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Anais

ISSN online:2326-9435

XXIII SEMANA DE PEDAGOGIA-UEM XI Encontro de Pesquisa em Educação

II Seminário de Integração Graduação e Pós-Graduação

ENSINO DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL

FREITAS, Pollyanna Kéroly da Silva [email protected]

SILVA, Mariane Elizabeth da [email protected] BEZERRA, Janaína Pereira Duarte

[email protected] CHAVES, Marta [email protected] Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Formação de professores e intervenção pedagógica

INTRODUÇÃO

Neste estudo, discorreremos a respeito do ensino da música na Educação Infantil e refletiremos quais as vivências e experiências que as crianças estão tendo com a música nestas instituições de ensino. Para isso, apresentamos algumas contribuições da música que propicia a aprendizagem das crianças, especialmente o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como: a memória, a linguagem, o raciocínio lógico, a imaginação e a criação, habilidades que necessitam ser desenvolvidas.

Compreendemos que estudos contínuos acerca do ensino da música na Educação Infantil podem favorecer a recondução de práticas educativas, e das vivências que as crianças participam nos espaços escolares formais. Esta preocupação implica levar à discussão a função da escola, enquanto espaço de aprendizagem de máximas elaborações humanas (CHAVES, 2011).

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2 Neste sentido, Romanelli (2009, p. 78) entende a escola como “um espaço que privilegia o contato com o saber sistematizado, dentre o qual está a música”, e, para o autor, neste espaço o professor tem um papel relevante no processo de ensino. A este respeito, destacamos os escritos de Leontiev (1978, p. 291), o qual assevera que “quanto mais progride a humanidade, mais rica é a prática sócio histórica acumulada por ela, mais cresce o papel específico da educação e mais complexa é a sua tarefa”, pois com o desenvolvimento da humanidade a escola torna-se o local privilegiado para apresentar as novas gerações o conhecimento historicamente elaborado ao longo da história.

Para a realização deste estudo, nos atentaremos aos escritos da Teoria Histórico-Cultural, pois entendemos que este referencial teórico-metodológico possibilita refletir a respeito de prática educativa que favorece o conhecimento mais avançado produzido pela humanidade. Para tal, nos atentaremos os escritos de autores clássicos como Leontiev (1978) e Vigotski (1999; 2009), e escritores contemporâneos como Chaves (2011), Romanelli (2009; 2013), entre outros.

Nessa concepção, nas elaborações da Teoria Histórico-Cultural, a atividade criadora do homem o torna capaz de projetar – como afirma Vigotski (1999) – fazer o futuro, modificar o presente; exatamente isso faz com que este referencial teórico se apresente como humanizador e capaz de oferecer respostas aos desafios e enfrentamentos da atualidade, uma vez que torna possível a condição de nos instrumentalizar, mesmo em situação adversa, para vislumbrar uma Educação plena para todos. Assim, estudar e refletir sobre o ensino da música na Educação Infantil, em nossa análise, se configura enquanto necessidade à formação e atuação do Pedagogo.

Nossos estudos demonstram que uma prática docente intencional, sistematizada e orientada por um referencial teórico-metodológico que propicie ao professor o entendimento que o mesmo pode ampliar as possibilidades de aprendizagem e máximo desenvolvimento das crianças e suas capacidades humanas a favor de uma educação plena e humanizadora.

POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS HUMANIZADORAS COM A MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Destacamos a importância da formação inicial e continuada de profissionais que irão atuar ou atuam com as crianças, na defesa de uma formação atenta e cuidadosa pautadas em

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3 contínuos estudos e reflexões acerca das vivências das crianças. Cabe refletir quais são as vivências que as crianças têm em seus primeiros anos de escolarização. Sabemos que neste início de século XXI, as experiências da sociedade, em geral, se mostram empobrecidas, o que reafirma a necessidade de que as experiências das crianças sejam ricas e enriquecedoras; reiterando, desta forma, a necessidade de considerar questões afetas à contribuição da música para o desenvolvimento das crianças (CHAVES, 2011).

