CARTA AO INVESTIDOR 4T2020
Q
RESULTADOS
CONVERSA COM A GESTÃO
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AOS CLIENTES DA APEX CAPITAL:
Prezados investidores,
Dividimos esta carta em três grandes grupos: Resultados das diferentes estratégias; Conversa com a Gestão, em que reproduzimos algumas das discussões e perguntas mais frequentes que temos recebido de nossos clientes; e por último escrevemos um pouco mais sobre Transformação Digital, um tema que continuará sendo de grande importância na alocação de recursos e dedicação de pesquisas e análises pelo nosso time por um longo prazo.
Agradecemos a sua confiança.
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RESULTADOS
No quarto trimestre de 2020, o retorno do fundo Apex Ações FIC FIA foi de 20,17% contra 25,81% do Ibovespa. Desde seu lançamento, em novembro de 2011, o fundo acumula alta de 204,17% e o índice de 109,26%.
Tabela I. Retorno – Apex Ações FIC FIA
APEX AÇÕES1 IBOVESPA
4T2020 20,17% 25,81%
2020 -7,40% 2,92%
12 meses -7,40% 2,92%
DESDE INÍCIO (30/11/2011) 204,17% 109,26%
1 PL Médio 12M: R$ 19 MM. PL Estratégia 31/12/2020: 6,102 bi.
O fundo Apex Infinity Long Biased FIC FIA subiu 12,87% no quarto trimestre de 2020. Tabela II. Retorno – Apex Infinity LB FIC FIA
APEX INFINITY2 IBOVESPA3 IPCA+6%
4T2020 12,87% 25,81% 4,53%
2020 -5,18% 2,92% 10,67%
12 meses -5,18% 2,92% 10,67%
DESDE INÍCIO (27/08/2012) 250,18% 104,81% 156,86%
2 PL Médio 12M: R$ 15 MM PL Estratégia 31/12/2020: 2,090 bi. 3 Mera referência econômica.
O Apex Equity Hedge FIC FIM subiu 1,63% no quarto trimestre de 2020. Tabela III. Retorno – Apex Equity Hedge FIC FIM
APEX EQUITY HEDGE4 CDI %CDI
4T2020 1,63% 0,47% 345,10%
2020 1,90% 2,77% 68,50%
12 meses 1,90% 2,77% 65,50%
DESDE INÍCIO (30/11/2011) 182,05% 115,45% 157,69%
4 PL Médio 12M: R$ 1,254 bi PL Estratégia 31/12/2020: 2,108 bi.
O retorno do Apex Long Biased Icatu Previdência FIM 49 foi de 9,09% no quarto trimestre de 2020. Tabela IV. Retorno – Apex Long Biased Icatu Prev FIM 49
APEX LB ICATU PREVI5 IBOVESPA6 CDI6
4T2020 9,09% 25,81% 0,47%
2020 -3,25% 2,92% 2,77%
12 meses -3,25% 2,92% 2,77%
DESDE INÍCIO (11/03/2015) 106,27% 146,36% 61,06%
5 PL Médio 12M: R$ 155 MM. PL Estratégia 31/12/2020: 393 MM. 6 Mera referência econômica.
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CONVERSA COM A GESTÃO
Na Conversa com a Gestão, achamos que seria interessante reproduzir algumas das discussões e perguntas mais frequentes que recebemos de nossos clientes e investidores recentemente.
Perspectiva para os bancos com o crescimento econômico
Acreditamos que os bancos acompanharão o crescimento econômico com perspectivas de reversão da provisão para devedores duvidosos e, eventualmente, expansão da carteira de crédito. No entanto, estimamos que os ROEs7 de longo
prazo serão menores do que no passado devido à competição mais acirrada.
