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Revista RN Econômico - Maio de 1978

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ECONÔMICO

REVISTA MENSAL PARA HOMENS DE NEGOCIOS ANO IX — N° 90 — Maio/78 — Cr$ 25,00 w lÊsS

Nesta edição:

O problema da

isenção do ICM

Bichodaseda

-um projeto esquecido

O empresário deve

participar da política?

O RN no rol

dos cafeicultores

(2)

Fossat.Tudo o que você espera de um carro

para o nosso tempo.

Revendedores autorizados:

MARPAS S/A

Av. Tavares de Lira, 159

- DIST. DE AUTOMOVEIS

© SERIDO S/A

(3)

Diretores-Editores M a r c o s A u r é l i o de Sá M a r c e l o Fernandes de O l i v e i r a Gerente-Administrativo M a u r í c i o Fernandes Redatores R o g é r i o Cadengue J o s é A r i H é l i o Cavalcanti E d i l s o n Braga M a r c í l i o Farias O r l a n d o Rodrigues C a r l o s M o r a i s L u c i a n o H e r b e r t Fotografias J o ã o Garcia de Lucena Diagramaçâo F e r n a n d o Fernandes Fotocomposição e M o n t a g e m A n t ô n i o Barbalho F o r t u n a t o Gonçalves João da Cruz Bezerra

Consultores

A l c i r Veras da Silva, A l v a m a r F u r t a d o , D o m A n t ô n i o Costa, Be-n i v a l d o Azevedo, Cortez Pereira, D a l t o n M e l o , Dantas Guedes, Dió-g e n e s da C u n h a L i m a , D o m i n Dió-g o s G o m e s de L i m a , F e r n a n d o Paiva, G e n á r i o Fonseca, H é l i o A r a ú j o , J a y m e Santa Rosa, Joanilson de P a u l a Rego, João F r e d e r i c o A b b o t t G a l v ã o J r . , João W i l s o n M e n d e s M e l o , J o m a r A l e c r i m , J o r g e Ivan C a s c u d o Rodrigues, M a n o e l Leão F i l h o , M a r c o A n t ô n i o Rocha, M o a -c y r D u a r t e , Ney Lopes de Souza,

D o m N i v a l d o M o n t e , O t t o de B r i t o G u e r r a , Paulo Gonçalves, Severino R a m o s de B r i t o , T ú l i o Fernandes F i l h o , U b i r a t a n Galvão.

RN/ECONÔMICO — Revista mensal especia-lizada em assuntos econômico-financeiros do Rio Grande do Norte, é de propriedade de RN/ECONÔMICO EMPRESA JORNALÍSTI-CA LTDA. - - CGC N° 08286320/0001-61 — Endereço: Rua Dr. José Gonçalves, 687 — Natal-RN — Telefone 231-3576. Composição e impressão: EDITORA RN/ECONÔMICO LTDA. CGC N° 08423279/0001-28 - Insc Est. 20012932-5 — Endereço: Rua Dr José Gonçalves, 687 - Natal-RN - Telefone 231-1873. È proibida a reprodução total ou parcial de matérias, salvo quando seja citada a fonte. Preço do exemplar: Cr$ 25,00. Preço da assinatura anual: Cr$ 200,00. Preço de nume-ro atrasado: Cr$ 30,00.

RH/ECONÔMICO

ANO IX — N° 90 — Maio/78

Reportagens

Dom Nivaldo Monte afirma:

"Nosso modelo econômico é anti-oristão" 8

Distrito Industriai

Um velho projeto está

bem perto de tomar forma 10

Política

As opiniões se dividem acerca

da participação dos empresários 14

Reflorestamento

Mais uma chance de conseguir o

dinheiro-fácil dos incentivos fiscais 17

Incentivos Fiscais

A prorrogação da dedução do ICM

continua sendo uma incógnita 19

Sericicultura

Ainda é cedo para falar 32

O projeto do bicho-da-seda

visto por quem o viu nascer 34

Minérios

Governo do Estado define e

delimita potencialidades do RN 38

Eletricidade

Finalmente o RN vai ter

eletrificação rural 41

Agricultura

O Rio Grande do Norte

no rol dos cafeicultores 46

Agroindústria

Sisal ainda longe

do ponto de equilíbrio 50

Transporte

O trem urbano será uma

boa solução para Natal 55

Secções

Homens & Empresas... 4

Agenda do Empresário 6

Direito Econômico 7

Artigo

Hélio Galvão

(4)

homens & empresas

BANDERN APLICA Cr$ 1 BILHÃO

O Banco do Rio Grande do Norte,

n e s t e p r i m e i r o q u a d r i m e s t r e do ano, já u l t r a p a s s o u a casa de Cr$ 1 bilhão de aplicações, m e t a q u e era planejada pa-ra ser a t i n g i d a s o m e n t e no t i n a l d e j u n h o . O d i r e t o r - p r e s i d e n t e do

B A N D E R N , José Dantas, está o t i m i s

-ta c o m os resul-tados deste exercício, q u a n d o inclusive deverão ser abertas m a i s três agências do Banco no interior do E s t a d o .

SOUZA CRUZ FAZ DOAÇÃO A UNIVERSIDADE FEDERAL

A Cia. Souza Cruz está doando ao

M u s e u Câmara Cascudo da U F R N todo

o p a t r i m ô n i o e acervo da empresa

San-ta Mônica Industrial S / A ( S A M I S A ) ,

q u e se e n c o n t r a em fase de liquidação. E s t a doação foi proposta pelo advoga-do Diógenes da Cunha Lima, designado l i q u i d a n t e da S A M I S A , e i m e d i a -t g m e n -t e a u -t o r i z a d a pela Souza Cruz, d e t e n t o r a de mais de 9 9 % do seu capi-tal social. A razão de ser da sugestão de Diógenes foi o fato de que técnicos ligados ao Museu Câmara Cascudo estão d e s e n v o l v e n d o pesquisas de p r o d u -ção acelerada de algas marinhas e m r e s e r v a t ó r i o s de á g u a do mar, faltan-d o - l h e s p o r é m u m a área p r ó p r i a para este t i p o d e t r a b a l h o . E as áreas d a

S A M I S A , projeto que com o apoio d a S U D E N E visava criar peixes e

cama-rões e m ' r e g i m e de cativeiro, são ex-celentes p a r a tal f i m . O reitor

Domin-gos Gomes de Lima recebeu com

sa-tisfação a noticia. O valor a p r o x i m a d o dessa doação é da o r d e m de Cr$ 10 m i -lhões.

NOVO A U M E N T O DE AUTOMÓVEIS

As vendas de automóveis começam a se i n t e n s i f i c a r , a partir d a noticia d e q u e em fins de j u n h o as fábricas colocarão em v i g o r um novo a u m e n t o de re ç o s que deverá ficar na faixa dos 8 c 1 0 % . Gilson Lima, diretor d e

M a r p a s S / A , i n f o r m a que, passado o i m p a c t o do ú l t i m o a u m e n t o verifica-do e m a b r i l , o m e r c a d o de carros novos v o l t a à n o r m a l i d a d e , esperando-se pa-ra todo o mês de j u n h o um m o v i m e n t o de v e n d a s b e m m a i o r . Nas lojas d e M a r p a s , a n o v i d a d e agora é o novo l a n ç a m e n t o da Volkswagen: o Passat Surf.

LINHA DE ÔNIBUS VENDIDA POR Cr$ 130 MILHÕES

N u m a transação q u e ultrapassou os C r $ 130 m i l h õ e s , a Empresa Nápoles — q u e m a n t é m a linha Natal-Recife — a d q u i r i d u 100 ônibus d a Empresa

Bar-ros Ltda., ou seja, todos os veículos

m a n t i d o s por ela nas l i n h a s d e t r a n s -portes" urbanos de N a t a l . A Empresa

Barros continuará e x i s t i n d o , com l i

-n h a s regulares ape-nas p a r a o i -n t e r i o r do Rio G r a n d e d o N o r t e . Os ô n i b u s c o m p r a d o s pela Nápoles vão m u d a r de c o r .

