UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA FELIPE REITZ
BRICS: UM ESTUDO COMPARATIVO SOBRE O DESEMPENHO DAS ECONOMIAS DO BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA, CHINA E ÁFRICA DO SUL NO
PERÍODO 2002-2010
Florianópolis 2014
FELIPE REITZ
BRICS: UM ESTUDO COMPARATIVO SOBRE O DESEMPENHO DAS ECONOMIAS DO BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA, CHINA E ÁFRICA DO SUL NO
PERÍODO 2002-2010
Florianópolis 2014
Monografia de pesquisa apresentado ao Curso de Relações Internacionais em graduação em 2014, da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para aprovação na disciplina de TCC II.
FELIPE REITZ
BRICS: UM ESTUDO COMPARATIVO SOBRE O DESEMPENHO DAS ECONOMIAS DO BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA, CHINA E ÁFRICA DO SUL NO
PERÍODO 2002-2010
Florianópolis, 03 de julho de 2014.
Esta Monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Bacharel em Relações Internacionais e aprovada em sua forma final pelo Curso de Relações Internacionais da Universidade do Sul de Santa Catarina.
RESUMO
O surgimento da classificação de países emergentes colaborou para a identificação de países que possuem afinidades para uma formal ou informal aliança estratégica restruturando a atual debilitada balança de poder mundial. Esse desejo político surge mediante a um descontento da forma como a política e a economia mundial estão sendo manipuladas e influenciadas pelas ações estadounidenses e seus aliados. Neste contexto surge, de forma discreta, um agrupamento de países com pontencial o suficiente para influenciar diretamente uma mudança na ordem mundial. Com a aparente intenção política de menor dependência de potências econômicas, o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e mais recentimente a Áfricado Sul, formaram uma aliança estratégica informal de países emergentes conhecida pelo acronimo BRICS. O presente trabalho abordará a eficácia econômica do BRICS antes e depois de seu primeiro encontro formal como grupo de interesses afins. Durante o estudo serão apresentados as principais variáveis econômicas, uma comparação destas variáveis entre os países do BRICS durante um perído de tempo e uma análise da relação dos países do grupo com o mundo e com o BRICS. Este trabalho baseia-se em dados coletados em pesquisa bibliográfica e documental através de uma abordágem qualitativa no âmbito de uma pesquisa exploratória. As informações coletadas servirão de fundamental importância para compreender as vantágens dos países do grupo BRICS em formarem essa aliança estratégica assim como o seu desempenho mediante às incertezas econômicas atuais.
Palavras-chave: Países Emergentes. Brasil. Rússia. Índia. China. África do Sul. Economia Internacional. BRICS.
ABSTRACT
The arising of classification of emergent countries collaborated to identify countries that have affinities for a formal or informal strategic alliance restructuring the current debilitated balance of world power. This political desire arises through a discontent from the way politics and world economic are being manipulated and influenced by actions of the United States and their allies. In this context the arising in a discretionary way, a gathering of countries with enough potential to directly influence changes in world order is present. With an apparent political intention to have less dependency on economical powers, Brazil, Russia, India, China e most recently South Africa, united in a strategic informal alliance of emergent countries known by the acronym of BRICS. This report will address the economic effectiveness of BRICS before and after its first formal meeting as a group of related interests. During the study there will be an introduction of the main economical variables, a comparison of those variables between BRICS countries within a determined period of time and an analysis of the group‟s countries with the world and with the BRICS itself. This work is based on data collected from literature and documents through a qualitative approach within an exploratory research. The information collected will serve as a fundamental importance to understand the advantages of the BRICS group forming this strategic alliance as well as its performance through the current economic uncertainties.
Key words: Emergent Countries. Brazil. Russia. India. China. South Africa. International Economy. BRICS.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Resumo Estatístico do Brasil...34
Tabela 2 – Principais Destinos das Exportações do Brasil (% do Total)...38
Tabela 3 – Principais Produtos Exportados pelo Brasil...40
Tabela 4 – Principais Orígens das Importações do Brasil (% do Total)...43
Tabela 5 – Principais Produtos Importados pelo Brasil (% do Total)...45
Tabela 6 - Resumo Estatístico da Rússia...51
Tabela 7 – Principais Destinos das Exportações da Rússia (% do Total)...55
Tabela 8 – Principais Produtos Exportados pela Rússia...57
Tabela 9 – Principais Orígens das Importações da Rússia (% do Total)...60
Tabela 10 – Principais Produtos Importados pela Rússia (% do Total)...62
Tabela 11 - Resumo Estatístico da Índia...68
Tabela 12 – Principais Destinos das Exportações da Índia (% do Total)...72
Tabela 13 – Principais Produtos Exportados pela Índia...74
Tabela 14 – Principais Orígens das Inportações da Índia (% do Total)...77
Tabela 15 – Principais Produtos Importados pela Índia (%do Total)...79
Tabela 16 – Resumo Estatístico da China...85
Tabela 17 – Principais Destinos das Exportações da China (% do Total)...89
Tabela 18 – Principais Produtos Exportados pela China...91
Tabela 19 – Principais Origens das Importações da China (% do Total)...94
Tabela 20 – Principais Produtos Importados pela China (% do Total)...96
Tabela 21 – Resumo Estatístico da África do Sul...102
Tabela 22 – Principais Destinos das Exportações da África do Sul (% do Total)....106
Tabela 23 – Principais Produtos Exportados pela África do Sul...108
Tabela 24 – Principais Origens das Importações da África do Sul (% do Total)...111
Tabela 25 – Principais Produtos Importados pela África do Sul (% do Total)...113
Tabela 26 - Quadro Comparativo da Área Terrestre e População do BRICS com o Mundo...118
Tabela 27 – Comparação do Comercio dos Países do BRICS com o Mundo e entre eles no ano 2002 (Em Milhões de USD)...137
Tabela 28 – Comparação do Comercio dos Países do BRICS com o Mundo e entre eles no ano 2010 (Em Milhões de USD)...139
Tabela 29 – Comparação da Variação de Comércio dos Países do BRICS com o Mundo...141 Tabela 30 – Comparação da Variação de Comércio dos Países do BRICS com o BRICS...142 Tabela 31 – Comparação Percentual do Total de Comércio dos Países do BRICS com o Mundo e BRICS...143 Tabela 32 – Comparação Percentual da Relação dos Países do BRICS com o Mundo e BRICS...145
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Taxa Anual de Crescimento do PIB do Brasil (Variações na % PIB)...35
Gráfico 2 – Produto Interno Bruto do Brasil (bilhões de U.S dólares)...36
Gráfico 3 – Valores das Exportações do Brasil (Mensais em milhões de USD)...37
Gráfico 4 - Brasil: Principais Destino das Exportações...39
Gráfico 5 - Brasil: Principais Produtos Exportados...41
Gráfico 6 – Importação do Brasil (menssais em milhões USD)...42
Gráfico 7 - Brasil: Principais Origens das Importações (%)...44
Gráfico 8 - Brasil: Principais Produtos Importados (% do Total)...46
Gráfico 9 – Dívida Externa do Brasil (milhões de USD)...47
Gráfico 10 - Brasil: Investimento Estrangeiro Direto...48
Gráfico 11 – Balança Comercial do Brasil (milhões de USD)...49
Gráfico 12 – Taxa Anual de Crescimento do PIB da Rússia (Variações na % PIB)..52
Gráfico 13 – Produto Interno Bruto da Rússia (bilhões de U.S dólares)...53
