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Finanças Internacionais

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(1)

Mestrado em Finanças e Economia

Empresarial - 2012

Finanças Internacionais

APOSTILA - PARTE I

(2)

Contabilidade Nacional

e

Balanço de Pagamentos

(3)

Economia Aberta

Objetivo: estudar os efeitos de políticas macroeconômicas

em economias nas quais há trocas relevantes entre residentes e não-residentes.

 Uma economia está ligada ao resto do mundo através de

dois canais externos: o comércio de bens e serviços

(conta-corrente) e os financiamentos (conta de capitais).

 A ligação via comércio está ligada à importação e

(4)

• O Brasil é uma economia aberta?

• E os EUA?

• Pode um país exportar mais do que seu PIB?

(5)

Macroeconomia Aberta

Três conceitos de ABERTURA ECONÔMICA:

1) Abertura nos mercados de bens:

escolha entre bens domésticos e importados

tarifas

(6)

Exportações + Importações de Bens e Serviços/PIB - 2010 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Braz il US J apan Col ombi a Aus trali a Argenti na Indi a V enezuel a Urugu ay Spai n T urkey UK Peru Fr anc e Rus s ia Ital y Canada Ch ina Portugal Phi lippi nes Mexic o Bol iv ia Chi le Ec uador G ermany Sw itz erland Paraguay Korea 18.8

(7)

0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0 140,0 160,0 B ra zi l d S ta te s Ja p a n rg e n ti n a in g d o m F ra n ce U rug ua y de ra ti on C h in a N or w a y e rm a n y S w e de n it ze rl a nd p u b li c o f m b o u rg e rl a n d s te d A ra b B e lg iu m ing a por e g , C h in a Exportações/ PIB em % 9,7%

(8)

Macroeconomia Aberta

Pode-se concluir do gráfico anteriorque o Brasil,

EUA e Japão têm mais restrições ao comércio do

que Bélgica e Hong Kong?

Não. GEOGRAFIA e TAMANHO são as causas.

Japão – isolamento geográfico explica em boa parte

o baixo grau de abertura.

Bélgica (5% do PIB dos EUA) e Hong Kong são

países pequenos e não conseguem produzir a

mesma variedade de bens que os países

(9)

Macroeconomia Aberta

O grau de abertura de uma economia não é só

medido pelo comércio efetivo.

É importante também levar em consideração os

mercados que estão expostos à competição

internacional, sem que necessariamente haja

importações.

Uma medida melhor do grau de abertura deve ser a

proporção do produto agregado composto de bens

comerciáveis (tradables)

(10)

2) Abertura dos mercados financeiros

• escolha entre ativos domésticos e

estrangeiros

• controle de capitais

• integração dos mercados financeiros

mundiais/ mobilidade de capitais.

3) Abertura nos mercados de fatores:

• liberdade para as firmas escolherem onde

instalar suas fábricas e para os trabalhadores

escolherem onde trabalhar.

(11)

CONTABILIDADE NACIONAL

A contabilidade nacional ou a determinação da

renda nacional nos fornece uma estimativa

regular da renda nacional ou do PIB, a medida

básica do desempenho econômico na produção

de bens e serviços.

PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB)

PIB é o valor de mercado de todos os bens e

serviços finais produzidos em um país em um

dado período de tempo.

(12)

DISTINÇÃO ENTRE PNB E PIB

 PNB = PIB-RLEE (1)

RLEE = renda líquida enviada ao exterior

 Quando o PNB excede o PIB, os moradores de um determinado país estão ganhando mais no exterior do que os estrangeiros estão ganhando neste país.

Aluguel de apartamento no Rio de Janeiro (dono é japonês)

Salário de brasileiro trabalhando no Japão PIBBrasil  PIBJapão  PNBBrasil  PNBJapão 

(13)

Consumo das Famílias (C) Investimento (I) Compras do Governo (G) Bens duráveis;

Bens não duráveis; Serviços.

Inv. não habitacional fixo; Inv. habitacional fixo;

ΔEstoques.

(14)

Identidade Macroeconômica Básica

 PIB + M = C + I + G + X => PIB = C + I + G + X – M =>

PNB + RLEE = C + I + G + X – M (2)

 De (1) e (2): PNB = C + I + G + TC => PNB – (C+I+G) = TC (3)

 Adicionando e subtraindo os impostos em (3):

 (PNB – T – C) + (T – G) – I = TC => I = Sp + Sg + Se (4)

onde Sp = PNB – T – C é a poupança privada; Sg = T – G é a poupança pública;

Se = - TC é a poupança externa.

Déficits Gêmeos: Mantendo a poupança e o investimento privado constantes, um aumento do déficit público piora o saldo em transações correntes.

(15)

Mercados Financeiros

Mercados de Fatores de Produção

Famílias

Governo

Empresas

Renda Poupança Privada R emuner ação dos fato res (sal . + l uc ros ) Impostos In vest imento Gastos do Déficit do Governo

(16)

Como demanda e oferta de bens/serviços se

igualam em uma economia fechada?

Demanda: Função Consumo + Função Investimento + Política Fiscal exógena.

Oferta: Fatores de Produção + Tecnologia (Função de Produção).

Mercado de Bens e Serviços Consumo Gastos do Governo Investimento

Receita das Empresas

 À taxa de juros de equilíbrio, a demanda por bens e serviços se iguala à oferta.

(17)

Equilíbrio nos mercados financeiros depende da interação entre:

Demanda de fundos emprestáveis: I(r) Oferta de fundos emprestáveis: S

Mercados Financeiros Poupança Privada Déficit do Governo Investimento

(18)

BALANÇO DE PAGAMENTOS

É o registro de todas as transações envolvendo

bens, serviços e ativos entre os residentes de um

país e o resto do mundo (não-residentes).

Um déficit no balanço de pagamentos significa

que os residentes estão efetuando mais

pagamentos a estrangeiros do que estão

recebendo destes.

