Processo
302684/11.6YIPRT- A.L1.S2
Data do documento
5 de maio de 2020
Relator
António Magalhães
SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA | CÍVEL
Acórdão
DESCRITORES
Remanescente da taxa de justiça > Extemporaneidade > Conta de custas > Trânsito em julgado > Revista excepcional > Revista excecional > Oposição de julgados
SUMÁRIO
p style="text-align:justify">É extemporâneo o pedido de dispensa de pagamento da taxa de justiça remanescente apresentado pela (s) parte (s) após a elaboração da conta de custas.
TEXTO INTEGRAL Revista n.º 302684/11.6YIPRT-A.L1.S2
Acordam na 1.ª Secção Cível do Supremo Tribunal de Justiça:
*
COGEDIR - Gestão de Projetos, S.A. intentou processo de injunção que foi
convolado em acção declarativa com processo comum contra AA, pedindo a condenação deste a pagar-lhe a quantia total de Euros 529.509,43, a título de capital, juros de mora e taxa de justiça.
A acção foi decidida por acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, notificado em 30 de Janeiro de 2017, e transitou em julgado no dia 10 de Março seguinte.
A conta de custas foi elaborada e notificada às partes em 22 de Setembro de 2017.
Autora e réu requereram, de comum acordo, a dispensa do pagamento do remanescente da taxa de justiça, de acordo com o disposto no n° 7 do art.° 6°
do Regulamento das Custas Processuais, vindo o tribunal recorrido a indeferir o requerido por extemporâneo.
Não se conformando com esta decisão, a autora apresentou recurso de apelação, em que pediu a revogação da decisão e que se desse sem efeito a conta de custas elaborada, dispensando-se a mesma do pagamento do remanescente da taxa de justiça, mas a Relação julgou a apelação improcedente mantendo a decisão recorrida, por ter entendido que: :” I- A reclamação da conta apenas deve ter lugar no caso de erro de cálculo ou na determinação da pessoa dos responsáveis, mas já não pode incidir sobre a não dispensa da taxa, pois não constitui um erro do contador a ser dirimido pelo juiz. II - Não é assim admissível, por manifestamente extemporâneo, o requerimento formulado pelas partes para dispensa de pagamento do remanescente da taxa, após a elaboração da conta. ”
Novamente inconformada recorreu a autora de revista excepcional, com fundamento no disposto nas als a) e c) do art. 672 do CPC.
Submetida à formação, admitiu esta a revista excepcional com fundamento na al. c) do nº 1 art. 672 do CPC, uma vez que o acórdão-fundamento do STJ de 12.10.2017, entende, ao invés do recorrido, que o pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça devida não é intempestivo “pois nada na lei obsta que as partes, após a elaboração da conta e face ao montante fixado para pagamento, possam requerer ao juiz a reforma da conta tendo em vista a dispensa do pagamento do remanescente do pagamento da taxa de justiça.”
As alegações do recurso de revista mostram-se rematadas com as seguintes conclusões:
“I. Efectivamente, a decisão que ora se recorre é nula por omissão de pronúncia, nos termos da l.a parte da al. d) do n.° 1 do art. 615.° do CPCiv.
porquanto não se pronuncia sobre a questão levantada pelo Recorrente nos pontos XXIII a XXV do seu recurso e que se prende com o não cumprimento do disposto no artigo 14.°, n.° 9 do RCP, que prevê que o responsável deve ser notificado para efectuar o referido pagamento, no prazo de 10 dias a contar da notificação da decisão que ponha termo ao processo.
II. Ora, fazendo parte do objecto de recurso, deixou o Tribunal de se pronunciar sobre questões que devia apreciar, não decidindo sobre todas as questões que a parte submeteu à sua apreciação, sem qualquer fundamento.
III. Atendendo a que não houve lugar a notificação para pagamento nos termos do n.° 9, do artigo 14.°, do RCP, estamos assim perante uma nulidade processual, conforme o disposto no 195.°, n.° 1 do CPC, por preterição de um acto que a lei prevê.
IV. Ora, o Acórdão de que se recorre é totalmente omisso quanto a esta questão, pelo que se conclui que está ferido de nulidade, por omissão de pronúncia, o que, desde já se requer.
V. Caso assim não se entenda, sempre deverá ser dada sem efeito a conta elaborada devendo antes de mais o Tribunal de l.a Instância proceder à notificação das partes, a que alude o artigo 14.°, n.° 9 do RCP, assistindo na sua sequência aos mesmos, no exercício do contraditório, o que tiverem por conveniente, nomeadamente à luz do disposto na 2.a parte do n.° 7, do artigo 6.° do RCP após o que procederá a Meritíssima Juiz a quo à prolação do referido despacho nos termos do referido normativo, devidamente fundamentada, conforme é entendimento do Tribunal da Relação de Coimbra, no seu Acórdão de 03-12-2013 (Processo n.° 1394/09.8TBCBR.Cl), in www.dgsi.pt.