Gráfico 14 – Valores das Exportações da Rússia (Mensais em milhões de USD)....54
Gráfico 15 - Rússia: Principais Destino das Exportações (%)...56
Gráfico 16 - Rússia: Principais Produtos Exportados...58
Gráfico 17 – Importação da Rússia (Mensais em milhões USD)...59
Gráfico 18 - Rússia: Principais Origens das Importações (%)...61
Gráfico 19 -Rússia: Principais Produtos Importados (% do Total)...63
Gráfico 20 – Dívida Externa da Rússia (milhões de USD)...64
Gráfico 21 - Rússia: Investimento Estrangeiro Direto...65
Gráfico 22 – Balança Comercial da Rússia (milhões de USD)...66
Gráfico 23 – Taxa Anual de Crescimento do PIB da Índia (Variação na % PIB)...69
Gráfico 24 – Produto Interno Bruto da Índia (bilhões de U.S dólares)...70
Gráfico 25 – Valores das Exportações da Índia (Mensais em milhões de USD)...71
Gráfico 26 - Índia: Principais Destino das Exportações (%)...73
Gráfico 27 - Índia: Principais Produtos Exportados...75
Gráfico 28 – Importação da Índia (mensais em milhões USD)...76
Gráfico 29 - Índia: Principais Origens das Importações (%)...78
Gráfico 30 - Índia: Principais Produtos Importados (% do Total)...80
Gráfico 31 – Dívida Externa da Índia (milhões de USD)...81
Gráfico 33 – Balança Comercial da Índia (milhões de USD)...83
Gráfico 34 – Taxa Anual do Crescimento do PIB da China (Variação na % PIB)...86
Gráfico 35 – Produto Interno Bruto da China (bilhões de U.S dólares)...87
Gráfico 36 – Valores das Exportações da China (Mensais em milhões de USD)...88
Gráfico 37 - China: Principais Destino das Exportações (%)...90
Gráfico 38 - China: Principais Produtos Exportados...92
Gráfico 39 – Importações da China (Mensais em milhões USD)...93
Gráfico 40 - China: Principais Origem das Importações (%)...95
Gráfico 41 - China: Principais Produtos Importados (% do Total)...97
Gráfico 42 – Dívida Externa da China (milhões de USD)...98
Gráfico 43 - China: Investimento Estrangeiro Direto...99
Gráfico 44 – Balança Comercial da China (milhões de USD)...100
Gráfico 45 – Taxa Anual do Crescimento do PIB da África do Sul (Variação na % PIB)...103
Gráfico 46 – Produto Interno Bruto da África do Sul (bilhões de U.S dólares)...104
Gráfico 47 – Valores das Exportações da África do Sul (Mensais em milhões de USD)...105
Gráfico 48 - Africa do Sul: Principais Destino das Exportações (%)...107
Gráfico 49 - Africa do Sul: Principais Produtos Exportados...109
Gráfico 50 – Importações da África do Sul (Mensais em milhões USD)...110
Gráfico 51 - Africa do Sul: Principais Origem das Importações (%)...112
Gráfico 52 - Africa do Sul: Principais Produtos Importados (% do Total)...114
Gráfico 53 – Dívida Externa da África do Sul (milhões de USD)...115
Gráfico 54 - Africa do Sul: Investimento Externo Direto...116
Gráfico 55 – Balança Comercial da Àfrica do Sul (milhões de USD)...117
Gráfico 56 - Taxa Anual de Crescimento do PIB dos Países do BRICS...119
Gráfico 57 - Produto Interno Bruto dos Países do BRICS (US$ Bilhões)...120
Gráfico 58 - Valor da Exportação dos Países do BRICS (US$ Bilhões)...121
Gráfico 59 - Valor da Importação dos Países do BRICS (US$ Bilhões)...122
Gráfico 60 – Variação de Comércio dos Principais Destinos das Exportações dos Países do BRICS...124
Gráfico 61 – Variação do Comércio dos Principais Produtos Exportados pelos Países do BRICS...126
Gráfico 62 – Variação do Comércio das Principais Orígens das Importações do BRICS...128 Gráfico 63 – Variação de Comércio dos Principais Produtos Importados pelo BRICS...130 Gráfico 64 – Comparação de Investimento Externo Direto nos Píses do BRICS....131 Gráfico 65 – Comparação da Dívida Externa entre os Países do BRICS...132 Gráfico 66 – Comparação da Balança Comercial entre os Píses do BRICS...134 Gráfico 67 - Comércio Exterior dos Páíses do BRICS (USD)...136
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...14
1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA...14
1.2 OBJETIVOS...17 1.2.1 Objetivo geral...17 1.2.2 Objetivos específicos...18 1.3 JUSTIFICATIVA...18 1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS...19 1.4.1 Caracterização da Pesquisa...19 1.5 ESTRUTURA DA PESQUISA...20 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...21
2.1 ORIGEM DA NOVA ORDEM MUNDIAL...21
2.2 AS TENDÊNCIAS DO NOVO SISTEMA...22
2.3 A FORMAÇÃO DE BLOCOS COMERCIAIS...25
2.4 FORMAS DE INTEGRAÇÃO REGIONAL...28
3 PRINCIPAIS INDICADORES ECONÔMICOS...30
3.1 PAÍSES MEMBROS DO GRUPO BRICS...33
3.1.1 O Brasil...33
3.1.1.1 Informações Gerais...34
3.1.1.2 Brasil: Taxa Anual de Crescimento do PIB...35
3.1.1.3 Produto Interno Bruto do Brasil...36
3.1.1.4 Exportações do Brasil...37
3.1.1.5 Brasil: Principais Destinos das Exportações...38
3.1.1.6 Brasil: Principais Produto Exportados...40
3.1.1.7 Importações do Brasil...42
3.1.1.8 Brasil: Principais Origens das Importações...43
3.1.1.9 Brasil: Principais Produtos Importados...45
3.1.1.10 Brasil: Dívida Externa...47
3.1.1.11 Brasil: Investimento Estrangeiro Direto...48
3.1.1.12 Brasil: Balança Comercial...49
3.1.2 A Rússia...50
3.1.2.1 Informações Gerais...50
3.1.2.3 Produto Interno Bruto da Rússia...53
3.1.2.4 Exportações da Rússia...54
3.1.2.5 Rússia: Principais Destinos das Exportações...55
3.1.2.6 Rússia: Principais Produto Exportados...57
3.1.2.7 Importações da Rússia...59
3.1.2.8 Rússia: Principais Origens das Importações...60
3.1.2.9 Rússia: Principais Produtos Importados...62
3.1.2.10 Rússia: Dívida Externa...64
3.1.2.11 Rússia: Investimento Estrangeiro Direto...65
3.1.2.12 Rússia: Balança Comercial...66
3.1.3 A Índia...67
3.1.3.1 Informações Gerais...67
3.1.3.2 Índia: Taxa Anual de Crescimento do PIB...69
3.1.3.3 Produto Interno Bruto da Índia...70
3.1.3.4 Exportações da Índia...71
3.1.3.5 Índia: Principais Destinos das Exportações...72
3.1.3.6 Índia: Principais Produto Exportados...74
3.1.3.7 Importações da Índia...76
3.1.3.8 Índia: Principais Origens das Importações...77
3.1.3.9 Índia: Principais Produtos Importados...79
3.1.3.10 Índia: Dívida Externa...81
3.1.3.11 Índia: Investimento Estrangeiro Direto...82
3.1.3.12 Índia: Balança Comercial...83
3.1.4 A China...84
3.1.4.1 Informações Gerais...84
3.1.4.2 China: Taxa Anual de Crescimento do PIB...85
3.1.4.3 Produto Interno Bruto do China...86
3.1.4.4 Exportações da China...87
3.1.4.5 China: Principais Destinos das Exportações...88
3.1.4.6 China: Principais Produto Exportados...91
3.1.4.7 Importações da China...93
3.1.4.8 China: Principais Origens das Importações...94
3.1.4.9 China: Principais Produtos Importados...96
3.1.4.11 China: Investimento Estrangeiro Direto...99
3.1.4.12 China: Balança Comercial...100
3.1.5 A Africa do Sul...101
3.1.5.1 Informações Gerais...101
3.1.5.2 Africa do Sul: Taxa Anual de Crescimento do PIB...103
3.1.5.3 Produto Interno Bruto da Africa do Sul...104
3.1.5.4 Exportações da Africa do Sul...105
3.1.5.5 Africa do Sul: Principais Destinos das Exportações...106
3.1.5.6 Africa do Sul: Principais Produto Exportados...108
3.1.5.7 Importações da Africa do Sul...110
3.1.5.8 Africa do Sul: Principais Origens das Importações...111
3.1.5.9 Africa do Sul: Principais Produtos Importados...113
3.1.5.10 Africa do Sul: Dívida Externa...115
3.1.5.11 Africa do Sul: Investimento Estrangeiro Direto...116
3.1.5.12 Africa do Sul: Balança Comercial...117
3.2 ANÁLISE DAS VARIÁVEIS...118
3.2.1 Área Terrstre e Censo Demográfico dos Países do BRICS...118
3.2.2 Comparação da Taxa Anual de Crescimento do PIB do BRICS...119
3.2.3 Comparação Produto Interno Bruto dos Países do BRICS...120
3.2.4 Comparação do Valor das Exportações dos Países do BRICS...121
3.2.5 Comparação do Valor das Importações dos Países do BRICS...122
3.2.6 Comparação dos Principais Destinos das Exportações dos Países do BRICS...123
3.2.7 Comparação dos Principais Produtos Exportados pelos Países do BRICS...125
