COORDENAÇÃO DO CURSO DE TECNOLOGIA EM DESIGN DE MODA – CODEM
CURSO DE TECNOLOGIA EM DESIGN DE MODA
ANDREIA CRISTINA VIALLI RODRIGUES
REDESIGN DE JALECOS COM APLICAÇÃO DE RESÍDUOS
DE TECIDOS SINTÉTICOS
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
APUCARANA 2016
REDESIGN DE JALECOS COM APLICAÇÃO DE RESÍDUOS
DE TECIDOS SINTÉTICOS
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito parcial à obtenção do título de Tecnólogo em Design de Moda da Coordenação do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Orientador: Profª. Drª. Valquíria Aparecida dos Santos Ribeiro.
APUCARANA 2016
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Câmpus Apucarana
CODEM – Coordenação do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
PR
TERMO DE APROVAÇÃO
Título do Trabalho de Conclusão de Curso Nº 219
Redesign de jalecos com aplicação de resíduos de tecidos sintéticos por
ANDRÉIA CRISTINA VIALLI RODRIGUES
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi apresentado aos trinta dias do mês de novembro do ano de dois mil e dezesseis, às vinte horas, como requisito parcial para a obtenção do título de Tecnólogo em Design de Moda, linha de pesquisa Processo de Desenvolvimento de Produto, do Curso Superior em Tecnologia em Design de Moda da UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A candidata foi arguida pela banca examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a banca examinadora considerou o trabalho aprovado.
______________________________________________________________ PROFESSOR(A)VALQUIRIA APARECIDA DOS SANTOS RIBEIRO–
ORIENTADOR(A)
______________________________________________________________ PROFESSOR(A) GABRIELA MARTINS DE CAMARGO – EXAMINADOR(A)
______________________________________________________________ PROFESSOR(A) MARCIO ROBERTO GHIZZO – EXAMINADOR(A)
RODRIGUES, Andreia Cristina Vialli. Redesign de jalecos com aplicação de
tecidos sintéticos. 2016. 130. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnologia em
Design de Moda) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Apucarana, 2016.
A gestão de resíduos sólidos é tema de discussões em diversos setores, desde a produção até o descarte inadequado em aterros sanitários ou lixões. Os resíduos necessitam de gerenciamento a fim de minimizar os prejuízos causados ao ambiente e à saúde humana. Nota-se que a indústria da moda tem procurado alternativas sustentáveis, reaproveitando os resíduos sólidos no desenvolvimento de peças e acessórios. Retalhos de tecidos gerados no processo produtivo se transformam em novos produtos, fomentando o reaproveitamento, a redução de desperdício e uma oportunidade de lucro. Neste cenário, pretende-se desenvolver uma linha de jalecos direcionada a funcionários de escolas da cidade de Apucarana – PR, reaproveitando os resíduos sintéticos da empresa Bordados. Para um melhor embasamento, este estudo irá abordar aspectos sobre os resíduos sólidos urbanos no Brasil e a influência no design; conceituar os termos ecodesign e redesign e expor ações de moda sustentável a partir do reaproveitamento de resíduos têxteis.
RODRIGUES, Andreia Cristina Vialli. Redesign work coats using residues of
synthetic tissue. 2016. 130. Work Completion Course II (Fashion Design
Technology) - Federal Technology University - Paraná. Apucarana, 2016.
The solid waste management is discussion topic in many sectors, from production to the improper disposal in landfills or dumps, waste management need to minimize the damage caused to the environment and human health. Lately, the fashion industry has been seeking sustainable alternatives, reusing solid waste in the development of parts and accessories. Scraps from the textile industry, generated in the production process, are transformed in new products, promoting recycling, reducing waste and a profit opportunity. Thus, it is intend to develop a line of work coats directed to employees of schools in Apucarana – Paraná, reusing synthetic waste company Bordados. For a better basis, this study will address aspects of urban solid waste in Brazil and the influence on the design; conceptualize the ecodesign terms and redesign and expose sustainable fashion actions from the reuse of textile residues.
Figura 1 – Peça de couro de látex natural (Osklen) ... 15
Figura 2 – Peças desenvolvidas com câmera de ar de pneu e restos de etiquetas .. 16
Figura 3 – Reciclagem de retalhos do estilista Geová Rodrigues ... 19
Figura 4 – Logo da marca ... 28
Figura 5 – Brindes ... 31
Figura 6 – Simulação do interior da loja (vista frontal) ... 32
Figura 7 – Simulação do interior da loja (vista perfil) ... 32
Figura 8 – Embalagem da marca ... 33
Figura 9 – Tag da marca ... 34
Figura 10 – Cartão de visita da marca ... 35
Figura 11 – Público alvo ... 36
Figura 12 – Macrotendência ... 37
Figura 13 – Caderno de Micro tendência #TrendTopic4 Luxo x Lixo ... 38
Figura 14 – Caderno de Micro tendência – Moda circular ... 39
Figura 15 – Imagem de referência da coleção: recortes que traçam a linha da vida 42 Figura 16 – Shape linha “A”... 43
Figura 17 – Painel semântico ... 46
Figura 18 – Cartela de cores ... 47
Figura 19 – Cartela de materiais ... 48
Figura 20 – Look 01: Jaleco JVWT 01 ... 49
Figura 21 – Look 02: Jaleco JVBA 01 ... 50
Figura 22 – Look 03: Jaleco JVBA 02 ... 51
Figura 23 – Look 04: Jaleco JVVL 01 ... 52
Figura 24 – Look 05: Jaleco JVBA 03 ... 53
Figura 25 – Look 06: Jaleco JVVL 02 ... 54
Figura 26 – Look 07: Jaleco JVVL 03 ... 55
Figura 27 – Look 08: Jaleco JVBA 04 ... 56
Figura 28 – Look 09: Jaleco JVBA 05 ... 57
Figura 29 – Look 10: Jaleco JVBA 06 ... 58
Figura 30 – Look 11: Jaleco JVVL 04 ... 59
Figura 31 – Look 12: Jaleco JVBA 07 ... 60
Figura 32 – Look 13: Jaleco JVBA 08 ... 61
Figura 33 – Look 14: Jaleco JVVL 05 ... 62
Figura 34 – Look 15: Jaleco JVVL 06 ... 63
Figura 35 – Look 16: Jaleco JVWT 02 ... 64
Figura 36 – Look 17: Jaleco JVVL 07 ... 65
Figura 37 – Look 18: Jaleco JVVL 08 ... 66
Figura 40 – Look 21: Jaleco JVWT 03 ... 69
Figura 41 – Look 22: Jaleco JVBA 11 ... 70
Figura 42 – Look 23: Jaleco JVBA 12 ... 71
Figura 43 – Look 24: Jaleco JVBA 13 ... 72
Figura 44 – Look 25: Jaleco JVBA 14 ... 73
Figura 45 – Look 1: Jaleco JVWT 01 ... 74
Figura 48 – Look 2: Jaleco JVVL 01 ... 75
Figura 50 – Look 3: Jaleco JVVL 02 ... 76
Figura 46 – Look 4: Jaleco JVBA 01 ... 77
Figura 47 – Look 5: Jaleco JVBA 02 ... 78
Figura 49 – Look 6: Jaleco JVBA 03 ... 79
Figura 51 – Ficha técnica 1. Folha 1 ... 80
Figura 52 – Ficha técnica 1. Folha 2 ... 81
Figura 53 – Ficha técnica 1. Folha 3 ... 82
Figura 54 – Ficha técnica 1. Folha 4 ... 83
Figura 55 – Ficha técnica 2. Folha 1 ... 84
