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ICMS ecológico: análise da gestão do recurso

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Academic year: 2021

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HANIEL FERNANDO AYOUB CASALVARA

ICMS ECOLÓGICO: ANÁLISE DA GESTÃO DO RECURSO

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ICMS ECOLÓGICO: ANÁLISE DA GESTÃO DO RECURSO

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Ambiental do Curso de Engenharia Ambiental da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Campo Mourão.

Orientadora: Prof. Marcia Aparecida de Oliveira Coorientadora: Ana Paula Mansano

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TERMO DE APROVAÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO INTITULADO

ICMS ECOLÓGICO: ANÁLISE DA GESTÃO DO RECURSO

DO DISCENTE

HANIEL FERNANDO AYOUB CASALVARA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no dia 27 de novembro de 2019 ao Curso Superior de Engenharia Ambiental da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Campo Mourão. O discente foi arguido pela Comissão Examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a comissão considerou o trabalho aprovado.

________________________________________ Profa. Dra. Maristela Denise Moresco Mezzomo

Universidade Tecnológica Federal do Paraná

________________________________________ Prof. Dr. Marcelo Galeazzi Caxambu Universidade Tecnológica Federal do Paraná

________________________________________ Profa. Ana Paula Mansano Baptista

Centro Universitário Integrado

________________________________________ Profa. Dra. Marcia Aparecida de Oliveira Universidade Tecnológica Federal do Paraná

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DEDICATÓRIA

Primeiramente uma dedicação especial a Deus, companhia a todos os momentos, um grande conselheiro e ouvinte, durante toda minha vida.

Não menos importante, dedico esse trabalho especialmente aos meus pais, que sempre me apoiaram de todas as formas, um amor incondicional, sem o qual não teria as oportunidades e conquistas que tenho até hoje, estendendo o mesmo também as minhas irmãs, melhor amigas e pacientes.

Aos meus amigos, aqueles que de muitas formas contribuíram de forma especial, emocionalmente principalmente, o incentivo é um dos melhores combustíveis, ao apoio dado durante toda graduação

Aos meus professores, por toda mansidão e expertise, pessoas dotadas de um excelente dom que é lecionar, toda saberia e conhecimento que tenho é fruto da presteza e dedicação de vocês.

AGRADECIMENTOS

Agradeço imensamente a aqueles que de alguma forma contribuíram para elaboração do trabalho, especialmente aos Secretários do Meio Ambiente que faziam parte do escopo dessa pesquisa, a disponibilidade do IAP e do Ministério Público, todos contribuíram imensamente para que se fosse alcançado um resultado contundente aqui. Fica minha gratidão.

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RESUMO

O presente trabalho teve por objetivo analisar a gestão ambiental municipal e seus efeitos sob os valores recebidos de ICMS Ecológico, recurso que é repartido entre os municípios do Estado do Paraná que integram mananciais de abastecimento ou unidades de conservação (UCs) em seu território, destacando-se apenas os que contém UCs. Realizou-se o levantamento do aparato legal que regulamenta a operacionalização do recurso, definiu-se a área de estudo, sendo selecionados 12 (doze) municípios compreendidos na área de abrangência do escritório regional de Campo Mourão do IAP. Avaliou-se então, a forma de definição dos valores que são destinados aos municípios, identificando seu memorial de cálculo, onde, os fatores básicos dos cálculos são a área do município, a área da UC, um fator de conservação que é atribuído segundo a categoria de manejo e o âmbito da gestão, e também a qualidade ambiental da UC e, são os critérios qualitativos, entendidos aqui como a qualidade ambiental da UC, que podem produzir resultados positivos nos cálculos sendo capazes de maximizar os valores financeiros. Para identificar a existência de reflexos da gestão ambiental municipal nos valores adquiridos do ICMS Ecológico, aplicaram-se questionários aos municípios que foram selecionados, ao IAP e Ministério Público. Com as respostas alcançou-se que, apesar dos municípios realizarem investimentos nas áreas, fato que ensejaria aumento no escore de qualidade ambiental, não houveram reflexos nas avaliações de qualidade ambiental realizadas pelo IAP. Isso em razão da ausência ou obsolescência das tábuas de avaliação, que não revelam a realidade da qualidade ambiental nas áreas, matéria que vem sendo discutida no IAP, que atualmente está a desenvolver uma nova metodologia de avaliação. Evidenciou-se também que as ações a longo prazo, como por exemplo a elaboração do plano de manejo das UCs, são desinteressantes para a administração municipais, que por demandarem custos altos e ações a longo prazo, tendem a não receber a devida atenção, inclusive, sendo um fator limitante para os municípios que não possuem unidades de conservação. Das respostas recebidas pode-se perceber que o ICMS Ecológico tem fornecido recursos importantes para as prefeituras, sendo esse responsável por investimento na área ambiental, especialmente no que diz respeito a resíduos sólidos, saneamento e educação ambiental, além de, fornecer recursos para a área da educação e saúde.

Palavras-chave: Unidade de Conservação; ICMS Ecológico; Gestão Ambiental Municipal;

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ... 8 2 OBJETIVOS ... 10 2.1 Objetivo geral ... 10 2.2 Objetivos específicos ... 10 3 JUSTIFICATIVA ... 10 4 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 12

3.1 Do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. ... 12

3.2 Da conservação in situ e a importância das unidades de conservação para biodiversidade .... 18

3.3 ICMS Ecológico ... 20

3.4 Gestão Ambiental Municipal ... 28

5 METODOLOGIA ... 31

5.1 Área de Estudo... 31

5.2 Indicadores do fator ambiental ... 32

5.3 Análise da percepção do ICMS Ecológico ... 34

6 RESULTADOS E DISCUSSÃO... 35

6.1 Dos Municípios Estudados ... 35

6.2 A Percepção e Atuação dos Gestores Ambientais Municipais ... 42

6.2.1 Dos Municípios que não integram Unidades de Conservação em seus territórios ... 42

6.2.2 Dos Municípios que integram Unidades de Conservação em seu território... 45

6.3 Da opinião do Instituto Ambiental do Paraná ... 50

6.4 Da opinião do Ministério Público ... 53

7 CONCLUSÃO ... 55 REFERÊNCIAS ... APÊNDICE A- Questionário aplicado para os Municípios que não contém UCs cadastradas dentro de seus territórios... APÊNDICE B- Questionário aplicado para os Municípios que contém UCs dentro de seus

territórios. ... APÊNCIDE C- Questionário aplicado para responsáveis pela coordenação e organização do ICMS Ecológico. ...

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ANEXO 1- Valores indexados para análise qualitativa das UCs de acordo com o anexo III da Portaria n.º 263/1998/IAP ... ANEXO 2- Lista das UCs cadastradas dentro do território do Município de Barbosa Ferraz Pr nos anos de 2017 e 2018. ... ANEXO 3- Lista das UCs cadastradas dentro do território do Município de Campo Mourão-Pr nos anos de 2017 e 2018. ... ANEXO 4- Lista das UCs cadastradas dentro do território do Município de Engenheiro Beltrão-Pr nos anos de 2017 e 2018. ... ANEXO 5- Lista das UCs cadastradas dentro do território do Município de Fênix-Pr nos anos de 2017 e 2018. ... ANEXO 6- Lista das UCs cadastradas dentro do território do Município de Iretama-Pr no ano de 2018. ... ANEXO 7- Lista das UCs cadastradas dentro do território do Município de Luiziana-Pr nos anos de 2017 e 2018. ... ANEXO 8- Lista das UCs cadastradas dentro do território do Município de Mamborê-Pr no ano de 2018. ... ANEXO 9- Lista das UCs cadastradas dentro do território do Município de Nova Cantú-Pr no ano de 2018. ... ANEXO 10- Lista das UCs cadastradas dentro do território do Município de Peabiru-Pr nos anos de 2017 e 2018. ...