RECEITA FEDERAL TERÁ CENTRO ADMINISTRATIVO

T o d a s as repartições do Ministério

da Fazenda, e m Natal, d e n t r o de n o

m á x i m o dois anos passarão a f u n c i o n a r n u m m e s m o edifício. Para a t e n d e r esse p l a n o , a Receita Federal j á a d q u i r i u p o r C r $ 3 milhões u m g r a n d e t e r r e n o n a r u a Ceará M i r i m , p r o x i m i d a d e s do H o s p i t a l da Polícia M i l i t a r . M . MACEDO PLANEJA NOVA INCORPORAÇÃO

Manoel Macedo, u m dos mais

tra-d i c i o n a i s corretores i m o b i l i á r i o s tra-d o R N , precursor e m Natal das c o n s t r u -ções d e edifícios por incorporação, pla-n e j a d a r ipla-nício pla-nos p r ó x i m o s d i a s a u m p r é d i o residencial d e 10 andares, den-t r o desse sisden-tema. O prédio ficará lo-c a l i z a d o no b a i r r o d o T i r o l , e m t e r r e n o d e 1.500 metros q u a d r a d o s , e terá ape-nas u m a p a r t a m e n t o por a n d a r .

Mace-do e s p e r a apenas c o m p l e t a r o n ú m e r o d e d e z compradores p a r a d a r início à o b r a , q u e não r e c o r r e r á a f i n a n c i a m e n -to d o B N H . O preço dos a p a r t a m e n t o s g i r a r á e m t o r n o de C r $ 1 m i l h ã o , pois d e v e r ã o ser v e n d i d o s s e m lucro.

COBRÂS FAZ VENDA DE Cr$ 5 MILHÕES NA PB

A C O B R A S — Mecânica Industrial

Ltda. acaba de fechar negócios da

or-d e m or-d e C r $ 5 m i l h õ e s c o m a C I D A G R O

(Companhia de Desenvolvimento Agropecuário da Paraíba). A

transação e n v o l v e o f o r n e c i m e n t o de p e r f u r a -t r i z e s f a b r i c a d a s pela Prominas.

Sin-val Coelho, d i r e t o r da COBRÁS, a f i r m a

q u e neste a n o d e 1978 o r i t m o das v e n d a s de m á q u i n a s e i m p l e m e n t o s a g r í -colas é s a t i s f a t ó r i o .

RN PODERIA PRODUZIR MAIS ABACAXI DO QUE O ESTADO DA PARAÍBA A Agrorocha S / A , e m p r e s a a g r o p e -c u á r i a -c o m a p o i o da Sudene, possui t e r r a s c o n t i n u a s nos m u n i c í p i o s d e C e a r á M i r i m e lelmo M a r i n h o onde, e n t r e outras a t i v i d a d e s , desenvolve a c u l t u r a do abacaxi, j á t e n d o alcançado a p r o d u ç ã o a n u a l de 2 m i l h õ e s de f r u -t o s , -t o d a ela des-tinada ao mercado int e r n o , especialmeninte São Paulo. A g o -r a , a Ag-ro-rocha vai e -r -r a d i c a -r as planta-ções d e abacaxi p o r q u e o Governo Es-t a d u a l , aEs-través d a SecreEs-taria d a Fa-z e n d a , f i x o u e m Cr$ 3,00 o valor d e p a u t a para efeito de c o b r a n ç a do I C M , p o r u n i d a d e dessa f r u t a , valor q u e é c o n s i d e r a d o a l t a m e n t e d e s e s t i m u l a n -t e , pois o v i z i n h o E s -t a d o d a Paraíba p a u t o u o abacaxi em C r $ 1,00. A f i r -m a -m os d i r e t o r e s da Agrorocha q u e , se h o u v e s s e a l g u m tipo d e incentivo ao i n v é s d e desestímulo, o Rio G r a n d e do N o r t e p o d e r i a v i r a ser u m dos maiores p r o d u t o r e s brasileiros d e abacaxi, su-p e r a n d o m e s m o a Paraíba, q u e d e s t i n a q u a s e toda s u a produção ao mercado e x t e r n o .

(5)

homens Si empresas

CESMETAL ASSINA CONTRATO COM M .

MACEDO

A Cesmetal — César

Metalúrgi-ca Ltda. — assinou c o n t r a t o no valor de

C r $ 480 m i l c o m a i m o b i l i á r i a M . M a

-cedo, para instalação d e todas as

es-q u a d r i a s de a l u m í n i o do Center Hotel, o b r a q u e já começa a e n t r a r em fase de a c a b a m e n t o e q u e poderá ser inaugu-r a d a a i n d a este ano. A Cesmetal é u m a e m p r e s a coligada ao g r u p o César S / A , e n q u a n t o q u e o Center Hotel está sen-d o c o n s t r u í sen-d o t o t a l m e n t e com recursos p r ó p r i o s pelo corretor M a n o e l Macedo.

CAERN E LAGOSTEIROS NÃO SE ENTENDEM

A direção da Companhia de Águas

e Esgotos do Rio Grande do Norte — C A E R N — está c o b r a n d o às e m p r e

-sas lagosteiras de Natal u m a elevada t a x a de esgotos, contra a qual muitos a r g u m e n t o s existem m a s não são con-s i d e r a d o con-s . Bacon-seadocon-s no p r ó p r i o regula-m e n t o d a C A E R N , as eregula-mpresas lagos-t e i r a s não usam os esgolagos-tos, daí p o r q u e p r o t e s t a m c o n t r a o p a g a m e n t o das ta-xas. A d e m a i s , r e c l a m a m c o n t r a a má q u a l i d a d e d a á g u a fornecida pela C o m -p a n h i a q u e , -p a r a ser u t i l i z a d a no benef i c i a m e n t o d a lagosta, t e m o b r i g a t o r i a m e n t e d e se s u b m e t e r a novo t r a t a -m e n t o , a c a r g o das próprias e-mpresas.

SUPERINTENDENTE DO DIGUAR ESTÁ NO IRAQUE

O a n t i g o S u p e r i n t e n d e n t e do

Distri-to Potiguar da P E T R O B R Á S , Carlos Augusto Cavalcanti Guerreiro, foi

cedi-d o p e l a cedi-direção cedi-da e m p r e s a para i r ge-r e n c i a ge-r , pelo pge-razo d e dois anos, a

B R A S P E T R O , no I r a q u e . E m seu l u

-g a r , está Antônio José Torres

Doura-do. DIA DA INDÚSTRIA C O M E M O R A D O COM JANTAR A p a s s a g e m do Dia da Indústria (25 d e m a i o ) f o i c o m e m o r a d o em Natal c o m u m j a n t a r p r o m o v i d o pela

Fede-ração das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte, r e u n i n d o cerca d e

400 e m p r e s á r i o s e a u t o r i d a d e s . O j a n -t a r foi r e a l i z a d o nas dependências d o

Centro Integrado S E S I / S E N A I , o b r a

de 16 m i l m 2 de área coberta, em cons-t r u ç ã o , q u e foi d e v i d a m e n cons-t e m o s cons-t r a d a aos c o n v i d a d o s .

B A N O R T E T E M SUA DÉCIMA EMPRESA

O Grupo Banorte coloca à disposi-ção d o Rio G r a n d e do N o r t e mais um s e r v i ç o : o de seguros. Para isto, f o i c o n s t i t u í d a e já está e m pleno funcio-n a m e funcio-n t o a Seguradora Bafuncio-norte S / A , a d é c i m a . e m p r e s a v i n c u l a d a ao Sistema

Financeiro Banorte, c o m sede e m

Reci-f e . A notícia Reci-foi Reci-f o r n e c i d a por Jorge

Ivan Cascudo Rodrigues, d i r e t o r d e

p r o g r a m a s habitacionais do g r u p o .

RIONORTE FINANCIA AQUISIÇÃO DE CAMINHÕES

A Rionorte — Crédito,

Financia-mento e InvestiFinancia-mento, e m p r e s a

finan-c e i r a v i n finan-c u l a d a ao Banfinan-co de

Desenvol-vimento do Rio Grande do Norte, acaba

d e conceder u m c r é d i t o n o valor d e C r $ 1,5 milhão à Transportadora

San-tos Reis Ltda. para aquisição de duas

c a r r e t a s e um c a m i n h ã o s i m p l e s . A e m p r e s a financiada é ligada à

Distri-buidora de Bebidas Potiguar l t d a . ,

re-p r e s e n t a n t e d a c e r v e j a Brahma no E s t a d o .