Figura 56 – Ficha técnica 2. Folha 2 ... 85
Figura 57 – Ficha técnica 2. Folha 3 ... 86
Figura 58 – Ficha técnica 2. Folha 4 ... 87
Figura 59 – Ficha técnica 3. Folha 1 ... 88
Figura 60 – Ficha técnica 3. Folha 2 ... 89
Figura 61 – Ficha técnica 3. Folha 3 ... 90
Figura 62 – Ficha técnica 3. Folha 4 ... 91
Figura 63 – Ficha técnica 4. Folha 1 ... 92
Figura 64 – Ficha técnica 4. Folha 2 ... 93
Figura 65 – Ficha técnica 4. Folha 3 ... 94
Figura 66 – Ficha técnica 4. Folha 4 ... 95
Figura 67 – Ficha técnica 5. Folha 1 ... 96
Figura 68 – Ficha técnica 5. Folha 2 ... 97
Figura 69 – Ficha técnica 5. Folha 3 ... 98
Figura 70 – Ficha técnica 5. Folha 4 ... 99
Figura 71 – Ficha técnica 6. Folha 1 ... 100
Figura 72 – Ficha técnica 6. Folha 2 ... 101
Figura 73 – Ficha técnica 6. Folha 3 ... 102
Figura 74 – Ficha técnica 6. Folha 4 ... 103
Figura 75 – Prancha JVWT 01 ... 104
Figura 76 – Prancha JVVL 01 ... 105
Figura 77 – Prancha JVVL 02 ... 106
Figura 78 – Prancha JVBA 01 ... 107
Figura 81 – Look confeccionado 01 ... 110
Figura 82 – Look confeccionado 02 ... 111
Figura 83 – Look confeccionado 03 ... 112
Figura 84 – Look confeccionado 04 ... 113
Figura 85 – Look confeccionado 05 ... 114
Figura 86 – Look confeccionado 06 ... 115
Figura 87 – Capa e contracapa do catálogo ... 116
Figura 88 – Make-up ... 117
Figura 89 – Hair ... 117
Figura 90 – Sequência da entrada do desfile ... 119
Figura 91 – Dossiê eletrônico ... 120
Gráfico 1 – Dados coletados com a aplicação do questionário – 1ª pergunta ... 22
Gráfico 2 – Dados coletados com a aplicação do questionário – 2ª pergunta ... 23
Gráfico 3 – Dados coletados com a aplicação do questionário – 3ª pergunta ... 24
Gráfico 4 – Dados coletados com a aplicação do questionário – 4ª pergunta ... 25
Gráfico 5 – Dados coletados com a aplicação do questionário – 5ª pergunta ... 26
Quadro 1 – Classificação das empresas quanto à receita bruta anual – Lei Nº 123/06 ... 27
Quadro 2 – Classificação das empresas quanto ao número de empregados ... 27
1INTRODUÇÃO ...9 1.1 PROBLEMA ...10 1.2 JUSTIFICATIVA ...10 1.3 OBJETIVOS ...11 1.3.1 Objetivo geral ...11 1.3.2 Objetivos específicos ...11 2FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ...12 2.1 RESÍDUOS SÓLIDOS ...12
2.2 ECODESIGN E A SUSTENTABILIDADE NA MODA ...13
2.3 REDESIGN E RESÍDUOS DE TECIDOS ...16
3METODOLOGIA ...20
3.1 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ...20
3.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS ...21
4DIRECIONAMENTO MERCADOLÓGICO ...27 4.1 EMPRESA ...27 4.1.1 Nome da empresa ...27 4.1.2 Porte ...27 4.1.3 Marca ...28 4.1.4 Conceito da marca ...28 4.1.5 Segmento da marca ...29 4.1.6 Distribuição ...29
4.1.7 Concorrentes diretos e indiretos ...29
4.1.8 Sistema de vendas ...29
4.1.9 Ponto de venda ...30
4.1.10 Preços praticados ...30
4.1.11 Marketing ...30
4.1.12 Promoções ...30
4.1.13 Planejamento visual e embalagem ...31
4.1.14 Planejamento da tag ...34
4.1.15 Planejamento do cartão de visita ...35
4.2 PÚBLICO-ALVO ...35
4.3 PESQUISA DE TENDÊNCIAS ...37
4.3.1 Macrotendências (Sociocultural) ...37
4.3.2 Micro tendência (Estética) ...38
5DESENVOLVIMENTO DO PROJETO ...40
5.1 DELIMITAÇÃO DO PROJETO ...40
5.3 NOME DA COLEÇÃO ...42
5.4 REFERÊNCIA DA COLEÇÃO ...42
5.4.1 Cores ...43
5.4.2 Materiais ...43
5.4.3 Formas e estruturas (shapes) ...43
5.4.4 Tecnologias...44 5.4.5 Mix de coleção ...45 5.5 PAINEL SEMÂNTICO ...46 5.6 CARTELA DE CORES ...47 5.6.1 Cartela de materiais ...48 5.7 GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS ...49
5.8 ANÁLISE E SELEÇÃO JUSTIFICADA DAS ALTERNATIVAS ...74
5.9 FICHA TÉCNICA DOS LOOKS CONFECCIONADOS ...80
5.10 PRANCHA DOS LOOKS ...104
5.11 LOOKS CONFECCIONADOS ...110
6CATÁLOGO IMPRESSO ...116
7DESFILE ...117
7.1 MAKE-UP E HAIR ...117
7.2 TRILHA SONORA ...118
7.3 SEQUÊNCIA DE ENTRADA DO DESFILE ...119
8DOSSIÊ ELETRÔNICO ...120
9CONSIDERAÇÕES FINAIS ...121
REFERÊNCIAS ...122
APÊNDICE A -Planilha semanal de desperdícios de resíduos do corte a laser da empresa de Bordados...126
1 INTRODUÇÃO
Uma das grandes preocupações da atualidade é a gestão dos resíduos sólidos. O desperdício de materiais e a disposição inadequada são observados em diversos setores, causando prejuízos ao ambiente e à saúde humana. Embora tenham grande potencial de reutilização e reciclagem, a grande maioria dos resíduos é descartada em aterros sanitários ou lixões a céu aberto, evidenciando a necessidade de medidas que promovam a conscientização nas indústrias.
Paralelamente, nota-se que a indústria da moda tem procurado alternativas sustentáveis, reaproveitando os resíduos sólidos no desenvolvimento de peças e acessórios, com o apoio do consumidor. Retalhos de tecidos de algodão e sintéticos gerados no processo produtivos se transformam em novos produtos, fomentando o reaproveitamento, a redução de desperdício e uma oportunidade de lucro.
Frente ao desequilíbrio ecológico, o reaproveitamento de resíduos têxteis é de grande relevância e pode ser aplicado em diversos contextos. Habitualmente encontrado no meio laboral, os uniformes são amplamente utilizados. Seja pela imagem de profissionalismo, padronização ou praticidade que proporcionam, os uniformes estão cada vez mais valorizados devido à criação de tecidos mais modernos, confortáveis e sofisticados, aliada ao surgimento dos profissionais de designer (SEBRAE, 2011). Se confeccionando a partir de conceitos sustentáveis, o produto agrega valores ambientais, econômicos e sociais.
Nesta perspectiva, o presente projeto visa o aproveitamento de resíduos sintéticos de uma empresa de pequeno porte de bordados industrial, situada na cidade de Apucarana, Paraná. Aplicando o conceito de redesign, pretende-se desenvolver uma linha de jalecos direcionada a funcionários de escolas da região, colaborando para que a indústria reduza os impactos ao meio ambiente. Para um melhor embasamento, este estudo irá abordar aspectos sobre os resíduos sólidos urbanos no Brasil e a influência no design; conceituar os termos ecodesign e redesign e expor ações de moda sustentável a partir do reaproveitamento de resíduos têxteis.
1.1 PROBLEMA
Qual a melhor maneira de aproveitar os resíduos de tecidos sintéticos de uma empresa de bordado industrializado?
1.2 JUSTIFICATIVA
Devido ao elevado crescimento da população mundial, a quantidade de resíduos gerados cresce em maior proporção. Fábricas produzem cada vez mais para atender a demanda, gerando um ciclo vicioso. Embora haja ações e projetos para a reutilização destes resíduos, muitos problemas ainda são encontrados em razão do descarte incorreto de materiais, gerando impactos econômicos, sanitários e sociais.
