem Olimpíada de Matemática.

2.2.2 Olimpíada Paulista de Matemática – OPM

Por motivo do fracasso do Movimento da Matemática Moderna a Olimpíada de Matemática do Estado de São Paulo (OMESP) foi extinta. Oito anos depois, em 1977 surge a Olimpíada Paulista de Matemática idealizada em pelo Professor Doutor Shigueo Watanabe, pesquisador e docente do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).

(36)

estudando, o futuro depende disso", concluiu o Professor Shigueo.11 “Eles são

importantes para o desenvolvimento científico e tecnológico do país”, acredita o Professor Doutor Shigueo, que, aos 86 anos em 2010, não mede esforços para ajudar os alunos a encontrarem seu caminho.12

A Olimpíada Paulista de Matemática (OPM) é um evento anual organizado pela Associação Paulista de Olimpíada de Matemática (APOM) com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Sociedade Brasileira de Matemática e a Fundação Carlos Chagas. É uma competição individual aberta aos alunos das Escolas Públicas (Estaduais, Municipais e Federais), realizada no estado de São Paulo e seu objetivo é incentivar o aluno a estudar Matemática, descobrir novos talentos e estimulá-lo para uma carreira científica.

Com mais de trinta anos de existência, a OPM já premiou com Medalhas denominadas de Ouro, Prata ou Bronze para mais de 200 estudantes de Instituições públicas e privadas do Estado de São Paulo e proporcionou oportunidades de desenvolvimento13 profissional e pessoal e com a finalidade de ampliar a divulgação do evento – elemento considerado imprescindível para um número maior de participantes – criou-se uma associação denominada Associação Paulista de Olimpíada de Matemática (APOM) sem fins lucrativos que é regida pela legislação brasileira com sede na cidade de São Paulo.

A APOM propõe organizar a OPM, publicar material de preparação aos alunos e professores sobre Olimpíadas por meio de livros, revistas ou meio eletrônico, organizar capacitações para os alunos e professores por site, além de apoiar a participação de alunos na Olimpíada Rioplatense, na Argentina, com aulas, indicações bibliográficas e sites de Olimpíadas de Matemática internacionais.

____________ 11

Ragazzi, Vivian. Olimpíada Paulista de Matemática: desafio e oportunidade para estudantes. Microsoft educação, Brasil, 29 de outubro de 2006. Disponível em:

<http: //www.microsoft.com/brasil/educacao/parceiro/olimpiada.mspx > Acesso em: 20 jul. 2009.

12

SOFTWARE Olimpíada Paulista de Matemática: desafio e oportunidade para estudantes. Microsoft educação, Brasil, 27 de março de 2006. Disponível em:

<http://www.microsoft.com/brasil/educacao/parceiro/opm.mspx> Acesso em: 20 jul. 2009.

(37)

A OPM é uma competição individual, aberta aos alunos de escolas públicas e privadas do estado de São Paulo. Para inscrevê-los, é necessário que o colégio indique um professor – preferencialmente de Matemática – que tenha um elo oficial de comunicação com a Comissão Organizadora da OPM. Ele será o representante da instituição para a disputa. Caso o aluno queira se inscrever sem a representação de uma instituição escolar deve entrar em contato com a Comissão Organizadora. Ainda poderão ser aceitos como participantes da OPM, a critério da Comissão Organizadora, alunos de entidades escolares de outros estados de Federação e Países.

A competição da OPM possui duas fases e é dividida em três níveis: nível Alfa (alunos matriculados no 6º e 7º ano do Ensino Fundamental), nível Beta (alunos matriculados no 8º e 9º ano do Ensino Fundamental) e nível Gama (alunos da primeira e segunda série do Ensino Médio).

As provas da primeira fase da OPM são elaboradas pela Comissão Organizadora e estas deverão ser aplicadas e corrigidas pelos professores de cada unidade escolar, onde não há limite para o número de inscrição de alunos nesta fase, sendo que esta ocorre em agosto e consiste em cinco questões dissertativas. Caso ocorra empate em quaisquer umas das categorias de Medalhas, a Comissão Organizadora poderá oferecer mais Medalhas denominadas de Ouro, de Prata ou de Bronze.

