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TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO

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Academic year: 2018

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Curso de Arquitetura e Urbanismo

TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO

Tibério Moura Gadelha

Orientador: Prof. Doutor

Marcondes Araújo Lima

Coorientadora: Prof. Doutora

Anna Lúcia dos Santos Vieira e Silva

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Tibério Moura Gadelha

BANCA EXAMINADORA

Prof. Doutor Marcondes Araújo Lima

Orientador

Prof. Doutora Aléxia Carvalho Brasil

Professora convidada

Arq. Antônio Ricardo Barbosa Rodrigues

Arquiteto convidado

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luz infinita, fonte que alimenta meus princípios, me inspira e me compreende, amores tão verdadeiros, meu aconchego, minha paz.

Agradeço aos amigos do peito, colegas de peleja, com os quais durante esses anos de escola, compartilhamos muitos questionamentos e felicidades, agradeço todo apoio e convívio. Em especial, Leandrão, Zeloco, Lu, Jean, Berréuquis, Zectin, Natashinha, Lenz, Nayana Justus, Bia, Lara, Bel, Gigi, Rena-ta, Sofis, André, Cibas, Camis, Tinally, Caioso, Xitão, Baiano, Baden, toda galera do EREA, do Canto, do CA, a turma 2007 em peso (.1 e .2), e também à velha guarda, agradeço por tudo. Vocês são porreta demais!

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cap. 1

. Desunião na Produção artística

desconexões antrópicas: fator motriz interrupções ambientais

cap. 2

. Riacho Pajeú

registros e memórias situação atual

exemplo inspirador

cap. 3

. Conexões estratégicas

princípios conectivos

centro histórico em rede plano de ações

+ padrões paisagísticos

cap. 4

. Parque Pajeú

histórico

estrutura

atração/dispersão social entorno

+ propostas para o novo Parque Pajeú

cap. 5

. Usina de Idéias

conceito

setores implantação

cap. 6

.

Considerações finais

conclusões

bibliografia

anexos

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Desenvolve-se a necessidade de discutir a sociedade e as ações do homem no ambiente reconhecendo os papeis econômico, social, cultural e ambiental. O projeto em si, contempla a reestruturação de espaços de entretenimento, cultura e arte na área central da cidade de Fortaleza.

Numa primeira etapa deste trabalho, é proposto um plano urbano que visa uma melhor articulação en-tre equipamentos culturais e espaços livres e públicos localizados no bairro Centro de Fortaleza, tendo em vista um desenho urbano acessível e a valorização das paisagens que orientam os percursos, estabelecendo conexões espaciais.

Em seguida, de forma mais pormenorizada, estudaremos um dos trechos do riacho Pajeú,

compreen-dendo que o riacho é uma importante via de fluxo que, dentro da trama que se propõe, agregaria valores ambi -entais, históricos, de mobilidade e paisagísticos.

Nessa área do Parque Pajeú, é proposto um novo equipamento cultural, a Usina de Idéias, que traduza uma nova forma de se relacionar com o riacho, e possuindo claras intenções de pró-criação cultural indepen-dente. A Usina consiste numa ambiência de criação coletiva e multidisciplinar para artistas e organizações, promovendo também no ambiente social, as conexões, contatos e parcerias.

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Justificativa

Abordar a produção de arte em Fortaleza foi resultado de inúmeras inquietações sobre a carência de oportunidades que eu vejo no ambiente atual de nossa cidade. Uma metrópole tão inquieta pelos altos índices de criminalidade, merece uma revisão da oferta cultural que tem a oferecer de forma livre a seus habitantes.

A reestruturação do ambiente cultural de Fortaleza, através da conexão das atividades que já são realiza das no centro da cidade, é uma união necessária, prioridade a ser realizada, antes da criação de outras grandes obras isoladas, como tantas vezes são propostas com intuito de transformação social.

Os coletivos artísticos tem um enorme potencial na produção cultural, porque neles, as propostas se desenvolvem com um objetivo social comum, o que promove a união entre os homens e a ampliação das suas capacidades inovadoras e transformadoras. Porém hoje em dia, vejo muitos coletivos atuando de forma inde-pendente e isolada, devido a inexistência de um espaço/ferramenta que facilite o suporte de investimentos e logística através de uma ambiência para o estabelecimento de parceiras.

Objetivos

Os objetivos desse trabalho culminam na composição de laços sociais, dentro de uma sociedade que tende a competitividade e ao individualismo. Para chegarmos a esse ponto de união, temos como básico, a promoção do acesso a cultura de forma livre e democrática.

Numa perspectiva mais pormenorizada dos objetivos, esse trabalho vai de encontro a produção artísti-ca loartísti-cal em Fortaleza, busartísti-cando sua valorização cultural, através da difusão de atividades artístiartísti-cas e o asse-guramento da produção pela aproximação e contato de interesses que viabilizem projetos.

Metodologia

As propostas apresentadas nesse trabalho foram idealizadas para que fossem implantadas num crono-grama temporal de curto, médio e longo prazo, tendo em visa que se pretendeu ter uma visão e propostas em diferentes escalas da cidade.

As pesquisas foram aprofundadas via imagens de satélite, e sobreposição anotações e dados da prefei-tura municipal de Fortaleza. Em percursos feitos a pé e de bicicleta pelo centro da cidade, foram realizado um

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Desconexões antrópicas: fator motriz

A humanidade atualmente vive um par-adoxo em suas relações sociais, ao passo que são fa-cilitadas as conexões entre milhões de indivíduos através de um sistema global de informações - a in-ternet - o homem gradualmente tem se relacionado menos com outras pessoas dentro de seu perímetro de proximidade espacial. As relações entre pessoas, muitas vezes são impessoais, visto que se perde o interrese social entre o indivíduos, baseados numa

lógica mercadológica que tende a simplificar tudo o

que é humano em objeto para consumo e descarte. O consumo desenfreado, como solução de todas as problemáticas contemporâneas, é fruto de uma má interpretação da formação e da gestão dos recursos disponíveis por sucessivas gerações, que seguem por agravar um desequilíbrio que dá sustento a realidade na qual vivemos hoje. Se por um lado alguns grandes grupos empresariais com-pram a posse de quase todos bens naturais exis-tentes necessários ao modo vida atual, por outro lado, outra grande parte da humanidade, sobrevive moribunda e explorada entregue a variados tipos de males.

A cultura impessoal também obscurece as responsabilidades envolvidas nos processos de formação e reabilitação dos recursos, por exemp-lo não se sabe como e nem aonde foi produzida a comida comprada no supermercado, nem o

desti-Desunião na produção artística

no das coisas que se joga no cesto de lixo. No Brasil, na indústria alimentícia por exemplo, essa situação é bastante agravante, pois se está longe de saber ao certo o que está consumindo, somente se sabe que é algo muito diferente da qual a anuncia a publicidade enganosa.

Na ideologia do consumo, a gestação de consumidores convictos acaba por ser um dado fundamental na instrumentalização da vida social. Desse modo, a procura de objetivos é deixada de lado e apenas se buscam mediações. Esse isolamen-to social é um dado de fácil constatação, porém que provém de uma cadeia bastante entrelaçada e

rami-ficada nas mais diversas atividades do cotidiano hu -mano, sendo assim, não se pode elucidar um único motivo pelo qual essa situação se desencadeia, nem ao menos um solução inexpugnável capaz de revert-er esse quadro. Esse trabalho portanto, visa tratar a questão do isolamento consciente da amplitude do problema e da necessidade da interligação entre di-versas frentes de trabalho para remediá-lo.

“A própria existência vivida mos-tra a cada qual que o espaço em que vivemos é, na realidade, um espaço sem cidadãos.” (SAN-TOS, 1993, p.48) A base cultural da sociedade atu-al vive essa crise da ilusão induzida pelo consumo a todo custo, faz-se necessário um conjunto de transformações que agregem a concientização in-dividual e a potêncialização das ações coletivas.

Fig. O1: A Evolução do Homem.