CIDADE SATÉLITE SÓ DEPOIS DA PONTE

C i r c u l a m rumores d e q u e a

Prefei-tura de Natal só p e r m i t i r á a construção

d a Cidade Satélite d o I N O C O O P em t e r r e n o q u e se localize do o u t r o lado do r i o P o t e n g i . Esse p r o j e t o h a b i t a c i o n a l , c u j a i m p l a n t a ç ã o a preços d e hoje cus-t a r i a C r í 1,2 bilhão, p r e v ê a conscus-trução d e q u a s e 5 m i l casas p a r a pessoas de b o m poder a q u i s i t i v o , s e n d o considera-d o u m considera-dos maiores e m a i s ambiciosos p r o j e t o s d e todo o país. A ser verídi-ca a notícia d a decisão d a Prefeitura, a

C i d a d e Satélite poderá se c o n s t i t u i r

n u m g r a n d e fracasso, pois a classe mé-d i a natalense (a q u e m o projeto se d e s t i n a ) d e f i c i l m e n t e concordará com a i d é i a de m o r a r depois d a ponte. E q u e m m u i t o p e r d e c o m isso é a econo-m i a d o Estado. R N - E C O N Ô M I C O T E M LUCRO DE Cr$ 1 MILHÃO E n c e r r a d o o balanço r e f e r e n t e ao e x e r c í c i o de 1977, a Editora R N E C O -N Õ M I C O Ltda. a p r e s e n t o u u m lucro l í q u i d o da o r d e m de C r $ 1 m i l h ã o . C o m o a p r o v e i t a m e n t o de reservas e de lucros d e exercícios a n t e r i o r e s , a e m p r e -sa d e v e r á elevar o seu capital social p a r a C r $ 4 milhões. Novos i n v e s t i m e n -tos j á c o m e ç a m a ser fei-tos na á r e a de m á q u i n a s e e q u i p a m e n t o s gráficos pa-ra o R N - E C O N Ó M I C O .

DATANORTE AMPLIA ÁREA DE ATENDIMENTO

A Datanorte, e m p r e s a de processa-m e n t o de dados pertencente ao Gover-no do Estado, j á presta os seus ser-viços de computação aos seguintes ór-gãos públicos e da iniciativa p r i v a d a :

Secretaria da Administração, Instituto de Previdência dos Servidores do Esta-do — I P E , Instituto de Previdência Esta-dos Servidores do Município de Natal — I P R E V I N A T , Prefeitura Municipal de Natal, Companhia de Águas e Esgotos do RN — C A E R N , Banco do Estado do Rio Grande do Norte S / A , Banco do Estado de São Paulo S / A e Departa-mento Estadual de Trânsito. Com os

seus c o m p u t a d o r e s (IBM-360-30) ins-talados no Centro A d m i n i s t r a t i v o , a

Datanorte m a n t é m sua administração

na r u a J u n d i a í . Os seus trabalhos hoje o c u p a m a mão-de-obra de 98 funcio-nários, n ú m e r o que logo será elevado em função do a u m e n t o de clientes.

QUEIROZ OLIVEIRA ABRE ABRE NOVA LOJA

O g r u p o Queiroz Oliveira i n a u g u

-rou a sua nova loja de Mossoró, loca-lizada à r u a Cel. G u r g e l , e m pleno c e n t r o c o m e r c i a l d a maior cidade d o E s t a d o . A s instalações de Mossoró, s e g u e m as mesmas linhas d a loja p r i n c i p a l da organização, e m N a t a l , sendo, p o r t a n t o , a maior e mais m o d e r -na casa de materiais para construção d a q u e l a cidade. A f r e n t e dos negócios da e m p r e s a em Mossoró está Damião

Queiroz, e n q u a n t o M i g u e l Oliveira

cui-da dos interesses de Queiroz Oliveira em N a t a l .

DIRETOR DO BNH ELOGIA O TRABALHO DA COHAB-RN

Hélio Lopes, d i r e t o r d o Banco Nacional de Habitação (área de p r o g r a

-m a s de natureza social), revelou que a t é hoje o B N H destinou ao Rio G r a n d e do N o r t e recursos no v a l o r de Cr$ 901,7 m i l h õ e s , para construção d e 14.497 u n i d a d e s habitacionais. Desse total, m a i s da metade se r e f e r e aos ú l t i m o s q u a t r o anos, o que b e m m o s t r a a efi-c i ê n efi-c i a e a intensidade dos trabalhos d a a t u a l d i r e t o r i a da C O H A B - R N , en-c a b e ç a d a por Ezequias Pegado Cortez.

Hélio Lopes elogiou de f o r m a

entusiás-t i c a o "projeentusiás-to A m a r a n entusiás-t e " , idealizado p e l a C O H A B - R N e hoje i m i t a d o pelo país i n t e i r o . Por esse p r o j e t o , a

C O H A B faz a urbanização de t e r r e n o s

e f i n a n c i a aos a d q u i r e n t e s a c o m p r a do m a t e r i a l necessário à construção das casas pelos proprios interessados.

(6)

O B R I G A Ç Õ E S P A R A O M É S D E J U N H O D i a 10 — Ú l t i m o d i a p a r a r e c o l h i m e n t o P I S / F a t u r a m e n t o d o mês d e d e z e m b r o d e 1977 — R e c o l h i m e n t o P I S / F o l h a d e P a g a m e n t o d e z / 7 7 . — Ú l t i m o d i a p a r a e n t r e g a da D R C s o l i c i t a n d o os D I P I S p a r a cadas-t r o d o s e m p r e g a d o s a d m i cadas-t i d o s e m m a i o e a i n d a não c a d a s t r a d o s . — R e m e s s a ao I B G E das 2as . vias d a s n o t a s f i s c a i s das operações e s t a d u a i s d o m ê s a n t e r i o r . Dia 15 — U l t i m o d i a p a r a as e m p r e sas c o m u n i c a r e m à D e l e g a c i a do T r a b a l h o as d i s p e n s a s ou a d m i s s õ e s d e e m p r e -g a d o s no m ê s d e m a i o . Dia 18 — Ú l t i m o d i a p a r a as e m p r e