Nas ações do cotidiano nos Centros de Educação infantil, observa-se que, por vezes, a música é utilizada somente como estratégia para sistematizar um conteúdo a ser ensinado ou para a organização da rotina, como por exemplo, para organizar os momentos das refeições, do descanso, entre outros. (ROMANELLI; CHAVES; BROCA, 2015). Neste sentido, Chaves; Hammerer e Groth, (2011, p. 2) em concordância com os autores, também pontuam em seus escritos que a música nas instituições de Educação Infantil, comumente é utilizada para encaminhar momentos na rotina com as crianças, conforme descrevem:

[...] a música faz parte da rotina dos espaços educativos, isso porque nos ambientes dos Centros de Educação Infantil sempre nos deparamos com situações nas quais crianças são convidadas a cantar, geralmente, para realizar passeios, na hora do lanche, para lavar as mãos, para se acalmarem ou ainda para aguardarem a realização de alguma atividade ou programação que muitas vezes não estava planejada.

Deste modo, compreendemos que as práticas pedagógicas com música nas instituições de Educação Infantil, por vezes, acontecem sem planejamento e sistematização. No entanto Romanelli (2013) ao escrever sobre o ensino de música na Educação Infantil, afirma que a função da música para as crianças vai além de reger seus comportamentos, mas, sobretudo, favorecer o desenvolvimento de um sujeito autônomo do mundo sonoro e musical, assim como o “desenvolvimento da capacidade que a criança tem para: 1. Fazer suas próprias escolhas musicais; 2. Estabelecer relações entre diferentes músicas e sons; 3. Cultivar a curiosidade sobre novas músicas e novos sons” (ROMANELLI, 2013, p.11). Desse modo, o autor em questão propõe três princípios essenciais para a prática de Educação Musical: canto, explorações de objetos sonoros e audição musical.

Nesse sentido, ampararemos as reflexões afetas ao ensino da música nas elaborações da Teoria Histórico-Cultural, uma vez que este referencial reafirma a essencialidade das instituições escolares como espaço de desenvolvimento pleno das crianças.0 Para esta perspectiva, os procedimentos didáticos devem ser ricos de significado e afetividade, no qual,

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4 as diversas formas de linguagem e a escolha de recursos didáticos devem figurar enquanto características essenciais no processo de ensino.

O ensino com música na Educação Infantil deve além de favorecer a aprendizagem e desenvolvimento das crianças, deve encanta-las, com vivências folclóricas, apreciação de corais e orquestras, de modo que possibilitem a ampliação do vocabulário dos escolares e expandir seu conhecimento de mundo (CHAVES; HAMMERER; GROTH, 2011). Neste sentido, ressaltamos a essencialidade das crianças terem experiências com a música em que o professor cante, pois

[...] deve-se destacar o mérito de cantar para e com as crianças. O educador/professor que canta, mesmo que não se sinta confortável com seu desempenho musical traz a música de forma viva para dentro dos espaços escolares (ROMANELLI; CHAVES; BROCA, 2015, p. 15)

Defendemos assim, que as vivências com a música devem se configurar em possibilidades de apresentar às crianças o extrato das elaborações humanas aprimoradas, por meio dos sons de Tchaikovsky, dos belos versos das canções de Villa-Lobos, nas rimas ricas e enriquecedoras de Vinícius de Morais e Toquinho, assim como nas encantadoras estrofes das canções de Chico Buarque e da Palavra Cantada, visto que:

[...] estas podem impulsionar o desenvolvimento dos pequenos, aprimorarem a sensibilidade, favorecer o trabalho coletivo, a disciplina, a concentração, a desenvoltura e a criatividade. E, essencialmente, desenvolver nas crianças o apreço pela música, oportunizar o conhecimento de melodias e instrumentos musicais para além dos que estão em sua vivência imediata (CHAVES; HAMMERER; GROTH, 2011, p. 3)

Diante dessas possibilidades de proporcionar aos escolares, desde a Educação Infantil, as máximas elaborações humanas, construídas e desenvolvidas no decorrer da história, objetivando o pleno desenvolvimento dos estudantes desde os seus primeiros meses de vida, em nosso entendimento, só é possível se a formação dos professores favorecer para este sentido, pois assim “atenderíamos a um dos preceitos da Teoria Histórico-Cultural e firmaríamos, em essência, uma educação plena para quem ensina e para quem precisa aprender” (CHAVES, 2011, p.98).