Considerando a urgência desta problemática, o redesign se apresenta como uma alternativa oportuna para reutilizar e reciclar os resíduos. Especialmente no âmbito da moda, este processo consiste em aperfeiçoar uma peça, criar um novo modelo com base em peça já existente, atualizar um produto seguindo novas tendências ou reutilizar a matéria-prima para aproveitamento em outras peças (SEBRAE, 2016).
A partir deste conceito, optou-se em desenvolver uma nova linha de jalecos, aplicando os resíduos de tecidos sintéticos descartados por uma empresa de bordados industrializados. O projeto será de grande importância em virtude de desenvolver um produto a partir de certas premissas da moda sustentável: reaproveitar resíduos; agregar valor e identidade aos produtos; reduzir o descarte; preservar o ambiente e ainda gerar uma nova fonte de lucro. A opção pelo jaleco se deu por constituir-se de uma peça necessária em diversas atividades profissionais e pela grande valorização do segmento de uniformes padronizados.
O jaleco é considerado parte dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), segundo a Norma Regulamentadora 6 (NR 6), da Portaria n° 3.214. O mesmo é encontrado em diferentes modelos e confeccionado nos mais diversos materiais (SILVA JUNIOR et al., 2004). O redesign deste equipamento será adaptado às
necessidades dos funcionários de escolas de Apucarana-PR, oferecendo conforto e versatilidade.
1.3 OBJETIVOS
1.3.1 Objetivo geral
Desenvolver uma linha de jalecos utilizando resíduos de tecidos sintéticos provenientes da empresa de bordados, direcionada a funcionários de escolas da cidade de Apucarana.
1.3.2 Objetivos específicos
Abordar informações sobre resíduos sólidos urbanos no Brasil e a influência no design;
Selecionar os tecidos para serem reaproveitados; Conceituar os termos ecodesign e redesign;
Expor ações de moda sustentável e o reaproveitamento de resíduos para a confecção de vestuário.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 RESÍDUOS SÓLIDOS
Os resíduos sólidos urbanos e rurais são característicos de todas as atividades e processos produtivos de indústrias, propriedades rurais, comércio, hospitais e residências. A inexistência ou ineficiência da gestão de resíduos consistem na grande problemática dos últimos anos, desafiando gestores públicos em determinar os modos de coleta e tratamento, respeitando as normas ambientais (BRASIL. IPEA, 2012).
Resíduos sólidos consistem em material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d‟água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível (BRASIL. Ministério do Meio Ambiente, 2011, p. 9).
O crescimento populacional e o consumo desenfreado têm afetado o meio ambiente de forma significativa não só no Brasil, como em diversos países. O descarte incorreto de resíduos é um fato preocupante, assim como a sua produção para atender a demanda, crescente na mesma proporção (FADINI; FADINI, 2001
apud MAREGA, 2011). Para minimizar esses danos, medidas importantes são
reconhecidas, como a Lei nº 12.305/10 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A mesma contém instrumentos que permitam o avanço do Brasil no enfrentamento de problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado de tais resíduos (BRASIL. Ministério do Meio Ambiente, 2010).
No entanto, a produção de resíduos no Brasil é crescente, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, o Panorama dos Resíduos Sólidos, de 2014, revelou que “a geração total de Resíduos Sólidos Urbanos foi de aproximadamente 78,6 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 2,9% de um ano para outro, índice superior à taxa de crescimento populacional no país no período, que foi de 0,9%” (ABRELPE, 2014, p. 28).
Além de crescer em ritmo mais acelerado do que a população urbana, outra preocupação é com o descarte inadequado. Cerca de 29.659.170 toneladas ao ano, ou 41,6% totalizaram a quantidade de resíduos sólidos urbanos que seguiram para lixões ou aterros controlados. Ainda para a ABRELPE (2014, p. 30) os aterros controlados “pouco se diferenciam dos lixões, pois não possuem o conjunto de sistemas necessários para a proteção do meio ambiente e da saúde pública”.
Por isso, áreas como o design vêm se associando às questões ambientais, principalmente no que tange o conceito dos 3R‟s (Reduzir, Reutilizar e Reciclar). Muitos produtos são elaborados já para possíveis reutilizações, com maior durabilidade e uso de materiais que permitam a reciclagem. Essa concepção atinge não só o meio ambiente, mas alcança a condição de vida de todos os consumidores que devem considerar os impactos sobre o meio (LOURES, 2009).
2.2 ECODESIGN E A SUSTENTABILIDADE NA MODA
O desenvolvimento de produtos com visão sustentável é um campo recente, ainda a ser explorado. A preocupação com o consumo desenfreado e o descarte de materiais ganhou relevância apenas no final da década de 1960, configurando uma nova abordagem do design voltada ao meio ambiente. O primeiro registro foi em 1974, no qual “uma equipe da Escola Superior de Design de Offenbach, na Alemanha chamada ‘des-in’ criou o sofá produzido com pneus usados para um concurso de Design em Berlim” (NAIME; ASHTON; HUPFFER, 2012, p. 1514).
A partir daí o ecodesign surge em sua primeira interpretação, inspirado por ideias de reaproveitamento. Ao passar dos anos o conceito foi ganhando uma maior dimensão, sendo associado ao ciclo de vida do produto: o descarte não representa o fim da vida do material (NAIME; ASHTON; HUPFFER, 2012). De acordo o Ministério do Meio Ambiente
Ecodesign é todo o processo que contempla os aspectos ambientais onde o objetivo principal é projetar ambientes, desenvolver produtos e executar serviços que de alguma maneira irão reduzir o uso dos recursos não renováveis ou ainda minimizar o impacto ambiental dos mesmos durante seu ciclo de vida. Isto significa reduzir a geração de resíduo e economizar custos de disposição final. É uma ferramenta de competitividade utilizada pelas empresas nas áreas de arquitetura, engenharia e design, tanto no mercado
interno quanto externo, atendendo novos modelos de produção e consumo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável através da substituição de produtos e processos por outros menos nocivos ao meio ambiente.
Utilizar os recursos de maneira consciente, causando menor impacto ao meio ambiente é uma premissa do ecodesign, assim como os conceitos: reduzir, reutilizar, reciclar e aproveitar fontes alternativas de energia, produzindo sem excessos. Outras premissas compreendem aumentar a durabilidade e eficiência do produto; eliminar o uso de substâncias nocivas na produção; privilegiar materiais ecologicamente certificados e produzir de forma mais limpa e segura (PICOLLI, 2012).
Atualmente, a indústria do vestuário encontra-se em um cenário de readaptação, implicando não apenas na redefinição do processo produtivo, mas também em atender um novo consumidor, consciente dos produtos ecologicamente corretos (RECH; SOUZA, 2008).
Uma moda mais ecológica, um verdadeiro desafio deste início de século XXI, se encontra em um momento onde os valores e questionamentos dos consumidores têm aflorado e buscado novos caminhos para o consumo de produtos de moda. A procura por uma vida saudável, com novos valores pessoais e comunitários que priorizem a utilização consciente dos recursos naturais para a preservação do meio ambiente, formatou um perfil de consumidor diferenciado para o setor de design de moda (RECH; SOUZA, 2013, p. 2).
Assim como grandes segmentos econômicos, a moda tem se voltado para a causa do desenvolvimento com sustentabilidade. Agregar o conceito ecológico a um produto é um tema que está sendo inserido na prática de estilistas nacionais e internacionais (BARROS, 2012). O mercado da moda está buscando unir e organizar os recursos renováveis. No entanto, não basta melhorar o sistema de captação de matérias primas e ao mesmo tempo despejar dejetos na natureza. É necessário dedicar-se aos três pilares da sustentabilidade: ser socialmente justo; ambientalmente equilibrado e economicamente próspero (RECH; SOUZA, 2008).