Em 2020, os bancos conseguiram se manter lucrativos, apesar das provisões extras para fazer frente ao esperado aumento nas taxas de inadimplência como consequência da pandemia. Nossa expectativa é que o resultado líquido e os ROEs7 se
recuperem em 2021 podendo ficar próximos aos níveis de 2019, já que os bancos provavelmente apresentarão uma redução nas despesas de provisões para perdas com empréstimos. Além disso, em 2020 os bancos aproveitaram a oportunidade para evoluir no controle de custos e redução da força de trabalho, e nas discussões sobre otimização da rede de agências - que costumava ser uma vantagem competitiva para as grandes instituições e tornou-se uma desvantagem em função dos custos a ela associados. Assim sendo, os bancos podem também apresentar uma contração em suas despesas em 2021 vs. 2020.
Com relação ao crédito, acreditamos que a taxa de crescimento da carteira manterá seu ritmo atual em 2021 (em torno de 10%), com alguma mudança no mix. Em 2020 observamos um forte crescimento em empréstimos corporativos, à medida que grandes clientes se preocupavam com as necessidades futuras de fluxo de caixa e com o fechamento temporário dos mercados de capitais. Já para 2021, esperamos que o crescimento dos empréstimos corporativos seja mais tímido do que em 2020, enquanto os empréstimos para pessoas físicas e PMEs8 podem acelerar. É importante
observar que a maior parte da recuperação do lucro dos grandes bancos virá da redução de custos e normalização das provisões para devedores duvidosos.
Numa visão mais estrutural do setor, olhando além dessa normalização comentada acima, a competição será mais acirrada. Os novos competidores - Stone, PagSeguro, XP, Banco Inter, Nubank, C6, entre outros - são capazes de oferecer bons serviços a custos mais baixos. Eles provavelmente serão mais fortes e obterão uma parcela maior das receitas e lucros dos bancos. Acreditamos que a receita decorrente de taxas de serviços continuará sendo o principal alvo dessas empresas, dada a maior lucratividade desses produtos. No entanto, já estamos vendo alguns competidores iniciando operações de crédito, negócio que representa 60% das receitas e 40% do lucro dos bancos. O crescimento da digitalização da base de clientes que aconteceu este ano aumentou a importância da experiência do usuário nos canais digitais, em contraponto à importância das agências bancárias no passado, o que aumenta a vantagem competitiva dos novos entrantes com forte viés em tecnologia versus os bancos incumbentes. Além dos competidores acima, as empresas-plataforma de e-commerce como Mercado Livre, Magazine Luiza, Via Varejo e B2W miram conceder crédito aos seus parceiros/sellers no marketplace e aos seus clientes.
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Outro aspecto é o fato do Banco Central do Brasil estar muito focado em aumentar a competição. Algumas iniciativas como PIX (infraestrutura de pagamento digital), cadastro positivo (semelhante à pontuação de crédito nos EUA), open
banking9 e registro de recebíveis provavelmente reduzirão os spreads10 no futuro.
Por fim, não descartamos um aumento na alíquota do imposto de renda dos bancos brasileiros. Eles provavelmente serão vistos como um dos primeiros candidatos a ajudar o governo a tentar resolver a situação fiscal.
7ROE (Return on Equity): medida do retorno sobre o patrimônio líquido. 8PME: Pequena e Média Empresa.
9Open Banking: conjunto de regras e tecnologias que vai permitir o compartilhamento de dados e serviços de clientes entre instituições financeiras por meio da integração de seus respectivos sistemas. 10Spreads: diferença entre o preço de compra e venda de um ativo.
Há um pior desempenho recente das empresas “small caps
11” em relação às “large caps
12”,
especialmente as cíclicas. Isto seria impulsionado pelo crescimento de lucro ou é simplesmente um
movimento de rotação de posições?
Os fluxos de entrada de capital em mercados emergentes e o posicionamento atual dos portfólios dos investidores estão ampliando o movimento e a divergência, mas há uma razão fundamental para isso em nossa opinião.