Sem prescindir,
VI. Não pode o Tribunal substituir-se ao legislador não cumprindo com o preceito legal vigente de notificar o responsável pelo impulso processual e na situação em que tenha de pagar o remanescente não sendo condenado a final, neste caso o Réu.
VII. Daí a relevância jurídica da interpretação (e cumprimento) do n.° 9 do artigo 14.° do RCP para a boa aplicação do direito e salvaguarda dos direitos, da segurança, certeza jurídica e da tutela jurisdicional efectiva constitucionalmente consagrados (artigo 672.°, n.° 1, alínea a) do CPC).
VIII. Face ao exposto, afigura-se deveras crucial a análise do preceito em causa e o verdadeiro cumprimento, bem como, as respectivas consequências com vista a boa aplicação do direito e de forma clara e transparente em todos os
tribunais.
IX. Pois que, e salvo melhor entendimento, afigura-se que só com a elaboração conta é que pode ser requerida a dispensa ou a redução do remanescente da taxa de justiça.
X. No caso em apreço, a única decisão que transitou em julgado foi a condenação em custas, concretamente quem é o responsável pelo seu pagamento, nada tendo ficado decidido sobre o que aqui está em causa, pelo que não há que chamar à colação qualquer decisão com trânsito em julgado.
XI. Assim sendo, numa interpretação conforme à Constituição, o n.° 7, do artigo 6.° do RCP deve ser entendida como permitindo a formulação por parte de requerimento a solicitar a dispensa do pagamento do remanescente de taxa de justiça mesmo depois da elaboração da conta de custas, conforme Acórdão da Relação de Lisboa de 21-02-2017, in www.dqsi.pt.
XII. Ora, conforme é referido no Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça no seu Acórdão de 14-02-2017 (Processo n.° 1105/13.3T2SNT.L1.S1) "o legislador deixou, em absoluto, ao intérprete a fixação o momento até ao qual pode ser requerida a mencionada dispensa", acrescentando que "tudo gera no cidadão comum que tenha de lidar com esta situação uma injustificada insegurança que só a intervenção deste Supremo Tribunal pode afastar ou pelo menos, atenuar."
XIII. Analisando o caso em concreto supra descrito e o entendimento aliás sufragado nos Acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça de 29-09-2016 (Relator Senhor Juiz Conselheiro Orlando Afonso), revista n.° 581/07.8TBTVR.E1.S1, 02- 02-2017 (Relator Senhor Juiz Conselheiro Távora Victor) revista n.°
65/12.2TBCS.C1.S1 e de 14-02-2017 (Relator Senhor Juiz Conselheiro Júlio
Gomes) revista n.° 1105/13.3T2SNT.L2.S1.; Acórdão da Relação de Lisboa de 03-12-2013 proferido no processo 1586/08.7TCLRS.L2 e Acórdão da Relação de Lisboa de 20.05.2010 proferido no processo 491/05, ambos em www.dqsi.pt afigura-se a necessidade da presente questão ser devidamente apreciada pela sua relevância jurídica na boa aplicação do direito e os Tribunais interpretarem todos de uma forma justa e equitativa os mesmos diferendos.
XIV. Não se pode aqui descurar os princípios gerais da Segurança, Certeza Jurídica e da Tutela jurisdicional efectiva que têm de ser obrigatoriamente respeitados por todas as Instâncias judiciais e que a mesma deverá ser sempre apreciada nos termos do artigo 672.°, n.° 1, alínea a) pela sua relevância jurídica necessária para uma melhor aplicação do direito, como é entendimento do Supremo Tribunal de Justiça no seu Acórdão de 12-01-2016, Processo n,°
7189/13.7TBCSC.S1, de 7 de Abril de 2016, de 15-09-2016 Processo n.°
5833/09.0TBCSC.L1.S1, in www.dqsi.pt.
Caso assim não se entenda, sempre se dirá
XXXVII. O Douto Acórdão proferido nos presentes autos encontra-se em manifesta contradição, tendo resultado em decisões absolutamente opostas, com o Acórdão Supremo Tribunal de Justiça, de 12.10.2017 proferido nos autos de processo 3863/12.3TBSTS - C-P1-S2, processo que analisa, em concreto, a oportunidade da dispensa do pagamento do remanescente da taxa de justiça a considerar na conta final, ou seja, a mesma situação referente ao despacho proferido na acção ordinária n.° 302684/11.6YIPRT do Juízo Central Cível - Juiz 1 e igual posição sufragada pelo Tribunal da Relação de Lisboa.
XXXVIII. Trata-se, sucintamente, nesta parte de saber se o pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça devida, pode ser realizado após a
elaboração da conta de custas.