Nessa perspectiva, Chaves (2011) pontua que, se o desenvolvimento da imaginação está condicionado ao acúmulo de experiências, desafios propostos, às ricas ofertas na organização dos procedimentos didáticos, o desenvolvimento está condicionado ao ensino. Em nosso entendimento podemos considerar que a criatividade se ensina, assim, as intervenções

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5 educativas seriam adequadas para potencializar a capacidade criativa das crianças, enriquecê-las.

Com isto, a atuação junto às crianças pequenas deve ser viabilizada em uma perspectiva de humanização e emancipação, em que os procedimentos didáticos sejam ricos de significado, afetividade e comunicação. Nessa vertente, a escolha de recursos e procedimentos figura na condição de características essenciais no processo de ensino (CHAVES, 2011, p. 56).

Para reafirmar que as intervenções pedagógicas, em especial, aquelas com a música pode proporcionar o desenvolvimento das crianças, compartilhamos os escritos de Chaves; Saito e Stein (2013, p. 02):

Entendemos que uma proposta de educação, discutida a partir das potencialidades das crianças e a necessidade da intencionalidade educativa em favor da emancipação, precisa abordar a potencialidade do educador e a necessidade de que este analise, compreenda – e algumas vezes supere – sua prática, para que tenha, de fato, condições objetivas na tomada de decisões, escolhas e encaminhamentos didático-pedagógicos.

Neste sentido, destacamos os escritos de Romanelli (2009, p. 65) quando afirma que “‘sim’ é necessário saber música para conduzir atividades de música na Educação Infantil”. No entanto, os profissionais da educação só apresentarão às crianças o que há de mais elaborado se conhecerem e já estiverem se apropriado desse conhecimento, conforme afirma Chaves (2011, p.101):

[..] tratar dessa questão com propriedade está diretamente condicionado a formação consistente do educador, cuja a ação sistematizada e intencional pode possibilitar as crianças a apropriação dos bens culturais da humanidade; mas antes disso, ele próprio (o educador) precisa ter acesso as grandezas da arte, da literatura e das ciências. No atual contexto, a estratégia mais eficaz para a apropriação dos bens culturais (por ora) é o estudo, o fortalecimento de sua própria formação.

Ressaltamos a essencialidade da formação do professor pois como assevera Vigotski (2009), a medida que as crianças convivem com pessoas mais experientes amplia a possibilidade de desenvolver sua imaginação e criação por meio das experiências, ou seja:

Quanto mais rica a experiência da pessoa, mais material estará disponível para a imaginação dela. Eis por que a imaginação da criança é mais pobre que a do adulto, o que se explica pela maior pobreza de sua experiência (VIGOTSKI, 2009, p. 22).

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6 Desta maneira, nas instituições educativas os profissionais da educação, sujeitos mais experientes, podem proporcionar o acesso aos conhecimentos elaborados no decorrer da história por meio das intervenções pedagógicas, em especial destacamos intervenções com a música, conforme ressalta, Chaves; Hammerer e Groth, 2011, p. 3)

[...] as práticas musicais podem se constituir em instrumentos relevantes, à medida que propiciem procedimentos didáticos e vivências mais enriquecidas do que aquelas que, em geral, as crianças já vivenciam em situações familiares ou em comunidade. Neste contexto, a escolarização tem papel essencial, pois pode potencializar a capacidade de aprendizagem das crianças. No entanto, para que a educação seja enriquecedora, as ações conduzidas pelo educador, nas instituições escolares, devem ser realizadas com estratégias e recursos adequados, com mediações significativas, podemos levar as crianças a estágios cada vez mais avançados de aprendizagem e por conseqüência de desenvolvimento.