(19)

Estrutura do Balanço de Pagamentos (BP)

1) Balança comercial (Exportação - Importação)

2) Balança de serviços

3) Rendas

4) Transferências Unilaterais

5) Conta Corrente ou Transações Correntes (1+2+3+4)

6) Conta Capital e Financeira

Saldo do BP = BC + BS + Rendas + TU + Conta de

Capital e Financeira = Variações nas reservas

(20)

Quadro I - Balanço de pagamentos

US$ milhões Discriminação

2001 2002 2003 2004 2005

Balança comercial (FOB) 2.642 13.121 24.794 33.641 44.757

Exportações 58.223 60.362 73.084 96.475 118.308

Importações 55.581 47.240 48.290 62.835 73.551

Serviços e rendas -27.493 -23.229 -23.483 -25.198 -34.115

Receitas 12.601 12.901 13.786 15.782 19.289

Despesas 40.094 36.130 37.269 40.980 53.405

Transferências unilaterais correntes (líquido) 1.638 2.390 2.867 3.268 3.558

Transações correntes (NX) -23.213 -7.718 4.177 11.711 14.199 Conta capital e financeira 27.925 8.856 5.111 -7.330 -8.808

Conta capital -36 433 498 339 663

Conta financeira 27.961 8.423 4.613 -7.670 -9.470

Investimento direto (líquido) 24.715 14.108 9.894 8.695 12.676

Investimentos em carteira 77 -5.119 5.308 -4.750 4.885

Derivativos -471 -356 -151 -677 -40

Outros investimentos 3.640 -210 -10.438 -10.937 -26.991

Erros e omissões -1.405 -836 -793 -2.137 -1.072 Variação de reservas ( - = aumento) -3.307 -302 -8.496 -2.244 -4.319

(21)

Importações 62 835 73 606 91 350 120 617 173 107 127 705 166 059 Serviços - 4 678 - 8 309 - 9 654 - 13 218 - 16 690 - 52 930 - 61 000 Receitas 12 584 16 047 19 462 23 955 30 451 Despesas 17 261 24 356 29 116 37 173 47 140 Rendas - 20 520 - 25 967 - 27 489 - 29 291 - 40 562 Receitas 3 199 3 194 6 438 11 493 12 511 Despesas 23 719 29 162 33 927 40 784 53 073

Transf erências unilaterais correntes 3 236 3 558 4 306 4 029 4 224 3 338 2 603

Receitas 3 542 4 051 4 847 4 972 5 317

Despesas 306 493 541 943 1 093

Tr ans açõe s cor r e nte s 11 6 7 9 13 9 8 5 13 6 2 1 1 5 5 0 - 2 8 19 2 - 2 4 3 0 2 - 4 3 4 5 9

Conta capital e finance ir a - 7 5 2 3 - 9 4 6 4 15 9 8 2 8 9 0 8 6 2 9 3 5 2 7 1 3 0 1 9 0 7 4 5

Conta capital 372 663 869 756 1 055 1 129 1 019

Conta f inanceira - 7 895 - 10 127 15 113 88 330 28 297 70 172 89 727

Investimento direto (líquido) 8 339 12 550 - 9 420 27 518 24 601 36 033 26 592

No exterior - 9 807 - 2 517 - 28 202 - 7 067 - 20 457 10 084 - 6 543 Participação no capital - 6 640 - 2 695 - 23 413 - 10 091 - 13 859 - 4 545 - 20 324 Empréstimos intercompanhias - 3 167 178 - 4 789 3 025 - 6 598 14 629 13 781 No país 18 146 15 066 18 782 34 585 45 058 25 949 33 136 Participação no capital 18 570 15 045 15 373 26 074 30 064 19 906 26 777 Empréstimos intercompanhias - 424 21 3 409 8 510 14 994 6 042 6 359 Investimentos em carteira - 4 750 4 885 9 573 48 390 1 133 50 283 64 248 A tivos - 755 - 1 771 523 286 1 900 4 125 2 549 A ções - 121 - 831 - 915 - 1 413 257 2 582 4 814

Títulos de renda f ixa - 633 - 940 1 438 1 699 1 643 1 542 - 2 265

Passivos - 3 996 6 655 9 051 48 104 - 767 46 159 61 699

A ções 2 081 6 451 7 716 26 217 - 7 565 37 071 35 655

Títulos de renda f ixa - 6 076 204 1 335 21 887 6 798 9 087 26 045

Derivativos - 677 - 40 383 - 710 - 312 156 - 77

(22)

Exercício de Balanço de Pagamentos

Qual o efeito no Balanço de Pagamentos dos seguintes fluxos internacionais:

1) País importa US$350milhões de mercadorias, pagando à vista.

2) País importa US$50milhões de equipamentos, financiados à longo prazo.

3) Xerox americana manda máquina de US$20milhões para filial brasileira.

(23)

Macroeconomia Aberta

Como a abertura dos mercados de bens afeta o equilíbrio no mercado de bens?

Em uma economia fechada, nos centramos na decisão de consumir ou poupar.

Agora, há adicionalmente a decisão de, em se consumindo, comprarem-se bens domésticos ou importados.

A variável chave para esta última decisão é o preço dos bens

estrangeiros em termos dos bens domésticos, que é a taxa real de câmbio.

Ao contrário da taxa nominal de câmbio que é divulgada diariamente pelo Banco Central, a taxa real não é diretamente observável.

(24)

Taxas de Câmbio:

Taxa de Câmbio Nominal (e):

É o preço relativo das moedas de dois países.

Ex: e=R$1,66/US$1

Se

e

Depreciação (desvalorização) nominal. Se

e

Apreciação (valorização) nominal.

(25)

Ex.:

Imagine que tomamos os preços de dois carros similares no Brasil e nos EUA:

Ford nos EUA – US$30.000 por um carro. Ford no Brasil – R$40.000 por um carro.

Imagine também que a taxa de câmbio nominal entre R$ e US$ é:

Taxa de Câmbio Real:

(26)

P

P

e

*

Taxa de

câmbio real Taxa de câmbio nominal Razão dos níveis de preços

• Se a taxa de câmbio real (ε) é elevada, os bens estrangeiros são relativamente caros e os bens domésticos relativamente baratos. • Se a taxa de câmbio real (ε) é baixa, então os bens estrangeiros são relativamente baratos e os bens domésticos são relativamente caros.

(27)

A Taxa de Câmbio Real e as Exportações Líquidas

real)

o

(apreciaçã

NX

IM

;

EX

Se

real)

ão

(depreciaç

NX

IM

;

EX

Se

(28)

Depreciação, Balança Comercial e Produto

NX=X(Y*,

)-

Q(Y,

)

Uma depreciação real afeta a balança comercial de

três formas distintas:

1.

As exportações aumentam. A depreciação torna

os bens internos relativamente mais baratos e há

um aumento da demanda por esses bens.

2.

A demanda por produtos importados diminui. A

depreciação torna os bens externos relativamente

mais caros.

(29)

Depreciação, Balança Comercial e Produto

Para uma depreciação melhorar a balança comercial,

as exportações devem aumentar o suficiente e as

importações devem diminuir o suficiente para

compensar o aumento do preço das importações.