A recuperação do preço dos ativos este ano, que foi em forma de "K"13, está revertendo à média após dois importantes
catalisadores: a eleição presidencial nos EUA e as notícias positivas relacionadas a múltiplas vacinas. As ações que ficaram para trás estão se recuperando na medida em que se tem um movimento de venda dos ativos que mais se valorizaram para comprar os que ainda não haviam subido. Os nomes relacionados à tecnologia, que tiveram um ótimo desempenho este ano devido ao trabalho remoto, agora estão abrindo espaço nos portfólios para empresas que foram afetadas pela menor atividade econômica e/ou que foram fechadas em regime de confinamento. Este último grupo provavelmente se beneficiará do aumento gradual da mobilidade, o que será positivo para o crescimento de lucro e para os preços das suas ações. Esperamos que este tema binário de trabalho remoto versus mobilidade desapareça à medida que ocorra a implementação da vacinação.
Iniciou-se assim um rápido processo de revisões positivas do crescimento de atividade global de âmbito regional muito amplo. Os mercados emergentes acabam sendo um destino natural de alocação de capitais nestas circunstâncias e os setores de bancos e commodities que tinham ficado para trás – em sua grande maioria compostos por empresas large
cap12 - estão sendo beneficiados.
As razões acima combinadas com um ambiente de baixas taxas de juros, com excesso de liquidez no mercado e com a política global expansionista no horizonte visível tem alimentado fortemente o apetite a risco e os preços dos ativos.
Nossa expectativa é que passados estes fluxos de ajustes de posições nos portfólios, os fundamentos específicos de cada companhia voltem a prevalecer e a diferenciação entre small11 e large cap12 e entre os setores e temas deverá se normalizar como ocorria antes da pandemia.
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Achamos importante reforçar nossa opinião de que o tema secular de transformação digital não se esgotou, mas esperamos que haja alguma retração no mesmo, pois a distribuição da vacina dá às pessoas confiança para sair. Assim, a taxa de crescimento do comércio eletrônico, por exemplo, retornará à linha de tendência (como observávamos antes do vírus), só que a partir de uma base mais alta, visto que a taxa de adoção por novos usuários durante este período da pandemia foi muito “fora da curva”. As empresas beneficiadas por este tema tiveram uma impressionante expansão de múltiplos de valuation (ao se valorizarem mais do que o crescimento do lucro da sua operação) e agora estão apenas passando por um processo de correção. Estamos observando a dinâmica do preço dos ativos para encontrar um ponto de aumento de posição nos nossos portfólios.
11Small caps: empresas menores, com baixa liquidez e alto potencial de valorização. 12Large caps: empresas de grande porte, altamente capitalizadas.
13Curva em forma de “K”: indica que a evolução de preços durante a pandemia se deu de forma positiva para alguns setores e negativa para outros.
E o que dizer da rotação das empresas de crescimento para as empresas de valor (value), há
fundamentos para justificar o movimento?
Até agora tem sido uma rotação genuína (conforme os catalisadores citados acima) que se baseia na perspectiva de maior crescimento global, taxas de juros reais baixas/negativas no curto prazo, múltiplas vacinas, estímulos massivos que ainda terão impulso no crescimento da atividade econômica e nos preços de commodities. Entendemos que o movimento é uma normalização setorial (recuperação dos retardatários) que ainda pode ter fôlego para andar e, eventualmente, retornaremos às especificidades de fundamentos das empresas e dos países como antes da crise do COVID.
A narrativa construtiva para a alta é conhecida e os mercados continuarão à procura de dados positivos para justificar novas revisões de lucro para cima e/ou mais estímulos para apoiar os preços dos ativos após uma corrida tão forte no curto prazo. No momento em que estas revisões começarem a perder força o movimento deve parar. Uma coisa é certa: a necessidade de tirar dinheiro de instrumentos de renda fixa de baixo rendimento sustentará uma demanda por ativos de risco, e isso desafiará a magnitude do movimento e as preocupações de que os preços e valuations estão altos demais.
