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A PROMOÇÃO DE AÇÕES ODONTOLÓGICAS PREVENTIVAS COMO CONSEQUÊNCIA DE LEVANTAMENTO EPIDEMIOLÓGICO EM ESCOLARES DE PALMAS TO¹

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A PROMOÇÃO DE AÇÕES ODONTOLÓGICAS PREVENTIVAS COMO

CONSEQUÊNCIA DE LEVANTAMENTO EPIDEMIOLÓGICO EM ESCOLARES

DE PALMAS–TO¹

SANTOS, M. A.²; BORGES, T. S.³; CAVALCANTE, M. P. R.4

¹Parte do Projeto “Situação da saúde bucal de escolares do município de Palmas−Tocantins, 2015-2018”

²Acadêmica do curso de Odontologia no Centro Universitário Luterano de Palmas – CEULP/ULBRA. Bolsista no PIBIC/CNPq. E-mail: [email protected].

³Cirurgiã – Dentista. Mestre em Promoção da Saúde. Doutora em odontologia. Professora Adjunta do Centro Universitário Luterano de Palmas.

4Cirurgiã – Dentista. Doutora em Odontologia. Coordenadora do curso de Odontologia do Centro Universitário Luterano de Palmas. RESUMO: Influenciado pelos poucos estudos em saúde bucal, o presente trabalho objetivou avaliar a

saúde bucal dos escolares de Palmas – Tocantins. Com base nisso, uma pesquisa foi realizada com 963 escolares de 8 escolas públicas do município de Palmas – Tocantins, com idades de 5 a 12 anos de idade, em que 32,7% correspondem à idade de 12 anos, 481 (49,9%) crianças eram do sexo masculino e 475 (49,3%) do sexo feminino. Foram coletados os dados em relação ao CPO-D, ceo-d, Índice de Higiene Oral Simplificado (IHO-S) e pré e pós teste após apresentação de peça teatral educativa. A partir do cálculo do tamanho da amostra, 216 alunos foram avaliados em relação ao índice CPO-D, e 247 em relação ao IHOS. Do total da amostra, a média do CPO-D foi de 1,13. E em relação ao IHOS, 100 escolares (40, 46%) apresentaram uma higienização ruim. Com os dados obtidos, foi estabelecido um panorama da saúde bucal dos escolares para direcionar as futuras ações e estudos.

PALAVRAS CHAVE: saúde bucal; epidemiologia; saúde na escola.

INTRODUÇÃO: Os agravos à saúde bucal são problemas de saúde pública, pois atuam impactando a

vida do indivíduo e a sua relação com a comunidade (BARBOSA ; NASCIMENTO, 2017). Nesse sentido, as doenças orais como cárie dentária e doenças gengivais afetam cerca de 80% das crianças das escolas em todo o mundo. Algumas situações, como dor e perda dentária, podem afetar negativamente a aparência fisionômica, a ingestão nutricional, qualidade de vida, crescimento e desenvolvimento de crianças (CHANDRASHEKAR et al., 2014). Dessa forma, para se prevenir constrangimentos ao indivíduo, como odontalgia, restaurações e perdas dentárias precoces, levantamentos de dados epidemiológicos são realizados com o intuito de conhecer determinada situação e com isso, orientar a sociedade de acordo com as suas necessidades. Nesse âmbito, este trabalho justifica-se pela escassez de levantamentos de dados periódicos nessa área da saúde, tendo em vista a pequena quantidade de estudos e ações atrelados a situação atual da saúde bucal de escolares em Palmas – TO. Com isso, para realizar tal pesquisa, constatou-se, inicialmente, que a idade escolar é considerada a etapa mais propícia à aprendizagem. Logo, utilizando ações de prevenção e promoção, deve-se aproveitar essa fase para educar os escolares corretamente quanto às práticas que envolvem a saúde bucal, pois quanto mais cedo esses hábitos forem estabelecidos, maior será o impacto (SHAILEE et al., 2012). Com isso, observou-se o seguinte problema de pesquisa: “O levantamento epidemiológico de saúde bucal dos escolares de Palmas – TO influencia no planejamento de ações de intervenção, prevenção e promoção em saúde?”. Logo, tratando isso como uma prioridade, o objetivo geral deste estudo é avaliar a saúde bucal dos escolares de Palmas – TO, para, assim, organizar ações interventivas de acordo com as necessidades diagnosticadas.