A condição que garante que uma depreciação real

conduz a um aumento nas exportações líquidas é

chamada condição de Marshall-Lerner. Vejamos a

derivação desta condição.

(30)

Condição de Marshall-Lerner

NX=X- Q

Suponha que NX=0 para começar, isto é, X= Q. O que queremos é derivar a condição necessária e suficiente para que

>0NX>0. Assim:

NX=X - Q - Q

NX/X=X/X - Q/X - Q/X

Usando Q=X, substitua /X por 1/Q no segundo termo e Q/X por 1/ no terceiro termo, assim obtendo:

NX/X=X/X - Q/Q - /

NX>0  X/X-Q/Q- / >0

Se esta condição for satisfeita, uma depreciação real leva a uma melhora na balança comercial.

Exemplo: Suponha que /=1% implique X/X=0.9% e Q/Q=-0.8% (0.9%)-(-0.8%)-1%=0.7% e a condição de ML é satisfeita.

(31)

A Curva-J

Os efeitos de uma depreciação não são o instantâneo aumento nas exportações e o declínio nas importações. Por quê?

 Leva tempo para os consumidores perceberem os novos preços relativos, para as empresas trocarem seus fornecedores etc. Assim, no início pode haver uma deterioração na Balança Comercial.

 O efeito inicial tende a se refletir mais nos preços que nas

quantidades o que implica uma deterioração inicial da balança comercial.

Se a condição de Marshall-Lerner for satisfeita, a resposta nas

importações e exportações, com o decorrer do tempo, será mais forte que o choque negativo de preços.

(32)
(33)

A Teoria da Paridade do Poder de

Compra

(34)

60 90 120 150 180 jan 88 abr 89 jul 90 out 91 jan 93 abr 94 jul 95 out 96 jan 98 abr 99 jul 00 out 01 jan 03 abr 04 jul 05 out 06 jan 08 abr 09 jul 10 out 11 média = 96.8 Out=75.1 J un 94= 100

(35)

0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200

(36)

Motivação

As oscilações observadas nas taxas de câmbio real

são permanentes ou temporárias?

(37)

PPP e a taxa de câmbio real de longo prazo

 PPP: proposição empírica que diz que uma vez

convertidos para uma mesma moeda, os níveis de preços entre os países devem ser iguais.

 Cassel (1921,22) – propôs o uso da PPP para reconstruir o

padrão-ouro após a 1a. GM.

 Consenso na literatura empírica:

1. No longo prazo (6 a 7 décadas), a taxa de câmbio real

tende para os níveis estabelecidos pela PPP.

2. No curto prazo, os desvios em relação a PPP são grandes

(38)

Definições de Paridade do Poder de Compra (PPP)

1.

Lei do Preço Único (L.O.P.): uma vez convertido para a

mesma moeda, o mesmo bem deveria ser vendido

pelo mesmo preço em diferentes países.

Esta lei deveria valer para bens razoavelmente

homogêneos: oportunidade de arbitragem!

)

(

*

)

(

)

(

)

(

1

)

(

)

(

* *

i

P

i

P

e

i

P

i

P

e

i

P

i

P

e





(39)

Definições de Paridade do Poder de Compra

2.

PPP absoluta:

 Se aplica ao nível geral de preços, enquanto a L.O.P. se aplica a

mercadorias individuais.

Problemas:

Não existe um índice de preços para uma cesta de bens

padronizada internacionalmente.

 Como introduzir novos bens? Novos pesos?

 Os índices de preços podem ter anos-bases diferentes. Não

sabemos se havia desvios da PPP naqueles anos-bases.

P

P

(40)

Definições de Paridade do Poder de Compra

3.

PPP relativa:

 Definição mais operacional da PPP.

 Esta versão requer apenas que a variação cambial anule

o diferencial de inflação entre os países.

 PPP absoluta => PPP relativa.

 Contudo, a PPP relativa pode ser válida mesmo quando

a PPP absoluta não é => quando os fatores que causam os desvios da PPP absoluta são estáveis ao longo do tempo.

 A interpretação dos desvios da PPP relativa pode ser

difícil, pois baseia-se na escolha de um ano base.

*

*

*



e

e

P

P

P

P

e

e

(41)

Evidência Empírica da Lei do Preço Único

Rejeita a L.O.P:

Isard (1977) compara exportações de bens manufaturados entre

países e mostra que os desvios da L.O.P. são grandes e

persistentes e refletem movimentos da taxa de câmbio nominal.

 Giovannini (1988) compara bens relativamente homogêneos

como parafusos e rejeita a L.O.P.

 Engel (1993), Engel e Rogers (1996) mostram que a volatilidade

dos preços relativos é bem menor dentro do país que

internacionalmente. Mesmo controlando para distância, mostram que existe um efeito fronteira que invalida a L.O.P. adicionando de 2.500 a 23.000 milhas entre as cidades.

(42)

Teste da L.O.P.: Taxa de Câmbio do Bigmac

Índice Big Mac

Utilizado para testar se as moedas nacionais estão

sobrevalorizadas ou valendo menos com base na teoria

da Paridade do Poder de Compra (PPP), que diz que no

longo prazo a taxa de câmbio nominal deve se mover de

modo a igualar os preços de uma cesta idêntica de bens

e serviços em dois países:

EP*=P , o poder de compra da moeda é o mesmo nos

dois países.

(43)
(44)
(45)

Resultados do Índice Big Mac (

11 de janeiro de 2012)

 Preço do Big Mac no Brasil/Preço nos US$ = Taxa de

Câmbio da PPP = 10,25/4,20 = 2,44

Segundo este índice, ao nível de R$1,80/US$, a taxa de

câmbio brasileira encontrava-se 35% apreciada em relação ao equilíbrio da PPP: (2,44 – 1,80)/1,80 = 35%.

 A Índia tinha o Big Mac mais barato (custando US$1,62), o

(46)

Problemas do Índice Big Mac

 Big Macs não são comercializados internacionalmente

como a teoria da PPP requer (“condição de não arbitragem”);

 Os preços podem estar distorcidos por tarifas,

impostos, margem de lucro, custo de componentes non-tradables como salários e aluguéis;

 Diferenças de produtividade entre países ricos e

pobres resulta em desvios persistentes da PPP no longo prazo, onde os países menos produtivos no setor de bens comerciáveis tendem a ter uma moeda mais depreciada (“efeito Balassa-Samuelson”).