Há uma série de riscos que podem afetar o apetite dos investidores: decepções no desenvolvimento da vacinação, variantes do vírus e a necessidade de uma nova vacina, enfraquecimento do crescimento global e que pese nos preços das commodities, inflação e um aperto inesperado da política monetária global, posicionamento do portfólio dos investidores/caixa e, claro, geopolítica. Quanto ao Brasil, o governo precisará endereçar a consolidação fiscal e o jogo político será a chave para isso. A vacinação no Brasil também é mais incerta, ou ao menos mais atrasada, em comparação às economias desenvolvidas.
Veja, vamos voltar ao ponto onde estávamos no início do ano antes de sermos atingidos pelo COVID:
O governo do presidente Trump vinha pesando nos mercados com uma série de disputas que afetaram a confiança dos investidores por algum tempo, mas 2020 começou em um tom melhor com um acordo entre os EUA e a China a respeito da fase 1 do pacto comercial e abriu-se espaço para uma recuperação cíclica. Os mercados emergentes estavam fora de moda por uma série de razões idiossincráticas e o Brasil se direcionava para um longo período de juros baixos de forma
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estrutural apoiado por uma situação fiscal razoável e uma agenda de reformas construtivas a serem realizadas pelo governo que ajudariam a recuperação econômica.
E veja onde estamos agora:
A administração Biden pode ser melhor para o CAPEX global. Esperamos mais multilateralismo ao negociar em comparação com o estilo bilateral e errático de Trump.
A vacina é uma boa notícia para a recuperação sustentada da atividade econômica (alto nível de eficácia e múltiplos laboratórios trabalhando em sua própria versão) e apetite de risco. Parece uma solução definitiva para o vírus, mas agora vem o processo de distribuição/implementação que pode levar algum tempo.
Em relação à situação fiscal do Brasil, estamos num lugar pior. Temos uma situação frágil agora após ambiciosos estímulos emergenciais, e é mandatório que a agenda de reformas seja retomada.
Assim, as diferenças apontam para um ambiente global de maior crescimento, taxas de juros reais baixas/negativas para o futuro próximo, múltiplas vacinas, estímulos massivos que ainda terão impulso no crescimento da atividade econômica e preços das commodities, porém um elevado grau de incertezas políticas no ambiente doméstico. Agora vamos olhar alguns valuations pela razão preço/lucro agregados.
Em termos de valuation relativo, os múltiplos preço/lucro dos mercados emergentes parecem bem descontados em relação ao resto do mundo e o Brasil está ainda mais descontado e pode ser beneficiado pelo fluxo de investimentos se o governo mantiver o foco na execução da agenda de reformas. Vejam os gráficos abaixo:
Figura 1: MCSI Mercados Emergentes vs. MSCI Global 12M FWD PE14 - Não está mais nas mínimas, mas há espaço
para subir (achamos que o principal risco de curto prazo deve ser uma implementação de vacinação abaixo do ideal nos mercados emergentes).
Fonte: Bloomberg/Apex Capital
14FWD PE (forward price to earnings ratio): índice da relação preço/lucro de uma ação utilizando os lucros previstos para determinado período. Neste caso, de 12 meses.
0,60 0,65 0,70 0,75 0,80 0,85 0,90 jan -12 m ai -12 se t-12 jan -13 m ai -13 se t-13 jan -14 m ai -14 se t-14 jan -15 m ai -15 se t-15 ja n -16 m ai -16 se t-16 jan -17 m ai -17 se t-17 jan -18 m ai -18 se t-18 jan -19 m ai -19 se t-19 jan -20 m ai -20 se t-20
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Figura 2: MSCI Brasil vs. MSCI EM15 12M FWD PE14 – Brasil ainda muito descontado em relação a mercados
emergentes.
Fonte: Bloomberg/Apex Capital
15EM (Emerging Markets): mercados emergentes.