3.2.8 Comparação das Principais Orígens das Importações dos Países do BRICS...127
3.2.9 Comparação dos Principais Produtos Importados pelos BRICS...129
3.2.10 Comparação de Investimento Estrangeiro Direto nos Países do BRICS...131
3.2.11 Comparação da Dívida Externa dos Paíese do BRICS...132
3.2.12 Comparação da Balança Comercial dos Países do BRICS...133
3.3.1 Comércio Exterior dos Países do BRICS...135 3.3.2 Comparação do Comércio dos Países do BRICS em 2002...137 3.3.3 Comparação do Comércio dos Países do BRICS em 2010...139 3.3.4 Comparação da Variação de Comércio dos Países do BRICS com o Mundo...141 3.3.5 Comparação da Variação de Comércio dos Países do BRICS com o BRICS...142 3.3.6 Comparação Percentual do Total de Comércio dos Países do BRICS....143 3.3.7 Comparação Percentual da Relação Comercial dos Países do BRICS com o Mundo e com o BRICS...144 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...145 REFERÊNCIAS...151
1 INTRODUÇÃO
A manutenção dos atores internacionais na balança de poder ganhou maiores dimenções após imposições capitalistas dos Estados Unidos contra Rússia que perduraram de 1947 a 1991, no tão aclamado „Guerra Fria‟. Com o “fim” da bipolaridade, surgiram oportunidades de mercado com acordos bilaterais e multilaterais dentro de padrões de afinidades econômicas e políticas. Dentro deste processo evolutivo e um receio grande do surgimento de um poder hegemônico econômico unilateral assim como lições aprendidas sobre as causas e resultados do bilateralismo, surgem grupos de países que se unem com objetivos específicos e se fortalecerem em um ambiente multipolar.
Compreender e avaliar as principais variáveis econômicas dos países, Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul - BRICS antes e depois de sua exposição formal em 2006, é de fundamental importância para entender as relações internacionais atuais e prever com mais fundamentação o proceso evolutivo da balança de poder e os interesses dos atores internacionais.
1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA
A economia mundial está em constante transformação e se adaptando às circunstâncias determinantes da balança de poder que influenciam os atores internacionais. Cada Estado de direito procura sua posição internacional e estabilidade econômica mediante parcerias comerciais, comercio exterior, acordos biliaterais ou multilaterais.
A inconclusiva transformação ao final da Guerra Fria entre leste e oeste, realçou novos polos de poder e uma re-definição da prática política, econômica e de segurança internacional.
O Brasil priorizou os assuntos internos durante a crise econômica e social dos anos 80 dificultando a apreciação de sua expressão internacional. A posição marginal percebida pelo Brasil sobre o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio - NAFTA e as aceleradas transformações tecnológicas da época, proporcionaram um sentimento de desapego do rítmo internacional.
A distância cada vez mais visível e maior entre os países desenvolvidos dos países em desenvolvimento fez com que a diplomacia brasileira se
concentrasse em aspectos de percepção externa como credibilidade política, atração cultural, expressão econômica, massa territorial e demográfica.
Esta preocupação da diplomacia brasileira com as novas tendências do sistema internacional é apresentada em um discurso do ex-Ministro Celso Amorim na Assembléia Geral da ONU de 1993, que diz que:
O perfil que surge da atuação internacional do Brasil, sempre firme e coerente, é o de um país de vocação indiscutivelmente pacífica e respeitador das normas internacionais, fiel ao multilateralismo e à solução negociada de controvérsias, aberto ao diálogo e com atitude transparente ante a comunidade internacional. Mas um país de personalidade marcadamente própria, imune às classificações simplistas e aos modismos passageiros que não abdica de seu direito de desenvolver-se econômica, cultural e tecnologicamante, ainda que isso possa trazer desconforto para os atuais detentores do poder mundial. BRASIL, 2013.
É neste contexto valorado de Estado de direito, um sentimento de exclusão dos países desenvolvidos e uma forte tradição diplomática, que o Brasil se lança ao multilateralismo na procura de parceiros com características voltadas às capacidades e dimensões do Brasil.
As parcerias entre os países Brasil, Rússia, Índia e China apresentavam, em geral, os aspectos de expressão externa previstas na década de 80 pelo Brasil e as novas tendências do sistema internacional. O Itamaraty publicou uma nota sobre os BRICS dizendo que:
A existência de quatro países que individualmente tinham características que lhes permitiam ser considerados em conjunto, mas não como um mecanismo. Isso mudou a partir da Reunião de Chanceleres dos quatro países organizada à margem da 61ª. Assembléia Geral das Nações Unidas, em 23 de setembro de 2006. Este constituiu o primeiro passo para que Brasil, Rússia, Índia e China começassem a trabalhar coletivamente. Pode-se dizer que, então, em paralelo ao conceito “BRICs” passou a existir um grupo que passava a atuar no cenário internacional, o BRIC. Em 2011, após o ingresso da África do Sul, o mecanismo tornou-se o BRICS (com "s" maiúsculo ao final).(ITAMARATY, 2013).
Desta forma, o tema escolhido para esta pesquisa é fazer um estudo dos principais fatores econômicos entre os países do BRICS e uma análise destes fatores durante os anos de 2002 a 2010 (representando quatro anos antes de seu primeiro encontro oficial e quatro anos depois deste) para verificar se com esta união estratégica informal os países do BRICS se beneficiaram mais economicamente com o comércio entre eles ou com o mundo.
Como Problema de pesquisa observa-se que em regra geral a denominação de países referidos como Emergentes está associado a formação destes em torno de assuntos econômicos e de cooperação, neste caso o grupo BRICS, representado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul. É neste contexto que pode-se indagar: será que os países do BRICS se beneficiaram economicamente desta união?
2.1 OBJETIVOS
Com o objetivo de entender melhor o problema de pesquisa, apresentam-se, na sequência, os objetivos a serem alcançados no trabalho de conclusão de curso.
1.2.1 1.2.1 Objetivo geral
O objetivo geral do presente trabalho é apontar se com a formação do grupo BRICS, os paíse membros tiveram mais benefício econômico através do comércio entre eles do que com seus outros principais parceiros comerciais no mundo.
2.2.1 1.2.2 Objetivos específicos
Os objetivos específicos deste trabalho são: - Apresentar o significado da sigla BRICS;
- Apresentar os principais indicadores econômicos para o Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul;
- Comparar os principais indicadores econômicas entre os países Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul;
- Identificar as principais simetrias e assimetrias com base nos indicadores econômicos dos países Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul;
3.1 JUSTIFICATIVA
O assunto desta pesquisa abrange vários aspectos dos estudos de relações internacionais direcionado aos tópicos de economia entre os países integrantes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul).
Apesar de não ser um bloco oficialmente, a importância desta pesquisa revela-se na magnitude do poder econômico da integração dos países que formam os BRICS. Além de abrangerem os cinco continentes com uma representação unânime no constexto da globalização, esta união de gigantes econômicos está favorecendo novas aberturas de comércio para vários setores industriais assim como oportunidades de negócios para novos empreendedorismos em áreas de tecnologia e energia assim como cultura, ciência e esportes.