MATERIAL E MÉTODOS: Em uma visão geral, o presente trabalho trata-se de estudo que parte de

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saúde bucal dos escolares do município de Palmas, bem como intervir longitudinalmente, com implementação de novas ações coletivas para a prevenção da saúde bucal dos escolares. O universo do estudo serão os escolares matriculados nas Escolas públicas municipais e creches do município de Palmas – Tocantins, iniciando no ano de 2015. A amostra sistemática com erro de 5%, considerando o total de alunos matriculados na faixa etária de 5 e 12 anos, para os índices de IHOS, Ceo e CPOD, totalizando 355 educandos na pré-escolar II, distribuídos em 39 creches e 350 educandos da sétima série, distribuídos em 28 escolas municipais. Contudo, apresentam-se descritos neste texto, os resultados parciais coletados em 963 crianças. Assim, como esta análise é sustentada por uma pesquisa realizada com seres humanos, afirma-se que o projeto foi encaminhado ao Comitê de ética e Pesquisa do CEULP/ULBRA 1.256.951. Os dados foram coletados foram consolidados em uma planilha no Excel e posteriormente analisados no programa SPSS versão 20.0. A apresentação dos achados da pesquisa será em forma de gráficos, tabelas e figuras.A pesquisa terá três fases distintas, com coleta de dados primários, a primeira do questionário socioeconômico, posteriormente exame clínico para preenchimento das fichas de IHOS, CPO-D e Ceo. Nesta oportunidade, a descrição deste estudo corresponde aos resultados obtidos na avaliação do índice de CPO-D. A terceira fase relaciona-se a execução do projeto de extensão universitária com as atividades educativas e promocionais.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os dados obtidos foram registrados em um planilha do programa

Excel e, posteriormente, analisados no programa SPSS versão 20.0. Essa análise resultou na avaliação de 963 crianças de 8 escolas públicas do município de Palmas – Tocantins, com idades de 5 a 12 anos de idade, em que 32,7% correspondem à idade de 12 anos. Quanto a variável sexo, constata-se que 481 (49,9%) crianças eram do sexo masculino e 475 (49,3%) do sexo feminino, enquanto 5 crianças não foram avaliadas. Percebe-se que houve um certo equilíbrio quanto aos número de crianças avaliadas de cada sexo. Já em relação à variável raça, analisou-se que 260 (27%) das crianças eram amarelas, 228 (23,7%) eram brancas, 199 (20,7%) eram negras, e 271 (28,1%) das crianças eram pardas. Além disso, 5 crianças (0,5%) não foram avaliadas quanto a sua raça. Quanto ao perfil socioeconômico, obteve-se 86 questionários respondidos parcial ou totalmente. Nesse sentido, através desse perfil traçado, identifica-se o serviço público como primeira e principal escolha para a resolução de problemas odontológicos, sendo a “dor de dente” o mais comum. Por isso, notou-se que as pessoas ainda não possuem o hábito de procurarem atendimento para prevenir futuros problemas, como a cárie dentária, tratamentos endodônticos e extrações dentárias, consequentemente, deixando a procura somente para casos de urgência. Tal situação é considerada um grande desafio, uma vez que os pais acabam repassando os seus hábitos para os filhos de forma despretensiosa, no entanto perigosa, pois os problemas surgem gradativamente e vão se agravando com o tempo. Nesse sentido, para avaliar a quantidade de dentes cariados perdidos e obturados das crianças avaliadas, o índice CPOD tornou-se primordial. Assim, ao realizar um comparativo anual das médias do índice CPOD do Brasil e região norte com a média obtida nessa pesquisa, percebeu-se que a média CPOD dos escolares de Palmas (1,13) está abaixo das médias do Brasil (2,1), da região Norte (3,2), e de Palmas (2,35) obtidas na última pesquisa epidemiológica realizada em 2010 pelo Projeto SB Brasil.

