Regras básicas de
concordância verbal
Gramática
Prof. Gustavo
Segundo o que está na página 479 da nossa Gramática, a concordância é um processo utilizado pela língua para marcar formalmente as relacões de
determinação ou dependência
morfossintática existentes entre os termos dos sintagmas no interior das orações. Em palavras mais simples, a
concordância é a correspondência de
flexão (de número e pessoa) entre termos de um sintagma, podendo ser
verbal ou nominal. Iremos estudar
aqui algumas formas de concordância verbal estabelecidas pela gramática normativa.
Articulação dos
termos na oração
Relembrando conceitos
Sujeito
É o termo (ou a expressão) com o qual o verbo da oração concorda em
número (singular e plural) e pessoa (1ª, 2ª e 3ª). De maneira geral, é o
termo sobre o qual o predicado declara algo.
Predicado
É o termo da oração que faz uma predicação, ou seja, uma afirmação
sobre o sujeito. No caso das orações sem sujeito, a predicação é feita
genericamente. Pode ser verbal, nominal ou verbo-nominal.
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Processos de concordância:
Concordância verbal
Concordância verbal é a relação estabelecida de forma harmônica entre sujeito e verbo da oração a qual faz parte. Isso quer dizer que quando o sujeito está no singular, o verbo também deve estar; quando o sujeito estiver no plural, o verbo também estará. Existem, no entanto, casos particulares que produzem efeitos de sentido, aspecto que vem a ser nosso objeto de interesse.
01. SUJEITO SIMPLES CONCORDA COM O VERBO
Quando o sujeito simples (formado por apenas um núcleo) aparece na oração, sempre concordará com o verbo, que irá para o singular ou para o plural de acordo com a forma do sujeito.
Exemplo:
Na sociedade capitalista,
o lucro
vem
acima de tudo.
Observação:
Os verbos ter e vir flexionados na terceira pessoa do plural não tem uma forma diferente do seu singular, sendo a concordância marcada pelo uso do acento circunflexo.
02. SUJEITO COMPOSTO ANTEPOSTO AO VERBO
Quando o sujeito composto (formado por mais de um núcleo) vem anteposto ao verbo, este vai para o plural.
Exemplo:
03. SUJEITO COMPOSTO POSPOSTO AO VERBO
Quando o sujeito composto vem posposto ao verbo, isto é, depois dele, há duas variantes na língua culta escrita.
I. O verbo vai para o plural:
Já
seguiram
para Teresópolis o novo
técnico
da seleção e os
jogadores
convocados.
II. O verbo concorda com o núcleo mais próximo:
Já
seguiu
para Teresópolis o novo
técnico
da seleção e os
jogadores
convocados.
OBS.: Nesse caso, a ordem dos núcleos faz diferença. Se o núcleo jogadores estivesse antes de
03. SUJEITO COMPOSTO ANTEPOSTO E O VERBO NO SINGULAR
Como vimos no item 01, quando o sujeito composto é anteposto, o verbo vai para o plural. Isto é, de fato, o que acontece na maioria dos casos. Há, no entanto, circunstâncias em que o verbo fica (ou pode ficar) no singular. Trata-se de uma particularidade que, evidentemente, só ocorre motivada por razões especiais, como nos casos que seguem:
I. Quando os núcleos do sujeito são sinônimos ou tomados como elementos integrantes de uma só noção, o verbo
pode ficar no singular:
Rancor
e
ódio
destrói
qualquer parceria
- sujeito composto - anteposto
- núcleos sinônimos
- verbo - singular
II. Quando os núcleos do sujeito vêm numerados numa progressão gradativa (ascendente ou descendente), o verbo
pode ficar no singular, concordando apenas com o último elemento da gradação.
núcleos do sujeito dispostos em gradação do menos intenso para o mais intenso
verbo no singular, concordando com o elemento mais intenso (o último)
Nem o desacato, nem a ofensa,
nem o
ultraje
nos
intimidou
.
OBS.:
Também aqui, o singular justifica-se por motivos mais psicológicos do que lógicos: nas sequências gradativas, o último elemento da série é o que vem carregado de mais ênfase e expressividade, fato que leva o verbo a concordar apenas com ele. O plural nesse caso também é correto, mas não produz o mesmo efeito de sentido.
III. Quando os núcleos vêm resumidos por um pronome indefinido: alguém, ninguém, cada, tudo, nada, o verbo
obrigatoriamente deve ficar no singular e, neste caso, não ocorre o plural.
núcleos do sujeito resumidos pelo pronome indefinido tudo
verbo no singular
Casas
,
árvores
,
pontes
, tudo
foi destruído
.
