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TÍTULO: FIDEDIGNIDADE DE UMA ESCALA DE SILHUETAS PARA CRIANÇAS ENTRE QUATRO E SEIS ANOS DE IDADE.

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE

ÁREA:

SUBÁREA: NUTRIÇÃO

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO

INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): PATRICIA CRISTINA DA SILVA ARTUZO

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): ALESSANDRA COSTA PEREIRA JUNQUEIRA, TELMA MARIA BRAGA COSTA

ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): SEBASTIÃO SOUSA ALMEIDA

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1. RESUMO

A imagem corporal tem sua constituição complexa podendo ser entendida como um acontecimento coadjuvante perante o desenvolvimento e crescimento do corpo. As diferentes maneiras de como o individuo se vê e a forma como se idealiza, configura satisfação ou insatisfação com a imagem corporal, caracterizando, portanto constructos de atitudes positivas ou negativas ao longo da vida do ser humano. O objetivo do estudo foi Testar a fidedignidade do instrumento de Escala de Silhuetas através do teste e reteste em crianças de quatro a seis anos de idade. A coleta de dados ocorreu em quatro escolas particulares em diferentes cidades, participaram do estudo 189 crianças de quatro a seis anos de idade, sendo 101 do sexo feminino e 88 do sexo masculino. Uma escala de silhuetas composta por nove cartões de seu próprio gênero era apresentada para cada criança em ordem ascendente ou aleatória, perguntando-se “Qual figura representa seu corpo atual?”, “Qual figura representa o corpo que você gostaria de ter?”, sendo a discrepância entre o cartão que representa o IMC atual (como ele se vê) e o cartão que representa o IMC desejado, caracterizado como insatisfação com o tamanho corporal, e a discrepância entre figura que representa o IMC real e o cartão que representa o IMC atual caracterizado como inacurácia da percepção do tamanho corporal. Após 40 dias foi realizado o reteste, seguindo o mesmo roteiro com as crianças que já haviam participado. Das 189 crianças que participaram do estudo 101 eram meninas e 88 meninos. Em relação a in/satisfação com o tamanho corporal a maioria demonstrou estar insatisfeita com o tamanho do próprio corpo (23,8% satisfeitas e 76,19% Insatisfeitas). Quanto a in/acurácia 19,57% foram acuradas e 80,95% foram inacuradas com a percepção do tamanho corporal. Pesquisas tem demonstrado uma associação entre distúrbio da imagem corporal em crianças e adolescentes e distúrbios alimentares ou problemas de comportamento na adolescência. Desta forma, os resultados deste estudo preocupam pelo fato da maioria das crianças mostrarem-se insatisfeitas com o próprio tamanho e pelo fato desta insatisfação já estar presente em idades tão precoces.

2. INTRODUÇÃO -

Nos dias atuais o mundo vivencia um importante indicador de mudança comportamental, que é a obesidade na infância e na adolescência, sendo

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considerado um problema de Saúde Publica principalmente em países em desenvolvimento Estudos demonstram que indivíduos obesos na infância têm grandes possibilidades de se tornarem adultos com sobrepeso e/ou obesidade e desenvolverem doenças crônicas não transmissíveis. A obesidade na infância parece estar diretamente relacionada com o aparecimento de transtornos psicológicos como depressão, ansiedade, difícil envolvimento social, preocupação excessiva com o peso, salientando que mudanças comportamentais na infância podem ter forte impacto no aspecto cognitivo e na formação da auto imagem corporal.

A imagem corporal tem sua constituição complexa, podendo ser entendida como um acontecimento coadjuvante em relação ao crescimento e desenvolvimento do corpo, sofrendo evolução no decorrer do desenvolvimento humano. As mudanças mais significativas referentes á imagem corporal acontecem durante a adolescência, no entanto, insatisfações com aspectos corporais como peso e aparência física são observados durante a infância. O interesse em estudar este constructo se da pela multiplicidade nas formas de se entender e pesquisar a Imagem Corporal.

As diferentes maneiras de como o individuo se vê e a forma como se idealiza, configura a satisfação ou insatisfação da imagem corporal. A satisfação da imagem corporal em crianças esta vinculado a auto estima positiva, já a insatisfação da imagem corporal esta associada a depressão e alteração do comportamento alimentar (DAMASCENO e cols., 2006).