A importância do tema é expressa pelo Itamaraty (2013) atravez de uma nota publicada no site oficial do Ministério das Relações Exteriores onde explica que:
“O peso econômico dos BRICS é certamente considerável. Entre 2003 e 2007, o crescimento dos quatro países representou 65% da expansão do PIB mundial. Em paridade de poder de compra, o PIB dos BRICS já supera hoje o dos EUA ou o da União Européia. Para dar uma idéia doritmo de crescimento desses países, em 2003 os BRICs respondiam por 9% do PIB mundial, e, em 2009, esse valor aumentou para 14%. Em 2010, o PIB conjunto dos cinco países (incluindo a África do Sul), totalizou US$ 11 trilhões, ou 18% da economia mundial. Considerando o PIB pela paridade de poder de compra, esse índice é ainda maior: US$ 19 trilhões, ou 25%. (ITAMARATY, 2013).
È dessa importância econômica que na esfera governamental os assuntos discutidos em reuniões e as relações de comércio entre os BRICS favorecem a uma nova estruturação do jogo de poder mundial que tem como base a
capacidade econômica dos seus membros e o poder de compra e de produção de sua população.
De modo pessoal, este estudo colabora para compreender melhor o futuro da economia mundial e sua nova balança de poder assim como profissionalmente oferencendo uma vantágem competitiva na especulação mercadológica com este conhecimento.
Para o meio acadêmico, um estudo comparativo de indicadores econômicos entre os países do grupo BRICS durante um período de nove anos que abrange o antes e depois da formação ofical do grupo é inédito neste contexto. Os dados levantados e agrupados sistematicamente estão disperços na literatura e nos meios de pesquisa, servindo assim como um facilitador para outros estudos sobre o assunto.
Por fim, este trabalho se justifica de maneira a abordar em prática os assuntos apresentados em sala de aula relacionados à economia internacional durante o curso de relações internacionais, cabendo a sua importância como fonte de pesquisa para novos trabalhos.
4.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Os procedimentos metodológicos indicam a caracterização da pesquisa e a forma de como os dados foram coletados para a formação do trabalho de conclusão de curso.
1.4.1 Caracterização da Pesquisa
O problema deste trabalho será examinado por meio de uma pesquisa de natureza básica, através de uma abordagem quantitativa, no âmbito de uma pesquisa exploratória de forma a colaborar com o conhecimento da área estudada. Os dados serão adquiridos por meio de uma investigação bilbliográfica e documental disponibilizados pelo Itamaraty e organizações de similar reputação informativa.
De acordo com Alves-Mazzoth e Gewandsnajder (1998, p.107) pesquisas qualitativas:
Costumam ser multimetodológicas: usam uma grande variedade de procedimentos e instrumentos para coletar dados. Pode-se dizer que a observação (participante ou não), a entrevista em profundidade e a análise de documentos são as mais utilizadas - embora possam ser complementadas também por outras técnicas.”(ALVES-MAZZOTH, 1998).
Para GIL (1991, p.207), a “pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos, com vistas à formulação de problemas ou hipóteses pesquisáveis. Apresentam menor rigidez no planejamento.”
A pesquisa bibliográfica é descrita por GIL, (2008) tendo sua base em “material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.”
Para Fonseca, (2002, p.32) “A pesquisa documental trilha os mesmos caminhos da pesquisa bilbiográfica, não sendo fácil por vezes distigui-las. A pesquisa documental recorre a fontes mais diversificadas e dispersas, sem tratamento analítico.”
5.1 ESTRUTURA DA PESQUISA
Este estudo está dividido em cinco capítulos: Introdução, Fundamentação Teórica, Principais Indicadores Econômicos, Considerações Finais e Referências.
A Fundamentação Teórica, capítulo 2, abordará o processo histórico de formação do acrônimo BRICS desde dos primeiros estudos de 2001, passando pelo primeiro encontro do Brasil, Rússia, Índia e China assim como a importância econômica desta união.
O capítulo 3, Principais Indicadores Econômicos será dividido em 3 sistemas análíticos nos quais abordarão as principais variáveis econômicas para os cinco países membros do grupo BRICS. No primero sistema anaítico será observado os indicadores econômicos para cada país entre os anos de 2002 a 2010. No segundo sisitema analítico a observação passa a ser conjuntural entre todos os países do grupo BRICS entre os anos de 2002 a 2010. O terceiro sistema analítico fará uma investigação do comércio dos países do grupo BRICS entre eles e deles com o mundo entre os anos de 2002 e 2010. Todas as análises serão acompanhads por gráficos e tabelas com explicações e análises dos dados coletados.
O capitulo 4, referente as Considerações Finais aborda uma análise conjuntural dos principais fatores econômicos entre o BRICS assim como observações sobre a importância do comércio multilateral entre seus países membros para garantir sua manutenção como um grupo modificador da balança de poder internacional.
Por fim as Referências onde a coleta de dados foi realizada.
No próximo será apontado o conteúdo bibliobráfico para a formação da fundamentação teórica.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Neste capítulo será apresentado uma abrangência do tema, baseando este estudo em autores e documentos relacionados com a área de integração regional e focando na questão de integração econômica que envolve dois ou mais países.
2.1 A ORIGEM DA NOVA ORDEM MUNDIAL
As consequências políticas e econômicas após a Segunda Guerra Mundial, ocasionaram uma reestruturação política a nível global. Esta nova estrutura política baseava-se nos aspectos de segurança nacional como uma forma preventiva de minimizar os riscos econômicos.
O pós Segunda Guerra Mundial deu início ao desenvolvimento da Guerra Fria levando países a procurarem estabilidade atraves de acordos bilaterais colaborando para uma nova perspectiva do jogo de poder global. Neste sentido, Dantas (1999, p. 204) explica que:
Para certos analistas, a globalização e a regionalização são os elementos estruturais constituidos da substituição de uma ordem na qual predominavam os objetivos de segurança da guerra fria por um de “nova ordem” dominado pela economia capitalista seguida pela queda do modelo de acumulação.
Essa nova ordem internacional reage simetricamente ao processo de globalização dentro de uma tendência temporal histórica de multipolaridade. Essa tendência integrativa econômica em blocos requer compromissos mútuos dos países-sócios e consequentemente diminuindo suas características de independência.
2.2 AS TENDÊNCIAS DO NOVO SISTEMA
O aumento da dependência entre estados partícipes de um processo de integração gera efeitos nesses países. Coutinho (1998, p.27) através da explicação do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que diz que:
A globalização da economia não elimina o Estado. Mas, admite que a globalização e a divisão do mundo em blocos econômicos, levam a uma redefinição do conceito de soberania. Traduzindo: o que era manifestação de soberania ontem, hoje não é mais. (CARDOSO apud COUTINHO, 1998).
Essa descrição de soberania do sociólogo Fernando Henrique Cardoso sobre a „soberania de ontem‟ tem seu presuposto no conceito de soberania de Rousseau onde propôs uma teoria que divide o poder soberano em dois novos conceitos:
Soberania Nacional, concepção desenvolvida por Sieyés, preconizando que a capacidade suprema de denominação pertence à nação, enquanto pessoa moral, distinta dos indivíduos que a compõem. Este tipo de soberania é indivisível e inalienável, manifesta pelos representantes eleitos que atuam livremente, não se vinculando aos grupos ou indivíduos, mas a toda nação;
Soberania popular, teoria que concebe a titularidade da soberania como pertencendo a todos componentes do povo, atribuindo a cada cidadão uma parcela do poder soberano.SOARES (2004, p.123).
Já a noção de soberania de hoje, descrita por Fernando Henrique, engloba os processos de integração e formação de blocos econômicos, como explica Soares (2004, p. 130):
A noção de soberania, acentuadamente histórico e jurídico, que serviu para consolidar a noção de estado, desvirtuada em reflexõesideológicas, constitui, entretanto, obstáculo a ser transposto, exigindo como presuposto a consolidação do estado democrático de direito e implicando a participação da sociedade civil nas decisões pertinentes à delegação de compet~encia para instituição de orgãos supranacionais, visando concretizar o processo de integração perpetrado pelas organizações internacionais. (SOARES (2004, p.130).