-sas e n t r e g a r e m d o c u m e n t o s do PIS, re-f e r e n t e s aos e m p r e g a d o s a d m i t i d o s em m a i o . Dia 30 — U l t i m o d i a p a r a e n t r e g a d a r e l a ç ã o dos e m p r e g a d o s , i n c l u s i v e p a r a f i r m a s e a u t ô n o m o s , m e s m o s e m e m p r e -g a d o s , q u e d e v e r ã o fazer d e c l a r a ç ã o n e g a t i v a . — R e c o l h i m e n t o do I m p o s t o d e R e n d a d e s c o n t a d o na f o n t e , dos e m p r e -g a d o s e dos r e n d i m e n t o s pa-gos a ti-t u l o d e c o m i s s ã o , h o n o r á r i o , e ti-t c . , no m ê s d e m a i o . — Ú l t i m o p r a z o para e m p r e s a s q u e e n c e r r a r a m b a l a n ç o e m 28 d e f e v e -r e i -r o -r e a l i z a -r a c o -r -r e ç ã o m o n e t á -r i a do a t i v o i m o b i l i z a d o . — Ú l t i m o d i a p a r a e f e t u a r d e p ó -s i t o -s -s o b r e i m p o r t â n c i a c o r r e -s p o n d e n t e às r e m u n e r a ç õ e s pagas e m m a i o ao F G T S . — R e c o l h i m e n t o ao B a n c o do B r a -s i l do I m p o -s t o Ú n i c o -s o b r e M i n e r a i -s r e f e r e n t e a a b r i l . — F i m d o p r a z o p a r a r e c o l h i m e n t o ao I N P S das i m p o r t â n c i a s d e s c o n t a d a s e m f o l h a d e p a g a m e n t o dos e m p r e g a d o s , a c r e s c i d a s da c o n t r i b u i ç ã o p a t r o n a l so-b r e as r e m u n e r a ç õ e s pagas ou d e v i d a s e m m a i o . — R e c o l h i m e n t o ao B a n c o do B r a -s i l d o ISTR -s o b r e t r a n -s p o r t e -s d e pa-s-sa- passa-g e i r o s e c a r passa-g a s . P R O R R O G A D O P R A ^ O P A R A R E G I S T R O D E C O N T R O L E E m A j u s t e / S I N I E F n ° 1, de 2 1 . 0 3 . 7 8 , f o i p r o r r o g a d o a t é 31 d e d e z e m b r o de 1 9 7 9 , o d i s p o s t o do A j u s t e / S I N I E F 02, d e 2 3 . 1 1 7 2 , d i s c i p l i n a n d o a e s c r i t u r a -ç ã o d o L i v r o R e g i s t r o de C o n t r o l e e P r o d u ç ã o e d o E s t o q u e ( m o d e l o 3), d u -r a n t e o e x e -r c í c i o d e 1973. P R O M I S S Ó R I A S S E M D A T A C o n f o r m e O r i e n t a ç ã o N o r m a t i v a I n t e r r f a . e m a t e n d i m e n t o á solicitação d e O m e n t a ç ã q n ° 71 77. o C o o r d e n a -d o r -d o S i s t e m a -de T r i b u t a ç ã o a p r o v o u e n t e n d i m e n t o de que não cabe penali-d a penali-d e p a r a a f a l t a penali-de inpenali-dicação penali-da penali-d a t a d a e m i s s ã o de nota p r o m i s s ó r i a , nos ca-sos e m q u e ela t e n h a l o g r a d o r e g i s t r o , q u a n d o não t e n h a sido v e r i f i c a d a q u a l -q u e r ad u l t e r a ç ã o r e l a c i o n a d a com os r e q u i s i t o s essenciais do r e f e r i d o t í t u l o " . C O E F I C I E N T E S D E C O R R E Ç Ã O M O -N E T A R I A A P L I C A V E I S A O S D É B I T O S F I S C A I S E C O N T R I B U I Ç Õ E S D E V I D A S A P R E V I D Ê N C I A S O C I A L C A P I T A L D E G i R O P R O P R I O D A S P E S S O A S J U R Í D I C A S O m i n i s t r o da Fazenda b a i x o u por-t a r i a d e n ° 18. de 20.03.78. f i x a n d o os c o e f i c i e n t e s de c o r r e ç ã o m o n e t á r i a a p l i -c á v e i s ao -c á l -c u l o de m a n u t e n ç ã o do - capit a l d e g i r o p r ó p r i o das pessoas j u r í d i -cas r e e r e n t e s aos balanços e n c e r r a d o s e m m a r ç o / 7 8 : M ê s d o início do e x e r c í c i o f i n a n c e i r o ou (1) e n c e r r a m e n to d o b a l a n ç o a n t e -r i o -r C o e f i c i e n t e s 1976 M a i o 1.707 J u n h o 1.658 J u l h o 1.611 A g o s t o 1.570 S e t e m b r o 1.528 O u t u b r o 1.479 N o v e m b r o 1.428 D e z e m b r o 1 386 1977 J a n e i r o 1.356 F e v e r e i r o 1.333 M a r ç o 1.307 A b r i l 1.278 M a i o 1.242 J u n h o 1.203 J u l h o 1.165 A g o s t o 1.134 S e t e m b r o 1.112 O u t u b r o 1.096 N o v e m b r o 1.081 D e z e m b r o 1.065 1 9 7 8 J a n e i r o 1.045 F e v e r e i r o 1.023 M a r ç o 1.000 A n o s T r i m e s t r e C i v i l C o e f i c i e n t e s d e C o r r e ç ã o M o n e t á r i a 1977 4 0 1.000 3o 1,072 2o 1 .124 1o 1.195 1976 4 0 1.311 3o 1.391 2o 1.517 1o 1.652 1975 40 1.796 3o 1.915 2o 2.032 1o 2.141 1974 4 0 2,275 3o 2.392 2o 2.506 1o 2.844 1973 4o 3 . 0 5 0 3o 3.168 2o 3 . 2 8 0 1o 3,370 1972 4o 3.490 3o 3.604 2o 3.704 1o 3.816 ' * 9 7 " 4o 4.003 3o 4 . 1 5 2 2o 4 , 3 5 8 1o 4.637 1970 4o 4.852 3o 5.057 2o 5.365 1o 5,528 1969 4 0 5,718 3o 6,031 2 ° 6 , 3 9 8 1o 6 , 5 4 9 1968 4 0 6 , 8 2 4 3o 7 . 1 7 0 2o 7,539 1o 7,959 1967 4 0 8 , 5 6 2 3o 8 , 9 6 8 2o 9 , 3 2 8 1o 9 , 7 5 6 1966 4o 10,366 3o 10,995 2o 11,819 1o 12,854 1965 4o 14,512 3o 15.386 2o 16,064 1o 16,803 1964 4o 19,060 3o 22,603 2 ° 25,541 6 RN/ECONÔMICO - Maio/78

(7)

PREFERÊNCIA AOS INDUSTRIAIS

E COMERCIANTES DO RN

Ney Lopes de Souza Advogado

A preferência, em igualdade de condições, a industriais produtores e comerciantes do Rio Grande do Norte, para fornecimento ao Estado, coloca-se como tema controvertido, a partir da edição da lei 3.970, de 16 de julho de 1971 (já revogada), cujo modelo fôra transposto da Pa-raíba.

Entende o Estado, que a legislação era in-constitucional. Na verdade, a questão jurídico-fis-cai é complexa, envolvendo ângulos diversos. Pode-se, à primeira vista, admitir que signifique a concessão dessa preferência, incentivo ou favor fiscal com base no Imposto sbre Circulação de Mercadorias, determinando redução direta do respectivo ônus tributário. A sistemática da Lei 3.970/71 estabelecia que, para comparação de preços, os órgãos estaduais deduziriam da cota-ção global ofertada pelo licitante, parcela corres-pondente ao ICM que deveria ser pago ao Estado do Rio Grande do Norte e/ou ISS a ser recolhido às Prefeituras Municipais. Na hipótese de aquisi-ção de bens, a deduaquisi-ção seria de 12% (doze por cento), no caso de bens produzidos no Estado e vendidos diretamente pelo industrial ou produtor e 6% (seis por cento), bens vendidos através de revendedores. Quando se tratasse de serviços, a dedução seria de 5% (cinco por cento), de acordo com a alíquota incidente do ISS.

A lei 5.172, de 25 de outubro de 1966, em seu artigo 100, dispõe que os convênios, celebrados entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios, constituem normas tributárias com-plementares (inciso IV). No caso de convênios en-volvendo o ICM, regula a matéria a Lei Comple-m e n t a Comple-m0 24, de 07.01.1975.

A indagação basilar é sobre a necessidade ou não de convênio, para a concessão da preferência definida na Lei estadual 3.970/71.

O contato com a matéria, tanto no exercício cotidiano da advocacia econômica, quanto por ter-mos sido um dos subscritores da Lei 3.970/71 (a época na condição de Secretário de Justiça), duzem-no à convicção da desnecessidade do con-vênio, por tratar-se de mera dedução no ato da licitação, sem repercussões, direta ou indireta, na incidência e recolhimento futuro do tributo.

Note-se que a legislação prescrevia dedução e não redução. Deduzir, in casu, é excluir, para efeito exclusivo de comparação de preços, a parcela cor-respondente ao ICM que deve ser pago ao Estado. O princípio é, portanto, regulador de uma simples dedução, sem projetar prejuízo ao fisco. Pelo contrário, preserva o erário, na medida em que considera preferencial a proposta de preço, desde que em igualdade de condições, descaracterizando completamente qualquer imputação de redução na base de cálculo.

Redução, sob a forma de incentivo, favor fis-cal ou financeiro-fisfis-cal, somente se verifica, quan-do traduz eliminação, direta ou indireta, quan-do ônus

tributário respectivo (art. 1o, § único, inciso IV,

da LC n° 24/75). O sistema preferencial, instituído pela Lei Estadual 3.970/71, não estabelecia, por-tanto, a redução na base de cálculo do ICM, mas tão somente a dedução já referida e com fins es-pecíficos.

O aspecto pertinente a isonomia (igualdade de todos perante a lei), arguido como base da pre-sumida inconstitucionalidade, associa-se direta-mente a distinção jurídica demonstrada. Na medi-da em que não se tipifica a redução medi-da base de cálculo do ICM, infere-se, por conclusão, a ine-xistência de privilégio em favor dos industriais produtores e comerciantes do Rio Grande do Nor-te. Isto porque, os licitantes que se estabeleceram no Estado, fixando os seus negócios através de filiais devidamente instaladas, passarão a gozar da dedução no ato licitatório. Logo, a igualdade de todos perante a lei, somente estaria ferida, se a lei estadual instituísse vedações obstativas à prá-tica do comércio ou da oferta de serviços para aqueles que não fossem instalados no Estado e registrados no Cadastro de Contribuintes da Se-cretaria da Fazenda.

A preferência, em igualdade de condições, a industriais produtores e comerciantes do Estado do Rio Grande do Norte significará, caso acolhida pelo Governo do Estado, apoio objetivo e pragmá-tico às atividades dos produtores e comerciantes de todo o território nacional aqui instalados, que desejem fornecer ao Estado e dessa forma contri-buir para o nosso efetivo desenvolvimento econô-mico-social.

(8)

ESPECIAL

Dom Nivaldo Monte:

"Nosso modelo

econômico

é anti-cristão"

Dom Nivaldo Monte, arcebispo de Natal, participante hoje de todas as

grandes decisões do episcopado brasileiro, explica porque a Igreja é

obrigada a se envolver com a política. Ele aponta para as injustiças

sociais como um desrespeito aos desígnios de Deus e afirma que o nosso

modelo econômico é anti-cristão.

