Mulheres Paiter Suruí: Sua luta e voz
Thamyres Mesquita Ribeiro1 Márcia Helena Gomes2 Erica Souza Angelim Schoaba3 Adnilson de Almeida Silva4
RESUMO
A luta da classe feminina por uma igualdade de gênero se estende há anos. As mulheres Paiter Suruí, habitantes da Terra Indígena Sete de Setembro, inserida nos estados de Rondônia e Mato Grosso, recentemente tomaram conhecimento desta luta, se organizaram, buscaram seu espaço dentro do seu território e hoje, lideram uma organização que envolve todas as indígenas do estado, buscando reconhecimento das capacidades que possuem para contribuir com a luta diária dos povos indígenas. A abordagem de gênero em territórios indígenas é algo recente, mas que tem adquirido força junto às mulheres Paiter Surui, mulheres que passaram a ter voz, na defesa de seus direitos. O objetivo desse trabalho é compreender o espaço das mulheres indígenas, suas percepções de mundo e o que almejam, enquanto mulheres ativas socialmente. As informações adquiridas para a construção desse trabalho se deu a partir de entrevistas com mulheres não indígenas, mas que acompanham de perto a luta das Paiter; as mulheres que compõem o Departamento de mulheres Suruí; além de outras mulheres que moram nas aldeias, para que possam expressar suas opiniões, dizer como classificam o processo evolutivo da execução de comportamentos tidos culturalmente como exclusivamente masculinos e suas avaliações sobre o poder adquirido na gestão de suas vidas. Foram
1Mestranda do programa de Pós-Graduação em Geografia na Fundação Universidade Federal de Rondônia-UNIR – [email protected]
2 Mestranda do programa de Pós-Graduação em Geografia na Fundação Universidade Federal
de Rondônia-UNIR – [email protected]
3 Mestranda do programa de Pós-Graduação em Geografia na Fundação Universidade Federal
de Rondônia-UNIR – [email protected]
4Pós-Doutor em Geografia, professor da Fundação Universidade Federal de Rondônia - UNIR e dos Programas de Pós-Graduação Mestrado e Doutorado em Geografia/UNIR - [email protected]
realizadas visitas a algumas aldeias para, através da observação e entrevistas, entender como essas inovações organizacionais influenciam no cotidiano desse povo. Os resultados desta avaliação trazem à tona que, a partir do momento que essas mulheres se unem em prol de uma luta, passam a se empoderar e a ter voz na defesa dos seus direitos.
Palavras chave: mulheres indígenas, Paiter Suruí, luta, voz, direitos.
INTRODUÇÃO
A construção de debates sobre gênero, independentemente de se tratar de espaços indígenas ou não, geram conflitos diante da exposição de opiniões divergentes. Consequentemente, essas divergências provocam certo enfrentamento por parte das minorias oprimidas, que proporciona o fortalecimento social dessas minorias.
A abordagem de gênero em territórios indígenas é uma temática recente e com escassas abordagens a respeito. Em Rondônia, essa questão tem adquirido força através das ações realizadas pelas mulheres Paiter Suruí, mulheres que através de organização política passaram a ter voz, na defesa de seus direitos.
A luta da classe feminina por uma igualdade de gênero se estende há anos, porém as mulheres Paiter estão tomando conhecimento desta luta recentemente e buscam o reconhecimento de suas capacidades enquanto agentes sociais, e que podem sim contribuir com a luta diária do seu povo.
O objetivo desse trabalho é compreender o espaço das mulheres indígenas, suas percepções de mundo e o que almejam, enquanto mulheres ativas socialmente, como explicam suas realidades e principalmente os seus desejos para o futuro do seu povo.
Essa pesquisa teve como base a fala das mulheres Suruí. A sua fase empírica foi realizada através de entrevistas, nas suas casas, nas aldeias, além de observações dos seus encontros, onde foi possível detectar o desejo e a força de vontade na busca por mudanças nas suas realidades, como também na vida de toda a comunidade. Foi através das entrevistas que cada uma delas demonstrou o quanto precisam se fortalecer para adquirir espaço, sendo essa união que se concretiza na aldeia pela luta por seus direitos, é essa força de vontade do coletivo que dá início as lutas para que muitas conquistas aconteçam.
O POVO PAITER SURUÍ
O Povo Suruí de Rondônia, autodenominados Paiter (que significa gente de verdade), falante da língua do tronco Tupi da família Mondé, vivem na Terra Indígena Sete de Setembro, em um território de aproximadamente 248.147 hectares, localizado no sudoeste de Rondônia (RO) e noroeste de Mato Grosso (MT), região do município de Cacoal (RO).