No Brasil, já é possível encontrar estilistas que atuam de forma sustentável, agregando valor ao seu produto. Entre os já disponíveis no mercado, pode-se citar o tecido Ecovogt, 100% ecológico, criado estilista brasileiro Caio Von Vogt; a marca de vestuário infantil Pistache & Banana, que produz peças em algodão orgânico
(SCHULTE; LOPES, 2008); e a Osklen, na qual se baseia no contexto ambiental, social e econômico. Em 2007, a marca aderiu ao couro de látex natural (Figura 1) advindo da Amazônia (RECH; SOUZA, 2008).
Figura 1 – Peça de couro de látex natural (Osklen) Fonte: Rech; Souza (2008)
Também em destaque, o projeto de extensão Ecoalize-se, desenvolvido pela Universidade de Pernambuco - Campus Caruaru, objetiva promover a conscientização da sustentabilidade no consumidor. Ações itinerantes são realizadas em espaços públicos, além da promoção de oficinas. Em 2009, peças utilizando materiais reaproveitados foram apresentadas em desfiles realizados na própria cidade, como expõe a Figura 2 (BARROS, 2012).
Figura 2 – Peças desenvolvidas com câmera de ar de pneu e restos de etiquetas
Fonte: Barros (2012)
A denominada Ecomoda já tem conquistado grandes marcas como Giorgio
Armani, Levi Strauss, Gap, Nike e Mark & Spenser, que procuram tecidos cuja
produção descarta o uso de pesticida, produtos químicos e fertilizantes (SCHULTE; LOPES, 2008). O conceito de sustentabilidade está fomentando ações de grande importância, como por exemplo, em Brusque – SC, onde empresas destinam restos de tecidos e outros materiais têxteis para entidades, cooperativas e grupos de artesãos, trazendo conhecimento e práticas sustentáveis (BOLONINE; HASCKEL, 2013). Ou seja, o desperdício dá espaço a novas oportunidades.
2.3 REDESIGN E RESÍDUOS DE TECIDOS
O grande volume de produção de artigos têxteis e a consequente geração de resíduos configuram-se em um problema de impacto ambiental, exigindo alternativas sustentáveis para o desenvolvimento de produtos. Garantir um meio propício às gerações futuras é atualmente um desafio para o design convencional, cujo objetivo é diminuir o problema dos resíduos produzidos pela indústria do vestuário (BOLONINE; HASCKEL, 2013).
Assim, o redesign, que consiste em aperfeiçoar uma peça, criar um novo modelo com base em peça já existente, atualizar um produto seguindo novas
tendências ou reutilizar a matéria-prima para aproveitamento em outras peças, traz benefícios a vários agentes envolvidos no processo produtivo, principalmente para a própria empresa. A aplicação de práticas criativas pode agregar valor e identidade aos produtos; evitar desperdícios; incrementar lucros; incentivar a adoção de práticas sustentáveis na região, entre outros (SEBRAE, 2016).
Produzir moda de maneira consciente por meio do reuso de peças que seriam descartadas. Essa é a premissa do redesign, conceito que vem ganhando força com as novas exigências de sustentabilidade. O conceito de redesign surgiu associado ao ato de repensar, de redesenhar logomarcas ou peças gráficas. Mas rapidamente foi expandido e apropriado por outros setores criativos [...] costureiras, designers de moda autônomos e ateliês de corte e costura podem aproveitar as potencialidades do redesign para ampliar os lucros. É necessário informar aos clientes a oferta desse serviço e destacar que não se trata dos ajustes que já são oferecidos costumeiramente, mas sim de uma nova prática criativa de aproveitamento de peças que possivelmente seriam jogadas no lixo (SEBRAE, 2016, não paginado).
No Brasil, o projeto Retalho Fashion, lançado em 2012 pelo Sinditêxtil – SP (Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo), “prevê a implementação de um serviço completo de reciclagem dos resíduos têxteis no Bom Retiro (bairro da cidade de São Paulo), através da mobilização dos empresários, capacitação de catadores, coleta seletiva e destinação da matéria prima para a indústria de fios” (SCHMITZ, 2014, p. 14). A região produz cerca 12 toneladas de resíduos têxteis por dia.
O gerente de produção José Paulo Carvalho, da Action, confecção de meias no bairro, explica que os retalhos nada mais são do que as sobras de cortes de tecido e, também, as peças com defeitos, separadas ao longo do dia. Aquilo que não pode ser reaproveitado pela própria malharia é separado num saco destinado somente aos retalhos e colocado em frente à loja na manhã seguinte (SCHMITZ, 2014, p. 14).
Na cidade de Londrina – PR, um projeto objetivou direcionar retraços têxteis de empresas confeccionistas para artesãos locais. Identificou-se que é possível reaproveitar os resíduos, gerando renda ao artesão. Para as autoras, “o design contribui num ciclo de vida do produto artesanal com conhecimentos sobre desenvolvimento de novos produtos, desenvolvimento sustentável; gestão do
design; inovação; novos materiais e processos; pesquisa de mercado e tendências” (LAGO; CAVALCANTE; SAMPAIO, 2010, p. 209).
Ao avaliar o processo produtivo de uma empresa têxtil, Martins e Perez (2012) apresentaram alternativas para o reaproveitamento de resíduos. Os produtos foram desenvolvidos por meio de combinações de materiais, oferecendo originalidade e exclusividade.
Para a criação dos acessórios, foram usados materiais diversos, tais como etiquetas de roupas enroladas e unidas que se transformaram em colares e tiras de malhas e „couro‟ sintético que, re-tramados ou re-tecidos em teares artesanais, transformaram-se em golas, cintos e carteira de mão. Para uma das bolsas, foram utilizados retalhos de couro recortados em forma orgânica, a fim de aproveitar melhor os pequenos retalhos disponíveis, e para a costura da mesma foram usados resquícios de linhas de costura de várias cores. Para o suporte da alça, foi utilizado aba de bonés descartados por indústria de bonés local, recortada e forrada com tiras de revel (MARTINS; PEREZ, 2012, p. 10).
Também inspirada nos ideais da sustentabilidade, a marca Dudalina aproveita as sobras da confecção de seus produtos e gera renda para entidades por meio da confecção e venda de produtos de patchwork.
Os tecidos são separados no momento do corte automatizado em formato quadrado (pronto para serem reutilizados) e enviados para o Instituto Adelina, que coordena a doação para várias entidades cadastradas. As instituições que necessitam do material recebem capacitação gratuita no local ou no espaço do Instituto Adelina, em Blumenau, para confeccionar ecobags, aventais, luvas para cozinha e diversos itens para enxoval que possam ser comercializados, gerando renda para os grupos1.
Além de grandes ações, estilistas brasileiros têm se destacado na vertente de reciclagem, como Geová Rodrigues, que encontrou no lixo da 7ª Avenida em
Manhattan nos Estados Unidos, as primeiras sobras de tecidos para a criação de
vestidos e blusas. Com retalhos de roupas (Figura 3), o estilista elabora suas
1
Projeto Geração de Renda. Disponível em: <http://dudalina.com.br/sa/socioambiental/instituto-adelina/projeto-geracao-de-renda/>. Aceso em: 26 jan. 2016.
criações, reduz gastos, aumenta o lucro e ainda atua de maneira consciente em um mundo de excessos e desequilíbrios (ECOD, 2009).
Figura 3 – Reciclagem de retalhos do estilista Geová Rodrigues Fonte: EcoD (2009)
As características do redesign são versáteis e podem ser aplicadas em diversas peças. Tal iniciativa viabiliza “que restos de materiais, que foram descartados em seus processos produtivos, tenham a possibilidade de se transformar em produtos com design e funcionalidade, de valor agregado e de maior competitividade no mercado” (BOLONINE; HASCKEL, 2013, p. 15)
3 METODOLOGIA
Este projeto utilizou os seguintes procedimentos: pesquisa bibliográfica, estudo de caso e coleta de dados.