(47)

Evidência Empírica da PPP absoluta

Rejeita a PPP absoluta:

Os preços de cestas idênticas, quando convertidos

para uma mesma moeda, diferem substancialmente entre países:

 Penn World Table (PWT) => Summers and Heston (1991)

(48)

Testes da PPP relativa

A PPP relativa não tem se verificado desde o início

da década de 1970, embora entre 1945 e 1970 tenha

sido o guia mais confiável da relação entre as taxas

de câmbio e os níveis de preços.

Frankel (1986): a razão pela qual os testes não

conseguem convergência para a PPP é a falta de

potência (amostra pequena)

 Usa dados anuais para a taxa de câmbio entre o dólar

e a libra para 1869-1984 e aceita a hipótese da PPP.

 Crítica de Mussa: A convergência para a PPP se deve

(49)

Outros Testes da PPP relativa

 Lothan e Taylor (1996) – obtém resultados semelhantes

a Frankel.

 PPP é válida para amostras grandes ou amostras

que incluam apenas dados até 1945.

 PPP não é válida para amostras com dados de

câmbio flutuante.

 Frankel e Rose (1996) – adicionam dados cross-section

para aumentar a potência dos testes: 150 países, 1948-1992.

 PPP é válida.

 Crítica: esse resultado deve-se a adição de muitos

(50)

“Purchasing Power Parity (PPP) Puzzle”

 “PPP Puzzle”: como conciliar a enorme volatilidade de

curto prazo da RER com a taxa de convergência

extremamente lenta (15% a.a.) para os níveis de PPP no longo prazo?

 Volatilidade de curto prazo da RER é explicada pela

volatilidade da taxa de câmbio nominal na presença de rigidez nominal de preços e salários.

 No entanto, uma “meia vida” de 3 a 5 anos para que os

desvios da PPP desapareçam parece muito para ser explicado por rigidez nominal, mas é possível se os choques reais são predominantes.

 No entanto, os modelos existentes baseados em choques

(51)

Melhor explicação para o PPP Puzzle

 Os mercados de bens permanecem segmentados, com

grandes fricções de comércio em um amplo conjunto de bens: custo de transporte, de informação, tarifas barreiras não tarifárias ou falta de mobilidade de trabalho.

 Os mercados de bens internacionais não são tão integrados

como os domésticos.

(52)

Barreiras Comerciais

Custos de transporte e barreiras tarifárias e não tarifárias

enfraquecem a relação da PPP.

 Ex: Suponha que uma quantia de ouro seja vendida a

R$100 no Brasil e US$50 nos EUA, mas que o custo do transporte seja de US$10. A uma taxa de câmbio de

R$1,8/US$, o preço em reais do ouro nos EUA é R$ 90, mas o importador teria que pagar mais R$18 pelo frete, inviabilizando a arbitragem.

Quanto maiores as barreiras comerciais, mais a taxa de

câmbio pode variar, dados os preços dos bens nos

diversos países.

Estimativa média do custo de transporte = M(CIF) -

X(FOB) = 10%.

(53)

Produtos não comercializáveis

 A existência desses bens e serviços permitem desvios

sistemáticos mesmo da PPP relativa.

 Como os preços desses bens são determinados

exclusivamente pelas curvas de oferta e demanda

domésticas, deslocamentos dessas curvas podem alterar o preço doméstico desses bens em relação aos

estrangeiros, afetando os níveis de preços.

 Ex: Inflação mais alta em Hong Kong (sobretudo dos

bens não comerciáveis), apesar do câmbio fixo e da ausência de barreiras comerciais.

Nos EUA, as indústrias de serviços e construção

(54)

Restrições à livre concorrência

(pricing to market)

Ocorre quando uma firma vende uma mercadoria

por preços diferentes em mercados diferentes,

devido as diferentes estruturas de demandas dos

países.

A combinação entre diferenciação de produtos e

segmentação de mercados leva a grandes

(55)

Diferenças internacionais entre as medidas

do nível de preços

Os pesos dos bens das cestas de referências são

diferentes entre países.

Se todos os preços aumentam 10% e a taxa de câmbio

se deprecia 10% em relação às moedas estrangeiras, a

PPP relativa vale, independentemente dos índices de

preços.

Mas, mudanças nos preços relativos dos componentes

da cesta podem invalidar a PPP relativa.

 Ex: Aumento do preço relativo do peixe provocaria um

(56)

56

Desvios Estruturais da PPP:

o efeito Balassa-Samuelson

 Explicação mais importante e popular para os desvios da

PPP no longo prazo.

 Argumentos básicos:

1. Os níveis de preços em países mais ricos tendem a ser

mais altos que nos países mais pobres, quando convertidos para uma mesma moeda.

2. Os níveis de preços em países que crescem mais rápido

sobem em relação aos níveis de preços em países que crescem mais lentamente.

 Conseqüência: apreciação real das moedas dos países

ricos ou que crescem mais rápido vis-à-vis os países pobres.

(57)

Desvios Estruturais da PPP:

o efeito Balassa-Samuelson

 Intuição:

1. Além dos países ricos terem níveis maiores de

produtividade em termos absolutos, eles também são relativamente mais produtivos no setor de bens

comerciáveis do que no setor de bens não comerciáveis.

2. Os avanços de produtividade nos países que crescem

rápido estão mais concentrados no setor de bens comerciáveis.

(58)

Desvios Estruturais da PPP:

o efeito Balassa-Samuelson

 Porque um aumento na produtividade relativa do setor de

comerciáveis (T => “Tradeables”) implica níveis de preços mais elevados?

1. Aumento da produtividade dos T => Aumenta o salário no

setor T (PT é dado no mercado internacional supondo taxa

de câmbio fixa)

2. Aumenta o salário no setor NT => Aumento de preços dos

bens NT.

3. Aumento no nível geral de preços:

4. Apreciação permanente da taxa de câmbio real:

NT T

P

P

P

(

1

)

P e     *

(59)

Evidência Empírica do efeito Balassa-Samuelson

 Balassa (1964) realizou o seguinte teste para 12 países

industrializados:

 Encontrou uma relação positiva entre os níveis de preços e

renda per capita.

 Há evidência empírica favorável, especialmente na

comparação dos países muito pobres e muito ricos, e para alguns países individuais, como o Japão.

 Não há evidência conclusiva quanto a importância do viés de

produtividade do setor T para explicar a RER dos países desenvolvidos, pois há evidência de convergência de longo

i i i

PNB

População

SP

P

/

*)

(

/

)

(

(60)

Taxa de câmbio real de longo prazo

 Vamos analisar dois casos particulares:

1. Aumento na demanda relativa mundial por produtos brasileiros

• Deslocamento da demanda doméstica ou estrangeira para

bens domésticos => excesso de demanda por esses bens à taxa de câmbio real anterior => aumento relativo dos preços domésticos => apreciação cambial real da taxa de câmbio brasileira no longo prazo.