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1 INTRODUÇÃO

A expansão populacional e o modelo econômico de crescimento contínuo são os principais geradores de pressão da humanidade sobre os recursos naturais, isso faz com que as questões ambientais repercutam em grande parte da comunidade, inclusive internacional, suscitando posições importantes pertinentes à imprevisibilidade que circula os impactos causados pelo ser-humano (FERREIRA, 2015).

A necessidade humana não pode ser mensurada, nesse sentido Matheus Linck Bassani (2012) explana que:

Não é possível estabelecer ou antever um limite para as necessidades humanas, como a procura por novos bens e serviços, podendo elas serem multiplicadas ao infinito. Por outro lado, os recursos com que conta a humanidade são finitos e severamente limitados (BASSANI, 2012).

Diante dessa expansão hão de aparecer políticas ambientais, pautadas em preservar e conservar o meio ambiente. Tais políticas se mostram difusas e segmentadas em diferentes momentos sociais e históricos, donde, muitas vezes, são reflexos de interesses divergentes, tomando características do momento e razão em que foram criadas (RODRIGUES, 2014).

A Constituição Federal de 1988, ao consagrar o Meio Ambiente Ecologicamente Equilibrado como garantia de todo cidadão, atribui tal responsabilidade não só à coletividade, mas também ao Poder Público, onde, conforme o seu art. 225, entende-se:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.

O Poder Público, como principal responsável pela proteção ambiental no Brasil, por meio de suas diferentes esferas, tem de intervir de modo a evitar que determinados interesses de atores sociais individuais, superem os direitos da coletividade.

Cabe ao Estado desenvolver ações ambientais e criar mecanismos como medida incentivadora de ações que visem trazer qualidade ambiental, como é o caso do incentivo denominado Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação Ecológico -ICMS Ecológico (FERREIRA, 2015).

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Trata-se de um instrumento com o intuito de incentivar a manutenção das Unidades de Conservação (UCs) e criar estimulo para implantação de novas áreas, constituindo então um inovador e pouco estudado sistema de conservação (SAUQUET, 2014), o ICMS Ecológico.

Neste estudo será analisado exclusivamente influência da gestão ambiental na valoração dos tributos destinados aos municípios que integram as áreas de UCs. Nesse sentido, é importante salientar o conceito de “fator ambiental”, que é aqui entendido como o percentual que é recebido pelos municípios, buscando compensação financeira por incluírem essas áreas.

Dado ainda que, para que se alcance o fator ambiental, são levados em contas variáveis quantitativas e qualitativas, o objetivo deste estudo é avaliar o quanto a gestão ambiental municipal pode trazer resultados positivos para as variáveis qualitativas das avaliação das UCS, incorporando seu aumento e maximizando o valor arrecadado, influenciando a representatividade do fator ambiental adquirido pelos municípios do Instituto Ambiental do Paraná - Escritório Regional de Campo Mourão (Regional IAP-ERCMO) quando comparado aos demais valores recebidos pelo ICMS.

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2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

Avaliar a gestão ambiental municipal e sua influência sobre o ICMS Ecológico, sobretudo, se é capaz de promover o incremento desses valores quando resulta em maior qualidade ambiental para as UCs do território municipal.

2.2 Objetivos específicos

 Revisar os aspectos legislativos que tratam do ICMS Ecológico;

 Promover a seleção dos municípios através de análise dos resultados anteriores;

 Analisar os fatores de determinação do ICMS Ecológico que é destinado para os municípios do Regional IAP-ERCMO, demarcando sua representatividade frente aos demais valores adquiridos do ICMS;

 Elaborar, organizar e aplicar questionários para que se alcance a perspectiva dos municípios, IAP e Ministério Público sobre o ICMS Ecológico;

 Avaliar a percepção e atuação dos gestores ambientais municipais, órgão ambiental e Ministério Público em relação ao ICMS Ecológico.

3 JUSTIFICATIVA

Diante do aumento da implantação das áreas de unidades de conservação, observando: a) os critérios referentes à distribuição do ICMS Ecológico; b) a avaliação da qualidade ambiental; c) a proporção que é investida dessa arrecadação na própria unidade de conservação e demais atividades da gestão ambiental dos municípios. Busca-se identificar os reais benefícios trazidos pelos recursos adquiridos do ICMS Ecológico e de que forma esses repercutem nos municípios do Regional IAP-ERCMO.

Justifica-se a pesquisa de modo que tais previsões apareçam na legislação e procura-se através desse trabalho analisar tal operacionalização do recurso, tanto por parte das prefeituras, quanto por parte do IAP.

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4 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 Do Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

A instituição das UCs é positivada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), Lei Federal 9.985 de 2000, parcialmente regulamentado pelo decreto n° 4.340 de 2002.

Surge principalmente em virtude da inexistência de uma real política de conservação da natureza no Brasil que efetivamente seja capaz de integrar a expansão do sistema de Unidades de Conservação com o manejo e a administração dessas áreas (MILANO, 1985).

É reconhecida a importância da biodiversidade para toda a humanidade. Preservar e conservar os recursos, são a solução para que se conscientize a população da importância das UCs, o que é claramente um dos pontos mais críticos, haja vista a complexidade da conservação da biodiversidade em si, é difícil prever a dinâmica desses seletos grupos que compreende tais áreas (BEKERS, 2007).

Segundo o SNUC as UCs são uma delimitação do espaço protegido que só pode ser alterado ou suprimido por meio de lei, sendo expressamente proibida qualquer utilização dos recursos que comprometam os atributos que dão razão a sua proteção.

Logo de início no art. 2° o SNUC aponta importantes conceitos aplicados a todo o corpo do dispositivo, como forma de instrução a fim de orientar qualquer um que tenha acesso a este documento, permitindo que se padronize a interpretação da norma, dentro do todo se destaca aqui como exemplo o inciso I:

Unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção(SNUC, 2002). Desse conceito de unidade de conservação, é conveniente mencionar o trecho que diz

“legalmente instituído pelo Poder Público”, já o complementando com o art. 22 da mesma lei

que dispõe quanto a criação das UCS que aponta “As unidades de conservação são criadas por

ato do Poder Público”, portanto a prerrogativa não diz respeito apenas ao Poder Legislativo, mas

tal atribuição também convém ao Poder Executivo e excepcionalmente ao Judiciário, sendo então permitida sua implantação inclusive mediante decreto executivo.

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A recepção da lei põe fim a grandes discussões que giravam em torno da transparência e integração das UCs com a população (SCHENINI, 2004), também no art. 22, § 2°, a lei prevê como requerimento para a criação das UCs, estudos técnicos sobre a área e uma consulta pública para levar a conhecimento das populações locais e interessados o procedimento que ali será tomado. Isenta-se desse tipo de processo apenas as Estações Ecológicas e as Reservas Biológicas sobre as quais não é obrigatório a referida consulta.

Os objetivos do SNUC são estabelecidos no art. 4° disposto na mesma lei, a considerar:

I - contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais;

II - proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional;

III - contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas naturais;

IV - promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais;

V - promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no processo de desenvolvimento;

VI - proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica;

VII - proteger as características relevantes de natureza geológica, geomorfológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural;

VIII - proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos; IX - recuperar ou restaurar ecossistemas degradados;

X - proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica, estudos e monitoramento ambiental;

XI - valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica;

XII - favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico;

XIII - proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e promovendo-as social e economicamente.

Na sequencia o artigo 5, trata das diretrizes gerais do SNUC, em treze incisos, que asseguram a participação das comunidades envolvidas no processo de implantação e gestão de UC's; apoio e cooperação de ONG's, organizações privadas e pessoas físicas no desenvolvimento de estudos e pesquisas, educação ambiental, atividades de lazer, turismo ecológico, entre outras atividades de gestão das UC's; incentivam as populações locais e populações tradicionais, além de organizações privadas a administrarem UC's, flexibilizando sua gestão financeira; asseguram o processo de criação de UC's integrando programas de gestão de terras e águas circundantes.