A pesquisa bibliográfica é o estudo que toma como material de observação livros, artigos e sites confiáveis para sua construção (ALMEIDA, 2011). “Qualquer espécie de pesquisa, em qualquer área, supõe e exige uma pesquisa bibliográfica prévia, quer para o levantamento da situação da questão, quer para fundamentação teórica, ou ainda para justificar os limites e contribuições do estudo” (RAMPAZZO, 2002, p. 53). Logo, este procedimento mostrou-se imprescindível para uma reflexão profunda sobre os temas que envolveram o projeto.
Já a metodologia de estudo de caso para Marriam (1988 apud BODGAN; BIKLEN, 1994, p. 89) “consiste na observação detalhada de um contexto ou indivíduo, de uma única fonte de documentos ou acontecimento específico”, justificando o acompanhamento da empresa pré-selecionada de bordados industriais, a fim de conhecer a quantidade de resíduos gerados e registrá-los em uma planilha (ver apêndice A).
3.1 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
A coleta de dados, que tem por objetivo obter informações sobre a realidade, realizou-se por meio de dois instrumentos elaborados previamente. O primeiro foi o levantamento do quantitativo de material disposto pela empresa de bordados e o segundo instrumento utilizado foi o questionário.
Do levantamento do quantitativo de resíduos gerados pelas atividades de corte à laser na empresa de bordados industriais foi gerado uma planilha semanal de desperdícios de resíduos sintéticos constando nas dimensões e no peso do tecido apresentados antes do corte e em seguida o peso do tecido depois do corte (Conferir apêndice A).
O segundo instrumento é exposto como uma técnica na qual consiste no “encontro entre duas pessoas a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. Trata-se, pois, de uma conversação efetuada face a face” (RAMPAZZO, 2002, p. 110). Suas vantagens incluem:
Pode ser utilizada com todos os segmentos da população, analfabetos ou alfabetizados; há maior flexibilidade, podendo o entrevistador repetir ou esclarecer perguntas, formular de maneira diferente; oferece maior oportunidade para avaliar atitudes, condutas, podendo o entrevistado ser observado naquilo que diz e como diz (registro de reações, gestos etc.); dá maior oportunidade para a obtenção de dados que não se encontram em fontes documentais e que sejam relevantes e significativos (RAMPAZZO, 2002, p. 111).
A entrevista foi padronizada, impressa e diretamente aplicada in loco obedecendo a um roteiro preestabelecido com cinco perguntas (ver apêndice B). Esse instrumento foi direcionado a duas escolas públicas da cidade de Apucarana – PR, a Escola Estadual Alberto Santos Dumont e a Escola Estadual Nilo Cairo. As duas instituições de ensino público foram selecionadas diante de levantamento na Secretaria de Educação de Apucarana-PR do quantitativo de professores do gênero feminino atuantes em escolas da cidade, constatando que a mesmas detêm o maior número de professoras em todo o município.
3.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Levantada as informações acerca do quantitativo de resíduos da empresa que compõe o objeto de estudo e aplicado o questionário nas escolas selecionadas partiu-se para a análise dos dados. O uso, a escolha e as necessidades a serem atendidas pelo público-alvo, compuseram o objetivo engendrado nas perguntas do mesmo.
Na perspectiva de elucidar e prestar mais dinamismo na leitura dos dados coletados segue-se para tanto a explicação dos mesmos:
Gráfico 1 – Dados coletados com a aplicação do questionário – 1ª pergunta A importância do uso de uniforme no seu ambiente de trabalho.
Fonte: Estudo de caso (2016)
Conforme o gráfico da 1ª pergunta: O objetivo da primeira questão era levantar a opinião dos entrevistados acerca da importância do uso do uniforme para a atuação da profissão. 99,7% das entrevistadas afirmaram ser importante o uso da peça para o exercício da profissão e apenas 0,3%, que implica em apenas uma entrevistada, afirmou não ser importante o uso do uniforme. Esses dados ratificam a importância e o desenvolvimento do presente trabalho.
0 5 10 15 20 25 30 Sim Não Professoras
Gráfico 2 – Dados coletados com a aplicação do questionário – 2ª pergunta A vantagem de usar jaleco no dia a dia.
Fonte: Estudo de caso (2016)
Conforme gráfico da 2ª pergunta: A presente questão foi a única do questionário a ser lançada para múltipla escolha. Nela o entrevistado tinha cinco possibilidades de justificar o uso do jaleco em suas atividades profissionais e poderia escolher de uma a cinco dos quesitos para sua justificativa. Sendo assim, no universo de respostas dadas a vantagem mais citada pelas entrevistadas foi a de “Criar identidade” com 26% das opiniões. Esse posicionamento demostra a necessidade de valorizar as características pessoais sem perder a unidade dada pelas características da instituição. Portanto, este item preza pela valorização das características subjetivas dos trabalhadores. Em segunda posição ficaram com a mesma porcentagem as alternativas de “Não sujar as roupas” e “Padronizar o estilo” cada uma com 22% indicando a preservação das roupas de estilo casual e acentuando o uso do estilo workwear. As justificativas “Trabalho com segurança” e “Praticidade” foram posicionadas com a mesma quantidade de porcentagem cada uma. Recebendo 15% de escolha por parte das entrevistadas, os dois últimos itens demonstram que a segurança no trabalho e a praticidade ficam em segundo plano quanto ao uso do jaleco como uniforme de atuação na instituição.
0 5 10 15 20 25 Criar identidade Trabalhar com segurança Não sujar as roupas Padronizar o estilo Praticidade Professoras
Gráfico 3 – Dados coletados com a aplicação do questionário – 3ª pergunta Compra de jaleco personalizado.
Fonte: Estudo de caso (2016)
Conforme gráfico da 3ª pergunta: Questionadas acerca da compra em relação a um jaleco personalizado, as profissionais do ensino endossaram em 99,7% a afirmativa de que comprariam sim uma peça nesse padrão acima citado. Apenas uma profissional se posicionou contrária a ideia de adquirir uma peça nesses moldes. Essa questão indica a viabilidade da produção das peças que o projeto pretende desenvolver para suprir as necessidades dos usuários das mesmas.
0 5 10 15 20 25 30 Sim Não Professoras
Gráfico 4 – Dados coletados com a aplicação do questionário – 4ª pergunta Considerações sobre a importância de reaproveitamento de materiais. Fonte: Estudo de caso (2016)
Conforme gráfico da 4ª pergunta: Por se tratarem de profissionais voltados para a educação formal, a quarta questão versou a respeito do conhecimento das mesmas quanto a consciência acerca da conservação do ambiente através do reaproveitamento de materiais. Das três possibilidades apresentadas 99,7% responderam que sim, que acham importante o reaproveitamento de materiais e apenas 0,3% do quadro de entrevistadas respondeu que desconhece essa prática. A resposta “não” ficou sem acesso e as três possibilidades de respostas não foram justificadas. Independente de as possibilidades de respostas não terem sido justificadas, o fato de a resposta “sim” ter obtido unanimidade, lê-se que as profissionais investigadas têm conhecimento e preocupação com os resíduos ou materiais não aproveitados, implicando dessa forma, na degradação da natureza.
0 5 10 15 20 25 30
Sim Não Desconhece
essa prática
Gráfico 5 – Dados coletados com a aplicação do questionário – 5ª pergunta Uso de jalecos provenientes de resíduos de tecidos.
Fonte: Estudo de caso (2016)
Conforme gráfico da 5ª pergunta: O intuito da última questão era investigar a aceitação do público alvo acerca do produto a ser desenvolvido por essa proposta de trabalho. Sendo assim, foram oferecidas três possibilidades de respostas a questão acerca da possibilidade de se adquirir por meios financeiros um jaleco personalizado com material residual da indústria da confecção. E como resposta 99,4% das entrevistadas confirmaram que comprariam um jaleco personalizado com material residual. Duas das entrevistadas conferiram as seguintes respostas: uma assinalou que “não”, que não compraria um jaleco nesses moldes de produção o que corresponde a 0,3% dos resultados obtidos; a outra entrevistada respondeu “depende do modelo” o que implica que a mesma compraria uma peça desse tipo, mas que necessitaria de estar ciente de qual modelo estaria sendo confeccionado. Essa opinião implicou em 0,3% das respostas dadas o que indicia a possibilidade de exigência de uma peça mais personalizada. Essa questão implica na aceitação da proposta de produção dos jalecos personalizados a partir de resíduos provenientes da atividade de corte à laser de empresas de bordados industriais.