Figura 3: MSCI Brasil vs. SPY16 12M FWD PE14 – Múltiplos baixos em empresas de commodities e bancos
brasileiros (valor) versus múltiplos bastante elevados em empresas de tecnologia nos EUA (crescimento).
Fonte: Bloomberg/Apex Capital
16SPY: ETF que procura performar igual ao índice S&P500.
Olhando para rentabilidade/performance dos índices do Brasil em dólares versus o S&P500 na Figura 4, nota-se que se a relação voltar para o mesmo nível do início de 2020, há um potencial aproximado de 40% de alta para o Brasil. Boa parte do forte desempenho do SPY16 em 2020 foi relacionado ao setor de tecnologia dos EUA. Já em relação ao denominador
0,70 0,80 0,90 1,00 1,10 1,20 1,30 se t-11 jan -12 m ai -12 se t-12 jan -13 m ai -13 se t-13 jan -14 m ai -14 se t-14 jan -15 m ai -15 se t-15 jan -16 m ai -16 se t-16 jan -17 m ai -17 se t-17 jan -18 m ai -18 se t-18 jan -19 m ai -19 se t-19 ja n -20 m ai -20 se t-20
FWD P/E Avg -1 StDev +1 StDev -2 StDev +2 StDev
0,50 0,55 0,60 0,65 0,70 0,75 0,80 0,85 0,90 0,95 1,00 se t-11 jan -12 m ai -12 se t-12 jan -13 m ai -13 se t-13 jan -14 m ai -14 se t-14 jan -15 m ai -15 se t-15 jan -16 m ai -16 se t-16 jan -17 m ai -17 se t-17 jan -18 m ai -18 se t-18 jan -19 m ai -19 se t-19 jan -20 m ai -20 se t-20
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(EWZ), o efeito relevante aqui foi o câmbio: o BRL desvalorizou aproximadamente 28% desde 31 de dezembro de 2019 (de 4,03 para 5,19 em 30 de dezembro de 2020).
Voltamos a chamar atenção aqui sobre a necessidade de o governo brasileiro endereçar a consolidação fiscal, o que ajudaria no ajuste no lado do câmbio além de retomar o cenário de juros baixos de forma estrutural, e assim, podermos olhar para um prazo mais longo, o que minimiza questionamentos de múltiplos de valuation curto prazo.
Figura 4: Evolução de preço e razão EWZ17 vs. SPY16 desde 2015
Fonte: Bloomberg
17EWZ: índice Ibovespa dolarizado.
Em termos absolutos (veja nos gráficos abaixo), a história parece mais desafiadora e sujeita a uma correção se alguma decepção acontecer. Existe atualmente um forte momentum no crescimento global, mas para as teses mais cíclicas principalmente, é imperativo que se mantenha a atenção a novas revisões de crescimento de atividade que venham à frente para dar continuidade ao movimento. Nesse caso, os múltiplos preço/lucro nos gráficos abaixo voltarão para níveis mais baixos com as revisões de expectativas de lucro das empresas e realimentarão a alta nos preços dos ativos.
Os principais canais para as revisões são os estímulos fiscais e monetários e a implementação da vacina que ajudará na recomposição do mercado de trabalho e condições de renda e crédito. Não menos importante, a recuperação/normalização da confiança após a crise do COVID tem ajudado os preços dos ativos ao comprimir o prêmio de risco das ações. E como dissemos antes, a necessidade de encontrar alternativas de investimento aos títulos de renda fixa que estão pagando taxas de juros reais muito baixas/negativas, manterá a demanda por ativos de risco, e isso dará suporte ao preço das ações de empresas boas mesmo que estejam negociando com múltiplos de valuation fundamentalmente altos para padrões históricos.