O Capítulo III do SNUC prevê as Categorias de Unidades de Conservação, que são divididas em dois grupos de acordo com o artigo 7°, as Unidades de Proteção Integral, cujo objetivo básico é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos

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naturais e também Unidades de Uso Sustentável, cujo objetivo básico é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais (Figura 1).

Figura 1: Representação das UCs em cada categoria de manejo, conforme previsão do SNUC.

Fonte: SNUC (2002), organizado pelo autor.

De acordo com cada categoria prevista no SNUC, tem-se as características definidas, conforme é demonstrado pelas Tabelas 1 e 2.

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QUADRO 1. Características das categorias de Unidades de Conservação de Proteção Integral

Categoria Sigla Características

Estação

Ecológica ESEC

Destinadas a preservação da natureza, realização de pesquisas científicas e é permitido a visita apenas em caráter educacional.

Reserva

Biológica REBIO

Área destinada a preservação da biodiversidade biológica na qual a única interferência permitida é para o manejo, as visitas são permitidas apenas com caráter educacional.

Parque

Nacional PARNA

Área destinada a preservação dos ecossistemas naturais e belezas cênicas, permite grande integração com a população por meio de atividades recreativas e educativas.

Monumento

Nacional MN

Área dedicada a preservação de grande belezas cênicas, raras, permite a visitação.

Refúgio da

Vida Silvestre REVIS

Área com o objetivo de assegurar condições para a existência ou reprodução de espécies, permite atividades de visitação e a existência de áreas de particulares

Fonte: SNUC (2002), organizado pelo autor.

QUADRO 2. Características das categorias de Unidades de Conservação de Uso Sustentável.

Categoria Sigla Características

Área de

Proteção Ambiental

APA

Área que contem importantes atributos naturais, culturais e importantes para qualidade de vida, geralmente são áreas extensas com áreas publicas e privadas afim de ordenar o processo de crescimento humano

Floresta

Nacional FLONA

Área com predominância de espécies nativas, visando o uso sustentável, a diversidade dos recursos naturais e pesquisas científicas, sendo permitida a permanência de populações tradicionais que a integravam antes da sua criação

Reserva

Extrativista RESEX

Área natural utilizada por populações extrativistas que exercem suas atividades baseadas nessa atividade bem como criação de animais de pequeno porte, agricultura familiar, assegurando o uso sustentável dos recursos naturais nela existentes.

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Categoria Sigla Características

Reserva da

Fauna REFAU

Área natural com populações animais de espécies nativas, terrestres ou aquáticas; adequadas para estudos técnico-científicos sobre o manejo econômico sustentável de recursos faunísticos.

Reserva de

desenvolvimen to sustentável

RDS

Área natural onde vivem populações tradicionais que se baseiam em sistemas sustentáveis de exploração de recursos naturais desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais. Permite visitação pública e pesquisa científica.

Reserva

Particular do Patrimônio Natural

RPPN

Área privada com o objetivo de conservar a diversidade biológica, permitida a pesquisa científica e a visitação turística, recreativa e educacional. É criada por iniciativa do proprietário, que pode ser apoiado por órgãos integrantes do SNUC na gestão da UC.

Fonte: SNUC (2002), dados organizados pelo autor.

Como pode se observar de acordo com as Tabelas 1 e 2, a diferença básica entre as categorias de unidades de conservação está no que diz respeito à utilização dos recursos naturais, onde nas UCs de Proteção Integral a utilização dos recursos é indireta, são áreas mais restritas, e nas UCs de Uso Sustentável, a utilização de determinados recursos há de ser sustentável, como sugere o próprio nome, de modo que não comprometa sua razão de ser ou a destrua (SATHLER, 2005).

Portanto o grau da preservação varia conforme o tipo de proteção legal específica a cada área conforme sua classificação, variando entre a preservação e o uso intenso.

Quanto à gestão a lei trouxe grandes avanços apontando como uma alternativa que essa seja feita mediante parceria público-privada como exposto pelo art. 30. Portanto com a devida autorização as organizações da sociedade civil podem litigar pelo instrumento que a conceda essa atribuição, tal parceria contribui para o cumprimento de requisitos legais necessários após a implantação da UCs.

A gestão mencionada no parágrafo supra é composta principalmente pelo plano de manejo, o zoneamento e os corredores ecológicos. O plano de manejo é o documento essencial que norteia o gerenciamento da UCs de acordo com as especificidades da região e por

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consequência do ambiente que essa está inserida, a lei faz referência a esse documento em seu art. 27 e incisos apontando a sua obrigatoriedade além de requisitos e prazos para elaboração.

O planejamento sobre as UCs não pode ser dissociado das condicionantes legais específicas de cada UC, de modo que essas veem a delinear o horizonte que a abrange e suas restrições. O plano de manejo é ferramenta obrigatória e essencial para que se concretizem as condicionantes legais e legislação específica que incide sobre cada categoria, cabendo ao referido plano prever atividades de pesquisa, monitoramento, vigilância, prevenção, administração, educação ambiental, turismo, planos de construção e paisagismo (TABANEZ, 2005).

O plano de manejo é elemento básico e obrigatório ao gerenciamento de uma área protegida, devendo nele serem identificados os assuntos mais importante relacionados à administração, definidas as políticas para alcançar os objetivos da UC, fixando prioridades e detalhando as estratégias para implantação do plano de manejo além de ser importante ferramenta de comunicação contribuindo para estreitar a relação com o público geral e expor a importância da UC para o ambiente e biodiversidade (SCHENINI, 2004).

O art. 28 do SNUC trata do descumprimento de qualquer indicação posta no plano de manejo, reconhecido o dano o agente responderá de acordo com o art. 40 da Lei 9.605/1998- Lei de crimes ambientais, cujo preceito secundário é a pena de reclusão de 1 (um) a 5 (cinco) anos.

O zoneamento consiste em importante ferramenta de gestão incorporada no plano de manejo que estabelece diferenciação de intensidade do uso de acordo com a zona estabelecida, conforme a definição observada no art. 2° do SNUC, são setores ou zonas dentro de uma UC com o objetivo manejo e normas especificas servindo de meio para que todos os objetivos já mencionados da UC sejam atingidos de forma eficaz.

Outro conceito importante incluído pelo SNUC é o de corredores ecológicos, conceituados como porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando unidades de conservação, que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas, bem como a manutenção de populações que demandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que aquela das unidades individuais.

Dessa forma a lei incentiva a integração das áreas protegidas com as diversas escalas de planejamento e gestão do território nacional (MEDEIROS, 2006). A ausência desses corredores

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prejudica a integração em diferentes fragmentos e a dispersão de espécies vegetais, contribuindo inclusive para a extinção de espécies ameaçadas (TABANEZ, 2005).

Uma das variáveis que são responsáveis para o incentivo a implantação de UCs é a contribuição que essa traz ao município em sua arrecadação tributária. A lei reconheceu o interesse monetário e apresentou no art. 35 de forma quantitativa a questão dos valores oriundos do ICMS Ecológico recebido pela UC, onde do valor total recebido o órgão administrador seja publico ou privado, terá de destinar no máximo 50% e no mínimo 25% a manutenção e gestão da própria UC (SCHENINI, 2004).

Ainda sobre essa questão monetária, as UCs são aptas a receber recursos ou doações de qualquer natureza, como bem expõe o art. 34, e completa estabelecendo que o valor recebido dessa forma terá de ser integralmente investido exclusivamente na UC.