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O Consumidor não é o cidadão. Nem o con-sumidor de bens materiais, ilusões tornadas realidade como símbolos: a casa própria, o au-tomóvel, os objetos, as coisas que dão status. [...] O eleitor também não é forçosamente o cidadão, pois o eleitor pode existir sem que o indivíduo realize inteiramente suas poten-cialidades como participante ativo e dinâmi-co de uma dinâmi-comunidade. O papel desse eleitor não-cidadão se esgota no momento do voto, sua dimensão é singular, como é a do consum-idor. (SANTOS, 1993, p.41)

O comportamento das pessoas depende de todo um processo dinâmico e cumulativo de aprendizado social que é adquirido e passado de geração para geração, sempre em continua trans-formação, agregando novos conceitos, conheci-mentos, morais, costumes e etc (PINTO, 2012). Um mínimo de conhecimento da da forma de vida local, como o idioma, ou a forma de se portar e vestir, se faz necessário para que se possa conviver bem com outros indivíduos em uma mesma sociedade, é o que se pode considerar como elo cultural. Por tanto, quando se pretende mudar a forma de vida de uma sociedade em determinada circunstância, e se têm em vista toda essa herança cultural agregada, no-ta-se que a chave da transformação está sempre pre-sente na mudança dos valores básicos que guiam as ações individuais. A ênfase na formação dos valores de uma sociedade são a linha mestra das transfor-mações culturais.

O estilo de vida na era da informação e do consumo tem tornado muitas pessoas cada vez mais espectadoras das decisões que movem o seu mundo. Já no desenvolvimento infantil as crianças são condicionadas a imobilização passando horas sentadas assistindo o repasse de conhecimento, tornando-se meros sujeitos passivos. A capacidade

única, modificadora e criadora que cada um traz

consigo é aos pouco abandonada enquanto se forma um consenso global, apoiado pelas mídias, de que a solução de todas as necessidades humanas não está na transformação da sociedade, e sim no consumo e promoção individual.

O mito da fronteira e da continua coloni-zação, que foi o motor dos Estados Unidos, al-cança seu objetivo mais alto povoando todos

os mercados, todas as redes de intercâmbio e de informação, todas as novas maneiras de relação e todas as mentes. Uma sociedade metropolitana que tende a rejeitar os con-tatos corporais e que se baseia na

descon-fiança, no individualismo utilitarista e no

consumo, conseguiu impor-se. A cultura da comunicação eletrônica, pensada para teci-dos formateci-dos por habitações isoladas, seg-regadas em periferias suburbanas de baixa densidade, impõe-se sobre outras culturas do espaço urbano tradicional e da comunicação física. (MONTANER, 2001, p.48)

Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido (FREIRE, 1983) revela uma educação como prática de dominação, o que seria a base de uma cultura alienante, aversa a liberdade ou “libertação”. Freire

criticou o modelo pedagógico sem fins práticos,

onde a narrativa do professor é desconectada da re-alidade dos alunos, uma “educação bancária” onde são “depositados” os conhecimentos do professor para o aluno, impondo uma relação hierárquica es-magadora entre o educador e o educando, que le-vanta a questão da opressão e internalização da in-ferioridade.

[...] fora da busca, fora da praxis, os homens não podem ser. Educador e educandos se ar-quivam na medida em que, nesta distorcida visão da educação, não há criatividade, não há transformação, não há saber. Só existe saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem do mundo, com o mundo e com os outros. (FREIRE, 1983, p.66)

O potencial de discussão,

levantamen-to de novas questões e significações, parece dar lu -gar a crença nas verdades inquestionáveis, que são transmitidas e arquivadas. O sujeito humanizado e dotado de visão crítica, parece dar lugar ao

su-jeito-objeto massificado que age através de ações irrefletidas e fixas a partir de soluções importadas. A conscientização e a identificação com a própria

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Características relacionadas a criatividade, como independência de pensamento, in-dependência de julgamento, curiosidade, intuição, absorsão nas tarefas que realiza, não foram consideradas características im-portantes de serem encorajadas pelo profes-sor em sala de aula. Algumas características tendem a ser desencorajadas pelo professor,

uma vez que dificultam o bom andamento da

rotina em sala de aula. Outras características, como obediência, atenção para os colegas e autoridades, conformismo, parecem facilitar a disciplina e o bom desempenho exigido pe-los professores, principalmente com relação a certos objetivos propostos pelo sistema educacional, que, em larga escala, enfatiza o domínio de conhecimento e, em menor es-cala, a habilidade de solucionar problemas. (ALENCAR, 1986, p.60)

[…] na medida em que a escola contribuir para formar no aluno o pensamento crítico e cri-ador e se preocupar não apenas com a capaci-dade do aluno de reproduzir informações, mas também de produzir conhecimento, ela estará dando sua parcela de contribuição para que ultrapassemos alguns dos prob-lemas com os quais convivemos no momen-to, e para que nos habilitemos para enfren-tar problemas futuros. (ALENCAR,1986, p.54)

Mais do que uma questão de metodolo-gia de educação, passa-se por uma questão de enrai-zamento cultural do egoísmo e na busca incessante por realizações pessoais em detrimento da harmo-nia do conjunto que forma a sociedade. Quando as problemáticas locais são tratadas em seu seio e não coletivizadas, se perde dessa forma, a possibilidade

de serem identificadas e tratadas como problemas

sociais mais amplos.

O individuo não pode ser extranho aos assuntos coletivos, e a liberdade induvidual de re-fazer o mundo cada vez melhor, não pode ser enfra-quecida pelo isolamento e pela desunião.

Contexto individual e urbano

No mundo de hoje, cada vez mais as pes-soas se reúnem em áreas mais reduzidas, como se o habitat humano minguasse. Isso permite experimentar, através do espaço, o fato da escassez. A capacidade de utilizar o território não apenas divide como separa os homens, ainda que eles apareçam como se estivessem juntos. (SANTOS, 1993, p.59)

O isolamento humano piora a qualidade de vida das pessoas nas concentrações urbanas. Di-reto e indiretamente, esse isolamento está presente e sendo defendido de inúmeras maneiras em nossa cultura atual. Um desdobramento dessa situação que se pode elucidar, é que hoje, o uso do espaço público perde sua função diante da promoção dos espaços privados. A perda do sentimento de comunidade vem dando lugar a um individualismo e uma com-petitividade agressiva que destrói a saudável con-vivência entre as pessoas.

Em nossa cultura, o cidadão acredita que, com exceção de sua moradia, o resto pertence aos vizinhos, à escola, ao clube, à prefeitura. Ess-es Ess-espaços externos tornam-se impEss-essoais e

são tratados com indiferença , ficando, como

consequência cada vez mais tênue o sentido afetivo entre esses locais e a vida das pessoas. (OKAMOTO, 2002, p.236)

As cidades estão repletas de praças públicas deterioradas e abandonadas pelo poder público e povo. A parte da população que possui certo poder aquisitivo, como se não possuísse mui-tas opções, entopem espaços assépticos como os shopping centers, na busca por encontros e lazer. Assim o processo de exclusão atinge diversos níveis de encrostamento na cultura dos centros urbanos, o

espaço público sem uso apropriado fica esquecido e

entregue a atividade marginais, tornado-se palco da segregação social, pois nem todos possuem recursos

suficientes para usufruir dos espaços “pacificados”

oferecidos por grandes grupos empresariais.

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mas também pela sua presença política (SANTOS,

2010, p.79). O espaço geográfico ganha novos con

-tornos, novas características, novas definições. E, também, uma nova importância, porque a eficácia

das ações está estreitamente relacionada com sua localização. Os atores mais poderosos se reservam os melhores pedaços do território e deixam o resto para os outros.

A segregação pode agravar a ojeriza en-tre os grupos que se vêem privados dos direitos à ci-dade, na verdade o que se observa é uma consequên-cia real da violênconsequên-cia indireta usada para garantir os privilégios acumulados por pequenas classes sociais. Contribuindo para o agravamento da austeridade urbana em si, a mídia televisiva, através de diversos programas jornalísticos, aborda diari-amente a questão da violência urbana como algo banal, disseminando um simbolismo da cidade do terror e do medo, aonde somente dentro de mural-has cercadas e em condomínios sob forte vigilância armada, se pode viver em paz.

É fato que o grau de segurança nas ci-dades não é apenas uma questão de polícia, pois envolve toda uma questão de insatisfação, falta de oportunidades e ausência do Estado nas mais diver-sas necessidades urbanas, como mobilidade, cultu-ra, ensino, saúde, etc. O Poder público precisa atu-ar igualitatu-ariamente patu-ara que o cidadão melhor se desenvolva em uma lógica de colaboração solidária. Ao demonstrar respeito a dignidade humana de

to-dos, o poder público atua garantindo os interesses públicos prevalecendo sobre os privados, havendo a

significação e a legitimação da democracia para os

indivíduos.