XXXIX. No douto Acórdão da Relação de Lisboa, entendeu- se que "I. A reclamação da conta apenas deve ter lugar no caso de erro de cálculo ou na determinação da pessoa dos responsáveis, mas já não pode incidir sobre a não dispensa da taxa, pois não constitui um erro do contador a ser dirimido pelo juiz. " e
"II. Não é assim admissível por manifestamente extemporâneo, o requerimento formulado pelas partes para dispensa de pagamento do remanescente da taxa, após a elaboração da conta."
XL. Já o Supremo Tribunal de Justiça, no Acórdão de 12.10.2017 proferido nos autos de processo 3863/13.3TBSTS - C - P1.S2 - Acórdão fundamento, em que se discute e analisa precisamente a mesma questão de direito, entendeu-se que, na situação vertente, o artigo 6.°, n.° 7 do Regulamento das Custas Processuais contém um comando dirigido ao juiz no sentido de, oficiosamente e em conformidade com os pressupostos legais, poder dispensar o pagamento do remanescente da taxa de justiça a considerar na conta final; não contém o preceito nenhum comando exigindo às partes que, antes da elaboração da conta, se lhes imponha em quaisquer circunstâncias requerer a dispensa.
XLI. Na verdade, nada na lei obsta que as partes, após a elaboração da conta e face ao montante fixado para pagamento, possam requerer ao juiz a reforma da conta tendo em vista a dispensa do pagamento do remanescente da taxa de justiça.
XLII. Entendimento aliás sufragado nos Acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça de 29-09-2016 (Relator Senhor Juiz Conselheiro Orlando Afonso), revista n.°
581/07.8TBTVR.E1.S1, 02-02-2017 (Relator Senhor Juiz Conselheiro Távora Victor) revista n.° 65/12.2TBCS.C1.S1 e de 14-02-2017 (Relator Senhor Juiz Conselheiro Júlio Gomes) revista n.° 1105/13.3T2SNT.L2.S1; Acórdão da Relação de Lisboa de 03-12-2013 proferido no processo 1586/08.7TCLRS.L2 e Acórdão da Relação de Lisboa de 20.05.2010 proferido no processo 491/05, ambos em www.dasi.pt.
XLIII. Os aspectos da identidade da contradição alegada entre o Acórdão de que ora se recorre e o Acórdão fundamento são os seguintes:
A) Se o pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça pode ser requerido após a elaboração da conta de custas.
B) Se o pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça pode ser requerido, nomeadamente, através da reclamação da conta de custas.
XLIV. O Acórdão ora recorrido considera que a reclamação da conta apenas deve ter lugar no caso de erro de cálculo ou na determinação da pessoa dos responsáveis, mas já não pode incidir sobre a não dispensa da taxa, pois não constitui um erro do contador a ser dirimido pelo juiz e ainda que não é admissível, por manifestamente extemporâneo, o requerimento formulado pelas partes para dispensa do remanescente da taxa, após a elaboração da conta.
XLV. outro lado, o Acórdão-fundamento refere que do artigo 6.°, n.° 7 não é exigido às partes que, antes da elaboração da conta, se lhes imponha e quaisquer circunstâncias requerer a dispensa e que as partes não estão impedidas de requerer a dispensa com a notificação da conta, que essa sim, fixa o valor a pagar, designadamente quando apenas com a conta se fixa a
base tributável em valor diverso do atribuído à causa pelos interessados.
Do caso em concreto:
XLVI. Efectivamente, a Autora e Réu só tiveram conhecimento que iria ser cobrado o remanescente da Taxa de Justiça, quando foi remetida a conta de custas, a qual só foi notificada em 22 de Setembro de 2017.
XLVII. No entanto, só a 19 de Outubro de 2017 é que a Autora teve conhecimento que lhe iriam ser reclamadas custas de parte no valor de € 15.732,99,
uma vez que o douto despacho proferido nessa data concedeu ao Réu prazo para actualizar a nota de custas de parte face ao remanescente da taxa de justiça que lhe ira ser cobrado.
XLVIII. Nesse seguimento e, voltando-se a frisar, como se preenchia os pressupostos da dispensa do remanescente da taxa de justiça previstos no n.° 6 do artigo 7.° do Regulamento das Custas Processuais e na verdade a Meritíssima Juiz não se havia pronunciado oficiosamente pela referida dispensa.
XLIX. Remeteram as partes em 10 de Novembro de 2017 um requerimento em conjunto a requerer a referida dispensa e estavam em tempo de o fazer e tal pedido deveria ter sido apreciado pelo Tribunal.
L. Acresce ainda, o Réu havia reclamado da elaboração da conta em 6 de Outubro de 2017 e a Autora mais uma vez não tinha conhecimento nem julgava que lhe fosse imputado o valor do remanescente da taxa de justiça, acrescido das custas de parte no montante aproximado de € 20.732,00 (cujo valor inclui a
devolução do valor devido pelo pagamento do remanescente da taxa de justiça acrescido de igual montante a título de honorários ao mandatário do Réu).
