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(1)

Os Direitos da

Os Direitos da

Criança e do

Criança e do

Adolescente

Adolescente

Legislação pátria

Legislação pátria

(2)
(3)

Título I

Das Disposições Preliminares

Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à

criança e ao adolescente.

Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei,

a pessoa até doze anos de idade incompletos, e

adolescente aquela entre doze e dezoito anos de

idade.

Parágrafo único. Nos casos expressos em lei,

aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas

entre dezoito e vinte e um anos de idade.

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os

direitos fundamentais inerentes à pessoa humana,

sem prejuízo da proteção integral de que trata esta

Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros

meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim

de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental,

moral, espiritual e social, em condições de

(4)

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta

prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer

circunstâncias;

b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;

c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;

d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de

qualquer forma de negligência, discriminação,

exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

(5)

Critérios de interpretação do

Critérios de interpretação do

ECA

ECA

LICC – exigência do bem comum e

LICC – exigência do bem comum e

os fins sociais a que lei ela se dirige.

os fins sociais a que lei ela se dirige.

Condição peculiar da criança e do

Condição peculiar da criança e do

adolescente como pessoas em

adolescente como pessoas em

desenvolvimento.

desenvolvimento.

Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta

os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do

bem comum, os direitos e deveres individuais e

coletivos, e a condição peculiar da criança e do

adolescente como pessoas em desenvolvimento.

(6)

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO

ADOLESCENTE -INTERPRETAÇÃO. O

ADOLESCENTE -INTERPRETAÇÃO. O

Estatuto da Criança e do Adolescente há

Estatuto da Criança e do Adolescente há

de ser interpretando-se ênfase ao objetivo

de ser interpretando-se ênfase ao objetivo

visado, ou seja, a proteção e a integração

visado, ou seja, a proteção e a integração

do menor no convívio familiar e

do menor no convívio familiar e

comunitário, preservando-se-lhe, tanto

comunitário, preservando-se-lhe, tanto

quanto possível, a liberdade. ESTATUTO

quanto possível, a liberdade. ESTATUTO

DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE -

DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE -

SEGREGAÇÃO. O ato de segregação,

SEGREGAÇÃO. O ato de segregação,

projetando-se no tempo medida de

projetando-se no tempo medida de

internação do menor, surge excepcional,

internação do menor, surge excepcional,

somente se fazendo alicerçado uma vez

somente se fazendo alicerçado uma vez

atendidos os requisitos do artigo 121 da Lei

atendidos os requisitos do artigo 121 da Lei

nº 8.069/90. (STF. 1ª T. HC nº 88945/SP.

nº 8.069/90. (STF. 1ª T. HC nº 88945/SP.

Rel. Min. Marco Aurélio Melo. J. em

Rel. Min. Marco Aurélio Melo. J. em

04/03/2008)

(7)

TÍTULO II - DOS DIREITOS

TÍTULO II - DOS DIREITOS

FUNDAMENTAIS

FUNDAMENTAIS

Art. 7º. A criança e o adolescente têm

Art. 7º. A criança e o adolescente têm

direito a proteção à vida e à saúde,

direito a proteção à vida e à saúde,

mediante a efetivação de políticas sociais

mediante a efetivação de políticas sociais

públicas que permitam o nascimento e o

públicas que permitam o nascimento e o

desenvolvimento sadio e harmonioso, em

desenvolvimento sadio e harmonioso, em

condições dignas de existência.

condições dignas de existência.

O Poder Público, em todos os níveis

(municipal, estadual e Federal), tem o

dever de desenvolver políticas públicas

voltadas à proteção integral da saúde de

crianças e adolescentes, em regime da

mais absoluta prioridade.

(8)

Deve prever os recursos necessários diretamente junto ao orçamento dos órgãos públicos encarregados da saúde, contemplados com determinados percentuais mínimosdo produto da arrecadação dos impostos Os referidos recursos orçamentários devem ser utilizados tanto para implementação da política social básica de saúde, cujo planejamento e ações priorizem crianças e adolescentes, quanto para as políticas de proteção especial correlatas, como é o caso de programas de orientação e tratamento psicológico e psiquiátrico, prevenção e tratamento para drogadição

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ORÇAMENTO ESTADUAL. SAÚDE PÚBLICA. APLICAÇÃO DE PERCENTUALMÍNIMO. REGRA CONSTITUCIONAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. DESNECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A norma constitucional determinou a aplicação de um mínimo, de doze por cento do produto da arrecadação dos

impostos a que se refere o artigo 155 e dos recursos de que tratam os artigos 157 e 159, inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos respectivos Municípios. 2. Em se tratando de

direito fundamental, a regra que estabelece um gasto mínimo também ostenta a mesma natureza fundamental, e, como tal, tem aplicabilidade imediata. 3. Não é possível restringir direitos fundamentais, como

também não se pode interpretar um direito fundamental de maneira restritiva. Em outras palavras, normas constitucionais devem ser interpretadas à luz do princípio da máxima eficiência. Apelação Cível provida. Maioria. (TJPR. 5ª C. Cív. Ac. nº 567006-8. Rel. Des. Rosene Arão de Cristo Pereira. J. em 01/09/2009)

(9)

Art. 8º. É assegurado à gestante , através do Sistema Único de Saúde , o atendimento pré e perinatal.

 Interessante observar a preocupação do legislador em

garantir o bem estar do feto, através do cuidado prestado à mãe, que deve ocorrer tanto no plano físico quanto

emocional, começando já pelo planejamento familiar

§ 1º. A gestante será encaminhada aos diferentes níveis de atendimento, segundo critérios médicos específicos, obedecendo-se aos princípios de regionalização e hierarquização do Sistema .

§ 2º. A parturiente será atendida preferencialmente pelo mesmo médico que a acompanhou na fase pré-natal . § 3º. Incumbe ao Poder Público propiciar apoio alimentar à

gestante e à nutriz que dele necessitem .

 Sem prejuízo do auxílio oficial, é também possível à

gestante pleitear alimentos junto ao pai da criança, nos moldes do previsto na Lei nº 11.804/2008, de 05/11/2008, que disciplina o direito a alimentos gravídico

(10)

§ 4º. Incumbe ao poder público proporcionar assistência

psicológica à gestante e à mãe, no período pré e pós-natal, inclusive como forma de prevenir ou minorar as

consequências do estado puerperal .