2. Um aumento na oferta relativa do produto brasileiro

Aumenta a eficiência produtiva do L e do K no Brasil =>

aumento da oferta de bens em relação à demanda à taxa de câmbio anterior, pois parte da renda é gasta em bens

estrangeiros => queda no preço relativo dos bens brasileiros, atraindo demanda e eliminando o excesso de oferta =>

depreciação cambial real da taxa de câmbio brasileira no longo prazo.

(61)

Determinantes da taxa de câmbio nominal de longo prazo

Mudanças nos níveis e taxas de crescimento da

oferta relativa de moeda entre países afetam a

taxa de câmbio nominal de longo prazo (enfoque

monetário), de acordo com a PPP relativa.

Mudanças na taxa de câmbio real de longo prazo,

entretanto, também afetam a taxa de câmbio

*

*

P

P

e

P

P

e



(62)

Modelo Intertemporal de Conta

corrente

(63)

Sustentabilidade dos Déficits

em Conta Corrente

(64)

64

Motivação

O que causa os déficits em CC?

Os déficits em CC são bons ou ruins?

Como mensurar a solvência externa de um país?

Existe um teto para o endividamento externo?

Grandes déficits em CC são sustentáveis? Quais os

principais fatores determinantes da vulnerabilidade

externa de um país?

(65)

O que causa os déficits em CC?

1.

Um aumento no investimento doméstico;

2.

Um aumento no déficit público;

3.

Uma queda na poupança privada.

t t p t t

S

I

Def

CC

(66)

1. Aumento no investimento doméstico

 Se os projetos de investimento forem lucrativos e a poupança nacional insuficiente, recorrer a um déficit em CC é positivo, pois a taxa de crescimento da economia irá aumentar, elevando as exportações e gerando os superávits em CC necessários para o repagamento das dívidas e dos juros no futuro.

No entanto, mesmo os déficits em CC sendo uma decisão ótima, eles podem ser preocupantes se forem causados por:

1. Investimentos excessivos direcionados para os setores não-comerciáveis (ex: Construção civil).

2. Investimentos excessivos que se tornaram não lucrativos. (inclusive nos setores comerciáveis)

Ex: Garantias governamentais implícitas de bail-out na crise da Ásia => Bancos tomaram empréstimos excessivos no exterior e repassaram as firmas domésticas a baixas taxas de juros,

(67)

2. Aumento do déficit público (ou queda da

poupança pública)

Déficits gêmeos (público e em CC) são perigosos, pois

o déficit público é difícil de ser reduzido.

 Ex: Países em desenvolvimento com grandes déficits

(68)

3. Queda na poupança privada

Preocupante, mas é menos perigoso que uma queda

na poupança pública.

Pode ser transitória e ocorrer quando as expectativas

de um maior crescimento do PIB no futuro resultar

em um aumento do consumo corrente acima da

renda corrente.

 Ex: Alunos de mestrado que não trabalham. (Y=0; C>0

=> S<0 e déficit em CC).

 Contra-exemplo: Crise da Ásia de 1997 (expectativas

super otimistas e relaxamento das restrições de

liquidez sobre o consumo em virtude da liberalização dos mercados de crédito domésticos.

(69)

Doutrina de Lawson: déficits são bons ou ruins?

 Doutrina de Lawson: Déficits em CC não são preocupantes se há equilíbrio fiscal e a poupança doméstica não está caindo.

 Foi abandonada com a crise da dívida externa de 1982, pois

países atingidos tinham taxas crescentes de investimento

como Brasil, México e Chile (que também tinha equilíbrio fiscal e déficits em CC de 14% do PIB).

 Antes da crise do México de 1994, a doutrina de Lawson

ressurgiu para justificar os déficits em CC gerados pelos grandes influxos de capital. Em 1993, o Banco do México escreveu:

“...the current account deficit has been determined exclusively by the private sector´s decisions...Because of the solid position of public finances, the current account deficit should clearly not be a cause for undue concern”.

(70)

Dinâmica da Conta Corrente

(Sachs, 1982;O&R, seção 2.2)

A expressão acima foi construída supondo uma

economia sem restrições de crédito e r* constante.

Y temporariamente acima de seu nível permanente

eleva o superávit em CC, devido a suavização de

consumo.

Aumento temporário de I ou de G é financiado via

déficits em CC para evitar uma queda abrupta

temporária no consumo.

Ex: Terremoto no Japão em 1923: efeitos permanentes

ou temporários?

                          ~ ~ ~ 1 1 t t t t t t t Y Y I I G G CC r

(71)

Sustentabilidade de dívida externa: Condição de Solvência

Da Restrição Orçamentária Intertemporal com

horizonte infinito:

onde B é o estoque de ativos externos líquidos do país.

Solvência: geração de superávits futuros na balança

comercial cujo valor presente iguale o nível atual de

dívida externa.

s s s s

t s t s t

Y

C

I

G

r

B

r

  

1

1

)

1

(

(72)

Derivando a Condição de Solvência

t t t t t t t t

B

B

Y

rB

C

G

I

CA

1

1

)

1

(

r

B

t

C

t

G

t

I

t

Y

t

B

t

r

B

r

Y

I

G

C

B

t t t t t t

     

1

1

2 1 1 1 1 1

r

B

r

Y

I

G

C

Y

I

G

C

B

r

t t t t t t t t t t

    

1

1

)

1

(

1 1 1 1 2 Rearranjando os termos:

Adiantando essa identidade em 1 período e dividindo por (1+r), temos:

Que nós usamos em (2) para eliminar o termo Bt+1:

(1)

(73)

)

(

1

1

)

1

(

1

1

)

(

1

1

1 s s t s T t t s t T t T s s t s T t t s

r

C

I

r

B

r

B

r

Y

G

        2 3 2 2 2 2 2 2

)

1

(

)

1

(

1

r

B

r

Y

I

G

C

r

B

t t t t t t

     

Podemos repetir o processo para eliminar agora Bt+2/(1+r):

Repetindo sucessivamente para eliminar Bt+3, Bt+4 etc, encontramos:

Chegamos a condição de solvência tomando o limite T->00 e assumindo que:

(74)

Sustentabilidade do Déficit em Conta Corrente

Uma política é sustentável se sua continuação no

futuro indefinido não viola a condição de solvência.