Tabela 1 – Média do índice CPOD no Brasil, região Norte e Palmas por ano e escolar de 12 anos de idade

REGIÃO 1986 1996 2003 2010

Brasil 6,7 3,1 2,8 2,1

Norte 7,5 4,3 3,1 3,2

Palmas - TO - - - 2,35

Fonte: Ministério da Saúde

Para obtenção dessas informações e categorização qualitativamente os dados, estabeleceu-se parâmetros para o índice CPO-D de forma individual, ou seja, para cada escolar de 12 anos avaliado.

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Os escolares que apresentaram a soma do CPOD igual a 0, receberam a característica de EXCELENTE, CPOD igual a 1 = BOM, CPOD igual 2, caracterizou-se como REGULAR, e CPOD > 2 foi denominado como RUIM. Nessa perspectiva, o CPOD de 141 escolares (65,6%) foi excelente e 36 crianças (16,75%) apresentaram CPOD ruim.

Figura 1 – Qualificação do Índice CPOD Fonte: Dados da pesquisa

Com isso, após essa pesquisa, o número de dentes cariados, perdidos e restaurados vem decrescendo, fato que pode ser explicado pelo aumento da acessibilidade aos serviços públicos de saúde prestados nas unidades básicas pelas equipes de saúde bucal – ESB, e também nos centros especializados. Além disso, as ações e projetos de prevenção e promoção em saúde bucal realizadas pela estratégia da saúde da família, professores da rede de educação de Palmas, e pelos acadêmicos de Odontologia da cidade, também têm contribuído grandiosamente para que haja essa diminuição e estabelecimento de uma odontologia mais preventiva, ao invés de reabilitadora, como era no passado. Outro índice avaliado foi o de Higiene Oral Simplificado – IHO-S, dessa vez em 247 escolares do 1º, 4º, 5º e 7º ano. Para isso,

avaliou-se a superfície vestibular dos dentes 11, 31, 16 e 26, e a superfície lingual dos dentes 36 e 46,

totalizando 1491 dentes examinados, os quais foram categorizados quanto a sua situação. Com isso, percebe-se que 547 (36,6%) crianças apresentavam 1/3 das superfícies dos dentes coberta por biofilme, principalmente no terço cervical do dente.

Tabela 2 – Situação dos dentes avaliados quanto a higiene bucal

Situação do dente Frequência absoluta (n) Frequência relativa (%)

Dente com superfície limpa 405 27,1

1/3 da superfície do dente com

biofilme 546 36,6

2/3 da superfície do dente com

biofilme 305 20,5

3/3 da superfície do dente com

biofilme 235 15,8

Total 1491 100

Fonte: Dados da pesquisa

Após a evidenciação de placa bacteriana na cavidade bucal, os dentes foram atribuídos com os escores de 0 a 3 em relação à quantidade de placa. Somou-se os escores dos 6 dentes avaliados individualmente das 247 crianças e estabeleceu-se 4 categorias para se classificar o IHO-S: Excelente (∑= 0), bom (∑= 1 a 6), ruim (∑= 7 a 11), e péssimo (∑= 12 a 17).

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IHOS Frequência relativa

(n) Frequência absoluta (%) Soma dos Escores/dente

Excelente 8 3,23 0

Bom 97 39,35 1 – 6

Ruim 100 40,46 7 – 11

Péssimo 42 16,96 12 – 17

Total 247 100

Fonte: Dados da pesquisa

Resultou-se que 100 escolares (40,46%) classificaram-se com IHO-S RUIM; 97 escolares (39,35%) com IHO-S BOM; 42 crianças (16,96%) com IHO-S PÉSSIMO; e somente 8 crianças (3,23%) apresentavam IHO-S EXCELENTE. Assim, a média da somatória resultou em 7,47 (±4,16).