3.2 Da conservação in situ e a importância das unidades de conservação para biodiversidade

Segundo o Ministério do Meio Ambiente – MMA, a conservação in situ é definida como sendo a conservação dos ecossistemas e dos habitats naturais e a manutenção e a reconstituição de populações viáveis de espécies nos seus ambientes naturais e, no caso de espécies domesticadas e cultivadas, nos ambientes onde desenvolveram seus caracteres distintos (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2019).

Dentre as vantagens, elenca-se aqui as destacadas pelo MMA:

(i) permitir que as espécies continuem seus processos evolutivos; (ii) favorecer a proteção e a manutenção da vida silvestre;

(iii) apresentar melhores condições para a conservação de espécies silvestres, especialmente vegetais e animais;

(iv) oferecer maior segurança na conservação de espécies com sementes recalcitrantes e

(v) conservar os polinizadores e dispersores de sementes das espécies vegetais

A temática introduziu-se na Convenção sobre Biodiversidade Biológica, assinada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro no ano de 1992 (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2000).

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Observando principalmente que é uma exigência fundamental para conservação da biodiversidade biológica a conservação in situ, tendo como eixo o estabelecimento de um sistema de áreas protegidas que efetivamente contemple a preservação a longo prazo da biodiversidade biológica do país (FONSECA et al. 1999)

A possibilidade de acesso a recursos naturais renováveis de forma sustentável, uma das principais estratégias para a conservação in situ da biodiversidade, tem demonstrado requerer mecanismos eficazes de comando e controle, que procuram gerenciar poluentes com base em penalizações impostas aos agentes como, por exemplo, sanções administrativas para agentes de desmatamento na área de entorno da UC, entre outros. Além de incentivos apropriados à sua adoção em caráter permanente (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2000).

A dinâmica que permitiu a criação de sistemas de unidades de conservação no Brasil é também resultado desse pressuposto. Por outro lado, o mecanismo de comando e controle como instrumento isolado para restringir os níveis de acesso aos recursos contidos em áreas protegidas tem encontrado, na prática, obstáculos sérios (FONSECA, et al. 1999).

A alteração e domesticação de toda a biosfera pelo ser humano são inevitáveis, sendo necessário e possível conservar pedaços do mundo natural em seu estado originário, antes da intervenção humana, lugares onde o ser humano possa reverenciar a natureza intocada, refazer suas energias materiais e espirituais e pesquisar a própria natureza. Estas áreas são sujeitas a um regime de proteção externo, com território definido pelo Estado, cujas autoridades decidem as áreas a serem colocadas sob proteção e sob que modalidade e, independentemente, formulam e executam os respectivos planos de manejo (ARRUDA, 1999).

Nesse contexto encontram-se as UCs, que são espaços territoriais imprescindíveis para conservação da biodiversidade e manutenção dos ecossistemas. Podem ser entendidas como uma excelente maneira de lidar com espécies ameaçadas e degradação do meio ambiente Podem proporcionar reservas demográficas ou genéticas, para incrementar populações já existentes ou para estabelecer novas populações ou, ainda, para fornecer refúgio para reinserção de espécies sem qualquer esperança imediata de sobrevivência na natureza (TOWNSEND, 2010).

Preservando os organismos em seu hábitat (in situ), faz-se com que o processo de evolução natural, através da seleção de indivíduos mais adaptados e do aumento de variabilidade genética pelas combinações e recombinações dos genes, seja mantido (TOWNSEND, 2010).

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No entanto, para garantir que essa diversidade biológica não seja perdida ao longo do tempo pela erosão genética e garantir que os processos de evolução sejam mantidos, é necessário que as populações de organismos não fiquem isoladas, mas em contato através de corredores ecológicos (FONSECA et al., 1997 citado por LOUREIRO, 2002).

Os corredores ecológicos podem ser entendidos como medidas de proteção dos remanescentes florestais tornam-se necessárias para restaurar a integridade entre os fragmentos florestais, para que a reprodução da fauna e flora possa ocorrer entre indivíduos de diferentes fragmentos florestais (SEOANE, 2010). O mesmo autor entende que os movimentos das espécies entre fragmentos podem aumentar consideravelmente a persistência populacional local e regional, principalmente para populações pequenas e isoladas (SEOANE, 2010).

A biodiversidade constitui a expressão da variedade total de genótipos, espécies, populações, comunidades, ecossistemas e processos ecológicos de uma determinada região. Uma maior diversidade resulta em um maior número de relações de alimentação, polinização, dispersão de sementes, simbiose e outras interações ecológicas, aumentando a importância de cada espécie individualmente. O empenho para preservar espécies isoladas e ameaçadas será inútil se não for combinado ao esforço de salvar ecossistemas inteiros nas unidades de conservação (LOUREIRO, 2002).

A conservação in situ, através do planejamento e manejo adequado de unidades de conservação, seu entorno e demais espaços territoriais relacionados, permite a manutenção e recuperação das populações de espécies e dos processos ecológicos em seu ambiente natural e, consequentemente, a continuidade do processo evolutivo que leva à diversidade genética (MILANO, 1991 citado por LOUREIRO, 2002).

Os sistemas de unidades de conservação, por sua vez, compreendem os conjuntos de unidades de diferentes categorias de manejo que, devidamente selecionadas, planejadas e manejadas, atendam de forma mais ampla possível aos objetivos de conservação (MILANO, 1991 citado por LOUREIRO, 2002).

3.3 ICMS Ecológico

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Denominação que se convencionou utilizar para qualquer sistema normativo que fixe o percentual que cada município de um determinado estado tem direito a receber, quando da repartição de receitas oriundas da arrecadação do ICMS, segundo critérios de caráter ambiental (RAMALHO et al, 2016).

Em complemento a esse entendimento, para Medeiros et al (2014, p. 12), o ICMS Ecológico é o “incentivo fiscal intergovernamental baseado no princípio „protetor-recebedor‟ caracterizado por ser um instrumento econômico de gestão”.

Portanto o ICMS Ecológico contribui para manutenção da biodiversidade através do incentivo à criação e manutenção das UCs para que com esse se alcance melhor qualidade ambiental e por consequência incremento no recurso recebido pelo município, através de duas grandes vias: a) recompensando os municípios que abrigam essas áreas e b) encorajando os mesmo a criarem novas áreas (RING, 2008; VOGEL, 1997).

A distribuição do imposto arrecadado oriundo da circulação de mercadorias e serviços parte inicialmente do ente federal que por norma da Constituição Federal de 1988, art. 158, inciso IV, deve ser designado o equivalente a 25% do valor arrecadado pelo Estado para distribuição e investimento em questões sociais do mesmo, dentre esses o saneamento, educação e também as áreas verdes.

O estado do Paraná foi pioneiro na implantação da repartição do ICMS com base nos critérios ambientais, em redação trazida pela Lei Complementar n° 59 de 01 out/1991, originalmente criada com base nas reinvindicações municipais que alegavam estar perdendo recursos em razão da presença de mananciais de abastecimento ou por abrigar UCs em seu território.

Dessa forma o Estado legislou estabelecendo critérios de distribuição do ICMS concedendo benefício extra para os municípios que tinham esses recursos adicionais. (FERNANDES, 2011).

O instrumento no estado do Paraná visa à compensação e de forma indireta o incentivo à conservação, sendo então um instrumento da política publica promissor para a conservação ambiental em todo país (LOUREIRO, 2002). Além disso, para municípios considerados pequenos ou de pouca expressão econômica, o repasse ecológico representa mais de 20% do repasse total feito pelo estado, sendo uma fonte importante de recursos (GRIEG-GRAM, 2000).

A legislação tende a vincular a arrecadação do ICMS Ecológico com a gestão ambiental local, uma vez que não se vê justificativa para que o município receba recursos em função de

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critérios ambientais e não dê tratamento adequado à gestão ambiental do município (LOUREIRO, 2016).