O espaço público tem fundamental

im-portância na oposição à pacificação consensual e

segregadora das cidades, é o espaço da democracia, palco ideal para a expressão da arte humana que crítica as injustiças e fomenta dissensos, tornando visível o que o consenso dominante tenta obscure-cer e esqueobscure-cer.

(...) a arte poderia ser vista como uma forma de ação dissensual que possibilita a

explici-tação dos conflitos escondidos, do campo de

forças que está por trás das cidade-imagem espetacular, ou ainda, a arte enquanto mi-cro-resistência, experiência sensível e ques-tionadora de consensos estabelecidos e, so-bretudo, potência explicitadora de tensões do e no espaço público, em particular diante da atual despolitização e estetização consen-sual dos espaços urbanos. (JACQUES, 2009, p.04)

Fig. 02: O programa Barra Pesada

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Fragmentação nas artes

Obviamente há também um reflexo do

isolamento humano no campo das artes, pois o artis-ta contemporâneo muiartis-tas vezes se sustenartis-ta em seu Ego, talvez na tentativa de produzir uma imagem única e notória. Porém dessa forma, a produção

cria-tiva segue fragmentada, dificultando a transposição

e comunicação entre as diversas áreas do conheci-mento.

A divisão do trabalho, caráter tão hu-mano do ponto de vista do reconhecimento das ap-tidões individuais, gera como fruto o conhecimento especializado, que, muito defendido desde o período industrial e hoje mais encravado na sociedade como nunca, pode ser uma arma alienante se não houver um devido meio de convívio para o intercâmbio dos aprendizados.

A problemática que se aborda é que há um perigo quando essa fragmentação não encon-tra elos de conexão, pois as partes isoladas perdem o sentido criativo presente na sinestesia das trans-mutações. Nas ações artísticas se faz necessário que se estabeleça o diálogo entre as diversas linguagens contemporâneas para que realizem conceitos in-ovadores diante dessa imensa quantidade de infor-mação que hoje se tem disponível.

Antes dos anos 20, Walter Gropius já reconhecia a fragmentação do conhecimento como algo preocupante e através da Bauhaus defendeu uma didática de vanguarda que unia diversos con-hecimentos que se complementavam, mas até en-tão se encontravam separados. Pela primeira vez na história surgiu uma escola de arquitetura, artesana-to e artes plásticas.

Compreendi que era preciso uma equipe in-teira de colaboradores e assistentes, homens que não trabalhassem como um conjunto orquestral, que se curva à batuta do maestro, e sim independentemente, ainda que em es-treita cooperação, a serviço de um objetivo comum. (GROPIUS,1974, p.30)

O que a Bauhaus propôs, na prática, foi uma comunidade de todas as formas de trabalho criativo, […]. Nossa ambição consistia em ar-rancar o artista criador de seu distanciamen-to do mundo e restabelecer sua relação com o mundo real do trabalho[…]. (GROPIUS, 1974, p.32)

Contudo a materialidade no mundo da globalização foi recriada, e agora permite uma maior

flexibilidade física e moral das operações, levando a

um uso ilimitado, da inteligência e da criatividade, ao contrário de eras passadas como o industrialismo e imperialismo. (SANTOS, 2010, cap.29) As técnicas contemporâneas são mais fáceis de inventar, imitar ou reproduzir que os modos de fazer que as preced-eram.

AS famílias de técnicas emergentes com o

fim do século XX - combinando informática

e eletrônica, sobretudo - oferecem a possibi-lidade de superação do imperativo da tecno-logia hegemônica e paralelamente admitem a proliferação de novos arranjos, com a retom-ada da criatividade. Isso, aliás, já está se dan-do nas áreas da sociedade em que a divisão dan-do trabalho se produz de baixo para cima. Aqui, a produção do novo e o uso e difusão do novo deixam de ser monopolizados pelo capital cada vez mais concentrado para pertencer ao domínio do maior número, possibilitando af-inal a emergência de um verdadeiro mundo Fig. 03: Currículo de formação na

Bauhaus, englobava multiconheci-mentos artisticos e técnicos. Fonte:

http://novauniao.file.worldpress.

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da inteligência. Desse modo, a técnica pode voltar a ser o resultado do encontro do en-genho humano com um pedaço determinado

da natureza - cada vez mais modificada -,per -mitindo que essa relação seja fundada nas

virtualidades do entorno geográfico e social.

de modo a assegurar a restauração do homem em sua essência.(SANTOS, 2010, p.165)

Panorama Regional

Num panorama mais abrangente se pode analisar a evolução das conquistas artísticas enquan-to disputas entre a cultura imposta e a expressão popular. Quando os interesses tradicionais de uma sociedade se encontram dispersos, pode ser conve-niente a propagação - mesmo que indiretamente - de uma nova cultura, que já tenha minimamente orga-nizado a divulgação de suas idéias.

No Brasil, as manifestações artísticas do norte e nordeste, por exemplo, estiveram por muito tempo desapercebidas no cenário nacional, diante do foco para a produção estrangeira e a do sudeste do país. A carapaça dura e preconceituosa ainda possui resquícios, sustentando a idéia de lugares de permanente miséria e de educação ausente, tentan-do inutilmente cobrir toda diversidade, riqueza e in-ventividade nata de um povo.

Na década de 60, Lina Bobardi, com sen-sibilidade e um olhar longe desses conceitos pré-es-tabelecidos, se deu conta da necessidade de revelar o que ainda se tentava evitar, culminando na ex-posição Nordeste, que marcou o início de um período de valorização e imersão nas raizes de imensa diver-sidade cultural brasileira.

Pela primeira vez o Brasil teve a oportuni-dade de ver num museu, com dignioportuni-dade, a obra do seu povo pobre e oprimido, a revelar suas entranhas e sua enorme capacidade cria-dora. Afrontavam-se preconceitos e barreiras culturais erguidos num ambiente de elite. Em 1963, Lina apresenta a exposição inaugu-ral do Museu de Arte Popular, intitulada Nor-deste. Com ela, dá seu golpe fatal, mostrando

que beleza, sofisticação, inteligência, criativ

-idade e domínio técnico não eram atributos exclusivos nem posse da classe dominante ou dos detentores do poder econômico. O que se manifestava ali era um gesto estético e políti-co. Estaria ali, na escolha e na maneira de ex-por, no questionamento da existência de alta e baixa culturas, na busca de uma civilização construída a partir de novos paradigmas, o prenúncio do movimento tropicalista. (FER-RAZ, 2008)

Em Fortaleza uma das associações de maior ressonância, de certo modo escandalosa, com certeza foi a Padaria Espiritual. Fundada em 1892 a Padaria se originou do espírito revolucionário de um grupo de jovens que se reuniu em forma de so-ciedade para, através do Pão - publicação em que os

Padeiros defendiam suas idéias - , protestar contra a burguesia, o clero e tudo que fosse tradicional, como conta de seu programa. (FIUZA, 1977) Mais tarde na década de 1940, Fortaleza foi o berço do surgi-mento de outros dois importantes grupos de artis-tas. o Clube de literatura e Arte (Clã) e a Sociedade Cearence de Artes Plásticas (SCAP).

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A Formação de Associações, Coletivos, grêmios artísticos é de fundamental importância para que se encontrem e se agreguem conteúdo

su-ficiente capaz de embasar reais intervenções na so -ciedade.

Com a base tecnológica na qual hoje es-tamos imersos, através do ambiente virtual, são fa-cilitados o encontro de interesses, e dessa forma, ser-em realizadas as ambições das comunidades. Porém é preciso um incessante busca no aprimoramento nessas ferramentas de diálogo, tendo em vista que a capacidade de dispersão das propostas também é muito grande.

Bairro Centro, território fértil

O Centro histórico de Fortaleza quadrilátero demarcado pelas avenidas do Imper-ador, Dom Manuel, Duque de Caxias e forte Schoo-nenborch caracteriza uma referencia cultural não apenas dos fortalezenses, como também de toda a

região. Aqui estão presentes vários edíficios que vi -venciaram a evolução da cidade desde suas épocas mais remotas, fazendo presente o registro histórico de épocas que passaram, através da permanência es-pacial das construções, praças e costumes.