0 5 10 15 20 25 30
Sim Não Depende do
modelo
4 DIRECIONAMENTO MERCADOLÓGICO
4.1 EMPRESA
4.1.1 Nome da empresa
O nome fantasia da marca é VIALLI. A razão social da empresa é Vialli Indústria e Comércio Ltda. Trata-se de uma empresa especializada na produção e confecção de redesign de jalecos.
4.1.2 Porte
Segundo os critérios do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas) as empresas são classificadas da seguinte forma:
Microempreendedor Individual - MEI Até R$ 60.000,00
Microempresa - ME Até R$ 360.000,00
Empresa de Pequeno Porte - EPP De R$ 360.000,01 até R$ 3.600.000,00 Quadro 1 – Classificação das empresas quanto à receita bruta anual – Lei Nº 123/06 Fonte: SEBRAE (2016)
PORTE INDÚSTRIA COMÉRCIO
MICRO Até 19 empregados Até 9 empregados
PEQUENO De 20 a 99 empregados De 10 a 49 empregados MÉDIO De 100 a 499 empregados De 50 a 99 empregados GRANDE Mais de 500 empregados Mais de 100 empregados Quadro 2 – Classificação das empresas quanto ao número de empregados
Fonte: SEBRAE (2016)
Baseado nos critérios do SEBRAE a Vialli Ltda se configura como uma empresa de micro porte ou microempresa.
4.1.3 Marca
O nome Vialli é de descendência italiana. Elencou-se pelo menos duas razões que levaram à escolha desse nome como título da marca. Em primeiro lugar a sonoridade da palavra e, em segundo passo, o peso do seu significado para a autora. A fonte da logo é única. Foi produzida especialmente para a concepção da marca (Figura 4).
Figura 4 – Logo da marca Fonte: Da autora (2016)
4.1.4 Conceito da marca
A criação da marca se deu a partir da observação dos jalecos usados nas profissões em geral, no tocante a sua singularidade de modelos. Sendo assim a identidade nos uniformes é uma vertente supervalorizada pela marca.
A estética do jaleco da Vialli tem como essência o bem-estar e reconhecimento pelo cuidado ao ambiente partindo do redesign dos mesmos e sua composição a partir dos rejeitos têxteis industriais.
4.1.5 Segmento da marca
O segmento da marca Vialli é o de uniformes profissionais, portanto, o
workwear. Será voltado para o público feminino de docentes de escolas da cidade
de Apucarana do estado do Paraná - PR.
4.1.6 Distribuição
Os procedimentos de venda dos produtos da Vialli ocorrerão em lojas virtual, física e através de um representante que estará visitando as escolas e apresentando as amostras já desenvolvidas.
A loja física residirá junto à parte da empresa que confeccionará os jalecos. As entregas dos pedidos na cidade serão feitas pelo transporte da empresa. Com o surgimento de pedidos feitos por escolas de cidades vizinhas à Apucarana, na região do Paraná – PR, serão acionados as transportadoras ou mesmo o Correios para a entrega dos pedidos.
4.1.7 Concorrentes diretos e indiretos
Não foram identificados concorrentes que produzam jalecos a partir do
ecodesign. Sendo assim, os concorrentes indiretos da Vialli serão a Elisil Uniformes
e Casa dos Uniformes ambos situados na cidade de Apucarana-PR, OS Plus em Curitiba-PR e Eco Confecções em Caçapava-SP.
4.1.8 Sistema de vendas
O sistema de vendas da Vialli Ltda acontecerá através da loja física, loja virtual e através de representantes. Os jalecos serão apresentados em cartelas com material diversificado, modelagem e cores diferenciadas para os clientes público-alvo. As cartelas citadas estarão disponíveis nos formatos impresso para a loja física e representante, e no formato virtual para a loja on-line.
A cartela de materiais (de resíduos) conterá o cálculo da quantidade que poderá ser aplicado nas peças produzidas e será atualizada mensalmente de acordo com a coleta dos resíduos.
Após a efetivação da compra, tanto na loja física, quanto nas vendas virtuais, o cliente terá o prazo de 30 dias de entrega do produto. Esse prazo pode ter outra configuração quando o cliente encontrar na pronta entrega o produto para efetivação do pedido já disponibilizado.
4.1.9 Ponto de venda
A Vialli terá sede física na Rua Lapa, Nº 442, na cidade de Apucarana, localizada no Estado de Paraná. A loja on-line disponibilizará as informações dos produtos para todo os clientes que tenham interesse e acesso a essa plataforma de comunicação.
4.1.10 Preços praticados
O valor final das peças estará estabelecido entre R$ 60,00 e R$ 120,00.
4.1.11 Marketing
Os produtos da Vialli terão como vias de divulgação a internet, através das redes sociais (Facebook, Instagram e o aplicativo de bate-papo Whatsapp); representantes; revistas regionais; jornais locais e panfletagem.
4.1.12 Promoções
Adquirindo um jaleco da Vialli, o cliente terá três formas de efetivar sua compra:
- Na compra à prazo, um jaleco poderá ser dividido em até duas parcelas. Adquirindo dois ou mais jalecos, o cliente terá sua compra parcelada em quatro vezes.
- Na compra à vista, o produto terá 5% de desconto no cartão ou em dinheiro.
-Comprando duas peças fica disponibilizado ao cliente a possibilidade de escolher um brinde produzido com os resíduos coletados, dentre eles as seguintes possibilidades (porta apagador; pasta de zíper; estojo para lápis e capa para laptop).
Figura 5 – Brindes Fonte: Da autora (2016)
4.1.13 Planejamento visual e embalagem
A loja terá na entrada uma vitrine em que manequins exibirão algumas peças produzidas. Para alojar as demais peças, araras de aço cromado. As prateleiras seguem do chão até ao teto. O piso será escuro e as paredes terão o branco como cor principal, desse modo os jalecos ficarão em destaque ao serem expostos (Figuras 6 e 7).
Figura 6 – Simulação do interior da loja (vista frontal) Fonte: Adaptado de GPS Anúncio (2016)
Figura 7 – Simulação do interior da loja (vista perfil) Fonte: ANASMODABRANCA (2016)
Será uma loja de fácil acesso e organizada. O espaço para os clientes alcançarem as estantes e araras com os jalecos terá clareza e será acessíveil. As gôndolas e as dependências da mesma, como provadores e o caixa, estarão ao fundo da loja. Alguns ambientes terão placas informando a função da dependência como no caso dessas expostas.
Para gerar exclusividade para a marca, e também propaganda, serão distribuídas sacolas da marca ao passo que forem feitas as aquisições dos jalecos (Figura 8).
Figura 8 – Embalagem da marca Fonte: Da autora (2016)
A sacola terá as dimensões de 35x30x14 cm. A alça será de courvin remetendo ao conceito da marca. O papel utilizado para fazê-las é o papel cartão.
4.1.14 Planejamento da tag
A tag apresentada terá as dimensões de 8x5 cm. No anverso terá a logo da marca e as especificações técnicas de lavagem. No verso virá o outro formato da logo com uma frase indicando a colaboração do consumidor com o ambiente ao adquirir pelo menos uma das peças.
Ao aplicar a frase no verso da tag, a Vialli Jalecos Personalizados vislumbra propor reflexão acerca dos cuidados com os despejos de resíduos industriais no ambiente por parte das atividades da área da confecção. O cliente além de adquirir
Figura 9 – Tag da marca Fonte: Da autora (2016)
uma peça com apelo ecológico, ele também colabora com uma ação proativa de cuidado e conservação da natureza.
