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UTFPR Ecoville: complexo esportivo, lazer e cultura

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE CONSTRUÇÃO CIVIL

CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

AMANDA FRANKLIN BODSTEIN

UTFPR ECOVILLE: COMPLEXO ESPORTIVO, LAZER E

CULTURA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

CURITIBA

2015

(2)

AMANDA FRANKLIN BODSTEIN

UTFPR ECOVILLE: COMPLEXO ESPORTIVO, LAZER E

CULTURA

Trabalho

de

Conclusão

de

Curso

de

graduação

apresentado à disciplina de

Trabalho

de

Conclusão

de

Curso, do Curso de Arquitetura

e Urbanismo do Departamento

de Construção Civil - DACOC,

da Universidade Tecnológica

Federal do Paraná – UTFPR.

Orientador: Prof. MSc. Armando

Luis Yoshio Ito.

CURITIBA

2015

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TERMO DE APROVAÇÃO

UTFPR ECOVILLE: COMPLEXO ESPORTIVO, LAZER E CULTURA Por

AMANDA FRANKLIN BODSTEIN

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi apresentado em 07 de dezembro de 2015 como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

A candidata foi arguida pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a Banca Examinadora considerou o trabalho aprovado.

Prof. Marco Cezar Dudeque, Dr. UFPR

Prof. Claudionor Beatrice, MSc. UTFPR

Profª. Priscila Zanon, MSc. UTFPR

Prof. Armando Luís Yoshio Ito, MSc. (Orientador) UTFPR

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

PR

Departamento Acadêmico de Construção Civil

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AGRADECIMENTOS

É difícil agradecer todas as pessoas que de algum modo, nos momentos serenos ou apreensivos, fizeram ou fazem parte da minha vida, por isso primeiramente agradeço a todos de coração.

Agradeço o Professor. MSc. Armando Luis Yoshio Ito pela sua dedicação e pela orientação deste trabalho, pelos momentos de aprendizado e inúmeras revisões.

Agradeço aos meus pais pela determinação e apoio incondicional em todas as fases da minha formação, sempre me amparando para que meus sonhos fossem realizados e objetivos alcançados. Sem vocês não haveria sonho, não haveria inspiração e não haveria arquitetura para mim. Obrigada por estarem sempre disponíveis, me ajudando e me encaminhando em todos os momentos.

Agradeço ao meu irmão, menino que veio para realizar um sonho e a cada dia me inspira mais.

Agradeço aos meus avós, que sempre representaram na minha vida alegria, intimidade e amor incondicional. Agradeço por sempre me apoiarem e estimularem da forma mais doce possível.

Agradeço a todos os meus tios, padrinho, madrinhas e primos que sempre estiveram ao meu lado, me apoiando, comemorando e incentivando.

Agradeço as minhas amigas de faculdade, pois juntas aprendemos não só o que é arquitetura, aprendemos o que significa ser arquiteta.

Por fim, agradeço meu namorado pelo amparo e convivência do dia-a-dia durante os últimos anos.

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RESUMO

BODSTEIN, Amanda. Da cidade universitária ao campus Ecoville UTFPR. 2015. Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Arquitetura e Urbanismo), Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2015.

A partir da revisão da literatura e de estudos de caso, desenvolveu-se uma pesquisa referente aos complexos universitários existentes no Brasil e no exterior, para assim fornecer embasamento ao propor uma transformação do campus Ecoville da UTFPR, localizado em Curitiba-PR, em complexo universitário.

A necessidade de se criar um complexo aumentou devido a implementação do sistema ENEM-SISU para ingresso de estudantes na universidade, pois houve grande acréscimo no número de estudantes vindos do interior do Paraná ou outros estados do Brasil para Curitiba. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação, dos 3.970 matriculados a partir do SISU no primeiro semestre de 2013, 1.068 vieram de outros estados – o equivalente a quase 27% das vagas. Com estes dados, percebe-se a necessidade de criar na cidade um complexo que dê suporte aos alunos e supram suas necessidades estudantis, resultando na diminuição da atual taxa de evasão, que hoje, segundo o SESU (Seminário sobre Evasão nas Universidades Públicas Brasileiras) é de 50% nas universidades federais do Brasil. Este grande número se deve em grande parte a inexistência de um campus universitário que crie vida e rotina universitária por tempo integral na vida dos alunos, possibilitando acesso rápido a meios de pesquisa, aos professores e facilitando o transporte à aula. Melhorando isso, a experiência universitária se aproximaria do sistema existente em países da América do Norte e Europa, onde tudo que o estudante necessita para sua formação pode ser encontrado facilmente dentro do campus.

Além dos pontos mencionados acima, existe a questão da localização do campus Ecoville, o qual está na porção sul-oeste da capital, região ocupada por Universidades de grande importância na cidade, porem que não possuem fácil acesso ou conexão com comércio vicinal e serviços, exigindo a utilização de carros ou ônibus para qualquer tipo de locomoção. Além de exigir na maioria dos casos longo tempo de viagem no trajeto residência – universidade.

A implementação da proposta de levar uma infraestrutura de complexo para a região, representaria um ganho não somente para os estudantes universitários, mas também os residentes próximos e entorno em geral, o qual se tornaria mais movimentado por pedestres.

Palavras-chave: complexo universitário; campus; estudantes; arquitetura institucional; Campus UTFPR Ecoville;

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ABSTRACT

BODSTEIN, Amanda. From urban campuses to Ecoville UTFPR Campus Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Arquitetura e Urbanismo), Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2015.

From the literature review and case studies, was developed a research about existing campuses in Brazil and abroad, so as to provide basis to propose a transformation of the Ecoville UTFPR campus, located in Curitiba-PR.

The necessity to create an university complex has increased due to implementation of ENEM-SISU system for admission of students at the university. It caused a great increase of students coming from Paraná and other states of Brazil to Curitiba. According to data from the Ministry of Education, 3,970 enrolled from SISU in the first half of 2013, 1,068 came from other states - equivalent to almost 27% of vacancies. With these data, was seen the need to create in the city a complex that supports student’s needs, which would result in a decrease of the current dropout rate, which today, according to the SESU (Seminar on Public evasion linked to Brazilian Universities) is 50% in federal universities. This alarming number is due mainly to the absence of a university campus that proportionate routine the lives of students, enabling quick access to search facilities, professors and efficient transportation to class. Improving this, the university experience would be approached to the existing system of North America and Europe Universities.

In addition, the Ecoville campus location, which is on the south-western portion of the capital, a region occupied by very important universities in the city have no easy access or connection to outer trade and services, requiring the use of car or bus to any kind of necessity.

The proposal of creating a complex infrastructure for the region, represent a gain not only for students, but also nearby residents and environment in general.