Além do patrimônio tombado, há o pat-rimônio esquecido e depredado, carentes de uso e resgate. A ênfase no valor histórico de dá pela própria natureza do homem, que, como ser cultural, se alimenta do passado e do futuro para fazer o pre-sente. Nas palavras de Paulo Freire:

A criticidade e as finalidades que se acham

nas relações entre os seres humanos e o mun-do implicam em que estas relações se dão com um espaço que não é apenas físico, mas histórico e cultural. Para os seres humanos, o aqui e o ali envolvem sempre um agora, um antes e um depois. Desta forma, as relações entre os seres humanos e o mundo são em si históricas, como históricos são os seres hu-manos, que não apenas fazem a história em que se fazem mas, consequentemente, con-tam a história deste mútuo fazer. (FREIRE, Paulo, 1982, p.68)

É no Centro da Fortaleza aonde estão

situadas muitas instituições de valor cultural e fi -nanceiro para a região. O “coração” da metrópole abriga cerca de 30 equipamentos culturais, quase metade de todos equipamentos espalhados por toda cidade, o que demonstra que este bairro ainda con-serva seu apreço e importância.

embaixo

Fig. 05: Museu das Secas, patrimô-nio tombado e restaurado, porém com funcionamento desativado. O cenário de depredação é

agrava-do pelo posteamento e fiação que

poluem a paisagem. Fonte: acervo pessoal.

ao lado

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Mapa 01: Patrimônio Material tombado no centro histórico. Fon-te: Plano habitacional para reabili-tação da área central de Fortaleza.

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Interrupções ambientais

Em vários aspectos a cidade se apresenta fragmentada, carente de união e continuidade.

Os percursos em Fortaleza em geral são fragmentados, principalmente quando os desloca-mentos são feitos em suas formas mais humanas, caminhando ou em bicicletas. A falta de continui-dade dos passeios e ciclofaixas tornam o trânsito de-sconfortávél e inseguro.

As calçadas no centro da cidade são dis-putadas por milhares de pessoas, ambulantes, postes da rede elétrica, lixo amontoado e publicidade

exag-erada. As fiações entre postes formam verdadeiros

engodos que escondem a beleza do céu claro fre-quente em quase todos os dias do ano.

As praças se encontram ilhadas entre vias com automóveis furiosos, estressados com trân-sito empacado e barulhento.

Nesse ambiente caótico e de clima aque-cido, se entende a pressa das pessoas, que parecem realmente não terem motivos, nem espaço algum que ofereça um repouso, uma contemplação, salvo alguma ou outra sombra debaixo de uma árvore que

se encontra pelas praças.

Grande parte do patrimônio cultural

ed-ificado que não foi destruído, está descaracterizado

por toldos, marquises de publicidade. A sinalização urbana é tímida, e toda diversidade cultural do bair-ro, parece minguar aos mais desavisados, diante de tão pouca informação.

O riacho Pajeú, que foi o marco de implan-tação da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, fazia paisagem junto ao forte Schoonenborch, hoje se encontra esquecido sob o concreto e misturado a esgotos, que terminaram - quase que por completo - toda sua vida e história. Desamparado, mal visto e mal cheiroso, segue canalizado as escondidas por debaixo do chão.

Sem nascente e sem foz, com dignidade de um recurso ambiental que se preze, apenas dois trechos do riacho correm em espaço público a céu aberto, no Paço Municipal e no Parque Pajeú, neste último, se encontra em estado bastante degradado.

Imaginar o riacho como uma continui-dade integrada a malha urbana, diante da realicontinui-dade atual, parece um sonho longínquo, que poderia ser uma das principais vias de interesse cultural, históri-co, ambiental e paisagístico da cidade, porém a ver-dade apresentada hoje, é um mostro subterrâneo e silencioso, que costuma se irritar em dias chuvosos.

embaixo

Fig. 07: Trecho no Parque Pajeú onde o riacho apresenta-se inter-rompido. Fonte: acervo pessoal.

ao lado

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Mapa 02: Situação fragmentada do Riacho Pajeu em Fortaleza.

trecho em parque

canal aberto (sem mata ciliar) canalizado (subterrâneo) barreira física

r Riacho Pajeњ:

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instituições isoladas.

De certa forma , Fortaleza ainda é car-ente em divulgações e receptividade de projetos artístico-culturais novos. Apesar do anseio pela

pro-dução ser enorme, a dificuldade é imensa, princi -palmente quando os repertórios não fazem parte do

roteiro previsto pelas mídias massificadoras.

Iniciativas como a construção de grandes equipamentos como o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e os CUCAS (Centro urbano de cultura,

arte, esporte e ciência) ainda se demonstram insufi -cientes a enorme demanda de projetos culturais na cidade.

A produção independente carece de pú-blico, apesar de uma população de 2,5 milhões de ha-bitantes. Os artistas precisam se unir, somar forças, romper os isolamentos para se encontrarem com a cidade e para fazerem surgir suas oportunidades.

O que se pode fazer de imediato para que contornar essa situação, seria primeiramente uma interligação desses centros produtores de cultura localizados dispersamente no território da cidade.

Um dos maiores exemplos dessa desar-ticulação é o centro Dragão do Mar de arte e cultura e a Biblioteca Municipal Menezes Pimentel. Situados um ao lado do outro, e sabendo que tal integração seria um grande complemento para as duas institu-ições, não se nota a mínima comunicação entre os dois. Uma solução que parece ter sido feita poste-riormente para a interligação física dos equipamen-tos, é inútil porque as portas por esse acesso estão sempre fechadas.

Equipamentos culturais em Fortaleza

A Prefeitura Municipal de Fortaleza

man-tém uma página na web, o Mapa da Cultura em For-taleza, que trás uma visão interessante para a cidade, que é de um sistema municipal de cultura. Nessa página estão mapeados 396 pontos de interesse cul-tural na cidade, dentre eles escolas, equipamentos, associações locais, paróquias, estúdios, praças etc. A proposta de colocar todos esses pontos em um mes-mo plano, de certa forma, potencializa a capacidade de envolvimento cultural do todo estreitando

inter-esses sociais afins.

Por outro lado, é necessário mais do que um simples mapeamento para que esse todo funci-one de maneira plena. A mobilidade urbana que per-mite de fato a interligação física entre dois pontos como estes na cidade é de real importância para que esse sistema municipal de cultura possa funcionar satisfatoriamente.

Fortaleza precisa de um profundo plane-jamento da integração desses espaços atores cul-turais com toda a cidade, de forma a funcionarem em sincronia. Por exemplo, os cronogramas serem ajustados com o horário das frotas de ônibus e met-ro, ou a criação de um bilhete único que podesse ga-rantir a programação em diferentes lugares. Assim estariamos falando de um todo cultural, não apenas

embaixo

Fig. 09: Endereço eletrônico: http://mapeamentofortaleza.org. br

ao lado

(27)
(28)

Registros e memórias

O curso d’água antigamente conheci-do como Rio Marajaik (o Riacho das Palmeiras), Rio Ipojuca, Rio da Telha, e ultimamente como Riacho Pajeú, foi o primeiro recurso hídrico usado no con-texto urbano da Fortaleza antiga e que possibilitou a

sua consolidação em meados do Século XVII. (SALES,

2007)

É interessante notar, que os demais cur-sos d’água em Fortaleza, como o Rio Ceará e o Rio Cocó, apresentam um longo desague em baixas al-titudes, o que provoca, em situações de maré alta, a mistura entre águas doces e salgadas, tornando im-próprias ao consumo direto humano. Já o riacho Pa-jeú possui um desnível alto que separa a maior parte do riacho das trocas de água em sua foz, o que certa-mente o tornou muito útil aos primeiros habitantes. Tanto que na parte mais alto do riacho, situava-se uma povoação de índios conhecida como aldeota.

Sobre o comando da Companhia Neer-landesa das Índias Ocidentais, foi erguido o Forte Schoonenborch a margem esquerda do riacho em 1649, durante a ocupação holandesa no Ceará, que viria a ser o embrião da cidade, e elemento modela-dor do núcleo urbano no Centro da cidade.

A cartografia encontrada sobre a anti -ga Fortaleza, demonstra que desde tempo remotos, havia uma visão de importância dada ao riacho pre-sente nos mapas desenhados, impondo certas alter-ações na malha regular, imposta por Adolfo Herbster,

ao final do Século XIX. Entretanto, o crescimento

urbano desordenado, ligado a interesses comerciais, foi ignorado a presença do Pajeú, fato que ocorreu de modo parecido em todas as grandes cidades do Brasil.