Avaliando o texto constitucional, aponta-se o art. 170, inciso VI, que trata da esfera econômica, in verbis:

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação;

Entende-se que a preocupação com o meio ambiente se estende inclusive a princípios econômicos da nação brasileira.

O ICMS é o principal imposto estadual, entende-se assim, pois é dentre os diversos impostos o com maior representatividade, sendo assim é de grande importância para o custeio público (DA SILVA, 2017).

A Constituição Federal prevê conforme o art. 158, inciso IV, que 25% do Valor Fiscal Arrecadado (VAF) arrecadado pelo Estado deverá ser repassado aos municípios, de modo que esse percentual seja redistribuído para o município conforme aponta o parágrafo único incisos I e II do mesmo artigo:

Art. 158. Pertencem aos Municípios:

IV - vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.

Parágrafo único. As parcelas de receita pertencentes aos Municípios, mencionadas no inciso IV, serão creditadas conforme os seguintes critérios:

I - três quartos, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios; II - até um quarto, de acordo com o que dispuser lei estadual ou, no caso dos Territórios, lei federal. (Brasil, 1988)

A fim de simplificar os cálculos referentes ao valor que os municípios do Estado irão alcançar tem-se como valor final correspondente a 1/16 (um dezesseis avos) ou 6,25% (seis vírgula vinte e cinco por cento) do VAF total do Estado. Em nível estadual a distribuição é feita pelo governo respeitando as orientações da Constituição Estadual do Paraná que em seu art. 132, parágrafo único indica:

Art. 132. A repartição das receitas tributárias do Estado obedece ao que, a respeito, determina a Constituição Federal.

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Parágrafo único. O Estado assegurará, na forma da lei, aos Municípios que tenham parte de seu território integrando unidades de conservação ambiental, ou que sejam diretamente influenciados por elas, ou àqueles com mananciais de abastecimento público, tratamento especial quanto ao crédito da receita referida no art. 158, parágrafo único, II, da Constituição Federal. (PARANÁ, 1989)

Desse modo, serve de fundamentação para a Lei 9.491 de 21 de dezembro de 1991, lei que é encarregada de definir a forma de distribuição do valor aferido aos municípios.

Nesse encontra-se a distribuição baseada no fator ambiental, especificamente em seu art. 2, que faz menção a Lei Complementar 59 de 01 de outubro de 1991, onde em seu artigo 4°, inciso I e II, que aduz:

Art. 4º. A repartição de cinco por cento do ICMS ecológico a que alude o art. 2º da Lei nº 9.491, de 21 de dezembro de 1990, será feita a seguinte maneira:

I -cinquenta por cento (50%) para municípios com mananciais de abastecimento. II -cinquenta por cento (50%) para municípios com unidades de conservação ambiental.

O fluxograma abaixo sintetiza a forma de distribuição de receita tributária baseada no fator ambiental para os municípios do Estado do Paraná. (Figura 2).

Figura 1: Fluxograma referente à forma de distribuição tributária dos municípios do estado do Paraná.

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A razão de 1/16 (um dezesseis avos) já mencionada é o valor que compreende a compensação por presença de mananciais ou UCs para municípios que as tenham em seu território.

A divisão é igual, portanto, metade dessa razão é auferida ao município alcançando um fator final de 0,03125 (zero vírgula zero três mil cento e vinte e cinto) especificamente para as UCs.

Tratando-se dos critérios para destinação destes recursos, de origem tributária, dar-se-ão de acordo com o art. 3 do Decreto Estadual n. 2791/1996, que apresenta os memoriais de cálculos para repartição.

Tal função procura medir a qualidade ambiental da UC visando estabelecer os critérios para alocação dos recursos do fator ambiental e definir a forma de criação, organização, atualização e cadastro, respectivamente.

A Portaria n° 263/1998 do Instituto Ambiental do Paraná (Portaria 263/1998/IAP), regulamenta o Cadastro Estadual de Unidades de Conservação e Áreas Especialmente Protegidas (CEUC), que define critérios para criação, cadastro e da às providências necessárias para gestão e cálculos dos valores que serão destinados aos municípios com base nas unidades de conservação, apresentando dados fundamentais para os cálculos apontados no Decreto Estadual n. 2791/1996.

A referida Portaria em seu art. 3°, conceitua as UCs, como sendo “porções do território nacional, estadual ou municipal incluindo águas territoriais, com características naturais de relevante valor, de domínio público ou privado, com objetivos e limites definidos, que aplicam-se garantias adequadas de conservação”. Conceito em perfeita consonância com a Lei Federal 9.985/2000 que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

Outrossim, nota-se a relação direta da compensação com a conservação, visto que é de extrema relevância para os cálculos os aspectos ambientais das UCs, levando em consideração a categoria de manejo e objetivos singulares, de acordo com o art. 16°, § 5º, da Portaria 263/1998/IAP considerar-se-ão as seguintes variáveis:

a) qualidade física da UC; b) qualidade biológica da UC; c) qualidade dos recursos hídricos da UC e seu entorno; d) representatividade física da UC; e) qualidade do Planejamento, Implementação, Manutenção e Gestão da UC: e.1) planejamento; e.2) infra-estrutura; e.3) equipamentos; e.4) equipamentos de audio-visual; e.5) equipamentos de apoio; e.6) pessoal e capacitação; e.7) pesquisa nas Unidades de Conservação; e.8) legitimidade da Unidade de Conservação para a comunidade; e.9) outros itens correlatos; f) excedente dos Termos de Compromisso em relação ao conjunto de variáveis de determinada Unidade de Conservação; 43 g) desenvolvimento de variáveis específicas

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para as Unidades de Conservação; h) análise suplementar das ações do município prioritariamente nas funções: habitação e urbanismo, agricultura e saúde e saneamento; i) apoio aos agricultores e comunidades locais; j) evolução do nível de penalidades, no âmbito do município, pelos Poderes Públicos; k) outras variáveis atinentes ao tema.

Tais macrovariáveis compõem parâmetros a serem avaliados pelas Tábuas de Avaliação, sendo essa a principal forma de orientação para que os municípios planejem, implementem e promovam a manutenção das UCs.

É função do IAP realizar a análise quantitativa e qualitativa das UCs para que essa torne o município apto a receber o ICMS Ecológico, enquadrando-as por seus características avaliadas através de tábuas de avaliação de acordo com a categoria de manejo (IAP, 1988).

As fórmulas que definem os critérios para a alocação dos recursos com base no fator ambiental são apresentadas também no Decreto Estadual 2791/1996, em seu artigo 3°, e será destrinchado em capítulo posterior.

Do mesmo Decreto conforme o artigo 4°, instituí ao IAP a responsabilidade sobre o cadastro das UCs, posteriormente regulamento pela Portaria n. 263/1998/IAP, o referido artigo,

in verbis: "Fica instituído o Cadastro Estadual de Unidades de Conservação, sob a

responsabilidade do IAP”.

Cabe ao IAP à responsabilidade pela gestão pública das UCs do Estado, além do apoio às ações similares que eventualmente surjam a nível municipal, analisando do ponto de vista operacional, a gerência das UCs é responsabilidade dos escritórios regionais, nada mais do que extensões administrativas do IAP, atribuições essas garantidas pelo Decreto Estadual 1502/1992.