Keywords: academical complex; campus; students;institutional architecture, UTFPR

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – College Of New Jersey, USA ... 14

Figura 2 – Universidade de Paris – França ... 15

Figura 3 – Universidade de Bolonha, Itália ... 16

Figura 4 – Universidade Federal do Paraná ... 17

Figura 5 – Cidade de Cambridge ... 19

Figura 6 – Universidade de Coimbra, Portugal ... 19

Figura 7 – Campus UFPR Politécnico ... 21

Figura 8 – Cidade de Cambridge ... 22

Figura 9 – Cidade Universitária da USP – Brasil ... 24

Figura 10 – Cidade Universitária da USP – Brasil ... 25

Figura 11 – Localização da Berkeley University em relação a São Francisco ... 27

Figura 12 –Universidade de Berkley ... 28

Figura 13 – Mapa da Universidade de Berkley ... 29

Figura 14– Imagem aérea mostrando a localização do antigo e do novo campus .. 32

Figura 15– Perspectivas do novo campus ... 32

Figura 16– Perspectiva da praça conectora ... 33

Figura 17 – Perspectiva da praça conectora ... 33

Figura 18 – Setorização do plano diretor do novo campus ... 34

Figura 19 – Perspectiva da praça do novo campus ... 35

Figura 20 – Perspectiva da praça do novo campus ... 35

Figura 21 – implantação da praça e esquema do plano diretor do novo campus ... 36

Figura 22 – Foto aérea do campus da Universidade Positivo ... 37

Figura 23 – Setorização do campus da Universidade Positivo ... 37

Figura 24 – Setorização do campus da Universidade Positivo ... 38

Figura 25 - Perspectiva do centro esportivo da Universidade de Auburn, Austrália . 39 Figura 26 – Planta do centro esportivo da Universidade de Auburn, Austrália ... 40

Figura 27 – Fotos internas do centro esportivo da Universidade de Auburn, Austrália ... 40

Figura 28 - Biblioteca da University Of East London, Inglaterra ... 41

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Figura 30 - Biblioteca da University Of East London, Inglaterra ... 42

Figura 31 - Biblioteca da University Of East London, Inglaterra ... 42

Figura 32 - Mapa de bairros da cidade de ênfase no CIC e Campo Comprido ... 43

Figura 33 - Foto aérea com a localização dos campos universitários em Curitiba . 46 Figura 34 - Foto aérea com a localização dos terrenos vazios no entorno das universidades, localização das vias de maior importância na região e localização dos serviços de bairro próximos ... 47

Figura 35- Foto aérea com a localização dos 3 terrenos propostos para implantação da pesquisa ... 48

Figura 36: Anexo da Lei Municipal 9800/00, a qual estabelece parâmetros construtivos de acordo com o zoneamento do terreno escolhido ... 49

Figura 37: Anexo da Lei Municipal 9800/00, a qual estabelece parâmetros construtivos de acordo com o zoneamento do terreno escolhido ... 50

Figura 38 – Inserção dos terrenos propostos no mapa de zoneamento da cidade de Curitiba ... 51

Figura 39 – Foto aérea do terreno escolhido ... 51

Figura 40 - Usos dos edifícios da UTFPR Ecoville ... 52

Figura 41 – Área de lazer na University Of East London – UK ... 55

Figura 42 – Área de lazer na University Of East London – UK ... 56

Figura 43 – Imagem vista do atual estacionamento da UTFPR Ecoville ... 63

Figura 44 – Imagem vista da Rua Pedro Viriato Parigot de Souza ... 64

Figura 45 – Planta geral do terreno ... 64

Figura 46 – Planta da área esportiva ... 65

Figura 47 – Área esportiva, Piscina e quadra em ambiente integrado ... 65

Figura 48 – Planta térreo e inferior da biblioteca ... 66

Figura 49 – Biblioteca, área de estudos com vista do átrio ... 66

Figura 50 – Planta do comércio ... 67

Figura 51 – Vista do comércio ... 67

Figura 52 – sala de jogos, chegada da passarela ... 68

Figura 53 – Passarela da Rua Pedro Viriato Parigot de Souza ... 68

Figura 54 – Vista da praça, passarela e Bloco C ... 69

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Proporção entre diferentes tipologias de instituições superiores ... 25

Gráfico 2 - Gráfico de necessidades da UTFPR Ecoville ... 53

Gráfico 3 – Proporção de áreas a serem criadas ... 60

Gráfico 4 – Condicionantes do terreno proposto ... 61

Gráfico 5 – Praça central no terreno proposto ... 61

Gráfico 6 – Disposição dos blocos no terreno ... 62

Gráfico 7 – Setorização da biblioteca ... 62

Gráfico 8 – Setorização da área esportiva ... 63

Gráfico 9 – Setorização do comércio ... 63

LISTA DE ANEXOS

ANEXO A – Projeto Arquitetônico ... 73

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 11 1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA ... 12 1.2 OBJETIVO GERAL ... 12 1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 12 1.4 METODOLOGIA ... 12 2 CAMPUS UNIVERSITÁRIOS ... 13

2.1 A HISTÓRIA DAS UNIVERSIDADES ... 14

2.1.1 UNIVERSIDADES NO BRASIL ... 16

2.2 A HISTÓRIA DOS CAMPUS UNIVERSITÁRIO ... 18

2.2.1 CAMPUS NO BRASIL ... 23

2.3 CLASSIFICAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR ... 25

2.4 ARQUITETURA UNIVERSITÁRIA: PLANEJAMENTO DO CAMPUS E SEU PROGRAMA DE NECESSIDADES ... 26

3 ESTUDOS DE CASO ... 31

3.1 Plano diretor do campus norte da Universidade BGU ... 31

3.2 Plano diretor do campus da Smithsonian Sul ... 35

3.3 Plano diretor da Universidade Positivo ... 37

3.4 Centro Esportivo da Universidade de Auburn ... 39

3.5 Biblioteca da University Of East London, Inglaterra ... 41

4 INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE ... 42

4.1 BAIRRO DE CURITIBA - CIDADE INDUSTRIAL ... 44

4.2 BAIRRO DE CURITIBA - CAMPO COMPRIDO ... 44

4.3 HISTÓRIA DA ÁREA DE ESTUDO ... 45

5. PROPOSTA DE TERRENO ... 47

5.1 PESQUISA COM ALUNOS UTFPR: PRINCIPAIS NECESSIDADES ... 53

6 DIRETRIZES PROJETUAIS ... 54

6.1 LAZER: AMBIENTE DE PERMANÊNCIA ... 54

6.2 ESPORTE ... 56

6.3 COMÉRCIO, SERVIÇO E ALIMENTAÇÃO ... 57

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7 PROPOSTA: PROGRAMA DE NECESSIDADES ... 58

7.1 PROPOSTA: MAPA SÍNTESE ... 60

8 RESULTADOS ... 62

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 70

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1 INTRODUÇÃO

No Brasil o processo unificado para ingresso nas universidades – SISU incentiva o acesso universal e democrático à universidade. Devido a este processo seletivo, o acesso à universidade e a mobilidade estudantil aumentou em todo o país. Proporcionalmente, o Paraná é o estado que mais recebe estudantes de fora. Dos 3.970 matriculados a partir do SISU no primeiro semestre de 2013, 1.068 vieram de outros estados – o equivalente a quase 27% das vagas (dados divulgados pelo Ministério da Educação).

Segundo o IBGE (2010) Curitiba conta com 54 Instituições de Ensino Superior, um polo universitário que, a cada ano, recebe mais estudantes de outras cidades e estados. Porém, a estabilização destes estudantes nem sempre é considerada pelas universidades públicas principalmente, que tem uma taxa de evasão média de 50% segundo o SESU (Seminário sobre Evasão nas Universidades Públicas Brasileiras).

Apesar de Curitba abrigar 54 Instituições de Ensino Superior, apenas uma pequena quantidade delas oferece uma estrutura de campus para seus alunos, são elas UFPR, UTFPR, UTP, PUC-PR , UP e UniBrasil, sendo as duas últimas as mais modernas e que melhor atendem as necessidades atuais dos alunos dentro da sociedade. Porém com algumas deficiências, como inexistência de estrutura adequada para habitação estudantil, prática do esporte, cultura e lazer que promovam sentimento de unidade e pertencimento dos alunos naqueles locais.

Campus é um recinto universitário que abriga todas as instituições dentro da universidade. É um local onde uma instituição de ensino e de investigação científica ou tecnológica, tem uma parte ou a totalidade dos seus serviços, como salas de aula, laboratórios, oficinas, ateliês, refeitórios, vivência, esportes, residências, estacionamento, auditório, eventos e etc, criando configurações de complexo ou até mesmo de cidade. O campus deve representar a ideia de um ambiente tranquilo que funcione como uma máquina de saber, a serviço da população e que inclua troca e a interação com outros tipos de atividade e de pessoas.