4.1.15 Planejamento do cartão de visita
O cartão de visita será no formato retangular, sendo 8x5 cm de dimensões. O material ao qual será confeccionado é o papel cartão. No anverso e verso a logo da marca vem impresso em tinta ouro velho (Figura 10).
Figura 10 – Cartão de visita da marca Fonte: Da autora (2016)
Além da imagem da inicial da logo, vem no verso o endereço para visitas e telefones para contato. No anverso, a logo completa e a frase “Jalecos personalizados” indicam o produto comercializado pela empresa.
4.2 PÚBLICO- ALVO
O público alvo evidenciado nessa proposta são mulheres que atuam no setor da educação das escolas públicas da cidade de Apucarana – PR. Elas são dinâmicas, disciplinadas, empenhadas, atuantes, estudiosas, vaidosas e de personalidade marcante (Figura 11).
Seu trabalho é sua vocação, uma vez que suas vidas se confundem com a atuação nas atividades na escola, buscam expressar sua personalidade no uniforme que vestem. Consideram a segurança (fiabilidade), a higiene e a praticidade como elementos importantes a serem mantidos nos uniformes que usam. Por estarem envoltas com o público jovem, desejam também apresentar boa aparência e funcionalidade em seus uniformes. Portanto, são enfáticas quando expressam a necessidade de ser impresso na peça citada, traços que remetam a sua identidade.
Figura 11 – Público-alvo
4.3 PESQUISA DE TENDÊNCIAS
4.3.1 Macrotendências (Sociocultural)
O comportamento humano é estudado como um todo, para isso birôs de tendências se debruçam no traçar de perfis universais que buscam traduzir os segmentos mais recorrentes na sociedade atual e estratégias de qualquer uma das áreas estruturantes da sociedade contemporânea.
O site Faith Popcorn (2016), apresenta tendências comportamentais projetadas a curto prazo. Encaixando-se no perfil de público-alvo destacado por essa proposta, escolheu-se a macrotendência EVEolution (Figura 12).
Figura 12 – Macrotendência Fonte: Faith Popcorn (2016)
Esta é composta por duas palavras no inglês: Eve que significa Eva a primeira mulher a habitar o paraíso advinda de uma das costelas de Adão de acordo com registros religiosos. A palavra Evolution, que em tradução livre significa evolução, indica o avanço social do posicionamento da mulher no mercado de
trabalho em que o modelo hierárquico está sendo posto em discussão e o modo como as mulheres pensam e se comportam está modificando a linguagem do modelo original para um mais oriental.
4.3.2 Micro tendência (Estética)
A micro tendência escolhida para encaminhar a criação da coleção é a #TrendTopic4: Luxo x Lixo (Figura 13) do caderno de tendência Inova Moda do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Nesse caderno a micro tendência Luxo x Lixo diz que:
Estamos deixando o conceito de pensamento linear, em que uma peça de roupa é projetada a partir de um material, passa pela produção ao varejo, chega ao consumidor, para então acabar em... uma pilha de lixo. A indústria da moda circular é baseada no reaproveitamento infinito e efetivo de produtos têxteis, tecidos e fibras por meio de processos industriais que se complementam de forma econômica e transparente (SENAI, 2016, p. 44).
Figura 13 – Caderno de Micro tendência #TrendTopic4 Luxo x Lixo Fonte: SENAI – Caderno de Tendências (2016)
A proposta da micro tendência se encontra na ideia da Moda Circular (Figura 14). O reuso de materiais têxteis demonstram a essência dessa micro tendência.
Figura 14 – Caderno de Micro tendência – Moda circular Fonte: SENAI – Caderno de Tendências (2016)
Esta aponta para a abertura de discussão a respeito de moda circular em importantes centros fabris, acadêmicos e fóruns econômicos. O apelo é que sejam produzidos artefatos a partir de outros já existentes. À exemplo, o envolvimento emocional na produção de peças do workwear, de acordo com a micro tendência, apresenta os norte-americanos quanto ao respeito que essa sociedade tem pelos seus veteranos de guerra. Inspirando-se nessa reverência aproveitam o excedente militar desperdiçado e produzem bolsas e mochilas pautada no design atual.
5 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO
5.1 DELIMITAÇÃO DO PROJETO
Preocupados com a atual situação de conservação da natureza e tendo em vista que a produção industrial ainda não apresenta projetos de reaproveitamento dos resíduos que geram a partir de suas atividades, elaborou-se tal projeto. Nesse sentido, na busca por contribuir com a solução dessa questão é que foi projetada a ideia de que em jalecos pudessem ser agregados elementos que fossem construídos a partir da produção de aplicação dos resíduos têxteis, como forma de dirimir e direcionar esse material dado como inválido para a indústria da confecção.
Em busca de atender o público-alvo, o projeto está voltado para suprir as necessidades apresentadas pelas professoras das escolas públicas estaduais da cidade de Apucarana-PR com a produção de jalecos feitos com a aplicação de resíduos têxteis advindos do corte à laser de uma empresa de bordado industrial.
A coleção desenvolvida visa atender a esse público que necessita de um uniforme que contemple os direcionamentos institucionais e, ao mesmo passo, corresponda aos anseios subjetivos de identidade de suas usuárias. O intuito é produzir a peça no sentido de que a mesma possa cumprir as suas atividades diárias de trabalho com segurança, preservando suas roupas casuais. Ainda se considera que elas sejam práticas e se comprometam com a segurança que é necessária numa peça do vestuário do estilo workwear.
A escola, como sendo um receptáculo onde numa pequena parcela é representada a sociedade como um todo, expressa através de sua clientela variedade de modos, costumes e comportamentos existentes. Os funcionários que transitam e executam sua força de trabalho nesse ambiente seguem o fluxo do comportamento coletivo e buscam estar atualizados e ao mesmo tempo seguindo os padrões sugeridos pelas instituições de ensino no sentido do cumprimento de vestimenta adequada ao trabalho.
Em se tratando de uniforme, formaliza-se seu uso como obrigação e não como prazer de estar expressando sua personalidade a partir daquela peça. No desenvolvimento da coleção busca-se aplicar a classificação de produtos que é
dividida em três etapas. De acordo com Löbach (2001, p. 55), o design projetual apresenta três diferenciadas categorias: práticas, estéticas e simbólicas.
Funções práticas: a modelagem será maior do que o número do corpo do público alvo tendo em vista que a peça é uma sobreposição. Os tecidos serão leves e resistentes, de fácil limpeza, rapidez na secagem e a quem desejar, dispensa a passadoria. As engrenagens de fechamento da peça serão fáceis de serem entendidas e, portanto, permitindo destreza no seu uso. Dessa maneira as peças atendem as necessidades do público-alvo tendo em vista a sua praticidade ao usar e ao ser conservado, possibilitando conforto e fiabilidade da peça ao serem usadas no ambiente de trabalho.
Funções estético-simbólicas: Shapes variam com a estrutura dos modelos. Desse modo shapes amplos condicionam o uso das peças permitindo o conforto e a fiabilidade necessários para o uso no trabalho. O ponto chave da marca é o redesign dos jalecos a partir do direcionamento de resíduos têxteis provenientes do corte à laser. O uso de resíduos dá as características de identidade para o público alvo consagrando a marca como única no mercado.
Quanto as cores, a cartela apresentará tons pasteis. Haverá correspondência entre as propostas do pantone sugerido pelas micro tendências e a coleta dos resíduos têxteis.
O objetivo final da peça é proporcionar identidade, beleza e segurança ao usuário que preza pela qualidade elevada dessas peças.
5.2 ESPECIFICAÇÕES DO PROJETO
5.2.1 Conceito da coleção
A coleção Outono/Inverno 2017 da Vialli está voltada conceitualmente nos desenhos projetados com os resíduos sintéticos intitulado de “Recortes da vida”.
A inspiração para a coleção advém das sugestões que os recortes dos resíduos têxteis sugerem, assim como também a partir do elemento ícone do
universo escolar, os livros. São os recortes do livro da vida que conta, reconta e redesenha os novos passos dos profissionais envolvidos na tarefa de lecionar.