LI. Atendendo a que o Réu havia reclamado da elaboração da conta estavam as partes em tempo para pedir a referida dispensa do remanescente da taxa de justiça.
Deste modo,
LII. Entende a aqui Recorrente que o pedido de dispensa de taxa de justiça foi apresentado tempestivamente, uma vez que só a partir da notificação do despacho proferido a 19 de Outubro concretizado a 8 de Novembro de 2017 é que o Réu teve conhecimento que lhe iria ser cobrado o valor devido pelo remanescente da taxa de justiça.
LIII. E caso fosse concedido o pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça o mesmo aproveitaria ambas as partes.
LIV. Deste modo, é de considerar que o pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça foi apresentado tempestivamente e deverá ser apreciado pelo Tribunal de l.a Instância.
LV. Verificando-se, assim uma clara contradição do Acórdão da Relação de que se recorre e o Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 12-10-2017,pois enquanto no primeiro é defendido que o pedido da dispensa do remanescente da taxa de justiça só pode ser requerida até à elaboração da sentença o segundo defende que pode o pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça ser requerido após a elaboração da conta de custas.
LVI. Devendo V. Exas. ordenar a baixa à l.a Instância para a mesma se pronunciar sobre o pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça.
Por último,
LVII. Efectivamente, o Acórdão da Relação de Lisboa de que se recorre pronuncia-se sobre a dispensa do remanescente da taxa de justiça mencionando que a presente acção envolveu despacho saneador, com pronúncia sobre diversas exceções suscitadas, a realização da prova pericial em sede de instrução, e julgamento com três sessões, que foi objecto de reexame pelo Tribunal de segunda instância, não estando consequentemente em causa um processo de manifesta simplicidade, que tenha findado após os articulados após transacção, ou falta de oposição da Ré ou qualquer outra circunstância superveniente que motivasse o desfecho imediato da lide.
LVIII. No entanto, não pode a Recorrente concordar com a Relação de Lisboa no que diz respeito de que não se verifica os pressupostos para a dispensa do remanescente da taxa de justiça prevista no artigo 6.°, n.° 7 do RCP, pois tal não corresponde à verdade.
LIX. Isto porque, salvo melhor entendimento os presentes autos não revestem uma excepcional complexidade assim como a conduta das partes foi sempre colaborante.
Senão vejamos,
LX. Os presentes autos em si não se encontram dotados de uma especial complexidade pois, como resulta do Despacho Saneador de fls.__ o que estava em causa era saber, por um lado, se a Autora e o Réu contrataram os trabalhos
nos termos alegados e, se esta os realizou de acordo com o acordado e, bem assim, se o Réu pagou o respectivo preço.
LXI. Pelo que, os autos em causa assumiram, na humilde opinião da ora Recorrente uma simplicidade e uma normalidade comum nestas situações de cobrança de dívidas, em suma, apurar se é devida alguma quantia à Autora no âmbito de um contrato de prestação de serviços.
Tanto assim é que,
LXII. A perícia que existiu foi somente à letra e à assinatura constante do contrato de prestação de serviços, o Julgamento decorreu em apenas 3 sessões (as quais perfizeram aproximadamente 5h e 30 minutos) e a própria Sentença, atenta a natureza e a complexidade da questão em crise, foi sintética e pouco extensa, composta por nove páginas, justamente por estarem em causa factos simples e de fácil análise e julgamento, e consequentemente, de uma prolação de decisão.
A isto acresce que,
LXIII. Atendendo a que as partes foram cordiais, respeitadoras e os trabalhos andaram sempre de forma contínua e célere, à simplicidade dos autos e aos montantes em causa julga-se que será de dispensar o pagamento do valor devido como custas a final, nos termos do disposto no n.° 7, do artigo 6.° do RCP.
Posto isto,
LXIV. O Tribunal da Relação de Lisboa no acórdão de que se recorre violou,
entre outras e com o douto suprimento desse Venerando Tribunal, os arts. 615.
°, n.° 1 al. d), 666.° e 674.°, n.° 1, alínea c) e artigo 14.°, n.° 9 do RCP.
LXV. Caso assim não se entenda deverá esse Tribunal pronunciar-se sobre a oportunidade/prazo desse pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça para o cidadão comum estar ciente e conhecer verdadeiramente a posição dos tribunais quanto à interpretação do disposto no artigo 6.°, n.° 7, revestindo assim
esta causa um interesse de especial relevância jurídica e de boa aplicação do direito (artigo 672.°, n.° 1, alínea a) do CPC).
Ainda que assim não se entenda,
LXVI. Atento o supra exposto, deve este tribunal concluir - tal como concluiu o Acórdão fundamento - o pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça deveria ter sido admitido e consequentemente, a l,a Instância pronunciar- se sobre o mérito do mesmo (artigo 672.°, n.° 1, alínea c) do CPC).
