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Anais do Conic-Semesp. Volume 1, 2013 - Faculdade Anhanguera de Campinas - Unidade 3. ISSN 2357-8904

TÍTULO: AVALIAÇÃO ECOTOXICOLÓGICA DE EXTRATO ETANÓLICO 70% DE PFAFFIA GLOMERATA (SPRENG) PEDERSEN (GINSENG BRASILEIRO), EM MODELOS DE TOXICIDADE CRÔNICA

UTILIZANDO OURIÇO-DO-MAR (LYTECHINUS VARIEGATUS) TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): ALAN DE FRANÇA SANTANA AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): CAMILO DIAS SEABRA PEREIRA, WALBER TOMA ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): FABIO PUSCEDDU, FERNANDO SANZI CORTEZ COLABORADOR(ES):

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Resumo

Pfaffia glomerata (Spreng) Pedersen (Amaranthaceae), popularmente

conhecida como “Ginseng Brasileiro” ou “Paratudo” tem através de suas raízes ampla utilização terapêutica para aos mais variados processos patológicos. No entanto, poucos são os trabalhos que relacionem a provável atividade farmacológica de extratos obtidos a partir das folhas de Pfaffia glomerata. Estudos prévios demonstram que o extrato etanólico 70% obtido a partir das folhas de Pfaffia

glomerata apresenta significativa atividade antiulcerogênica. Tendo em vista tais

dados este trabalho tem por objetivo analisar a potencial capacidade deste extrato em promover danos ecotoxicológicos através de protocolos crônicos utilizando

Lytechinus variegatus (Ouriço-do-Mar). Para a avaliação do efeito crônico testes de

toxicidade foram realizados (desenvolvimento embriolarval), onde foi encontrado o valor médio de CI(I) 50 que foi de 9,63 mg/L. Essa análise tem em vista a necessidade da busca de novas propostas terapêuticas com baixa probabilidade de efeitos toxicológicos para o meio hídrico e para patologia da úlcera gástrica utilizando extrato etanólico 70% obtido a partir das folhas de Pfaffia glomerata.

Palavras-chaves: Pfaffia glomerata; Ginseng Brasileiro; Lytechinus variegatus;

Ouriço-do-Mar; Avaliação Ecotoxicológica

1.Introdução

As plantas e os produtos naturais delas derivados têm sido utilizados ao longo da História e no mundo com variados fins. A medicina com base em plantas desempenhou um papel fundamental na sobrevivência de várias civilizações. Em algumas, como é o caso da medicina chinesa ou da medicina tradicional indiana ayurvédica, o seu papel primordial como agente curativo permaneceu até aos nossos dias. Na medicina ocidental cerca de 25% dos produtos farmacêuticos contêm na sua composição compostos provenientes ou derivados de moléculas vegetais (Pintão e da Silva, 2008).

O Brasil possui a flora mais rica do mundo, com mais de 56.000 espécies de plantas o que corresponde a quase 19% da flora mundial. Estimativas atuais indicam

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a existência de 5-10 espécies de gimnospermas, 55.000-60.000 espécies de angiospermas, 3.100 espécies de briófitas, 1.200-1.300 espécies de pteridófitos e cerca de 525 espécies de algas marinhas. Esses números não incluem os fungos e os líquens, estes últimos com estimativas recentes de 2.800 espécies no Brasil (Marcelli, 1998).

Dentre as mais diversas espécies presentes em nosso país, dá-se destaque no presente trabalho à planta Pfaffia glomerata (Spreng) Pedersen (Amaranthaceae). Esta pertence a uma das várias espécies do gênero Pfaffia, sendo utilizada em substituição ao Ginseng. Popularmente conhecida como “Paratudo” e “Ginseng Brasileiro”, trata-se de uma erva de porte alto, encontrando-se em todo território brasileiro, Guiana, Bolívia, Equador, Panamá e Argentina. É uma espécie seletiva higrófita e heliófita bastante rara, ocorrendo principalmente à beira de rios e nas orlas das matas de galerias, onde pode receber bastante luz (Smith & Downs, 1972).