 O objetivo da norma é identificar e tratar, com a devida

antecedência, casos de gestantes e mães que, por

apresentarem distúrbios de ordem psicológica, que acabam por rejeitar seus filhos e, em situações extremas, podem levar a seu abandono e mesmo à prática de infanticídio

§ 5º. A assistência referida no §4º deste artigo deverá ser também prestada a gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção

 A assistência psicológica em tais casos visa, num primeiro

momento, fazer com que a gestante reflita melhor acerca de seu intento de entregar seu filho para adoção (afinal, o

direito que está em causa - o direito à convivência familiar - tem como titular a criança, e na forma da lei deve ser

exercido preferencialmente no seio de sua família natural ou extensa. Caso a mãe esteja decidida a promover a entrega de seu filho para adoção, deve ser orientada a proceder na forma da lei, devendo ser encaminhada à Justiça da Infância e da Juventude (cf. art. 13, par. único, do ECA), sob pena da prática da infração administrativa

(11)

Art. 9º O poder público, as instituições e os

empregadores propiciarão condições adequadas ao

aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães

submetidas a medida privativa de liberdade.

O aleitamento materno, cujos benefícios para as

crianças, ao menos até o sexto mês de vida,

dispensam comentários, deve ser estimulado,

através de campanhas de orientação

A CLT prevê, em seu art. 389, §§1º e 2º, que os

estabelecimentos em que trabalharem pelo menos

30 (trinta) mulheres com mais de 16 (dezesseis)

anos de idade, deverão ter local apropriado onde

seja permitido às empregadas guardar sob

vigilância os seus filhos no período de

amamentação. Tal exigência poderá ser suprida por

meio de creches, mantidas diretamente pela

empresa ou mediante convênios com outras

entidades públicas ou privadas, em regime

comunitário, ou a cargo do SESI, do SESC ou de

entidades sindicais

(12)

São aqui estabelecidas algumas

obrigações específicas aos

estabelecimentos de atenção à saúde de

gestantes, públicos e particulares, cujo

descumprimento pode trazer

consequências nas esferas civil,

administrativa e mesmo criminal

Art. 10. Os hospitais e demais

estabelecimentos de atenção à saúde de

gestantes, públicos e particulares, são

obrigados a:

I - manter registro das atividades

desenvolvidas, através de prontuários

individuais, pelo prazo de dezoito anos;

(13)

II - identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e da impressão digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa competente;

A norma visa impedir a ocorrência de “troca de bebês” ou mesmo a subtração de incapazes, no âmbito dos estabelecimentos de atenção à saúde. Em ocorrendo qualquer destas situações, surge o dever de indenizar a(s) família(s) prejudicada(s).

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. TROCA DE BEBÊS NO HOSPITAL EM SEGUIDA AO NASCIMENTO.

NEGLIGÊNCIA DA INSTITUIÇÃO. DANO MORAL CARACTERIZADO. INDENIZAÇÃO DEVIDA. Restando comprovada a troca dos bebês e o nexo de causalidade entre o ato e o sofrimento suportado pelas vítimas, devida a indenização. (TJMG. 12ª C. Cív. Ap. Cív. n° 2.0000.00.489705-8/000. Rel. Des. José Flávio de Almeida. J.em 17/01/2007). No Paraná, foi editada a Lei Estadual nº 14.991/2006, de 06/01/2006, dispondo sobre adoção de medidas de segurança, pelos hospitais, casas de saúde e maternidades, que evitem, impeçam ou dificultem a troca de recém-nascidos em suas dependências, tornando obrigatório: I - a utilização de pulseiras de identificação numeradas para mãe e filho na sala de parto; II – a utilização de grampo umbilical enumerado com o número

correspondente ao da pulseira; III - a utilização de kit de coleta de material genético de todas as mães e filhos ali internados, coletados na sala de parto para arquivamento na unidade de saúde a disposição da Justiça, e IV - a apresentação do devido registro de nascimento quando da saída do recém-nascido da instituição, bem como a identificação dos responsáveis pela liberação em livro de controle fornecido pelo estabelecimento (cf. art. 2º, do referido Diploma Legal). A falta da correta identificação do recém-nascido e sua mãe, em tese, caracteriza o crime tipificado no art. 229 do ECA

(14)

III - proceder a exames visando ao

diagnóstico e terapêutica de

anormalidades no metabolismo do

recém-nascido, bem como prestar orientação aos

pais;

O mais conhecido dos exames realizados

para detecção de tais doenças é o “teste

do pezinho”

IV - fornecer declaração de nascimento onde

constem necessariamente as

intercorrências do parto e do

desenvolvimento do neonato;

O não fornecimento - gratuito - da

declaração de nascimento (que será

inclusive utilizada para fins de registro civil

da criança), em tese, caracteriza o crime

tipificado no art. 228 do ECA

(15)

V - manter alojamento conjunto,

possibilitando ao neonato a permanência

junto à mãe

“os serviços de saúde do Sistema Único de

Saúde - SUS, da rede própria ou

conveniada, ficam obrigados a permitir a

presença, junto à parturiente, de 1 (um)

acompanhante durante todo o período de

trabalho de parto, parto e pósparto

imediato”, incumbindo à parturiente a

indicação deste acompanhante

(16)

Art. 11. É assegurado atendimento integral à saúde

da criança e do adolescente, por intermédio do

Sistema Único de Saúde, garantido o acesso

universal e igualitário às ações e serviços para

promoção, proteção e recuperação da saúde

A previsão de acesso igualitário às ações e

serviços de saúde não significa deva o gestor do

Sistema de Saúde deixar de disponibilizar um

atendimento diferenciado e especializado a

crianças, adolescentes e suas respectivas famílias.

Com efeito, necessário se faz o desenvolvimento

de uma metodologia própria para o enfrentamento

das diversas demandas e situações peculiares que

irão ocorrer

§ 1º A criança e o adolescente portadores de

deficiência receberão atendimento especializado.

§ 2º Incumbe ao poder público fornecer gratuitamente

àqueles que necessitarem os medicamentos,

próteses e outros recursos relativos ao tratamento,

habilitação ou reabilitação.