O crescente número de estudantes que estão migrando de outras cidades e estados para cursar a graduação em Curitiba e com a necessidade que a cidade apresenta de se criar um espaço adequado às necessidades contemporâneas dos alunos, vê-se a possibilidade de criar um complexo universitário na região sul da capital. Esta região da cidade, que abriga hoje a UTFPR Sede Ecoville e a Universidade Positivo, está passando, já há alguns anos, por um processo de elitização proveniente da especulação do mercado imobiliário, porém, ainda é carente de equipamentos urbanos e comércio. A falta de serviços básicos nas proximidades faz com que as pessoas fiquem dependentes de outras regiões da cidade, gerando gastos com deslocamento e deixando as pessoas com sentimento

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de insegurança no entorno da Universidade, uma vez que não há grande movimentação de pessoas fora dos complexos estudantis. Dessa forma, uma proposta de levar uma infraestrutura de lazer, comércio, serviços vicinais, cultura e esporte para a região seria benéfica para a população estudantil, moradores do entorno e também transeuntes, criando vida para uma área que hoje funciona apenas como conectora.

1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA

Será delimitada a região do bairro Cidade Industrial Curitiba, próxima à divisa com o bairro Campo Comprido, onde estão instaladas a Universidade Tecnológica Federal do Paraná e Universidade Positivo, para um levantamento das infraestruturas e carências do lugar e do público alvo em potencial, que irão auxiliar na elaboração do programa das necessidades de um complexo universitário.

1.2 OBJETIVO GERAL

Desenvolver pesquisa e projeto de complexo esportivo, espaços de lazer, infraestrutura de comercio e serviço e biblioteca para o atual campus da UTFPR Ecoville, visando atender uma necessidade dos estudantes por estrutura adequada à vida universitária.

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Desenvolver um projeto que reúna em uma mesma localidade todos os eixos fundamentais para o exercício da cidadania do estudante, criando facilidades

importantes à formação e integrando a universidade e os alunos com a comunidade, para isso seriam tomadas as seguintes medidas:

 Ampliar e reestruturar praça de alimentação do campus –Criar novas praças para atender todo o complexo;

 Criar área de lazer e vivência;

 Criar espaço de comércio e serviços;

 Criar complexo esportivo;

 Criar uma nova biblioteca que atenda a demanda do campus.

1.4 METODOLOGIA

A metodologia a ser utilizada nesta pesquisa é o estudo de caso, que consiste em esgotar o conhecimento sobre certo objeto de estudo, procurando mostrar como o exemplar foi formatado, como evoluiu e qual o seu desempenho perante os usuários. Em conjunto será realizada uma revisão da literatura para

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conhecer conceitos de campus universitários, sua história, seus conceitos, suas tipologias, seus setores e dimensionamentos. (GIL, 1999).

Na presente pesquisa serão estudados importantes campus universitários, analisando sua localização, proximidade com o centro da cidade e facilidade que se tem para chegar em comércios e serviços necessários. Serão estudadas as principais tipologias de campus universitários e elaborado um programa de necessidades para um complexo universitário na UTFPR Ecoville, considerando as demandas dos estudantes e carências da região da Cidade Industrial de Curitiba.

Nesta pesquisa serão elaborados estudos relacionados às diferentes tipologias e variadas necessidades de espaço de lazer, comércio, serviço, esporte, cultura e eventos voltados para um público estudantil.

1 CAMPUS UNIVERSITÁRIO

Campus é um recinto universitário que abriga todas as instituições dentro da universidade. É um local onde uma instituição de ensino e de investigação científica ou tecnológica, tem uma parte ou a totalidade dos seus serviços, como salas de aula, laboratórios, oficinas, ateliês, refeitórios, vivência, esportes, residências, estacionamento, auditório, eventos e etc, criando configurações de complexo. (PINTO; BUFFA, 2009)

Um campus universitário não é uma área verde pública, apesar de em geral incluir áreas ajardinadas. Um campus não é um parcelamento urbano, apesar de em geral conter vias e quadras. Um campus é uma área institucional, voltada para a educação. Como afirma Carlos Andrade, sobre a noção de campus universitário nascido nos EUA, no livro “Arquitetura e Educação: Campus Universitários Brasileiros”, de Gelson Pinto e Ester Buffa. (PINTO; BUFFA, 2009)

Segundo o dicionário Aurélio, campus é o conjunto de edifícios e terrenos de uma Universidade. O conceito de campus está ligado a uma concepção da Universidade como todo integrado e formando uma comunidade de mestres e alunos, situada fora das grandes cidades, geralmente com amplos gramados, pavilhões para aulas, residências e geralmente no centro a Biblioteca.

O campus representa a integração espacial, estrutural e funcional da universidade, concebida como totalidade, em vez de simples estabelecimentos autossuficientes. Assim, os princípios de integração só podem objetivar-se plenamente no campus. (Coordenadoria do Espaço Físico, USP).

A palavra campus deriva de uma palavra latina que significa "campo" e foi usado pela primeira vez para descrever as terras do College of New Jersey (agora Princeton University) durante o século 18 (Figura 1).

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Figura 1 – College Of New Jersey, USA Fonte: Encyclopædia Britannica

Outras denominações seguirão no universo dos territórios universitários: “cidade universitária” ou “bairro universitário”. Mais do que simples nomenclaturas, tais terminologias invertem o sentido agrário do termo “campus”: “no lugar de um campo, a cidade, à imagem da cidade na qual se insere, ainda que especializada, como cidade universitária”. Apesar de etimológica e semanticamente distintos, em alguns países, como o Brasil, estes termos, “campus” e “cidade universitária”, acabam usados como sinônimos. (PINTO; BUFFA, 2009).

2.1 A HISTÓRIA DAS UNIVERSIDADES

A universidade é uma instituição pluridisciplinar de formação profissional, pesquisa e extensão para domínio e cultivo do saber humano, instituição esta que compreende um conjunto de faculdades ou escolas superiores destinadas à especialização profissional e científica para atendimento à comunidade, nas diversas áreas do saber.

O primeiro indício de universidade se deu ainda com Platão, em Atenas, aproximadamente em 383 a.C. Esta escola foi aberta como uma Akademia. Exclusiva para membros e sem uma clara distinção entre professores e alunos, ou mesmo um currículo formal. O que havia era uma distinção entre membros seniores e juniores. Os objetos do estudo quase certamente incluíam matemática, bem como os temas filosóficos (TEIXEIRA, Anísio, 1998).

Na era medieval, foram fundadas universidades em torno de 1150, período do Renascimento do Século XII, elas foram o ponto de partida para o modelo

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de universidade que conhecemos hoje, pois não eram apenas instituições de ensino, mas também o local de pesquisa e produção do saber, foco de debates e polêmicas.

As primeiras universidades da Europa foram fundadas para o estudo de direito, medicina e teologia. A parte central do ensino envolvia o estudo das artes preparatórias, ou artes liberais, depois disso o aluno podia realizar os estudos mais específicos. A primeira universidade da Europa, dentro das definições modernas, é a de Bolonha (Itália) criada em 1150, logo depois foram criadas a universidade de Paris (França) Oxford e Cambridge (Inglaterra). O graduando da universidade medieval era chamado de artista, remetendo à ideia de que quem domina as artes liberais. (DURKHEIM, 1982).

Figura 2 – Universidade de Paris - França Fonte: Shutterstock e JBDesing

Naquela época o conhecimento era privilégio de poucos e apenas quem podia pagar se associava a outros interessados para contratar um professor sobre algum dos temas das chamadas “essências universais”, por isso o nome de “universidade”. (SANOFF, 2007)

A Universidade de Paris (Figura 3) possuía o título de Estudos Gerais, porém a Teologia ali era a mais importante de todas as áreas de estudo. A universidade tem sua localização como privilégio e recebe alunos de todas as nações, destacando-se no século XIII pelos estudos avançados em teologia e artes, recebendo inclusive o reconhecimento oficial do Papa. (ROSSATO, 2005).