A Igreja no Rio Grande do Norte tem se caracterizado pelo seu pioneirismo no trabalho de promo-ção humana e na abordagem dos sé-rios problemas sociais da região. Nessa linha é que a Arquidiocese de Natal foi a primeira do país a se envolver diretamente com o sindica-lismo rural, a educação através do rádio, a orientação política do po-vo, o cooperativismo e com vários outros empreendimentos que sem-pre vão além da assistência espiri-tual.

Dom Nivaldo Monte, 60 anos, voz pausada de quem reflete sobre cada palavra que pronuncia, coman-da como arcebispo todo o trabalho de apoio ao desenvolvimento co-munitário, realizado entre nós pela Igreja. Avesso a todas as formas de radicalismo, mas extremamente firme na defesa do ponto de vista de que o trabalho pastoral deve ex-trapolar o campo religioso, ele contesta o atual modelo econômi-co brasileiro, econômi-considerando-o anti-cristão.

MUITO PARA UNS, NADA PA-RA OUTROS — A falha maior do

sistema, segundo Dom Nivaldo, é a imensa desigualdade social que ele está criando. A pobreza é quase o estado geral do povo. A margina-lização nas cidades faz. crescerem as favelas. A desagregação familiar, estimulada pela precariedade eco-nômica, assume proporções alar-mantes, gerando o abandono da in-fância, a prostituição e tantos outrog males que só fazem afastar sempre mais o povo dos princípios morais do cristianismo. Afirma o arcebispo:

"A base teológica para o tra-balho de promoção humana que nós desenvolvemos na Arquidiocese está no fato de que o homem mere-ce respeito, pois foi na condição de homem que Cristo veio ao mundo. Por isso, condenamos todas as for-mas de desrespeito ao ser humano, principalmente a marginalização e a miséria. Cada vez que se obsta a realização do homem, se está freando os desígnios de Deus''.

E prossegue:

"O nosso modelo econômico incorre nesse erro. Desrespeita o homem, pela má distribuição da renda, dando muito a uns e nada a outros. Por isso, esse modelo é anti-cristão e precisa ser reformu-lado ''.

CAPITALISMO OU SOCIALIS-MO? — Embora reconheça de

ime-diato que não é um "expert" em economia, não se sentindo pois em condições de sugerir um modelo econômico completo, Dom Nivaldo Monte afirma que entre o capitalis-mo e o socialiscapitalis-mo ele escolheria uma síntese dos dois sistemas, pois a prática tem demonstrado que nem um nem outro atendem satisfatoriamente aos anseios so-ciais. Mas, no seu entender, apro-veitando-se os pontos positivos de cada um, poder-se-ia construir uma sociedade mais justa.

Ele vê a iniciativa privada como a forma certa de se obter o desen-volvimento mais rápido. Mas, ao mesmo tempo, reconhece a

(9)

ESPECIAL

dade da interferência do Estado na economia para assegurar ao povo os bens essenciais, como a saúde, a alimentação, a educação e o trabalho remunerado com justiça. E declara:

"Não se pode analisar o proble-ma sob o ângulo de capitalismo ou do socialismo. Ambos estão supera-dos como sistemas econômicos. Pre-cisamos partir para a síntese do que os dois possuem de positivo, até

porque uma das metas da Igreja é somar esforços para alcançar o bem comum''.

O TRABALHO SOCIAL — Já

houve época em que o trabalho so-cial da Arquidiocese foi taxado de subversivo e já houve ocasiões em que o arcebispo, padres e leigos atuantes foram vítimas de incompre-ensões, calúnias e críticas duras,

Dom Nivaldo afirma que lideranças novas precisam ser

estimuladas, sob pena do país vir a ficar nas mãos de

uma geração despreparada para a vida pública.

até por meio da imprensa. Dom Ni-valdo Monte recorda esses episódios como coisas do passado que não afetam cm nada o ritmo do trabalho de hoje. Prudente por natureza, evitando o confronto e a luta, ele tem conseguido superar todos os impasses, garantindo à Igreja a posição de equilíbrio e de modera-ção indispensável ao cumprimento das suas missões.

Certamente, a participação da Arquidiocese no trabalho social vem permitindo a Dom Nivaldo Monte a presença em todas as grandes deci-sões da Igreja no país. Hoje, ele é membro da Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB (Conferência Na-cional dos Bispos do Brasil) e cons-tantemente está sendo solicitado a comparecer a encontros interna-cionais onde sua palavra é ouvida e tem peso.

Os órgãos arquidiocesanos exe-cutores dos programas de cunho so-cial são o SAR (Serviço de Assis-tência Rural), o MEB (Movimento de Educação de Base) e a Cáritas. A linha de ação desses órgãos se propõe a atingir dois objetivos: 1) formar a consciência social do ho-mem, através da percepção realista dos problemas das comunidades e das estruturas sociais; e 2) criar condições de melhoria real do nível social e econômico das pessoas.

O SAR se volta especificamente para o homem do campo, desen-volvendo programas de educação política, incentivo a atividades comunitárias, melhoria habitacio-nal, incentivo à produção agrícola, assessoria aos centros sociais, educação cooperativista, programas para os quais vem contando com apoio financeiro de organismos na-cionais e internana-cionais, como o Mi-nistério da Educação, a Universida-de FeUniversida-deral do Rio GranUniversida-de do Norte, o Governo do Estado, a Oxfan (da Inglaterra), a Adveniat, a Miserior e a Zentralstelle fur Entwieklun-ghilfe (da Alemanha), a Cáritas Bra-sileira, o Ceris, o Ibrades, a Vaste-naktie (da Holanda), a CRS — Catholic Relief Services (dos Esta-dos UniEsta-dos), o Ministério da Agri-cultura, a Fundação LBA, a

(10)

ESPECIAL

mo, a Fetarn e Prefeituras Munici-pais.

O MEB, que na sua fase inicial cuidava de alfabetizar a população rural, hoje se preocupa com a educa-ção supletiva e continuada, utilizan-do o rádio. Esse tipo de educação visa dar ao homem a conscientização política, condicionando-o para uma participação responsável no proces-so de desenvolvimento. Seu trabalho é coordenado em Natal por uma equipe de 15 pessoas, e como o SAR, recebe apoio de várias entida-des nacionais e estrangeiras.

A Cáritas é uma organização que atua quase sempre nas situa-ções de emergências, como no ca-so de secas ou inundações. Ela motiva o povo a construir, pelo regime do mutirão — por exem-plo — as soluções para os seus problemas de habitação, de trans-portes, de produção. Para isso, ela distribui gêneros alimentícios, me-dicamentos, e outros bens necessá-rios às comunidades pobres, em troca do esforço que as pessoas pos-sam empregar no trabalho em fa-vor da solução dos seus próprios problemas. Agora mesmo, a Cáritas está atuando na comunidade de Ser-rinha (município de João Câmara), em convênio com a SUNAB. Os mo-radores daquele lugarejo estão abrindo estradas, construindo casa de farinha, aumentando as suas plantações, fazendo escolas, tudo em regime de mutirão, com a assis-tência da Igreja.

O POVOE A POLÍTICA — Dom

Nivaldo Monte diz que sempre se preocupou com a ausência do povo nas decisões políticas. Por isso, em 1972 a Arquidiocese resolveu partir para a execução de um programa de conscientização, onde seria ressal-tado o valor do voto nas eleições e explicada a maneira de se aquilatar o valor do trabalho dos políticos. Tu-do começou em Natal, com a. prega-ção nas igrejas e a distribuiprega-ção de

10

folhetos em que se levava ao povo uma mensagem contrária à venda do voto e de crítica à demagogia. O exemplo de Natal logo se alastrou por dez outras Dioceses nordesti-nas. Hoje, seis anos depois, a cons-cientização política do povo é uma meta de mais de 100 Dioceses bra-sileiras e um objetivo nacional, con-forme está assinalado no documento dos bispos ("Exigências Cristãs de uma Ordem Política"), lançado em Itaici, em 1977.

"Eu não diria que os movimen-tos que hoje se Jazem no puís a fa-vor das reformas sejam decorrentes unicamente desse trabalho de cons-cientização da Igreja" — explica

Dom Nivaldo. "Mas — continua —

tenho certeza de que nós contribuí-mos. ao pregarmos sem descanso a necessidade de democracia plena e consciente''.

No seu entender, falta agora a oportunidade para.que surjam novas lideranças políticas, especialmente

entre os jovens. Essas lideranças precisam ser estimuladas, sob pena de dentro de mais alguns anos o país vir a ficar nas mãos de uma geração despreparada para o exer-cício da função pública.