5.3 NOME DA COLEÇÃO
A coleção Outono/Inverno 2017 da Vialli é denominada: “Recortes da vida”. Refere-se aos caminhos construídos pelo público-alvo em sua trajetória de vida e de que maneira esses elementos influenciam na construção de suas peças do vestuário, sejam elas voltadas para a profissão, sejam elas de uso casual.
5.4 REFERÊNCIA DA COLEÇÃO
As referências da coleção Outono/Inverno 2017 “Recortes da vida” (Figura 15) são abstraídas a partir das memórias das usuárias. Sua subjetividade dará o caminho a escolha das peças feitas a partir dos resíduos têxteis provenientes do corte a laser.
Figura 15 – Imagem de referência da coleção: recortes que traçam a linha da vida Fonte: Koetz Advocacia (2016)
A essa fusão de recortes subjetivos do público-alvo e recortes efetivos no material têxtil será chamada de “Recortes da vida”, a qual desenhará os novos rumos a serem seguidos.
5.4.1 Cores
A coleção “Recortes da vida” – Outono/Inverno 2017 disponibiliza uma cartela de cor romântica em tons pasteis.
A Vialli é pioneira nesse processo de produção de jalecos, e com isso a primeira coleção trará as peças com as primeiras impressões deixadas pela somatória dos excedentes dos resíduos têxteis com os recortes da personalidade das mulheres que compõem esse público-alvo.
5.4.2 Materiais
O material usado para a coleção “Recortes da vida - Outono/Inverno 2017” serão tecidos sintéticos que facilitarão o uso, limpeza e conservação da peça.
5.4.3 Formas e estruturas (shapes)
As formas e estruturas do público-alvo terão a linha “A” como guia para a projeção das peças (Figura 16).
Figura 16 – Shape linha “A” Fonte: Da autora (2016)
5.4.4 Tecnologias
As tecnologias disponíveis e utilizadas para a produção da coleção de jalecos serão as do Design de Moda que auxiliarão em sua concretização. A seleção de materiais advindos do corte a laser serão os recursos industriais que disporá de mais atenção devido a seleção e preparação de sua aplicação nas peças confeccionadas.
De software serão utilizados o CorelDraw Graphics suíte X7 e o photoshop na elaboração dos croquis e desenhos técnicos. Os sites de busca, revistas de moda serão utilizados na seleção de informações e imagens. Com tais ferramentas o caminho percorrido da pesquisa à produção da coleção será permeado.
A etapa final, que é a da produção, disponibilizará do maquinário usualmente disposto na área da confecção. Serão máquinas “botoneiras”, “aplicadoras de elástico”, “encapadoras de botões”, “caseadoras”, “overloque”, “interloque”, “galoneira”, “reta” e “bordadeira industrial”.
5.4.5 Mix de coleção
COLEÇÃO “Recortes da vida” – Outono/Inverno 2017
PRODUTO MODELO REFERÊNCIA MIX QUANTIDADE
JALECOS Wrap (Transpassado) JVWT01 Básico 03 JVWT02 Básico JVWT03 Fashion Vista Lisa JVVL01 Básico 08 JVVL02 Fashion JVVL03 Básico JVVL04 Fashion JVVL05 Básico JVVL06 Básico JVVL07 Básico JVVL08 Fashion Vista com Botões Aparentes JVBA01 Básico 14 JVBA02 Básico JVBA03 Fashion JVBA04 Básico JVBA05 Básico JVBA06 Básico JVBA07 Fashion JVBA08 Básico JVBA09 Básico JVBA10 Básico JVBA11 Fashion JVBA12 Básico JVBA13 Fashion JVBA14 Básico TOTAL 25
Quadro 3 – Mix de coleção Fonte: Da autora (2016)
5.5 PAINEL SEMÂNTICO
Figura 17 – Painel semântico Fonte: Da autora (2016)
O painel semântico foi construído ao passo que a história de vida do público alvo foi sendo levantada. Seus relatos orais e as informações adquiridas com os questionários da pesquisa estimularam a seleção das imagens. Os arabescos construídos no software Corel Draw significam os caminhos nem sempre retilíneos que a vida proporcionou a tais profissionais. Simbolizam, dessa forma, a grafia dos seus percursos. As pérolas gigantes na cor branca retratam o romantismo. Os livros empilhados remetem ao conhecimento adquirido e suas experiências profissionais.
A inspiração do painel semântico surge da vida, de suas intercalações, das formas inesperadas e singulares, como uma mistura de aprendizagem que ocorre todos os dias.
5.6 CARTELA DE CORES
Figura 18 – Cartela de cores Fonte: Da autora (2016)
5.6.1 Cartela de materiais
Figura 19 – Cartela de materiais Fonte: Da autora (2016)
5.7 GERAÇÃO DE ALTERNATIVAS
Figura 20 – Look 01: Jaleco JVWT 01 Fonte: Da autora (2016)
Figura 21 – Look 02: Jaleco JVBA 01 Fonte: Da autora (2016)
Figura 22 – Look 03: Jaleco JVBA 02 Fonte: Da autora (2016)
Figura 23 – Look 04: Jaleco JVVL 01 Fonte: Da autora (2016)
Figura 24 – Look 05: Jaleco JVBA 03 Fonte: Da autora (2016)
Figura 25 – Look 06: Jaleco JVVL 02 Fonte: Da autora (2016)
Figura 26 – Look 07: Jaleco JVVL 03 Fonte: Da autora (2016)
Figura 27 – Look 08: Jaleco JVBA 04 Fonte: Da autora (2016)
Figura 28 – Look 09: Jaleco JVBA 05 Fonte: Da autora (2016)
Figura 29 – Look 10: Jaleco JVBA 06 Fonte: Da autora (2016)
Figura 30 – Look 11: Jaleco JVVL 04 Fonte: Da autora (2016)
Figura 31 – Look 12: Jaleco JVBA 07 Fonte: Da autora (2016)
Figura 32 – Look 13: Jaleco JVBA 08 Fonte: Da autora (2016)
Figura 33 – Look 14: Jaleco JVVL 05 Fonte: Da autora (2016)
Figura 34 – Look 15: Jaleco JVVL 06 Fonte: Da autora (2016)
Figura 35 – Look 16: Jaleco JVWT 02 Fonte: Da autora (2016)
Figura 36 – Look 17: Jaleco JVVL 07 Fonte: Da autora (2016)
Figura 37 – Look 18: Jaleco JVVL 08 Fonte: Da autora (2016)
Figura 38 – Look 19: Jaleco JVBA 09 Fonte: Da autora (2016)
Figura 39 – Look 20: Jaleco JVBA 10 Fonte: Da autora (2016)
Figura 40 – Look 21: Jaleco JVWT 03 Fonte: Da autora (2016)
Figura 41 – Look 22: Jaleco JVBA 11 Fonte: Da autora (2016)
Figura 42 – Look 23: Jaleco JVBA 12 Fonte: Da autora (2016)
Figura 43 – Look 24: Jaleco JVBA 13 Fonte: Da autora (2016)
Figura 44 – Look 25: Jaleco JVBA 14 Fonte: Da autora (2016)
5.8 ANÁLISE E SELEÇÃO JUSTIFICADA DAS ALTERNATIVAS
Look 1: Aspéctos contemplados
Figura 45 – Look 1: Jaleco JVWT 01 Fonte: Da autora (2016)
O look 1 consiste em um jaleco transpassado e amarrado na lateral direita. O modelo possui um bolso na lateral esquerda no formato semicírculo. Uma pala arremata todas as costas na altura da cintura. Nesse sentido da peça, duas pences acentuam as costas do modelo. Na parte frontal duas pences pequenas acentuam o busto e um botão fixa a lateral que passa sobreposta pela parte frontal. O material têxtil utilizado foi o
Oxford, sendo que os apliques de resíduos do corte à laser são de courvin e em formato