O nome da TI deve-se a data do contato, 7 de setembro de 1969, mas o Povo Paiter a denomina Paiterey Garah. Este contato aconteceu através de uma expedição oficial da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), liderada pelo sertanista Francisco Meireles. Silva et al (2013) traz na sua pesquisa uma fala de Almir Narayamoga Surui, o Labiway Esaga (líder maior do povo), que é incisivo quando afirma que “no dia 07 de setembro o Brasil
comemora sua independência de Portugal, para nós é a data em que nos tornamos dependentes do Estado brasileiro”. Neste período de contato com o povo Paiter, se
verificava o início da violenta migração humana oriunda do Sul do País para Rondônia, onde vinham na busca de terras e melhores condições de vida, estimulados pelo Governo Federal através do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Nesta época, grande parte do território indígena foi invadido e iniciaram grandes conflitos. Além destes, relatam que “na ponta dos facões e das facas os brancos trouxeram a
desgraça e a morte”. O resultado do contato para este povo foi a redução de 5.000 para
250 indivíduos. Grande parte das mortes se deve a uma epidemia de Sarampo (SURUI ET AL, 2008).
A demarcação dessa TI aconteceu em 1976 e a posse permanente foi em 1983 (CARDOZO, 2011). Atualmente a população é de aproximadamente 1,4 mil pessoas, que vivem em 25 aldeias, na luta por sua sobrevivência étnica.
ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA DO POVO PAITER
Cardozo (2011) destaca que, historicamente, o povo Paiter possui uma organização baseada em clãs, que são a base do Sistema de Governança, da organização política e do sistema de parentesco e matrimônio. Os clãs são Gameb, Gabgir, Makor e
Quanto a organização social, a cultura Paiter permite o casamento de homens com mais de uma mulher e aconselha que estes casamentos aconteçam com pessoas pertencentes a clãs diferentes.
Sua organização social preconiza a exogamia clânica, onde o casamento é permitido somente com os membros de outro clã. São poligâmicos, sendo que especialmente os chefes e lideranças podem casar-se com mais de uma mulher. Mantém como regra preferencial o casamento avuncular (CARDOZO, 2011). Eles são um povo descrito como patrilinear, que se fundamenta na descendência paterna, e seu sistema clânico é o que define a organicidade e os aspectos políticos do povo e, consequentemente, os fortalece nas lutas pelos direitos.
Provando sua essência organizacional, os Paiter foram pioneiros ao criar a primeira organização indígena de Rondônia: a Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí, criada em 1988 para combater o roubo de madeira na terra indígena (SURUÍ, 2014). Ao longo do tempo ampliaram suas ações e hoje “atuam na defesa e preservação do patrimônio cultural e territorial, buscando promover a garantia da biodiversidade e a formação dos povos e lideranças indígenas no intuito de construir e fortalecer a sua autonomia. ” (Http://www.paiter.org/)
Em 2000, elaboraram um Plano de Desenvolvimento Etnoambiental no qual planejaram ações para desenvolver em um período de 50 anos. Esse Plano foi dividido em eixos temáticos, com temas que contribuem para o fortalecimento da cultura Paiter e para facilitar a tomada de decisões. São eles: Saúde, Segurança Alimentar, Economia, Meio Ambiente, Educação, Cultura, Religião e Fortalecimento Institucional.
Em 2010, os Paiter resolveram criar o Parlamento Paiter Suruí: uma organização política que busca a retomada cultural, igualdade social e desenvolvimento sustentável (CARDOZO, 2014). Como eles mesmos descrevem, o Parlamento é uma “instância de
debates democráticos de ideias, reflexões e deliberações, representa o povo Paiter Suruí em suas decisões, reivindicações, implantação de políticas internas e na interface com as políticas públicas governamentais” (SURUÍ, 2016).
Hierarquicamente, o parlamento é formado pelo PAMATOT EY (Conselho dos Anciãos- instância superior de sabedoria), LABIWAY EY (parlamentares eleitos a cada 05 anos) e LABIWAY ESAGA (líder Maior do Povo Paiter Suruí). No dia 14 de fevereiro de 2011, o povo Paiter realizou a primeira eleição para a formação do Parlamento. “O voto
era facultativo para os maiores de treze anos. Um total de 738 índios exerceram sua cidadania indígena por meio do voto direto e universal, em que cada Suruí representou seus anseios políticos em igualdade, sem discriminação entre homens e mulheres”5.