LXVII. E por último, deverão V. Exas. decidir que a causa preenche os pressupostos da dispensa do remanescente da taxa de justiça, e deverá então ser dispensado o seu pagamento, uma vez que se verifica um erro na aplicação da norma em causa (artigos 7.°, n.° 6 do RCP e 674.°, n.° 1, alínea a) do CPC).
Pede, a terminar, a revogação da decisão recorrida.
Colhidos os vistos legais, cumpre decidir:
A matéria de facto dada como provada é a seguinte:
1. O douto acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa que pôs termo à acção foi notificado em 30 de Janeiro de 2017, tendo transitado em julgado no dia 10 de Março seguinte.
2. Por requerimento de 15 de Fevereiro de 2017 o réu juntou nota discriminativa de custas de parte.
3. Em 1 de Março seguinte a autora deduziu reclamação contra essa nota, a que o réu respondeu em 13 de Março.
4. Por despacho de 30 de Junho de 2017, notificado às partes em 13 de Julho seguinte, determinou-se a elaboração de conta de custas a fim de se determinar o valor efectivamente suportado pelo réu com a produção da prova pericial.
5. A conta de custas foi elaborada e notificada às partes em 22 de Setembro de 2017.
6. A autora requereu, em 4 de Outubro de 2017, o pagamento das custas por si devidas em prestações.
7. Por requerimento de 6 de Outubro de 2017 o réu veio reclamar da elaboração da conta.
8., Por despachos de 19 de Outubro seguinte decidiu -se a reclamação da nota de custas de parte, indeferiu-se a reclamação da conta, concedeu-se ao réu prazo para actualizar a nota de custas de parte face ao remanescente da taxa de justiça que lhe ia ser cobrado e autorizou-se o pagamento das custas
devidas pela autora em prestações.
9. Por requerimento conjunto, de 10.11.2017, autora e réu vieram requerer a dispensa do pagamento do remanescente da taxa de justiça.
10. O tribunal recorrido indeferiu a pretensão, por extemporânea, nos seguintes moldes:
«De acordo com o preceituado no nº 1 do artº 6° do Regulamento das Custas Processuais a taxa de justiça corresponde ao montante devido pelo impulso processual do interessado e é fixada em função do valor e da complexidade da causa.
Dispõe o nº 7 do mesmo artigo: "Nas causas de valor superior a (euro) 275 000, o remanescente da taxa de justiça é considerado na conta a final, salvo se a especificidade da situação o justificar e o juiz de forma fundamentada, atendendo designadamente à complexidade da causa e à conduta processual das partes, dispensar o pagamento ".
Assim, no momento legalmente definido para o pagamento da taxa de justiça, cada parte deve liquidá-la tendo por referência uma acção com um valor não superior a Euros 275.000,00. Se o tribunal não determinar oficiosamente a dispensa da taxa remanescente nem as partes o requererem, deverão estas pagar a final esse remanescente que lhes será liquidado na conta final.
Materialmente, a previsão legal da dispensa visa flexibilizar a rigidez da responsabilidade tributária, que é definida por lei exclusivamente em função do valor da causa, afeiçoando-a aos critérios da razoabilidade, proporcionalidade e adequação.
Essa conformação é uma exigência constitucional de salvaguarda do direito de acesso à justiça consagrado no artº 20º, n2 1 da Constituição da República Portuguesa.
No acórdão nº 421/2013 o Tribunal Constitucional decidiu "Julgar inconstitucionais, por violação do direito de acesso aos tribunais, consagrado no artigo 20.° da Constituição, conjugado com o princípio da proporcionalidade, decorrente dos artigos 2.° e 18.º, n.º 2, segunda parte, da Constituição, as normas contidas nos artigos 6.º e 11.º, conjugadas com a tabela I -A anexa, do Regulamento das Custas Processuais, na redação introduzida pelo DL 52/2011, de 13 de abril, quando interpretadas no sentido de que o montante da taxa de justiça é definido em função do valor da ação sem qualquer limite máximo, não se permitindo ao tribunal que reduza o montante da taxa de justiça devida no caso concreto, tendo em conta, designadamente, a complexidade do processo e o caráter manifestamente desproporcional do montante exigido a esse título "
(Relator Conselheiro Carlos Cadilha, in pt).
A actividade conformadora do juiz na aplicação do disposto naquele normativo não terá que importar necessariamente a dispensa total do pagamento do remanescente da taxa de justiça, podendo cingir-se a uma dispensa apenas parcial (nesse sentido, Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 12 de Dezembro de 2013, Relator Conselheiro Lopes do Rego, in www.dgsipt).