Ainda, observa-se na Portaria n. 263/1998/IAP, que cabe á Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas – DIPAB, atuar no cadastro avaliando então o seu efetivo planejamento, implementação, manutenção e apropriação social, pelo último, de acordo com o artigo 3°, § 3º, a partir do desenvolvimento de ações compatíveis com a categoria de manejo, tais como:

a) democratização de informações - disponibilizar dados, informações e métodos, para a criação de condições a que as pessoas se problematizem sobre a necessidade da existência e ajam pela manutenção das Unidades de Conservação;

b) educação ambiental - propiciar ações para o desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da pessoa humana, servindo-se das Unidades de Conservação como facilitadoras para a compreensão da necessidade de conservar o ambiente e investir na boa qualidade de vida;

c) regulamentação - propor, negociar e normatizar limitações de uso a espaços territoriais, visando a articulação e o ajuste entre as demandas ou necessidades da sua utilização, e a resiliência dos bens naturais;

d) ecoturismo e ações similares - criar condições para que as pessoas se utilizem do patrimônio natural, histórico e cultural, para o aperfeiçoamento de sua formação física e

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mental, ao tempo em que conservem o ambiente e gerem trabalho e renda. Alguns exemplos destas atividades podem ser: caminhadas, observações, visitas, aventuras, individuais ou coletivas, com utilização de equipamentos adequados quando necessário; e) produção de baixo impacto - fomentar o uso de tecnologias que

pressuponham a intervenção mínima nos processos de reprodução dos ecossistemas naturais, evitando-se a quebra dos ciclos biogeoquímicos pela utilização de agrotóxicos, fertilizantes químicos e a moto-mecanização, e incentivem a eficiência energética , a reciclagem, o controle máximo de poluição e a adoção de infraestruturas com ecodesigners, além do respeito as diversidades culturais dos sujeitos envolvidos;

f) pesquisa, estudos e geração de conhecimento - investigação sistemática a partir da utilização de métodos especificados; apreciação, análise e observação; produção de dados e informações.

Outrossim, a Portaria também oferece os procedimentos de cálculo aplicados para alcançar o índice ambiental para cada UC e consequentemente para o Município, em respeito ás fórmulas já apresentadas do Decreto Estadual 2791/1996.

Importante mencionar a previsão do art. 16 da Portaria n. 263/1998/IAP, que elenca preceitos para o cálculo do CCB, conforme o texto:

Art. 16 - O cálculo do Coeficiente de Conservação da Biodiversidade de Interface será precedido da investigação da Unidade de Conservação e seu respectivo entorno, quando for o caso, conforme segue:

I) classifica-se a Unidade de Conservação por categoria de manejo e respectivos Fatores de Conservação básico (FCb), de acordo com o Anexo III desta Portaria;

II) classifica-se a Unidade de Conservação, segundo a sua qualidade física, a saber: a) qualidade física satisfatória - é a porção do território da Unidade de Conservação, com características suficientes para sua identificação plena com a categoria de manejo da respectiva área;

b) qualidade física insatisfatória - é a porção do território da Unidade de Conservação, com características insuficientes para sua identificação plena com a categoria de manejo da respectiva área;

c) área em recuperação - é a porção do território da Unidade de Conservação, com características insuficientes para identificá-la plenamente com a categoria de manejo da respectiva área, porém, em processo de recuperação, através de plano próprio submetido, aprovado e monitorado pela DIBAP, através das unidades administrativas descentralizadas do IAP, que contenham no mínimo:

a) identificação do Projeto;

b) localização e caracterização do(s) problema(s);

c) análise sintética das alternativas de solução do(s) problema(s); d) objetivos a serem alcançados;

e) atividades a serem desenvolvidas;

f) metas a serem alcançadas e cronograma de execução; g) formas objetivas de avaliação dos resultados alcançados; h) cronograma de crédito do ICMS ao município;

i) responsável pelo Projeto e pela execução;

III) avaliação ou reavaliação anual da qualidade das Unidades de Conservação e seu entorno e das Áreas Especialmente Protegidas, quando for o caso, através de Tábuas de Avaliação, definidas conforme o parágrafo 4º deste artigo, de acordo com escores alcançados dentro de intervalos mínimos e máximos, por categorias de manejo, bioma, domínio e âmbito de gestão governamental, conforme discriminado no Anexo III desta Portaria.

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Ainda no mesmo artigo, o § 5º aponta importantes macrovariáveis e variáveis que compõem genericamente as Tábuas de Avaliação, sendo elas:

§ 5º - Em conformidade com o disposto nos artigos 3º e no § 2º do artigo 4º do Decreto Estadual 2.791/96, as Tábuas de Avaliação conterão, quando for o caso, variáveis devidamente conceituadas e parametrizadas no Termo de Referência com base nas seguintes macrovariáveis:

a) qualidade física da Unidade de Conservação; b) qualidade biológica da Unidade de Conservação;

c) qualidade dos recursos hídricos da Unidade de Conservação e seu entorno; d) representatividade física da Unidade de Conservação;

e) qualidade do Planejamento, Implementação, Manutenção e Gestão da Unidade de Conservação:

e.1) planejamento; e.2) infra-estrutura; e.3) equipamentos;

e.4) equipamentos de audio-visual; e.5) equipamentos de apoio; e.6) pessoal e capacitação;

e.7) pesquisa nas Unidades de Conservação;

e.8) legitimidade da Unidade de Conservação para a comunidade; e.9) outros itens correlatos;

f) excedente dos Termos de Compromisso em relação ao conjunto de variáveis de determinada Unidade de Conservação;

g) desenvolvimento de variáveis específicas para as Unidades de Conservação;

h) análise suplementar das ações do município prioritariamente nas funções: habitação e urbanismo, agricultura e saúde e saneamento;

i) apoio aos agricultores e comunidades locais;

j) evolução do nível de penalidades, no âmbito do município, pelos Poderes Públicos; k) outras variáveis atinentes ao tema.

Ademais, quando aplicada a Tábua de Avaliação ao município, ferramenta esta, onde o Estado avalia anualmente a gestão do município frente à UC, compondo o Índice Ambiental do Município, as ações que resultam na melhora da qualidade ambiental da UC municipal receberá contribuição direta na composição do referido índice, podendo chegar até 30 vezes mais. Assim, dependendo da arrecadação do Estado, resultará em aumento do repasse dos valores referente ao ICMS Ecológico (MOGNON, 2018).

Visto ainda para as determinações da Portaria n.º 263/1998/IAP no que se refere a atuação do município nas UCS, nesse sentido, o artigo 20 aponta:

Art. 20 - O município beneficiado pelas Leis Complementares nºs 59/1991 e 67/1993, deve participar do Planejamento, Implementação e Manutenção das Unidades de Conservação e seus entornos, estando esta vinculação, dentre outras, consubstanciado em Termos de Compromisso, que devem operacionalizar prioritariamente variáveis contidas nas Tábuas de Avaliação ou reivindicações das comunidades direta ou

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indiretamente envolvidas com as respectivas Unidades de Conservação. É recomendável que os Termos sejam ajustados por quatro anos, podendo ser aditados anualmente.

Para que as UCs cumpram seus objetivos de manejo de proteção e uso sustentável da biodiversidade, é necessária a sua efetiva implantação, o que, somente será viabilizado com uma disponibilidade financeira compatível com a demanda (CALIXTO, 2018), ou seja, alocando recursos para efetivação das melhorias.

Considerando que a melhoria da qualidade da unidade de conservação, de qualquer categoria de manejo, ou nível de gestão, tem relação direta com os investimentos nela realizados, quer seja pelo mantenedor imediato, quer seja pelo parceiro e que estas melhorias implicam o aumento do escore da unidade de conservação e, ainda, que este aumento de escore resulta em incremento das receitas financeiras do município onde estiver localizada a unidade, os municípios têm interesse em acompanhar, investir e realizar parcerias (LOUREIRO, 2002).

3.4 Gestão Ambiental Municipal

São três grandes objetivos que integram o conceito de desenvolvimento sustentável: os objetivos sociais, os objetivos econômicos e os objetivos ecológicos. Segundo Schneider (2000):

1. Objetivos sociais compreendem a moradia, educação, lazer e saúde;

2. Objetivos econômicos compreendem a produção, o acesso aos bens de consumo e o emprego;

3. Objetivos ecológicos compreendem a preservação do meio ambiente.

O entendimento de desenvolvimento sustentável, que conforme o Relatório de Brundtland (1987, p. 831) entende-se:

Na sua essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de mudança no qual a exploração dos recursos, o direcionamento dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional estão em harmonia e reforçam o atual e futuro potencial para satisfazer as aspirações e necessidades humanas.