Neste momento histórico-democrático do povo Paiter, a mulher Suruí demonstrou seu valor e representatividade política, quando Mariana Suruí foi eleita para compor o colegiado representativo (LABIWAY EY). Na entrevista realizada com Ivaneide Bandeira Cardozo ela completa que além da eleição, aconteceram as nomeações do LABIWAY
ESAGA, Almir Suruí, e dos conselheiros do PAMATOT EY, onde uma mulher também
foi nomeada: a Mapini Suruí. E destaca:
“A grande vantagem de estarem compondo o Parlamento é terem abertura para contribuir com a tomada de decisões políticas. Através do Parlamento elas passaram a ser ouvidas. Mas enfrentam muitas dificuldades, muitas barreiras. Quando se abre o espaço para a mulher num mundo que é naturalmente masculino, elas terão muitas barreiras para enfrentar mesmo. São barreiras de poder, de conseguir ser vista como uma liderança. Mapini é esposa do Anine (também conselheiro). Para ela vencer essa barreira, de ser vista como liderança, é muito difícil. E, por ser mulher, não é só isso. Elas têm que enfrentar a barreira de cultura indígena e a barreira de cultura não indígena (sendo essa é a mais difícil). Ela precisa buscar o empoderamento para os dois mundos. Mas a Mapini não está alí à toa não. Ela tem voz. ”
DEPARTAMENTO DE MULHERES SURUÍ
A Associação Metareilá, seguia fortalecida na primeira década dos anos 2000, porém, as decisões da Associação passavam na frente da opinião da classe feminina e isso não as desanimou, pelo contrário, resolveram lutar para criar o Departamento de mulheres dentro da Associação. Com o apoio de uma instituição parceira, já na metade dessa primeira década, criaram o Departamento.
Lentamente, essas mulheres foram demonstrando sua força para o mundo externo às aldeias e em 2011, organizaram o primeiro encontro de mulheres Paiter Suruí, com o tema “Mulheres conquistando espaço”. Foi nesse encontro que começou o despertar das mulheres. Ivaneide relatou: “Foi lá que elas descobriram que tem direito e voz para a
tomada de decisões sobre o seu povo. A partir desse encontro elas começaram a
5 Fonte: Http://www.paiter.org/
participar mais dos eventos que aconteciam dentro e fora das aldeias, sobre os mais variados assuntos. Hoje em dia, em toda reunião temos participação de mulheres. ”
Vale ressaltar que, conforme informação dada pela Associação Metareilá, o departamento de mulheres não possui sala própria. Isso não acontece por falta de espaço físico, mas por própria decisão delas. Elas têm uma Coordenadora, a qual atua como porta-voz, e realizam reuniões não periódicas nas aldeias, onde suas decisões são registradas e levadas à associação.
Não ter um espaço físico dentro da Associação Metareilá, nos faz refletir que essas mulheres têm seu dia-a-dia na aldeia, seus afazeres, seus filhos, sua vida. Como o Departamento tem como principal função abrir discussão sobre a participação delas na tomada de decisões para o seu povo, nada mais justo e cômodo que as reuniões aconteçam na aldeia. Em meio a essas reuniões também acontecem capacitações, para que adquiram conhecimento sobre determinado assunto e assim tenham mais domínio e desenvoltura para discutir sobre ele como, por exemplo, a imagem a seguir (FIG 01) que mostra o momento de uma reunião que aconteceu dia 24 de fevereiro de 2016, onde as mulheres indígenas Suruí discutiam sobre os impactos das mudanças climáticas nas terras indígenas.
Figura 1 – Reunião de Mulheres Suruí – Oficina sobre Mudanças Climáticas. Fonte: http://www.paiter.org/
A ABORDAGEM DE GÊNERO NA CULTURA PAITEREY
Na cosmovisão dos Paiter, cada coisa, cada objeto ou ser são interdependentes do outro e cada um destes estão interconectados e a falta de um deles causa desequilíbrio no Planeta. Neste sentido, Suruí et al (2014) afirmam que para falar de gênero, deve-se explanar com mesma significância a cultura, a territorialidade, o modo de vida e visão de
mundo do povo Paiter. Dessa forma, a mulher (waled) e o homem (oy) só têm sentido, significado e representação considerando-os seres interligados, e não complementares.
Já na visão científica, autores como Ornat (2009) afirmam que a análise de gênero deve ser compreendida a partir de sua própria cultura. Neste sentido cabe especificar os conceitos de endogênero e exogênero, onde o primeiro se refere ao ponto de vista tradicional e o segundo, a abordagem de gênero que vem do ponto de vista externo a cultura, aquele estabelecido pelas relações sociais adquiridas no pós-contato.