 Essa definição é mais útil para analisar política fiscal.  No caso do déficit em CC, definimos como

sustentável se o “turning point” puder ocorrer sem ruptura na atividade econômica.

(75)

Análise Prática de Sustentabilidade Externa

 Impor que a razão Dívida Externa/PIB não cresça sem limites como proxy para sustentabilidade.

 Uma condição suficiente para manter a razão B/Y constante é construída da seguinte forma:

 Esse tipo de análise apenas indica o tamanho do ajustamento necessário para evitar que a razão dívida/PIB cresça sem limites, não qual o nível de dívida que é sustentável.

 A tabela 2.1 (O&R) mostra que países com elevada razão dívida/PIB como México (36%) e Tailândia (38%) em 1991 tinham que gerar

s s

s s s s s s s

g

Y

B

g

B

B

B

gB

rB

BCS

Y

1

1



1

1



1

s s s s Y B g r Y BCS    

(76)

“The Current Resource Gap”

É a diferença entre o saldo da balança comercial que

estabiliza a razão dívida/PIB e o saldo atual.

Quanto maior o diferencial (r-g) ou a razão dívida

externa/PIB inicial, maior o superávit comercial

requerido e, portanto, maior o hiato de recursos

corrente e a probabilidade da dívida não ser paga.

(77)

“The Permanent Resource Gap”

Se r, g e TB diferirem substancialmente de seus

prováveis valores de médio e longo prazo, a análise

de sustentabilidade deveria ser baseada no hiato de

recursos permanente e não corrente.

Ex: Se uma recessão temporariamente aumenta o

déficit fiscal primário de um país e diminui a taxa de

crescimento real, faz mais sentido olhar para os

déficits ciclicamente ajustados e taxas de

crescimento médias na análise de sustentabilidade

de longo prazo.

(78)

Sustentabilidade externa dos EUA

 Duas formas alternativas de analisar:

1. Projetar cada item da conta corrente sob diferentes

cenários para o crescimento das exportações,

importações, PIB, taxa de retorno dos ativos e passivos externos dos EUA e analisar a sensibilidade da trajetória dos saldos em CC sob estes cenários.

2. Usar a análise de “resource gap” para determinar o

tamanho do ajuste necessário para que a dívida

externa/PIB se estabilizasse. Esta análise requer apenas uma estimativa da razão dívida/PIB, da taxa de

crescimento da economia e da taxa de juros real que incide sobre as dívidas.

(79)

“Current Rescource Gap” dos EUA

1. Hiato de recursos corrente em 2003

B/Y = - 24,1%; TB/Y = - 4,52%; TU/Y = - 0,61%; Rendas/Y= 0,3% => déficit em CC = 4,83% do PIB. Note que a renda é positiva, mesmo o país sendo um

devedor líquido => taxa nominal de juros (i) = -1,5%. Com inflação (p perto de 1% => r = i – p = -1,5 – 1 = -2,5%. Taxa de crescimento real do PIB (g) = 3%.

-(r-g)B/Y=-(-0.025-0.03)*(-24,1)=-1,33% => hiato de recursos corrente = 3,8% do PIB (-1,33% - (-5,13%)).

 Mantendo os níveis de 2003, a dívida/PIB cresceria 3,8%

(80)

“Permanent Rescource Gap” dos EUA

 g=3,5%;

 Três cenários para a taxa de juros real de longo prazo: 1,5% (bom), 3,5% (médio) e 5,5% (ruim).

 TB requerido: -0,5%, 0% e 0,5% nos três cenários de juros, respectivamente.

 Esta análise mostra que o hiato de recursos é pouco sensível ao diferencial (r-g): um choque de 4% em (r-g) eleva o hiato em apenas 1% do PIB.

 Se os EUA mantivesse o déficit em CC de 5% e r-g=0 => divida/PIB em 2010 = 58%. Implicações:

1. Aumenta o diferencial r-g

2. Aumenta o custo do ajustamento para qualquer diferencial r-g.  Conclusão: Quanto mais tarde o ajuste, mais custoso será!

(81)

Outros fatores macroeconômicos que influenciam a

sustentabilidade de déficits em CC

1.

Taxa de crescimento da economia

2.

Composição do déficit em CC

3.

O grau de abertura da economia

4.

O tamanho do déficit em CC (como proporção do PIB)

5.

Composição e montante dos influxos de capital

6.

Reservas internacionais e carga de juros

7.

Fragilidade do sistema financeiro

(82)

Taxa de crescimento da economia

Quanto maior a taxa de crescimento da economia,

menor a razão dívida externa/PIB;

Maior crescimento pode levar a uma maior renda

esperada no futuro e a um declínio transitório na

poupança privada.

 Contra-exemplo: Chile 1979-81; México 1977-81 e

Ásia em 1997. Taxas de crescimento médias acima de 7% => expectativas de que esse crescimento seria de longo prazo => boom de investimento e consumo => déficit em CC insustentável.

(83)

Composição do déficit em CC

Um déficit em CC gerado por um déficit comercial é

menos sustentável que um déficit gerado por rendas

líquidas enviadas ao exterior.

Grandes déficits comerciais podem indicar problemas

estruturais de competitividade.

Elevados pagamentos de rendas líquidas ao exterior

pode ser resultante de um acúmulo de dívida externa

no passado.

(84)

Grau de abertura (Exportações/PIB)

A capacidade do país de honrar o serviço da dívida

externa no futuro depende da capacidade de gerar

receitas em moeda estrangeira.

Quanto maior o grau de abertura, maior a

(85)

Tamanho do déficit em CC (% do PIB)

Quanto maior o déficit em CC, maior o acúmulo de

passivos externos, requerendo um esforço maior de

geração de receitas em moeda estrangeira no futuro.

Lawrence Summers: “atenção redobrada deve ser

dada a déficits em CC superiores a 5% do PIB,

particularmente se ele for financiado de tal forma que

possa levar a uma rápida reversão”.

(86)

Composição e montante dos

influxos de capital

Influxos de curto prazo e de dívida são mais

perigosos que influxos de longo prazo e

direcionados para ações.

 Investimento Externo Direto (“FDI”) x “Hot money”  Investimentos em carteira x Empréstimos bancários 

A composição em moeda dos passivos externos

Excesso de influxo em relação ao déficit em CC

causa um acúmulo de investimentos em carteira

“reversíveis” e pode levar a uma apreciação cambial

que impeça o país de estancar o crescimento do

(87)

Reservas Internacionais e Carga de

Juros

Quanto maiores as reservas internacionais e menor

a carga de juros mais fácil é sustentar um déficit em

CC.

