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Gramática Prof. Gustavo. Regras básicas de concordância verbal

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(1)

Regras básicas de

concordância verbal

Gramática

Prof. Gustavo

(2)

Segundo o que está na página 479 da nossa Gramática, a concordância é um processo utilizado pela língua para marcar formalmente as relacões de

determinação ou dependência

morfossintática existentes entre os termos dos sintagmas no interior das orações. Em palavras mais simples, a

concordância é a correspondência de

flexão (de número e pessoa) entre termos de um sintagma, podendo ser

verbal ou nominal. Iremos estudar

aqui algumas formas de concordância verbal estabelecidas pela gramática normativa.

Articulação dos

termos na oração

(3)

Relembrando conceitos

Sujeito

É o termo (ou a expressão) com o qual o verbo da oração concorda em

número (singular e plural) e pessoa (1ª, 2ª e 3ª). De maneira geral, é o

termo sobre o qual o predicado declara algo.

Predicado

É o termo da oração que faz uma predicação, ou seja, uma afirmação

sobre o sujeito. No caso das orações sem sujeito, a predicação é feita

genericamente. Pode ser verbal, nominal ou verbo-nominal.

pág in a391 pág in a385

(4)

Processos de concordância:

(5)

Concordância verbal

Concordância verbal é a relação estabelecida de forma harmônica entre sujeito e verbo da oração a qual faz parte. Isso quer dizer que quando o sujeito está no singular, o verbo também deve estar; quando o sujeito estiver no plural, o verbo também estará. Existem, no entanto, casos particulares que produzem efeitos de sentido, aspecto que vem a ser nosso objeto de interesse.

(6)

01. SUJEITO SIMPLES CONCORDA COM O VERBO

Quando o sujeito simples (formado por apenas um núcleo) aparece na oração, sempre concordará com o verbo, que irá para o singular ou para o plural de acordo com a forma do sujeito.

Exemplo:

Na sociedade capitalista,

o lucro

vem

acima de tudo.

Observação:

Os verbos ter e vir flexionados na terceira pessoa do plural não tem uma forma diferente do seu singular, sendo a concordância marcada pelo uso do acento circunflexo.

(7)

02. SUJEITO COMPOSTO ANTEPOSTO AO VERBO

Quando o sujeito composto (formado por mais de um núcleo) vem anteposto ao verbo, este vai para o plural.

Exemplo:

(8)

03. SUJEITO COMPOSTO POSPOSTO AO VERBO

Quando o sujeito composto vem posposto ao verbo, isto é, depois dele, há duas variantes na língua culta escrita.

I. O verbo vai para o plural:

seguiram

para Teresópolis o novo

técnico

da seleção e os

jogadores

convocados.

II. O verbo concorda com o núcleo mais próximo:

seguiu

para Teresópolis o novo

técnico

da seleção e os

jogadores

convocados.

OBS.: Nesse caso, a ordem dos núcleos faz diferença. Se o núcleo jogadores estivesse antes de

(9)

03. SUJEITO COMPOSTO ANTEPOSTO E O VERBO NO SINGULAR

Como vimos no item 01, quando o sujeito composto é anteposto, o verbo vai para o plural. Isto é, de fato, o que acontece na maioria dos casos. Há, no entanto, circunstâncias em que o verbo fica (ou pode ficar) no singular. Trata-se de uma particularidade que, evidentemente, só ocorre motivada por razões especiais, como nos casos que seguem:

I. Quando os núcleos do sujeito são sinônimos ou tomados como elementos integrantes de uma só noção, o verbo

pode ficar no singular:

Rancor

e

ódio

destrói

qualquer parceria

- sujeito composto - anteposto

- núcleos sinônimos

- verbo - singular

(10)

II. Quando os núcleos do sujeito vêm numerados numa progressão gradativa (ascendente ou descendente), o verbo

pode ficar no singular, concordando apenas com o último elemento da gradação.

núcleos do sujeito dispostos em gradação do menos intenso para o mais intenso

verbo no singular, concordando com o elemento mais intenso (o último)

Nem o desacato, nem a ofensa,

nem o

ultraje

nos

intimidou

.

OBS.:

Também aqui, o singular justifica-se por motivos mais psicológicos do que lógicos: nas sequências gradativas, o último elemento da série é o que vem carregado de mais ênfase e expressividade, fato que leva o verbo a concordar apenas com ele. O plural nesse caso também é correto, mas não produz o mesmo efeito de sentido.

(11)

III. Quando os núcleos vêm resumidos por um pronome indefinido: alguém, ninguém, cada, tudo, nada, o verbo

obrigatoriamente deve ficar no singular e, neste caso, não ocorre o plural.

núcleos do sujeito resumidos pelo pronome indefinido tudo

verbo no singular

Casas

,

árvores

,

pontes

, tudo

foi destruído

.