Esses conceitos permeiam também a fala de Ivaneide que, durante a entrevista, observou que a cultura Paiter possui uma organização social que, aos olhos do não-indígena, soa “machista”, mas aos olhos do indígena Paiter é natural, é a forma como se organizam e vivem. Ela diz:
“Nós tratamos empoderamento através da nossa visão etnocêntrica. Essa questão de que as mulheres indígenas não são empoderadas, que são diminuídas perante o machismo do homem, depende de onde você olha. A verdade é: elas têm o poder. As mulheres possuem suas responsabilidades e os homens também possuem as suas, mas a verdade é que a mulher indígena Suruí que é a grande mantenedora da cultura. É ela quem está no dia-a-dia da aldeia ensinando seus filhos”
Neste sentido, cabe-nos pensar e refletir sobre o posicionamento desses indígenas frente as responsabilidades e atuação política no “mundo” fora da aldeia, sempre na busca pelos seus direitos e autonomia. Ivaneide destaca: “[...] são dois mundos
que eles têm que enfrentar, principalmente as mulheres. Normalmente o não-índio tem um olhar que diminui a voz das mulheres, agora imagina o olhar deles sobre a mulher indígena? ”
A VOZ DAS MULHERES SURUÍ
Para a construção desse artigo foram entrevistadas algumas mulheres, que moram na aldeia, com diferentes perfis. Ao ouvi-las, percebemos que essas mulheres trabalham muito no dia-a-dia, destacam que dentro dos afazeres todos ajudam e que, ainda, elas se orgulham da vida que levam, citando as reuniões de mulheres e pensando no futuro. Algumas até demonstram querer continuar os estudos e ter uma profissão. Podemos destacar também, fazendo uma reflexão geral, que apesar de muitas tarefas
pertencerem ao mundo do pós-contato, essas mulheres ainda tem a sua essência na estrutura organizacional tradicional, e que isso não se perde.
Abaixo, as entrevistas na íntegra: Voz da Waled 01 - Elisa Suruí:
“Eu moro na aldeia Lobo, sou mãe de três filhos, mas... eu ajudo na minha casa sim, no sustento, eu trabalho na roça, tenho os produtos de banana, de café, eu trabalho pela ajuda de associação que eu ganho o equipamento né, faca, enxada, roçadeira, é assim né, carriola, pá, gasolina para roçar. Faço artesanato ao mesmo tempo, e trabalho na roça, de banana, de café e este ano a gente plantou cacau né, faz todo serviço, a derrubada é o homem que faz. Os filhos vão para escola parte da manhã, parte da manhã não vou pra roça porque eu faço almoço deles, daí parte da tarde tá liberado para ajudar. Não para. Eu acordo sete e meia e vou dormir dez hora, sabe porque, assim a noite eu faço algum artesanato, porque único tempo que tenho um noite de noite, agora a parte da manhã eu lava a roupa, faz comida, as crianças ajuda, marido ajuda, cada um ajuda um pouco, porque meu marido é agente de saúde e trabalha também. ”
Voz da Waled 02 – Miriam Suruí:
“É importante pra gente também desse ajuntamento que a gente ta fazendo porque a gente está aos poucos conseguindo o nosso espaço, com uma lojinha pra gente, não sou casada ainda, trabalho na roça também, ajudo os meus irmãos, trabalho na casa também, essas rotinas que eu faço, não tenho muito trabalho com crianças essas coisas assim não, e faço artesanato também. Não terminei ainda, estou no terceiro ano, faço no CEEJA, pretendo terminar fazer curso técnico de informática, é meu sonho. Precisa muito na parte de indígena de alguém que fale em dois idiomas, criança que não fala português. Sou da aldeia Amaral linha 11. ”
Voz da Waled 03 – Solange Suruí:
“Meu nome é Solange Suruí, sou casada, tenho quatro filhos, daí eu trabalho faço artesanato, trabalho na roça também, café, cacau, banana, que trabalho só de manhã, que a tarde meus filhos vão a escola, faço a comida deles, para mim é importante para
sustentar casa, para mim sobreviver trabalhar na roça, fazer artesanato, para mim é muito importante essa coisas, para sustentar os meus filhos, só não depender só do marido, ajudar ele também, sou da aldeia Tikan.”