Desta forma, as dificuldades econômicas encontradas pelos países durante o início deste novo formato do sistema internacional são de caráter unitário, similares mas não iguais entre países. Com tudo, cada país dentro do processo de
integração se correlaciona simbioticamente em áreas estratégicas com base nos interesses de sua politica interna minimizando ao máximo o efeito no grau de soberania.
Com isso, independentemente de sua localização, países fazem acordos econômicos e procuram melhorar sua integração em várias áreas da economia. A integração regional ou regionalismo não deve dizer respeito somente aos países de fronteira mas é ilimitada a distância e posição geográfica.
Como se pode observar, não há uma especificidade geográfica na definição de regionalismo, ao contrário do que se possa penssar subtamente que o fator de proximidade geográfica seja a principal característica no significado de região e regional. Dessa forma, Hertz (2004, p. 170) define o regionalismo dizendo que:
Historicamente, as organizações funcionais, de segurança e de integração regional, e os acordos de integração econõmica podem surgir concomitantemente. Esse fenômeno é chamado de “regionalismo”. O termo regionalismo é bastante amplo, englobando esses três tipos de resultado institucional bem distintos, mas que tem como referencial comum o fato de envolverem atividades no âmbito de uma região geográfica específica, e não no âmbito universal /global. HERTZ (2004, p.170).
Por isso o processo de regionalização ou regionalismo é influenciado e influencia o fenômeno de globalização. Esse fenômeno de globalização gera como uma de suas consequências uma interdependência entre os países envolvidos em processos de regionalização. Com base neste fato, Pecequilo (2004, p. 202) diz que “os fenômenos de globalização e estes descritos de regionalização são processos paralelos e complementares de aumento da interdepenência no sistema internacional, mas não necessariamente iguais ou com os mesmos objetivos.”
Esse aumento da interdependência entre países é uma consequência do avanço da comunicação e tecnologia possibilitando um contato imédiato nas relações internacionais e criando uma nova visão do sistema internacional e balança de poder. È essa nova visão do sistema internacional que muitos autores descrevem como a nova ordem mundial. Autores como Vizentine (1996, p. 22) que diz que “O processo de globalização e integração econômica em blocos regionais constitui o
elemento dinâmico “construtivo” do atual movimento de reordenação das relações internacionais, rumo a uma nova ordem mundial.”
Esse movimento de reordenação teve como marco mais importante a interpretação de cada país sobre os fatos decorrentes durante e posteriormente ao evento da Guerra Fria.
Esse evento de certa forma colaborou para que os países se concientisassem de suas posições no contexto da política interna e externa e inciassem um momento de reflexão sobre sua fragilidade econômica, abrindo caminho para uma forma de relacionamento estatal baseada no desenvolvimento e crescimento. É com base nesta linha de pensamento que Leme (2011, Prefácio) afirma que:
É impossível entender a ordem internacional sem levar em conta o fato de que sobretudo a partir da guerra fria, emerge o que se pode chamar uma “consciência universal”: em muitas questões, e talvez as que dizem respeito a meio ambiente e direitos humanos sejam as mais evidentes, as referencias de legitimidade deixam de ser construção exclusiva dos Estados, como no direito internacional clássico, o de “coexistência” LEME (2011, Prefácio).
Essa afirmação mostra que o direito internacional vem se deslocando a paços largos à medida que o capitalismo avançava na nova era da comunicação e facilidade de locomoção. Empresas e organizações aproveitaram a oportunidade para expandirem seus negócio de forma à contribuir como atores internacionais com significante influência na balança de poder. Nesse sentido, Dantas (1999, p. 204) ressalta que:
A visão contemporânea de um sistema novo global, que inclui uma transição política (derivada das “democracias formais”) e transições sociais derivadas das mudanças políticas, da implementação generalizada da política econômica neoliberal, rápida mudanças tecnologicas e a crescente importância dos atores transnacionais (corporações) que, combinado com o retrocesso sofrido pelas formas de regulação estatal, ha dado como conssequencia um avanço das organizações não-governamentais, outros atores não estatais e, é preciso resaltar, tambem das organizações e grupos criminais. DANTAS (1999, p.204).
Este avanço organizacional descrito por Dantas (1999), deriva de uma consequência à desconfiança global generalizada do sistema capitalista concetrado em pequenos polos e da facilidade de locomoção e comunicação que facilitaram a concientização social. A tendência dos países veio a ser de procurar novas formas de manter um relacionamento econômico estratégico com outros países que tivessem o mesmo interesse de fazerem acordos e compromissos.
Diante deste desenvolvimento de relacionamento econômico, que Dantas (1999, p. 205) descreve o significado econômico na formação de grandes blocos como:
É dentro do contexto geral de reação a crise do acúmulo de capital dos anos 70 e 80 e a partir de seus centros (Estados Unido, União Européia e Japão) e em sua própria dinâmica, que deve ser entendida a tendência contemporânea da formação de grandes blocos comerciais, que assumem um peso geo-econômico e estratégico como nas novas areas-chave da expanção capitalista. DANTAS (1999, p.205).
A formação de blocos econômicos é visto como conssequência de uma necessidade principalmente dos países em desenvolvimento de incrementar o livre comércio e alavancar seu desenvolvimento econômico.
2.3 A FORMAÇÃO DE BLOCOS COMERCIAIS
Com a união comercial de países em diferentes áreas geográficas, surgem blocos comerciais que iniciam sua trajetória política e econômica atraves de modelos de integração que apresentam níveis adaptatívos distintos de acordo com o grau de cometimento entre seus países integrantes.
Assim é explicado no texto elaborado por Renato Baumann, Diretor do Escritório da Comissão Econômica para América Latina e Caribe - CEPAL no Brasil, e professor da Universidade de Brasília, para apresentação no Seminário “Celso Furtado e o Século XXI”, realizado pelo Instituto de Economia da UFRJ, que:
A teoria da integração constitui uma etapa superior da teoria do desenvolvimento e a política de integração, uma forma avançada de política de desenvolvimento. O
planejamento da integração surge, pois, como a forma mais complexa dessa técnica de coordenação das decisões econômicas. (BAUMANN, 2000 apud FURTADO, 2000, p.331 ).
È através desse planejamento visando a integração, que países procuram interagir economicamente decidindo em acordos o grau de integração de seus interesse. Essa integração de forma regional é definida por Hertz (2004, p. 168) como “o processo dinâmico de intensificação em profundidade e abrangência das relações entre atores levando à criação de novas formas de governança político-institucional de escopo regional.”
Essa nova forma de governança exige um compromentimento no processo de integração sendo benéfico aos países envolvidos principalmente quando essa itegração se dá entre países em desenvolvimento.
A definição e classificação de países subdesenvolvidos é baseada de acordo com a Organização Das Nações Unidas (2013, tradução nossa) em tres critérios:
1) Critério de baixa renda, com base em uma estimativa média de três anos de PIB per capita, com base no método Atlas do Banco Mundial (em 992 dólares para a inclusão, acima de $ 1,190 para a graduação aplicado no 2012 revisão trienal).
2) Índice de Human Assets (HAI), com base em indicadores de: (a) nutrição: porcentagem da população desnutrida, (b) Saúde: taxa de mortalidade de crianças de cinco anos ou menos, (c) Educação: a taxa de escolarização bruta do ensino secundário; e (d) taxa de alfabetização de adultos.
3) Economic Vulnerability Index (EVI), com base em indicadores de: (a) o tamanho da população, (b) o afastamento, (c) concentração das exportações de mercadorias; (d) participação da agricultura, silvicultura e pesca do produto interno bruto, (e) a parte da população que vive em zonas costeiras de baixa elevação, (f) a instabilidade das exportações de bens e serviços; (g) vítimas de desastres naturais, e (h) a instabilidade da produção agrícola.
Já em relação a definição e classificação de país desenvolvido, a Organização Das Nações Unidas (2013, tradução nossa) diz que “Não há nenhuma convenção estabelecida para a designação de países ou áres "desenvolvidos" e "em desenvolvimento" no sistema das Nações Unidas.”
Em relação a essa definição e país subdesenvolvido o professor Renato Baumann (BAUMANN, 2000 apud FURTADO, 2000, p. 331 ) continua a explicar
que:
A aproximação, seja de economias semelhantes, seja de economias díspares, mas sempre e quando integradas segundo um processo cauteloso, planejado, traria implicações importantes enquanto ferramenta de superação das limitações do subdesenvolvimento.