Processualmente, questiona-se até quando podem as partes requerer a dispensa da taxa de justiça prevista no nº 7 do arº2 6º do Regulamento das Custas Processuais, não sendo os entendimentos sobre essa questão uniformes.
Assim, enquanto para parte da jurisprudência dos tribunais superiores mesmo
depois de elaborada a conta final o interessado está em tempo de usar a faculdade de requerer a dispensa prevista no nº 7 acima citado, para outra corrente, esse requerimento deve ser apresentado, sob pena de preclusão, até elaboração da referida conta (exemplificativamente, no primeiro sentido, cfr.
Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra, proc. n.º 1394/09.8TBCBR.C1 de 03-12-2013, Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, proc. n.2 7973 - 08.3TCLRS-A.L1-6, de 14-01-2016 e Acórdão do Tribunal da Relação de Évora proc. 3264/03.4 TBPTMA. El de 02-06-2016; no segundo, os Acórdãos do Tribunal da Relação de Lisboa de 15 de Outubro de 2015, Relator Desembargador António Martins, de 19 de Maio de 2016, Relatora Desembargador a Ondina Carmo Alves e de 22 de Junho de 2016, Relatora Desembargadora Carla Mendes, in www.dgsipt).
Por princípio a prática de actos processuais, incluindo dos previstos no Regulamento das Custas Processuais, está sujeita a prazos.
Esses prazos têm a natureza preclusiva prevista no nº 3 do artº 139º do Código de Processo Civil, disciplinam o processo, permitem o avanço da tramitação até à almejada decisão final e constituem uma segurança para as partes quanto à forma como devem ser actuados os seus ditados.
Conforme resulta do disposto no nº 1 do artº 29º do Regulamento das Custas Processuais a conta de custas é elaborada pela secretaria do tribunal que funcionou em V. instância no prazo de 10 dias após o trânsito em julgado da decisão final.
Essa conta deve ser elaborada de acordo com o julgado em última instância e abranger as custas da acção, dos incidentes e dos recursos - n° 1 do art° 30° do Regulamento das Custas Processuais.
Se assim não suceder, ou seja, se a conta não obedecer ao julgado, contiver erros de cálculo ou violar disposições legais, dela cabe reclamação nos termos do n° 2 do art° 31° do Regulamento das Custas Processuais.
Não constitui, por contraponto, fundamento da reclamação contra a conta de custas, a pretensão de dispensa do remanescente da taxa de justiça em análise, o que se compreende, pois essa dispensa não depende do contador, mas de despacho judicial, eventualmente a pedido da parte.
Sufraga-se, assim, a primeira proposição da segunda das teses jurisprudenciais acima enunciadas, segundo a qual a reclamação contra a conta de custas é um meio impróprio ou inadequado para o fim pretendido pela requerente.
Qual seja o meio próprio, acompanha-se igualmente a mesma tese - ele é o recurso, quando couber recurso da decisão ou a reforma da mesma decisão quanto a custas, nos termos dos artgs 616°, nºs 1 e 3 do Código de Processo Civil.
Assim, como se escreveu no Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa de 22 de Junho de 2016:
"Na verdade, a parte, notificada da decisão que põe termo ao processo, está em condições, por dispor de todos os elementos necessários - complexidade da causa, quantidade dos actos e diligências praticadas pelo tribunal - para solicitar o não pagamento do remanescente da taxa de justiça, uma vez que sabe, de antemão, qual a taxa de justiça que será devida e incluída na conta de custas, uma vez que tal taxa de justiça tem necessariamente por referência o valor da acção e a tabela I-A anexa ao RCP - cfr. arts. 6/1 e Z 14/9, 30 RCP e 9
CC.
Acresce, ainda, que interpretação contrária, colidiria com o princípio da economia e utilidade dos actos processuais, art. 130 CPC, porquanto a conta de custas só é elaborada após o trânsito da decisão final (art. 29/1 RCP), constituindo a sua elaboração um acto inútil na sequência de requerimento da parte que o poderia e deveria ter apresentado antes da sua elaboração" (itálico nosso).
Na situação em presença, as partes - qualquer delas ou ambas - não requereram a reforma das decisões condenatórias quanto a custas e tendo disposto de todo o tempo que durou a actividade processual que precedeu a conta (desde 10 de Março até 22 de Setembro de 2017) para requerer aquela dispensa, nada fizeram.
A autora veio inclusivamente, perante aquela conta, requerer o pagamento das custas em prestações, que lhe foi deferido.
Não tendo as partes formulado, até à conta, o pertinente requerimento, como é próprio do decurso dos prazos peremptórios, deixaram precludir o direito, não podendo agora, salvo melhor juízo, exercê-lo, porquanto está extinto.
Assim, indefere-se, por extemporâneo, o pedido de dispensa do pagamento do remanescente da taxa de justiça, formulado ao abrigo do disposto no nº 7 do art. 6º do Regulamento das Custas Processuais.»