(17)

 AGRAVO DE INSTRUMENTO. ECA. INTERNAÇÃO

POR DROGADIÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO. DESCABIMENTO. Em se tratando de pedido de internação compulsória de adolescente para tratamento de drogadição severa, existe solidariedade passiva entre a União, os Estados e os Municípios, cabendo ao necessitado escolher quem deverá lhe fornecer o tratamento pleiteado. O fornecimento de

tratamento médico ao menor, cuja família não dispõe de recursos econômicos, independe d previsão

orçamentária, tendo em vista que a Constituição Federal, ao assentar de forma cogente, que os direitos das

crianças e adolescentes devem ser tratados com

prioridade, afasta a alegação de carência de recursos financeiros como justificativa para a omissão do Poder Público. Aplica-se o ‘Princípio da Reserva do Possível’ quando demonstrada a carência orçamentária do Poder Público e o atendimento solicitado (tratamento médico) não se enquadra entre os casos de extrema necessidade e urgência. RECURSO DESPROVIDO. (TJRS. 8ª C. Cív. A.I. nº 70027420009. Rel. Des. Claudir Fidelis Faccenda. J. em 24/11/2008);

(18)

APELAÇÃO. ECA. SAÚDE. FORNECIMENTO DE

CADEIRA DE RODAS. Necessidade. A necessidade do

tratamento vem comprovada através de laudos médicos, onde consta que a menor é portadora de Paralisia Cerebral do tip Tetraparesia Espástica Moderada (CID G80) e que necessita fazer uso de cadeira de rodas especial (Star Juvenil 36 cm Baxmann Jaguaribe) em face do seu deficitário controle de tronco e cervical. Pedido Administrativo e interesse de agir. A inafastabilidade do controle jurisdicional, afirmada no inciso XXXV, do artigo 5º, da Constituição da República, assegura o acesso à justiça, ndependentemente de esgotamento ou

provocação da via administrativa, salv exceção do §1º, do artigo 217, da mesma Constituição. Direito à Saúde Separação de Poderes e Princípio da Reserva do Possível. A condenação d Poder Público para que forneça tratamento médico ou

medicamento à criança ao adolescente, encontra respaldo na Constituição da República e no Estatuto d Criança e do

Adolescente. Em razão da proteção integral constitucionalment assegurada à criança e ao adolescente, a condenação dos entes estatais a atendimento do direito fundamental à saúde não

representa ofensa ao princípios da separação dos poderes, do devido processo legal, da legalidade o da reserva do possível. Direito, Política e Indisponibilidade Orçamentária. A falta de previsão orçamentária do estado para fazer frente às despesas co obrigações relativas à saúde pública revela o descaso para com os administrandos e a ordem constitucional, e que não afasta ou fere a independência dos poderes. Substituição da marca do produto. Não é possível a substituição do produto por outro mais viável economicamente, porquanto não há prova de que terá o mesmo efeito daquele indicado nos autos. (TJRS. 8ª C. Cív. Ap. Cív. nº 70030919344. Rel. Des. Rui Portanova. J. em 13/08/2009).

(19)

Art. 12. Os estabelecimentos de atendimento à saúde deverão proporcionar condições para a permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente.

 Lei nº 11.104/2005, de 21/03/2005, que dispõe sobre a

obrigatoriedade de instalação de brinquedotecas nas unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação.

Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente

comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais.

O termo que deve ser interpretado de forma ampliativa,

compreendendo a violência, em todas as suas formas e/ou o abuso sexual). A Mera suspeita já torna a comunicação

obrigatória. A omissão da comunicação, em tese, importa na prática de infração administrativa prevista no art. 245, do ECA. Em que pese a alusão ao Conselho Tutelar, é mais adequado que os casos de suspeita o confirmação de maus-tratos (e

outros crimes praticados contra crianças e adolescentes) sejam comunicados diretamente ao Ministério Público. O telefone “100”, que é o número do “Disque Denúncia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes”

(20)

Parágrafo único. As gestantes ou mães que

manifestem interesse em entregar seus filhos para

adoção serão obrigatoriamente encaminhadas à

Justiça da Infância e da Juventude.

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

O objetivo do legislador foi coibir práticas ilegais,

abusivas e mesmo criminosas como a “adoção à

brasileira” e a entrega de filho com vista à adoção

mediante paga ou promessa de recompensa. As

gestantes que manifestam interesse em entregar

seus filhos para adoção devem receber a devida

orientação psicológica e também jurídica, de modo

que a criança tenha identificada sua paternidade

(nos moldes do previsto na Lei nº 8.560/1992) e lhe

sejam asseguradas condições de permanência

junto à família de origem ou, se isto por qualquer

razão não for possível, seja então encaminhada

para adoção legal, junto a pessoas ou casais

regularmente habilitados e cadastrado

(21)

Art. 14. O Sistema Único de Saúde promoverá

programas de assistência médica e odontológica

para a prevenção das enfermidades que

ordinariamente afetam a população infantil, e

campanhas de educação sanitária para pais,

educadores e alunos.

Parágrafo único. É obrigatória a vacinação das

crianças nos casos recomendados pelas

autoridades sanitárias.

A prevenção, tanto sob o prisma geral

(coletivo), quanto no plano individual, é

uma preocupação constante da

sistemática introduzida pelo ECA, na

perspectiva de evitar a ocorrência de

danos a crianças e adolescentes.

(22)

Do Direito à Liberdade, ao

Do Direito à Liberdade, ao

Respeito e à Dignidade

Respeito e à Dignidade

Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à

liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas

humanas em processo de desenvolvimento e como

sujeitos de direitos civis, humanos e sociais

garantidos na Constituição e nas leis.

O princípio da dignidade da pessoa humana é

universalmente consagrado, sendo inerente a todo

ser humano, independentemente da idade

A violação de tais direitos, assim como ocorre em

relação aos demais, é passível de reparação,

inclusive, a título de danos morais, ainda que os

agentes sejam os próprios pais da criança ou

adolescente.

(23)

INDENIZAÇÃO DANOS MORAIS.

INDENIZAÇÃO DANOS MORAIS.

RELAÇÃO PATERNO-FILIAL.

RELAÇÃO PATERNO-FILIAL.

PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA

PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA

PESSOA HUMANA. PRINCÍPIO DA

PESSOA HUMANA. PRINCÍPIO DA

AFETIVIDADE. A dor sofrida pelo

AFETIVIDADE. A dor sofrida pelo

filho, em virtude do abandono

filho, em virtude do abandono

paterno, que o privou do direito à

paterno, que o privou do direito à

convivência, ao amparo afetivo,

convivência, ao amparo afetivo,

moral e psíquico, deve ser

moral e psíquico, deve ser

indenizável, com fulcro no princípio

indenizável, com fulcro no princípio

da dignidade da pessoa humana.

da dignidade da pessoa humana.

(TA/MG. 7ª C. Civ. Ap. Civ. n°

(TA/MG. 7ª C. Civ. Ap. Civ. n°

408.550-5. Rel. Juiz Unias Silva. J.

408.550-5. Rel. Juiz Unias Silva. J.

em 01/04/2004)

(24)

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. FAMÍLIA. ABANDONO AFETIVO. COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL. POSSIBILIDADE.

1. Inexistem restrições legais à aplicação das regras concernentes à responsabilidade civil e o consequente dever de indenizar/compensar no Direito de Família.

2. O cuidado como valor jurídico objetivo está incorporado no ordenamento jurídico brasileiro não com essa expressão, mas com locuções e termos que manifestam suas diversas desinências, como se observa do art. 227 da CF/88.

3. Comprovar que a imposição legal de cuidar da prole foi descumprida implica em se reconhecer a ocorrência de ilicitude civil, sob a forma de omissão. Isso porque o non facere, que atinge um bem juridicamente tutelado, leia-se, o necessário dever de criação, educação e companhia – de cuidado – importa em vulneração da imposição legal, exsurgindo, daí, a possibilidade de se pleitear compensação por danos morais por abandono psicológico.

4. Apesar das inúmeras hipóteses que minimizam a possibilidade de pleno cuidado de um dos genitores em relação à sua prole, existe um núcleo mínimo de cuidados parentais que, para além do mero cumprimento da lei, garantam aos filhos, ao menos quanto à afetividade, condições para uma adequada formação psicológica e inserção social.

5. A caracterização do abandono afetivo, a existência de excludentes ou, ainda, fatores atenuantes – por demandarem revolvimento de matéria fática – não podem ser objeto de reavaliação na estreita via do recurso especial. 6. A alteração do valor fixado a título de compensação por danos morais é

possível, em recurso especial, nas hipóteses em que a quantia estipulada pelo Tribunal de origem revela-se irrisória ou exagerada.

(25)

Art. 16. O direito à liberdade compreende os

Art. 16. O direito à liberdade compreende os

seguintes aspectos:

seguintes aspectos:

I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e

I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e

espaços comunitários, ressalvadas as

espaços comunitários, ressalvadas as

restrições legais;

restrições legais;

II - opinião e expressão;

II - opinião e expressão;

III - crença e culto religioso;

III - crença e culto religioso;

IV - brincar, praticar esportes e divertir-se;

IV - brincar, praticar esportes e divertir-se;

V - participar da vida familiar e comunitária,

V - participar da vida familiar e comunitária,

sem discriminação;

sem discriminação;

VI - participar da vida política, na forma da lei;

VI - participar da vida política, na forma da lei;

VII - buscar refúgio, auxílio e orientação.

(26)

Art. 17. O direito ao respeito consiste na

inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a

preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais

Podem os pais vasculhar objetos pessoais dos filhos adolescentes se houver suspeita de uso de

entorpecentes?

Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de

qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor

 Impõe a todos a obrigação de respeitar e fazer

respeitar os direitos de crianças e adolescentes, tendo cada cidadão o dever de agir em sua defesa, diante de qualquer ameaça ou violação. A inércia, em tais casos, pode mesmo levar à responsabilização daquele que se omitiu, sendo exigível de toda pessoa que

toma conhecimento de ameaça ou violação ao direito de uma ou mais crianças e/ou adolescentes, no

(27)

Bem analisada a prova dos autos, concluo que as razões que levaram a meritíssima Juíza a absolver o réu são de ordem cultural, numa sociedade que assimilou como natural e desculpável, apenas uma questão moral de foro familiar, a violência perpetrada na intimidade dos lares contra mulheres e crianças. Tal postura é inaceitável em face dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como a Convenção

Interamericana para Punir, Prevenir e Erradicar a Violência contra a Mulher, da Organização dos Estados Americanos (OEA), "Convenção de Belém do Pará", incorporada ao direito pátrio por força do disposto no § 2º do inciso LXXVII do artigo 5º da Constituição Federal, bem como em face do disposto no § 8º, do artigo 226, artigo 227, caput e § 4º do CP. (TJ/MT – Apelação Criminal n. 2.514/97 – rel. Des. Shelma Lombardi de Kato).

A PLAN BRASIL realizou em 2009 a pesquisa Bullying no Ambiente Escolar. Permitiu conhecer as situações de maus tratos nas relações entre estudantes dentro da escola, nas cinco regiões do País. 5.168 alunos responderam ao

questionário apresentado. Presenciaram cenas de agressões entre colegas no ano letivo 70 % dos estudantes pesquisados, enquanto 30% deles vivenciaram ao menos uma situação

violenta no mesmo período. O bullying foi praticado e sofrido por 10% do total de alunos pesquisados, sendo mais comum nas regiões Sudeste e Centro-oeste do País. Considerando a idade dos alunos, foi na faixa de 11 a 15 anos de idade onde se observou a maior incidência de bullying. A escola é

corresponsável nos casos de bullying, pois é lá onde os

comportamentos agressivos e transgressores se evidenciam ou se agravam na maioria das vezes.

(28)

Apelação. Responsabilidade civil. Internet. Uso de

imagem para fim depreciativo. Criação de flog.

Página pessoal para fotos na rede mundial de

computadores. Responsabilidade dos genitores.

Pátrio poder. Bullying. Ato ilícito. Dano moral in re

ipsa. Ofensas aos chamados direitos de

personalidade. Manutenção da indenização. [...] PC

do ofensor. [...] A prática de bullying é ato ilícito,

haja vista compreender a intenção de

desestabilizar psicologicamente o ofendido, o qual

resulta em abalo acima do razoável, respondendo o

ofensor pela prática ilegal. Aos pais incumbe o

dever de guarda, orientação e zelo pelos filhos

menores de idade, respondendo civilmente pelos

ilícitos praticados, uma vez ser inerente ao pátrio

poder, conforme inteligência do art. 932, do Código

Civil. Hipótese em que o filho menor criou página

na internet com a finalidade de ofender colega de

classe, atrelando fatos e imagens de caráter

exclusivamente pejorativo. Incontroversa ofensa

aos chamados direitos de personalidade do autor,

como à imagem e à honra, restando, ao

responsável, o dever de indenizar o ofendido pelo

dano moral causado, o qual, no caso, tem natureza

in re ipsa. [...] Apelos desprovidos.

(29)

Apelação civil. Responsabilidade civil.

Responsabilidade do estabelecimento do ensino.

Agressão entre menores. Falta de cuidado da

educadora e da escola. Agravo retido. Denunciação

da lide. Tratando de responsabilidade fundada no

artigo 932, inciso IV, do código civil, não procede a

denunciação da lide, haja vista a inexistência de

direito de regresso do estabelecimento de ensino

contra os pais do causador do dano. Ilegitimidade

passiva da professora. Sendo a educadora

responsável pela vigilância aos menores que se

envolveram na agressão, tem legitimidade para

responder por danos decorrentes do evento. Tendo

a educadora e a escola faltada com o cuidado

necessário na guarda dos alunos da turma

maternal, cujos antecedentes indicavam a

presença de um aluno com histórico de brigas,

devem responder pelos danos causados pela

agressão (e não agressividade) verificada. Dano

moral puro. [...] Apelações providas, em parte.

Agravo retido desprovido. Decisão unânime

(30)

Relação de consumo. Estabelecimento de ensino.

Prestação de serviço de tutela de menor. Alegação

de abalos psicológicos decorrentes de violência

escolar. Prática de bullying. Ausência de

comprovação do cometimento de agressões no

interior do estabelecimento escolar. Adoção das

providências adequadas por parte do fornecedor.

Observância do dever de guarda. Falha na

prestação do serviço não configurada. Fatos

constitutivos do direito da autora indemonstrados.

Manutenção da sentença. Recurso desprovido.

Dano moral. Pedido fundado na alegação de que os

réus teriam injuriado a autora e a agredido

fisicamente. Ausência de prova concreta a esse

respeito. Documento subscrito pela diretora do

estabelecimento de ensino que sugere haver sido a

autora quem iniciou o entrevero. Não

caracterização da responsabilidade do instituto de

ensino, porquanto agiu de forma diligente quando

do desentendimento entre seus alunos. Não

(31)

DO DIRE I T O À C O N V I V Ê N C I A

DO DIRE I T O À C O N V I V Ê N C I A

F A M I L I A R E C O M U N I T Á R I A

F A M I L I A R E C O M U N I T Á R I A

Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de

substâncias entorpecentes.

 Trata-se de um dos direitos fundamentais a serem

assegurados a todas as crianças e adolescentes com a mais absoluta prioridade, tendo a lei criado mecanismos para, de um lado (e de forma preferencial), permitir a manutenção e o fortalecimento dos vínculos com a família natural (ou de origem) e, de outro, quando por qualquer razão isto não for possível, proporcionar a inserção em família substituta de forma criteriosa e

responsável, procurando evitar os efeitos deletérios tanto da chamada “institucionalização” quanto de uma

colocação familiar precipitada, desnecessária e/ou

inadequada. Note-se a preocupação do legislador em dar preferência à permanência da criança ou adolescente no seio de sua família de origem, que para tanto deve

receber a orientação, o apoio e o eventual tratamento de que porventura necessite

(32)

§ 1º. Toda criança ou adolescente que estiver inserido em programa de acolhimento familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 6 (seis) meses, devendo a autoridade judiciária competente, com base em relatório elaborado por equipe interprofissional ou

multidisciplinar, decidir de forma fundamentada pela possibilidade de reintegração familiar ou colocação em

família substituta, em quaisquer das modalidades previstas no art. 28 desta Lei (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

 O objetivo da norma é abreviar ao máximo o período de

permanência da criança ou adolescente em regime de

acolhimento institucional, especialmente sem que a mesma tenha sua situação definida. Evidente que não basta a

reavaliação, pois se faz imprescindível um trabalho junto à família de origem da criança ou adolescente acolhido, na perspectiva de promover a futura reintegração familiar. Caso a reintegração familiar comprovadamente não seja possível, deve ser ajuizada a competente ação de destituição do

poder familiar, para que a criança ou adolescente seja considerada em condições de ser adotada, com sua

posterior inscrição nos cadastros existentes, sem prejuízo da possibilidade de seu encaminhamento para colocação

(33)

§ 2o A permanência da criança e do adolescente em

programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de 2 (dois) anos, salvo comprovada necessidade que atenda ao seu superior interesse, devidamente

fundamentada pela autoridade judiciária.

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

 O dispositivo procurar ressaltar o caráter eminentemente

transtório da medida de acolhimento institucional, que a rigor não pode se estender por mais de 02 (dois) anos. Embora seja difícil encontrar alguma situação na qual a permanência do adolescente na instituição irá atender ao seu “superior interesse”, tal qual consta do enunciado do dispositivo em questão (ressalvada a hipótese de prorrogação do prazo para fins de conclusão do trabalho de “resgate” da família do acolhido, com vista à sua reintegração), a verdade é que haverá situações em que o acolhimento familiar ou a

colocação em família substituta não se farão possíveis e a criança ou adolescente permanecerá em regime de

acolhimento institucional por período superior a dois anos. Durante o período de acolhimento institucional, seja ele qual for, é obrigatória a realização de atividades pedagógicas e profissionalizantes (para os maiores de 14 anos).

 Será também indispensável, durante todo o período de

acolhimento institucional, a inserção da família em

programas e serviços de orientação, apoio e promoção social

(34)

§ 3o A manutenção ou reintegração de criança ou

adolescente à sua família terá preferência em

relação a qualquer outra providência, caso em que

será esta incluída em programas de orientação e

auxílio, nos termos do parágrafo único do art. 23,

dos incisos I e IV do caput do art. 101 e dos incisos

I a IV do caput do art. 129 desta Lei.