O professor responsável pela inscrição dos alunos de cada escola participante enviará por mensagem eletrônica o Relatório de Desempenho dos Alunos a Comissão Organizadora que irá analisar e então divulgará em seu site a lista de convocação dos alunos para a fase final.

(38)

A premiação ocorre da mesma maneira que a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e Olimpíada internacional de Matemática (IMO) – são oferecidos prêmios aos alunos que obtiverem as maiores pontuações finais. Esses prêmios são chamados de Medalhas de Ouro, Medalhas de Prata e Medalhas de Bronze e as quantidades de Medalhas oferecidas atenderão aproximadamente a proporção 1:2:3 e também serão oferecidas Menções Honrosas a critério da banca de correção de provas. A Comissão Organizadora da Olimpíada Paulista de Matemática mantêm os mesmos conteúdos propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para as avaliações das duas fases nos três níveis e os conteúdos de anos anteriores poderão ser incluídos nas provas de diferentes fases e de diferentes níveis.

Segundo a entidade responsável pela competição14, a participação de alunos paulistas em cada edição da Olimpíada de Matemática é expressiva, cerca de 1 000 escolas e 45 000 alunos inscrevem-se anualmente para esta competição. A aplicação das avaliações ganhou amplitude e importância, tanto que, desde 2006, instituições de ensino de Portugal participam do evento.

2.2.3 Olimpíada Brasileira de Matemática – OBM

Em 1979, a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) organizou a primeira Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). Desde então, a OBM sofre mudanças em seu formato, porém mantém a sua idéia central de estimular o estudo da Matemática pelos alunos, de desenvolver e aperfeiçoar a capacitação dos professores, de influenciar na melhoria do ensino, além de descobrir jovens talentos.15

Segundo a OBM (2009) as diversas mudanças foram as seguintes:

em 1979 – Primeira Olimpíada Brasileira de Matemática.

____________ 14

Informações disponíveis em < http://www.opm.mat.br/>. Acesso em 21 jul. 2009.

(39)

em 1991 a OBM possuía dois níveis:

Junior para estudantes com no máximo 15 anos completados em 1991;

Sênior para estudantes cursando o ensino médio.

em 1992 a OBM possuía duas fases:

a primeira fase a prova continha vinte e cinco questões de múltiplas escolhas;

a segunda fase a prova era realizada em dois dias com três problemas para cada dia;

o nível Junior passa a ser para estudantes que cursava até a 8ª serie.

em 1993 a segunda fase do Nível Junior volta a ser como era, em um único dia com cinco problemas.

em 1995 o Nível Junior volta a ser como era antes, para estudantes de até 15 anos.

em 1998 a OBM passa a possuir três níveis e três fases:

nível I para estudantes de 5ª e 6ª série;

nível II para estudantes de 7ª e 8ª série;

nível III para estudantes do Ensino Médio.

primeira e a segunda fase serão realizadas nas Escolas cadastradas;

primeira fase com vinte ou vinte e cinco questões de múltipla escolha;

segunda fase com seis questões abertas;

terceira fase com cinco questões para os Níveis I e II e seis questões para o nível I em dois dias.

em 1999 as provas do Nível II na fase final passam a ser realizadas em dois dias.

(40)

A OBM é um evento anual organizado pela Sociedade Brasileira de Matemática com a cooperação o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Academia Brasileira de Ciências e Instituto do Milênio – Avanço Global e Integrado da Matemática Brasileira (IM – AGIMB)16.

Em 1979, a Sociedade Brasileira de Matemática e o IMPA desenvolveram um projeto que pretende contribuir para a melhoria do ensino de Matemática no Brasil utilizando as Olimpíadas como mecanismo propagador.

Para atingir os objetivos das ações estabelecidas no projeto, as entidades receberam apoio do CNPq, como uma secretaria para centralizar atividades olímpicas e a criação da Revista Eureka17 visando estabelecer um estreito relacionamento com os alunos e escolas objetivando divulgar informações importantes e atividades preparatórias para Olimpíadas. Também foi criada a Associação da Olimpíada Brasileira de Matemática (AOBM) sem fins lucrativos e para fins não econômicos que será regida pela legislação brasileira com sede na cidade do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro.