O arcebispo chega a propor a criação de um curso especial, de possível de nível superior, para pre-parar os jovens para a política. Diz ele que para todas as profissões as pessoas têm que passar por um período de aprendizagem, enquanto que para o desempenho da fun-ção pública, muito mais cheia de responsabilidade, as pessoas apare-cem inteiramente despreparadas.

Por último, falando de reformas, de abertura política, Dom Nivaldo Monte pensa um pouco e lança a frase: "que isso tudo não fique só

nas conversas e que a abertura esti-mule o aparecimento de novas lide-ranças ' '.

R E C O M A P E T E M T U D O , A B S O L U T A M E N T E

T U D O PARA SEU ESCRITÓRIO

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DISTRITO INDUSTRIAL

UM VELHO PROJETO ESTÁ

BEM PERTO DE TOMAR FORMA

A criação de um distrito industrial em Natal é um assunto muito velho:

tem pelo menos 10 anos de discussão e de desencontros. A idéia vem dos

idos da COFERN, no governo do monsenhor Walfredo Gurgel, quando

os empolgados técnicos daquele órgão perdiam horas e horas debatendo

sem objetividade o problema de localização. No governo de Cortez

Pereira foram dados os primeiros passos realistas na definição de uma

área para concentração de indústrias. E agora, finalmente, são

conseguidos os primeiros recursos necessários à sua implantação, ao

longo da Rodovia RN-160, que liga Natal à cidade de Extremoz.

O secretário da Indústria, Co-mércio e Turismo, Benivaldo Alves de Azevedo, revela um evidente regozijo quando é instado a falar sobre a implantação do distrito industrial de Natal, principalmente porque esta é uma das metas do atual Governo que está em vias de se transformar em realidade. Para ele, o " p o l o " , que é como ele denomina o distrito, já significa algo concreto. E assegura:

"O plano diretor do polo quími-co-metalúrgico de Natal já está con-cluído. Atualmente, estão sendo de-senvolvidos os projetos executivos desse plano, mas ao mesmo tempo em que estamos nos movendo no âmbito desses projetos executivos, estamos também nos mobilizando junto a órgãos federais para a

obten-ção de recursos. O presidente Geisel acolheu favoravelmente a exposição de motivos do ministro Reis Veloso (de número 33/78), liberando re-cursos da ordem de Cr$ 30 milhões para a implantação da infra-estrutu-ra do polo industrial de Natal. Já apresentamos o nosso plano de apli-cação e estamos esperando apenas a liberação da primeira parcela desses recursos para aplicá-los na desapropriação das terras escolhidas para o polo, no município de

Extre-RN/ECONÔMICO - Maio/78

moz, à margem da Rodovia RN-160".

RECURSOS — Embora a

primei-ra parcela dos recursos (Cr$ 15

mi-lhões) para aplicação na primeira etapa dos serviços de implantação do distrito industrial não tenha sido ainda liberada, afirma Benivaldo Al-ves de Azevedo que os trabalhos já

11

Benivaldo Azevedo informa que já existem os recursos para

a implantação do distrito industrial.

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DISTRITO INDUSTRIAL

foram iniciados. O sistema de capta-ção e tratamento d'água, segundo ele uma coisa fundamental para a consecução do projeto, já está sen-do construísen-do. Isso, de fato, signifi-ca o começo real da obra, se bem que outras providências importantes também já foram tomadas. Por exemplo, a ponte sobre o rio Potengi ligando os municípios de Macaíba e São Gonçalo do Amarante, que faci-litará a movimentação viária e o flu-xo de tráfego nas circunvizinhanças do distrito industrial, já está com inauguração marcada para julho, tendo a sua construção a cargo do DER.

Detendo-se no cronograma da implantação, o secretário da Indus-tria, Comércio e Turismo explica as diversas fases em que se dividi-rá o trabalho e estabelece a divisão dessas etapas:

"Na sistemática da implantação haverá três momentos distintos. Na primeira fase, o Governo do Es-tado desapropriará a faixa de terra ao longo da RN-160. Esse trecho foi

escolhido para facilitar e evitar gas-tos excessivos com a abertura de no-vas estradas. Como a região de Ex-tremoz está bem servida de boas estradas, bastará apenas agora de-sapropriarmos as terras necessárias A partir daí, serão iniciados os serviços de infra-estrutura. Na se-gunda fase, complementaremos os setores de arruamento e vias secun-dárias. E na última fase, instalare-mos o^pátio ferroviário, a central de serviços, ultimaremos a sinalização e duplicaremos a Rodovia RN-160''. CONTRA AS PRESSÕES —

Ulti-mamente, a imprensa sulista tem dado ênfase à movimentação de políticos e empresários daquela re-gião contra a tendência de descen-tralizar a indústria brasileira, ten-dência esta fortemente sentida em certas áreas do poder central, em Brasília, e já oficializada através de uma Resolução do CDE. Somente através de medidas que dificultem ao máximo a proliferação de indús-trias ao redor dos grandes centros

(como São Paulo), se pode esperar o sucesso da política de criação de novos poios industriais no inte-rior do país. E as lideranças paulis-tas, principalmente, se insurgem contra o que elas chamam de ' 'tenta-tiva de esvaziamento". Mesmo assim, considera Benivaldo Alves que a descentralização é um fato consumado. Ele afirma:

' 0 empresário paulista, no caso, defende apenas interesses seus e nada mais. Não haverá interferência que venha a representar perigo para o polo planejado para o Rio Grande do Norte. 0 nosso polo industrial aproveitará as vocações naturais do Estado e tratará de desenvolvê-las. Não há sentido algum nessas pres-sões dos empresários do Sul, uma vez que é óbvio o fato de São Paulo estar se tornando um centro urbano inviável. A descentralização indus-trial é uma atitude normal que só irá beneficiar o Nordeste, e conse-qüentemente o próprio país, pois diminuirão os desníveis regionais e novas perspectivas serão

desperta-Corcel II LDO, questão de opção

DUAUTO VEÍCULOS

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O Corcel LDO é o clás-sico da linha do Corcel II U m c a r r o com luxo e con-f o r t o para as pessoasi r e a l m e n t e exigentes. N e l e t u d o é personalizado: o p a i n e l t e m aplicações em m a d e i r a e combina com a cor do e s t o f a m e n t o , q u e já v e m em tecido e v i n i l . T o d o o interior é e n t o n a d o com a cor e x t e r n a . O LDO t e m todas as inovações do Corcel II, mas é um carro para q u e m q u e r u m modelo p r ó p r i o , d i f e r e n t e . Corcel II L D O q u e s t ã o de opção em D U A T O V E Í C U L O S .

(13)

DISTRITO INDUSTRIAL

das. Todos os contatos que manti-vemos no Sul indicam que há um for-te infor-teresse pelo futuro econômico do nosso Estado, e uma satisfação cada vez mais crescente pelos êxitos que estamos alcançando na implan-tação de um polo químico-metalúr-gico no Rio Grande do Norte''.

EXISTE AMEAÇA? — 0

dire-tor-presidente da CDM/RN

(Compa-nhia de Desenvolvimento de Recur-sos Minerais), Joir Valle dos Santos, acha que existe uma ameaça no ar contra a política federal de descen-tralização, da indústria.

Recentemen-te, a CDM/RN, que é filiada à ANED1 (Associação Nacional de En-tidades do' Desenvolvimento In-dustrial), recebeu deste órgão um documento onde estão relacionadas

toaas as críticas e objeções dos em-presários paulistas à Resolução

14/77 — a que estabelece a descen-tralização. Depois de ler atentamen-te a matéria, Joir chegou à seguinatentamen-te conclusão pessoal:

' 0 polo industrial de Natal está seriamente ameaçado diante das pretensões dos paulistas de reter e deter todo o investimento industrial novo na área do grande São Paulo. Se a Resolução 14/77 não for segui-da haverá um afastamento casegui-da vez maior do investidor (estrangeiro ou ruio) das regiões Norte/Nor-deste".

EXEMPLO DA FIAT — Lembra

Joir Valle que algumas semanas atrás o presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo, Bernar-dino Pimentel Mendes, pedia enfati-camente ao Governo Federal a sus-pensão da Resolução 14/77 do CDE. Dizia ele que a concentração indus-trial em São Paulo era uma necessi-dade lógica, pois é lá que estão a melhor mão-de-obra e os incentivos tecnológicos e científicos mais quali-ficados do Brasil.