O prêmio de risco país é um indicador da avaliação

do mercado sobre a capacidade do país sustentar o

déficit em CC.

(88)

Fragilidade do Sistema Financeiro

Em grande parte, os influxos de capital requerem

intermediação dos bancos domésticos, já que muitas

empresas não tem acesso direto ao mercado de

crédito internacional.

Logo, uma crise bancária pode levar a uma crise de

balanço de pagamentos ao reduzir o influxo de

capitais, como na Coréia, Indonésia e Tailândia em

1997-98.

(89)

Instabilidade Política e Incerteza

Macroeconômica

Uma deterioração das expectativas sobre o ambiente

político e financeiro podem contribuir para uma crise

cambial e de balanço de pagamentos, especialmente

quando os fundamentos econômicos forem ruins.

Expectativas de mudanças de regras ou de regimes

são os exemplos mais comuns que podem levar

(90)

Desequilíbrios Macroeconômicos

Globais

Sustentabilidade dos Déficits

em Conta Corrente dos EUA e da

Política Cambial Chinesa

(91)

Motivação

 Qual a origem dos desequilíbrios globais?

Os déficits em CC dos EUA são sustentáveis?

 Quais as possíveis conseqüências para a economia mundial de uma reversão do déficit em CC dos EUA?

 Os EUA deveriam se preocupar com a possibilidade da China parar de comprar ativos em US$? Quais seriam as

conseqüências?

(92)

Desequilíbrios Macroeconômicos Globais

 Evidenciado pelos altíssimos déficits comerciais

americanos dos últimos dez anos, formado a partir do desenvolvimento de uma periferia de países emergentes que optaram por um modelo de desenvolvimento voltado para atender a demanda externa – modelo Bretton Woods II.

 Origem está na crise asiática de 1997/98, onde os países

emergentes se convenceram da necessidade de acumular reservas como um seguro contra crises financeiras. As

reservas serviriam de garantia de maior estabilidade cambial e trariam de volta a confiança do investidor externo.

(93)

Sistema de Bretton Woods II

 Fonte: Dooley, Folkers-Landau e Garber (2003, 2009).  O mundo estaria dividido em três regiões:

1. Países Asiáticos (sobretudo a China, Taiwan, Hong Kong,

Cingapura, Coréia do Sul e Malásia): crescimento voltado para o mercado externo, mantendo taxa de câmbio controlada e

desvalorizada contra o dólar. Objetivo é aumentar os superávits comerciais e acumular reservas usando controles de capital.

2. Estados Unidos: maior destino comercial e dependente de

poupança externa para financiar consumo e investimento, ou seja, crescer.

(94)

Sistema de Bretton Woods II

“Os países asiáticos estão (estavam) felizes em

comprar ativos americanos, sem se preocupar com o

risco/retorno destes securitizados”.

“Os EUA estão (estavam) felizes em investir agora,

consumir agora, e deixar que os investidores se

preocupem com a deterioração da sua posição

internacional de investimento”

(95)

Sustentabilidade de Bretton Woods II

 A sustentação desse sistema requer um baixo nível do consumo interno nos países asiáticos e um crescente consumo nos países desenvolvidos.

 Como os padrões de consumo nos países centrais já são muito elevados e o crescimento populacional é muito baixo, o sistema só se sustentou ao longo destes anos pelo aumento da alavancagem dos consumidores dos países desenvolvidos, sobretudo os EUA.  Com a crise de 2007/08, o consumidor americano já não tinha

(96)

Bretton Woods II – interpretação alternativa

 Fonte: Caballero, Fahri e Gourinchas (2006).  O mundo estaria dividido em três regiões:

1. Estados Unidos: crescimento razoável e capacidade

sofisticada de criação de ativos.

2. Europa e Japão: capacidade de criação de ativos, mas

crescimento abaixo dos EUA, diminuindo a capacidade de gerar ativos.

3. Países emergentes: crescimento muito superior aos demais

países, mas com baixa capacidade de gerar ativos financeiros sólidos com credibilidade. A oferta de ativos não é compatível com a demanda crescente.

(97)

 Caballero, Fahri e Gourinchas (2006) mostram que o déficit comercial americano pode ser financiado durante um período longo e não tenderia a desaparecer totalmente, apenas seria reduzido.

 O fluxo de capitais para os EUA financia o déficit em CC e

mantém as taxas de juros de longo prazo muito baixas por um período bastante longo.

 As duas interpretações são confirmadas pela evidência empírica de crescimento das reservas internacionais em dólares

(triplicando os valores de 2003), influxo de capital para os EUA, evolução da conta corrente americana e taxas de juros de médio

(98)

Histórico da CC nos EUA

 Nos anos 90, observamos um crescimento do déficit em CC

nos EUA refletindo um boom de investimentos e financiado principalmente por IED e investimento em ações.

 A partir de 1998, os déficits tem aumentado e a causa tem

sido o crescente consumo e grandes déficits fiscais (que

passaram de um superávit de 2,5% do PIB em 2000 para um déficit de 4% em 2003). No período de 1998 a 2008, em

(99)

Economia grande x Economia Pequena

Os EUA podem sustentar elevados níveis de

endividamento externo como, p.e., os da Austrália e

Canadá?

 Fonte do desequilíbrio: Balança comercial x

Pagamentos de juros

Tamanho absoluto do déficit em CC (os EUA

necessitam de aproximadamente 2/3 da poupança mundial)

 Indicadores de sustentabilidade (grau de abertura):

(100)

Financiamento do Déficit em CC nos EUA

 Os déficits em CC precisam ser financiados por influxos de

capital: empréstimos, IED, vendas de títulos ou ações.

Desde 2000, os EUA estão tendo que tomar empréstimos no

exterior para financiar não apenas o déficit em CC, mas

também os IED e as compras líquidas de ações no exterior.

 A variação da Posição Líquida Internacional de Investimento

(NIIP) tem sido menor que o déficit em CC devido ao efeito valorização (“valuation”) dos ativos e passivos: as taxas de retorno dos ativos externos dos EUA tem superado às dos passivos.

(101)

O que explica os grandes ganhos de valuation?

 A principal fonte de ganho tem sido gerado pela depreciação do dólar em relação as principais moedas européias: euro, libra e franco suíço.  A tabela abaixo mostra o percentual de ativos dos EUA aplicados na

Europa e a participação no destino de bens:

 Um ajuste do dólar em relação ao euro provoca um ganho de

valuation expressivo e um ganho mais modesto na conta corrente.