Se observada a relação homem-natureza, pode-se afirmar que apenas o conhecimento do meio físico natural não é suficiente para compreender a complexidade desse relacionamento, isso significa que a chave do conhecimento sobre esse tema está incluída na totalidade social, da própria vida em sociedade (QUINTAS, 2010).

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O processo de gestão ambiental surge como alternativa para tornar sustentáveis os ecossistemas antrópicos, harmonizando suas interações com o ecossistema natural. A maior problemática está justamente em ter de lidar com situação extremamente complexas, onde há agentes ou interventores que tem interesses conflitantes em relação á forma de utilização de determinado bem ambiental (BERNARDINI, 2007)

A gestão ambiental então surge como mecanismo de materialização do desenvolvimento sustentável, implicando em paralisar a busca cega do crescimento econômico irrestrito, inserindo a sustentabilidade ecológica como critério fundamental de todas as atividades de negócios (BERNARDINI, 2007).

A gestão ambiental pública promove a mediação entre esse conflito de interesse dos atores sociais que agem sobre o meio físico natural.

Observando os dois lados, na esfera pública surgem instrumentos que representam mecanismo de imposição, comando e controle, com a criação de requisitos legais cada vez mais restritivos, enquanto na esfera privada, atenuam-se os impactos adotando mecanismos voluntários especialmente de autocontrole e auto regulação (BERNARDINI, 2007).

Dentre os principais temas da Gestão Ambiental Pública, estão: expansão urbana, saneamento básico resíduos sólidos, poluição industrial, ruído e conflitos de vizinhança, poluição do ar, comércio e prestação de serviços impactantes, educação ambiental e criação de áreas verdes (PHILIPPI et. al. 1999).

No que diz respeito ás áreas verdes, entendidas aqui como espaços físicos com características ambientais conservadas, se fazem extremamente importantes, sendo suas funções: pulmão em relação à circulação atmosférica e à iluminação urbana; preservação da paisagem natural, com valor estético e cientifico; espaço para educação ambiental e convívio social; servir como local de recreação e lazer (PHILIPPI et. al. 2010).

Cabe a cada ente federativo integrante do Sistema Nacional de Meio Ambiente- SISNAMA, desenvolver os mecanismos necessários para cumprir sua missão constitucional, adequando sua estrutura administrativa, criando seu próprio sistema de Gestão Ambiental, sobre tal competência, é escrito no texto da Resolução CONAMA 237/1997, em seu artigo 20:

Art. 20 - Os entes federados, para exercerem suas competências licenciatórias, deverão ter implementados os Conselhos de Meio Ambiente, com caráter deliberativo e participação social e, ainda, possuir em seus quadros ou a sua disposição profissionais legalmente habilitados.

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É essencial que os municípios estruturem-se para implementar ou aperfeiçoar os seus sistemas de gestão ambiental municipal, tanto em termos técnicos, quanto nos operacionais.

(31)

5 METODOLOGIA

5.1 Área de Estudo

A Figura 3 representa os municípios situados no Regional IAP- ERCMO, conforme divisão institucional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) disponível no site oficial.

Figura 3- Municípios do Regional IAP- ERCMO.

Fonte: Instituto Ambiental do Paraná (2019), dados organizados pelo autor.

São situados na região 22 municípios sendo eles: Campo Mourão; Altamira do Paraná; Araruna; Barbosa Ferraz; Boa Esperança; Campina da Lagoa; Corumbataí do Sul; Engenheiro Beltrão; Farol; Fênix; Goioêre; Iretama; Janiópolis; Juranda; Luiziana; Mamborê; Moreira Sales; Nova Cantú; Peabiru; Quarto Centenário; Quinta do Sol; Rancho Alegre do Oeste; Roncador e Ubiratã.

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Foram selecionados dentre os municípios, doze deles, conforme características observadas em um comparativo do anos de 2017 e 2018, seguindo os seguintes critérios:

a) Municípios que tiveram aumento representativo nos valores do ICMS Ecológico. b) Municípios que tiveram diminuição de recursos financeiros do ICMS Ecológico. c) Municípios que integraram nova UC em seu território.

d) Municípios que não possuem UC em seu território.

e) Municípios que recebem valores expressivos do ICMS Ecológico frente ao valor total destinado pelo Estado.

f) Municípios que recebem valores representativos frente aos demais fatores que lhes são destinados do ICMS.

5.2 Indicadores do fator ambiental

Foi necessário analisar o fator ambiental determinado para diferentes municípios com UCs em seu território, tal análise foi com base nas divulgações oficiais da Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná (SEFA-PR) para que fosse possível concluir sobre a relação do fator ambiental e a gestão ambiental municipal.

Os resultados anotados são calculados a partir dos procedimentos de cálculos instituídos pelo Decreto Estadual n° 2791 de 27 de dezembro de 1996 na forma que segue:

(1)

[ ( )] (2)

(3)

(4)

i: variando de 1 até o total de nº de municípios beneficiados; j: variando de 1 ao nº total de UCs, apartir de suas interfaces, registradas no cadastro (LOUREIRO, 2001a).

Sendo:

CCBij : Coeficiente de Conservação da Biodiversidade básico;

Auc: área da unidade de conservação no município, de acordo com sua qualidade física; Am: área total do território municipal;

(33)

Fc: fator de conservação variável, atribuído às UCs em função das respectivas categoria de manejo; CCBIij: Coeficiente de Conservação da Biodiversidade por Interface;

DQuc : variação da qualidade da Unidade de Conservação;

P: peso ponderado na forma do parágrafo 2° do art. 3° do Decreto Estadual 2.791/96;

CCBM1 : Coeficiente de Conservação da Biodiversidade para o Município, equivalente a soma de todos os Coeficientes de Conservação de interface calculados para o município;

FM2, : percentual calculado a ser destinado ao município, referente às UCs. Fator Municipal 2;

O cálculo apresentado é composto pela razão entre a superfície das UCs e superfície do município, corrigido por um Fator de Correção (FC) definido pela Portaria 263/1998/IAP, que traz diferentes valores de categorias de manejo de UCs e o nível de gestão (LOUREIRO, 2001b).

O resultado da equação 4 é considerado variável pois envolvem parâmetros qualitativos que são definidos e avaliados pelo IAP, com a utilização de diferentes tábuas de avaliação que condizem à categoria de manejo empregado na UC. Inclusive vale menção ao art. 4° do decreto n° 2791/1996, que consta “Art. 4° - Fica instituído o Cadastro Estadual de UCs, sob a responsabilidade do IAP”.

Os parâmetros qualitativos são indicados na Portaria 263/1998/IAP, que além de fixar os valores que orientam os cálculos, visa trazer diretrizes para organização, criação, atualização do Cadastro Estadual de UCs.

O resultado final alcançado aponta um índice específico de acordo com a UC situada em cada município, sendo que esse somatório apresenta um resultado igual a 1. Esse valor fracionado é multiplicado pela forma de distribuição do estado do Paraná para o fator ambiental (5%), especificamente metade do índice se consideradas apenas os municípios que integram as UCs, com os resultados, ao mês de agosto de todo ano, a Secretária da Fazenda determina a receita estimada para aquele município.

É dos dados qualitativos, que se analisaram os escores de qualidade ambiental das UCs dentro dos Municípios selecionados, inclusive observando o cadastro de novas áreas de UCs nos mesmos, para que fosse possível, apresentar considerações conclusivas sobre a influência da gestão ambiental nos valores adquiridos.