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Já em Bolonha, o ensino de Estudos Gerais segue outros moldes, desenvolvendo estudos mais aprofundados na área de direito e ao que hoje chamamos de administração (ROSSATO, 2005).

Figura 3 – Universidade de Bolonha, Itália Fonte: Shutterstock e JBDesing

Após a Primeira Guerra Mundial, majoritariamente, as universidades desvincularam-se da religião e do ensino de Teologia como principal enfoque, iniciando com o caráter tecnológico das universidades, conforme conhecemos hoje. A partir desta época, devido ao crescimento econômico dos EUA, as principais instituições de ensino superior passaram a se constituir neste país, e não mais na Europa, incentivando o surgimento do que hoje entendemos como as melhores universidades modernas do mundo, como Harvard e Yale.

2.1.1 UNIVERSIDADES NO BRASIL

No Brasil, o ensino superior começou ainda no período colonial, com a criação de escolas especializadas, que seguiam os moldes de outras já existentes na Metrópole Portuguesa. Porém, é importante lembrar que ela não foi criada para atender às necessidades fundamentais da sociedade da época, mas como um bem cultural oferecido a minorias, sem uma definição clara de que deveria se constituir em espaço de investigação científica e de produção de conhecimento. Produção essa que deveria procurar responder às necessidades sociais. As áreas de maior interesse eram Medicina, Direito e Engenharia.

Apenas em 1920, por meio de decreto do Presidente Epitácio Pessoa, institui-se a Universidade do Rio de Janeiro (URJ), primeira instituição universitária criada

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legalmente pelo Governo Federal. Porém ainda existiam divergências no que diz respeito às funções e ao papel da universidade, há duas posições: os que defendiam como suas funções básicas a de desenvolver a pesquisa científica, além de formar profissionais, e os que consideravam ser prioridade a formação profissional. Amoroso Costa, estudioso do assunto, apresenta tese que defendia introduzir a pesquisa como núcleo da instituição universitária (PAIM, 1982, p. 18).

No Paraná já existia desde 1892 a intenção de se criar uma universidade, porém apenas em 1912 ocorreu a fundação do que hoje conhecemos como UFPR. Nesta época funcionava como uma instituição privada, sendo que os primeiros cursos ofertados foram os de ciências jurídicas e sociais, engenharia, medicina, cirurgia, comércio, odontologia, farmácia e bioquímica (UFPR, 2015).

Anos depois Victor Ferreira do Amaral dá inicio a construção do prédio central (Figura 4), porém devido a Primeira Guerra Mundial instaura-se uma recessão econômica no país que vem a culminar em novas exigências do governo, como a obrigatoriedade de a cidade sede de uma universidade ter mais de cem mil habitantes, o que não era o caso de Curitiba. Em decorrência disso, a Universidade do Paraná é obrigada a se desmembrar em faculdades isoladas, permanecendo assim até 1946 (UFPR, 2015).

Figura 4 – Universidade Federal do Paraná Fonte: UFPR

A partir desta época a estrutura universitária começa a mudar com o surgimento do movimento pela modernização do ensino superior no Brasil, que atinge seu ápice com a criação da Universidade de Brasília (UnB). A participação do movimento estudantil se dá de forma muito densa, fica evidente a posição dos

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estudantes de combater o caráter arcaico e elitista das instituições universitárias, são discutidas questões relevantes como: a) autonomia universitária; b) participação dos corpos docente e discente na administração universitária, através de critério de proporcionalidade representativa; c) adoção do regime de trabalho em tempo integral para docentes; d) ampliação da oferta de vagas nas escolas públicas; e) flexibilidade na organização de currículos (FÁVERO, 1994).

Após esta modernização, na década de 50, há um significativo aumento de jovens ingressando na universidade, ainda muito restrita às classes mais altas. Já na próxima década, o ensino superior passa a ser possível para um maior número de pessoas, incluindo a classe média brasileira, que junto com a classe mais abastada se tornam um grupo de expressão política nacional. É apenas no final na década de 80 que as classes mais baixas da população brasileira começam a ter acesso ao ensino superior (FÁVERO, 1994).

Atualmente no Brasil é indispensável ter curso profissionalizante, técnico ou de graduação para se inserir no mercado de trabalho, causando assim um grande crescimento no número de instituições voltadas para atender esta crescente demanda. Sendo as áreas de ciências sociais aplicadas, por serem bem abrangentes, as mais procuradas pelos jovens de classes mais baixas.

2.2 A HISTÓRIA DO CAMPUS UNIVERSITÁRIO

Os campi surgiram na Europa no período medieval devido a necessidade de garantir a ordem e a paz para a população e para os estudantes. Naquela época muitos alunos eram estrangeiros, gerando por motivos diversos conflitos com a população local. A tradição e a intenção de se criar um campus era para manter um lugar onde os alunos e professores pudessem viver e trabalhar juntos em um ambiente de clausura e dedicação integral ao estudo e a pesquisa.

Foi a partir desta noção de unidade e integração que surgiram na Inglaterra do século XIII as universidades de Oxford e Cambridge, elas estabeleceram o modelo de “cidades universitárias”, onde várias escolas de ensino superior eram circundadas por moradias estudantis e serviços e comércio voltado para as necessidades dos alunos, criando assim uma infraestrutura urbana universitária.

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Figura 5 – Cidade de Cambridge Fonte: Bristol 360

Posteriormente, esta noção de importância à vida acadêmica migrou para América do Norte, e instituições de ensino coloniais foram baseados no sistema escocês e Inglês, reproduzindo no país a intenção de unidade, porém criando o conceito de “campus”, do latim, campo.

“Apoiado em uma ideologia antiurbana, o campus universitário emerge a partir do college do período colonial, como lócus segregado da cidade, ambiente no qual o afastamento da turbulência citadina permitiria o desenvolvimento sem peia da ciência e do conhecimento”

(ANDRADE, 2009, p. 01).

Ao contrário da Europa do século XV, em que a universidade é um projeto eminentemente urbano e, portanto, suas instalações ocupam o centro de diversas cidades, como é o caso de Bolonha, Paris ou mesmo Coimbra.

Figura 6 – Universidade de Coimbra, Portugal Fonte: Portugal 360

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No Brasil e fora dele, existem dois tipos de relação com a cidade a partir de um campus de universidade, são eles o campus urbano, ou seja, que está inserido na cidade, e o campus afastado da cidade, que cria sua própria infraestrutura de cidade dentro dele. Dentro destas duas tipologias, ainda podem existir os campus abertos à sociedade ou os campus enclausurados.

O campus urbano pode representar uma renovação urbana, pois devido a sua presença, outros usos podem ser estimulados, e as próprias características de ocupação das áreas adjacentes podem transformar-se em função de sua presença.

Já no campus afastado da cidade, a interação é mais clara, pois está representando uma comunidade auto-suficiente. A ideia é criar um ambiente tranqüilo que funcione como uma máquina de saber, porém a idéia de uma universidade democrática, a serviço da população deve incluir a troca e a interação com outros tipos de atividade e de pessoas, o que fica dificultado com a proposta espacial do campus. Esta é muitas vezes justificada pela sua coesão interna, onde a necessidade de reunir todas as faculdades num só lugar.

A partir dos anos 60, a criação de várias universidades proporcionou aos arquitetos uma oportunidade de expressar idéias modernistas. A universidade oferecia uma oportunidade para grande liberdade de ação, pois os novos campi foram implantados em terrenos limpos, sem nenhuma limitação antes encontrada nas áreas urbanas.