Tais limitações dos países subdesenvolvidos devem ocorrer principalmente no nível de participação ativa de suas economias no mundo onde desta forma minimizaria suas dependências econômica de países considerados já desenvolvidas.
Para que haja maior participação dos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento é necessário um comércio de poucas ou nenhuma barreira. A este propósito, Sena (2003, p. 63) esclarece que “os países em desenvolvimento precisam muito mais de livre-comércio do que ajuda financeira externa (cunhada na expressão trade, not aid).”
A esse respeito verifica-se que é por via do livre-comércio que as oportunidade geradas pela globalização proporcionáram de certa forma uma aproximação de vários países incluíndo aqueles ditos em desenvolvimento.
Tal problema encontrado pelos países em desenvolvimento fomenta iniciativas de aproximação entre países que se dá por interesse geralmente econômico de consequências políticas para a formação de uma integração econômica. Acompanhando suas políticas de desnvolvimento, esses países adotam níveis comerciais que assemelham-se ao grau de confiança e de seriedade quando formalizam um acordo de integração econômica.
Tais acordos criados no processo de integração objetivam a facilitação do comércio e servem de precedentes para a manutenção ou ampliação dessa relação.
2.4 FORMAS DE INTEGRAÇÃO REGIONAL
Existem várias formas de integração entre países que em geral apresentam-se entre os referenciais de livre-comércio, união aduaneira e o mercado comum. O livre comércio representa um marco importante na formação e manutenção da economia internacional. Diante disso, Sena (2003, p. 49) ressalta que: “o ponto inicial para qualquer discusão sobre o sistema econômico internacional reside na compreensão da noção de “livre-comércio”, que consiste na minimização da interferéncia estatal no flúxo comercial atravéz das fronteiras nacionais.”
Essa forma de integração baseada em zona de livre-comércio serve como ponto chave na relação integrativa e pode se desenvolver em outras formas mais avançadas de integração econômica de acordo com a maturidade e vontade política dos países-sócios.
Fica, pois, claro que a zona de livre comércio representa a forma inicial de integração como descrita por Dantas (1999, p.16) onde:
Zona de livre comércio é a modalidade mais primitiva de integração econômica e a mais utilizada pelos blocos econômicos. Prevê a livre circulação de bens sem barreiras ou restrições quantitativas ou aduaneiras onde os Estados integrantes conservam total liberdade nas relações com terceiros países.
Dada a consitência e confiança durante a integração dessas zonas de livre comércio, o passo adiante mais comum é a união aduaneira como descrita por Dantas (1999, p.16) que continua explicando as formas de integração regional onde: “A união aduaneira atinge um grau a mais em relação à zona de livre comércio ao comportar a livre circulação de bens, quer seja originado que dela fazem parte, quer sejam importadas de países terceiros, desde que sejam devidamente legalizados.”
Como marco ainda mais avançado de um processo de integração encontr-se o mercado comum e sua abrangência além do fator econômico como descrito por Dantas (1999, p16):
O mercado comum é formado por quatro liberdades e provocou uma grande revolução no que diz respeito à integração, já que as fronteiras internas dos países-sócios se abrem não só para as mercadorias circularem livremente, mas para que
pessoas possam se instalar, morar, trabalhar, investir e prestar serviços onde entenderem conveniente. DANTAS (1999, p.16).
Concluindo as formas de integração regional, Dantas (1999, p.16) observa que “a evolução das fases de integração econômica segue a da União Européia, ou melhor, é ela que está criando essas novas fases.”
Essas fases de integração económica quando bem sucedida tende a avançar para outras áreas de comum interesse em especial às de caráter culturais e sociais. Baseado neste fato Hertz (2004, p. 169) afirma que:
Ainda que a integração econõmica possa ser promovida intencionalmente como uma etapa de um processo de integração regional, como o advogado pelos funcionalistas, a integração regional, como aquí definida, envolve tambem questões sociais, políticas e culturais. HERTZ (2004, p.169).
São essas questões que durante o processo de integração econômica, independentemente do grau onde se encontram os paíes-sócios, que são tão importantes para que haja uma sinergia e um sentimento de colaboração de ganhos mútuos. Para minimizar a discrepância teórica em relação a prática, vários encontros com representações oficiais de cada Estado participante devem redigir um acordo com regras e normas de resolução de conflitos, garantindo assim a manutenção dos objetivos da integração.
É nesse sentido que se deve observar a importância de regras e objetivos comuns no processo de integração como explica Soros (2003, p.70):
A teoria econômica demonstrou que inalterado os demais fatores, o comercio internacional beneficia todas as partes. Ocorre que, na prática, os demais fatores raramente mantêm-se constante. Em especial, os ganhadores com o comércio internacionalraramente compensam os perdedores. Entretanto, poucas pessoas questionariam os benefícios do comércio internacional. Cada país contudo, pode tentar estrair benefícios adicionais, restringindo as importações ou subsidiando as exportações. È provável que as partes prejudicadas adotem medidas retaliatórias e, se o processo continuar descontrolado, tambem é provável que se percam os benefícios do livre comércio. Essa é a razão por que é tão importante estabelecerem regras gerais com as quais concordem todas as partes SOROS (2003, p.70).
Dessa forma a participação no comércio internacional atravez do livre-comércio gerando um processo de integração regional, favorece os países envolvidos quanto aos seus potenciais de influência no sistema internacional. Em concordância, Herz (2004, p. 174) observa que “no que se refere aos aspectos econômicos, a maior motivação para esse novo impulso de regionalismo foi a busca de uma melhor inserção na economia internacional no contexto do processo de globalização econômica.”
Baseado nesta afirmação, verifica-se que o processo de integração regional pricipalmente o que envolve os países em desenvolvimento se dá paralelamente e consequentemente ao processo de globalização atravez das iniciativas de livre-comércio favorecendo os países envolvidos dentro do sistema internacional e proporcionando um maior poder em questões globais.
Por decorrência disso, tornou-se fundamental como estratégia política, econômica e de segurança, a cooperação entre países. Essa cooperação atravez de regras mútuas consensuais formalizam uma integração regional.
2.5 A DIFERENCIAÇÃO DO GRUPO BRICS
Dentro do processo de integraão econômica, há vários modelos e possibilidades de linhas simétricas de penssamento e de tendências. Estas teorias explicam processos integrativos entre países desde o final da Segunda Guerra Mundial. Nos tempos atuais, as teorias modernas pecam em uma explicação comparativa com às teorias clássics e com as tendências do mundo unipolar.
Com o surgimento da classificação de países emergentes, surge uma derivação teórica na tentativa de explicar uniões estratégicas entre países. Estas uniões, em particular no caso da união entre o Brasil, Rússia, Índia e China, tem comumente um caráter informal, não organizado e com objetivos políticos.
A união informal do grupo BRICS apresenta um mistura de características que o faz um caso a parte de sua classificação como um Bloco Econômico. Se por um lado as conssequências desta união estratégica gera um crescimento econômico e integração cultural caracterizando um Bloco Econômico, em contra partida, acordos de livre comércio e de mercado comum estão distantes da pauta do grupo.
Os países do BRICS hoje, apresentam condutas comerciais entre eles mas não para com países fora do grupo dividindo assim a definição clássica de união aduaneira.
O grupo BRICS possui um grau político de integração alto com vantágens econômicas, sem, neste momento, apresentar propostas de obter uma união econômica e monetária mas de obter um banco de fomento de investimento rivalidando o Fundo Monetário Internacional – FMI.
Mesmo não apresentando todas as caráterísticas de um Bloco Econômico, o BRICS é sem dúvida a maior potência em grupo do mundo.