Nessa perspectiva, os 247 escolares avaliados apresentaram resultados interessantes quanto a qualificação do IHOS. Percebeu-se que 72,9% dos dentes avaliados apresentavam pelo menos um terço de sua superfície coberta por biofilme. Sendo assim, notou-se que 546 dos dentes avaliados (36,6%) apresentavam somente 1/3 de sua superfície evidenciada, principalmente em seu terço cervical. Enquanto, 235 dentes (15,8%) foram examinados com os 3/3 da superfície. Isso pode ser explicado pela dificuldade que as crianças possuem de higienizar corretamente os terços das superfícies dos dentes, seja pelo não conhecimento das técnicas adequadas de escovação, ou por uma escovação deficiente, realizada apressadamente e sem orientação. Apesar de 27,1% do total de dentes apresentarem suas superfícies livres de biofilme, somente 8 crianças possuíam todos os 6 dentes avaliados com as superfícies não evidenciadas por placa bacteriana. Isso mostra que os escolares não estão sabendo higienizar corretamente os seus dentes por completo e de forma periódica durante o dia.

CONCLUSÃO: A prevenção é a melhor forma de se evitar a má higienização e possivelmente a

doença cárie dentária. Com isso, as ações realizadas em escolas, além de favorecerem a identificação da situação atual da saúde bucal das crianças, com os levantamentos epidemiológicos, também promovem a realização de atividades educativas de prevenção e intervenção, as quais são bem recebidas pelos escolares devido eles estarem em fase de formação de conceitos e hábitos, e também por estarem em um ambiente educativo. Dessa forma, o índice CPO-D mostrou-se muito efetivo na avaliação dos dentes das crianças, pois ele direciona a classificação das categorias dos dentes, avaliação de risco e consequentemente, a promoção de ações para a melhora do quadro encontrado. Portanto, mesmo com a diminuição dos índices de cárie, ainda se vê a necessidade da realização de mais levantamentos epidemiológicos e consequentemente mais ações de prevenção e promoção em saúde bucal, visando sempre o empoderamento individual da criança, para que, assim, ela se torne um adulto com boa qualidade de saúde bucal e bem estar social. No entanto, para que isso se concretize, o Estado, profissionais de saúde, educadores, acadêmicos e a família são essenciais na implementação de práticas de saúde bucal nas crianças, que incluem a dieta, higienização oral, acesso à informação e aos serviços de saúde gratuitos.

REFERÊNCIAS:

BARBOSA, Paulo Rogério Nunes; NASCIMENTO, Robson Luís. Prevalência de cárie dentária em escolares de 12 anos de uma escola pública do município do Rio de Janeiro. Academus Revista

Científica da Saúde, v. 2, n. 1, jan./abr. 2017

BRASIL. Ministério da Saúde. SB Brasil 2010: Pesquisa Nacional de Saúde Bucal: resultados principais. Brasília: Ministério da Saúde, 2012

CHANDRASHEKAR, Byalakererudraiah et al. Oral health promotion among rural school children through teachers: an interventional study. Indian Journal Of Public Health, [s.l.], v. 58, n. 4, p.235-240, 2014. Medknow. Disponível em: < http://dx.doi.org/10.4103/0019-557x.146278>.

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COLLINS, Chimere C. et al. Framing Young Childrens Oral Health: A Participatory Action Research Project. Plos One, [s.l.], v. 11, n. 8, p.1-7, 22 ago. 2016. Public Library of Science (PLoS). Disponível em: < http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0161728>.

SHAILEE, Fotedar et al. Dental caries prevalence and treatment needs among 12- and 15- Year old schoolchildren in Shimla city, Himachal Pradesh, India. Indian Journal Of Dental Research, [s.l.], v. 23, n. 5, p.579-584, 2012. Medknow. Disponível em: <

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