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Figura 5: MSCI Brasil 12M FWD P/E14
Fonte: Bloomberg/Apex Capital
Figura 6: S&P 12M FWD P/E14
Fonte: Bloomberg/Apex Capital
7,00 9,00 11,00 13,00 15,00 17,00 19,00 21,00 se t-11 jan -12 m ai -12 se t-12 jan -13 m ai -13 se t-13 jan -14 m ai -14 se t-14 ja n -15 m ai -15 se t-15 jan -16 m ai -16 se t-16 jan -17 m ai -17 se t-17 jan -18 m ai -18 se t-18 jan -19 m ai -19 se t-19 jan -20 m ai -20 se t-20
FWD P/E Avg -1 StDev +1 StDev -2 StDev +2 StDev
9,00 10,00 11,00 12,00 13,00 14,00 15,00 16,00 17,00 18,00 19,00 20,00 21,00 22,00 23,00 24,00 se t-11 jan -12 m ai -12 se t-12 jan -13 m ai -13 se t-13 jan -14 m ai -14 se t-14 jan -15 m ai -15 se t-15 jan -16 m ai -16 se t-16 jan -17 m ai -17 se t-17 jan -18 m ai -18 se t-18 jan -19 m ai -19 se t-19 jan -20 m ai -20 se t-20
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Figura 7: MSCI EM 12M FWD P/E14
Fonte: Bloomberg/Apex Capital
TRANSFORMAÇÃO DIGITAL
UM TEMA QUE DEVE SE ACELERAR PÓS-PANDEMIA
Em nossa carta do 2º trimestre de 2020, escrevemos sobre o “novo” mundo pós-Covid-19 e como a pandemia causou diversas mudanças no comportamento das pessoas. Algumas delas definimos como transitórias - a cessão abrupta de viagens e o aumento vertiginoso no consumo de vídeo games são alguns exemplos. Por outro lado, mais trabalho remoto (mesmo que em regime híbrido) e um novo patamar de penetração do comércio eletrônico, bastante superior ao início do ano, devem permanecer após a pandemia.
Finalizamos a carta questionando as mudanças nas empresas e que iríamos escrever futuramente sobre o mega tema de transformação digital. Bom, achamos oportuno voltar ao tema agora sabendo que ele estará presente em muitas outras cartas futuras.
UM “VASTO TERRENO”, MAIOR QUE O ÍNDICE IBOVESPA
Apesar de pouco representativo em termos de ativos na bolsa brasileira, o mega tema de transformação digital é relevante no que tange ações listadas em bolsas internacionais. Só nos EUA, as empresas de software de aplicação (Application Software), tem uma capitalização de mercado combinada de US$1,7tri, o equivalente a 5% do S&P500 e quase o dobro do Ibovespa, pela classificação GICS18.
E não estamos colocando nessa conta as soluções de Infrastructure-as-a-Service (IaaS) ou Platform-as-a-Service (PaaS). Somente a Microsoft, que está posicionada em diversas dessas frentes, vale hoje os mesmos US$1,7tri, sendo a 2ª maior empresa do planeta por essa métrica (em 31/12/2020).
8,00 9,00 10,00 11,00 12,00 13,00 14,00 15,00 16,00 se t-11 jan -12 m ai -12 se t-12 jan -13 m ai -13 se t-13 jan -14 m ai -14 se t-14 jan -15 m ai -15 se t-15 jan -16 m ai -16 se t-16 jan -17 m ai -17 se t-17 jan -18 m ai -18 se t-18 jan -19 m ai -19 se t-19 jan -20 m ai -20 se t-20
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Figura 8: Capitalização de mercado de empresas de software de aplicação vs. S&P500 e Ibovespa (US$ bilhões): as empresas envolvidas na transformação digital em conjunto são maiores que o índice Ibovespa
Fonte: Bloomberg, Apex Capital
Devido à amplitude do tema transformação digital, enfatizamos nesta carta dois subtemas que consideramos seculares e complementares: (i) a comunicação e a colaboração no mundo digital; e (ii) a automação do fluxo de tarefas para maior produtividade.
