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INTRODUÇÃO À CIÊNCIA POLÍTICA LISTA DE EXERCÍCIOS (EXTRA) UNIDADE 02
CARNOY
1. Tendo como base o que Carnoy apresenta em sua obra Estado e Teoria Política, assinale a alternativa CORRETA.
a) Locke e Hobbes concordam quanto aos poderes que o pacto social garante ao soberano. b) Tanto para Locke quanto para Rousseau o Estado deve promover certo grau de igualdade
na sociedade civil.
c) A doutrina liberal, diferentemente da doutrina clássica, procurou justificativas econômicas e não mais políticas para a ação dos indivíduos.
d) Os pluralistas acreditam que a democracia é um conjunto de regras institucionais em que os direcionamentos adotados pelo Estado refletem a vontade da maioria.
e) O Corporativismo surge como uma radicalização dos princípios da democracia liberal, exaltando a proteção incondicional da individualidade e da participação pública.
2. Levando-se em conta o texto Marx, Engels, Lenin e o Estado de Martin Carnoy e o trecho a seguir, assinale a alternativa CORRETA:
“A opinião pública foi mobilizada pelos apoiadores de Napoleão, que levou à aprovação para a implantação definitiva do governo do Império. Em plebiscito realizado em 1804, aprovou-se a nova fase da era napoleônica com quase 60% dos votos, reinstituiu-se o regime monárquico na França e indicou-se Napoleão para ocupar o trono.”
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2 a) Para Marx, o Estado napoleônico servia aos interesses da burguesia, refletindo a
dominação de classes existente na sociedade.
b) Napoleão Bonaparte centralizou o Estado em um momento em que a França encontrava-se em uma grave criencontrava-se econômica e social. Marx, da mesma forma, também considerava ser necessário um poder centralizador capaz de comandar as forças revolucionárias, papel que seria exercido pelo Partido Comunista.
c) O termo “ditadura” também foi utilizado por Marx em seus escritos. Para Rosa Luxermburgo, entretanto, a ditadura do proletariado seria um meio de se alcançar a democracia propriamente dita.
d) A queda do império napoleônico e a volta de mecanismos democráticos de votação seriam a garantia de uma sociedade mais justa, segundo Marx.
3. Tendo como base o texto Marx, Engels, Lenin e o Estado de Martin Carnoy, assinale a alternativa INCORRETA:
a) Para Carnoy, o fim do stalinismo foi um dos fatores que permitiu o florescimento da teoria marxista.
b) Apesar de diversas diferenças, os teóricos marxistas baseiam sua teoria em alguns fundamentos formulados por Marx como a relação em que a estrutura definiria a superestrutura ou que o Estado é a expressão política da dominação burguesa.
c) No primeiro nível da autonomia do Estado, a burocracia adquire independência para funcionar como executora (gerencia negócios políticos) de toda classe capitalista e no segundo nível, o Estado se torna autônomo (não é mais um instrumento da burguesia), sendo o próprio Estado (executivo) quem governa.
d) Para Marx, a burocracia agia no interesse de um segmento da sociedade, ao contrário do que pensava Hegel, que considerava que a burocracia agia no interesse de toda a sociedade.
e) O principal objetivo de Lenin ao escrever O Estado e a Revolução era formular uma estratégia específica para a revolução socialista, ao contrário do objetivo de Marx quando escreveu – porque, apesar de fornecer uma crítica ao capitalismo, não desenvolveu uma estratégia prática para a revolução.
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NASCIMENTO
4. Após a leitura do texto Dilemas do Nacionalismo de Paulo Nascimento e a interpretação dos conceitos nele apresentados, marque a alternativa que julgar INCORRETA.
„‟Pelo menos nosso casamento não é tão ruim quanto o deles‟‟ Unicórnio Rosa: Escócia; Leão: Inglaterra ; Castor: Canadá
a) A existência de uma comunidade específica dentro do Canadá, com características culturais, étnicas e linguísticas distintas do resto do país revela a imprecisão conceitual que ocorre quando se equivalem Estado e nação. A relação entre Quebec e Canadá é um exemplo marcante de como um mesmo Estado pode abrigar distintas nações, sem que estas necessariamente procurem assumir o comando daquele.
b) O caso Britânico nos revela que, mesmo que nacionalismo nesta região tenha sido fundamentado em um senso cívico - que valora as instituições políticas-, remanescem fortes traços de nacionalismo étnico que não permite a homogeneização de ingleses, escoceses e irlandeses. Em outras palavras, o caso nos mostra que não é razoável falar em nacionalismo puramente cívico e puramente étnico.
c) A relação entre Québec e Canadá, exemplificada pela charge, nos mostra que nação e etnia são conceitos equivalentes, diferenciando-se apenas pelo nível de reconhecimento, em que “nação” implica um reconhecimento por parte dos chamados “outsiders” e etnia
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4 por parte dos integrantes da nação. Sendo assim, a população da província de Québec corresponde a uma etnia diferente do resto do país, porém pertence a mesma nação do Canadá como um todo.
d) A corrente do primordialismo seria mais indicada para explicar o separatismo de Québec, uma vez que o nacionalismo “québecois” baseia-se em elementos primordiais, tais como diferenças lingüísticas e culturais. Essa corrente diferencia-se da escola “moderna”, que associa o surgimento do nacionalismo com um momento específico da História.
e) De acordo com o texto do professor Paulo Nascimento, o nacionalismo étnico não é necessariamente xenófobo ou excludente, em que se destaca o caso da província de Québec - que defende as instituições democráticas do Canadá - e o caso brasileiro - em que a miscigenação e o “mito da democracia racial” tornaram-se parte da identidade brasileira. No caso do Brasil, Gilberto Freyre foi um dos principais intelectuais dessa “transvalorização de valores”.
5. Após a leitura do texto Dilemas do Nacionalismo de Paulo Nascimento e a interpretação dos conceitos nele apresentados, marque a alternativa que julgar INCORRETA.
a) O Autor baseia seu texto em três pontos: a confusão conceitual entre Estado e Nação, a concepção primordialista versus modernidade e a diferença entre os nacionalismos: cívico e étnico.
b) No quesito da diferenciação dos conceitos de Estado e Nação, Ernest Gellner define o fenômeno do nacionalismo como: “princípio político que advoga a congruência entre Estado e Nação”. Porém, o autor tem sua definição criticada por tornar termos como patriotismo (lealdade a Estado) e nacionalismo (lealdade nação) virtualmente sinônimos. c) Na concepção da “modernidade” do fenômeno do nacionalismo, estudiosos concordam que este tenha surgido com o advento da era moderna, tendo o seu surgimento relação com os processos desencadeados pelo iluminismo e, posteriormente, pela Revolução Industrial.
d) Para autores como Benedict Anderson, algumas interpretações sobre o nacionalismo acabam por reduzi-lo apenas a uma doutrina inventada por elites, sendo usada por estas para a mobilização das massas.
e) Ao fazer a diferenciação entre os nacionalismos de caráter cívico e étnico, Paulo Nascimento cita Liah Greenfeld, que situa o nacionalismo num contexto de reformas
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5 radicais envolvendo um processo de soberania popular, sendo este encontrado na Guerra das Rosas na Inglaterra. Levando isso em conta, o nacionalismo cívico valoriza atributos específicos e particulares das culturas (contrapondo-se com o Étnico), já que envolve a soberania de um povo específico.
PIO E PORTO
6. Com base na notícia abaixo, julgue as afirmativas que a seguem assinalando a alternativa INCORRETA:
“Os principais laboratórios farmacêuticos multinacionais usaram uma associação que representa seus interesses no Brasil para repassar R$ 1,8 milhão nas eleições a 18 candidatos a deputado federal e dois ao Senado.
[…]
A Lei Eleitoral proíbe doações de entidade de classe ou sindicato. Também é vedada doação de pessoa jurídica, sem fins lucrativos, que receba recursos do exterior.
[…]
Laboratórios farmacêuticos pressionam o Congresso com duas linhas de interesse: o reconhecimento de patentes de medicamentos e a regra da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que impõe um selo antifraude em remédios.
[…]
As empresas defendem a manutenção das patentes e criticam o selo, sob argumento que gera custos.
[...]
Ao repassar o dinheiro, a associação escolheu parlamentares influentes, de diferentes partidos. Dos 18 beneficiados, 12 se elegeram. No Senado, receberam o eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), e o derrotado Fernando Pimentel (PT-MG).”
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Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/poder/836334-associacao-de-laboratorios-e-usada-para-doar-a-candidatos.shtml
a) Conforme afirma Robert Dahl, um autor pluralista, grupos sociais são incentivados a influenciar na política quando se sentem, de alguma forma, ameaçados por políticas públicas. Dessa forma, as constantes tentativas do governo em quebrar patentes de medicamentos a fim de baratear remédios e a imposição de um selo antifraude em remédios, que geram custo às empresas farmacêuticas, poderiam ser vistos como os motivos que levaram tais empresas a envolverem-se na atividade política, ainda que nesse caso abordado pela notícia talvez o tenham feito ilegalmente.
b) A Poliarquia, conforme a entende Dahl, um governo representativo baseado em interações políticas competitivas entre os cidadãos para a escolha dos governantes - que tem como regras constitutivas a liberdade de expressão de interesses, de organização política, de voto, de informação, a liberdade para concorrer e ser eleito para cargos públicos, direito a eleições livres e competitivas, e a existência de instituições que tornem as políticas governamentais dependentes do interesse da maioria do eleitorado o que garante aos cidadãos o direito de contestarem as políticas públicas - não seria ainda capaz de sobrepor-se ao poder econômico, o qual se traduz sempre em poder político.
c) Ainda que no caso da notícia, governo e empresas farmacêuticas tenham interesses contrários, isso ainda não seria suficiente para caracterizar a existência de clivagens profundas na sociedade, o que, numa perspectiva pluralista, seria nocivo à Poliarquia. Em sua relação, nem governo e nem empresas farmacêuticas são perdedores ou ganhadores absolutos, pois compartem de outros interesses e necessitam, em certa medida, um do outro.
d) A abordagem marxista clássica, de Marx e Engels, provavelmente encontraria dificuldade em explicar esse conflito entre as empresas farmacêuticas, de grande poderio econômico, e o Estado brasileiro, o qual, segundo esses autores, estaria sob o controle daqueles que detêm posição dominante na economia capitalista, no que certamente tais empresas se inseririam. Tal abordagem baseia-se no fato de a Estrutura de uma sociedade (suas bases materiais) determinar sua Superestrutura (relações políticas, jurídicas e ideológicas). Sua dificuldade, então, seria em como explicar que o enorme poder material das empresas farmacêuticas não consiga converter-se sempre em poder político para impor sua vontade.
e) Se a abordagem clássica do marxismo talvez encontre dificuldade em explicar tal relação, mais sucesso se teria ao se considerarem as contribuições de Poulantzas. Esse autor defende que, por possuir certa autonomia, o Estado representa e organiza as classes dominantes sem, no entanto, submeter-se ao interesse de uma dessas classes por completo. Assim, suas políticas seriam o resultado das contradições de classe de seu interior, significando que nem sempre um grupo detentor de grande poder material, como as empresas farmacêuticas, consegue impor-se.
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LUIS FELIPE MIGUEL
I. II. III. http://toledo-esefosseverdade.blogspot.com/2010/09/e -democratico-o-voto-obrigatorio.html http://dignidaderebelde.blogspot.com/2009/10/orcamento-participativo.html
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7. Contextualize as tirinhas situadas acima com o conteúdo presente no artigo do Professor Luis Felipe Miguel - “Teoria Democrática Atual: Um Esboço de Mapeamento”-; e assinale a alternativa INCORRETA.
a) Segundo Luis Felipe Miguel, os deliberacionistas e republicanistas apresentam normas gerais acerca dos sistemas políticos existentes, mas pouco avançam no desenvolver de instituições que tornem seus ideais efetivos (esse também é o problema dos multiculturalistas). Já os adeptos da democracia participativa indicam, com nitidez razoável, a espécie de ordenamento político que deveria ser adotado para a plenitude da democracia.