Riacho Pajeú

à esquerda, abaixo

Fig. 11: Mapa de Fortaleza de 1649, atribuído a Matias Beck. Fonte: http://fortalezaemfotos.blogspot. com.br

acima

Fig. 12: Fortaleza na década de 30, foz do Riacho Pajeú na praia For-moso. Fonte: http://fortalezaem-fotos.blogspot.com.br

abaixo

(29)

à esquerda, acima

Fig. 14: Planta de Fortaleza de 1813, por Silva Paulet. Fonte: http://for-talezaemfotos.blogspot.com.br

à esquerda, abaixo

Fig. 15: Planta de Fortaleza de 1859, por Adolfo Herbster. Fonte: http:// fortalezaemfatosefotos.blogspot. com.br

à diretita, abaixo

(30)

Situação atual

Como tantos recursos hídricos no con-texto das cidades brasileiras, o riacho Pajeú não

pos-sui mais seu leito natural, nem fauna ou flora. Essa situação é o reflexo do abandono e de incompetên -cias de uma cidade que não prezou pela beleza, nem pela importância de seus recursos naturais.

“cobertos e esquecidos, antigos cursos dágua ainda correm através da cidade, enterrados em grandes tubulações, canais primários de um sistema de drenagem subterrâneo. Seu ruído abafado pode ser ouvido sob as ruas após uma chuva pesada; eles são invisíveis, mas sua contribuição potencial às enchentes à jusante não é, todavia, diminuída, e sim, au-mentada.” (SPIRN,1996)

Apenas a parte do riacho que corre nos fundos da quadra do Paço Municipal do Palácio do Bispo, apresenta certa qualidade, mérito da ativi-dade de garis que fazem a limpeza diária do trecho. Em seguida o curso desagua num canal aberto que passa por trás do Mercado Central de Fortaleza, que se instalou estrangulando suas margens, sem nehu-ma proposta de integração ou um mínimo tratamen-to paisagístico, e contribuindo para acumular lixo novamente no córrego.

O Parque Pajeú é um trecho que corre nas quadras entre a Rua Pinto Madeira e Av. Dom Manuel, e fez parte das tentativas de urbanização do riacho na década de 80 pela Prefeitura de Fortaleza, e que hoje é mantido pelo Clube de Diretores Lojistas. As intervenções no curso do Riacho

foram iniciadas no Séc. XIX, segundo alguns escassos

registros, que indicam que a primeira canalização do riacho foi feita em 1918, pela antiga “Diretoria de Obras Públicas”. (fonte: Wikipédia.pt.org)

A Obra de canalização de maior destaque, o qual foi construído extensão de 3360 metros, foi re-alizada no inicio da década de 1980, contemplando a instalação do trecho do atual Parque Pajeú, que na verdade era parte de um projeto muito maior que nunca foi concretizado por completo.

A proposta original de sua transformação em um parque linear urbano, de 1979, feita pelo IPLAM/ Instituto de Planejamento

Mu-nicipal. que resgataria não só seu significati -vo percurso urbano, desde bairro da Aldeota ao Centro e daí até à Orla Marítima Central, como seu valor referencial como um dos

mais significativos elementos do patrimônio

histórico e paisagístico de nossa cidade, [...] nunca foi implantada em sua integridade. (SALES, 2007)

Nesse processo, o leito original foi

mod-ificado e o curso desviado, por conta da construção de grandes edificações de respeitável importância

econômica para a Fortaleza emergente da época, sob o antigo trajeto do Pajeú, como o Edifício do grupo comercial C. Rolim.

O Pajeú tem sua nascente (hoje aterrada) nas imediações das ruas Silva Paulet, José Vilar, Bár-bara de Alencar e Dona Alexandrina (SALES, 2007) e percorre aproximadamente 5km até sua foz, que era conhecida como Praia Formosa, mas que atualmente desagua dividindo espaço entre os galpões da da In-dústria Naval Cearence (INACE).

O riacho importante na história, que viu a cidade nascer, sofreu severas intervenções en-quanto a Fortaleza crescia. Hoje o Pajeú corre canal-izado e em outros locais, em canais abertos. Devido a poluição que este recebe, o seu odor é muito forte e indesejado. O Pajeú foi aos poucos foi sendo assassi-nado e esquecido, devido intervenções desastrosas, aterramentos, toneladas de lixo e esgotos clandes-tinos.

(31)

Apesar da grande área verde preservada e bem arborizada ao longo do Parque, em dias de chuva é enorme a quantidade de lixo trazida pelo ri-acho que se acumula no canal. A degradação social no Parque é alta pela falta de segurança e de uma diversidade de usos que consolidem a vida no am-biente, ainda que possua um encantador valor pais-agístico. Mais adiante nesse trabalho, será proposto uma intervenção na área e a criação de um novo eq-uipamento cultural no Parque.

O restante do Riacho Pajeú, segue em trechos canalizados, ou em canais abertos em pro-priedades de uso privado, como estacionamentos e terrenos baldios, aonde são despejados óleo de mo-tor e lixo de todo tipo. Passando escondido as vistas da sociedade sob galerias subterrâneas, o Riacho tor-na-se uma vítima fácil do desague de águas servidas de residências e estabelecimentos comerciais.

Exemplo inspirador

Fortaleza precisa resgatar o precioso valor desse riacho abandonado. A cidade cresceu e lhe descartou, como se não mais fosse necessário sua presença. Contudo, no caos hoje vivido, brota a certeza de que o riacho é peça fundamental para o bem estar dos cidadãos. Antes, o riacho foi quem possibilitou a vida dos habitantes, hoje, os cidadãos são quem pode possibilitar a vida do riacho nova-mente. Somente uma real mobilização social é ca-paz de reverter esse quadro tão difícil.

Quando o riacho Pajeú voltar a ser livre, de sua nascente até a foz, correndo água limpa car-regada de vida, será um tempo em que Fortaleza conviverá melhor com sua natureza e sua história. Haverão pessoas transitando com prazer pelas suas margens, respirando aliviadas, contemplando a paisagem pelo simples ato de saber, que foi uma atitude como essa, que deu razão e sentido para que toda a metrópole estivesse ali repousada.

O Riacho Pajeú não é um caso perdido, mas existe muito a ser feito para que seus caminhos sejam abertos novamente.

à esquerda, acima

Fig. 18: Fundos do Mercado Central de Fortaleza, o riacho Pajeú passa canalizado entre o murro de arri-mo e a lixeiras. Fonte: http://For-talezaemfatosefotos.blogspot.com. br/

à esquerda, abaixo

Fig. 19: Trecho do Pajeú no Parque das Esculturas, completamente poluído. Fonte: http://Fortale-zaemfatosefotos.blogspot.com.br/

à direita

Fig. 20: Parque Pajeú. Fonte: acervo pessoal.

Podemos exemplificar o Rio Cheonggye -cheon na Coréia do Sul, que antes do começo das obras de recuperação em 2003, era uma área total-mente degradada, um viaduto que cobria um canal totalmente poluído.

(32)

A recuperação do Rio Cheonggyecheon é

um projeto considerado uma referência mundial em humanização da cidade, não só pela despoluição das águas, mas pela construção de parques lineares que devolveram o contato das margens aos moradores.

à esquerda, acima

Fig. 21: Rio Cheonggyecheon an -tes da recuperação. Fonte: http:// ransportblog.co.nz/

ao centro

Fig. 22: Demolição do viaduto. Fon-te: http://preservenet.com

à esquerda, abaixo

Fig. 23: Rio Cheonggyecheon recu -perado. Fonte: http://sustainab-lecitiescolletive.com

à direita, acima

Fig. 24: Rio Cheonggyecheon re -cuperado. Fonte: http://inhabitat. com

à direita, abaixo

(33)
(34)

Princípios conectivos

Uma das características do mundo atual

é a exigência de fluidez para a circulação de idéias,

mensagens, produtos ou dinheiro. A técnica avança e propõe novos meios de circulação, cada vez mais rápidos. “A Fluidez é, ao mesmo tempo, uma cau-sa, uma condição e um resultado.” (SANTOS, 2008, p.274)

Do mesmo modo que não há um tempo global, único mas apenas um relógio mundial, tam-bém não há um espaço global, mas apenas, espaços da globalização, espaços mundializados reunidos por redes (SANTOS, 2008, p.333). Graças aos pro-gressos técnicos e ás formas atuais de realização da vida econômica, cada vez mais as redes são globais: redes produtivas, de comércio, de transporte, de in-formação.