18GICS (Global Industry Classification Standard): método para classificar de forma consistente as empresas no mundo, tanto em economias desenvolvidas quanto em desenvolvimento.
COMUNICAÇÃO E COLABORAÇÃO: PRECISAMOS DAS NOSSAS LINHAS TELEFÔNICAS?
A pandemia popularizou diversas ferramentas de comunicação, antes pouco conhecidas, para fins de trabalho. O leitor que fez pela primeira vez uma vídeo-chamada no Zoom ou uma apresentação para seus colegas pelo Microsoft Teams certamente sabe do que estamos falando. E os números dessas plataformas impressionam. Em janeiro, pouco antes da pandemia, ~10MM pessoas usavam o Zoom a cada dia e ~15MM o Microsoft Teams, em média. Nove meses depois, os números saltaram para 79MM e 37,5MM, respectivamente, um crescimento de 692% e 150% no período, conforme pode ser observado nos gráficos abaixo. A receita do Zoom cresceu 262% nos últimos 12 meses (até outubro) vs. os 12 meses anteriores. 35.202 3.415 1.733 937 0 5.000 10.000 15.000 20.000 25.000 30.000 35.000 40.000
S&P500 Software de Apilicação +
Microsoft
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Figura 9: Número de usuários do Zoom (em milhares)
Fonte: comScore, Apex Capital
Figura 10: Número de usuários do Microsoft Teams (em milhares)
Fonte: comScore, Apex Capital
Por que essas plataformas têm sucesso? Por que ferramentas pré-existentes como o Skype não ganharam corpo na pandemia? “Não dá para fazer tudo via WhatsApp?”
Não, infelizmente “não dá para fazer tudo via WhatsApp” e essa pergunta dá pistas para algumas razões para o sucesso das novas plataformas. Em primeiro lugar, ferramentas como o Zoom e o Microsoft Teams permitem a conexão fácil entre muitas pessoas (algo mais difícil de se fazer pelo WhatsApp, por exemplo). Além disso, ambas permitem a comunicação visual entre um número maior de pessoas, fator essencial para diversas situações (se você fechou algum acordo comercial nessa pandemia, viveu essa experiência).
Porém, a principal razão do sucesso dessas empresas não está nos fatores acima. Essas plataformas são muito superiores em termos do fluxo de colaboração em uma empresa. Tomemos como exemplo uma reunião matinal semanal entre 30 pessoas de uma empresa que usa o Microsoft Office. A reunião pode ser agendada pelo Outlook, que já tem um botão que cria um link para o Microsoft Teams (ou seja, o link vai estar no convite!). Dá para criar um grupo para trocar
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mensagens escritas na mesma ferramenta e mandar para todos a apresentação da reunião - seja via esse grupo, seja compartilhando o arquivo durante a reunião ou a própria tela de um dos participantes.
Todas as funções acima estão numa ferramenta integrada, gerando menos atrito e erros, aumentando a produtividade dos times, e por sua vez gerando mais uso. Uma alta utilização cria muito valor para o cliente, aumentando o custo de troca por outra plataforma. E é justamente aí que a empresa de software vence - quando sua solução se torna necessária ao invés de apenas desejável.
Obviamente, a plataforma apresenta suas falhas (vários leitores devem se recordar de desconexão de reuniões), mas, na média, a experiência deveria ser bastante superior, por exemplo, em relação ao telefone comum, o Skype ou mesmo ao WhatsApp para diversas situações. Este ano, participamos de alguns debates de analistas de Telecom e especialistas da indústria, questionando uma entrada potencial da Microsoft no setor, no futuro. Nesse ponto, não temos dúvida - a empresa não vai entrar em Telecom, ela já entrou. Afinal, quantos de nós voltaremos a fazer uma ligação telefônica convencional para os nossos colegas de trabalho depois da pandemia?