IED

54%

Investimento em ações

56%

Comércio Internacional

22%

(102)

EUA x Países Emergentes

 A composição em moeda dos ativos e passivos dos EUA

é a oposta do típico devedor internacional, em que as dívidas são denominadas em moeda estrangeira e aumentam com a depreciação da moeda doméstica.

 Além disso, os países emergentes pagam um prêmio

significativo para atrair capital, enquanto que uma grande parcela de seus ativos estão aplicadas em reservas

internacionais de baixo retorno. Logo, mesmo que os

ativos externos sejam da mesma magnitude dos passivos externos, há um custo a ser pago.

(103)

Puzzle do financiamento da CC dos EUA

Nos últimos anos, o financiamento dos crescentes

déficits em CC dos EUA através da venda de

treasuries de baixo retorno tem sido feito com

facilidade.

Porque os estrangeiros compraram ativos de baixo

retorno em dólares?

(104)

Puzzle do financiamento da CC dos EUA

 A acumulação de reservas pelos bancos centrais está

financiando a maior parte do déficit em CC dos EUA a um baixo custo e não os investidores privados. Atualmente, mais de 40% do estoque de títulos do Tesouro Americano estão nas mãos de governos.

 Como a demanda destes governos é muito inelástica, a

volatilidade do mercado diminui, baixando a percepção de risco, levando a uma queda da taxa de juros uma busca por ativos mais arriscados com aumento da alavancagem.

RISCO: Crise Financeira de 2008.

 Qualquer queda do valor dos ativos e do fluxo de caixa

gerado pelos ativos arriscados faz o nível de

alavancagem aumentar e o prêmio de risco abrir => flight

to quality => queda dos juros para patamares ainda

(105)

Política Cambial dos países asiáticos

 A China, a Malásia e Hong Kong explicitamente fixam o

câmbio em relação ao dólar e outros países asiáticos

intervêm para evitar uma apreciação cambial em relação ao dólar (e ao yuan).

 Essa política cambial provê um enorme estímulo as

economias asiáticas, que têm tido grandes superávits em CC com os EUA.

 Portanto, os EUA tem conseguido repassar os principais

riscos financeiros para os seus credores (depreciação do dólar e alta das taxas de juros).

(106)

Sustentabilidade dos déficits em C/C dos EUA

 Os EUA deveriam se preocupar com a possibilidade da

China parar de comprar ativos em US$? Quais seriam as conseqüências?

Duas possíveis respostas:

a) Preocupante. O consumo dos EUA deveria ser reduzido

drasticamente para eliminar o déficit em C/C, o que levaria os EUA e o mundo para uma desaceleração profunda.

 Esta resposta pressupõe que a explosão do déficit dos EUA foi

causada por um súbito aumento do desejo de consumo dos americanos, que só foi possível devido ao efeito riqueza

(107)

Os EUA deveriam se preocupar com a possibilidade da

China parar de comprar ativos em US$?

b) Não preocupante. Esta é a visão de que os déficits em

C/C dos EUA existem devido a necessidade da China e de outros países de investirem suas reservas

crescentes.

 A China teria apenas quatro opções se quisesse

continuar com a política de geração de superávits comerciais:

1. Financiaria diretamente o déficit em C/C americano

(108)

Os EUA deveriam se preocupar com a possibilidade da

China parar de comprar ativos em US$?

2. Financiaria indiretamente o déficit em C/C americano

através da compra de euros e yens. Os investidores europeus e japoneses (provavelmente seus bancos centrais) comprariam dólares.

3. China compra euros e yens e os europeus e japoneses

não compensam comprando dólares. Neste caso, o déficit em C/C dos Eua seria reduzido rapidamente e seria substituído por um déficit na Europa e Japão.

A questão relevante neste caso é se a Europa e o Japão

poderiam absorver o déficit em C/C necessário ou não.

4. China para de comprar ativos externos. Neste caso, seu

superávit em C/C desapareceria. Logo, essa não seria uma opção válida.

(109)

Solução para o Déficit em CC nos EUA

 Reduzir o déficit dos EUA vai requerer que a renda cresça

mais rápido que o consumo e a despesa doméstica. Isso requer uma mudança de um crescimento baseado no consumo para um baseado nas exportações líquidas.

 Para que isso ocorra, os papeis atuais precisam ser

revertidos. As economias asiáticas teriam que gerar um excesso de demanda que ajude a manter o crescimento americano.

(110)

Política recomendada para minimizar os

custos de ajustamento da CC

1. Ajuste fiscal dos EUA

• Se a Ásia reduzir a acumulação de reservas em US$,

a taxa de juros dos EUA terá que subir, reduzindo investimentos.

2. Ajuste cambial em relação às moedas asiáticas,

principalmente a China.

(111)

A China deveria abandonar a paridade com o dólar?

 Não haveria sérios problemas em apreciar mais acentuadamente o câmbio e ter pequenos déficits em CC.

 O saldo em C/C da China tem permanecido acima de 10% do PIB e com forte entrada de capitais, apesar do aperto nos

controles de capitais e da apreciação real do câmbio.

 As reservas internacionais em dólares já superam US$ 2 trilhões, as exportações anuais já superam US$ 1 trilhão e o país tem

atraído grandes volumes de IED.

 O yuan continua substancialmente depreciado em relação aos fundamentos. Estudos baseados no efeito Balassa-Samuelson

(112)

Custos e riscos da paridade cambial dólar-yuan

Desaceleração excessiva da economia, pressões

deflacionárias, aumento da pobreza no setor rural.

Por outro lado, a manutenção da paridade envolveria

riscos e custos significativos para a China:

• Protecionismo global;

• criação excessiva de liquidez provocando um

superaquecimento da economia;

• Grandes perdas de capitais sobre os estoques de

reservas no evento de uma apreciação;

Referências

Documentos relacionados

[r]

A participação foi observada durante todas as fases do roadmap (Alinhamento, Prova de Conceito, Piloto e Expansão), promovendo a utilização do sistema implementado e a

7.1 Convertendo o setup interno para externo no posto alfandegado de Uruguaiana Shingo (1996) cita que o aumento no tamanho dos lotes de produção serve para reduzir os

Os aspectos abordados nesta perspectiva relacionam-se às questões de PIB, investimentos públicos/privados, desempenho dos setores, renda per capita, arrecadação, orçamento

Não se pode portanto concluir por uma relação evidente entre a noção de autonomia destes autores e as teorias liberais (discutidas no caps. 3 e 4), até porque em

Sylvia L. F. Reis 1 , Arlene M. S. Freitas 2 * , Geraldo D. de Paula 3  Marcílio S. R.  Freitas 4    

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