As redes de conexão são em essência, a relação entre dois ou mais espaços através de uma infra-estrutura que permita certa transferência con-tínua de energia, material e informação. São estraté-gias em ação, que buscam o fortalecimento das par-tes de um sistema, interligando potencialidades, na

perspectiva de identificação com uma entidade de

maior abrangência.

As conexões se fazem de diversas manei-ras, direta ou indiretamente, perceptíveis ou não, há conexões físicas, visuais, virtuais, sociais, políticas

e etc. A identificação da rede depende das relação

e dos objetos envolvidos. Um plano para conexões estratégicas, deve reconhecer na espacialização da

estrutura, os fluxos operantes, bem como os limites

e as bordas dos grupos estabelecidos.

[…] A observação dos espaços de oportuni-dade projetual no caso de estudo revela que entre os espaços âncora, os cursos de água e suas respectivas margens representam os elementos de maior continuidade. Ao con-trario, as demais áreas compõe, em geral, um quadro especial muito fragmentado.(Tardin, 2008, p.176)

As continuidades, sobretudo dos es-paços conectados, podem favorecer a manutenção e o desenvolvimento dos elementos e processos naturais, e possiveis conexões perceptivas. A

identi-ficação prévia das prioridades de fluxo assim como

margens e limites já precisamente estabelecidos, fa-cilita o entendimento de possivéis novos caminhos do tipo de tratamento necessário nas sobreposições de tráfego.

Relativo à determinação das continuidades biofísicas, a atenção aos espaços protegidos, e aos que deveriam ser, e às respectivas con-tinuidades e desconcon-tinuidades existentes en-tre eles, pode indicar algumas direções para a eleição das superfícies livres que poderiam atuar como possíveis espaços conectores. (TARDIN, 2008, p.211)

Contudo, nas análises de percursos ur-banos em regiões densamente urbanizadas, como no caso em estudo, o Centro de Fortaleza, a

complex-idade de fluxos e operações parecem, em primeira

vista, extremamente caóticos. Porém depois de feit-as feit-as pontuações do que se propõe analisar, no cfeit-aso, os espaços de convívio público e equipamentos de

interesse cultural, fica mais fácil identificar dentre

as ligações que conectam esses espaços, alguns

acer-tos e interrupções conectivas no fluxo interno, que

apontassem a necessidade de desobstruções de con-tinuidades dentro do sistema.

Conexões estratégicas

(35)

Ligações estratégicas no Centro Histórico

Tendo em vista a problemática do isola-mento humano, e suas consequências nas diversas escalas individual e social, esse trabalho propõe para Fortaleza, a reestruturação de conexões de muitos tipos: conexões entre os focos de cultura da cidade, entre os espaços livres e públicos, e de relevância histórica, entre artistas e a sociedade; repensando a espacialização dos agrupamentos sociais integrada ao tecido urbano.

A partir das visitas ao local, foi constata-da que as praças são intrísecas nos percursos que ligam os equipamentos culturais, pelo aspecto con-vidativo que inclui novas pessoas ao circuito, e pelos aspectos qualitativos agregados aos trajetos.

Uma certa conexão visual já é inerente a alguns marcos na paisagem. As altas torres Catedral de Fortaleza, bem como as torres e cúpula pratea-da pratea-da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, podem ser

avistadas e facilmente identificadas de outros pon -tos, o que melhora a orientação no Centro.

Porém o que falta ao Centro Histórico de Fortaleza, é uma personalidade urbana marcan-te, que torne perceptivo um senso de lugar, e crie uma facilidade nos deslocamentos, não somente nas

orientações de possíveis direções a serem tomadas, mas também na própria estrutura física dos passei-os, que hoje apresentam-se, em sua maioria, deteri-orados e não-interligados.

Para instalação de um padrão paisagísti-co ao Centro históripaisagísti-co, se entende que primeira-mente é necessário eleger um conjunto de vias com prioridade de recuperação. A partir de então, levan-tada a necessidade, outras vias podem ser

engloba-das ao sistema, entendendo que essas modificações

funcionam como um organismo vivo que se espalha pela malha urbana agregando novos pontos.

De início, elegeu-se um conjunto de quatro avenidas de maior porte (Av. do Impera-dor, Duque de Caixias, Dom Manuel e Leste-Oeste) que formam um anel em volta do centro histórico, onde se propõe implantar o Padrão Paisagístico Tipo I, que objetivam proporcionar um melhor acesso e

distribuição de fluxos no setor cultural do centro

histórico.

Na rede de vias menores e locais, que interligam os equipamentos culturais e as praças, se implantaria o Padrão Paisagístico Tipo II, onde se-ria valorizado a circulação de pedestres onde se

ofereceriam atraves de sinalização específica, infor -mações que orintassem os percursos entre os atrati-vos culturais do Centro da cidade.

à esquerda

Fig. 25: Cúpula e torre da Igreja do sagrado coração de Jesus vistas a partir do parque pajeú. Fonte: acervo pessoal

ao centro

Fig. 26: Cúpula e torre da Igreja do sagrado coração de Jesus vistas a partir do Parque cidade da criança. Fonte: acervo pessoal

abaixo

(36)

Plano de Ações

Visando uma melhor apropriação das intervenções, o planejamento deste trabalho se dá em três diferentes etapas: Curto, Médio e Longo pra-zos, de forma que as intervenções possam evoluir numa lógica de sensibilização e amadurecimento das transformações.

Ações a Curto Prazo:

+ Implantação dos Padrões Paisagísticos I (ver PR2):

A reestruturação das avenidas prevê a demarcação dos passeios em Faixa de Acesso, Faixa Livre, Faixa de Serviços, Ciclofaixa, Pistas de rolamento e Canteiro central.

A Faixa de Acesso será um espaço de 60 centímetros de largura a partir do limite das

edi-ficações que servirá ao uso dos proprietários, para

que possam instalar pequenos totens de informação, jardineiras, apoios para marquises, desde que não atrapalhem o acesso aos estabelecimentos.

A Faixa Livre tem dimensões que podem variar, mas o tamanho médio segundo as análises das dimensões das vias será de 2,4 m, podendo em trechos mais estreitos atingir uma dimensão míni-ma de 1,5m. É destinada a exclusiva circulação de pe-destres, deve conter superfície contínua, totalmente livre de obstáculos, rampeada nos acessos e esquinas e com faixa de piso tátil para facilitar o trânsito de

portadores de deficiência visual.

A Faixa de Serviço possui 1 metro de lar-gura e situa-se entre a faixa Livre e a ciclofaixa. É destinada aos elementos de serviços e mobiliário urbanos como arborização, sinalização, iluminação, orelhões, lixeiras, etc.

As Ciclofaixas terão sentido único, com 1,2m de largura, em cada lado da via, colada as Faix-as de serviços e separada da pista de rolamento por tachões, deverão conter a devida sinalização hori-zontal para evitar que outros obstáculos possam a vir a ocupar a via que é exclusiva para ciclistas.

Quando houver pontos de ônibus, a

ci-clofaixa troca de posição ficando entre a faixa de

serviço e a faixa livre, passando na parte posterior

do ponto de ônibus, que ficará ao lado da pista de

rolamento.

As Pistas de Rolamento são destinadas ao trânsito de veículos, tem dimensão de 7 m (duas faixas em sentido único de 3,50m) em piso asfáltico, com uma faixa destinada a prioridade de transporte público.

Os canteiros centrais terão 1 metro de largura e serão destinado a arborização e iluminação urbanas.

+ Implantação do Padrão Paisagístico II (ver PR2)

As vias locais deverão ter o leito da via dividido em Faixa Livre, Faixa de Serviço e Pista de Rol-amento.

A Faixa Livre segue as mesmas orientações do Padrão Paisagístico I, porém com dimensão vari-ando entre 2m e 1,20 m.

A Faixa de Serviços segue as mesmas ori-entações do Padrão Paisagístico I.

A pista de rolamento terá dimensão de 7,6 m, duas faixas de 3,8m em sentido único, des-tinadas a circulação lenta de transporte público, e de abastecimento de cargas apenas em horários

não-comerciais de pouco fluxo. Será recomendada a

remoção da camada alfáltica existente com o objeti-vo de restaurar o piso de paralelepípido soterrado, implantado em todo Centro histórico no plano de Adolfo Herbster de 1888.

Tais intervenções visam estimular a im-plantação progressiva da prioridade de pedestres dentro no centro histórico da cidade, tornando os percursos mais agradávéis e convidativos.