O presidente da CDM/RN diz que esse tipo de argumento não procede, pois incentivos igualmente valiosos também podem ser dados ao investidor que, por exemplo, escolha outra região como campo de investimento. Eafirma:

"Todos estão lembrados da luta que foi a instalação da FIAT em Mi-nas Gerais. Se a Resolução do CDE (ConselhoUe Desenvolvimento Eco-nômico) for revogada, é lógico que os atrativos oferecidos pelo Sul ven-cerão o páreo. Mantendo-se a Reso-lução, porém, haverá uma oportuni-dade extremamente valiosa tanto para a formação de uma mão-de-obra mais especializada como para a incorporação de incrementos cien-tíficos e tecnológicos em outras áreas do país. Para cuidarem disso, existem órgãos especializados, como SENAI e SENAC e tantos outros, que estão aí funcionando. Mas, se não existir uma motivação, é claro que tais órgãos não serão dinami-zados ''.

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POLÍTICA

AS OPINIOES SE DIVIDEM ACERCA

DA PARTICIPAÇÃO DOS EMPRESÁRIOS

Qual a posição que o empresário do RN deve tomar, diante do seu

engajamento, ou não, na política? As opiniões são as mais diversas, pois

muitos defendem a necessidade do homem de empresa não se voltar

apenas para os seus negócios, uma vez que a comunidade exige a

presença de representantes de todas as classes na vida pública, ponto de

vista que não é compartilhado por outros, que afirmam ser a política para

os políticos e os negócios para os empresários.

João Olímpio: "É preciso fazer política e estar consciente

da sua importância".

As lideranças políticas do Rio Grande do Norte estão convocando as classes mais representativas do Estado para se integrarem ao pro-cesso político estadual. E os mais procurados estão sendo os homens de negócios e muitos já estão sendo picados pela mosca azul. RN-ECO-NÓMICO levanta o problema,

ou-vindo o Presidente da Associação Comercial, João Olímpio Filho; um futuro candidato, Radir Pereira; além de João Coutinho da Motta, Eustáquio Medeiros, Osório Dantas e Adauto Medeiros, todos integran-tes do primeiro time dos respon-sáveis pela vida empresarial do Estado.

COMODISTA E INDIVIDUA-LISTA — O Presidente da

Associa-ção Comercial do Rio Grande do Norte, João Olímpio Filho, é a favor.

"Acho que o empresário deve estar presente em toda parte,

principal-mente dentro da política. Ele não pode se abster da política. Temos empresários, como Jessé Freire, com sucesso na política e na empre-sa ''.

João Olímpio, representando o órgão que preside, participou de reunião com o senador Petrônio Por-tela, na fase do diálogo político em favor das reformas, e aproveitou a oportunidade para defender o enga-jamento da classe. "Ao Senador

Portela fiz ver que o empresário de-veria se movimentar com a finali-dade de mandar seus representan-tes para o Senado e Câmara Fede-ral, para uma maior convivência com o Poder de decisão, defendendo não os interesses próprios mas da comu-nidade que representar. E esta mi-nha posição foi resultante da cons-tatação de que muitos políticos so-brevivem com o expediente da demagogia, utilizando teses que se destinam única e exclusivamente para adquirir simpatias e garantir nova eleição''.

"0 empresário — continua — deve se preocupar mais em ter seus representantes, em Brasília, e tam-bém, nas Assembléias Estaduais.

(15)

POLÍTICA

Radir Pereira, Ozório Dantas e João Motta opinam sobre a

presença do empresário na política.

Infelizmente, o homem de empresa é muito comodista e individualista. Se ele soubesse entender o que representa, deveria se movimentar mais e se voltar mais para as enti-dades classistas. Não entendo como se possa contribuir sem que haja espírito de classe e de unidade. O importante não é a tarefa humilde que cada um executa, pois o que interessa é a construção global da obra. Só se pode fazer alguma coi-sa com unidade.e sem espírito de classe, o empresário não pode dar sua grande contribuição para o de-senvolvimento do País e do Esta-do. Ninguém ainda pesou a respon-sabilidade que tem com estas soluções. É preciso fazer política e estar consciente de sua importân-cia ".

EMPRESÁRIO É EMPRESÁRIO

— Ozório Dantas, dirigente do Coto-nifício Dantas Ribeiro, não com-partilha com a idéia do empresário na política. "Sou contra.

Absoluta-mente contra. Nós não devemos nos envolver nisso. Empresário é empre-sário. Político é político. E quem

quer ser político que siga esta pro-fissão. Sim, considero como uma

profissão, como também é a do in-dustrial e a do comerciante. Acredito que a ocupação nas duas ativida-des é prejudicial tanto para a empre-sa como para a política, pois são interesses antagônicos. Cada um de-ve desenvolde-ver o seu setor, sem política''.

EM SÃO PAULO, NÃO. NO RN, SIM — De uma família

tradicional-mente política, o diretor do Curtume São Francisco, João Coutinho da Motta só vê necessidade do entro-samento nos Estados pobres. 'Eu

não sei até que ponto possa confli-tar. Sou independente e nunca par-ticipei da política. Acho que o in-dustrial pode ficar absolutamente di-vorciado da política em São Paulo ou em Minas Gerais, mas em nosso caso — Estado pobre e carente — o industrial deve participar da políti-ca, como necessidade precípua e co-mo responsabilidade que ele tem com relação à comunidade. Na al-deia restrita nós não podemos ficar indiferentes. E praticamente uma

imposição. Sou absolutamente con-trário a política e dificilmente pode-ria enverdar nela, mas esta é uma realidade''.

OMISSÃO É ERRO — O

em-presário Radir Pereira, diretor do Grupo A Sertaneja, que tem seu no-me cogitado para disputar uma vaga no Congresso, nas eleições parla-mentares de 15 de novembro, tem a seguinte opinião:

"Acho que o empresário deve participar da política, como qualquer homem de vida pública, desde que sinta coragem de prestar seus servi-ços ao povo. E ninguém melhor que o empresário, que já participa da política financeira, de trabalho e salarial. Acho que o grande erro é a omissão dos homens de responsa-bilidade. Devemos participar. Real-mente prejudica o dia a dia de nossas atividades, mas é uma parti-cipação em favor do desenvolvimen-to coletivo. Devemos nos dividir em torno do bem comum, através de uma política sadia e de trabalho''.

GRANDE, SIM. PEQUENO, NÃO — Já Adauto Medeiros

(16)

POLÍTICA

Adauto Medeiros: "Cuidar de empresa e fazer política é

impossível".

diciona a presença do empresário na política ao porte e à dinâmica da empresa. E ele explica:

"Os grandes empresários de-vem, porque os seus negócios são de interesse do próprio país. O polí-tico tem que ser profissional. Um grande empresário pode colocar sua empresa de lado, entregando a auxiliares de confiança, e tratar de problemas políticos. Agora, o em-presário médio e pequeno deve é cuidar de sua empresa. Querer fazer política e cuidar da empresa, não acredito que Jaça bem feito, por ser impossível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Mattarazo, José Er-mírio de Morais ou em nosso caso, Jessé Freire, têm condições de parti-cipar da vida pública. Os outros têm que escolher, entre dirigir sua em-presa ou se dedicara política''.

É UMA NECESSIDADE — O

co-merciante Eustáquio Medeiros tam-bém defende a participação do

em-presário na política. Para ele "é

um somatório e união de esforços em benefício do desenvolvimento. A política partidária também influi na

vida do homem de empresa e a par-ticipação é correta e necessária. As

classes produtoras e o Governo têm que somar esforços. Os empresários têm que possuir representatividade, participando direta e indiretamente dos problemas e do desenvolvimento do seu país''.

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(17)

REFLORESTAMENTO

MAIS UMA CHANCE DE CONSEGUIR

O DINHEIRO-FÁCIL DOS INCENTIVOS FISCAIS

De repente, o empresariado do Rio Grande do Norte está despertando

para mais uma oportunidade de conseguir o dinheiro-fácil dos incentivos

fiscais. Agora está na moda o projeto de reflorestamento, para o qual o

Governo Federal acena com os recursos do FISET (Fundo de

Investimentos Setoriais). Vários projetos já estão aprovados, enquanto

dezenas de outros aguardam vez. O reflorestamento com a utilização do

coqueiro é o mais imaginado, se bem que

existam projetos também para plantar cajueiros.

Preocupado com o desequi-líbrio ecológico do Nordeste, o Governo Federal abriu a possibili-dade de que os recursos do FISET também pudessem ser aplicados, através das delegacias regionais do 1BDF, nos projetos de refloresta-mento da região. A partir de então, muitos empresários locais informa-dos das benesses asseguradas por esse programa, têm procurado parti-cipar dele.