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

Trata-se de um verdadeiro princípio, a ser

perseguido quando da intervenção estatal, que

deve ser voltada ao fortalecimento ou do

restabelecimento do convívio familiar.

AGRAVO DE INSTRUMENTO. Medida cautelar de

busca e apreensão de menor proposta pela mãe

biológica em face dos tios maternos. Guarda de

fato exercida até então de maneira compartilhada.

Situação de indefinição que acabou ensejando uma

série de conflitos na família. Ausência de indícios

que desabonem a sua conduta como mãe ou

possam colocar em risco a integridade física e

psíquica do menor. Circunstâncias que impõem a

manutenção da guarda em favor da mãe biológica

(35)

Art. 20. Os filhos, havidos ou não da relação do

Art. 20. Os filhos, havidos ou não da relação do

casamento, ou por adoção, terão os mesmos

casamento, ou por adoção, terão os mesmos

direitos e qualificações, proibidas quaisquer

direitos e qualificações, proibidas quaisquer

designações discriminatórias relativas à

designações discriminatórias relativas à

filiação.

filiação.

Aplicabilidade do princípio da igualdade

Aplicabilidade do princípio da igualdade

disposto no art. 227 do C.F

disposto no art. 227 do C.F

Art. 21. O poder familiar será exercido, em

Art. 21. O poder familiar será exercido, em

igualdade de condições, pelo pai e pela mãe ,

igualdade de condições, pelo pai e pela mãe ,

na forma do que dispuser a legislação civil,

na forma do que dispuser a legislação civil,

assegurado a qualquer deles o direito de, em

assegurado a qualquer deles o direito de, em

caso de discordância, recorrer à autoridade

caso de discordância, recorrer à autoridade

judiciária competente para a solução da

judiciária competente para a solução da

divergência

divergência

Vale observar que, quando da solução do litígio, a

Vale observar que, quando da solução do litígio, a

autoridade judiciária deverá não apenas ouvir os pais,

autoridade judiciária deverá não apenas ouvir os pais,

mas também a criança ou adolescente, respeitado,

mas também a criança ou adolescente, respeitado,

logicamente, seu grau de desenvolvimento e maturidade

logicamente, seu grau de desenvolvimento e maturidade

(cf. art. 100, par. único, incisos XI e XII, do ECA).

(36)

Importante destacar que um dos requisitos necessários ao exercício do poder familiar é a plena capacidade civil, pelo que os pais, enquanto adolescentes (e não emancipados), que estiverem ainda sob o poder familiar de seus pais ou tutela de outrem, não têm capacidade jurídica para tanto. Por via de

consequência, não é juridicamente exigível o cumprimento, por parte de pais adolescentes, dos deveres relacionados nos arts. 1634, do CC e 22, do ECA, cujo exercício demanda uma enorme responsabilidade, que a própria lei PRESUME que adolescentes - em especial os absolutamente incapazes - NÃO POSSUEM, tanto que, de maneira expressa, o art. 1633, do CC prevê que, quando a mãe de uma criança que não tem a paternidade reconhecida é INCAPAZ de exercer o poder familiar, “dar-se á (obrigatoriamente) TUTOR ao menor”. E caberá ao TUTOR do filho da adolescente (e não a ela própria), o papel de responsável e representante legal da criança, com todos os deveres inerentes a esta condição

Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento , guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a

obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais

 Súmula nº 309, do STJ: “O débito alimentar que autoriza a prisão civil

do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que vencerem no curso do processo”. Interessante observar que a obrigação alimentar não cessa com a eventual emancipação do adolescente (podendo mesmo, com fulcro na Lei Civil, se estender para além da adolescência), e o quantum devido deve atender às necessidades básicas de alimentação,

educação, saúde, habitação, segurança etc., do filho, atendendo às possibilidades dos pais, para cuja aferição devem ser considerados, inclusive, sinais exteriores de riqueza por estes apresentados.

(37)

ALIMENTOS. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. ‘DISREGARD’.

‘QUANTUM’. LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ. 1. A verdadeira possibilidade do

alimentante não decorre do que ela alega, mas do que evidenciam os sinais exteriores de riqueza. Bens registrados como fachada em nome de amigos, mas que saíram de fato do controle do alimentante caracterizam a

‘disregard’. 2. Evidenciada a intenção procrastinatória do alimentante através de reiterados recursos decorrentes dos alimentos, é de ser mantida a

condenação à pena de litigância de má fé. Ambas apelações desprovidas (TJRS. 7ª C. Cív. Ap. Cív. n° 70000235325. Rel. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves. J. em 17/11/1999). É também admissível, para apuração das reais possibilidades do alimentante, ser determinada sua

quebra de sigilo bancário. Neste sentido: ALIMENTOS. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Para descobrir-se os ganhos dodevedor visando a fixação dos alimentos de forma a atender ao critério da proporcionalidade, justifica-se a quebra do seu sigilo bancário, não configurando afronta ao seu direito à privacidade. Por maioria, deram provimento, vencido o relator. (TJRS. 7ª C. Cív. A.I. n° 70012864310. Rel. Maria Berenice Dias. J. em 16/11/2005).

Sobre os alimentos devidos pelos pais, após os filhos atingirem maioridade civil, vide o disposto na Súmula nº 358, do STJ: “O cancelamento d pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos”, não sendo assim o advento da maioridade causa de extinção automática do dever de presta alimentos, fazendo apenas desaparecer a presunção de que são ele indispensáveis.