+ Ações de sensibilização da importância ambiental do riacho Pajeú

Conjunto de ações que visem a recu-peração e preservação do Riacho Pajeú como um todo desde sua nascente até a foz. São essas ações que alimentarão o anseio popular para que o Pa-jeú tenha sua integridade respeitada e nos muitos casos relembrar a própria existência do riacho em trechos em que este passa desapercebido sob gale-rias subterrâneas.

(37)

dentre elas passeios, conversas e oficinas que contou

com a participação de diversos coletivos, moradores, artistas, comerciantes e intelectuais, que discutiam a implantação de um parque linear para o Rio Verde (hoje inteiramente canalizado) que resolvesse as constantes enchentes e agregasse valores ambien-tais ao bairro.

Esse tipo de ação é de fundamental im-portância para sensibilizar a população sobre as questões urbanas e a partir da mobilização tornar viável as intervenções futuras.

Ações a Médio Prazo:

+Expansão dos Padrões Pasagísticos (ver PR3)

Depois de consolidados os Padrões Pais-agísticos no Centro Histórico de Fortaleza, se prevê a expansão do circuito, agora conferindo

personal-idade urbana para outras regiões da cpersonal-idade, prin-cipalmente através da orla marítima em direção ao eixo turístico da Beira-Mar em sentido leste, e à Jacarecanga em sentido oeste (decorrente do enorme acervo patrimonial do bairro a ser incor-porado e a imensa demanda de atividades cul-turais na região) e em sentido sul, em direção ao bairro universitário Benfica.

+ Prolongamento da Av. do Imperador até a Av. Leste-Oeste (ver PR3)

O encontro das avenidas tem a intenção de fechar o circuito de Avenidas (Padrão Paisagísti-co Tipo I) para melhor distribuição e circulação pelo Centro Histórico.

É proposto que a interligação seja feita por um mergulhão (ver corte PR3) que passe sob os trilhos da estação João Felipe, e sob o bairro Moura Brasil, de forma a provocar impactos mínimos à co-munidade e evitar o cruzamento com a via férrea, aproveitando o desnível de 12 metros entre a aveni-da do Imperador e a av. Leste-Oeste.

+ Criação de novos focos de atração cultural (ver PR5)

Seguindo a proposta de expansão do cir-cuito cultural, outros pontos podem ser criados de preferência com intensão de recuperação de áreas degradadas.

acima

Fig. 28: Patrimônio material no bairro Jacarecanga carente de con-servação. Fonte: http://fortaleza-nobre.blogspot.com

à esquerda

Fig. 29: Divulgação do movimente Existe rio em SP. Fonte:

http://ri-oseruas.worldpress.com

abaixo

(38)

Esse trabalho, mais adiante, se aprofun-da no estudo na implantação de um equipamento artístico-cultural ( a Usina de Idéias), implantado as margens do riacho Pajeú, resgatando valores socio ambientais bastante desgastados na área. A proposta é um modelo de atitude que se busca na implantação dos outros pontos de cultura que possam surgir.

+ Recuperação ambiental (ver PR3)

Se pretende recuperar os trechos ao lon-go do riacho Pajeú que ainda correm a céu aberto dentro de propriedades de uso privado. Efetuada a desprivatização das áreas, restaria ao poder público a recuperação da mata ciliar e urbanização, sempre integrando as outras partes do Pajeú como forma de conferir uma continuidade ao riacho.

Ações a Longo Prazo:

+ Resgate da integridade ambiental do Pajeú (ver PR3)

Se pretende a total desobstrução do ria-cho da sua nascente até a foz, mesmo que este tenha que fazer algumas alterações no na direção do seu percurso. Se entende que o Pajeú como uma con-tinuidade integra atravessando o Centro Histórico , seria uma das principais vias paisagístico-culturais para Fortaleza.

A desobstrução da sua foz, demandaria a mudança da Indústria naval cearence (INACE) irá favorecer a criação de uma imensa esplanada de contemplação, com a paisagem e passagens livres, além de toda importância histórica de ser o berço da formação de Fortaleza.

A imagem acima mostra a antiga Praia Formosa, onde o riacho Pajeu desaguava. Hoje esse visual está obstruído por conta do Marina Park Ho-tel que está ai instalado e a faixa litorânea foi engol-ida pelo avanço do mar.

(39)

Padrão Paisagístico I

ANTES

DEPOIS

Padrão Paisagístico II

Retirada da fiação aérea e instalação de fiação subterrânea

(40)

1. Mapa diretório

Fica localizado próximo aos pontos de ônibus, em cada equipamento de interesse cultural, praças e parques. Tem a função principal de apre-sentar um mapeamento geral dos pontos de interes-se cultural da região, além de um panorama da pro-gramação cultural em destaque no circuito.

Para estimular os percursos, a propos-ta é uma sinalização que oriente os deslocamentos pelo centro histórico, informando direções, distân-cias e tempo gastos caminhando a pé entre um pon-to e outro.

acima

Fig. 32: Referência, sinalização para uma cidade caminhável. Pon-tevendra, Espanha. Fonte: http://

futurecapetown.com

à esquerda, acima

Fig. 33: Mapa Diretório em per-spectiva

à esquerda, abaixo

Fig. 34: Mapa Diretório em vista

(41)

2. Tótem sinalizador

Fica localizado próximo a entrada prin-cipal de cada equipamento de interesse cultural. Tem a função de atribuir uma unidade aos equipa-mentos do circuito, além oferecer informações so-bre o equipamento e sua programação.

3. Lixeiras

Ficarão localizadas nas faixas de serviço das vias a cada 50 metros. Sempre instalada em pares, para a separação do lixo orgânico e inorgâni-co. Executada em chapa metálica dobrada sendo o reservatório em chapa telada.

à direita, abaixo

Fig. 35: Tótem Sinalizador em vista

à esquerda, abaixo

Fig. 36: Conjunto de Lixeiras em vista

ao lado

Fig. 37: Conjunto de Lixeiras em perspectiva

285 cm

(42)

4. Iluminação

A iluminação das vias deve prever tipos de luz diferenciada para o passeio e pista de rola-mento. Nos passeios é requerida a presença de uma iluminação mais pontual, adequada ao uso e que evite a luminosidade excessiva. A pista de rolamento exige uma iluminação mais forte e direcionada.

Ainda que não conste na forma de de-senhos no projeto, seria bem vinda um tipo de

ilu-minação diferenciada para as edificações de interes -se histórico. O adequado -seria uma luz direcionada, com ângulos e tonalidades próprias, com objetivo de enfatizar as formas e valorizar a imponência dos ed-ifícios.

5. Ponto de ônibus

Localizados entre a ciclofaixa e a pista de rolamento, os pontos de ônibus serão ambientes cobertos com boa iluminação noturna que conten-ham informação sobre as linhas de ônibus e seus destinos.

Contará com um bicicletário vertical para 6 bicicletas, que estimule o transporte inter-modal no circuito. Em uma perspectiva de médio prazo o bicicletário pode ser usado como suporte a um sistema de bicicletas públicas.

acima

Fig. 38: Iluminação das Vias

ao centro

Fig. 39: Ponto de ônibus em per-spectiva

ao lado

Fig. 40: Ponto de ônibus em vista

285 cm

7 m

(43)
(44)

Histórico

O parque Pajeú localiza-se na porção sudeste do centro de Fortaleza, sendo limitado pelas vias Av. Dom Manuel e a Rua Pinto Madeira e cortado pela Rua Vinte e Cinco de Março.

O Parque Pajeú foi criado em 1982 pela prefeitura de Fortaleza, assegurando cerca de 15.335,00 metros quadrados ao longo do Riacho Pa-jeú, com a intenção de urbanizar o riacho inteira-mente entrelaçado na malha urbana da cidade.

No ano de 1997, a prefeitura estabeleceu um acordo com o Clube dos Diretores Lojistas (CDL) e vários artistas plásticos, que culminou na trans-formação do parque em uma área de exposição per-manente de escuturas, e assim, também passou a ser conhecido também como Parque das Escuturas.

Nesse momento do parque, foram colo-cadas 16 esculturas de renomados artistas cearenc-es. Com o passar do tempo várias obras sumiram da área do parque, algumas foram retiradas para

recu-peração e não voltaram para o Parque, muitas outras se deterioraram pela ação dos intempéries ou foram roubadas.