b) A figura (II) relaciona-se ao pensamento do austríaco Schumpeter, um dos principais expoentes do liberal-pluralismo, que redefine a democracia como uma maneira de gerar uma minoria governante legítima. Nela o povo é responsável por formar o governo, mas não governar; sendo o governo formado por meio de uma luta competitiva dos possíveis governantes pelos votos da população.
c) Segundo o autor, a figura (I) consiste em um exemplo de democracia participativa, já que consiste em uma alternativa ao problema da não-participação da sociedade nas decisões governamentais e, para tanto, insere os indivíduos na condução dos negócios públicos. Vale ressaltar que seus seguidores são, portanto, adeptos a uma democracia direta.
http://lemaposerra.blogspot.com/ 2010/08/multiculturalismo.html
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9 d) A figura (III) equivale à corrente multiculturalista (“política da diferença) uma vez que
representa a diversidade de grupos existentes no âmbito mundial ( o que pode ser trazido ao âmbito de uma sociedade específica), de maneira que as sociedades são marcadas pela convivência entre grupos de indivíduos de estilos de vida e valores diversos – às vezes conflitantes. A preocupação dessa vertente refere-se mais a uma teoria da justiça que, propriamente, a uma da democracia. Ademais, o multiculturalismo opõe-se ao pensamento liberal ao defender a relevância dos grupos na arena política.
e) De acordo com Luis Felipe Miguel, as fronteiras entre as cinco vertentes (liberal-pluralismo, deliberacionismo, republicanismo cívico, participacionismo e multiculturalismo) são fluídas e imprecisas – e, além disso, dentro de cada corrente, há diferenças.
8. A partir de sua leitura do texto de Luis Felipe Miguel, Representação Política em 3-D. Elementos para uma teoria ampliada da representação política, marque a alternativa INCORRETA:
a) A crise da representação política pode ser evidenciada pela desconfiança nas instituições políticas, a queda no comparecimento eleitoral e o esvaziamento dos partidos políticos. b) O autor afirma que a população deveria se preocupar não só com a primeira dimensão
mas também com a segunda face da representação, que seria a definição da agenda, que atualmente está principalmente nas mãos da mídia.
c) Hanna Pitkin cita duas visões da representação política: a representação realista (que visa a relação entre representados e representantes enfatizando a autorização e a prestação de contas, acccountability) e a visão formalista (na qual os representantes deveriam formar um microcosmo da sociedade que os elegeu. Importando quem eles são e não o que eles fazem).
d) Para o autor, as três dimensões da representação seriam a participação dos processos de tomada de decisão, a definição da agenda política e dos debates públicos e a capacidade de anular o conflito social pelo controle sobre as preferências.
e) O autor afirma que deve haver aumentar o pluralismo político de modo a considerar a expressão e os interesses de diversos grupos e o reconhecimento da autonomia principalmente na produção de regras sociais produzidas pelos representantes em favor dos representados.
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9. De acordo com o texto Representação Política em 3D. Elementos para uma teoria ampliada da Representação Política de Luis Felipe Miguel, julgue os itens abaixo e assinale a alternativa CORRETA:
I. Para ser efetivo, o aprimoramento dos mecanismos representativos deve contemplar as vertentes formal e substantiva da democracia;
II. O processo político deve estar pautado no debate público que deve acontecer em seus locais de excelência e ser efetivado pelos porta-vozes naturais dos diversos interesses, os legitimados por vias de eleição;
III. Há uma crise da democracia representativa contemporânea que, em grande medida, pode ser explicada pela ampliação da desconfiança nas instituições democráticas; entretanto, esse processo de desconfiança é exclusivo de países cuja democracia é recente;
IV. As concepções de representação formalista (autorização/accountability) e descritiva (microcosmo) estão centradas no voto e na primeira dimensão do exercício do poder (tomada concreta de decisões);
V. A concepção ampliada de representação política tem em sua segunda dimensão (participação na confecção da agenda pública e do debate político em nome de outros) a forma decisiva para o deslocamento da representação política para o campo da sociedade civil;
a) apenas I, II e III estão corretas; b) apenas IV e V estão corretas; c) apenas II e III estão corretas; d) apenas I e IV estão corretas; e) todas estão corretas.