Compreendemos que a formação de professores é uma das oportunidades de desenvolver esta concepção de educação naqueles que atuam diretamente com as crianças, seja em sala de aula ou compondo a equipe pedagógica das instituições formais de ensino, sejam elas públicas ou privadas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este texto teve como objetivo reafirmar a essencialidade do ensino da música na Educação Infantil e a necessidade de seu estudo, assim como sobre as possibilidades de intervenções pedagógicas humanizadoras que potencialize a aprendizagem e o máximo desenvolvimento das crianças. Deste modo, consideramos as instituições de ensino formal como o espaço privilegiado para a apropriação desses conhecimentos.

Assim, nas instituições educativas, em especial, neste texto, destacado as de Educação Infantil, compreendemos que os profissionais da educação, como mais experientes, tem a função de proporcionar aos educandos a acesso ao conhecimento mais elaborado pela humanidade ao longo da história. No entanto, esta condição de desenvolvimento pode ser limitada se for ofertado aos escolares somente a sua realidade imediata, por vezes, expressando elementos culturais, conforme a ordem social vigente lhes reserva, privando-os de receber o conhecimento mais elaborado, aquele capaz de desenvolver seu pensamento científico e suas capacidades humanas mais aprimoradas.

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7 Quando mencionamos que o ensino precisa ir para além do que o aluno já tem e sabe estamos pensando tanto nas estratégias didáticas para ensinar os conteúdos científicos, quanto na organização didática desse ensino, que, em nosso entendimento, se refere às atividades a serem propostas, à avaliação, às intervenções pedagógicas a serem realizadas e à organização do tempo e do espaço de ensino.

Para tal, entendemos que as elaborações da Teoria Histórico-Cultural são capazes de possibilitar reflexões aos profissionais da educação, em especial o pedagogo para que defendam e realizam em suas práticas pedagógicas uma educação em favor da humanização e emancipação dos escolares durante o processo de ensino. Assim, defendemos os estudos e reflexões afetos ao ensino da música na Educação Infantil, de modo que se configura enquanto necessidade à formação e atuação do Pedagogo.

REFERÊNCIAS

CHAVES, M.; HAMMERER, M. F.; GROTH, J. C. Intervenções Pedagógicas afetas a Música na Educação Infantil. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO DE PONTA GROSSA. Anais... Ponta Grossa: UEGP, 2011, p. 1-9

CHAVES, M. A formação e a educação da criança pequena: os estudos de Vigotski sobre a arte e suas contribuições às práticas pedagógicas para as instituições de educação infantil. Araraquara, 2011. 72f. Trabalho de Pós-Doutoramento – Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Araraquara, 2011.

CHAVES, M.; SAITO, H. T. I.; STEIN, V. Histórias, Letras, Músicas, Pincel e Tinta é

hora de brincar e aprender na Educação Infantil. Semana de Pedagogia:

Universidade Estadual de Maringá, 2013.

LEONTIEV, A. O desenvolvimento do psiquismo. São Paulo: Mores, 1978.

ROMANELLI, G. A música que soa na escola: estudo etnográfico nas séries iniciais do ensino fundamental. 2009. 214f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2009.

ROMANELLI, G. Antes de falar as crianças cantam! Considerações sobre

o ensino de música na Educação Infantil. In Revista Teoria e Prática da Educação, V 17, n. 2. Maringá, UEM, Maio/Ago. 2013. No prelo.

ROMANELLI, G.; CHAVES, M.; BROCA, Ana Maria de Souza. Música na Educação Infantil, uma escuta sensível e ativa da criança. In: PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Superintendência da Educação. Orientações pedagógicas na Educação Infantil:

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8 estudos e reflexões para organização do trabalho pedagógico. Curitiba: SEED/PR, 2015, p. 13-18.

Referências

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