Essa espécie, cujas raízes são utilizadas há séculos pelos índios brasileiros na cura e prevenção de doenças, teve nos últimos anos diversas propriedades medicinais comprovadas cientificamente tendo sua alta popularidade relacionada às indicações terapêuticas destacando-se a atividade revigorante, redutora do esgotamento físico e mental, promotora de melhora no quadro de memória, auxiliar no tratamento de irregularidades circulatórias, antianêmica, hipoglicemiante, além de ser amplamente indicada no tratamento da disfunção erétil (Nishimoto et al., 1984).No entanto, apesar da ampla utilização terapêutica de produtos obtidos a partir das raízes de Pfaffia glomerata poucos são os trabalhos que relacionem a provável atividade farmacológica de extratos obtidos a partir das folhas de Pfaffia

glomerata. Dentre estes poucos trabalhos encontra-se a atividade antiulcerogênica

avaliada a partir do extrato etanólico 70% obtido a partir das folhas de Pfaffia

glomerata ( Mazzeo et al., 2012).

O desenvolvimento da indústria farmacêutica, que hoje disponibiliza para o mercado milhões de substâncias com propósito terapêutico, acarretou colateralmente um grave problema ambiental, o qual vem crescendo em atenção e preocupação nas agências controladoras do ambiente em várias nações (Garric et

al., 2003). O aporte de substâncias farmacologicamente ativas no ambiente advém

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sendo excretadas na forma metabólitos ou não e introduzidas, principalmente, a partir do lançamento via efluentes municipais e industriais nos corpos hídricos receptores das águas servidas (Chapman, 2006; Petrovic et al., 2005; Calamari et

al., 2003).

O monitoramento de substâncias farmacêuticas residuais em matrizes ambientais tem sido abordado em vários trabalhos de pesquisas desde o final da década de 90, tornando-se um tema bastante discutido devido ao fato de muitas dessas substâncias serem frequentemente encontradas em estações de tratamento de esgoto (ETE’s) e abastecimento de água (ETA’s), bem como em outras matrizes ambientais tais como solo, sedimento e águas naturais em concentrações na faixa de µg.L-1 e ng.L-1. A grande preocupação da presença destes fármacos residuais na água são os potenciais efeitos adversos para a saúde humana, animal e de organismos aquáticos ( Ponezi et al., 2006; Bila et al., 1990).

A ecotoxicologia é a ciência que vem estudando o comportamento e as transformações desses agentes químicos no ambiente, assim como seus efeitos sobre os organismos vivos, animais ou vegetais, terrestres ou aquáticos, que constituem a biosfera (Beausse, 1994; Cortez, 2011).

Sendo assim para identificar os efeitos dessas substâncias sobre a biota aquática, tem se utilizado nessas últimas décadas, testes de toxicidade aguda e crônica com organismos de águas continentais, estuarinas e marinhas, em condições laboratoriais e/ou de campo. Permitindo estabelecer limites permissíveis para várias substâncias químicas e avaliar o possível impacto de sobre os organismos aquáticos dos corpos receptores.

As principais aplicações para os testes de toxicidade são as avaliações dos riscos potenciais de substancias químicas ao meio ambiente, o monitoramento da qualidade das águas superficiais e subterrâneas, a fiscalização de efluentes, a identificação de fontes poluidoras e a investigação de sinergismos e antagonismos de substâncias. Chamam atenção no presente trabalho a potencial capacidade de promover danos ecotoxicológicos a partir de fármacos antiulcerogênicos, tais como ranitidina e omeprazol, tendo em vista que estes são amplamente utilizados pela população brasileira

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Assim tem-se em vista a necessidade da busca de novas propostas terapêuticas com baixa probabilidade de efeitos toxicológicos para a patologia da úlcera gástrica, somada às preocupações no que tange às questões ambientais quanto ao uso de compostos com propriedades terapêuticas, pode-se supor que os resultados mediante avaliação do extrato etanólico 70% obtido a partir das folhas de

Pfaffia glomerata em ensaios farmacológicos, poderão servir como base para futuros

estudos com o intuito de inserir tal extrato como alternativa farmacológica a pacientes portadores de úlceras gástricas com provável redução de danos ambientais.

2. Objetivos

2.1. Objetivos gerais

Realizar avaliação ecotoxicológica Pfaffia glomerata (Spreng) Pedersen (Ginseng brasileiro), em ensaios de toxicidade crônica utilizando ouriço-do-mar (Lytechinus variegatus).