O Direito:
Considera a recorrente que a decisão de que recorre é nula por omissão de
pronúncia, nos termos da 1ª parte da al. d) do n.° 1 do art. 615.° do CPC porquanto não se pronuncia sobre a nulidade processual suscitada pela recorrente nos pontos XXIII a XXV do seu recurso de apelação decorrente do não cumprimento do disposto no art. 14.°, n.° 9 do RCP (Regulamento das Custas Processuais), que prevê que o responsável deve ser notificado para efectuar o referido pagamento, no prazo de 10 dias a contar da notificação da decisão que ponha termo ao processo.
Acontece, no entanto, que o tribunal não tinha de se pronunciar sobre a nulidade uma vez que essa não era questão sobre a qual se devesse pronunciar. As questões a que se reporta o art. 615º, nº. 1, alínea d), do CPC são os pontos de facto ou de direito relativos ao pedido e à causa de pedir, incluindo as excepções, em que as partes centram o objecto do litígio, que submetem à apreciação do juiz, que as deve resolver na sentença ou no acórdão, nos termos do art. 608º, nº 2 do CPC (cfr. Ac. STJ de 29.4.2004, proc.
04B1430, em www.dgsi.pt). Não é o caso da nulidade processual decorrente do não cumprimento do disposto no art. 14.°, n.° 9 do RCP. Além disso, não tendo sido tempestivamente, no prazo de 10 dias, a partir da data em que a recorrente teve conhecimento da sua omissão, a nulidade ficou sanada (arts 149.º, n.º 1, 196º, 2.ª parte, 197.º, 199.º, n.º 1, e 200.º, n.º 3, do CPC). E estando sanada, não pode, obviamente, o Supremo tomar dela conhecimento em recurso de revista (cfr. Ac. STJ de 15-05-2003, Revista n.º 477/03, em www.dgsi.pt) e mandar praticar o acto omitido. Nem a recorrente pode prevalecer-se dessa omissão, contra a qual não reagiu atempadamente.
Não colhe, assim, o que, a propósito, a recorrente alega nas suas conclusões I a V.
Quanto ao mais, a questão decidenda resume-se, apenas, em saber se a parte
recorrente podia requerer a dispensa do pagamento da taxa de justiça remanescente após a elaboração da conta, em sede de reclamação da mesma.
A Relação, como se viu, entendeu que era extemporâneo o requerimento de dispensa de pagamento da taxa de justiça remanescente, formulado depois da elaboração da conta.
Entende a recorrente, com especial arrimo no Ac. do STJ de 12.10.2017, proc.
3863/12.3TBSTS-C-P1.S2 invocado como acórdão fundamento da revista excepcional, que o requerimento de dispensa do pagamento da taxa de justiça remanescente que as partes formularam é, pelo contrário, tempestivo.
Não comungamos, no entanto, do entendimento da recorrente que é francamente minoritário no seio da jurisprudência do Supremo.
Com efeito, vem-se entendendo, predominantemente, que o pedido de dispensa do remanescente da taxa de justiça a liquidar na elaboração da conta final, ao abrigo do art. 6.º, n.º 7, do RCP, tem que ser formulado pela parte (caso o não tenha feito anteriormente o juiz) em momento anterior à elaboração da conta de custas (Ac. STJ de 11.12.2018, proc. 1286/14.9TVLSB-A.L1.S2, Ac. STJ de 8.11.2018, proc. 567/11.8TVLSB.L1.S2, Ac. STJ de 7.7.2019, proc.
314/07.9TBALR-E.E1.S1, Ac. STJ de 3.10.2017, proc. 473/12.9TVLSB-C.L1.S1, Ac.
STJ de 26.2.2019, proc. 3791/14.8TBMTS-Q.P1.S2, todos em ww.dgsi.pt). E que o incidente da reclamação da conta apenas se destina a reformar a conta que
“não estiver de harmonia com as disposições legais” (art. 31º nº 2 do RCP) ou a corrigir erros materiais ou a elaboração de conta efectuada pela secretaria sem obedecer aos critérios definidos no art. 30º, nº 3. (Ac. STJ de 13.7.2017 proc.
669/10.8TBGRD-B.C1.S1).
Esta é também a posição da doutrina: da interpretação conjugada do disposto nos arts 6º, n.º 7, 14º, n.º 9, 29º, n.º 1, e 30º, n.º 3, alínea a), todos do RCP, resulta que a dispensa ou não do pagamento do remanescente da taxa de justiça, oficiosamente ou a requerimento das partes, ou de alguma delas, tem que ser decidida antes do trânsito em julgado da decisão final da causa, seja no âmbito da ação, seja no do recurso (ver os artigos de Salvador da Costa, de 15.7.2019 e 25.10.2019, no Blog do IPPC de Teixeira de Sousa).