Fora do Brasil, principalmente na Europa e nos EUA, o desenvolvimento paisagístico nos campi e as construções dos edifícios são mais bem acabadas, oferecendo maior conforto e eficácia. Já no Brasil, cada edifício tinha seu valor como objeto arquitetônico, as distâncias, porém, entre um prédio e outro representam muitas vezes o espaço de até três quarteirões, deixando uma falha na desejada integração. Visando este ideal de um lugar íntegro, Campos sugere que os esquemas compactos são em geral os que maior potencial oferecem na interação de seus usuários; as distâncias de circulação são minimizadas e com isso aumentam as chances do encontro e da consequente troca entre os iguais da comunidade acadêmica. “O que é preciso refletir é que o modelo do campus, nas suas inúmeras formas, é uma proposta antiurbana. Ele é, pela sua própria concepção, um espaço isolado do mundo, como o próprio ideal acadêmico suscita.“ (CAMPOS, 2003)

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Figura 7 – Campus UFPR Politécnico Fonte: UFPR

Os colleges britânicos tradicionais estabeleceram interações sociais no seio das comunidades urbanas, marcadas pelo antagonismo e pela segregação. A tipologia arquitetônica utilizada era um arranjo monástico dos edifícios, dispostos em torno de um claustro com uma única porta de acesso, desta forma podendo ser chamado de campus enclausurado. Porém este modelo foi a única alternativa espacial para a universidade, que na visão de Campos deve pertencer à cidade, pois pouco valerão os protestos e manifestações políticas originadas na universidade se os estudantes não puderem ser ouvidos pela população.

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Figura 8 – Cidade de Cambridge Fonte: Bristol 360

Já sobre o caso dos câmpus americanos, a interação com a cidade e com a sociedade também é dificultada devido a sua localização na área rural. Tendência que foi reforçada no século XIX por um sentimento das vanguardas intelectuais da época, de desencanto com a cidade, percebida como lugar de corrupção moral, e pela confiança no poder purificador da natureza. O ideal romântico do campus, imerso na natureza e, portanto, ao seguro das influências nefastas da civilização persiste até hoje e, juntamente com outros fatores econômicos e culturais, determinou a localização periférica de incontáveis instituições de educação superior, não apenas nos Estados Unidos mas também na Europa e até mesmo no Brasil (TURNER, 1995).

O estudo sobre campus universitário é indispensável, pois, segundo dados divulgados pelo MEC, 80% da área construída das instituições do Sistema Federal de Ensino Superior estão instaladas em campi. Em muitos destes casos existe uma grande distância entre o Campus e a cidade, criando assim dificuldades para a implantação de infra-estrutura e serviços urbanos, já em outros casos, os territórios Universitários já foram envolvidos pela cidade.

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2.2.1 CAMPUS NO BRASIL

No século XX, a arquitetura modernista com seu modelo de cidade funcionalista consolida a divisão territorial das cidades, de acordo com as suas funções, e é enfatizado o conceito de campus universitário com as instalações acadêmicas concentradas e afastadas dos centros urbanos. As universidades fundadas ao longo do século XX em sintonia com o pensamento arquitetônico de sua época, majoritariamente refletirão os preceitos da arquitetura e urbanismo funcionalistas modernistas.

Este era o paradigma predominante no Brasil, cujas universidades foram criadas a partir dos anos 1930, com a justaposição de institutos e escolas pré-existentes, a reforma universitária de 1968, veio mudar significativamente o modelo espacial universitário brasileiro, em consonância com uma outra organização estrutural: de cátedras as universidades passando a organizar-se por departamentos (a menor fração da estrutura universitária). A reforma fortalece, ademais, a pesquisa científica como uma das funções fundamentais da universidade. Consultores internacionais elaboraram o “Manual para Planejamento Integral do Campus Universitário”, consolidando definitivamente o modelo de campus para as universidades brasileiras (PINTO e BUFFA, 2009).

Apesar da predominância do modelo de ocupação de território em campus afastado, sobretudo após os anos 60, algumas universidades federais brasileiras se instalam em meio à malha urbana consolidada, como é o caso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal do Ceará (UFC), com departamentos e faculdades difusos pelos centros urbanos de Belo Horizonte e Fortaleza, respectivamente.

Um grande exemplo brasileiro de campus universitário é a cidade Universitária Armando Salles de Oliveira, o campus USP na capital. Ele foi baseado no conceito alemão de universidade moderna, com foco em pesquisa e integração dos cursos entre cientistas, políticos e jornalistas, na década de 1930. O projeto era não só integrar os já existentes cursos daquele período, como a Escola Politécnica, Faculdade de Medicina e Faculdade de Direito, por exemplo, mas também garantir atenção à pesquisa e ao desenvolvimento do país.

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Figura 9 – Cidade Universitária da USP - Brasil Fonte: USP

O terreno da Cidade Universitária é escolhido no oeste da capital, em um bairro deserto, no meio do mato, às margens do rio Pinheiros. Assim era o Butantã nos anos 1930, lá ficava a fazenda Butantã, uma verdadeira ilha de sossego distante cerca de 10 quilômetros do centro da cidade, com o rio Pinheiros de um lado e o Ribeirão Jaguaré do outro. Inicialmente a área totalizava 200 alqueires paulistas, metade do planejado inicialmente, mas o suficiente para iniciar o projeto. Somente no ínicio da década de 60 a Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira foi reformada e passou a ter a configuração atual, e assim se tornou uma grande base de produção cultural, artística e esportiva.

O complexo começou a ser construído a beira do Rio Pinheiros e, com o passar do tempo, foi se distanciando dele, com as outras unidades sendo construídas um pouco acima do nível do rio. Hoje o complexo tem mais de oito milhões de metros quadrados e diversas formas arquitetônicas, cercadas por muitas árvores. Os destaques são a Praça do Relógio e o Centro de Práticas Esportivas da Universidade. A Praça do Relógio foi criada para ser o coração do campus, sendo um local de reunião e ponto de encontro. Já o Centro de Práticas Esportivas foi inaugurado em 1971 e passou por uma grande ampliação e reforma para sediar a edição dos Jogos Panamericanos de 1975, que acabou não acontecendo no local, o espaço oferece piscinas, quadras poliesportivas cobertas e ao ar livre, estádios e pistas de corrida.

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Figura 10 – Cidade Universitária da USP - Brasil Fonte: USP

2.3 CLASSIFICAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR

No Brasil, instituições de ensino superior podem ser classificadas de acordo com a organização acadêmica brasileira, como as faculdades, centros universitários e universidades. De acordo com os dados do Censo, atualmente Brasil tem 2.391 mil instituições de ensino superior que oferecem mais de 32 mil cursos de graduação, sendo as universidades responsáveis por 70% dos alunos.

Gráfico 1 – Proporção entre diferentes tipologias de instituições superiores Fonte: Censo 2013

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Todas as instituições são credenciadas inicialmente como faculdades, podendo posteriormente solicitar o credenciamento como centro universitário ou universidade. A maioria das instituições de ensino superior no Brasil são faculdades e normalmente elas focam em áreas específicas do conhecimento humano, como ciências exatas, ciências sociais aplicadas, engenharia, entre outras.

A faculdade, normalmente, concentra-se em um número menor de áreas do saber ou até mesmo especializa-se em somente uma área e oferece apenas um curso como o setor da saúde ou da economia, por exemplo. Outra diferença apontada é que a faculdade não possui autonomia para criar novos cursos; desse modo, ela precisa pedir autorização para o Ministério da Educação (MEC). O corpo docente das faculdades precisa ter no mínimo pós-graduação lato sensu, que oferece títulos inferiores ao mestrado e ao doutorado.

Os centros universitários possuem cursos em múltiplos campos do conhecimento e independência para criar cursos de nível superior. Comumente, eles são menores do que as universidades e possuem como menor exigência programas de pós-graduação.

Já as universidades são as instituições com a finalidade de ensino, pesquisa e extensão, esses três itens são obrigatórios. Segundo o MEC as universidades são caracterizadas por produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regional e nacional

Para manter o título de universidade, a instituição obrigatoriamente deve oferecer várias atividades de ensino, de extensão como atividades complementares e de pesquisa científica em diferentes áreas do saber. Além disso, a universidade necessita atender à comunidade e aproximar-se dela (MEC, Decreto nº 5.773/06).

A universidade necessita de um câmpus com mais espaço, para que todas as suas faculdades sejam instaladas e os cursos possam se desenvolver de forma coerente com as necessidades dos estudantes. Algumas instituições oferecem restaurantes, museu e alojamento dentro da cidade universitária.

2.4 ARQUITETURA UNIVERSITÁRIA: PLANEJAMENTO DO CAMPUS E SEU PROGRAMA DE NECESSIDADES

O planejamento dos campi sofreu um grande avanço com a institucionalização da profissão do arquiteto, produto do acréscimo de estudos científicos e técnicos

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aos clássicos tradicionais. Escolas começaram a promover concursos arquitetônicos e aquela que tradicionalmente havia sido uma função do corpo administrativo, foi assumida por especialistas, os quais, além de ocupar-se da arquitetura de edifícios que deveriam abrigar funções sempre mais diversificadas, passaram a decidir sobre aspectos do planejamento do sítio, lançando as bases dos primeiros planos diretores.

O profissional que mais se destacou no planejamento físico dos colleges americanos foi Frederick Law Olmsted, sendo que uma das primeiras oportunidades para colocar em prática suas idéias sobre a organização espacial foi a criação da Universidade da Califórnia (Berkeley), em 1862. Entre suas propostas inovadoras, em uma época na qual se costumava erguer as universidades no ambiente rural, destaca-se a localização do câmpus em uma posição intermediária entre o centro da cidade e o campo aberto, para promover a proximidade com a vida urbana sem, porém cair em suas distrações.

Figura 11 – Localização da Berkeley University em relação a São Francisco Fonte: Berkeley University

Olmsted dedicou boa parte do plano para Berkeley ao ordenamento espacial da vizinhança do college, com a finalidade principal de induzir sua ocupação por residencias “refinadas e elegantes”. Planejou, por exemplo, um traçado hierarquizado de vias públicas apto a ligar os vários pontos de interesse social e paisagístico da região circunstante ao college, e que propiciasse, mediante o desenho dos percursos e o arranjo da vegetação, o conforto, a tranqüilidade e o prazer estético dos moradores. É possível enxergar na preocupação de Olmsted com certo modo de inserção da universidade no espaço da cidade um preanuncio

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daquela que se tornaria uma tendência moderna para reconhecer os câmpus como porção efetiva da cidade, sujeita aos efeitos de seu desenvolvimento e planejamento (DOBER, 1963).

Figura 12 –Universidade de Berkley Fonte: Berkeley University

O plano de Olmsted para Berkeley distingue-se também pela importância atribuída aos elementos da paisagem (clima, relevo, vegetação, etc.) como forças condicionantes para o seu desenho. O relatório cativa pelo conteúdo poético das descrições da geografia local, e revela a prática de leitura e interpretação das feições e dos fenômenos naturais que fizeram de Olmsted uma referência no campo da arquitetura da paisagem e do planejamento de câmpus. Olmsted vislumbrou em um desenho mais “solto”, que imita um parque, a possibilidade para acomodar mais eficientemente futuras construções. No entanto, quando de fato as instituições sofreram uma expansão, devida, sobretudo, à hibridização do modelo colegiado com o sistema alemão de educação superior, e à conseqüente diversificação dos cursos oferecidos, impôs-se um estilo caracterizado, ao contrário, pela formalidade, ou seja, pela simetria, a axialidade, os pontos focais e uma clareza geométrica . (TURNER, 1995,p. 167).

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Figura 13 – Mapa da Universidade de Berkley Fonte: Berkeley University

As teorias de planejamento de câmpus que se desenvolveram nessa época utilzaram o plano diretor como instrumento para criar uma unidade, ou seja, para promover a harmonia visual de elementos heterogêneos. Porém após a Segunda Guerra, tal propósito revelou –se ineficaz diante do crescimento da comunidade acadêmica, que muitas universidades adquiriram o estatuto de cidades não só por sua escala e complexidade, mas também por vivenciar os mesmo problemas (aumento da densidade populacional, conflitos entre diferentes demandas e usos do solo, congestionamento das vias de trânsito...) cujo equacionamento passou a demandar novas abordagens de planejamento, não mais limitadas a argumentos formais e estéticos.

Já no final do século XX, a nova matriz de planejamento urbano passa a apresentar um caráter marcadamente empresarial, sob a ótica da eficácia, da eficiência, da mercadoria e do consumo. Deste modo, a cidade é assumidamente um cenário para as ações de marketing, como o caso de Barcelona com a Olimpíada de 92, e deve competir para atrair investidores. Sob o modelo das privatizações e da lógica de mercado, a educação superior sofre imensas transformações neste período: ao invés de reflexão e formação crítica, o ensino superior deve atender à demanda pela formação qualificada ao mercado de trabalho. Inúmeros são os casos de edifícios comerciais adaptados às novas funções de ensino. Asseptizados e despersonalizados.

Esta forma de se planejar vem totalmente em descordancia com o que prega Sachs em seu livro Espaços, tempos, estratégias de desenvolvimento.

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A arquitetura é a arte de organizar espaços, e urbanismo a arte de bem relacioná-los. Planejar é manipular o espaço para facilitar as relações sociais. Um plano diretor, indicativo ou regulador de um campus universitário, não é uma invenção de arquitetos ou quaisquer especialistas. Hoje, os planos são integrados - isto é, devem resultar do exame de problemas sócio-econômicos, administrativos, docentes, físicos e outros. Exigem o pensamento simultâneo.“

(SACHS,

1986:193)

O planejamento espacial universitário, dentro do planejamento construtivo, deve considerar critérios relevantes do planejamento de desenvolvimento universitário e do planejamento de desenvolvimento urbano. A distribuição das instalações universitárias e seu equipamento de infra-estrutura, deve garantir um rendimento ótimo do funcionamento da universidade e um abastecimento adequado à população universitária. Considerando:

a) Relação espacial entre unidades organizacionais de estudo; b) Relação entre instalações universitárias e de serviços científicos; c) Acesso local e regional fácil às instalações universitárias;

d) Abastecimento de serviços adequado para a população universitária; e) Quantidade adequada de habitações para a população universitária; f) Relação entre espaços de lazer;

g) Acesso fácil às instalações centrais da cidade.

-Características como forma, cor, ou disposição de mobiliário criam imagens mentais do ambiente. Ambientes específicos podem ser avaliados quanto às diferentes interpretações das mensagens transmitidas (Sanoff, 2001).:

a) A universidade é um ambiente funcional. Um bom design significa que o espaço é organizado de forma eficiente e flexível e facilita a adaptação a diferentes usos, grupos de usuários, e mudanças de circunstâncias (Sanoff, 2001).

b) O projeto da universidade deve levar em conta as necessidades de pessoas com deficiências físicas, e permitir uma variedade de condições de som e

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iluminação. Devendo ser considerados em relação à necessidade de diferentes tipos de ambientes sociais (Sanoff, 2001).

c) A universidade é um ambiente de aprendizagem. Espaços devem ser criados para favorecer as condições sociais e psicológicas em que a aprendizagem é mais provável que seja bem sucedida (Sanoff, 2001).

d) A universidade é parte do seu ambiente mais amplo. Um projeto bem sucedido reforçará a história e as tradições da escola como uma instituição, utilizar e criar uma harmonia com a ecologia local e complementam o ambiente físico circundante (Sanoff, 2001).

2 ESTUDOS DE CASO

Neste capítulo, serão apresentados exemplos de complexos universitários que são modelos, principalmente, de programa de necessidades e infraestrutura. Com o objetivo de analisar plantas que supram as necessidades dos estudantes, considerando-se dimensionamento e setorização dos ambientes, foram escolhidos campi que se destacam tanto por sua funcionalidade quanto por sua plástica.

3.1 Plano diretor do campus norte da Universidade BGU (BGU University North Campus Master Plan) - Chyutin Architects

O escritório de arquitetura Chyutin Architects ganhou o concurso para planejar o novo campus da Universidade Ben Gurion, em Israel. Pensado para um terreno de 30 hectares em Beer Sheva, o campus de 300.000 metros quadrados irá dobrar as instalações existentes da universidade, os quais serão conectados. Depois de concluído, o novo campus irá incluir uma praça pública de boas-vindas com instalações comerciais e culturais, bem como residência estudantil, um centro de convenções, instalações acadêmicas e de pesquisa, instalações esportivas e muito mais (ARCHDAILY, 2013).

A localização do novo campus é muito próxima do antigo, facilitando a integração entre os dois espaços, assemelhando-se muito com a proposta que será apresentada nesta pesquisa.

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Figura 14– Imagem aérea mostrando a localização do antigo e do novo campus Fonte: Archdaily, 2013

A Imagem 14 mostra que o campus existente e o novo campus tem localização bem próxima e são divididos apenas por uma avenida. Garantido fácil locomoção dos estudantes e até possível conexão subterrânea ou por passarela aérea.

Figura 15– Perspectivas do novo campus Fonte: Archdaily, 2013

CAMPUS EXISTENTE

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Na imagem 15 é possível entender como funcionaria a área de lazer e conexão entre os blocos do novo campus, que com patamares seria criado um espaço de permanência dos alunos.

Figura 16– Perspectiva da praça conectora Fonte: Archdaily, 2013

Figura 17 – Perspectiva da praça conectora Fonte: World Landscape, 2011

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Figura 18 – Setorização do plano diretor do novo campus Fonte: Archdaily, 2013

A setorização da nova área ilustra a localização do setor acadêmico, setor de lazer, pesquisa e até a praça de entrada.

Esta praça (área em azul) será conectada até uma praça que faz parte da cidade, fora dos limites da universidade, conectando-se também com portão de entrada da universidade. Uma vez que a praça destina-se a facilitar o convívio dos estudantes, a solução foi limitar a vegetação. Além disso, já que a praça é o elemento conector de todos os edifícios, definindo o espaço urbano à sua volta e conectando-os fisicamente e visualmente, o seu design em elementos de concreto reforça e acentua o que eles têm em comum (WORLD LANDSCAPE, 2011).

A praça é concebida como um tapete de tiras integradas de concreto e de vegetação, com um número de árvores e bancos de concreto em seu centro. A

PARQUE E ESPORTES

PRAÇA DE ENTRADA CENTRO DE PESQUISA

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vegetação das tiras será composta de grama e plantas sazonais que serão mudadas três vezes por ano (WORLD LANDSCAPE, 2011).

3.2 Plano diretor do campus da Smithsonian Sul em Washington DC – Escritório BIG

Com o objetivo de unir o terreno através da dissolução de entraves e caminhos descontínuos que pontuam a área, os planos do escritório BIG expandem os espaços de visitantes, educação e galerias.

Figura 19 – Perspectiva da praça do plano diretor do novo campus Fonte: Archdaily, 2014

Figura 20 – Perspectiva da praça do plano diretor do novo campus Fonte: Archdaily, 2014

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O grande plano funciona como praça central de lazer e conectora dos edifícios, porém em seu subsolo proporciona galerias, museu e restaurante sem perder o contato com o exterior e com a luz solar.

Figura 21 – implantação da praça e esquema do plano diretor do novo campus Fonte: Archdaily, 2014

Esta implantação no subsolo do terreno pode ser interessante para a UTFPR Ecoville, já que também apresenta a característica de já haver edifícios existentes que não seriam destruídos e ser uma boa forma de usar o espaço sem interferir nos projetos existentes dos terrenos. Esta solução tem sido buscada também em projetos brasileiros atuais de campus universitários, como exemplo o escritório do arquiteto Manoel Coelho, em Curitiba.

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3.3 Plano diretor do campus da Universidade Positivo, Curitiba-PR – Escritório Manoel Coelho

A concepção geral do projeto era harmonizar as várias construções projetadas com a vegetação existente do local. A ocupação do terreno foi marcada pela definição de um anel viário periférico e com dois eixos ortogonais de circulação de pedestres, nos sentidos norte-sul e leste-oeste.

Figura 22 – Foto aérea do campus da Universidade Positivo, Curitiba Fonte: Manoel Coelho Arquitetura, 2015

Os eixos organizam os setores didático, esportivo, cívico e de convivência, que reunem biblioteca central, teatro, centro de convenções, pista de atletismo, campo de futebol, piscina, ginásio de esportes, quadras poliesportivas e praças de alimentação.

Figura 23 – Setorização do campus da Universidade Positivo, Curitiba Fonte: Manoel Coelho Arquitetura, 2015

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Figura 24 – Setorização do campus da Universidade Positivo, Curitiba Fonte: Autoria própria com base em Manoel Coelho Arquitetura, 2015

Os acessos aos estacionamentos foram projetados de maneira a não cruzar com a circulação de pedestres. Essa conformação permitiu que, apesar da grande área do campus, as distâncias possam ser vencidas em pouco tempo, de maneira agradável e confortável.

O campus é dividido por grandes setores que compoe a universidade. Cada um deles possui um pragrama de necessidades específico e área para atender a demanda de alunos, são elas:

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b) Setor didático (salas de aula e laboratórios) – 90000m²

c) Setor de convivência (praças, restaurantes e serviços) – 10000m² d) Estacionamento – 92000m²

e) Setor cívico (auditório e centro de convenções) – 30000m²

3.4 Projeto do centro esportivo da Universidade de Auburn, Austrália

A Auburn University, na Austrália, tem um projeto inovador para seu centro de esportes e recreação, é proposto que dentro de um único edifício sejam integrados de forma harmonizada todas as áreas do esporte e lazer da universidade, desde parede de escalada até as quadras de volei de areia.

Figura 25 – Perspectiva do centro esportivo da Universidade de Auburn, Austrália Fonte: Auburn University

A ideia é integrar os estudantes e transformar a prática do esporte em recreação dentro da universidade. Podendo ser usadas nas aulas mas também no tempo livre dos estudantes.

Uma pista de cooper interna percorre todo o prédio e permite que seja criada um extenso percurso, de onde é possível visualizar todos os espaços do complexo.

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Figura 26 – Planta do centro esportivo da Universidade de Auburn, Austrália Fonte: Auburn University

Figura 27 – Fotos internas do centro esportivo da Universidade de Auburn, Austrália Fonte: Auburn University

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3.5 Biblioteca da University Of East London, Inglaterra

A University Of East London está localizada no Leste Londres, porção da cidade anteriormente ocupada por docas. Hoje o rio foi revitalizado nesta região e toda a Universidade beira o parque linear criado nas margens do Rio. Esta condição parece favorável a instalação de uma universidade, por ser um lugar calmo e tranquilo porém o desafio está na margem oposta ao rio, onde se encontra o City Airport, um dos aeroportos da cidade de Londres. Por isso, todas as instalações possuem vidros e paredes duplas com materiais isolantes de frio e principalmente ruídos.

A biblioteca é toda envidraçada com vista para o rio, porém a inclinação desta pele de vidro evita a entrada direta de luz. Os livros ficam em sua maioria no mezanino, mais resguardados e longe da incidência de luz, já o salão de estudos se localiza no térreo.