3 PRINCIPAIS INDICADORES ECONÔMICOS
Para a elaboração de estudo comparativo entre os cinco países do grupo do BRICS, foram selecionados dezenove características e varíáveis econômicas que demonstrem uma visão abrangente da economia de cada país membro. Todos os dados coletados são referentes ao período anual de 2002 a 2010. Como a primeira cúpula do BRICS ocorreu em 2006, o período selecionado reflete a intenção de comparar o flúxo econômico das variáveis escolhidas quatro anos antes do primeiro encontro oficial com os quatro anos subsequentes. Dentro deste pensamento metodológico será possível observar se os países do grupo BRICS se beneficiaram mais economicamente de suas transações comerciais entre eles ou com seus principais parceiros comerciais no mundo.
Este capítulo compreende a análise de cada variável econômica relevante a cada um dos cinco países do grupo BRICS.
Primeiro, para cada país será apresentado informações de forma geral como história, independência e outros informações relevante para uma melhor compreenção de cada país.
Em seguida, será apresentado um resumo estatístico de cada país como região global em que se encontra, moeda utilizada, área superficial, população no ano de 2013, densidade populacional no ano de 2013, cidade capital e população referente ao ano de 2013 e data de membro das Nações Unidas.
Todas as variáveis econômicas a serem analisadas serão definidas pela fonte virtual „tradingeconomics‟ com referência ao Banco Mundial e estarão dentro do período anual entre 2002 e 2010 que são: taxa anual de crescimento do produto interno bruto, o produto interno bruto, exportação em geral, os dez principais destinos das exportações, os cinco principais produtos exportados para cada ano acumulado dentro do perído proposto, importações em geral, os dez principais países de origem das importações, os cinco principais produtos importados para cada ano acumulado dentro do período proposto, dívida externa, investimento externo direto e balança comercial.
A variável econômica taxa anual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será entendida neste trabalho como uma medida do aumento do valor dos bens e serviços produzidos por uma economia durante o período de um ano. Portanto, ao contrário da taxa de crescimento do PIB trimestral comumente usada,
para fins comparativos, será utilizada a taxa de crescimento anual do PIB que leva em conta um ano de atividade econômica, evitando assim a necessidade de fazer qualquer tipo de ajuste sazonal. (TRADINGECONOMICS, 2014, tradução nossa).
O produto interno bruto (PIB) ou o rendimento nacional bruto (GDI) é uma das medidas de rendimento e produção nacional muito importante para este estudo. O PIB pode ser definido de três formas, que devem dar resultados idênticos. Primeiro, ele é igual ao total das despesas de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do país em um determinado período de tempo (geralmente um ano de 365 dias). Segundo, é igual à soma do valor adicionado em cada etapa da produção em todas as indústrias, mais impostos e menos subsídios sobre os produtos. Terceiro, é igual à soma da renda gerada pela produção, como remuneração dos empregados, impostos sobre a produção e as importações menos subsídios, e excedente bruto de exploração. (TRADINGECONOMICS, 2014, tradução nossa).
A variável exportação será apresentada de três formas que representem de forma geral, principais destinos das exportações e principais produtos exportados. Como classificação geral, a variável exportação aquí, medirá a quantidade de bens ou serviços que os produtores nacionais fornecem aos consumidores estrangeiros. É um produto que é enviado para outro país para a venda. (TRADINGECONOMICS, 2014, tradução nossa).
A variável importação tambem será apresentada de três formas, de forma geral, origens das importações e principais produtos importados. Neste trabalho uma importação será classificada como qualquer bem ou serviço que entra em um país de outro país de forma legítima, geralmente para uso no comércio. Bens ou serviços de importação são fornecidos aos consumidores domésticos por produtores estrangeiros. Uma importação no país receptor é uma exportação para o país de origem. Importação de bens normalmente requer o envolvimento das autoridades aduaneiras, tanto no país de importação quanto no país de exportação e é frequentemente sujeita a quotas de importação, tarifas e acordos comerciais. (TRADINGECONOMICS, 2014, tradução nossa).
A dívida externa deverá ser compreendida neste trabalho como uma parte da dívida total que é devido aos credores fora do país. (TRADINGECONOMICS, 2014, tradução nossa).
De acordo com as informações divulgadas pelo Banco Mundial sobre investimentos estrangeiros diretos, estes são as entradas líquidas de investimento para adquirir uma participação de gestão duradoura (10 por cento ou mais do capital votante), em uma empresa que opera em uma economia diferente da do investidor. Para este trabalho, o investimento estrangeiro direto deverá ser compreendico como a soma do capital próprio, reinvestimento de lucros, outra de capital de longo prazo e capital de curto prazo, como mostrado na balança de pagamentos. (BANCO MUNDIAL, 2014, tradução nossa).
Por fim a última variável econômica a ser analisada será a balança comercial que é a diferença entre o valor monetário das exportações e importações em uma economia ao longo de um determinado período de tempo. A balança comercial positiva é conhecida como um superávit comercial e ocorre quando o valor das exportações é superior ao das importações, um saldo negativo do comércio é conhecido como um déficit comercial. (TRADINGECONOMICS, 2014, tradução nossa).
3.1 PAÍSES MEMBROS DO GRUPO BRICS
O grupo BRICS está composto atualmente por cinco países; Brasil, Rússia,Índia, China e Africa do Sul. O acrônimo BRICS vem do nome dos países do grupo em língua inglesa seguindo a ordem Brazil, Russia, India, China e South Africa.
Esta seção secundária do capítulo, apresentará as características e variáveis econômicas selecionadas seguindo a ordem do acrônimo BRICS.
3.1.1 O Brasil.
O Brasil, oficialmente chamado de República Federativa do Brasil é um dos países fundadores do grupo BRICS. O Brasil possui um sistema de governo presidencialista e mesmo antes da formação oficial do grupo, o Brasil mantinha relações comerciais com os outros países membros do BRICS.
Para melhor compreender o processo histórico do Brasil e o valor dos principais indicadores econômicos, é apresentado um estudo destes tópicos na seção quaternária abaixo.
3.1.1.1 Informações Gerais
O Brasil conquistou sua independência em 1822 depois de mais de três séculos sob o domínio Português. Durante este período o sistema monárquico se manteve até a abolição da escravatura em 1888 e a proclamação da república se deu pelos militares em 1889. Os exportadores de café brasileiros dominavam o país politicamente até a acenssão de Getúlio Vargas em 1930. O Brasil é o país mais populoso da América do Sul e passou por uma transição de mais de meio século de governo militar e populista até 1985 quando o regime militar pacificamente cedeu os poderes aos governantes civis. O Brasil continua a buscar o crescimento industrial e agrícola assim como o desenvolvimento do interior. Atraves da exploração de seus recursos naturais e um grande número de trabalhadores, o Brasil tem hoje um poder econômico de liderança na América do Sul e é a sexta maior economia do mundo. O país tem uma grande presença nos mercados financeiros internacionais e pertence a um grupo de cinco economias emergentes formada por Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul descrito em acrônimo como BRICS. (BANCO MUNDIAL, 2014, tradução nossa).
Tabela 1 - Resumo Estatístico do Brasil
Região América do Sul
Moeda Real (BRL)
Área Superficial 8.514.876 Km2
População em 2013 (IBGE) 201.032.714
Densidade populacional em 2013 23.6 habitantes/Km2
Cidade capital e população em 2013 Brasília 2.789.761
Data de membro das Nações Unidas 24 Outrubro de 1945
3.1.1.2 Brasil: taxa anual de crescimento do pib
O Gráfico 1 abaixo demosntra a evolução da Taxa Anual de Crescimento do PIB Brasileiro entre os anos de 2002 a 2013. Note que a Taxa Anual de Crescimento do PIB do Brasil expandiu 2,20 por cento no terceiro trimestre de 2013 em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A taxa de crescimento anual do PIB no Brasil é divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa anual de crescimento do PIB brasileiro foi em média 3,11 por cento entre os anos de 1991 até 2013, atingindo a taxa mais alta de 10,10 por cento no primeiro trimestre de 1995 e a taxa mais baixa de -3,15 por cento no primeiro trimestre de 1992. O Brasil é a sexta maior economia do mundo e a maior da América Latina. O setor de Serviços é o mais importante e é responsável por 69 por cento do total do PIB. Os maiores segmentos dentro de Serviços são: governo, educação e saúde (17 por cento do PIB total) e outros serviços (16 por cento), comércio por atacado e varegista (13 por cento), imobiliário (8 por cento) e de negócios e serviços financeiros (7 por cento ). A indústria constitui 26 por cento do PIB e os maiores segmentos dentro deste setor são: produção (13 por cento do PIB total), construção (6 por cento) e mineração (4 por cento). O setor de agricultura representa 5 por cento do restantes do PIB. (TRADINGECONOMICS, 2014, tradução nossa).