2.2. Objetivos específicos

Avaliar o efeito crônico do extrato de ginseng por meio de ensaios de toxicidade com o ouriço-do-mar Lytechinus variegatus

3. Metodologia

O método de ensaio seguiu a norma técnica ABNT/NBR 15350/2012, que consistiu na exposição de ovos de ouriço-do-mar (Lytechinus variegatus) a diferentes concentrações do extrato etanólico 70% obtido a partir das folhas de

Pfaffia glomerata por um período de 24h a 28h de exposição. Após a exposição as

larvas foram observadas quanto ao desenvolvimento embriolarval normal e anômalo. Os resultados dos ensaios de ecotoxicidade realizados para o extrato de

Pfaffia glomerata foram analisados quanto à normalidade e homogeneidade dos

dados através do método Chi-quadrado e do teste de barttlett, respectivamente. Posteriormente foi aplicado analise de variância (ANOVA) com post hoc de Dunnet, no qual as diferenças significativas foram determinadas quando p<0,05. Além disso,

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foi utilizado o método de interpolação linear para determinação da CI50 através do software ICp 2.0 (USEPA, 1993).

4. Desenvolvimento

Através de uma injeção de KCl 0,5 mol, foi induzida a liberação dos gametas. Para a coleta dos óvulos, identificados por uma coloração amarelo-alaranjados, as fêmeas foram apoiadas com a superfície aboral voltada para baixo em um recipiente menos que seu diâmetro. Os espermatozoides, identificados por sua cor branca, foram coletados com auxilio de uma pipeta automática e acondicionados em um béquer envolto com gelo, sem que entrem em contato com água de diluição até inicio dos experimentos.

Na fecundação foi preparado uma solução na proporção de 0,5 ml de espermatozoide para 25 ml de água de diluição. Esta solução foi misturada. E em seguida foi acrescentado um volume de 1 ml a 2 ml da solução do esperma ao recipiente contendo os óvulos e aguardado 10 minutos com leve agitação

Após este período, três sub-amostras de 10 µL da solução foram colocadas em câmara de Sedwick-Rafter para contagem e cálculo da porcentagem de fecundação (mínimo de 80% de óvulos fecundados para utilização do ensaio).

Após o período de 24 horas de exposição com as substâncias teste em câmara com temperatura entre 24±2º C, será retirada uma alíquota do controle para verificar se pelo menos 80% das larvas atingiram o estágio de pluteus (critério de aceitabilidade do ensaio). Sendo assim, o ensaio será encerrado adicionando em todas as réplicas 0,5 mL de formol tamponado com bórax. A leitura do ensaio será realizada em câmara de Sedgwick-Rafter e o estágio de desenvolvimento, bem como a ocorrência de anomalias nos 100 primeiros organismos de cada réplica serão tabulados. Análises físicas e químicas iniciais e finais (oxigênio dissolvido, pH e salinidade) serão realizadas.

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5. Resultados

Os resultados dos ensaios (n=3) com extrato etanólico 70% de Pfaffia

glomerata, as respectivas médias e os desvios padrão estão apresentados na tabela

1.

Tabela 1 – Resultado dos ensaios de toxicidade crônica com ouriço Lytechinus

variegatus

Ensaio CEO mg/L CENO mg/L CI(I)50 mg/L 1 1,56 0,78 5,14 (4,22 - 6,55) 2 3,12 1,56 6,72 (6,15 - 7,30) 3 1,56 0,78 17,02 (16,36 -17,34) Média 2,08 1,04 9,63 Desvio Padrão 0,90 0,45 6,45 6. Considerações Finais

Existem poucos dados disponíveis na literatura com relação à ecotoxicidade do extrato de ginseng e, além disso, ainda não foram reportados dados sobre a toxicidade deste composto no ambiente marinho. No estudo realizado por Mazzeo (2012), por exemplo, foi reportado a toxicidade aguda para Daphnia similis com concentrações de efeito de 180 mg.L-1

Levando-se em consideração a diretiva europeia 93/67/EEC (CEC, 1996), este composto poderia ser classificado como uma substância “tóxica”. Entretanto, quando comparado a dados da literatura do fármaco Omeprazol (Mathias, 2012), que é um composto sintético com a mesma ação terapêutica, o ginseng é menos tóxico, uma vez que o Omeprazol é considerado “extremamente tóxico” de acordo com a diretiva europeia.

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7. Fontes Consultadas

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnias – Ecotoxicologia Aquática – Toxicidade crônica de curta duração – Método de ensaio com ouriço-do-mar

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Referências

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