Segundo Clidenor Galvão, dele-gado do 1BDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal) no Rio Grande do Norte, até agora ele já remeteu 72 cartas-consultas à presidência do órgão, tendo sido todas elas aprovadas, a partir do que muitas empresas já partiram para elaborar projetos de reflorestamen-to, alguns deles já em implantação.

SISTEMÁ TICA — Explica

Clide-nor Galvão que, depois de aprovado o projeto, ele passa a ser atendido pelo Banco do Brasil, que é o agente financeiro do FISET. O Banco libera recursos por etapas, à propor-ção que o projeto vai sendo implan-tado, isto para evitar a repetição dos erros da SUDENE no tempo do 34/18, quando as liberações desor-denadas e a falta de fiscalização ao emprego de recursos gerou

tan-Clidenor Galvão: "Até agora já foram aprovadas 72

cartas-consultas para projetos de reflorestamento no Rio

Grande do Norte".

tos projetos-fantasmas e tanta

corru-ção por este Nordeste.

Agora, além dos recursos se-rem liberados em parcelas, o IBDF faz a fiscalização direta dos inves-timentos, enviando relatórios por-menorizados à presidência do órgão, de forma que novos recursos só saem após a comprovação de que a

etapa anterior do projeto está con-cluída satisfatoriamente.

PIONEIRISMO — O empresário

Hemetério Fernandes Gurgel, que pode ser considerado um " e x p e r t " em matéria de trabalhar com incen-tivos fiscais do Governo (já implan-tou vários projetos apoiados pela

(18)

REFLORESTAMENTO

SUDENE, tanto na área industrial como na agropecuária, todos hoje transferidos a terceiros), foi o pio-neiro no Rio Grande do Norte, em termos de reflorestamento.

O F1SET está financiando para Hemetério Gurgel três grandes pro-jetos que alcançam o expressivo valor de Cr$ 85 milhões: o "Patrí-c i a " , o " R N " e o " Ô m e g a " , todos ligados à empresa Reflorecultura S/A, a qual também é dirigida por Oscar Schimidt, sócio de Hemetério.

Os três projetos são para plantio de coco-da-baía e estão sendo de-senvolvidos nos municípios de Gua-maré e São Bento do Norte. Parale-lamente aos projetos, a Reflorecul-tura montou um "viveiro" de se-mentes de coco que deverá produzir, este ano, nada menos de 500 mil mu-das, todas selecionadas e cientifi-camente plantadas, segundo os seus dirigentes.

DIMENSÃO DO TRABALHO —

Oscar Schimidt diz que "o

rejlores-tamento do Nordeste visa o aprovei-tamento direto da mão-de-obra do rurícola" e revela que "somente no projeto Patrícia, implantado no mu-nicípio de Guamaré, a empresa che-gou a ter 1.200 homens contrata-dos ''.

Explica Hemetério Gurgel que

"no projeto Patrícia joram plantados 130 mil coqueiros, numa área de 1.300 hectares, estando este projeto praticamente concluído. Já o projeto RN, que tem uma área de 1.600 hec-tares, localizada entre São Bento do Norte e Guamaré, contará com 160 mil coqueiros. O projeto Ômega somente será executado a partir de 1979, numa propriedade que conta com 2.000 hectares onde serão plan-tados 220 mil coqueiros ''.

PLANOS FUTUROS — Para

aprimorar a cultura do coco-da-baía nas suas terras, a Reflorecultura pretende firmar convênio até o fim deste ano com a Universidade Fe-deral de Viçosa-MG, visando adqui-rir nova tecnologia que permita maior produtividade e melhor quali-dade. Com esse mesmo fim, estão

18

Hemetério Gurgel, "expert"em trabalhar com incentivos

fiscais do Governo, é o pioneiro em reflorestamento, com

projetos no valor de Cr$ 85 milhões.

sendo mantidos contatos com

algu-mas organizações internacionais, co-mo a Central Coconut Research

Station, da índia, a Commonwealth Scientific an Industrial Research Organization, da Austrália, e com a Tropical Products Institute, da

In-glaterra.

Diz ainda Hemetério Gurgel que, a partir de 1979, quando começará a colheita de coco da Reflorecultura, a empresa implantará uma indústria de beneficiamento do produto, cuja comercialização será feita tanto no Brasil como no Exterior. Essa indús-tria deverá se localizar mesmo em São Bento do Norte e representará um investimento, a preços de hoje, da ordem de Cr$ 5 milhões. "Com

recursos próprios" — assinala o

empresário.

O QUEÉ O FISET? — O FISET,

como o FINOR, é formado por re-cursos do Imposto de Renda, de que

o Governo Federal abre mão, cana-lizando-os para investimento em programas estratégicos entregues a empresas privadas que se capacitam a implantá-los pela apresentação de projetos técnicos e econômicos.

O FISET financia, especifica-mente. projetos na área da pesca, do turismo e do reflorestamento. No primeiro caso, tais projetos devem ser encaminhados à SUDEPE (Su-perintendência do Desenvolvimento da Pesca); no segundo, à EMBRA-TUR (Empresa Brasileira de Turis-mo); e no último, ao IBDF.

Os recursos desse Fundo são administrados pelo Banco do Brasil S/A, o qual cobra a comissão de 0,5% a 1,5% sobre valor de qual-quer ordem de liberação de recur-sos, a título de remuneração dos seus serviços. Outro tanto de comis-são também é cobrado pelo órgão que emitir a ordem de liberação.

(19)

INCENTIVOS FISCAIS

A PRORROGAÇAO DA DEDUÇÃO

DE ICM CONTINUA SENDO UMA INCÓGNITA

O governo do Rio Grande do Norte vai manter ou não os atuais benefícios

fiscais do ICM para que as empresas invistam em sua própria expansão?

A dúvida continua existindo porque, até agora, nenhuma resposta foi

dada aos apelos feitos em memorial ao governador Tarcísio Maia, há

quase seis meses. Os empresários solicitavam a prorrogação dos

incentivos e, na ocasião, as fontes governamentais explicavam que essa

medida não poderia ser tomada isoladamente pelo nosso Estado, pois se

trata de matéria da competência do Conselho de Política Fazendária.

Ocorre que o memorial procurava exatamente demonstrar, com

argumentos jurídicos, que a decisão pode e deve ser local, o que dá a

impressão de que talvez o documento não tenha sido lido com cuidado.

Sem desânimo e decididos a ir até o f i m , os industriais continuam sua

luta já contando com apoio em vários Estados nordestinos. Enquanto

isso, o prazo dos incentivos está se esgotando.

Os empresários do Rio Grande do Norte, cujas indústrias se bene-ficiam diretamente da dedução para investimento, de um percentual do ICM (Imposto de Circulação de Mercadorias), continuam em expec-tativa quanto ao pleito para que esta isenção seja prorrogada, já que este é, para muitas empresas, o último ano em que ela está em vigor.

Conscientes de que a continui-dade da isenção parcial é fundamen-tal para o desenvolvimento do Esta-do, a classe empresarial elaborou um documento reivindicatório ao governador Tarcísio Maia, que tem pareceres favoráveis de setores téc-nicos do governo e adesões dos Se-cretários de Fazenda dos Estados do Ceará, Alagoas, Maranhão e Pa-raíba.

Entre as empresas de grande e pequeno porte, quarenta e oito se beneficiam da dedução do ICM, a partir do ano de 1960, gozando dos benefícios que a Lei permite.

INÍCO DA LUTA — A luta dos

empresários, pela continuação da

RN/ECONÔMICO — Malo/78

Os empresários ainda acreditam que Tarcísio Maia possa prorrogar as

isenções

dedução do ICM para investimentos, teve início com a elaboração de um memorial, com o assessoramento técnico de um economista e de um jurista de alto nível, e que foi

entre-gue ao governador Tarcísio Maia há quase seis meses. O documento se destina a convencer o Poder Público Estadual de que a isenção parcial do imposto deve continuar em vigor, pois nada existe contra isso, quer na esfera legal ou sócio-econômica, e deixa claro que o governador do Estado pode dar a solução, uma vez que a Lei não o impede de assim proceder.

Contando com o apoio da Fede-ração das Indústrias, os empresários foram ao governador, que recebeu o memorial e o encaminhou para es-tudo de sua viabilidade, mas afir-mando que não tinha meios para, so-zinho, decidir a questão.

Ainda os empresários, atenden-do sugestão atenden-do próprio governaatenden-dor, intensificaram a luta procurando, de imediato, torná-la de âmbito regio-nal, e enviaram telegramas aos governadores do Nordeste e

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