Por fim, vale mencionar que mesmo quando da colocação criança ou adolescente sob guarda ou, inclusive, quando de eventual suspensão ou destituição do poder familiar, o dever alimentar dos pais em relação a seu filhos persiste (como deixa claro o art. 33, §4º, do ECA), posto que decorre d relação de parentesco (cf. art. 1694, do CC), que em tais casos não é

(38)

PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO

PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO

DE

DE ALIMENTOSALIMENTOS. CURSO SUPERIOR CONCLUÍDO. . CURSO SUPERIOR CONCLUÍDO. NECESSIDADE. REALIZAÇÃO DE

NECESSIDADE. REALIZAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃOPÓS-GRADUAÇÃO. . POSSIBILIDADE. 1 O advento da

POSSIBILIDADE. 1 O advento da maioridademaioridade não extingue, não extingue, de forma automática, o direito à percepção de

de forma automática, o direito à percepção de alimentos,alimentos, mas mas esses deixam de ser devidos em face do Poder Familiar e

esses deixam de ser devidos em face do Poder Familiar e

passam a ter fundamento nas relações de parentesco, em que

passam a ter fundamento nas relações de parentesco, em que

se exige a prova da necessidade do alimentado. 2. É

se exige a prova da necessidade do alimentado. 2. É

presumível, no entanto, - presunção iuris tantum -, a

presumível, no entanto, - presunção iuris tantum -, a

necessidade dos filhos de continuarem a receber

necessidade dos filhos de continuarem a receber alimentosalimentos

após a

após a maioridade,maioridade, quando frequentam curso universitário ou quando frequentam curso universitário ou técnico, por força do entendimento de que a obrigação parental

técnico, por força do entendimento de que a obrigação parental

de cuidar dos filhos inclui a outorga de adequada formação

de cuidar dos filhos inclui a outorga de adequada formação

profissional. 3. Porém, o estímulo à qualificação profissional

profissional. 3. Porém, o estímulo à qualificação profissional

dos filhos não pode ser imposto aos pais de forma perene, sob

dos filhos não pode ser imposto aos pais de forma perene, sob

pena de subverter o instituto da obrigação alimentar oriunda

pena de subverter o instituto da obrigação alimentar oriunda

das relações de parentesco, que tem por objetivo, tão só,

das relações de parentesco, que tem por objetivo, tão só,

preservar as condições mínimas de sobrevida do alimentado.

preservar as condições mínimas de sobrevida do alimentado.

4. Em rigor, a formação profissional se completa com a

4. Em rigor, a formação profissional se completa com a

graduação, que, de regra, permite ao bacharel o exercício da

graduação, que, de regra, permite ao bacharel o exercício da

profissão para a qual se graduou, independentemente de

profissão para a qual se graduou, independentemente de

posterior especialização, podendo assim, em tese, prover o

posterior especialização, podendo assim, em tese, prover o

próprio sustento, circunstância que afasta, por si só, a

próprio sustento, circunstância que afasta, por si só, a

presunção iuris tantum de necessidade do filho estudante. 5.

presunção iuris tantum de necessidade do filho estudante. 5.

Persistem, a partir de então, as relações de parentesco, que

Persistem, a partir de então, as relações de parentesco, que

ainda possibilitam a percepção de

ainda possibilitam a percepção de alimentos,alimentos, tanto de tanto de

descendentes quanto de ascendentes, porém desde que haja

descendentes quanto de ascendentes, porém desde que haja

prova de efetiva necessidade do alimentado. 6. Recurso

prova de efetiva necessidade do alimentado. 6. Recurso

especial provido

(39)

Dever de educação: Não apenas a obrigação de matrícula na

escola (cf. art. 55, do ECA), mas também a de transmitir-lhes noções sobre os valores éticos e morais, preparando-os para o exercício da cidadania, nos exatos termos do previsto no art. 53, caput, do ECA e art. 205, da CF.

Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não

constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar

 O presente dispositivo visa erradicar a odiosa prática,

consagrada à época do revogado “Código de Menores”, do afastamento da criança/adolescente de sua família natural em razão da condição socioeconômica desfavorável em que esta se encontrava, penalizando os pais como se tivessem eles “optado”, voluntariamente, pela miséria. De acordo com a

sistemática atual, a penúria dos pais (com todas as mazelas daí resultantes, assim como a eventual desnutrição e problemas de higiene, que devem ser combatidos com a orientação, apoio e promoção social da família, como previsto no próprio ECA e na LOAS), não pode ser invocada como pretexto para afastar a criança ou adolescente do convívio familiar, cabendo ao Estado (lato sensu - inclusive ao Estado-Juiz), em cumprimento de seu dever legal e constitucional proporcionar-lhes a orientação e os meios para bem cuidar de seus filhos e superar as dificuldades em que se encontram

(40)

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. PEDIDO DE

GUARDA FEITO POR TERCEIRO. INTERESSE DA INFANTA A SER PRESERVADO. LIMINAR CONCEDIDA EM FAVOR DO PAI BIOLÓGICO. CARÊNCIA DE RECURSOS MATERIAIS. IRRELEVÂNCIA PRECARIEDADE DA MEDIDA. EXEGESE DOS ARTS. 19, 23, 25 E 35 DO ECA Somente em caráter excepcional é admitida a colocação em família substituta mediante a concessão de guarda a terceiro interessado,

porquanto toda criança ou adolescente tem direito de ser criado e educado no seio da sua famíli natural, entendida esta como a comunidade formada pelos pais biológicos o qualquer deles e seus descendentes, ‘ex vi’ dos arts. 19 e 25 do ECA. Assim, adequada a decisão judicial que, em sede de medida liminar, concede ao pa biológico a guarda provisória da sua filha, ainda mais porque ressalvou pretende à guarda amplo e regular

direito de convivência com a criança atendendo da melhor forma aos interesses da infanta. A miséria ou a pobreza dos pais não justifica, por si só, a intervenção do Estado-juiz para a

decretação da perda ou da suspensão do pátrio poder e,

consequentemente, a colocaçã dos filhos em família substituta, de acordo com o art. 23 do ECA. A autoridade judiciária pode a qualquer tempo revogar a guarda, após ouvido o Ministéri

oPúblico, com fundamento no art. 35 do ECA, contanto que a alteração dos fato justifique a medida a ser adotada como forma de melhor atender aos interesses da criança ou adolescente, não se podendo, pois, falar em preclusão ou coisa julgada

material. (TJSC. 2ª C. Cív. A.I. nº 2002.008939-2. Rel. Des. Luiz Carlos

(41)

Parágrafo único. Não existindo outro

motivo que por si só autorize a

decretação da medida, a criança ou

o adolescente será mantido em sua

família de origem, a qual deverá

obrigatoriamente ser incluída em

programas oficiais de auxílio

Art. 24. A perda e a suspensão do

poder familiar serão decretadas

judicialmente, em procedimento

contraditório , nos casos previstos

na legislação civil , bem como na

hipótese de descumprimento

injustificado dos deveres e

(42)

A suspensão(art. 1637 do CC) impede,

temporariamente, o exercício do poder familiar. a) descumprimento dos deveres;

b) ruína dos bens dos filhos;

c) condenação em virtude de crime cuja pena exceda a dois anos de prisão.