OBS.:
No caso, o plural torna-se inaceitável, pois o poder sintetizante do pronome é tão marcante, que só nos fica a ideia do conjunto – e não das partes separadas que o compõem.
05. SUJEITO CONSTITUIDO POR SUBSTANTIVO COLETIVO
Quando o sujeito é formado por um substantivo coletivo, o verbo concorda, em princípio, com a forma gramatical da palavra – e não com a ideia:
Observação:
Pode ocorrer o plural quando o coletivo, antecipado ao verbo, vem seguido
de um adjunto adnominal:
O
bando
fugiu
.
A
multidão
de fieis
seguiam
a procissão.
sujeitosubstantivo coletivo forma singular
verbo plural
Quando o sujeito é formado pelo pronome relativo que, o verbo concorda com o antecedente desse pronome.
antecedente
do pronome relativo
Fui eu
que
menti
.
06. PRONOME RELATIVO “QUE” COMO SUJEITO:
Fomos nós
que
mentimos
.
- pronome relativo- sujeito
- verbo
- na mesma pessoa e número que o antecedente do pronome relativo
07. SUJEITO DE UM VERBO APASSIVADO PELO PRONOME “SE”
Quando o verbo vem apassivado pelo pronome se, o sujeito está sempre presente na frase, e o verbo deve concordar com ele.
Observação:
Mesmo que o agente da voz passiva não venha expresso na frase, o que normalmente ocorre na linguagem moderna, o verbo deve continuar concordando com o sujeito:
Essas
turmas
se
formaram
de gente adulta.
- sujeito- plural - partículaapassivadora - verbo passivo - agente da voz passiva
Formaram
-se
estas
turmas
∅
- verbo passivo - partículaapassivadora - sujeito- plural - o agente da voz passiva não ocorre na frase
08. VERBOS IMPESSOAIS
Como verbo impessoal é aquele que não tem sujeito, ele não tem com quem concordar: verbo impessoal, portanto, fica sempre na 3ª (terceira) pessoa do singular.
Exemplo:
Choverá
muito neste mês.
- verbo impessoal - terceira pessoa - singular
08. VERBOS IMPESSOAIS
I. O verbo haver, no sentido de existir ou de tempo transcorrido, é impessoal.
II. O verbo fazer, quando indica tempo transcorrido, também é impessoal. - sujeito inexistente - verbo impessoal
- terceira pessoa - singular
∅
Haverá
uma excelente festa
- objeto direto - plural
∅
Faz
três dias que ele chegou.
- sujeito inexistente - verbo impessoal- terceira pessoa - singular
- objeto direto - plural
09.
Núcleos ligados por ou / nem
Quando os núcleos do sujeito composto vierem ligados pelas conjunções ou ou nem, há duas
situações a considerar, levando-se em conta a ideia expressa pelas conjunções.
a) Se a conjunção indicar exclusão, o verbo deverá concordar com o núcleo mais
próximo;
10.
Expressão fracionária
No caso da expressão fracionária, a gramática normativa recomenda que o verbo concorde com o
numerador da fração, ou seja, com o número que vem acima do traço da fração.
11.
Expressão indicativa de quantidade aproximada
Quando o sujeito é constituído de uma expressão indicativa de quantidade aproximada seguida
de numeral, o verbo concordará com o substantivo que segue essa expressão.
12.
Expressão partitiva + substantivo / pronome
Quando o sujeito apresenta uma expressão partitiva seguida de um substantivo ou de um
pronome no plural, ele pode ficar tanto no singular quanto no plural, a depender da ênfase que o
falante quer deixar recair: na expressão partitiva ou no especificador.
13.
Porcentagem
Quando o sujeito apresenta apenas a expressão numérica de uma porcentagem, o verbo deverá
concordar com o valor dessa expressão numérica.
Quando a expressão numérica de porcentagem vier seguida de um substantivo, o verbo poderá
concordar com o numeral ou com o substantivo.
Observação sobre o uso no texto escrito:
Convencionou-se que porcentagens são apresentadas sempre em algarismos no texto. No caso de um numeral
cardinais (um, dois, três…) convencionou-se que, se formado por uma palavra, ela é escrita por extenso; se formado
por mais de uma palavra, grafa-se o algarismo (23, 52…)
14.
Concordância ideológica
Concordância ideológica é aquela em que o termo flexionado (verbo, adjetivo ou pronome) concorda com a ideia de número, gênero ou pessoa associada ao conceito (a ideia) do sujeito da oração. A concordância ideológica é também chamada de silepse e provoca variados efeitos de sentidos.
Silepse de número:
A população chegou agitada ao comício, levavam cartazes e apitos.
Silepse de gênero:
São Paulo é cheia de surpresas e encantos.
Silepse de pessoa: