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Objetivos de aula: Breve apresentação de relatórios de observação sistemática descritiva / Class objectives: Brief presentation of descriptive systematic observation reports

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Objetivos de aula: Breve apresentação de relatórios de observação sistemática

descritiva

Class objectives: Brief presentation of descriptive systematic observation

reports

DOI:10.34117/bjdv6n8-213

Recebimento dos originais: 12/07/2020 Aceitação para publicação: 14/08/2020

Rodolfo Mendonça Pereira

Mestre em Psicogerontologia pelo Instituto Educatie Hoog de Ensino e pesquisa. Instituição: Professor no Curso de Psicologia Bel/Lic da Universidade de Mogi das Cruzes.

Endereço: Av. Dr. Cândido Xavier de Almeida e Souza, 200, Mogi das Cruzes – SP CEP: 08780 – 911

e-mail: [email protected] / [email protected]

RESUMO

Aulas podem promover ao aluno o contato, o conhecimento, a interação e a sensação de pertencimento ao meio. Desse modo, a finalidade da realização deste trabalho foi identificar os verbos apresentados nos objetivos de aulas e categorizá-los a partir da Taxonomia de Bloom; apresentar as técnicas de ensino-aprendizagem utilizadas pelos docentes; apresentar os recursos utilizados para o desenvolvimento das aulas e os tipos de avaliação adotados pelos docentes. Foram analisados 34 relatórios de observação descritiva de 16 aulas de um Curso Técnico Profissionalizante do Alto Tietê, em São Paulo. Para a realização desta atividade utilizou-se da Observação Sistemática Descritiva que requer documentos preparados anteriormente para o registro do que será observado, esse modo de observação caracteriza-se como uma técnica científica, cujo foco é a observação e descrição rigorosas do fenômeno observado, com ausência de pré-julgamentos e ou juízo de valor. Concluiu-se que, mesmo com a disponibilidade e abertura dos professores em relação às técnicas de ensino, há a utilização generalizante de métodos fundamentados nos modelos tradicionais de ensino e o Domínio de Conhecimento mais praticado foi o Cognitivo.

Palavras-chave: Observação Sistemática, ensino-aprendizagem, objetivos de aula.

ABSTRACT

Classes can promote contact, knowledge, interaction and a sense of belonging to the student. Thus, the purpose of carrying out this work was to identify the verbs presented in the lesson objectives and to categorize them based on Bloom's Taxonomy; present the teaching-learning techniques used by teachers; present the resources used for the development of classes and the types of assessment adopted by teachers. 34 descriptive observation reports from 16 classes of a Technical Technical Course at Alto Tietê, in São Paulo, were analyzed. To carry out this activity, we used Descriptive Systematic Observation, which requires documents previously prepared for recording what will be observed, this mode of observation is characterized as a scientific technique, whose focus is the rigorous observation and description of the observed phenomenon, with absence of pre-judgments and or value judgment. It was concluded that, even with the availability and openness of teachers in relation to teaching techniques, there is a widespread use of methods based on traditional teaching models and the most practiced Domain of Knowledge was Cognitive.

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1 INTRODUÇÃO

A ideia de desenvolver este breve trabalho surgiu a partir da inquietação pessoal do pesquisador acerca dos métodos e técnicas utilizados por professores no âmbito da formação de estudantes de cursos técnicos profissionalizantes, tendo como finalidade identificar os verbos que caracterizaram os objetivos das aulas observadas de acordo com a Taxonomia de Bloom; apresentar as técnicas de ensino-aprendizagem utilizadas pelos docentes; apresentar os recursos (materiais) utilizados para o desenvolvimento das aulas e os tipos de avaliação adotados pelos docentes.

Tal iniciativa se justifica também devido ao crescimento da oferta de cursos técnicos profissionalizantes, que é uma demanda social significativa e que promove a inserção do profissional no mercado de trabalho e o crescimento econômico, pois, como propõem Silva e Sartori (2016, p. 67) “escolas técnicas, secundárias e institutos foram criados e/ou adaptados para atender a demanda iniciada, principalmente após a segunda guerra mundial”. E, no Brasil, este ensino passou e passa por várias modificações, tendo em vista as necessidades de uma sociedade que continuamente está em transformação (SILVA e SARTORI, 2016).

Devido a importância dos cursos Técnicos Profissionalizantes para o desenvolvimento social optou-se pela Observação Sistemática Descritiva de aulas que ocorreram nesse nível de ensino. A observação é um fator preponderante para o registro dos procedimentos analisados. Mas, o que observar?

A princípio é fundamental destacar que a observação é um instrumento significativo para a coleta de dados. Como propõe Bartelmebs (2013) a observação é uma atividade na qual se pode ver e compreender, e abstrair possíveis respostas dos fatos observados, é uma habilidade de cunho científico que pode ser desenvolvida ao longo das experiências de vida.

Para Lüdke e André (1986) a história pessoal e as influências sociais interferem no modo como as pessoas veem e selecionam as informações, como elas se aproximam de umas e se afastam de outras. E, ainda

Para que se torne um instrumento válido e fidedigno de investigação científica, a observação precisa ser antes de tudo controlada e sistemática. Isso implica a existência de um planejamento cuidadoso do trabalho e uma preparação rigorosa do observador. (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 25).

Em cada aula observada e descrita foram feitas anotações referentes aos seguintes itens:  Tema da aula;

 Objetivos da aula (as competências que os alunos podem/devem dominar após a aula);  Conteúdo da aula (apresentado e descrito em tópicos);

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 Método (tanto a classificação quanto a descrição dos meios utilizados pelo docente no processo de ensino-aprendizagem);

 Recursos utilizados (apresentação e descrição de todo o material de suporte para a realização da aula);

 Avaliação (descrição do que foi produzido pelos alunos, o valor da atividade e os critérios utilizados para a atribuição da nota).

Dos itens que foram registrados (apresentados acima), o tema da aula e o conteúdo não foram objeto de apresentação desta atividade.

2 METODOLOGIA

Para a realização desta atividade utilizou-se da Observação Sistemática que, segundo Rudio (1990) requer documentos preparados anteriormente para o registro do que será observado, esse modo de observação caracteriza-se como uma técnica científica, cujo foco é a observação e descrição rigorosas do fenômeno observado, com ausência de pré-julgamentos e ou juízo de valor.

Foi preparado um formulário de Observação Sistemática Descritiva para o registro dos dados (Tema da aula; Objetivos da aula; Conteúdo trabalhado na aula; Método; Recursos; e Avaliação), e após aprovação da gestão da Instituição, foram observadas 16 (dezesseis) aulas que ocasionaram 34 (trinta e quatro) registros de observações, dos quais 3 (três) do Curso Técnico em Administração; 2 (duas) do Curso Técnico de Análises Clínicas; 6 (seis) do Curso Técnico em Edificações; 15 (quinze) do curso Técnico em Enfermagem; 2 (duas) do curso Técnico de Mecatrônica; e 6 (seis) do curso Técnico de Química. Todas as aulas observadas ocorreram em um Curso Técnico na Região do Alto Tietê, em São Paulo. As aulas foram observadas nos períodos matutino e noturno, entre os dias 20/05/2019 a 07/06/2019.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Neste breve relato a ênfase foi atribuída aos Objetivos das aulas, de acordo com a Taxonomia de Bloom (Gil, 2015), com a apresentação do verbo de cada objetivo identificado relacionado ao Domínio/Classificação e a categoria de cada Domínio.

A taxonomia está subdividida em três áreas ou domínios: a cognitiva (relacionada ao saber); a afetiva (relacionada aos sentimentos e posturas) e a psicomotora (relacionada às ações físicas).

Rodrigues Júnior (2016) apresenta a Taxonomia de Objetivos Educacionais (TOE) e nela a aprendizagem pode ser compreendida como um fenômeno de facetas variadas caracterizadas pelos Domínios Afetivo, Cognitivo e Psicomotor. Nesta atividade de Observação Sistemática Descritiva

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identificou-se apenas o Domínio Cognitivo, que, segundo o autor supracitado, é o de uso comum e recorrente.

De acordo com Gil (2015) e com Rodrigues Júnior (2016) o Domínio Cognitivo é caracterizado por seis categorias: avaliação, que requer a capacidade de confronto da informação obtida; síntese, que requer do aluno a capacidade de reunir elementos da informação para uma nova composição, considerando os traços individuais; análise, o qual requer que o aluno identifique, verifique e constate possíveis incongruências lógicas; aplicação, que requer que o aluno transporte e utilize a informação em uma nova situação; compreensão, que requer que o estudante reproduza e amplie a informação; e conhecimento, que indica que o aluno possa reproduzir com exatidão a informação dada.

O verbo realizar apareceu 4 (quatro) vezes. Esse verbo está relacionado ao Domínio afetivo, subcategoria resposta.

Todos os outros verbos correspondem ao Domínio cognitivo. Neste domínio, a subcategoria criação apareceu apenas uma vez, com o verbo formular.

Seguem os gráficos com as subcategorias do Domínio Cognitivo:

Domínio Cognitivo / Conhecimento: aptidão para o reconhecimento e a reprodução de ideias

e dos conteúdos. Com essa habilidade o aluno poderá tanto distinguir quanto selecionar uma informação, além de reproduzi-la e ou recordá-la.

Domínio Cognitivo / Análise: ao desenvolver essa habilidade o aluno está apto para

(sub)dividir e qualificar a informação enquanto relevante e ou irrelevante e estabelecer as possíveis relações da informação. 19 1 6 1 1 28 0 5 10 15 20 25 30

Domínio Cognitivo - Conhecimento

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Domínio Cognitivo / Compreensão: ao desenvolver essa habilidade o aluno conseguirá

estabelecer relação entre o que ele já sabe e o novo conhecimento adquirido, e consegue lidar com a informação em seus próprios termos.

Domínio Cognitivo / Aplicação: ao desenvolver essa habilidade o aluno pode aplicar o

conhecimento em situações comuns (corriqueiras) como também em situações novas, que ainda não foram experienciadas. 1 3 1 5 0 1 2 3 4 5 6

Domínio Cognitivo - Análise

Analisar Diferenciar Verificar Total

1 2 2 5 0 1 2 3 4 5 6

Domínio Cognitivo - Compreensão

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Quanto aos métodos adotados pelos docentes, foram observados os seguintes:

Aula expositiva Dialogada: este modelo de aula consiste em colocações verbais nas quais os professores objetivam transmitir informações aos alunos, e há a contrapartida dos alunos, expondo as suas experiências, compreensões e dúvidas acerca do conteúdo abordado na aula. (GIL, 2015).

Estudo Dirigido: este modelo de aprendizagem é uma atividade realizada pelos alunos, que pode ser individual ou em pequenos grupos e há a orientação do professor e o suporte de um roteiro de atividades. (GIL, 2015).

Seminário: este é um modelo no qual se pode apresentar o conteúdo de modo coordenado, constituído por um pequeno grupo de pessoas (alunos) cujo foco é estudar e clarificar o tema estudado. É uma prática mais recorrente no Ensino Superior, embora, bem orientada, pode ser naturalmente utilizada no Ensino Básico. (GIL, 2015).

De acordo com as descrições e, principalmente, com o gráfico acima, é significativo, notório e intrínseco que, no processo ensino-aprendizagem, há o apelo ao Modelo Tradicional “que inclui

3 1 3 1 1 1 2 12 0 2 4 6 8 10 12 14

Domínio Cognitivo - Aplicação

Calcular Demonstrar Aplicar Operar Resolver Utilizar Elaborar Total

26 6 2 34 0 10 20 30 40 Frequência de uso

Método de aprendizagem

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As técnicas utilizadas enfatizaram os conteúdos e as situações de sala de aula e, mesmo com a participação do aluno, é importante que o professor esteja atento aos conteúdos para que contribua para a exatidão e que não haja incongruências na compreensão dos alunos.

Quanto aos recursos, estes são meios que podem, de modo bastante significativo, facilitar o processo de ensino-aprendizagem, pois são mecanismos que vão além dos esforços verbais dos professores (as vezes limitados e limitantes). Os recursos, principalmente audiovisuais, são instrumentos importantes para facilitar a comunicação e o diálogo professor-aluno-conteúdo. Os recursos audiovisuais, embora facilitadores, não são e não devem ser uma substituição a outros meios acessíveis aos docentes. Cabe a este conhecer, minimamente, o grupo de alunos, as necessidades e facilidades para escolher os mecanismos mais adequados, a partir da realidade dada, para uma boa facilitação tanto da comunicação quanto da aprendizagem. (GIL, 2015).

Quanto à avaliação, esta é um processo que requer escolhas, que podem ser significativas e pertinentes ao processo formativo, e que requer critérios adequados. “A avaliação é, portanto, uma atividade que envolve legitimidade técnica e legitimidade política na sua realização” (FERNANDES e FREITAS, 2008, p. 17).

Essa legitimidade técnica advém tanto da formação profissional do educador quanto da abertura à realidade e experiência na docência, tendo em vista os princípios e critérios coletivos e curriculares que compõem o Projeto Político Pedagógico que rege a Instituição.

Gil (2015) sugere que a avaliação é compreendida como parte importante do processo de aprendizagem e que deve estar de acordo com os objetivos a serem alcançados pelos alunos em cada etapa do processo formativo.

A avaliação é um processo, não é necessariamente um produto de uma atividade, é contínua ao longo da disciplina e do curso. E deve ser considerado o desempenho do aluno não apenas ao fim

7 8 1 16 0 5 10 15 20 Frequência

Recursos utilizados

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de um ciclo de mensuração por nota, que mede atribuindo um determinado valor, mas também o desempenho com base nos critérios estabelecidos.

Como resultado do processo de Observação Sistemática Descritiva realizado nas 16 aulas (100% das aulas) foi identificado o uso recorrente da Avaliação Formativa, o que é um dado surpreendente (de modo positivo) em razão da natureza dos cursos.

A avaliação Formativa tem como foco o processo ensino-aprendizagem e está incorporada ao ato de ensinar, é componente da ação formativa e, com a participação do aluno, desencadeada pelo professor, possibilita identificar dificuldades que ocorrem ou possam ocorrer no processo formativo, sendo muito útil para que o professor efetue adequações da sua prática de docência e acompanhe o processo de mudanças quantitativas e qualitativas no percurso formativo dos alunos.

4 CONSIDERAÇÃO FINAIS

De acordo com os registros das observações, foi possível compreender que há uma tendência de abertura dos profissionais (professores) na adequação e variação das técnicas de ensino, mesmo seguindo e mantendo como base os modelos tradicionais, para alcançarem os objetivos propostos para cada aula e também para as disciplinas ao longo do semestre, ao procurarem desenvolver habilidades específicas dos alunos, principalmente na formação específica para a atuação técnica no mercado de trabalho e na vida social/relacional.

Foi observado que os conteúdos das aulas, embora não descritos no trabalho, foram abordados de modo condizente com a escolha do método de aprendizagem cujos objetivos foram ocasionar aos alunos o conhecimento para a análise da disciplina tendo em vista a compreensão teórica e a aplicação na vivência profissional.

Diante do que foi posto neste trabalho, sugere-se que haja, por parte dos profissionais envolvidos no processo ensino-aprendizagem e da educação como um todo, inquietação pela atualização, formação e principalmente escuta das dificuldades acadêmicas encontradas pelos alunos e a adequação dos meios para o alcance adequado dos objetivos das aulas, que de acordo com Gil (2015) são os elementos principais que norteiam a prática do professor.

REFERÊNCIAS

BARTELMEBS, Roberta Chiesa. A observação na pesquisa em educação: planejamento e execução. Disponível em: http://www.sabercom.furg.br/bitstream/1/1454/1/Texto_observacao.pdf. Acesso em: 14/07/2019.

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FERNANDES, Cláudia de Oliveira; FREITAS, Luiz Carlos de. Currículo e avaliação. In: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Indagações sobre currículo: currículo e

avaliação; Organização do documento Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Pagel, Aricélia Ribeiro

do Nascimento. – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008.

GIL, Antonio Carlos. Metodologia do Ensino Superior. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2015.

LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 2019.

RODRIGUES JÚNIOR, José Florêncio. A taxonomia de objetivos educacionais. 2. ed. Brasília: Editora Universitária de Brasília, 2016.

RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de metodologia científica. Petrópolis: Vozes, 1990.

SILVA, Adelson de Paula; SARTORI, Viviane. ENSINO TÉCNICO PROFISSIONALIZANTE - ESTUDO DE CASO: UMA PROPOSTA DE CURSO TÉCNICO DA REDE E-TEC BRASIL. Poiésis - Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação, [S.l.], v. 10, p. 66-83, nov. 2016. ISSN 2179-2534. Disponível em: <http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Poiesis/article/view/3895>. Acesso em: 18 jul. 2019. doi:http://dx.doi.org/10.19177/prppge.v10e0201666-83.

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