No decorrer dos anos várias pesquisas vem desenvolvendo instrumentos para verificar a satisfação ou insatisfação da imagem corporal, sendo os mais comuns: questionários autoaplicáveis e escalas de figuras de silhuetas. Há muitas versões de escalas de silhuetas que têm sido usadas em pesquisas com crianças. Entretanto são poucos os estudos com crianças pré-escolares com idade entre três e seis anos que estão disponíveis e quando realizados, usam escalas elaboradas para outra faixa etária. Assim, como não foram elaboradas para a população pré-escolar, os dados se tornam duvidosos e os questionamentos em relação à capacidade cognitiva de percepção do corpo, a possível presença de preocupações com o peso e insatisfação com a imagem corporal em pré-escolares permanecem (SMOLAK, 2012). Uma vez que os dados válidos mostram que existe uma correlação entre a presença de distúrbio da imagem corporal em idades precoces e agravamento da situação com o passar da idade, futuras pesquisas se fazem necessárias, permitindo

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o levantamento de dados conclusivos e válidos, que possibilitariam a elaboração de conceitos e ideias mais fidedignas da natureza e evolução da imagem corporal e seus componentes em crianças pré-escolares.

3. OBJETIVOS

Testar a fidedignidade de uma escala de silhuetas bidimensional desenvolvida para crianças brasileiras entre quatro e seis anos através do teste e reteste.

Avaliar a acurácia/inacurácia na percepção do tamanho corporal de crianças de ambos os sexos entre quatro e seis anos de idade por meio das escalas construídas.

Avaliar a satisfação/insatisfação com o próprio corpo de crianças entre quatro e seis anos de idade por meio das escalas construídas.

4. METODOLOGIA

A escala bidimensional é apresentada na forma de 9 cartões plastificados para cada gênero, com 12,5cm de altura por 6,5cm de largura, com a figura centralizada.

Gardner, Friedman e Jackson (1998) orientam que alguns cuidados devem ser tomados na aplicação das escalas de silhuetas, como apresentar cada silhueta em cartão separado e em sequência randomizada. Desta forma, optou-se por aplicar a escala de maneira aleatória e proporcionalmente distribuídas de forma ordenada, ascendente e randomizada.

5. DESENVOLVIMENTO

A coleta de dados ocorreu em quatro Instituições de Ensino da rede particular localizadas nas cidades de Diadema, Ribeirão Preto e Matão, todas no estado de São Paulo. A coleta de dados resultou em uma amostra de 193 crianças com idade entre quatro e seis anos (102 meninas com média de idade de 5.10 anos e 91 meninos com média de idade de 5.05 anos), cujos pais autorizaram a participação através da assinatura do TCLE. Seguindo a proposta inicial do projeto, procurou-se além da divisão por sexo, a divisão por idade. Assim, a amostra final foi composta de 61 crianças de 4 anos (30 meninos e 31 meninas), 66 crianças de 5 anos (31 meninos e 35 meninas) e 66 crianças de 6 anos (30 meninos e 36 meninas).

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O reteste foi submetido a parte desta amostra total. Esta subamostra foi constituída de 60 crianças (26 meninos e 34 meninas).

Os cartões que compõem a escala foram apresentados e foi solicitado à criança, com uma linguagem clara e simples, que ela identificasse qual figura representaria melhor o corpo atual dela (IMC atual), sendo a discrepância entre a figura que representa o IMC atual e a figura que representa o IMC real (aferido), caracterizado como inacurácia da percepção da imagem corporal. Em seguida, foi solicitado à criança que apontasse a figura que melhor representaria o corpo que ela gostaria de ter (IMC desejado), sendo a discrepância entre a figura que representa o IMC atual (como ele se vê) e a figura que representa o IMC desejado, caracterizado como insatisfação com a imagem corporal.

Por último foi realizada a avaliação antropométrica, iniciando-se com a aferição de peso. A criança foi posicionada de costas para a balança, no centro do equipamento com os pés juntos e os braços estendidos ao longo do corpo, descalça, com o mínimo de roupa possível. Para aferir a estatura, a criança foi posicionada em pé, descalça e com a cabeça livre de adereços, no centro do equipamento, com os braços estendidos ao longo do corpo, calcanhares juntos, as costas retas e a cabeça orientada para o plano de Frankfurt (BRASIL, 2011).

A aplicação da escala de silhuetas foi repetida, seguindo o mesmo roteiro e as mesmas normas descritas acima com intervalo de um 40 dias.