OBS.:

No caso, o plural torna-se inaceitável, pois o poder sintetizante do pronome é tão marcante, que só nos fica a ideia do conjunto – e não das partes separadas que o compõem.

(12)

05. SUJEITO CONSTITUIDO POR SUBSTANTIVO COLETIVO

Quando o sujeito é formado por um substantivo coletivo, o verbo concorda, em princípio, com a forma gramatical da palavra – e não com a ideia:

Observação:

Pode ocorrer o plural quando o coletivo, antecipado ao verbo, vem seguido

de um adjunto adnominal:

O

bando

fugiu

.

A

multidão

de fieis

seguiam

a procissão.

sujeito

substantivo coletivo forma singular

verbo plural

(13)

Quando o sujeito é formado pelo pronome relativo que, o verbo concorda com o antecedente desse pronome.

antecedente

do pronome relativo

Fui eu

que

menti

.

06. PRONOME RELATIVO “QUE” COMO SUJEITO:

Fomos nós

que

mentimos

.

- pronome relativo

- sujeito

- verbo

- na mesma pessoa e número que o antecedente do pronome relativo

(14)

07. SUJEITO DE UM VERBO APASSIVADO PELO PRONOME “SE”

Quando o verbo vem apassivado pelo pronome se, o sujeito está sempre presente na frase, e o verbo deve concordar com ele.

Observação:

Mesmo que o agente da voz passiva não venha expresso na frase, o que normalmente ocorre na linguagem moderna, o verbo deve continuar concordando com o sujeito:

Essas

turmas

se

formaram

de gente adulta.

- sujeito

- plural - partículaapassivadora - verbo passivo - agente da voz passiva

Formaram

-se

estas

turmas

- verbo passivo - partículaapassivadora - sujeito- plural - o agente da voz passiva não ocorre na frase

(15)

08. VERBOS IMPESSOAIS

Como verbo impessoal é aquele que não tem sujeito, ele não tem com quem concordar: verbo impessoal, portanto, fica sempre na 3ª (terceira) pessoa do singular.

Exemplo:

Choverá

muito neste mês.

- verbo impessoal - terceira pessoa - singular

(16)

08. VERBOS IMPESSOAIS

I. O verbo haver, no sentido de existir ou de tempo transcorrido, é impessoal.

II. O verbo fazer, quando indica tempo transcorrido, também é impessoal. - sujeito inexistente - verbo impessoal

- terceira pessoa - singular

Haverá

uma excelente festa

- objeto direto - plural

Faz

três dias que ele chegou.

- sujeito inexistente - verbo impessoal- terceira pessoa - singular

- objeto direto - plural

(17)

09.

Núcleos ligados por ou / nem

Quando os núcleos do sujeito composto vierem ligados pelas conjunções ou ou nem, há duas

situações a considerar, levando-se em conta a ideia expressa pelas conjunções.

a) Se a conjunção indicar exclusão, o verbo deverá concordar com o núcleo mais

próximo;

(18)

10.

Expressão fracionária

No caso da expressão fracionária, a gramática normativa recomenda que o verbo concorde com o

numerador da fração, ou seja, com o número que vem acima do traço da fração.

11.

Expressão indicativa de quantidade aproximada

Quando o sujeito é constituído de uma expressão indicativa de quantidade aproximada seguida

de numeral, o verbo concordará com o substantivo que segue essa expressão.

(19)

12.

Expressão partitiva + substantivo / pronome

Quando o sujeito apresenta uma expressão partitiva seguida de um substantivo ou de um

pronome no plural, ele pode ficar tanto no singular quanto no plural, a depender da ênfase que o

falante quer deixar recair: na expressão partitiva ou no especificador.

(20)

13.

Porcentagem

Quando o sujeito apresenta apenas a expressão numérica de uma porcentagem, o verbo deverá

concordar com o valor dessa expressão numérica.

Quando a expressão numérica de porcentagem vier seguida de um substantivo, o verbo poderá

concordar com o numeral ou com o substantivo.

Observação sobre o uso no texto escrito:

Convencionou-se que porcentagens são apresentadas sempre em algarismos no texto. No caso de um numeral

cardinais (um, dois, três…) convencionou-se que, se formado por uma palavra, ela é escrita por extenso; se formado

por mais de uma palavra, grafa-se o algarismo (23, 52…)

(21)

14.

Concordância ideológica

Concordância ideológica é aquela em que o termo flexionado (verbo, adjetivo ou pronome) concorda com a ideia de número, gênero ou pessoa associada ao conceito (a ideia) do sujeito da oração. A concordância ideológica é também chamada de silepse e provoca variados efeitos de sentidos.

Silepse de número:

A população chegou agitada ao comício, levavam cartazes e apitos.

Silepse de gênero:

São Paulo é cheia de surpresas e encantos.

Silepse de pessoa:

Referências

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