Figura 28 – Fotos internas da biblioteca da University Of East London, Inglaterra Fonte: UEL

Figura 29 – Fotos internas da biblioteca da University Of East London, Inglaterra Fonte: UEL

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Figura 30– Fotos internas da biblioteca da University Of East London, Inglaterra Fonte: UEL

Figura 31 – Fotos internas da biblioteca da University Of East London, Inglaterra Fonte: UEL

4 INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE

A área de estudo desta pesquisa está localizada em Curitiba, um município brasileiro capital do estado do Paraná. Curitiba tem altos índices de educação, o menor índice de analfabetismo e a melhor qualidade na educação básica entre as capitais brasileiras. O Índice Mastercard de Mercados Emergentes 2008, criado com a intenção de avaliar e comparar o desempenho das cidades em diferentes funções que interligam os mercados e o comércio no mundo inteiro, indicou a cidade na 49ª colocação entre as cidades com maior influência global.

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A área de estudo mais aprofundado é na região oeste/ sudoeste da cidade, nos bairros Cidade Industrial de Curitiba – CIC e Campo Comprido, conforme mapa abaixo:

Figura 32 - Mapa de bairros da cidade de ênfase no CIC e Campo Comprido Fonte: Autoria própria com base em IPPUC, 2013

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4.1 BAIRRO DE CURITIBA - CIDADE INDUSTRIAL

A ocupação inicial da região onde hoje está localizado o bairro Cidade Industrial de Curitiba retrata a localidade denominada Prado de São Sebastião. A primeira concentração populacional ocorreu em 1966 com a inauguração da Vila Nossa Senhora da Luz, a população estava isolada, distante da malha urbana e o único transporte automatizado era o trem que partia da antiga estação do Barigui. Os primeiros planos de desenvolvimento para a região estavam voltados à implantação de indústrias, sendo na gestão do então prefeito Ivo Arzua que ficou decidido que o Prado de São Sebastião seria o lugar ideal para abrigar o Distrito Industrial do Barigui e o primeiro decreto com o limite da área foi formalizado. Porém a efetiva definição da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) resultou do Plano Diretor de Curitiba aprovado apenas em 1966, que através de um enfoque abrangente, projetou cinco eixos conectores, interligando a CIC com a malha urbana consolidada na área central da cidade (IPPUC, 2013).

O objetivo da CIC era de se criar uma área industrial inserida na cidade, com fácil acesso da população. Com a implantação a cidade passou por importante transformação econômica e social, resultante do processo industrial (IPPUC, 2013).

4.2 BAIRRO DE CURITIBA - CAMPO COMPRIDO

A região do Campo Comprido era compreendia pelas terras de ocupação do povoador Baltazar Carrasco dos Reis, da época de 1660. Já em 1854, o Campo Comprido constituía-se como um dos 27 Quarteirões da Cidade de Curitiba, representando a menor unidade administrativa da época provincial, sendo constituído por um conjunto pequeno de casas. (IPPUC, 2013).

Foi apenas a partir da década de 1870 que ocorreu uma ocupação expressiva de núcleos coloniais poloneses, que posteriormente vieram a dar origem ao Distrito Municipal de Nova Polônia. Também nesta época, chegaram em Campo Comprido os colonos italianos que se fixaram às margens da velha Estrada do Mato Grosso (atual Rua Eduardo Sprada).

Em 1938 foi criado o Distrito de Campo Comprido que, juntamente com o Distrito de Ferraria em Campo Largo, ocuparam o território do extinto Distrito de Nova Polônia (IPPUC, 2013).

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4.3 HISTÓRIA DA ÁREA DE ESTUDO

A área de estudo desta pesquisa está localizada no entorno da “Conectora 5”, eixo estrutural executado no início da década de 1980, que por sua vez foi planejado na década de 1970, como parte do projeto da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Entende-se por eixo estrutural ou setores estruturais as faixas do zoneamento, onde é permitida a verticalização e que acompanham eixos viários no sentido norte, oeste e leste-sudoeste. Eles foram criados nos anos de 1960 (Lei n.º2.828/66) e sua implantação, que envolveu a execução de uma série de obras (sistema viário e transporte coletivo), foi realizada nos anos de 1970 e 1980. Ao analisar a verticalização dos setores estruturais, conclui-se que ainda que a legislação urbanística sempre tenha tratado os setores estruturais da mesma maneira – com o mesmo sistema de transporte, sistema viário e parâmetros de uso e ocupação do solo – a ocupação não foi uniforme ao longo deles (POLUCHA, 2010).

O eixo viário em questão foi elaborado na década de 1970, e previa a transformação de uma área praticamente desabitada em uma nova frente de expansão urbana. No início da década de 1980 essa obra foi concluída, porém sua ocupação só teve início na década de1990 (POLUCHA, 2010).

A partir do início da exploração imobiliária a área da Conectora 5 recebeu o nome de Ecoville e sua ocupação foi totalmente direcionada para as camadas de alta renda, tornando-se uma das regiões mais nobres de Curitiba, esta porção da cidade tinha como proposta uma ocupação do espaço que integrasse as indústrias ao núcleo urbano existente, interligando toda essa área por meio das Vias Conectoras e executando áreas residenciais destinadas à habitação social. Essa proposta garantiria acessibilidade e moradia para mão de- obra atraída pela industrialização. A princípio, de acordo com o que havia sido originalmente planejado, não deveriam haver significativos diferenciais de acessibilidade, pois toda área oeste teria fácil acesso ao núcleo urbano consolidado através das Vias Conectoras. Entretanto, já se podia antever que a Conectora 5 teria uma melhor acessibilidade. “Além de estar localizada mais próxima da área central da cidade que as demais Vias Conectoras, ela seria o prolongamento do eixo estrutural oeste. Não era difícil, portanto, prever que a Conectora 5 teria uma valorização maior” (POLUCHA, 2010).

Se, por um lado, houve essa ocupação de classes mais abastadas na região dos bairros Mossunguê e Campo Comprido, a ocupação da continuação da Conectora 5, já na porção norte do bairro CIC, não aconteceu da mesma forma.

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Justamente pelo caráter de ainda possuir muitos vazios urbanos, o CIC recebeu a implantação de grandes campi universitários – Universidade Positivo, em 2000, e Universidade Tecnológica Federal do Paraná, em 2011.

Apesar de ser claro o aumento no número das edificações de alto padrão, não houve crescimento proporcional na oferta de comércios e serviços no eixo estrutural, o que torna a região deficiente neste quesito. Além disso, os grandes muros dos condomínios de luxo causam a sensação de insegurança e medo para os pedestres.

Fazendo uma análise sobre os principais campus universitários da cidade de Curitiba e suas localizações, é fácil perceber que estão localizados na faixa Leste-Oeste da cidade, sendo que 3 deles estão na porção Leste-Oeste, UTFPR Ecoville, Universidade Positivo e Tuiuti.Conforme mostram imagens a seguir:

Figura 33 - Foto aérea com a localização dos campos universitários em Curitiba Fonte: Autoria própria com base em IPPUC, 2013

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5. PROPOSTA DE TERRENO

Muito próximas uma da outra, a Universidade Positivo e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná sede Ecoville estão a 1,4km e 800m do Terminal Rodoviário Campo Comprido, respectivamente. O que facilita a locomoção por transporte público, apesar de estarem localizadas em um bairro afastado do centro da cidade. Para o uso de veículos particulares o uso também é muito facilitado.

Analisando imagens aéreas, é possível observar a existência de diversos terrenos ainda vazios no entorno das universidades UTFPR e UP, devido a ser um bairro novo ainda sob grande especulação imobiliária.

Figura 34- Foto aérea com a localização dos terrenos vazios no entorno das

universidades, localização das vias de maior importância na região e localização dos serviços de bairro próximos

Fonte: Autoria própria com base em Google Maps, 2015

A partir do levantamento dessas áreas em desuso, chegou-se a algumas opções possiveis de terreno para a elaboração de uma extensão para o complexo universitário UTFPR Ecoville. Espaço que deverá atender a demanda de estudantes que aumenta a cada ano nesta sede devido à transferência de alguns cursos que

Referências

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