Estatísticas descritivas são apresentados como médias, medianas e desvios-padrão para as variáveis contínuas e como frequências e porcentagens para as variáveis categóricas. O teste de normalidade indicou que a maioria dos dados não seguem uma distribuição normal. Desta forma, testes não paramétricos foram utilizados para todas as variáveis.O software de estatística SPSS versão 17.0 foi utilizado para analisar os dados. O critério alfa para significância foi 0.05

6. RESULTADOS

Quanto à classificação econômica das famílias do estudo presente, observa-se que 50,3% das famílias são classificadas como clasobserva-se A, observa-seguida por 26,9% classe B1, 16,1% classe B2, 2,6% classe C1, 0,5% classe D-E e 3,6% não responderam (TABELA 1). No Brasil 4% das famílias possuem recebimentos superiores a R$ 10.375,00, sendo que a região sudeste tem o maior rendimento total

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e variação patrimonial médio entre as grandes regiões seguida da região sul, o que não corrobora com o presente estudo (POF, 2008-2009).

Fonte: Próprio Autor

A classificação do estado nutricional é divida entre crianças menores de cinco anos e crianças maiores de cinco anos de idade segundo a recomendação da Organização Mundial de Saúde (2006-2007). Desta forma, a figura abaixo (FIGURA 1) apresenta a distribuição da amostra de acordo com o intervalo de escore Z para o índice antropométrico IMC/idade em relação ao sexo e a idade. Em ambos, a maioria das crianças se encontra no intervalo >= -2 < +1, que segundo a WHO (2006) e NCHS (2007), classifica as crianças como eutróficas. Observa-se maior frequências de meninas nos intervalos acima do escore Z +1, representativos de classificação de sobrepeso e obesidade.

Figura 1 - Distribuição da amostra total (n= 102 meninas e n=91 meninos), de acordo com o intervalo de escore Z para o índice antropométrico IMC/idade.

Tabela 1 : Distribuição da amostra total (n=193) de acordo com a classificação econômica pelo Critério de Classificação Econômico Brasil

Classificação_CCEB

Total Classe A Classe B1 Classe B2 Classe C1 Classe D-E Não respondeu

Sexo Masculino n 42 29 15 1 1 3 91 % doTotal 21,8% 15,0% 7,8% 0,5% 0,5% 1,6% 47,2% Feminino n 55 23 16 4 0 4 102 % do Total 28,5% 11,9% 8,3% 2,1% 0,0% 2,1% 52,8% Total n 97 52 31 5 1 7 193 % do Total 50,3% 26,9% 16,1% 2,6% 0,5% 3,6% 100,0%

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Das 193 crianças que participaram da pesquisa, 19,57% foram acuradas e 80, 95% inacuradas quanto a percepção do tamanho corporal e cerca de 23,8% das crianças estavam satisfeitas e 76,19% apresentaram insatisfação com o tamanho corporal (Figura 2).

Figura 2 – Percepção do tamanho corporal e Satisfação e Insatisfação de crianças pré escolares com idade entre quatro e seis anos de idade (n= 102) meninas e (n=91) meninos, em escolas particulares em

cidades do Estado de São Paulo.

Em relação a fidedignidade teste reteste, o índice de correlação de Spearman mostrou-se baixo e/ou sem significância estatística para crianças de ambos os sexos de 4 e 5 anos de idade. Mas com valor significativo e expressivo para as crianças de 6 anos, para percepção do tamanho corporal em ambos os sexos e para insatisfação com o tamanho corporal em meninas (Tabela 2).

Tabela 2: Coeficientes de fidedignidade teste-reteste da subamostra infantil (n=60), obtido pela correlação de Spearman entre os valores de IMC das figuras apontadas como Atual e desejada e os

índices de In/Acurácia e In/satisfação em relação aos respectivos reteste. Correlação de Spearman (s)* Atual - reteste Desejado - reteste Acurácia - reteste In/satisfação - reteste Masculino 4 5 6 0.949 0.349** 0.724 -0.544** -0.152** 0.589 0.447** 0.496** 0.953 0.200** -0.156** 0.186** Feminino 4 5 6 0.103 0.413 0.936 0.644 0.439** 0.823 0.075** 0.040** 0.722 -0.350** 0.079** 0.711 * Correlações significativas ao nível 0.01; ** Correlações não significativas

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Acurácia Inacurácia Satisfeitos Insatisfeitos %

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8. CONSIDERÇÕES FINAIS

A escala de silhuetas brasileiras desenvolvida para crianças entre 4 e 6 anos de idade apresenta-se adequada como instrumento a ser utilizada nas pesquisas sobre percepção e insatisfação do tamanho corporal para crianças de seis anos.

Apesar dos dados demonstrarem baixa fidedignidade para utilização como instrumento de avaliação em estudos com a imagem corporal em crianças de 4 e 5 anos de idade, outros fatores necessitam ser investigados, em especial relacionados aos desenvolvimento cognitivo e a percepção do próprio corpo para este grupo etário.

9. REFERÊNCIAS

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