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5.3 Análise da percepção do ICMS Ecológico

Foi avaliada a percepção das entidades públicas, dentre elas: as entidades municipais voltadas á área ambiental, o Instituto Ambiental do Paraná e o Ministério Público.

Para tal análise, com os Municípios objetos do estudo já selecionados, foram aplicados questionários (apêndice A e B) para os Secretários do Meio Ambiente, ou cargo afim. Um dos questionários foi destinado para os municípios que não possuem UC em seu território (apêndice A) e o outro para os que possuem (apêndice B).

Ambos os questionários, tanto o apêndice A, quanto apêndice B, contém 11 questões, com o intuito de verificar como tem sido a experiência da Secretária do Meio Ambiente na gestão ambiental municipal.

O contato inicial com os municípios selecionados foi feito através de telefone e, posteriormente os questionários foram encaminhados por e-mail, dos quais obtiveram-se informações sobre a gestão ambiental, os investimentos nas áreas de UC, as dificuldades encontradas no que diz respeito ao ICMS Ecológico e de que forma tal recurso trouxeram benefícios e principalmente se existe conhecimento sobre a operacionalização desse.

Com tais dados buscou-se avaliar se a gestão municipal é capaz de promover a maximização dos valores arrecadados do ICMS Ecológico.

Elaborou-se um questionário que foi respondido pelo DIBAP, através de seu diretor. O mesmo foi aplicado a 2 (dois) servidores do IAP, um deles o coordenador geral das áreas de UCs, e o outro um agente fiscal do instituto. Com isso determinou-se como tem sido a atuação do órgão ambiental no que se refere ao ICMS Ecológico, lacunas e desafios encontrados, possíveis melhorias do sistema e as práticas que veem sendo tomadas pelas prefeituras.

Por fim, através de entrevista semiestruturada, foi determinado o posicionamento do Ministério Público sobre o tema, que foi representado pela 1° Promotoria de Justiça do Município de Campo Mourão, através da figura do promotor(a) de justiça designado.

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6 RESULTADOS E DISCUSSÃO

6.1 Dos Municípios Estudados

Dentre os Municípios do Regional IAP-ERCMO, no ano de 2018, existiam 74 (setenta e quatro) UCs devidamente cadastradas, sendo dessas 48 (quarenta e oito) a nível Estadual e 22 (vinte e duas) a nível Municipal com suas respectivas áreas totalizando 7821.88 ha (Tabela 1).

Tabela 1 - Unidades de Conservação devidamente cadastradas na área do Regional IAP-ERCMO

Unidade de Conservação Quantidade Área (ha) UC Federal

Subtotal 0

UC Estadual

Parque 6 2097.63

Área de Relevante Interesse Ecológico 1 163.94

RPPN 41 3340.01 Subtotal 5428.64 UC Municipal Estação Ecológica 10 1803.81 Parque 9 262.08 Parque Ecológico 1 70.63 Parque Natural 2 83.78 Subtotal 2220. 30 Total 7821.88

Ao avaliar a representatividade do fator ambiental frente aos demais valores adquiridos pelo ICMS para os municípios do IAP- ERCMO foram alcançados os percentuais de participação econômica das UCs no valor total, demonstrados no Quadro 3.

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Tabela 2- Representatividade do valor recebido com base no fator ambiental frente aos demais valores recebidos.

Município

2017 2018

ICMS Total ICMS Ecológico

PARTICIPAÇÃO FATOR AMBIENTAL

ICMS Total ICMS Ecológico

PARTICIPAÇÃO FATOR AMBIENTAL Altamira do Paraná R$ 3,252,509.00 R$ 340,068.00 10.45% R$ 3,095,525.0000 R$ 277,379.00 8.96% Barbosa Ferraz R$ 8,655,777.00 R$ 3,319,659.00 38.35% R$ 7,898,532.0000 R$ 2,870,179.00 33.33% Campina da Lagoa R$ 11,040,554.00 R$ 10,926.00 0.99% R$ 10,571,115.0000 R$ 86,798.00 0.82% Campo Mourão R$ 38,505,232.00 R$ 621,436.00 1.61% R$ 35,152,552.0000 R$ 74,923.00 2.13% Corumbataí do Sul R$ 3,317,203.00 R$ 894,043.00 26.95% R$ 3,169,721.00 R$ 863,502.00 27.24% Engenheiro Beltrão R$ 8,466,592.00 R$ 124,514.00 1.47% R$ 8,444,677.00 R$ 97,069.00 1.14% Fênix R$ 6,655,247.00 R$ 3,046,534.00 45.77% R$ 6,107,953.00 R$ 2,560,947.00 41.92% Goioerê R$ 14,242,770.00 R$ 648,449.00 4.55% R$ 13,975,898.00 R$ 547,242.00 3.91% Iretama R$ 5,906,151.00 R$ 0.00 0.00% R$ 5,951,490.00 R$ 333,345.00 5.60% Luiziana R$ 13,700,345.00 R$ 2,823,976.00 20.61% R$ 12,336,091.00 R$ 2,385,171.00 19.33% Mamborê R$ 16,281,721.00 R$ 0.00 0.00% R$ 16,303,502.00 R$ 773,558.00 4.74% Nova Cantú R$ 6,448,459.00 R$ 0.00 0.00% R$ 7,205,915.00 R$ 836,686.00 11.61% Peabiru R$ 8,812,798.00 R$ 857,232.00 9.72% R$ 7,992,432.00 R$ 540,037.00 6.75% Quinta do Sol R$ 5,347,338.00 R$ 267,795.00 5.00% R$ 5,378,342.00 R$ 222,216.00 4.13% Roncador R$ 11,382,911.00 R$ 14,678.00 1.28% R$ 10,289,828.00 R$ 126,741.00 1.23% Ubiratã R$ 22,870,581.00 R$ 1,931.00 0.84% R$ 23,482,844.00 R$ 165,116.00 0.70%

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Notam-se condizentes os percentuais observados no Quadro 2 com o critério de seleção dos municípios, em especial os que recebem valores expressivos do ICMS Ecológico frente ao valor total destinado pelo Estado, sendo esses, Barbosa Ferraz, Fênix e Luiziania, que contém os percentuais de 38.352%, 45.776%, 20.612%, respectivamente.

Quanto aos percentuais observados na Tabela 2 como zero para o ano de 2017, dos Municípios de Iretama, Nova Cantú e Mambore, o recebem pois naquele ano ainda não contavam com nenhuma área de UC cadastradas, portanto, sem inclusão nos valores repartidos do ICMS Ecológico.

O município de Corumbataí do Sul possui uma arrecadação representativa, de R$ 894,043.00, se comparado com os demais valores recebidos de ICMS, alcança 26.952%, sendo fator ambiental responsável por atrair grande parte dos recursos recebidos pelo município, cabendo nesse caso ser incluído na pesquisa.

Os demais Municípios selecionados foram os de Araruna, Barbosa Ferraz, Campo Mourão, Engenheiro Beltrão, Farol, Fênix, Iretama, Janiópolis, Luiziana, Mamborê, Nova Cantú e Peabiru, atendendo ao menos um dos critérios de seleção (Quadro 3).

Quadro 3- Critérios para seleção dos Municípios pesquisados

MUNICÍPIOS AUMENTO DO VALOR RECEBIDO DIMINUIÇÃO DO VALOR RECEBIDO INTEGRAÇÃO DE NOVA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO NO CADASTRO NÃO POSSUI UNIDADES DE CONSERVAÇÃO CADASTRADAS VALORES EXPRESSIVOS RECEBIDOS Araruna X Barbosa Ferraz X Campo Mourão X Engenheiro Beltrão X Farol X Fênix X Iretama X Janiópolis X Luiziana X Mamborê X Nova Cantú X Peabiru X

Referências

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