Voz da Waled 04 – Vânia Suruí:
“Eu sou estudante, a tarde eu trabalha um pouco para depois ir na escola, ajudo meus avôs. Depois é importante não tenho tempo de fazer artesanato e como era feito artesanato antes é importante estar aqui para ver como eram feitos os artesanatos. Trabalho com café, da aldeia Joaquim. Ajudo meus avós. Estudo primeiro. Sonho medicina. ”
Voz da Waled 05 – Gobati Suruí:
“Trabalha com artesanato. Na roça banana, cacau ajuda o meu marido. Tenho 8 filhos, ajuda em casa. Filhos estudam. Sabe um pouco fiar algodão tradicional, não sei falar português. ”
Voz da Waled 06 – Loma Suruí
“É muito bom a gente se reunir por aqui ter um espaço só para mulheres na discussão artesanatos e legal isso também porque cada vez mulher está conquistando espaço Paiter eu participo das oficinas que acontecem tipo encontro das mulheres, nas oficinas eu trabalho com as mulheres como representante da minha aldeia e, não trabalho na roça, mas alguns dias eu ajudo assim em casa também, sou solteira, eu moro com meus pais, e terminei os estudos e pretendo fazer faculdade, ainda não sei em que mas estamos lutando para ter um espaço para nós. Sou da aldeia Lapetanha. ”
CONSIDERAÇÕES FINAIS NÃO CONCLUSIVAS
Temos diante das falas das nossas entrevistadas o poder que demonstram a cada pronunciamento sobre sua vida suas conquistas, o que demostra nitidamente o poder e a confiança que elas adquiriram ao longo do tempo, atitudes como estudar, desenvolver
múltiplas funções na sua comunidade, a iniciativa que tomam para muitas situações, são ações que podem ser simples em outras organizações sociais, mas que proporcionaram uma realidade diferenciada para essas mulheres.
O empoderamento conquistado pelas mulheres indígenas mostra o quanto suas lutas ao longo dessa trajetória não foram em vão, que o fato de ser membro de uma minoria, nos referindo aos povos indígenas, e ainda mulher, onde as lutas de gênero estão presentes em praticamente todas as organizações sociais, seus desafios se mostraram imensos, mas a coletividade típica dos indígenas fez com que essas mulheres fossem capazes de organizarem-se ao ponto de dar origem a um departamento de mulheres dentro da Associação do povo e, ainda, somar em grande número a formação de uma Associação de mulheres indígenas no estado.
Hoje, a realidade das mulheres indígenas envolve o seus fazeres domésticos dentro de sua organização social, de um povo diferenciado, para uma busca de empoderamento na defesa de seus direitos culturais associados ao conhecimento de novos direitos adquiridos depois do contato.
Esse artigo buscou mostrar a luta das mulheres Paiter Surui para se fortalecerem enquanto membros de duas sociedades que coexistem em que a mulher tem pouca voz e assim deixarem de ser invisíveis no que se refere aos seus direitos.
REFERÊNCIAS
CARDOZO, I. B. (Org.) Etnozoneamento Paiterey Garah: terra indígena Sete de Setembro. Porto Velho, RO: Kanindé – Associação de Defesa Etnoambiental, 2011.
CARDOZO, I. B. (Org.). Códigos e Normas Paiter Suruí. Porto Velho – RO: Edufro, 2014.
SURUÍ, A. N. Carta de Princípios e Aspirações do Parlamento Paiter Suruí. Disponível em: <http://www.paiter.org/>. Acesso em 12 de Abril de 2016.
SURUI, A. N.; CARDOZO, I.B.; SALGADO, C. Plano de Gestão Etnoambiental da
Terra Indígena Sete de Setembro. ACT Brasil Edições, 2008.
SURUÍ, R. N. Labiway ey Sad - Sistema de Governança Paiter Surui. Monografia apresentada ao Curso de Direito da Faculdade Interamericana de Porto Velho – UNIRON. Porto Velho – RO: UNIRON, 2014.
SILVA, C. A.; ALMEIDA SILVA, A.; SANTOS, S. C. A territorialidade dos Paiter
Suruí no Mapimaí. Anais do V Colóquio do Núcleo de Estudos em Espaço e
Representações. Cuiabá, MT, 2013.
PAITER EM IMPRENSA, POVO PAITER. Povo Paiter Suruí elege os Parlamentares
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SURUI, A. N.; SURUÍ, G.; ALMEIDA SILVA, A. Uma abordagem de Gênero a partir
do Microcosmo Indígena Paiter Suruí. In SILVA, M. G. S. N.; SILVA, J. M. (ORGS.)
Interseccionalidades, gênero e sexualidades na análise espacial. Ponta Grossa, Toda Palavra, 2014. p. 157 – 178.