Gráfico 1 – Taxa Anual de Crescimento do PIB do Brasil (Variações na % PIB)
3.1.1.3 Produto interno bruto do Brasil
O Gráfico 2 abaixo representa a evolução do Produto Interno Bruto Brasileiro entre os anos de 2002 a 2013. Note que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi no valor de USD 2.435,20 bilhões em 2012. O valor do PIB do Brasil representa 3,93 por cento da economia mundial. As informações sobre o PIB do Brasil são aquí introduzido através dos dados apresentados pelo Grupo do Banco Mundial. De 1960 até 2012, o PIB do Brasil foi em média USD 929,1 Bilhões atingindo o valor mais alto de USD 2.825,5 bilhões em dezembro de 2007 e um valor mais baixo de USD 72,3 bilhões em dezembro de 1960. Dentro do período entre os anos de 2002 a 2010, o valor mais baixo do PIB brasileiro foi de USD 1.468 bilhões em 2002. (TRADINGECONOMICS, 2014, tradução nossa).
Gráfico 2 – Produto Interno Bruto do Brasil (bilhões de U.S dólares)
3.1.1.4 Exportações do Brasil Fonte: Tradingeconomics, 2014 .
O gráfico 3 abaixo demonstra o fluxo de valores mensais de exportação brasileira entre janeiro de 2002 e janeiro de 2014. Note-se que o valor das exportações do Brasil em novembro de 2013 foi de USD 20,86 bilhões, e em dezembro deste mesmo ano teve um recuo no valor de USD 20,84 milhões. Os dados das exportações brasileiras aquí analisados provêm do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Desde 1954 até o ano de 2013, as exportações do Brasil tiveram um valor médio de USD 3,97 bilhões atingindo a maior alta de USD 26,15 bilhões em agosto de 2011 e uma maior baixa de USD 75,06 milhões em janeiro de 1965. O Brasil tem uma economia voltada para a exportação. Brasil é o maior exportador mundial de soja (41 por cento das exportações mundiais ) e de suco de laranja (55 por cento das exportações mundiais) e é responsável por 35 por cento das exportações mundiais de açúcar bruto e açúcar refinado. Outras exportações são: minério de ferro e seus concentrados (13 por cento), óleo (8 por cento) açúcar em bruto (4 por cento) e café (2,4 por cento). Os principais destinos das exportações brasileiras são a China (19 por cento do total das exportações) e Estados Unidos (10 por cento). Outros incluem: Argentina, Holanda, Japão e Alemanha. (TRADINGECONOMICS, 2014, tradução nossa).
Gráfico 3 – Valores das Exportações do Brasil (Mensais em milhões de USD)
3.1.1.5 Brasil: principais destinos das exportações
A Tabela 2 e o Gráfico 4 abaixo demonstram com base na porcentagem total das exportações brasileiras, os dez principais destinos das exportações do Brasil mais Rússia, Índia e Africa do Sul, para cada ano em um período entre os anos de 2002 e 2010. A porcentagem (do total das exportações brasileiras) para a China foi de 15,06% em 2010, um aumento de quase 11 pontos percentuais a partir de 2002. Em 2002 os Estados Unidos receberam 25,11% do total das exportações do Brasil, sofrendo uma queda de quase 15 pontos percentuais ao final do ano de 2010. Os dados dos principais destinos das exportações do Brasil são divulgados pelo Ministério do desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Desde 2002 até o ano de 2010, a média da porcentágem parcial das exportações para a China foi de 7,15% e para os Estados unidos de 17,16%. A maior porcentagem parcial das exportações brasileiras dentro deste período foi de 25,11% para os Estados Unidos em 2002 e a mais baixa foi de 0,56 para a Índia em 2008. (THE OBSERVATORY OF ECONOMIC COMPLEXITY, 2014 ; BRASIL, 2014, tradução nossa).
Tabela 2 – Principais Destinos das Exportações do Brasil (% do Total)
País/Ano 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 China 4,14 6,05 6,5 5,64 6,03 6,51 8,06 12,92 15,06 Estados Unidos 25,11 22,46 20,41 19,09 17,81 15,24 13,9 10,54 9,94 Argentina 3,84 6,02 7,32 8,34 8,32 8,81 8,74 7,78 8,77 Holanda 4,81 5,29 5,64 4,10 3,80 5,11 4,71 4,63 4,45 Japão 3,44 3,13 2,84 2,91 2,88 2,76 3,19 2,91 3,63 Alemanha 4,53 4,72 4,53 4,71 4,85 5,21 5,16 4,5 4,44 Venezuela 1,27 0,80 1,40 1,77 2,30 2,51 2,44 2,28 1,81 Chile 2,45 2,53 2,61 2,97 2,84 2,66 2,43 1,75 2,17 Mexico 3,8 3,74 4,00 3,50 3,29 2,85 2,2 1,86 1,85 Reino Unido 3,05 2,7 2,34 2,29 2,18 2,14 2,06 2,53 2,37 Italia 3,03 3,01 2,84 2,73 2,83 2,99 2,57 2,07 2,04 França 2,83 2,73 2,45 2,32 2,19 2,39 2,36 2,10 1,96 Índia 1,08 0,76 0,67 0,96 0,68 0,60 0,56 2,23 1,73 Rússia 2,07 2,05 1,72 2,46 2,50 2,33 2,35 1,87 2,06 Africa do Sul 0,79 1,00 1,07 1,16 1,06 1,09 0,89 0,82 0,65
Para melhor visualização evolutiva dos principais destinos das exportações brasileiras para com os países do grupo BRICS, o Gráfico 4 abaixo demonstra o flúxo evolutivo onde a China evoluiu da quarta posição no ano de 2002 para a primeira posição no ano de 2010. Entre este período, as exportações
brasileiras para a Índia aumentaram 0,65 pontos percentuais e as exportações para a Rússia e Africa do Sul diminuiram 0,01 e 0,14 pontos percentuis respectivamente. O valor percentual máximo da Índia, com base no total dos principais destinos das exportações do Brasil, foi de 2,23 por cento em 2009 e o valor mínimo de 0,56 por cento em 2008. Para a Rússia o valor máximo foi de 2,50 por cento em 2005 e mínimo de 1,72 por cento em 2004. A Africa do Sul teve o menor desenpenho dentro dos países do grupo BRICS com o valor máximo de 1,16 por cento em 2005 e mínimo de 0,65 por cento em 2010. (THE OBSERVATORY OF ECONOMIC COMPLEXITY, 2014 ; BRASIL, 2014,).
Gráfico 4 – Brasil: Principais Destinos das Exportações
3.1.1.6 Brasil: os principais produtos exportados
A Tabela 3 e o Gráfico 5 abaixo representam com base na porcentagem total dos produtos exportado os principais produtos exportados pelo Brasil para cada
4,14 6,05 6,5 5,64 6,03 6,51 8,06 12,92 15,06 25,11 22,46 20,41 19,09 17,81 15,24 13,9 10,54 9,94 3,84 6,02 7,32 8,34 8,32 8,81 8,74 7,78 8,77 4,81 5,29 5,64 4,1 3,8 5,11 4,71 4,63 4,45 3,44 3,13 2,84 2,91 2,88 2,76 3,19 2,91 3,63 4,53 4,72 4,53 4,71 4,85 5,21 5,16 4,5 4,44 2,45 2,53 2,61 2,97 2,84 2,66 2,43 1,75 2,17 3,8 3,74 4 3,5 3,29 2,85 2,2 1,86 1,85 3,03 3,01 2,84 2,73 2,83 2,99 2,57 2,07 2,04 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
China Estados Unidos Argentina Holanda Japão
Alemanha Venezuela Chile Mexico Reino Unido
Italia França Índia Rússia Africa do Sul