A extinção(art. 1635 do CC) é a interrupção

definitiva do poder familiar, são hipóteses exclusivas: a) morte dos pais ou do filho;

b) emancipação do filho; c) maioridade do filho;

d) adoção do filho, por terceiros;

e) perda em virtude de decisão judicial.

A perda por decisão judicial (art. 1638 do CC)

a) castigo imoderado do filho; b) abandono do filho;

c) prática de atos contrários à moral e aos bons costumes; d) reiteração de faltas aos deveres inerentes

(43)

Da Família Natural

Da Família Natural

Art. 25. Entende-se por família natural a

comunidade formada pelos pais ou qualquer deles

e seus descendentes

O dispositivo traz, portanto, a definição legal do que

deve ser entendido como “família natural”, também

chamada “família de origem”. Como mencionado

em comentários ao art. 19 e seguintes do ECA,

deve ser dada preferência à permanência da

criança ou adolescente em sua família natural,

sendo sua transferência para uma família substituta

(prevista no art. 28 e seguintes do ECA), medida de

caráter excepcional.

A “família extensa” terá preferência no

acolhimento familiar de criança ou adolescente que,

por qualquer razão, não possa permanecer (ainda

que temporariamente) na companhia de sua família

natural.

(44)

Art. 26. Os filhos havidos fora do casamento

poderão ser reconhecidos pelos pais, conjunta ou

separadamente, no próprio termo de nascimento,

por testamento, mediante escritura ou outro

documento público, qualquer que seja a origem da

filiação.

Parágrafo único. O reconhecimento pode preceder

o nascimento do filho ou suceder-lhe ao

falecimento, se deixar descendentes

A previsão de que o pai somente pode reconhecer

o filho falecido caso este tenha deixado

descendentes visa evitar que o genitor que jamais

assumiu em vida suas responsabilidades em

relação a seu filho, efetue o reconhecimento

apenas para invocar direito sucessório e ter acesso

à herança por este deixada.

Art. 27. O reconhecimento do estado de filiação é

direito personalíssimo indisponível e

imprescritível, podendo ser exercitado contra os

pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição,

observado o segredo de Justiça

(45)

 Importante destacar o fato de o direito ao reconhecimento

do estado de filiação (assim como os demais, previstos no ECA) ter como titular a criança ou adolescente, e não sua genitora que, portanto, não pode dele dispor ou abrir mão. Assim sendo, nos casos em que a criança não tem a paternidade reconhecida, é fundamental que seja

deflagrado o procedimento de averiguação oficiosa de paternidade, nos moldes do previsto na Lei nº

8.560/1992, (valendo neste sentido também observar o disposto no art. 102, do ECA), devendo ser a mãe

orientada acerca da importância - inclusive para a vida futura de seu filho - da indicação do nome de seu pai biológico

 EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO. ADOÇÃO. DESPACHO

QUE INTIMA A MÃE BIOLÓGICA A DECLINAR A

IDENTIDADE DO PAI DA ADOTANDA. PRESERVAÇÃO DOS INTERESSES DA INFANTE. INOCORRÊNCIA DE PARCIALIDADE A ENSEJAR SUSPEIÇÃO DO JUÍZO. A jurisdição da infância e Jjuventude impõe uma efetiva parcialidade em favor dos superiores interesse da

criança, que se sobrepõe ao das partes. Não exorbita a atuação jurisdicional o despacho que busca obter

informações sobre a origem biológica da infante, na

estrita preservação dos seus interesses. Desacolheram a exceção de suspeição. Unânime. (TJRS. 7ª C. Cív.

Exceção de Suspeição nº 70011860244. Rel. Luiz Felipe Brasil Santos. J. em 10/08/2005).

(46)

STF: “É imprescritível a ação de investigação de

paternidade, mas não o é a de petição de herança”.

Lei nº 1.060/1950, acrescido pela Lei nº

10.317/2001, que estabelece serem as “despesas

com a realização do exame de código genético -

DNA que for requisitado pela autoridade judiciária,

nas ações de investigação de paternidade ou

maternidade”, isentas de pagamento, por parte dos

beneficiários da assistência judiciária. Assim sendo,

cabe ao Estado (Poder Público Federal e Estadual,

ex vi do disposto no art. 1º, da Lei nº 1.060/1950),

em tais ações, providenciar a realização e o custeio

de exames de DNA aos necessitados, de modo que

toda criança e/ou adolescente tenha sua

paternidade (e/ou maternidade) devidamente

reconhecida

Nas ações de investigação de paternidade, a

recusa do réu em se submeter ao exame de código

genético - DNA gera presunção de paternidade

(47)

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO

ESPECIAL. FAMÍLIA. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO

DE PATERNIDADE. IMPRESCRITIBILIDADE.

ALEGAÇÃO DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.

NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA 207 DO STJ.

INAPLICABILIDADE. I. É imprescritível o direito de

o filho, mesmo havendo pai registral, mover ação

de investigação de paternidade contra suposto

genitor e pleitear a alteração do registro existente,

não se aplicando o prazo prescricional de quatro

anos, ainda que seu transcurso tenha-se dado

anteriormente à entrada do Estatuto da Criança e

do Adolescente em vigor. Precedentes. II. Na

espécie, não houve supressão de instância, visto

que o Tribunal de origem julgou recurso de agravo

de instrumento, reformando, por maioria, decisão

interlocutório, não sentença de mérito, como

exigido pelo artigo 530 do Código de Processo

Civil, não incidindo, por isso, a Súmula 207 desta

Corte. Agravo regimental improvido. (STJ. 3ª T.

Ag.Rg. no R.Esp. nº 974669/RS. Rel. Min. Sidnei

Beneti. J. em 04/09/2008).

Referências

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