AUTOMAÇÃO DO FLUXO DE TAREFAS: DIGITALIZAÇÃO É O CAMINHO PARA O
AUMENTO DA PRODUTIVIDADE
Um outro subtema muito interessante da transformação digital é o que chamamos de automação do fluxo de tarefas (Workflow Automation19). Apesar de existirem diversas empresas trabalhando nisso, como DocuSign e Twilio, talvez o maior símbolo deste subtema seja a ServiceNOW. Apesar de desconhecida por muitos investidores brasileiros, a empresa ultrapassou recentemente a marca de US$100bi de valor de mercado, tendo 12.600 funcionários e uma receita de US$4bi nos últimos 12 meses (até setembro).
A ServiceNOW inventou um conceito muito interessante - ao invés de criar um sistema com o qual o cliente tem que se adaptar, ela construiu uma ferramenta em que o cliente desenha seu próprio sistema, adaptável à suas próprias mudanças. Inicialmente, a empresa teve como alvo a gestão de serviços de TI, posteriormente expandindo para outros fluxos e para áreas como marketing e vendas.
Para exemplificar o uso da plataforma, um caso de sucesso real foi o da 7-Eleven, uma das maiores cadeias de lojas de conveniência dos EUA. Com uma nova loja aberta a cada 3.5h, em média20, a gestão de resolução de problemas com
clientes foi se tornando cada vez mais complexa. Um dos gargalos era o fluxo de feedback de clientes e pedidos de ajuda, fazendo com que a resposta demorasse muito ou eventualmente não fosse endereçada. Através da ferramenta da ServiceNOW, os desenvolvedores da 7-Eleven criaram um fluxo novo de reporte de problemas. Canalizando 20
helpdesksdiferentes – entre eles, RH, pagamentos a funcionários e merchandising – os desenvolvedores da 7-Eleven unificaram em uma só plataforma os reportes de clientes e franqueados. O novo fluxo automaticamente prioriza os casos quando chegam, roteando cada tarefa para o funcionário correto e separando-os dos feedbacks. Com a solução, naturalmente customizada para a empresa (já que foi desenhada por ela mesma para ela mesma), o número de resoluções de casos aumentou em 205% e o tempo de resposta caiu 75%.
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Como a manutenção dos fluxos é necessária e mudanças acabam ocorrendo (numa reestruturação do cliente por exemplo), a ServiceNOW tem a característica de empresas vencedoras de longo prazo no mercado de software – ser necessária ao invés de desejável. Isso é evidenciado pela retenção bruta de receita da empresa, significativamente superior a diversas empresas premium do setor como Salesforce e Adobe, veja gráfico abaixo.
19 Workflow Automation: automatização do fluxo de trabalho.
Figura 11: Retenção bruta de receita da ServiceNOW vs. pares
Fonte: Relatórios das empresas, estimativas Apex
Outra evidência do sucesso da ServiceNOW é o número de livros sobre como usar a ferramenta, veja abaixo alguns exemplos.
20https://www.servicenow.com/customers/7-eleven.html
Figura 12: Livros sobre ServiceNOW
Fonte: Google 98% 97% 95% 95% 95% 92% 90% 90% 87% 80% 82% 84% 86% 88% 90% 92% 94% 96% 98% 100%
NOW WDAY ADBE COUP -
Ex-Coupa Pay COUP - With Coupa Pay CRM Median Software Universe Avg Software Universe DOCU
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Apesar da grande valorização das ações destas empresas nos últimos anos que pode ser observada no gráfico a seguir, acreditamos que elas podem seguir subindo. A ServiceNOW é um dos raros ativos na bolsa americana que deverá crescer seu fluxo de caixa livre em 25-30% ao ano nos próximos anos. Diferentemente de diversas outras empresas de tecnologia, que devem ter uma desaceleração em 2021, a ServiceNOW deve seguir crescendo a um ritmo não muito diferente dos 32% vistos nos 9M20.
Figura 13: Performance da ação da ServiceNOW (preços em USD)
Fonte: Bloomberg, Apex Capital
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Apex Capital Ltda
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