E não se diga que o tribunal está impedido de o fazer, pois, considerando o disposto nos n.ºs 1 e 7 do art. 6º, no art. 11º, ambos do RCP, e na tabela I a este anexa, as partes conhecem do montante do remanescente da taxa de justiça cujo pagamento lhes foi diferido, logo na sequência do respetivo impulso processual, seja nas ações, seja nos recursos (Salvador da Costa, loc. citados).
Assim, e como frisa este autor, “face às regras de experiência forense, as partes ficam a dispor, a partir do termo da referida fase processual, de informação adequada à sua decisão de exercer ou não a faculdade de requererem a referida dispensa de pagamento do remanescente da taxa de justiça, a que o citado normativo se reporta”.
Assim, entendemos, em linha com a jurisprudência dominante e com a doutrina conhecida, que o momento próprio para o juiz proceder à avaliação dos pressupostos do nº 7 do art. 6º do RCP é o da prolação da sentença ou acórdão, oficiosamente, ou, antes do trânsito em julgado, por via do pedido de reforma nos termos dos arts 616º, n.ºs 1 e 3, 666º, n.º 1 e 679º, todos do CPC (v.
Salvador Costa, loc. cit, que acompanha o Ac. STJ de 26.2.2019, CJ, XXVII, Tomo 1, pág. 94); cfr, ainda, o citado Ac. STJ de 13.07.2017, e o Ac. STJ de 24.5.2018, no proc. 1194/14.3TVLSB.L1.S2, ambos em www.dgsi.pt,), ou, ainda, mediante requerimento das partes antes da prolação do acórdão (Ac. STJ de 31.1.2019, proc. 478/08.4TBASL.E1, em www.dgsi.pt). Nunca após a elaboração da conta.
Argumenta, ainda, a recorrente que o tribunal não se pronunciou, na decisão, sobre a dispensa de pagamento da taxa de justiça.
No entanto, também aqui entendemos que o tribunal decidiu sobre a dispensa da taxa de justiça porque“ a dispensa do remanescente da taxa de justiça, ao abrigo do art. 6º, nº7, do RCP, decorre de uma decisão constitutiva proferida pelo juiz, podendo naturalmente inferir-se - se nada se disser sobre esta matéria na parte da sentença atinente à responsabilidade pelas custas - que os pressupostos de que dependeria tal dispensa não se consideraram verificados, sendo consequentemente previsível para a parte, total ou parcialmente vencida, que a conta de custas a elaborar não contemplará seguramente essa dispensa “ (Ac. STJ de 13.07.2017); ou, nas palavras de Salvador da Costa, se o juiz, na sentença, ou o colectivo de juízes dos tribunais superiores, nos recursos, conforme os casos, nada tiverem decidido sobre a mencionada dispensa, “é legítima a presunção, de experiência forense feita, no sentido de que aqueles tribunais concluíram no sentido da inexistência de fundamento de facto ou de direito para o efeito” (assim, no supracitado artigo de 25.10.2019). Não obstante, nessa situação, admite o autor, “verificados os pressupostos da aludida dispensa de pagamento, as partes podem reverter o não conhecimento oficioso da questão, por via do pedido de reforma da sentença ou do acórdão quanto a custas, autonomamente ou em recurso, nos termos dos artigos 616.º, n.ºs 1 e 3, 666.º, n.º 1 e 679.º, todos do CPC”. Todavia, ainda que que se entendesse que o tribunal não se pronunciou sobre a referida questão sempre assistiria à requerente, em qualquer das hipóteses, o direito de pedir a reforma da decisão quanto a custas, por forma a que o tribunal se pronunciasse de forma clara sobre se existia ou não justificação para a dispensa da taxa de justiça remanescente (Salvador da Costa, “Algumas questões sobre a taxa de justiça, as custas processuais e a conta”, publicado em 14.01.2018,
no Blog do IPPC, e Ac. STJ de 24.5.2018). E podia tê-lo feito antes da elaboração da conta logo uma vez que não ignorava, ou não devia ignorar, que iria pagar a taxa de justiça remanescente. As circunstâncias concretas que ocorreram depois do trânsito em julgado da decisão e da conta- designadamente a de que só depois de 19.10.2019 a parte teve conhecimento de que iriam ser reclamadas custas de parte pelo réu- são, pois, laterais.
Finalmente, assente que está a intempestividade do requerimento de dispensa da taxa de justiça remanescente, fica prejudicada a apreciação dos pressupostos do nº 7 do art. 6º do RCP.
Em conclusão (art. 663º, nº 7 do CPC):
É extemporâneo o pedido de dispensa de pagamento da taxa de justiça remanescente apresentado pela (s) parte (s) após a elaboração da conta de custas.
Por todo o exposto, nega-se a revista e confirma-se o acórdão recorrido.
Custas pela recorrente.
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Fonte: https://jurisprudencia.csm.org.pt