A AOBM18 propõe organizar a Olimpíada Brasileira de Matemática, promover competições similares em caráter nacional e internacional, publicar material de preparação aos alunos e professores sobre Olimpíadas por meio de livros, revistas e site, organizar capacitações para os alunos e professores, além de apoiar a participação de alunos em competições internacionais e organizar eventos.

Aos professores, há cursos de aperfeiçoamento na cidade do Rio de Janeiro para profissionais de diversas regiões do país, um site com um vasto banco de problemas e uma biblioteca especializada localizados na sede no IMPA para capacitações dos alunos.

____________ 16

Para maiores informações sobre (IM – AGIMB) consulte o site: http://milenio.impa.br/

17

Revista Eureka é responsável por artigos relevantes na preparação dos estudantes para a Olimpíada Brasileira de Matemática em seus diversos níveis e para várias olimpíadas de caráter internacional das quais o Brasil participa. Acesso em 15 jul. 2009.

18

(41)

A OBM é uma competição aberta aos estudantes de escolas públicas e privadas do Brasil com a participação de aproximadamente de 350 000 alunos. O estudante pode participar por intermédio de sua escola nomeando um professor representante que seja um elo oficial de comunicação com a comissão organizadora da OBM. Caso o estudante queira se inscrever sem a participação de sua escola poderá entrar em contato com o Coordenador Regional ou com a Secretaria da OBM no IMPA.

A competição da OBM possui três fases que é dividida em três níveis; nível 1 aos alunos matriculados no 6º e 7º ano do Ensino Fundamental quando da realização da primeira fase da OBM; nível 2 aos alunos matriculados no 8º e 9º ano do Ensino Fundamental quando da realização da primeira fase da OBM ou que tenha concluído o Ensino Fundamental menos de um ano antes, não tenha ingressado no Ensino Médio até a data da realização da primeira fase da OBM; nível 3 aos alunos matriculados em qualquer série do Ensino Médio quando da realização da primeira fase da OBM ou que, tendo concluído o Ensino Médio menos de um ano antes, não tenham ingressado em curso de nível superior até a data de realização da primeira fase da OBM. Há também o Nível Universitário, avaliação dividida em duas fases para alunos que não tenham concluído qualquer curso superior.

Para os níveis 1, 2 e 3, as provas da OBM são realizadas em três fases – sendo que a primeira fase é realizada no primeiro semestre, a segunda e a terceira fase no segundo semestre. Para o Nível Universitário, a avaliação é realizada no segundo semestre coincidindo em dia e horário com a segunda e terceira fase dos níveis 2 e 3.

(42)

Regional19. Para o nível 1, a prova é discursiva com cinco problemas com tempo

máximo para resolvê-la é de quatro horas e trinta minutos e para os níveis 2 e 3 as provas são discursivas realizadas em dois dias consecutivos com três problemas em cada dia com tempo máximo para resolvê-la é de quatro horas e trinta minutos em cada dia.

A prova da primeira e segunda fase do Nível Universitário é discursiva com seis problemas que tem duração máxima de quatro horas e trinta minutos aplicada no mesmo dia e horário da segunda e terceira fase dos níveis 1, 2 e 3.

A premiação ocorre da mesma maneira que a Olimpíada internacional de Matemática (IMO) – são oferecidos prêmios aos estudantes que obtiverem as maiores pontuações finais. Esses prêmios são concedidos como Medalhas chamadas de Ouro, Medalhas de Prata e Medalhas de Bronze e as quantidades de Medalhas oferecidas atenderão aproximadamente a proporção 1:2:3; também são feitas Menções Honrosas a critério da banca de correção de provas. Caso ocorra empate em quaisquer das categorias de Medalhas, a Comissão Organizadora poderá oferecer mais Medalhas denominadas de Ouro, de Prata e de Bronze que as previstas na proporção 1:2:3. A cerimônia de premiação da OBM coincide com a reunião anual da Comissão Nacional de Olimpíada de Matemática, durante a realização da Semana Olímpica.20