A falta de continuidade da urbanização do Parque Pajeú deixa a desejar, o que seria a esca-la ideal para ele, pois o que se concebe como “par-que”exige uma maior área de circulação e de relação com o meio envolvente. Assim, o Parque Pajeú perde sua identidade como tal, por não ser contínuo.

Há, por esses motivos, uma certa dificul -dade de integração com as áreas visinhas: quem pas-sa próximo, pouco ou nada pas-sabe se o que se vê é um parque ou uma mera área de circulação.

Parque Pajeú

à esquerda

Fig. 38: Foto aérea de 1954 com o Riacho pajeú, ainda sem o Parque, no canto esquerdo. Fonte: http:// fortalezaemfotos.blogspot.com.br

ao centro

Fig. 39: Implantação do Parque Pa-jeú. Fonte: http://fortalezanobre. blogspot.com.br

à direita

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Estrutura

A estrutura do parque conta com bancos, muitas árvores, pontes de travessia do riacho, siste-ma de iluminação, lixeiras e usiste-ma banca de jornais.

Os materiais utilizados, como o concreto dos bancos e o piso em ladrilho hidráulico, apesar de suas altas resistências, apresentam muitas falhas, demostrando a falta de revisões periódicas.

A iluminação dá-se por postes incoveni-entemente altos, que perdem a relação com a escala humana e perdem parte de sua capacidade barrada pela copa das árvores.

Próximo as esculturas, no chão, situ-am-se holofotes protegidos por gaiolas atualmente

depredados e com fiação exposta, não desempen -hando suas funções de valorização das obras e das árvores.

A distribuição dos elementos do espaço público segue a conformação orgânica do espaço,

sinuosa nos traços. Isso contribui para um deslum-bre distraído, que parece ser a convergência da for-ma com as intenções contemplativas.

A vegetação, devido a sua capacidade de tornar único os espaços, através de suas formas,

tex-turas, cores, volumes diversificados, desempenha

papel crucial para a caracterização da paisagem do parque. Bem conservada, com predominância de ár-vores de grande porte e gramíneas, a cobertura veg-etal, promove uma maior aprazibilidade pelo

som-breamento e pelo filtro que essa se torna aos ruídos

provenientes das vias adjacentes.

Os serviços de limpeza oferecidos pela CDL, garantem as áreas de circulação e jardins uma boa manutenção diária, porém sob o leito do ria-cho é frequente algum lixo, como sacolas e garrafas plásticas, depositados no canal nas proximidades do parque. Em dias de chuva a situação piora, pois a quantidade de lixo trazido pela água tende a ser muito maior entopindo as valas de drenagem.

à esquerda

Fig. 41 a 43: Situação atual das esculturas que ainda restam no Parque. Fonte: Acervo Pessoal

ao centro

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Atração/dispersão social

A localização é pouco convidativa e bas-tante restritiva, pois não há meios que suscitem aglomerações, como por exemplo espaços e ativi-dades voltadas ao lazer e/ou cultura, salvo esporáti-cas apresentações promovidas pela CDL.

O acesso ao parque através de transporte público é feito a partir da Av. Dom Manuel: nela há dois pontos de ônibus nos seus respectivos sentidos, facilitando o embarque e desembarque de visitantes.

A ausência de sinalizações que estimulem uma boa circulação, tanto no parque como em seu entorno, explica um pouco o desinteresse dos tran-seuntes em adentrar na área.

A presença da escola Alba Frota estreita uma agradável relação com o parque, pois a

exuber-ante flora possibilita um ótimo aprendizado as cri -anças, e facilita aos professores o desenvolvimento de programas de educação ambiental.

Percebe-se uma disposição dos lotes geminados ao Parque, que de modo geral (com ex-cessão da CDL) oferecem as costas para o parque.

Essa configuraçao torna o parque confinado entre

muros e contribui claramente para a falta de vitali-dade do espaço, uma vez que não existe um diálogo entre o parque e a vizinhança.

Em contra-partida, não há pontos atra-tivos que congreguem equipamentos direcionados

aos idosos ou portadores de deficiência motora, que

carecem de um desenho urbano especial para a loco-moção e acesso. Se não há um gerador de interesses para a terceira idade, tampouco se vê para jovens - não há no Parque sequer o convite ao repouso, senão à passagem, contribuindo para a não apropriação do espaço público.

A própria vizinhança convive pouco no parque, pela falta de atrativos e pelo aspecto de abandono. Existe um senso comum de certa insegu-rança que atinge tensão maior nos trechos habitados por moradores de rua.

Há ainda lotes e edifícios em abandono

que agravam a situação de confinamento do parque.

Junto ao prédio do Arquivo Municipal, foram agre-gados outras muitas contruções que tonam-se bar-reiras na apreenção da arquitetura do prédio de valor histórico, e também barreiras a circulação e visualização do Parque Pajeú.

à esquerda

Fig. 49: Escola Alba Frota. Fonte: Acervo Pessoal

à direita, acima

Fig. 50: Limites do Parque Pajeú, muros de fundos e degradação. Fonte: Acervo Pessoal

à direita, centro

Fig. 51: Arquivo Público, um cerco de muros impede a apreensão do edifício. Fonte: Acervo Pessoal

à direita, abaixo

(48)

No parque, próximo a Av. Dom Manuel, encontra-se uma estação elevatória de esgotos da CAGECE, que cria um impacto tremendamente

neg-ativo por conta dos fortes odores liberados, que fin -dam por repelir os transeutes em um dos acessos ao Parque.

A estação cumpre uma importante função de bombear os esgotos acumulado nas cotas mais baixas, de caimento para o riacho, para locais

mais altos, de forma a seguir o seu livre fluxo em

direção as estações de tratamento. Porém é ques-tionável sua localização numa área de circuito de pessoas, e o tratamento externo que esta recebe tendo em vista o convívio humano dentro de um parque.

Entorno

Nas proximidades do parque, muitas ti-pologias de residências conjugadas resguardam um certo valor histórico inerente ao bairro.

A história presente nas alvenarias, é importante não apenas pelos detalhes das facha-das e suas caraterísticas construtivas. O registro ar-quitetônico é uma amostra do espaço vivencial que conferiu o contexto ambiental a sociedade em deter-minado período, e existindo como elemento

históri-co, apresenta o significado e evidência da existência

atual no espaço social.

Infelizmente, interesses econômicos no bairro têm ignorado esses valores patrimoniais iner-entes a paisagem de suas ruas. Os proprietários do solo, vêm descaracterizando e destruindo várias tip-ologias para construção de pisos para estacionamen-to, ou quaquer outro tipo de negócio que promova certa rentabilidade.

A descaracterização das edificações por

toldos e placas de publicidade em excesso também é uma constante. Nas áreas de comércio mais inten-so, somente uma atividade de garimpo especializado

consegue identificar dentre tanta poluição visual,

alguns tesouros da história de Fortaleza.

à esquerda

Fig. 52: Estação elevatória da CAGECE no Parque Pajeú. Fonte: Acervo Pessoal

à direita, acima

Fig. 53: Residências na Rua Vinte e Cinco de Março. Fonte: Acervo Pessoal

abaixo

(49)

O entorno do Parque Pajeú também se encontra muitas instituições, como faculdades, bancos, o Tribunal de Contas do Estado, a Secretaria Municipal de Finanças, a Bolsa Brasileira de Merca-doris, mostrando que a região ainda é um

impor-tante setor financeiro na cidade.

Ao longo da rua Governador Sampaio, a presença de um Comércio atacadista predominante estabelece uma forte barreira aos possíveis usuários que frequentam o centro da cidade, mais ao norte. Esse corredor comercial gera um tráfego de veículos pesados que parasitam a via e contribui para o

con-finamento visual do parque.

Será justo todo esse valor de identidade escapar da sociedade em troca de certo potencial econômico e/ou imobiliário? Não há como os inter-esses serem balanceados, conciliando o interesse co-mum dos cidadãos, gerando um saldo positivo para sociedade como um todo?

à esquerda, acima

Fig. 55: Demolição de tipologias para estacionamentos, próximo ao Parque Pajeú. Fonte: Acervo Pes-soal

à esquerda, abaixo

Fig. 56: Demolição de tipologias para estacionamentos, próximo ao Parque Pajeú. Fonte: Acervo Pes-soal

à direita

Fig. 58: Caminhões estacionados na rua Governador Sampaio. Fonte: Acervo Pessoal

A valorização do potencial cultural do bairro pode reverter esse quadro. O incentivo a

Referências

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