A Convocação para as Olimpíadas Internacionais é realizada nesta “Semana Olímpica”, onde são selecionados os estudantes que formarão as equipes brasileiras que representando o Brasil nas seguintes competições:

• Olimpíada de Matemática do Cone Sul será representada por quatro estudantes com até 16 anos;

• Olimpíada Iberoamericana de Matemática (OIM) será representada por quatro estudantes com até 18 anos;

____________ 19

Os Coordenadores Regionais são professores - em sua maioria universitário - escolhidos para representar a OBM nos diversos Estados brasileiros e são responsáveis pelo apoio às escolas de sua região nas diversas fases da Olimpíada.

20

(43)

• Olimpíada Iberoamericana de Matemática Universitária será representada por qualquer número de estudantes;

• Olimpíada Internacional de Matemática (IMO) será representada por seis estudantes do Ensino Médio com até 19 anos;

• Olimpíada Internacional de Matemática para Estudantes Universitários (OIMU) será representada por uma equipe de uma Universidade formada por um professor líder21 e quatro estudantes.

A formação da equipe brasileira de Matemática para as competições Internacionais será formada por estudantes premiados pela OBM com Medalhas chamadas de Ouro, Prata, Bronze e Menções Honrosas do ano imediatamente anterior ao processo seletivo. Outra possibilidade é a solicitação de inclusão no processo seletivo para a IMO, OIM e Olimpíada de Matemática do Cone Sul para aqueles estudantes que foram premiados em anos anteriores pela OBM em qualquer umas das premiações de Medalhas, porém é de responsabilidade da Comissão Encarregada da Seleção, decidir a inclusão ou não deste aluno.

A Comissão Encarregada da Seleção (CES) é responsável pela formação das equipes brasileiras para as competições internacionais de Matemática e pela elaboração de um documento com a classificação e pontuação dos resultados da OBM; provas de seleção e listas de capacitação dos estudantes que pleiteiam participar das Olimpíadas Internacionais. Este documento será enviado com uma sugestão de equipe para julgamento da Comissão da Olimpíada que pode aconselhar modificações.

2.2.4 Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas - OBMEP

A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) é promovida pelo governo federal desde 2005 pelo Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com o Instituto de Matemática

____________ 21

Imagem

Tabela 1 – Inscrições das cinco primeiras edições da OBMEP – 1ª fase
Tabela 2 – Número de alunos por classe da EE Padre Tiago Alberione
Tabela 3 – Número de alunos da 3ª série do Ensino Médio
Tabela 4 – Tabela síntese das questões 1, 2 e 3  Participação  Nº de alunos  Conhecem a
+3

Referências

Documentos relacionados

Dada a potencialidade que o estudo com esse gênero tem para estimular a reflexão crítica do alunado, pautada pelos multiletramentos, analisamos a presença de aspectos culturais

O romance Usina, diferentemente dos demais do conjunto da obra pertencente ao ciclo-da-cana-de-açúcar, talvez em função do contexto histórico em que se insere, não

Nessa situação temos claramente a relação de tecnovívio apresentado por Dubatti (2012) operando, visto que nessa experiência ambos os atores tra- çam um diálogo que não se dá

Este trabalho tem como objetivo geral avaliar a quantidade de água pluvial que pode ser aproveitada após infiltrar em um pavimento permeável de concreto

É perceptível, desta forma, o constante aumento do aprofundamento dos personagens: os “príncipes” têm agora não só nome e falas, mas personalidades bem desenvolvidas,

A nutrição enteral (NE), segundo o Ministério da Saúde do Brasil, designa todo e qualquer “alimento para fins especiais, com ingestão controlada de nutrientes, na forma isolada

Com o estudo anterior (AMARAL, 2009) sobre a evolução da infografia no meio, surgiram dúvidas a respeito de alguns exemplos pesquisados. Percebemos que a fronteira

Nos tempos atuais, ao nos referirmos à profissão docente, ao ser professor, o que pensamos Uma profissão indesejada por muitos, social e economicamente desvalorizada Podemos dizer que